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25 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 2 Tipos de canais Após o entendimento do capítulo 1, que apresentou configuração, estrutura, funcionamento do canal de marketing, assim como diferen- tes configurações e estruturas, este segundo capítulo mostra, de forma mais detalhada, os intermediários, ou seja, os participantes do canal de marketing. São eles: o atacado, o varejo e suas tendências. Alvarez (2008) afirma que existem duas formas de as indústrias acessarem mercados: da forma direta ou indireta. O fabricante sele- cionará uma das formas de acordo com seu tamanho, considerando capacidade produtiva, de vendas e sua estratégia de abrangência geo- gráfica. Caso a indústria selecione a forma indireta, necessitará a ajuda 26 Gestão de Trade Marketing, Canais e Logística M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .de intermediários como atacadistas e varejistas para estar à disposição de seu consumidor. O autor aponta dois intermediários no canal de marketing que ajudarão o fabricante que escolheu a forma de acesso indireto ao mercado: ataca- distas e varejistas. Este capítulo detalhará suas estruturas e funções que tornem sua participação no canal de marketing eficaz e eficiente. 1 Atacados: funções, importância, operação e modelos, políticas comerciais, destaque para centro de distribuições e atacarejos Alvarez (2008) caracteriza o atacadista como uma empresa envol- vida com a compra de produtos com o objetivo de revender a outras empresas, sejam elas varejistas, outros atacadistas ou mesmo eventu- almente venda direta para consumidores. O autor descreve o atacado como empresas que • são completamente independentes dos fabricantes de bens de consumo, desenvolvendo relacionamentos comerciais de com- pra direta, escolhendo os fabricantes dos quais querem comprar seus respectivos produtos. • costumam trabalhar com diferentes linhas de produtos, abran- gendo categorias de bens de consumo não duráveis como ali- mentos, bebidas, higiene pessoal e higiene do lar. • trabalham com grande quantidade de clientes. Estão de portas abertas recebendo centenas ou mesmo milhares de médios e pe- quenos varejistas todos os dias, assim como consumidores em suas lojas espalhadas por todo o Brasil. Kotler e Keller (2018) trazem definições que complementam as colo- cações de Alvarez. Kotler e Keller realçam a importância do atacadista 27Tipos de canais M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. no sistema de distribuição por conseguirem gerar valor ao canal de marketing ao ajudarem fabricantes a alcançar uma maior quantidade de clientes a baixo custo. Além disso, ao selecionarem diferentes cate- gorias de produtos de distintos fabricantes, auxiliam varejistas a organi- zar seu sortimento de itens em parte relacionando-se com apenas um fornecedor, economizando tempo e trabalho. Esses mesmos autores (2018) salientam que a importância do ata- cadista, por vezes desconhecido do grande público, está na sua capa- cidade de quebrar os lotes de vendas dos fabricantes, isto é, compram caminhões ou paletts de produtos e revendem caixas para os varejistas. Os atacadistas, por serem intermediários do canal de marketing, tam- bém podem assumir o papel de financiadores de seus clientes, conce- dendo crédito para compras com pagamentos das faturas em algum momento futuro. A figura 1 é uma imagem genérica de depósito ataca- dista. Note a quantidade de paletts estocados. Esta figura apresenta o ponto intermediário do atacadista, compra de caminhões de um mes- mo produto, para revender caixas a seus clientes. Figura 1 – Depósito de atacadista 28 Gestão de Trade Marketing, Canais e Logística M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .O atacado é formado por diferentes modelos. Até o momento apre- sentamos o mais genérico que explica sua função básica de comprador de grandes volumes de diferentes fabricantes, revendendo caixas de produtos a outro atacadistas, varejistas e até mesmo a consumidores. A seguir, Kotler e Keller (2018) destacam alguns modelos atacadistas: • Atacadistas de serviço completo: oferecem uma linha de servi- ços que inclui manutenção de estoque, força de vendas, oferta de crédito, serviços de entrega à assistência administrativa. • Atacadistas de serviço limitado “pague-e-leve”: trabalham com linhas de bens de consumo de alto giro, vendendo à vista para pe- quenos varejistas, e usualmente têm uma grande loja para rece- ber seus clientes. Os clientes dentro deste atacadista selecionam seus produtos, passam por um caixa para pagar e transportam os produtos até seu estabelecimento. Este modelo no Brasil também é conhecido como atacarejo, pois recebe tanto pequenos varejis- tas associados como consumidores que buscam um preço mais baixo por item ao comprarem caixas de um mesmo produto. • Atacadistas de serviço limitado abastecedor: são empresas que atendem pequenos varejistas e drogarias, usualmente com itens não alimentícios. Enviam caminhões de entregas para as lojas conforme o pedido realizado. Ao apresentarmos o atacado, também devemos abordar outras duas formas similares de trabalho de fracionamento de produtos. Seus objetivos são os mesmos, mas com formas diferentes de trabalhar. Estamos falando de centros de distribuição e do atacarejo. Como os atacadistas, o centro de distribuição participa dos canais de marketing ao comprarem paletts de produtos e revenderem caixas desses produtos para os varejistas. Alvarez (2008) apresenta uma série de características que difere os centros de distribuição dos atacadistas. São elas: 29Tipos de canais M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. • Em geral, mantêm vínculo com um fabricante para trabalhar com exclusividade total na representação deste fabricante ou pelo menos com linhas específicas de produtos. Dificilmente você en- contrará um centro de distribuição vendendo xampu da Unilever, Johnson & Johnson e Procter & Gamble, provavelmente terá vín- culo de exclusividade com apenas um desses fabricantes. • Sua atuação geográfica é determinada pelo fabricante com o qual é vinculado. O fabricante seleciona uma área específica de tra- balho, isto é, municípios nos quais o centro de distribuição tem permissão para vender os produtos. • Usualmente, seguem as estratégias de marketing do fabricante ao qual estão vinculados, com uma política de preços que deri- va do fabricante, bem como distribuição e aplicação de material para o ponto de venda varejista. O atacarejo é um formato de empresa participante do canal de dis- tribuição que nasceu como um atacadista de serviço limitado pague- -e-leve, que revendia produtos apenas para pequenos varejistas e pas- sou a vender para consumidores. Este é um modelo difundidono Brasil uma vez que o preço médio unitário do produto é inferior ao equivalente encontrado num supermercado tradicional, atraindo a atenção de pes- soas que buscam economizar. Algumas das maiores redes que atuam no formato atacarejo no Brasil são: Makro, Assaí, Tenda, Roldão, Spani, Atakarejo, Villefort e Mart Minas. A empresa holandesa Makro foi a pioneira desse modelo no Brasil ao inaugurar sua primeira loja em 1972. Para oferecer preços convidativos para pequenos varejistas e consumidores, as lojas se caracterizam pelo grande tamanho, não raro acima de 5.000 m2, usualmente em avenidas de fácil acesso ou à beira de rodovias pelo Brasil. Têm estrutura enxu- ta e rústica, por vezes sem a presença de ar-condicionado, buscando reduzir seu custo de operação com o objetivo de vender produtos com preços convidativos. 30 Gestão de Trade Marketing, Canais e Logística M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Completando a lógica de preços convidativos, os produtos são ven- didos em caixas ou frações de caixa, que costumam estar em grandes racks, sem capricho em sua exposição. O atacarejo tem número redu- zido de funcionários, na sua maioria direcionados para o reabasteci- mento de produtos na área de vendas. Todo esse modelo espartano foi desenvolvido para atrair pequenos varejistas e consumidores que estão mais preocupados com o preço do que com a experiência de compra dentro da loja atacarejista. 2 Varejo: funções, importância e modelos, políticas comerciais, destaque para o consumidor e estratégia de segmentação de varejo Alvarez (2008) caracteriza o varejo como empresas participantes do canal de marketing que têm relacionamento comercial de venda para os consumidores. O varejo tem a função de organizar sob um mesmo teto diversas categorias de produtos e, principalmente, apre- sentar diferentes marcas, colocando à disposição do consumidor con- correntes lado a lado para comparação direta de atributos funcionais e preço. Varejo é toda atividade que contempla o processo de vendas de produtos e serviços que atendem uma necessidade do consumidor. É o local onde o consumidor se relaciona com diferentes ofertas e faz a sua decisão de compra. No Brasil existem mais de 2 milhões de pontos de venda varejistas que vão de pequenas mercearias, lanchonetes, perfumarias até grandes redes especializadas em diferentes categorias de bens de consumo duráveis ou não duráveis. O varejista usualmente reúne ampla gama de produtos para atrair consumidores e se tornar referência na hora de atender uma necessidade de um grupo de consumidores. É um ponto de encontro de diversos ofertantes com os consumidores. Alvarez (2008) salienta algumas características dos varejistas: 31Tipos de canais M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. • Costumam manter relacionamentos independentes com diferen- tes fornecedores, chegando a ter milhares deles, como as gran- des redes varejistas que atuam no Brasil como o Grupo Pão de Açúcar e o Carrefour. • Trabalham com variadas marcas de produtos e grande amplitude de produtos. • Organizam sua própria política de marketing, determinando quais produtos serão vendidos a seus consumidores, ajustando seus preços e selecionando quais serão destacados e promovidos em suas lojas. • Assumem diferentes modelos de negócios de acordo com sua especialização. Podem ser supermercados, farmácias, lojas de eletrônicos, vestuários, brinquedos, livrarias, utilidades domésti- cas, etc. As figuras 2, 3 e 4 ilustram diferentes formas que o varejo pode apre- sentar como um supermercado, uma loja de brinquedos e uma farmácia. Figura 2 – Supermercado 32 Gestão de Trade Marketing, Canais e Logística M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Figura 3 – Loja de brinquedos Figura 4 – Farmácia Kotler e Keller (2018) explicam que o varejo é uma empresa que engloba atividades envolvidas na venda de bens ou serviços dire- tamente para consumidores para uso pessoal, e não corporativo. A maior parte do varejo é composta por lojas físicas, mas desde o fim do século XX temos a proliferação do varejo sem loja, que conhece- mos como lojas on-line. 33Tipos de canais M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Parente e Barki (2014) destacam quatro formas de classificar o varejo: 1. Varejo alimentício com lojas: local de venda de alimentos para consumo imediato ou futuro. Apresenta ampla variedade de mo- delos de negócios e amplitude de especificações para distintas ocasiões de consumo, como bares, mercearias, padarias, merca- dos, lojas de conveniência, atacadistas. 2. Varejo não alimentício com lojas: dividido de forma abrangente em lojas especializadas em categorias de produto ou lojas de de- partamento. As lojas especializadas em linhas de produtos são: brinquedos, calçados, móveis, livros, confecções. Há sortimento profundo e tende a ser segmentado para os diferentes públicos. 3. Varejo de serviço: são varejos que prestam serviços usualmente especializados como escolas, academias, clínicas, salões de be- leza, lavanderias, cinemas e bancos. 4. Varejo sem loja: acesso à internet, comodidade, fácil e rápida pesquisa e tecnologia permitiram que empresas varejistas se apresentem aos consumidores sem ter uma única loja física de- senvolvendo o varejo virtual. Desafio: ser reconhecido em um am- biente com baixa barreira de entrada e muita concorrência. O varejo reúne uma série de vantagens em relação a outros participan- tes. De acordo com Alvarez (2008), o varejista se destaca ao ser compa- rado aos fabricantes e outros intermediários do canal de distribuição por: • Contato direto e contínuo com os consumidores: interação e comunicação de símbolos, imagens e relacionamento e contato com pessoas. Os funcionários são interlocutores do varejista e dos produtos e serviços que este oferta a seus clientes. 34 Gestão de Trade Marketing, Canais e Logística M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .• Controle sobre as variáveis de marketing no ponto de venda: o varejista define o seu mix de produtos, bem como o preço de venda e qual promoção desenvolverá. O varejista define também a exposição e organização da sua loja. • Formação de base de dados: a informatização permite ao varejis- ta entender os hábitos e atitudes de seus consumidores podendo moldar-se rapidamente. • Desenvolvimento de marcas próprias: preço competitivo em ca- tegorias em que a funcionalidade é mais relevante que a raciona- lidade, usualmente em bens de consumo não duráveis. • Concentração do mercado traz o poder de negociação para o varejista: oobjetivo é o consumidor, que seleciona suas ofertas dentro do varejista, e não no fabricante. • Uso de espaços e comunicação para gerar receita: pontas de gôndola, corredores mais frequentados, tabloides, promoções se tornaram produtos de negociação com os fabricantes. Não podemos esquecer que o modelo de varejo é consequência de uma série de atributos que trouxe facilidade e conveniência para os consumidores de determinado mercado. Pela óptica dos consumido- res, o varejo é apreciado por se disponibilizarem diferentes produtos e serviços, atendendo às necessidades de diferentes consumidores e economizando seu tempo ao oferecerem tudo isso em um mesmo local. Não raro, em uma mesma categoria, inúmeras marcas, produtos de diversos tamanhos, preços e benefícios funcionais, ao alcance de nossas mãos, facilitando a aquisição de muitas categorias em um úni- co processo de compra. 35Tipos de canais M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 3 Varejo 4.0: conceitos de novo showroom, loja conceito, store in store, store in home, retailment, rent, resale, refurbish e community stores O varejo 4.0 é caracterizado pela utilização da tecnologia e da in- ternet para realizar vendas, conciliando o mundo virtual com o mundo físico. Visa atender à demanda dos consumidores, proporcionando um relacionamento entre ofertante e demandante além da presença física no ponto de venda. O termo varejo 4.0 utiliza a mesma lógica do termo indústria 4.0. O conceito de indústria 4.0 parte do princípio da utiliza- ção da tecnologia como forma de automação e troca de dados entre as etapas de um processo produtivo, para o aumento da eficiência e pro- dutividade. Usa-se como sinônimo o termo “fábricas inteligentes” em que sistemas ciberfísicos monitoram a produção, avaliam alternativas e tomam decisões autônomas de como aumentar a eficiência produtiva. A tecnologia permite a formação de um banco de dados mais preci- so, possibilitando ao varejista conhecer os hábitos de seus consumi- dores, desenvolvendo um relacionamento mais customizado entre as duas partes. A tecnologia e a internet também propiciam o registro de opiniões, dando voz e amplitude para pontos de vista, que podem ser elogiosos ou críticos. A tecnologia traz ainda facilidades para o varejista e para o consu- midor ao permitir interações instantâneas mesmo a distância, bem como a identificação de preferências de cada consumidor; dessa for- ma, ficou mais fácil oferecer o produto certo para a pessoa certa. Cabe ao varejista fazer a gestão das preferências de seus consumidores mais frequentes. 36 Gestão de Trade Marketing, Canais e Logística M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Alguns novos modelos de varejo têm surgido como alternativas às tradicionais lojas físicas, sejam pontos de venda de autosserviço ou atendimento pessoal. Destacam-se: • Showrooming: ponto de venda voltado para a apresentação de bens de consumo, com variedade de produtos, voltados para experimentação. Neste modelo de varejo, o foco está no atendi- mento mais técnico, com equipe de vendas que conhece o que está sendo vendido nos mínimos detalhes. São pontos de ven- da de menor metragem uma vez que não possuem estoque de produtos. Os itens selecionados pelos consumidores são pedi- dos em terminais conectados via internet a um depósito central. Após feito o pedido e pagamento confirmado, os produtos são enviados para a casa do consumidor ou para uma das lojas da empresa para retirada. Vantagens: apresentação de um portfólio mais completo de produtos, com um atendimento mais técnico. Desvantagem: impossibilidade de comprar o produto e levar para casa imediatamente. • Loja conceito: uma rede varejista seleciona um local físico em uma rua de movimento e de fácil acesso para montar uma loja de maiores proporções que a média existente, com o objetivo de aplicar inovações, seja em forma de produto, processo de atendi- mento ou mesmo ambientação. Trata-se de um ponto de venda experimental com a apresentação do que há de mais tecnológico e inovador por parte do varejista. Também costuma ser a loja de destaque para apresentação de lançamentos. Vantagens: ampli- tude do ponto de venda, teste de inovações, experiência do con- sumidor. Desvantagens: elevado custo operacional. • Store in store: como o nome em inglês expressa, é uma loja den- tro de outra loja. Ocorre quando uma loja é aberta dentro de outra loja, podendo ser de atividades diferentes ou de atividades com- plementares. Um exemplo que tínhamos no Brasil de lojas com 37Tipos de canais M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. atividades diferentes era a parceria de lojas de café Starbucks dentro das livrarias Saraiva. Os pontos de venda com o objetivo de atividades complementares são comuns nas lojas de depar- tamentos nos Estados Unidos. É comum, na seção de roupas de uma loja de departamento, como a Macy’s, existir um espaço exclusivo, por exemplo, para a marca Levi’s. Trata-se de um es- paço que concentra as roupas da Levi’s, em que se destaca a am- bientação independente, seguindo os padrões de comunicação e apresentação da marca. Vantagens: organização de marcas por grupo facilitando o percurso do consumidor dentro do ponto de venda, seleção de marcas destacadas atraindo novos consu- midores para a loja física, otimização de espaço. Desvantagens: mobiliário desenvolvido de acordo com a programação visual dos fornecedores dificilmente poderá ser reutilizado, eventualmente uma marca destacada perderá a relevância com seus consumi- dores e ocupará um espaço de pouco volume de vendas até o fim do contrato. A figura 5 exemplifica uma loja de departamento com o conceito store in store. Figura 5 – Loja de departamento 38 Gestão de Trade Marketing, Canais e Logística M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .• Store in home: uma alternativa de alto custo que pode ser viabi- lizada se utilizada com consumidores de alto poder aquisitivo e disposição para a compra. Como o nome diz, trata-se de organi- zar e apresentar uma quantidade de produtos diretamente na casa do consumidor. Vantagens: atendimento direto e personalizado. Desvantagens: custo operacional elevado e dedicação de tempo para apenas um consumidor. • Retailment: a junção de duas palavras em inglês, retail e enter- tainment, que podem ser traduzidas como varejo e entreteni- mento. O retailment tem como objetivo gerar uma experiência de compra que permita ao consumidor se sentir mais à vontade dentro do ponto de venda, unindo apresentação de produtos com espaços para convivência, como cafeterias, bares ou lounges. Vantagens: maior atratividade de público para a loja, bem como maior potencial de tempo deste consumidor no ponto de venda. Desvantagens: necessidade de espaços amplos para a instalação de ambientes para convivência. • Rent, resale e refurbish: esta tendência deriva da adaptação de redes varejistas aum novo comportamento de compra por parte dos consumidores. Traduzindo as palavras, temos: rent é alugar, resale é revender e refurbish é recondicionar. Alguns varejistas de olho neste novo comportamento de consumidores, que não es- tão dispostos a ter a posse permanente de itens, começaram a desenvolver linhas de produtos voltados para a locação. Assim, abriram espaços no seu ponto de venda para produtos usados ou mesmo recondicionados para serem revendidos. Vantagens: o varejista será referenciado como uma empresa que tem consci- ência ecológica e social, atendendo um segmento de consumido- res que valoriza essa característica. Desvantagem: potencial de desenvolver um estoque elevado e apresentação de peças únicas que não necessariamente atendem todos os consumidores. Por exemplo, um belíssimo par de tênis colocado para revenda que, 39Tipos de canais M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. com muita sorte, será do tamanho adequado às características físicas do consumidor. • Community stores: este é um conceito que já é difundido nos Estados Unidos onde um varejista abre lojas que atendem neces- sidades de uma microrregião, aproximando o ponto de venda da comunidade e buscando fazer parte dela. Vantagens: aderência à população local, reconhecimento dos consumidores com os fun- cionários. Desvantagens: limite operacional atrelado à atrativida- de de uma microrregião. Considerações finais Os canais de marketing têm formas distintas e específicas de atu- ação. Neste capítulo, conhecemos os objetivos, estratégias e estrutu- ras de empresas atacadistas e varejistas. As empresas atacadistas, que servem de intermediárias entre a indústria e o varejo, por vezes são invisíveis aos olhos dos consumidores, mas apresentam papel relevante ao auxiliarem os fabricantes a colocar seus produtos à dis- posição dos consumidores. Os atacadistas estabelecem relacionamentos com diversos fabri- cantes, comprando grandes volumes de bens de consumo, assumindo riscos financeiros e se relacionando com centenas de varejistas, uma operação complexa e de alto custo, imprescindível para qualquer fabri- cante que tem no seu planejamento a procura por uma atuação regional ou mesmo nacional. Os varejistas têm a responsabilidade de apresentar diferentes pro- dutos aos consumidores, fechando o ciclo dos canais de distribuição. A operação é complexa, pois desenvolvem relacionamentos com cen- tenas de fornecedores para atender milhares de consumidores. Os va- rejistas desenvolveram vários formatos de pontos de venda, necessi- tam continuamente se adaptar aos consumidores, como também se 40 Gestão de Trade Marketing, Canais e Logística M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .organizar rapidamente para apresentar novos formatos para manter sua atratividade. Pelo olhar de um consumidor, entendemos de forma tácita como funciona um varejo, nada mais que uma loja cheia de produtos de cate- gorias variadas ou não. Poucos consumidores percebem todo o esforço e organização de recursos financeiros, prazos e produtos que os inte- grantes do canal de marketing investem, desenvolvendo uma cadeia de relacionamentos entre fabricante e consumidor. A gestão de circulação de produtos, informações e dinheiro tem um só objetivo: atender dife- rentes pessoas e suas diferentes necessidades. Referências ALVAREZ, F. M. Trade marketing: a conquista do consumidor no ponto de venda. São Paulo: Saraiva, 2008. E-book. KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de marketing. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2018. E-book. PARENTE, J.; BARKI, E. Varejo no Brasil: gestão e estratégia. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2014.