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Anatomia aplicada do tórax e dorsoSara Vasconcelos • Anatomia de superfície do tórax: • Principais Lesões Torácicas Traumáticas: —> Fraturas de costelas: podem ser isoladas ou múltiplas (tórax instável ou “volet costal”). —> Pneumotórax: colapso pulmonar devido à presença de ar na cavidade pleural. —> Hemotórax: acúmulo de sangue no espaço pleural, reduzindo a capacidade respiratória. —> Contusão pulmonar: lesão no parênquima pulmonar, levando à inflamação e dificuldade respiratória. —> Tamponamento cardíaco: acúmulo de sangue no pericárdio, comprimindo o coração e reduzindo seu funcionamento. 📍 (Contusão pulmonar e fratura de costelas) 📍📍 (Hemotórax e pneumotórax) 📍 • Tipos de hérnia diafragmatica: 1. Congênita: Presente desde o nascimento devido a um defeito no desenvolvimento do diafragma. Os tipos mais comuns são: • Hérnia de Bochdalek: Mais comum, geralmente no lado esquerdo. • Hérnia de Morgagni: Mais rara, geralmente no lado direito. 2. Adquirida: Surge ao longo da vida, podendo ser causada por trauma (como acidentes) ou aumento da pressão intra- abdominal. + Sintomas: • Hérnia congênita: Pode causar dificuldade respiratória grave ao nascer, cianose (pele azulada), abdômen escavado e tórax expandido. • Hérnia adquirida: Pode ser assintomática ou causar dor torácica, refluxo, azia, dificuldade para respirar e sensação de plenitude abdominal. • tamponamento cardíaco: O tamponamento cardíaco é uma condição grave em que há acúmulo excessivo de líquido, sangue ou ar no espaço pericárdico (entre o coração e o pericárdio), causando compressão do coração e comprometendo sua capacidade de bombear sangue adequadamente. + Causas: —> Trauma torácico (perfurações, fraturas de costela) —> Dissecção de aorta —> Pericardite (inflamatória ou infecciosa) —> Neoplasias (tumores que afetam o pericárdio) —> Complicações de procedimentos médicos (cirurgias cardíacas, punção pericárdica) + Sinais e Sintomas (Tríade de Beck): 1. Hipotensão arterial (queda da pressão arterial devido à redução do débito cardíaco) 2. Turgência jugular (dilatação das veias do pescoço, indicando dificuldade do sangue em retornar ao coração) 3. Bulhas cardíacas abafadas (som do coração reduzido devido ao líquido ao redor) • Afundamento torácico: O afundamento torácico pode ter várias causas e manifestações clínicas, sendo as principais: 1. Peito Escavado (Pectus Excavatum): —> Deformidade congênita caracterizada pelo afundamento do esterno e das cartilagens costais. —> Pode causar compressão pulmonar e cardíaca, levando a cansaço fácil e sintomas respiratórios. 2. Fraturas Costais com Depressão: —> Ocorrem após trauma torácico grave (acidentes de trânsito, quedas). —> Pode causar dor intensa, insuficiência respiratória e risco de pneumotórax. 3. Tórax Instável (Volet Costal): —> Ocorre quando múltiplas costelas são fraturadas em mais de um ponto, resultando em um segmento móvel do tórax. —> Caracteriza-se por movimento paradoxal na respiração (o segmento afunda na inspiração e sobe na expiração). —> Pode causar insuficiência respiratória grave e requer suporte ventilatório e estabilização cirúrgica. • lesão a traqueia cervical: A lesão da traqueia cervical e torácica é um tipo grave de trauma que compromete a porção da traqueia localizada no pescoço, podendo levar à insuficiência respiratória e risco de morte se não tratada rapidamente. + Causas: —> Trauma penetrante: Ferimentos por arma branca ou de fogo. —> Trauma contuso: Acidentes automobilísticos (impacto direto no pescoço, como colisão contra o volante), enforcamento, agressões. —> Iatrogênico: Complicações de intubação, traqueostomia ou broncoscopia. —> Queimaduras inalatórias: Exposição a calor intenso ou substâncias químicas. + Sintomas: —> Enfisema subcutâneo cervical (crepitação no pescoço devido à passagem de ar para os tecidos). —> Estridor (ruído respiratório indicativo de obstrução). —> Tosse com sangue (hemoptise). —> Rouquidão ou afonia (se houver lesão associada da laringe ou das cordas vocais). —> Dispneia intensa e cianose. —> Dificuldade para engolir (disfagia), se houver lesão esofágica associada. 📍 (Tórax instável) 📍📍 (Peito escavado) 📍 • costela cervical: A costela cervical é uma anomalia congênita caracterizada pela presença de uma costela extra que se origina da sétima vértebra cervical (C7). Essa estrutura pode ser unilateral ou bilateral e, dependendo do tamanho e da posição, pode ser assintomática ou causar compressão neurovascular. + Causas e Fatores de Risco: —> Anomalia congênita do desenvolvimento ósseo. —> Pode estar associada à Síndrome do Desfiladeiro Torácico, quando comprime nervos ou vasos sanguíneos. + Sintomas (se houver compressão): —> Sintomas neurológicos: Dor, formigamento e fraqueza no braço devido à compressão do plexo braquial. —> Sintomas vasculares: Frio, palidez, inchaço ou cianose do braço devido à compressão da artéria subclávia. —> Diminuição ou ausência do pulso radial (sinal de Adson positivo). • fratura de esterno: A fratura do esterno ocorre quando o osso esternal, localizado no centro do tórax, se quebra devido a um trauma direto. Essa lesão é relativamente rara, mas pode acontecer em acidentes de carro (devido ao impacto do cinto de segurança ou do volante), quedas, pancadas fortes ou até mesmo durante atividades esportivas de alto impacto. + Sintomas: Dor intensa no peito, piorando com movimentos ou respiração profunda Inchaço e sensibilidade no local da fratura Dificuldade para respira Possível deformidade visível ou hematoma na região + Complicações possíveis: Lesão em órgãos internos (coração, pulmões) Dificuldade respiratória Infecção se houver ferimentos associados • regiões da coluna e suas curvaturas: A coluna vertebral é dividida em cinco regiões, cada uma com sua curvatura característica: + Região Cervical (7 vértebras - C1 a C7): —> Curvatura: Lordose cervical (convexa para frente) —> Função: Suporte da cabeça e mobilidade do pescoço. + Região Torácica (12 vértebras - T1 a T12): —> Curvatura: Cifose torácica (côncava para frente) —> Função: Proteção dos órgãos torácicos e suporte das costelas. + Região Lombar (5 vértebras - L1 a L5): —> Curvatura: Lordose lombar (convexa para frente) —> Função: Sustentação do peso do corpo e mobilidade do tronco. + Região Sacral (5 vértebras fundidas - S1 a S5): —> Curvatura: Cifose sacral (côncava para frente) —> Função: Ligação da coluna com a pelve, estabilidade e suporte. + Região Coccígea (4 vértebras fundidas - cóccix): —-> Sem curvatura significativa —> Função: Remanescente da cauda embrionária, auxilia na sustentação ao sentar-se. • regiões da medula espinal: A medula espinal é dividida em cinco regiões, que correspondem às regiões da coluna vertebral. + Cervical (C1 a C8): —> Contém 8 pares de nervos espinais (apesar de haver apenas 7 vértebras cervicais). —> Controla músculos do pescoço, diafragma, braços e parte das mãos. + Torácica (T1 a T12): —> Contém 12 pares de nervos espinais. —> Controla músculos do tronco e parte do abdômen. + Lombar (L1 a L5): —> Contém 5 pares de nervos espinais. —> Responsável pela inervação das pernas, parte inferior do abdômen e pés. + Sacral (S1 a S5): —> Contém 5 pares de nervos espinais. —> Inerva a região pélvica, órgãos genitais, parte das pernas e pés. + Coccígea (Co1): —> Contém 1 par de nervo espinal. —> Inerva a região do cóccix, com função sensorial reduzida —> A medula espinal termina na altura da L1-L2, formando a cauda equina, um conjunto de raízes nervosas que continuam descendo pela coluna lombossacral. • anatomia de superfície: A anatomia de superfície do dorso refere-se aos marcos anatômicos que podem ser observados ou palpados na parte posterior do corpo (costas). + Vértebras e Coluna Vertebral: —> Processos espinhosos: podem ser palpados no centro do dorso, especialmente da C7 (a mais saliente na base do pescoço) até osacro. —> Sulco vertebral: depressão ao lado da coluna, onde passam músculos como o eretor da espinha. + Escápulas: —> Espinha da escápula: facilmente palpável, divide a escápula em fossas supraspinhal e infraespinhal. —> Ângulo inferior da escápula: localiza-se aproximadamente ao nível da vértebra T7. —> Ângulo superior da escápula: próximo à vértebra T2. + Músculos superficiais: —> Trapézio: músculo em forma de losango; visível e palpável do pescoço até a parte média das costas. —> Latíssimo do dorso: grande músculo das costas inferiores, ativo em movimentos de extensão e adução do braço. —> Romboides (maior e menor): profundos ao trapézio, entre a escápula e a coluna. —> Músculo eretor da espinha: massa muscular ao longo da coluna, responsável por manter a postura. + Outras referências anatômicas: —> Cristas ilíacas: podem ser palpadas na região lombar, a linha que as conecta passa por L4, útil em punções lombares. —> Ângulo lombocostal: formado entre as costelas inferiores e a musculatura lombar. —> Sulco interglúteo: separa as nádegas, marcando a linha média inferior do dorso. • trigono da ausculta: + Limites do trígono da ausculta: —> Medial: borda lateral do músculo trapézio —> Inferior: borda superior do músculo latíssimo do dorso. —> Lateral/Superior: borda medial da escápula ou do músculo romboide maior. + Chão (fundo): —> Constituído pelos músculos oblíquos do abdome e pelas costelas, principalmente o espaço intercostal entre a 6ª 7º costelas. + Importância clínica: —> Como há menos músculos sobre as costelas nessa área, é o local ideal para auscultar os sons pulmonares, especialmente nos lobos inferiores dos pulmões. —> A escápula pode ser deslocada anteriormente (como quando o paciente cruza os braços à frente) para aumentar o espaço do trígono e melhorar a escuta. - • trigonos lombares: 1. Trígono lombar inferior (Trígono de Petit): + Limites: —> Medial: borda lateral do músculo eretor da espinha —> Lateral: borda medial do músculo oblíquo externo do abdome —> Inferior: crista ilíaca —> Assoalho: músculo oblíquo interno do abdome —> Teto: pele e tecido subcutâneo + Importância clínica: —> Região relativamente fraca da parede posterior abdominal. —> Pode ser local de hérnia lombar inferior, embora seja rara. 2. Trígono lombar superior (Trígono de Grynfeltt-Lesshaft): + Limites: —> Medial: borda lateral do músculo eretor da espinha (quadrado do lombo) —> Lateral: músculo oblíquo interno —> Superior: 12ª costela —> Assoalho: músculo transverso do abdome —> Teto: músculo oblíquo externo + Importância clínica: —> Também é um ponto de fraqueza anatômica. —> Pode ser local de hérnia lombar superior, um pouco mais comum que no trígono de Petit. • Medula espinhal e espaço subaracnoide: + Medula Espinhal: —> Se estende do forame magno (na base do crânio) até aproximadamente o nível da vértebra L1 ou L2 nos adultos. —> Está protegida pela coluna vertebral, meninges e líquido cerebrospinal. + Funções: —> Transmite sinais nervosos entre o cérebro e o corpo. —> Contém circuitos reflexos. —> Origina 31 pares de nervos espinhais (cervicais, torácicos, lombares, sacrais e coccígeos). + Espaço Subaracnoide: —> É o espaço entre as meninges aracnoide e pia-máter. —> Contém o líquido cerebrospinal (LCR), que protege e nutre a medula. —> Se estende desde o encéfalo até S2, mesmo após o fim da medula. + Importância clínica: É o local onde se realiza a punção lombar, geralmente entre L3-L4 ou L4-L5, para coletar LCR, pois: A medula termina em L1–L2. Abaixo disso está a cauda equina, onde é mais seguro inserir uma agulha sem risco de lesão medular. Relação entre ambos: A medula espinhal está suspensa no espaço subaracnoide, envolvida por LCR. A pia-máter reveste diretamente a medula, enquanto a aracnoide está mais externa, separada pela presença do LCR. Se quiser, posso gerar uma imagem anatômica mostrando a medula, meninges e o espaço subaracnoide. Deseja visualizar?