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RESUMO DE SISTEMAS ORGÂNICOS INTEGRADOS/HISTOLOGIA 09 de setembro de 2021 
TECIDO ÓSSEO 
O tecido ósseo é o componente principal do esqueleto, serve de suporte para 
os tecidos moles e protege órgãos vitais, como os contidos na caixa craniana e torácica, 
bom como no canal raquidiano. A coluna vertebral aloja e protege a medula óssea, 
formadora das células do sangue, proporciona apoio aos músculos esqueléticos, 
transformando suas contrações em movimentos úteis, e constitui um sistema de 
alavancas que amplia as forças geradas na contração muscular. Os ossos também 
funcionam como depósito de cálcio, fosfato e outros íons, armazenando-os ou 
liberando-os de maneira controlada, para manter constante a concentração desses 
minerais nos líquidos corporais. São capazes ainda de absorver toxinas e metais pesados, 
minimizando, assim, seus efeitos adversos em outros tecidos. 
01) FUNÇÕES GERAIS DO TECIDO ÓSSEO: 
a) Constituinte principal do sistema esquelética; 
b) Suporte para as partes moles e proteção de órgãos vitais; 
c) Alojamento e proteção da medula óssea; 
d) Apoio aos músculos esqueléticos (sistemas de alavancas), conferindo capacidade 
motora; 
e) Depósito de minerais (cálcio, fosfato e magnésio) e controle de sua liberação e 
deposição 
f) Audição: ondas sonoras são transferidas para o ouvido interno por meio de pequenos 
ossos; 
g) Fonação: as cavidades dos ossos da face contribuem para o timbre da voz e emissão 
dos sons. 
02) CARACTERÍSTICAS HISTOFUNCIONAIS DO TECIDO ÓSSEO: 
O tecido ósseo é um tipo especializado de tecido conjuntivo, altamente 
vascularizado e inervado, formado por células e material extracelular calcificado, a 
matriz óssea, cuja origem embriológica é mesodérmica. As células são: os osteócitos, 
células com prolongamentos que se encontram em cavidades ou lacunas no interior da 
matriz; os osteoblastos, que sintetizam a parte orgânica da matriz e localizam-se na sua 
periferia; e os osteoclastos, células que reabsorvem o tecido ósseo, participando dos 
processos de remodelação dos ossos. Como não existe difusão de substâncias através da 
matriz calcificada do osso, a nutrição dos osteócitos depende de canalículos que existem 
na matriz. Esses canalículos possibilitam as trocas de moléculas e íons entre os capilares 
sanguíneos e os osteócitos. Todos os ossos são revestidos em suas superfícies externas 
e internas por membranas conjuntivas que contêm células osteogênicas (precursoras 
do tecido ósseo), o periósteo e o endósteo, respectivamente. 
Os ossos são formados por componentes orgânicos (células, fibras 
colágenas e substância fundamental amorfa) e componentes inorgânicos (hidroxiapatita, 
mineral que contém cálcio, fósforo e oxigênio na sua estrutura química e que confere 
rigidez à matriz óssea). 
a) OSTEÓCITOS: 
 Os osteócitos são as células encontradas no interior da matriz óssea, 
ocupando as lacunas das quais partem canalículos. Cada lacuna contém apenas um 
osteócito. Dentro dos canalículos, os prolongamentos dos osteócitos estabelecem 
contatos por meio de junções comunicantes, por onde podem passar pequenas moléculas 
e íons de um osteócito para o outro. 
- Células achatadas com pequena quantidade de retículo endoplasmático granuloso, 
complexo de Golgi pouco desenvolvido e núcleo com cromatina condensada (atividade 
transcricional reduzida e maquinário de síntese proteica pouco desenvolvido); 
- Osteócitos são fundamentais para a manutenção da matriz óssea (produção, embora 
bastante limitada, e degradação controladas de matriz); 
- Conforme os osteoblastos produzem a matriz óssea, essas células ficam aprisionadas 
nessa matriz extracelular abundante, sendo, assim, diferenciados em osteócitos; 
- Pequena atividade sintética (não sintetizam os componentes orgânicos da matriz); 
b) OSTEOBLASTOS: 
Os osteoblastos são as células derivadas de célula osteogênica (com origem 
mesenquimal) e sintetizam ativamente os componentes orgânicos da matriz óssea: 
colágeno tipo I e elementos da substância fundamental amorfa (proteoglicanos e 
glicoproteínas). Sintetizam também osteonectina (glicoproteína que facilita a deposição 
de cálcio nos ossos) e osteocalcina (proteína que estimula a atividade dos osteoclastos). 
Os osteoblastos são capazes de concentrar fosfato de cálcio, participando da 
mineralização da matriz. Uma vez aprisionados pela matriz recém-sintetizada, o 
osteoblasto passa a ser chamado de osteócito. 
- Os osteoblastos se localizam mais próximos da superfície óssea; 
- Os osteoblastos em fase de síntese apresentam as características ultraestruturais de 
células produtoras de proteínas, ou seja, possuem maquinário proteico altamente 
desenvolvido (grande quantidade de retículo endoplasmático granuloso, complexo de 
Golgi desenvolvido e núcleo com cromatina mais descondensada); 
- A matriz óssea recém-sintetizada, adjacente aos osteoblastos ativos, e que não está 
ainda calcificada, recebe o nome de osteide; 
c) OSTEOCLASTOS: 
 Os osteoclastos são células multinucleadas que se formam a partir da fusão 
de pré-osteoclastos (precursores mononucleados provenientes da medula óssea). É uma 
célula grande e apresenta prolongamentos citoplasmáticos numerosos localizados nas 
proximidades da matriz óssea em reabsorção. Estão associados com a digestão da matriz 
orgânica e dissolução dos cristais de sais de cálcio, liberando minerais iônicos para a 
corrente sanguínea (aumento da calcemia). A atividade dos osteoclastos é coordenada 
por citocinas (pequenas proteínas sinalizadoras que atuam localmente) e por hormônios 
com a calcitonina, um hormônio tireoidiano, e paratormônio, secretado pelas glândulas 
paratireoides. Um osteoclasto é dividido em 4 zonas: 
Zona Basal: maior concentração de organelas. Está mais distante das lacunas de Howship; 
Borda Ondulada: é a parte da célula responsável pela reabsorção óssea. Ela possui 
projeções digitiformes, fazendo-a mudar continuamente de forma ao se projetarem, 
formando o compartimento subosteoclástico; 
Zona Clara: está localizada na periferia da borda ondulada. Possui muitos filamentos de 
actina que formam o anel de actina, contribuindo para as integrinas da plasmalema da zona 
clara manter contato com a periferia óssea da lacuna de Howship; 
Zona Vesicular: está localizada entre a zona basal e a borda ondulada. É rica em vesículas 
endocíticas e exocíticas que transportam enzimas lisossômicas para o compartimento 
subosteoclástico; 
OBSERVAÇÃO: Lacunas de Howship – depressões da matriz escavadas pela atividade dos 
osteoclastos, em áreas de reabsorção do tecido ósseo, onde encontram-se porções 
dilatadas de osteoclastos. Isso ocorre porque os osteoclastos possuem citoplasma 
acidófilo e granuloso, algumas vezes com vacúolos, onde são produzidas vesículas 
lisossômicas preenchidas por enzimas originadas do complexo de Golgi e íons de 
hidrogênio também produzidos pelos osteoclastos. A acidificação facilita a dissolução dos 
minerais e fornece o pH ideal para a ação das enzimas hidrolíticas dos lisossomos. Assim, 
a matriz é removida e capturada pelo citoplasma dos osteoclastos, onde possivelmente a 
digestão continua, sendo seus produtos transferidos para os capilares sanguíneos. 
d) MATRIZ ÓSSEA: 
 
A matriz óssea, considerada como material extracelular calcificado, é 
constituída por componentes orgânicos e inorgânicos. 
1. Matriz Óssea Orgânica (35%): 
O componente orgânico do osso é composto principalmente por fibras de 
colágeno tipo I, mas também é possível identificar outras estruturas como 
glicosaminoglicanos sulfatados. Estes glicosaminoglicanos se ligam covalentemente 
formando os proteoglicanos curtos. Estes por sua vez se ligam ao ácido hialurônico 
formando os compostos de agrecanos. É possível também identificar a presença de 
glicoproteínas (osteocalcina, osteopontina e sealoproteína). 
- A matriz orgânica oferece certo grau de flexibilidade à estrutura óssea interna; 
- As fibrasde colágeno tipo 1 proporcionam resistência à força muscular, extensão e 
estiramento; 
- Glicosaminoglicanos (condroitinosulfato e queratansulfato, por exemplo) e 
proteoglicanos suportam a compressão mecânica; 
2. Matriz Óssea Inorgânica (65%) 
A parte inorgânica dos ossos constitui cerca de 65% de seu peso seco. Os 
principais constituintes são: cálcio, fósforo, magnésio, citratos e bicarbonato. O cálcio e 
fósforo estão presentes na forma de cristais de hidroxiapatita que está ordenada entre 
as fibras de colágeno tipo I dando ao osso força e dureza. Os íons da superfície do cristal 
de hidroxiapatita atraem água formando a capa de hidratação, facilitando trocas de íons 
com o fluido extracelular. 
- A matriz inorgânica oferece rigidez e resistência à estrutura óssea; 
e) PERIÓSTEO E ENDÓSTEO: 
As superfícies internas e externas dos ossos são recobertas por células 
osteogênicas e tecido conjuntivo que, respectivamente, constituem o endósteo e o 
periósteo. A camada mais superficial do periósteo contém principalmente fibras 
colágenas e fibroblastos. Na sua porção profunda, o periósteo apresenta células 
osteoprogenitoras, morfologicamente parecidas com fibroblastos, que se multiplicam 
por mitose e se diferenciam em osteoblastos, desempenhando papel importante no 
crescimento dos ossos e na reparação de fraturas. O endósteo é geralmente constituído 
por uma camada de células osteogênicas, que reveste as trabéculas do osso esponjoso, o 
canal medular, os canais de Havers ou ósteons (uma série de tubos estreitos dentro dos 
ossos, formados por lamelas concêntricas de fibras colágenas, por onde passam vasos 
sanguíneos e células nervosas) e canais de Volkmann (canais perpendiculares aos canais 
de Havers, sem lamelas concêntricas, que também podem transportar pequenos vasos 
sanguíneos no interior dos ossos). 
OBSERVAÇÃO: Fibras de Sharpey – feixes de fibras colágenas do periósteo que penetram 
o tecido ósseo e prendem firmemente o periósteo ao osso. 
- As principais funções do endósteo e periósteo são: nutrição do tecido ósseo (são tecidos 
vascularizados e inervados) e fornecimento de novos osteoblastos para o crescimento e 
a recuperação do osso; 
03) TIPOS DE TECIDO ÓSSEO: 
 
OBSERVAÇÃO: é na região do disco epifisário que acontece o crescimento longitudinal do 
osso, onde ocorre a ossificação da cartilagem. 
a) Osso compacto (formado por partes sem cavidades visíveis e não tem trabéculas 
ósseas) ≠ Osso esponjoso (formado por muitas cavidades intercomunicantes. A rede 
trabecular é organizada de maneira a resistir às tensões físicas aplicadas sobre o osso, 
atuando como um sistema de vigas internas). Esta é a classificação 
macroscópica/anatômica, e não histológica, pois o tecido compacto e os tabiques que 
separam as cavidades do esponjoso têm a mesma estrutura histológica básica (as mesmas 
células formam o osso compacto e o osso esponjoso). 
 Nos ossos longos, as extremidades ou epífises são formadas por osso 
esponjoso com uma estreita camada superficial compacta. A diáfise (parte cilíndrica) é 
quase totalmente compacta, com pequenas quantidades de osso esponjoso na sua parte 
profunda, delimitando o canal medular. Principalmente nos ossos longos, o osso compacto 
é chamado também de osso cortical. Os ossos curtos possuem centro esponjoso, sendo 
recobertas em toda a sua periferia por uma camada compacta. Nos ossos planos, que 
constituem a abóboda craniana, existem duas camadas de osso compacto separadas por 
osso esponjoso. Inicialmente, as cavidades do osso esponjoso e o canal medular da diáfise 
dos ossos longos são ocupados pela medula óssea. Em recém-nascidos, toda a medula 
óssea possui cor vermelha e é ativa na produção de células sanguíneas (medula óssea 
hematógena). Pouco a pouco, na fase adulta, tecido adiposo infiltra a medula óssea 
vermelha hematopoiética, com a diminuição da atividade hematógena (medula óssea 
amarela). 
b) Osso imaturo ou primário ≠ Osso maduro, secundário ou lamelar. Essa 
nomenclatura tem relação com a organização histológica das fibras colágenas no tecido 
ósseo e o quão maduro esse osso está. 
1. TECIDO ÓSSEO PRIMÁRIO, IMATURO ou NÃO-LAMELAR: 
- Primeiro osso que aparece no desenvolvimento embrionário e na reparação de fraturas, 
sendo temporário e gradativamente substituído pelos ossos secundários; 
- Fibras colágenas dispostas irregularmente, sem organização definida; 
- Menor quantidade de minerais (mais facilmente penetrada por raios X) e maior 
proporção de osteócitos do que o tecido ósseo secundário; 
- Pouco frequente nos adultos, persistindo apenas próximo às suturas do crânio, nos 
alvéolos dentários e em alguns pontos de inserção de tendões. 
2. TECIDO ÓSSEO SECUNDÁRIO, MADURO ou LAMELAR: 
- Tecido ósseo que substitui posteriormente os ossos primários; 
- Fibras colágenas bem-organizadas, encontradas em lamelas; 
- Matriz mineralizada, porém com pouquíssimo colágeno (substância cimentante); 
- Mais rígido; 
- Menos osteócitos aprisionados na matriz e maior deposição de íons; 
- Esses ossos apresentam trabéculas que se ligam com lacunas vizinhas formando uma 
rede de canais intercomunicantes, que facilitam o fluxo de nutrientes hormônios, íons e 
produtos do catabolismo dos e para os osteócitos; 
- Variedade geralmente encontrada no adulto; 
- O sistema de Havers é um cilindro com várias lamelas ósseas concêntricas e um canal 
central, o canal de Havers, que contém vasos sanguíneos (uma arteríola e uma vênula ou 
somente um capilar) e nervos. Eles são canais longitudinais, isto é, correm ao longo do 
eixo maior do osso e se comunicam entre si, com a cavidade medular e com a superfície 
externa do osso, por meio de canais transversais denominados canais de Volkmann. 
Assim como a superfície das trabéculas ósseas, os canais de Havers e de Volkmann são 
revestidos pelo endósteo. 
OBSERVAÇÃO: O tecido ósseo não-lamelar é substituído pelo tecido ósseo lamelar para que 
haja ossificação completa. 
04) REMODELAÇÃO DO TECIDO ÓSSEO: 
Primeiramente, os osteoclastos absorvem a matriz óssea. Os osteoblastos 
então sintetizam a matriz óssea, formando, inicialmente, o osteóide. Aos poucos, essa 
matriz é mineralizada, os osteoblastos se tornam mais achatados e os osteócitos ficam 
aprisionados na matriz. 
Nos adultos, a formação e a reabsorção óssea permanecem em equilíbrio, 
enquanto o osso é remodelado para atender às forças aplicadas sobre ele. Entretanto, o 
osso cortical e o osso esponjoso não são remodelados da mesma maneira, pois os 
osteoblastos e as células osteoprogenitoras do osso esponjoso estão contidos dentro dos 
limites da medula óssea, e por isso, estão sob influência direta das células da medula. A 
estrutura interna do osso adulto é remodelada continuamente com novo osso sendo 
formado e o osso morto ou o que está morrendo, sendo absorvidos. Este processo está 
relacionado aos seguintes fatos: 
I. Os sistemas de Havers são substituídos continuamente; 
II. O osso precisa ser reabsorvido em uma área e ser adicionado em outra para adequar-
se às mudanças das tensões exercidas sobre ele (peso, postura, fraturas, etc.); 
05) TIPOS DE OSSIFICAÇÃO: 
a) OSSIFICAÇÃO INTRAMEMBRANOSA: 
- Ossos se desenvolvem no interior de uma membrana de tecido conjuntivo (a partir do 
centro de ossificação primária); 
- É o processo responsável pela formação dos ossos frontal, parietal e de partes do 
occipital, do temporal e dos maxilares superior e inferior; 
- Contribui também para o crescimento dos ossos curtos e para o aumento de espessura 
dos ossos longos; 
1°) No centro de ossificação na membrana fibrosa do tecido conjuntivo, ocorre a 
diferenciação de células mesenquimatosas que se transformam em grupos de 
osteoblastos, os quais sintetizam o osteóide (matriz ainda não mineralizada); 
2°) Os osteoblastos vão sintetizar matriz óssea para dentro da membrana formada, que 
logo se mineraliza, englobando alguns osteoblastos que se transformamem osteócitos; 
3°) Os osteoblastos se diferenciam em osteócitos que ficam aprisionados na matriz; 
4°) Confluência de traves ósseas formadas e entre essas traves formam-se cavidades que 
são penetradas por vasos sanguíneos e células mesenquimatosas indiferenciadas, que 
darão origem à medula óssea; 
5°) A parte da membrana conjuntiva que não sofre ossificação passa a construir o 
endósteo e o periósteo; 
b) OSSIFICAÇÃO ENDOCONDRAL: 
- Ossos se desenvolvem em uma peça de cartilagem hialina, que gradualmente é 
destruído e substituído por tecido ósseo formado a partir de células do conjuntivo 
adjacente; 
- Principal processo de ossificação responsável pela formação dos ossos curtos e longos; 
- Cartilagem articular: presente nas superfícies externas das epífises, apresenta função 
de reduzir o atrito entre os ossos e lubrificar as junções ósseas; 
- Disco epifisário: presente na metáfise, é responsável pelo crescimento endocondral. 
Por volta dos 20 anos, essa cartilagem hialina já está completamente calcificada; 
1°) A cartilagem hialina sofre modificações, havendo hipertrofia dos condrócitos 
(aumentam de tamanho) e redução da matriz cartilaginosa a finos tabiques; 
2°) Mineralização da matriz; 
3°) Esses condrócitos hipertrofiados sofrem apoptose (morte programada); 
4°) As cavidades previamente ocupadas pelos condrócitos são invadidas pelos capilares 
sanguíneos e células osteogênicas vindas do conjuntivo adjacente (periósteo); 
5°) Diferenciação das células osteogênicas em osteoblastos; 
6°) Os osteoblastos depositam matriz óssea sobre os tabiques de cartilagem calcificada. 
Desse modo, aparece tecido ósseo onde antes havia tecido cartilaginoso, sem que ocorra 
a transformação deste tecido naquele; os tabiques de matriz calcificada servem apenas 
de ponto de apoio à ossificação; 
OBSERVAÇÃO: Nos ossos longos, além da ossificação endocondral, ocorre a ossificação 
intramembranosa (em espessura). O tecido ósseo é um tecido muito dinâmico, que ocorre 
remodelação constante. 
 
06) CRESCIMENTO DOS OSSOS: 
O crescimento dos ossos consiste na formação de tecido ósseo novo, 
associada à reabsorção parcial de tecido já formado; deste modo, os ossos conseguem 
manter sua forma enquanto crescem. 
No crescimento dos ossos em comprimento, os condrócitos da placa 
epifisária proliferam e participam do processo de formação óssea endocondral. Essa 
proliferação ocorre no lado epifisário e a substituição por osso se dá do lado diafisário da 
placa. A placa epifisária (que fica entre a epífise e a diáfise) é dividida em cinco zonas: 
Zona de Repouso (Cartilagem de Reserva): onde existe cartilagem hialina sem qualquer 
alteração morfológica. Os condrócitos na matriz possuem alto potencial em atividade 
mitótica; 
Zona de Proliferação: condrócitos em proliferação rápida formando grupos isogênicos 
em fileiras ou colunas paralelas no sentido longitudinal do osso; 
Zona de Maturação e Hipertrofia: os condrócitos amadurecem, hipertrofiam e acumulam 
glicogênio e lipídios no citoplasma. Os condrócitos entram em apoptose; 
Zona de Calcificação: ocorre a mineralização dos delgados tabiques de matriz 
cartilaginosa e termina a apoptose dos condrócitos; 
Zona de Ossificação: esta é a zona em que aparece tecido ósseo. Capilares sanguíneos e 
células osteoprogenitoras originadas do periósteo invadem as cavidades deixadas pelos 
condrócitos mortos. As células osteoprogenitoras se diferenciam em osteoblastos, que 
formam uma camada contínua sobre os restos da matriz cartilaginosa calcificada. Sobre 
esses restos de matriz cartilaginosa, os osteoblastos depositam a matriz óssea. A matriz 
óssea calcifica-se e aprisiona os osteoblastos, que se transformam em osteócitos. Desse 
modo, formam-se as espículas ósseas, com uma parte central de cartilagem calcificada e 
uma parte superficial de tecido ósseo primário. 
O crescimento da diáfise em circunferência ocorre por crescimento por 
aposição. As células osteoprogenitoras da camada osteogênica do periósteo proliferam 
e se diferenciam em osteoblastos, que começam a depositar matriz óssea sobre a 
superfície subperiosteal do osso. 
 
07) CONSOLIDAÇÃO DE FRATURAS ÓSSEAS: 
 Nos locais de fratura óssea (rompimento das estruturas ósseas), ocorre 
hemorragia (lesão de vasos sanguíneos seguido do extravasamento de sangue na região), 
destruição de matriz óssea e morte de células ósseas. 
Para que a reparação se inicie, o coágulo sanguíneo e os restos celulares e 
da matriz devem ser removidos pelos macrófagos. O periósteo e o endósteo próximos à 
área fraturada respondem ao acidente 
com intensa proliferação celular, 
formando um tecido muito rico em 
células osteoprogenitoras que constitui 
um colar em torno da fartura e penetra 
entre as extremidades ósseas rompidas. 
Nesse anel ou colar conjuntivo, bem 
como no conjuntivo que se localiza entre 
as extremidades ósseas fraturadas, 
surge tecido ósseo primário ou 
imaturo, tanto pela ossificação 
endocondral de pequenos pedaços de 
cartilagem que aí se formam, como 
também pela ossificação 
intramembranosa. Podem, pois, ser 
encontradas no local de reparação, ao 
mesmo tempo, áreas de cartilagem, 
áreas de ossificação endocondral e 
áreas de ossificação endocondral. Esse 
processo evolui de modo a aparecer, 
após algum tempo, um calo ósseo que 
envolve a extremidade dos ossos 
fraturados. O calo ósseo é constituído de tecido ósseo imaturo que une provisoriamente 
as extremidades do osso fraturado. 
As trações e pressões exercidas sobre o osso durante a reparação da fratura, 
e após o retomo do paciente a suas atividades normais, causam a remodelação do calo 
ósseo e sua completa substituição por tecido ósseo secundário ou lamelar. 
 
 
 
PROCESSOS DE OSSIFICAÇÃO E REPARO DE FRATURAS 
Osteogênese = processo de formação do tecido ósseo 
01) OSSIFICAÇÃO INTRAMEMBRANOSA: 
- Osso se desenvolve a partir da membrana mesenquimal ou do tecido conjuntivo 
propriamente dito (ocorre no interior de membranas conjuntivas); 
OBSERVAÇÃO: Mesênquima é o tecido conjuntivo embrionário e possui células em estágio 
mais indiferenciado. Etapas de diferenciação das células ósseas: 
1º) Células mesenquimais (precursoras de condroblastos, osteoblastos e células mieloides 
da medula óssea vermelha); 
2º) Células osteogênicas/osteoprogenitoras; 
3º) Osteoblastos; 
4º) Osteócitos; 
- É o processo formador dos ossos: frontal, parietal e de partes do occipital, do temporal 
(maioria dos ossos chatos do crânio) e dos maxilares superior e inferior => ossificação 
das fontanelas dos recém-inatos; 
- Contribui também para o crescimento dos ossos curtos e para o aumento em espessura 
dos ossos longos; 
ESTÁGIOS DE OSSIFICAÇÃO INTREMEMBRANOSA: 
- Aparece um centro de ossificação primária na membrana conjuntiva (células 
mesenquimais se aglomeram e diferenciam-se em osteoblastos); 
- A confluência de centros de ossificação primária gera trabéculas/traves ósseas, que 
conferem um aspecto esponjoso ao osso nascente; 
- Matriz óssea começa a ser secretada ativamente por osteoblastos; 
- Osteoblastos (síntese de matriz) e osteoclastos (reabsorção da matriz) se encontram na 
periferia das trabéculas ósseas; 
- Osteoblastos secretam osteóide (matriz óssea ainda pouco mineralizada), que se torna 
mineralizado; 
- As células aprisionadas nas lacunas da matriz abundante são diferenciadas em 
osteócitos. Osteócitos possuem um metabolismo menos intenso que os osteoblastos e são 
responsáveis pela manutenção da matriz; 
- A parte da membrana conjuntiva que não sofre ossificação passa a constituir o endósteo 
e o periósteo; 
- O tecido ósseo esponjoso situado sob o periósteo dos ossos chatos transformam-se em 
tecido ósseo compacto, formando as lâminas corticais interna e externa, com o díploe 
(osso esponjoso) entre ambos; 
02) OSSIFICAÇÃO ENDOCONDRAL: 
- A partir de um molde de cartilagem hialina; 
- Principal responsável pela formação dosossos curtos e longos; 
- Processo de substituição do tecido cartilaginoso por tecido ósseo; 
ETAPAS DA FORMAÇÃO DE OSSOS LONGOS: 
1º) Formação do colar ósseo por ossificação intramembranosa; 
2º) Calcificação e morte da cartilagem hialina no centro da diáfise (hipertrofia seguida por 
degeneração dos condroblastos, formando espaços na região central); 
3º) Invasão de vasos sanguíneos do periósteo e formação do osso esponjoso a partir de 
um centro primário de ossificação no sentido longitudinal na região da diáfise e no 
sentido radial na região das epífises (chegada e processo de diferenciação de células 
osteoprogenitoras); 
- Hipertrofia dos condrócitos; 
- Redução da matriz cartilaginosa a finos tabiques; 
- Mineralização da matriz; 
- Morte dos condrócitos por apoptose (morte celular calcificada); 
- As cavidades previamente ocupadas pelos condrócitos são ocupadas pelos capilares 
sanguíneos e células osteogênicas do conjuntivo adjacente; 
- Diferenciação das células osteogênicas em osteoblastos; 
- Deposição de matriz óssea sobre os tabiques de cartilagem calcificada; 
ETAPAS DA OSSIFICAÇÃO ENDOCONDRAL: 
1º) Formação da cavidade medular; 
2º) Centro secundário de ossificação se estabelece (avanço do processo de ossificação 
radial nas epífises); 
- Os discos epifisários permitem que os ossos cresçam em comprimento; 
- As cartilagens articulares permanecem e dão desprovidas de pericôndrio; 
Quando o tecido ósseo formado nos centros de secundários ocupa as epífises, 
o tecido cartilaginoso torna-se reduzido a 2 locais: a cartilagem articular, que persistirá 
por toda a vida e não contribui para a formação de tecido ósseo, e a cartilagem de 
conjugação ou disco epifisário. 
CALCIFICAÇÃO 
Início por deposição de sais de cálcio sobre as fibras colágenas induzidos por 
proteoglicanos e glicoproteínas da matriz que influenciam a concentrações destes em 
vesículas citoplasmáticas do osteoblastos. Vesículas são liberadas para a matriz 
extracelular. Nesse processo, há participação da fosfatase alcalina que é sintetizada pelos 
osteoblastos. 
Tensão e pressão => formação e reabsorção => remodelação (alta plasticidade do tecido 
ósseo alveolar) 
03) REPARO DE FRATURAS: 
Fratura = perda de continuidade de um osso 
O tratamento conservador procura favorecer condições para que ocorra o 
processo natural de reparação do osso e é variável conforme o osso que tenha sido 
atingido e o tipo de lesão em causa. 
A consolidação óssea pode ser dividida em 4 estágios: 
1º) Inflamação: surgimento de um hematoma pelo rompimento de vasos sanguíneos e 
morte de células do tecido ósseo na área afetada (perda da oxigenação e nutrição); 
2º) Formação de um calo mole: células oteoprogenitoras primeiramente se diferenciam 
em condroblastos em função da hipoxia. Surgimento de um tecido de cartilagem hialina e 
angiogênese; 
3º) Formação do calo duro: processo de ossificação endocondral com a gradativa 
substituição da cartilagem hialina recém-formada por tecido ósseo; 
4º) Remodelação óssea: osteoblastos e osteoclastos geram um processo de 
remodelamento para que o osso retorne à sua morfologia inicial.

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