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FUNDAMENTOSFUNDAMENTOS
MÉTODO, PROJETO E ARTIGO
DA PESQUISA
CIENTÍFICA
DA PESQUISA
CIENTÍFICA
LEANDRO DE ARAÚJO CRESTANI
Copyrights do texto - Autores e Autoras
Direitos de Edição Reservados à Editora Terried
É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.
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(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Índices para catálogo sistemático:
1. Educação 90.14
2. Ensino 90.9 
www.terried.com
contato@terried.com
Fundamentos da Pesquisa Científica: Método, Projeto e 
Artigo. Leandro de Araújo Crestani (Autor) -- Alegrete, 
RS : Editora Terried, 2025.
PDF
ISBN.978-65-83367-75-4
1. Educação
24-225451 CDD-918.17
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO................................................................................................7
CAPÍTULO 1 – FUNDAMENTOS DO MÉTODO CIENTÍFICO E 
CLASSIFICAÇÕES DA PESQUISA...............................................................9
1.1. O MÉTODO CIENTÍFICO.......................................................................9
1.1.1. Breve percurso histórico........................................................................10
1.2. CLASSIFICAÇÕES E TIPOS DE PESQUISA ....................................11
1.2.1. Quanto à natureza da pesquisa...........................................................12
1.2.2. Quanto à abordagem do problema.....................................................12
1.2.3. Quanto aos objetivos da pesquisa........................................................13
1.2.4. Quanto aos procedimentos técnicos.....................................................15
1.3. PLANEJAMENTO DA PESQUISA......................................................16
1.4. TIPOS DE MÉTODOS CIENTÍFICOS................................................19
1.4.1. Método indutivo ....................................................................................19
1.4.2. Método dedutivo.....................................................................................20
1.4.3. Método hipotético-dedutivo ...............................................................21
1.4.4. Método dialético......................................................................................21
CAPÍTULO 2 – ETAPAS DA PESQUISA E ESTRUTURA DO PROJETO 
.........................................................................................................................23
2.1. O PLANEJAMENTO DA PESQUISA...............................................23
2.1.1. Etapas iniciais do planejamento.........................................................24
2.1.2. Etapas gerais da pesquisa científica...................................................25
2.2 ESTRUTURA DO PROJETO DE PESQUISA........................................28
2.2.1. Tema: o que vou pesquisar?..................................................................29
2.2.2. Delimitação do tema: o que exatamente vou pesquisar?....................29
2.2.3. Justificativa: por que esta pesquisa é importante?.............................30
2.2.4. Problema de pesquisa: qual questão pretendo responder?................30
2.2.5. Hipóteses: o que suponho sobre o problema?.....................................31
2.2.6. Objetivos: o que pretendo alcançar?...................................................32
2.3. Revisão da literatura: o que já sei sobre o tema?..................................33
2.3.1. Apresentar os principais conceitos relacionados ao tema..................33
2.3.2. Indicar os autores que fundamentam teoricamente o estudo...........34
2.3.3. Situar a pesquisa no estado atual do conhecimento ...........................34
Leandro de Araújo Crestani
2.3.4. Identificar lacunas, controvérsias ou aspectos pouco explorados..34
2.3.5. Importância da revisão da literatura mesmo em pesquisas exploratórias 
......................................................................................................................................35
2.3.6. Registro cuidadoso das fontes consultadas.........................................35
2.3.7. Relação entre revisão da literatura e demais partes da pesquisa....36
2.4. Metodologia: como vou desenvolver a pesquisa?..................................36
2.5. Orçamento: quanto a pesquisa irá custar?............................................41
2.6. Cronograma: em que prazo cada etapa será realizada?.......................42
2.7. Referências: quais fontes fundamentam o projeto?..............................45
2.8. ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DO PROJETO DE PESQUISA 
....................................................................................................................................48
CAPÍTULO 3 – COMO ESCREVER UM ARTIGO CIENTÍFICO.........50
3.1. O QUE É UM ARTIGO?.........................................................................51
3.2. ESTRUTURA DO ARTIGO...................................................................53
3.2.1. Elementos pré-textuais.........................................................................54
3.2.2. Elementos textuais................................................................................57
3.2.3. Elementos pós-textuais.........................................................................61
3.3. LINGUAGEM DO ARTIGO CIENTÍFICO.........................................65
3.3.1. REVISÃO FINAL DO ARTIGO ANTES DA ENTREGA................66
REFERÊNCIAS ..............................................................................................70
7
Fundamentos da Pesquisa Científica: Método, Projeto e Artigo
Leandro de Araújo Crestani Leandro de Araújo Crestani
INTRODUÇÃO
A pesquisa científica constitui um dos pilares centrais da vida acadêmica 
e da produção de conhecimento na sociedade contemporânea. É por meio dela 
que novas explicações são formuladas, teorias são testadas e aprimoradas, práti-
cas são revisadas e problemas concretos encontram caminhos de compreensão e 
intervenção.
Mais do que uma atividade pontual, a pesquisa configura-se como um pro-
cesso contínuo de questionamento, análise e reconstrução de saberes, sustentado 
por procedimentos sistemáticos e critérios de rigor amplamentepesquisa. A amostra pode ser:
• Probabilística (quando cada elemento da população tem chance conheci-
da de ser escolhido – sorteio);
• Não probabilística (por conveniência, intencional, por critérios específi-
cos, acessibilidade etc.).
Na metodologia, é necessário:
• informar quem será pesquisado (perfil);
• indicar quantos participantes ou quantos casos serão estudados (tama-
nho da amostra);
• explicar como serão selecionados (critérios de inclusão e exclusão);
• justificar a escolha, sempre que possível.
Quando a pesquisa é qualitativa, não se fala em “representatividade estatís-
tica”, mas ainda assim é fundamental explicar por que aqueles sujeitos, casos ou 
contextos foram escolhidos.
d) Instrumentos de coleta de dados
Os instrumentos de coleta são as ferramentas usadas para obter as infor-
mações necessárias à pesquisa. Entre os mais comuns, destacam-se:
• Questionários – conjunto de perguntas, geralmente fechadas ou semia-
bertas, respondidas pelos participantes, com ou sem a presença do pesqui-
sador. São muito utilizados em pesquisas quantitativas e levantamentos.
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Fundamentos da Pesquisa Científica: Método, Projeto e Artigo
Leandro de Araújo Crestani Leandro de Araújo Crestani
• Entrevistas – podem ser estruturadas, semiestruturadas ou abertas:
1. Estruturadas: perguntas previamente definidas, com pouca flexibili-
dade;
2. Semiestruturadas: roteiro com tópicos, permitindo maior profundidade 
e liberdade de resposta;
3. Abertas: conversas em profundidade, com foco no tema, mas sem roteiro 
rígido.
• Observação – registro sistemático do comportamento, das interações ou 
de situações em contextos naturais (sala de aula, reuniões, serviços, comu-
nidades etc.). Pode ser participante (o pesquisador participa da situação) ou 
não participante.
• Análise documental – uso de documentos como fonte de dados: planos, 
atas, relatórios, legislações, prontuários, registros escolares, projetos insti-
tucionais etc.
• Formulários e testes – instrumentos padronizados, com itens estrutura-
dos para medir características, habilidades, atitudes ou conhecimentos.
Na metodologia, é importante:
• dizer quais instrumentos serão utilizados;
• explicar como foram ou serão construídos (elaboração própria, adapta-
ção de instrumentos existentes, validação por especialistas etc.);
• indicar como e onde serão aplicados (tempo, local, formato presencial 
ou on-line).
e) Forma de tratamento e análise dos dados
Não basta dizer como os dados serão coletados; é necessário explicitar 
como serão tratados e analisados. Em linhas gerais, pode-se distinguir:
• Análise quantitativa – quando os dados são numéri-
cos ou transformados em números. Envolve:
o organização dos dados em planilhas;
o cálculo de frequências, percentuais, médias, desvio-padrão etc.;
o uso de testes estatísticos (quando pertinente);
o apresentação em tabelas, gráficos e quadros.
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Fundamentos da Pesquisa Científica: Método, Projeto e Artigo
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Aqui, o pesquisador deve informar se utilizará estatística descritiva (para 
descrever o comportamento dos dados) e/ou estatística inferencial (para testar 
hipóteses, verificar correlações, comparar grupos etc.).
• Análise qualitativa – quando se trabalha com discursos, narrativas, 
observações, documentos, imagens etc. Alguns exemplos:
o Análise de conteúdo – categorização sistemática de unidades de 
significado presentes em falas, textos ou documentos;
o Análise de discurso – estudo das formas de enunciação, relações de 
poder, ideologias presentes na linguagem;
o Análise temática – identificação de temas centrais recorrentes nas 
falas ou textos;
o Análises específicas conforme referenciais teórico- metodológicos 
(por exemplo, análise fenomenológica, análise hermenêutica, aná-
lise narrativa).
Na metodologia, o pesquisador precisa indicar:
• qual técnica de análise utilizará;
• quais passos seguirá (por exemplo: transcrição de entrevistas, leitura 
flutuante, definição de categorias, codificação, interpretação, etc.);
• se utilizará softwares de apoio (como SPSS, R, Excel, NVivo, Atlas.ti, por 
exemplo, se pertinente).
2.5. ORÇAMENTO: QUANTO A PESQUISA IRÁ CUSTAR?
Quando houver necessidade de recursos financeiros, o projeto deve incluir 
um orçamento detalhado, que contemple:
• identificação dos itens de despesa;
• quantidades previstas;
• custo unitário;
• custo total por item.
Conforme Gil (2010), é comum agrupar os itens em categorias, como:
• materiais permanentes;
• materiais de consumo;
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Fundamentos da Pesquisa Científica: Método, Projeto e Artigo
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• diárias;
• passagens e deslocamento;
• serviços de terceiros;
• outros custos operacionais.
Mesmo em pesquisas de baixo custo, o registro de gastos mínimos (impres-
sões, deslocamentos, materiais de escritório) contribui para a transparência e o 
controle do processo.
2.6. CRONOGRAMA: EM QUE PRAZO CADA ETAPA SERÁ REALIZADA?
O cronograma é o instrumento que organiza o tempo da pesquisa. Se a 
metodologia mostra como o estudo será feito, o cronograma indica quando cada 
etapa será realizada. Ele funciona como um plano de trabalho temporal, permitin-
do ao pesquisador visualizar o percurso da investigação e distribuir as atividades 
de forma realista ao longo do período disponível.
Um cronograma bem elaborado:
• evita acúmulo de tarefas em um único momento;
• ajuda a cumprir prazos institucionais;
• permite prever dificuldades e ajustar o planejamento;
• torna o projeto mais viável e profissional aos olhos de avaliadores e orien-
tadores.
A seguir, detalham-se os principais elementos que devem ser contemplados.
a) Data de início e término da pesquisa
O primeiro passo é definir o período total em que a pesquisa será desenvol-
vida. É necessário indicar:
• Data de início – momento em que se prevê começar formalmente o es-
tudo (por exemplo, início do semestre, da disciplina, da vigência de um 
edital, do vínculo de pesquisa etc.);
• Data de término – prazo final para conclusão da pesquisa, geralmente 
vinculado:
o ao calendário acadêmico (entrega de TCC, monografia, dis-
sertação ou tese);
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Fundamentos da Pesquisa Científica: Método, Projeto e Artigo
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o às exigências de um edital de financiamento;
o ao encerramento de um curso ou contrato de pesquisa.
Essa definição global delimita o “tempo disponível” e orienta a distribuição 
das demais atividades.
b) Período destinado a cada etapa da pesquisa
Depois de definido o prazo total, é necessário dividir esse tempo entre as 
etapas principais do trabalho, como, por exemplo:
• Revisão da literatura
o Leituras sistemáticas de livros, artigos, teses e documentos;
o Fichamento, organização de referências e construção do referencial 
teórico.
Essa etapa costuma ocupar uma parte significativa do início do cronogra-
ma, mas pode se estender, de forma complementar, ao longo de toda a pesquisa.
• Elaboração e/ou finalização do projeto
o Redação da introdução, problema, objetivos, justificativa, metodo-
logia etc.;
o Ajustes sugeridos pelo orientador ou banca, quando houver.
• Coleta de dados
o Contato com instituições e participantes;
o Aplicação de questionários, entrevistas, observações, análise de do-
cumentos;
o Registro fiel das informações coletadas.
Aqui é importante prever tempo suficiente para imprevistos (faltas, rea-
gendamentos, dificuldades de acesso).
• Organização e tratamento dos dados
o Digitação, tabulação ou transcrição de informações;
o Conferência dos registros;
o Preparação de bancos de dados (planilhas, softwares etc.).
• Análise dos dados
o Aplicação de técnicas estatísticas (quando for o caso);
o Definição de categorias, leitura interpretativa de falas, textos ou 
documentos;
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o Articulação entre dados empíricose referencial teórico.
• Redação do relatório ou trabalho final
o Elaboração dos capítulos (introdução, metodologia, resultados, 
discussão, conclusão);
o Inserção de tabelas, gráficos, quadros, figuras, apêndices e 
anexos.
• Revisão textual e normalização
o Revisão gramatical e de clareza do texto;
o Verificação de citações, referências e formatação segundo as nor-
mas da ABNT e do manual institucional;
o Ajustes finais sugeridos por orientador, colegas ou pareceristas.
• Apresentação dos resultados
o Preparação de slides, pôster ou exposição oral;
o Defesa do trabalho ou apresentação em seminários, bancas ou eventos.
Cada uma dessas etapas deve ser associada a um período específico (por 
exemplo, semanas ou meses), de maneira coerente com o tempo total disponível.
c) Data estimada para entrega do relatório ou produto final
Além de indicar o término da pesquisa, é importante registrar, no cronogra-
ma, a data prevista para a entrega do produto final, que pode ser:
• relatório de pesquisa;
• artigo científico;
• monografia, TCC, dissertação ou tese;
• relatório técnico ou outro formato exigido pela instituição.
Essa data costuma estar vinculada a prazos formais (calendário acadêmi-
co, edital, cronograma de disciplina etc.) e deve ser respeitada. Por isso, é fun-
damental prever uma margem de segurança, evitando deixar redação e revisão 
para os últimos dias.
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Fundamentos da Pesquisa Científica: Método, Projeto e Artigo
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2.7. REFERÊNCIAS: QUAIS FONTES FUNDAMENTAM O PROJETO?
As referências constituem o último elemento do projeto de pesquisa, mas 
não são um simples “anexo formal”: elas expressam, de maneira organizada, 
quais vozes teóricas, metodológicas e documentais sustentam o estudo. Em ou-
tras palavras, a lista de referências é o espelho da caminhada intelectual do pes-
quisador ao longo da construção do projeto.
Ela deve reunir apenas as obras efetivamente citadas no texto, isto é, aque-
las que foram mencionadas em citações diretas ou indiretas, em notas de rodapé 
ou na fundamentação do trabalho. A seguir, detalham-se as funções e cuidados 
principais relacionados a essa seção.
a) Dar visibilidade às bases teóricas e metodológicas utilizadas
Ao listar as referências, o pesquisador:
• torna explícitas as bases teóricas que orientam sua leitura do problema 
(autores, correntes, conceitos centrais);
• mostra quais procedimentos metodológicos se apoiam em manuais, 
textos de metodologia ou estudos de referência na área;
• indica claramente que o projeto está ancorado em um acervo consolida-
do de conhecimento, e não em opiniões isoladas.
Desse modo, as referências permitem que o leitor compreenda em que tra-
dição científica o estudo se insere e com quais autores o pesquisador dialoga.
b) Permitir que outros pesquisadores consultem as mesmas fontes
Uma das características da ciência é a possibilidade de verificação e repli-
cação. Para isso, é fundamental que qualquer pessoa interessada consiga localizar 
os mesmos materiais que foram utilizados na pesquisa.
Ao apresentar referências completas e padronizadas, o pesquisador:
• possibilita que outros leiam as obras citadas, confiram interpretações e 
confrontem ideias;
• favorece que seu estudo seja aprofundado, criticado, ampliado ou atuali-
zado em pesquisas futuras;
• contribui para a circulação do conhecimento, uma vez que valoriza e in-
dica o trabalho de outros autores.
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Fundamentos da Pesquisa Científica: Método, Projeto e Artigo
Leandro de Araújo Crestani Leandro de Araújo Crestani
Assim, a lista de referências é também um instrumento de transparência e 
diálogo científico.
c) Conferir credibilidade e rigor acadêmico ao trabalho
Um projeto sem referências, com referências incompletas ou em desacordo 
com normas técnicas, transmite a impressão de fragilidade teórica ou descuido 
metodológico.
Ao contrário, um conjunto de referências:
• adequado ao tema;
• atualizado (sem ignorar autores clássicos relevantes);
• coerente com as citações feitas no corpo do texto;
• corretamente formatado,
Logo, indica que o pesquisador realizou um levantamento sério da litera-
tura, que domina minimamente o campo de estudo e que respeita as normas da 
escrita acadêmica. Essa dimensão técnica reforça a credibilidade do trabalho e 
sua aceitabilidade em contextos institucionais e científicos.
d) Quais fontes podem (e devem) compor as referências?
Devem ser incluídas todas as fontes efetivamente utilizadas na elaboração 
do projeto, tais como:
• Livros (obras integrais, capítulos de livros, coletâneas);
• Artigos científicos publicados em periódicos impressos ou eletrônicos;
• Dissertações e teses;
• Monografias e TCCs, quando pertinentes;
• Documentos oficiais (leis, decretos, diretrizes, pareceres, relatórios ins-
titucionais);
• Materiais digitais (sites institucionais, bases de dados, manuais on-li-
ne, documentos em PDF etc.), desde que acadêmica ou institucionalmente 
confiáveis;
• Relatórios técnicos;
• Filmes, entrevistas, vídeos, podcasts e outros materiais midiáticos, 
quando foram objeto ou fonte de análise;
• Dados estatísticos oficiais (provenientes de órgãos de pesquisa, institutos 
públicos etc.).
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Fundamentos da Pesquisa Científica: Método, Projeto e Artigo
Leandro de Araújo Crestani Leandro de Araújo Crestani
É importante lembrar:
Só deve constar na lista de referências aquilo que foi, em algum momento, 
citado no texto. Fontes lidas, mas não utilizadas, não integram a seção de refe-
rências (podem, no máximo, compor uma bibliografia consultada, se o modelo 
institucional assim o permitir).
e) Organização segundo as normas da ABNT
Além de selecionar corretamente as fontes, é indispensável que elas sejam 
apresentadas de acordo com as normas da ABNT vigentes (especialmente a 
NBR 6023, que trata de referências). Isso significa:
• seguir a ordem dos elementos exigida para cada tipo de documento (au-
tor, título, subtítulo, edição, local, editora, data, páginas, endereço eletrôni-
co, data de acesso etc.);
• padronizar pontuação, uso de maiúsculas e minúsculas, itálico, negrito;
• organizar as referências, em geral, em ordem alfabética pelo sobrenome 
do autor;
• manter coerência interna: todas as referências devem seguir o mesmo 
padrão.
Quando a instituição dispõe de manual próprio de normalização, este 
deve ser utilizado em articulação com as normas da ABNT.
A seção de Referências não é um mero apêndice técnico do projeto, mas 
uma parte essencial de sua estrutura científica. Ela:
• revela as bases teórico-metodológicas que sustentam o estudo;
• permite a verificação e o aprofundamento do conhecimento produzido;
• reforça o compromisso ético e acadêmico do pesquisador com a correta 
utilização de fontes;
• contribui diretamente para o rigor, a credibilidade e a qualidade do tra-
balho.
Por isso, o cuidado com as referências deve acompanhar todo o processo 
de elaboração do projeto, desde as primeiras leituras até a versão final do texto.
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Fundamentos da Pesquisa Científica: Método, Projeto e Artigo
Leandro de Araújo Crestani Leandro de Araújo Crestani
2.8. ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DO PROJETO DE PESQUISA
O projeto de pesquisa é o documento em que o pesquisador explicita, de 
forma clara, sistemática e organizada, o que pretende investigar, por que, para 
quê e como a pesquisa será realizada. Nele devem constar, de maneira articulada, 
o tema, a relevância do estudo, os objetivos, a fundamentação teórica, o percurso 
metodológico, o cronograma, os recursos necessários e as referências que susten-
tam a proposta.
Para garantir padronização e facilitar a leitura, esses elementos se distri-
buem em três blocos principais:
a) Elementos pré-textuais
São as partes que antecedem o texto propriamente dito e têm função de 
identificação e organização do trabalho:
• Capa – apresenta título, autor(es), instituição, curso, local e ano.
• Folha de rosto – repete dados essenciais,podendo incluir a natureza do 
trabalho (projeto de pesquisa), objetivo (por exemplo, requisito parcial para dis-
ciplina ou curso) e nome do orientador.
• Sumário – lista as seções e subseções do projeto, com indicação das pá-
ginas, permitindo uma visão global da estrutura.
b) Elementos textuais
Constituem o núcleo do projeto, onde se apresenta e se justifica a proposta 
de investigação:
1. Assunto / Tema – indicação clara do foco geral da pesquisa (sobre o que 
vou pesquisar?).
2. Justificativa – exposição dos motivos teóricos, sociais, institucionais ou 
profissionais que tornam o estudo relevante.
3. Problema de pesquisa – formulação, em forma de pergunta, da questão 
central que se pretende responder.
4. Hipóteses (quando couber) – proposições provisórias sobre possíveis 
respostas ao problema, a serem testadas ao longo da pesquisa.
5. Objetivos – enunciam o que se pretende alcançar:
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Fundamentos da Pesquisa Científica: Método, Projeto e Artigo
Leandro de Araújo Crestani Leandro de Araújo Crestani
o 5.1 Objetivo geral – finalidade mais ampla do estudo.
o 5.2 Objetivos específicos – desdobramentos concretos, etapas in-
termediárias que conduzem ao objetivo geral.
6. Fundamentação teórica – apresentação e discussão dos conceitos, 
autores e estudos que sustentam teoricamente o trabalho.
7. Encaminhamento metodológico – descrição do tipo de pesquisa, pro-
cedimentos técnicos, participantes, instrumentos de coleta, técnicas de análise 
e demais aspectos operacionais.
8. Orçamento (quando pertinente) – previsão dos custos envolvidos (ma-
teriais, serviços, deslocamentos etc.), especialmente em projetos financiados.
9. Cronograma – distribuição das etapas da pesquisa no tempo, com in-
dicação de início, término e duração aproximada de cada atividade.
c) Elementos pós-textuais
São componentes que complementam o projeto e garantem seu rigor 
acadêmico:
10. Referências – lista das obras efetivamente citadas no texto, elaborada 
conforme as normas da ABNT.
11. Apêndices (quando necessários) – materiais produzidos pelo pró-
prio pesquisador (roteiros, modelos de instrumentos, quadros explicativos) que 
complementam a compreensão da proposta.
12. Anexos (quando necessários) – documentos não produzidos pelo pes-
quisador (leis, relatórios, pareceres, tabelas oficiais etc.) que fundamentam ou 
ilustram a proposta.
Esse roteiro sintético oferece um modelo estruturante para a elaboração 
do projeto de pesquisa, assegurando que todos os elementos essenciais estejam 
contemplados e articulados de forma coerente com o problema e os objetivos 
do estudo.
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Fundamentos da Pesquisa Científica: Método, Projeto e Artigo
Leandro de Araújo Crestani Leandro de Araújo Crestani
CAPÍTULO 3
COMO ESCREVER UM ARTIGO CIENTÍFICO
Neste capítulo, o foco recai sobre a produção do artigo científico, gênero 
central na comunicação do conhecimento acadêmico e na circulação de resulta-
dos de pesquisa. É por meio de artigos que a maior parte das descobertas científicas 
se torna pública, é avaliada por pares, retomada em novas investigações e incor-
porada ao corpo de conhecimento de uma área. Dominar a escrita desse tipo de 
texto, portanto, não é apenas uma exigência formal da vida universitária, mas um 
passo decisivo para a inserção do estudante no universo da pesquisa.
O percurso proposto inicia-se pela definição de artigo científico e pela com-
preensão de seu papel na dinâmica da ciência. Em seguida, detalha-se sua estrutu-
ra formal, organizada em elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais, eviden-
ciando a função de cada parte na composição do texto.
Por fim, são discutidos os cuidados essenciais na revisão final antes da 
submissão ou entrega do artigo, etapa frequentemente subestimada, mas deter-
minante para a clareza, a correção e a aceitabilidade do trabalho.
O objetivo é oferecer um roteiro claro e sistemático que permita ao 
estudante:
• compreender o que caracteriza um artigo científico em termos de forma, 
função e conteúdo;
• organizar adequadamente sua estrutura formal, atendendo às exigências 
de revistas, eventos e instituições acadêmicas;
• redigir com linguagem científica adequada, marcada por clareza, obje-
tividade, coerência e rigor conceitual;
• desenvolver a capacidade de revisar criticamente o próprio texto, iden-
tificando fragilidades, incoerências e inadequações antes de finalizá- lo.
Ao final deste capítulo, espera-se que o estudante consiga não apenas re-
conhecer um artigo científico bem estruturado, mas também se sinta apto a 
planejar e escrever o seu próprio texto, articulando teoria, método e resultados de 
forma consistente.
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Fundamentos da Pesquisa Científica: Método, Projeto e Artigo
Leandro de Araújo Crestani Leandro de Araújo Crestani
3.1. O QUE É UM ARTIGO?
De acordo com a ABNT (NBR 6022, 2003, p. 2), o artigo científico é 
definido como: “publicação com autoria declarada, que apresenta e discute ideias, 
métodos, técnicas, processos e resultados nas diversas áreas do conhecimento”.
Essa definição destaca alguns elementos fundamentais:
• trata-se de uma publicação, isto é, um texto destinado à divulgação em 
meios formais (periódicos, anais de eventos, revistas científicas, entre ou-
tros);
• possui autoria declarada, o que implica responsabilidade ética, intelec-
tual e metodológica por parte do(s) autor(es);
• tem por finalidade apresentar e discutir ideias, métodos, técnicas, pro-
cessos e resultados, ou seja, não se limita a descrever, mas analisa, interpre-
ta, compara, confronta.
Em termos práticos, o artigo científico é um texto sintético, com extensão 
limitada, que assume a forma de um relatório escrito de pesquisa ou estudo. Seu 
objetivo central é comunicar, de maneira rápida, objetiva e organizada, os princi-
pais elementos de uma investigação, entre os quais se destacam:
• o problema investigado – a questão central que orienta o estudo;
• o referencial teórico utilizado – os conceitos, autores e correntes que 
fundamentam a análise;
• a metodologia adotada – o tipo de pesquisa, procedimentos técnicos, 
instrumentos e estratégias de análise de dados;
• os resultados obtidos – os achados empíricos ou teóricos alcançados ao 
longo do estudo;
• as dificuldades e limites encontrados – obstáculos práticos, restrições 
metodológicas ou limites de generalização;
• as conclusões alcançadas – síntese das principais contribuições, implica-
ções e possíveis desdobramentos.
Os temas abordados em artigos podem contemplar:
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Fundamentos da Pesquisa Científica: Método, Projeto e Artigo
Leandro de Araújo Crestani Leandro de Araújo Crestani
• problemas clássicos, historicamente debatidos em uma área do conheci-
mento, revisitados sob novos ângulos ou com novas evidências;
• questões teóricas recentes, derivadas de mudanças conceituais, avanços 
tecnológicos, transformações sociais ou debates emergentes;
• questões práticas ligadas a contextos específicos (instituições, políticas 
públicas, práticas profissionais, intervenções pedagógicas, processos orga-
nizacionais, entre outros).
Em todos os casos, porém, espera-se que o artigo apresente algum nível de 
originalidade, seja:
• na forma de recortar o tema;
• no enfoque teórico adotado;
• na metodologia empregada;
• nos resultados encontrados;
• na interpretação proposta para dados já conhecidos.
Essa originalidade não significa necessariamente descobrir algo totalmente 
inédito, mas contribuir para o avanço do conhecimento, seja aprofundando uma 
discussão, tensionando um consenso, propondo nova leitura de dados, revisando 
criticamente a literatura ou sistematizando de forma relevante estudos dispersos.
Assim, o artigo científico pode ser entendido como uma peça-chave na 
dinâmica da ciência: ele registra, organiza e disponibiliza o conhecimento produ-
zido, permitindo que outros pesquisadores o examinem, critiquem, reproduzam, 
ampliem ou contestem, alimentando o ciclo contínuo de construçãoe reconstru-
ção do saber científico.
Rodrigues (2013) distingue dois tipos principais de artigo científico, que se 
diferenciam quanto à natureza do conteúdo e à forma de contribuição ao conhe-
cimento:
• Artigo original – É aquele que apresenta resultados inéditos de pes-
quisa científica. Pode assumir diferentes formatos, como estudo teórico, 
estudo de campo, relato de caso, comunicação breve ou nota prévia. Em 
comum, todos trazem algum tipo de dado novo (empírico ou conceitual), 
produzido diretamente pelo pesquisador a partir de um processo sistemá-
tico de investigação.
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Fundamentos da Pesquisa Científica: Método, Projeto e Artigo
Leandro de Araújo Crestani Leandro de Araújo Crestani
• Artigo de revisão – Não tem como foco principal a apresentação de da-
dos novos, mas a análise, síntese e discussão de um conjunto de estudos 
já publicados sobre determinado tema. Seu objetivo é mapear o estado do 
conhecimento, identificar tendências, lacunas, controversas e perspectivas 
futuras, contribuindo para organizar o campo e orientar novas pesquisas.
Quanto ao conteúdo, um artigo científico pode desempenhar diversas fun-
ções, entre elas (LAKATOS; MARCONI, 2001 apud RODRIGUES, 2013):
• relatar um estudo ou descoberta do próprio autor;
• defender um ponto de vista distinto ou crítico em relação ao que está con-
solidado na literatura;
• propor soluções ou encaminhamentos para questões teóricas ou práticas 
controversas;
• divulgar ideias novas, sondagens de opinião ou atualizações de informa-
ções em determinada área;
• explorar aspectos específicos ou secundários de uma pesquisa mais am-
pla, que não seriam desenvolvidos em relatórios extensos ou monografias.
Desse modo, o artigo científico é mais do que um exercício acadêmico: ele 
constitui o principal veículo de circulação do conhecimento nas diferentes áreas, 
pois é por meio dele que resultados são divulgados, debatidos, replicados ou con-
testados.
Dominar sua escrita – em termos de estrutura, linguagem, rigor metodo-
lógico e qualidade argumentativa – é, portanto, condição indispensável para a 
inserção efetiva na comunidade científica e para a participação ativa no processo 
coletivo de produção do saber.
3.2. ESTRUTURA DO ARTIGO
A estrutura de um artigo científico organiza-se, de modo geral, em três 
grandes blocos:
• Elementos pré-textuais
• Elementos textuais
• Elementos pós-textuais
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Fundamentos da Pesquisa Científica: Método, Projeto e Artigo
Leandro de Araújo Crestani Leandro de Araújo Crestani
Cada conjunto desempenha uma função específica: os elementos pré-tex-
tuais identificam e apresentam o artigo; os textuais desenvolvem o conteúdo 
científico em si; e os pós-textuais complementam e documentam o trabalho.
3.2.1. Elementos pré-textuais
Os elementos pré-textuais são aqueles que antecedem o corpo do texto e 
trazem informações fundamentais para a identificação, catalogação e indexação 
do artigo em bases de dados, periódicos e repositórios.
Estrutura pré-textual básica:
• Título e subtítulo do artigo
• Autoria
• Resumo na língua do texto
• Palavras-chave na língua do texto
• Resumo em língua estrangeira
• Palavras-chave em língua estrangeira
A seguir, explicam-se detalhadamente cada um desses itens.
a) Título
O título é a “porta de entrada” do artigo. Ele precisa permitir, em poucas 
palavras, que o leitor compreenda sobre o que trata o texto. Por isso, deve:
• ser breve e direto, evitando expressões vagas ou excessivamente longas;
• representar com fidelidade o tema e o recorte específico do estudo (por 
exemplo, não apenas “Educação”, mas “Estratégias de leitura na educação 
infantil em escolas públicas urbanas”);
• conter um subtítulo, quando necessário, para complementar e especificar 
o foco do trabalho.
Conforme Rodrigues (2013), o título e o subtítulo (se houver) devem apa-
recer na página inicial do artigo, no idioma do texto, separados por dois pontos 
e com destaque tipográfico (geralmente em negrito ou caixa alta, conforme as 
normas do periódico).
b) Autoria
A autoria identifica quem é responsável intelectual pelo artigo. O(s) no-
me(s) do(s) autor(es) costuma(m) ser apresentado(s):
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Leandro de Araújo Crestani Leandro de Araújo Crestani
• na parte superior da primeira página, alinhados ao centro ou à margem 
direita, de acordo com o padrão da revista ou instituição;
• seguindo critérios definidos pelo periódico:
o ordem alfabética;
o ordem de contribuição; ou
o ordem decrescente de titulação, quando assim for solicitado.
Os dados complementares de cada autor (titulação, vínculo institucional, 
e-mail para contato, grupo de pesquisa, agradecimentos) geralmente aparecem 
em nota de rodapé ou em nota ao final do artigo, conforme as normas editoriais 
(RODRIGUES, 2013).
Essas informações permitem situar o leitor quanto ao contexto acadêmico 
de produção do artigo e facilitam o contato para eventuais esclarecimentos ou 
parcerias.
c) Resumo na língua do texto
O resumo é uma síntese informativa do artigo. Ele não é um comentário, 
nem uma introdução extensa, mas uma apresentação compacta dos pontos essen-
ciais do estudo.
Deve ser:
• redigido em um único parágrafo, sem recuo;
• apresentado em espaçamento simples;
• escrito de forma clara, objetiva e impessoal.
No conteúdo, espera-se que o resumo informe:
• o objetivo do estudo;
• a natureza da pesquisa (teórica, de campo, histórica, levantamento etc.);
• a metodologia utilizada (tipo de pesquisa, principais procedimentos de 
coleta e análise de dados);
• os principais resultados;
• as conclusões mais relevantes.
Rodrigues (2013) recomenda que o resumo:
• indique o tipo de texto (por exemplo, estudo de caso, pesquisa bibliográ-
fica, pesquisa-ação etc.);
• destaque com clareza o assunto central;
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Fundamentos da Pesquisa Científica: Método, Projeto e Artigo
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• explicite os objetivos principais;
• apresente, de maneira sucinta, os resultados e conclusões.
Quanto à forma de redação, é importante:
• usar frases concisas, em sequência lógica, evitando listas em tópicos;
• empregar linguagem objetiva, na terceira pessoa do singular e voz ativa;
• iniciar o resumo situando o tema principal, quando pertinente, no tempo 
e no espaço;
• evitar parágrafos múltiplos, frases com excesso de negações, abreviaturas 
desnecessárias, fórmulas, equações e resultados estatísticos muito especí-
ficos;
• não incluir opiniões, juízos de valor ou comentários subjetivos: o resu-
mo deve apresentar o conteúdo, não avaliá-lo.
d) Palavras-chave na língua do texto
As palavras-chave (ou descritores) são termos que representam os temas 
centrais do artigo e facilitam a sua localização em catálogos, buscadores e bases 
de dados.
Em geral:
• são indicadas até cinco palavras-chave;
• aparecem logo abaixo do resumo, antecedidas da expressão “Palavras- 
chave:” (ou “Descritores:” em algumas revistas);
• são separadas entre si por ponto e seguidas de ponto final.
A escolha das palavras-chave deve ser criteriosa: é recomendável selecio-
nar termos que sejam utilizados em índices e bases da área, evitando expressões 
muito genéricas ou excessivamente específicas.
e) Resumo em língua estrangeira
A maior parte dos periódicos exige a apresentação de um resumo em língua 
estrangeira, geralmente em inglês, mas podendo ser também em francês ou espa-
nhol, a depender da política editorial.
Esse resumo estrangeiro:
• deve ser a tradução fiel do resumo na língua original do texto;
• é denominado:
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o Abstract, em inglês;
o Résumé, em francês;
o Resumen, em espanhol;
• mantém a mesma estrutura, extensão aproximada e conteúdo do resumo 
em português (RODRIGUES, 2013).
Sua finalidade é ampliar a visibilidade internacional do artigo, permitindo 
que pesquisadores de outros paísestenham acesso às informações básicas do 
estudo.
f) Palavras-chave em língua estrangeira
Por fim, as palavras-chave em língua estrangeira são a tradução dos descri-
tores utilizados na língua do texto. Seguem as mesmas regras de apresentação, 
mas adequadas ao idioma escolhido:
• Keywords (inglês);
• Mots-clés (francês);
• Palabras clave (espanhol).
É essencial que:
• haja correspondência exata entre as palavras-chave em português e em 
língua estrangeira;
• sejam utilizados termos reconhecidos na literatura internacional da área, 
sempre que possível.
Esses elementos pré-textuais, quando elaborados com cuidado, favorecem 
a correta identificação, indexação e circulação do artigo, contribuindo para que o 
trabalho seja encontrado, lido e citado pela comunidade científica.
3.2.2. Elementos textuais
Os elementos textuais constituem o núcleo do artigo científico: é neles que 
o conteúdo da pesquisa é desenvolvido, analisado e apresentado à comunidade 
acadêmica. Segundo Rodrigues (2013), o corpo do artigo organiza- se, tradicio-
nalmente, em três partes principais:
• Introdução
• Desenvolvimento
• Conclusão
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Fundamentos da Pesquisa Científica: Método, Projeto e Artigo
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Cada uma dessas partes exerce uma função específica no encadeamento ló-
gico do texto e deve ser redigida de modo coerente, articulado e consistente com 
o problema e os objetivos da pesquisa.
a) Introdução
A Introdução é o primeiro contato efetivo do leitor com a pesquisa. Seu 
papel é situar o estudo, apresentando o contexto, a problemática e a finalidade do 
trabalho. Por isso, deve oferecer uma visão geral, clara e objetiva, que responda, 
em linhas gerais, às perguntas: sobre o que é este artigo?, por que este tema im-
porta?, o que foi feito?
De forma sintética, a introdução deve:
• apresentar e delimitar o tema – explicitar o assunto central do artigo e o 
recorte escolhido (por exemplo, em que contexto, nível de ensino, institui-
ção, período histórico etc.);
• indicar o problema de pesquisa – formular a questão que orienta o estu-
do, ou seja, a dúvida ou lacuna que se pretende enfrentar;
• explicitar os objetivos – informar o que se pretende alcançar com a in-
vestigação (objetivo geral e, eventualmente, menção aos específicos);
• justificar a relevância do estudo – demonstrar, em termos teóricos, so-
ciais, institucionais ou profissionais, por que o tema é importante e merece 
ser investigado;
• apontar, de modo geral, o referencial teórico utilizado – indicar as 
principais correntes, autores ou conceitos que fundamentam a análise;
• mencionar, ainda que brevemente, os procedimentos metodológicos 
adotados – tipo de pesquisa, principais técnicas de coleta e análise de dados.
Com base em Medeiros (2009 apud RODRIGUES, 2013), recomenda-se 
que a introdução:
• defina o tema – anuncie, logo no início, a ideia central do estudo, sem 
rodeios;
• delimite o tema – situe o recorte no tempo (por exemplo, “entre 2019 e 
2023”), no espaço (uma escola, uma rede, uma região) ou no debate teórico 
(determinada corrente ou perspectiva);
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• indique o problema – apresente, em forma de questão, o foco investigativo;
• apresente os objetivos – especifique o que o estudo busca descrever, ana-
lisar, compreender, avaliar etc.;
• situe o estado da arte – mencione, de forma sintética, como o tema vem 
sendo tratado na literatura, indicando lacunas, controvérsias ou perspecti-
vas atuais;
• levante hipóteses, quando couber – apresente as suposições que orientam 
a pesquisa, sobretudo em estudos explicativos;
• justifique o estudo – explicite as razões que tornam a pesquisa relevante, 
seja para o campo científico, seja para a prática profissional ou social;
• descreva sinteticamente a metodologia – indique o tipo de pesquisa 
(qualitativa, quantitativa, descritiva, exploratória etc.) e os procedimentos 
básicos;
• mencione as fontes principais – referencie, ainda que de forma geral, os 
autores e textos-chave que deram suporte à investigação.
Em termos de extensão, a introdução deve ser suficientemente clara e com-
pleta, sem se transformar em uma revisão de literatura antecipada ou em uma des-
crição detalhada da metodologia, que serão aprofundadas nas seções seguintes.
b) Desenvolvimento
O Desenvolvimento é a parte mais extensa e densa do artigo. Nele, o pes-
quisador apresenta o caminho teórico e empírico da pesquisa, bem como a análi-
se dos resultados, articulando-os ao problema e aos objetivos propostos.
De forma geral, o desenvolvimento deve contemplar, de maneira articulada:
• a discussão do referencial teórico – apresentação e análise crítica dos 
principais conceitos, categorias, autores e estudos que fundamentam o tra-
balho;
• a descrição dos procedimentos metodológicos (quando não houver se-
ção específica para metodologia) – tipo de pesquisa, participantes, campo, 
instrumentos, procedimentos de coleta e técnicas de análise;
• a exposição e análise dos dados e resultados – apresentação organizada 
das informações coletadas (tabelas, quadros, gráficos, trechos de entrevis-
tas, descrições de observações etc.), acompanhada de interpretação;
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Fundamentos da Pesquisa Científica: Método, Projeto e Artigo
Leandro de Araújo Crestani Leandro de Araújo Crestani
• o diálogo crítico entre resultados e teoria – confronto entre o que foi en-
contrado na pesquisa e o que a literatura aponta, destacando convergências, 
divergências, confirmações, rupturas e contribuições.
Na prática, o desenvolvimento costuma incluir:
• uma revisão de literatura mais detalhada, em que se aprofundam as con-
tribuições teóricas sobre o tema, organizadas por eixos, categorias ou cor-
rentes;
• a descrição da pesquisa empírica (quando houver), explicitando o con-
texto do estudo, quem participou, quais instrumentos foram utilizados e 
como os dados foram coletados;
• a apresentação sistemática dos resultados, com o apoio de recursos 
visuais quando necessário (tabelas, gráficos, quadros, imagens), sempre 
acompanhados de análise interpretativa;
• a análise dos resultados, em que os dados são interpretados à luz do re-
ferencial teórico e das questões de pesquisa, evitando meras descrições ou 
listagens.
É fundamental que, no desenvolvimento:
• a argumentação seja lógica e progressiva – as ideias devem fluir de 
forma encadeada, cada tópico deve se relacionar com o anterior e preparar 
o seguinte;
• a estrutura seja bem organizada em seções e subseções, com títulos coe-
rentes;
• o texto demonstre domínio do assunto, capacidade de síntese e análise 
crítica, e não apenas repetição da literatura ou dos dados.
c) Conclusão
A Conclusão é o momento de fechamento do artigo. Nessa seção, o autor 
retoma o percurso realizado e apresenta, de forma sintética, as respostas 
construídas ao longo do estudo para o problema de pesquisa inicialmente 
proposto.
A conclusão deve:
• sintetizar as ideias centrais do estudo – retomando, em poucas linhas, 
os principais aspectos discutidos no desenvolvimento;
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• explicitar se os objetivos foram atingidos – demonstrando como a pes-
quisa respondeu ao que se propôs;
• indicar em que medida as hipóteses foram confirmadas ou refutadas 
(quando houver) – apresentando, de forma clara, o status das suposições 
iniciais;
• apontar as contribuições teóricas e/ou práticas – indicando o que o 
estudo agrega ao campo de conhecimento ou à prática profissional;
• reconhecer as limitações do estudo – mencionando restrições de escopo, 
de método, de amostra, de tempo, entre outras;
• sugerir desdobramentos ou pesquisas futuras – indicando novas ques-
tões que surgiram, lacunas que se mantêm ou caminhos promissores de 
investigação.
Um aspecto essencial: não se introduzem dados novosna conclusão. Tudo 
o que aparece nessa seção deve ter sido apresentado, discutido ou analisado ao 
longo do desenvolvimento. A conclusão é um exercício de síntese e reflexão final, 
não de inclusão de informações inéditas.
Quando bem elaborados, os elementos textuais – introdução, desenvolvi-
mento e conclusão – conferem coerência interna, clareza e força argumentativa 
ao artigo, permitindo ao leitor compreender com precisão o que foi feito, por que 
foi feito, como foi feito e o que se concluiu com a pesquisa.
3.2.3. Elementos pós-textuais
Os elementos pós-textuais são aqueles que aparecem após a conclusão do 
artigo e têm a função de complementar o texto principal. Eles não desenvolvem 
diretamente a argumentação central, mas oferecem:
• comprovação e detalhamento das fontes utilizadas;
• esclarecimento de termos técnicos;
• documentação de apoio;
• materiais que, embora importantes, seriam excessivos ou dispersivos se 
incluídos no corpo do artigo.
A estrutura pós-textual básica compreende:
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• Referências
• Glossário (quando necessário)
• Apêndice(s) (quando necessário)
• Anexo(s) (quando necessário)
A seguir, detalham-se cada um desses elementos.
a) Referências
As referências constituem a lista organizada das fontes efetivamente cita-
das ao longo do artigo. Seu papel é fundamental por vários motivos:
• permitem que o leitor identifique e localize as obras consultadas;
• demonstram a base teórica e metodológica sobre a qual o trabalho foi 
construído;
• asseguram o cumprimento de princípios éticos, ao reconhecer a autoria
das ideias utilizadas;
• reforçam o rigor acadêmico, pois indicam que o texto está em diálogo 
com a produção científica existente.
De acordo com a ABNT (NBR 6023/2000), as referências devem ser pa-
dronizadas e conter os elementos necessários à identificação de cada obra, como:
• autor(es);
• título e subtítulo;
• edição (quando não se tratar da primeira);
• local de publicação;
• editora;
• ano de publicação;
• páginas consultadas (quando pertinente);
• endereço eletrônico e data de acesso (no caso de materiais on-line).
Entre os tipos de materiais que podem compor a lista de referências, 
incluem-se:
• livros e capítulos de livros;
• artigos de periódicos (revistas científicas impressas ou eletrônicas);
• teses, dissertações, monografias e TCCs;
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• relatórios, pareceres e documentos institucionais;
• materiais digitais, como páginas de sites, documentos em PDF, bases de 
dados, repositórios acadêmicos;
• outros materiais específicos, desde que tenham sido efetivamente cita-
dos no texto.
É importante destacar:
Apenas as obras mencionadas no corpo do artigo devem constar na lista de 
referências.
Esse item é obrigatório em qualquer artigo científico.
b) Glossário
O glossário é um recurso opcional, mas extremamente útil quando o artigo 
utiliza:
• terminologia técnica muito específica;
• expressões de uso restrito a determinada área;
• vocábulos pouco comuns ou de difícil compreensão para leitores não es-
pecializados.
Trata-se de uma lista organizada em ordem alfabética, contendo termos e 
expressões acompanhados de suas definições claras e objetivas (RODRIGUES, 
2013).
Sua função principal é:
• facilitar a compreensão do texto;
• evitar mal-entendidos conceituais;
• tornar o artigo mais acessível, especialmente em contextos interdiscipli-
nares.
O glossário é particularmente recomendado em artigos que envolvem:
• jargão técnico;
• siglas e abreviaturas pouco difundidas;
• conceitos provenientes de tradições teóricas complexas;
• termos em outros idiomas.
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c) Apêndice(s)
O apêndice é um material elaborado pelo próprio autor, cuja finalidade 
é complementar a argumentação sem prejudicar a fluidez e a unidade do texto 
principal.
Ele é utilizado quando determinadas informações são importantes para a 
compreensão global da pesquisa, mas, se incluídas na parte central do artigo, o 
tornariam:
• excessivamente longo;
• repetitivo;
• ou muito detalhado em aspectos técnicos.
Podem constituir apêndices, por exemplo:
• roteiros de entrevistas utilizados na pesquisa;
• modelos de questionários aplicados;
• quadros-síntese produzidos pelo pesquisador para organizar categorias 
de análise;
• descrições detalhadas de procedimentos metodológicos, que extrapo-
lam o nível de detalhe esperado no corpo do texto (RODRIGUES, 2013).
Assim, o apêndice permite ao autor disponibilizar materiais de apoio rele-
vantes, ao mesmo tempo em que preserva a clareza e concisão do artigo.
d) Anexo(s)
O anexo é diferente do apêndice em um ponto fundamental: ele corres-
ponde a um documento não elaborado pelo autor, mas que auxilia a esclarecer, 
fundamentar ou comprovar informações presentes no artigo.
Os anexos são especialmente úteis quando o pesquisador utiliza documen-
tos que:
• têm valor ilustrativo ou comprobatório;
• são extensos demais para serem reproduzidos ou descritos integralmente 
no corpo do texto.
Podem ser anexados, entre outros:
• documentos históricos (cartas, ofícios, registros);
• leis, decretos, estatutos, portarias, resoluções;
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• relatórios institucionais e pareceres oficiais;
• tabelas estatísticas oriundas de órgãos públicos ou institutos de pesquisa;
• recortes de jornais e revistas, relevantes para o contexto do estudo;
• modelos de formulários administrativos;
• mapas, plantas, esquemas, imagens, gráficos complexos, ou outras pe-
ças documentais (RODRIGUES, 2013).
O anexo, portanto, funciona como um repositório de documentos de tercei-
ros, que dá maior sustentação empírica e documental ao artigo, sem comprometer 
a objetividade e o foco do texto principal.
Os elementos pós-textuais – referências, glossário, apêndices e anexos – 
não são acessórios supérfluos, mas componentes que:
• reforçam a transparência do percurso de pesquisa;
• ampliam a compreensão do estudo;
• asseguram rastreabilidade das fontes;
• documentam o contexto empírico e conceitual do artigo.
O uso adequado desses elementos contribui diretamente para o rigor meto-
dológico e a qualidade acadêmica do texto científico.
3.3. LINGUAGEM DO ARTIGO CIENTÍFICO
Por se tratar de um texto breve e de circulação acadêmica, o artigo científi-
co exige linguagem cuidadosamente elaborada, com as seguintes características:
• Correção e precisão – uso adequado da norma padrão, vocabulário téc-
nico pertinente e termos empregados com sentido rigoroso.
• Coerência – unidade de pensamento, articulação lógica das ideias e pro-
gressão clara da argumentação.
• Clareza – frases bem construídas, sem ambiguidade, facilitando a com-
preensão do leitor.
• Objetividade e concisão – evitar redundâncias, divagações e opiniões 
gratuitas; cada parágrafo deve cumprir uma função clara na argumentação.
• Fidelidade às fontes – respeito às ideias dos autores citados, com refe-
rências corretas e completas.
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Pádua (1996) destaca alguns procedimentos importantes:
• evitar expressões como “eu acho”, “eu penso”, “parece-me”, que fragili-
zam a objetividade;
• utilizar linguagem predominantemente informativa, baseada em dados, 
ainda que se reconheça a presença de interpretações;
• empregar vocabulário técnico adequado à área, sem exageros que dificul-
tem a leitura;
• manter frases preferencialmente curtas, evitando períodos excessivamen-
te longos e cheios de orações intercaladas;
• organizar o texto em parágrafos bem estruturados, cada qualcom uma 
ideia central e ideias secundárias articuladas;
• usar recursos ilustrativos (tabelas, gráficos, quadros, figuras) de forma 
criteriosa, sempre com indicação de fonte.
Um bom parágrafo, em geral, apresenta:
• introdução (tópico frasal, que enuncia a ideia principal);
• desenvolvimento (argumentos, exemplos, dados que sustentam a ideia);
• síntese ou reforço da ideia central.
Unidade, coerência e ênfase são características fundamentais de uma reda-
ção científica de qualidade.
3.3.1. Revisão Final do Artigo Antes da Entrega
A revisão constitui etapa indispensável da escrita científica. Antes de entre-
gar ou submeter um artigo, é importante verificar se o texto atende a um conjunto 
mínimo de critérios. Adaptando o roteiro de Rodrigues (2013), sugere- se o se-
guinte checklist:
Título
1. O título reflete, com precisão, o conteúdo do artigo?
2. As palavras utilizadas são claras, específicas e adequadas ao tema?
Dados gerais da autoria
1. O nome do autor (ou autores) está grafado corretamente?
2. A filiação acadêmica foi informada?
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Leandro de Araújo Crestani Leandro de Araújo Crestani
3. O endereço para contato (e-mail institucional, por exemplo) está indicado?
4. Caso a pesquisa tenha recebido apoio financeiro, as instituições patroci-
nadoras foram mencionadas?
Resumo na língua do texto / Palavras-chave
1. O resumo está estruturado e em parágrafo único?
2. Estão presentes: objetivos, tipo de pesquisa, metodologia, principais re-
sultados e conclusões?
3.A linguagem é objetiva e impessoal?
4. As palavras-chave foram selecionadas e indicadas adequadamente?
Resumo em língua estrangeira / Palavras-chave
1. O resumo foi traduzido para outro idioma, conforme exigência do perió-
dico ou instituição?
2. As palavras-chave também foram vertidas para esse idioma?
Texto (corpo do artigo)
1. O tema da pesquisa está claramente definido?
2. O problema de pesquisa foi explicitado?
3. Os objetivos do estudo estão formulados de forma clara e coerente?
4. A relevância teórica e/ou prática do estudo foi demonstrada?
5. As perguntas de pesquisa são nítidas e estão respondidas ao longo do 
texto?
6. As questões atuais e pertinentes ao problema foram contempladas?
7. Se houver hipóteses, elas estão claramente enunciadas e relacionadas aos 
objetivos?
8. A revisão de literatura está organizada de forma lógica (não apenas crono-
lógica) e discute, compara e contrasta diferentes posições?
9. As fontes bibliográficas são adequadas em termos de qualidade e atualida-
de?
10. O tipo de pesquisa e a metodologia utilizada estão claramente descritos?
11. O período de realização da pesquisa foi informado?
12. O local da pesquisa de campo (quando houver) foi identificado?
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Fundamentos da Pesquisa Científica: Método, Projeto e Artigo
Leandro de Araújo Crestani Leandro de Araújo Crestani
13. A amostra foi caracterizada (critérios de inclusão e exclusão, número de 
participantes, etc.)?
14. Os procedimentos de coleta de dados e os instrumentos utilizados são 
apropriados aos objetivos?
15. Quando houve construção de instrumentos, seu processo de elaboração 
e validação foi descrito?
16. Os principais resultados foram destacados e discutidos?
17. Há indicação de como os resultados podem ser utilizados ou aplicados?
18. A conclusão retoma e discute as ideias centrais do artigo, coerentemen-
te com os objetivos e resultados?
Redação
1. O estilo é direto, claro e objetivo?
2. Tabelas, gráficos, quadros e figuras são realmente necessários e estão 
adequadamente apresentados?
3. A norma padrão da língua portuguesa está sendo respeitada?
4. Regência e concordância verbal e nominal estão corretas?
5. A pontuação está adequada, favorecendo a compreensão?
6. Há impessoalidade na redação (evita-se o uso excessivo da primeira pes-
soa)?
7. Os parágrafos apresentam argumentação consistente e bem articulada?
8. As ideias secundárias guardam coerência com a ideia principal de cada 
parágrafo?
9. A sequência do raciocínio é lógica e compreensível?
10. Termos técnicos, abreviaturas e símbolos foram explicados quando ne-
cessário?
11. A estrutura do artigo está em conformidade com as normas da ABNT e 
com as orientações institucionais?
Citações
1. As citações seguem as normas metodológicas exigidas (por exemplo, as 
normas da IES e da ABNT)?
2. Todas as citações diretas (literais) estão referenciadas corretamente?
3. As citações indiretas (paráfrases) também foram referenciadas?
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Referências
1. As referências permitem identificar plenamente cada publicação utiliza-
da?
2. Estão apresentadas de acordo com o padrão da ABNT adotado?
Apêndices e anexos
1. Os apêndices e/ou anexos são relevantes para a compreensão do estudo?
2. As informações neles contidas estão organizadas e corretamente apre-
sentadas?
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Leandro de Araújo Crestani Leandro de Araújo Crestani
REFERÊNCIAS
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http://biblioteca.ifc.edu.br/wp-content/uploads/sites/9/2014/07/Como-elaborar-um-projeto-de-pesquisa-de-Inicia%C3%A7%C3%A3o-Cient%C3%ADfica.pdf
http://biblioteca.ifc.edu.br/wp-content/uploads/sites/9/2014/07/Como-elaborar-um-projeto-de-pesquisa-de-Inicia%C3%A7%C3%A3o-Cient%C3%ADfica.pdf
http://mba.eci.ufmg.br/downloads/metodologia.pdf
Leandro de Araújo Crestani
FUNDAMENTOSFUNDAMENTOS
MÉTODO, PROJETO E ARTIGO
DA PESQUISA
CIENTÍFICA
DA PESQUISA
CIENTÍFICA
LEANDRO DE ARAÚJO CRESTANI
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	_bookmark46compartilhados 
pela comunidade científica.
Entretanto, realizar pesquisa não se reduz à curiosidade intelectual ou à boa 
vontade investigativa. Para que um estudo seja reconhecido como científico, é ne-
cessário dominar fundamentos teóricos, conhecer as bases lógicas dos métodos 
de investigação, selecionar estratégias metodológicas coerentes com o problema 
formulado e desenvolver competências formais de leitura, escrita e argumentação.
A formação do pesquisador supõe, assim, a articulação entre atitude crítica, 
clareza conceitual e domínio técnico dos procedimentos de pesquisa e comuni-
cação científica.
Este livro foi concebido precisamente com esse propósito: oferecer ao es-
tudante um percurso sistemático que o conduza desde a compreensão do método 
científico e das classificações de pesquisa até o planejamento rigoroso de um 
estudo e a elaboração de um artigo científico completo.
Busca-se, ao longo dos capítulos, não apenas descrever etapas e normas, 
mas explicitar a lógica que as sustenta, de modo que o leitor compreenda o por-
quê de cada decisão metodológica e seja capaz de aplicá-las de forma consciente 
em diferentes contextos investigativos.
No Capítulo 1 – Fundamentos do método científico e classificações da pes-
quisa, são apresentados os conceitos basilares que estruturam a prática investiga-
tiva. Discute-se o método científico, sua trajetória histórica e suas diferenças em 
relação a outros modos de produção do conhecimento, como o senso comum, a 
filosofia e a religião.
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Fundamentos da Pesquisa Científica: Método, Projeto e Artigo
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Em seguida, exploram-se as principais formas de classificação das pesqui-
sas quanto à natureza, à abordagem do problema, aos objetivos e aos procedi-
mentos técnicos, bem como se examinam os métodos científicos mais recorrentes 
— indutivo, dedutivo, hipotético-dedutivo e dialético —, destacando suas bases 
lógicas e suas implicações na definição do objeto e do percurso metodológico.
O Capítulo 2 – Etapas da pesquisa e estrutura do projeto desloca o foco 
para o planejamento da investigação, entendido como condição indispensável 
para a coerência, a viabilidade e a qualidade de qualquer estudo. São apresenta-
das as fases decisória, construtiva e redacional da pesquisa e discutidas as contri-
buições de diferentes autores para a organização do percurso teórico e empírico.
Na sequência, detalha-se a estrutura formal do projeto de pesquisa, con-
templando tema, delimitação, justificativa, problema, hipóteses, objetivos, revi-
são da literatura, metodologia, orçamento, cronograma e referências. O objetivo 
é fornecer um roteiro claro e operacional que auxilie o estudante a transformar 
um interesse inicial em uma proposta de investigação metodologicamente consis-
tente e academicamente adequada.
Por fim, o Capítulo 3 – Como escrever um artigo científico trata do gênero 
textual que se consolidou como principal veículo de circulação do conhecimento 
acadêmico. São discutidos o conceito de artigo científico, seus tipos (original e 
de revisão), sua função na dinâmica da ciência e sua estrutura em elementos pré-
-textuais, textuais e pós-textuais.
São também examinadas as exigências da linguagem científica — clareza, 
objetividade, coerência, precisão terminológica e fidelidade às fontes —, bem 
como apresentados critérios e orientações para a revisão final do texto antes da 
submissão a periódicos, eventos ou instâncias institucionais de avaliação.
Em conjunto, os três capítulos articulam fundamentos, planejamento e 
produção escrita, oferecendo ao leitor um guia integrado de metodologia da 
pesquisa. Mais do que um manual de regras formais, este livro busca favorecer 
a construção de uma postura investigativa crítica e reflexiva, consciente das 
escolhas teóricas e metodológicas realizadas e comprometida com a qualidade, 
a ética e a relevância social da produção científica.
Desse modo, pretende-se contribuir para a formação de pesquisadores ca-
pazes de intervir de maneira responsável no debate acadêmico e na realidade em 
que estão inseridos.
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CAPÍTULO 1
FUNDAMENTOS DO MÉTODO CIENTÍFICO 
E CLASSIFICAÇÕES DA PESQUISA
Neste capítulo apresentam-se as bases teóricas e metodológicas que sus-
tentam o método científico e orientam a construção do conhecimento na pesquisa 
acadêmica. O desenvolvimento científico é marcado por três movimentos articu-
lados: pesquisar, refletir e escrever.
Pesquisar pode ser compreendido como o processo de busca sistemática 
de conhecimentos sobre um determinado tema, por meio de leituras, observa-
ções, análise de documentos e/ou de fenômenos de natureza científica e social. 
Refletir consiste em analisar criticamente as informações obtidas na fase de 
pesquisa, com o propósito de aprofundar ou produzir novos conhecimentos 
(RODRIGUES, 2013).
Escrever, por sua vez, é o momento de organização lógica e comunica-
ção desses resultados, segundo padrões formais reconhecidos pela comunidade 
científica.
Ao longo deste capítulo serão abordados: o método científico, as principais 
classificações e tipos de pesquisa, o planejamento da pesquisa e os métodos cien-
tíficos mais utilizados (indutivo, dedutivo, hipotético-dedutivo e dialético).
1.1. O MÉTODO CIENTÍFICO
O método científico pode ser entendido como um conjunto de regras, 
princípios e procedimentos básicos que orientam a produção do conhecimen-
to científico. Esse conhecimento pode assumir diferentes formas: criação de 
explicações inéditas, ampliação do alcance de teorias já existentes ou revisão 
crítica de conhecimentos estabelecidos.
Na maioria das áreas científicas, o método científico implica reunir evidên-
cias empíricas verificáveis – obtidas por observação sistemática e controlada, por 
experimentos ou por pesquisas de campo – e analisá-las com rigor lógico. Para 
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diversos autores, o método científico corresponde, em essência, à aplicação da 
lógica ao fazer científico (ALMEIDA, 2017).
A metodologia científica, por sua vez, diz respeito ao estudo sistemático 
dos métodos empregados em cada área do conhecimento, bem como dos passos 
comuns a esses métodos. Trata-se da reflexão sobre o “como” se faz ciência, 
tanto em sua dimensão geral (método científico em sentido amplo) quanto em 
sua aplicação específica em diferentes disciplinas (ALMEIDA, 2017). Embora 
os procedimentos variem em função do objeto de estudo e da tradição de cada 
campo científico, é possível identificar elementos que distinguem o método cien-
tífico de outros modos de produção de conhecimento, como aqueles presentes na 
filosofia, na matemática pura ou nas religiões (ALMEIDA, 2017).
O método científico constitui o eixo estruturante da prática investigativa, 
ao oferecer um conjunto de regras e procedimentos que asseguram racionalidade, 
sistematicidade e controle na produção do conhecimento. A partir da coleta rigo-
rosa de evidências empíricas e de sua análise lógica, torna-se possível formular 
explicações, revisar teorias e reavaliar criticamente saberes já consolidados.
A metodologia científica, ao refletir sobre os caminhos e instrumentos uti-
lizados nas diferentes áreas, cumpre o papel de explicitar e fundamentar esse 
“modo de fazer ciência”, evidenciando tanto os elementos gerais do método 
quanto as especificidades disciplinares.
Desse modo, o método científico se distingue de outros modos de conheci-
mento justamente por seu compromisso com a verificabilidade, a coerência inter-
na e a explicitação dos procedimentos, configurando-se como referência central 
para a construção de conhecimentos confiáveis e socialmente legitimados.
1.1.1. Breve percurso histórico
A história do método científico acompanha a própria históriada ciência. 
Registros do Antigo Egito já mencionam formas sistematizadas de diagnóstico mé-
dico. Na Grécia Antiga, surgem os primeiros esforços de racionalização das obser-
vações sobre a natureza, com a busca de explicações gerais para os fenômenos.
Um avanço significativo ocorre no âmbito da filosofia islâmica, há cerca 
de mil anos, com as contribuições de Ibn al-Haytham. Em suas pesquisas sobre 
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ótica, esse autor organiza procedimentos que muitos consideram como bases do 
método científico moderno, posteriormente consolidadas com o desenvolvimen-
to da Física nos séculos XVII e XVIII (ROSANNA GORINI, 2003; STEPHEN 
HAWKING, 1988 apud ALMEIDA, 2017).
No contexto europeu, Francis Bacon, em Novum Organum (1620), critica 
a lógica aristotélica do silogismo e propõe um novo sistema lógico, pautado na 
observação e na indução, destinado a aprimorar a investigação da natureza.
A metodologia científica moderna é ainda fortemente influenciada pelo 
pensamento de René Descartes, que defende a dúvida sistemática, a decomposi-
ção dos problemas em partes menores e a reconstrução racional das explicações 
como caminho para atingir a verdade. Essas ideias são posteriormente desenvol-
vidas em bases empíricas por Isaac Newton, consolidando uma concepção de 
ciência assentada na articulação entre racionalidade, observação e experimenta-
ção (ALMEIDA, 2017).
Em conclusão, o breve percurso histórico do método científico evidencia 
que sua construção não foi um evento pontual, mas um processo gradual, cumu-
lativo e coletivo, atravessando diferentes épocas e contextos culturais.
Das práticas empíricas do Antigo Egito e das primeiras racionalizações da 
natureza na Grécia Antiga, passando pelas contribuições decisivas da filosofia 
islâmica com Ibn al-Haytham, até as formulações de Bacon, Descartes e Newton, 
observa-se a progressiva sistematização de procedimentos de observação, experi-
mentação, dúvida metódica e formalização lógica.
Esse desenvolvimento histórico revela que o método científico, tal como 
hoje concebido, resulta da articulação entre tradição filosófica, inovação teórica 
e prática experimental, constituindo-se como um patrimônio intelectual compar-
tilhado que sustenta a ciência moderna e sua credibilidade.
1.2. CLASSIFICAÇÕES E TIPOS DE PESQUISA
Há diversas formas de classificar as pesquisas científicas. Neste capítulo, 
adotam-se as categorizações propostas por Silva (2005), que distinguem os es-
tudos quanto à natureza, à abordagem do problema, aos objetivos e aos procedi-
mentos técnicos.
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1.2.1. Quanto à natureza da pesquisa
A classificação das pesquisas quanto à sua natureza constitui um dos pri-
meiros passos para a adequada definição de um estudo científico. Entre essas mo-
dalidades, destacam-se a pesquisa básica e a pesquisa aplicada, que, embora in-
ter-relacionadas, apresentam finalidades distintas.
a) Pesquisa básica
Tem como finalidade gerar conhecimentos novos, úteis para o avanço da 
ciência, sem que haja, necessariamente, uma aplicação prática imediata. Está vol-
tada a verdades e interesses de caráter mais universal.
b) Pesquisa aplicada
Visa produzir conhecimentos direcionados à solução de problemas con-
cretos e específicos. Envolve interesses localizados, buscando aplicar conceitos, 
teorias e técnicas em situações práticas (SILVA, 2005).
A distinção entre pesquisa básica e pesquisa aplicada evidencia duas orien-
tações complementares da atividade científica. Enquanto a pesquisa básica se volta 
à produção de conhecimento teórico, ampliando a compreensão dos fenômenos 
em nível mais abstrato e universal, a pesquisa aplicada direciona esse conheci-
mento para a solução de problemas concretos, respondendo a demandas espe-
cíficas de contextos sociais, educacionais, tecnológicos ou profissionais.
Longe de constituírem campos opostos, ambas se articulam de forma di-
nâmica: os avanços da pesquisa básica frequentemente subsidiam intervenções 
práticas mais qualificadas, ao passo que os desafios encontrados na realidade 
empírica alimentam novas questões e agendas de investigação teórica.
1.2.2. Quanto à abordagem do problema
A classificação da pesquisa quanto à abordagem do problema diz respeito 
à forma como o pesquisador se aproxima da realidade que pretende estudar e 
aos recursos utilizados para descrevê-la, analisá-la e interpretá-la. Nesse con-
texto, destacam-se duas grandes modalidades: a pesquisa quantitativa e a pes-
quisa qualitativa.
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a) Pesquisa quantitativa
Parte do pressuposto de que os fenômenos podem ser quantificados, isto é, 
transformados em dados numéricos que permitam classificação, medição e aná-
lise estatística. Faz uso de técnicas como percentuais, médias, moda, mediana, 
desvio-padrão, coeficiente de correlação, análise de regressão, entre outras.
b) Pesquisa qualitativa
Pressupõe uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito que pesqui-
sa, havendo um vínculo indissociável entre o plano objetivo e a subjetividade dos 
participantes. A ênfase recai sobre a interpretação dos fenômenos e a atribuição 
de significados, mais do que sobre sua quantificação.
Em geral:
• não exige o uso de técnicas estatísticas;
• tem o ambiente natural como fonte direta de dados;
• considera o pesquisador como instrumento central de coleta e análise;
• é predominantemente descritiva;
• utiliza, com frequência, procedimentos de análise indutiva;
• privilegia o processo e o significado dos fenômenos estudados (SILVA, 
2005).
Longe de serem excludentes, essas duas abordagens podem ser consideradas 
complementares: enquanto a pesquisa quantitativa contribui para a objetivação e a 
síntese de tendências gerais, a pesquisa qualitativa aprofunda a compreensão dos 
sentidos e das particularidades dos fenômenos estudados. A escolha entre uma, 
outra ou ambas deve estar sempre alinhada ao problema de pesquisa, aos objetivos 
propostos e ao tipo de conhecimento que se pretende produzir.
1.2.3. Quanto aos objetivos da pesquisa
A classificação da pesquisa quanto aos seus objetivos está relacionada ao 
nível de profundidade com que o fenômeno será estudado e ao tipo de resposta 
que o pesquisador pretende obter. Nessa perspectiva, destacam-se três modalida-
des principais:
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a) Pesquisa exploratória
Busca proporcionar maior familiaridade com o problema de estudo, tor-
nando-o mais explícito ou contribuindo para a formulação de hipóteses. Geral-
mente envolve levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas que tenham 
experiência com o fenômeno e análise de exemplos ilustrativos. Assume, com 
frequência, a forma de pesquisa bibliográfica ou estudo de caso.
b) Pesquisa descritiva
Tem como objetivo descrever características de determinada população ou 
fenômeno, ou ainda estabelecer relações entre variáveis. Em geral, utiliza técni-
cas padronizadas de coleta de dados, como questionários e observação sistemáti-
ca, sendo comum a adoção do desenho de levantamento (survey).
c) Pesquisa explicativa
Procura identificar os fatores que determinam ou contribuem para a ocor-
rência dos fenômenos, buscando explicar o “porquê” das coisas. Nas ciências 
naturais, tende a recorrer ao método experimental; nas ciências sociais, prevale-
cem estratégias observacionais. Frequentemente assume as formas de pesquisa 
experimental ou ex post facto (SILVA, 2005).
A classificação da pesquisa em exploratória, descritiva e explicativa evi-
dencia níveis distintos de aprofundamento na análise dos fenômenos. A pesquisa 
exploratória cumpreo papel inicial de aproximação do problema, contribuindo 
para torná-lo mais claro e para a formulação de hipóteses.
A pesquisa descritiva avança na caracterização sistemática de populações, 
situações ou relações entre variáveis, oferecendo um retrato mais detalhado da 
realidade estudada. Já a pesquisa explicativa busca ir além da descrição, procu-
rando identificar causas, fatores determinantes e mecanismos subjacentes, res-
pondendo ao “porquê” dos fenômenos (SILVA, 2005).
Essas três modalidades não devem ser vistas como compartimentos rígi-
dos, mas como possibilidades articuladas: exploratória, descritiva e explicativa 
podem se complementar em um mesmo percurso investigativo, à medida que o 
estudo evolui de uma compreensão inicial para uma análise mais profunda e fun-
damentada da realidade.
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1.2.4. Quanto aos procedimentos técnicos
A classificação da pesquisa quanto aos procedimentos técnicos diz respeito 
ao modo como o pesquisador organiza, concretamente, o caminho metodológico 
para alcançar seus objetivos. Não se trata apenas de uma escolha formal, mas da 
definição de estratégias de coleta, organização e análise dos dados que melhor 
respondam ao problema investigado.
Nessa perspectiva, diferentes procedimentos podem ser adotados, tais 
como: pesquisa bibliográfica, documental, experimental, levantamento (survey), 
estudo de caso, pesquisa ex post facto, pesquisa-ação e pesquisa participante. 
Entre os principais procedimentos técnicos, destacam-se (SILVA, 2005):
• Pesquisa bibliográfica – Baseia-se em material já publicado, como li-
vros, artigos de periódicos, teses, dissertações e documentos disponíveis 
em meio impresso ou digital.
• Pesquisa documental – Utiliza fontes que ainda não receberam tratamen-
to analítico, como relatórios, atas, prontuários, correspondências, registros 
institucionais, entre outros.
• Pesquisa experimental – Envolve a definição de um objeto de estudo, a 
seleção de variáveis capazes de influenciá-lo e o controle das condições em 
que esses efeitos são observados, permitindo a análise de relações de causa 
e efeito.
• Levantamento (survey) – Consiste na interrogação direta de pessoas 
cuja opinião, comportamento ou características se deseja conhecer, geral-
mente por meio de questionários ou entrevistas estruturadas.
• Estudo de caso – Caracteriza-se pelo exame aprofundado e detalhado de 
um ou poucos objetos (indivíduos, grupos, instituições, programas, aconte-
cimentos), buscando compreensão ampla e contextualizada.
• Pesquisa ex post facto – Analisa eventos já ocorridos, investigando re-
lações entre variáveis após a ocorrência dos fatos, sem que o pesquisador 
tenha controlado as condições em que se deram.
• Pesquisa-ação – Desenvolve-se em estreita articulação com uma ação ou 
intervenção voltada à solução de um problema coletivo, envolvendo pes-
quisadores e participantes de forma cooperativa e participativa.
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• Pesquisa participante – Pressupõe a interação constante entre pesquisa-
dor e sujeitos, que atuam de forma ativa no processo de investigação, con-
tribuindo para a definição de problemas, coleta e interpretação dos dados.
A classificação da pesquisa quanto aos procedimentos técnicos evidencia 
a diversidade de caminhos possíveis para a produção do conhecimento cientí-
fico. Cada modalidade — seja bibliográfica, documental, experimental, levan-
tamento, estudo de caso, ex post facto, pesquisa-ação ou pesquisa participante 
— oferece recursos específicos para acessar, descrever, interpretar ou intervir 
sobre a realidade.
A escolha do procedimento não é meramente formal, mas deve estar rigo-
rosamente articulada ao problema, aos objetivos e à natureza do objeto investiga-
do. Quando bem selecionados e adequadamente aplicados, esses procedimentos 
ampliam a validade, a profundidade e a relevância dos resultados, conferindo 
maior consistência teórico-metodológica à pesquisa e fortalecendo seu potencial 
de contribuição científica e social.
1.3. PLANEJAMENTO DA PESQUISA
O planejamento da pesquisa corresponde a uma etapa estratégica da ativi-
dade científica, na medida em que organiza, de forma antecipada e sistemática, 
todas as ações necessárias à produção de um conhecimento original e rigoroso.
Para que um estudo seja reconhecido como científico, não basta a existên-
cia de um tema de interesse: é indispensável que o trabalho atenda a critérios de 
coerência interna, consistência teórico-metodológica, originalidade e objetivação 
dos resultados (SILVA, 2005). Nesse contexto, o planejamento assume a função 
de “roteiro” da investigação, definindo o que será feito, por que será feito, como 
será realizado, com quais recursos e em que prazo.
Silva (2005) propõe a organização desse processo em três grandes fases, 
que estruturam o percurso investigativo desde a definição inicial do estudo até a 
sistematização final dos resultados. A compreensão dessas fases é fundamental 
para que o pesquisador possa conduzir sua pesquisa com maior segurança, clare-
za de objetivos e controle metodológico.
O processo de planejamento da pesquisa pode ser compreendido como 
um percurso organizado em etapas sucessivas, cada qual com funções especí-
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ficas e complementares. Silva (2005) propõe sua estruturação em três grandes 
fases: decisória, construtiva e redacional. Na fase decisória, são realizadas as 
escolhas fundamentais que dão identidade ao estudo, como a definição do tema, 
a formulação do problema, o estabelecimento dos objetivos e a análise prelimi-
nar da viabilidade teórica, metodológica, ética e operacional.
A fase construtiva corresponde à elaboração e execução do plano de pes-
quisa, envolvendo a construção do referencial teórico, a definição do tipo de pes-
quisa e dos procedimentos metodológicos, a seleção dos instrumentos e a reali-
zação da coleta e organização dos dados.
Por fim, a fase redacional diz respeito à etapa de tratamento, interpretação 
e comunicação dos resultados, contemplando a análise dos dados, a formulação 
das conclusões e a redação do relatório final, em conformidade com as normas 
acadêmicas vigentes. A compreensão articulada dessas três fases permite ao pes-
quisador conduzir sua investigação de forma mais consciente, sistemática e coe-
rente.
Fase decisória
A fase decisória marca o início efetivo do processo de pesquisa e constitui 
o momento em que se definem as bases estruturantes do estudo. Nessa etapa, o 
pesquisador realiza a escolha do tema, selecionando um campo de interesse que 
seja, ao mesmo tempo, relevante e viável.
Em seguida, procede à delimitação e formulação do problema de pesqui-
sa, transformando um assunto amplo em uma questão específica e investigável. 
Também são identificados os objetivos que orientarão o percurso da investigação, 
indicando o que se pretende alcançar com o estudo.
Por fim, realiza-se uma análise preliminar de viabilidade, considerando as-
pectos teóricos, metodológicos, éticos e operacionais, de modo a verificar se há 
condições reais para o desenvolvimento da pesquisa.
Corresponde ao momento de definição inicial do estudo e envolve:
• escolha do tema;
• delimitação e formulação do problema de pesquisa;
• identificação de objetivos;
• análise preliminar da viabilidade (teórica, metodológica, ética e operacional).
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Trata-se, portanto, de uma fase de decisões estratégicas, que condicionam 
a qualidade e a consistência de todas as etapas posteriores.
Fase construtiva
A fase construtiva corresponde ao momento em que o planejamentoda 
pesquisa se transforma em ação concreta. A partir das decisões tomadas na fase 
anterior, o pesquisador passa a elaborar e executar o plano de pesquisa, organi-
zando, de forma sistemática, o percurso teórico e empírico do estudo.
Nessa etapa, realiza-se a construção do referencial teórico, por meio da 
seleção e análise crítica de autores, conceitos e estudos que fundamentam o pro-
blema investigado.
Refere-se à elaboração e execução do plano de pesquisa, incluindo:
• construção do referencial teórico;
• definição do tipo de pesquisa e dos procedimentos metodológicos;
• seleção de instrumentos de coleta de dados;
• realização da coleta e organização dos dados empíricos.
Por fim, executa-se a coleta e a organização dos dados empíricos, etapa em 
que o pesquisador se aproxima diretamente da realidade estudada, reunindo as 
informações que subsidiarão as análises e conclusões posteriores.
Fase redacional
A fase redacional representa o momento de síntese e comunicação da pes-
quisa, em que os dados levantados deixam de ser apenas informações brutas e se 
transformam em conhecimento sistematizado.
Nessa etapa, o pesquisador realiza o tratamento e a análise dos dados ob-
tidos na fase construtiva, interpretando-os à luz do referencial teórico adotado e, 
a partir daí, procede à formulação de conclusões coerentes com os objetivos e o 
problema de pesquisa.
Diz respeito à análise e interpretação dos dados, bem como à comunicação 
dos resultados. Envolve:
• tratamento e análise dos dados obtidos na fase construtiva;
• formulação de conclusões à luz do referencial teórico;
• redação do relatório final, de acordo com as normas acadêmicas vigentes;
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• apresentação do trabalho à comunidade científica ou acadêmica (SILVA, 
2005).
Em seguida, elabora a redação do relatório final, observando as normas 
acadêmicas vigentes, e organiza a apresentação do trabalho à comunidade cientí-
fica ou acadêmica, por meio de artigos, monografias, dissertações, teses ou outros 
formatos. Trata-se, portanto, da fase em que o conhecimento produzido é conso-
lidado, registrado e socializado.
1.4. TIPOS DE MÉTODOS CIENTÍFICOS
Os métodos científicos constituem a base lógica da investigação, na medida 
em que orientam o modo como o pesquisador organiza seu raciocínio e conduz o 
estudo.
A investigação científica requer um “conjunto de procedimentos intelec-
tuais e técnicos” (GIL, 1999, p. 26) que permitam atingir seus objetivos. Esses 
procedimentos organizam a forma de raciocinar sobre o objeto de estudo e são 
denominados métodos científicos.
Método científico pode ser definido como o conjunto de processos ou ope-
rações mentais que orientam a pesquisa, configurando a linha de raciocínio ado-
tada. Entre os métodos que fornecem as bases lógicas à investigação destacam-
-se: o dedutivo, o indutivo, o hipotético-dedutivo, o dialético e o fenomenológico 
(GIL, 1999; LAKATOS; MARCONI, 1993 apud SILVA, 2005).
A seguir, apresentam-se as principais características de cada um deles:
1.4.1 Método indutivo
O método indutivo parte da observação de casos particulares para chegar 
a proposições gerais. Pela indução experimental, o pesquisador observa sistema-
ticamente um conjunto de fenômenos, identifica regularidades e, a partir delas, 
formula generalizações (leis ou teorias). O movimento do pensamento, portanto, 
vai do particular ao geral (DINIZ; SILVA, 2008).
O exercício da indução envolve, em geral, os seguintes procedimentos:
• observação sistemática dos fenômenos;
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Fundamentos da Pesquisa Científica: Método, Projeto e Artigo
Leandro de Araújo Crestani Leandro de Araújo Crestani
• classificação e organização dos dados, com base nas relações identificadas;
• formulação de hipóteses (entendidas como verdades provisórias);
• verificação das hipóteses por meio de experimentos, testes ou novas ob-
servações;
• elaboração de generalizações que expliquem os casos observados;
• confirmação das hipóteses, permitindo o enunciado de leis gerais sobre os 
fenômenos investigados (DINIZ; SILVA, 2008).
O método indutivo se apoia, tradicionalmente, em dois pressupostos (FER-
REIRA, 1998 apud DINIZ; SILVA, 2008):
1. determinadas causas produzem sempre os mesmos efeitos, sob condi-
ções idênticas;
2. uma verdade observada em um conjunto de casos torna-se válida para 
todas as situações semelhantes.
Assim, por exemplo, ao constatar que todos os cães observados possuem 
coração, o pesquisador infere que todos os cães têm coração. A partir de um con-
junto limitado de observações, chega-se a uma conclusão de alcance universal.
Nas ciências sociais, entretanto, a aplicação do método indutivo enfrenta 
limites importantes, pois os fenômenos sociais são marcados por variação his-
tórica, cultural e contextual, o que dificulta estabelecer leis gerais baseadas em 
repetição estrita de condições (DINIZ; SILVA, 2008).
1.4.2 Método dedutivo
O método dedutivo segue direção oposta à indução: parte de princípios, 
teorias ou leis gerais, considerados válidos, e busca explicar casos particulares 
com base nesses enunciados.
Segundo Diniz e Silva (2008), o exercício dedutivo parte de proposições 
gerais que servem de premissas ao raciocínio. A partir delas, por meio de regras 
lógicas, obtêm-se conclusões que já estavam, de certo modo, contidas nas pre-
missas.
Exemplo clássico de raciocínio dedutivo é o seguinte:
• todo mamífero possui coração;
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• todos os cães são mamíferos;
• logo, todos os cães possuem coração.
Para que a conclusão seja verdadeira, é necessário que as premissas também 
o sejam e que o encadeamento lógico seja correto. A função do método dedutivo 
consiste, assim, em explicitar o conteúdo das premissas gerais, aplicando-as a 
situações particulares (DINIZ; SILVA, 2008).
1.4.3 Método hipotético-dedutivo
O método hipotético-dedutivo resulta de críticas às limitações do induti-
vismo. Em vez de partir da simples acumulação de observações, esse método se 
organiza em torno da formulação de hipóteses e de sua testagem rigorosa.
De acordo com Diniz e Silva (2008), inspiradas em Karl Popper, o percurso 
hipotético-dedutivo envolve as seguintes etapas:
• consideração de teorias e conhecimentos previamente existentes;
• formulação de problemas teóricos e empíricos;
• proposição de soluções sob a forma de hipóteses (conjecturas);
• dedução de consequências lógicas dessas hipóteses, expressas em propo-
sições passíveis de teste;
• tentativa sistemática de refutação das hipóteses, por meio de observação, 
experimentação e outros procedimentos de verificação (teste de falseamento).
Nesse processo, o conhecimento avança não pela confirmação definitiva 
de hipóteses, mas pela eliminação das que se mostram inconsistentes diante dos 
dados. As hipóteses assumem o estatuto de “verdades provisórias”, sempre sujei-
tas a revisão. Quando resistem aos testes, contribuem para o fortalecimento das 
teorias; quando são refutadas, abrem espaço para novos pressupostos teóricos e 
novas investigações (DINIZ; SILVA, 2008).
1.4.4 Método dialético
O método dialético busca compreender os fenômenos a partir de suas con-
tradições internas, de sua transformação contínua e de suas múltiplas relações. 
Segundo Diniz e Silva (2008, p. 13), trata-se de um método que procura “penetrar 
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no mundo dos fenômenos por meio de sua ação recíproca, da contradição ineren-
te ao fenômeno e da mudança dialética que ocorre na natureza e na sociedade”, 
entendendo a realidade social como totalidade.
Karl Marx retoma a dialética hegeliana – originalmente centrada no mo-
vimento de ideias – e a reconstrói a partir das condições materiais de existência.Para ele, as contradições fundamentais se localizam nas relações sociais concre-
tas; é na vida prática que os sujeitos produzem tanto o mundo material quanto as 
representações que elaboram sobre ele (DINIZ; SILVA, 2008).
Segundo Lakatos e Marconi (2000 apud DINIZ; SILVA, 2008), a dialética 
marxista se apoia em alguns princípios básicos:
• ação recíproca: todos os elementos da realidade se relacionam entre si;
• mudança dialética: tudo se transforma, por meio de negações sucessi-
vas (negação da negação);
• passagem da quantidade à qualidade: alterações quantitativas acumula-
das podem levar a mudanças qualitativas;
• interpenetração dos contrários: os fenômenos se desenvolvem a partir 
de conflitos e tensões entre polos opostos.
Desse ponto de vista, a realidade não é composta por objetos fixos, mas 
por processos em permanente movimento. As partes não existem isoladamente: 
integram uma totalidade, cujos elementos se condicionam mutuamente. O conhe-
cimento científico, nessa perspectiva, avança por meio da análise das contradi-
ções, na medida em que a negação de uma forma de compreender o real dá lugar 
a novas sínteses (DINIZ; SILVA, 2008).
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CAPÍTULO 2
ETAPAS DA PESQUISA E ESTRUTURA DO PROJETO
Neste capítulo, desloca-se o foco dos fundamentos gerais da pesquisa 
científica para a compreensão de como planejar, organizar e registrar uma in-
vestigação de forma sistemática. O eixo central da discussão recai sobre duas 
dimensões articuladas:
a) as etapas do processo de pesquisa;
b) a estrutura formal do projeto de pesquisa, entendido como principal 
instrumento de planejamento da investigação.
Serão abordados, nos tópicos subsequentes, o planejamento da pesquisa, 
a definição do tema e do problema, a formulação de objetivos, a elaboração da 
justificativa, a revisão da literatura, a escolha dos procedimentos metodológicos, 
bem como a preparação do orçamento, do cronograma e das referências.
Ao final, apresenta-se um roteiro sintético para a organização do projeto de 
pesquisa, de modo a orientar o estudante na construção de propostas metodologi-
camente consistentes e academicamente adequadas
2.1. O PLANEJAMENTO DA PESQUISA
Planejar a pesquisa significa organizar, de forma sistemática, todas as etapas 
necessárias à produção do conhecimento: da escolha do tema à divulgação dos re-
sultados. Trata-se de uma fase estratégica, pois dela derivam as decisões teóricas, 
metodológicas e operacionais que orientarão todo o percurso investigativo.
Segundo Messias (2010), o primeiro elemento a ser definido é o tema. Con-
tudo, para que um tema se transforme em pesquisa, é preciso situá-lo no campo 
científico e elaborar questionamentos que o tornem investigável. Esse movimen-
to corresponde ao desenvolvimento do problema de pesquisa, isto é, da(s) per-
gunta(s) que orientará(ão) o estudo.
A autora sintetiza o planejamento inicial em questões-chave que o pes-
quisador deve explicitar:
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Fundamentos da Pesquisa Científica: Método, Projeto e Artigo
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• De onde quero partir?
• Com o que vou trabalhar?
• Por meio de que procedimentos?
• Onde quero chegar?
Essas perguntas estruturam a passagem do interesse inicial (tema) para um 
recorte mais preciso (problema), que orientará a coleta de dados, a análise e a 
elaboração de conclusões.
2.1.1. Etapas iniciais do planejamento
De maneira a tornar o processo investigativo mais claro e operacional, 
Messias (2010) propõe a organização da pesquisa em quatro etapas encadeadas, 
que articulam progressivamente teoria e prática.
Essas etapas iniciam com a formulação do problema de pesquisa e uma pri-
meira aproximação teórica, avançam para a aproximação empírica com a reali-
dade estudada, seguem com a articulação entre os dados coletados e o referencial 
teórico e culminam no desenvolvimento sistemático da pesquisa de campo e na 
organização dos resultados.
A compreensão desse percurso permite ao pesquisador visualizar a pesqui-
sa como um movimento dinâmico e contínuo, em que o problema, a teoria, os 
dados e a análise se alimentam mutuamente, oferecendo base sólida tanto para a 
elaboração do projeto quanto para a redação do relatório final.
Etapa 1 – Problema de pesquisa e primeira aproximação teórica
O ponto de partida é a formulação do problema de pesquisa. Ao definir o 
que deseja investigar, o pesquisador é levado a consultar a literatura, ainda que de 
forma preliminar, buscando identificar o que já foi produzido sobre o tema. Essa 
primeira revisão de literatura permite:
• delimitar melhor o tema;
• reconhecer abordagens e conceitos relevantes;
• evitar repetições desnecessárias.
Etapa 2 – Aproximação empírica
Na sequência, passa-se à investigação empírica inicial, que pode envolver 
entrevistas, observações ou outras formas de contato com a realidade estudada. 
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As narrativas, documentos ou registros obtidos nessa fase ajudam a transformar 
o tema em um objeto de pesquisa concreto, enraizado em uma situação real.
Etapa 3 – Articulação entre teoria e dados
Neste momento, o pesquisador dispõe de:
• reflexões teóricas preliminares;
• dados iniciais coletados no campo.
A partir do cruzamento desses elementos, torna-se necessária uma nova 
revisão de literatura, agora mais dirigida ao problema específico. Nessa fase, 
também podem ser incorporados:
• questionários, roteiros de entrevista e outros instrumentos de coleta;
• documentos oficiais, legislações, normas e materiais institucionais rela-
cionados ao objeto.
Etapa 4 – Desenvolvimento da pesquisa de campo e sistematização
Reunidos os elementos anteriores, criam-se condições para o desenvolvi-
mento da pesquisa de campo em profundidade. Os resultados obtidos, ainda em 
caráter experimental, passam a ser analisados e organizados, originando as pri-
meiras conclusões. A articulação dessas quatro etapas, em texto coeso e articula-
do, constitui a base do projeto de pesquisa e do futuro relatório.
2.1.2. Etapas gerais da pesquisa científica
Para Albino e Faqueti (2014), a pesquisa científica pode ser compreen-
dida como um conjunto de ações sistemáticas voltadas à solução de um pro-
blema, quando não se dispõem, de antemão, das informações necessárias para 
resolvê-lo. As autoras organizam o processo em três grandes etapas:
a) Elaboração do projeto de pesquisa
A elaboração do projeto de pesquisa constitui a etapa em que a investigação 
é planejada de forma sistemática e explicitada em um documento orientador.
Nesse momento, o pesquisador realiza a escolha do tema, procede a uma 
revisão preliminar da literatura, constrói a justificativa do estudo, formula o pro-
blema de pesquisa e define com clareza os objetivos a serem alcançados.
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Em seguida, delineia os percursos metodológico, organiza um cronograma 
para execução das atividades e identifica os recursos necessários à realização do 
trabalho.
Inclui:
• escolha do tema;
• revisão preliminar da literatura;
• justificativa;
• formulação do problema;
• definição de objetivos;
• delineamento metodológico;
• organização de cronograma;
• definição de recursos.
Trata-se, portanto, de uma fase decisiva, na qual se estruturam as bases teó-
ricas, metodológicas e operacionais que sustentarão toda a pesquisa.
b) Execução da pesquisa
A execução da pesquisa corresponde ao momento em que o plano previa-
mente elaborado se materializa em ações concretas. Nessa etapa, o pesquisador 
passa da dimensão projetual para a prática investigativa, realizando a coleta de 
dados, sua organização e tratamento, a análise e discussão dos resultados e, por 
fim, a elaboraçãode conclusões.
rata-se de uma fase central do processo científico, na qual se verifica, na 
realidade empírica, aquilo que foi formulado teoricamente, permitindo confron-
tar hipóteses, responder ao problema de pesquisa e produzir evidências que fun-
damentem o conhecimento construído.
Compreende:
• coleta de dados;
• organização e tratamento dos dados;
• análise e discussão dos resultados;
• elaboração de conclusões.
A execução da pesquisa representa o núcleo operativo da investigação 
científica, pois é nela que os dados são produzidos, sistematizados e interpreta-
dos à luz do referencial teórico e dos objetivos estabelecidos.
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A partir da coleta rigorosa e do adequado tratamento das informações, tor-
na-se possível realizar uma análise crítica dos resultados e, com base nela, formu-
lar conclusões consistentes com o problema proposto.
A qualidade dessa etapa condiciona diretamente a robustez do estudo: pro-
cedimentos bem conduzidos conferem maior credibilidade às conclusões, forta-
lecendo a contribuição científica e prática da pesquisa.
c) Apresentação dos resultados
A apresentação dos resultados constitui a etapa em que o conhecimento 
produzido pela pesquisa é formalmente socializado com a comunidade científica 
e acadêmica. Mais do que um simples registro escrito, essa fase diz respeito à 
forma de divulgação do estudo, que pode assumir distintos formatos, tais como 
artigo científico, monografia, dissertação ou tese, relatório técnico ou trabalho 
apresentado em eventos científicos.
Cada modalidade obedece a objetivos específicos, públicos-alvo diferen-
ciados e requisitos formais próprios, mas todas têm em comum a função de tornar 
acessíveis os procedimentos, as análises e as conclusões do pesquisador, permi-
tindo o exame crítico, a replicação e o aproveitamento dos resultados em novos 
estudos ou práticas profissionais.
Diz respeito à forma de divulgação do estudo, que pode se materializar em:
• artigo científico;
• monografia;
• dissertação ou tese;
• relatório técnico;
• trabalho acadêmico em eventos científicos.
A apresentação dos resultados representa o momento em que a pesqui-
sa cumpre plenamente sua função social e científica, ao ultrapassar o âmbito 
individual do pesquisador e integrar-se ao patrimônio coletivo de conhecimentos.
Seja na forma de artigo, monografia, dissertação, tese, relatório técnico 
ou comunicação em eventos, a divulgação adequada possibilita que outros pes-
quisadores avaliem, discutam, aprimorem e utilizem os achados produzidos. 
Dessa forma, a etapa de apresentação não é um mero encerramento formal do 
trabalho, mas um elo essencial no ciclo contínuo de construção, crítica e avan-
ço da ciência.
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2.2. ESTRUTURA DO PROJETO DE PESQUISA
O projeto de pesquisa é o documento que planeja a investigação e anteci-
pa, de maneira organizada, as ações a serem realizadas. Albino e Faqueti (2014) o 
comparam a uma “bússola”, pois define a direção a ser seguida pelo pesquisador, 
evitando dispersões e improvisos.
Pesquisadores iniciantes, frequentemente, desejam abordar temas muito 
amplos, o que resulta em:
• Excesso de dados;
• Dificuldade de análise;
• Perda de foco;
• Risco de abandono do estudo.
Por isso, é imprescindível planejar a pesquisa com cuidado, analisando 
possibilidades, limites e condições de execução. Antes de iniciar qualquer traba-
lho, é necessário:
• Definir a área de interesse (preferencialmente aquela pela qual o pesqui-
sador tenha maior afinidade);
• Dialogar com professores, especialistas ou responsáveis pelo setor em 
que a pesquisa será realizada;
• Delimitar com clareza o problema e os objetivos.
Albino e Faqueti (2014) destacam dois princípios básicos:
a) a pesquisa parte sempre de um tema geral rumo a um problema espe-
cífico; quanto maior a especificidade, melhores as condições de análise e 
conclusão;
b) após a elaboração e aprovação do projeto pelo orientador, cabe ao pes-
quisador (ou à equipe) executá-lo integralmente, produzindo ao final um 
novo documento – relatório, artigo, resumo ou trabalho acadêmico – com 
os resultados obtidos.
A seguir, apresentam-se os principais elementos da estrutura de um projeto, 
bem como perguntas-guia que auxiliam sua elaboração.
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2.2.1. Tema: o que vou pesquisar?
A definição do tema envolve tanto o interesse pessoal do pesquisador quan-
to a relevância acadêmica e social do assunto. Alguns aspectos devem ser consi-
derados:
• Afinidade com o tema (gosto, curiosidade, engajamento);
• Tempo disponível para desenvolver a pesquisa;
• Disponibilidade de orientador na área;
• Domínio prévio mínimo de conceitos relacionados;
• Relevância científica, social ou profissional do assunto;
• Existência de fontes de dados e materiais de consulta acessíveis 
(ALBINO; FAQUETI, 2014).
O tema deve ser formulado de maneira clara, evitando expressões excessi-
vamente genéricas.
2.2.2. Delimitação do tema: o que exatamente vou pesquisar?
Após a escolha do tema geral, é indispensável proceder à delimitação do 
tema, isto é, definir com clareza que recorte específico será investigado. Um tema 
amplo, como “educação”, “violência” ou “tecnologias digitais”, por exemplo, 
não é pesquisável em si mesmo: ele precisa ser circunscrito em termos de contex-
to, foco, sujeitos, tempo e perspectiva teórica.
Delimitar o tema significa transformar um interesse genérico em um objeto 
de estudo preciso, viável e coerente com as condições do pesquisador.
Em termos práticos, a delimitação envolve responder, entre outras, às se-
guintes questões:
• Em qual recorte da realidade? (nível de ensino, instituição, setor, área 
profissional, território etc.);
• Com quais sujeitos ou fontes? (alunos, professores, gestores, documen-
tos, legislações, dados estatísticos);
• Em que período de tempo? (últimos cinco anos, pós-pandemia, determi-
nada gestão, implementação de uma política);
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• Sob que enfoque? (pedagógico, social, psicológico, organizacional, tec-
nológico, político).
Quanto mais delimitado o tema, maior a possibilidade de aprofundamento 
analítico e de um tratamento metodológico consistente. A delimitação, portanto, 
não empobrece o estudo; ao contrário, confere-lhe foco, objetividade e viabili-
dade, funcionando como ponte entre o “o que vou pesquisar?” (tema) e “qual 
problema específico pretendo investigar?” (problema de pesquisa).
2.2.3. Justificativa: por que esta pesquisa é importante?
A justificativa tem a função de argumentar e explicitar a relevância do 
estudo. Trata-se de responder à pergunta: por que vale a pena realizar esta pes-
quisa?
Na justificativa, recomenda-se:
• Indicar a importância do tema em termos gerais (científicos, sociais, edu-
cacionais, profissionais);
• Esclarecer qual problema a pesquisa pretende enfrentar ou compreender;
• Apontar relações com outros estudos já realizados na área;
• Evidenciar possíveis contribuições e benefícios esperados para a comuni-
dade acadêmica, a instituição ou a sociedade (ALBINO; FAQUETI, 2014).
Uma boa justificativa é especialmente decisiva quando o projeto concorre 
a bolsas ou financiamentos.
2.2.4. Problema de pesquisa: qual questão pretendo responder?
Após apresentada a justificativa, o passo seguinte consiste na formulação 
do problema de pesquisa, isto é, na explicitação, em forma de pergunta, da ques-
tão central que o estudo pretende responder.
O problema deve emergir diretamente da realidade descrita e dos argumen-
tos da justificativa, evidenciando a dúvida, a lacuna, a contradiçãoou a situação-
-problema que demanda investigação científica.
Em termos metodológicos, o problema de pesquisa precisa ser: Claro e 
objetivo, redigido em linguagem precisa;
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• Específico, evitando formulações genéricas ou excessivamente amplas;
• Viável, considerando tempo, recursos, acesso às fontes e competências do 
pesquisador;
• Passível de resposta por meio de procedimentos científicos (e não por 
opinião pessoal).
De modo geral, recomenda-se que o problema seja formulado em forma in-
terrogativa, articulando os principais elementos do tema delimitado. Exemplos de 
estruturas possíveis incluem perguntas iniciadas por “como”, “em que medida”, 
“quais fatores”, “de que modo”, “que relações existem entre…”, entre outras.
Assim, o problema de pesquisa funciona como eixo orientador de todo o 
projeto, a partir do qual se derivam os objetivos, o referencial teórico e a defini-
ção dos procedimentos metodológicos.
2.2.5. Hipóteses: o que suponho sobre o problema?
As hipóteses de pesquisa são proposições afirmativas formuladas a partir 
do problema e da revisão de literatura, indicando respostas provisórias à questão 
investigada. Elas expressam relações prováveis entre variáveis ou explicações 
possíveis para o fenômeno estudado, que serão posteriormente testadas ao longo 
da pesquisa.
Em termos gerais, uma boa hipótese deve ser:
• Coerente com o tema e o problema de pesquisa;
• Formulada em forma afirmativa (não em forma de pergunta);
• Claramente delimitada no espaço, tempo e contexto;
• Verificável por meio dos procedimentos metodológicos escolhidos;
• Teoricamente fundamentada na literatura consultada.
A seguir, apresentam-se hipóteses-exemplo, que você poderá adaptar ao 
seu tema específico. Considerando, a título ilustrativo, um problema de pesquisa 
formulado nos seguintes termos: Como os professores de Matemática do 9º ano 
de uma escola pública urbana utilizam plataformas digitais de aprendizagem em 
suas práticas pedagógicas e quais dificuldades relatam nesse processo?
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Poderiam ser propostas as seguintes hipóteses:
• Hipótese 1 (H1): Professores que participam com maior frequência de 
ações de formação continuada em tecnologias educacionais tendem a utili-
zar plataformas digitais de aprendizagem de forma mais intensiva em suas 
práticas pedagógicas.
• Hipótese 2 (H2): A percepção de apoio institucional (infraestrutura, su-
porte técnico e pedagógico) está positivamente associada à frequência de 
uso de plataformas digitais de aprendizagem pelos professores de Matemá-
tica do 9º ano.
• Hipótese 3 (H3): As principais dificuldades relatadas pelos professores no 
uso de plataformas digitais de aprendizagem estão relacionadas à falta de 
tempo para planejamento e à insuficiência de recursos tecnológicos dispo-
níveis em sala de aula.
De maneira mais geral, se você já tem definido o seu problema, pode es-
truturar suas hipóteses em moldes como:
• H1: Há relação significativa entre [variável 1] e [variável 2] no contexto 
de [local/período].
• H2: A presença de [condição A] contribui para o aumento/diminuição de 
[resultado B] entre [grupo pesquisado].
• H3: As principais dificuldades/enfrentamentos em relação a [tema X] 
decorrem de [fatores Y e Z].
Assim, as hipóteses funcionam como guia para a coleta e análise de da-
dos, indicando o que será colocado à prova ao longo da investigação empírica.
2.2.6. Objetivos: o que pretendo alcançar?
Os objetivos explicitam aquilo que se pretende atingir com a realização da 
pesquisa. Respondem à pergunta: o que desejo alcançar com este estudo?
Conforme Albino e Faqueti (2014), é possível distingui-los em:
• Objetivo geral – Expressa a finalidade mais ampla do estudo, aquilo que 
se deseja alcançar ao final da pesquisa.
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• Objetivos específicos – Desdobram o objetivo geral em etapas menores, 
concretas e mensuráveis. Indicam o caminho a ser percorrido para que o 
objetivo geral seja alcançado.
Os objetivos devem ser formulados de modo claro e sempre iniciando por 
verbos no infinitivo, tais como: conhecer, identificar, descrever, caracterizar, ana-
lisar, comparar, avaliar, verificar, investigar, compreender, relacionar, entre outros.
2.3. Revisão da literatura: o que já sei sobre o tema?
Toda pesquisa científica se constrói a partir de um diálogo com conheci-
mentos já produzidos anteriormente. Nada começa “do zero”: antes de propor 
uma nova investigação, o pesquisador precisa saber o que já foi estudado, como 
foi estudado e quais resultados foram encontrados sobre o tema que o interessa. É 
exatamente essa a função da revisão da literatura.
A revisão da literatura é uma etapa sistemática em que o pesquisador 
busca, seleciona, lê, analisa e organiza produções acadêmicas (livros, artigos, 
teses, dissertações, relatórios, documentos oficiais etc.) relacionadas ao tema 
de pesquisa. Ela não é um simples “resumo de textos”, mas um exercício crítico 
de leitura e síntese, com finalidades bem definidas:
2.3.1. Apresentar os principais conceitos relacionados ao tema
O primeiro objetivo da revisão é esclarecer o “vocabulário” teórico da pes-
quisa. Isso significa:
• Definir os conceitos centrais que serão utilizados no estudo (por exemplo: 
inclusão, aprendizagem significativa, motivação, currículo, cultura organi-
zacional, desigualdade social etc.);
• Mostrar como esses conceitos são entendidos por diferentes autores;
• Explicitar quais definições serão adotadas na pesquisa e por quê.
Ao fazer isso, o pesquisador evita ambiguidades e estabelece um marco 
conceitual claro, que servirá de base para a formulação do problema, dos objeti-
vos, das hipóteses e para a análise dos dados.
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2.3.2. Indicar os autores que fundamentam teoricamente o estudo
Toda pesquisa se apoia em uma ou mais referências teóricas. A revisão da 
literatura permite identificar:
• Quais autores são considerados clássicos ou fundamentais no tema?
• Quais estudos recentes têm contribuído para atualizar o debate?
• Que correntes teóricas orientam as diferentes interpretações do fenômeno?
Ao citar e discutir esses autores, o pesquisador mostra em que tradição 
teórica se insere e com quem está dialogando. Isso confere maior consistência e 
legitimidade ao estudo.
2.3.3. Situar a pesquisa no estado atual do conhecimento
Outro objetivo central da revisão é responder à pergunta:
“O que já se sabe, até o momento, sobre esse tema?”
Para isso, é preciso:
• Levantar pesquisas relacionadas ao tema em contextos e períodos 
distintos;
• Identificar resultados recorrentes, tendências, temas mais investigados;
• Reconhecer como o debate vem se desenvolvendo ao longo do tempo.
Esse movimento permite situar o trabalho dentro do chamado estado da 
arte ou estado do conhecimento: o pesquisador mostra que conhece o que já foi 
feito e que sua pesquisa não é uma repetição desnecessária, mas um avanço ou 
aprofundamento em relação ao que existe.
2.3.4. Identificar lacunas, controvérsias ou aspectos pouco 
explorados
A revisão da literatura não serve apenas para mostrar o que já foi estudado, 
mas também para revelar o que ainda não foi suficientemente investigado. Ao ler 
criticamente as produções, o pesquisador pode identificar:
• Temas, contextos, grupos ou variáveis pouco abordados;
• Contradições entre resultados de pesquisas;
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• Limitações metodológicas recorrentes;
• Perguntas que permanecemsem resposta.
 Essas lacunas e controvérsias ajudam a justificar a originalidade e a rele-
vância da nova pesquisa: o estudo se propõe justamente a contribuir onde ainda 
há dúvidas ou insuficiências.
2.3.5. Importância da revisão da literatura mesmo em pesquisas 
exploratórias
Algumas vezes, o estudante acredita que, por sua pesquisa ser “explorató-
ria”, ele não precisa consultar muitos textos prévios. Isso é um equívoco.
Mesmo em pesquisas exploratórias – cujo objetivo é aproximar-se de um 
problema ainda pouco conhecido –, é fundamental:
• Consultar fontes documentais (leis, relatórios, documentos institucio-
nais, diretrizes oficiais, dados estatísticos etc.);
• Buscar produções bibliográficas (livros, artigos, teses, dissertações, tra-
balhos apresentados em eventos) que tratem de temas semelhantes ou com-
plementares.
Essa consulta ajuda a não “reinventar a roda”, evitando esforços desneces-
sários e permitindo que o pesquisador se apoie em bases já construídas (ALBI-
NO; FAQUETI, 2014).
2.3.6. Registro cuidadoso das fontes consultadas
Um aspecto técnico essencial da revisão da literatura é o registro sistemá-
tico das fontes. Isso significa:
1. Anotar corretamente os dados completos de cada obra lida (autor, título, 
subtítulo, edição, local, editora, ano, páginas consultadas, endereço ele-
trônico e data de acesso, quando se tratar de material on-line);
2. Organizar essas informações em fichas, arquivos digitais, planilhas ou 
softwares gerenciadores de referências (como Mendeley, Zotero, EndNote, 
entre outros);
3. Garantir que tudo o que for citado no texto apareça, de forma correta, na 
lista de referências ao final do projeto ou do trabalho.
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Esse cuidado é indispensável por pelo menos três razões:
1. Ética acadêmica: reconhecer devidamente a autoria das ideias utilizadas 
e evitar plágio;
2. Rigor científico: permitir que outros pesquisadores localizem as mesmas 
fontes e verifiquem as informações;
3. Padronização formal: atender às exigências de normas técnicas, espe-
cialmente as normas da ABNT, na apresentação das referências.
2.3.7. Relação entre revisão da literatura e demais partes da 
pesquisa
A revisão da literatura não é um capítulo isolado e “solto” da pesquisa. Ela 
se articula diretamente com:
• A justificativa, que se fortalece ao mostrar lacunas e relevância do tema;
• O problema de pesquisa, que se torna mais claro à medida que o pesqui-
sador conhece melhor o debate;
• Os objetivos, que podem ser ajustados conforme o que já foi ou não es-
tudado;
• A metodologia, que pode se inspirar em estratégias bem-sucedidas de 
outros estudos ou superar limitações identificadas;
• A análise dos dados, que será feita à luz dos conceitos e autores apresen-
tados na revisão.
Em resumo, a revisão da literatura é o momento em que o pesquisador en-
tra na conversa científica já em andamento sobre o seu tema. Ao conhecer o 
que foi produzido, posicionar-se criticamente e explicitar esse percurso no texto, 
ele demonstra maturidade teórica, rigor metodológico e respeito à tradição acadê-
mica – condições indispensáveis para a qualidade de qualquer pesquisa científica.
2.4. Metodologia: como vou desenvolver a pesquisa?
A metodologia é a parte do projeto em que o pesquisador explica, com 
clareza e em detalhes, como pretende conduzir o estudo. Se o problema de 
pesquisa diz “o que quero saber”, a metodologia responde “de que forma vou 
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descobrir isso”. É, portanto, o caminho operacional da pesquisa, o roteiro que 
orienta todas as ações práticas.
A seguir, detalha-se cada um dos elementos que devem ser apresentados 
nessa seção.
a) Tipo de pesquisa
Aqui o pesquisador deve indicar a natureza e a abordagem do estudo, 
mostrando em que “categoria” metodológica sua pesquisa se insere. Em geral, 
descrevem-se:
Quanto aos objetivos:
• Exploratória – quando o objetivo é aproximar-se de um tema pouco estu-
dado, compreender melhor o problema, levantar hipóteses.
• Descritiva – quando se busca descrever características de um fenômeno, 
grupo ou situação, ou ainda relacionar variáveis.
• Explicativa – quando se pretende identificar causas, fatores determinan-
tes ou mecanismos que explicam a ocorrência dos fenômenos.
Quanto à abordagem:
• Quantitativa – quando os dados serão quantificados (números, tabelas, 
estatísticas) e analisados com técnicas estatísticas.
• Qualitativa – quando o foco está nos significados, percepções, experiên-
cias e processos, com ênfase na interpretação, e não na quantificação.
• Quantitativa–qualitativa (mista) – quando a pesquisa combina técnicas e 
dados numéricos com análises interpretativas.
Quanto à natureza:
• Básica – quando o objetivo principal é gerar conhecimento novo, sem 
aplicação prática imediata.
• Aplicada – quando se busca solucionar problemas concretos, em contex-
tos específicos.
Nessa parte, não basta nomear o tipo de pesquisa; é importante justificar 
a escolha, mostrando como esse tipo é adequado ao problema e aos objetivos do 
estudo.
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b) Procedimentos técnicos
Os procedimentos técnicos descrevem como os dados serão obtidos, isto 
é, qual o “desenho” operacional da pesquisa. Entre os principais, podem ser men-
cionados:
• Pesquisa bibliográfica – estudo baseado em materiais já publicados (li-
vros, artigos, teses, relatórios etc.), utilizado tanto em pesquisas teóricas 
quanto como etapa de fundamentação de pesquisas empíricas.
• Pesquisa documental – uso de documentos que ainda não receberam 
tratamento analítico sistemático (atas, prontuários, relatórios internos, le-
gislações, pareceres, registros institucionais, arquivos históricos etc.).
• Estudo de caso – análise aprofundada de um caso específico (uma escola, 
uma turma, um programa, uma política, uma organização), com o objetivo 
de compreendê-lo em profundidade e em seu contexto.
• Levantamento (survey) – coleta de dados junto a um grupo maior de 
pessoas, por meio de questionários ou entrevistas estruturadas, para mapear 
opiniões, comportamentos ou características.
• Pesquisa experimental – quando o pesquisador manipula uma ou mais 
variáveis em condições controladas, observando seus efeitos sobre outra 
variável (mais comum em ciências naturais, psicologia, saúde etc.).
• Pesquisa ex post facto – análise de eventos já ocorridos, sem intervenção 
prévia do pesquisador, buscando identificar relações entre variáveis depois 
dos fatos.
• Pesquisa-ação – investigação associada a um processo de intervenção 
para resolver um problema coletivo, com participação ativa dos sujeitos no 
planejamento, execução e avaliação.
• Pesquisa participante – quando o pesquisador se envolve diretamente 
com o grupo investigado, participando de suas atividades e construindo o 
conhecimento em interação com os sujeitos.
Ao descrever os procedimentos técnicos, o pesquisador precisa mostrar 
qual ou quais utilizará e como serão aplicados na prática.
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c) Universo e amostra (ou população participante)
Neste ponto, o pesquisador deve responder: “sobre quem ou sobre o quê 
vou coletar dados?”
Universo ou população:
É o conjunto total de elementos (pessoas, instituições, documentos, situa-
ções) sobre o qual se pretende produzir conhecimento.
Ex.: “todos os professores do ensino fundamental de uma rede municipal”; 
“todas as escolas de determinado município”; “todos os prontuários de pacientes 
atendidos em um serviço, entre 2020 e 2023”.
Amostra:
É uma porção representativa desse universo, selecionada para participar 
efetivamente da

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