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INSTANTE JURÍDICO 
 
 
 
 
 
ESTRUTURA DA LEI PENAL 
󰳐 ALUNO: Como é composta a estrutura da lei penal? 
󰞹 PROFESSOR: A lei penal possui dois elementos 
fundamentais: 
● Preceito primário: descreve a conduta criminosa; 
● Preceito secundário: estabelece a pena 
correspondente. 
Por exemplo, no crime de homicídio simples, previsto no art. 
121 do Código Penal: 
“Matar alguém: pena – reclusão, de 6 a 20 anos.” 
O preceito primário é "matar alguém" e o preceito secundário 
é a pena de reclusão. 
󰳐 ALUNO: Então, toda lei penal tem essa estrutura? 
󰞹 PROFESSOR: Sim! Sem ela, não seria possível aplicar o 
Direito Penal de maneira correta. 
 
TÉCNICA LEGISLATIVA E A TEORIA DAS NORMAS 
󰳐 ALUNO: A lei penal proíbe diretamente as condutas? 
󰞹 PROFESSOR: Não exatamente. A lei penal não proíbe 
diretamente, mas descreve comportamentos que, se 
praticados, serão puníveis. 
󰳐 ALUNO: E por que a lei opta por essa técnica? 
󰞹 PROFESSOR: Essa técnica foi desenvolvida por Karl Binding 
na teoria das normas, segundo a qual: 
● A norma cria o ilícito, estabelecendo o que é certo ou 
errado; 
● A lei penal cria o delito, descrevendo a conduta punível. 
Por exemplo, no crime de furto, previsto no art. 155 do Código 
Penal: 
“Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia 
móvel: pena – reclusão de 1 a 4 anos, e multa.” 
 
󰳐 ALUNO: Então, a lei penal descreve, mas não dá ordens 
diretas como “não furtarás”? 
󰞹 PROFESSOR: Exato! A proibição é indireta, baseada na 
descrição dos atos considerados criminosos. 
 
CLASSIFICAÇÃO DAS LEIS PENAIS 
󰳐 ALUNO: Professor, existem diferentes tipos de leis penais? 
󰞹 PROFESSOR: Sim! Elas podem ser classificadas em dois 
grandes grupos: 
1. Leis penais incriminadoras: criam crimes e estabelecem 
penas, como o homicídio no art. 121 do CP. 
2. Leis penais não incriminadoras: não criam crimes, mas 
regulamentam ou delimitam sua aplicação. 
󰳐 ALUNO: E quais são os tipos de leis não incriminadoras? 
󰞹 PROFESSOR: Elas se subdividem em várias categorias: 
● Permissivas: excluem a ilicitude, como no art. 23 do CP, 
que trata da legítima defesa e estado de necessidade. 
● Exculpantes: afastam a culpabilidade, como a 
menoridade prevista no art. 26 do CP. 
● Interpretativas: esclarecem o significado de termos 
penais, como o conceito de funcionário público no art. 
327 do CP. 
● De aplicação ou complementares: estabelecem o 
âmbito de aplicação da lei penal, como no art. 2º do CP, 
que trata da retroatividade benéfica. 
● Diretivas: estabelecem princípios gerais, como o art. 1º 
do CP, que trata do princípio da legalidade. 
● Integrativas: complementam o nexo causal ou aspectos 
técnicos, como a tentativa no art. 14 do CP. 
󰳐 ALUNO: E quanto às leis completas e incompletas? 
󰞹 PROFESSOR: 
● Leis completas: apresentam todos os elementos do 
crime, como o roubo no art. 157 do CP. 
 
● Leis incompletas: precisam de complementação, como 
as leis penais em branco, que dependem de 
regulamentos complementares. 
 
EXEMPLOS DE DISPOSITIVOS LEGAIS 
󰳐 ALUNO: O senhor poderia me dar exemplos práticos 
desses conceitos? 
󰞹 PROFESSOR: Claro! Vamos ver alguns exemplos 
importantes do Código Penal: 
● Permissivas (art. 23 do CP): 
“Não há crime quando o agente pratica o fato: 
I – em estado de necessidade; 
II – em legítima defesa; 
III – em estrito cumprimento de dever legal ou no 
exercício regular de direito.” 
● Exculpantes (art. 26 do CP): 
“É isento de pena o agente que, por doença mental, era 
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do 
fato.” 
● Interpretativas (art. 327 do CP): 
“Considera-se funcionário público, para os efeitos 
penais, quem, embora transitoriamente, exerce cargo, 
emprego ou função pública.” 
● Leis penais em branco: A Lei de Drogas (Lei nº 
11.343/2006) precisa da lista da ANVISA para definir 
quais substâncias são proibidas. 
󰳐 ALUNO: Professor, e as leis penais abertas? 
󰞹 PROFESSOR: Os tipos penais abertos, como a lesão 
corporal leve no art. 129 do CP, deixam ao juiz a tarefa de 
interpretar a gravidade da ofensa. 
“Ofender a integridade corporal ou a saúde de 
outrem: Pena – detenção, de 3 meses a 1 ano.” 
󰳐 ALUNO: Então, entender a lei penal envolve conhecer sua 
estrutura, classificação e exemplos práticos, certo? 
 
󰞹 PROFESSOR: Exatamente! Dominar esses aspectos ajuda a 
interpretar e aplicar corretamente as normas penais, o que é 
essencial para concursos públicos e OAB. 
 
LEI PENAL
A l e i p e n a l é a f o n t e f o r m a l
i m e d i a t a d o D i r e i t o P e n a l , s e n d o a
ú n i c a r e s p o n s á v e l p o r c r i a r
i n f r a ç õ e s p e n a i s e s u a s r e s p e c t i v a s
s a n ç õ e s , c o n f o r m e d e t e r m i n a ç ã o
c o n s t i t u c i o n a l . A s s i m , n e n h u m a
o u t r a f o n t e p o d e e s t a b e l e c e r
c r i m e s o u p e n a s , g a r a n t i n d o
s e g u r a n ç a j u r í d i c a e
p r e v i s i b i l i d a d e .
A e x i g ê n c i a d e q u e s ó a l e i
p o d e c r i a r c r i m e s e p e n a s
d e c o r r e d o p r i n c í p i o d a
l e g a l i d a d e . E s s e p r i n c í p i o
a s s e g u r a s e g u r a n ç a
j u r í d i c a , i m p e d i n d o
a r b i t r a r i e d a d e s e
g a r a n t i n d o q u e o i n d i v í d u o
s ó p o s s a s e r p u n i d o p o r
c o n d u t a s p r e v i a m e n t e
d e f i n i d a s e m l e i .
A l e i p e n a l t e m c a r á t e r
d e s c r i t i v o , n ã o p r o i b i t i v o .
E m v e z d e i m p o r c o m a n d o s
d i r e t o s , c o m o " n ã o m a t a r " ,
e l a d e s c r e v e c o n d u t a s
c r i m i n o s a s e s u a s
c o n s e q u ê n c i a s . E s s e m o d e l o
s u b s t i t u i f o r m u l a ç õ e s
i m p e r a t i v a s p o r d e s c r i ç õ e s
o b j e t i v a s , c o n f e r i n d o c l a r e z a
e p r e c i s ã o à l e g i s l a ç ã o .
SEGURANÇA JURÍDICA E 
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
 FONTE FORMAL DO DIREITO PENAL
ESTRUTURA DA LEI PENAL
A e s t r u t u r a d a l e i p e n a l s e
d i v i d e e m p r e c e i t o p r i m á r i o e
s e c u n d á r i o . O p r e c e i t o
p r i m á r i o d e s c r e v e a c o n d u t a
p r o i b i d a , c o m o " m a t a r
a l g u é m " n o h o m i c í d i o ,
e n q u a n t o o s e c u n d á r i o
e s t a b e l e c e a p e n a
c o r r e s p o n d e n t e , c o m o
" r e c l u s ã o d e 6 a 2 0 a n o s " .
E s s a d i v i s ã o o r g a n i z a e
o r i e n t a a a p l i c a ç ã o d o
D i r e i t o P e n a l .
CARÁTER DESCRITIVO DA
LEI PENAL
PROIBIÇÃO INDIRETA
A l e g i s l a ç ã o p e n a l a d o t a u m a p r o i b i ç ã o
i n d i r e t a , d e s c r e v e n d o f a t o s c o n s i d e r a d o s
c r i m i n o s o s c o m o p r e s s u p o s t o s d a s a n ç ã o .
D e s s a f o r m a , o t e x t o l e g a l i n d i c a o
c o m p o r t a m e n t o p r o i b i d o e a c o n s e q u ê n c i a
p u n i t i v a , p e r m i t i n d o q u e o s i n d i v í d u o s
c o m p r e e n d a m a s r e g r a s d e c o n d u t a .
TEORIA DAS NORMAS 
DE KARL BINDING
K a r l B i n d i n g d e s e n v o l v e u a
t e o r i a d a s n o r m a s ,
d i s t i n g u i n d o n o r m a e l e i p e n a l .
A n o r m a c r i a o i l í c i t o e a l e i
d e s c r e v e o d e l i t o . A s s i m , a
c o n d u t a c r i m i n o s a v i o l a a
n o r m a , m a s n ã o a l e i , p o i s o
a g e n t e r e a l i z a a a ç ã o
c o n f o r m e d e s c r i t a , t o r n a n d o
e s s e n c i a l c o m p r e e n d e r e s s a
d i s t i n ç ã o .
INSTANTE JURÍDICO
 LEI PENAL
CLASSIFICAÇÃO
DAS LEIS PENAIS
C r i a m c r i m e s e e s t a b e l e c e m p e n a s .
E s t ã o n a P a r t e E s p e c i a l d o C ó d i g o
P e n a l e l e g i s l a ç ã o p e n a l e s p e c i a l .
E x e m p l o si n c l u e m c r i m e s c o n t r a o
p a t r i m ô n i o e a v i d a . S ã o
f u n d a m e n t a i s p a r a a r e p r e s s ã o d e
c o n d u t a s i l í c i t a s e a m a n u t e n ç ã o
d a o r d e m s o c i a l .
C o m p l e t a s c o n t ê m t o d o s o s
e l e m e n t o s d a c o n d u t a
c r i m i n o s a , c o m o n o a r t .
1 5 7 . I n c o m p l e t a s p r e c i s a m
d e c o m p l e m e n t a ç ã o p o r
o u t r a n o r m a o u d e c i s ã o
j u d i c i a l , c o m o a s l e i s p e n a i s
e m b r a n c o e o s t i p o s p e n a i s
a b e r t o s .
A u t o r i z a m c o n d u t a s t í p i c a s
s e m p u n i ç ã o , e x c l u i n d o a
i l i c i t u d e . E s t ã o n a P a r t e
G e r a l ( a r t . 2 3 d o C P ) e n a
P a r t e E s p e c i a l ( a r t s . 1 2 8 e
1 4 2 ) . E x e m p l o s i n c l u e m o
a b o r t o l e g a l e a s
e x c l u d e n t e s d e i l i c i t u d e n o s
c r i m e s c o n t r a a h o n r a .
LEIS COMPLETAS E INCOMPLETAS
LEIS INCRIMINADORAS
LEIS NÃO INCRIMINADORAS
N ã o c r i a m c r i m e s n e m
e s t a b e l e c e m p e n a s .
S u b d i v i d e m - s e e m p e r m i s s i v a s ,
e x c u l p a n t e s , i n t e r p r e t a t i v a s ,
d e a p l i c a ç ã o , d i r e t i v a s e
i n t e g r a t i v a s . 
R e g u l a m a a p l i c a ç ã o d o
D i r e i t o P e n a l , f o r n e c e n d o
b a s e s p a r a s u a c o r r e t a
i n t e r p r e t a ç ã o e e x e c u ç ã o .
LEIS PERMISSIVAS
LEIS EXCULPANTES
D e t e r m i n a m a n ã o c u l p a b i l i d a d e d o
a g e n t e o u a i m p u n i d a d e d e c e r t o s c r i m e s .
P r e v i s t a s n a P a r t e G e r a l e n a P a r t e
E s p e c i a l . E x e m p l o s : d o e n ç a m e n t a l ,
m e n o r i d a d e , p r e s c r i ç ã o , p e r d ã o j u d i c i a l ,
r e p a r a ç ã o d e d a n o a n t e s d a s e n t e n ç a .
LEIS INTERPRETATIVAS
E s c l a r e c e m o s i g n i f i c a d o d e
o u t r a s l e i s p e n a i s . E x e m p l o :
c o n c e i t o d e d o m í c i l i o ( a r t .
1 5 0 , § 4 º ) e c o n c e i t o d e
f u n c i o n á r i o p ú b l i c o 
( a r t . 3 2 7 ) . 
E v i t a m d ú v i d a s s o b r e a
a p l i c a ç ã o d a n o r m a p e n a l e
g a r a n t e m s e g u r a n ç a j u r í d i c a .
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