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RELAÇÕES TRABALHISTAS E SINDICAIS AULA 04 - ORGANIZAÇÃO E FUNÇÕES DOS SINDICATOS Olá, Os sindicatos são entidades jurídicas que representam trabalhadores ou empregadores, organizando-se para defender interesses coletivos e melhorar condições de trabalho. Classificados como pessoas jurídicas de direito privado, os sindicatos devem registrar seus estatutos e atividades em órgãos competentes, como o Ministério do Trabalho. Suas funções principais incluem representar a categoria perante autoridades, negociar acordos coletivos de trabalho e oferecer suporte jurídico e educacional aos membros. As receitas dos sindicatos provêm de contribuições sindicais, que podem ser facultativas ou obrigatórias conforme acordos coletivos e legislação vigente. Após a reforma trabalhista de 2017, a contribuição sindical obrigatória tornou-se facultativa, requerendo autorização expressa dos trabalhadores para descontos. Os sindicatos patronais têm função similar, representando empresas em negociações e oferecendo serviços como consultoria e cursos. Organizam-se conforme a atividade econômica das empresas que representam e também são registrados como pessoas jurídicas de direito privado. Bons estudos! 4 COMO SE ORGANIZAM OS SINDICATOS DE EMPREGADOS Os sindicatos representam formações estáveis de indivíduos na mesma área de trabalho, visando a melhoria das condições de trabalho. Primeiramente, é importante ressaltar que os sindicatos são pessoas jurídicas. Como os humanos são seres sociais, é natural que formem grupos para atingir objetivos. Para expressar suas características e tornar próprios esses grupos, a lei lhes conferiu personalidade e poder jurídico, tornando-os sujeitos de direitos e obrigações. Segundo Maria Helena Diniz (2017, p. 270), [...] Pessoa jurídica é uma unidade de pessoa física ou patrimonial, destinada a atingir determinados fins, reconhecida pelo ordenamento jurídico como sujeito de direitos e obrigações. São três requisitos: organização de pessoas ou bens; a legitimidade dos fins ou finalidades; e a autoridade formal é reconhecida pela classificação. Na classificação das pessoas jurídicas destacam-se dois grupos principais, cada um com características e regulamentações específicas: as pessoas jurídicas de direito público e as pessoas jurídicas de direito privado. A primeira parte divide-se em direito público interno, que inclui estados, cidades, governos e organizações, e direito público externo, que inclui países e organizações internacionais, como a Igreja Católica (ZAFFARI, et al., 2021). Por outro lado, as pessoas jurídicas são regidas pelo direito privado originado da vontade da pessoa física. Segundo Pereira (2014), incluem muitos tipos de negócios com personalidade jurídica, sejam eles com ou sem fins lucrativos, e incluem empreendimentos de caráter espiritual e temporário. De acordo com art. 44 do Código Civil (CC), classificam-se como pessoas jurídicas de direito privado as associações, entidades, organizações religiosas, partidos políticos e sociedades anônimas individuais (BRASIL, 2002). Durante o Estado Novo, os sindicatos foram classificados como pessoas coletivas de direito público. Porém, com a Constituição de 1946, passaram a ser consideradas pessoas jurídicas em lei própria do seu tipo de organização, conforme art. 53 deste Código, define associação como a associação de pessoas organizada com fins não econômicos. A formação de um sindicato começa com o devido registro em órgão competente, de acordo com as exigências da lei. Nascimento (2012, p. 249), enfatiza que “[...] os sindicatos somente terão direitos mediante registro no órgão competente, de acordo com o disposto na Constituição Federal, artigo 8º, I, e este órgão, conforme jurisprudência, é o Cadastro Nacional de Sindicatos do Ministério do Trabalho e Emprego". Portanto, não se trata de uma regulamentação estatal, mas sim de uma lei oficial. A Convenção n.º 87 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) garante aos sindicatos o direito de estabelecer as suas próprias regras e regulamentos. Contudo, a estrutura interna do sindicato é regulamentada por lei, especialmente pelo art. 518 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), exige que a legislação sindical inclua: nome e sede da organização, classe econômica ou ocupacional representada, que coopera com o poder público e outras organizações para fins de associação de solidariedade social e subordinação de interesses econômicos ou de assuntos nacionais; funções e processos eleitorais e de votação; caso de perda de autoridade ou mudança de gestão; Como os bens públicos são construídos e geridos; o destino das mercadorias em caso de liquidação e as condições de liquidação das mercadorias. De acordo com art. 522 e 523 da CLT, uma vez registrada, a gestão do sindicato deverá ser liderada por um conselho de administração de três a sete membros e um conselho fiscal de três membros, ambos eleitos pelo congresso. Além disso, a legislação trabalhista abrange os representantes sindicais, os indicados pelo conselho de administração e os não eleitos. Os sindicatos são estruturados hierarquicamente no sistema sindical brasileiro: na base, há o sindicato; no meio, há a federação; e no topo, há a confederação. Os sindicatos, que formam a base da pirâmide, devem respeitar uma área territorial mínima, que é o município. Assim, de acordo com o art. 8º, inciso II da CF, não poderá existir mais de um sindicato de uma mesma categoria em um único município — princípio da unicidade sindical. As federações, por sua vez, resultam da conjugação de pelo menos cinco sindicatos, geralmente em um estado, de acordo com o art. 534 da CLT. As confederações, por fim, representam a união de pelo menos três federações, tendo sede em Brasília, de acordo com o art. 535, § 2º da CLT. A organização dos sindicatos militares do Brasil, incluindo as polícias civil, federal e militar, são compostas por pessoas cujos direitos são garantidos pela Constituição do país, essenciais para o cumprimento de seus deveres e o desenvolvimento da sociedade. Embora os membros das Forças Armadas e o Estado tenham direito à solidariedade, esse direito é negado aos policiais militares, conforme artigos 42, § 1º e 142, § 3º, inciso IV, da CF. Contudo, a mesma Constituição não impede que os militares formem associações, uma garantia fundamental. Essas organizações, embora ainda não difundidas, atuam em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Uma central sindical é uma organização sindical que coordena os seus interesses. Segundo Delgado (2015, p. 94), “[...] ao nível do seu funcionamento interno, não só estabelecem as linhas gerais de atuação da organização comercial no contexto social local e mais amplo, mais do que podem também estabelecer tradições e programas de grande importância dentro da fundação relevante”. Os sindicatos foram oficialmente reconhecidos em 2008, com a promulgação da Lei nº 11.648, de 31 de março de 2008. 4.1. Funções, prerrogativas e receitas dos sindicatos A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) sempre regulou as funções dos sindicatos, suas prerrogativas e as formas de sustentação. Segundo o artigo 513 da CLT, as funções e prerrogativas dos sindicatos, que serão detalhadas neste tópico, incluem: • Representar, perante autoridades administrativas e judiciárias, os interesses gerais da respectiva categoria ou os interesses individuais dos associados relacionados à atividade ou profissão exercida; • Celebrar contratos coletivos de trabalho; • Eleger ou designar os representantes da respectiva categoria; • Colaborar com o Estado, como órgãos técnicos e consultivos, no estudo e solução dos problemas relacionados à respectiva categoria; • Imporcontribuições a todos os participantes das categorias econômicas ou profissionais ou das profissões liberais representadas. Dessa forma, com base nas disposições legais, podemos identificar três funções clássicas dos sindicatos: representativa, negocial e assistencial, que serão analisadas a seguir. Função representativa: O sindicato tem como finalidade principal organizar- se para representar e agir em nome dos trabalhadores de sua categoria, defendendo seus interesses. Segundo Delgado (2015), a função representativa do sindicato abrange várias dimensões: • Dimensão privada: Refere-se à interação do sindicato com os empregadores, focando nos interesses coletivos da categoria. • Dimensão administrativa: Envolve a relação do sindicato com o Estado, visando encontrar soluções para os problemas trabalhistas que afetam a categoria. • Dimensão pública: Relaciona-se à atuação do sindicato no diálogo com a sociedade civil, buscando apoio para suas ações e reivindicações. • Dimensão judicial: Inclui a atuação do sindicato na defesa judicial dos interesses da categoria, seja através de consultoria ou de contencioso. Função negocial: A função negocial dos sindicatos possibilita o diálogo com os empregadores visando a celebração de instrumentos coletivos, os quais consistem em regras jurídicas que regulamentam os contratos de trabalho da categoria representada. Conforme o artigo 8º, inciso VI, da Constituição Federal, a prerrogativa da negociação coletiva é exclusiva dos sindicatos. Segundo Nascimento (2012, p. 322), […] A Organização Internacional do Trabalho (Acordo n.º 98) promove a atividade negocial dos sindicatos, considerando-a o instrumento da paz pública e do melhor serviço, um mecanismo jurídico que permite às Partes num conflito laboral escolher as normas aplicáveis tendo em conta a estrutura de sua disputa. Dessa maneira, ao realizar a negociação coletiva, o sindicato atua como uma fonte de Direito, preenchendo as lacunas legislativas. Função assistencial: A função assistencial dos sindicatos envolve a prestação de diversos serviços aos seus associados e, em alguns casos, a todos os membros da categoria. Entre os serviços mais comuns estão os médicos, educacionais e jurídicos. De acordo com a CLT, alguns desses serviços assistenciais são deveres dos sindicatos, como a assistência jurídica, a fundação de cooperativas de consumo e a criação de escolas de alfabetização e pré-vocacionais, conforme o art. 514. Contudo, a Constituição Federal os trata como funções e prerrogativas que podem ser assumidas por essas entidades. Quanto às receitas sindicais, a legislação atual identifica quatro fontes principais: a contribuição sindical facultativa, a contribuição confederativa, a contribuição assistencial e as mensalidades dos associados. As mensalidades são parcelas mensais pagas tanto pelos associados quanto por seus dependentes, em valores determinados pelo próprio sindicato. A contribuição sindical facultativa, que era obrigatória até a reforma trabalhista de 2017, implementada pela Lei nº 13.467, de 13 de julho de 2017, é uma receita recolhida anualmente no valor equivalente a um dia de trabalho. Para o desconto dessa contribuição na folha de pagamento, conforme o art. 579 da CLT, é necessária a autorização prévia e expressa do trabalhador. A contribuição confederativa, também descontada em folha, é disciplinada pela assembleia sindical e deriva do art. 8º, inciso IV da Constituição Federal, que estabelece que a assembleia geral fixará a contribuição para custeio do sistema confederativo da representação sindical. No entanto, a jurisprudência, consolidada nas Súmulas 666 e vinculante 40 do Supremo Tribunal Federal (STF), estabelece que essa contribuição é devida apenas pelos filiados ao sindicato, não sendo válida sua cobrança dos demais trabalhadores. Por fim, a contribuição assistencial, conforme o art. 513, “e” da CLT, refere-se ao recolhimento aprovado por convenção ou acordo coletivo, normalmente descontado em folha de pagamento. Também é conhecida por outras denominações, como taxa de reforço sindical, contribuição negocial e cota de solidariedade. 4.2. Importância dos sindicatos patronais Um sindicato é uma associação de pessoas que compartilham atividades econômicas ou profissionais semelhantes, com o propósito de defender os interesses coletivos e individuais de seus membros ou da categoria que representa. No Direito brasileiro, o sindicato pode representar duas categorias principais: a categoria profissional, composta por empregados, e a categoria econômica, formada por empregadores. Segundo Martins (2011, p. 738), "[...] a categoria econômica é aquela que surge quando há solidariedade de interesses econômicos entre aqueles que realizam atividades idênticas, similares ou conexas, criando um vínculo social básico entre essas pessoas (§ 1º do art. 511 da CLT)". Atividades similares são aquelas que são parecidas ou análogas, como hotéis e restaurantes. Atividades conexas, por outro lado, são aquelas que, embora não sejam semelhantes, se complementam, como hidráulica, pintura e elétrica na construção civil. O sindicato patronal representa os interesses das empresas diante do governo e dos trabalhadores, participando de negociações, convenções coletivas e dissídios. Além dessa atuação, os sindicatos patronais se envolvem em outros aspectos, como discussões sobre tributos e a promoção de eventos e cursos para as empresas. Os sindicatos de empregados, por sua vez, concentram-se principalmente nas relações de trabalho. Os sindicatos patronais destacam-se pelos seguintes aspectos: • Defendem os interesses das empresas; • Fornecem informações estratégicas sobre o mercado de uma determinada categoria econômica, tendo acesso a estudos e diagnósticos fundamentais; • Estabelecem parcerias com outras entidades do mercado, como universidades e fornecedores, fortalecendo o setor empresarial; • Oferecem serviços de fomento às atividades empresariais, como cursos, capacitações e eventos, muitas vezes com o apoio de entidades do Sistema. Os sindicatos patronais se distinguem dos serviços sociais autônomos, como os integrantes do Sistema S — SESC, SENAC, SESI, SENAI, entre outros. Conforme Meirelles (2003, p. 362), os serviços sociais autônomos são entidades estabelecidas por lei, possuindo personalidade jurídica de direito privado, destinadas a oferecer assistência ou educação a categorias específicas da sociedade ou grupos profissionais, sem fins lucrativos, financiados por dotações orçamentárias ou contribuições parafiscais. Essas entidades são paraestatais, colaborando com o Poder Público, possuindo administração e patrimônio próprios. A criação de muitos desses serviços sociais autônomos ocorreu durante a vigência da Constituição Federal de 1946, marco de um período democrático que rompeu com os paradigmas da constituição anterior. No contexto das relações trabalhistas, essa constituição reconheceu diversos direitos fundamentais, como a participação nos lucros, estabilidade no emprego e o direito de greve, entre outros. Os decretos-lei que autorizaram a criação dessas entidades não as estabeleceram diretamente, mas atribuíram às confederações a responsabilidade de instituí-las. Um exemplo é o Decreto-Lei no 8.621, de 10 de janeiro de 1946, que regulamentou a criação do SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), instituição sob a gestão da Confederação Nacional do Comércio, conforme previsto no art. 3º do referido decreto-lei: Art. 3º O SENAC deverá também cooperar nos trabalhos de divulgação e promoção do ensino e formação comercial diretamente relacionados com ele, no qual o SENAC elaborará os acordos necessários, especialmente com a instituição de ensino comercial reconhecida pelo Governo Regional, exigir sempre, em troca de a assistência financeiraa ser prestada, melhorias nos equipamentos escolares e um certo número de inscrições gratuitas para comerciantes, crianças, seus filhos ou estudantes careciam dos recursos necessários (BRASIL, 1946, documento online). Outras entidades autônomas surgiram durante a vigência da Constituição Federal de 1988, como o SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), estabelecido pela Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991, e o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), criado pela Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990. É fundamental esclarecer que o Sistema S não desempenha serviços públicos delegados pelo Estado, mas sim realiza atividades de interesse público que são incentivadas pelo Estado. Conforme destacado por Di Pietro (2019, p. 634): A ação do Estado neste caso é encorajar, e não fornecer, serviços públicos. Ou seja, a participação do Estado, na ação criativa, visa incentivar a ação independente, sendo o financiamento garantido através da instituição de contribuições financeiras obrigatórias para o efeito. Os serviços sociais autônomos, apesar de não serem parte da Administração Indireta, gerenciam recursos provenientes de contribuições parafiscais e desfrutam de prerrogativas semelhantes às entidades públicas, o que os submete a normativas comparáveis às da Administração Pública. Isso inclui o cumprimento de procedimentos licitatórios, prestação de contas e a obrigatoriedade de realizar processos seletivos para contratação de funcionários, entre outros requisitos regulamentares. Finalmente, é pertinente abordar o enquadramento sindical em relação aos sindicatos patronais. Este enquadramento é determinado com base na atividade principal da empresa, ou seja, na atividade-fim estabelecida no contrato social. É essa atividade-fim que permite à empresa buscar filiação junto ao sindicato correspondente, localizado na sua área de atuação territorial, conforme estabelecido nos artigos 570 a 577 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). 4.3. Funções do sindicato patronal A função dos sindicatos patronais se desdobra em duas principais vertentes: a defesa dos interesses das empresas representadas e a prestação de serviços a essas empresas. No âmbito da defesa dos interesses empresariais, o sindicato atua na negociação de acordos salariais com os sindicatos dos empregados e na representação perante as autoridades públicas, buscando melhorar as condições para o exercício das atividades empresariais. Isso envolve a advocacia por mudanças legislativas que afetam a categoria, proteção de mercado e políticas de impostos. Por outro lado, a função de prestação de serviços às empresas associadas abrange uma gama de benefícios como planos de saúde, consultoria jurídica, apoio ao turismo, e cursos de desenvolvimento profissional pertinentes à categoria. No entanto, como observado por Pochmann, Barreto e Mendonça (1998), nem todos os sindicatos patronais possuem igual capacidade de condução de negociações coletivas, o que frequentemente permite uma autonomia maior aos empresários na definição das relações de trabalho. Este fenômeno, conhecido como dualidade na representação empresarial, é também marcado pela presença de associações empresariais civis em várias regiões do país, que, embora não detenham a representação legal da categoria conferida por lei aos sindicatos, frequentemente expressam publicamente os interesses dos empresários. Para Pochmann (1998, p. 104): Dessa forma, as atividades empresariais representadas pela estrutura empresarial e pela conciliação de interesses levam à formação de organizações com características comuns de divisão, divisão, divisão e assimetria entre a base econômica e a organização e ajuda sindical, fundando ações. Além dessas funções, a CLT historicamente tem regulado a atuação dos sindicatos, suas prerrogativas e o sustento financeiro destes. Conforme o art. 513 da CLT, as funções e prerrogativas dos sindicatos incluem representar os interesses gerais da categoria perante autoridades administrativas e judiciárias, celebrar contratos coletivos de trabalho, eleger ou designar representantes da categoria, colaborar com o Estado como órgãos consultivos e técnicos para resolver problemas relacionados à categoria, e impor contribuições aos membros das categorias econômicas, profissionais ou liberais representadas. Por outro lado, os sindicatos também possuem deveres, conforme o art. 514 da CLT, que incluem colaborar com os poderes públicos no desenvolvimento da solidariedade social, oferecer serviços de assistência judiciária aos associados, promover a conciliação em conflitos trabalhistas e, sempre que possível, manter um assistente social para promover a cooperação operacional e integração profissional entre os membros. Quanto às receitas dos sindicatos, a legislação estabelece quatro fontes principais: a contribuição sindical facultativa, a contribuição confederativa, a contribuição assistencial e as mensalidades pagas pelos associados e seus dependentes, conforme determinado pelo sindicato. 4.4. Como se organizam os sindicatos patronais Da mesma forma que ocorre na estruturação dos sindicatos dos trabalhadores, um aspecto inicial a ser considerado nos sindicatos patronais é sua natureza como pessoas jurídicas, conforme destacado por Diniz (2017, p. 270): Os sindicatos, anteriormente considerados pessoas jurídicas de direito público durante o Estado Novo, foram reclassificados como pessoas jurídicas de direito privado do tipo associação pela Constituição Federal de 1946. Conforme o art. 53 do Código Civil, caracteriza-se pela união de pessoas que se organizam para fins não econômicos. O processo de constituição de um sindicato inicia-se com o registro de seu estatuto no Cartório de Pessoas Jurídicas, antes do registro nos órgãos competentes, conforme exigido pela legislação vigente, não se tratando de autorização estatal, mas de formalidade jurídica conforme o art. 8º, I da CF. A formação de um sindicato patronal, de acordo com o art. 515 da CLT, requer o atendimento a requisitos específicos, como a reunião de um mínimo de um terço das empresas legalmente constituídas, a duração do mandato da diretoria de três anos, a exigência de brasileiros natos para determinados cargos administrativos, e a possibilidade excepcional de reconhecimento sindical mesmo com número inferior de associados. A estrutura interna e organização do sindicato são reguladas principalmente pelo art. 518 da CLT, que determina os elementos essenciais do estatuto sindical, incluindo a denominação, sede, categorias representadas, atribuições, processo eleitoral, administração patrimonial, procedimentos de dissolução, entre outros aspectos. Após o registro, a administração do sindicato é conduzida por uma diretoria e um conselho fiscal, eleitos em assembleia geral, responsáveis respectivamente pela gestão administrativa e fiscal da entidade (ZAFFARI et al., 2021). A assembleia geral, conforme Martins (2011, p. 746), é o órgão máximo do sindicato, incumbido de deliberar sobre diversas questões, incluindo a definição de diretrizes e estratégias de atuação da entidade. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Presidência da República, [2016]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 02 jul. 2024. BRASIL. Lei no 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Brasília: Presidência da República, 1943. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm. Acesso em: 02 jul. 2024. "BRASIL. Lei no 8.029, de 12 de abril de 1990. Dispõe sobre a extinção e dissolução de entidades da administração Pública Federal, e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 1990. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8029cons.htm.Acesso em: 02 jul. 2024. BRASIL. 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