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Política, governo e economia: as revoluções inglesas Revolução e economia • A mais conhecida reflexão sobre revolução foi a marxista, por motivos óbvios. • Marx distinguiu revolução social de revolução política. A primeira conduz à emancipação humana, a segunda, no máximo, à revolução política. A revolução política implica necessariamente a formação de um novo tipo de universalidade jurídica, novos direitos que dizem respeito a mais indivíduos do que aqueles diretamente interessados no processo revolucionário. A Revolução Francesa, por exemplo, significou não apenas a conquista do “laissez faire, laissez passer” pela burguesia, mas a libertação de toda a sociedade francesa das amarras burocráticas e atrasadas do Antigo Regime. • Estamos preocupados com a segunda aqui, isto é, com a situação de tensões e conflitos sociais que nos conduzem a um novo arranjo político. Foi isso que aconteceu nas sociedades europeias e americanas entre os séculos XVII e XIX. Revolução e economia • Esse estudo tem um objetivo: estabelecer certas consequências econômicas a partir de mudanças na forma e na estrutura de certos governos. • No caso dos EUA, como veremos nas próximas aulas, uma vez conquistada a independência, houve a necessidade de se pensar uma série de instituições. Isso levará quase um século para se completar. • No caso da Inglaterra, no século XVII, o processo será muito mais dramático e contraditório, uma vez que as tradições, instituições e agentes envolvidos no processo eram muito mais variados. A Inglaterra do XVII • Já avaliamos o nascimento da economia capitalista na agricultura inglesa. (Cf. Wood, Origem do capitalismo, para uma súmula do problema). • Os resultados mais importantes foram: urbanização relativamente maior do que a continental, formação de uma classe capitalista na agricultura e, finalmente, formação de uma abastada classe de comerciantes, voltada para o comércio exterior. • No centro de todo o problema se encontrava a nobreza britânica, sobretudo a Coroa. O parlamento inglês, assim como hoje, era composto da nobreza e do clero (Câmara dos Lordes) e dos representantes (Câmara dos Comuns). O nome é ilusório, o parlamento representava a elite econômica do país. • Uma das interpretações para os acontecimentos do século XVII na Inglaterra diz respeito ao grupo de comerciantes (mercadores) em relação aos demais grupos, protestantes, nobres, realistas ou não. (Robert Brenner, Mercadores e Revolução, 2003). • Ao contrário das cortes ibéricas, a corte inglesa não conseguia arrecadar o suficiente para suas despesas e, para tanto, criava privilégios exorbitantes em torno do rei (cf. a linha de monarcas e sua história). • Os mercadores prestavam serviços muito úteis: geravam receita e pagavam impostos à Coroa, enquanto recebiam proteção no mar e privilégios para explorar rotas comerciais, na forma de Companhias com permissão real. Parte da colonização da América inglesa seguirá esse padrão. • A empresa mais poderosa do período foi a Companhia das Índias Orientais (East Indian Company). Outra muito importante era a Company of Merchant Adventurers, espécie de guilda com privilégios para explorar a exportação de tecidos. Ao longo do período em questão, várias vezes o Parlamento tentará remover os monopólios dessa última companhia. • Esse sistema funcionou enquanto o comércio exterior inglês foi superavitário e a Coroa manteve seus gastos minimamente sob controle. Depois de 1614, a situação se modifica, com a queda das exportações inglesas e a expansão do gastos do rei (Jaime I). • Além disso, os mercadores londrinos, próximos da Coroa, monopolizavam privilégios em detrimento de outros agentes econômicos e, também, de mercadores de outras regiões do país. • Durante a década de 1620, o rei tentou sobremaneira aumentar impostos arbitrariamente, estabelecendo um conflito com a Câmara dos Comuns. Os mercadores londrinos, assim, viram-se entre ideias que apoiavam e, por outro lado, a fonte de seus privilégios. • Começava a tomar força, a partir de então a seguinte noção: nenhum tributo pode ser estabelecido sem a anuência do Parlamento (modernamente, “princípio da anterioridade”, o mesmo princípio que rege o Direito Penal). • A partir da década de 1620, os privilégios das companhias de comércio se viram questionados pelo Parlamento, com progressivas liberações de comércio, isto é, promulgação de uma série de leis que liberavam determinadas atividades de monopólio, caso do comércio pesqueiro na América. • Nessa época, os parlamentos eram convocados e dissolvidos com relativa frequência e o rei (Carlos I, a partir de 1625) tentou várias vezes restabelecer os privilégios de várias companhias, sobretudo a companhia dos Adventurers. • Por outro lado, porém, os mercadores se viam mais e mais pressionados a contribuir com os gastos da Coroa, tornando-se recalcitrantes em relação a imposições tributárias. • A grande virada ocorreu a partir de 1626 pelos seguintes motivos: o rei Carlos I se opôs a uma série de concessões (“cartas”) para as companhias explorarem a América; o Parlamento se recusava também à concessão arbitrária dessas concessões. • Os mercadores se viram pressionados e passaram a se opor ao rei. • Em 1626, a Inglaterra entrou em guerra com a Espanha, como parte da Guerra dos Trinta Anos. A Inglaterra apoiava os protestantes (huguenotes) na França e se opunha aos espanhóis. Isso implicou interrupção dos fluxos comerciais e destruição de navios, isto é, mais despesas. A Coroa tentou coletar mais um, digamos, “empréstimo compulsório” (forced loan). • Nos anos seguintes, vários mercadores se recusaram a apoiar Carlos I financeiramente, sofrendo prisões e ataques, o que só aumentou a oposição na sociedade e no Parlamento. • Em 1628, foi promulgada a Petition of Rights, com diversas normas para limitar o poder real. O rei acatou a lei a contragosto, apenas para prosseguir em sua busca por fundos. • A década de 1630, por outro lado, apresentará a classe comercial num complexo conflito frente à Coroa, apoiando-a ou não: houve os líderes das companhias de colonização, os mercadores privilegiados e os mercadores emergentes, sem privilégios reais. Além deles, havia os proprietários fundiários, mais e mais descontentes com o rei, partidários de um Parlamento que controlasse gastos e tributos do governo. • Durante a década de 1630, os mercadores se viram ora na oposição, ora a favor do rei, dados os privilégios que sempre esperavam obter. • A divisão em torno da Coroa ficou mais e mais radical: Parlamento, proprietários de terra e cidadãos de Londres, de um lado, alta nobreza e mercadores de outro lado. • A partir de 1640, a Inglaterra começa a destruir suas instituições absolutistas. Esse processo, no entanto, seria longo, a enfrentar a oposição do rei e da Câmara dos Lordes. • Os membros dos Comuns, a oposição, queriam participação no governo e nas decisões, além de uma série de medidas para coibir as ações da Coroa. Várias medidas eram aprovadas, mas vetadas pela Câmara dos Lordes e, eventualmente, desprezadas por Carlos I. • Passou-se, assim, da radicalização para a revolução. • Entre 1641 e 1642, os parlamentares decidiram, em primeiro lugar, que o Parlamento não poderia mais ser dissolvido pelo próprio monarca. • Em segundo lugar, em Londres, os cidadãos estabeleceram uma administração relativamente mais aberta, destituindo o Lord Mayor, então um administrador a serviço do rei. • Emergia, assim, um grupo de presbiterianos, que teria papel decisivo nas décadas seguintes. • Em terceiro lugar, não menos importante, o controle do rei e da Cidade (City) sobre o comércio exterior ficou abalado. • Formou-se assim uma aliança entre radicais londrinos e a oposição parlamentar. Além disso, progressivamente, os puritanos se aliaram a esse grupo, já que seu interesses eram sempre prejudicados pelos mercadores nas esferas de poder, em benefício de clérigos anglicanos, ligados à monarquia. • Todos esses problemas conduziram à Primeira Guerra Civil,em 1642. O rei teve de se retirar de Londres e passou a negociar à distância com o Parlamento. • Em verdade, a maior parte do país permaneceu neutra e distante dos conflitos, verdadeiras escaramuças entre exércitos diminutos. A guerra, porém, se arrastou por quase três anos e significou a ruína das forças realistas. • Carlos I, porém, fez uma série de acordos secretos com os escoceses, o que resultou na Segunda Guerra Civil, iniciada em 1648 e novamente vencida pelas forças do Parlamento. • Carlos I foi julgado por traição e executado. O Parlamento aboliu a monarquia e estabeleceu a Commonwealth. • Não será o fim da dinastia, mas o início de uma nova fase da vida econômica inglesa, conforme se verá. • De antemão, cabe dizer que, nos anos seguintes, foi implementada uma agenda muito modesta de reforma de direitos. • Em primeiro lugar, limitou-se a despesa do governo. • Em segundo lugar, estabeleceu-se relativa tolerância religiosa no país. • O mais importante, a Inglaterra rapidamente fortaleceu sua posição no Atlântico, superando Portugal e Espanha. • Neste momento entraram em cena, novamente, os mercadores. A Commonwealth foi responsável pelo estabelecimento de novas diretrizes para o comércio com as colônias americanas. • A lei de 3 de outubro de 1650 excluiu provisoriamente os holandeses de todo o comércio americano. Ou seja, o Império Britânico deveria ser explorado pelos britânicos em todas as suas dimensões. • A lei (Act) diz: • “interdita e proíbe todos os navios de qualquer nação estrangeira de ir ou negociar ou traficar com qualquer das plantações (plantations) na América, ou em qualquer ilha ou locais cultivados e em possessão dessa Commonwealth, sem licença obtida previamente do Parlamento e do Conselho de Estado.” • Em 9 de outubro de 1651, o chamado Ato de Navegação foi aprovado, contendo termos bastante similares, tornando definitiva a prática. • Assim, em menos de uma década, foi alcançada relativa unidade política e econômica. Esse é o início da força econômica inglesa, que durou por três séculos. • As reformas, porém, não se encerrariam ainda. Embora os mercadores fossem os mesmos, a estrutura empresarial inglesa progrediu rapidamente para uma estrutura mais livre nos anos seguintes. Entre duas revoluções • A revolução de 1650 marcou a consolidação de uma sociedade moderna, com um Estado forte. Ao contrário do que se pensa, os monarcas ingleses, até então, não tinham a mesma força do continente. • Em 1650, porém, o que se consolida é o poder central, podemos dizer, absoluto. A França, do outro lado do Canal da Mancha, era o modelo para todos os monarcas da época, em vários sentidos. Em 1660, ocorre a Restauração na pessoa de Carlos II, filho de Carlos I. Será sucedido, em 1685, por seu irmão, Jaime II. A questão religiosa não será desprezível para os acontecimentos. • Ao contrário de Portugal e Espanha, a Inglaterra formou um Estado centralizado, a partir da sociedade. Estavam criadas as bases para a revolução de 1688, chamada Revolução Gloriosa. • Progressivamente, temos a formação de uma sociedade aberta e capitalista e não o contrário do que ocorrerá, por exemplo, na Rússia do século XX ou mesmo com a Revolução Francesa em alguns de seus momentos. • Além disso, temos já um mercado interno pujante, uma população urbana relativamente alta, manufaturas sofisticadas e uma política exterior agressiva. • Tudo isso eclodirá em 1688, quando a monarquia absoluta será definitivamente sepultada na Inglaterra, em condições, a partir de então, de tomar o mundo nos dois séculos seguintes. A Revolução Gloriosa (1688) • O senso comum entre historiadores sempre defendeu que a Revolução Gloriosa decorreu de questões religiosas. • O rei Jaime II, praticante do Catolicismo, sofreu resistência de toda a sociedade e, por isso, foi deposto. Essa a interpretação clássica, de Thomas B. Macaulay. • Essa história tem sido revista. Baseamo-nos aqui em Steve Pincus (2009). • Em 1685, ano de eleições parlamentares, o rei conseguiu influenciá-las a seu favor, com maioria tory (conservadora). A oposição ao rei (whig) permaneceu minoritária no primeiro ano. Revolução Gloriosa • Durante poucos anos de reinado, Jaime II conseguiu atrair a oposição de amplos setores conservadores. A interpretação clássica foi sempre de que se aliou aos católicos, em detrimento da fé anglicana. • A interpretação revisionista considera que, na verdade, os conservadores romperam com Jaime II exatamente por sua tolerância, por sua visão de um país respeitoso da liberdade de credo. • Os indícios apontam para uma tentativa de mimetizar o rei francês, Luís XIV, católico e minimamente tolerante em matéria religiosa, e com amplos poderes políticos. Revolução Gloriosa • Para ampliar seu poder, o rei aumentou o contingente militar efetivo, distribuído em todo o território. • Em segundo lugar, as corporações e privilégios produtivos dentro do país foram transformados em prefeituras, isto é, em gestão pública de cidades e vilas, com seus lugares-tenentes designados pela Coroa. Separou-se, assim, poder econômico de poder político. • Tudo isso implicava aumento de tributos e de receitas do Estado. Já vimos que um dos métodos disponíveis era a tributação sobre o comércio exterior. • No período em análise, houve um grande aumento do chamado hearth tax (literalmente, imposto de lareira). Proprietários de imóveis com lareira pagavam imposto. Naturalmente, esse imposto era de difícil sonegação. Por outro lado, implicava, mais coletores públicos. • O breve reinado de Jaime II consolidou o poder central, com um exército e marinha modernos. O comércio exterior atingia seu apogeu, com comércio de tabaco e outras commodities (açúcar), que eram produzidos ou comercializados por ingleses. As colônias, por outro lado, a partir de 1650, começaram novamente a importar manufaturados ingleses. Revolução Gloriosa • O rei Jaime II era o agente da mudança, mas enfrentava conservadores e a Igreja Anglicana. • Ou por outra, tentou conciliar modernidade católica e conservadorismo na mesma medida. Em algum momento, imaginou que seria possível romper com os tories e contar com apoio de outros setores da sociedade, preservando inclusive sua fé católica. • Pode-se dizer, em síntese, que era um monarca modernizador nos moldes católicos, exatamente como acreditava ser Luís XIV. Revolução Gloriosa • A Revolução divide até hoje os estudiosos. • Para alguns, foi um golpe de estado aristocrático. • Para muitos, a primeira revolução burguesa. • Para outros, uma intervenção estrangeira. • Os desafios interpretativos são: o caráter pouco sanguinário da revolução, o consenso aparentemente geral em torno dos resultados obtidos. • Nenhum dos dois aspectos é efetivo. Revolução Gloriosa • Os acontecimentos foram rápidos. • O genro de Jaime II (casado com sua filha Maria), William de Orange desembarcou na Inglaterra em agosto de 1688. Atendia pedidos de diversos prelados anglicanos. Por parte de mãe, também era neto de Carlos I, portanto, primo da esposa. • A situação do rei parecia minimamente estável. No entanto, ocasionalmente, a questão religiosa se mostrava presente. Caso de um censo com oficiais do exército sobre sua fé, o que descontentou a muitos. • Parecia uma invasão sem futuro, dado o poderio da marinha inglesa. • O apoio holandês a seu príncipe e, principalmente, uma crescente e difusa insatisfação na sociedade inglesa favoreceram seu sucesso. • Assim que chegou na Inglaterra, William recebeu várias doações inglesas. Revolução Gloriosa • A partir de um certo momento, a Revolução contagiou não apenas boa parte da elite, mas também populares. Não foi difícil arregimentar forças contra o rei. • Historiadores revisionistas querem, em primeiro lugar, indicar que se tratou efetivamente de uma revolução. • Um fato bastante bem documentado foi a violência que se seguiu: destruição dos exércitos reais, quebradeira de diversos símbolos do poder católico, com apoio popular. Na Universidade de Cambridge,os próprios estudantes retiveram o reitor e atacaram casas de católicos. • Monumentos em homenagem a Jaime II foram destruídos com uma mensagem: controle sobre gastos do governo e religião nacional. • Finalmente, em todo o país, aproveitou-se a oportunidade para resolver antigas questões políticas. • Em segundo lugar, que teria sido uma revolução popular e sem classes. É hora de uma dose de marxismo. Pouco importam os indivíduos, para nosso propósito, que efetivamente participaram dos acontecimentos. Revolução Gloriosa • Há que se olhar a direção geral, os princípios pelos quais se lutou. Os aristocratas e o clero anglicano se levantaram primeiro e a insurreição tomou conta de todo o país, de modo organizado ou não. William of Orange chegou em Londres aclamado por populares. Como diria Hegel, era a razão a cavalo. • O rei Jaime II tentou, finalmente, uma aliança franco- irlandesa (católica) para tentar resistir, mas não obteve sucesso. Eventualmente, nos anos seguintes, a Irlanda seria esmagada. • Em 13 de fevereiro de 1689, Guilherme III se torna rei conjuntamente sua esposa, Maria II. Revolução Gloriosa • Com a fuga de Jaime II para a França, o desafio do novo rei foi unir o país. • Convocou-se o chamado Convention Parliament . Tratou-se de assembleia inconstitucional, para remediar a situação de exceção em que viviam as Ilhas Britânicas. • Em primeiro lugar, esboçou-se a Declaração de Direitos (Declaration of Rights), que seria aprovada pelo Parlamento legítimo, em dezembro de 1689 (Bill of Rights). Em português, os dois documentos possuem o mesmo nome. Declaração de Direitos • Essa peça constitucional se tornaria a base da vida política inglesa nos anos e séculos seguintes. Ela foi a base de todas as demais peças do gênero, nos EUA, França, mundo afora. • A Declaração constata a evasão do rei anterior e seus erros. Dentre outros avanços, foi estabelecido: Declaração de Direitos • Monopólio legislativo do Parlamento; • Soberania do Parlamento sobre o estabelecimento de cortes e juízos; • Soberania do Parlamento para tributar; • Direito de petição ao monarca; • Monopólio estatal de exército; • Direito dos súditos protestantes de portar armas para defesa própria; • Livres eleições parlamentares; • Liberdade de opinião e discurso dos membros do Parlamento; • Continuidade do Parlamento; • Proibição de fianças, multas e penas excessivas; • Liberdade de participação em júris; • Nenhuma multa ou confisco sem prévia condenação. Desenvolvimentos subsequentes • Nos primeiros meses do reinado de William III, foram abolidos impostos injustos e foi declarada guerra à França. A política whig chegou a seu ponto alto. • Depois disso, a incerteza política tomou conta da Inglaterra e o rei se cercou mais e mais de políticos tories. O que nosso autor demonstra é o fato de que, nos anos seguintes à Revolução, não houve caminho fácil na política. • Porém, o que diz de modo implícito é o inequívoco resultado prático: um estado forte e liberal. Pronto para servir uma sociedade de mercado. A política externa • O principal objetivo dos revolucionários era, finalmente, tornar a Inglaterra um país mais forte na Europa. • Lembremo-nos de que, neste momento tanto o pensamento político (Hobbes e Locke) quanto a nascente ciência econômica (Thomas Mun e, depois, William Petty), tinham por objetivo fortalecer o Estado. • O rei deposto, Jaime II, pretendia tornar a Inglaterra uma potência comercial, mesma pretensão dos revolucionários de 1650. Diante disso, a aliança com a França parecia altamente vantajosa. • Essa posição foi um dos maiores erros de Jaime II. A política externa • A Inglaterra de 1690 se engajou, com apoio dos súditos, numa guerra de alianças contra a França. • O objetivo principal: consolidar o poderio marítimo na Europa e expandir a colonização americana. • A Guerra de Nove anos trouxe resultou apenas no primeiro objetivo para a Inglaterra. No caso da América, apenas a posição nativa foi enfraquecida, com o início de massacres contra os índios neutros. • Na Europa, a França, envolvida em outros conflitos até o fim do reinado de Luís XIV, verá sua posição fortemente atingida, até 1789. • Pode-se considerar, portanto, que a Revolução Gloriosa representou, economicamente, uma declaração, afirmação de posição preponderante da Inglaterra no mundo. Bibliografia • Robert Brenner. Merchants and Revolution. • Steve Pincus. 1688.