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Relações Trabalhistas e Sindicais - Aula 7

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RELAÇÕES TRABALHISTAS E 
SINDICAIS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AULA 07 - 
DISSÍDIO COLETIVO 
Olá, 
A legislação federal evoluiu para permitir que os envolvidos nas relações 
trabalhistas negociem as melhores condições de trabalho para sua situação 
particular, assumindo a responsabilidade de negociar e cumprir os termos 
favoráveis acordados voluntariamente. No entanto, os sindicatos nem sempre 
chegam a um acordo. O Judiciário tem a missão de harmonizar os interesses dos 
sindicatos quando estes não conseguem chegar a um acordo, razão pela qual a 
Constituição Federal dá a essas organizações a oportunidade de ajuizar as 
chamadas disputas coletivas. 
Bons estudos! 
 
 
 
7 CONCEITO DE DISSÍDIO COLETIVO 
O estudo do conflito coletivo a partir da compreensão de três tipos nos permitirá 
encontrar a relação institucional: a representação sindical, o conflito coletivo e a fonte 
do Direito do Trabalho (LEITE, 2017). O Direito do Trabalho nasceu do movimento 
operário que apoiou a luta por melhores condições de trabalho durante a Revolução 
Industrial nos séculos XVIII e XIX (NASCIMENTO, 2015). 
Leite (2017), lembra que o trabalho vem da história da humanidade como um 
castigo, onde o tripalium era usado para chamar o trabalho, que na Antiguidade era 
considerado impróprio e reservado apenas às classes mais baixas da sociedade. 
Descrição básica de 5 regimes de trabalho humano – primeiro, a escravidão, o 
feudalismo, o capitalismo e o comunismo –, o autor enfatiza que, atualmente, o 
trabalho é reconhecido como um direito humano, em conformidade com o disposto no 
artigo 23 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O emprego é considerado 
um valor estrutural da Lei da Democracia (CF, art. 1º, IV) e um direito social 
fundamental, conforme artigo 6º da Constituição Federal (CF) de 1988 
(NASCIMENTO, 2015). 
O Direito do Trabalho evoluiu com a sociedade industrial e o trabalho 
remunerado, com base em razões políticas, econômicas e jurídicas (NASCIMENTO; 
FERRARI; MARTINS FILHO, 1998). A Revolução Industrial representou uma grande 
mudança econômica, com a introdução da máquina a vapor e da energia elétrica na 
indústria (NASCIMENTO, 2009). O trabalho escravo e corporativo está sendo 
substituído pelo trabalho remunerado. A ligação entre os fatores econômicos e o 
direito trabalhista é muito estreita, acabou por conter o assédio patronal e a proteção 
do trabalhador na época (NASCIMENTO, 2015). 
Delgado (2017), defende que o Direito do Trabalho é um produto do 
capitalismo, está ligado ao desenvolvimento histórico deste sistema, destinado a 
corrigir distorções econômicas e sociais e a desenvolver relações de poder justamente 
criadas pelas dinâmicas econômicas entre a sociedade civil, especialmente nas 
instituições e nas empresas. Ou seja, o Direito do Trabalho é fruto do capitalismo, 
porque requer fatores socioeconômicos, políticos e culturais que só emergem deste 
sistema (ZAFFARI et al., 2021). 
 
 
 
As pesquisas sobre o desenvolvimento deste campo do Direito visam 
compreender a relação entre finanças e trabalho (NASCIMENTO; FERRARI; 
MARTINS FILHO, 1998). Nascimento (2015), argumentou que transformar o Estado 
Liberal num Estado mais intervencionista seria uma forma de evitar que os capitalistas 
liberais impusessem condições de trabalho aos seus trabalhadores. O Estado 
intervém na ordem econômica e social, impedindo a total liberdade das partes no 
acordo de relações de trabalho (ZAFFARI et al., 2021). 
De acordo com a lei, os trabalhadores reuniam-se e lutavam para organizar 
sindicatos, eram tolerados e tinham a capacidade de desenvolver leis que regulassem 
o trabalho coletivo e individual, o respeito pela dignidade humana e a associação de 
trabalho social sob contrato (NASCIMENTO, 2009). A ideia de justiça social, inspirada 
no marxismo, nos trabalhadores unidos e na doutrina social da Igreja, e na Encíclica 
(1891), estendeu-se até ao presente Laborem Exercens (1981) (NASCIMENTO; 
FERRARI; MARTINS FILHO, 1998). Delgado (2017), admitiu que o Manifesto do 
Partido Comunista (1848), a Encíclica e a Organização Internacional do Trabalho 
(1919) foram muito importantes na formação do Direito do Trabalho. 
A luta por melhores condições de trabalho no Brasil é realizada pelos 
sindicatos, que, segundo o artigo 8º da Constituição Federal, devem proteger os 
direitos e interesses de classe coletivos ou individuais, inclusive questões judiciais ou 
administrativas, e a “participação sindical nas reuniões coletivas de trabalhadores” 
(BRASIL, 1988). Os sindicatos estarão ativos nas chamadas disputas laborais que 
surgem entre empregados e empregadores devido à insatisfação com a realidade, 
condições econômicas, condições legais ou outras dificuldades decorrentes das 
relações laborais (NASCIMENTO, 2015). Ao contrário do que se possa pensar, os 
conflitos laborais são uma ferramenta importante para o progresso nas relações 
laborais e a melhoria das condições de trabalho porque obrigarão os trabalhadores e 
os empregadores a encontrar soluções para as diferenças, sejam elas econômicas ou 
jurídicas (NASCIMENTO, 2009). 
Dado que estes dissídios permitem a continuação das relações laborais, pode-
se concluir que serão fonte de direito (NASCIMENTO; FERRARI; MARTINS FILHO, 
1998). Segundo Delgado (2017), “a fonte do Direito é uma expressão metafórica para 
explicar a origem dos princípios jurídicos”. Essas fontes são divididas em fontes brutas 
e fontes formais, de acordo com sua concepção. Enquanto as fontes materiais são 
 
 
 
fatores políticos, econômicos, sociais ou filosóficos, as fontes jurídicas são “[...] a 
expressão externa última dos princípios, métodos e meios jurídicos que o Direito 
expressa” (DELGADO, 2017). A diferença entre fontes práticas e jurídicas para 
explicar a origem do Direito e sua saída, pode ser facilmente encontrada na doutrina 
e na jurisprudência (NASCIMENTO, 2015). 
Dentre as fontes do Direito do Trabalho, destacam-se os julgamentos comuns, 
que resultam da demonstração jurídica da possibilidade de estabelecimento de 
normas trabalhistas legítimas em processos de conflito coletivo (NASCIMENTO, 
2009). A sentença geral constitui um conjunto de normas gerais, vagas, objetivas e 
imperativas, que resultam de um procedimento único e específico submetido à justiça 
do trabalho para atingir um objetivo específico e declarado, recorrendo a um 
procedimento geral e tradicional dos Poderes Legais (DELGADO, 2017). 
Pamplona Filho e Souza (2020), argumentam que os conflitos coletivos são 
relações jurídicas formais, cabendo exclusivamente aos tribunais desenvolver leis 
comuns. Dessa forma, cabe ao poder administrativo criar um novo direito, como meio 
de resolução de conflitos entre partes conflitantes (ZAFFARI et al., 2021). As disputas 
coletivas não devem ser confundidas com os chamados processos múltiplos, em que 
há um participante em cada processo, com múltiplos demandantes envolvendo um 
único réu ou múltiplos réus. Embora nos conflitos coletivos exista um objetivo 
específico de benefício coletivo, na maioria dos processos judiciais cada autor é 
considerado um indivíduo com direitos necessários (NASCIMENTO; FERRARI; 
MARTINS FILHO, 1998). 
O mandato coletivo, expresso pela negociação coletiva, visa regular as sanções 
coletivas e ampliar ou modificar os regulamentos coletivos existentes. Dada a 
diferença entre conflito individual e coletivo, os processos também são diferentes e 
justificáveis porque os resultados são muito diferentes (NASCIMENTO, 2009). Nos 
processos individuais, o efeito jurídico aplica-se apenas às pessoas que estão 
pessoalmente envolvidas na relação jurídica do processo. Numa reivindicação comum 
haverá um resultado comum, mesmo para aqueles que não estão envolvidos em cada 
conflito (NASCIMENTO; FERRARI; MARTINS FILHO, 1998). Isso porque, via de 
regra,participam da relação processual da demanda coletiva uma das categorias de 
empregadores ou empregados, as quais estarão representando toda aquela 
coletividade. Enquanto o dissídio individual tem um amplo regramento que lhe 
 
 
 
disciplina, a demanda coletiva se socorre das regras dos processos individuais 
(NASCIMENTO, 2015). 
7.1 Procedimento do dissídio coletivo 
A Justiça do Trabalho inicialmente ouviu apenas reclamações coletivas 
relacionadas a reajustes salariais devido à erosão inflacionária (ZAFFARI et al., 2021). 
O Decreto-Lei nº 1.237, de 2 de maio de 1939, permite a realização de reclamações 
coletivas de ofício em caso de paralisação do trabalho, conforme seu artigo 57. Os 
juízes do trabalho, então, passaram a julgar outras demandas dos trabalhadores, além 
das demandas econômicas (PAMPLONA FILHO; SOUZA, 2020). 
A resolução de disputas é um processo em que os conflitos coletivos são 
resolvidos por meio de decisões judiciais, criando ou modificando determinadas 
condições de trabalho (NASCIMENTO, 2015). Os tribunais do trabalho também 
podem ser solicitados a interpretar uma determinada prática legal ou consuetudinária 
(ZAFFARI et al., 2021). Dado que os interesses dos grupos de trabalhadores e de 
empregadores são legitimamente discutidos e representados pelas suas associações 
de classe, devem ser considerados os interesses coletivos e não os interesses 
individuais. Por exemplo, os tribunais do trabalho terão um papel na avaliação da 
legalidade ou do abuso de uma determinada greve (PAMPLONA FILHO; SOUZA, 
2020). 
A Justiça do Trabalho é utilizada quando o sindicato não consegue negociar ou 
surge uma disputa que não pode ser resolvida. A cláusula de negociação coletiva, 
também conhecida como cláusula coletiva, criará o direito de alterar qualquer 
convenção ou acordo coletivo anterior (ZAFFARI et al., 2021). 
A competência primária para conhecer e julgar conflitos coletivos cabe ao 
Tribunal Regional do Trabalho (TRT), sob jurisdição dos sindicatos conflitantes. Se a 
área local estiver fora da jurisdição do Tribunal Distrital do Trabalho, então caberá ao 
Tribunal Superior do Trabalho (TST) (ZAFFARI et al., 2021). A Câmara de 
Controvérsias Coletivas tem competência para resolver conflitos coletivos de acordo 
com o disposto no artigo 2º da Lei nº 7.701, de 21 de dezembro de 1988, que é 
competência do Tribunal Pleno de Justiça. 
 
 
 
Segundo Martins (2016), “poder geral é o direito da Justiça do Trabalho de 
estabelecer normas e condições de trabalho em conflitos coletivos”. O artigo 94 do 
Decreto-Lei nº 1.237/1939 estabelece claramente que, na ausência de lei ou contrato, 
as decisões da Justiça do Trabalho devem basear-se em princípios gerais de direito 
e de equidade, a fim de equilibrar os interesses do autor e o interesse público, que 
impede que os interesses privados tenham precedência sobre o interesse público. 
A Constituição de 1946 regulamentou pela primeira vez as relações de trabalho 
(art. 123). Embora a Constituição de 1969 estipulasse que esta disposição poderia 
estabelecer o direito das relações laborais e seria regulamentada por uma lei 
específica, nenhuma lei foi promulgada para regulamentar isto (ZAFFARI et al., 2021). 
A Constituição Federal de 1988 elimina a necessidade de regulamentação adicional, 
conforme inciso 2º do artigo 114 da Constituição: 
§ 2º Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à 
arbitragem, é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio 
coletivo de natureza econômica, podendo a Justiça do Trabalho decidir o 
conflito, respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho, 
bem como as convencionadas anteriormente (BRASIL, 1988). 
A Reforma Trabalhista, promulgada em 13 de julho de 2017, alterou a 
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT, Decreto-Lei no 5.452, de 1º de maio de 
1943), determinando as matérias que podem ser negociadas pelas entidades sindicais 
(art. 611-A) (PAMPLONA FILHO; SOUZA, 2020). 
O prazo para a instauração do dissídio coletivo é de 60 dias antes do término 
da convenção, acordo ou sentença normativa em vigor quando do ajuizamento, sob 
pena de a sentença não retroceder ao dia seguinte à perda da vigência da norma 
coletiva anterior (ZAFFARI et al., 2021). O prazo estabelecido no artigo 616, § 3º, da 
CLT tem como objetivo evitar a falta de norma específica por parte de alguma das 
entidades sindicais. 
O dissídio coletivo pode ser solicitado pelo Ministério Público do Trabalho 
(MPT) em caso de greve, de acordo com o artigo 114, parágrafo 3º da Constituição 
Federal (PAMPLONA FILHO; SOUZA, 2020). A ação ex officio é resultado da 
cumulação do artigo 856 da CLT com o artigo 8º da Lei no 7.783, de 28 de junho de 
1989. As ações coletivas são, geralmente, ajuizadas pelas entidades sindicais, uma 
vez que a sua intervenção está prevista no artigo 8º da Carta Magna. Se não houver 
 
 
 
uma entidade profissional ou econômica na base territorial, a federação nacional terá 
a legitimidade ativa para propor uma ação de dissídio coletivo (ZAFFARI et al., 2021). 
A ação deve ser apresentada de forma escrita e a petição inicial deve seguir os 
requisitos do Código de Processo Civil (CPC) em relação aos requisitos (art. 319, 
CPC), aqui usado de forma subsidiariamente. A petição inicial deve conter os dados 
solicitados na ação (art. 858, CLT), os motivos do dissídio e as bases para a 
conciliação (art. 858, b, CLT). A procuração não é necessária, uma vez que o sindicato 
representa a categoria por prescrição constitucional, mas é necessário comprovar a 
autorização dos seus membros pela ata da assembleia geral da categoria do 
sindicato, demonstrando que a negociação coletiva ou arbitragem não foram bem-
sucedidas. Além disso, é preciso comprovar as normas coletivas em vigor, juntando-
se acordo, convenção ou sentença normativa atual (ZAFFARI et al., 2021). 
Martins (2016), sustenta que é necessário indicar as pretensões coletivas 
aprovadas em assembleia de categoria profissional, apontando o que impediu a 
negociação coletiva e apresentando as reivindicações em forma de cláusula de cada 
um dos pedidos, justificando cada uma das cláusulas motivadamente. Após o 
recebimento da petição inicial, as partes serão notificadas para comparecerem à 
audiência de conciliação dentro do prazo de 10 dias, de acordo com o artigo 860 da 
CLT. O MPT será notificado para intervir no processo, caso necessário (PAMPLONA 
FILHO; SOUZA, 2020). 
O representante do empregador ou da entidade sindical, acompanhado de seus 
advogados, comparecerá à audiência de conciliação e negociará, podendo o 
magistrado que preside a sessão apresentar uma solução intermediária que, caso seja 
aprovada pelas partes, será submetida à primeira sessão do Tribunal para 
homologação, de acordo com o artigo 863 da CLT (LEITE, 2017). O acordo acertado 
em audiência, que será submetido à sessão do Tribunal para homologação, não pode 
ser objeto de recurso, a não ser que sejam retiradas cláusulas negociadas (ZAFFARI 
et al., 2021). 
Em caso de desacordo entre as partes ou ausência de comparecer à audiência 
de conciliação agendada, o dissídio coletivo será submetido à sessão da Turma 
responsável pelo julgamento para a análise (NASCIMENTO, 2009). Os dissídios 
coletivos não se referem aos efeitos da revelia, uma vez que se trata da criação ou 
alteração de uma norma jurídica. Apesar de não prever a possibilidade de contestação 
 
 
 
pelas entidades suscitadas (sindicatos de empregadores reclamados), a 
apresentação de contestação é recomendável e esperada, uma vez que, na defesa, 
poderão ser propostos termos de solução alternativos ou impugnados os termos 
apresentados pelo autor do dissídio coletivo (PAMPLONA FILHO; SOUZA, 2020). 
Após a audiência contestada, o processo será submetido à sessão do Tribunal 
e será julgado, gerando uma sentença normativa (acórdão, de acordo com o artigo 
204 do Código deProcesso Civil, que é designado como sentença coletiva nos 
dissídios normativos) (PAMPLONA FILHO; SOUZA, 2020). A sentença normativa 
devidamente publicada criará ou modificará direitos aplicáveis às relações trabalhistas 
daquela categoria profissional naquela base territorial no próximo ano, de acordo com 
o que foi proposto no dissídio coletivo (LEITE, 2017). 
7.2 Modalidades de dissídio coletivo 
O ingresso de um dissídio coletivo surge da impossibilidade de uma negociação 
coletiva entre as categorias profissionais e econômicas, uma vez que é necessário 
conciliar os conflitos trabalhistas surgidos de insatisfação com as circunstâncias 
fáticas, econômicas, jurídicas ou outras dificuldades advindas da relação de trabalho 
(NASCIMENTO, 2009). Os dissídios coletivos são divididos, basicamente, em dois 
tipos: os conflitos econômicos (ou de interesse) e os conflitos de natureza jurídica. 
Os conflitos econômicos ou de interesse são aqueles em que os trabalhadores 
reivindicam novas e melhores condições de trabalho, bem como melhores salários 
(MARTINS, 2016). Delgado (2017), sustenta que, nos conflitos econômicos, a 
divergência abrange as reivindicações econômico-profissionais dos trabalhadores, ou 
os pleitos empresariais em relação a eles, com o objetivo de alterar as condições 
existentes na empresa ou categoria em questão. No dissídio coletivo, será necessária 
a criação ou alteração de uma norma, convenção, acordo ou sentença normativa 
(MARTINS, 2016). 
Conforme alguns doutrinadores, essa espécie de dissídio coletivo não seria 
possível, uma vez que o artigo 114, § 2º, da Constituição Federal refere-se apenas 
aos dissídios de natureza econômica, como está explícito no dispositivo legal: 
§ 2º Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à 
arbitragem, é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio 
 
 
 
coletivo de natureza econômica, podendo a Justiça do Trabalho decidir o 
conflito, respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho, 
bem como as convencionadas anteriormente (BRASIL, 1988). 
Apesar disso, está ultrapassado o entendimento de que apenas se pode ajuizar 
ações para discutir conflitos econômicos (PAMPLONA FILHO; SOUZA, 2020). No 
seguinte julgado, o TRT analisa os conflitos econômicos objetivamente apresentados 
ao Poder Judiciário: 
EMENTA DISSÍDIO COLETIVO ORIGINÁRIO. Deferimento parcial dos 
pedidos que se encontram em consonância com os entendimentos 
majoritários desta Seção de Dissídios Coletivos, dos Precedentes deste 
Tribunal e dos Precedentes Normativos do TST ou por serem razoáveis. 
Indeferimento das demais pretensões pela ausência de indicadores 
econômicos objetivos ou por tratarem de matéria regulada na legislação ou 
própria para acordo entre as partes (BRASIL, 2020). 
 
Os conflitos de natureza jurídica são aqueles em que há divergências na 
aplicação ou interpretação de uma norma jurídica (PAMPLONA FILHO; SOUZA, 
2020). Os conflitos de natureza jurídica dizem respeito à interpretação de normas 
jurídicas e/ou contratuais, o que acarretará uma discussão, entre as categorias 
profissional e econômica, sobre a sua aplicação (LEITE, 2017). Segundo Nascimento 
(2009), o dissídio de natureza jurídica não tem como objetivo obter, mas sim a 
declaração do sentido de um contrato coletivo ou de uma ou mais cláusulas de um 
contrato coletivo ou a execução de uma norma que o empregador não cumpre. 
O artigo 114, parágrafo 2º, da Constituição Federal estabelece que é 
necessário o consentimento mútuo para ajuizar uma ação de dissídio coletivo, o que 
leva muitas entidades patronais a contestarem o dissídio coletivo, pedindo a extinção 
da ação, uma vez que não há essa concordância (ZAFFARI et al., 2021). De acordo 
com esse entendimento, fundamentado na Constituição Federal, quando surgiu o 
impasse na negociação coletiva, o outro sindicato não poderia ajuizar o dissídio 
coletivo. Observe a interpretação dos Tribunais: 
EMENTA DISSÍDIO COLETIVO REVISIONAL. PRELIMINARMENTE. 
AUSÊNCIA DE COMUM ACORDO. Comprovadas nos autos as tentativas de 
negociação e não logrando êxito a autocomposição dos interesses coletivos, 
têm as partes a faculdade de ajuizar ação de dissídio coletivo. A exegese do 
texto constitucional é no sentido de que o poder constituinte derivado 
consagrou mera faculdade ao tratar do consenso das partes na proposição 
da ação coletiva de natureza econômica. Na hipótese, como no caso em 
análise, em que é buscada a conciliação entre as partes (negociação prévia), 
 
 
 
mas esta não é alcançada, é possível o ajuizamento do dissídio coletivo de 
natureza econômica por quaisquer das entidades sindicais, sob pena de se 
eliminar o direito constitucional de ação previsto como norma pétrea no inciso 
XXXV do art. 5º da Constituição Federal. JULGAMENTO CLÁUSULA A 
CLÁUSULA. Parcialmente deferidos os pedidos que se encontram em 
consonância com os entendimentos majoritários da Seção de Dissídios 
Coletivos, dos Precedentes deste Tribunal e dos Precedentes Normativos do 
TST. Indeferidos os demais pedidos, visto que são matérias próprias para 
acordo ou reguladas por lei (BRASIL, 2020). 
 
De acordo com o dispositivo constitucional, as entidades sindicais poderão 
ajuizar o dissídio coletivo por mútuo consentimento, ou seja, concordando que se 
valerão do Poder Judiciário para resolver qualquer conflito negociado (LEITE, 2017). 
Todavia, a ideia de que a entidade sindical poderia ajuizar o dissídio coletivo apenas 
se a outra parte concordasse seria uma proibição de acesso à justiça, que é um direito 
fundamental previsto no artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, que diz que "a lei 
não excluirá da análise do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito" (PAMPLONA 
FILHO; SOUZA, 2020). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 11 jul. 
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0021330-90.2018.5.04.0000 DC. Desembargador Luiz Alberto de Vargas. Julgamento 
em: 12 ago. 2020. JusBrasil, set. 2020. Disponível em: https://trt-
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Acesso em: 11 jul. 2024. 
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0020872-39.2019.5.04.0000 DC. Desembargador Claudio Antonio Cassou Barbosa. 
Julgamento em: 16 mar. 2020. JusBrasil, abr. 2020. Disponível em: 
https://trt4.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/822179692/dissidiocoletivodc20872392019
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LEITE, C. H. B. Curso de direito do trabalho. 8. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 
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MARTINS, S. P. Direito processual do trabalho. 38. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. 
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