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PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama INQUÉRITO POLICIAL – PARTE III 14) DILIGÊNCIAS INVESTIGATIVAS Após o recebimento da Notitia Criminis, a autoridade policial providenciará uma série de diligências para apuração do crime. O art. 6°, do CPP, apresenta, de forma exemplificativa, as diligências a que a autoridade policial pode proceder diante da notícia de um fato delituoso, são elas: I – Preservação do local do crime Diante da notícia do crime a autoridade policial deve dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais; Em caso de acidente de trânsito, a autoridade ou agente policial que primeiro tomar conhecimento do fato poderá autorizar, independente de exame do local, a imediata remoção das pessoas que tenham sofrido lesão, bem como dos veículos nele envolvidos se estiverem no leito da via pública e prejudicarem o tráfego (Lei nº 5.970/83). II - Apreensão dos objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais: É possível a apreensão de quaisquer objetos que guardem relação com o fato delituoso, pouco importando sua origem lícita ou ilícita. III - Colheita todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias; IV - Ouvir o ofendido: O ofendido que, devidamente injustificado, injustificadamente não comparece, é passível de condução coercitiva (art. 201, §1º, CPP). V – Oitiva do Indiciado: A autoridade policial deve ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no regramento legal do CPP atinente ao interrogatório do acusado na instrução processual penal, devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas que lhe tenham ouvido a leitura. A presença de advogado é direito do investigado, mas não é obrigatória. O investigado pode optar por não exercer seu direito. PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama CURADOR PARA INDICADO MAIOR DE 18 E MENOS DE 21 ANOS: Em face do novo Código Civil, houve revogação tácita do art. 15 do CPP, que previa a necessidade de o maior de 18 e menor de 21 anos ter nomeado um curador. VI - Reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações: Aplica-se, por analogia, o procedimento previsto no CPP para o reconhecimento de pessoas e coisas na instrução processual penal. VII - Determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias: Quando a infração penal deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, não podendo supri-lo a confissão do acusado (art. 158, CPP). ATENÇÃO! O exame de sanidade mental apenas pode ser determinado pelo juiz (art. 149, CPP). VIII - Identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se possível, e juntada aos autos da folha de antecedentes; A identificação pelo processo datiloscópico, após o advento da CF/88 não é mais regra a ser seguida em todos os inquéritos policiais. Isso porque a atual Carta Magna (CF/88, art. 5º, LVIII) é expressa no sentido de que “o civilmente identificado não será submetido à identificação criminal, salvo nos casos previstos em lei”. A identificação criminal do civilmente identificado, que abrange a identificação datiloscópica, a identificação fotográfica e a identificação genética, somente é possível nas hipóteses excepcionais previstas na Lei nº 12.037/09 (Lei de Identificação Criminal). Isso porque a Lei nº 12.037/09 (art. 1º) dispõe que a identificação criminal somente será possível nas hipóteses excepcionais previstas nela (“O civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nos casos previstos nesta Lei”). ATENÇÃO! A Súmula nº 568 do STF, editada em 1977, que aduz que “A identificação criminal não constitui constrangimento ilegal, ainda que o indiciado já tenha sido identificado civilmente”, não é mais válida diante da atual ordem constitucional. Em relação à juntada da folha de antecedentes, deve-se observar o parágrafo único, do art. 20, CPP (não fazer constar informações relativas a inquéritos policiais instaurados contra o investigado). PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu temperamento e caráter. A autoridade policial deve averiguar: • A vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e social; • Sua condição econômica; • Sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele; e • Quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu temperamento e caráter. X - colher informações sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa: Trata-se de alteração legislativa recente promovida no art. 6º do CPP pelo MARCO LEGAL DA PRIMEIRA INFÂNCIA (Lei nº 13.257/16). A finalidade da diligência é a proteção dos filhos menores e/ou deficientes do investigado. Art. 7º - Reconstituição do fato delituoso: Para verificar a possibilidade de haver a infração sido praticada de determinado modo, a autoridade policial poderá proceder à reprodução simulada dos fatos, desde que esta não contrarie a moralidade ou a ordem pública. Requisitos: Não contrariar a moralidade ou a ordem pública. IMPORTANTE! Em virtude do direito a não-autoincriminação, o investigado não pode ser obrigado a participar ativamente da reprodução simulada dos fatos. Assim, não pode ser compelido a demonstrar a dinâmica dos fatos. 15) DILIGÊNCIAS INVESTIGATIVAS EM CRIMES QUE ENVOLVAM PRIVAÇÃO DA LIBERDADE DA VÍTIMA A Lei nº 13.344/16 incluiu no CPP a autorização para que a autoridade policial ou o membro do MP requisite de quaisquer órgãos do poder público ou de empresas da iniciativa privada, dados e informações cadastrais da vítima ou de suspeitos em alguns crimes que envolvem a privação de liberdade da vítima (sequestro, redução à condição análoga a de escravo, tráfico de pessoas (do CP e PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama do ECA), extorsão mediante restrição de liberdade e extorsão mediante sequestro. O prazo de que dispõe o órgão público ou a empresa privada para enviar à autoridade policial ou ao MP os dados cadastrais é de 24 horas. Art. 13-A. Nos crimes previstos nos arts. 148, 149 e 149-A, no § 3º do art. 158 e no art. 159 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), e no art. 239 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), o membro do Ministério Público ou o delegado de polícia poderá requisitar, de quaisquer órgãos do poder público ou de empresas da iniciativa privada, dados e informações cadastrais da vítima ou de suspeitos. Parágrafo único. A requisição, que será atendida no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, conterá: I - o nome da autoridade requisitante; II - o número do inquérito policial; e III - a identificação da unidade de polícia judiciária responsável pela investigação. Vale ressaltar que, no caso de informações relacionadas à localização da vítima ou do suspeito de crime relacionado ao tráfico de pessoas, é necessária a autorização judicial para o fornecimento das informações. Nesse caso, o as empresas prestadoras de serviço de telecomunicações e/ou telemática devem disponibilizar imediatamente os meios técnicos adequados à localização da vítima. Art. 13-B. Se necessário à prevenção e à repressão dos crimes relacionados ao tráfico de pessoas, o membro do Ministério Público ou o delegado de polícia poderão requisitar, mediante autorizaçãoa requisição de instauração recebida não fornecer o mínimo indispensável para se proceder à investigação. PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama c) Sendo o crime de ação penal privada, o arquivamento do inquérito policial depende de decisão do juiz, após pedido do Ministério Público. d) O inquérito pode ser arquivado pela autoridade policial se ela verificar ter havido a extinção da punibilidade do indiciado. e) Sendo o arquivamento ordenado em razão da ausência de elementos para basear a denúncia, a autoridade policial poderá empreender novas investigações se receber notícia de novas provas. 74. (MPE/SC – 2016 - MPE/SC – PROMOTOR DE JUSTIÇA) Há previsão de recurso de ofício em caso de arquivamento do inquérito policial e da absolvição que verse sobre crime contra a economia popular ou contra a saúde pública regrado pela Lei n. 1.521/51. ARQUIVAMENTO IMPLÍCITO E ARQUIVAMENTO INDIRETO 75. (CESPE – 2017 – MPE/RR – PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO) A jurisprudência dos tribunais superiores admite o arquivamento implícito, quando o promotor de justiça deixa de denunciar réu indiciado em inquérito policial. 76. (CESPE – 2015 – TJDFT – JUIZ DE DIREITO) A doutrina e a jurisprudência majoritárias admitem o denominado arquivamento implícito, que consiste no fato de o oferecimento de denúncia pelo Ministério Público por apenas alguns dos crimes imputados ao indiciado impedir que os demais sejam objeto de futura ação penal. 77. (FUNIVERSA - 2015 - SAPeJUS/GO - Agente de Segurança Prisional) Segundo a doutrina, arquivamento indireto do inquérito policial é o fenômeno de ordem processual que decorre de quando o titular da ação penal deixa de incluir na denúncia algum fato investigado ou algum dos indiciados, sem expressa manifestação desse procedimento, e o juiz recebe a denúncia sem remeter a questão ao chefe institucional do Ministério Público. PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama 78. (FCC – 2015 – DPE/SP – DEFENSOR PÚBLICO) O arquivamento implícito do inquérito policial é: a) consequência lógica da rejeição parcial da denúncia. b) o fenômeno decorrente de o MP deixar de incluir na denúncia algum fato investigado ou algum suspeito, sem expressa justificação. c) o arquivamento promovido fundamentadamente pelo Procurador-Geral da República dos inquéritos que tratam de suposta prática de crimes de competência originária do Supremo Tribunal Federal. d) o arquivamento operado de ofício pelo delegado de polícia, quando este entende estarem ausentes prova da materialidade delitiva e indícios mínimos de autoria. e) o arquivamento promovido pelo Procurador-Geral de Justiça, após a remessa dos autos pelo juiz de direito que discorda do pedido de arquivamento requerido pelo órgão do Ministério Público em primeiro grau. 79. (CESPE - 2013 - Polícia Federal - Escrivão da Polícia Federal) O princípio que rege a atividade da polícia judiciária impõe a obrigatoriedade de investigar o fato e a sua autoria, o que resulta na imperatividade da autoridade policial de instaurar inquérito policial em todos os casos em que receber comunicação da prática de infrações penais. A ausência de instauração do procedimento investigativo policial enseja a responsabilidade da autoridade e dos demais agentes envolvidos, nos termos da legislação de regência, vez que resultará em arquivamento indireto de peça informativa. PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama 80. (MPE/MA – 2014 – MPE/MA – PROMOTOR DE JUSTIÇA) Ao receber autos de inquérito policial remetidos pela Justiça Federal, que acolheu pedido de remessa para a Justiça Estadual formulado pelo procurador da República, o promotor de Justiça entende que o crime investigado é de alçada federal, requerendo ao juízo estadual que devolva os autos ao juízo federal. O juiz não concorda com o formulado pela promotoria, o que acarretará: a) Conflito de competência entre o juiz da Justiça Federal e o magistrado da Justiça Estadual, a ser dirimido pelo Superior Tribunal de Justiça, na forma da Constituição Federal; b) Arquivamento indireto do inquérito policial, a ser deliberado pela Procuradoria- Geral da República; c) Conflito de atribuições entre os Ministérios Públicos Estadual e Federal, a ser solucionado pela Procuradoria- Geral da República; d) Conflito de atribuições entre os Ministérios Públicos Estadual e Federal, a ser dirimido pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme preceituado na Constituição Federal; e) Arquivamento indireto do inquérito policial, a ser examinado pela Procuradoria- Geral do Ministério Público Estadual. TRANCAMENTO DO INQUÉRITO POLICIAL 81. CESPE – 2012 – Agente de Polícia – PC/AL) Considere que a autoridade policial tenha instaurado inquérito para apurar a prática de crime cuja punibilidade fora extinta pela decadência. Nessa situação, ao tomar conhecimento da investigação, o acusado poderá se valer do habeas corpus para impedir a continuação da investigação e obter o trancamento do inquérito policial. MISTO 82. (IBFC – 2017 – POLÍCIA CIENTÍFICA/PR – PERITO CRIMINAL) Considere as regras básicas aplicáveis ao Direito Penal e ao Direito Processual Penal para assinalar a PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama alternativa correta sobre o inquérito policial. a) A polícia judiciária será exercida pelas autoridades judiciais no território de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria b) Nos crimes de ação pública, o inquérito policial só será iniciado mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público c) Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá, se possível e conveniente, dirigir-se ao local, providenciando para que se não alterem o estado e conservação das coisas, enquanto necessário d) Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais. e) Todas as peças do inquérito policial serão, num só processo, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pelo perito. 83. (NUCEPE – 2017 – SEJUS/PI – AGENTE PENITENCIÁRIO) Em relação ao inquérito policial, marque a resposta CORRETA. a) Iniciado o inquérito, e observando a autoridade policial que não existem provas suficientes para condenação do acusado, a autoridade policial deverá arquivá-lo. b) Crimes que se processam por meio de ação penal pública incondicionada podem ter a instauração do inquérito policial solicitados pela vítima ou ofendido. c) Iniciado o inquérito, e observando a autoridade policial que não existem provas suficientes para condenação do acusado, a autoridade policial poderá arquivá-lo. d) Quando o crime for contra honra do Presidente da República, o Inquérito Policial é instaurado somente por requisição do próprio Presidente. e) Qualquer do povo poderá solicitar a instauração de inquérito em relação aos crimes ocorridos contra a honra do Presidente da República. 84. (IBEG – 2017 – IPREV – PROCURADOR PREVIDENCIÁRIO) Considerando o disposto no Código de Processo Penal acerca do inquérito policial, indique a PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama alternativa correta. a) A autoridade policial poderá mandar arquivar o inquérito para evitar lesão a direitos fundamentais do indiciado; b) O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão requerer qualquer diligência, que será realizada, ou não, a juízo da autoridade. c) Uma vez arquivado o inquérito por falta de base para a denúncia, pelo princípio da segurança jurídica, a autoridade policial não poderáfazer novas diligências. d) Para o desarquivamento do inquérito policial a autoridade policial necessita de novas provas. e) O arquivamento implícito na ação penal pública é admitido pela jurisprudência do STF. 85. (VUNESP – 2017 – CÂMARA DE COTIA – PROCURADOR LEGISLATIVO) A respeito do Inquérito Policial, assinale a alternativa correta. a) Nas ações penais públicas, condicionadas à representação, os inquéritos policiais podem ser iniciados por provocação das vítimas ou, de ofício, pela Autoridade Policial. b) O Delegado, encerrada as investigações, convencido da inexistência de crime, poderá determinar o arquivamento do inquérito policial. c) Nos inquéritos policiais que apuram crime de tráfico de pessoas, a Autoridade Policial poderá requisitar diretamente às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações, informações sobre posicionamento de estações de cobertura, a fim de permitir a localização da vítima ou do suspeito do delito em curso. d) Nas comarcas em que houver mais de uma circunscrição policial, diligências em circunscrição diversa da que tramita o inquérito policial dependerá de expedição de carta precatória. e) As diligências requeridas pelo ofendido, no curso do inquérito policial, serão ou não realizadas a juízo da Autoridade Policial. PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama GABARITO 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 E E D B B E C E E E 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 E C E E E E E C E C 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 E C E E C E E E E E 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 E E C C C C E C E C 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 C C E E E C E C E E 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 E E E C C C E E E C 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 C E C E C D C E E E 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 E D E C E E E B E E 81 82 83 84 85 C D B B Ejudicial, às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações e/ou telemática que disponibilizem imediatamente os meios técnicos adequados – como sinais, informações e outros – que permitam a localização da vítima ou dos suspeitos do delito em curso. PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama § 1o Para os efeitos deste artigo, sinal significa posicionamento da estação de cobertura, setorização e intensidade de radiofrequência. § 2o Na hipótese de que trata o caput, o sinal: I - não permitirá acesso ao conteúdo da comunicação de qualquer natureza, que dependerá de autorização judicial, conforme disposto em lei; II - deverá ser fornecido pela prestadora de telefonia móvel celular por período não superior a 30 (trinta) dias, renovável por uma única vez, por igual período; III - para períodos superiores àquele de que trata o inciso II, será necessária a apresentação de ordem judicial. § 3o Na hipótese prevista neste artigo, o inquérito policial deverá ser instaurado no prazo máximo de 72 (setenta e duas) horas, contado do registro da respectiva ocorrência policial. § 4o Não havendo manifestação judicial no prazo de 12 (doze) horas, a autoridade competente requisitará às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações e/ou telemática que disponibilizem imediatamente os meios técnicos adequados – como sinais, informações e outros – que permitam a localização da vítima ou dos suspeitos do delito em curso, com imediata comunicação ao juiz. A doutrina tem apontado que o art. 13-B, §4º do CPP é inconstitucional, por permitir que o delegado de polícia ou o membro do MP obtenha as informações sobre a localização da vítima ou do suspeito sem autorização judicial, quando o juiz não se manifestar sobre o pedido no prazo de 12 horas. PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama 16) INDICIAMENTO Indiciamento é um ato privativo da autoridade policial que consiste em atribuir a autoria da infração penal a determinada pessoa! ATENÇÃO! Prevalece o entendimento de que o indiciamento é ato vinculado, ou seja, a autoridade policial, ao se convencer da autoria do crime por determinada pessoa, deve indiciá-la. A) REQUISITOS DO INDICIAMENTO (Lei nº 12.830/13. Art. 2º, § 6o): 1. Deve ser um ato formal. 2. Deve ser fundamentado, mediante análise técnico-jurídica do fato; 3. Deve indicar a materialidade, autoria e as circunstâncias da infração penal. B) REQUISIÇÃO DE INDICIAMENTO PELO MP E PELO JUIZ: O indiciamento é ato privativo da autoridade policial, não sendo possível ao Ministério Público ou ao juiz requisitar o indiciamento à autoridade policial (Informativo nº 552, STJ). C) SUJEITO PASSIVO DO INDICIAMENTO: Em regra, qualquer pessoa pode ser indiciada, exceções: 1. Os membros do MP (Lei nº 8.625/93); 2. Os membros da magistratura (Lei Complementar nº 35/79). 3. Menores de 18 anos. D) INDICIAMENTO DE PESSOAS COM FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO Os tribunais superiores possuem entendimento divergente sobre a matéria. Para o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), o indiciamento e a investigações de pessoas com foro por prerrogativa de função depende de autorização do órgão jurisdicional competente para julgamento da ação penal (STF, Inq. 2411 QO/MT). O tribunal, após a autorização, passa a exercer a supervisão judicial das investigações. Vale ressaltar ainda que, de acordo com o STF, para se concluir pelo envolvimento de autoridade com foro por prerrogativa de função são PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama exigidos elementos objetivos, não bastando a simples menção ao nome dessas autoridades no curso das investigações. Nesse sentido: A simples menção ao nome de autoridades detentoras de prerrogativa de foro, seja em depoimentos prestados por testemunhas ou investigados, seja em diálogos telefônicos interceptados, assim como a existência de informações, até então, fluidas e dispersas a seu respeito, são insuficientes para o deslocamento da competência para o Tribunal hierarquicamente superior. (STF. 2ª Turma. Rcl 25497 AgR/RN, rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/2/2017) – Informativo nº 854. Além disso, também de acordo com o entendimento do STF, caso o inquérito tenha apurado envolvimento de autoridade com foro por prerrogativa de função sem a devida autorização do STF, eventual declaração de imprestabilidade dos elementos de prova angariados em suposta usurpação da competência criminal do Supremo Tribunal Federal não alcança aqueles destituídos de foro por prerrogativa de função (STF. 2ª Turma. Rcl 25497 AgR/RN, rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/2/2017) – Informativo nº 854. Já para o SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ), no que concerne às investigações relativas a pessoas com foro por prerrogativa de função, tem-se que, embora possuam a prerrogativa de serem processados perante o Tribunal, a lei não excepciona a forma como se procederá à investigação, devendo ser aplicada, assim, a regra geral trazida no art. 5º, inciso II, do Código de Processo Penal, a qual não requer prévia autorização do Judiciário. Com efeito, na hipótese, a única particularidade se deve ao fato de que o controle dos prazos do inquérito será exercido pelo foro por prerrogativa de função e não pelo Magistrado a quo (REsp 1563962 / RN, STJ). E) MOMENTO O indiciamento pode ser feito durante toda a investigação (desde a peça inaugural até o relatório final da autoridade policial). Importante! O indiciamento formal após o recebimento da denúncia gera constrangimento ilegal (STJ, 6ª Turma, HC 182.455 SP). PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama F) ESPÉCIES A doutrina classifica o indiciamento em duas espécies: • Indiciamento Direto: Ocorre quando o indiciamento é feito na presença do investigado; é a regra. • Indiciamento Indireto: Ocorre quando o indiciamento não é feito na presença do investigado; Pode ser feito quando o investigado não é encontrado. G) DESINDICIAMENTO E a desconstituição de prévio indiciamento. Pode ser feito pelo próprio delegado de polícia ou pelo Poder Judiciário, quando houver ilegalidade no indiciamento (STJ, HC 43.599). H) INDICIAMENTO NA LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS Segundo a Lei de Lavagem de Capitais (Lei nº 9.613/98, art. 17-D), o indiciamento de servidor público gera seu afastamento automático de suas funções até que o juiz autorize o seu retorno. Todavia, há o entendimento na doutrina de que esse dispositivo é inconstitucional (Gustavo Badaró, Renato Brasileiro, dentre outros). 17) INCOMUNICABILIDADE DO INDICIADO O art. 21 do CPP dispõe que “A incomunicabilidade do indiciado dependerá sempre de despacho nos autos e somente será permitida quando o interesse da sociedade ou a conveniência da investigação o exigir. A doutrina é unanime no entendimento de que a incomunicabilidade do indiciado não foi recepcionada pela CF/88. Isso porque a CF/88 assegura ao preso a assistência da família e de advogado (art. 5º, LXIII, CF/88). Além disso, a atual Carta Magna não permitiu a incomunicabilidade do preso nem mesmo durante a vigência do Estado de Defesa (art. 136, §3º, IV, CF/88), não se pode entender, portanto, que a permitiria em um estado de normalidade! CONCLUSÃO: Não se admite a decretação da incomunicabilidade do indiciado no curso do inquérito policial. O art. 21 do CPP, apesar de vigente, não é válido por violar a CF/88. PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama 18) PRAZO PARA A CONCLUSÃO DO INQUÉRITO POLICIAL O Código de Processo Penal determina que o inquérito policial deve terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de30 dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela. Apenas pode ser prorrogado o prazo do inquérito policial no caso de investigado solto! PRAZOS DO INQUÉRITO POLICIAL NO CPP INDICIADO PRESO (PRISÃO EMFLAGRANTE OU PREVENTIVA) INDICIADO SOLTO 10 dias 30 dias Contados da data em que se executar a ordem de prisão. Contados da data do ato inaugural do inquérito policial. Não há previsão legal para prorrogação do inquérito policial. O mero descumprimento do prazo não enseja revogação da prisão, no entanto o excesso desarrazoado do prazo pode sim ensejar revogação da prisão preventiva (STJ, 6ª T., HC 44.604/RN). O I.P. pode ser prorrogado pelo prazo assinalado pelo juiz nos casos em que a complexidade da investigação ou o número de investigados exigirem. ATENÇÃO! Estes são os prazos gerais, que se aplicam caso não haja previsão diversa em lei específica. A) Prazos especiais do inquérito policial Além dos prazos previstos no CPP, há prazos diferenciados previstos em leis especiais, situações em que deixa de valer o prazo geral previsto no CPP e passam a ser aplicados os prazos especiais. A conclusão deriva do princípio da especialidade, utilizado para resolver o conflito aparente de leis, segundo o qual a norma especial afasta a aplicação da norma geral (lex especialis derrogat Lex generalis). PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama Os prazos especiais do inquérito policial são os seguintes: PRAZOS ESPECIAIS DO INQUÉRITO POLICIAL INDICIADO PRESO INDICIADO SOLTO CRIMES FEDERAIS (Lei nº 5.010/1996) 15 dias prorrogáveis por até mais 15 dias (art. 66). 30 dias (Como a Lei nº 5.010/1996 não dispõe, aplica-se o prazo do CPP, cabendo ampliação). Lei de Drogas 30 dias (duplicável, ouvido o MP). 90 dias (duplicável, ouvido o MP). Código de Processo Penal Militar (art. 20) 20 dias 40 dias, prorrogável por mais 20 pela autoridade militar superior. Crimes contra a Economia Popular (Lei nº 1.521/51) 10 dias, preso ou solto. Prisão Temporária (Lei nº 7.960/89) O prazo do IP equivale ao prazo máximo da prisão temporária. (5 +5): 05 dias prorrogáveis por mais 05 dias em caso de extrema e comprovada necessidade (CRIMES COMUNS) - Art. 2º, caput. – Art. 2º, Lei nº 7.960/89. (30 + 30): 30 dias prorrogáveis por mais 30 dias em caso de extrema e comprovada necessidade (CRIMES HEDIONDOS E EQUIPARADOS) – Art. 2º, §4º, Lei nº 8.072/90. PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama B) NATUREZA JURÍDICA DO PRAZO Em relação ao prazo do inquérito policial no caso de investigado solto, não há dúvida de que se trata de um prazo de natureza processual. Conta-se na forma do art. 798, CPP: despreza-se o dia do início e computa-se o dia de término. Em relação ao prazo do inquérito policial no caso de investigado preso, há duas correntes: • 1ª Corrente (Nucci): O prazo do IP em caso de investigado preso é de natureza material. Conta-se, portanto, na forma do art. 10, CP: computa-se o dia do início e despreza-se o dia de término. • 2ª Corrente (Mirabete, Renato Brasileiro e Denilson Feitosa): O prazo em caso de investigado preso também é de natureza processual, pois o fato de estar privado da liberdade o investigado não retira a natureza jurídica de procedimento administrativo persecutório do IP. Prevalece a corrente que entende que o prazo do inquérito policial é sempre de natureza processual, seja no caso de investigado preso ou solto. 19) CONCLUSÃO DO INQUÉRITO POLICIAL A) RELATÓRIO FINAL O Inquérito Policial se conclui com o relatório da autoridade policial, conforme preceitua o art. 10, §1°, do CPP: “A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e enviará autos ao juiz competente”. DESTINATÁRIO: Apesar de o destinatário imediato do Inquérito ser o titular da ação penal, o Código de Processo Penal prevê que os autos do IP devem ser remetidos ao juiz. Não obstante a determinação do CPP, na justiça federal, a Resolução nº 63/2009 – CJF determina que a remessa seja feita diretamente ao MPF. PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama • De acordo com o STJ, não é ilegal a portaria editada por Juiz Federal que, fundada na Resolução nº 63/2009 do CJF, estabelece a tramitação direta de inquérito policial entre a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (STJ, 5ª Turma. RMS 46.165-SP – Inf. 574, STJ – 04/12/2015). • Todavia, para o STF, é INCONSTITUCIONAL lei estadual que preveja a tramitação direta do inquérito policial entre a polícia e o Ministério Público (ADI 2886, STF). QUESTÃO DE PROVA (CESPE – 2017 – PREFEITURA DE BELO HORIZONTE – PROCURADOR MUNICIPAL) É ilegal portaria que, editada por juiz federal, estabelece a tramitação direta de inquérito policial entre a Polícia Federal e o MPF. TESTEMUNHAS NÃO INQUIRIDAS (art. 10, §2º): Serão indicadas no relatório, bem como o lugar em que possam ser encontradas. INFORMAÇÃO IMPORTANTE! O relatório é DISPENSÁVEL para o oferecimento da denúncia! Isso porque se o próprio inquérito é peça dispensável, o que dizer então do relatório final. B) PROCEDIMENTO EM CRIMES DE AÇÃO PENAL PRIVADA Nos crimes em que não couber ação pública, os autos do inquérito serão remetidos ao juízo competente, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu representante legal, ou serão entregues ao requerente, se o pedir, mediante traslado (art. 19, CPP). C) PROCEDIMENTO EM CRIMES DE AÇÃO PENAL PÚBLICA Depois de remetidos ao juiz, este abrirá vista ao Ministério Público. Aberta vista dos autos ao Ministério Público, este poderá adotar uma das seguintes medidas: PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama a) Oferecer denúncia. b) Requisitar diligências imprescindíveis ao oferecimento da denúncia à autoridade policial: CPP, art. 16. O Ministério Público não poderá requerer a devolução do inquérito à autoridade policial, senão para novas diligências, imprescindíveis ao oferecimento da denúncia. c) Requerer o arquivamento: O CPP não lista as situações em que o inquérito policial deve ser arquivado, no entanto, entende-se que o procedimento deve ser arquivado nas hipóteses de rejeição da peça acusatória (art. 395, CPP) e de absolvição sumária (art. 397, CPP). d) Requerer a declinação de competência: Caso entenda que o juízo perante o qual atua é incompetente para o julgamento da causa, deverá requerer ao juiz que remeta a causa ao juiz competente. e) Suscitar conflito de competência: Pressupõe anterior declinação de competência de outro MP. Recebido o IP pelo MP após declinação de competência, se o órgão ministerial que receber os autos entender que o juízo competente é aquele que declinou a competência, não deverá devolvê-los, mas sim suscitar conflito de competência. # CONFLITO DE COMPETÊNCIA X CONFLITO DE ATRIBUIÇÕES: Enquanto o conflito de competência se dá entre duas ou mais autoridades judiciárias, o conflito de atribuições se dá entre membros do Ministério Público. • Se o conflito for entre dois membros do mesmo órgão do MP Estadual, a solução compete ao chefe institucional daquele órgão (PGJ). • Se o conflito for entre dois membros do MPF, a solução compete à Câmara de Coordenação e Revisão do MPF. • Se o conflito for entre membros do MPU de ramos diferentes (MPF x MPM x MPDFT), a solução compete ao Procurador-Geral da República. PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama • SE O CONFLITO DE ATRIBUIÇÃO FOR ENTRE O MPF E O MP ESTADUAL: o 1ª Corrente: Deve-se tratar esse conflito de atribuições como se fosse um conflito de competência (conflito virtual de competência). A solução seria dada, portanto, pelo STJ. o 2ª Corrente: Era a antiga posição do STF. Deve-se tratar tal conflitocomo um conflito entre unidades federativas (art. 102, I, ‘f’ da CF/88). Logo, a solução deveria ser dada pelo STF. o 3ª Corrente: A solução deve ser dada pelo Procurador- Geral da República (PGR). TRATA-SE DO ATUAL ENTENDIMENTO DO STF (STF, ACO 924). O STF entendeu que, como a questão é administrativa, não poderia um órgão jurisdicional resolvê-la. A decisão fica por conta do chefe institucional do MP. Doutrina: O PGR não é chefe de todo o MP, mas apenas do MPU. Entende que foi equivocada a decisão do STF. 20) ARQUIVAMENTO DO INQUÉRITO POLICIAL A) PROCEDIMENTO DE ARQUIVAMENTO Conforme vimos, a autoridade policial não pode arquivar o Inquérito Policial, pois o arquivamento do inquérito policial é uma decisão judicial, sempre a pedido do titular da ação penal. Não há dúvida de que, se o juiz concordar com o pedido de arquivamento, o inquérito será arquivado. Todavia, se o juiz não concordar com o pedido de arquivamento do Inquérito Policial feito pelo Ministério Público deverá remetê-lo ao Procurador-Geral para que este: • Ofereça denúncia; • Designe outro órgão do MP para oferecer a denúncia; • Insista no arquivamento (só então o juiz estará vinculado a arquivar o I.P.) Esse é exatamente o conteúdo do art. 28, do CPP, que consagra o princípio da devolução. PRINCÍPIO DA DEVOLUÇÃO: A remessa da promoção de arquivamento ao Procurador-Geral é denominada de PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama “princípio da devolução”. Para simplificar o entendimento do procedimento, segue o mapa mental: Apesar de não haver previsão legal, a doutrina entende que o Procurador-Geral de Justiça pode também requisitar diligências imprescindíveis. ATENÇÃO! No âmbito da Justiça Federal, da Justiça Comum do DF e na Justiça Militar, discordando o Juiz do pedido de arquivamento, deverá remeter os autos à Câmara de Coordenação e Revisão, salvo nos casos de atribuição originária do Procurador-Geral (Lei Complementar nº 75/93). ATENÇÃO 02! No âmbito da Justiça Eleitoral, discordando o juiz eleitoral do pedido de arquivamento do promotor eleitoral, compete à Câmara de Coordenação e Revisão do MPF a análise da divergência. Foi derrogado o art. 357, §1º do Código Eleitoral pelo art. 62, inciso IV da Lei Complementar nº 75/93 (Enunciado nº 26, 2ª CCR, MPF). # NÃO SE APLICA O ART. 28 NOS CASOS DE COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DO STF E DO STJ: I. No caso de requerimento de arquivamento do IP nas hipóteses de atribuição originária do PGR ou do PGJ, é inviável a aplicação do procedimento do art. 28 do CPP. A decisão de arquivamento nessa hipótese pode ser administrativa, pois se PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama remetida ao Poder Judiciário este será obrigado a arquivar o inquérito policial (STF, Inq. 2054). II. No caso de requerimento de arquivamento do IP nas hipóteses de atribuição de membro do MPF que atua perante o STJ, não se aplica o art. 28 do CPP, pois a jurisprudência do STJ é no sentido de que os membros do MPF atuam por delegação do Procurador-Geral da República na instância especial (Informativo nº 558, STJ). B) COISA JULGADA NO ARQUIVAMENTO DO INQUÉRITO Coisa julgada é a imutabilidade das decisões judiciais. Por questões de segurança jurídica, uma vez que uma decisão judicial é proferida, após o fim do prazo para recurso (se couber), essa decisão se torna imodificável. O arquivamento do inquérito policial, que é uma decisão judicial, pode ter diversos fundamentos, a depender desse fundamento gerará coisa julgada formal e material ou apenas coisa julgada formal. • A COISA JULGADA FORMAL torna imutável a decisão somente no mesmo processo em se insere, sendo possível que nova decisão sobre os mesmos fatos se sobrevierem novos fatos. Trata-se de um fenômeno endoprocessual. Quando a decisão de arquivamento do inquérito policial gerar apenas coisa julgada formal serão possíveis novas investigações, se surgirem notícias de novas provas. • A COISA JULGADA MATERIAL é a imutabilidade da decisão dentro e fora do processo em que se insere. Pressupõe a coisa julgada formal, ou seja, sempre que a decisão gerar coisa julgada material irá gerar também coisa julgada formal. Quando a decisão de arquivamento do inquérito policial gerar coisa julgada material isso significa que a autoridade não poderá sequer investigar mais o mesmo fato delituoso, sob pena de ofensa ao princípio do ne bis in idem! Ocorre quando houver decisão sobre o mérito da causa. PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama FUNDAMENTO DO ARQUIVAMENTO GERA COISA JULGADA MATERIAL? PREVISÃO LEGAL FALTA DE BASE PARA A DENÚNCIA Não gera coisa julgada material, mas apenas coisa julgada formal. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia (CPP, art. 18). AUSÊNCIA DE CONDIÇÃO DA AÇÃO Não gera coisa julgada material, mas apenas coisa julgada formal. Não há. MANIFESTA ATIPICIDADE DA CONDUTA GERA COISA JULGADA FORMAL E MATERIAL! Obs.: Gera coisa julgada material ainda que tenha sido tomada por juiz absolutamente incompetente (STJ, HC 173.397/RS e STF, HC 83.346/SP). Não há. PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama FUNDAMENTO DO ARQUIVAMENTO GERA COISA JULGADA MATERIAL? PREVISÃO LEGAL MANIFESTA EXCLUDENTE DE ILICITUDE DIVERGÊNCIA NOS TRIBUNAIS SUPERIORES STJ: GERA COISA JULGADA FORMAL E MATERIAL (STJ, REsp 791.471/RJ)! STF: GERA APENAS COISA JULGADA FORMAL (Informativo nº 538 e Informativo nº 796). O tema foi analisado pelo Pleno do STF no HC 87.395/PR. Não há. MANIFESTA EXCLUDENTE DE CULPABILIDADE, SALVO INIMPUTABILIDADE GERA COISA JULGADA FORMAL E MATERIAL! Não há. MANIFESTA EXCLUDENTE DE PUNIBILIDADE GERA COISA JULGADA FORMAL E MATERIAL! Exceção: Se for fundamentada em documento falso não gera coisa julgada material (STF, HC 84.525). Não há. C) DESARQUIVAMENTO DO IP É a reabertura das investigações após o arquivamento do IP. Requisitos: A decisão de arquivamento não ter gerado coisa julgada material e notícia de novas provas (art. 18, CPP). ATENÇÃO! Para oferecimento da denúncia após o arquivamento do IP, são necessárias novas provas, não bastando notícias de novas provas (Súmula nº 524, STF). PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama Atribuição para o desarquivamento: Há duas correntes. Parte da doutrina entende que é atribuição da autoridade policial o desarquivamento do inquérito para prosseguimento das investigações. Todavia, há entendimento de que como a decisão de arquivamento é uma decisão judicial, somente o juiz poderia desarquivar o procedimento. Prevalece o entendimento de que a própria autoridade policial pode reiniciar, de ofício, as investigações diante de notícia de novas provas, pois o art. 18 do CPP dispõe que “...a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas se de outras provas tiver notícia”. D) ARQUIVAMENTO IMPLÍCITO O arquivamento implícito ocorre quando, havendo mais de um investigado ou mais de um crime sendo apurado no Inquérito Policial, o Ministério Público deixa de incluir um ou outro na denúncia bem como deixa de requerer o arquivamento em relação a um ou a outro e o juiz recebe a denúncia sem se manifestar sobre a omissão do parquet. ESPÉCIES: • ARQUIVAMENTO IMPLÍCITO OBJETIVO: Ocorre quando, havendo mais de um crime sendo apurado no Inquérito Policial, o Ministério Público deixa de requerer o arquivamento em relação a um ou a outro e o juiz recebe a denúncia sem se manifestar sobre a omissão do parquet. • ARQUIVAMENTOIMPLÍCITO SUBJETIVO: O arquivamento implícito ocorre quando, havendo mais de um investigado sendo investigado no Inquérito Policial, o Ministério Público deixa de incluir um ou outro na denúncia e o juiz recebe a denúncia sem se manifestar sobre a omissão do parquet. A doutrina e a jurisprudência são pacíficas em não admitir o arquivamento implícito, pois todas as decisões do Ministério Público devem ser fundamentadas (STF, RHC 95.141/RJ). Para que o MP deixe de incluir algum crime apurado ou algum indiciado no IP, deve requerer o arquivamento em relação ao crime ou indiciado não incluído na denúncia. PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama STJ, HC 21.074: É inadmissível o oferecimento de ação penal privada subsidiária da pública no caso de arquivamento implícito. O juiz deve adotar o procedimento do art. 28 do CPP. E) ARQUIVAMENTO INDIRETO Ocorre quando o juiz não concorda com o pedido de declinação de competência formulado pelo MP. Como o juiz não pode obrigar o MP a oferecer a denúncia deve adotar, por analogia, o procedimento do art. 28, CPP para solucionar a controvérsia. F) IRRECORRIBILIDADE DA DECISÃO DE ARQUIVAMENTO A decisão de arquivamento, em regra, é irrecorrível! Além disso, não é possível ação penal privada subsidiária da pública em face da decisão de arquivamento, pois não há inércia do Ministério Público nessa situação. EXCEÇÕES: HIPÓTESE EXCEPCIONAL RECURSO CABÍVEL PREVISÃO LEGAL Lei de Crimes Contra a Economia Popular Recurso de ofício Lei nº 1.521/51 (art. 7º) Contravenções penais do Jogo do Bicho e de corrida de cavalo fora do hipódromo. Recurso em Sentido Estrito. Lei nº 1.508/51 Arquivamento de ofício pelo juiz. Correição parcial. Trata-se de erro de procedimento para o qual não há recurso específico previsto em lei. Casos de atribuição originária do Procurador-Geral de Justiça. Recurso ao Colégio de Procuradores de Justiça. Lei nº 8.625/93 (art.12). PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama 21) TRANCAMENTO DO INQUÉRITO POLICIAL O trancamento também é denominado de encerramento anômalo do inquérito policial. O trancamento é medida a ser determinada pelo Poder Judiciário que acarreta a paralisação imediata de uma investigação criminal em andamento. Trata-se de uma medida de natureza excepcional, somente possível em hipóteses excepcionais, como, por exemplo, as seguintes: 1. Manifesta atipicidade da conduta investigada; 2. Presença de causa extintiva da punibilidade 3. Instauração de Inquérito Policial em crime de ação penal pública condicionada ou de ação penal privada sem a representação ou requerimento, respectivamente. 22) CONTROLE EXTERNO DA ATIVIDADE POLICIAL PELO MINISTÉRIO PÚBLICO Controle externo é a fiscalização da atividade policial exercida pelo Ministério Público. Abrange o controle: i. Da investigação criminal; ii. Da preservação dos direitos de presos sob a custódia policial; iii. Do cumprimento de determinações judiciais. O controle externo não decorre de subordinação das polícias ao Ministério Público, tendo em vista que não há tal hierarquia. Decorre, na verdade, do sistema de freios e contrapesos estabelecido na Constituição Federal de 1988. É previsto no art. 9º, da Lei Complementar nº 75/93 e regulamentado pela Resolução nº 20/2007 do CNMP. ESPÉCIES DE CONTROLE EXTERNO: • Controle difuso: É aquele exercido por todos os órgãos do MP com atribuição criminal quando da análise dos procedimentos que lhe são atribuídos. • Controle concentrado: É aquele exercido por órgãos do MP com atribuição específica para a fiscalização da atividade policial. PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama JURISPRUDÊNCIA STJ O controle externo da atividade policial exercido pelo Ministério Público Federal não lhe garante o acesso irrestrito a todos os relatórios de inteligência produzidos pela Diretoria de Inteligência do Departamento de Polícia Federal, mas somente aos de natureza persecutório-penal. O controle externo da atividade policial exercido pelo Parquet deve circunscrever-se à atividade de polícia judiciária, conforme a dicção do art. 9º da LC n. 75/93, cabendo-lhe, por essa razão, o acesso aos relatórios de inteligência policial de natureza persecutório-penal, ou seja, relacionados com a atividade de investigação criminal. O poder fiscalizador atribuído ao Ministério Público não lhe confere o acesso irrestrito a "todos os relatórios de inteligência" produzidos pelo Departamento de Polícia Federal, incluindo aqueles não destinados a aparelhar procedimentos investigatórios criminais formalizados. STJ. 1ª Turma. REsp 1.439.193-RJ, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 14/6/2016 (Info 587) PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama ESTUDO DIRIGIDO 01) O art. 6º do CPP traz todas as diligências investigativas que a autoridade policial pode realizar no curso do inquérito policial? 02) Na oitiva do indiciado na fase inquisitorial, a presença de advogado é obrigatória? 03) Qual o conteúdo do art. 15 do CPP? Esse dispositivo ainda é válido? 04) A autoridade policial pode determinar perícias? Existe alguma exceção? 05) A identificação criminal deve ser realizada como regra no curso do inquérito policial? 06) Quais são os requisitos da reprodução simulada dos fatos? 07) O investigado é obrigado a participar ativamente da reprodução simulada dos fatos? 08) O que é o indiciamento? 09) O indiciamento é ato vinculado ou discricionário? 10) O MP e o Juiz podem requisitar o indiciamento? 11) Quais são os requisitos do indiciamento? 12) Quem pode ser indiciado no inquérito policial? 13) Autoridades com foro por prerrogativa de função podem sem indiciadas? 14) Quais são as espécies de indiciamento? 15) É possível a decretação da incomunicabilidade do indiciado no curso do inquérito policial? PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama 16) Qual o prazo para conclusão do inquérito policial previsto no CPP? 17) Esse prazo se aplica no caso de a legislação prever prazo especial em lei extravagante? 18) Qual a natureza jurídica do prazo do inquérito policial? Como é feita a contagem desse prazo? 19) O que é o relatório final? 20) A quem o relatório final é remetido? 21) Qual o procedimento de conclusão do inquérito policial nos crimes de ação penal privada? 22) Qual o procedimento de conclusão do inquérito policial nos crimes de ação penal pública? 23) Quem pode requerer o arquivamento do inquérito policial ao juiz? 24) Qual o procedimento do arquivamento do inquérito? 25) O que é o “princípio da devolução”? 26) Qual o procedimento do arquivamento do inquérito no âmbito da justiça federal e da justiça do DF? 27) Quais são as hipóteses em que não se aplica o art.28? 28) O que é a coisa julgada formal? 29) O que é a coisa julgada material? 30) Quando a decisão de arquivamento gera apenas coisa julgada formal? PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama 31) Quando a decisão de arquivamento gera coisa julgada material? 32) O que é o desarquivamento do inquérito policial? 33) O que é o arquivamento implícito? 34) O arquivamento implícito é admitido? 35) O que é o arquivamento indireto? 36) Cabe recurso contra a decisão de arquivamento do inquérito policial? 37) O que é o trancamento do inquérito policial? 38) Quem realiza o controle externo da atividade policial? 39) Quais são as espécies de controle externo? PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama QUESTÕES ANTERIORES DILIGÊNCIAS INVESTIGATIVAS 1. (PUC/PR –2017 - TJMS – ANALISTA JUDICIÁRIO) Visando à prevenção e à repressão aos crimes relacionados ao tráfico de pessoas, somente o membro do Ministério Público poderá requisitar às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações e/ou telemática que disponibilizem imediatamente os meios técnicos adequados (como sinais e informações) que permitam a localização da vítima ou dos suspeitos do delito em curso. 2. (FAPEMS – 2017 – PCMS – DELEGADO DE POLÍCIA) Conforme disposição expressa no Código de Processo Penal vigente, o Delegado de Polícia que preside investigação policial sobre o crime previsto no artigo 149-A (Tráfico de Pessoas) do Código Penal-Decreto- Lei n° 2.848/1940, dentre as providências a serem adotadas, poderá: a) requisitar dados e informações cadastrais da vítima ou dos suspeitos, diretamente de quaisquer órgãos do poder público ou representar junto à autoridade judicial, de empresas de iniciativa privada. b) requisitar, após o parecer obrigatório do Ministério Público, de quaisquer órgãos do poder público ou de empresas de iniciativa privada, dados e informações cadastrais da vítima ou dos suspeitos. c) requisitar, somente por meio de autorização judicial, de quaisquer órgãos do poder público ou de empresas de iniciativa privada, dados e informações cadastrais da vítima ou dos suspeitos. d) requisitar, de qualquer órgãos do poder público ou de empresas de iniciativa privada, dados e informações cadastrais dos suspeitos, os quais deverão ser concedidos no prazo de 48 horas. e) requisitar, de quaisquer órgãos do poder público ou de empresas de iniciativa privada, dados e informações cadastrais da vítima ou dos suspeitos. PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama 3. (FAPEMS – 2017 – PCMS – DELEGADO DE POLÍCIA) Sobre as diligências que podem ser realizadas pelo Delegado de Polícia, é correto afirmar que a) caso o ofendido ou seu representante legal apresente requerimento para instauração de inquérito policial, a autoridade policial deve atender ao pedido, em observância do princípio da obrigatoriedade. b) deparando-se com uma noticia na imprensa que relate um fato delituoso, a autoridade policial deve instaurar inquérito policial de ofício, elaborando, conforme determina o Código de Processo Penal vigente, um relatório sobre a forma como tomou conhecimento do crime. c) conforme disposição expressa no Código de Processo Penal vigente, o Delegado de Polícia não é obrigado a determinar a realização de perícia requerida pelo investigado, ofendido ou seu representante legal, quando não for necessária ao esclarecimento da verdade, ainda que se trate de exame de corpo de delito, pois a investigação é conduzida de forma discricionária. d) o inquérito policial é um procedimento discricionário, portanto, cabe ao Delegado de Polícia conduzir as diligências de acordo com as especificidades do caso concreto, não estando obrigado a seguir uma sequência predeterminada de atos. e) poderá a autoridade policial determinar em todas as espécies de crimes, atendidos os requisitos legais e suas peculiaridades, a reconstituição do fato delituoso, desde que não contrarie a moralidade ou a ordem pública, com a participação obrigatória do investigado. 4. (IBADE – 2017 – PC-AC – DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL) Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá: a) em todos os casos, proceder ao exame de corpo de delito. b) colher informações sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa. c) prender o réu e proceder a identificação criminal. d) proceder a busca domiciliar independentemente de autorização judicial. PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama e) determinar que o inspetor de polícia se dirija ao local do crime e recolha todas as informações e provas, preservando o local até a chegada dos peritos. 5. (CESPE – 2015 – TJ/PB – JUIZ DE DIREITO) A autoridade policial foi informada da descoberta de um cadáver, com perfurações por toda a região abdominal, às margens de uma rodovia. Próximo ao local, havia também uma faca com marcas de sangue e garrafas de bebida alcoólica. Em face dessa situação, e considerando-se o disposto no CPP, a autoridade policial deverá: a) oficiar ao Poder Judiciário a fim de que se efetue a retirada do corpo do local. b) dirigir-se ao local e providenciar que o estado e a conservação das coisas não sejam alterados até a chegada de peritos criminais. c) determinar de imediato a higienização da faca para proceder a reprodução simulada dos fatos. d) requerer autorização judicial para que a área seja isolada e para o deslocamento de peritos criminais. e) pedir autorização judicial para abertura do inquérito policial. 6. (CESPE – 2016 – PCPE – AGENTE DE POLÍCIA) Um policial encontrou, no interior de um prédio abandonado, um cadáver que apresentava sinais aparentes de violência, com afundamento do crânio, o que indicava provável ação de instrumento contundente. Nesse caso, cabe à autoridade policial, a) providenciar a imediata remoção do cadáver e o seu encaminhamento ao necrotério e aguardar o eventual reconhecimento por parentes. b) comunicar o fato à autoridade judiciária se o local estiver fora da circunscrição da delegacia onde esteja lotado, devendo-se manter afastado e não podendo impedir o fluxo de pessoas. c) promover a realização de perícia somente depois de PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama autorizado pelo Ministério Público ou pelo juiz de direito. d) comunicar o fato imediatamente ao Ministério Público, que determinará as providências a serem adotadas. e) providenciar para que não se alterem o estado e o local até a chegada dos peritos criminais e ordenar a realização das perícias necessárias à identificação do cadáver e à determinação da causa da morte. 7. (FUNIVERSA – 2015 – PCDF – PAPILOSCOPISTA) Quando a autoridade policial tiver conhecimento da prática da infração penal, deverá averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e social, sua condição econômica, sua atitude e seu estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, além de quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu temperamento e do seu caráter. 8. (CESPE - 2014 - TJ-DF - Titular de Serviços de Notas e de Registros – Remoção) Ao interrogatório do indiciado na fase inquisitiva são aplicadas as mesmas regras do interrogatório judicial, sendo obrigatória a presença de defensor com direito a interferência, em atendimento ao princípio da ampla defesa. 9. (CESPE – 2016 – PCPE – DELEGADO DE POLÍCIA) Havendo fundada dúvida sobre a sanidade mental do indiciado, o delegado de polícia poderá determinar de ofício a realização do competente exame, com o objetivo de aferir a sua imputabilidade. 10. (CESPE - 2013 - PC-BA - Delegado de Polícia) A autoridade policial que, na fase de investigação criminal, desconfiar da integridade mental do acusado, poderá, sem suspender o andamento do inquérito policial, determinar, de ofício, que o acusado se submeta a exame de sanidade mental, a ser realizado por peritos oficiais. PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama 11. (CESPE - 2013 - DPE-RR - Defensor Público) Se a autoridade policial tiver dúvida quanto à integridade mental dos presos, ela pode determinar que eles sejam submetidos a exame de sanidade mental, a fim de esclarecer a culpabilidade, em autos apartados ao do inquérito policial, desde que nomeado curador aos acusados e, se não tiverem constituído advogado, desde que patrocinados por DP. 12. (FMP– 2015 – DPE/PA – DEFENSOR PÚBLICO) O Delegado de Polícia poderá determinar a reprodução simulada dos fatos objeto de sua investigação, desde que essa reprodução não contrarie a moralidade ou a ordem pública. 13. (CESPE – 2016 – PCPE – AGENTE DE POLÍCIA) O reconhecimento de pessoas no âmbito do inquérito policial poderá ser feito pessoalmente, com a apresentação do suspeito, ou por meio de fotografias, com idêntico valor probante, conforme disciplinado no Código de Processo Penal. 14. (CESPE - APF/2004) A reprodução simulada dos fatos ou reconstituição do crime pode ser determinada durante o inquérito policial, caso em que o indiciado é obrigado a comparecer e participar da reconstituição, em prol do princípio da verdade real. INCOMUNICABILIDADE DO INDICIADO 15. (CESPE – 2015 – TRE/RS – ANALISTA JUDICIÁRIO) A incomunicabilidade do indiciado somente será permitida quando o interesse da sociedade ou a conveniência da investigação o exigir. 16. (CESPE - 2013 - DEPEN - Agente Penitenciário) O delegado de polícia, mediante despacho nos autos do inquérito policial, poderá determinar a incomunicabilidade do indiciado sempre que o interesse da sociedade ou a conveniência da investigação o permitir. PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama 17. (CESPE - 2008 - TJ-RJ - Analista Judiciário - Adaptada) A autoridade policial poderá decretar a incomunicabilidade do indiciado, pelo prazo máximo de três dias. INDICIAMENTO 18. (FUNCAB – 2016 – SEGEP/MA – AGENTE PEITENCIÁRIO) O ato de indiciamento em um inquérito policial por crime comum é de atribuição: a) de qualquer agente de polícia judiciária, seja civil ou federal. b) do delegado de polícia ou do Ministério Público. c) exclusiva do delegado de polícia. d) do delegado de polícia ou do juiz de direito. e) do delegado de polícia, do juiz de direito ou do Ministério Público. 19. (FUNIVERSA – 2015 – PCDF – DELEGADO DE POLÍCIA) Conforme a lei, o indiciamento é ato privativo do delegado de polícia ou do órgão do Ministério Público, devendo ocorrer por meio de ato fundamentado, que, mediante análise técnico-jurídica do fato, deverá indicar a autoria, a materialidade e suas circunstâncias. 20. (CESPE – 2016 – PCPE – AGENTE DE POLÍCIA) O indiciamento do suspeito de prática de crime é ato privativo do delegado de polícia, mediante ato fundamentado do qual constarão a análise técnico-jurídica do fato criminoso e suas circunstâncias e a indicação da materialidade e da autoria. 21. (FUNIVERSA – 2015 – PCDF – PAPILOSCOPISTA) Cabe ao promotor ou ao juiz, mediante requisição, determinar o indiciamento de alguém pela autoridade policial. 22. (CESPE – 2015 – TRE – Analista Judiciário) Após a realização de inquérito policial iniciado mediante requerimento da vítima, Marcos foi indiciado pela PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama autoridade policial pela prática do crime de furto qualificado por arrombamento. Nessa situação hipotética, de acordo com o disposto no Código de Processo Penal e na atual jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça acerca de inquérito policial. Embora fosse possível a instauração do inquérito mediante requisição do juiz, somente a autoridade policial poderia indiciar Marcos como o autor do delito. 23. (FUNIVERSA – 2015 – PCDF – PAPILOSCOPISTA) O indiciamento é um ato discricionário da autoridade policial. 24. (CESPE – 2016 – PCPE – DELEGADO DE POLÍCIA) Por substanciar ato próprio da fase inquisitorial da persecução penal, é possível o indiciamento, pela autoridade policial, após o oferecimento da denúncia, mesmo que esta já tenha sido admitida pelo juízo a quo. PRAZO DO INQUÉRITO POLICIAL NO CPP 25. (IBADE – 2017 – PC-AC – AGENTE DE POLÍCIA CIVIL) Sobre o inquérito policial, assinale a alternativa correta. a) No caso de réu solto, o prazo para a conclusão de inquérito é de 45 dias. b) No caso de réu solto, o inquérito deve terminar em 30 dias, prorrogáveis por autorização do Ministério Público. c) No caso de réu preso, o prazo pera terminar o inquérito é de 10 dias, contados a partir da execução da prisão. d) No caso de réu preso, o prazo para terminar o inquérito é de 10 dias, contados a partir da expedição do mandado de prisão. e) No caso de réu solto, o inquérito deve terminar em 90 dias, prorrogáveis por autorização do juiz. 26. (FMP – 2015 – MPE/MA – PROMOTOR DE JUSTIÇA) O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que o juízo houver expedido a ordem de prisão, PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama ou no prazo de 30 dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela. 27. (FUNIVERSA - 2015 - SAPeJUS/GO - Agente de Segurança Prisional) Segundo o CPP, o inquérito deverá terminar no prazo de 5 dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nessa hipótese, a partir do dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 15 dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela. 28. (FCC – 2015 – DPE/MA – DEFENSOR PÚBLICO) O inquérito policial independentemente do crime investigado deverá ser impreterivelmente concluído no prazo de 30 dias se o investigado estiver solto. 29. (CESPE - 2014 - TJ-DF - Titular de Serviços de Notas e de Registros – Remoção) O decêndio legalmente determinado para o fim das investigações policiais no caso de prisão preventiva poderá ser prorrogado com vistas à realização de diligências complementares necessárias à acusação. 30. (CESPE - 2013 - DPE-ES) O inquérito deverá terminar no prazo de trinta dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que for executada a ordem de prisão, ou no prazo de noventa dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela. PRAZOS ESPECIAIS DO IP 31. (IADES – 2016 – PCDF – PERITO CRIMINAL) A respeito dos prazos para a conclusão do inquérito policial, considerando as normas processuais penais, é correto afirmar que, se o réu está preso, o prazo é de a) 10 dias; estando o réu solto, o prazo é de 20 dias, no âmbito da Justiça Federal. PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama b) 15 dias; estando o réu solto, o prazo é de 15 dias, tratando-se de crimes contra a economia popular. c) 10 dias; estando o réu solto, o prazo é de 30 dias, conforme o Código de Processo Penal Militar. d) 15 dias; estando o réu solto, o prazo é de 45 dias, segundo a lei de drogas. e) 10 dias; estando o réu solto, o prazo é de 30 dias, em consonância com o Código de Processo Penal. 32. (CESPE – 2016 – PCPE – DELEGADO DE POLÍCIA) De acordo com a Lei de Drogas, estando o indiciado preso por crime de tráfico de drogas, o prazo de conclusão do inquérito policial é de noventa dias, prorrogável por igual período desde que imprescindível para as investigações. 33. (TRF - 4ª REGIÃO - 2010 - TRF - 4ª REGIÃO - Juiz Federal) Em caso de indiciado preso por ordem da Justiça Federal, o prazo para término do inquérito é de 15 (quinze) dias, prorrogáveis por igual tempo. 34. (TRF - 4ª REGIÃO - 2010 - TRF - 4ª REGIÃO - Juiz Federal) Em se tratando de tráfico ilícito de drogas, previsto na Lei 11.343/2006, o prazo para o término do inquérito é de 30 (trinta) dias em caso de acusado preso e de 90 (noventa) dias em caso de acusado solto, podendo os prazos ser duplicados por decisão judicial, ouvido o Ministério Público, se houver pedido justificado da autoridade policial. 35. (CESPE - 2008 - PC-TO - Delegado de Polícia) O prazo do inquérito policial, se o indiciado estiverpreso em virtude de prisão temporária, será de cinco dias, prorrogáveis por mais cinco dias, havendo exceção para determinados casos, a exemplo dos crimes de tráfico de entorpecentes ou tortura, em que o prazo se estende para 30 dias, prorrogáveis por igual período, em caso de extrema e comprovada necessidade. 36. (CESPE – 2016 – PCPE – DELEGADO DE POLÍCIA) PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama Havendo conversão de prisão temporária em prisão preventiva no curso da investigação policial, o prazo para a conclusão das investigações, no âmbito do competente inquérito policial, iniciar-se-á a partir da decretação da prisão preventiva. CONCLUSÃO DO INQUÉRITO POLICIAL 37. (IBADE – 2017 – PC-AC – DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL) À luz do que dispõe o código de processo penal sobre inquérito policial assinale a alternativa correta. a) No relatório, a autoridade policial não poderá indicar testemunhas que não tiverem sido inquiridas no inquérito. b) Quando o fato for de difícil elucidação, estando o indiciado solto ou preso, a autoridade poderá requerer ao juiz a devolução dos autos, para ulteriores diligências, que serão realizadas no prazo marcado pelo juiz. c) O delegado poderá delegar a oitiva do indiciado e de eventuais testemunhas ao inspetor de polícia. d) O inquérito deverá terminar no prazo de 03 dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante ou preso preventivamente; contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que se executar a ordem de prisão. e) O inquérito policial deve terminar no prazo de 30 dias, quando o indiciado estiver solto, mediante fiança ou sem ela. 38. (CESPE – 2013 – ESCRIVÃO DA POLÍCIA FEDERAL – DPF) A conclusão do inquérito policial é precedida de relatório final, no qual é descrito todo o procedimento adotado no curso da investigação para esclarecer a autoria e a materialidade. A ausência desse relatório e de indiciamento formal do investigado não resulta em prejuízos para persecução penal, não podendo o juiz ou órgão do Ministério Público determinar o retorno da investigação à autoridade para concretizá-los, já que constitui mera irregularidade funcional a ser apurada na esfera disciplinar. PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama 39. (FUNIVERSA – 2015 – PCDF – DELEGADO DE POLÍCIA) O relatório de inquérito policial, a ser redigido pela autoridade que o preside, é indispensável para o oferecimento da denúncia ou da queixa-crime pelo titular da ação penal. 40. (CESPE - 2013 - TRF - 2ª REGIÃO - Juiz Federal) Mesmo em caso de sigilo decretado no IP, a autoridade policial terá de encaminhar ao instituto de identificação os dados relativos à infração penal e à pessoa do indiciado. 41. (CESPE - 2008 - OAB - Exame de Ordem Unificado) O MP, caso entenda serem necessárias novas diligências, por considerá-las imprescindíveis ao oferecimento da denúncia, poderá requerer a devolução do inquérito à autoridade policial. ARQUIVAMENTO DO INQUÉRITO POLICIAL 42. (CESPE – 2017 – PC/MT – DELEGADO DE POLÍCIA) O requerimento de arquivamento do inquérito policial formulado pelo MP: a) está sujeito, exclusivamente, a controle interno do próprio MP, de ofício ou por provocação do ofendido. b) não poderá ser indeferido, em respeito aos princípios da independência funcional e do promotor natural. c) não está sujeito a controle jurisdicional nos casos de competência originária do STF ou do STJ. d) está sujeito a controle jurisdicional, devendo o juiz do feito, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, designar outro membro do MP para o oferecimento da denúncia. e) defere ao ofendido, quando acolhido pelo juiz, o direito de ingressar com ação penal subsidiária por via de queixa-crime. 43. (FUNIVERSA – 2015 – PCDF – PAPILOSCOPISTA) Como o inquérito policial não constitui fase da ação penal, não é necessário o seu arquivamento, bastando que não se PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama ofereça a respectiva denúncia ou queixa. 44. (FUNIVERSA – 2015 – PCDF – PAPILOSCOPISTA) Em não havendo ação penal, o arquivamento do inquérito policial é ato complexo que envolve ato do delegado e do promotor, não sendo necessária decisão judicial de arquivamento. 45. (FUNIVERSA – 2015 – PCDF – PAPILOSCOPISTA) Sendo o inquérito policial destinado a embasar a opinio delicti do titular da ação penal, não pode o juiz discordar de pedido de arquivamento formulado por promotor. 46. (CESPE - 2013 - PC-BA - Investigador de Polícia) O juiz poderá discordar do pedido de arquivamento do inquérito policial requerido pelo MP, oportunidade em que encaminhará os autos ao procurador-geral e, caso este insista no pedido de arquivamento, o juiz será obrigado a arquivar o inquérito. 47. (FUNIVERSA - 2015 - SAPeJUS/GO - Agente de Segurança Prisional) Em regra, admite-se recurso contra a decisão que arquiva os autos do inquérito policial. 48. (CESPE – 2014 – Procurador do Estado da Bahia) De acordo com a jurisprudência do STF, é vedado ao juiz requisitar novas diligências probatórias caso o MP tenha- se manifestado pelo arquivamento do feito. 49. (CESPE - 2013 - TJ-RR - Titular de Serviços de Notas e de Registros) O juiz pode requisitar de ofício novas diligências probatórias a despeito de manifestação do promotor de justiça pelo arquivamento do inquérito policial. 50. (CESPE - 2013 - TRE-MS - Analista Judiciário - Área Judiciária) Caso o membro do Ministério Público requeira o arquivamento de inquérito policial ou de quaisquer PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama peças de informação, o juiz, se discordar dessa manifestação ministerial, poderá ordenar a remessa do inquérito ou das peças de informação a outro representante do MP, para que este ofereça a denúncia. 51. (CESPE - 2008 - OAB - Exame de Ordem Unificado) Se o órgão do MP, em vez de apresentar a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito policial, o juiz determinará a remessa de oficio ao tribunal de justiça para que seja designado outro órgão de MP para oferecê-la. 52. (CESPE - APF/"REGIONALIZADO"/2004) Considere a seguinte situação hipotética. Um promotor de justiça requereu o arquivamento de um inquérito policial fundamentado na prescrição da pretensão punitiva. Nessa situação, caso o juiz discorde, considerando improcedentes as razões invocadas, deverá encaminhar os autos a outro promotor para que este ofereça a denúncia. 53. (CESPE - 2013 - TJ-DF - Técnico Judiciário - Área Administrativa) Na hipótese de o MP arquivar os autos de um inquérito policial, poderá o ofendido ajuizar ação penal privada subsidiária da pública. HIPÓTESES EM QUE NÃO SE APLICA O ART. 28 DO CPP 54. (FUNIVERSA - 2015 - SAPeJUS/GO - Agente de Segurança Prisional) Se um procurador da República atuante em primeira instância requer o arquivamento do inquérito policial e o juiz federal discorda, ele deverá remeter os autos para: a) o procurador-geral de Justiça. b) o procurador-geral da República. c) a câmara de coordenação e revisão. d) outro juiz federal. e) outro procurador da República. PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama 55. (MPE/SP – 2015 – MPR/SP – PROMOTOR DE JUSTIÇA) O Tribunal está obrigado a acolher a manifestação de arquivamento de investigação criminal formulada pelo Procurador-geral de Justiça, na hipótese de competência originária. COISA JULGADA NA DECISÃO DE ARQUIVAMENTO DO IP 56. (CESPE – 2017 – DPU – DEFENSOR PÚBLICO FEDERAL) A homologação, pelo juízo criminal competente, do arquivamento de inquérito forma coisa julgada endoprocessual. 57. (CESPE – 2017 – DPU – DEFENSOR PÚBLICO FEDERAL) Situação hipotética: Pedro, servidor público federal, foiindiciado pela Polícia Federal por suposta prática de corrupção passiva no exercício de suas atribuições. O inquérito policial, após remessa ao órgão do MPF, foi arquivado, por requerimento do procurador da República, em razão da atipicidade da conduta, e o arquivamento foi homologado pelo juízo criminal competente. Assertiva: Nessa situação, o ato de arquivamento do inquérito fez exclusivamente coisa julgada formal, o que impossibilita posterior desarquivamento pelo parquet, ainda que diante da existência de novas provas. 58. (CESPE – 2017 – DPU – DEFENSOR PÚBLICO FEDERAL) Situação hipotética: Lino foi indiciado por tentativa de homicídio. Após remessa dos autos ao órgão do MP, o promotor de justiça requereu o arquivamento do inquérito em razão da conduta de Lino ter sido praticada em legítima defesa, o que foi acatado pelo juízo criminal competente. Assertiva: Nessa situação, de acordo com o STF, o ato de arquivamento com fundamento em excludente de ilicitude fez coisa julgada formal e material, o que impossibilita posterior desarquivamento pelo parquet, ainda que diante da existência de novas PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama provas. 59. (CESPE – 2016 – PCPE – DELEGADO DE POLÍCIA) O arquivamento de inquérito policial mediante promoção do MP por ausência de provas impede a reabertura das investigações: a decisão que homologa o arquivamento faz coisa julgada material. 60. (FUNIVERSA – 2015 – PCDF – PAPILOSCOPISTA) Mesmo depois de ordenado pela autoridade judiciária, em caso de arquivamento do inquérito por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá, se de outras provas tiver notícia, proceder a novas pesquisas. 61. (FUNIVERSA - 2015 - SAPeJUS/GO - Agente de Segurança Prisional) Na visão do pretório excelso, a decisão que determina o arquivamento do inquérito policial, a pedido do Ministério Público, quando o fato nele apurado for considerado atípico, produz, mais que preclusão, coisa julgada material, impedindo ulterior instauração de processo que tenha por objeto o mesmo episódio, mesmo com a existência de novas provas. 62. (VUNESP – 2016 – TJSP – JUIZ DE DIREITO) O arquivamento do inquérito policial, por atipicidade do fato, não faz coisa julgada, não podendo ser invocado como exceção de coisa julgada. 63. (CESPE – 2015 – TRE/RS – ANALISTA JUDICIÁRIO) O arquivamento do inquérito policial embasado no princípio da insignificância faz coisa julgada material, o que impede seu desarquivamento diante do surgimento de novas provas. 64. (MPE/SP – 2015 – MPR/SP – PROMOTOR DE JUSTIÇA) O arquivamento do inquérito, pautado na atipicidade do fato, não impede o seu desarquivamento, desde que sejam produzidas novas provas. PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama 65. (CESPE/PCDF/Escrivão de Polícia/2013) Se o IP for arquivado pelo juiz, a requerimento do promotor de justiça, sob o argumento de que o fato é atípico, a decisão que determinar o arquivamento do IP impedirá a instauração de processo penal pelo mesmo fato, ainda que tenha sido tomada por juiz absolutamente incompetente. 66. (FGV – 2015 – TJRO – OFICIAL DE JUSTIÇA) No dia 30 de março de 2014, Marta foi vítima de um crime de homicídio, razão pela qual foi instaurado inquérito policial para identificação do autor do delito. Após diversas diligências, não foi possível identificar a autoria, razão pela qual foi realizado o arquivamento do procedimento, pela falta de justa causa, de acordo com as exigências legais. Ocorre que, em abril de 2015, a filha de Marta localizou o aparelho celular de Marta e descobriu que seu irmão, Lúcio, havia enviado uma mensagem de texto para sua mãe, no dia 29 de março de 2014, afirmando para a vítima “se você não me emprestar dinheiro novamente, arcará com as consequências”. Diante disso, a filha de Marta apresentou o celular de sua mãe para a autoridade policial. Considerando a situação narrada, é correto afirmar que o arquivamento do inquérito policial: a) fez coisa julgada material, de modo que não mais é possível seu desarquivamento; b) não fez coisa julgada, mas não é possível o desarquivamento porque a mensagem de texto não pode ser considerada prova nova, já que existia antes mesmo da instauração do inquérito policial; c) foi realizado diretamente pela autoridade policial, de modo que não faz coisa julgada material; d) não fez coisa julgada material, podendo o inquérito ser desarquivado, tendo em vista que a mensagem de texto pode ser considerada prova nova; e) não fez coisa julgada material, mas não mais caberá desarquivamento, pois passados mais de 06 meses desde a PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama decisão. 67. (CESPE - 2013 - TRE-MS - Analista Judiciário - Área Judiciária) Mesmo depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá prosseguir com as investigações, se tiver notícia de outras provas. 68. (MPE/SP – 2015 – MPR/SP – PROMOTOR DE JUSTIÇA) A promoção de arquivamento do inquérito, apresentada no prazo legal, não impede a propositura da ação penal privada subsidiária à pública (CPP, artigo 29). DESARQUIVAMENTO 69. (FUNIVERSA - 2013 - PM-DF - Soldado da Polícia Militar – Combatente) O Código de Processo Penal impossibilita o desarquivamento do inquérito policial. 70. (FCC – 2015 – DPE/MA – DEFENSOR PÚBLICO) O inquérito policial após seu arquivamento, poderá ser desarquivado a qualquer momento para possibilitar novas investigações, desde que haja concordância do Ministério Público. 71. (MPE/SP – 2015 – MPR/SP – PROMOTOR DE JUSTIÇA) A possibilidade de se produzirem novas provas autoriza o desarquivamento do inquérito policial pelo Ministério Público. 72. (TRF 4ª REGIÃO – 2016 – TRF 4ª REGIÃO – JUIZ FEDERAL) Dadas as assertivas abaixo, assinale a alternativa correta. De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: I. Se o pedido de arquivamento do inquérito formulado pelo Ministério Público se funda na extinção da punibilidade, o juiz há PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Prof. Carlos Alfama de proferir decisão a respeito, para declará-la ou para denegá- la, caso em que o julgado vinculará a acusação: há, então, julgamento definitivo. II. Se o pedido de arquivamento traduz, na verdade, recusa de promover a ação penal, por entender que o fato, embora apurado, não constitui crime, o juiz há de decidir a respeito e, se acolher o fundamento do pedido, a decisão terá a mesma eficácia de coisa julgada da rejeição da denúncia por motivo idêntico, impedindo denúncia posterior com base na imputação que se reputou não criminosa. III. Se o arquivamento é requerido por falta de base empírica para o oferecimento da denúncia, de cuja suficiência é o Ministério Público árbitro exclusivo, o juiz, conforme o art. 28 do Código de Processo Penal, pode submeter o caso ao chefe da instituição, o procurador-geral, que, no entanto, se insistir nele, fará o arquivamento irrecusável. IV. Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do promotor de justiça, não pode a ação penal ser iniciada sem novas provas. a) Estão corretas apenas as assertivas I e III. b) Estão corretas apenas as assertivas II e IV. c) Estão corretas apenas as assertivas III e IV. d) Estão corretas todas as assertivas. e) Nenhuma assertiva está correta. 73. (CESPE – 2016 – PCPE – ESCRIVÃO DE POLÍCIA) No que se refere ao arquivamento do inquérito policial, assinale a opção correta. a) Membro do Ministério Público ordenará o arquivamento do inquérito policial se verificar que o fato investigado é atípico. b) Cabe à autoridade policial ordenar o arquivamento quando