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FUNDAMENTOS 
DE REDES DE 
COMPUTADORES
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Diferenciar os meios de comunicação por cabo.
 > Descrever os tipos de comunicação sem fio.
 > Explicar os cálculos de avaliação da capacidade de um canal de transmissão.
Introdução
A comunicação de dados refere-se à transmissão e recepção de informações 
digitais entre dois ou mais dispositivos, podendo ocorrer por meio de cabos, 
satélites, ondas de rádio, entre diversos outros meios. Ela pode ser considerada 
a espinha dorsal da tecnologia moderna e permite uma vasta gama de aplicações.
Neste capítulo, você vai conhecer os diferentes tipos de comunicação com 
cabo e sem fio. Além disso, poderá compreender como é calculada a taxa em que 
os dados podem ser transmitidos de forma segura e confiável.
Meios de comunicação por cabo
A transmissão de dados é possibilitada pelas redes de computadores, que per-
mitem a transferência de recursos e informações entre diversos dispositivos, 
usuários e sistemas. Com essas redes, computadores e outros dispositivos 
podem se conectar entre si, tornando a transferência e o compartilhamento 
de informações uma tarefa simples. Um meio de transmissão pode assumir 
a forma de espaço aberto, cabeamento metálico ou cabeamento de fibra 
Meios de 
comunicação
Juliane Soares
óptica. De acordo com Forouzan (2010), os meios de transmissão podem ser 
divididos em duas categorias gerais: guiados (com fios) e não guiados (sem 
fios), como se pode observar na Figura 1.
Figura 1. Meios de transmissão.
Fonte: Adaptada de Forouzan (2010).
Meios de 
transmissão
Guiados 
(com fi os)
Não guiados 
(sem fi os)
Espaço livreCabo de par 
trançado Cabo coaxial Cabo de fi bra 
óptica
Os meios de comunicação por cabo, também conhecidos como “meios de 
transmissão guiados”, são o meio físico utilizado em redes de computadores 
para transportar sinais de dados entre dispositivos. O cabo oferece uma 
conexão com fio, que geralmente fornece taxas de transmissão de dados 
mais rápidas, maior confiabilidade e um canal de comunicação mais seguro. 
Um sinal trafegando por qualquer um desses meios é direcionado e contido 
pelos limites físicos do meio.
São meios guiados o cabo de par trançado, o cabo coaxial e o cabo de fibra 
óptica. Cabos de par trançado e coaxiais são feitos de condutores metálicos, 
de cobre, que recebem e transmitem sinais na forma de corrente elétrica. Os 
cabos de fibra ótica, por sua vez, recebem e transmitem sinais na forma de luz.
A seguir, vamos apresentar os tipos de comunicação por cabo existentes, 
de acordo com Forouzan (2010), Forouzan e Mosharraf (2013), Comer (2016) e 
Ribeiro (2016).
Cabo de par trançado
O cabo de par trançado é uma forma fundamental e amplamente utilizada 
de transferência de dados. Ele é composto por dois condutores elétricos de 
cobre isolados e enrolados em torno de si, com diâmetro que varia de 0,4 a 
1 mm. Esse tipo de cabo apresenta vários pares de fios de cobre trançados 
juntos, estando cada fio envolto em isolamento plástico e conectado com 
uma cobertura externa.
Meios de comunicação2
Quanto à transmissão de sinais, um fio é usado para transmitir o sinal 
do emissor para o receptor, ao passo que o outro fio serve como ponto de 
referência, ou terra. O receptor então calcula a diferença entre os dois sinais.
Alguns fatores, como ruído e interferência cruzada, podem interferir nos 
sinais e gerar sinais indesejados. Se os dois fios estiverem paralelos, esses 
sinais indesejados não afetarão os dois fios da mesma forma, pois estarão 
localizados a distâncias diferentes em relação às fontes de ruído ou in-
terferência cruzada. Isso acarreta uma discrepância no sinal que chega ao 
receptor. Para manter um equilíbrio e reduzir essas discrepâncias, os fios 
são trançados em pares.
Quando dois fios são entrelaçados por trança, eles se tornam mais 
resistentes a interferências elétricas. A Figura 2 ilustra por que isso 
ocorre.
Figura 2. Radiação magnética indesejada afetando as fiações: (a) dois fios paralelos e (b) 
par trançado.
Fonte: Adaptada de Comer (2016).
No caso de dois fios serem dispostos em paralelo (Figura 2a), é provável que 
um deles esteja situado mais próximo da fonte de radiação eletromagnética 
do que o outro. Como um fio normalmente atua como um escudo que absorve 
parte da radiação eletromagnética, o segundo fio fica oculto atrás do primeiro 
e, como resultado, recebe uma quantidade menor de energia.
No caso do par trançado (Figura 2b), cada um dos dois fios fica ativo por 
metade do tempo, garantindo que ambos os fios fiquem igualmente expostos 
Meios de comunicação 3
à radiação. Isso implica que, se a interferência resultar na mesma quantidade 
de energia elétrica sendo induzida em cada fio, nenhuma corrente adicional 
passará por eles. Consequentemente, o sinal original permanecerá inalterado.
Existem dois tipos distintos de cabos de par trançado: o não blindado e 
o blindado, descritos a seguir.
 � Par trançado não blindado (UTP, do inglês unshielded twisted pair): é 
composto por pares de fios com diâmetro de 1 mm que são isolados 
individualmente e, depois, enrolados em espiral (Figura 3). Esse tipo 
de cabo é comumente empregado em configurações de comunicação 
e pode facilitar conexões de até 100 m de comprimento sem a neces-
sidade de amplificadores.
Figura 3. Cabo UTP.
Fonte: Forouzan (2010, p. 194).
 � Par trançado blindado (STP, do inglês shielded twisted pair): é composto 
por condutores isolados que são torcidos em pares e envoltos por uma 
bainha protetora feita de folha ou malha trançada de metal (Figura 4). O 
invólucro de metal serve para melhorar a qualidade do cabo, evitando 
que ruídos estranhos ou sinais de diafonia interfiram na transmissão de 
dados. No entanto, isso também torna o cabo mais pesado e caro. Como 
resultado, o STP não é frequentemente empregado fora dos ambientes 
IBM (que foi a empresa responsável pela criação desse tipo de cabo).
Meios de comunicação4
Figura 4. Cabo STP.
Fonte: Forouzan (2010, p. 194).
Originalmente projetados para transmissão de voz e dados em linhas 
telefônicas, os cabos de par trançado seguem sendo frequentemente usados 
hoje em dia. No início, o cabeamento emparelhado era regulamentado pelas 
companhias telefônicas, mas, com o aumento da predominância das redes 
de computadores, três organizações de padronização — o American National 
Standards Institute (Ansi), a Telecommunications Industry Association (TIA) e 
a Electronic Industries Alliance (EIA) — colaboraram para criar novos padrões 
para cabos de par trançado. Veja no Quadro 1 uma lista abrangente de cate-
gorias de cabos, com cada categoria apresentando especificações rigorosas.
Quadro 1. Categorias de cabos de par trançado segundo o Ansi, a TIA e a EIA
Categoria Descrição Taxa de dados (Mbps)
CAT 1 Par trançado não blindado usado em 
telefonia
uma blindagem 
de malha de metal e, por fim, protegido por um revestimento plástico (Fi-
gura 5). A blindagem de malha de metal é eficiente em impedir que sinais 
eletromagnéticos se infiltrem no cabo e gerem ruídos.
Figura 5. Cabo coaxial.
Fonte: Forouzan (2010, p. 196).
(Continuação)
Meios de comunicação6
Devido às suas propriedades de blindagem eficazes, o cabo coaxial é um 
meio de transmissão adequado para sinais analógicos que abrangem um amplo 
espectro de frequências. Como resultado, ele é capaz de transmitir uma gama 
variada de canais de vídeo, como aqueles entregues regularmente a residências 
e empresas por meio de serviços de televisão a cabo. Além da transmissão de 
vídeo, o cabo coaxial foi implementado na comunicação telefônica de longa 
distância, usado como cabeamento para redes locais em cenários incomuns e 
empregado como um conector entre um mainframe e um terminal.
Cabo de fibra óptica
Os cabos de fibra óptica (Figura 6) são um meio avançado de transmissão de 
informações mediante o uso de ondas de luz. Esses cabos são formados por 
fibras de vidro finas e flexíveis que são agrupadas e revestidas com material 
protetor. À medida que os dados são transmitidos através do cabo de fibra 
óptica, as ondas de luz refletem nas paredes das fibras, o que as mantém 
contidas no cabo e evita qualquer perda de sinal. Em comparação com os 
cabos de cobre tradicionais, os cabos de fibra óptica oferecem um método 
mais rápido e seguro de transferência de dados, o que os torna uma escolha 
cada vez mais popular nos sistemas de comunicação modernos.
Figura 6. Cabo de fibra óptica.
Fonte: Adaptada de Ribeiro (2016).
Existem dois modos de propagação de luz ao longo de canais ópticos que 
são suportados pela tecnologia atual: o multimodo (que pode ser implemen-
tado de duas formas diferentes) e o monomodo. Cada um deles requer uma 
fibra com características físicas distintas.
Meios de comunicação 7
 � Multimodo, fibra de índice degrau (multimode, step index fiber): 
apresenta um núcleo com densidade consistente desde o centro 
até as bordas. Um feixe de luz que passa por essa densidade uni-
forme viaja em linha reta até atingir a interface entre o núcleo e o 
revestimento. Nesse ponto, ocorre uma mudança abrupta devido à 
menor densidade do revestimento, alterando o ângulo da direção 
do feixe. Conhecida como “índice degrau”, essa alteração rápida é 
um fator fundamental na distorção do sinal que ocorre à medida 
que a luz viaja pela fibra.
 � Multimodo, fibra de índice gradual (multimode, graded index fiber): é 
um tipo de cabo de fibra óptica que reduz efetivamente a distorção do 
sinal ao longo do comprimento do cabo. O termo “índice”, nesse caso, 
refere-se ao índice de refração, que está diretamente relacionado à 
densidade do meio. Assim, uma fibra de índice gradual é aquela cuja 
densidade varia, com a maior densidade no centro do núcleo, que 
diminui gradualmente em direção às bordas da fibra.
 � Monomodo (single mode fiber): apresenta em sua composição fibras 
de índice degrau e tem uma fonte de luz altamente concentrada. Isso 
resulta em feixes restritos a uma faixa estreita de ângulos, que são, 
em sua maioria, horizontais. Em comparação com as fibras multimodo, 
as monomodo são feitas em diâmetros menores e têm uma densidade 
muito menor, o que acarreta baixa distorção de sinal e atrasos de feixe 
insignificantes. Assim, esse modo é ideal para transmissões com taxas 
de bits mais altas em longas distâncias.
Na fibra óptica, o processo de transmissão e recepção de luz é um com-
ponente vital, sendo fundamental que os dispositivos transmissores sejam 
totalmente compatíveis com a fibra utilizada. Para isso, estão disponíveis 
alguns mecanismos, como os apresentados a seguir.
 � Transmissão: light-emitting diode (LED) ou injection laser diode (ILD).
 � Recepção: célula fotossensível ou fotodiodo.
Em geral, os LEDs e as células fotossensíveis são empregados para trans-
mitir em distâncias curtas e em velocidades mais lentas com fibra multimodo. 
Por sua vez, a fibra monomodo é usada para altas taxas de bits em longas 
distâncias e requer o uso de LEDs e fotodiodos.
Na próxima seção, você vai conhecer os tipos de comunicação sem fio.
Meios de comunicação8
Meios de comunicação sem fio
A comunicação sem fio consiste em técnicas e tecnologias que permitem a 
transferência de dados entre dispositivos sem ser necessário recorrer à fiação 
física. A importância da comunicação sem fio cresceu exponencialmente em 
nossa sociedade contemporânea, pois oferece um meio para que os dispo-
sitivos se comuniquem, compartilhem informações e se conectem à internet 
sem restrição de cabos ou conexões com fio.
Existe uma variedade de tipos de meios sem fio, e cada tipo pode servir a 
uma finalidade diferente. Normalmente, conjuntos distintos de frequências 
são alocados para cada um deles. No entanto, todos os meios sem fio com-
partilham uma tecnologia fundamental: a transmissão de dados por ondas de 
rádio. Ondas eletromagnéticas de vários tipos são empregadas para transmitir 
sinais em comunicação sem fio. Radiação eletromagnética, como luz visível, 
luz infravermelha, raios X, raios gama e transmissões de rádio e satélite, são 
exemplos dessas ondas. Essencialmente, a radiação eletromagnética é a 
energia que viaja pelo espaço e, de forma indireta, através de objetos sólidos, 
manifestando-se como uma perturbação nos campos elétricos e magnéticos 
em avanço (White, 2012).
A seguir, você vai conhecer alguns dos padrões frequentemente usados 
em redes sem fio. Uma das instituições mais importantes para a definição de 
padrões globais é o Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE), 
uma organização de prestígio dedicada ao desenvolvimento e progresso da 
tecnologia e da ciência. Especificamente, o comitê 802, sob o IEEE, é respon-
sável por estabelecer protocolos de rede.
O IEEE 802.15, de acordo com Ribeiro (2016), refere-se à rede de área pessoal 
sem fio (WPAN, do inglês wireless personal area network), uma arquitetura 
que consiste em pequenas redes, ou piconets, que conectam dispositivos, 
como eletrodomésticos ou periféricos de computação. A WPAN foi criada com 
o objetivo de estabelecer comunicação entre dispositivos pessoais dentro 
de uma área geográfica limitada, ou seja, é uma rede de curto alcance que 
permite que dispositivos se conectem e se comuniquem em proximidade, 
com cobertura de 10 a 100 m. São exemplos de padrões disponíveis comer-
cialmente que utilizam essa arquitetura o Bluetooth (IEEE 802.15.1) e o Zigbee 
(IEEE 802.15.4).
A tecnologia conhecida como Bluetooth opera na banda industrial, 
científica e médica (ISM, do inglês industrial, scientific and medical) de 
2,45 GHz, utilizando intervalos de tempo de 625 microssegundos. Seu al-
cance é tipicamente restrito a distâncias entre 10 cm e 10 m, equivalentes 
Meios de comunicação 9
a 4 polegadas e 30 pés, respectivamente. Vale ressaltar que o Bluetooth é 
capaz de transmitir sinais através de objetos metálicos, o que permite que 
um usuário carregue um dispositivo transmissor dentro de um bolso, bolsa 
ou pasta. Além disso, pode transferir dados a velocidades impressionantes 
de até 4 Mbits/s (White, 2012).
Por sua vez, a rede Zigbee tem como objetivo atender a dispositivos que 
requerem menos energia, têm taxas de dados mais baixas e executam menos 
ciclos de trabalho do que o Bluetooth. Dispositivos como sensores de tem-
peratura e iluminação, sistemas de segurança e interruptores de parede são 
todos simples e de baixo custo, exigindo baixo consumo de energia e ciclos de 
trabalho, o que faz do Zigbee o ajuste perfeito para eles. O Zigbee tem taxas 
de canal padronizadas de 20, 40, 100 e 250 Kbits/s, que são determinadas 
pela frequência do canal (White, 2012).
Diferentemente do Bluetooth, as ondas infravermelhas operam em uma 
faixa de frequência que varia de 300 GHz a 400 THz, e apresentam compri-
mentos de onda entre 1 mm e 770 nm. Devido à sua maior frequência, as 
ondas infravermelhasnão conseguem penetrar nas paredes. Então, esse 
recurso permite o uso de sistemas de comunicação de curto alcance sem 
interferência de outros dispositivos — por exemplo, o uso de um controle 
remoto infravermelho não afeta o funcionamento do controle remoto de 
um vizinho. No entanto, essa mesma característica limita o uso de ondas 
infravermelhas para comunicação a longa distância, o que é inviável. Além 
disso, as ondas infravermelhas não podem ser usadas ao ar livre, pois os raios 
solares contêm ondas infravermelhas que podem interferir na comunicação. 
Os sinais infravermelhos são adequados para comunicação entre dispositivos 
como teclados, mouses, PCs e impressoras (White, 2012).
O padrão IEEE 802.11 pertence à rede local sem fio (WLAN, do inglês wireless 
local area network). Existem diferentes padrões 802.11 para essa tecnologia, 
como o 802.11b, o 802.11a e o 802.11g (Quadro 2).
Quadro 2. Padrões IEEE 802.11
Padrão Faixa de frequências Taxa de dados (Mbps)
802.11b 2,4–2,485 GHz Até 11
802.11a 5,1–5,8 GHz Até 54
802.11g 2,4–2,485 GHz Até 54
Fonte: Adaptado de Kurose e Ross (2013).
Meios de comunicação10
Semelhante à arquitetura dos sistemas de telefonia celular, esse padrão 
adota uma estrutura parecida com a de uma célula. A distância entre duas 
estações define o diâmetro de cada célula. O conjunto de serviço básico (BSS, 
do inglês basic service set) serve como bloco de construção fundamental da 
arquitetura 802.11, sendo responsável por regular o tempo de transmissão 
e recepção de cada estação. Composto por uma ou mais estações sem fio, 
um BSS inclui uma estação-base central, denominada “ponto de acesso” 
(AP, do inglês access point). Normalmente, um ponto básico de atendimento 
oferece qualidade de acesso para 10 a 20 clientes em um raio de 100 m 
(Kurose; Ross, 2013).
Considerando-se os padrões IEEE apresentados, é importante falar sobre 
as redes de sensores sem fio (RSSFs ou WSNs, do inglês wireless sensor 
networks). Essas redes são compostas por sensores interconectados que se 
comunicam sem fio para coletar, enviar e trocar dados do ambiente físico. 
Elas são projetadas especificamente para monitorar e coletar informações 
de uma variedade de sensores, como sensores de temperatura, detectores de 
movimento, sensores de umidade, detectores de luz, entre outros. As RSSFs 
têm aplicações amplas, incluindo monitoramento ambiental e automação 
industrial, além de aplicações na área da saúde (Rochol, 2018). Selecionar o 
protocolo de roteamento apropriado para uma RSSF é crucial para manter 
sua funcionalidade contínua. Os protocolos mais comumente empregados 
em RSSF são Bluetooth, Zigbee e WLAN.
Existem vários protocolos de conexão sem fio que merecem ser mencio-
nados, incluindo o WiMAX (Worldwide Interoperability for Microwave Access). 
O WiMAX é uma tecnologia de transmissão de banda larga sem fio baseada 
em uma variedade de padrões IEEE. Um desses padrões é o IEEE 802.16a, 
que é uma tecnologia WiMAX criada para fornecer acesso de alta velocidade 
à internet para pequenas empresas e residências, competindo, assim, com 
DSL e modems a cabo. O IEEE 802.16a é capaz de transferir dados em até 
70 Mbps em 50 km, opera no espectro de 2–11 GHz e fornece conexões com 
e sem linha de visada. Outra tecnologia WiMAX, o padrão IEEE 802.16c, foi 
criada para funcionar no espectro de 10–66 GHz e fornece apenas conexões 
de linha de visada. Combinando os padrões 802.16a e 802.16c, foi criado o 
padrão IEEE 802.16d, também conhecido como IEEE 802.16-2004. O padrão 
IEEE 802.16e é uma versão revisada do padrão 802.16 que fornece conexões 
de alta velocidade para dispositivos que se movem lentamente — como um 
telefone celular WiMAX sendo usado por alguém que está caminhando ou 
dirigindo em uma área residencial —, ao passo que os padrões anteriores 
eram usados apenas para dispositivos fixos (White, 2012).
Meios de comunicação 11
O WiMAX2 (IEEE 802.16m) é uma evolução do padrão IEEE 802.16e. Ele 
consiste em uma versão avançada do WiMAX com desempenho aprimorado, 
principalmente em termos de taxas de dados e eficiência. O WiMAX2 apre-
senta taxa de transferência de dados de 100 Mbps para estações móveis e 
de 1 Gbps para estações fixas. Esse padrão opera em uma frequência de até 
6 GHz e tem uma cobertura de 3 a 100 km (Rochol, 2018).
Por fim, é preciso mencionar a comunicação via satélite. Segundo Comer 
(2016), o movimento de um objeto (p. ex., um satélite orbitando a Terra) é 
regido pelas leis da física, principalmente a Lei de Kepler — que descreve o 
movimento dos corpos celestes, incluindo satélites em órbita, fornecendo a 
estrutura matemática para entender as órbitas dos satélites e prever suas 
posições. A duração de uma órbita completa, também conhecida como “pe-
ríodo”, é afetada pela distância entre a Terra e o objeto em questão. Como 
resultado, os satélites de comunicação podem ser agrupados em duas ca-
tegorias principais, com base em sua proximidade com a Terra: os de baixa 
órbita e os geoestacionários, descritos a seguir.
 � Satélites de baixa órbita (LEO, do inglês low Earth orbit): são satélites 
que orbitam em altitudes que não ultrapassam 2.000 km. Para evitar 
o arrasto criado pelos gases atmosféricos, os satélites devem ser 
colocados acima da borda da atmosfera. Por isso, os satélites LEO são 
normalmente colocados em altitudes de pelo menos 500 km. O principal 
benefício dos satélites LEO são seus atrasos curtos, que costumam 
variar de 1 a 4 milissegundos. No entanto, a órbita de um satélite LEO 
não corresponde à rotação da Terra, e, devido a isso, da perspectiva 
de um observador da Terra, um satélite LEO parece se mover no céu. 
Assim, uma estação terrestre deve ter uma antena capaz de girar, para 
seguir o caminho do satélite.
 � Satélites geoestacionários (GEO, do inglês geostationary Earth orbit): 
o principal benefício de um satélite GEO é que ele tem um período 
orbital que corresponde exatamente à taxa de rotação da Terra. 
Quando situado acima do equador, um satélite GEO permanece na 
mesma posição sobre a superfície da Terra o tempo todo, o que o 
torna um objeto estacionário. Isso significa que, uma vez que uma 
estação terrestre estabelece uma conexão com o satélite, não há mais 
necessidade de mover o equipamento. No entanto, a desvantagem de 
um satélite GEO é que ele está localizado mais longe da Terra, com 
uma órbita geoestacionária que exige uma distância de 35.785 km. 
Meios de comunicação12
Essa distância pode implicar atrasos significativos, pois, para ocorrer 
comunicação, uma onda de rádio deve realizar uma viagem de ida 
até um satélite GEO e posteriormente retornar.
Na próxima seção, vamos refletir sobre a mensuração da capacidade de 
meios de transmissão.
Avaliação de capacidade
Nesta seção, serão apresentadas algumas das medidas de desempenho 
que podem ser usadas para avaliar um meio de transmissão. Antes disso, 
no entanto, é importante compreender os conceitos de reflexão, difração, 
refração e modulação, que são fundamentais para entender como as ondas 
interagem com diferentes meios e objetos. Esses conceitos são explicados a 
seguir, de acordo com Forouzan (2010) e White (2012).
 � Reflexão: é um fenômeno que ocorre nos meios de comunicação de 
dados quando os sinais encontram um limite ou interface e rebatem, 
causando possíveis interferências. Na comunicação de fibra óptica, por 
exemplo, a ocorrência de reflexão nos conectores ou nas interfaces 
pode resultar em perda de sinal. Para evitar reflexos indesejados, são 
utilizados conectores especializados e revestimentos antirreflexo.
 � Difração: é a curvatura e propagação das ondas quando elas encontram 
um obstáculo ou abertura que é da ordem de seu comprimento de 
onda. Na comunicação sem fio, a difração ocorre quando os sinais são 
transmitidos, por exemplo, ao redor de prédios e outros obstáculos, 
resultando em cobertura de sinal em áreas que normalmente seriam 
obstruídas.
 � Refração: é a curvatura de uma onda ao passar de um meio para outrocom uma densidade diferente. Esse fenômeno ocorre devido à mudança 
de velocidade da onda no novo meio, que faz com que ela mude de 
direção. No caso da fibra óptica, os sinais que passam do núcleo da 
fibra para o revestimento podem ser refratados, o que pode causar 
uma mudança na forma como a luz se propaga. Os sistemas de fibra 
óptica são criados com a intenção de regular e potencializar esse 
comportamento.
 � Modulação: é o processo de variação de uma ou mais propriedades de 
uma onda portadora (geralmente de alta frequência) de acordo com o 
Meios de comunicação 13
sinal de informação que está sendo transmitido. Ou seja, ocorre a ma-
nipulação das características de um sinal portador em correspondência 
com a informação que está sendo transmitida. Tanto na comunicação 
com fio quanto na sem fio, técnicas de modulação são empregadas 
para codificar informações digitais em sinais de portadora analógicos, 
permitindo uma transmissão simplificada em vários meios.
Entendidos esses conceitos, agora vamos abordar a mensuração de um 
meio de comunicação. As principais medidas usadas são a do atraso de 
propagação e a da capacidade do canal, detalhadas a seguir, de acordo com 
Comer (2016).
Atraso de propagação
A expressão “atraso de propagação” é usada para descrever a duração da 
transmissão de um sinal do emissor para o receptor através de um meio de 
transmissão. Em outras palavras, indica a quantidade de tempo necessária 
para que um bit se mova do ponto inicial da conexão até o roteador B. A 
velocidade na qual o bit trafega é chamada de “velocidade de propagação”, 
que depende do tipo de conexão física do meio usado. Essa velocidade varia 
de 2 × 108 m/s a 3 × 108 m/s, que é igual à velocidade da luz.
Assim, o atraso na propagação do sinal está sujeito a dois fatores: a veloci-
dade na qual o sinal viaja pelo meio e a distância total que ele deve percorrer. 
Para determinar o atraso de propagação, é usada a seguinte equação:
Atraso de propagação = distância / velocidade de propagação
onde:
 � Distância = comprimento do caminho de transmissão que um sinal 
percorre;
 � Velocidade de propagação = velocidade na qual o sinal viaja pelo meio.
Calcule o atraso de propagação de um sinal considerando que a 
distância é de 200 m e a velocidade de propagação é de 2 × 108 m/s.
Resolução
Atraso de propagação = 200 / 2 × 108
Atraso de propagação = 1 × 10–6 m/s
Meios de comunicação14
Capacidade do canal
A capacidade de um canal de transmissão corresponde à quantidade máxima 
de dados que podem ser transmitidos através dele. Essa determinação leva em 
consideração vários fatores, incluindo largura de banda, relação sinal-ruído 
e esquemas de modulação do canal. Para calcular a capacidade teórica do 
canal, utiliza-se o teorema de Shannon, cuja fórmula é a seguinte:
C = B × log2 (1 + S / N)
onde:
 � C = limite de capacidade do canal, em bits por segundo;
 � B = largura de banda do hardware;
 � S / N = relação sinal-ruído (signal-to-noise ratio), que é a potência 
média do sinal dividida pela potência média do ruído.
Considere um meio de transmissão com uma largura de banda de 
1 kHz, uma potência de sinal média de 70 unidades e uma potência 
de ruído média de 10 unidades. Qual é a capacidade do canal?
Resolução
C = 103 × log2 (1 + 7) = 103 × 3 = 3.000 bits por segundo
Para expressar a relação sinal-ruído, comumente é usado o decibel (dB), 
uma unidade de medida que indica a disparidade entre dois níveis de potência. 
Essa diferença é calculada medindo-se dois níveis de potência e expressando-
-se o contraste em decibéis:
dB = 10 × log10 (P2 / P1)
Embora o uso de dB como unidade de medida possa parecer sem importân-
cia, na verdade ele apresenta duas vantagens exclusivas. Em primeiro lugar, um 
valor dB negativo indica que o sinal foi enfraquecido ou atenuado, ao passo 
que um valor dB positivo significa que o sinal foi reforçado ou amplificado. Em 
segundo lugar, se um sistema de comunicação for composto de várias partes 
dispostas em sequência, as medições de decibéis de cada parte poderão ser 
combinadas para determinar o desempenho geral de todo o sistema.
Por fim, é importante destacar que esse cálculo serve para indicar a capa-
cidade máxima hipotética do canal se todas as condições fossem ideais. No 
Meios de comunicação 15
entanto, em situações do mundo real, diversas variáveis, incluindo técnicas 
de modulação, eficácia de codificação e distúrbios ambientais, podem afetar 
a taxa de dados prática que pode ser alcançada.
Neste capítulo, você conheceu diferentes meios de comunicação com 
fio e sem fio, podendo compreender as características dos cabos usados 
nos meios de transmissão guiados, bem como os padrões frequentemente 
utilizados em redes sem fio. Como vimos, esses meios de comunicação são 
fundamentais para a comunicação de dados, sendo de suma importância 
para a sociedade atual.
Referências
COMER, D. E. Redes de computadores e internet. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2016.
FOROUZAN, B. A. Comunicação de dados e redes de computadores. 4. ed. São Paulo: 
McGraw-Hill, 2010.
FOROUZAN, B. A.; MOSHARRAF, F. Redes de computadores: uma abordagem top-down. 
São Paulo: McGraw-Hill, 2013.
KUROSE, J.; ROSS, K. Redes de computadores e a internet: uma abordagem top-down. 
6. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2013.
RIBEIRO, T. C. S. C. Fundamentos de redes de computadores. Londrina: Educacional, 2016.
ROCHOL, J. Sistemas de comunicação sem fio: conceitos e aplicações. Porto Alegre: 
Bookman, 2018.
WHITE, C. M. Redes de computadores e comunicação de dados. São Paulo: Cengage 
Learning, 2012.
Meios de comunicação16

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