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Doenças das Glândulas Adrenais Eixo Hipotálamo-hipófise-adrenal No hipotálamo ocorre a produção de CRH, estimulando a produção de ACTH na hipófise, o qual estimula a produção de cortisol na adrenal. O cortisol possui um ritmo circadiano, o seu pico ocorre entre as 79h da manhã (horário ideal para fazer dosagem) e perto da 00h é o horário em que os níveis estão mais baixos. A glândula adrenal está localizada acima dos rins e é dividida em: Cápsula; Zona glomerulosa: produção de mineralocorticóides como a aldosterona; Zona fascicular: produção de corticóides como o cortisol; Doenças das Glândulas Adrenais 1 zona reticular: produção de andrógenos; Medula: liberação de catecolaminas como noradrenalina e adrenalina. Principais ações do cortisol: Papel importante na homeostase da glicose: é um hormônio contrarregulador, então faz com que tenha liberação de glicose; Efeito na pressão arterial: estimula a recepção de receptores para as catecolaminas (epinefrina e norepinefrina) e angiotensina no coração e nos vasos sanguíneos; Efeitos no sistema humoral: aumentam a síntese de citocinas anti- inflamatórias e diminuem as pró-inflamatórias; Ósseas: diminui a absorção de cálcio nos ossos, aumenta a reabsorção óssea, então o excesso de cortisol pode causar osteoporose; Pele e subcutâneo: pode predispor fragilidade capilar; Muscular: catabolismo proteico e com isso enfraquece musculaturas proximais (coxa, braço). Obs: por isso o excesso de cortisol pode causar HAS, DM, Cushing, osteoporose, fragilidade capilar. Insuficiência adrenal Definição A insuficiência adrenal pode ser primária ou secundária e se manifestar clinicamente de maneira aguda ou crônica: Primária: quando há destruição do córtex adrenal, também chamada de doença de Addison; Doença de Addison foi descoberta em 1855 por Thomas Addison e o tratamento com reposição com cortisona foi iniciado em 1949. Secundária: quando há comprometimento hipofisário ou hipotalâmico, impedindo a liberação de CRH ou ACTH, ou há uso de glicocorticóides. Pode ocorrer pelo uso de cortisol exógeno pois esse suprime o eixo hormonal, então devemos repetir o exame e orientar a paciente a não usar Doenças das Glândulas Adrenais 2 medicamentos com corticoide para reavaliar. Cortisol baixo e ACTH baixo também geralmente é um indicativo. Epidemiologia A insuficiência adrenal primária é uma doença rara com uma prevalência relatada de cerca de 100 a 140 casos por milhão e uma incidência de 41.000.000 por ano nas sociedades ocidentais. Recentemente, dados da Alemanha relatam um aumento na prevalência, principalmente no sexo feminino, a principal causa é autoimune 80%, seguido de doenças infecciosas e uso de medicamentos. Fisiologia O córtex adrenal é responsável por três grupos principais de hormônios: Camada Hormônio principal Controle Glomerulosa Aldosterona (mineralocorticoide) Sistema renina–angiotensina–aldosterona SRAA e potássio sérico Fasciculada Cortisol (glicocorticoide) ACTH (hormônio adrenocorticotrófico) Reticulada Andrógenos adrenais ACTH Medula Catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) Sistema nervoso simpático (não depende do ACTH Fisiologicamente: A renina (produzida no rim) → converte angiotensinogênio em angiotensina I, depois angiotensina II estimula a aldosterona na zona glomerulosa; A aldosterona promove reabsorção de sódio e excreção de potássio, mantendo o volume extracelular e a PA; O CRH (hipotálamo) → estimula a hipófise a liberar ACTH, que age na zona fasciculada para produção de cortisol; O cortisol exerce feedback negativo sobre CRH e ACTH. Quando há insuficiência adrenal primária: Doenças das Glândulas Adrenais 3 Lesão na adrenal leva a perda da função do córtex inteiro (glomerulosa + fasciculada + reticulada); ↓ Cortisol causando perda de feedback, com isso temos ↑ ACTH; ↓ Aldosterona leva ao ↑ renina (tentando compensar); ↓ Andrógenos; Medula preservada (produz catecolaminas normalmente). Quando há insuficiência adrenal secundária: Deficiência de ACTH ou CRH causando redução da produção de cortisol e andrógenos; A aldosterona fica normal, pois sua regulação depende do SRAA, não do ACTH; ACTH estará baixo e renina normal. Etiologia insuficiência adrenal primária Autoimune: 80% dos casos, pode ser poliglandular ou apenas na adrenal pois pacientes com doenças autoimunes tem tendência a ter outras. Síndrome poliglandular tipo I hipoparatireoidismo, candidíase mucocutânea, DM1; Síndrome poliglandular tipo II tireoidite auto-imune, outras doenças autoimunes. Infecção: tuberculose, SIDA, fúngica; Hemorragia suprarrenal bilateral: sepse, meningococemia (síndrome de Waterhouse-Friderichsen), SAF; Infiltração suprarrenal não infecciosa: metástase, sarcoidose, amiloidose, hemocromatose; Adrenelectomia bilateral: hiperplasia micronodular, síndrome de cushing ACTH-dependente não tratada; Doenças das Glândulas Adrenais 4 Drogas: mitotane, etomidato, cetoconazol, mifepristone; Doenças genéticas: adrenoleucodistrofia, hiperplasia adremnal congênita. Obs: adrenoleucodistrofia é uma doença genética rara que afeta o metabolismo de substâncias gordurosas, levando ao acúmulo de ácidos graxos de cadeia muito longa VLCFA no cérebro, medula espinhal e glândulas suprarrenais. Insuficiência adrenal secundária Tumores da sela turca; Radioterapia; Hipofisite linfocítica; Apoplexia: hipófise destruida; Trauma; Uso exógeno de corticoide (mais comum). Manifestações clínicas IA crônica primária Para que a IAP manifeste-se clinicamente, é preciso que pelo menos 90% do tecido adrenocortical seja destruído então nas formas autoimunes e infiltrativas, essa destruição habitualmente é gradual e progressiva. Sintomas: Fadiga; Adinamia; Dor abdominal; Náuseas; Vômitos; Tontura; Mialgia, artralgia; Sinais: Hiperpigmentação cutânea: especialmente em mucosa, região de atrito e fotoexpostas. Doenças das Glândulas Adrenais 5 A hiperpigmentação decorre do excesso de ACTH. O ACTH é derivado do POMC (proopiomelanocortina), uma molécula precursora que também origina a α-MSH (hormônio melanotrópico). Assim, quando o ACTH está elevado (por perda do feedback negativo do cortisol), há aumento simultâneo de α-MSH, que estimula os melanócitos, levando à hiperpigmentação difusa. Febre; Anemia, eosinofilia, linfocitose; Hipercalemia; Hiponatremia; Hipoglicemia: especialmente em crianças; Hipotensão: PA em pé, sentado e deitado; Redução de força, libido, pela seca nas mulheres, perda de pelos axilares e pubianos; Avidez por sal. IA crônica secundária As manifestações clínicas de IA secundária diferem em dois principais aspectos: Não há hiperpigmentação cutâneo mucosa ACTH baixo); Geralmente ausentes a depleção de volume e desidratação pois preserva mineralocorticoides; Hipotensão, sintomas gastrointestinais e crise adrenal são menos comuns. IA aguda/ Crise adrenal ou Addisoniana É uma emergência médica por falta de cortisol, é mais comum na IA primária. IA crônica expostos ao estresse de infecções, cirurgia ou desidratação (privação de sal, diarreia, vômitos) podem precipitar uma crise adrenal então nesses casos a gente orienta o paciente a dobrar a dose de Doenças das Glândulas Adrenais 6 corticóides pelo período que tiver essa alteração (damos essa orientação na consulta mesmo). Pode, também, ser precipitada pela reposição isolada de hormônios tireoidianos em indivíduos com hipotireoidismo e hipocortisolismo, bem como pelo uso de inibidores de esteroidogênese adrenal. Lembrar que quando for iniciar LT4 sempre deve ser após corticoterapia, pois se começar a levotiroxina antes vamos aumentar o metabolismo, isso aumenta a necessidade de cortisol e pode causar uma crise adrenal. Então, sempre tratar a insuficiência adrenal antes de tratar o hipotireoidismo. Devemos coletar exames antes de iniciar corticoterapia ACTH e cortisol). Paciente tem sinais: Hipotensão e choque; Desidratação; Cianose epalidez; Febre; Confusão mental e torpor; Coma. Sintomas como: Dor abdominal, flanco ou torácica; Náuseas, vômitos, anorexia; Fraqueza; Apatia; Confusão e desorientação. Alterações laboratoriais como: Hiponatremial Hipercalemia; Hipoglicemia: principalmente em crianças; Uremia; Linfocitose e eosinofilia. Doenças das Glândulas Adrenais 7 Exames laboratoriais O diagnóstico da IA crônica pode ser estabelecido pela dosagem do cortisol (sérico/plasmático) e ACTH plasmático basal. Priemiro realizamos a dosagem do cortisol sérico basal, o cortisol deve ser coletado entre 7 e 9h da manhã, o VR é de 5 a 25mg/dl, a partir dos resultados analisamos: 5 mg/dl são indicativos de insuficiência adrenal; 3 mg/dl confirmam o diagnóstico; 18 mg/dl excluem o diagnóstico; 518 mg/dl vai requerer dosagens de cortisol durante o teste de estimulação rápida com o ACTH sintético. A dosagem de ACTH plasmático deve ser feita também, se tiver cortisol sérico baixo com ACTH elevado é indicativo de IAP. Teste de estimulação rápida com ACTH baixa dose e dose alta (teste da cortrosina) É padrão ouro. Avalia IA primária. Após coleta de cortisol sérico, administram-se IV 250ug de ACTH (cortrosina) e dosa-se novamente cortisol sérico após 30 e 60 minutos (então dosa no 0, 30 e 60. O teste costuma ser feito durante o período da manhã. Se pico de cortisol 18 confirma a IA. Se pico de cortisol 18 exclui IA primária. Teste de hipoglicemia induzida pela insulina ou teste de tolerância à insulina Indicado para pacientes com suspeita de IA secundária franca ou parcial. É feito dosagem de CS basal, 30 e 60 minutos após infusão de regular 0,05 U/kg IV, baseia-se na capacidade da hipoglicemia induzir uma resposta ao estresse do SNC e aumentar a liberação de CRH, ACTH e cortisol. Se 18 resposta normal. Doenças das Glândulas Adrenais 8 Se 18 IA. Exames adicionais Dosagens de atividade plasmática de renina e aldosterona: avalia a aldosterona, importante pois a insuficência adrenal primária não tem aldosterona; DHEAS; Investigar doenças autoimunes/ anticorpo anti-21OH; Dosagem de ácidos grãos de cadeia longa: analisar adrenoleucodistrofia; Outras alterações bioquímicas: hiponatremia, hipercalemia, uremia. A etiologia da IA primária deve ser determinada por motivos terapêuticos em todos os pacientes com doença confirmada então recomenda: Se lactentes, crianças e adultos selecionados → dosar 17OH- progesterona. Se + → hiperplasia adrenal congênita. Se - → avaliar síndromes genéticas como hiperplasia adrenal congênita rara e hipoplasia adrenal congênita, IAP idiopática. Se 6 meses de idade → dosar anticorpos 21OH. Se - → em homens dosar ácidos graxos de cadeia muito longa. Se + → adrenoleucodistrofia. Se - TC de adrenal. Doenças das Glândulas Adrenais 9 Se + → doença infiltrativa, hemorragia adrenal, infecção ou tumor maligno. Se - → síndromes genéticas raras, IAP idiopática. Se + → insuficiência adrenal autoimune, considerar síndromes poliglandulares autoimunes. Tratamento Insuficiência Adrenal Crônica Reposição de glicocorticóide Reposição com glicocorticóides em todos os pacientes com IAP confirmada. Escolha: Hidrocortisona 1525mg) ou Acetato de cortisona 20 35mg) em 23 doses orais divididas por dia. A dose mais alta deve ser administrada de manhã ao despertar Alternativa: Prednisolona ou Prednisona 35mg/dia 12x/dia. Contra o uso de dexametasona para o tratamento da IAP por conta dos efeitos colaterais é difícil titulação de dose. Sempre devemos avaliar apenas com base na resposta clínica, devemos avaliar PA, por exemplo Reposição de mineralocorticóides Todos os pacientes com confirmação de deficiências de aldosterona recebem tratamento com fludrocortisona e não restringir ingestão de sal. Devemos monitorar mineralocorticoide baseada na avaliação clínica ou eletrólitos. Em pacientes que desenvolvem hipertensão enquanto recebem fludrocortisona, sugerimos reduzir a dose, e se a pressão arterial permanecer descontrolada sugerimos iniciar tratamento anti-hipertensivo BRA, IECA, bloqueador de canal de cálcio), diuréticos devem ser evitados, e continuar fludrocortisona. Obs: apesar de teoricamente o paciente ter IA primária pode desenvolver HAS, mesmo sendo contraditório. Doenças das Glândulas Adrenais 10 Escolha: Fludrocotisona dose diária recomendada é 0,05 a 0,2 mg em adultos e adolescentes. A reposição de andrógenos pode ser usada como teste terapêutico em pacientes sintomáticas a despeito do tratamento otimizado com DHEA 25 a 50mg/dia. Gestação e IAP As pacientes grávidas devem ser monitorizadas através dos sinais e sintomas clínicos, com pelo menos uma revisão por trimestre. Aumento da dose de hidrocortisona de 20 a 40% , deve ser implementado a partir da 24 semana de gestação (com base clínica individual) e após parto reduzir para a dose pré-gravidez. Sugere-se o uso de hidrocortisona sobre acetato de cortisona, prednisolona ou prednisona e não é recomendado uso de dexametasona. O teste de estimulação com cortrosina é o teste de escolha pois gestantes apresentam pico de cortisol maior, nem dosamos o cortisol. Uma dose de hidrocortisona deve ser iniciada no início do trabalho de parto em bolus de 100mg IV, seguida de infusão contínua de 200mg/24h. Tratamento da crise adrenal As medidas gerais são: Coletar amostras de sangue para hemograma, dosagens bioquímicas e hormonais de cortisol e ACTH; Corrigir depleção de volume, desidratação, hipoglicemia e distúrbios eletrolíticos; Tratar infecção ou outros fatores precipitantes. A reposição de glicocorticoides deve ser feito com administração de Hidrocortisona 100 mg IV, seguido de 50 mg de 6/6h, durante 24h. Se a hidrocortisona não estiver disponível, prednisolona como alternativa, a Dexametasona apenas se não houver nenhuma outra opção. É feito infusão rápida de 1000 ml de solução salina isotônica na primeira hora ou glicose a 5% em solução salina isotônica, seguido por solução Doenças das Glândulas Adrenais 11 salina isotônica IV contínua guiada pelas necessidades individuais do paciente. Monitoramento cardíaco deve ser feito, avaliando redução rápida e mudança para regime oral, dependendo do estado clínico. Seguimento clínico: Manter paciente assintomático, com peso, pressão arterial e eletrólitos normais; Uso pelo paciente de cartão ou bracelete de identificação; Duplicação da dose do glicocorticóide durante períodos de estresse (infecções virais ou bacterianas, cirurgias, etc.); Resposta clínica: melhor parâmetro para avaliação clínica da eficácia do tratamento. Síndrome de Cushing SC Definição Conjunto de sinais e sintomas associados à exposição prolongada (crônica) a níveis inadequadamente altos de glicocorticoides GC por ser causas exógenas iatrogênicas ou endógenas. É o contrário da insuficiência adrenal. Epidemiologia Causa exógena é a causa mais comum, com prevalência de 50% em usuários crônicos GC, seja oral, inalatória, dérmico ou oftálmico. A ocorrência de SC endógena varia de 2 a 8 casos por milhão de pessoa por ano, sendo que essa doença pode ser subdiagnosticada. É mais comum entre 30 e 49 anos. A principal causa de SC endógena é o adenoma hipofisário 6070% dos casos), seguida por tumores suprarrenais 2030% e tumores neuroendócrinos ectópicos 610%, estimulando a adrenal a produzir cortisol). Etiologia Uso exógeno de glicocorticoides: iatrogênico, com doses maiores que 7,5mg/dia; Doenças das Glândulas Adrenais 12 Doença de Cushing: neoplasia na maioria das vezes benigna e de pequenas dimensões 1 cm), acomete mais sexo feminino dos 1550 anos; Secreção ectópica de ACTH neoplasias capazes de produzir ACTH como carcinoma de pequenas células do pulmão, sendo mais comum no sexo masculino 4060 anos; Atividade suprarrenal autônoma: carcinomas, adenomas, hiperplasia nodular autônoma que produzem mais cortisol; Pseudo-Cushing: condições que podem induzir certo grau de hipercortisolismomas é por hiper secreção hipotalâmica de CRH. Quadro clínico Fácies lua cheia, hipertricose facial, pletora; Gibosidade; Irregularidade menstrual; Obesidade centrípeta: acúmulo de gordura na região abdominal; Equimoses: pela fragilidade capilar causada pelo excesso do cortisol; Estrias violáceas com 1cm de largura; Miopatia proximal: acompanhada de fraqueza; Atrofia cutânea; HAS, DM, hipercolesterolemia e osteoporose (especialmente na coluna): casos mais prolongados. Diagnóstico Quando investigar? Presença de múltiplos e progressivos fatores como equimoses fáceis, pletora facial, miopatia/fraqueza proximal, estrias violáceas ou avermelhadas 1cm; Fatores incomuns para idade: osteoporose, HAS em jovens; Doenças das Glândulas Adrenais 13 Pacientes pediátricos com diminuição da velocidade de crescimento / baixa estatura associada a ganho de peso; Incidentaloma adrenal (achado de massa adrenal em exame de imagem). Obs: não é recomendado rastreamento generalizado para síndrome de Cushing em outras situações clínicas (por exemplo: obesidade, diabetes mellitus, hirsutismo), na ausência de características mais específicas de hipercortisolismo. Há 3 passos na suspeita de Cushing: Demonstrar laboratorialmente a existência de um excesso de cortisol; Definição da dependência do ACTH; Definição da etiologia. 1° passo: confirmação do hipercortisolismo Devemos afastar uso de corticoide exógeno. Deve ter no mínimo 2 dos 3 testes: cortisol livre urinário, cortisol salivar 23h e supressão com dexametasona. Teste de supressão com dexametasona TSD É feito administrando 1mg de corticoide às 23h e, na manhã seguinte, coletar sangue. Como estamos dando cortisol, espera-se que o cortisol esteja baixo na manhã seguinte. Valores 1,8 são normais, se valores 1,8 indicam excesso de cortisol. Obs: caso esses resultados sejam duvidosos podemos aumentar a dose de dexametasona, administrando 2 mg e refazendo a dosagem. Teste de cortisol livre salivar às 2324h: Analisa o nível mais baixo de cortisol, se tiver 2x o valor de referência do laboratório pensamos em excesso de cortisol. Cortisol urinário livre CUL Coleta urina de 24h e é dosado a quantidade de cortisol, se estiver 3x maior que o valor de referência. 2° passo: definição da dependência de ACTH Doenças das Glândulas Adrenais 14 Feito a partir da dosagem do ACTH. Níveis indetectáveis 10 pg/ml) → síndrome de cushing ACTH independente como tumor adrenal produtor de cortisol, pensamos em disúrbio adrenal; Carcinoma adrenal (características malignas): principal causa de síndrome de cushing em crianças, mas também ocorre em adultos. Secreção de múltiplos hormônios como cortisol, androgênios, precursores da esteroidogênese, estradiol, além de perda de peso, dor abdominal em flanco, massa tumoral palpável. Adenoma adrenal (características benignas na imagem): acomete mais o sexo feminino, na idade após 40 anos, hipercortisolismo puro com andrógenos baixos ou indetectáveis. ACTH elevado 20 pg/ml) → síndrome ACTH dependente como doença de cushing, síndrome de cushing ectópica; ACTH entre 10 e 20 pg/ml → realizar teste de Liddle 2, teste de estímulo com CRH ou desmopressina. 3° passo: definição da etiologia RNM sela túrcica: doença de cushing; TC/RNM adrenais: adenoma/ carcinoma adrenal; TC/RNM de tórax/ abdômen: tumores ectópicos. Tratamento Cirurgia é o tratamento de escolha, feito transesfenoidal na doença de cushing, pode ser feito radioterapia, adrenalectomia nos tumores adrenais. Na síndrome de cushing ectópica é feita remoção do tumor, em alguns casos graves deve ser realizada adrenalectomia bilateral. Medicamentos em casos de contraindicação cirúrgica, podemos usar: Inibidores da esteroidogênese adrenal: cetoconazol, metirapona, mitotano e etomidato; Neuromoduladores da secreção de ACTH cabergolina e pasireotide; Doenças das Glândulas Adrenais 15 Antagonista do receptor de GC mifepristona (controla os sintomas de hipercortisolismo rapidamente). Hipertensão Arterial Secundária Hipertensão arterial pode ser primaria (essencial) ou secundaria 35%. Antes de prosseguir na investigação da etiologia, deve-se avaliar: Medida inadequada da pressão arterial; Hipertensão do avental branco; Tratamento inadequado; Não-adesão ao tratamento; Progressão da doença; Presença de comorbidades; Interação com outros medicamentos. As principais causas de hipertensão secundaria são: Causas renais; Causas endócrinas; Outras causas (apneia obstrutiva do sono, obesidade...). Alguns achados são mais sugestivos de hipertensão arterial secundaria, como: Achados Suspeita diagnóstica Estudos diagnósticos adicionais Ronco, sonolência diurna, síndrome metabólica Apneia obstrutiva do sono Polissonografia Hipertensão resistente ao tratamento e/ou com hipocalemia e/ou com nódulo adrenal Hiperaldosteronismo primário Relação aldosterona/atividade de renina plasmática Insuficiência renal, doença cardiovascular aterosclerótica, edema, ureia elevada, creatinina elevada, proteinúria/hematúria Doença renal parenquimatosa Taxa de filtração glomerular, ultrassonografia renal, pesquisa de microalbuminúria ou proteinúria Doenças das Glândulas Adrenais 16 Achados Suspeita diagnóstica Estudos diagnósticos adicionais Sopro sistólico/diastólico abdominal, edema pulmonar súbito, alteração da função renal por medicamentos que bloqueiam o sistema renina-angiotensina Doença renovascular Angiografia por ressonância magnética ou tomografia computadorizada, ultrassonografia com Doppler, renograma, arteriografia renal Uso de simpatomiméticos, paroxismos, sudorese, palpitações, taquicardia, estresse agudo Catecolaminas em excesso Confirmar normotensão em ausência de catecolaminas Pulsos em femorais reduzidos ou retardados, fração de braço anormal Coarctação da aorta Doppler ou tomografia computadorizada de aorta Ganho de peso, fadiga, fraqueza, hirsutismo, amenorreia, “lua cheia ,ˮ corcova dorsal, estrias purpúricas, obesidade central Síndrome de Cushing Determinações: cortisol urinário de 24 horas e cortisol matinal (8h) basal e após administração de 1 mg de dexametasona às 24h Hipertensão paroxística com cefaleia, sudorese e palpitações Feocromocitoma Determinações de catecolaminas e seus metabólitos em sangue e urina Fadiga, ganho de peso, perda de cabelo, pele seca, fraqueza muscular Hipotireoidismo Determinações de T4 livre e TSH Intolerância ao calor, perda de peso, palpitações, hipertensão sistólica, sudorese Hipertireoidismo Determinações de T4 livre e TSH Hipercalcemia, nefrolitíase, osteopenia/osteoporose, depressão, letargia, fraqueza muscular Hiperparatireoidismo Determinações de cálcio sérico e PTH Cefaleias, fadiga, problemas visuais, aumento de mãos, pés e língua Acromegalia Determinação de IGF1 e de hormônio do crescimento basal e durante teste de tolerância oral à glicose Doenças das Glândulas Adrenais 17 Síndrome de Cushing A síndrome de Cushing é um conjunto de sinais e sintomas associados a exposição prolongada (crônica) a níveis inadequadamente altos de glicocorticoides (exógenos iatrogênica ou endógeno). As principais disfunções metabólicas sistêmicas decorrentes da síndrome de Cushing são: hipertensão arterial sistêmica, diabetes e osteoporose. Hiperaldosteronismo primário Sistema renina-angiotensina-aldosterona Envolve os rins, fígado, pulmão e córtex adrenal. O sistema renina–angiotensina–aldosterona SRAA é ativado principalmente quando há queda da pressão arterial, hipovolemia ou baixa concentração de sódio, o que estimula as células justaglomeurlares do rim a liberar renina. A renina cliva o angiotensinogênio hepático formando angiotensina I, que é convertida em angiotensina II pela ECA, sobretudo no endotélio pulmonar. A angiotensina II promove vasoconstrição sistêmica, aumenta a reabsorção de sódio e água indiretamente ao estimular a secreção de aldosterona pelo córtex adrenal e de ADH pela neuro- hipófise, alémde induzir sede e facilitar o tônus simpático, elevando assim a pressão e o volume circulante. Quando a pressão e o volume retornam ao normal, a liberação de renina é suprimida por feedback negativo. Definição Doenças das Glândulas Adrenais 18 Hiperaldosteronismo primário: é a produção excessiva de aldosterona pela zona glomerulosa do córtex adrenal. É a causa mais comum de hipertensão arterial secundaria. Hiperaldosteronismo secundário: decorre de um estímulo fisiológico à secreção de aldosterona, como hipovolemia, insuficiência cardíaca, hipertensão renovascular (estenose da artéria renal). Fisiologia Em condições normal, o aumento sérico de sódio leva a uma redução da secreção de renina e, consequentemente, da aldosterona, tornando a proporção de sódio e potássio igual, sendo o contrário também verdadeiro. Então: ↑ Na → ↓ renina → ↓ aldosterona = equilíbrio Na-K; ↓ Na → ↑ renina → ↑ aldosterona = equilíbrio Na-K. No hiperaldosteronismo primário, o aumento sérico de sódio leva a uma redução da renina, porém, devido a um defeito primário na glândula adrenal, ocorre aumento da secreção de aldosterona, isso aumenta mais a reabsorção de sódio e aumenta excreção de potássio. Então: ↑ Na → ↓ renina → ↑ aldosterona (defeito primário) → ↑ da reabsorção de Na e ↑ excreção de K. Etiologia Possui duas principais etiologias: Adenoma produtor de aldosterona: unilateral em 98% dos casos, 3 cm, mais comum em mulheres 31, 3050 anos; Hiperaldosteronismo idiopático: hiperplasia bilateral da zona glomerulosa, proporção de mulheres e homens igual, idade mais avançada. Outras causas menos frequentes de hiperaldosteronismo primário são: hiperplasia adrenal unilateral, carcinoma adrenal e tumor de ovário. Manifestações clínicas Doenças das Glândulas Adrenais 19 A maioria dos pacientes com hiperaldosteronismo primário são assintomáticos. Mas as principais manifestações clínicas do hiperaldosteronismo primário são: Hipertensão arterial; Cefaleia; Palpitações; Parestesias; Fadiga; Astenia; Câimbras. As complicações cardiovasculares são mais frequentes no hiperaldosteronismo primário que na hipertensão arterial sistêmica idiopática, devido ao efeito toxico direto da própria aldosterona nos tecidos cardíacos. Quando investigar hiperaldosteronismo primário? Hipertensão arterial + hipocalemia sem causa aparente ou induzida por diuréticos em baixas doses; Hipertensão artéria refrataria (ausência de resposta ao uso de 3 ou mais drogas anti-hipertensivas, sendo uma delas diurético); Indivíduos com hipertensão arterial + incidentaloma adrenal; Indivíduos com hipertensão arterial + história familiar de hipertensão arterial de início precoce ou AVE antes dos 40 anos; Em todos os familiares de primeiro grau de pacientes com hipertensão arterial primaria confirmado, desde que hipertensos; Hipertensão arterial grave PA sistólica 160 mmHg e/ou PA diastólica 100 mmHg); Hipertensão arterial de início precoce 40 anos). A principal novidade do Guideline é a recomendação para rastreio de hiperaldosteronismo primário para todos os pacientes portadores de HAS Doenças das Glândulas Adrenais 20 (PA 140 90 mmHg). Diagnóstico Abordagem diagnóstica do hiperaldosteronismo primário: rastreamento, confirmação e diferenciação etiológica. Rastreamento Para o rastreamento, é medido: Aldosterona plasmática (ng/dL; Doenças das Glândulas Adrenais 21 Atividade de renina plasmática ARP, em ng/mL/h) ou renina direta (em U/mL; Relação aldosterona/renina RAR Aldosterona Renina. No rastreamento realizado, de acordo com o guideline de 2016 RAR 50 patognomônico de hiperaldosteronismo primário; Aldosterona 15 ng/dL e RAR 30 ng/dL sugestivos de hiperaldosteronismo primário. Basicamente pensar que alta aldosterona + renina muito baixa indica possivelmente uma produção autônoma de aldosterona e uma provável HAP. De acordo com o novo guideline de 2025, o rastreamento é realizado através de: Avaliação da renina suprimida: Atividade de renina plasmática ARP 1 ng/ml/h ou, Renina direta 8,2 Um/L. Avaliação da aldosterona elevada: Aldosterona sérica 10 ng/dL se medida por imunoensaios ou, Aldosterona sérica 7,5 ng/dL se medida por cromatografia liquida-espirometria de massa LCMS. Avaliação da RAR RAR 20, se utilizada ARP em ng/mL/h, ou, RARA 2,5, se utilizada a renina direta em Um/L; Mesmo pensamento anterior, se alta aldosterona + renina muito baixa indica possivelmente uma produção autônoma de aldosterona e uma provável HAP. Quando repetir o teste? Se o screening é negativo + probabilidade pré-teste é moderada a alta (hipocalemia e/ou hipertensão resistente) ou a renina está Doenças das Glândulas Adrenais 22 suprimida mas com aldosterona sérica entre 5 a 10 ng/dI (por imunoensaio) → teste deve ser repetido em um dia diferente. Se o screening é negativo + paciente em uso de anti-hipertensivos que possam causar falso-negativo → teste deve ser repetido em um dia diferente e a medicação deve ser suspensa (se possível) antes da retestagem, sendo 4 semanas antes para antagonistas do receptor de mineralocorticoide e outros diuréticos e 2 semanas antes para inibidores da enzima conversora de angiotensina e bloqueadores do receptor de angiotensina; Se o screening é positivo + paciente estiver em uso de anti- hipertensivos que possam causar falso-positivo, como betabloqueadores e alfa2-agonistas centrais (clonidina, metildopa) → teste deve ser repetido após 2 semanas de suspensão da medicação. Porém, se os níveis de aldosterona estiverem acima de 15 ng/dl (por imunoensaio), o HP é muito provável a despeito do uso de betabloqueador e a repetição pode não ser necessária. A maioria dos pacientes apresentam níveis normais de potássio, sendo a hipocalemia um sinal clínico presente em casos mais graves. Em casos típicos de hiperaldosteronismo primário RAR 50, hipocalemia e paciente jovem) a confirmação diagnóstica pode ser dispensada segundo o Guideline 2016. Confirmação diagnóstica A confirmação diagnóstica do hiperaldosteronismo primário, de acordo com o guideline de 2016, pode ser realizada através de: Teste de infusão salina: dois litros de soro fisiológico (solução salina 0,9% são infundidos na veia do paciente em 4 horas. A falha na supressão da aldosterona com essa sobrecarga de sal confirma o diagnostico de hiperaldosteronismo primário; Teste de sobrecarga oral de sódio; Fludrocortisona; Uso de captopril. Doenças das Glândulas Adrenais 23 De acordo com o novo guideline de 2025, a confirmação diagnostica, sem necessidade de realização de testes, é realizada através de: Presença de hipertensão resistente ou com hipertensão com hipocalemia e com APR 0,2 ng/mL/h e aldosterona sérica 20 ng/dL por imunoensaio (ou 15 ng/dL por LCMS; Pacientes com normocalemia e aldosterona sérica 11 ng/dL (por imunoensaio ou 8 ng/dL (por LCMS. Determinação etiológica A determinação etiológica do hiperaldosteronismo primário (tumor x hiperplasia) é realizada através de exames de imagem TC ou RNM de abdômen superior). Ao exame de imagem: Lesões 4 cm → sugestivas de carcinoma e com indicação cirúrgica; Limitação ao método: adenomas 1 cm (podem não ser visualizados). Lesão unilateral: adenoma ou hiperplasia bilateral assimétrica. O exame diagnostico etiológico padrão-ouro é o cateterismo seletivo de veias adrenais, utilizado em casos de lesão unilateral a fim de definir a adrenal responsável pelo hiperaldosteronismo. Mediante coleta de sangue de ambas as adrenais para dosagem de aldosterona e cortisol, uma relação de aldosterona/cortisol 41 indica hiperaldosteronismo proveniente do lado que apresenta a relação. Tratamento O tratamento do hiperaldosteronismo primário é realizado através de: Tratamento clínico no período pré-operatório → espironolactona ou eplerenona; adenoma produtor de aldosterona APA ou hiperplasia adrenal unilateral → adrenalectomia unilateral;Doenças das Glândulas Adrenais 24 Hiperplasia adrenal bilateral idiopática → espironolactona ou eplerenona. O tratamento cirúrgico não é indicado em caso de hiperplasia adrenal bilateral idiopática por a cura é obtida em menos de 25% dos pacientes. Sendo indicado apenas em caso em caso de hipocalemia refrataria a terapêutica. Hiperaldosteronismo idiopático → espironolactona ou restrição de sódio. Conceitos importantes A principal causa de hiperaldosteronismo primário é a hiperplasia adrenal bilateral idiopática. O primeiro passo para diagnostico é a relação de aldosterona/atividade plasmática de renina RAR. Valores 50 confirmam o diagnostico, valores 30 excluem e valores entre 3050 necessitam de confirmação; Após confirmação laboratorial, solicita-se exame de imagem: TC ou RNM de abdome. O tratamento dos adenomas é cirúrgico e o da hiperplasia bilateral é medicamentoso. Feocromocitoma/Paraganglioma Sistema nervoso autônomo Catecolaminas são liberadas na comunicação (sinapse) entre os neurônios da medula espinhal e os neurônios presentes nos gânglios nervosos concentrados na região cranial e sacral (parassimpático) e paralelamente a medula espinhal (simpático). Noradrenalina é a principal catecolamina decretada. Efeitos fisiológicos das catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) mediados pelos receptores alfa-adrenérgicos: Vasoconstrição; Efeitos fisiológicos das catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) mediados pelos receptores beta-adrenérgicos: Vasodilatação; Doenças das Glândulas Adrenais 25 Dilatação da íris; Relaxamento intestinal; Contração dos esfíncteres intestinais; Contração pilomotora; Contração do esfíncter vesical; Broncoconstrição; Contração do musculo liso uterino; Contratilidade cardíaca; Produção hepática de glicose; Diminuição da liberação de insulina. Cardioaceleração; Aumento da forca do miocárdio; Relaxamento das paredes intestinal e vesical; Relaxamento do útero; Broncodilatação; Calorigenese; Lipólise; Aumento da liberação de renina; Aumento da liberação de glucagon. Definição O feocromocitoma/paraganglioma são tumores de células cromafins que produzem, armazenam, metabolizam e secretam catecolaminas. A diferença entre feocromocitoma e paraganglioma é: Feocromocitoma → tumor de medula adrenal; Paraganglioma → tumor extra-adrenal. Etiologia O feocromocitoma é uma doença rara, esporádica 80%, com pico de incidência entre 4050 anos e prevalência equivalente entre homens e mulheres. Cerca de 90% dos tumores localizam-se nas adrenais e 10% são extra- adrenais (paraganglioma). Regra dos 10% para os feocromocitomas: 10% são malignos (até 36%, se incluindo os paragangliomas); Doenças das Glândulas Adrenais 26 10% são bilaterais; 10% são extra-adrenais; 10% são extra-abdominais; 10% ocorrem em crianças; 10% cursam sem hipertensão; 10% recidivam após a retirada cirúrgica; 10% se apresentam como incidentaloma adrenais. Manifestações clínicas As principais manifestações clínicas do feocromocitoma são: Hipertensão arterial 90%; Paroxismos (tríade clássica dos paroxismos → cefaleias, sudorese e palpitação): os paroxismos podem ocorrer desde 30 episódios/dia até um episodio a cada 3 meses com duração de poucos minutos a dias. Outras manifestações clínicas dos feocromocitomas são: Palidez; Tremor; Fraqueza/fadiga; Nervosismo/ansiedade; Dor torácica; Dispneia. Doenças associadas ao feocromocitoma Neoplasia endócrina múltipla NEM tipo 2A: feocromocitoma + carcinoma medular de tireoide + hiperparatireoidismo primário; NEM tipo 2B: feocromocitoma + carcinoma medular de tireoide + neuromas de mucosa e fenótipo marfanoide (pessoas altas e magras, hipermobi;idade articular, escoliose); Doenças das Glândulas Adrenais 27 Doença de Von Hipple-Lindau: feocromocitoma + angioma retiniano + hemangioblastoma cerebelar + cistos e carcinomas renais + cistos pancreáticos + cistadenoma de epidídimo; Neurofibromatose tipo 1 feocromocitoma + neurofibroma + manchas café com leite. Obs: NEM ocorre devido a uma mutação do gene RET, sendo uma doença genética e hereditária. Quando suspeitar de feocromocitoma? Quadro clínico clássico de paroxísmos adrenérgicos com cefaleia, sudorese, palpitações; Hipertensa arterial resistente ao tratamento; História familiar de NEM 2A ou 2B, neurofibromatose ou Von Hipple- Lindau; História familiar de feocromocitoma; Incidentaloma adrenal; Hipertensão em pacientes jovens; Choque ou grave respostas pressóricas com cirurgia, indução anestésica e procedimentos invasivos; Pacientes com miocardiopatia dilatada idiopática. Diagnóstico O diagnóstico de feocromocitoma ou paraganglioma requer ambos: Prova do excesso de liberação de catecolaminas; Documentação anatômica do tumor por exames de imagem. O diagnóstico de feocromocitoma ou paraganglioma é um diagnóstico laboratorial realizado a partir da combinação de, no mínimo, dois testes em duas ocasiões: Metanefrinas urinarias; Metanefrinas plasmáticas (teste ideal pois tem maior sensibilidade). Doenças das Glândulas Adrenais 28 O diagnóstico de feocromocitoma é confirmado quando os níveis de metanefrinas estão 4x o limite superior da normalidade, valores minimamente elevados não configuram característica de feocromocitoma ou paraganglioma. Se as metanefrinas estiverem discretamente elevadas (metanefrinas 1300 ug/24h) deve-se realizar o teste de clonidina com metanefrinas plasmáticas, o qual, se gerar supressão 30% em relação aos níveis basais, confirma-se o diagnóstico. Devemos cuidar pois alguns medicamentos podem interferir nos níveis plasmáticos e urinários de catecolaminas: Medicamentos que aumentam os níveis plasmáticos e urinários de catecolaminas e seus metabolitos: Tricíclicos; Anfetaminas; Buspirona; Benzodiazepínicos; Inibidores da MÃO; Fenoxibenzamina; Beta-bloqueadores. Obs: os medicamentos que aumentam os níveis de catecolaminas devem ser suspensos pelo menos 2 semanas antes da avaliação. Medicamento que aumenta falsamente os níveis de metanefrinas Acetaminofeno. Medicamento que diminue os níveis de metanefrinas urinarias → compostos radiopacos (ex.: metilglucamina) e outros como: Levodopa; Diuréticos; Descongestionantes nasais; Metildopa; Doenças das Glândulas Adrenais 29 Nifedipina e hidralazina; Maconha, cocaína, crack. Além disso, algumas condições podem interferir nos níveis plasmáticos e urinários de catecolaminas: Insuficiência cardíaca congestiva grave; Hipoglicemia aguda; Acidente vascular cerebral; Insuficiência renal; Hipotensão arterial; Infarto agudo do miocárdio; Septicemia; Insuficiência respiratória; Apneia obstrutiva do sono; Obesidade; Ansiedade; Exercícios físicos; Anemia; Hipotireoidismo; Cetoacidose diabética; Anóxia; Dor; Frio; Punção venosa. Além da avaliação de catecolaminas, após conformação bioquímica, para o diagnóstico de feocromocitoma é necessária localização do tumor por exames de imagem, como TC de abdome, RNM (alta sensibilidade – hipersinal em T2 ou cintilografia com metiliodobenzilguanidina/MIBG (demonstra áreas onde há grande concentração de vesículas adrenérgicas. Tratamento O tratamento de feocromocitoma consiste em cirúrgica via laparoscópica de preferência. O preparo operatório clínico para retirada de feocromocitoma deve ser realizado com bloqueadores alfa-adrenérgicos (doxazosina, Fenoxibenzamina) seguido por betabloqueio (metoprolol ou atenolol) 15 dias antes da cirurgia. Doenças das Glândulas Adrenais 30 Todos os pacientes diagnosticados com feocromocitoma ou paraganglioma devem ser submetidos a análise molecular. Basicamente → feocromocitoma bioquimicamente confirmado → pedimos RM de abdome e Cintilografia com IMIBG. Se massa adrenal ou extra-adrenal com IMIBG cirurgia. Se RM nomral IMIBG ou com captação extra-abdominal RM de tórax e pescoço. Se massa torácica ou cervical → cirurgia. Se normal IMBG SPECT/TC ou FFDG PETscan ouoctreoScan. Conceitos importantes Os paragangliomas secretam preferencialmente noradrenalina; Os feocromocitomas associados as NEM são bilaterais, raramente malignos, intra-adrenais e secretam adrenalina; O melhor exame é a dosagem das metanefrinas urinárias; O tratamento de feocromocitoma é cirurgico com adrenelectomia laparoscópica; O controle pré-operatório é realizado com drogas bloqueadoras alfa- adrenérgicas. Incidentalomas adrenais Definição Incidentaloma adrenais são massas adrenais 1 cm de diâmetro descobertas ao acaso durante realização de exames de imagem para investigação de distúrbios não relacionados com patologias adrenais. Etiologia Cerca de 80% dos incidentaloma são adenomas corticais não funcionantes, mas também podem decorrer de outras etiologias, como: feocromocitoma, hipercortisolismo, aldosteronismo primário, carcinomas adrenocorticais e metástases. Doenças das Glândulas Adrenais 31 Adenomas normalmente são pequenos e a maior não funcionantes, apenas 524% dos adenomas secretam cortisol. Carcinomas primários de adrenal são raros. Mas frequentemente os carcinomas estão presentes no sexo feminino, normalmente em crianças menores de 5 anos e adultos entre 4060 anos. O carcinoma apresenta prognostico desfavorável, com sobrevida de 18 meses, porém em crianças o prognostico é melhor. Avaliação Rastreio É feita análise laboratorial com: Cortisol pós dexametasona 1 mg overnight; Metanefrinas plasmáticas se disponível, ou urinárias; Relação aldosterona/atividade plasmática de reninas. Avaliação de risco de malignidade É feito tomografia com contraste: Benignas: lesões homogêneas e com densidade 10 UH, sendo venigna independente do tamanho; Outras aspectos de benignidade em exame de imagem: tamanho 4 cm e washout do contraste a TC 60%. Obs: washout é a taxa de redução da densidade de uma imagem tardia em ralação a imagem dinâmica, obtida após a administração de um meio de contrate iodado. Potencialmente malignas: lesões de 4 cm e densidade 20 UH ou 4c e heterogênea (cirurgia melhor conduta nesses casos); Indeterminadas: Lesões com 4 cm e densidade entre 1120 UH nesses casos deve-se realizar outro exame de imagem e avaliar os washout; Doenças das Glândulas Adrenais 32 Lesões com 4 cm e densidade entre 1120 UH ou com tamanho 4 cm e densidade 20UH ou tamanho 4cm e heterogênea → nesses casos devemos fazer acompanhamento com imagem ou já indicar cirurgia. Basicamente devemos analisar a probabilidade de câncer com TC e analisando densidade, e analisar se é funcionalmente ativo por meio da avaliação clínica, teste de supressão de dexametasona 1 mg, metanefrinas plasmáticas ou urinárias, relação aldosterona/renina, hormônios sexuais e precursores esteroides. Se lesão benigna não funcionante → não necessita de investigação posterior. Se excesso hormonal clinicamente relevante ou tumor com características de câncer → cirugia. TC com lesão de qualquer tamanho e homogênea e UH10 não requer outro exame de imagem. TC com lesão homogênea, UH 1120, 4 cm → outro método de imagem. TC com lesão heterogênea UH 1120 4 cm OU lesão homogênea UH >20 e 4 cm OU heterogêneo 4 cm → dicutir com a equipe e considerar exame de imagem adicional ou cirurgia imediata. Se continuar indeterminada → realizar imagem com intervalo de 6 12 meses TC sem contraste ou RNM. TC com lesão homogênea UH 20 e 4 cm OU lesão heterogênea 4 cm → discutir com a equipe e considerar cirurgia. Em casos de cirurgia → imagem com intervalo a cada 612 meses TC sem contraste ou RNM. Achado de lesão benigna com secreção autônoma de cortisol livre → teste de supressão com 1 mg de dexametasona. Se cortisol sérico 1,8 ug/dL sem evidência de secreção autônoma de cortisol → não é necessário tratamento ou acompanhamento. Doenças das Glândulas Adrenais 33 Se cortisol sérico 1,8 ug/dL analisar se os achados são compativeis com síndrome de cushing. Se sim → síndrome de cushing clínica. Se não → secreção autônoma de cortisol leve → analisar presença de comorbidades potencialmente atribuíveis ao hipercortisolismo. Se não → monitorar para comorbidades potencialmente atribuíveis ao hipercortisolismo. Se sim → analisar se está confirmado secreção autônoma de cortisol leve e analisar se é ACTH independente. Se sim → considerar tratamento específico. Se não → considerar síndrome de cushing ACTH- dependente. Seguimento Lesões benignas: densidade 10UH e homogêneas não precisam ter a imagem repetida; Lesões potencialmente malignas: cirurgia ou devem repetir a imagem em 612 meses; Caso ocorra crescimento 20% no maior diâmetro, a cirurgia deve ser realizada. Caso ocorra qualquer aumento (mas abaixo de 20%, uma nova imagem deve ser realizada após 612 meses. Lesões indeterminadas: caso seja optado pelo seguimento, a imagem deve ser repetida após 612 meses e os mesmos critério de crescimento especificados acima devem ser seguidos. Conduta cirúrgica Caso seja indicada cirurgia para adenomas benignos que causem excesso hormonal, seja escolhida a cirurgia minimante invasiva (laparoscópica). Lesões 6 cm ou com invasão local, deve-se optar por adrenalectomia aberta. Doenças das Glândulas Adrenais 34 Em crianças, adolescentes, mulheres grávidas e adultos com menos de 40 anos de idade com lesões classificadas como indeterminadas, o guideline sugere que a cirurgia seja a conduta de escolha, devido ao maior risco de malignidade nestes grupos de pacientes. Doenças das Glândulas Adrenais 35