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Introdução 
A distinção entre os saberes das comunidades tradicionais e o conhecimento científico 
não reside na veracidade dos fatos, mas na metodologia empregada. A principal 
característica que diferencia o saber tradicional da ciência é o método. Enquanto os povos 
tradicionais operam no campo do saber empírico, construído a partir da experiência e da 
observação prática, os pesquisadores atuam no campo do saber científico, que exige 
sistematização, validação e rigor metodológico. As experiências acumuladas ao longo do 
tempo, como prever se o inverno será propício para o plantio, constituem um saber 
funcional, porém ametódico do ponto de vista científico. 
A Prática Ancestral (Saber Empírico) 
No texto, observa-se que os agricultores possuem “experiências de prever se o 
inverno seria bom para o plantio”. Embora esse conhecimento seja funcional e vital para 
a subsistência da comunidade, ele carece de universalidade e de explicação causal 
fundamentada em leis físicas ou meteorológicas testáveis. Trata-se de um saber local, 
voltado para a prática e para a resolução imediata de problemas, centrado no “fazer” e 
transmitido, em geral, pela oralidade e pela vivência cotidiana. 
A Atividade do Pesquisador (Saber Científico) 
Para que as práticas dessas comunidades fossem consideradas científicas, seria 
necessário submetê-las ao crivo da metodologia científica. No caso apresentado, os 
pesquisadores não apenas ouviram relatos, mas aplicaram procedimentos próprios da 
investigação científica. Os dados coletados foram confrontados com conhecimentos 
previamente validados; a pesquisa pautou-se no método etnográfico e na abordagem 
qualitativa; e houve sistematização das informações obtidas. A ciência exige um caminho 
(método) que possa ser analisado, replicado ou questionado por outros pesquisadores. 
Assim, as “observações in loco” e a “coleta de depoimentos” configuram ferramentas 
técnicas de investigação, e não meras interações sociais casuais. 
Objetividade e Registro 
Enquanto o saber tradicional pode se perder com o tempo caso a transmissão oral 
seja interrompida, o saber científico busca o registro documental e a preservação 
sistemática das informações. O texto destaca que foi “acompanhado e registrado o modo 
de fazer de cada prato”, transformando um hábito cultural em dado sistematizado, 
passível de análise e interpretação acadêmica. 
Conclusão 
Portanto, os saberes de indígenas e quilombolas não são considerados científicos em sua 
forma original porque não seguem, necessariamente, a sistematização e o rigor 
metodológicos característicos da ciência acadêmica. Contudo, ao serem submetidos ao 
processo de pesquisa, esses “saberes e sabores” podem adquirir estatuto de conhecimento 
científico. Nesse sentido, a ciência atua como ferramenta de tradução, valorização e 
preservação documental da rica cultura dessas comunidades. 
 
Referências Bibliográficas 
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de 
Metodologia Científica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2017. 
SANTOS, Boaventura de Sousa. Um discurso sobre as ciências. Estudos Avançados, 
São Paulo, v. 2, n. 2, p. 46-71, 1988. Disponível em: http://www.scielo.br.

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