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CONSTRUÇÕES RURAIS 
 
Alicerce para o sucesso da produção agrícola ou pecuária. Possibilitando o 
profissional planejar, organizar e fomentar as atividades agropecuárias, garantindo 
que a propriedade funcione de forma eficiente e sustentável. 
Envolve desde grandes infraestruturas ( como, silos, currais, galpões e aviários) até 
pequenas infraestruturas ( como, reservatórios de água e composteiras). 
→ Objetivo principal: 
● Organizar o espaço rural para otimizar a produção; 
● Reduzir custos operacionais; 
● Permitir que os animais atinjam seu máximo potencial produtivo através de 
uma ambiência adequada 
→ Princípios norteador: 
● Realizar obras tecnicamente perfeitas 
● Em menor tempo e custo possíveis 
● Aproveitando ao máximo mão de obra e as ferramentas disponíveis 
→ Critérios obrigatórios: 
● Construções devem ser simples 
● Funcionais 
● Higiênicas (com destino correto de resíduos) 
● Seguras e permitir facilidade de expansão futura 
 
FASES DE IMPLANTAÇÃO DE UMA EDIFICAÇÃO 
→ Preliminar: sondagem do solo; terraplanagem; organização de todo canteiro de 
obras, locação ( marcar no terreno onde cada coisa vai ficar). 
→ Execução: escavação, fundação, levantamento de pilares; criação de baldrames 
(viga de fundação,sustentação, nível do solo), paredes, pilares e cobertura. 
→ Acabamento: pisos cerâmicos quando necessários, instalações hidrelétricas, 
fiação elétrica e pintura. 
 
INFLUÊNCIA DO TERRENO NO PROJETO 
Antes de tudo, o principal é a escolha do terreno, que deve ser: 
→ Firme e enxuto 
→ Situado em local calmo 
→ Bem arejado 
→ Com leve inclinação ( escoramento natural da água da chuva e da lavagem do 
galpão, usando a gravidade a favor da drenagem). 
A posição do vento e do sol definem a forma de construir: 
→ Regiões quentes e úmidas: evitar que a luz do sol bata de frente as instalações. 
Posicionar o eixo longitudinal do galpão, lado mais comprido sentido leste-oeste 
(ex:aviários) garantindo assim que o sol nasça e se ponha nas pontas curtas do 
galpão garantindo sombra nas laterais durante o dia. 
Beiral garante que haja sombra mesmo com sol mudando sua posição 
→ Regiões temperaturas amenas e umidade leve o eixo longitudinal muda para 
norte-sul. Pois a intenção é evitar o sol nas instalações durante o meio do dia, mas 
aproveitá-lo de manhã e de tarde para aquecer os animais de forma natural e secar 
a umidade excessiva que pode causar doenças respiratórias no rebanho. 
 
ETAPAS DOS PROJETOS 
→ Anteprojeto: esboços iniciais para definir, como os prédios interagem com o 
terreno. 
→ Memorial descritivo: documento dissertativo direto, a justificativa das soluções 
implantadas e o passo a passo de como realizar todo o processo . 
→ Memorial de cálculo: detalha o orçamento da obra. 
● Orçamento estimativa, que é empírico e retrata a área total do projeto 
multiplicando- a ao valor médio histórico de construção por m². Uma ideia 
rápida, porém com uma grande margem de erro 
● Orçamento detalhado: disseca sobre a obra milimetricamente avaliando 
desde os pregos ,as despesas do escritório para gerenciar a obra e mão de 
obra trabalhista até a margem de lucros prevista pela construtora 
● TCPO - tabela de composição de preços para orçamento, detalha materiais e 
serviços necessários e o tempo de execução para cada ação. 
 
Elementos utilizados para orçamentação de construções rurais 
 
 
 
 
 
 
 
FUNDAÇÕES 
Objetivo de transferir o peso das estruturas para o solo de uma forma segura, 
evitando que a edificação afunde ou sofra os recalques ( estrutura sede de forma 
desigual). Essa transferência precisa ocorrer sem causar danos às estruturas 
vizinhas. 
A profundidade das fundações dependem da resistência das camadas do solo, que 
é descoberta através das sondagens prévias. 
As fundações são classificadas em diretas ( rasas) e indiretas ( profundas) 
 
 
 
 
 
 
→ Fundações Diretas ( rasas): 
Quando o solo superficial já possui uma capacidade de suporte adequada. As valas 
escavadas raramente ultrapassam os 3 m de profundidade. 
Encontra-se as sapatas, bloco de fundação, radiólise e vigas baldrame, a carga 
desce pelos pilares e é dissipada ali mesmo, nas primeiras camadas da terra. Um 
processo simples e barato. 
Utiliza se brocas quando a profundidade não ultrapassa os 60 m, fazendo furos com 
trade de 20 cm de diâmetro, acoplada a um tubo de aço galvanizado. Perfuram o 
solo e removem o material a cada 50 cm de avanço. A perfuração estende-se até o 
momento que fique “pesado” para aprofundar, quando esse nível de resistência é 
alcançado no topo do furo recebe uma sapata armada e o concreto é lançado, com 
o solo firmemente ancorado à estrutura começa a emergir da terra e ganhar altura. 
 
→ Fundações Indiretas ( profundas): 
Quando a sondagem mostra um solo fraco e instável, o que é comum em muitas 
regiões agrícolas. 
Uso de estacas e tubulões é obrigatório quando o solo profundo está a 5 m ou 
quando a estrutura a ser erguida tem um porte muito maior, ultrapassando os dois 
pavimentos. 
A complexidade da obra aumenta exponencialmente, exigindo equipamentos 
pesados de perfuração, bate estacas e alguns outros. 
 
 
CONSTRUÇÕES ALVENARIA 
 
Sistema de vedação mais popular no Brasil. Sua colocação pode ser classificada 
como cutelo, meio tijolo e um tijolo. 
→ Paredes de ¼ tijolo ou cutelo: 
Seu assentamento é apoiado sobre sua face mais estreita, e o comprimento maior 
fica todo exposto criando uma divisória extremamente fina economizando o máximo 
de espaço possível numa planta baixa. 
Não oferecem estabilidade mecânica, sendo restrito para pequenos vãos como 
divisões, fundo de armários embutidos, box de banheiros. 
Risco de flambagem é muito alto 
 
Flambagem: fenômeno que ocorre quando um elemento vertical, sofre uma carga 
de complexão alta ao invés de esmagar em si mesmo, busca o caminho de menor 
resistência, curvando-se lateralmente, criando uma barriga no pilar. 
Há um cálculo para se evitar isso, levando em conta o comprimento do pilar, 
espessura e o raio de giração (medida como a massa da seção transversal do pilar, 
está distribuída em relação ao seu centro geométrico). Quanto mais a massa está 
afastada do seu centro, mais difícil é para estrutura flambar ou entortar. 
 
→ Paredes ½ tijolos: mais comum, os blocos são assentados pela sua maior face. 
A largura do tijolo que dita a espessura final da parede, criando a divisória clássica 
que separa os cômodos de uma casa. 
Aumenta a base de apoio de cada bloco, com uma estabilidade que suporte o 
próprio peso, para receber instalações elétricas e hidráulicas embutidas rasgando a 
parede. 
Se o comprimento contínuo ultrapassar 4 m lineares a estrutura perde sua 
capacidade de autossustentação quanto a esforços laterais, exigindo assim a 
introdução de um pilar de reforço obrigatoriamente, ancorando a alvenaria evitando 
que ela faça uma barriga e colapse por instabilidade lateral. 
 
→Paredes de 1 tijolo: 
Blocos virados de modo seu comprimento total representa a espessura da parede, 
nula sem reboco nenhum, uma massa considerável de cerâmica e argamassa. 
Barreira robusta, utilizadas em paredes externas por serem impermeáveis e 
capazes de suportar cargas. 
 
→ Pilares: suporte carga estrutural pesada, são elementos lineares onde a 
dimensão vertical (altura) é maior que a largura da sua seção transversal. 
Neles há uma força de compressão, onde são esmagados entre o peso do orifício 
interno e a resistência do solo no processo de vedação. 
No processo de dimensionamento considera-se: 
● Processo de esbeltez da peça: proporção de o pilar curvar, proporção do 
elemento alto e fino sofrer encurtamento lateral (flambagem) 
● Comprimento equivalente: não desrespeita a altura total do edifício, mas sim 
a distância exata entre dois pontos onde o pilar está rigidamente travado. A 
força para manter cada ponta do pilar travada passa a ser exponencialmente 
maior , ganhando resistência absurda por travaro meio 
● Raio de giração: fator intrínseco intimamente ligado ao fator de inércia. 
Importante o formato e não o volume de concreto jogado ali 
A inércia dita o formato retangular ou circular dos pilares para resistir a 
diferentes eixos de carga de vento ou peso. 
 
→ Concreto armado: concreto + aço 
● Armadura longitudinal: barras de aço compridos, robustos que percorrem 
toda verticalidade da estrutura auxiliando na resistência da compressão e 
permitindo projetar pilares mais esbeltos e que ocupem menos espaços nos 
ambientes e ao mesmo tempo absorvam a atração caso flambe para algum 
lado .Anéis de ferro abraçam essas estruturas verticais o que garantem a 
sustentação. 
Estribos armaduras transversais, moldados ao redor barras longitudinais e 
amarradas firmemente com arame recozido em espaçamento calculados. 
Papel fundamental de combate a força de sisnheamento (guilhotina 
microscópica que a força constante tenta fatiar as vigas de pilar uma sobre a 
outra, grampos travam a fatia no lugar) 
 
→ Vigas: conectores horizontais, barras projetadas para vencerem os vãos 
transferindo todos o peso das lajes e paredes superiores para os pilares. 
A flexão dita as regras , sofrendo ação conjunta de momento fletor e força 
constante. Barras de aço alocadas na parte inferior, para evitar que o concreto rache 
sobre essa força de estiramento lá em baixo e nas pontas das vigas. 
Na ponta da viga onde encontra-se aos pilares a força de cisalhamento pico 
extremas. Exigindo uma maior concentração de estribos verticais nessas regiões é 
lá que o esforço constante tenta guilhotinar a viga. 
 
→ Lajes: um elemento estrutural em formato de placa, projetado para ser disposto 
sobre vigas ou paredes. Sua principal função em uma construção é distribuir os 
esforços e cargas para os demais componentes da estrutura. 
Se classificam em: 
● Lajes Maciças: São formadas por concreto armado com armações de ferro 
em seu interior. Dependendo do tamanho do vão, a armação pode ser feita 
em apenas uma direção ou em formato de cruz. 
● Lajes Pré-fabricadas: São produzidas por processos industriais e utilizam 
vigotas (peças de concreto que garantem a estabilidade) e lajotas (blocos 
que preenchem os espaços). A solidez desse conjunto é garantida pelos aços 
de amarração e pelo capeamento de concreto. 
Processo de Execução e Cuidados:A montagem de uma laje exige etapas técnicas 
rigorosas para garantir a segurança 
● Escoramento: Deve ser feito no sentido transversal, utilizando tábuas e 
escoras (como eucalipto ou bambu) apoiadas em terreno firme. A distância 
máxima entre as tábuas de suporte deve ser de 1,6 metros. 
● Amarração e Instalações: Devem-se utilizar arames de amarração sobre os 
palitos a cada 50 cm e verificar todas as instalações elétricas e hidráulicas 
embutidas antes da concretagem. É importante também posicionar as lajotas 
furadas nos locais destinados aos pontos de luz. 
● Capeamento: Consiste na aplicação de uma camada de concreto 
(geralmente de 2 a 3 cm de espessura) sobre as vigotas. O traço 
recomendado para este concreto é de 1:2½:3 ou 1:3:3 (cimento, areia grossa 
e brita). 
● Cura e Desforma: A cura do concreto deve durar pelo menos 4 dias. Já o 
escoramento só deve ser retirado após um período mínimo de 10 dias do 
lançamento da laje. 
Além disso, é recomendável colocar tábuas sobre a estrutura durante a montagem 
para que os trabalhadores possam caminhar sem danificar os componentes. O 
revestimento do teto deve ser realizado apenas após a conclusão total do telhado 
 
AGREGADOS 
São materiais granulares, geralmente inertes, obtidos de rochas britadas, jazidas ou 
leitos de rios. Eles servem para dar volume ao concreto, reduzindo custos e 
influenciando propriedades como a retração e a resistência mecânica. 
● Areia (Agregado Miúdo): Proveniente da desagregação de rochas, é 
classificada por sua dimensão em fina, média e grossa. No agregado miúdo, 
no máximo 15% do material fica retido na peneira de 4,8 mm 
● Brita (Agregado Graúdo): É a pedra resultante do britamento de rochas 
estáveis, classificada de 0 a 5 conforme seu diâmetro nominal. No agregado 
graúdo, no máximo 15% do material passa pela peneira de 4,8 mm 
→Aglomerantes (Gesso, Cal e Cimento Portland) 
São produtos que, misturados com água, formam uma pasta que endurece por 
reações químicas ou secagem 
● Gesso: Obtido pelo cozimento da gipsita (150 a 250 °C), é usado em 
revestimentos e decorações interiores e não possui função estrutural 
● Cal Aérea: Resulta da queima de pedras calcárias (~900 °C). Deve ser 
"extinta" (hidratada) antes do uso e é aplicada em revestimentos e 
rejuntamentos 
● Cimento Portland: Aglomerante hidráulico obtido pelo cozimento de mistura 
calcário-argilosa (~1.450 °C), moído com gesso para regular a pega. É o 
principal componente para oferecer elevada resistência mecânica às 
estruturas 
→ Argamassa: 
É uma mistura de aglomerante, agregado miúdo e água. São classificadas conforme 
o aglomerante (aéreas, hidráulicas ou mistas) e sua finalidade, como assentamento 
de alvenaria, revestimento de paredes, pisos ou rejuntamentos. O dimensionamento 
do traço (proporção dos componentes) varia conforme a aplicação desejada. 
 
→Concreto e Produção 
O concreto resulta da mistura de cimento, areia, brita e água. Possui alta 
resistência à compressão, mas baixa resistência à tração, o que justifica o uso do 
concreto armado (adição de armaduras de aço) para suportar flexão. 
● Produção: Compreende as etapas de mistura, transporte, lançamento, 
adensamento e cura. A cura (proteção contra evaporação nos primeiros 7 
dias) é essencial para evitar fissuras por retração. 
● Mistura Manual: Indicada apenas para obras pequenas, deve ser feita 
sobre superfície impermeável, misturando primeiro o cimento e a areia a seco 
antes de adicionar a brita e a água 
● Mistura Mecânica: Utiliza betoneiras. A ordem recomendada de colocação 
é: parte da brita e da água, o cimento, o restante da água e areia, e, por fim, 
o restante da brita. 
→ Material Cerâmico: 
Obtido pela moldagem, secagem e cozimento de argila. Os elementos mais comuns 
são: 
● Tijolos: Podem ser maciços ou furados. Tijolos de furos redondos têm 
resistência próxima aos maciços, enquanto os de furos quadrados 
geralmente não servem para paredes de sustentação. 
● Telhas: Disponíveis em modelos como Francesa, Romana e Colonial, cada 
uma exigindo uma inclinação específica para o telhado 
● Tijoleiras e Ladrilhos: Tijolos de pequena espessura usados em pisos e 
pavimentação 
 
→ Preparo da Madeira: 
O preparo adequado é essencial para garantir a durabilidade e evitar defeitos 
estruturais nas peças de madeira: 
● Abate: Deve ser realizado, de preferência, na época da seca, período em 
que o tronco apresenta menor teor de umidade 
● Secagem: Após o abate, a casca deve ser removida e o tronco deve secar 
em local arejado e protegido do sol. A ausência desse período de secagem 
sujeita a madeira roliça a retrações transversais que causam rachaduras nas 
extremidades. 
● Corte e Seleção: O tronco é cortado em serrarias em dimensões 
padronizadas para o comércio, passando por novo período de secagem. Para 
fins construtivos, deve-se utilizar preferencialmente a madeira retirada do 
cerne (durame), por ser mais durável e madura, evitando o alburno, que é 
mais sujeito à decomposição 
 
→ Madeira Laminada e Industrializada 
● Madeira Laminada Colada: É produzida a partir de madeira selecionada, 
cortada em lâminas com espessura em torno de 15 mm. Estas lâminas são 
coladas sob pressão para formar grandes vigas de seção retangular, 
podendo ser emendadas nas extremidades para criar peças de grande 
comprimento. 
● Madeira Compensada: Consiste na colagem de três ou mais lâminas finas 
(sempre em número ímpar), alternando-se as direções das fibras em ângulo 
reto para garantir estabilidade. 
 
→ Solo-Cimento 
O solo-cimento é um material de baixo custo que utiliza o solo local como principal 
componente da mistura● Composição e Traço: Resulta da mistura de solo, cimento e água. Para 
obras de pequeno porte, adota-se um traço padrão de 1:12 (uma parte de 
cimento para 12 de solo). 
● Qualidade do Solo: O solo deve ser isento de matéria orgânica (raízes, 
galhos) e possuir granulometria específica: teor de areia entre 45% e 85% e 
teor de argila de no máximo 20%. 
● Execução: A mistura, que deve ter consistência de uma "farofa" úmida, 
pode ser utilizada em tijolos prensados (que dispensam queima), paredes 
maciças compactadas em fôrmas ou ensacados (solo-cimento dentro de 
sacos que servem como fôrmas) 
 
→ Ferrocimento 
É um sistema construtivo leve e artesanal, que dispensa o uso de fôrmas 
convencionais 
● Constituição: Composto por uma argamassa de cimento e areia (traço 
recomendado de 1:4:1) que envolve uma estrutura de vergalhões finos e 
telas. 
● Vantagens e Desvantagens: Destaca-se pela facilidade de moldagem e pela 
produção de peças finas; contudo, exige o uso de formatos arredondados. 
● Aplicação e Cura: A argamassa é comprimida manualmente contra as telas 
com o auxílio de um anteparo (como papelão) para garantir a compactação. 
Após a moldagem, a peça deve ser mantida úmida por uma semana para 
uma cura adequada. 
 
AMBIÊNCIA ANIMAL 
Relação bidirecional entre o ambiente e o objeto, compreendendo o conjunto de 
condições físicas e sociais onde o animal vive. Em sistemas de produção, ela é 
dividida em térmica, lumínica, acústica e aérea, sendo fundamental para que o 
animal atinja seu máximo potencial genético e produtividade. A interação negativa 
nesse sistema resulta em estresse térmico, uma das principais causas de perdas 
produtivas. 
O bem-estar animal é um conceito momentâneo e mensurável que indica se o 
animal está em harmonia com o ambiente ao seu redor. Para garanti-lo, as 
construções rurais devem ser planejadas estrategicamente: 
● Implantação: Deve-se evitar terrenos de baixada (muito úmidos e com pouco 
ar). No Brasil, a orientação das coberturas deve ser no sentido leste-oeste 
para minimizar a entrada de radiação solar no verão. 
● Características Construtivas: O telhado é crucial na carga térmica. 
Materiais de alta refletividade (como telhas de barro ou cimento amianto 
pintadas de branco) e baixa condutividade térmica são ideais. Estratégias 
como a aspersão de água sobre as telhas ajudam a reduzir a temperatura 
interna. 
→ As estratégias projetuais para o conforto animal incluem: 
● Inclinação do telhado: Recomendada entre 20° e 30° para otimizar as 
trocas de calor. 
● Lanternim: Abertura na cumeeira para saída de ar quente, essencial em 
galpões com largura superior a 8 metros. 
● Áreas de Cobertura e Beirais: O telhado é um dos principais fatores que 
influenciam a carga térmica interna, devendo-se utilizar materiais de alta 
refletividade solar e baixa condutividade térmica, como telhas de barro ou de 
cimento amianto pintadas de branco. Os beirais devem ser projetados para 
evitar a entrada de chuvas e raios solares, com dimensões recomendadas 
entre 1,5 a 2,0 metros. Em latitudes maiores, beirais maiores são necessários 
para proteção contra a insolação direta. 
● Oitões: São as paredes laterais da instalação que recebem o sol 
frontalmente durante o nascente e o poente. Para garantir o conforto térmico, 
essas faces devem ser protegidas com o uso de cores claras, 
sombreamento por vegetação, beirais amplos ou construídas com materiais 
de grande capacidade calorífica 
● Ventilação Natural: Tem como função renovar o ar, prover oxigênio e 
eliminar gases tóxicos, odores e umidade excessiva. O projeto deve 
favorecer a circulação do ar através do posicionamento estratégico de 
aberturas, cortinas e lanternins. A movimentação do ar facilita as trocas 
térmicas e evita a condensação superficial, melhorando a sensação de 
conforto dos animais 
● Temperaturas de Água de Consumo: É uma estratégia projetual evitar que 
as caixas d'água e tubulações fiquem expostas diretamente ao sol ou 
passem muito próximas ao telhado. Isso impede o aquecimento excessivo da 
água, o que poderia comprometer a ingestão pelos animais. 
● Manejo da Cama: Em criações de aves e suínos sobre cama, o aumento da 
temperatura ambiente e da densidade populacional leva a uma maior 
ingestão de água e, consequentemente, maior excreção. Esse excesso de 
umidade pode acentuar a atividade de microrganismos na cama, gerando 
calor adicional, liberação de CO2 e formação de amônia. 
● Arborização e Sombreamento: A vegetação atua no controle da radiação 
solar, temperatura do ar e velocidade do vento. As plantas possuem 
comportamento seletivo, absorvendo cerca de 90% da radiação visível e 
60% da infravermelha. Além disso, a evapotranspiração dos vegetais 
ajuda a reduzir a temperatura local, mas deve-se cuidar para que as árvores 
não obstrua a ventilação natural do galpão 
→ A climatização de ambientes pode ser natural ou artificial, sendo esta última 
mais eficiente, embora mais cara. A ventilação forçada é necessária quando os 
meios naturais não garantem a renovação do ar ou o resfriamento desejado. Ela 
divide-se em: 
● Pressão Positiva: Ventiladores forçam o ar de fora para dentro da 
instalação. Devem ser instalados na altura média do pé-direito e no sentido 
do vento dominante. 
● Pressão Negativa: Exaustores retiram o ar de dentro, criando um vácuo 
parcial que puxa o ar externo por aberturas controladas. O sistema tipo 
"túnel" utiliza exaustores em uma extremidade para criar um fluxo de ar de 
alta velocidade 
→ O resfriamento adiabático evaporativo altera o estado psicrométrico do ar, 
reduzindo a temperatura de bulbo seco através da evaporação da água, que 
consome calor sensível do ar. A nebulização é uma forma comum desse sistema, 
consistindo na formação de gotículas minúsculas que evaporam rapidamente, 
resfriando o ambiente. É considerada altamente eficiente para melhorar o 
desempenho animal e deve ser acionada sempre que a temperatura exceder os 
limites de conforto, desde que a umidade relativa do ar não ultrapasse 75-80%.

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