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1 ACADEMIA DE CIÊNCIAS DE ENSINO SUPERIOR E TECNOLÓGICA POLO: ITAPIPOCA CURSO: EDUCAÇÃO FÍSICA PROFº. MSc. José Ednésio da Cruz Freire Apostila de Biologia Aplicada a Educação Física Itapipoca, 2015 2 ORIGEM DA VIDA Provavelmente, todas as pessoas, em algum momento de seu ínfimo tempo de vida indagaram-se a cerca da existência das coisas, incluindo, do universo, das estrelas, dos planetas e, sem dúvida da própria vida. De tais questionamentos, a origem da vida é um dos fenômenos mais inquietantes. A final de conta, o que é a “vida”? Que analogias ou diferenças estruturais, processos internos e modos de vida os seres vivos apresentam entre si? Qual o parentesco dos vários tipos entre si? Como surgiram? Como evoluíram? Tais perguntas não são tão fáceis de serem respondidas. Contudo, investigações científicas idealizaram diversos fundamentos os quais tentam solucionar tais fenômenos. Houve um tempo em que “nada” havia. Acredita-se que por volta de 17,5 bilhões de anos atrás, o universo formou-se a partir de uma explosão cataclísmica de calor, produzindo Googolplex (Googolplex = 10 googol = =10 10.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.00 0.000.000.000.000.000 ) fagulhas subatômicas ricas energeticamente. Instantaneamente, elementos mais simples como o hidrogênio e o hélio foram formados. “A ciência, ao longo dos séculos tem aventurado responder, especialmente à origem da vida”. Antes de debruçarmos sobre a origem da vida é necessário entendermos como surgiu o universo. 3 À medida que o universo expandia e esfriava-se, a matéria se condensava sob influência da gravidade, formando assim as estrelas. Algumas estrelas tornavam colossais e em consequência explodiam como supernovas, liberando energia suficiente para fundir núcleos atômicos mais simples em elementos mais complexos. Dessa maneira, foi formada ao longo de bilhões de anos, a Terra e outros inúmeros astros. Só a Via Láctea, o número de planetas excede um trilhão. Dos 4.600.000.000 (quatro bilhões e seiscentos milhões) de anos da existência da Terra, cerca de 6.000.000 (seiscentos milhões) “iniciais”, perdurou sem nenhuma forma de vida. Por outro lado, os últimos 4.000.000.000 (quatro bilhões) de anos, a vida tem reinado em nosso planeta, nos mais variados habitats. Infelizmente ou “felizmente” (pense um Santanaraptor placidus (Fig. 01) caçando nesse momento por esses arredores, por certo estaríamos em pânico.) cerca de 99% de todas as forma vidas que já existiram no planeta, encontram-se extintas hoje. Fig. 01 – Santanaraptor placidus, dinossauro carnívoro que viveu no Ceará a 100 milhões de anos atrás. Mesmo a biodiversidade restante (cerca de 1%) representa um total no qual não sabemos ao certo. Nesse instante, é oportuno introduzir os conceitos O Santanaraptor (S. placidus, em latim Predador de Santana) foi um dinossauro terópode (carnívoro), bípede de 2,5 m de altura que viveu há cerca de 110 milhões de anos no nordeste do Brasil mais precisamente na formação Santana, Bacia do Araripe (CE). 4 fundamentais da Sistemática (Ciência da Diversidade Biológica). Quando você pára e examina um arbusto, um fungo ou um animal, especialmente os exóticos, normalmente você indaga: “Qual o nome...?” Para os biólogos, a pluralidade de organismos deve ser reconhecida através de um nome científico alinhado a caracteres estruturais e, sobretudo, por aspectos moleculares baseados em seqüenciamento de proteínas, fragmentos de ácidos nucléicos ou mesmo o genoma completo (Fig. 02a e 02b). Fig. 02a – Classificação dos seres vivos de acordo com Whittaker. Fig. 02b – Classificação dos seres vivos de acordo com Woese. Contudo, o fenômeno “vida” ainda nos inquieta... Onde é como a vida surgiu? Várias teorias tentam explicar tal fenômeno, destacando-se as Teorias: Abiogênese, Biogênese, Panspermia e o Criacionismo. ? “Onde e como a vida surgiu?”. 5 A LÓGICA MOLECULAR DA VIDA Os seres vivos são constituídos de moléculas desprovidas de vida. Tais moléculas, quando isoladas e examinadas individualmente, comportam-se de acordo com as leis físicas e químicas que descrevem o comportamento da matéria inanimada. Apesar disso, os organismos vivos apresentam atributos peculiares, que não são encontrados em aglomerados de matéria inanimada. O exame de alguns desses atributos especialmente caracteriza o enfoque de questões fundamentais que é objetivo de estudo da Bioquímica. A Bioquímica é uma Ciência jovem. Até as últimas décadas, poucas universidades a reconheciam como Ciência autônoma. Há duas linhas paralelas na genealogia da Bioquímica de nossos dias. Uma delas provém da Medicina e da Fisiologia, como um produto secundário das pesquisas iniciais da composição química do sangue, da urina e dos tecidos, e de suas variações normais e patológicas. A outra linha provém da Química Orgânica, a partir dos estudos iniciais da estrutura dos compostos orgânicos de ocorrência natural. Fig. 06 – Os seres vivos são constituídos de moléculas desprovidas de vida, assim como os seres inanimados. . Surge a seguinte questão: se os organismos vivos são constituídos de moléculas intrinsecamente inanimadas, por que a matéria viva difere tão radicalmente da matéria não-viva, que também consiste intrinsecamente de moléculas inanimadas? 6 Características da matéria viva Seres vivos Matéria inanimada 1. Estes são estruturalmente complexos e organizados; 1. Usualmente consiste de misturas de compostos químicos relativamente simples; 2. Extraem, transformam e usam a energia que encontram no meio ambiente; usualmente na forma de nutrientes químicos ou da energia radiante de luz solar; 2. Não usa a energia de forma sistemática para manter a sua estrutura ou para realizar trabalho. A matéria inanimada tende a se degenerar em um estado mais desordenado, alcançando um equilíbrio com o meio ambiente; 3. Estes são capacitados para a auto- replicação e automontagem; 3. Não mostra capacidade para crescer e se reproduzir em forma idênticas, em massa, forma e estrutura interna, geração após geração; 4. Cada parte de um organismo vivos tem uma função específica; isto é verdadeiro não somente para as estruturas macroscópicas, como folhas e caules ou coração e pulmões, mas também para as estruturas intracelulares microscópicas, como núcleo e cloroplastos. 4. Não há função de suas partes. 7 CÉLULAS Tudo começou com uma única célula. A primeira célula divide-se em duas, e as duas em quatro, e assim por diante. Após, apenas 47 duplicações, obtém-se um aglomerado de 10 mil trilhões (10.000.000.000.000.000) de células. Cada um delas capaz de discriminar “exatamente” o que fazer para preservar desde concepção até o seu último alento. Cada uma possui uma cópia do código genético completo – o manual de instruções para o indivíduo; portanto, além da função específica que desempenha, ela conhece todas as suas funções no organismo, trabalhando dedicadamente para o seu bem-estar geral. Quando você come, são as células que extraem os nutrientes, distribuem a energia e eliminam os resíduos – tudo aquilo que você aprendeu na aula de biologia –, mas também se lembram de deixá-lo com fome, e o recompensam com uma sensação de bem-estar depois, de modo que você não se esqueceráde comer novamente. Mantêm seus cabelos crescendo, seus ouvidos com cera e seu cérebro ronronando, entre outras funções. Surpresas no nível celular ocorrem o tempo todo. Na natureza, o óxido nítrico é uma toxina poderosa e um componente comum da poluição do ar. Portanto, é natural que os cientistas ficassem atônicos quando, em meados da década de 1980, descobriram que ele era produzido, com curiosa dedicação, por células humanas. Sua finalidade era, no início, um mistério, mas depois os pesquisadores começaram a encontrá-lo por toda parte: controlando o fluxo sanguíneo e os níveis de energia “Graças às células, você se levanta, se espreguiça ou dá cambalhotas” . 8 das células, atacando cânceres e outros patógenos, regulando o sentido do olfato, até ajudando nas ereções do pênis. Não obstante, as moléculas que constituem as células são formadas pelos mesmos átomos encontrados nos objetos inanimados. Todavia, na origem e evolução das células alguns tipos de átomos foram “selecionados” para a constituição das biomoléculas. Noventa e nove por cento da massa das células é formada por hidrogênio, carbono, oxigênio e nitrogênio, enquanto, que nos seres inanimados da crosta terrestre, os quatro elementos mais abundantes são o oxigênio, silício, alumínio e sódio. Excluindo-se a água, existe nas células predominância absoluta de compostos de carbono, extremamente raros na crosta terrestres, portanto, a primeira célula e, as que dela evoluíram, selecionaram os compostos de carbono (compostos orgânicos), cujas propriedades químicas são mais adequadas à vida. Portanto, as células podem ser entendidas como as menores unidades morfofuncionais de todos os seres vivos. Tal descoberta foi realizada em 1663, pelo inglês Robert Hooke, quando examinava cortiças vegetais em um microscópio rudimentar. As observações de Hooke levaram-no a concluir que as cortiças eram constituídas por cavidades poliédricas às quais chamou de células (do latim: cella = pequena cavidade) – nenhuma realização despertou mais admiração que seu popular livro Microphagia: or some physiological descriptions of miniature bodies made by magnifying glasses [Microfagia: ou algumas descrições fisiológicas de corpos minúsculos obtidas por lentes de aumento], produzido em 1665. Contudo, a teoria celular só foi formulada em 1839 por Schleiden e Schwann, concluindo que todos os seres vivos são formados por células. 9 Nas últimas décadas a microscopia eletrônica tem demonstrado que existem três classes de células, ou seja, células procariontes incompletas, células procariontes e as células eucariontes. Células procarióticas “incompletas” As bactérias dos grupos das rickéttsias e das clamídias são muito pequenas, não possuindo a capacidade de autoduplicação independentemente da colaboração de outras células. Como os “vírus”, as rickéttsias e clamídias são parasitas celulares obrigatórios, pois só proliferam no interior de células eucarióticas (Fig. 07). Apesar de mecanismo reprodutivo semelhante aos vírus, às células incompletas diferem em três aspectos fundamentais: (1) os vírus contêm apenas um tipo de ácido nucléico que pode ser ácido ribonucléico (RNA) ou o desoxirribonucléico (DNA), enquanto às células incompletas contêm ao mesmo tempo DNA e RNA; (2) os vírus carregam, codificada em seu ácido nucléico, a informação genética para a formação de novos vírus, mas não possuem organelas e, por isso, fazem uso da maquinaria das células para se multiplicar. As células incompletas, as contrário, têm parte da maquina de síntese para reproduzir-se, mas necessitam da suplementação fornecida pelas células parasitadas; (3) as células incompletas têm uma membrana semipermeável, através da qual ocorrem trocas com o meio, o que não acontece com os vírus. O invólucro que alguns vírus possuem e que, em parte, é constituído de moléculas celulares, perde-se quando esses vírus penetram nas células. Fig. 07 – Micrografia de uma rickéttsia. . 10 Fig. 08 – Estrutura de uma célula procariótica. . Provavelmente, as células incompletas são células “degeneradas”, isto é, durante a evolução, perderam parte do seu DNA, de suas enzimas e, portanto, sua autonomia, tornando-se dependentes das células que se conservaram completas. Células procarióticas “completas” Procariontes (pro, anterior, primeiro, primitivo -karyon, noz ou amêndoa - núcleo = Núcleo Primitivo). As células procarióticas completas caracterizam-se pela “pobreza” de membranas. Nelas, geralmente à única membrana presente é a membrana plasmática. Ao contrário das células eucarióticas, as células procariontes não possuem membrana separando os cromossomos do citoplasma. Esta definição engloba todos os organismos dos domínios Bacteria e Archaea (Fig. 08). Tais células bacterianas possuem diversas morfologias. A fluidez de sua membrana é controlada somente por fosfolipídios (e não por fosfolipídios e esteróis como ocorre em células eucarióticas). A maioria dos procariotos vive de forma isolada, outras espécies vivem em comunidades ou aglomerados, no entanto, não tem a capacidade de formar tecidos, etc (Fig. 09). Com exceção dos ribossomos, os procariotos não possuem a maior parte das organelas, incluindo mitocôndrias ou cloroplastos, seu citoplasma não está dividido em compartimentos, como ocorre nos eucariontes. O DNA dos procariontes, geralmente é composto por um único cromossomo circular, localizado numa zona 11 chamada nucleóide no citoplasma. Este não constitui, no entanto, um verdadeiro núcleo. Também pode existir DNA sob a forma de anéis – os plasmídeos. Os mesossomos, invaginações na membrana citoplasmática, estão incluídos na composição dos procariotos. Fig. 09 – Desenhos coloridos representando deferentes grupos de procariotos. Os procariontes apresentam metabolismo muito diversificados, capacitado-os a colonizar diferentes habitats, tais como tratos digestivos de animais, ambientes vulcânicos, ambientes salobros, etc. Sua reprodução é do tipo assexuada por fissão binária, cissiparidade ou, ainda, bipartição. Outras formas de recombinação de DNA entre procariontes incluem a transformação e a transdução (Fig. 10). 12 Fig. 10 – Esquemas mostrando as diferentes formas de reprodução dos procariotos. 13 O mecanismo de recombinação pode ocorrer entre bactérias de diferentes gêneros “emprestando” características de um gênero a outro. Nesse ínterim, o processo mais temido pelo homem, diz respeito à aquisição de resistência a antibióticos através da transferência de plasmídeos contendo genes que conferem essa resistência. Células eucarióticas Essas células apresentam duas partes morfologicamente bem distintas – o citoplasma e o núcleo –, entre as quais existe um trânsito constante de moléculas diversas, nos dois sentidos. O citoplasma é envolvido pela membrana plasmática, e o núcleo pelo envoltório nuclear (Fig. 11). Fig. 11 – Esquemas mostrando uma célula animal e uma vegetal. Uma característica importante das células eucarióticas é sua “riqueza” em membranas, formando compartimentos que separam os diversos processos metabólicos graças ao direcionamento das moléculas absorvidas e às diferenças 14 enzimáticas entre as membranas dos vários compartimentos. Além de aumentar a eficiência, a separação das atividades permite que as células eucarióticas atinjam maior tamanho, sem prejuízo de suas funções. Como mencionado anteriormente as células contem muitas organelas e/ou compartimentos, ver abaixo: Citoplasma → Nas células eucariotes contém as organelas, como mitocôndrias, retículo endoplasmático, aparelho golgiense, lisossomos, peroxissomos, pode apresentar depósitosde substâncias diversas, como grânulos de glicogênio (animais), amido (vegetais), lipídios e outros. Preenchendo o espaço entre essas estruturas, encontra-se a matriz citoplasmática ou citossol. O citossol contém água, íons diversos, aminoácidos, precursores dos ácidos nucléicos, numerosas enzimas, as quais desempenham as mais variadas funções celulares. O citossol possui microfibrilas (actina) e microtúbulos (tubulina), cujas unidades monoméricas se podem despolimerizar e polimerizar novamente, de modo reversível e dinâmico, o que explica as modificações de sol para gel e vice-versa observadas no citoplasma. Fig. 12 – Esquemas mostrando o citoplasma de uma célula. 15 Membrana plasmática → Tem cerca de 7 a 10 nm de espessura e aparece nas eletromicrografias como duas linhas escuras separadas por uma linha central clara. Essa estrutura trilaminar é comum às outras membranas encontradas nas células, sendo por isso chamada unidade de membrana ou membrana unitária. As unidades de membrana são bicamadas lipídicas formadas principalmente por fosfolipídios (animais) e glicerofosfolipídios (vegetais), contendo uma quantidade variada de moléculas protéicas, contudo mais evidente em membranas com maior atividade funcional. Fig. 13 – Esquemas de uma membrana celular mostrando diversas moléculas a ela associada. Mitocôndria → A principal função dessas organelas (Fig. 15), é a liberação de energia gradualmente das moléculas de ácidos graxos e glicose, provenientes dos alimentos, produzindo calor e moléculas de ATP (adenosina trifosfatada). A 16 energia armazenada no ATP é usada pelas células para a realizar suas diversas funções. Fig. 14 – Esquemas de uma mitocôndria mostrando os diversos compartimentos e moléculas associadas. Retículo endoplasmático → No citoplasma das células eucarióticas existe uma rede de vesículas achatadas, vesículas esféricas e túbulos que se intercomunicam. Esses elementos possuem uma parede formada por uma unidade de membrana que delimita cavidades, as cisternas do retículo endoplasmático (Fig. 15). As cisternas constituem um sistema de túneis, de forma muito variável, que percorre o citoplasma. Distingue-se o retículo endoplasmático rugoso, ou granular e o liso. Fig. 15 – Desenho esquemático do reticulo endoplasmático. . 17 Endossomos → Os endossomos (Fig. 16) formam um compartimento que recebe as moléculas introduzidas no citoplasma das células pelas vesículas de pinocitose, que se originam da membrana plasmática. A função dessa organela é a separação e o endereçamento do material que penetra no citoplasma. O sistema endossomal constitui-se de um sistema de caráter irregular de vesículas e túbulos e, com pH ácido em seu interior. Aparelho golgiense → Essa organela é também conhecida como zona ou complexo de Golgi, estando constituída por um número variável de vesículas circulares achatadas e por vesículas esféricas de diversos tamanhos. Em muitas células, o aparelho golgiense (Fig. 16), localiza-se em posição constante, quase sempre ao lado do núcleo, no entanto, ela pode encontrar-se disperso pelo citoplasma. Essa organela tem múltiplas funções, porém, é muito importante na separação e endereçamento das moléculas sintetizadas nas células, encaminhando- as para as vesículas de secreção, para os lisossomos ou para a membrana celular. Fig. 17 – Desenho esquemático do complexo golgiense. 18 Lisossomos → Os lisossomos são depósitos de enzimas utilizadas pelas células para digerir moléculas introduzidas por pinocitose, por fagocitose ou então pelas próprias organelas. Peroxissomos → São organelas caracterizadas pela presença de enzimas oxidativas que transferem átomos de hidrogênio de diversos substratos para o oxigênio, segundo a reação [RH2 + O2 → R + H2O2]. Os peroxissomos contêm a maior parte da catalase celular, enzima que converte peróxido de hidrogênio (H2O2) em água e oxigênio, segundo a reação [2H2O2 → 2H2O + O2]. A atividade da catalase é importante porque o peróxido de hidrogênio (H2O2) que se forma nos peroxissomos é um oxidante enérgico e prejudicaria a célula se não fosse eliminado rapidamente. Os peroxissomos têm ainda a função de desintoxicação e de β-oxidar os ácidos graxos, produzindo acetil-CoA, que por sua vez, penetram nas mitocôndrias, onde vai participar da síntese de ATP através do ciclo de Krebs ou então ser utilizado em outros compartimentos citoplasmáticos para a síntese de moléculas diversas. Calcula-se que 30% dos ácidos graxos sejam oxidados em acetil-CoA nos peroxissomos. Citoesqueleto → Desempenham uma papel de mecânico de suporte, estabelecendo, modificando e mantendo a forma celular e a posição de seus componentes. É responsável também pelos movimentos celulares como contração, formação de pseudópodos e deslocamentos intracelulares de organelas, cromossomos, vesículas e grânulos diversos. Os principais elementos do citoesqueleto são os microtúbulos, filamentos de actina e filamentos de intermediários. 19 Núcleo → O núcleo é o responsável pelo controle de todas as funções celulares. A maior parte das células de nosso corpo possui um único núcleo. Contudo, há células que não possuem núcleo (eritrócitos maduros). Nem todas as células possuem um núcleo definido, a biologia as dividiu em dois grupos: células eucariontes (células com núcleo definido) e as células procariontes (células sem núcleo definido). Neste último caso, ao invés de concentrar-se no núcleo, como ocorre com as células eucariontes, o DNA geralmente se encontra no nucleóide. O nucleóide não é um verdadeiro núcleo, uma vez que não se encontra separado do resto da célula por membrana própria. Este consiste em uma única grande molécula de DNA com proteínas associadas. No caso das células eucariontes, o núcleo encontra-se separado por um envoltório nuclear, que, além de ter a função de separar o núcleo do citoplasma, comunica-se com o citoplasma através dos poros nucleares. Estes poros são responsáveis pelo controle dos transeuntes entre o núcleo e o citoplasma. Dento do núcleo, encontram-se corpos em formatos esféricos denominados nucléolos, compostos protéicos, DNA e RNA e os genes nucleares, também conhecidos como código genético. Estes genes são os responsáveis não só pelas características hereditárias, como também, pelo controle da maioria das atividades realizadas pelas células. De forma geral podemos dizer que o núcleo possui duas funções básicas: regular as reações químicas que ocorrem dentro da célula e armazenar suas informações genéticas. 20 Células tronco As células troco (ou progenitoras) apresentam características importantes que as distinguem de outros tipos celulares: são células não diferenciadas e, portanto não especializadas. Outra característica é que sob certas condições fisiológicas e experimentais, podem ser induzidas a tornarem-se células com funções especiais, tais como células nervosas, musculares, etc. As terapias celulares, baseadas na utilização de células troncas, podem ser definidas como um grupo de tecnologias que dependem da reposição de células doentes ou não funcionais por células saudáveis. Há dezenas de tipos diferentes de células especializadas no organismo adulto. Todas elas possuem funções específicas para o tecido que compõem. Por exemplo, células especializadas no músculo cardíaco contraem-se ritmicamente enquanto que células do pâncreas produzem insulina. Descrição dos tipos de células tronco: 1- Totipotentes → São consideradas células mestres do corpo, pois contém a informação genética necessária para criar todas as células do corpo incluindo a placenta que nutri o embrião. 2- Pluripotentes → São células altamente versáteis e quepodem dar origem a qualquer tipo de células, exceto as que formam a placenta. 3- Multipotentes → Podem dar origem a vários outros tipos celulares, mas em número limitado. Um exemplo disso são as células hematopoiéticas e 21 mesenquimais, que podem se desenvolver em vários tipos células. No sangue do cordão umbilical e da placenta encontram-se células estaminais (células extraordinárias cujo destino ainda não foi “elucidado”. Pode transformar-se em vários tipos de células diferentes, através da diferenciação), capazes de se transformarem em células de linhagem hematopoiética e mesenquimais. As células hematopoiéticas podem se diferenciar em qualquer célula sanguínea, já as mesenquimais têm potencial para conversão em outros tipos de células e, como tal, podem ter várias utilidades terapêuticas. Os cientistas usam apenas dois tipos de células troco de seres humanos: As embrionárias (pluripotentes) e as adultas (multipotentes), cujas funções e características são diferentes. Embrionárias → Como o próprio nome sugere, são derivadas de embriões. Especificamente, células tronco embrionárias são derivadas de embriões que se desenvolveram de óvulos fertilizados “in vitro” e doados para propósitos de pesquisa com o consentimento dos doadores (não são derivados de óvulos fertilizados no corpo da mulher). Estes embriões têm tipicamente quatro ou cinco dias de idade e são, ao microscópio, uma bola oca de células chamadas blastocisto. Porém, já têm vida. Portanto, os inúmeros debates éticos. Adultas → São células indiferenciadas encontradas entre células diferenciadas, dentro de um tecido ou órgão, podem se renovar e se diferenciar para produzir tipos Quais células tronco, humanas os cientistas trabalham? 22 especializados de células. O papel primário das células tronco adultas em um organismo vivo é manter e reparar o tecido no qual elas são associadas. Alguns cientistas usam o termo células tronco somática. Diferentemente das embrionárias, que são definidas pela sua origem (a camada de células interna do blastocisto), a origem das células tronco adultas em tecidos maduros é desconhecida. Muitos experimentos, ao longo dos últimos anos, têm demonstrado que as células tronco de um tecido estão habilitadas para originar tipos celulares de um tecido completamente diferente, um fenômeno conhecido como plasticidade. Exemplos de plasticidade incluem células sanguíneas que se tornam neurônios, células hepáticas que podem ser induzidas a produzir insulina e células tronco hematopoiéticas, que podem se desenvolver em músculo cardíaco. O objetivo seria identificar como as células indiferenciadas tornam-se diferenciadas. Os cientistas sabem que “ligar” ou “desligar” os genes é um passo central do processo. Algumas das condições médicas mais sérias, tal como o câncer e defeitos de nascimento são devidos à divisão células e diferenciação anormais. A melhor compreensão do controle genético e molecular destes processos poderá informar como tais doenças surgem, bem como podem sugerir novas estratégias terapêuticas. A aplicação mais importante das células tronco humanas é a geração de células e tecidos que poderiam ser utilizados para terapias. Células tronco, dirigidas para a Qual seria então, o objetivo principal do trabalho com células tronco? 23 diferenciarem em tipos celulares específicos, oferecem a possibilidade de uma fonte renovável de células e tecidos de reposição para tratar algumas doenças, tais como doença de Parkinson, Alzheimer, injúrias da medula espinhal, infarto, queimaduras, doenças cardíacas, diabetes, osteoartrite e artrite reumática. A pesquisa nesse campo avança lentamente e alguns obstáculos técnicos significantes ainda carecem de melhores entendimentos. A questão ética é outro ponto relevante e que merece uma profunda discussão de todos, cientistas, estudantes e leigos. ÁCIDOS NUCLÉICOS Estudos recentes apontam para a importância dos ácidos nucléicos nos processos inicial do desenvolvimento da vida. O RNA terá sido a primeira molécula a surgir? Já que este forma curtas cadeias espontaneamente em ambientes semelhantes aos propostos na teoria dos coacervados. Além disso, o RNA catalítico (ribozimas) liga-se temporariamente a locais específicos de outras moléculas, executando reações em células vivas na ausência de enzimas, funcionando simultaneamente como moléculas de informações (DNA) e moléculas executoras (proteína) durante a evolução celular. Obter-se-iam assim, os pilares moleculares da vida – os ácidos nucléicos e as proteínas. Sem ácidos nucléicos não há proteínas, ou seja, não há controle estrutural (por exemplo: histonas), nem as reações propriamente ditas (reações enzimas) e principalmente, não haveria replicação de ácidos desoxirribonucléico (DNA). “O RNA terá sido o primeiro ácido nucléico a ter surgido?” 24 Contudo, não é possível esclarecer devidamente se foi proteínas ou ácidos nucléicos as primeiras moléculas a surgir na evolução química, ou se ambos surgiram simultaneamente. Proteínas e ácidos nucléicos são as moléculas básicas em todas as forma de vida que se conhece. Sendo, portanto, as proteínas responsáveis pelas funções estruturais e enzimáticas e os ácidos nucléicos pelo armazenamento e integridade das informações genéticas – “programas” que controlam todas as funções orgânicas. Considera-se que o RNA foi à primeira molécula a surgir, seguido de uma forma simplificada de síntese protéica. Os fosfatos e a ribose seriam moléculas comuns e a adenina poderia ter se formado espontaneamente. Obter-se-ia, assim, uma molécula capaz de replicação devido à facilidade de emparelhamento de bases. No entanto, apesar de RNA ser uma molécula mais reativa que o DNA, tal não seria suficiente para catalisar reações mais complexas, daí a necessidade do surgimento de uma molécula para realizar essas funções, ou seja, proteínas enzimáticas. As enzimas primitivas devem ter sido pequenos peptídeos não específicos. Em 1957, Fox demonstrou em seus experimentos que alguns proteinóides tinham atividade catalítica, mas verdadeiras enzimas surgiram após a necessidade de reproduzir sequências polipeptídicas. Sabe-se que em condições pré-bióticas alguns polinucleotídeos podem promover a síntese não enzimática de polinucleotídeos “Sem ácidos nucléicos não existem formação de proteínas, e sem proteínas (enzimas) não há duplicação de ácidos nucléicos”. 25 complementares. Apesar destes fatos, é nítido que a maioria das sequências formadas não teriam significados biológicos (não funcionais). Ácidos nucléicos – ácido ribonucléico (RNA) Ao contrário do DNA, cuja molécula quase sempre é formada por duas cadeias polinucleotídicas, a molécula de RNA é um filamento único, e só existe excepcionalmente, sob a forma de filamentos duplos complementares. Nos dois casos, as exceções são encontradas nos vírus: alguns em DNA em filamentos únicos, enquanto outros têm RNA em cadeias duplas complementar. Do ponto de vista funcional e estrutural, distingue-se três variedades principais de ácido ribonucléicos: 1- RNA de transferência ou tRNA Dos três tipos de ácido ribonucléicos, o tRNA (Fig. 17) é o que possui moléculas menores. Sua função é transferir os aminoácidos para as posições corretas nas cadeias polipeptídicas em formação nos complexos de ribossomos e RNA mensageiro (polirribossomos). Para isso, o tRNA possui a propriedade de se combinar com aminoácidos e é capaz de reconhecer determinados locais da molécula do mRNA constituídos por uma sequência de três bases (códon). A sequência de três bases na molécula do tRNA e que reconhece o códon chama-se anticódon. 26 Fig. 17 – Esquemas detalhado do tRNA.A molécula do tRNA é um filamento com duas extremidades terminando sempre pela sequência CCA, isto é, pelo ácido adenílico (A) precedido de duas moléculas de ácido citidílico (C). Uma das hidroxilas do ácido adenílico da extremidade ACC é esterificada por um L-aminoácido, formando-se assim, uma molécula de Acil-tRNA. A enzima catalisadora dessa esterificação é especifica para cada aminoácido. A molécula do tRNA possui uma região que é reconhecida pela enzima, e, desse modo, cada aminoácido é ligado ao seu tRNA. As regiões do tRNA que contêm as bases não-habituais talvez sejam importantes para determinar o formato da molécula, pois suas regiões não se formam pontes de hidrogênio entre as base. Os tRNAs são inicialmente sintetizados sobre os filamentos de DNA, como moléculas maiores que passam por um processamento (splicing) tornando-se menores, antes de migrarem para o citoplasma. 27 2- RNA mensageiro ou mRNA Durante a síntese de mRNA, os filamentos de um segmento da molécula de DNA separam-se temporariamente. O peso molecular do mRNA varia de acordo com o tamanho da molécula protéica que ele vai codificar no citoplasma. Evidentemente, a molécula de mRNA é bem maior do que a de proteína por ele formada, porque são necessários três nucleotídeos para codificar um único aminoácido. Em células procarióticas, as moléculas de mRNA podem ser ainda maiores, pois uma longa molécula de mRNA pode ser traduzida a partir de locais diferentes, originando mais de uma proteína, conforme o local do mRNA onde a tradução teve início. Cada molécula de mRNA tem um prolongamento (tail) de poli-A que é adicionado ainda no interior do núcleo celular, assim, que a molécula de mRNA é transcrita, por uma enzima que não requer molde (template) de DNA. Portanto, esse segmento do mRNA não está codificado no DNA. Na outra extremidade do mRNA (extremidade 5’), um pequeno capuz (cap) nucleotídico é adicionado por outras enzimas. Os mRNAs citoplasmáticos derivam de precursores nucleares conhecidos como hnRNAs (heterogenous RNAs), assim chamados por apresentarem grandes heterogeneidades nos pesos moleculares e na composição dos nucleotídeos. A maioria dos hnRNAs tem moléculas enormes, com até 50.000 nucleotídeos. Essas moléculas são clivadas no núcleo, de modo ordenado e, certos fragmentos são removidos e as extremidades dos segmentos que codificam proteínas se “soldam” (splicing) (Fig. 18), formando moléculas acabadas de mRNAs, que por conseguinte, migra para o citoplasma. 28 Fig. 18 – Esquemas mostrando a síntese do mRNA. Nas células eucarióticas, o DNA que transcreve os mRNAs é constituído por fragmentos que vão ser traduzidas em proteínas, denominadas éxons, e em fragmentos que apenas separam os éxons, chamados íntrons ou simplesmente fragmentos silenciosos, outrora erroneamente chamado DNA lixo. Alguns genes, no entanto, não possuem íntrons e as moléculas de mRNAs se formam diretamente a partir do DNA, sem passar pela fase do hnRNA. 3 - RNA ribossômico ou rRNA Íntrons e hnRNA só foram encontrados em células eucarióticas, sendo muito pouco provável que exista em células procarióticas. 29 O RNA ribossômico é muito mais abundante do que outros dois tipos de RNAs, constituindo 80% do RNA celular. Existe combinado com proteínas, formando partículas (ribossomos) facilmente visíveis ao microscópio eletrônico. Quando presos a filamentos de mRNAs, os ribossomos formam os polirribossomos (Fig. 19), onde tem lugar a síntese de proteínas. Existem nas células dois tipos de ribossomos que difere por seus coeficientes de sedimentação por ultracentrífuga. Os ribossomos das células procarióticas têm coeficientes de sedimentação de 70S (S = Svedberg) e são menores do que os ribossomos de células eucarióticas, cujo coeficiente é de 80S. Ambos os tipos de ribossomos são formados por duas subunidades – uma maior e outra menor – com características funcionais e estruturais diferentes. As subunidades se prendem de modo reversível no início da síntese protéica, separando-se quando a proteína está terminada. A subunidade maior do ribossomo das células eucarióticas contém três tipos de RNAs, com sedimentação de 28S, 5,8S e 5S, e a dos ribossomos das células procarióticas possui dois tipos de RNAs: um de 23S e outro de 5S. A subunidade menor apresenta apenas um tipo de RNA: 18S nas células eucarióticas e 16S nas procarióticas. Cerca de 50 variedades de proteínas foram identificadas nos ribossomos e constituem aproximadamente a metade da massa desses corpúsculos. Fig. 19 – Esquemas mostrando rRNA atuando na síntese protéicas. 30 Ácidos nucléicos – ácido desoxirribonucléico (DNA) Os ácidos nucléicos são constituídos pela polimerização de unidades chamadas nucleotídeos. Cada nucleotídeo contém uma molécula de ácido fosfórico, uma pentose e uma base púrica ou pirimídica (Figs. 20 e 21). Fig. 21– Estrutura dos quatro nucleotídeos associados ao DNA. Fig. 20 – Estrutura da dupla hélice do DNA. . 31 As bases púricas mais encontradas nos ácidos nucléicos são a adenina e a guanina, em geral designadas pelas letras iniciais A e G, respectivamente. As principais bases pirimídicas são a timina, citosina e a uracila, designadas pelas letras T, C (ver acima) e U (uracila) associada principalmente ao RNA (não mostrada). Além dos polímeros de nucleotídeos, que constituem as moléculas dos ácidos nucléicos, as células contêm quantidades relativamente grandes de nucleotídeos livres, desempenhando, sobretudo as funções de coenzimas. Por hidrólise parcial é possível retirar o radical fosfato dos nucleotídeos, obtendo-se nucleosídeos, constituídos por uma pentose e uma base púrica ou pirimídica. Os ácidos nucléicos são moléculas informacionais que controlam os processos básicos do metabolismo celular, a síntese de macromoléculas, a diferenciação celular e a transmissão do patrimônio genético de uma célula para as suas descendentes. Cada molécula de ácido nucléico contém pelo menos uma cadeia de nucleotídeos (polinucleotídeos), formado por ligações diéster-fosfato entre os carbonos 3’ e 5’ da pentose (Fig. 22). Fig. 23 – Esquema mostrando a polimerização do DNA: 5’ → 3’. 32 O DNA é o responsável pelo armazenamento e transmissão da informação genética. É encontrado principalmente nos cromossomos e, em pequena quantidade, nas mitocôndrias e nos cloroplastos (este último somente nos autótrofos). Nos cromossomos das células eucarióticas, o DNA está associado a proteínas básicas, principalmente as histonas. A polimerização do DNA (replicação), ocorre sempre na direção das ligações 3’ e 5’ (não confundir com o crescimento da cadeia na direção de 5’ para 3’) diéster-fosfato de uma cadeia é inversa em relação à da outra cadeia (Fig. 24). Diz- se, portanto, que essas são antiparalelas. Fig. 24 – Esquema mostrando o mecanismo de replicação do DNA. 33 As bases púricas e pirimídicas de cada cadeia polinucleotídica situa-se dentro da hélice dupla, em planos paralelos entre si e perpendiculares ao eixo da hélice, como se fossem degraus de uma escada. Na hélice dupla, as bases unem-se através de pontes de hidrogênio, principais responsáveis pela estabilidade da molécula (Fig. 25). Quando as pontes de hidrogênio são rompidas – por exemplo, pelo aquecimento do DNA em solução –, os dois filamentos polinucleotídicos da hélice sofrem desnaturação, separando-se; quando abaixa a temperatura, eles se unem novamente. A desnaturação pelo rompimento das pontes de hidrogênio pode ser completa ou parcial. Essa desnaturação ocorre mais sedo nas ligações A-T, que têm duas pontes de hidrogênio, sendo as ligações G-C mais resistentes, pois têm três pontes de hidrogênio. A desnaturação parcial permite a identificaçãodas zonas ricas em A-T e das zonas ricas em G-C, sendo estes últimos segmentos mais resistentes à desnaturação. Fig. 25 – Esquema mostrando a estabilidade através das pontes de hidrogênio de uma molécula de DNA. 34 As bases (são hidrofóbicas) situam-se dentro da hélice, e os resíduos de desoxirribose (hidrofílicos) e de ácido fosfórico (ionizado e hidrofílico) localizam- se na periferia, em contato com água intracelular. Ao lado das pontes de hidrogênio que representam o elemento parcial de união entre os dois filamentos polinucleotídicos da hélice dupla, a interação hidrofóbica das bases pareadas contribui para manter a estabilidade da hélice de DNA. Os grupos fosfóricos, ionizados negativamente, permitem ao ácido desoxirribonucléico combinar-se com proteínas, isto é, carregadas positivamente, ou com outras moléculas eletricamente positivas. BIBLIOGRAFIA DINIZ, D.; COSTA, S. Ensaios: Bioética. Brasília: Letras Livres, 2006. FUTUYMA, D. J. Biologia Evolutiva. 2. ed. Ribeirão Preto: FUNPEC, 2002. GRIFFITHS, A. J. F.; MILLER, J. H.; SUZUKI, D. T.; LEWONTIN, R. C.; GELBART, W. M. Introdução à Genética. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 2006. JUNQUEIRA, L.C.; CARNEIRO, J. Biologia Celular e Molecular. 8 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 2008. LEHNINGER, A. L.; NELSON, K. Y. Princípios de Bioquímica. 4. ed. São Paulo: Sarvier, 2006.