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Maria Alice dos Santos Ferreira Gestão de marketing internacional Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Simone M. P. Vieira – CRB 8a/4771) Ferreira, Maria Alice dos Santos Gestão de marketing internacional / Maria Alice dos Santos Ferreira. – São Paulo : Editora Senac São Paulo, 2022. (Série Universitária) Bibliografia. e-ISBN 978-85-396-3374-6 (ePub/2022) e-ISBN 978-85-396-3375-3 (PDF/2022) 1. Marketing 2. Marketing global 3. E-marketing internacional I. Título. II. Série. 22-1538t CDD – 658.8 BISAC BUS043030 Índice para catálogo sistemático: 1. Marketing internacional 658.8 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. GESTÃO DE MARKETING INTERNACIONAL Maria Alice dos Santos Ferreira Administração Regional do Senac no Estado de São Paulo Presidente do Conselho Regional Abram Szajman Diretor do Departamento Regional Luiz Francisco de A. Salgado Superintendente Universitário e de Desenvolvimento Luiz Carlos Dourado Editora Senac São Paulo Conselho Editorial Luiz Francisco de A. Salgado Luiz Carlos Dourado Darcio Sayad Maia Lucila Mara Sbrana Sciotti Luís Américo Tousi Botelho Gerente/Publisher Luís Américo Tousi Botelho Coordenação Editorial/Prospecção Dolores Crisci Manzano Ricardo Diana Administrativo grupoedsadministrativo@sp.senac.br Comercial comercial@editorasenacsp.com.br Acompanhamento Pedagógico Otacília da Paz Pereira Designer Educacional Antonia Monique Mendes Revisão Técnica Nadye Lino Castaldi Gentil Preparação e Revisão de Texto Bruna Sanjar Mazzilli Projeto Gráfico Alexandre Lemes da Silva Emília Corrêa Abreu Capa Proibida a reprodução sem autorização expressa. Antonio Carlos De Angelis Todos os direitos desta edição reservados à Editoração Eletrônica Editora Senac São Paulo Alexandre Raphael de Albuquerque Brito Rua 24 de Maio, 208 – 3o andar Ilustrações Centro – CEP 01041-000 – São Paulo – SP Alexandre Raphael de Albuquerque Brito Caixa Postal 1120 – CEP 01032-970 – São Paulo – SP Tel. (11) 2187-4450 – Fax (11) 2187-4486 Imagens E-mail: editora@sp.senac.brAdobe Stock Photos Home page: http://www.livrariasenac.com.br E-book Rodolfo Santana © Editora Senac São Paulo, 2022 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . http://www.livrariasenac.com.br mailto:editora@sp.senac.br mailto:grupoedsadministrativo@sp.senac.br M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Sumário Capítulo 1 Desafios do marketing internacional e impulsos para a internacionalização, 7 1 Fatores de decisão de marketing internacional, 8 2 O e-commerce e a globalização mercadológica, 14 3 Propulsores da internacionalização, 18 Considerações finais, 21 Referências, 22 Capítulo 2 Sistemas de informação e pesquisa de marketing internacional, 25 1 O sistema de informação de marketing para o marketing internacional, 26 2 Fontes de informação para o marketing internacional, 30 3 Formalização da pesquisa de mercado internacional, 35 Considerações finais, 37 Referências, 38 Capítulo 3 Canais de marketing internacional e distribuição física, 41 1 Funções e delimitações de canal, 42 2 Canais de distribuição: tipos de produtos e estrutura de distribuição, 47 3 Estratégias inovadoras para canais internacionais, 51 4 Distribuição física e logística, 52 Considerações finais, 55 Referências, 56 Capítulo 4 Gestão de marketing internacional (o processo gerencial para o marketing internacional), 57 1 Liderança, equipes e postura gerencial, 58 2 Estrutura da organização internacional: configurações básicas, 63 3 Estruturas das organizações para os mercados globais, 66 Considerações finais, 71 Referências, 72 Sobre a autora, 75 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 1 Desafios do marketing internacional e impulsos para a internacionalização Criar estratégias de desenvolvimento de mercados internacionais re- quer observar os desafios que o ambiente internacional impõe. A partir desse prisma, é possível decidir quais estratégias de marketing serão adotadas. Vários fatores conduzem a essas decisões, fundamentais para o êxito das ações nos mercados externos. Atualmente, as tecnologias digitais e a globalização imprimem novos desafios e perspectivas de desenvolvimento ao marketing internacional, dado que não há como ignorar as questões do e-commerce e do mundo conectado. A maior parte das organizações desenvolve estratégias que também levam em consideração o comércio eletrônico e a concorrên- cia a nível global. 7 8 Gestão de marketing internacional M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Entre os fatores que motivam as ações de uma empresa em mer- cados internacionais, há aqueles que se dão de maneira incontrolável e externa à organização e os que resultam de ações intencionais. Em alguns casos, essas motivações são mistas, ou seja, advêm tanto de propulsores inerentes à própria empresa como da participação de ou- tros atores que se relacionam externamente com a instituição. Dessa forma, organizações que têm claros seus objetivos organiza- cionais expansionistas e que potencializam suas parcerias para atuar em mercados pouco saturados conseguem transformar desafios em oportu- nidades de negócios e alcançar mais facilmente mercados globais. 1 Fatores de decisão de marketing internacional Os fatores que influenciam as decisões organizacionais de marketing internacional se relacionam profundamente com as oportunidades e desafios colocados pelo mercado externo. Uma questão muito importante para o comércio no cenário mun- dial é a capacidade de adaptação a mudanças bruscas. Assim, uma empresa próspera deve ser capaz de responder ativamente e flexibili- zar seus planos de negócio, se houver necessidade. Desenvolver uma habilidade criativa, com inovação e aprimoramento nos processos, faz com que uma corporação esteja mais preparada para atender às suas demandas, que estão sempre em mudança no mercado internacional (CZINKOTA; RONKAINEN, 2008). No contexto atual, a globalização é umfato, e ela gera oportunidades e desafios para empresas que atuam em nível internacional. Uma em- presa com alta capacidade competitiva no mercado global não precisa necessariamente ser uma empresa de grande porte, já que as tecnolo- gias da informação e da comunicação (TICs) proporcionam um espaço mais democrático de atuação nos mercados internacionais. 9 Desafios do marketing internacional e impulsos para a internacionalização M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Um dos fatores que levam as empresas a considerar uma atuação internacional – e, portanto, desenvolver marketing internacional – é a saturação de um mercado doméstico. Essa condição pode conduzir ao processo de internacionalização e rejuvenescimento organizacional, bem como à renovação do ciclo de vida dos produtos, que são então introduzidos em outros países. Outro aspecto bastante importante se refere à própria capacidade produtiva de uma empresa: muitas indústrias podem operar sua produ- ção fabril em outros países, inclusive espalhando-a, o que pode se dar por iniciativa própria ou por meio de parcerias organizacionais. Figura 1 – Processo decisório para o marketing internacional Planejamento de estratégias organizacionais (de gestão e de marketing) Determinação de territórios a serem desenvolvidos Decisão de ingresso no mercado internacional – consenso com objetivos organizacionais Avaliação do ambiente mercadológico internacional Fonte: adaptado de Kotler e Armstrong (2015, p. 490). Assim, empresas que almejam o mercado global focam seus recur- sos e objetivos em oportunidades apontadas por esse ambiente mer- cadológico, potencializando suas vantagens competitivas e criando território para a expansão e a sustentabilidade dos negócios. As forças motrizes e restritivas, bem como sua inter-relação, determinam as dinâ- micas organizacionais, operando de forma positiva ou negativa dentro do marketing global. Dentro de um mercado internacional, as forças motrizes são aque- las que apontam as necessidades e os desejos desse mercado e as oportunidades que ele disponibiliza, seja em relação às tecnologias, à 10 Gestão de marketing internacional M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . comunicação, ao transporte e à economia em escala global, seja em ter- mos de alavancagem. Já as forças restritivas são aquelas que trazem algum tipo de dificuldade a ser enfrentada ou mesmo evitada quando se quer conquistar mercados internacionais (KEEGAN, 2005). 1.1 Forças motrizes Uma das principais forças motrizes que impulsiona a integração glo- bal de uma organização é a tecnologia. Essa força atravessa as fron- teiras nacionais e pode estar disponível em todas as partes do planeta. Cada vez mais, a globalização, a economia em escala mundial e os há- bitos culturais homogeneizados fazem com que as tecnologias fiquem mais padronizadas e amplamente acessíveis em toda parte. Dessa forma, a tecnologia permite que uma organização se estabe- leça em território internacional de maneira mais fluida, ajudando nos processos de produção. Além disso, em termos de atuação, ela faci- lita o acesso das empresas a mercados-alvo em territórios externos, alcançando seus públicos por meio das TICs. Acordos econômicos regionais também são importantes forças que movimentam a internacionalização de uma empresa. Observar esses acordos e obter vantagens a partir deles é importante para atingir novos territórios e diminuir custos operacionais, taxas e impostos. PARA SABER MAIS Na América do Sul, existe um importante bloco econômico, o Mercado Comum do Sul (Mercosul), do qual fazem parte Brasil, Argentina, Uru- guai e Paraguai. Ele foi criado oficialmente em 1991 com o objetivo de aumentar a oferta de emprego e renda, melhorar a produtividade das empresas e potencializar as relações econômicas entre os países en- volvidos. Além de facilitar a comercialização de produtos e serviços, o Mercosul instala um território de livre circulação de pessoas, em que é 11 Desafios do marketing internacional e impulsos para a internacionalização M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. possível, por exemplo, atuar profissionalmente com diplomas validados em quaisquer países-membros. O Mercosul proporcionou um aumento substancial nas trocas comer- ciais entre os países que compõem o bloco. Uma questão importante, e que traz alguns obstáculos ao pleno funcionamento e trocas comerciais, diz respeito às características políticas e econômicas de seus membros, dadas as suas instabilidades e oscilações (KEEGAN, 2005, p. 49). Outras forças motrizes primordiais para entrar em um mercado inter- nacional são as necessidades e os desejos desse mercado somados à sua capacidade de compra, ou seja, à sua demanda particular. Portanto, entender o mercado e seus consumidores é fundamental para ingressar nos mercados globais. A estrutura de transporte e a rede de comunicações da região tam- bém são elementos que impulsionam a internacionalização de um ne- gócio. Em termos territoriais, ainda há uma discrepância entre as na- ções, visto que as mais desenvolvidas apresentam sistemas logísticos e de transporte mais sofisticados, com malhas maiores e cobertura territorial mais expressiva. Por outro lado, quanto às questões de co- municação, existe uma realidade mais homogênea entre os países, já que, em sua maioria – pelo menos naqueles que adotam regimes de- mocráticos –, o acesso aos sistemas e tecnologias de comunicação está bastante disseminado. A área de pesquisa e desenvolvimento (P&D) é outra que move a in- ternacionalização de um negócio. Como essa é uma área que consome grandes investimentos, é preciso criar estratégias para que os custos se revertam em lucratividade e o negócio se sustente. Dessa forma, quando uma corporação investe maciçamente em desenvolvimento de produtos ou mesmo em questões de qualidade, ela pode expandir seu mercado para o ambiente internacional e aumentar sua receita por meio da escala. 12 Gestão de marketing internacional M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . As estratégias globais de marketing podem gerar maiores receitas e margens operacionais, o que, por sua vez, sustenta a qualidade do design e da fabricação. Uma empresa global e uma nacional podem, cada uma, gastar 5% da receita em pesquisa e desenvolvimento, po- rém uma empresa global pode ter muito mais receita que a nacional, porque atende ao mercado mundial. (KEEGAN, 2005, p. 17) Tendências econômicas mundiais também são fortes motrizes para a conquista de mercados globais. Se forem positivas, elas podem impulsionar o alcance de mercados, já que estes oferecem potentes oportunidades. Uma questão bastante presentena atualidade é o movi- mento mundial que vem diminuindo os processos de regulamentação e favorecendo a privatização. Vale mencionar ainda as ferramentas de alavancagem que a própria instituição possui, seja em termos de transferência de experiência – quando uma empresa usa suas práticas organizacionais para desen- volver novos mercados –, seja em termos de economia de escala – em que grandes indústrias produzem de modo massivo para alcançar um mercado extenso. Isso barateia os processos de produção e os amplia a uma escala global. A utilização de recursos de uma empresa global também é uma força motriz importante, já que reforça os recursos humanos, financei- ros, operacionais e físicos de uma organização para competir com efici- ência em mercados internacionais. Por fim, ainda no que diz respeito à alavancagem, há as estratégias globais que potencializam as atividades gerenciais e de marketing para conquistar vantagens competitivas, oti- mizando o uso de recursos e seu alcance a nível global. 1.2 Forças restritivas Existem algumas forças que podem prejudicar o desenvolvimento da integração global de uma organização. A primeira delas está ligada 13 Desafios do marketing internacional e impulsos para a internacionalização M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. ao microambiente organizacional e diz respeito à miopia gerencial e à própria cultura organizacional. Em algumas organizações, a gerência tem dificuldade de desen- volver o marketing global. Isso se dá, entre outras razões, pela falta de conhecimento e disposição para estudar novos territórios de atuação. Outro fator é a visão etnocêntrica, que impede a gerência de escutar mais ativa e empaticamente parceiros e colaboradores locais para en- tender as particularidades de um mercado doméstico. Uma cultura organizacional muito tradicional pode igualmente res- tringir a atuação de uma organização em mercados internacionais, visto que estes requerem maior flexibilidade e capacidade de adaptação em função das especificidades locais. Controles e barreiras de entrada também são fatores bastante im- portantes para a internacionalização de um negócio. Essas questões se referem ao macroambiente e não podem ser manipuladas pela orga- nização. Alguns países, por exemplo, protegem os empreendimentos nacionais para desenvolver as economias locais. Ocasionalmente, para beneficiar as empresas nacionais, os gover- nos impõem tarifas elevadas, que desestimulam a entrada de concor- rentes internacionais. Porém, esse tipo de controle não se dá apenas por meio de impostos financeiros; em alguns casos, há ainda regula- mentações para determinados tipos de produtos e as matérias-primas que os constituem, incluindo especificações técnicas e particularidades restritivas que variam de país para país. Outro tipo de barreira restritiva refere-se aos aspectos comunicacio- nais, dado que a cultura de determinado território pode afetar as ações promocionais de propaganda e publicidade, assim como pode haver re- gulamentações que limitem certas estratégias comunicacionais. 14 Gestão de marketing internacional M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . NA PRÁTICA Em seu processo de internacionalização, O Boticário encontrou al- guns entraves para efetivar sua atuação no mercado internacional. Na Europa, por exemplo, uma questão que dificultou a replicação de seu modelo operacional foram os registros de produtos junto aos órgãos sanitários, visto que alguns países desconheciam as matérias-primas utilizadas para a produção das mercadorias, retardando o seu registro. Assim, é de primordial importância observar as dinâmicas restritivas impostas pelos países onde se deseja operar em âmbito internacional. A partir desse conhecimento prévio, é possível desenvolver estratégias para superar tais barreiras ou mesmo declinar do movimento de interna- cionalização caso se trate de um mercado muito restritivo. 2 O e-commerce e a globalização mercadológica O e-commerce pode ser definido como a troca de produtos e serviços intermediada pela internet. Esses bens podem ser materiais (caso em que são distribuídos de maneira off-line) ou imateriais, como algum tipo de serviço ou mesmo um software. Conforme Limeira (2007), diversos são os públicos envolvidos nessas transações comerciais, entre as quais: • C2C (consumer-to-consumer); • B2C (business-to-consumer); • B2B (business-to-business); • C2G (consumer-to-government); • B2G (business-to-government); • e G2G (government-to-government). 15 Desafios do marketing internacional e impulsos para a internacionalização M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. O e-commerce foi potencializado nos últimos anos pelo desenvol- vimento tecnológico, pela amplitude de acesso às tecnologias digitais e, mais recentemente, pela pandemia de covid-19, que impulsionou um crescimento vertiginoso dessa modalidade de comércio. Em 2020, de acordo com o portal eMarketer, o e-commerce mundial faturou 4,28 tri- lhões de dólares, apontando um crescimento de 27,6% em relação ao ano anterior (CEURVELS, 2021). A América Latina foi, pela primeira vez, a região de destaque em ter- mos de crescimento global do comércio eletrônico, com um aumento de 36,7%. Esse movimento foi fortemente impulsionado pela Argentina, cujo crescimento foi da ordem de 79% em relação ao ano de 2019. Vale pontuar, porém, que a América do Norte e o bloco asiático – liderados, respectivamente, por Estados Unidos e China –, embora já sejam mer- cados maduros, continuam apresentando um crescimento constante; o mercado chinês, por exemplo, cresceu, no ano de 2020, 27,5% em rela- ção ao ano anterior (CEURVELS, 2021). Verifica-se, portanto, que o comércio eletrônico, mesmo em merca- dos bastante maduros e desenvolvidos economicamente, ainda tem espaço para crescimento. Nesse sentido, as projeções das agências de pesquisa indicam que essa modalidade de comércio ainda crescerá muito nos próximos anos. Uma tendência muito forte do e-commerce são os marketplaces ou “mercados eletrônicos”, grandes plataformas digitais que conectam compradores e vendedores, sejam eles B2C, B2B ou C2C. Exemplos atuais de marketplaces com expressividade global são Amazon, Alibaba, eBay e Mercado Livre. Esse setor possibilita a criação de negócios globais com alta lucra- tividade, mas apresenta também fortes barreiras de entrada, como es- truturas tecnológicas sofisticadas, fortes parcerias comerciais, altos investimentos em comunicação e complexos processos logísticos. No 16 Gestão de marketing internacional M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Brasil, grandes varejistas, como Lojas Americanas e Magazine Luiza, es- tãomigrando para esse tipo de atuação no mercado. Podemos perceber, portanto, que o e-commerce é uma ferramenta importante para os planos empresariais em todos os níveis e setores. Contudo, além da internet, a internacionalização do negócio pode se dar por estratégias de multicanal, ou omnichannel, que integram espaços físicos e virtuais para potencializar a comercialização e a experiência do usuário com a empresa, seus produtos e suas marcas. Assim, pensar a internacionalização de uma instituição é também planejar seu alcance por meio de estratégias digitais e de distribuição física. Muitas vezes, empresas que não têm grande capacidade de tra- balhar com foco em lideranças de custos podem desenvolver ações que privilegiem espaços físicos integrados aos espaços on-line para se sustentarem em um mercado global. IMPORTANTE Algumas características do e-commerce internacional são: • ampliação do acesso a mercados externos; • sem interrupção, sem fusos horários; • concorrência global; • fusão entre distribuição e comunicação; • adequação de línguas (softwares de tradução); • facilitação de transações comerciais internacionais; • e dependência de uma ampla cadeia logística. Para o marketing, o processo de globalização é de extrema impor- tância, considerando que agora fornecedores, parceiros, concorrentes e clientes estão todos conectados globalmente à empresa. Sabendo 17 Desafios do marketing internacional e impulsos para a internacionalização M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. disso, a gestão de uma instituição e a gerência de marketing devem sempre pensar em estratégias baseadas nessa realidade global. No passado, a produção e o consumo de bens estavam restritos a um espaço regionalizado, atendendo às necessidades locais, dentro de uma economia local regida por regulamentações específicas. Com o tempo, o contexto regional foi se ampliando à medida que aumentava o desenvolvimento social, econômico, tecnológico e comunicacional. Assim, empresas passaram a expandir sua atuação, vislumbrando mer- cados mais amplos. Na atualidade, a globalização potencializa o marketing internacional, já que as fronteiras territoriais têm se diluído em decorrência da cone- xão econômica entre os blocos regionais, da homogeneização cultural e do desenvolvimento acelerado das tecnologias da comunicação. PARA PENSAR O açaí e seu processo de globalização • Produto regional: o açaí é um fruto típico da região amazônica; extraído das palmeiras pelos indígenas, foi, por muito tempo, um alimento exclusivamente consumido na região. • Produto nacional: nos anos 1990, surfistas cariocas descobriram o açaí e começaram a consumi-lo de formas variadas, adicio- nando guaraná em xarope; esse tipo de consumo se popularizou em todas as regiões do país, fazendo com que muitas indústrias brasileiras passassem a processar o fruto e a distribuí-lo em todo o território nacional. • Produto global: no início dos anos 2000, por conta da grande quan- tidade de pesquisas científicas sobre as propriedades medicinais do açaí, algumas indústrias farmacêuticas começaram a processar o fruto para transformá-lo em suplementos alimentares; hoje, o produto tem alcance global e é comercializado em grandes market- places sob a denominação de acai berry. 18 Gestão de marketing internacional M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 3 Propulsores da internacionalização Cada empresa, como um indivíduo organizacional, tem uma histó- ria específica que pode levá-la a internacionalizar seus negócios. Há, porém, fatores mais ou menos gerais que explicam esse tipo de deci- são. Atualmente, a internacionalização é cada vez mais usual e funciona como um recurso de reforço e alavancagem de competências empre- sariais, promovendo sua capacidade de competir e se sustentar em um mercado global. Muitos podem ser os motivos que fazem uma empresa se interna- cionalizar e se tornar global. Alguns deles se referem a questões mer- cadológicas, que impulsionam empresas a atuar em mercados exter- nos. Noutros casos, a própria empresa pode ter uma infraestrutura desenvolvida, canais de distribuição mais globais e uma capacidade de transferência de ferramentas de marketing. Os custos de produção, distribuição e comunicação também podem levar uma empresa a se internacionalizar (CZINKOTA; RONKAINEN, 2008). Os fatores macroambientais são igualmente influentes nesse cená- rio, assim como políticas públicas que incentivam a atuação de empre- sas transnacionais em mercados domésticos. Outro aspecto são os hábitos de consumo de uma população, frequentemente entendidos como uma oportunidade de negócios. A concorrência também pode ser uma promotora da internacionalização, já que impulsiona as empresas a aprimorar seus processos e a aumentar sua fatia de mercado, con- quistando mercados externos. 3.1 Propulsores internos Os propulsores internos são aqueles ligados a uma atuação proa- tiva da própria organização, que busca, segundo os seus objetivos or- ganizacionais, crescer por meio da internacionalização, conquistando e 19 Desafios do marketing internacional e impulsos para a internacionalização M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. aumentando a sua participação em mercados exteriores. Muitas vezes, essa disposição parte da saturação do mercado doméstico e da neces- sidade de manter o crescimento organizacional (SILVA; PEREZ, 2011). Hoje em dia, impulsionadas pelo desenvolvimento tecnológico e co- municacional, empresas de todos os portes e setores têm se mostrado mais proativas em relação às estratégias de internacionalização, espe- cialmente porque as TICs oferecem um maior acesso aos mercados e a um custo mais baixo. Uma empresa também pode ter o ímpeto de se internacionalizar ao atingir um estágio de maturidade, em que seus processos gerenciais e mercadológicos estão já bastante desenvolvidos, seus produtos e ser- viços já alcançaram as metas organizacionais dentro do mercado do- méstico e existe um potencial de crescimento e vontade gerencial para que esse movimento se consolide. 3.2 Propulsores externos Em alguns casos, o movimento em direção ao mercado internacio- nal pode se dar de forma reativa (SILVA; PEREZ, 2011). É o que ocorre, por exemplo, quando algumas empresas se internacionalizam e pres- sionam organizações parceiras a se internacionalizarem também, de modo que cheguem ao mercado externo com uma estrutura mais ro- busta e competitiva. Outra situação que impulsiona reativamente uma empresa são as propostas de investidores que desejam colocá-la em território inter- nacional. Esses foram os casos das empresas brasileiras Cantão e Carmen Steffens, que receberam propostas de terceiros para abrir lojas no mercado externo (KHAUAJA, 2009). Esse tipo de situação se coloca como um desafio para a organização, já que não há um planejamento prévio para a expansão internacional. 20 Gestão de marketing internacional M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD, d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Contudo, é também uma oportunidade para que o negócio cresça e ainda se fortaleça em território doméstico se a internacionalização for bem-sucedida, aumentando seu capital e valor de marca. Além disso, alguns negócios são conduzidos à internacionalização por sua própria natureza produtiva, como acontece com empresas de transporte aéreo e marítimo, que necessitam adquirir instalações em países estrangeiros. Mineradoras e outras indústrias que exploram combustíveis são frequentemente impulsionadas a atuar em mercados internacionais também, como é o caso da Petrobras. 3.3 Propulsores mistos Um dos motivadores para a atuação internacional é a redução de riscos. Com a diversificação geográfica, aumenta-se a base de consu- midores, o que permite contrabalancear situações desfavoráveis em alguns territórios com resultados melhores em outros. Assim, a inter- nacionalização é uma estratégia de prevenção tática, diminuindo riscos que se condicionam pela dependência excessiva de um mercado exclu- sivo (SILVA; PEREZ, 2011). Outro fator que motiva a internacionalização é a posibilidade de redu- zir custos, aproveitando economias de escala global. Empresas podem, por exemplo, decidir operar em países que sejam mais favoráveis à sua produção, aproveitando os insumos que são fabricados no próprio terri- tório onde as mercadorias serão produzidas. Podem, ainda, usufruir de uma mão de obra mais barata, legislações menos restritivas e taxações e impostos menos onerosos. Nesse sentido, a proximidade geográfica pode ser uma questão a ser levada em conta, primeiro pela redução de custos logísticos e de- pois pela possibilidade de firmar acordos comerciais que beneficiem todas as partes. Também assim com as características culturais e 21 Desafios do marketing internacional e impulsos para a internacionalização M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. linguísticas, que facilitam os processos comunicacionais e as relações organizacionais e de trabalho. Outro propulsor misto está ligado ao aproveitamento da imagem de um país a nível mundial. Muitas empresas se beneficiam do reconhe- cimento nacional de determinado produto ou serviço para impulsionar seu processo de internacionalização. Esse foi o caso da marca Lindt, que aproveitou a reputação e o prestígio nacional suíço na produção de chocolates para distribuir globalmente seus produtos. Podem existir ainda incentivos governamentais para que instituições internacionais invistam em seus territórios, oferecendo taxas reduzidas para a instalação de empresas em território nacional ou mesmo, em alguns casos, isenção de taxas por determinado período. Logo, é im- portante que as organizações interessadas no processo de internacio- nalização estejam atentas a esses movimentos, aproveitando de forma legítima as oportunidades colocadas pelo mercado internacional. Considerações finais Os processos gerenciais e de marketing demandam capacidade de decisão; esta, por sua vez, é uma atividade que requer sistematização e habilidade de adaptação. Para que uma organização decida se vai aden- trar no mercado internacional, é necessário, antes de mais nada, que seus gestores avaliem o mercado em que estão pretendendo atuar. A avaliação ambiental deve ser considerada junto dos objetivos organiza- cionais para que esse processo decisório se consolide. Tomada a decisão de entrar em um mercado internacional, seleciona- -se o país no qual se dará a internacionalização. Essa escolha, por sua vez, requer observar o ambiente e as forças que ali operam. É a partir desse ponto que começa de fato o planejamento estratégico, por meio do qual se determina como a empresa atuará no mercado exterior. 22 Gestão de marketing internacional M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Existem operadores que podem tanto impulsionar como paralisar o movimento de internacionalização. Forças motrizes são aquelas que impulsionam uma organização a comercializar em mercados externos e indicam os caminhos para que isso se dê. Já as forças restritivas são as que sugerem alerta, pois podem impedir ou dificultar o processo de internacionalização. Atualmente, a globalização já está bastante consolidada em várias partes do mundo e continua em franco avanço, o que propicia trocas comerciais a nível global. As TICs também incentivam a internaciona- lização dos negócios, que hoje podem ser desenvolvidos globalmente por meio do e-commerce. Os motivos por trás da internacionalização de uma empresa estão ligados tanto ao micro como ao macroambiente em que ela está inse- rida. Em alguns casos, a propensão ao cenário internacional vem de motivadores internos; noutras ocasiões, o ambiente externo estimula a globalização, assim como pode haver uma mistura de ambas as situa- ções. Esse processo sempre envolve riscos organizacionais, mas, quan- do superados, estes podem levar a boas oportunidades de negócio e transformar uma empresa local em uma marca global. Referências BUSCH, Alexander. Mercosul completa 30 anos diante de paralisação e encruzilhada. Uol Economia, 26 mar. 2021. Disponível em: https://economia. uol.com.br/noticias/deutsche-welle/2021/03/26/mercosul-30-anos-america- do-sul-brasil-argentina-paraguai-uruguai.htm. Acesso em: 15 mar. 2022. CEURVELS, Matteo. Latin America Ecommerce Forecast 2022. eMarketer, New York, 14 jul. 2021. Disponível em: https://www.emarketer.com/content/latin- america-ecommerce-forecast-2021. Acesso em: 15 mar. 2022. CZINKOTA, Michael; RONKAINEN, Ilkka. Marketing internacional. São Paulo: Cengage Learning, 2008. E-book. https://www.emarketer.com/content/latin https://economia 23 Desafios do marketing internacional e impulsos para a internacionalização M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. KEEGAN, Warren. Marketing global. 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