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Máyra Dias T38 MECANISMOS DE ADAPTAÇÃO CELULAR 1. CONCEITO GERAL Toda célula viva busca homeostasia, ou seja, equilíbrio funcional diante de estímulos externos. Quando ocorre um estresse (mudança ambiental, hormonal, física, química ou infecciosa), a célula responde tentando se adaptar. → Se o estímulo for moderado e de curta duração, a resposta é reversível (adaptação). → Se o estímulo for intenso e prolongado, ocorre lesão irreversível e morte celular (necrose ou apoptose). Comentário do professor: “A célula é inteligente. Ela primeiro tenta se ajustar; se não der, ela desliga — morre para não causar mais dano.” Determinantes da resposta celular: → Tipo de célula (ex.: neurônio ≠ hepatócito). → Intensidade e duração do estímulo. → Estado metabólico e genético. → Capacidade de regeneração tecidual. 1.1. Introdução e Contexto Quando uma célula ou tecido é submetido a um agente agressor (traumático, químico, microbiológico, autoimune etc.), sua resposta dependerá da intensidade e duração da lesão e da capacidade intrínseca do tecido de resistir. → Lesões intensas e rápidas → morte celular (necrose ou apoptose). → Lesões leves e prolongadas → adaptação celular e tecidual. A adaptação celular é, portanto, a mudança reversível no tamanho, número, fenótipo ou função das células em resposta a estímulos ambientais, permitindo que o tecido sobreviva e mantenha função. Comentário do professor: “A célula se adapta para não morrer. Mas se o estímulo for maior do que ela pode suportar, não há adaptação — há morte celular.” 1.2. Introdução – Conceito Geral de Adaptação Celular A adaptação celular é a resposta fisiológica reversível que uma célula ou tecido desenvolve diante de um estímulo persistente ou alteração ambiental, com o objetivo de preservar a viabilidade e a função. Quando o agente agressor ultrapassa o limite de tolerância, ocorre lesão irreversível e morte celular. → Lesão leve e de curta duração → reversível → adaptação. → Lesão intensa ou prolongada → irreversível → necrose ou apoptose. Comentário do professor: “Toda vez que um tecido sofre um trauma, a resposta vai depender da sua capacidade de resistir. Se for uma lesão leve, ele se adapta; se for intensa, caminha para a morte celular.” Determinantes da resposta: → Natureza do agente lesivo (químico, físico, infeccioso, autoimune). → Intensidade e duração da exposição. → Tipo celular atingido (ex.: neurônio ≠ epitélio). → Estado metabólico e genético da célula. Conceito-chave → Adaptação é um processo de compensação funcional e estrutural temporária, que visa manter a homeostasia diante do estresse celular. 2. TIPOS DE ADAPTAÇÃO CELULAR Máyra Dias T38 As principais respostas adaptativas refletem a tentativa da célula de manter o equilíbrio diante de novas demandas fisiológicas ou patológicas. → Hiperplasia → aumento do número de células. → Hipertrofia → aumento do volume das células. → Atrofia → redução do tamanho celular e da atividade metabólica. → Metaplasia → substituição de um tipo celular maduro por outro. → Acúmulos intracelulares e calcificações → resposta metabólica ao excesso ou falha de degradação. → Senescência → envelhecimento e perda da capacidade replicativa. Esses mecanismos não são isolados — muitas vezes coexistem. → Exemplo clássico: útero gestante → hipertrofia + hiperplasia das fibras musculares lisas. 2.1. Classificação das Adaptações Celulares Os mecanismos clássicos de adaptação incluem: → Hiperplasia – aumento do número de células. → Hipertrofia – aumento do tamanho das células. → Atrofia – redução do tamanho e da atividade celular. → Metaplasia – substituição de um tipo celular maduro por outro. → Acúmulos intracelulares e calcificações – alterações metabólicas secundárias. Esses mecanismos não são excludentes: podem ocorrer simultaneamente. → Exemplo: músculo uterino na gravidez → hiperplasia + hipertrofia. 2.2. Tipos de Adaptação Celular – Resumo Integrativo → Hiperplasia – aumento do número de células. → Hipertrofia – aumento do tamanho das células. → Atrofia – diminuição do tamanho e da função celular. → Metaplasia – substituição de um tipo celular maduro por outro. → (E no nível tecidual: acúmulos intracelulares e calcificações patológicas). 3. HIPERPLASIA – AUMENTO DO NÚMERO DE CÉLULAS 3.1. Definição Hiperplasia é o aumento do número de células em um órgão ou tecido com capacidade de mitose, resultando em aumento do volume do órgão/tecido. Comentário do professor: “A hiperplasia é fisiológica até o momento em que passa a atrapalhar a função do órgão. A partir daí, ela é patológica.” 3.2. Mecanismo / Mecanismo molecular → Proliferação de células maduras estimulada por fatores de crescimento e citocinas inflamatórias, frequentemente análoga à cicatrização. → Fatores de crescimento (EGF, TGF-α/β, PDGF, HGF, FGF) ativam genes reguladores do ciclo celular (ciclinas, CDKs) → replicação de DNA e mitose. → Pode envolver ativação de células-tronco teciduais. → Requisitos: DNA íntegro, energia adequada e microambiente permissivo. 3.3. Onde ocorre → Apenas em tecidos com potencial mitótico: epitélios, tecido conjuntivo/fibroblastos, medula óssea, fígado (hepatócitos). → Tecidos permanentes (neurônios e músculo estriado cardíaco) não hiperplasiam — hipertrofiam. Máyra Dias T38 Comentário do professor: “Tecidos com potencial mitótico reagem proliferando. Fígado, pele e glândulas respondem assim. Já músculo cardíaco e neurônio não hiperplasiam, apenas hipertrofiam.” 3.4. Tipos a) Fisiológica Hiperplasia hormonal → Estímulo endócrino fisiológico para aumentar a função do órgão. Exemplos: → Glândula mamária na puberdade e gravidez (estrogênio e progesterona). → Útero gestante: crescimento da musculatura lisa (hiperplasia + hipertrofia). → Tireoide sob TSH em fases de maior demanda. Hiperplasia compensatória → Regeneração após perda tecidual parcial. Exemplos: → Fígado pós-hepatectomia parcial → HGF e TGF-α induzem proliferação até restaurar o volume. → Rim remanescente após nefrectomia unilateral (aumento compensatório). Comentários do professor: “O fígado é o único órgão visceral que se regenera plenamente. Ele é o modelo da hiperplasia compensatória controlada.” “Dois dias após a hepatectomia parcial, o fígado retoma sua função.” b) Patológica Definição: proliferação excessiva, ainda dependente de fatores de crescimento (logo, reversível se o estímulo cessa). Exemplos: → Hiperplasia endometrial: estímulo estrogênico sem oposição da progesterona → risco de adenocarcinoma. → Hiperplasia prostática benigna (HPB): andrógenos (DHT) → compressão uretral, jato fraco. → Bócio endêmico/difuso: deficiência de iodo → ↑ TSH → hiperplasia tireoidiana. → Hiperplasia gengival induzida por fenitoína ou ciclosporina. Fisiopatologia integrativa: → Estímulo hormonal/local → ↑ replicação → espessamento tecidual; se persistente → perda de regulação → displasia → neoplasia. 3.5. Clínica e aplicações → Transplantes e cirurgias hepáticas: base na hiperplasia compensatória. → Calo plantar / calosidade palmar: hiperplasia epitelial reacional a trauma mecânico repetido. → Reparo tecidual (tecido de granulação): processo hiperplásico mediado por citocinas inflamatórias. Comentário do professor: “A queratose plantar é o mesmo princípio da calosidade da mão do pedreiro. Estímulo crônico de baixa intensidade induz hiperplasia protetora.” Limite adaptativo: → Quando o aumento celular interfere na função (ex.: calo que impede calçar o sapato), a adaptação torna-se patológica. 3.6. Pontos de atenção e prova → Ponto de atenção: “Tecidos que não se replicam— como neurônios e músculo cardíaco — não fazem hiperplasia, fazem hipertrofia.” - O reparo tecidual é um tipo de hiperplasia? → Sim, é uma hiperplasia reacional mediada por fatores de crescimento. - O que diferencia hiperplasia fisiológica da patológica? → Fisiológica: função mantida e MáyraDias T38 regulação hormonal; Patológica: perda parcial do controle proliferativo e potencial de transformação neoplásica. 4. HIPERTROFIA – ADAPTAÇÃO POR AUMENTO DO TAMANHO CELULAR 4.1. Definição Hipertrofia é o aumento do tamanho das células (não do número), acarretando crescimento do órgão. Comentário do professor: “Quando a célula não pode se multiplicar, ela cresce. É o que acontece com o coração hipertenso.” 4.2. Mecanismo / Mecanismo molecular → Estímulo mecânico (estiramento/sobrecarga) e hormonal ativa sensores mecânicos (integrinas, canais iônicos). → Vias PI3K/AKT, MAPK e mTOR → ↑ síntese de proteínas contráteis/estruturais, ↑ organelas (mitocôndrias), ↑ RNA. → Expressão de genes fetais (ex.: miosina β, ANP); TGF-β e IGF-1 participam do remodelamento. → Demanda energética e de O₂ aumentam; se angiogênese não acompanha → isquemia relativa e fibrose intersticial. Comentário do professor: “A hipertrofia cardíaca é o primeiro passo da insuficiência cardíaca. O coração fica forte, mas pesado demais para bombear.” 4.3. Onde ocorre → Tecidos com baixa/nenhuma capacidade mitótica: músculo cardíaco e músculo esquelético. 4.4. Tipos a) Fisiológica → Músculo esquelético: exercício/↑ carga → síntese de proteínas contráteis → aumento de massa (reversível). → Útero na gestação: estrogênio → aumento do volume das fibras musculares lisas (coexistindo com hiperplasia). b) Patológica → Hipertrofia cardíaca concêntrica (sobrecarga de pressão, ex.: HAS): ↑ espessura da parede ventricular → ↓ complacência → ↓ enchimento diastólico → ICC. → Hipertrofia excêntrica (sobrecarga de volume, ex.: insuficiência valvar): dilatação com aumento de massa. Comentários do professor: “O coração hipertrofia para vencer a resistência, mas um dia essa adaptação cobra o preço — ele começa a falhar.” “O coração hipertrofia para sustentar a pressão, mas chega um ponto em que o músculo é tanto que falta espaço para o sangue entrar — aí o coração falha.” Aspectos terapêuticos (observação de aula): → Angiotensina II e endotelina-1 participam do processo. → Betabloqueadores e IECA reduzem/remodelam a hipertrofia. 4.5. Interações e limites → Hipertrofia e hiperplasia podem coexistir (ex.: útero gestacional). → Estímulo contínuo e excessivo converte a hipertrofia fisiológica em patológica. → Desuso leva à regressão (atrofia muscular). 4.6. Clínica / Exemplos Máyra Dias T38 → Hipertrofia cardíaca concêntrica em hipertensos crônicos. → Hipertrofia fisiológica em atletas (reversível). → Hipertrofia do útero na gestação. - Por que pacientes hipertensos desenvolvem insuficiência cardíaca mesmo com o coração “forte”? → Porque a hipertrofia reduz a complacência ventricular e o enchimento diastólico, diminuindo o débito cardíaco. - Por que a hipertrofia cardíaca prolongada causa insuficiência cardíaca? → Excesso de massa muscular → rigidez diastólica, isquemia relativa e fibrose intersticial → falência de bomba. 5. ATROFIA – REDUÇÃO DO TAMANHO CELULAR E FUNCIONAL 5.1. Definição Atrofia é a diminuição do tamanho celular e da atividade metabólica, levando à redução do volume e da função do órgão. 5.2. Mecanismos → ↓ síntese proteica + ↑ degradação via ubiquitina–proteassoma. → Autofagia lisossômica (em estágios avançados): digestão seletiva de organelas para reciclagem energética → célula sobrevive com metabolismo mínimo. → Regulação hormonal e nutricional: ↓ insulina/IGF-1 favorece catabolismo; reativação de mTOR (ex.: exercício) estimula síntese. 5.3. Tipos a) Fisiológica → Desenvolvimento embrionário: regressão da notocorda e do ducto tireoglosso. → Involução tímica após a puberdade. → Senil: envelhecimento → ↓ massa muscular e atrofia cerebral discreta; ↓ colágeno dérmico. b) Patológica → Por desuso: imobilização/gesso/repouso prolongado → perda de massa muscular. → Por desnervação: perda de estímulo neural → atrofia neurogênica (paralisias). → Por isquemia crônica: ↓ fluxo → atrofia cerebral senil. → Por desnutrição/caquexia: mobilização de proteínas musculares para energia. → Por perda hormonal: atrofia mamária pós- menopausa; testicular por hipogonadismo/andropausa; endométrio na menopausa. → Por compressão: tumores, cistos, hipertrofia de órgão adjacente. 5.4. Aspectos clínicos e fisiopatológicos → Pacientes acamados: indicar fisioterapia precoce para evitar atrofia. → Idosos: sarcopenia; exercício regular retarda perda de massa (reativa mTOR). → Imunossuprimidos: ↓ fatores de crescimento → maior tendência à atrofia e perda de massa magra. → Em atrofia severa: autofagia seletiva mantém tecido residual. → A atrofia é reversível se o estímulo for restaurado, exceto quando já ocorreu morte celular. - Qual o papel da autofagia na atrofia celular? → Sobrevivência: degrada organelas para poupar energia e manter a célula viva. - Por que idosos têm mais lesões musculares? → Atrofia + ↓ síntese proteica → ↓ resistência tecidual. Máyra Dias T38 6. METAPLASIA – SUBSTITUIÇÃO CELULAR ADAPTATIVA 6.1. Definição e mecanismo Metaplasia é a transformação reversível de um tipo celular maduro em outro tipo maduro mais resistente ao estresse local. → Mecanismo: reprogramação genética de células-tronco locais ou precursores indiferenciados, mediada por citocinas e fatores de transcrição → alteração de genes de diferenciação → novo fenótipo adaptado ao estímulo. Comentário do professor: “A metaplasia é a camuflagem da célula. Ela muda para resistir; se o estímulo não cessa, se perde e vira câncer.” 6.2. Exemplos e fisiopatologia Metaplasia escamosa do trato respiratório (brônquica/traqueal) → Tabagismo crônico: epitélio colunar ciliado → epitélio pavimentoso estratificado. → Consequência: perda da função mucociliar → infecções e risco de carcinoma espinocelular. Metaplasia intestinal do esôfago (Esôfago de Barrett) → Refluxo ácido crônico (DRGE): epitélio pavimentoso → epitélio colunar glandular secretor (tipo intestinal). → Consequência: lesão pré-neoplásica → aumenta o risco de adenocarcinoma de esôfago. Metaplasia em ductos obstruídos (salivar, pancreático, biliar) → Irritação crônica por cálculos → substituição epitelial → inflamação crônica associada. Comentário do professor (reforço): “Se o estímulo é removido, o tecido volta ao normal. Se persiste, a célula esquece quem é e pode virar câncer.” 6.3. Relação com displasia e neoplasia → Metaplasia é reversível, mas a persistência do estímulo cria ambiente propício a mutações → displasia (alterações morfológicas e genéticas) → carcinoma in situ → neoplasia invasiva. → Exemplo de progressão: NIC I → NIC II → NIC III → carcinoma do colo uterino. Metaplasia é sempre pré-cancerosa? → Não. É reversível; porém a manutenção do estímulo pode levar a displasia e neoplasia. Qual o principal fator de risco para adenocarcinoma de esôfago? → Metaplasia intestinal (Esôfago de Barrett) secundária ao refluxo ácido crônico. Resumo-chave: → Reversível se cessar o estímulo. → Persistente → displasia → carcinoma in situ → câncer invasivo. 7. ACÚMULOS INTRACELULARES – DEPÓSITOS ANORMAIS 7.1. Definição geral Depósito anormal de substâncias endógenas (lipídios, proteínas, pigmentos) ou exógenas (metais, toxinas) no citoplasma ou núcleo, por produção excessiva, metabolismo ineficiente, ou defeitos de transporte/excreção. Comentário do professor: “Tudo o que não consigo metabolizar, acumulo. E o fígado é o primeiro a pagar o preço.” “O fígado é o depósito central do corpo — tudo que o organismo não processa, ele armazena ali.” 7.2. Lipídios Esteatose hepática (degeneração gordurosa) → Acúmulo de triglicerídeos em hepatócitos. → Causas: álcool, obesidade, resistência à insulina/diabetes, jejum prolongado, desnutrição proteica, síndrome metabólica. Máyra Dias T38 → Patogênese: desequilíbrio entre síntese, oxidação e secreção de lipídios (VLDL). → Evolução: esteato-hepatite → fibrose → cirrose. Aterosclerose → Depósitode colesterol e ésteres em macrófagos e células musculares lisas (células espumosas) na íntima arterial. 7.3. Proteínas → Acúmulo citoplasmático por mutações genéticas (ex.: deficiência de α1-antitripsina). → Degenerações hialinas (renais, endócrinas). → Proteínas anormais → amiloidoses (depósito extracelular de proteínas mal dobradas com conformação β-pregueada). 7.4. Pigmentos Lipofuscina → “Pigmento do desgaste”: resíduo de peroxidação lipídica/autofagia; marcador de envelhecimento celular. Hemosiderina (excesso de ferro) → Hemocromatose hereditária (mutação com ↑ absorção intestinal de ferro) → depósito em fígado, pâncreas, coração. → Clínica clássica (tríade): hepatomegalia, diabetes, hiperpigmentação cutânea. → Caso clínico discutido: ferritina > 900–1000 ng/mL → tratamento com sangria terapêutica periódica. → Observação do professor: ≈90% dos casos em homens, pois mulheres realizam “sangria natural” pela menstruação. → Transfusões repetidas também podem gerar hemossiderose. Melanina → Pigmento fisiológico de proteção contra radiação UV. Carbono (antracose) → Pigmento exógeno preto acumulado em pulmões (fumantes/ambiente poluído). 7.5. Substâncias exógenas (metais e toxinas) Metais pesados: chumbo, mercúrio, alumínio → neurotóxicos e hepatotóxicos. → Exemplo real relatado em aula: intoxicação por alumínio via utensílios (copo metálico) → parestesias, fraqueza, distúrbios neurológicos; diagnóstico por dosagem sérica de alumínio e imagem cerebral; melhora após desintoxicação. Por que o fígado é o principal órgão acometido por acúmulos intracelulares? → Porque é o centro metabólico do organismo — processa lipídios, proteínas e metais. Quais são os determinantes da esteatose hepática e sua evolução clínica? → Álcool, resistência à insulina, obesidade, desnutrição → esteatose; manutenção do estímulo → esteato-hepatite → fibrose → cirrose. 8. CALCIFICAÇÕES PATOLÓGICAS 8.1. Definição geral Deposição anormal de sais de cálcio (geralmente fosfato de cálcio) em tecidos, decorrente de necrose local ou de distúrbio metabólico sistêmico (hipercalcemia). Comentário do professor: “Calcificação é fisiológica no osso, mas patológica fora dele.” 8.2. Tipos principais a) Calcificação distrófica → Ocorre em tecidos necrosados/lesados, mesmo com cálcio sérico normal. → Mecanismo: morte celular → liberação de cálcio e fosfato → precipitação e formação de cristais de Máyra Dias T38 hidroxiapatita no local da lesão. → Exemplos clínicos: → Necrose caseosa da tuberculose. → Placas ateroscleróticas (ateromas). → Cicatrizes antigas, válvulas cardíacas degeneradas. → Microcalcificações mamárias (marcador de necrose ductal/lesão crônica) → detectadas por mamografia. → Observação adicional: em imagem mamária, microcalcificações podem indicar necrose gordurosa ou carcinoma ductal in situ. Comentário do professor: “Distrófica é a cicatriz da célula morta.” Qual o mecanismo básico da calcificação distrófica? → Deposição de sais de cálcio em tecidos mortos, por liberação intracelular e precipitação de hidroxiapatita. b) Calcificação metastática → Deposição em tecidos normais por hipercalcemia sistêmica. → Causas: hiperparatireoidismo, intoxicação por vitamina D, destruição óssea (metástases osteolíticas), insuficiência renal crônica (retenção de fosfato). → Locais preferenciais (meio mais alcalino): rim, pulmões, mucosa gástrica. → Fisiopatologia auxiliar: alcalinização local favorece a precipitação de cálcio-fosfato. Comentário do professor: “Metastática é a consequência do cálcio em excesso circulante.” 8.3. Clínica integrada → Câncer com metástases ósseas → hipercalcemia → depósitos cálcicos pulmonares (calcificação metastática). → Litíase renal (cálculo de cálcio): precipitação de sais de cálcio e fosfato em urina alcalina. → Mama: microcalcificações → mamografia como método de triagem e detecção precoce. Qual exame identifica microcalcificações mamárias? → Mamografia. 9. ENVELHECIMENTO CELULAR (SENESCÊNCIA) 9.1. Definição geral Processo fisiológico de declínio progressivo da função e viabilidade celular, causado por acúmulo de danos moleculares (especialmente DNA e organelas) e redução da capacidade de reparo. Comentário do professor: “Com o tempo, nosso sistema antioxidante vai desligando. O organismo prefere matar uma célula oxidada a deixá-la viva e virar câncer.” 9.2. Mecanismos centrais → Radicais livres / EROs (espécies reativas de oxigênio): produzidos sobretudo na fosforilação oxidativa mitocondrial → oxidação de lipídios, proteínas e DNA. → Queda de sistemas antioxidantes com a idade: glutationa (GSH), catalase, superóxido dismutase, glutationa peroxidase. → Encurtamento dos telômeros → senescência replicativa (ativação de p53 e p21 → parada do ciclo). → Acúmulo de lipofuscina e proteínas oxidadas (resíduos de autofagia/peroxidação). → Dano mitocondrial e redução da síntese proteica. Comentário do professor (ênfase): “Radical livre não é só envelhecimento — é também gatilho do câncer. O corpo sacrifica células oxidadas para não se tornarem neoplásicas.” Máyra Dias T38 9.3. Consequências fisiológicas → ↓ capacidade regenerativa tecidual. → Imunossenescência (resposta imune reduzida). → Sarcopenia (perda de massa muscular). → Envelhecimento cutâneo e vascular. 9.4. Aspectos clínicos e preventivos → Exercício físico regular → ↑ enzimas antioxidantes → melhora a depuração de EROs e oxigenação tecidual → retarda (não impede) o envelhecimento. → Restrição calórica moderada → ativa sirtuínas → prolonga a vida celular (eficiência metabólica e reparo). → Sono adequado e controle do cortisol → ↓ dano oxidativo. → Evitar radiação UV, tabagismo, álcool e poluentes → ↓ mutações acumuladas. → Dietas antioxidantes (vit. E, C, selênio) → efeito protetor parcial; antioxidantes isolados não reparam DNA já danificado. → Envelhecimento precoce: influenciado por mutações genéticas, exposições ambientais (UV, tabaco, poluição) e doenças metabólicas crônicas (diabetes, insuficiência renal). Comentário do professor: “A senescência é inevitável, mas o ritmo depende de como cuidamos do metabolismo ao longo da vida. O exercício não evita o envelhecimento, mas desacelera o dano oxidativo.” “A célula envelhece como o ferro enferruja: pela oxidação. As sirtuínas são o óleo que atrasa esse processo.” 9.5. Pontos de atenção e prova Pergunta de prova 1 Por que o exercício físico retarda o envelhecimento celular? → Porque aumenta a produção de enzimas antioxidantes e melhora a oxigenação tecidual, reduzindo o dano oxidativo. Qual a via molecular-chave da senescência replicativa? → Encurtamento telomérico → ativação de p53/p21 → parada do ciclo (células vivas, porém metabolicamente inativas). 9.6. Síntese operacional → Dano oxidativo + ↓ antioxidantes → mutação/apoptose. → Telômeros curtos → senescência replicativa. → Lipofuscina e proteínas oxidadas → marcadores de envelhecimento. → Estratégias: exercício, restrição calórica moderada, higiene do sono, controle do estresse, fotoproteção. MECANISMOS DE ADAPTAÇÃO CELULAR 1. CONCEITO GERAL 1.1. Introdução e Contexto 1.2. Introdução – Conceito Geral de Adaptação Celu 2. TIPOS DE ADAPTAÇÃO CELULAR 2.1. Classificação das Adaptações Celulares 2.2. Tipos de Adaptação Celular – Resumo Integrati 3. HIPERPLASIA – AUMENTO DO NÚMERO DE CÉLULAS 3.1. Definição 3.2. Mecanismo / Mecanismo molecular 3.3. Onde ocorre 3.4. Tipos a) Fisiológica b) Patológica 3.5. Clínica e aplicações 3.6. Pontos de atenção e prova 4. HIPERTROFIA – ADAPTAÇÃO POR AUMENTO DO TAMANHO 4.1. Definição 4.2. Mecanismo / Mecanismo molecular 4.3. Onde ocorre 4.4. Tipos a) Fisiológica b) Patológica 4.5. Interações e limites 4.6. Clínica / Exemplos 5. ATROFIA – REDUÇÃO DO TAMANHO CELULAR E FUNCIONA 5.1. Definição 5.2. Mecanismos 5.3. Tipos a) Fisiológica b) Patológica 5.4. Aspectos clínicos e fisiopatológicos 6.METAPLASIA – SUBSTITUIÇÃO CELULAR ADAPTATIVA 6.1. Definição e mecanismo 6.2. Exemplos e fisiopatologia 6.3. Relação com displasia e neoplasia 7. ACÚMULOS INTRACELULARES – DEPÓSITOS ANORMAIS 7.1. Definição geral 7.2. Lipídios 7.3. Proteínas 7.4. Pigmentos 7.5. Substâncias exógenas (metais e toxinas) 8. CALCIFICAÇÕES PATOLÓGICAS 8.1. Definição geral 8.2. Tipos principais a) Calcificação distrófica b) Calcificação metastática 8.3. Clínica integrada 9. ENVELHECIMENTO CELULAR (SENESCÊNCIA) 9.1. Definição geral 9.2. Mecanismos centrais 9.3. Consequências fisiológicas 9.4. Aspectos clínicos e preventivos 9.5. Pontos de atenção e prova 9.6. Síntese operacional