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A construção do conhecimento científico

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22/05/2023, 11:41 A construção do conhecimento científico
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A construção do conhecimento cientí�co
Textos Cientí�cos: aspectos metodológicos e linguísticos
1. Introdução
Olá, estudante. Nesta lição, temos a oportunidade de pensar sobre as questões referentes à pesquisa
científica. Podemos voltar nossa atenção sobre todas essas formas de construção e transmissão do
conhecimento científico. Como construímos esse conhecimento? Será que há alguma regra (ou
regras) para transmitir este conhecimento? Há formas distintas que regem cada forma de
transmissão? Se há regras, quem as dita? Há alguma padronização nacional ou internacional? Isto
tudo em uma sociedade na qual o acesso a informação se tornou muito fácil, mas, paradoxalmente,
difícil de atestar sobre a sua qualidade? Algumas respostas são fáceis; outras, nem tanto. Mas
vamos, juntos, percorrer este caminho que nos aproxima tanto da realização do nosso objetivo
maior: a finalização da nossa formação em profissionais competentes, que potencializam suas
habilidades em prol das áreas profissionais que escolhemos.
2. A construção do conhecimento científico
Quando falamos “conhecimento científico”, a primeira pergunta que nos vem à mente é: o que é o
conhecimento científico? Podemos dizer que o conhecimento científico é o estudo, o
aprendizado, sobre um determinado fenômeno, por meio de métodos, procedimentos e técnicas que
empregamos (GIL, 2002; BARROS et al., 2017). Por meio dele, queremos nos aprofundar em um
determinado saber, procurando explicar o motivo pelo qual tal fenômeno ocorre, e se há (e quais
seriam) as formas de um determinado fenômeno. Tudo isso de forma racional e objetiva porque
este conhecimento deve ter coerência e, em alguns casos, gerar medidas para controle dos efeitos
gerados por determinado fenômeno.
Você sabia?
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Quando comparamos o conhecimento científico com o conhecimento popular, verificamos que
ambos se utilizam da aplicação de métodos, procedimentos e técnicas, para alcançar um
determinado resultado. Porém, no conhecimento científico, há espaço para a crítica de cada uma
dessas partes. No conhecimento científico, há a procura pela explicação do motivo pelo qual um
fenômeno ocorre, e pela(s) forma(s) na(s) qual(quais) ele se manifesta. Portanto, podemos observar
que o conhecimento popular e o científico têm a racionalidade e a objetividade em comum, pois
ambos buscam aplicar coerência ao fenômeno observado.
 
Você sabia?
O conhecimento científico não é a única forma de conhecimento! Quando avaliamos o material
disponível na literatura, verificamos que o conhecimento pode ser apresentado em quatro formas:
conhecimento popular, conhecimento filosófico, conhecimento religioso e conhecimento
científico. E, antes de fazermos qualquer tipo de julgamento sobre esses outros tipos de
conhecimento, é importante ressaltar que, no mínimo, a leitura desses outros tipos de
conhecimento pode nos trazer valiosas informações de cunho histórico, político e religioso, que
muitas vezes interferiram na construção do conhecimento científico.
O conhecimento popular (ou vulgar/senso comum) é baseado nas experiências pessoais aos
fenômenos que o ser humano está exposto, sendo transmitido nas suas gerações. Ou seja,
conhecimento que é transmitido “de pai pra filho”. Desse modo, esta forma de conhecimento
muitas vezes vem carregada de valores morais daquela sociedade; é também subjetiva (ou seja, de
acordo com as convicções do indivíduo) e superficial, pois não procura a explicação, a
compreensão, dos fenômenos em um conjunto de elementos – concretos ou abstratos –
organizados de forma intelectual. Entretanto, não podemos dizer que é uma forma de
conhecimento inútil, uma vez que foi por meio desses conhecimentos que vários processos criados
pelos seres humanos foram transmitidos e permitiram o sucesso da espécie humana (por exemplo,
o planejamento e plantio de vegetais, que antes eram coletados na natureza).
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Uma outra característica que observamos no conhecimento científico é o empirismo, ou seja, é
baseado na experiência e na observação. No conhecimento científico, partimos do pressuposto que
somente por meio das experiências podemos gerar ideias e conhecimentos. Em outras palavras, nas
ciências, as hipóteses (uma suposição/ideia provisória) devem ser comprovadas (ou
refutadas/rejeitadas) de acordo com experimentos científicos que são planeados para esse fim.
Você sabia?
Exemplo de conhecimento popular (método de colheita).
O conhecimento filosófico não considera o empirismo porque parte de hipóteses que não têm
como serem verificadas experimentalmente. É baseado na razão, questionando a posição do
homem frente ao meio em que vive. O conhecimento filosófico é centrado nas ideias que surgem a
partir do raciocínio lógico e coerente das situações vividas pelos seres humanos. Assume-se que o
conhecimento filosófico antecede a experiência e, portanto, não precisa de experimentação para
ser comprovado.
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Até este ponto, de acordo com o que aprendemos sobre o conhecimento científico e os demais tipos
de conhecimento, podemos concluir que ele é uma das formas que temos para conhecer a realidade
e alcançar a “verdade”. Porém, é notório que foi por meio do conhecimento científico que vários
avanços tecnológicos ocorreram. Foi com esse tipo de conhecimento que o ser humano pôde
dispensar a utilização de animais como meio de transporte individual e de cargas, literalmente
alçou voo, saiu do planeta e alcançou seu satélite natural (a Lua).
 
Você sabia?
Exemplo de conhecimento filosófico (Platão ensinando ao seu discípulo Aristóteles).
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Apesar de todos os avanços científicos-tecnológicos proporcionados pelo conhecimento científico,
devemos, então, colocá-lo no centro da “verdade”, resolvendo todos os conflitos e problemas do ser
humano? Quando fazemos esta pergunta, verificamos que muitos de nós diriam que o ser humano é
mais do que simplesmente o resultado de experiências científicas, transpondo o real material, em
uma discussão que envolve conhecimentos comuns, filosóficos e teológicos. Portanto, é difícil
estabelecermos “rankings” de valores, mas é sempre possível manter o respeito aos indivíduos que
divergem nas linhas de conhecimento.
Portanto, podemos concluir que o conhecimento científico é construído, inicialmente, pela criação
de uma hipótese, que teoriza como um determinado fenômeno observado é controlado ou
modulado, com base nos dados obtidos pela experimentação prévia própria ou de outrem. É muito
provável que, com o pouco conhecimento científico em determinada área, a hipótese inicialmente
proposta seja modificada, ou até mesmo descartada, pois se tratava de algo previamente estudado.
Portanto, durante a elaboração da nossa hipótese,que vai nortear nosso projeto, é importante a
leitura de muitos artigos científicos, para que não acabemos “redescobrindo a roda”. Em seguida,
de acordo com o que agora sabemos sobre o conhecimento científico, será necessário planejarmos
O conhecimento religioso, ou teológico, é também sistemático, como o conhecimento científico;
entretanto, não busca na experimentação a explicação de fenômenos, pois neste tipo de
conhecimento os fenômenos têm base na vontade divina, que é infalível e incontestável. É
importante ressaltar, aqui, que, por muitas vezes, apenas o Cristianismo é considerado
conhecimento religioso; entretanto, deve-se considerar, dentro do conhecimento religioso, também
outras doutrinas religiosas, como o Islamismo, Budismo, Hinduísmo, e demais religiões.
Exemplo de conhecimento religioso (Martinho Lutero afixando suas 95 teses).
Exemplo de conhecimento científico (carta de Semmelweiz aos professores de obstetrícia, exigindo a lavagem das mãos).
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os experimentos que serão realizados, para testar a nossa hipótese. Uma vez testada, vamos
comunicar os nossos achados (resultados), para que então essa informação obtida possa ser
inserida dentro do conhecimento científico.
A construção do conhecimento científico é baseada nas etapas acima; porém, um projeto científico,
como é o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), tem mais partes que estão englobadas dentro
destas etapas (UFES, 2011). Detalharemos a estrutura do TCC durante nossas aulas, e ela tem
algumas variações, de acordo com o tipo de problema estudado e o estilo dos autores.
Independentemente da estrutura adotada, será necessário que o projeto esclareça como será feita a
pesquisa, quais serão suas etapas, quais os recursos necessários para se atingir os objetivos, isso
tudo muito bem detalhado, para permitir uma avaliação da pesquisa pretendida. Terminando essa
parte, é importante lembrarmos que a correta transmissão do conhecimento científico é
fundamental para que a ciência possa progredir, pois ela é baseada na memória arquivada dos
conhecimentos que foram gerados ao longo do tempo.
Fluxograma da construção do conhecimento científico
3. Objetividade, sistemática e
fundamentação científica
Para descrevermos os fenômenos naturais, é necessário que sejamos objetivos nesse processo
(GIL, 2002; BARROS et al., 2017). Afinal, o texto final a ser produzido servirá de fonte de avaliação
por outros pesquisadores e ficará a disposição para consulta. A objetividade é observada em um
texto quando a linguagem é direta, sem desvios para considerações irrelevantes, de forma que a
argumentação está apoiada em provas e conhecimento científico prévio. Às vezes, pela falta de
experiência, é comum que o autor, mesmo “cheio” de conhecimento adquirido pela consulta prévia
da literatura pertinente, comece a escrever seu texto e, de acordo com a sua interpretação daquilo
que sabe, divague sobre questões que surgem do assunto, mas que não descrevem ou embasam
aquilo que é o foco da pesquisa que realiza. Não que seja ruim alguém, munido do conhecimento
científico, ter ideias e opiniões acerca de um determinado assunto; isso é muito importante para o
progresso do conhecimento científico, mas deve ser utilizado no momento correto, até mesmo
durante a produção de um texto científico. Há locais, por exemplo, dentro de um TCC, que
permitem que tal “liberdade” criativa seja colocada. Porém, quando estamos introduzindo,
justificando, explicando o racional da nossa pesquisa, levantando nossa(s) hipótese(s), descrevendo
nossos objetivos e metodologias aplicadas, ou reportando nossos resultados, é primordial que esse
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tipo de pensar vaguejante seja suprimido. É preciso pensar que devemos conduzir o leitor ao objeto
de nossa pesquisa; se vagueamos por outros assuntos, o leitor não será conduzido pela lógica do
nosso raciocínio e corremos o risco de não capturarmos sua atenção, culminando na falha daquilo
que é um dos objetivos da pesquisa: transmitir o conhecimento científico adquirido às futuras
gerações. Continuando na elaboração da estrutura do texto científico, mesmo quando discutimos
nossos resultados e concluímos nossa pesquisa, devemos continuar utilizando a objetividade para
este fim. Porém, nessas partes há mais liberdade para que o autor possa colocar considerações e
opiniões pessoais, sem sair do assunto principal de seu texto. A imagem seguinte representa os
pilares da construção do conhecimento científico, que dá sustentação para uma série de cuidados
que temos de ter durante a escrita do nosso projeto.
Ao descrevermos a objetividade, às vezes fica difícil compreender exatamente o que isso significa de
forma real. Vamos, então, considerar o seguinte exemplo: uma pesquisadora tem como objetivo
avaliar se diferenças entre classes sociais estão correlacionadas com a qualidade da dieta que se
consome no Brasil. Fica claro que o estudo é pautado em classes sociais e qualidade da dieta no
Brasil. Porém, quando a autora escreve seu texto, ela passa a descrever as classes sociais; depois,
indica como elas foram estruturadas nos últimos anos; depois, descreve como os partidos políticos
se firmaram e alteraram dentro dessas classes sociais, indo assim para a formação política da
América Latina e como ela foi influenciada pelos grandes movimentos políticos mundiais. A autora
vagueou por diversos assuntos, perdendo seu foco, prejudicando a transmissão do conhecimento.
Além da objetividade, há também outros aspectos com os quais precisamos nos preocupar quando
escrevemos nossos textos. É comum ao pesquisador que desenvolva algum tipo de empatia com
aquilo que se propôs a investigar, afinal, há alguma motivação que o levou a pesquisar sobre
determinado assunto. Porém, se esse sentimento é transferido ao seu relato científico, ele pode
caracterizar a sua pesquisa como sendo pessoal (“no meu projeto”, “no meu estudo”). Isso está
longe da objetividade da pesquisa, pois ela deve contribuir para o conhecimento científico, que é
impessoal. Portanto, a impessoalidade é preferível na hora da escrita de nosso texto, então,
devemos utilizar expressões como “este projeto”, “este estudo”, para que nossa contribuição ao
conhecimento científico seja isenta das motivações pessoais que nos levaram a pesquisar sobre um
determinado assunto.
Na objetividade, também observamos a clareza, pois nossas ideias serão apresentadas sem
ambiguidade, evitando assim que possam ter interpretações diversas. Para isso, é necessário que
utilizemos o vocabulário adequado (uma dica: aumente seu vocabulário), sem uso excessivo de
palavras para nos explicarmos, evitando palavras que se tornam supérfluas, de acordo com aquilo
que já foi escrito.
Bases de construção do conhecimento científico e da escrita científica.
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Também está dentro da objetividade a precisão. Novamente, a importância do vocabulário volta à
tona neste ponto. A inserção de palavras que não condizem com o real significado delas pode
comprometer completamente a compreensão de uma determinada ideia que se queira transmitir.
Mais ainda, cada ramo da ciência temtermos técnicos que conferem precisão àquilo que queremos
descrever. Portanto, o pesquisador deve recorrer a esses termos especializados, para que a precisão
conceitual seja alcançada, traduzindo-se com exatidão aquilo que desejamos transmitir, que são
nossas observações, medições e análises. Na precisão, também é necessário nos preocuparmos com
o uso dos adjetivos, pois eles podem levar a uma imprecisão naquilo que estamos descrevendo. Por
exemplo, quando escrevemos que “é grande o número de pessoas infectadas”, o “grande” é
comparável com o quê? É melhor escrever que “o número de pessoas infectadas é maior do que
aquilo que foi observado no ano passado”, pois aqui podemos quantificar a informação que é
transmitida. Outro exemplo: “recentemente, observou-se um aumento nos casos de malária...”; este
“recentemente” se refere a qual período de tempo? O conceito de “recente” é subjetivo, não só ao
sujeito, mas também à área de estudo, e ists gera imprecisão na informação, comprometendo a
objetividade da pesquisa científica.
Outro ponto importante a ser considerado na formação do conhecimento científico é a sistemática,
a forma como classificamos e organizamos os passos da nossa pesquisa, seguindo os critérios
utilizados dentro da ciência. Novamente, os conceitos de clareza e precisão são importantes para a
sistemática, porém é aqui que a coerência se destaca. A coerência determina que nossas ideias
sejam apresentadas em uma sequência lógica e ordenada. Portanto, ordenar os passos da nossa
pesquisa de forma coerente é necessário. Por exemplo, imagine que um determinado trabalho
científico se propõe a estudar os efeitos de um determinado medicamento sobre a asma, em um
modelo animal para essa doença. Como deveriam aparecer cada um dos itens metodológicos na
nossa parte de material e métodos? Aqui, pela coerência, não podemos descrever como primeiro
item desta parte a análise estatística que será aplicada aos dados que serão obtidos, pois nem
mencionamos quais são os métodos que serão aplicados para seleção dos animais, como eles serão
mantidos, quais os protocolos que serão utilizados para utilização do medicamento e para
desencadeamento da asma, quais os testes que serão realizados para medir a influência do
medicamento. Ou seja, a coerência demanda que haja lógica, para que seja sistemática a elaboração
do nosso meio de comunicação do conhecimento científico.
Até este ponto, verificamos que impessoalidade, clareza, precisão, coerência, são necessárias para
que alcancemos o objetivo principal que é comunicarmos nosso conhecimento científico de maneira
correta. Entretanto, há ainda outros fatores que influenciam na objetividade e sistemática de textos
científicos de qualidade, como veremos a seguir.
Um outro conceito importante na elaboração dos nossos textos é a concisão. A ideia, aqui, é passar
a informação no menor número possível de palavras. A concisão vai atrelada a um outro conceito: a
simplicidade. Essa é uma das qualidades mais difíceis de alcançarmos, porque alguns autores
querem impressionar pelo número de frases que escrevem, mas não pelo conteúdo que transmitem.
Às vezes, esse comportamento errôneo é também reforçado em algumas disciplinas, que forçam os
alunos a responderem em números de parágrafos e páginas. Há um outro motivo pelo qual alguns
autores se utilizam do excesso de palavras de maneira errônea: para esconder sua mediocridade.
Neste sentido, é interessante verificarmos que muitos discursos políticos são um belo exemplo
desse uso excessivo de palavras sem objetividade.
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Por fim, sem a fundamentação científica, perde-se completamente a justificativa para que a
pesquisa seja realizada. É a fundamentação científica que o pesquisador recorre aos registros
daquilo que é conhecimento científico dentro de uma determinada área. Com base nesses registros,
o pesquisador pode agora formular ou refinar a sua pergunta, o seu problema a ser estudado. Pode
ser que até mesmo descartemos a pergunta/problema, pois verificamos que já foi
respondida/estudado. É mais comum que o descarte de perguntas/problemas aconteça quando
estamos iniciando na carreira científica, ou quando estamos transitando entre áreas e subáreas
distintas da ciência. Mas isso não é motivo de vergonha, uma vez que o descarte foi baseado naquilo
que se pretende quando seguimos pela carreira científica, que é a consulta constante da literatura
científica de uma determinada área. Ou seja, constante manutenção e aumento da fundamentação
científica daquilo que nos propusemos a estudar. Portanto, é na fundamentação científica que o
pesquisador vai procurar todas as informações disponíveis naquela área. Elas serão processadas,
compreendidas e acrescentadas às experiências do pesquisador, fazendo agora com que este
indivíduo forme dentro de si, um estoque de conhecimento científico. Será desse conhecimento que
novos conhecimentos poderão surgir, ampliando o conhecimento científico global, e o
entendimento daquilo que é o objeto da sua pesquisa. O pesquisador, nesse processo, torna-se o
produtor do conhecimento científico, assim como seu consumidor. É por isso que a perda de um(a)
pesquisador(a) é tão sentida pelos seus pares, pois significa a perda de um indivíduo com seu
“pacote” único de conhecimento científico. Sendo assim, a comunicação científica se torna essencial
para que esta raridade não seja perdida, uma vez que o trabalho científico produzido por aquele
pesquisador ficará imortalizado no conhecimento científico.
Além da qualificação do conhecimento científico presente em um determinado artigo, há também
como estratificar as revistas científicas.
4. As publicações científicas
As publicações científicas estão dentro da comunicação científica. Elas são o ato de tornar público
as informações obtidas na pesquisa que realizamos.
A comunicação é inerente ao ser humano; é a troca de informações entre emissores e receptores.
Sendo assim, é a prova da compreensão de um determinado assunto (BARROS et al., 2017).
Nos últimos 10 a 20 anos, as possibilidades de interações mundiais entre emissores/receptores
aumentaram; antes desse período, a transmissão da informação estava muito restrita às
publicações científicas e aos encontros físicos entre pesquisadores. Graças aos avanços nas
tecnologias de informação e comunicação, a informação circula de maneira mais rápida, não
presencial, e em formatos distintos. Entretanto, essa agilidade de trocas de informações não pode
interferir nos procedimentos já sedimentados de construção do conhecimento científico.
Quando publicamos o conhecimento científico, registramos e armazenamos os resultados que
foram obtidos, por meio de métodos, técnicas e procedimentos. Dessa forma, os mesmos
procedimentos podem ser aplicados por outros cientistas, independentemente, e a repetição e
comprovação dos resultados é possível. Por esse motivo, o conhecimento científico é considerado
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confiável. Além da possibilidade de repetição dos experimentos (avaliação pós-publicação), há
outras formas de atestar para a confiabilidade dos dados publicados. Após a submissão de um
artigo para publicação, ele é enviado pela revista científica para revisão por outros pesquisadores,
processo chamado de revisão por pares (do inglês “peer review”). Ou seja, a justificativa, a
metodologia utilizada, os resultados obtidos, sua análise, assim como a discussão das relevâncias
deles dentro da área de estudo, são avaliadas por outros pesquisadores. Eles, por sua vez, vão
emitir pareceres sobre o mérito científico do artigo, da sua conformidade com os propósitos
daquela revista,que vão embasar os editores pelo aceite (com grandes ou pequenas revisões) ou
rejeição do artigo. Portanto, há também essa fase durante a publicação do conhecimento científico
(avaliação prévia), que vai contribuir para sua confiabilidade.
 
Você sabia?
Por fim, há uma outra maneira que pode atestar a confiabilidade de um trabalho científico: a sua
quantidade de citações. Quando o conhecimento científico que está embutido dentro de um artigo
científico, passa a ser amplamente citado por outros pesquisadores, como sendo uma contribuição
significativa para avanço da ciência de uma determinada área. Porém, é importante considerarmos
algumas exceções quando avaliamos a quantidade de citações de um artigo científico, porque há
algumas situações em que as citações podem ser altas, mas necessariamente não atestam para o
impacto que o conhecimento científico daquele artigo tem para aquela área. Algumas exceções:
autocitações (quando os próprios autores se referem ao seu artigo nas publicações subsequentes de
seu grupo de pesquisa, mesmo que ele não tenha relevância direta para o tema da pesquisa que será
publicada), revisões (apesar de muito úteis, tendem a ter um alto número de citações, não porque
trazem acréscimo ao conhecimento científico, mas porque compilam resultados de vários artigos),
artigos taxonômicos (que podem ser, muitas vezes, citados porque servem para classificar um
determinado organismo que é alvo de vários estudos).
Ao chegarmos ao final deste tópico, há ainda um assunto a abordar: se há alguma forma de
classificação das revistas científicas e se essa classificação é útil para a comunidade científica.
Há várias formas de classificarmos as revistas científicas, mas uma das mais utilizadas na área de
Ciências da Saúde e da Vida é aquela publicada pela “Clarivate Analytics Inc.”, o “Journal Citation
Reports” (JCR). Essa publicação calcula o Fator de Impacto de uma revista (ou “Impact Factor”,
Recentemente, pela urgência de divulgação do conhecimento científico a respeito da infecção pelo
Sars-Cov-2 (vírus que causa a Covid-19, a COrona VIrus Disease de 2019), muitas revistas científicas
publicaram artigos antes da revisão por pares estar finalizada. Se por um lado isso aumentou a
velocidade com que a informação esteve disponível, por outro lado, permitiu que conhecimento
científico fosse divulgado, sem atender aos critérios rígidos exigidos para divulgação dos mesmos.
Em alguns casos, artigos foram posteriormente removidos das revistas, porque continham falhas
no processo de formação do conhecimento científico.
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IF), baseada em apenas duas variáveis: o número de citações recebidas pelos artigos publicados na
revista científica (também chamada de periódico), nos dois anos anteriores à avaliação, dividido
pelo número de artigos publicados no mesmo período. Por exemplo, vamos imaginar que um
periódico publicou 24 artigos no período de dois anos e que cada um desses artigos foi citado uma
única vez; ou seja, no total de dois anos, houve 24 citações aos artigos desta revista. Dividindo 24
por 24, temos como IF o valor 1,0. Já um outro periódico, que também publicou 24 artigos, teve
duas citações em cada um desses artigos, no mesmo período de dois anos. Ao calcularmos este IF,
verificamos que o valor agora será 2,0. Assume-se, portanto, que o seguindo periódico é mais
“relevante” do que o primeiro, porque há um número maior de pesquisadores que citam os artigos
dele. Desse modo, podemos classificar as revistas (ou periódicos) do maior para o menor IF.
Quando assim fazemos, verificamos que os periódicos com maior IF são aqueles que publicam
conhecimento científico de extrema importância para a ciência, em seguida aqueles que publicam
conhecimento científico relevante para áreas específicas dentro da ciência. O IF pode e é utilizado
por várias agências de fomento a pesquisa (que custeiam as despesas do projeto), até mesmo de
programas de pós-graduação, qualificando os pesquisadores que estão a concorrer por verbas e pela
manutenção nos quadros dos programas de pós-graduação. No Brasil, a Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), utiliza o IF das revistas, calculado pelo
JCR, como um dos índices para julgar a qualidade dos programas de pós-graduação. Isso é útil para
estimular os pesquisadores a tornarem públicas suas contribuições para o conhecimento científico,
porém, a CAPES está em processo de atualização de quais outros índices poderiam ser utilizados no
lugar do IF. Isso porque, na verdade, o IF é um qualificador de periódicos, mas não do
conhecimento científico e do pesquisador que o produziu. Durante o período em que escrevemos
este tópico, a CAPES tem migrado para uma avaliação multifatorial, na qual outros índices serão
utilizados.
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Um dos maiores avanços no conhecimento científico se deu pela descoberta dos germes como
agentes causadores das doenças. E, nesse contexto, não podemos deixar de considerar os
trabalhos científicos de Louis Pasteur, Robert Koch e tantos outros pesquisadores que eram seus
contemporâneos. Entretanto, pouco se sabe de um pesquisador chamado Ignaz Philipp
Semmelweis, médico húngaro. O vídeo seguinte, apesar de longo e em inglês (com possibilidade de
legenda em português), é fascinante para “ver na prática” vários conceitos que descrevemos como
essenciais na formação do conhecimento científico. Não esqueça de ativar a legenda.
Micróbios e Homens – Episódio 1 – O inimigo Invisível.
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5. Conclusão
Ao terminarmos este tópico, aprendemos os pilares que sustentam o conhecimento científico e
como ele é registrado e arquivado dentro das publicações, principalmente aquelas destinadas aos
periódicos. Esses conceitos serão essenciais para pautar nossas próximas etapas na elaboração do
TCC. Portanto, prepare-se, porque os nossos próximos conteúdos vão agora esclarecer aspectos
mais técnicos na elaboração dos TCCs, sempre com os conceitos aqui aprendidos como
balizamento.
6. Referências
BARROS. S.; ROSA, F.: RIBEIRO, E. M. Princípios e técnicas para elaboração de textos
acadêmicos: Pensando na Pós-Graduação. 1a edição. Salvador: UFBA, 2017. 120 p. ilust.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. edição. São Paulo, Ed. Atlas, 2002.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO (UFES). Biblioteca Central. Normalização e
apresentação de trabalhos científicos e acadêmicos. Vitória, ES: A Biblioteca, 2011.74 p. (e edições
anteriores).
Youtube. (26 mar. 2020). Uma escola. Os Micróbios e o Homem - Episódio 1 - O Inimigo Invisível
(legendas em português) - Imagem 4:3. 55min50. Disponível em: Acesso em: 24 set. 2020.

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