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Maria Eduarda Faustino Turma LX 
FISIOLOGIA DA GLÂNDULA SUPRARRENAL 
 
 
 
 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM 
✓Conhecer os hormônios esteróides 
produzidos no córtex das glândulas 
suprarrenais a partir do colesterol; 
✓Conhecer o eixo 
hipotálamo-hipófise-suprarrenal; 
✓ Compreender: os sinais para a produção; 
os mecanismos que controlam a secreção, e 
as ações celulares dos hormônios 
produzidos no córtex das glândulas 
suprarrenais. 
 
ADRENAIS 
Localizadas acima dos rins, assim sua 
denominação, também, de glândulas 
suprarrenais. 
 
Cada glândula é revestida por uma cápsula 
de tecido conjuntivo denso e apresenta uma 
região interna, o córtex e outra interna, a 
medula. 
 
O córtex suprarrenal deriva de células 
mesenquimais ligadas à cavidade celômica. 
A suprarrenal do adulto se diferencia em: 
- Zona glomerulosa: síntese de 
mineralocorticóides. 
- Zona fasciculada:(intermediária), 
síntese de glicocorticóides. 
- Zona reticular: síntese de esteróides 
C19, andrógenos e hormônios sexuais. 
 
A região de medula possui células cromafins 
que produzem epinefrina e norepinefrina. 
 
 
 
 
 
As moléculas originadas são extremamente 
parecidas. O precursor para todos os 
hormônios adrenocorticais é o colesterol, 
que pode ser sintetizado a partir da 
acetilcoenzima A. 
 
A maior fonte do colesterol para a 
esteroidogênese é o colesterol transportado 
no plasma pelas células adrenocorticais por 
meio de receptores específicos de LDL 
presentes na membrana celular. 
 
VIAS PARA A SÍNTESE DOS HORMÔNIOS 
ESTERÓIDES DO CÓRTEX DAS SUPRARRENAIS 
A partir do colesterol, tem-se as reações 
responsáveis pela síntese de aldosterona, 
cortisol e androgênios. 
 
As reações se diferem de acordo com o tipo 
de substância produzida, porém, qualquer 
um dos hormônios parte de uma molécula 
em comum: pregnenolona. 
 
Além disso, todos partem de um estímulo em 
comum: o hormônio ACTH. 
 
A cascata de síntese de cada hormônio 
apresenta enzimas específicas, sendo as 
principais: 
Maria Eduarda Faustino Turma LX 
- 21-hidroxilase: para a formação de 
aldosterona e cortisol 
- aromatase: para a formação dos 
andrógenos 
 
HORMÔNIOS ADRENOCORTICAIS 
Os hormônios adrenocorticais podem ser de 
três principais tipos: glicocorticóides, 
mineralocorticóides e androgênios. 
 
As moléculas originadas tem poucas 
diferenças bioquímicas, sendo 
extremamente parecidas, portanto, 
conseguem se encaixar em diferentes 
receptores com vários sítios capazes de 
produzir reação para esses hormônios. 
 
- O cortisol pode ocupar o receptor de 
aldosterona, causando um efeito 
chamado de cruzado. 
 
 
 
GLICOCORTICÓIDES 
Atuam sobre o metabolismo de carboidratos, 
lipídeos e proteínas. O cortisol é o principal 
glicocorticóide humano, mas existem outros 
como a cortisona e a prednisona. 
 
O ACTH é o principal hormônio estimulador 
da síntese e secreção do cortisol. 
MINERALOCORTICÓIDES 
O principal é a aldosterona. Atuam no 
metabolismo de eletrólitos, especialmente 
sódio e potássio, e no equilíbrio químico. 
 
A produção é controlada principalmente, 
pelas concentrações de angiotensina II e de 
potássio no líquido extracelular. 
 
ANDROGÊNIO 
Desidroepiandrosterona (DHEA) e 
Androstenediona: precursores de hormônios 
sexuais, principalmente masculinos. E 
quantidades mínimas de progesterona e 
estrogênio, hormônios femininos. 
 
O ACTH regula a secreção, no entanto, os 
mecanismos do controle ainda não estão 
completamente elucidados. 
 
CORTISOL 
REGULAÇÃO DA SECREÇÃO 
O ritmo circadiano do glicocorticóide é 
caracterizado por um pico que ocorre no 
horário ou pouco antes do despertar, 
coincidindo com o início de atividades e com 
o declínio no restante das 24 h. 
 
Assim, no homem, as concentrações basais 
de ACTH e cortisol são mais elevadas pela 
manhã (das 6 às 9 h) com queda 
progressiva ao longo do dia e nadir noturno 
(das 23 às 3 h). 
 
O estresse não faz a adrenal liberar o cortisol 
diretamente. Ele ativa primeiro o eixo 
hipotálamo–hipófise–adrenal (HHA): 
 
Estresse → hipotálamo libera CRH 
CRH → hipófise libera ACTH 
ACTH → adrenal produz e libera cortisol 
 
Maria Eduarda Faustino Turma LX 
Ou seja, o estresse aumenta o cortisol de 
forma indireta, passando por essas três 
etapas antes de chegar à adrenal. 
 
 
O cortisol exerce feedback negativo sobre o 
eixo hipotálamo-hipófise e adrenal. Quando 
seus níveis sanguíneos aumentam, ele 
sinaliza ao hipotálamo para diminuir a 
liberação de CRH e, consequentemente, a 
hipófise reduz a liberação de ACTH. Com 
menos ACTH estimulando a adrenal, a 
produção de cortisol cai, mantendo o 
equilíbrio hormonal. 
 
Situações que causam estresse: 
traumatismo, infecção, calor ou frio intenso, 
injeção de noradrenalina e de outros 
fármacos, cirurgia, injeção de substâncias 
necrosantes sob a pele. 
 
Antes do ACTH ser liberado, existe um 
precursor chamado pró-opiomelanocortina 
(POMC), que é clivado para formar 
hormônios peptídicos menores, com 
formação de ACTH, hormonios 
melanocito-estimulantes (MSH α, β e γ) e 
β-endorfina. 
 
A produção do POMC não age somente para 
o ACTH, como também para a síntese de 
melanina, resposta imune e diminuição da 
ingestão alimentar. 
 
A administração de cortisol sintético 
desequilibra a alça de retroalimentação 
negativa da liberação de cortisol. Isso inibe a 
produção de POMC, não só de ACTH. 
 
MODULAÇÃO DA AÇÃO DO CORTISOL 
Regulada pela enzima 11β-hidroxiesteróide 
desidrogenase (11β-HSD). Existem 
mecanismos fisiológicos que impedem o 
cortisol a desempenhar o efeito 
mineralocorticoide. 
 
 
 
Nos tecidos que possuem receptores de 
mineralocorticoide (como rim, cólon e 
glândulas salivares), a enzima 11β-HSD2 
transforma o cortisol ativo em cortisona 
inativa, impedindo que o cortisol ocupe 
esses receptores, que devem responder 
principalmente à aldosterona. 
 
Já em outros tecidos, como fígado, pele, 
cérebro, tecido adiposo e placenta, a enzima 
11β-HSD1 faz o contrário: converte cortisona 
inativa de volta em cortisol ativo, permitindo 
que o hormônio atue normalmente nos 
receptores de glicocorticóide. Assim, o 
organismo controla localmente se o cortisol 
vai ser inativado ou reativado, garantindo 
sua ação correta em cada tecido. 
 
TRANSPORTE/METABOLISMO 
No plasma 90 a 95% se liga a proteínas: 
- 80% a uma globulina - transcortina 
- 15% à albumina. 
O cortisol possui meia-vida relativamente 
longa de 60 a 90 minutos. Possui 
metabolismo hepático. 
 
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EFEITOS DO CORTISOL 
No metabolismo dos carboidratos 
Estimula a gliconeogênese: 
• Aumenta a conversão de aminoácidos em 
glicose no fígado. 
• Favorece a mobilização de aminoácidos de 
tecidos extra hepáticos (músculos). 
• Antagoniza os efeitos da insulina no fígado 
(inibe a formação glicogênio e estimula 
enzimas que produzem glicose). 
 
Diminui moderadamente a utilização de 
glicose pelas células: 
• Diminui a translocação do GLUT4 para a 
membrana celular 
• Pode levar à diabetes adrenal. 
 
No metabolismo proteico 
• Promove a degradação das proteínas 
celulares (proteólise) nos tecidos extra 
hepáticos. 
• Aumenta síntese das proteínas do fígado e 
plasma. 
 
Aumento aminoácidos sanguíneos, reduz o 
transporte de aminoácidos para as células 
extra-hepáticas e aumenta o transporte 
para as células hepáticas: 
(1)aumento da desaminação de 
aminoácidos pelo fígado, 
(2) aumento da síntese proteica no fígado, 
(3) aumento da formação de proteínas 
plasmáticas pelo fígado, e 
(4) aumento da conversão de aminoácidos 
em glicose – isto é, aumento da 
gliconeogênese. 
 
No metabolismo lipídico 
Mobilização de ácidos graxos 
• Promove lipólise e mobilização de ácidos 
graxos do tecido adiposo. 
• Eleva a concentração de ácidos graxos 
livres no plasma. 
• Os sistemas metabólicos celulares passam 
a utilizar ácidos graxos em momentos de 
jejum ou de outros estresses para geração 
de energia. 
 
O excesso de cortisol causa obesidade 
(Visceral) pois estimula a diferenciação dos 
adipócitosdo omento (isoforma 11β-HSD1)* 
No processo inflamatório 
A mobilização de aminoácidos e gorduras 
das reservas celulares, torna-os disponíveis 
para a geração de energia e para a síntese 
de novos compostos. 
 
Efeitos anti-inflamatórios do cortisol (alta 
concentração) 
• Estabiliza as membranas lisossomais; 
• Diminui a permeabilidade dos capilares; 
• Diminui a atividade do sistema 
imunológico, reduz a reprodução dos 
linfócitos; 
• Atenua a febre principalmente porque 
reduz a liberação de interleucina-1; 
• Inibe a resposta inflamatória a reações 
alérgicas; 
• Reduz o número de eosinófilos e de 
linfócitos no sangue; 
• Diminui a produção de células T e de 
anticorpos nos tecidos linfóides 
 
Efeitos do cortisol em alta concentração 
Pele: Inibe a divisão dos queratinócitos e dos 
fibroblastos, reduz a síntese de ácido 
hialurônico, reduz a síntese e a produção de 
colágeno. 
Tecido muscular: leva à atrofia muscular. 
Rins: Estimula a síntese de 
angiotensinogênio, retenção de sódio e 
excreção de potássio. 
Osso: osteopenia ou osteoporose. 
 
ALDOSTERONA 
REGULAÇÃO DA SECREÇÃO 
Fatores principais: concentração de íons 
potássio no líquido extracelular e 
concentração de angiotensina II no líquido 
extracelular. 
 
Outros fatores envolvidos: 
• Concentração de íons sódio (↑ Sódio, ↓ 
pouco secreção de aldosterona) 
 
• Peptídeo atrial natriurético (PAN) (↓ pouco 
secreção de aldosterona) 
 
• O ACTH, formado pela adeno-hipófise 
(ação permissiva). 
 
 
Maria Eduarda Faustino Turma LX 
 
 
 
Quando o rim percebe baixa concentração 
de sódio, redução do fluxo sanguíneo renal 
ou aumento do potássio, ele aumenta a 
liberação de renina. A renina transforma o 
angiotensinogênio, produzido pelo fígado, 
em angiotensina I, que é convertida nos 
pulmões em angiotensina II pela ECA. 
 
A angiotensina II eleva a pressão arterial e 
estimula a zona glomerulosa da suprarrenal 
a produzir aldosterona. A aldosterona, então, 
age no rim aumentando a reabsorção de 
sódio, diminuindo a excreção de potássio e 
expandindo o volume sanguíneo, o que 
corrige o problema inicial percebido pelo rim. 
 
TRANSPORTE/METABOLISMO 
Apenas cerca de 60% se ligam a proteínas 
plasmáticas. Possuem meia-vida 
relativamente curta, de cerca de 20 minutos. 
O metabolismo é hepático. 
 
AÇÕES BIOLÓGICAS DA ALDOSTERONA 
Exerce um papel crucial na regulação da 
pressão arterial e na homeostase eletrolítica: 
• Promove a reabsorção de sódio (aumenta 
o volume do líquido extra celular); 
• Aumenta a secreção de potássio e 
hidrogênio; 
• No sistema cardiovascular: eleva pressão 
arterial, modula o tônus vascular, aumenta a 
sensibilidade às catecolaminas, aumenta a 
expressão de receptores para a ANG II. 
 
 
 
ANDROGÊNIOS (DHEA E SDHEA) 
REGULAÇÃO DA SECREÇÃO 
O que já se sabe: 
• O ACTH estimula a secreção de andrógenos 
suprarrenais como a DHEA e a 
androstenediona. 
 
• A secreção de androgênios apresenta ritmo 
circadiano semelhante ao do cortisol. 
 
O que ainda não está claro: 
• Por que não ocorre supressão da DHEA 
após uso crônico de corticosteroides 
(exógenos)? 
 
• Como acontece a elevação androgênica 
entre 6 e 8 anos de idade e diminuição da 
secreção de DHEA na velhice sem alterações 
concentração do cortisol? 
 
TRANSPORTE/METABOLISMO 
Conjugados a albumina. Possuem 
meia-vida: 
- DHEA: 25 minutos; 
- SDHEA: 12 horas. 
Metabolismo: Hepático 
 
ANORMALIDADES DA SECREÇÃO 
ADRENOCORTICAL 
Hipoadrenalismo (insuficiência adrenal): 
DOENÇA DE ADDISON 
Causas: 
Primária (lesão do córtex adrenal): 
Autoimunidade contra o córtex, tuberculose 
adrenal e câncer. 
Secundária: falha na produção de ACTH. 
 
Consequências: 
• Deficiência de mineralocorticoides. 
• Deficiência de glicocorticoides. 
•Hiperpigmentação pela melanina das 
mucosas e da pele. 
 
Tratamento: Reposição hormonal. 
 
HIPERADRENALISMO: SÍNDROME DE CUSHING 
Causas: 
• Anormalidades do hipotálamo (↑ CRH); 
• Tumores da adeno-hipófise (↑de ACTH); 
Maria Eduarda Faustino Turma LX 
• “Secreção ectópica” de ACTH por tumor em 
outra parte do corpo (ex. carcinoma 
abdominal); 
• Tumores do córtex adrenal. 
• Medicamentosa, pelo uso contínuo de 
corticóides. 
 
 
 
SÍNDROME ADRENOGENITAL 
Tumor adrenocortical secreta excesso de 
androgênios - efeitos masculinizantes em 
todo o corpo. 
 
- Na mulher, características virilizantes 
se desenvolvem, gerando 
características masculinas típicas. 
 
- No homem pré-púbere, provoca 
rápido desenvolvimento dos órgãos 
sexuais masculinos. 
 
HIPERPLASIA SUPRARRENAL CONGÊNITA 
Decorrentes da deficiência de 1 das 5 
enzimas envolvidas na síntese de cortisol 
pela glândula suprarrenal. 
- Em 95% dos casos a 21-hidroxilase.

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