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AÇÃO PENAL PUBLICA 
 
A ação é penal pública quando os crimes têm reflexos na sociedade, por isso o 
próprio Estado (Poder Judiciário) tem interesse na sua punição e repressão. 
Nesse caso, ele vai agir por intermédio do Ministério Público. Só o MP pode 
propor a ação penal pública em juízo. Se trata de um instrumento utilizado pelo 
Estado para promover a punição de quem cometeu um crime. O objetivo dessa 
ação é garantir a ordem jurídica e a defesa dos interesses da sociedade.É a 
regra no direito penal. Nessa modalidade, o Ministério Público oferece a 
denúncia sem depender de representação da vítima ou de qualquer 
autorização especial. Requisitos para o MP agir: O crime deve ser de ação 
pública; e devem existir indícios suficientes de autoria e materialidade. 
Critério prático: Se o tipo penal não exigir representação nem requisição do 
Ministro da Justiça, então o crime é automaticamente de ação pública 
incondicionada. 
Exemplos típicos: 
● Homicídio (art. 121) 
 
● Furto (art. 155) 
 
● Associação criminosa (art. 288) 
 
● Corrupção passiva (art. 317) 
 
Regra importante (art. 24, § 2º, CPP): Se o crime causar prejuízo ao 
patrimônio ou interesse da União, Estados ou Municípios, a ação sempre 
será pública, independentemente da natureza do delito. 
PRINCÍPIOS DA AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA 
A ação penal pública é proposta e conduzida exclusivamente pelo Ministério 
Público (art. 129, I, CF), que atua como dominus litis. 
 É chamada incondicionada porque o MP age sem depender da vontade da 
vítima ou de qualquer terceiro. 
Regra básica: 
 Se a lei não exigir representação ou requisição, a ação é pública 
incondicionada. 
 
1. Oficialidade 
 
O MP é o órgão responsável por promover a ação. 
 Age de ofício, sempre que houver elementos mínimos para denunciar. 
 
2. Indisponibilidade 
Depois de iniciada a ação, o MP não pode desistir. 
 Não pode renunciar, transigir, acordar ou abandonar o processo. 
 Deve conduzir a ação até o final. 
 
3. Obrigatoriedade (Legalidade) 
Se houver indícios de autoria e materialidade, o MP deve denunciar. 
 Não é escolha pessoal. 
 O promotor atua com independência funcional: 
 – não sofre interferência externa; 
 – o Procurador-Geral, se discordar, não pode obrigá-lo a denunciar — no máximo 
designa outro membro. 
 
4. Indivisibilidade 
Se o MP decide denunciar, deve fazê-lo contra todos os envolvidos (autor, coautor 
e partícipe). 
 Não pode escolher acusar alguns e deixar outros de fora. 
 
A Denúncia 
De iniciativa exclusiva do MP. Deve conter: 
 • descrição clara do fato; 
 • circunstâncias; 
 • qualificação do acusado; 
 • tipificação penal; 
 • rol de testemunhas. 
 
Mitigação da Obrigatoriedade – Lei 9.099/1995 
Nos Juizados Especiais Criminais, o princípio da obrigatoriedade é flexibilizado pela 
transação penal: o MP pode propor uma pena alternativa sem oferecer denúncia. 
Só é possível se: 
 • a infração for de menor potencial ofensivo (pena máxima até 1 ano); 
 • o autor não tiver condenação anterior a pena privativa de liberdade; 
 
 • não tiver usado benefícios do JECRIM nos últimos 5 anos; 
 • antecedentes e conduta indicarem adequação da medida. 
ESPÉCIE DE AÇÕES PENAIS PÚBLICAS 
Ação Penal Pública Condicionada 
É a ação penal em que o Ministério Público só pode atuar depois que uma 
condição prévia é cumprida: 
 • representação da vítima, ou 
 • requisição do Ministro da Justiça. 
Apesar disso, a ação continua sendo pública e de titularidade exclusiva do MP 
(CPP, art. 24; CP, art. 100, §1º). 
 Como é exceção, as hipóteses de condicionamento são sempre expressas em lei. 
 
1. Condicionada à Representação 
O MP só pode denunciar se a vítima (ou representante legal) autorizar 
expressamente. 
Fundamento: o crime afeta intensamente a esfera privada, e o Estado evita expor a 
vítima ao processo penal (strepitus judicii). 
Efeitos: 
-Sem representação, não se instaura o inquérito (CPP, art. 5º, §4º). 
-Após a denúncia, aplica-se a indisponibilidade: a vítima não pode desistir para 
impedir o andamento da ação. 
 
2. Condicionada à Requisição do Ministro da Justiça 
Também é pública, mas depende de um ato formal do Ministro da Justiça. 
 Sem essa requisição, não há ação penal (CPP, art. 24). 
A requisição tem natureza política, pois envolve situações de interesse diplomático 
ou sensibilidade institucional. 
 
2.1. Hipóteses em que a Requisição é Necessária 
São poucas e excepcionais: 
 
1. Estrangeiro que comete crime contra brasileiro fora do Brasil 
 – Art. 7º, §3º, “b”, do CP. 
 
2. Crimes contra a honra contra chefe de governo estrangeiro 
 – Art. 141, I, c/c art. 145, parágrafo único, CP. 
 
3. Crimes contra a honra contra o Presidente da República 
 – Art. 141, I, c/c art. 145, parágrafo único, CP. 
 
AÇÃO PENAL PRIVADA 
1. Conceito 
A ação penal privada é aquela em que a iniciativa da persecução penal depende 
exclusivamente do ofendido (ou de seu representante legal). 
 Para iniciar o processo, a vítima deve apresentar a queixa-crime, que deve conter: 
 • descrição do fato e circunstâncias; 
 • qualificação do acusado (ou dados que permitam identificá-lo); 
 • tipificação penal; 
 • rol de testemunhas, se necessário. 
 
2. Legitimidade para Apresentar a Queixa-Crime 
a) Ofendido maior e capaz 
Se possui mais de 18 anos e plena capacidade mental, o próprio ofendido apresenta 
a queixa. 
 
b) Ofendido menor ou incapaz 
A queixa pode ser proposta pelo representante legal (pais ou tutor). 
 Se não houver representante ou se houver conflito de interesses, o juiz pode 
nomear curador especial, por iniciativa própria ou provocação do MP. 
Observação: o curador especial não é obrigado a propor a queixa; ele decide 
conforme o melhor interesse da vítima. 
 
c) Substituição processual 
Se a vítima morreu ou foi declarada ausente, podem apresentar a queixa, nessa 
ordem: 
1. cônjuge ou companheiro; 
 
 
2. ascendentes; 
 
3. descendentes; 
 
4. irmãos. 
 
Aqui há substituição processual: o legitimado age em nome próprio, mas para 
defender o interesse jurídico do ofendido. 
ESPÉCIES DE AÇÃO PENAL PRIVADA 
1. Ação Penal Privada Propriamente Dita (Exclusivamente Privada) 
(art. 100, §2º, CP) 
 É a forma tradicional da ação privada. 
 A lei permite substituição processual: se a vítima morrer ou for declarada 
ausente, o direito de apresentar ou continuar a queixa passa, nessa ordem: 
1. cônjuge ou companheiro; 
 
2. ascendentes; 
 
3. descendentes; 
 
4. irmãos (art. 31, CP). 
 
2. Ação Penal Privada Personalíssima 
É a modalidade mais restrita. 
 Características: 
 • somente a vítima pode apresentar a queixa; 
 • o direito é pessoal e intransmissível; 
 • representante legal não pode agir; 
 • não existe substituição processual; 
 • morte ou ausência da vítima → extinção da punibilidade. 
Único crime: induzimento a erro essencial ou ocultação de impedimento 
matrimonial (art. 236, CP). 
 
3. Ação Penal Privada Subsidiária da Pública 
(art. 100, §3º, CP; art. 5º, LIX, CF) 
 O particular só atua se houver inércia do Ministério Público. 
 
O MP tem prazo para denunciar (art. 46, CPP): 
 • 5 dias — réu preso; 
 • 15 dias — réu solto. 
Se o MP não fizer nada dentro desse prazo → cabe queixa subsidiária. 
 Mas não há inércia se o MP: 
 • pediu arquivamento; 
 • determinou diligências; 
 • apresentou qualquer manifestação útil. 
Apesar de proposta pelo particular, a ação mantém natureza pública. 
 Por isso: o MP deve intervir obrigatoriamente em todos os atos (art. 29, CPP). 
 A falta dessa intervenção gera nulidade. 
 
 
PRINCÍPIOS DA AÇÃO PENAL PRIVADA 
1) Princípio da Oportunidade (Conveniente) 
A vítima decide se quer ou não processar, mesmo havendo provas suficientes. 
 A ação só existe se ela optar por exercê-la. 
 
2) Princípio da Disponibilidade 
Como a iniciativa é da vítima, ela pode desistir da ação. 
 Isso ocorre, por exemplo, por: 
 • perdão do ofendido; 
 • perempção (abandono do processo); 
 • desistência de recurso interposto porela (art. 576, CPP). 
Quem começa a ação pode abrir mão dela. 
 
3) Princípio da Indivisibilidade 
(art. 48 e 49 do CPP) 
 Se a vítima processar um dos autores, deve incluir todos os coautores e partícipes 
conhecidos. 
 Não pode escolher quem será processado. 
Se deixar alguém de fora de forma injustificada → considera-se renúncia, e a 
renúncia se estende a todos. 
O Ministério Público fiscaliza o respeito a esse princípio e deve informar o juiz se 
notar sua violação. 
 
	PRINCÍPIOS DA AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA 
	1. Oficialidade 
	2. Indisponibilidade 
	3. Obrigatoriedade (Legalidade) 
	4. Indivisibilidade 
	A Denúncia 
	Mitigação da Obrigatoriedade – Lei 9.099/1995 
	Ação Penal Pública Condicionada 
	1. Condicionada à Representação 
	2. Condicionada à Requisição do Ministro da Justiça 
	2.1. Hipóteses em que a Requisição é Necessária 
	AÇÃO PENAL PRIVADA 
	1. Conceito 
	2. Legitimidade para Apresentar a Queixa-Crime 
	a) Ofendido maior e capaz 
	b) Ofendido menor ou incapaz 
	c) Substituição processual 
	ESPÉCIES DE AÇÃO PENAL PRIVADA 
	1. Ação Penal Privada Propriamente Dita (Exclusivamente Privada) 
	2. Ação Penal Privada Personalíssima 
	3. Ação Penal Privada Subsidiária da Pública 
	1) Princípio da Oportunidade (Conveniente) 
	2) Princípio da Disponibilidade 
	3) Princípio da Indivisibilidade

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