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Ma nife s ta çõe s Ps íq u ica s na In fâ nc ia
Sin tom a s In te rna liza n te s , Exte rna liza n te s e os Lim ia re s e n t re Sa úd e e Doe nça
Disciplina: Psicoterapia Infantil | Professora: Isabela Bosque
Sa úd e Me nta l In fa n t il: Conce ito e Con t inuum
A saúde mental infantil não representa um estado fixo, mas um continuum dinâmico entre bem -estar 
psíquico e adoecimento. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), caracteriza -se pela capacidade 
de:
Estabelecer Vínculos
A habilidade de formar relações significativas
com outros, essencial para o desenvolvimento
social e emocional .
Regular Emoções
Capacidade de processar e responder de forma 
adaptativa a experiências emocionais.
Brincar
Meio fundamental para o desenvolvimento da 
exploração do mundo, aprendizado e de 
habilidades sociais.
Simbolizar Experiências
A aptidão para interpretar e integrar vivências, 
atribuindo - lhes significado.
Mod e los Te óricos s ob re s in tom a s
Mod e lo Ps ica na lít ico
Sintomas como formações do inconsciente, 
me c anis mos de fe ns ivos e e xpre s s õe s do c onflito 
puls iona l. Winnic ott, Kle in e Fre ud fundame ntam a 
c ompre e ns ão da angús tia infantil.
Cogn it ivo-Com p orta m e nta l
Enfa tiza e s que mas c ognitivos d is func iona is , padrõe s 
de re forç o e c re nç as . Be c k e Ellis de s e nvolve ram 
protoc olos adap ta tivos pa ra inte rve nç ão e m c rianç as .
De s e nvolvim e nta l
Piage t e Vygots ky: s intomas c ompre e ndidos de ntro de 
marc os maturac iona is , c ons ide rando c apac idade s 
c ognitivas e re gula tórias e s pe radas pa ra c ada fa ixa 
e tá ria .
Sis tê m ico
A c rianç a c omo e le me nto de um s is te ma re lac iona l. 
Sintomas e xpre s s am d inâmic as familia re s , padrõe s 
c omunic ac iona is e c onfiguraç õe s vinc ula re s 
d is func iona is .
Sin tom a s In te rna liza n te s : De fin içã o e Ca ra c te rís t ica s
Sintomas inte rna lizante s c onfiguram manife s taç õe s ps íquic as voltadas para o mundo interno , caracterizadas por
retraimento, inibição afetiva e sofrimento predominantemente subjetivo . Incluem ansiedade, depressão, queixas
somáticas e retraimento social .
Ansiedade de Separação
Angústia excessiva ante 
afastamento das figuras de 
apego, com manifestações 
somáticas e comportamento 
evitativo. Prevalência: 4 -10% em 
idade escolar.
Sintomas Depressivos
Humor disfórico persistente, 
anedonia, alterações do 
sono/apetite, pensamentos 
autodepreciativos e 
desesperança. Expressa -se 
diferentemente conforme 
desenvolvimento cognitivo.
Somatizações
Conversão de conflitos psíquicos 
em queixas corporais sem base 
orgânica identificável: cefaleia, 
dor abdominal recorrente, fadiga 
inexplicada .
Sin tom a s Exte rna liza n te s : De fin içã o e Ba s e s Te órica s
Sintomas externalizantes caracterizam - s e por manife s taçõe s dirigidas ao ambiente externo , com quebra de 
normas sociais, impulsividade e desregulação comportamental. O DSM -5-TR classifica em Transtorno de 
Oposição Desafiante (TOD ), TDAH e outros os diagnósticos com maior frequência desses sintomas .
.
Agressividade e Oposição
Padrão recorrente de 
comportamento desafiador, 
hostil e vingativo direcionado a 
figuras de autoridade. 
Hiperatividade e 
Impulsividade
Dificuldade em modular 
atividade motora, sustentar 
atenção e inibir respostas. 
Violação de Regras
Comportamentos que 
transgridem normas sociais e 
direitos alheios: mentira, furto, 
destruição de propriedade, 
crueldade.
Pe rs p e c t iva Ne urop s icológica e Com p orta m e n ta l
A neuropsicologia do desenvolvimento demonstra que sintomas psíquicos correlacionam - s e com padrões 
específicos de funcionamento cerebral . 
01
Ma tura çã o d o Córte x Pré -Fron ta l
Re gião re s pons áve l por funç õe s 
e xe c utivas (p lane jame nto, inib iç ão, 
fle xib ilidade c ognitiva ) amadure c e a té 
o iníc io da idade adulta . 
02
Sis te m a Lím b ico e Re gula çã o 
Em ociona l
Amígda la , hipoc ampo e íns ula 
p roc e s s am e moç õe s . Hipe rre a tividade 
amigda liana as s oc ia - s e a trans tornos 
de ans ie dade ; hipofunç ão, a c ondutas 
antis s oc ia is .
03
Dop a m ina e Mot iva çã o
Circ uitos dopaminé rg ic os re gulam 
a te nç ão, re forç o e bus c a de 
re c ompe ns as . Dis funç õe s implic am 
TDAH e c omportame ntos de ris c o na 
adole s c ê nc ia .
Ind ica d ore s d e Ad oe c im e n to Ps íq u ico
1
De s orga n iza çã o Em ociona l
Incapacidade de modular afetos intensos, com 
e xplos õe s e moc iona is de s proporc iona is , 
lab ilidade a fe tiva ace ntuada ou e mbotame nto 
pe rs is te nte . Suge re fa lhas nos s is te mas 
re gula tórios .
2
Re t ra im e n to Soc ia l
Evitação pe rs is te nte de conta to com pa re s , 
is olame nto progre s s ivo, mutis mo s e le tivo ou 
re cus a e s cola r. Pode ind ica r ans ie dade s oc ia l, 
de pre s s ão ou trauma re lac iona l.
3
Im p uls ivid a d e Pa to lógica
Dificuldade s e ve ra e m inib ir comportame ntos , 
me s mo d iante de cons e quê nc ias ne ga tivas . Atos 
impuls ivos colocam c riança ou outros e m ris co. 
Suge re d is função e xe cutiva .
4
Agre s s ivid a d e De s con te xtua liza d a
Comportame ntos agre s s ivos fre que nte s , 
inte ns os e de s proporc iona is aos e s tímulos , s e m 
função comunica tiva c la ra . As s oc ia - s e a dé fic its 
e mpá ticos e d is re gulação e moc iona l g rave .
Conte xto Fa m ilia r: Vínculos , Ap e go e Pa d rõe s 
Re la c iona is
A família constitui o primeiro contexto de desenvolvimento psíquico . Bowby demonstra que padrões de 
apego estabelecidos precocemente estruturam modelos internos de funcionamento que perduram.
Comunicação familiar disfuncional relaciona -se a sintomas internalizantes e externalizantes. Estudos longitudinais 
evidenciam que conflito conjugal elevado prediz problemas comportamentais infantis .
Apego Seguro
Cuidador sensível, responsivo e 
consistente. Criança desenvolve 
confiança, explora ambiente, regula 
emoções adequadamente.
Apego Inseguro
Inconsistência, negligência ou 
intrusividade. Criança desenvolve 
ansiedade, hipervigilância ou evitação 
defensiva.
Apego Desorganizado
Trauma, maus - tratos, cuidador 
atemorizante. Criança apresenta 
dissociação, desregulação grave, risco 
para psicopatologia.
Modelos sistêmicos enfatizam que sintomas infantis frequentemente expressam um vício disfuncional 
familiar , cumprindo função mantenedora de equilíbrio precário no sistema.
Conte xto Es cola r: De s e m p e nho, Com p orta m e n to e 
Soc ia liza çã o
O ambiente escolar re pre s e nta um contexto desenvolvimental , oferecendo oportunidades de socialização com pares, 
aprendizagem formal e consolidação de autoconceito acadêmico. Dificuldades nesse âmbito frequentemente sinalizam 
psicopatologia .
Desempenho Acadêmico
Queda abrupta ou persistente 
no rendimento pode indicar 
transtornos de aprendizagem 
(dislexia, discalculia), TDAH, 
sintomas depressivos ou 
ansiedade. Requer avaliação 
psicopedagógica e 
neuropsicológica.
Comportamento em Sala
Agitação excessiva, 
desatenção, oposição a regras 
ou isolamento durante 
atividades grupais fornecem 
indicadores observáveis de 
possíveis transtornos 
externalizantes ou 
internalizantes.
Relações com Pares
Vitimização, bullying, rejeição
social e dificuldade em fazer 
amizades correlacionam -se 
com múltiplos transtornos e 
estão relacionados a 
sofrimento psiquico .
Conte xto Soc ia l e Digita l: Ris cos Con te m p orâ ne os
Im p a c to d a s Re d e s Soc ia is
A hiperconexão digital transformou padrões de socialização 
infantil. O us o e xc e s s ivo de re de s pode e s ta r re lac ionado a :
• Aume nto e m s intomas de pre s s ivos e ans ios os 
(e s pe c ia lme nte e m me ninas adole s c e nte s )
• Dis túrb ios do s ono por e xpos iç ão noturnaa te las
• Comparaç ão s oc ia l
• Cybe rbullying : vitimizaç ão online c om s e que las ps ic ológ ic as 
g rave s
Entre tanto, e fe itos s ão bidirecionais : vulnerabilidade psíquica 
preexistente também prediz maior uso problemático de 
tecnologia.
Isolamento Social
Pandemia COVID -19 evidenciou impactos do isolamento: 
elevação em 25% de transtornos ansiosos e depressivos 
(UNICEF, 2021). Crianças necessitam de interação presencial 
para desenvolvimento socioemocional.
Vulnerabilidade socia l, violência comunitária e exclusão social 
configuram determinantes sociais de saúde mental , 
aumentando risco para múltiplos transtornos.
Ob s e rva çã o Clín ica e Re gis t ro Com p orta m e n ta l
A obs e rvaç ão c línic a s is te mátic a c ons titui ferramenta diagnóstica fundamental em psicoterapia infantil. Difere da observação informal pela 
estruturação metodológica, registro padronizado e interpretação teoricamente fundamentada.
Observação Lúdica
Análise do brincar livre: temas 
recorrentes, capacidade simbólica, 
manejo de agressividade e afeto, 
narrativas expressas. Revela dinâmicas 
intrapsíquicas e relacionais.
Interação Criança -Cuidador
Observação de díades/família em 
situações semi -estruturadas. Avalia 
padrões de apego, responsividade, 
sincronia afetiva, disciplina e 
comunicação .
Registro ABC (Antecedente -
Comportamento -
Consequência)
Análise funcional comportamental: 
identificar eventos antecedentes, 
descrever comportamento -alvo 
objetivamente e mapear consequências 
mantenedoras. Fundamenta 
intervenções comportamentais.
Fa tore s d e Ris co e Prote çã o
Vulne ra b ilid a d e
Biológicos
Temperamento difícil, predisposição genética, complicações pré/perinatais, 
doe nç as c rônic as , a lte raç õe s ne urobiológic as .
Ps ico lógicos
Ba ixa autoe s tima , dé fic its e m habilidade s s oc ioe moc iona is , e s tilo c ognitivo 
ne ga tivo, d ific uldade s de re gulaç ão e moc iona l.
Fa m ilia re s
Ps ic opa tologia pa re nta l, c onflito c onjuga l, p rá tic a s pa re nta is 
c oe rc itivas /ne glige nte s , maus - tra tos , ape go ins e guro.
Soc ia is
Vulne rab ilidade s oc ia l , violê nc ia c omunitá ria , e xc lus ão s oc ia l, ins tab ilidade 
habitac iona l, d is c riminaç ão, e ve ntos e s tre s s ore s ac umulados .
Re s iliê nc ia
Ind ivid ua is
Te mpe rame nto fle xíve l, autoe fic ác ia , c ompe tê nc ia s s oc ioe moc iona is , 
e s p iritua lidade /s e ntido de vida .
Fa m ilia re s
Vínc ulo s e guro c om pe lo me nos um c uidador, c oe s ão familia r, 
c omunic ação abe rta , s upe rvis ão ade quada , e xpe c ta tivas pos itivas .
Com unitá rios
Ac e s s o a e duc aç ão, s e rviç os de s aúde , re de de apoio s oc ia l, mode los 
pró- s oc ia is , oportunidade s de pa rtic ipaç ão.
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