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1 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Assaad, Pedro Gramática na prática [livro eletrônico] : vol. 02 / Pedro Assaad. -- São João de Meriti, RJ : Assaad Treinamentos, 2025. PDF ISBN 978-65-987102-8-6 1. Gramática - Estudo e ensino 2. Língua portuguesa - Estudo e ensino I. Título. 25-284606 CDD-469.507 Índices para catálogo sistemático: 1. Gramática : Língua portuguesa : Estudo e ensino 469.507 Eliete Marques da Silva - Bibliotecária - CRB-8/9380 SUMÁRIO Capítulo 1: Concordância do verbo "haver" 5 Capítulo 2: Pontuação em citações diretas e indiretas 11 Capítulo 3: Como utilizar a crase 20 Capítulo 4: Diferença entre vocativos e apostos explicativos 35 Capítulo 5: Uso de maiúsculas e minúsculas 43 Capítulo 6: Pleonasmo e ambiguidade 50 Capítulo 7: Principais erros de ortografia 55 Capítulo 8: Uso da vírgula em períodos simples 70 Capítulo 9: Uso da vírgula em períodos compostos 76 Capítulo 10: Uso correto dos pronomes relativos 85 4 LIVRO DE Gramática II Se a primeira etapa foi entender os pilares da gramática, agora é hora de ir além da teoria e mergulhar nos mecanismos que moldam a construção de textos mais refinados, coesos e expressivos. Nesta segunda apostila, você encontrará conceitos mais aprofundados e aplicações práticas da norma-padrão, sempre com foco na escrita — especialmente na redação do ENEM. Vamos trabalhar com estruturas que exigem atenção e consciência linguística: concordâncias sutis, pontuações, apostos, vocativos, colocação pronominal e mais. Aqui, a gramática deixa de ser vista como correção isolada e passa a ser parte ativa do estilo, da intenção e da clareza do que se escreve. Cada tópico foi pensado para que você possa identificar nuances, corrigir falhas recorrentes e fortalecer o seu domínio da língua com intencionalidade. Escrever bem é entender o que se quer dizer — e saber como dizer com precisão. Este material é mais um passo rumo à sua autonomia linguística. Vamos em frente? Monitoria de Redação INTRODUÇÃO 5 Monitoria de Redação Capítulo 1 CONCORDÂNCIA DO VERBO "HAVER" COMO CONCORDAR COM O VERBO HAVER? Aqui iremos compreender um dos conteúdos de concordância que muitíssimos alunos erram nas redações. Esse é um caso específico de concordância que gera dúvidas na hora de escrever. Por isso, vamos à explicação. A confusão gerada ao utilizar o verbo “haver” diz respeito ao seu emprego como verbo impessoal. MAS O QUE É UM VERBO IMPESSOAL? Eu já te explicarei isso, mas, primeiramente, eu preciso consolidar dois pontos contigo. Um verbo é uma palavra que pode ser conjugada. Essas palavras exprimem ações, estados e fenômenos da natureza. Exemplos: correr, cantar, estar, falar, trovejar. Um sujeito é um termo que é capaz de modificar o verbo. Esse termo está diretamente relacionado ao verbo e, em alguns casos, ele é a própria pessoa que faz a ação. Exemplos: Ela é bonita / Elas são bonitas / Nós somos bonitos. Agora você já conhece o que é um verbo e um sujeito. Porém, nem todos os verbos possuem um sujeito, esse é o caso dos verbos impessoais. Um verbo impessoal é aquele que não possui uma ligação direta com um sujeito. De maneira geral, não há uma pessoa que faça a ação do verbo ou alguém que sofra essa ação. Um exemplo muito claro disso são os verbos que exprimem fenômenos da natureza. Exemplo: Hoje trovejou muito. Perceba que não há ninguém fazendo a ação de trovejar (não me venha dizer que foi São Pedro, por obséquio). Ou seja, não há um termo que está diretamente relacionado a esse verbo. VERBO HAVER FUNCIONANDO COMO IMPESSOAL O verbo haver pode se comportar assim. Aliás, na maioria dos casos, ele se comporta dessa maneira. Vamos acompanhar o esquema para entender melhor: Verbo impessoal não possui sujeito o sujeito modifica o verbo o verbo “haver” pode ser impessoal então ele não possui um sujeito para o modificar se ele não possui sujeito, eu não devo concordar com outros termos da oração o verbo fica no singular sempre. A regra aprendida é: verbos impessoais não concordam com os elementos da frase, eles seguem uma forma básica. 6 Monitoria de Redação Sempre que o verbo “haver” possuir o sentido de “existir”, o verbo será impessoal. Exemplos: Há aulas da Plataforma Assaad que valem ouro. Há monitorias que são imprescindíveis na nossa preparação. Veja que o verbo não concorda com “aulas” nem com “monitorias”, porque esses termos não são sujeitos, e isso é um pouco óbvio, uma vez que, no tempo presente, ninguém erra o uso do verbo haver, visto que todo mundo já está acostumado a escrever da maneira certa. Por acaso você já viu alguém escrever “hão amigos ruins” ? Espero que você não tenha tido esse desgosto. Todavia, é muito comum ver essa confusão nos tempos futuro e passado, justamente porque os brasileiros não conjugam tanto os verbos em diferentes tempos, preferimos sempre ficar no bom e seguro tempo presente. Veja os exemplos a seguir: Regra: se o verbo haver tiver o sentido do verbo “existir”, não iremos o conjugar no plural. Ele ficará na “terceira pessoa do singular”, em linhas gerais, no singular. Há apenas alguns casos em que o verbo “haver” pode ser levado para o plural. Isso é feito quando ele funciona como um verbo auxiliar. Exemplos: Eles haviam planejado fazer uma viagem. Nós havíamos assistido às aulas do Pedro. Nesses casos, claramente há um sujeito que modifica o verbo, por isso, eles não são impessoais. Eu trouxe esses exemplos apenas para que você não pense que jamais o verbo poderá ser conjugado. Haverá aulas ao vivo com a Cecília. ✅ Haverão aulas ao vivo com a Cecília ❌ Houve notas 980 neste grupo. ✅ Houveram notas 980 neste grupo. ❌ Quando isso ocorre? Você precisa ter em mente que o que vem depois não é o sujeito, por isso, esses termos não concordam com o verbo “haver”. Para ter a certeza disso, você pode trocar o verbo “haver” pelo verbo “existir” Existirão alunos 200 na C1. ✅ Haverá alunos 200 na C1. ✅ Quando isso NÃO ocorre? TRANSCRIÇÃO DA MONITORIA A primeira coisa que nós vamos fazer é aprender a como concordar utilizando o verbo haver. E eu tenho certeza de que se você não errou essa questão em uma redação, provavelmente você errou na fala, porque nós temos muito o costume de acabar errando esse ponto por desconhecer essa regra. Mas hoje você sairá com um amplo conhecimento não só sobre isso, mas sobre outras coisas do nosso idioma também. Você deve estar se perguntando, por que eu tenho que estudar a concordância do verbo “haver” se concordância aborda todos os verbos da língua portuguesa? Por que esse verbo é tão especial? 7 Monitoria de Redação Esse verbo causa dúvidas porque ele faz parte de um grupo específico, os verbos impessoais, por isso nós precisamos estudar um pouco mais as concordâncias com eles. às vezes, a pessoa verbal não faz a ação, ela sofre a ação do verbo. Então, essa é uma regra que muitos professores passam “sujeito é quem faz a ação”, mas que não é 100% verdadeira. Você tem de lembrar que o sujeito modifica o verbo de alguma forma. Por exemplo, se eu digo, ele assinou a Plataforma Assaad. Quem foi que assinou? Quem fez a ação de assinar? Ele. Então, nesse caso, o sujeito é quem faz a ação. Mas se eu digo, a cadeira quebrou, foi a própria cadeira que fez a ação de se quebrar? Não. Nesse caso, ela sofreu a ação, ela foi quebrada por alguém. Então, nem sempre o sujeito é quem faz a ação. Mas, de toda forma, o sujeito é quem modifica o verbo. Por exemplo, se eu trocasse “cadeira” - no singular - por “cadeiras” no plural, eu deveria dizer “as cadeiras quebraram”. Você deve estar pensando: “Mateus, eu nem sei o que é um verbo impessoal”. Mas calma que eu já te explico o que é! Primeiro, nós temos que ter duas ideias bem consolidadas em mente: o que é um verbo e o que é um sujeito. Verbo é uma palavra que pode ser conjugada. E você pode se perguntar,está no plural e se o "a" também está no plural. Referente a dificuldades. (Sem crase, pois "dificuldades" está no plural, mas "a" está no singular) Referente às dificuldades. (Com crase, pois "as" concorda com "dificuldades") Pronomes Possessivos (indicam ideia de posse): Exemplos: Meu, minha, seu, sua, nosso, vosso. Uso do artigo: Com artigo: "Dei férias aos meus funcionários" (mais formal). Sem artigo: "Dei férias a meus funcionários." Observação: ambas as formas são corretas. No entanto, é importante manter a consistência. Se optar por usar o artigo, useo sempre da mesma forma no texto. Crase: Pode ocorrer crase antes dos pronomes possessivos (como "sua", "nosso", "vossa", "nossa"). Exemplo: Reagiu à sua mensagem (usado pelo Instagram). Importante: Você escolhe se usa ou não a crase, mas é importante manter a consistência. Preferência pessoal: Eu, Mateus, prefiro usar a crase sempre, pois a considero mais formal. Crase entre palavras idênticas Concordância entre artigo e substantivo 34 Monitoria de Redação Uso de nomes próprios Com artigo: "O Mateus gostou disso." Sem artigo: "Mateus gostou disso." Observação: O uso do artigo antes de nomes próprios varia conforme a região. No Sudeste, o uso do artigo é mais comum: "O Pedro deu muitas aulas". Em Pernambuco, por exemplo, o artigo é geralmente omitido: "Pedro deu muitas aulas". Importante: Como no caso dos possessivos, o uso do artigo é facultativo, e você deve escolher um padrão e segui-lo ao longo do texto. Exemplos: Refiro-me à Maria / Refiro-me a Maria. Preposição "até": Discussão sobre a crase: Parte dos gramáticos acredita que "até" não pode ser seguido de crase, pois após a preposição "até" não pode existir outra preposição. Outros gramáticos argumentam que "até a" é uma locução prepositiva, permitindo a crase. Observação: Como em outros casos facultativos, ambos os usos (com ou sem crase) são aceitáveis. Preferência pessoal: Eu prefiro simplificar e não usar crase após "até", mas você tem a liberdade de escolher como usá-la. 35 Monitoria de Redação Capítulo 4 DIFERENÇA ENTRE VOCATIVOS E APOSTOS EXPLICATIVOS A primeira coisa que precisamos fazer é compreender o que é um vocativo e o que é um aposto. não fazemos perguntas, não usamos verbos na primeira pessoa do plural como “nós vemos” ou “nós pensamos”. Logo, eu quero que você entenda o que é um vocativo para que você escreva bem no dia a dia, mas, na redação, nós não usamos vocativos, uma vez que não chamamos ninguém. A informação mais relevante sobre o vocativo é que ele é sempre virgulado, sempre haverá vírgulas isolando-o, não importa de ele parece no meio, no início ou no fim da frase. VOCATIVO A palavra vocativo vem do latim “vocare” que significa “chamar” ou “chamamento”. E essa origem da palavra diz muito sobre o seu uso. Os vocativos são palavras usadas para chamar pessoas em frases ou em discursos. Exemplos: Mateus, bom dia! Pegue essa garrafa para mim, querido. Amigo, pare com essas atitudes. Não há uma uma série de palavras que são consideradas vocativos; basicamente, um grande número delas pode ser usado como vocativo, ou seja, qualquer palavra usada para chamar alguém é considerada vocativo. Exemplos: O homem feio. (feio funciona como adjetivo) Deixe disso, feio! (feio funciona como um vocativo, porque eu usei essa característica para chamar o homem) Só de falar isso, você deve estar pensando “mas eu não chamo ninguém na redação”. Você está certíssimo ao pensar assim. Nós não chamamos nenhuma pessoa na redação, porque o texto é impessoal, ou seja, nós não nos comunicamos com o corretor, Bom dia, querido amigo Mateus, tudo bem? Querido amigo Mateus, bom dia! Bom dia, querido amigo Mateus! Vimos tudo o que precisamos saber sobre os vocativos: Não são usados na redação. São palavras usadas para chamar ou estabelecer contato com alguém Sempre recebem a vírgula para os isolar do resto da frase. APOSTO A primeira coisa que você precisa saber é o que é um aposto: Aposto é uma palavra ou expressão que especifica ou exemplifica algo na oração. Como esse termo é algo adicional na frase, a vírgula é usada para o isolar de maneira semelhante ao vocativo. Esse é o ponto em comum entre eles, ambos são isolados por vírgulas. No caso dos apostos, nós podemos usar travessões, dois-pontos e parênteses 36 Monitoria de Redação para isolar as informações também. O Brasil, maior país da América do Sul, possui uma biodiversidade impressionante. A CONFUSÃO ENTRE APOSTO E VOCATIVO Veja a frase: "O escritor Machado de Assis é conhecido como um dos maiores autores brasileiros." Esse período não precisa de vírgulas, mas alguns alunos poderiam isolar o termo “Machado de Assis” acreditando que isso é um vocativo. Porém, lembra que um vocativo é uma palavra que nós usamos para chamar alguém? Você está chamando o Machado de Assis? Não. Por isso, não temos um vocativo. Esse termo também não faz o papel de um aposto explicativo, uma vez que, se usássemos as vírgulas, “Machado de Assis” passaria a ser uma informação adicional, e o significado seria de que, no mundo inteiro, há apenas um escritor e que o nome dele é Machado de Assis. Isso ocorre porque esse é um aposto especificativo. Você deve pensar, mas eu não sei quais são os tipos de aposto. Para resolver isso, eu fiz uma explicação sobre os tipos de aposto existentes, eles são 7. Vejamos um exemplo de cada um. Esse tipo de aposto consiste na explicação de um termo anteriormente citado na frase, mas essa informação não é essencial para a frase, sendo inclusive possível remover esse trecho dela. Usa-se vírgulas ou travessões antes e depois dele geralmente. Exemplo: Aposto explicativo: Esse tipo enumera as explicações ou as exemplificações de um termo anteriormente usado. Nesse caso, nós usamos as vírgulas entre os termos e, no fim, usamos o “e” antes do último termo. Geralmente ele é introduzido por dois-pontos. Exemplo: Aposto enumerativo: Alguns escritores românticos marcaram época: José de Alencar, Castro Alves e Gonçalves Dias. Esse tipo resume ou sintetiza os termos anteriores do enunciado. Antes de um aposto como esse, a vírgula é usada. Ademais, são usadas algumas palavras para indicar esses apostos: “tudo isso”, “tudo”, “estas”, “essas”, “isso”, entre outros termos. Exemplo: Aposto resumidor ou recapitulativo Amor, dedicação e paciência, tudo isso é necessário para ser um bom professor. Esse aposto identifica ou particulariza o termo ao qual se refere, funcionando como parte essencial da frase. Nesse caso, o aposto não é separado por vírgulas, travessões ou parênteses, pois é Aposto especificativo: 37 Monitoria de Redação O rio Amazonas é o mais extenso do mundo. indispensável para a compreensão do enunciado. É preciso ficar muito atento a esse caso, porque há alunos que erram na redação por justamente isolarem esses apostos. Exemplo: Esse tipo de aposto é semelhante ao aposto explicativo, porém há uma diferença, pois o aposto distributivo não explica apenas um elemento anterior, a distribuição das explicações é feita para mais de um termo, muitas vezes, usando as expressões “este”, “aquele”, “um” ou “outro”. Geralmente esses apostos são isolados por vírgulas para organizar as informações e facilitar a compreensão da informação. Exemplo: Aposto distributivo: Exemplo: O Brasil, como um grande celeiro agrícola, é referência mundial na produção de alimentos. O time perdeu o campeonato, decisão que todos esperavam. O sol e a lua, aquele quente e brilhante, esta suave e misteriosa, inspiram poetas. Esse tipo de aposto é usado para comparar o termo anterior com outro, destacando as semelhanças ou diferenças entre eles. As vírgulas são obrigatórias para isolar o aposto comparativo. O uso de travessões também é possível, mas as vírgulas são mais comuns. Parênteses são pouco usados em redações do Enem, mas podem ser encontrados em outros textos formais. O uso do elemento “como” é bem comum para introduzir a ideia. Aposto comparativo: Nestecaso, "como um grande celeiro agrícola" deixa claro que o Brasil está sendo comparado a um celeiro. O aposto de oração é uma oração que faz o papel de aposto, ou seja, ela complementa, explica ou detalha um termo da oração principal. O aposto de oração é isolado por vírgulas, travessões ou parênteses, conforme o estilo do texto. Em alguns casos, o uso de ponto e vírgula também é necessário, dependendo do contexto e da extensão da oração. Nas nossas redações, o mais comum é usar a vírgula ou o travessão. Exemplo: Aposto de oração: TRANSCRIÇÃO DA MONITORIA Eu sei que isso é um desejo de muitos alunos: saber usar a vírgula em qualquer contexto. Porém, eu canso de falar que aprender a usar a vírgula não é algo que se faz de uma hora para outra. Você precisa aprender cada um dos casos muito bem. Aqui, nós aprenderemos a utilizar a vírgula tanto com vocativos quanto com apostos explicativos e também com outros tipos de apostos que eu vou trazer aqui para vocês. 38 Monitoria de Redação Ganhando esse conhecimento, vocês já vão eliminar muitos, mas muitos erros, tanto na sua comunicação quanto na sua redação. E, a cada capítulo, conforme formos trabalhando novos conteúdos, você adquirirá mais conhecimento, até que passe a não errar em nenhum contexto o uso da vírgula. Você pode até saber o que é um aposto ou um vocativo, porém esse conhecimento não será cobrado na prova. Não haverá uma questão perguntando qual é o aposto, qual é o vocativo. Entretanto, ter o conhecimento dessas estruturas fará com que você tenha consciência ao utilizar os pontos, as vírgulas e os sinais de pontuação no seu texto. É para isso que a gente estuda gramática: não para fazer uma análise sintática a todo momento, mas para que possamos escrever bem. A primeira estrutura que conheceremos hoje é o vocativo. O vocativo vem do latim "vocare", que significa chamar ou chamamento, e essa palavra no latim tem total sentido com o uso dos vocativos. Por quê? O vocativo é usado sempre para chamar as pessoas, para comunicar, para, de alguma forma, chamar a atenção de alguém em uma frase ou em um discurso. Por exemplo, se você me dá bom dia, você diz: "Bom dia, Mateus". E "Mateus" é o vocativo, porque você está me chamando. Se eu digo: "Pegue essa garrafa para mim, querido", "querido" é o vocativo, porque estou chamando aquela pessoa por esse termo. Se eu digo: "Amigo, pare com essas atitudes", "amigo" também é um vocativo. Qualquer palavra que eu use para chamar outra pessoa, para me comunicar com ela, para estabelecer um contato, é um vocativo. "Vocare", do latim, significa chamar. Você pode pensar: "Então, um vocativo é uma classe gramatical e existem palavras que sempre se comportam como vocativo". E você estaria completamente errado se pensasse assim, pois vocativo nem sempre é uma estrutura rígida. Eu posso utilizar diversas palavras para me referir a uma pessoa. Um exemplo claro disso é a comunicação entre dois namorados. Eu posso utilizar o nome daquela pessoa para falar com ela, mas, preferencialmente, utilizamos apelidos carinhosos, como "meu amor", "lindo", "querido", trocando o nome por outra palavra. Por exemplo, "lindo" é um adjetivo: "Ele é lindo". Mas também pode fazer o papel de um vocativo: "Bom dia, lindo". Você deve estar pensando: "Ok, Mateus, vocativo é uma palavra que eu utilizo para chamar alguém. Mas, na redação, eu chamo alguma pessoa? Eu converso com o meu corretor?" É claro que não! E é daí que tiramos nossa primeira conclusão: nunca teremos um vocativo dentro da nossa redação. A não ser em casos muito raros, quando um repertório incluir a fala de alguém que contenha um vocativo. Mas, no geral, nunca teremos um vocativo na redação. Isso acontece porque a redação é um texto impessoal. Pegue essa informação: um texto impessoal é aquele em que não nos comunicamos diretamente com quem está lendo. Então, jamais faça uma pergunta para o corretor, por mais que seja retórica. Isso não é interessante, pois você não pode se comunicar com quem está corrigindo a sua redação. Por isso, não faça perguntas e não utilize verbos na primeira pessoa do plural, como em: "Nós vemos a realidade do Brasil", "nós pensamos", "nós não observamos tal coisa sendo feita pelo governo". Jamais você deve fazer isso! Sempre utilize construções impessoais: "Vê-se tal coisa", "Observa-se tal coisa", "Fica claro que tal coisa existe". 39 Monitoria de Redação Dessa forma, você não se inclui dentro da análise. Esse é um texto impessoal. Já que não utilizamos vocativos na redação, aprenderemos a usar a vírgula nesses casos para que, quando você estiver se comunicando com outras pessoas, no trabalho, na escola ou com o seu professor, não passe vergonha e tenha um português impecável. O vocativo — aquele termo ou expressão que utilizamos para chamar ou nos comunicarmos com alguém — deve sempre ser isolado por vírgulas. Se ele aparece no início da frase, colocamos apenas uma vírgula depois dele. Se está no final, utilizamos apenas uma vírgula antes. Se está no meio, utilizamos duas vírgulas. Por exemplo: exemplifica ou especifica alguma coisa na oração. Basicamente, trata-se de uma informação adicional, algo que você insere para explicar ou detalhar um termo previamente mencionado. Como essas informações são explicações ou exemplificações, é fundamental utilizar sinais de pontuação para destacá-las. Não apenas é interessante, como também necessário. Devemos utilizar a vírgula, o travessão, os dois pontos ou os parênteses, e veremos claramente quando empregar cada um desses sinais ao longo deste capítulo. Agora, vamos entender por que alguns alunos frequentemente confundem o vocativo com o aposto explicativo. Considere a seguinte frase: "Bom dia, querido amigo Mateus." "Pegue essa garrafa para mim, querido." "Amigo, pare com essas atitudes." Perceba que o vocativo pode ser extenso: "Bom dia, querido amabilíssimo amigo Mateus". Aqui, todo esse trecho é um vocativo. Qualquer palavra, expressão ou frase que você utilize para chamar a atenção de alguém será vocativo, independentemente do tamanho. Se você chama alguém de "amigo", "consagrado", "guerreiro", "cavalheiro", sempre será vocativo. E, se é vocativo, precisa estar isolado por vírgulas! Agora nós aprenderemos o que é um aposto, e a compreensão desse conceito é muito relevante para que você utilize bem as vírgulas dentro da sua redação. Um aposto é uma palavra ou uma expressão que O escritor Machado de Assis é conhecido como um dos maiores autores brasileiros. Nesse caso, não temos vocativo nem aposto explicativo, pois não há vírgulas isolando nenhum termo. Fica claro que não se trata de uma explicação ou exemplificação adicional. No entanto, alguns alunos tendem a isolar o termo "Machado de Assis", escrevendo: O escritor, Machado de Assis, é conhecido como um dos maiores autores brasileiros. Esse uso das vírgulas está incorreto, pois transforma "Machado de Assis" em um aposto explicativo, o que mudaria o sentido da frase. Se o aluno isola "Machado de Assis" como se fosse um vocativo, ele comete um erro conceitual. Nesse caso, não estamos chamando o escritor diretamente. Para que houvesse um vocativo, a frase deveria ser algo como: 40 Monitoria de Redação Aqui, sim, temos um vocativo, pois estamos nos dirigindo diretamente ao autor. Agora, se o aluno isola "Machado de Assis" com vírgulas pensando que é um aposto explicativo, ele está cometendo um erro de pontuação. O uso da vírgula nesse caso indicaria que a informação poderia ser removida sem comprometer o sentido da frase. Se disséssemos: Machado de Assis, você é um escritor muito bom. O escritor, Machado de Assis, é conhecido como um dos maiores autores brasileiros. Ao retirar "Machado de Assis", a frase ficaria: O escritor é conhecido como um dos maiores autores brasileiros. Isso compromete a clareza, pois sem o nome, não sabemos de qual escritor estamos falando. Portanto, "Machado de Assis" é um aposto restritivo, que não pode ser isolado por vírgulas. Você pode estar se perguntando: "Mateus,eu não entendo o que é um aposto restritivo e um aposto explicativo." Por isso, agora explicarei cada tipo de aposto para que você compreenda exatamente quando deve ou não utilizar a vírgula. Antes disso, vamos recapitular o que aprendemos até aqui: O vocativo é usado para chamar ou se dirigir a uma pessoa diretamente e é sempre isolado por vírgula. O aposto é uma informação adicional, podendo ou não ser isolado por vírgulas, dependendo do seu tipo Agora, aprenderemos quando o aposto exige vírgula e quando não. TIPOS DE APOSTOS O primeiro caso que temos é o do aposto explicativo. Como o próprio nome sugere, ele explica algo mencionado anteriormente. Para indicar essa explicação, devemos utilizar sinais de pontuação, como: Duas vírgulas, uma antes e outra depois; Dois travessões; Parênteses. Na redação, evitamos o uso de parênteses, priorizando vírgulas e travessões. Exemplos: O Brasil, maior país da América do Sul, possui uma biodiversidade impressionante. Meu professor, um especialista em literatura brasileira, recomendou a leitura de Machado de Assis. A tecnologia, uma grande aliada no trabalho remoto, tem revolucionado nossas rotinas. Caso seja possível remover o termo sem comprometer o sentido da frase, estamos diante de um aposto explicativo. O segundo tipo é o aposto enumerativo, que apresenta explicações ou exemplificações de um termo anterior. Na redação, ele aparece ao introduzirmos nossa tese, sempre acompanhado de dois pontos: 41 Monitoria de Redação Exemplos: Perceba que, quando há mais de um termo, utilizamos vírgulas e adicionamos a conjunção "e" antes do último elemento. O aposto resumidor ou recapitulativo sintetiza termos mencionados anteriormente. Ele costuma ser introduzido por palavras como tudo, todas essas coisas, isso: Exemplos: A cidade de São Paulo é um grande centro econômico do Brasil. Quando aparece no meio da frase, há sempre uma vírgula antes do elemento resumidor. O aposto especificativo atribui uma especificação essencial ao termo, sem possibilidade de remoção. Diferentemente do explicativo, não pode ser isolado por vírgulas. Exemplos: Desse modo, urge debater as causas desse dilema: a falta de recursos e a falha educacional. Alguns escritores românticos marcaram época: José de Alencar, Castro Alves e Gonçalves Dias. Determinação, esforço e coragem, essas são as qualidades de um vencedor. Trabalho, estudo e descanso, tudo deve estar equilibrado na rotina. O rio Amazonas é o mais extenso do mundo. O poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu "No Meio do Caminho". Se retirarmos "Amazonas" da primeira frase, a informação sobre o nome do rio se perderia. Por isso, não há vírgula. O aposto distributivo apresenta explicações distintas para termos diferentes na mesma frase. Ele utiliza pronomes demonstrativos como "uma", "outra", "este", "aquele": Exemplos: Sol e Lua, aquele brilhante e quente, esta suave e misteriosa, inspiram poetas. Marta e Carla, uma dedicada aos estudos, outra ao esporte, são irmãs. As explicações devem ser isoladas por vírgulas. O aposto comparativo faz uma comparação do termo anterior com algo posterior. Ele costuma vir acompanhado de expressões como como, conforme, de modo semelhante a e pode ser isolado por vírgulas ou travessões: Exemplos: O Brasil, como um grande celeiro agrícola, é referência mundial na produção de alimentos. A vida dele, como um livro aberto, era fácil de entender. Ela, como uma flor rara, conquistava todos à sua volta. 42 Monitoria de Redação Por fim, o aposto de oração é uma oração inteira que desempenha função de aposto. Ele sempre vem precedido por vírgula e pode expressar uma explicação ou conclusão: Exemplo: Esse tipo de aposto é útil na redação para enriquecer argumentos e reforçar explicações. Os bolos ficaram lindos e saborosos, fruto da sua técnica e dedicação. 43 Monitoria de Redação Capítulo 5 USO DE MAIÚSCULAS E MINÚSCULAS Esse é um tópico sobre o qual há uma imensa discussão e polêmica. Às vezes, a banca é um pouco mais flexível, outras vezes ela é mais rígida. Todavia, há regras que orientam o uso das letras maiúsculas e minúsculas na redação, e você irá aprender quais são as palavras que sempre devem ser escritas com iniciais minúsculas e quais devem ser escritas com letra maiúscula. Estudando esse capítulo, você estará preparadíssimo para escrever, mesmo que a banca seja um pouco mais rígida, pois você terá aprendido qual a maneira certa de escrever. Essa é a certeza de nunca errar nesse tópico. INÍCIO DE FRASES Esse primeiro caso é o mais básico. Nós o aprendemos na escola ainda nos anos iniciais. Sempre que iniciarmos um período, devemos utilizar a letra maiúscula. Porém, o que é um período? Um período é tudo aquilo que é falado do início da frase até um sinal de pontuação que a finaliza. Esses sinais de pontuação podem ser: interrogações, exclamações e, o mais comum, ponto-final. Logo, sempre que você usar um ponto-final, ponto de exclamação ou ponto de interrogação, a próxima palavra precisa ser grafada com inicial maiúscula. POR QUE USAR LETRAS MAIÚSCULAS? O uso de letras maiúsculas confere a algumas palavras um grau de importância maior. Usamos maiúsculas em nosso texto para justamente destacar inícios de frases, nomes próprios, nomes de órgãos, nomes de obras, enfim, para coisas importantes. Por essa razão, o uso dessa formatação precisa seguir regras bem estabelecidas e uniformes. Porém, muitos professores ensinam esse assunto de maneiras diferentes, principalmente aqueles que possuem pouco contato com o sistema de avaliação da redação do Enem. Para que não restem dúvidas de quando usar ou não as letras maiúsculas, nós criamos um material completo com todos os casos mais recorrentes no Enem. Vamos ver quais são esses casos a partir de agora. Diante desse cenário, é válido citar que os problemas na saúde pública são causados pelo descaso estatal. Nesse sentido, com base no artigo 196 da Constituição Federal de 1988... Início de parágrafo sempre com inicial maiúscula. Início de período sempre com maiúscula. EM NOMES PRÓPRIOS Antes de sabermos a regra, precisamos conhecer o que é um nome próprio. Nomes comuns Como o próprio termo já indica, é um tipo de substantivo que representa coisas genéricas, comuns e sem um caráter de exclusividade. Por exemplo, se eu falo “plataforma”, eu estou falando de qualquer plataforma no 44 Monitoria de Redação geral, já se eu escrevo “Plataforma Assaad”, eu estou falando de uma plataforma específica. Os nomes comuns são escritos com iniciais minúsculas, justamente porque não representam algo especial. Por isso, a maioria das palavras escritas no seu texto possuem iniciais minúsculas, pois são nomes comuns. EM TÍTULOS DE OBRAS Você já usou alguma vez uma obra em sua redação como repertório provavelmente. Todavia, você sabe como escrever corretamente os títulos dessas obras para não cometer erros na C1? Se ainda não sabe, você pode aprender agora. A primeira coisa que você precisa saber é que há uma certa flexibilidade quanto ao uso de iniciais maiúsculas, ou seja, há várias formas de escrever corretamente o nome de uma obra na língua portuguesa. Todas as iniciais maiúsculas Nesse caso, todas as iniciais dos nomes são grafadas com letras maiúsculas. Entretanto, há a exceção para termos invariáveis, como preposições e artigos que aparecem no meio do título. Essa é a forma mais comum de escrever um título. Exemplos: Nomes próprios São termos que particularizam seres, conferindo um caráter de exclusividade. Por exemplo, se eu falo “Oceano Pacífico”, eu estou me referindo a um “oceano” específico. Perceba que, quando grafada sem a palavra “Pacífico”, “oceano” é grafada com inicial minúscula, visto que não há uma referência há um único elemento especial, já o nome “Oceano Pacífico”, possui iniciais maiúsculas, uma vez que esse é o nome de apenas um dos oceanos, esse nome é especial e exclusivo dele. Em razão disso, os nomes próprios são sempre grafados com iniciais maiúsculas. Talvezvocê tenha dúvidas de quais são os nomes próprios e quais são os nomes comuns que mais usamos na redação. Para resolver esse problema, nós criamos uma seção apenas com esses casos no último assunto desse capítulo. Memórias de um Sargento de Milícias. Vidas Secas. A Escrava Isaura. Mesmo sendo um artigo, por estar no início do título, a letra deve ser maiúscula Apenas a primeira letra maiúscula Nesse caso aqui, apenas a primeira letra é escrita com a inicial maiúscula. Contudo, quando uma das palavras do título for um nome próprio, deve-se respeitar a segunda regra que estudamos aqui e escrevê-lo com inicial maiúscula. Exemplos: 45 Monitoria de Redação No caso de IPTU, nós lemos I - P - T - U, falando cada uma das letras como se estivéssemos soletrando a palavra. Exemplos: ABNT, BNDES, CNBB, IPTU, INSS, ICMS, CNPJ, FGTS, UFSC. Memórias póstumas de Brás Cubas. Morte e vida severina. Essas duas formas de escrever são aceitas sem nenhum problema, mas é importante que você mantenha um padrão na sua forma de escrever. Se você usa uma forma, permaneça com ela até o fim do texto. Eu escolheria uma para fazer sempre assim - por exemplo, com todas as maiúsculas - e reproduziria em todos os meus textos. Assim, eu não teria problemas nunca, pois sempre faria dessa maneira. Escolha a sua preferida! USO DE MAIÚSCULAS EM SIGLAS Para entendermos essa questão, precisamos compreender algumas questões sobre as siglas. Primeiramente, há siglas de até três letras, siglas que são soletradas e siglas que são lidas como uma palavra. Para cada um desses casos, há regras para o uso de letras maiúsculas e minúsculas. No caso das siglas que possuem apenas 2 ou 3 letras, o uso das letras maiúsculas é obrigatório. Exemplos: SUS, CPF, PM, OAB, USP, PUC, MEC, CEP, MP. Siglas com até três letras Quando as siglas são faladas letra por letra, as letras maiúsculas devem ser usadas obrigatoriamente. Por exemplo, Enem não é pronunciado letra por letra, pois nós não lemos E - N - E - M, lemos a palavra inteira “Enem”. Siglas que são soletradas Quando as siglas são lidas como se fossem uma palavra e possuem mais de três letras, o uso da maiúscula deve ser feito apenas na primeira letra. Exemplos: Serasa, Unibanco, Unisul, Embratur, Unesco, Anatel, Bacen, Bovespa, Cofins, Dataprev, Embratel, Mercosul, Procon, Sebrae, Senac, Senai, Unicamp, Unicef, Unimed, Sisu, Enem, Encceja. Seguindo essas regras, você nunca mais cometerá erros ao escrever siglas. Se possui apenas três letras: maiúscula em todas (SUS) Se soletrada letra por letra e possui mais de três: maiúscula em todas. (INSS) Se for lida como uma palavra: maiúscula somente na primeira letra. (Enem) Siglas que são pronunciadas EVENTOS HISTÓRICOS Em eventos históricos conhecidos por todos, o uso da letra maiúscula é obrigatório. Períodos históricos como Idade Média, Renascimento, Brasil Colônia, Brasil Império, Independência (quando se referir ao período histórico), Regência, Primeiro Reinado, Primeira República, Revolução Francesa, Revolução Industrial e Primeira Revolução Industrial. De forma similar, escreve-se com maiúsculas datas históricas, como Sete de Setembro, 46 Monitoria de Redação Quinze de Novembro, assim como datas religiosas, como Natal e Páscoa. EM CITAÇÕES DIRETAS COMPLETAS No repertório, você provavelmente já usou uma fala de algum filósofo na vida. Por isso, vamos falar sobre o uso das maiúsculas nesses casos. Há duas formas de se fazer uma citação: Citação direta: essa é aquela citação feita da mesma forma que o escritor escreveu ou o pensador falou - a frase é escrita exatamente igual. Citação indireta: essa forma é mais usada, nós não fazemos uma cópia do que disse o autor, apenas reescrevemos o que lembramos acerca de sua obra ou de suas falas. Nas citações diretas, o aluno faz uma cópia do que o autor falou, mas ele pode fazer a cópia somente de uma parte ou de tudo o que o autor falou. Por que eu estou explicando isso? Porque nós só usaremos as maiúsculas se a frase for completa. Caso o aluno reproduza apenas uma parte da frase, ele pode não escrever o início dela, ou seja, a letra maiúscula (exigida pelo início de frase) não deve ser usada. Vejamos com um exemplo: Citação indireta: Nesse sentido, segundo o educador Paulo Freire, o ato de ensinar consiste em criar possibilidades para que a pessoa possa se construir. Citação direta incompleta: Nesse sentido, segundo o educador Paulo Freire, o processo de ensino deve auxiliar o aluno a “criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção" Nesse caso, não há o uso de maiúsculas, visto que o texto foi criado pelo próprio aluno e não há um início de frase. Aqui, o uso de inicial maiúscula não ocorre por que o início da frase não está presente. Além disso, a citação se integra perfeitamente ao resto do texto. Citação direta completa: Nesse sentido, segundo o educador Paulo Freire, "Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção". Nesse período, o uso de inicial maiúscula ocorre por que o início da frase está presente, visto que ela foi completamente escrita. Em casos assim, o uso da maiúscula é obrigatório. Logo, chegamos à conclusão de que o uso da inicial maiúscula na citação só deve ser feito de a frase inteira for escrita tal qual o autor falou ou escreveu. CASOS QUE GERAM DÚVIDAS Agora nós vamos aprender os principais usos na redação. Recorra a esse documento sempre que quiser conferir a forma correta 47 Monitoria de Redação de escrever. É importante saber que há redações que, mesmo possuindo erros desse tipo, não foram penalizadas na C1, porque a banca foi flexível e não viu problema. Contudo, essas formas que você aprenderá aqui estão alinhadas aos documentos oficiais do governo e às regras gramaticais, o que garante que você jamais seja penalizado. Muitos alunos escrevem esse termo com iniciais maiúsculas, mas você sabia que o certo é escrever com iniciais minúsculas? Inclusive, os manuais oficiais do governo indicam que essa é a escrita correta. Vamos entender o motivo. Ao falar “governo federal”, você não está se referindo a um órgão específico ou a uma instituição que só há no Brasil. Quando falamos em “governo federal”, estamos apenas nos referindo a uma forma de organização governamental em federações - os nossos estados (ex.: Pernambuco, São Paulo) são chamados assim. Logo, essa forma “governo federal” pode se referir a qualquer país que possui uma organização em federações, por isso, deve ser grafada com iniciais minúsculas, mesmo se tratando do aparato governamental. Caso de governo federal O termo “governo” segue a mesma lógica de “governo federal”, mas de maneira ainda mais geral, visto que eu posso me referir a qualquer governo do mundo, como governo da China, governo dos Estados Unidos, governo estadual, governo municipal, enfim, posso me referir a diversas coisas. Logo, há um substantivo comum, e não próprio, por conseguinte, o uso de inicial minúscula é obrigatório. Caso de governo No caso da palavra “Estado”, há duas formas de escrever: com inicial maiúscula ou minúscula, dependendo do contexto. Quando a palavra é usada para se referir à entidade máxima de um país com um sentido semelhante a “governo”, a inicial maiúscula deve ser empregada. Exemplo: O Estado é negligente em oferecer recursos para a educação Quando a palavra é usada para se referir a estados físicos ou a estados federativos, o uso da inicial minúscula deve ocorrer. Exemplo: A água está no estado sólido no estado do Rio Grande do Sul. Nesse caso, mesmo podendo fazer referência a vários países ou formas de governo, o uso da inicial maiúscula ocorre para evitar ambiguidades, visto que essa palavra possui variados usos. Caso de Estado A palavra país, quando se referia ao Brasil, era escrita com inicial maiúscula. Porém, essa regra está praticamente em desuso. Você sabe que a nossa língua é viva e, justamente por isso, algumas regras podem mudar com otempo. Durante muito tempo, para se referir aos outros países, usava-se a letra minúscula e, para o Brasil, maiúscula. Contudo, a maioria das pessoas desconhece essa regra, creio que alguns corretores também, pois a escrita com a inicial minúscula se popularizou. Com base nisso, eu recomendo que você escreva usando a inicial minúscula, mas, caso não escreva com a minúscula, não há problema, você não comete um erro. Todavia, Caso de país 48 Monitoria de Redação lembre-se de manter a coerência. Se escrever com maiúscula, permaneça fazendo assim em todo o texto. Exemplos: Ministério da Educação, Ministério da Cultura e Ministério da Saúde. Nomes de documentos, como a Constituição e o Estatuto da Criança e do Adolescente são sempre escritos com iniciais maiúsculas, porque são nomes de documentos específicos. Documentos, como Constituição Não são poucos os alunos que cometem erros ao escrever o nome dos agentes da proposta de intervenção, visto que muitos possuem a visão errônea de que, apenas por ser agente da proposta de intervenção, o nome do termo precisa estar grafado com iniciais maiúsculas. Entretanto, esse é um erro gigantesco que não possui nem lógica. Por que usamos as letras maiúsculas? Para destacar algo especial e exclusivo, não é mesmo? Pois bem, palavras como “mídia, família e escola” não são substantivos próprios, na verdade, são ideias comuns, veja que “família” faz referência a todas as famílias do país - algo comum e pouco específico. O agente só será grafado com inicial maiúscula se ele já for um substantivo próprio, como Estado, Poder Executivo e Ministério da Educação. Então, a partir de agora, você já sabe que os agentes da proposta de intervenção não precisam ser grafados com iniciais maiúsculas, já que ele não vira um substantivo próprio apenas por ser usado como agente. Agentes da proposta de intervenção (mídia, escola, família, população) Essa é uma regra bem simples, você precisa a conhecer para escrever a redação. Todos os ministérios possuem seus nomes escritos com iniciais maiúsculas, mas por quê? Porque são nomes de órgãos específicos, se é específico, usamos a letra maiúscula. Nomes de ministérios Esse nome segue as mesmas regras de “governo” e “governo federal”, sempre se escreve com iniciais minúsculas, porque não estamos falando de um poder específico ou de um órgão específico, mas apenas falando sobre o poder daquele governo em vigência, podendo-se fazer o uso até para outros países, como poder público da Espanha. Caso de poder público Esse é um caso em que temos de ter cuidado, porque, quando vamos falar dos poderes da república, estamos falando de aspectos específicos, de um tipo de poder especial. Os poderes da república são três: Poder Legislativo Poder Executivo Poder Judiciário Esses três termos são sempre escritos com iniciais maiúsculas. Poderes da República Esse caso é uma verdadeira pegadinha para os alunos, porque muitos acabam citando o artigo específico e acreditam que a letra maiúscula deve ser usada, mas não é bem assim. Na própria Constituição, o uso de letras maiúsculas para referir aos artigos não é feito. Esse uso só ocorre quando a palavra Caso dos artigos da Constituição 49 Monitoria de Redação “artigo” inicia a frase (regra que nós já vimos, início de frase sempre recebe letra maiúscula). Por mais que o artigo esteja especificado, o uso da maiúscula não ocorre. Exemplo: Nesse sentido, conforme o artigo 225 da Constituição... A palavra “lei” é diferente de “artigo”. Se ela estiver especificada, o uso da maiúscula deve ser feito. Se não estiver, o uso da minúscula é feito. Exemplos: A lei precisa ser cumprida. (lei no conceito geral) As leis são importantes. (leis no geral) A Lei Maria da Penha precisa ser cumprida. (lei específica, Maria da Penha) A Lei nº 11.340 precisa ser cumprida. (o número especifica qual é a lei) Caso da palavra "lei" 50 Monitoria de Redação Capítulo 6 PLEONASMO E AMBIGUIDADE Os erros de pleonasmo e ambiguidade não afetam a estrutura ortográfica do texto, mas prejudicam diretamente o entendimento da mensagem passada, adicionando mensagens desnecessárias ou de sentido confuso. Por isso, é essencial ficar atento a essas questões para facilitar a compreensão do avaliador. Para que você tenha mais atenção a esses pontos, nós criamos um capítulo com os casos mais comuns de pleonasmo e ambiguidade. Desse modo, você conseguirá escrever com muito mais clareza. Esperamos que você aprenda bastante. Uma prova como o Enem precisa de um processo de correção semelhante e muito padronizado. Dessa maneira, a correção feita em um lugar do Brasil é a mesma feita em outro. Se o texto fosse um poema, os dois corretores que avaliam poderiam ter percepções diferentes daquilo que foi escrito, pois tudo dependeria da sensibilidade do avaliador e da sua interpretação. Agora que você já sabe disso, fica fácil entender o porquê de não podermos escrever usando figuras de linguagem na nossa redação: para não comprometer a objetividade da avaliação. Logo, o uso de metáforas, hipérboles, pleonasmos e ambiguidades não deve ser feito, visto que isso faria com que as percepções dos corretores fossem diferentes. O pleonasmo e a ambiguidade podem ser usados em outros tipos de textos, como em músicas, mas é muito desestimulado na escrita da redação, a fim de facilitar a correção e evitar inadequações relacionadas ao gênero textual. Por isso, vamos conhecer os principais casos desses erros a partir de agora. USO DE FIGURAS DE LINGUAGEM NA REDAÇÃO A primeira coisa que nós precisamos entender é que o texto dissertativo- argumentativo, proposto pela banca avaliadora do Enem, tem como foco a objetividade das ideias. Você sabe por qual motivo as questões de poemas são as mais erradas em toda a prova? Porque poemas usam vários recursos estilísticos para conseguir impactar o leitor, e esses recursos nem sempre são percebidos de uma mesma forma. Há pessoas que interpretam de uma maneira e outras que encontram um sentido diferente, mesmo se tratando do mesmo texto. Você já chegou a refletir o motivo que levou o texto pedido pelo Enem a ser do modelo dissertativo-argumentativo? A razão para não fazermos um poema, por exemplo, é que seria muito difícil padronizar a correção. PLEONASMO Como vimos anteriormente, o pleonasmo é uma figura de linguagem e pode ser usado em textos literários sem nenhum problema, desde que o seu objetivo seja enfatizar uma ideias ou deixar mais nítida alguma relação textual. No entanto, na linguagem da redação do Enem, o seu uso é incorreto, pois, geralmente, ocorre sem um objetivo claro e de maneira viciosa. Além disso, o uso estilístico não é permitido como já aprendemos. 51 Monitoria de Redação Para que você tenha um conhecimento mais robusto, vamos ver alguns casos de uso estilístico por grandes autores. Exemplos: “Ó mar salgado, quanto do teu sal / São lágrimas de Portugal!” (Fernando Pessoa) Todo “mar” é “salgado”, mas o autor quis enfatizar essa característica. “E rir meu riso e derramar meu pranto” (Vinicius de Moraes) Quem “ri” sempre “ri um riso”, mas essa foi uma escolha para enfatizar a emoção. "Chovia uma triste chuva de resignação." (Manoel Bandeira) Só se “chove” uma “chuva”, novamente, esse é um caso usado para dar ênfase. Agora vejamos mais 5 exemplos que não são de autores, mas também poderiam ser usados como recurso estilístico em poemas e músicas. Exemplos: "No silêncio calado da noite, esperava a resposta." "Derramou lágrimas molhadas sobre o velho diário." "Subiu para o alto da montanha imponente e grandiosa." "Sorria um sorriso largo e iluminado." "Sentia medo assustador diante da tempestade que rugia." É importante que você tenha aprendido que nem sempre o pleonasmo está errado, desde que o uso dele seja intencional e estilístico. No entanto, nunca o use na redação, certo? Pleonasmo estilístico (usado em obras literárias) Esse tipo de pleonasmo é um vício de linguagem, ou seja, algo que não é feito com a intenção de passar umamensagem para o leitor, mas por desconhecimento do escritor acerca da língua. Vejamos alguns exemplos de excessos que prejudicam o sua fala e escrita: "Ele entrou para dentro da sala sem pedir permissão." "Entrar" já indica movimento para dentro. Correção: "Ele entrou na sala sem pedir permissão." "O avião subiu para cima rapidamente." "Subir" já indica direção para cima. Correção: "O avião subiu rapidamente. "Eles desceram para baixo do palco para falar com o público." "Descer" já implica direção para baixo. Correção: "Eles desceram do palco para falar com o público." "Precisamos planejar antecipadamente as próximas ações." "Planejar" já envolve antecipação. Correção: "Precisamos planejar as próximas ações." "Há muitos anos atrás, essa tradição já existia." "Há" já indica tempo passado, então "atrás" é desnecessário. Correção: "Há muitos anos, essa tradição já existia." "Os dois times jogaram metades iguais do jogo." Se são metades, já são partes iguais. Pleonasmo vicioso (errado, deve-se evitar tanto na redação quanto no dia a dia) 52 Monitoria de Redação Correção: "Os dois times jogaram metades do tempo do jogo." "O professor pediu uma conclusão final no trabalho." Toda conclusão já é final. Correção: "O professor pediu uma conclusão no trabalho." "Devido ao frio congelante, todos usavam casacos pesados." "Frio" já indica baixa temperatura; "congelante" é redundante. Correção: "Devido ao frio, todos usavam casacos pesados." "Ela repetiu novamente a explicação para os alunos." "Repetir" já significa fazer de novo. Correção: "Ela repetiu a explicação para os alunos." "Vamos encarar de frente os desafios do futuro." "Encarar" já significa enfrentar de frente. Correção: "Vamos encarar os desafios do futuro." "Esse fato real comprova a importância da medida." “Fato” é sempre real, do contrário não seria um fato. Correção: "Esse fato comprova a importância da medida." "Como por exemplo, a educação deve ser valorizada." “Como” e “por exemplo” indicam a ideia de exemplificação, devendo ser usado só um. Correção: "Por exemplo, a educação deve ser valorizada." Para evitar erros, você sempre deverá ter em mente que o uso de termos desnecessários deve ser eliminado. Preocupando-se em eliminar os excessos, você terá um texto livre de pleonasmos viciosos. AMBIGUIDADE Novamente, nós estamos diante de uma estrutura que não está completamente errada em todos os casos. Por exemplo, em propagandas o uso de ambiguidades é muito recorrente e, inclusive, é uma estratégia muito bem-vinda. Antes de tudo, uma ambiguidade é uma duplicidade no sentido ou na compreensão de uma palavra ou de uma frase. Por exemplo, a palavra “manga” possui vários sentidos, dependendo do contexto, ela admite significados diferentes. Porém, se a ambiguidade for usada de maneira indevida, pode causar problemas para aquele que escreveu, como neste caso: Ao falar “Móveis por estes preços não vão durar nada!”, o autor queria enfatizar que os móveis seriam vendidos rapidamente, incentivando que as pessoas comprassem logo. Contudo, alguém pode ter entendido que, por serem tão baratos, os móveis são frágeis e não terão durabilidade. Aqui houve uma ambiguidade: escassez x durabilidade 53 Monitoria de Redação Com base nesse exemplo, eu não preciso nem falar que você deve evitar o uso de ambiguidades na sua redação, não é mesmo? Caso você venha a fazer uma frase ambígua, o corretor pode simplesmente não entender aquilo que você escreveu e diminuir a sua nota. Veja que complexo! Por isso, vamos tentar eliminar a todo custo as ambiguidades na nossa redação. Agora vamos ver alguns casos de ambiguidade e de como eliminá-la. "O SUS passa por problemas, por isso, o Estado precisa melhorar a sua atuação na saúde pública." Atuação de quem? Do SUS ou do Estado? Percebe que coisas assim podem gerar dúvidas? A falta de clareza pode fazer o leitor pensar que a atuação a ser melhorada é do governo, e não do sistema de saúde. Correção: "O SUS passa por problemas, por isso, o Estado precisa melhorar a atuação desse sistema na saúde pública." "A educação no Brasil enfrenta sérias dificuldades, e o governo deve melhorar a sua gestão." O pronome "sua" não especifica se é a gestão do governo ou da educação que precisa ser melhorada. O corretor pode interpretar erroneamente. Nesse caso, apenas eliminar o “sua” já é suficiente para resolver essa ambiguidade. Correção: "A educação no Brasil enfrenta sérias dificuldades, e o governo deve melhorar a gestão da educação." "Falei com a chefe com vertigens." Quem possui vertigens? A pessoa que falou ou o chefe? O uso de "com" neste caso cria uma ambiguidade. Adicionar “que estava” elimina essa ambiguidade. Correção: "Falei com a chefe que estava com vertigens." "O político falou com o público com sinceridade." O "com" pode gerar a impressão de que o político estava falando com o público de uma maneira particular, ou que a sinceridade estava "no público", o que causa ambiguidade. Correção: "O político falou com o público de forma sincera." "Fui à reunião com minhas propostas e ideias novas." O uso de "com" pode indicar a ideia de companhia. Nesse caso, há até uma personificação, pois parece que “as propostas e as ideias” estão acompanhando o homem como se fossem pessoas. Correção: "Fui à reunião levando minhas propostas e ideias novas." "O livro fala sobre a jornada de um herói em busca de seu destino." A frase sugere que o livro está "falando", o que é uma personificação, mas o leitor pode ficar em dúvida se é o livro que tem a capacidade de falar ou se o enredo do livro está sendo descrito como uma "fala". Essa ambiguidade acontece porque o verbo "falar" normalmente é atribuído a seres humanos ou entidades que podem se comunicar verbalmente, não a objetos como livros. Correção: “No livro, é descrita a jornada de um herói em busca de seu destino.” 54 Monitoria de Redação Vimos alguns exemplos, mas não conseguiremos conferir todos os casos existentes, uma vez que a ambiguidade pode aparecer de diversas formas. Para que o seu texto fique livre desses erros, é relevante fazer uma leitura antes de passar a limpo, pois é nessa leitura que encontramos diversas coisas que podemos melhorar. A leitura de livros também auxilia o ganho de consciência sobre diversos erros e faz você reproduzir bem as suas ideias. 55 Monitoria de Redação Capítulo 7 PRINCIPAIS ERROS DE ORTOGRAFIA As regras de ortografia são bastante extensas, por isso, há diversos alunos que não conseguem a nota de 200 pontos na Competência 1 por erros simples. Alguns trocam “s” por “z”, outros “e” por “i”, enfim, diversas são as causas de erros ortográficos. Por isso, criamos um capítulo especial que trabalha os principais erros de ortografia no âmbito da redação do Enem. A partir da leitura dele, grandes dúvidas serão solucionadas, e você poderá escrever com muito mais tranquilidade sem ter que perder tempo pensando em como se escreve determinadas palavras. Acreditamos que será uma leitura muito proveitosa, use este material como um guia na hora de escrever. PALAVRAS QUE OS ALUNOS MAIS ERRAM Há diversas palavras que são escritas incorretamente pelos alunos, por isso, resolvemos trazer os erros que mais aparecem nas redações para que você consiga ficar atento a eles e nunca mais cometê-los. Falaremos inicialmente das palavras com apenas uma grafia correta. Essa é uma das palavras que os alunos mais erram na redação, porque muitas pessoas a pronunciam incorretamente. A letra que vem antes do “O” é um “E”, e não um “i”. Estereótipo Jamais estará correto escrever com “i” “Esteriótipo” não existe. Essa palavra também costuma causar dúvidas, pois é difícil lembrar se ela é grafada com “e” ou com “i”, visto que há dois sinônimos bem semelhantes para problema, um que começa com “E” (empecilho) e um que começa com “I” (impasse). Para esse caso, nós precisaremos criar um trocadilho para lembrar. Empecilho é algo que aparece no caminho e impede que eu consiga ir paraa frente, não é mesmo? Se há um empecilho, eu “empaco”. Então, da próxima vez que você tiver dúvidas é só lembrar o seguinte esquema: Empecilho Se há um empecilho, eu empaco. Se há um empecilho, eu empaco. Se há um empecilho, eu empaco. Lembre-se dessa frase e nunca mais tenha problemas com essa palavra. Agora que nós já sabemos que “empecilho” se escreve com “e”, seria muito fácil apenas lembrar que “impasse” é escrita com “i”. Porém, você pode ainda ter dificuldades. Por essa razão, nós iremos aprender uma frase para essa palavra também. Você deve pensar que tudo estava indo muito bem até que aconteceu um “impasse”, um problema, mas nenhum problema é “impossível”. Então, sempre que você tiver dúvidas na hora de escrever lembre-se desse esquema: Impasse 56 Monitoria de Redação Esse é um erro menos comum. Alguns alunos adicionam um “R” a mais na palavra “majoritariamente” e acabam escrevendo “marjoritariamente”. Esse é claramente um erro por excesso. Para lembrar dele, pense que na palavra “majoritariamente” não tem “mar”. Majoritariamente Jamais estará correto escrever com “R” “Marjoritariamente” não existe. Agora que nós já vimos as principais palavras que confundem os alunos, iremos aprender quais são os casos de palavras muito semelhantes. Nesses casos, as duas formas de escrever estão corretas, mas possuem usos em contextos diferentes. Um impasse é difícil de resolver, mas não é impossível. Lembre-se dessa frase e nunca mais tenha problemas com essa palavra. É bastante comum ver alunos usando duas letras “E” na palavra “premente”, escrevendo “preemente”. Essa forma não exite, o jeito correto de se escrever é com apenas um “E”. Premente Jamais escreva com duas letras “E” “Preemente” não existe. Esse erro é muito comum na proposta de intervenção, uma vez que muitos alunos propõem uma “campanha beneficente”. Não está errado escrever assim, o problema está em adicionar um “i” a mais na palavra, escrevendo “beneficiente”. Esse é um erro tão comum que parece até certo. Beneficente Nunca adicione um “i” depois do “C” “Beneficiente” não existe, mesmo muitas pessoas escrevendo errado. PALAVRAS DIFERENTES - USOS DIFERENTES sse é um erro muitíssimo comum entre os alunos que, muitas vezes, acontece por falta de atenção. Para que você nunca erre, fique sempre atento ao usar essas palavras e aplique o seguinte raciocínio: Mau x mal Vamos ver como aplicar isso na prática com este exemplo: Os jovens possuem um _______ desempenho escolar. Quando você ficar em dúvida, pense se você escreveria: Os jovens possuem um bem desempenho escolar. Os jovens possuem um bom desempenho escolar. Com certeza, você escreveria como na segunda frase, usando o “bom”. Logo, entre “mau” ou “mal”, você deve usar o antônimo de “bom” que é “mau” 57 Monitoria de Redação Os jovens possuem um mau desempenho escolar. ' Sempre que tiver dúvidas, faça a troca por “bem” ou “bom”. Assim, você nunca errará. Exemplos: O concerto musical foi especial. Essas duas palavras são muito confundidas no dia a dia. Ambas as formas estão corretas, mas cada uma possui a sua maneira correta de ser usada. Vejamos. Consertar x concertar Há muitas confusões quanto ao uso do “há” e do “a”. Um é o verbo haver “há” e o outro “a” pode fazer o papel de preposição, artigo ou estar presente em locuções adverbiais. Quando usar o “há”? Nós usaremos o “há” quando quisermos falar da existência de algo ou sobre um evento que ocorreu no passado. Exemplos: Isso ocorreu há dois anos. (ideia de passado) Há dois amigos conversando ali. (ideia de existência) Quando usar o “a”? Nós usaremos o “a” quando quisermos expressar que algo ocorrerá no futuro ou nos demais usos da letra “a” como artigo e preposição, por exemplo. Exemplos: Daqui a dois dias teremos uma reunião. (indicando a ideia de futuro) A moça estava ocupada. (uso como artigo) Vamos a escolas. (uso como preposição) Há x a Conserto Essa forma (com “S”) é usada quando queremos expressar que ocorreu um reparo de algo que se encontrava quebrado, como em oficinas. Essa forma (com “C”) é usada quando queremos falar de uma apresentação que se encontra em harmonia, como em uma banda musical. Exemplos: Ele consertou a geladeira quebrada. Ela consertou o carro. O governo consertará a situação. Concerto Essa forma (com “C”) é usada quando queremos falar de uma apresentação que se encontra em harmonia, como em uma banda musical. Essas palavras são muito confundidas na redação. Geralmente, o termo que mais usamos é o “notório”. Quando você quiser dizer que algo está nítido, claro e fácil de ser visualizado, use o “notório”. Quando você quiser falar sobre algo que é importante, que se destaca e que é extraordinário, use o “notável”. Qual o significado de “notável”? Notável x notório 58 Monitoria de Redação Essa palavra diz respeito a uma pessoa ou coisa que se destaca muito, que pode ser admirado, que é extraordinário, por exemplo. Exemplos: Essas técnicas são notáveis. Ele é um profissional notável. Qual o significado de “notório”? Esse termo diz respeito a algo que está muito nítido, que pode ser observado com clareza, é alfo que pode ser notado com facilidade. Na redação, usamos muito para falar “é notório que tal problema existe...”. Exemplos: É notório que a violência contra a violência contra as mulheres persiste no Brasil. É notório que a fome precisa ser combatida. Nunca escreva: “É notável que esse é um grave problema”, por exemplo. Portanto, medidas são necessárias para descriminar o uso de armamento. O deputado foi descriminado pelo STF devido à falta de provas do furto. Quando usar "discriminar"? Esse é o termo que aparece mais comumente nas nossas redações, uma vez que nós sempre falamos sobre preconceitos ou sobre problemas causados por ele. Quando quiser falar de “separação e segregação”, use o termo “discriminar”. Exemplos: As pessoas negras são discriminadas por sua cor no Brasil. Os jovens são discriminados por sua falta de experiência no mercado de trabalho. Muitas pessoas conhecem apenas a palavra “iminente” e não sabem que a palavra “eminente” (com “E”) também existe e pode ser usada em diversos contextos. Para ensinar essas duas palavras, eu quero que você imagine duas coisas diferentes: pense em um vulcão que está prestes a entrar em erupção e em um rei que é conhecido por sua bondade e excelência. Iminente x eminente Esse é um caso que gera muitas dúvidas e erros na redação, pois os dois termos estão corretos, mas possuem usos bem diferentes. O termo “descriminar” é usado quando falamos sobre crimes e sobre o processo de tornar um crime algo normal, algo semelhante ao termo “descriminalização”. Já o termo “discriminar” é usado quando queremos falar de algum preconceito. Quando usar “descriminar”? Você usará esse termo na sua redação se você quiser falar que algo que era crime já não é mais, ou seja, que houve ou que haverá um processo de descriminalização. Exemplos: Descriminar x discriminar Iminente Eu posso falar que o vulcão está na iminência de uma explosão. 59 Monitoria de Redação A primeira coisa que temos que entender é que “perca” é a forma verbal do verbo “perder” e “perda” é um substantivo. Geralmente, substantivos vêm acompanhados de artigos, ou seja, sempre haverá um “a” ou “uma” antes de “perda”. Quando usar o “perca”? Nós usaremos o “perca” quando estivermos expressando um pedido para alguém, pois esse verbo está flexionado no modo imperativo ou quando quisermos demostrar uma possibilidade. Normalmente, não se usa esse termo na redação. Exemplos: Não perca tempo! Caso ele perca a aposta, eu ganharei dinheiro. Quando usar o “perda”? Vamos usar o “perda” sempre que quisermos falar da “perda” em si. Como “perda” é um substantivo, na maioria das vezes, haverá um artigo antes. Exemplos: O carro deu perda total. Esse problema trará uma perda inimaginável. Também posso dizer que o Rei é um eminente administrador. Quando usar “iminente”? Você usará esse termo para denominarcoisas que estão “prestes a acontecer”. A qualquer pequeno toque, mudança ou ação essa coisa pode mudar o seu estado atual. Exemplos: O risco de um desabamento nesse local é iminente. Eles vivem os problemas de uma iminente crise econômica. Quando usar “eminente”? Nós usaremos esse termo quando quisermos nos referir a alguém que possui uma conduta admirável, excelente, muito bem feita, ilustre e elevada. Exemplos: Ele foi um eminente pai para mim. O professor da universidade era um eminente estudioso. Eminente Esse caso é mais um dos que aparecem sempre nas redações. Esses termos são muito semelhantes e constantemente são usados como sinônimos na fala das pessoas com menos instrução. Porém, cada um possui um uso diferente e faz muita diferença usar um ou o outro. Perca x perda Essa é uma questão bem básica que a maioria dos alunos já conhece, porém, é bastante fácil acabar trocando uma expressão por outra se você não domina a explicação corretamente. O termo MAS é usado para indicar uma ideia de contrariedade, visto que ele é uma conjunção adversativa. O termo MAIS é usado quando nós queremos indicar que algo foi adicionado ou que houve uma soma. Nós usamos com Mas x mais 60 Monitoria de Redação Deve-se conscientizar as pessoas, a fim de melhorar esse cenário. Quando usar o “afim”? Quando tivermos uma ideia de semelhança, afinidade ou parentesco entre coisas. Exemplos: Nós temos interesses afins. (semelhantes) O português é uma língua afim com o espanhol. (semelhante) quantidades numéricas normalmente. Quando usar o “mas”? Nós usaremos o “mas” sempre que tivermos uma ideia que é diferente da anterior, ou seja, sempre que tivermos uma relação de adversidade entre os termos. Exemplos: Há investimentos, mas eles não são eficientes. É preciso cortar gastos, mas as áreas essenciais não podem ficar sem recursos. Quando usar o “mais”? Usaremos o “mais” sempre que quisermos passar a ideia de uma maior quantidade. Exemplos: Mais recursos são necessários. São necessárias mais fiscalizações. Essa é uma confusão de muitos alunos. O termo que nós mais usamos na redação - geralmente antes de apresentar a finalidade da nossa proposta de intervenção - é o “a fim de” (escrito separadamente). A outra forma “afim” existe, mas não é utilizada com frequência em nossos textos. A fim de é uma locução prepositiva que indica uma finalidade de fazer algo. Afim indica uma semelhança entre termos. Quando usar o “a fim”? Nós usaremos sempre antes de termos que expressam a finalidade de alguma coisa ou ação, como na redação em que escrevemos “a fim de” (sempre acompanhado do “de”). Exemplos: A fim de melhorar o trânsito, a polícia trabalhou arduamente. A fim x afim Esse caso é muito recorrente na redação quando o aluno vai falar sobre um direito constitucional. Por exemplo, o aluno vai falar que o direto não está sendo “cumprido” - ou seria “comprido”? - muitos não sabem qual a forma correta. Para que você não cometa esse erro em suas redações, vamos revisar quando usar cada uma delas. Afinal, as duas existem e estão corretas, apenas possuem usos diferentes. Comprimento x cumprimento Comprimento Você fala que algo tem 10 centímetros de comprimento. Logo, quando você fala em comprimento você está falando de uma medida. Cumprimento 61 Monitoria de Redação Ratificar significa aceitar, confirmar, autenticar ou comprovar algo. Exemplos: Eu ratifiquei as mudanças no projeto. O contrato foi ratificado pela empresa. Você provavelmente pretende cumprir a sua agenda. Quando falamos que alguém cumpriu algo, estamos nos referindo à ação de seguir um combinado. Então, sempre que for falar da Constituição ou de qualquer trato social, use “cumprimento, cumprido, cumpriria, cumprirá”. Exemplos: O Estado não cumpre o seu dever como garantidor do bem-estar social. Esse dever constitucional não está sendo cumprido. Esse é um erro que até pessoas com mais domínio gramatical cometem. Por isso, vamos ficar atentos sempre que usarmos essas duas palavras. Precisaremos pensar em um caso: em um presidente que precisa aceitar algumas propostas de lei, mas ele se depara com erros no texto e pede para que haja uma mudança. Retificar x ratificar Para mim, essas palavras são bem diferentes e possuem significados diferentes. Todavia, tenho percebido um número altíssimo de alunos confundindo esses dois termos e cometendo vários erros nas redações. Por isso, vamos aprender o significado de cada uma delas. O que significa corroborar? As pessoas que erram, provavelmente, não sabem qual é o significado dessa palavra. O termo corroborar significa “comprovar algo”, “confirmar algo”, “ratificar alguma coisa”. Esse é um verbo transitivo direto, por isso, não se usam preposições depois dele. Não existe em hipótese alguma “corrobora com”. Exemplos: Ele corroborou a tese dele. Eu corroborarei a minha opinião. O problema dos alunos é escrever “isso corrobora com o problema”, mas esse uso é totalmente incorreto, pois “colaborar” não é sinônimo de “corroborar”. O que significa “colaborar”? Colaborar é um termo que todos conhecem, significa ajudar, contribuir com algo ou com alguma coisa. Exemplos: A inércia estatal colabora com o problema. A falta de investimentos colabora para a manutenção desse óbice. Corroborar x colaborar Traduzindo essa frase... O presidente gostaria de aceitar as propostas, mas o texto precisa ser corrigido. Retificar tem o sentido de tornar algo “reto”, de endireitar algo que estava torto. Por exemplo, os erros, não permitiam que as propostas estivessem perfeitas. Exemplos: O mecânico da retifica de motores me ligou. Ele retificou a redação antes de entregá- la à professora. 62 Monitoria de Redação Ou seja, esse termo se refere a uma troca, não importa qual seja essa troca. Geralmente, usamos essa expressão para tudo, visto que ela não exige que as ações sejam exatamente opostas. Estudar não é exatamente o oposto de dormir. A maioria das pessoas pensa que essas expressões são sinônimas e que podemos usar tanto uma quanto outra sempre, mas isso é um erro. Além disso, muitos usam apenas o “ao invés de” para todos os casos. Porém, esse termo precisa ser usado apenas em casos específicos. Em vez de - Deve ser usado quando simplesmente for feita uma troca. Ao invés de - Deve ser usado quando a troca for feita exatamente pelo inverso. Vamos aprender com exemplos: Ao invés x em vez de Ao invés de ficar acordado, foi dormir. Perceba que a palavra “inverso” tem a ver com o termo “invés”. Por essa razão, usaremos “invés” somente quanto falarmos de coisas que são exatamente opostas. Dormir é exatamente o oposto de ficar acordado. Em vez de estudar, foi dormir. Já o termo “em vez de“ faz referência à expressão “no lugar de”. Esse é um dos casos que costuma confundir muitíssimos escritores, justamente por ser difícil ver uma diferença muito nítida entre os termos. Porém, fique tranquilo. Você sairá sabendo como diferenciar cada um. O que é o “demais”? Primeiramente, “demais” pode ser usado de duas formas: como pronome indefinido e como advérbio de intensidade. Como advérbio de intensidade Esse termo pode ser substituído por “muito” e indica que há algo muito intenso. Exemplo: Maria trabalhou demais hoje / Maria trabalhou muito hoje. Como pronome indefinido Esse termo pode ser substituído por “restante” ou “os outros”. Exemplo: Vamos seguir, os demais nos acompanham. / os outros nos acompanham. O que é o “de mais”? Esse termo pode ser usado quando queremos nos referir a quantidades “a mais” de objetos. Ele é apenas usado para expressar quantidades, por isso, não há nenhuma ligação com a intensidade com que algo é feito. Quando devemos usá-lo? Você sempre irá trocar esse termo por “de menos” e, se a frase continuar fazendo Demais x de mais 63 Monitoria de Redação desses dois termos, pois eles são muito semelhantes, mas agora você compreenderá a diferença entre cada um. Se não A primeira coisa que você precisa entender é queo “se” aqui é uma partícula que expressa condição. Exemplo: Se eu ganhar doces, ficarei feliz. (condição para que haja felicidade) Quando usamos o “se não”, queremos expressar uma condição negativa. Exemplos: Se não chover, a plantação pode morrer. Se não houver público, o evento pode ser um fiasco. Eu não irei se não houver música. Senão Para entender o uso dessa estrutura, você precisa compreender que esse termo passa a ideia de uma contrariedade e possui o mesmo sentido de “do contrário”. Exemplo: Estude, senão a nota será baixa. / Estude, do contrário a nota será baixa. Quando usamos o “senão” queremos expressar uma contrariedade. Exemplos: É preciso comer bem, senão problemas de saúde podem surgir. Não faça isso, senão haverá penalidades. Revise a sua redação, senão erros podem passar despercebidos. sentido, esse é o termo correto a se utilizar. Mas lembre-se de sempre conferir se a ideia de “quantidade a mais” existe. Exemplos: Ele precisa de mais comida para ganhar massa muscular. (mais quantidade) Ele precisa de menos comida. Nós levamos roupas de mais para a viagem. (uma quantidade a mais) Nós levamos roupas de menos para a viagem. Esse erro é menos comum, mas muitas pessoas não sabem que a escrita “encima” existe e que se trata de uma forma verbal. Por isso, vamos aprender. Em cima Usamos esse termo quando queremos nos referir a algo que está acima de alguma coisa. Lembre-se que esse termo é o contrário de “embaixo” (escrito tudo junto). Geralmente, essa é a forma mais usada, visto que o verbo “encimar” está em desuso. Exemplos: Coloque esse lápis em cima da mesa. Ponha o papel em cima da carteira Encima É uma forma verbal do verbo “encimar”. Esse verbo se refere a algo que foi elevado, que se encontra em um lugar alto. Exemplos: A coroa encima a cabeça da rainha. A funcionária foi encimada pelo gerente. (posta em um alto cargo, promovida) Em cima x encima Há constantemente confusões sobre o uso Se não x senão 64 Monitoria de Redação O verbo usado para demonstrar essa ação é delatar. Exemplos de uso: O deputado delatou no último dia. Deve-se delatar os crimes ambientais. Dilatação Dilatação é o nome de um fenômeno físico que tem como característica o aumento no volume de um determinado material. O verbo usado para denominar a ação de fazer a dilatação é dilatar. Exemplos de uso: A porta dilatou muito. É preciso ter cuidado para que a estrutura não dilate. Esse caso é bem complexo porque essas palavras são muito parecidas, mas, geralmente, apenas uma delas é usada na redação “infringir”. Vamos conhecer o significado de cada uma delas: Infringir Significa transgredir uma lei, cometer um erro ou não seguir as orientações contidas na lei. No nosso texto, por exemplo, nós podemos falar que “as pessoas infringem as leis ao não possuírem determinadas condutas”. Exemplos: Os cidadãos infringiram a lei seca. É necessário punir aqueles que infringiram as normas. Infligir Podemos dizer que esse é o resultado de infringir uma lei: a punição, o dano, o prejuízo por ter feito algo ruim, uma pena ou um castigo. Exemplo: O juiz infligiu uma pena àqueles que desrespeitaram a lei. Infligir x infringir Esse caso é simples se soubermos os processos por trás de cada uma dessas ações. Delação Uma delação é o ato de fazer uma denuncia, acusar ou revelar um crime de alguém. Delatar x dilatar Geralmente não há dúvidas quanto ao uso do verbo “ver” e “vir” quando eles estão no infinitivo. Vejamos: Ver Refere-se ao ato de olhar para alguma coisa, de a observar. Exemplo: Eu vou ver se ele estará aqui. Vir Refere-se ao ato de se deslocar para algum lugar. Exemplo: Eu vou vir até aqui para o encontrar. O problema acontece quando usamos esses verbos no futuro do subjuntivo (aquele modo que expressa dúvida ou incerteza). Nesse caso, muitos alunos tendem a trocar o “ver” pelo “vir”. Vamos ver se você está atento: Qual a frase correta? Vir x ver no futuro do subjuntivo 65 Monitoria de Redação Se eu vir ele, terei uma longa conversa. Se eu ver ele, terei uma longa conversa Se você não conhece essa regra, provavelmente responderá que a segunda frase é a correta. Porém, a frase correta é a primeira “se eu vir“. Mas qual o motivo disso? O verbo “ver” irregular, por isso, ele muda a sua forma na conjugação do futuro do subjuntivo para “vir”. Você deve se perguntar, mas “vir“ não significava ir a algum lugar? Sim, mas só no infinitivo. Contudo, no futuro do subjuntivo, a forma para falar do deslocamento é “vier“. Vejamos exemplos para consolidarmos essa questão: Forma certa Se ele vier à sua casa, quero que seja bem recebido. Quando ele vir onde se meteu, terá cuidado. Se ele vir todo o seu potencial, irá te elogiar. Forma errada Se ele vir à sua casa, quero que seja bem recebido. Quando ele ver onde se meteu, terá cuidado. Se ele ver todo o seu potencial, irá te elogiar. Não são poucos os alunos que ouvem alguém usar essas expressões e começam a reproduzir erroneamente na redação, acreditando que elas são sinônimas. Porém, as ideias passadas por elas são completamente diferentes uma da outra. Aprenderemos a usar cada uma com exemplos. De encontro a x ao encontro de Perceba que há um choque entre os dois carros, eles tiveram uma colisão. Aqui o olhar do casal se encontrou, eles estão em harmonia. Na redação, você usará “de encontro a” para coisas conflitantes entre si. Enquanto “ao encontro de” será usado para coisas que possuem a mesma direção, que estão em harmonia e que concordam. Basicamente, “de encontro a” representa conflitos e “ao encontro de” representa harmonia. Exemplos: O seu olhar foi ao encontro do meu. (estão em consonância) Um carro foi de encontro ao outro. (colidiram) A conduta governamental vai de encontro aos princípios constitucionais. (contrário) São precisas medidas que vão ao encontro de mais igualdade. (harmonia) Essas duas formas são muito confundidas nos textos em geral, por isso, vamos aprender como usar cada uma delas. Traz Essa é uma das formas do verbo trazer, nós iremos usar justamente quando quisermos Traz x trás 66 Monitoria de Redação mostrar que alguém está trazendo algo para alguém. Exemplos: Ele sempre traz boas notícias. Essa atitude traz problemas ao meio ambiente. Trás Esse é um advérbio de lugar que indica a posição de algo ou de alguma coisa. Ele é usado nos termos “atrás” e “para trás”. Exemplos: Ele estava atrás do carro. Os lobos mais fracos ficam para trás. Na redação, nós geralmente nós usamos a forma “traz” do verbo trazer para mostrar que condutas ou problemas trazem resultados para a população. Muitos alunos acreditam que esses termos são sinônimos, uma vez que na fala muitas pessoas usam uma e outra forma sem qualquer diferença entre elas. Porém, é preciso ficar atento, pois os usos delas são bem diferentes. Onde O termo “onde” deve ser usado para lugares físicos que estão fixos, não há ideia de movimento nesses casos. Não há verbos pedindo a preposição “a” na frase. Exemplos: Essa é a escola onde eu estudei. Esse é o hospital onde fiquei internado. Onde estão as minhas chaves? Aonde O termo “aonde” deve ser usado para indicar uma ideia de movimento. Uma dica importante é que sempre haverá um verbo que pede a preposição “a” na frase. Onde x aonde Exemplos: Aonde eu irei? Vamos chegar aonde por esse caminho? Aonde você foi? Aproveitando que estamos falando do “onde”, vamos conhecer um erro muito comum nas redações dos alunos que pode tirar 40 pontos na sua competência 4 por ser uma inadequação coesiva. Exemplo de erro: O racismo estrutural prejudica muitas vidas por ser um preconceito onde a vítima sofre com discriminações. Esse caso acima está errado porque o “onde” está retomando o termo “preconceito”, porém o “onde” só pode ser usado para retomar lugares concretos (feitos de alvenaria, por exemplo), não ideias. Veja como seria o certo: O racismo estrutural prejudica muitas vidas por ser um preconceito no qual a vítima sofre comdiscriminações. Exemplos de uso correto: As escolas são lugares onde o aprendizado é essencial. Essa é a universidade onde eu estudei. Onde com valor locativo Esse é um caso em que até os gramáticos discordam, porém, aqueles que são mais conservadores seguem essa regra que eu irei explicar. É importante que você aprenda isso porque não sabemos qual corretor irá pegar a sua redação. Por exemplo, se o seu corretor tiver estudado por uma gramática que vê isso como um erro, você pode ser penalizado. O ideal é sempre evitar a todo custo erros, por isso, eu recomendo que você tente não usar o “através”. Através 67 Monitoria de Redação Observação: o manual do INEP não orienta o corretor a tirar pontos nesse caso, mas o corretor pode esquecer disso quando estiver corrigindo, por isso, vamos blindar nosso texto. Qual o problema de usar o “através”? Os gramáticos mais normativos ensinam que o “através” só deve ser usado com o sentido de atravessar alguma coisa. Exemplos: Eu a vi através da janela. (O olhar atravessou a janela) Passamos através do rio. (Atravessamos o rio) A luz passou através do buraco. (A luz atravessou o buraco) Na redação, dificilmente iremos usar o “através” com esse sentido de atravessar. Por isso, é interessante que você troque o “através” por “por meio de”, “por intermédio de” e “mediante”. Exemplos: O governo federal, por meio de investimentos, deve criar políticas. O Estado, por intermédio de campanhas, deve conscientizar a população. A mídia, mediante programas televisivos, deve divulgar. Veja que ninguém atravessou os investimentos, nem as campanhas e nem os programas televisivos. Por isso, usamos outros termos no lugar do “através”. “Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar.” Contudo, escrever desta forma é um erro na língua portuguesa, porque o termo “mesmo” nunca atuará como um pronome relativo para retomar elementos. Nas suas redações, nunca use esse termo para retomar ideias, sempre use um pronome pessoal como “ele” ou “ela”. Exemplos de erros e correções: A educação está defasada, pois a mesma não recebe investimentos. (errado) A educação está defasada, pois ela não recebe investimentos. (certo) O governo é negligente, visto que o mesmo não investe na saúde. (errado) O governo é negligente, visto que ele não investe na saúde. (certo) A sociedade não se movimenta, uma vez que a mesma não é conscientizada. (errado) A sociedade não se movimenta, uma vez que ela não é conscientizada. (certo) Agora você já sabe. Nunca se deve usar “o mesmo, os mesmos, a mesma e as mesmas” como elementos de retomada na redação. Esse é um erro comum e muito cometido até por grandes estabelecimentos. Há até uma história sobre o surgimento desse erro que tem a ver com placas de elevadores que eram escritas desta maneira: “Mesmo” como elemento de retomada Você deve se lembrar do nome desse assunto lá do ensino fundamental, mas será que lembra o que é um dígrafo e como os alunos cometem erros de ortografia por conta deles? Dígrafo é um encontro de duas letras que representam um único som. Exemplos: Ch, Gu, LH, Nh, Qu, Rr, Sc, Sç, Ss, Xc. Dígrafos 68 Monitoria de Redação Por que os alunos cometem erros? Os alunos erram por muitas vezes esquecerem- se de uma das letras, pois, como as duas letras não são pronunciadas, o aluno reproduz apenas uma na escrita. Vamos ver algumas palavras que os alunos mais erram por esquecerem uma letra: O grande vilão, nesses casos, é o dígrafo “sc”, comumente os alunos escrevem sem o “S”, usando apenas o “C”. Por isso, sempre que você for escrever alguma dessas palavras, tenha muito cuidado. ajudará, pois o aprendizado dessas regras de ortografia é feito por mimetismo (imitação). Aprender um monte de regras não faria você acertar todas as palavras lá no Enem, mas saber quais são as palavras que mais aparecem é, sim, muito mais proveitoso. Palavras com S Análise, pesquisa, defesa, expansão, compreensão, desigualdade. Palavras com SS Acesso, agressão, expressão, concessão, discussão, excesso, opressão, repressão, transgressão, transmissão. Palavras com SC Consciência, crescimento, fascínio, rescisão, transcender, afrodescendente, adolescente. Palavras com SÇ Desça, cresça, nasça. (casos pouco prováveis na redação) Palavras com Ç Atenção, alteração, manutenção, percepção, solução, afirmação, exceção, reduções. Palavras com C Coerência, eficiência, evidências, referências, vivenciado, capacidade. Palavras com X Complexo, contexto, expectativa, exposição, extensão, máximo, próximo, reflexão. Palavras com Z Civilização, coletivização, polarização, globalização, organização, realização, valorização, fraqueza, conscientização. Quem escreve “sucetível” está completamente errado. O “SC” é imprescindível. Essa palavra e suas derivadas “conscientização”, “conscientizar”, entre outras, sempre possuem o “SC”. Quem escreve “conciência” está errado. Esse erro é menos comum, mas vale a pena lembrar que o “SC” também deve estar presente. Novamente o “SC” aparece obrigatoriamente. As regras para o uso dessas letras são muitíssimo extensas, por isso, nós iremos apenas estudar quais são as palavras que recebem essas letras na redação. Isso nos Orientações sobre o uso de S, SS, SC, SÇ, Ç, X e Z 69 Monitoria de Redação Esses são alguns casos, o ideal é que você tenha uma rotina de leitura muito ativa, porque você não precisará decorar as regras de uso dessas letras, mas apenas a grafia de cada palavra. Ao fazer isso, você não está cometendo um erro, visto que as regras são muito extensas e cheias de exceções, pois a nossa língua possui diversas misturas de culturas que as justificam. Combinando leitura e prática, você pode aprender muito mais. Agora vamos falar de translineação, uma questão que também tira muitos pontos dos alunos. Na escrita feita à mão, quando uma palavra não consegue ser escrita completamente, usamos o hífen para separar a palavra em duas partes. Contudo, isso não pode ser feito de qualquer forma. A primeira regra é que a divisão da palavra tem de ser feita com base na divisão silábica oficial, ou seja, você não pode simplesmente parar a palavra em qualquer letra. Eu acredito que você já deve ter aprendido a separar as sílabas no ensino fundamental, por isso, vamos revisar apenas alguns aspectos mais relevantes. Divisão silábica com letras iguais na sílaba Isso acontece com os dígrafos “RR” e “SS”, nesses casos, uma letra fica na linha anterior e a outra fica na próxima linha. Divisão silábica e translineação Logo, fica evidente que esse dilema afeta diretamente a formação e a car- reira dos jovens brasileiros. Desse modo, cabe analisar as causas do problema em discus- são: a inércia estatal e a má educação. Palavras compostas que possuem hífen Há algumas palavras que possuem hífen, como “bem-estar” e “pré-escola”, e é muito comum usá-las na redação do Enem. O dilema aparece quando essas palavras aparecem no fim de uma linha. O que fazer nesse caso? Em casos assim, é preciso duplicar o hífen por clareza. Um dos hifens é translineação, e o outro é da própria palavra. Esse é um problema que afeta diretamente a saúde e o bem- -estar das crianças no Brasil. Logo, fica claro que é preciso investir na educação desde a pré - - escola para eliminar os riscos desse dilema. Essas são as duas regras que os alunos menos conhecem, mas agora você já sabe de tudo. No resto dos casos, as regras seguem a divisão silábica tradicional que nós já aprendemos no ensino fundamental. Exemplos: Bo-la / ca-sa / pro-ble-má-ti-ca / di-le-ma. 70 Monitoria de Redação Capítulo 8 USO DA VÍRGULA EM PERÍODOS SIMPLES Iremos falar sobre o uso da vírgula em períodos simples. Mas espera, o que é um período simples? Na língua portuguesa, nós temos dois tipos de período: simples e composto. Período simples é aquele possui apenas um verbo ou locução verbal, por isso, ele é simples. Exemplos: Vamos começar falando sobre onde devemos usar a vírgula obrigatoriamente:o que é conjugar? É justamente modificar essas palavras em vários tempos e pessoas verbais. Então, por exemplo, se eu escolho o verbo “cantar”, eu posso dizer: Eu canto, tu cantas, ele canta, nós cantamos, vós cantais. Eu posso também trocar para o presente, futuro e passado: Eu cantarei, eu cantava, eu canto. Então, se a palavra consegue ser conjugada, nós chamaremos essa palavra de verbo. E elas sempre exprimem estados, ações e fenômenos da natureza, como correr, cantar, estar, falar, trovejar… O sujeito é um termo que é capaz de modificar o verbo. Você pode ter percebido que, quando eu modifiquei as pessoas verbais “eu”, “tu”, “ele”, “nós”, eu também modifiquei as terminações dos verbos, ou seja, eu modifiquei as conjugações. Às vezes, a própria pessoa que modifica o sujeito é quem faz ação do verbo, mas isso não é uma regra totalmente válida, porque, Ele é especial por ser um verbo impessoal. Sujeito é quem modifica o verbo. E eu expliquei o que é um sujeito porque nem todos os verbos possuem sujeito. É o caso dos verbos impessoais. Perceba que impessoal é porque não há pessoa, não há um sujeito que faz a ação ou que, pelo menos, modifica o verbo nesses casos. Verbo impessoal não possui sujeito. E um claro exemplo disso são os verbos que expressam fenômenos da natureza. Por exemplo, se eu digo, hoje trovejou muito. Eu não consigo encontrar nessa frase alguém que faça a ação de trovejar. E não extrapole, não me venha dizer que foi São Pedro quem fez com que trovejasse, porque nós não 8 Monitoria de Redação estamos analisando isso. Eu estou falando desta frase: “hoje trovejou muito”. Não há quem faz a ação de “trovejar”, nem a ação de “chover”, nem a ação de “ventar”. Pois eles são verbos impessoais que não estão ligados a um sujeito. Verbos impessoais não concordam, porque não há sujeito na oração, e o verbo “haver” é um deles. Você pode me falar, ok, Mateus, eu já entendi que o verbo não irá concordar. Porém, eu não sei quando é que o verbo “haver” vai ter esse sentido de um verbo impessoal. Como é que eu consigo identificar qual a forma mais fácil de saber disso? A forma mais fácil é sempre comparar e trocar o verbo “haver” na frase pelo verbo “existir”. Se essa frase ainda fizer sentido, é porque nesse caso o verbo está sendo impessoal. O verbo “haver” será impessoal quando tiver o sentido de existir. Por exemplo, se eu digo “há aulas da Plataforma Assaad que valem ouro”, eu consigo modificar o termo “há” pelo verbo “existir” → “existem aulas da Plataforma Assaad que valem ouro”. E você vê que nesse caso o verbo “haver” ficou no singular, apesar de “aulas” - o termo que vem depois - estar no plural. Por quê? Esse termo não é o sujeito e, nesse caso, eu tenho um verbo impessoal. Exemplo: Há aulas da Plataforma Assaad que valem ouro. Você jamais diria ou escreveria “hão aulas da Plataforma Assaad”. E por que isso soa tão estranho para nós? Porque nós já temos O verbo haver pode ser um verbo impessoal. Aliás, na maioria das vezes, esse verbo se comporta como um verbo impessoal. Vou fazer aqui uma linha argumentativa para provar para você por que o verbo haver não pode ser modificado, por que o verbo haver não concorda com outros termos na oração. Então, a gente viu que um verbo impessoal é um verbo que não possui sujeito. E o sujeito é o termo que modifica o verbo. Nós também vimos isso. O verbo haver pode ser um verbo impessoal, ou seja, ele, quando faz o papel de um verbo impessoal, não possui um sujeito para o modificar. Se ele não possui um sujeito para o modificar, não há como concordar, porque a concordância somente é feita entre o sujeito e o verbo. Se eu não tenho sujeito, não há como concordar. Ou seja, logo, a partir dessa explanação, eu consigo entender que se o verbo é impessoal, ele não tem sujeito e por isso ele não concorda, ele não deve ser usado no plural, por exemplo, ele não concorda com outras partes da oração. Então, em resumo, qual é a regra? Verbos impessoais não concordam com os elementos da frase, porque um verbo impessoal não possui sujeito. A concordância só pode ser feita entre sujeito e verbo. Se eu não tenho sujeito, o verbo fica na forma básica, no singular. 9 Monitoria de Redação esse costume de utilizar corretamente o verbo impessoal no presente, que é o tempo que os brasileiros mais utilizam. Porém, no passado e no futuro, nós temos uma certa dificuldade, que é justamente o ponto que vocês precisam aprender agora. Exemplos: Haverá aulas ao vivo com a Cecilia. ✅ Haverão aulas ao vivo com a Cecília ❌ Já se eu digo assim, “haverá aulas ao vivo com a Cecília”. Muitas pessoas podem dizer “Mateus, você, corretor, está cometendo um erro, deveria dizer haverão aulas, porque as aulas estão no plural”. E aí eu lhe pergunto, por que então quando eu falei “há aulas”, eu não disse “hão aulas”? Porque nesse caso eu tenho um verbo impessoal. E aqui, quando eu digo haverá aulas da Cecília, eu também tenho um verbo impessoal. Veja que eu consigo trocar o “haverá” pelo verbo “existir”. Haverá aulas (existirão aulas) ao vivo com a Cecília. Exemplos: Houve notas 980 neste grupo. ✅ Houveram notas 980 neste grupo. ❌ No passado, vocês também erram, por exemplo, se eu digo assim: “houve notas 980 neste grupo”, está correto. Eu não preciso dizer “houveram notas”, porque, nesse caso, eu tenho um verbo impessoal. Não foram as notas que fizeram a ação, além de que esse verbo possui o sentido de “existir”, “existiram notas”, então o correto é “houve notas”, no singular. Pode ser um pouco difícil compreender isso no início, mas, uma vez que você aprende, nunca mais você errará na redação. Então, sempre que você disser “haverá aulas”, está correto: haverá aulas, houve aulas, haverá matérias, houve matérias, houve um problema, houve vários problemas, houve um debate, houve debates - sempre no singular. ndependentemente de eu estar tratando de algo no plural ou no singular. Jamais escreva “houveram” ou “haverão”. Não é “haverão aulas”, é “haverá aulas”. Não é “haverão explicações”, mas sim “haverá explicações”. Você pode me perguntar “mas, Mateus, então isso quer dizer que jamais estará certo utilizar haviam, havíamos, haverão, houveram - essas formas no plural - em qualquer frase da língua portuguesa?”. Se eu dissesse que sim, eu estaria completamente errado. Por quê? Há frases (veja que eu disse “há frases”) em que esses verbos funcionam/fazem o papel de verbos auxiliares, mas ficará muito nítido que há um sujeito nesses casos, que há alguma coisa ali que está ligada a esse verbo. Não haverá dúvidas (veja que eu não disse haverão dúvidas, eu disse haverá). Já estou colocando em prática os conhecimentos que aprendemos. Casos em que o verbo pode concordar: "Eles haviam" planejado uma viagem. "Nós havíamos" assistido às aulas do Pedro. Vejam essas duas frases. “Eles haviam planejado uma viagem”. Quem foi que planejou a viagem? Eles. “Eles” é o quê? O sujeito. E esse verbo aí, “haviam”, ele está fazendo parte de uma locução verbal, “haviam planejado”. Nesse caso, fica muito nítido quem é o sujeito -> Eles -> Eles haviam. Então, a gente conjuga no plural. Se for “nós havíamos assistido às aulas do Pedro”, quem assistiu às aulas? Nós. O sujeito está nítido, e nós temos uma locução -> “havíamos assistido”, dois verbos que fazem o papel de um único verbo. 10 Monitoria de Redação Além disso, se eu trocar esse verbo pelo verbo “existir”, eu não terei uma frase que faz sentido. Se eu disser assim → eles “existiam” planejado uma viagem. Faz sentido? Não faz sentido. Então, se o verbo não pode ser trocado pela palavra existir, ele não é impessoal. E se ele não é impessoal, eu posso concordar com o sujeito. Então, resumindo tudo, o que é que você fará quando se deparar com um verbo haver? Você verá se ele tem o sentido de existir, se você consegue trocar por uma forma do verbo existir. Se você conseguir, esse verbo será impessoal. Se esse verbo é impessoal, ele não concorda com o que vem depois e ficará sempre na terceira pessoa do singular. Ou seja,Você “é” um excelente aluno. Nós “estamos pensando” nessa possibilidade. Período composto é aquele que possui mais de um verbo ou locução verbal, ou seja, mais de uma oração, porque oração é uma frase que possui um verbo. Logo, se temos dois verbos, temos duas orações. Exemplos: As aulas da Plataforma Assaad “são” maravilhosas, pois você sempre “aprende” tudo. Essa é aquela regra mais simples que aprendemos na escola, a vírgula serve apenas para organizar as ideias aqui. Lembre-se da lista de mercado. Para separar elementos de uma enumeração Ex: Aquele rapaz ao fundo, de camisa azul, é meu amigo. Na redação: Machado de Assis, renomado escritor brasileiro, produziu obras excelentes. Essa vírgula serve para isolar o aposto, um termo adicional na frase, algo que não seria obrigatório para o sentido, mas complementa a ideia. Pense nela como a vírgula que isola algo adicional. Para separar o aposto explicativo Ex: Aquele rapaz ao fundo, de camisa azul, é meu amigo. Na redação: Machado de Assis, renomado escritor brasileiro, produziu obras excelentes. Nós usamos essa vírgula sempre que vamos chamar alguém. Para separar o vocativo Ex.: Mateus, eu entendi tudo da sua monitoria! Professor, essa explicação está ótima. Na redação: Não usamos, visto que não estabelecemos uma conversa direta com o corretor. Usamos essa regra sempre que temos um adjunto adverbial no início ou no meio da frase. Se você não sabe o que é um adjunto adverbial, eu te explico: são termos que indicam as circunstâncias, como tempo, lugar e modo. Geralmente esses termos são complementos das orações e, por isso, deveriam aparecer no fim delas. Para separar o adjunto adverbial deslocado ou antecipado 71 Monitoria de Redação Ex.: Ontem, nós fizemos um ótimo trabalho Nós fizemos um ótimo trabalho ontem. Na redação: No Brasil contemporâneo, a cultura africana é negligenciada Ex.: Ele era, sim, um ótimo amigo. Nossa, que problema! Não, isso não é seu. Na redação: Nós não costumamos usar essa vírgula, porque não expressamos emoções, uma vez que o texto não tem caráter emotivo. Essa é uma regra bem específica, mas pode ser útil em algum dia. Para isolar o nome do lugar nas datas Na redação: A herança africana, ou seja, a base da cultura brasileira, é negligenciada. Para evitar repetições, você pode omitir um verbo ou outro termo, a fim de manter o sentido, usamos a vírgula. Para marcar elipse (omissão) do verbo Ex.: Eu prefiro cinema, minha esposa, teatro. Na redação: A cultura europeia é aclamada, a africana, não. As interjeições são palavras que expressam emoções, como oxe, nossa, ah, sim, não. Esses termos devem sempre ser isolados. Para isolar interjeições Ex.: São Paulo, 1º de outubro de 2015. Na redação: Mariana, 5 de novembro de 2015, um desastre de grandes proporções… Expressões como “isto é”, “ou seja”, “a saber” e “por exemplo” são sempre isoladas com vírgulas na redação. Para separar expressões explicativas ou corretivas Ex.: As pessoas, por exemplo, precisam de mais amigos. Na língua portuguesa, existe uma ordem lógica de se apresentar os termos em uma oração: sujeito + verbo + complemento. Quando essa ordem é alterada, usa-se a vírgula para sinalizar a mudança. Para indicar inversões sintáticas Ex.: Mateus foi à padaria > Foi à padaria, Mateus. Na redação: O governo deve melhorar a educação > Deve, o governo, melhorar a educação Há casos em que a vírgula é usada para evitar ambiguidades Para evitar ambiguidades Ex.: Aos que estudam, tudo é possível Aos que estudam tudo é possível 72 Monitoria de Redação essencial para a coerência e a coesão textuais. A escrita imita a fala, ou seja, escrever é uma tentativa de representar graficamente aquilo que falamos. Na fala, fazemos pausas, intercalamos orações, organizamos ideias e damos destaque a palavras. Para transpor isso para a escrita, utilizamos sinais de pontuação, como a vírgula. No entanto, a ideia de que a vírgula deve ser usada quando respiramos é equivocada. Se fosse assim, uma pessoa asmática usaria muito mais vírgulas do que outra que tem um padrão respiratório diferente. O uso da vírgula segue regras gramaticais, como a separação de termos deslocados ou repetição de elementos sintáticos. Antes de entrar nas regras específicas da vírgula em períodos simples, precisamos entender alguns conceitos básicos. Um verbo é uma palavra que pode ser conjugada. Por exemplo, "estudar" pode ser flexionado em diferentes tempos e modos: eu estudo, tu estudas, ele estuda, nós estudamos etc. Se uma palavra não pode ser conjugada, como "bola", então ela não é um verbo. Esse conceito é fundamental para distinguir um período simples de um composto. O período simples possui apenas um verbo ou uma locução verbal, enquanto o período composto tem mais de um verbo ou locução verbal. Uma locução verbal ocorre quando dois verbos juntos expressam uma única ação. Por exemplo, "eu vou falar" pode ser substituído por "eu falarei". O primeiro caso é uma locução verbal, pois "vou" (verbo auxiliar) e "falar" (verbo principal) formam um único sentido. Outro conceito essencial é o de oração, que se define como toda estrutura que possui um verbo ou locução verbal. Se uma frase tem CASOS EM QUE A VÍRGULA NÃO DEVE SER USADA Pensemos na vírgula como um termo que separa elementos na nossa língua. Todavia, há algumas partes da oração que não podem ser separadas, termos que dependem um do outro para fazer sentido, nesses casos, a vírgula é proibida. Vejamos quais são: 1 - Entre o sujeito e o predicado Os alunos (,) estudaram bastante. 2 - Entre o verbo e seus complementos (objeto direto e indireto) A pessoa estudou (,) raciocínio lógico. O candidato necessitou de (,) informações. 3 - Entre o nome e o complemento nominal Ele tinha necessidade de (,) informações. 4 - Entre o nome e o adjunto adnominal As duas inteligentes (,) moças passaram no concurso. * (,) significa que essa vírgula não deve ser usada. TRANSCRIÇÃO DA MONITORIA Hoje, vamos estudar o uso da vírgula nos períodos simples. Para começar, imagine um estudante que possui um domínio avançado da crase, das conjugações verbais e da estrutura argumentativa, mas tem dificuldades com a vírgula. Em uma redação, esse aluno cometeu apenas três erros de vírgula e, por conta disso, perdeu nota na competência 1. Além disso, esses erros de vírgula geraram justaposição, comprometendo a organização do texto. Isso mostra o quanto o uso correto da vírgula é 73 Monitoria de Redação um verbo, trata-se de uma oração; se tem dois verbos, são duas orações, e assim por diante. Um período é o espaço entre a letra maiúscula inicial e o ponto final, de interrogação ou de exclamação. Logo, o período simples terá apenas uma oração, enquanto o composto terá mais de uma. Exemplo de período simples: "Você é um excelente aluno." (Apenas o verbo "é".) "Nós estamos pensando nessa possibilidade." (Locução verbal "estamos pensando".) Exemplo de período composto: "As aulas da Plataforma Assaad são maravilhosas, pois você sempre aprende tudo." (Dois verbos: "são" e "aprende".) Agora que compreendemos o que é um período simples, podemos avançar para as regras específicas do uso da vírgula nessas estruturas. O USO DA VÍRGULA OBRIGATÓRIO EM PERÍODOS SIMPLES Esse primeiro caso é aquele que a gente já conhece desde o ensino fundamental. Quando temos uma enumeração, ou seja, uma lista de elementos semelhantes, utilizamos vírgulas para separá-los. Mas atenção: antes do último termo, colocamos a conjunção "e". Muita gente esquece esse detalhe e acaba deixando a frase truncada. Exemplo: Enumeração Incorreto: Eu pretendo comprar arroz, calabresa, alface, feijão. Correto: Eu pretendo comprar arroz, calabresa, alface e feijão. Na redação: A herança africana não é divulgada na televisão, na escola e no cinema. Aqui temos um clássico: a informação adicional que não é essencial para entender a frase. Sempre que um termo desempenhar esse papel, ele deve ser isolado por vírgulas. Exemplo: Aposto Explicativo Incorreto:Aquele rapaz ao fundo de camisa azul é meu amigo. Correto: Aquele rapaz, ao fundo, de camisa azul, é meu amigo. Na redação: Machado de Assis, renomado escritor brasileiro, produziu obras excelentes Ou seja, quando a gente tira a informação entre vírgulas, a frase continua com sentido completo. Se isso acontecer, já sabe: isola com vírgulas! O vocativo é aquele termo que usamos para chamar alguém. Ele não faz parte da estrutura sintática da oração e, por isso, deve ser separado por vírgulas. Exemplo: Vocativo Mateus, eu entendi tudo da sua monitoria. Professor, essa explicação está ótima. Gostei muito, Mateus, da sua monitoria. Mas atenção: na redação do Enem, não usamos o vocativo, já que não estamos nos dirigindo diretamente ao corretor 74 Monitoria de Redação Adjuntos adverbiais indicam tempo, lugar, modo etc. Quando deslocamos esses termos para o início ou para o meio da frase, precisamos isolá-los com vírgulas. Exemplo: Adjunto Adverbial Deslocado Sem inversão: A menina foi à praia. Com inversão: Foi à praia, a menina. Na redação: No Brasil contemporâneo, a cultura africana é negligenciada. A cultura africana, no Brasil contemporâneo, é negligenciada. A cultura africana é negligenciada no Brasil contemporâneo. (Sem necessidade de vírgula.) Exemplo: São Paulo, 1º de outubro de 2015. Isso é muito comum em cartas e documentos formais. Expressões como "ou seja", "isto é" e "por exemplo" funcionam como explicações dentro da frase. Por isso, precisam ser isoladas por vírgulas. Exemplo: Expressões Explicativas As pessoas, por exemplo, precisam de mais amigos. A herança africana, ou seja, a base da cultura brasileira, é negligenciada. Aqui vale aquela dica: quanto maior o adjunto adverbial deslocado, maior a necessidade da vírgula. Palavras que expressam emoções ou dão ênfase precisam ser isoladas por vírgulas. Exemplo: Interjeições Nossa, que problema! Ele era, sim, um ótimo amigo. Não, isso não é seu. Perceba como a vírgula ajuda a marcar a entonação da fala! Essa é uma regra que muita gente esquece! Sempre que citamos uma cidade junto com uma data, devemos separá-los por vírgula. Nomes de Cidades e Datas Sem essas vírgulas, a leitura pode ficar confusa. Esse é um caso interessante! A elipse acontece quando omitimos um termo que já foi citado antes, e a vírgula entra para indicar essa omissão. Exemplo: Elipse Completo: Eu prefiro cinema, já a minha esposa prefere teatro. Com elipse: Eu prefiro cinema, minha esposa, teatro. Essa estrutura é útil para deixar o texto mais conciso e fluido. Esses são os principais casos em que a vírgula é obrigatória. Seguindo essas regras, seu texto ficará muito mais claro e coeso! 75 Monitoria de Redação A vírgula só seria necessária se houvesse uma inversão, como já estudamos. Algumas palavras exigem complementos para que tenham sentido completo. Não podemos separar esses termos com vírgula. Exemplo: Entre nome e complemento nominal Incorreto: Ele tinha necessidade, de informações. Correto: Ele tinha necessidade de informações O complemento "de informações" faz parte do termo "necessidade" e não pode ser isolado. O adjunto adnominal é um termo que qualifica um substantivo. Ele não pode ser isolado por vírgula. Exemplo: Entre o substantivo e seu adjunto adnominal Incorreto: As duas, inteligentes moças passaram no concurso. Correto: As duas inteligentes moças passaram no concurso. Incorreto: O gato, preto caiu. Correto: O gato preto caiu. Aqui, "preto" é uma característica do gato, então não deve ser separado por vírgula. Seguindo essas regras, você evitará os erros mais comuns no uso da vírgula e garantirá maior clareza na sua escrita! ERROS NO USO DAS VÍRGULAS: CASOS PROIBIDOS Agora nós vamos falar daquilo que é o maior causador de erros nas redações dos alunos. Não é a falta da vírgula, mas sim o uso incorreto dela. Vamos ver os principais casos em que a vírgula é proibida: Na nossa língua, existem termos que se complementam e que devem estar juntos. A vírgula funciona como um muro, e, se você separa termos essenciais, há um problema. Exemplo: Entre sujeito e predicado Incorreto: Os alunos, estudaram bastante. Correto: Os alunos estudaram bastante. Não há pausa natural entre "os alunos" e "estudaram bastante", pois um é sujeito e o outro é predicado. O verbo e seu complemento formam uma unidade de sentido. Não há motivo para separá-los com vírgula. Exemplos: Entre o verbo e seu complemento Incorreto: A pessoa estudou, raciocínio lógico. Correto: A pessoa estudou raciocínio lógico. Incorreto: O candidato necessitou, de informações. Correto: O candidato necessitou de informações. 76 Monitoria de Redação Capítulo 9 USO DA VÍRGULA EM PERÍODOS COMPOSTOS Vamos revisar alguns aspectos trabalhados no capítulo anterior. Oração É uma frase que possui verbo. Período É todo o espaço entre o início da frase e o ponto-final. Período simples Corresponde a um período que possui apenas uma oração, ou seja, um único verbo ou locução verbal. Período composto Corresponde ao período que possui mais de um verbo ou mais de uma locução verbal. Partindo desse ponto, iremos aprender quando usar a vírgula nos períodos compostos. precisa de complemento, já a oração subordinada precisa de algo para fazer sentido. Exemplo: Eu gosto de comprar cursos porque me ajudam a aprender mais. Cheguei cedo, fiz o relatório, saí para almoçar. Período composto por coordenação É aquele período em que as orações não dependem uma da outra para fazer sentido. Elas apenas se juntam (coordenam-se) para formar uma frase mais completa. Exemplo: Os alunos estudaram para a prova, mas ainda estavam nervosos. Período composto por subordinação É aquele período que possui orações diferentes, uma principal e outra subordinada. A oração principal não Orações coordenadas Podem ser: sindéticas ou assindéticas 1.Assindéticas Não são ligadas por conectivos. O uso da vírgula é obrigatório para ligá-las. Exemplo: 2. Sindéticas São ligadas por conectivos. O uso da vírgula depende do tipo de conectivo. Adversativo: Sempre recebe vírgula antes e pode receber uma depois. Exemplo: Estudei muito, mas não passei na prova. Conclusivo: Recebe uma vírgula antes e pode receber uma depois. Exemplo: Você se esforçou, portanto, merece a vitória Explicativo: A vírgula só pode ser usada antes. Exemplo: Apresse-se, porque o prazo está acabando 77 Monitoria de Redação Conforme estabelece a Constituição Federal, a saúde é um direito de todos e um dever do Estado. Alternativo: A vírgula é usada se houver a repetição do conectivo. Exemplo: Ou você estuda, ou não terá um bom desempenho Aditivo: Não se usa vírgula se o sujeito for o mesmo. Exemplo: Fiz a tarefa e entreguei ao professor. Exemplo com sujeitos diferentes: João estava escrevendo, e Maria comendo Orações subordinadas Podem ser de 3 tipos: substantiva, adjetiva e adverbial 1.Orações substantivas Papel semelhante ao de um substantivo O uso da vírgula não ocorre, porque elas atuam como um complemento da oração principal, com exceção da oração que funciona como um aposto. Exemplo: É fundamental que os jovens leiam Exemplo restritivo: As meninas que estão sem farda devem sair da sala. Exemplo explicativo: As meninas, que estão sem farda, devem sair da sala. 2. Orações adjetivas Papel semelhante ao de uma adjetivo O uso da vírgula depende do significado que queremos dar à frase, pois a oração pode ser restritiva ou explicativa. 3. Orações adverbiais Papel semelhante ao de um advérbio. O uso da vírgula ocorrerá quando a oração subordinada for deslocada do fim da frase para o início dela. Exemplo: TRANSCRIÇÃO DA MONITORIA Nós faremos uma breve revisão de alguns aspectos essenciais para que possamos prosseguir ao contexto do período composto. A primeira coisa que você precisa saber é o que é um período. Período Período é aquele espaço que vai do início da frase até o ponto final, a interrogação ou a exclamação. Na redação, a gente só utiliza o ponto final.Então, é aquilo que vai do início da frase até o ponto final. Dentro dessas frases, podemos ter mais de uma oração ou apenas uma. Oração Oração é justamente uma frase que possui verbo. Se eu tenho dois verbos e eles não fazem parte de uma locução verbal, estando separados e realizando ações diferentes, tenho duas orações. Se há duas orações em um mesmo período, trata-se de um período composto. Se há apenas uma oração, o período é simples. Simples é aquilo que tem só uma coisa, enquanto composto envolve duas, três ou mais partes, tornando-se mais complexo. No período composto, analisamos a forma como 78 Monitoria de Redação "Eu gosto de comprar cursos porque me ajudam a aprender mais." 1) "Eu gosto de comprar cursos" é a oração principal, pois tem sentido completo 2) "Porque me ajudam a aprender mais" é a oração subordinada, pois depende da principal para ser compreendida. Se alguém apenas dissesse "Porque me ajudam a aprender mais", a frase pareceria incompleta e confusa. Dessa forma, a oração principal "manda" na subordinada, pois esta é dependente daquela para ser compreendida corretamente. Agora que entendemos o que é um período composto por subordinação e um período composto por coordenação, vamos aprofundar o uso da vírgula nesses casos, começando pelas orações coordenadas assindéticas. No período composto por coordenação, as orações são independentes, ou seja, cada uma delas possui sentido completo, mas se relacionam entre si dentro do período. Essas orações podem estar ligadas por conjunções ou podem ser simplesmente justapostas, sem o uso de conectivos. Quando há conjunção, chamamos de orações coordenadas sindéticas; quando não há, chamamos de orações coordenadas assindéticas. O que são orações coordenadas assindéticas? As orações coordenadas assindéticas são aquelas que não possuem conjunções fazendo a ligação entre elas. Em vez disso, são separadas por pontuação, geralmente as orações se unem, ou seja, como uma se liga à outra. Período Composto Na organização das orações dentro do período, podemos ter duas formas principais: Período composto por coordenação Período composto por subordinação 1. Período Composto por Coordenação Coordenação refere-se à junção de elementos que não dependem uns dos outros para fazer sentido. Em um período composto por coordenação, as orações se unem sem haver dependência entre elas. Exemplo: "Os alunos estudaram para a prova, mas ainda estavam nervosos." Temos duas orações: 1.Os alunos estudaram para a prova. 2.Ainda estavam nervosos. Ambas fazem sentido de forma independente, e a conjunção "mas" apenas as conecta para enriquecer a frase. 2.Período Composto por Subordinação Subordinação ocorre quando uma oração depende da outra para fazer sentido. Em um período composto por subordinação, temos: Oração principal: a parte independente. Oração subordinada: a parte dependente, que precisa da oração principal para ter significado completo. Exemplo: 79 Monitoria de Redação Apesar de a estrutura com orações coordenadas assindéticas ser comum na fala e em textos informais, em redações dissertativas-argumentativas seu uso deve ser moderado. Como não há uma relação explícita entre as ideias, a ausência de conectivos pode tornar o texto menos coeso. Exemplo de fala cotidiana: O que você fez hoje? Estudei, fui à academia, lavei os pratos, dormi. Nesse caso, as ações são apenas listadas, sem um encadeamento lógico explícito. Na escrita formal, como na redação do Enem, recomenda-se o uso de conectivos para estabelecer relações entre as informações, garantindo maior coesão textual. Agora, quando nós temos as orações coordenadas sindéticas, ou seja, aquelas nas quais utilizamos os conectivos, o uso da vírgula passa a ser não obrigatório, mas depende do tipo da conjunção. E é isso que veremos agora. Se eu tenho uma frase como "cheguei ao trabalho e fui direto preparar o jantar", tenho duas orações ligadas pela conjunção "e". Já se eu disser "as políticas públicas para a saúde avançaram nos últimos anos, porém, ainda não atingem áreas mais vulneráveis", o "porém" é uma conjunção adversativa que também faz o papel de ligar as orações. No caso da adversativa, o uso da vírgula é obrigatório. No caso da aditiva, não há necessidade de vírgula. Veremos todas as regras agora. Revisando, estamos tratando das orações coordenadas, aquelas em que ambas as pela vírgula. Como essas orações são independentes entre si, cada uma delas apresenta uma informação autônoma dentro do enunciado. Exemplo: Cheguei cedo, fiz o relatório, saí para almoçar. Peguei o copo, bebi água, coloquei-o na mesa. A educação pública enfrenta desafios graves, os investimentos são insuficientes, os professores não têm o devido reconhecimento. Em todas essas frases, temos orações independentes, separadas por vírgulas. Nenhuma delas estabelece uma relação de subordinação com outra, apenas estão sendo justapostas dentro do mesmo período. USO DA VÍRGULA NAS ORAÇÕES COORDENADAS ASSINDÉTICAS A vírgula é essencial para delimitar cada uma das orações coordenadas assindéticas, pois ela cumpre o papel de segmentar as informações dentro do período. Como cada oração possui sentido próprio e não há um conectivo unindo-as, a vírgula serve para organizar o enunciado e garantir sua clareza. Exemplo: O dia amanheceu frio, saí sem casaco, passei a manhã tremendo. O trânsito estava intenso, perdi a hora, cheguei atrasado. Preparei o jantar, arrumei a mesa, chamei todos para comer. Cada uma dessas frases contém três orações coordenadas assindéticas, separadas corretamente por vírgulas. Cuidado com o uso desse tipo de construção em redações formais! 80 Monitoria de Redação frases fazem sentido completo, podendo ser ligadas sem conectivos ou com conectivos. Sem conectivo, sempre utilizamos a vírgula para isolar as frases. Com o conectivo, a necessidade da vírgula depende do tipo de conjunção: adversativa, conclusiva, explicativa, alternativa, aditiva ou a conjunção "e", que é um caso especial. Conjunções adversativas As conjunções adversativas, como "mas", "porém", "contudo", "entretanto", "todavia", sempre recebem uma vírgula antes. A vírgula depois é opcional. Se eu uso "porém", por exemplo, posso colocar uma vírgula antes e depois? Sim. Já o "mas", por ser curto, recebe apenas a vírgula antes. O "contudo" e o "todavia" podem receber a vírgula antes e depois, mas também podem aparecer apenas com a vírgula antes. Na redação, prefiro utilizar a vírgula antes e depois, pois torna o texto mais formal e reforça a pausa da conjunção adversativa. Exemplo: "O governo investiu em campanhas educativas, porém, a população ainda carece de conscientização ambiental." Aqui, a vírgula antes do "porém" é obrigatória. Conjunções conclusivas As conjunções conclusivas incluem "portanto", "logo", "por conseguinte". Nesse caso, a vírgula antes da conjunção é obrigatória, e a vírgula depois pode ser usada para dar ênfase. Exemplo: "A inclusão de disciplinas práticas no currículo escolar foi aprovada, por conseguinte, os estudantes terão uma formação mais completa. Conjunções explicativas As conjunções explicativas incluem "pois", "porque", "uma vez que", "já que". Nesses casos, a vírgula só deve ser utilizada antes, nunca depois. Exemplo: "Apresse-se, porque o prazo está acabando." Aqui, não há vírgula depois do "porque". Um caso especial é o "pois". Quando tem sentido conclusivo, recebe vírgula antes e depois. Exemplo: "Os indícios são muito fortes. Deverão, pois, condenar o suspeito." Nesse caso, o "pois" pode ser trocado por "portanto", evidenciando seu caráter conclusivo. Conjunções alternativas As conjunções alternativas indicam alternância: "ou... ou", "ora... ora", "quer... quer". Quando há repetição, colocamos vírgula após a primeira expressão. Exemplo: "Ora estuda, ora trabalha." / "Ou dorme, ou come." Se não houver repetição, não há necessidade de vírgula: "Você quer comer ou dormir?" 81 Monitoria de Redação Conjunções aditivas As conjunções aditivasincluem "e", "nem". A regra geral é que não se usa vírgula antes do "e", exceto quando há mudança de sujeito. Exemplo sem mudança de sujeito: "Fiz a tarefa e entreguei ao professor." O sujeito é o mesmo, então não há vírgula. Exemplo com mudança de sujeito: "O governo anunciou a construção de novas escolas, e a população comemorou." Aqui, a vírgula aparece porque há dois sujeitos distintos. Agora que já vimos todas as regras do período composto por coordenação, podemos seguir para as regras do período composto por subordinação. Com essas explicações, você já sabe como utilizar a vírgula corretamente e pode escrever com mais segurança. No período composto por subordinação, é essencial lembrar que temos duas orações interdependentes: a oração principal e a oração subordinada, que depende da principal para ter sentido completo. Essas orações subordinadas se classificam em três tipos: Oração subordinada substantiva Oração subordinada adjetiva Oração subordinada adverbial É aqui que começam aqueles termos gigantes, como oração subordinada substantiva completiva nominal, que costuma assustar muitos estudantes. Hoje, vamos esclarecer esse assunto e facilitar sua compreensão. O motivo desses nomes (substantiva, adjetiva e adverbial) está na função que essas orações exercem na frase. Elas se comportam de maneira semelhante a um substantivo, um adjetivo ou um advérbio. Por isso, antes de avançarmos, é fundamental reforçar: Substantivo: dá nome às coisas. Advérbio: indica o modo ou estado de algo. Adjetivo: expressa uma qualidade de algo. Com esse entendimento, fica muito mais fácil identificar e analisar as orações subordinadas. Orações Subordinadas Substantivas Iniciaremos pelas orações subordinadas substantivas. O nome já indica sua função: elas exercem o papel de um substantivo dentro da frase. Isso significa que podem desempenhar diversas funções, como sujeito, complemento verbal ou nominal, mas não precisamos decorar essas classificações agora. Nosso foco aqui é a vírgula. E a principal regra é clara: nunca utilizamos a vírgula para separar uma oração subordinada substantiva da oração principal. Por quê? Porque a oração subordinada substantiva complementa diretamente a principal, funcionando como se fosse um substantivo dentro dela. Se colocarmos uma vírgula entre essas orações, estamos quebrando essa conexão e prejudicando a fluidez do texto. Exemplo prático: Nosso desejo é que os jovens sejam bons leitores. 82 Monitoria de Redação Agora, se inserirmos uma vírgula: ❌ Nosso desejo é, que os jovens sejam bons leitores. (Erro!) Aqui, a vírgula interrompe a relação natural entre “nosso desejo” e “que os jovens sejam bons leitores”, o que não faz sentido. Teste simples para identificar orações substantivas: Uma maneira prática de perceber essa estrutura é substituir a oração subordinada por algo ou alguma coisa: É fundamental algo. → É fundamental que os jovens leiam. Nosso desejo é alguma coisa. → Nosso desejo é que os jovens sejam bons leitores. Temos fé de algo. → Temos fé de que os jovens leiam mais. Desejo algo. → Desejo que os jovens gostem de ler. Gostaria de algo. → Gostaria de que os jovens gostassem mais de ler. Se a substituição fizer sentido, estamos diante de uma oração subordinada substantiva e, portanto, não devemos isolá- la com vírgula. Única exceção: oração subordinada substantiva com função de aposto. A única situação em que a vírgula pode aparecer é quando a oração exerce o papel de aposto, ou seja, uma explicação ou detalhe adicional. Exemplo: Aqui, a parte “que eu adoro livros” não é essencial para a estrutura principal da oração. Se retirarmos essa informação, a frase ainda fará sentido: Todos pensam a mesma coisa. Nesse caso, a vírgula pode ser usada, assim como dois pontos: Todos pensam a mesma coisa: que eu adoro livros. Atenção ao erro comum com "que": Muitos erram ao colocar uma vírgula antes do "que" em orações subordinadas substantivas. Isso acontece porque o "que" está ligado a um termo anterior, completando seu sentido. Compare: Todos pensam a mesma coisa, que eu adoro livros. ✅ É fundamental que os jovens leiam. ❌ É fundamental, que os jovens leiam. (Erro!) A segunda frase está errada porque “que os jovens leiam” é justamente a explicação do que é fundamental. Como essa informação completa a oração principal, não há motivo para inserir a vírgula. RESUMO DA REGRA ✔ NUNCA use vírgula para separar a oração subordinada substantiva da principal. ✔ A única exceção ocorre quando a oração exerce função de aposto. ✔ Evite colocar vírgula antes do "que" quando ele introduz uma oração subordinada substantiva. 83 Monitoria de Redação Orações Subordinadas Adjetivas As orações subordinadas adjetivas exercem o papel de um adjetivo dentro da frase. Um adjetivo caracteriza um substantivo, fornecendo uma informação sobre ele. Por exemplo: Outro exemplo: Menino alto (alto é uma característica do menino) Menino rico (rico descreve uma qualidade do menino) Menino alegre (alegre indica uma característica dele) Aqueles produtos que estão arranhados devem ser descartados. Apenas os produtos arranhados serão descartados. Nessa frase, apenas os arranhados serão descartados, ou seja, há um grupo que não possui arranhões. Orações Adjetivas Explicativas (Com Vírgula) Quando a oração adjetiva apenas acrescenta uma informação adicional, sem restringir o significado do substantivo, ela deve ser isolada por duas vírgulas. Exemplo: Da mesma forma, uma oração subordinada adjetiva dá uma informação sobre um substantivo da oração principal. A questão é: posso ou não utilizar a vírgula isolando essa oração? A resposta depende da função da informação: se ela restringe o significado do substantivo ou se apenas acrescenta um detalhe sobre ele. Orações Adjetivas Restritivas (Sem Vírgula) Quando a oração adjetiva é essencial para identificar o substantivo, não usamos vírgulas. Ela restringe o significado, ou seja, sem essa informação, não saberíamos de quem ou do que estamos falando. Exemplo: As meninas que estão sem farda devem sair da sala. O diretor está falando apenas das meninas que não estão com a farda. A expressão "que estão sem farda" é essencial para identificar quais meninas precisam sair. As meninas, que estão sem farda, devem sair da sala. O diretor está falando com todas as meninas da sala. Isso quer dizer que todas as meninas estão sem a vestimenta. "Que estão sem farda" é apenas um detalhe adicional sobre as alunas, tanto que eu posso ler sem essa informação "as meninas devem sair da sala". Outro exemplo: Aqueles produtos, que estão arranhados, devem ser descartados. Todos os produtos serão descartados. O trecho "que estão arranhados" é uma informação 84 Monitoria de Redação extra sobre os produtos, e não um critério de seleção. Logo, isso quer dizer que todos os produtos possuem arranhões, dizer que eles estão nessa condição é uma informação adicional. RESUMO DA REGRA ✔ Sem vírgula: quando a oração é essencial para identificar o substantivo (restritiva). ✔ Com vírgula: quando a oração apenas acrescenta uma informação extra (explicativa). Orações subordinadas adverbiais As orações subordinadas adverbiais desempenham o papel de advérbio dentro do período composto. Na semana passada, falamos sobre os adjuntos adverbiais e a regra de pontuação: quando aparecem no fim da oração, a vírgula não é utilizada; quando deslocados para o início ou para o meio, a vírgula torna-se obrigatória. Com as orações subordinadas adverbiais, a lógica é a mesma, mas, em vez de uma palavra isolada, temos uma oração inteira desempenhando essa função. Vejamos alguns exemplos: Temporal: "Quando políticas públicas efetivas forem implementadas, a qualidade de vida da população melhorará." O normal seria: "A qualidade de vida melhorará quando políticas forem implementadas." Como houve inversão, a vírgula foi necessária. Causal: "Como a desinformação ainda está presente, é necessário investir em educação midiática." Sem inversão,a vírgula não seria usada: "É necessário investir em educação midiática como a desinformação ainda está presente." Condicional: "Se a educação fosse priorizada, o índice de desigualdade seria reduzido." Na ordem direta: "O índice de desigualdade seria reduzido se a educação fosse priorizada." Concessiva: "Embora existam leis sobre o tema, elas ainda são pouco aplicadas na prática." Final: "Para que a inclusão digital seja acessível a todos, é fundamental ampliar o acesso à internet." Proporcional: "À medida que os investimentos em saúde mental aumentam, a taxa de suicídio diminui." Comparativa: "Tão grave quanto a falta de investimentos na saúde, é o descaso com a educação pública." Conformativa: "Conforme estabelece a Constituição Federal, a saúde é um direito de todos e um dever do Estado." RESUMO PRÁTICO 1.Se a oração adverbial está no final da frase, não se usa vírgula. 2.Se a oração adverbial está no início ou no meio, usa-se vírgula. 3.Casos mais frequentes: "Se" no início: sempre com vírgula. Ex.: "Se eu estudar, terei sucesso." "Quando" no início: sempre com vírgula. Ex.: "Quando eu escrever, revisarei o texto." "Embora" no início: sempre com vírgula. Ex.: "Embora haja dificuldades, continuaremos." "Para" indicando finalidade no início: sempre com vírgula. Ex.: "Para aprender bem, é preciso prática." 85 Monitoria de Redação Capítulo 10 USO CORRETO DOS PRONOMES RELATIVOS A primeira coisa que precisamos saber é: o que é um pronome? Pronome é uma palavra que substitui um nome já mencionado no texto. Por que nós usamos pronomes? Para evitar repetições desnecessárias, as quais são encontradas em textos de crianças. Exemplo: desses elementos já é capaz de retomar uma ideia inteira. Exemplo: O termo “o qual” retoma “o grande problema da falta de água no Nordeste”. Agora vamos conhecer quais são os pronomes relativos: Invariáveis: que, quem, onde. Variáveis: o qual, a qual, os quais, as quais, cujo, cuja, cujos, cujas, quanto, quanta, quantos, quantas. Invariável quer dizer que eles não precisam fazer concordância, enquanto variável significa que eles precisam concordar em gênero e número. O gato cinza é peludo. Esse gato subiu na mesa da minha casa. Quando esse gato desceu, alguns pratos caíram. Percebe que esse texto está muito repetitivo? Essas repetições enfraquecem a coesão, por isso, nós usamos os pronomes (palavras para substituir nomes). Exemplo corrigido: O gato cinza é peludo. Esse animal subiu na mesa da minha casa. Quando ele desceu, alguns pratos caíram. Agora, com o uso de sinônimos e pronomes, é mais fácil ler o texto. Perfeito! Entendemos o que é um pronome, agora precisamos entender apenas por que há uma classificação que os chama de “pronomes relativos”. Os pronomes relativos são aqueles pronomes utilizados para retomar alguma ideia que já foi citada no texto, apenas um O grande problema da falta de água no Nordeste sobre o qual falávamos na semana passada não foi resolvido. Usado para retomar pessoas ou coisas, funcionando como sujeito ou complemento. Exemplo: "Que" (invariável) O livro que comprei é muito bom. A menina que chegou é minha prima. Usado para retomar pessoas e sempre exige uma preposição quando exerce função de complemento. Exemplos: "Quem" (invariável) 86 Monitoria de Redação posse, então o artigo "o" não deve ser usado.) Não conheço a pessoa de quem você está falando. (complemento regido por "de"). Ele foi o professor a quem pedi ajuda. (complemento regido por "a"). ❌ Erro comum: O professor quem admiro é muito inteligente. (Correção: "O professor a quem admiro" ou "O professor que admiro") Usados para evitar ambiguidade, especialmente quando há mais de um antecedente. Exemplos: "O qual", "a qual", "os quais", "as quais" (variáveis) A empresa e a equipe, as quais trabalham juntas, tiveram bons resultados. (evita ambiguidade em relação ao pronome "que") O projeto, o qual foi aprovado, começará em breve. (pronome mais formal que "que") Indicam posse e não podem ser seguidos por artigo. Exemplos: "Cujo", "cuja", "cujos", "cujas" (variáveis) Li um livro cujo autor é renomado. Essa é a aluna cujo desempenho surpreendeu a todos. ❌ Erro comum: Li um livro cujo o autor é renomado. (Errado! O pronome "cujo" já indica Usados após os pronomes indefinidos "tudo", "todo", "todas", “tantas”, indicando relação com quantidade. Exemplos: "Quanto", "quanta", "quantos", "quantas" (variáveis) Ele disse tudo quanto sabia. (equivalente a "tudo o que sabia") Li todas quantas as notícias do dia. (mais formal que "todas as notícias") Indica lugar e pode ser substituído por "em que" ou "no qual". Exemplos: "Onde" (invariável) A cidade onde nasci é linda. (equivalente a "em que nasci") O restaurante onde jantamos ontem foi excelente. (equivalente a "no qual jantamos") Cuidado! O uso de "onde" para retomar termos abstratos é inadequado. Ele só pode ser usado com valor locativo, e esse erro pode custar 40 pontos na sua competência 4. ❌ Exemplo errado: A situação onde me encontrei foi difícil. (Correção: "A situação em que me encontrei") 87 Monitoria de Redação nos alunos é o uso de pronomes relativos junto a preposições. Esses pronomes devem ser usados respeitando a regência dos verbos contidos na frase. Exemplos: Essa é a juíza à qual me referi. (Referir-se a) O assunto de que tratamos era complexo. (Tratar de) O professor de quem lhe falei já chegou. (Falar de) O problema com que me deparei era sério. (Deparar-se com) O projeto sobre o qual discutimos foi aprovado. (Discutir sobre) A cidade em que nasci é pequena. (Nascer em) O autor a cujas obras me dedico é renomado. (Dedicar-se a) O PROBLEMA DO USO DE "MESMO" COMO ELEMENTO DE RETOMADA Muitos alunos acreditam que "mesmo" pode substituir pronomes relativos como "que" ou "o qual", mas isso está errado. O pronome "mesmo" tem valor de ênfase ou identidade, mas não serve para retomar um termo anterior ❌ Erro comum: O professor foi rude, o mesmo foi retirado do cargo. (Uso incorreto de "o mesmo" para retomar "o professor") Opções de correções: O professor foi rude, e ele foi retirado do cargo. (Uso de um pronome pessoal para retomada.) O professor, que foi rude, foi retirado do cargo. (Uso do pronome relativo adequado.) O professor foi rude e, por isso, foi retirado do cargo. (Uso de conectivo para dar coesão ao texto.) Quando usar "mesmo"? "Mesmo" pode ser usado para indicar identidade ou ênfase, mas não como pronome relativo. Exemplos corretos: Quero resolver o problema eu mesmo. (ênfase no sujeito) Ela trabalha na mesma empresa há anos. (sentido de identidade, indicando que a empresa é a mesma de antes.) PRONOMES RELATIVOS E REGÊNCIA Uma questão que causa muitas confusões PRONOMES RELATIVOS E PONTUAÇÃO Iremos revisar alguns usos da vírgula que já vimos na semana passada. Casos que geralmente não exigem vírgula: Quando o pronome relativo restringe o sentido do termo anterior. O livro que comprei é interessante. A cidade onde nasci é pequena. Casos que exigem vírgula: Quando o pronome relativo introduz orações explicativas. Meu irmão, que mora em Recife, virá nos visitar. A Amazônia, onde vivem milhares de espécies, sofre com o desmatamento. Como evitar erros de concordância? 88 Monitoria de Redação E você deve me perguntar: por que temos pronomes? Por que é necessário tê-los em nosso texto? Precisamos dos pronomes para evitar um texto repetitivo, como o de uma criança de cinco anos, que ainda está aprendendo a fazer retomadas e a usar pronomes. Ela irá constantemente repetir algumas palavras, e o nosso texto precisa progredir, ter fluidez. Para ilustrar, veja este exemplo: Ao usar pronomes relativos, é muito fácil cometer algum erro de concordância, mas, para evitá-los, você deve estar muito atento ao termo ao qual ele se refere. Desse modo, você conseguirá fazer um texto coeso e sem erros de concordância. Vejamos alguns exemplos de erros comuns: ❌ Erro: A juíza, o qual tomou a decisão, é experiente. ✅ Correção:A juíza, a qual tomou a decisão, é experiente. ❌ Erro: As leis, a qual foram aprovadas, são rigorosas. ✅ Correção: As leis, as quais foram aprovadas, são rigorosas. Perceba que é muito importante ter em mente qual é o termo que está sendo retomado. TRANSCRIÇÃO DA MONITORIA O assunto que nós trabalharemos agora é o uso correto dos pronomes relativos, pois não basta utilizar os pronomes relativos: é preciso também fazer o uso correto. Como corretor, eu sei que muitos alunos erram o uso dos pronomes relativos, principalmente quando temos a concordância entre o pronome relativo e o termo que está sendo retomado. Além disso, há dificuldades quando aliamos regência aos pronomes relativos, pois, como eu já expliquei no assunto de crase, os pronomes relativos, como "o qual" e "a qual", podem se unir a preposições. Nós veremos isso com detalhes aqui. O que é um pronome? A primeira coisa que faremos é entender o que é um pronome na língua portuguesa. Texto sem pronomes: O gato cinza é peludo. Esse gato subiu na mesa. Quando esse gato desceu, alguns pratos caíram. Perceba que repeti três vezes a palavra "gato". Isso torna o texto monótono. Agora, vejamos uma reescrita utilizando pronomes: Texto com pronomes: O gato cinza é peludo. Esse animal mal subiu na mesa da minha casa. Quando ele desceu, alguns pratos caíram. Note que o texto já ficou mais fluido, apesar de manter uma estrutura simples. Já vimos, então, que pronomes como "ele", "ela", "nós", "vós", "este", "aquele" e "aquilo" ajudam a evitar repetições. Mas hoje nos concentraremos nos pronomes relativos. O que é um pronome relativo? Um pronome relativo é uma palavra que tem a função de retomar algum elemento que já foi mencionado no texto. Ou seja, ele estabelece uma relação entre duas orações e evita a repetição de termos já citados. Os pronomes relativos podem ser variáveis ou invariáveis. Antes de explorarmos essa classificação, analise a seguinte frase: 89 Monitoria de Redação O grande problema da falta de água no Nordeste, sobre o qual falávamos na semana passada, não foi resolvido. O pronome relativo "o qual" retoma "o grande problema da falta de água no Nordeste". Observe que uma pequena expressão evita a repetição desnecessária dessa informação. Assim, utilizamos os pronomes relativos para garantir progressão textual e fluidez, tornando o texto mais coeso e elegante. Agora que nós já entendemos o motivo de usar os pronomes relativos, nós vamos propriamente conhecer quais são esses pronomes. Temos três que são invariáveis: "o que", "o quem" e "o onde". E por que esses termos são chamados de invariáveis? Porque eles não mudam de acordo com as pessoas ou com a quantidade de pessoas. Já os termos variáveis são aqueles que mudam conforme o gênero e o número: se é feminino ou masculino, se é uma pessoa ou se são duas pessoas. Por exemplo, o "o qual" apresenta as variações: "o qual", "os quais", "a qual" e "as quais". Já "cujo" se flexiona em "cujo", "cuja", "cujos" e "cujas". O mesmo acontece com "quanto": "quanto", "quanta", "quantos" e "quantas". Esses termos precisam concordar com os substantivos a que se referem no texto. Agora que já vimos quais são os pronomes relativos, vamos entender quando utilizar cada um deles. Começaremos pelo "que", que é invariável. Costumo dizer que ele é universal, pois serve para tudo: homem, mulher, criança, objeto. Podemos utilizá-lo em frases como: A realidade em que vivemos... (Nesse caso, há a preposição "em".) O prédio que foi construído recentemente... A criança que estava aqui... O homem que fugiu... O "que" pode ser utilizado para tudo. No entanto, é comum encontrarmos erros ao utilizá-lo. Um exemplo equivocado do uso do "quem" em vez do "que": "O professor quem admiro muito é inteligente." O correto seria: "O professor que admiro muito é inteligente." "O professor a quem admiro muito é inteligente." Agora falaremos sobre o pronome "quem", que só deve ser utilizado para se referir a pessoas. Isso é óbvio, pois, se perguntarmos "quem está aí?", não esperamos como resposta "uma garrafa", por exemplo. Então, em frases, ele também sempre se referirá a uma pessoa. Vejamos alguns exemplos: "Não conheço a pessoa de quem você está falando." (Quem fala, fala de alguém.) "Ele foi o professor a quem pedi ajuda." (Quem pede ajuda, pede ajuda a alguém.) Agora vamos ao uso de "o qual", "a qual", "os quais" e "as quais". Esses termos são mais formais e diretos, pois fazem concordância com o termo retomado, tornando a referência mais clara. Em algumas situações, o "que" não será a melhor escolha, e o uso de "o qual" ajudará a evitar ambiguidades. Veja exemplos: 90 Monitoria de Redação "A empresa e a equipe, as quais trabalham juntas, tiveram bons resultados." "O projeto, o qual foi aprovado, começará em breve." Embora o uso desses pronomes seja mais formal, eles podem ser empregados em diferentes contextos, como na literatura ou até mesmo em redações, desde que adequado ao tom do texto. Agora nós iremos falar de algo que pode tirar 40 pontos da sua competência 4, e você deve estar pensando: "Nossa, então isso realmente é algo muito grave?" Sim! A competência 4 não admite nenhum erro. Se você tem uma inadequação coesiva, já perde 40 pontos. E qual é esse caso tão relevante? O caso do "onde". Esse termo é utilizado como pronome relativo, mas não pode retomar qualquer coisa. Algo que nós não vemos no dia a dia, pois as pessoas utilizam erroneamente esse pronome para qualquer ideia ou situação. No entanto, "onde" só pode ser utilizado com valor locativo, ou seja, para referir-se a locais físicos. Por exemplo: Agora trabalharemos um tipo de pronome que muitos erram: "cujo", "cuja", "cujos", "cujas". Os erros geralmente ocorrem por dois motivos: 1."Cujo" só pode ser utilizado quando há ideia de posse. 2.Não se deve colocar artigo depois de "cujo". Por exemplo, a frase incorreta: "O rapaz cujo o nome é João." O correto seria: "O rapaz cujo nome é João." Vejamos outros exemplos corretos: "Li um livro cujo autor é renomado." (O livro pertence ao autor.) "Essa é a aluna cujo desempenho surpreendeu a todos." (O desempenho pertence à aluna.) Agora falaremos de alguns pronomes relativos menos frequentes na redação, mas que são úteis em outros contextos. Os pronomes "quanto", "quanta", "quantos" e "quantas" referem-se a quantidades e sempre aparecem junto a pronomes indefinidos, como "todo", "toda", "tantos", "tantas". Exemplos: "Ele disse tudo quanto sabia." (Refere-se à quantidade de conhecimento.) "Li todas quantas as notícias do dia." (Refere-se à quantidade de notícias.) A escola onde estudei. O hospital onde nasci. Ambos são locais físicos, então o uso de "onde" está correto. Podemos nos deslocar até eles. Agora, vejamos exemplos de uso incorreto: Essa é a sociedade onde ocorreu um grande problema. (Erro! "Sociedade" é uma ideia abstrata, não um local físico.) Esse é o problema onde é preciso atuar. (Erro! "Problema" não é um local, então o uso de "onde" está errado.) 91 Monitoria de Redação Essa é a mesma garrafa que eu tenho há anos. (Indica que é a mesma garrafa, sem alteração.) USO INADEQUADO DE "O MESMO" COMO RETOMADA Agora, falaremos de um caso que não é propriamente um pronome relativo, mas que é erroneamente utilizado como tal: "o mesmo", "a mesma", "os mesmos", "as mesmas". Esses termos jamais devem ser utilizados como elementos de retomada, pois não exercem a função de pronome relativo. Exemplo incorreto: O professor foi rude com a aluna, o mesmo foi demitido. (Erro! "O mesmo" não pode retomar "o professor".) Exemplo correto: O professor foi rude com a aluna, ele foi demitido. Erro comum em redações: Os investimentos na educação são precários, os mesmos deveriam ser melhorados. (Erro!) Forma correta: Os investimentos na educação são precários, eles deveriam ser melhorados. Esse erro é tão recorrente que até mesmo documentos oficiais o cometem. Um exemplo é uma lei estadual que determinava a colocação de placas nos elevadores com a frase:"Antes de entrar, verifique se o mesmo encontra-se parado." O correto seria: "Antes de entrar, verifique se ele está parado." Quando "o mesmo" pode ser usado corretamente? "O mesmo" pode ser usado em contextos de ênfase ou identidade: Eu quero resolver a questão eu mesmo. (Enfatiza que a própria pessoa quer resolver.) Agora, se a frase for: Essa é a minha garrafa. A mesma é verde. (Erro! O correto seria "Ela é verde" ou "A qual é verde".) Agora que nós já entendemos quais são os pronomes relativos e quando utilizá-los, vamos revisar três aspectos fundamentais: concordância, regência e pontuação PONTUAÇÃO A pontuação nas orações subordinadas adjetivas segue a seguinte regra: Orações explicativas: são separadas por vírgulas, pois adicionam uma informação extra. Exemplo: A garrafa, que era verde, é muito boa. (A informação sobre a cor da garrafa não é essencial.) Orações restritivas: não são separadas por vírgulas, pois restringem o sentido do substantivo. Exemplo: A garrafa que é verde é muito boa. (Dentre várias garrafas, apenas a verde é boa.) REGÊNCIA Os pronomes relativos não regem preposições por si só, mas a regência verbal da frase pode exigir uma preposição antes deles. Veja alguns exemplos: Essa é a juíza à qual me referi. (Quem se refere, se refere a algo.) 92 Monitoria de Redação O assunto de que tratamos é complexo. (Quem trata, trata de algo.) O professor de quem falei já chegou. (Quem fala, fala de algo.) O problema com que me deparei era sério. (Quem se depara, se depara com algo.) O projeto sobre o qual discutimos foi aprovado. (Quem discute, discute sobre algo.) Sempre observe o verbo e a preposição exigida por ele antes do pronome relativo. CONCORDÂNCIA Os pronomes relativos variáveis devem concordar em gênero e número com os termos aos quais se referem. Exemplos: A cadeira a qual comprei era boa. (Concordância com "cadeira", que é feminino.) As leis as quais foram aprovadas devem ser respeitadas. (Concordância com "leis", que é plural.) Evite erros como: A cadeira o qual comprei... ❌ As leis a qual foram aprovadas... ❌ Concluir essa segunda etapa do estudo gramatical é mais do que acumular conhecimento: é ampliar sua consciência sobre a língua que você usa para pensar, argumentar e se posicionar no mundo. Aqui, você se deparou com estruturas mais sofisticadas da norma-padrão e fortaleceu o olhar para os detalhes que diferenciam uma escrita comum de uma escrita realmente eficaz. Lembre-se de que cada elemento gramatical é uma ferramenta de construção — e, quando bem utilizada, ela refina seu texto, amplia sua clareza e fortalece sua voz no papel. Continue praticando. Escrever bem é uma consequência direta de ler com atenção, revisar com rigor e pensar com linguagem. Você está mais preparado — e mais consciente — para escrever com precisão e intenção.ficará no singular. Além disso, qual o sentido dessa expressão? Quando eu digo que “não há nada a ver”, é como se eu afirmasse que não há semelhança, não há nada ali que pode ser visto e que traz essa ideia de semelhança, de algo que tem uma ligação com outra coisa. É por isso que nós utilizamos o “nada a ver”. Não há nenhuma ligação, não há “nada a ver” de semelhança aqui. Sobre a expressão "nada a ver" Esse é um ponto que não necessariamente é da concordância, mas que tem muito a ver com o verbo haver. Inclusive, eu até utilizei essa expressão agora, “tem muito a ver”. O correto é utilizar a forma separada, não o verbo “haver”. Você deve lembrar que eu falei que o verbo haver é impessoal e que, quando ele é impessoal, ele não possui sujeito, ok? Quando ele é impessoal, ele também pode ser trocado pelo verbo existir, certo? Então, nessa frase, quando eu digo: Isso não tem nada a ver. Eu poderia trocar o “haver”, caso fosse esse verbo - a escrita junta - pelo “existir”? Isso não tem nada “existir”. Faria sentido? Não faria sentido. Então é por isso que nós utilizamos o “nada a ver” separado. Essa é uma das justificativas. 11 Monitoria de Redação Capítulo 2 PONTUAÇÃO EM CITAÇÕES DIRETAS E INDIRETAS Vamos falar sobre as citações nos nossos textos, algo importantíssimo para alcançar a nota de 200 pontos na competência 2. A primeira coisa que vamos entender é: o que são citações. A partir de agora eu quero que você pense na citação como aquele repertório que você precisa usar em diversos momentos do seu texto. De modo mais específico, é interessante que você os use em três momentos: na introdução, no desenvolvimento 1 e no desenvolvimento 2. Os repertórios podem ser: afirmações de especialistas, citações de filmes, letras de músicas, frases de filósofos, informações de áreas do conhecimento e de livros. Essas citações são essenciais para embasar o seu ponto de vista. Todavia, elas não aparecem sempre da mesma forma nos textos. Há várias maneiras de apresentar essas informações, porém sempre você fará uma escolha: falar de maneira direta ou falar de maneira indireta. direta, porque talvez a minha memória me engane no dia da prova e eu seja prejudicado por isso hahaha. Brincadeiras à parte, as citações diretas podem ser usadas em frases que você conheça muito, como esta que é o meu xodó para falar de problemas na educação: “A educação não transforma o mundo, a educação muda as pessoas, as pessoas transformam o mundo", de Paulo Freire. Resumindo: citações diretas falam exatamente a mesma coisa que o autor disse. CITAÇÕES DIRETAS As citações diretas são praticamente “cópias” daquilo que foi dito pelo filósofo, apresentado no filme, escrito na letra da música ou afirmado pela área do conhecimento. Você precisa fazer uma cópia muito semelhante ao que o autor disse, praticamente igual. Eu, Mateus, não gosto tanto de usar citação CITAÇÕES INDIRETAS As citações indiretas são mais populares entre os alunos, visto que há uma maior liberdade ao utilizá-las. É possível usar um pensamento de um autor, mas sem precisar lembrar exatamente do que aquele autor falava. Por exemplo, eu posso usar a mesma frase do Paulo Freire de maneira indireta. Vejamos: Segundo o pensador Paulo Freire, a educação é muito importante, uma vez que as pessoas, transformadas pela educação, podem mudar a estrutura mundial. Eu falei a mesma coisa com outras palavras, eu parafraseei a frase original. Essa forma de fazer é maravilhosa porque você não precisa saber tudo do livro, da música, do pensador, da teoria, da área do conhecimento; enfim, não é preciso decorar centenas de citações para o seu texto. Resumindo: citações indiretas são aquelas em que não é preciso escrever exatamente o que o autor falou. 12 Monitoria de Redação Se a citação for um período independente, ela começa com maiúscula. Exemplo: Como afirmou Paulo Freire, “A educação não transforma o mundo, a educação muda as pessoas, as pessoas transformam o mundo.” Se a citação for integrada à estrutura do período, mantendo a coesão com o texto, pode começar com minúscula. Exemplo: Paulo Freire afirmou que “a educação muda as pessoas, as pessoas transformam o mundo PONTUAÇÃO EM CITAÇÕES DIRETAS E INDIRETAS Agora que nós já sabemos o que são citações diretas e indiretas, vamos aprender a maneira certa de usar iniciais maiúsculas, aspas e vírgulas nesses casos. Antes da citação, é preciso que você tenha um conectivo para ligar esse trecho ao trecho anterior. Não vale começar a frase de modo seco com apenas “segundo tal pessoa”, “de acordo com tal filósofo”, “tal área do conhecimento afirma”. Cadê a fluidez? Cadê a passagem fluida das ideias? Percebe que fica tudo muito seco? Por essa razão, siga a dica do corretor: use sempre um conectivo antes da citação. Exemplos: Nesse sentido, Nessa perspectiva, Sob esse viés, A partir disso, Nesse espectro, Além disso, Ademais. Como pontuar em citações diretas? Nas citações diretas, nós precisamos escrever exatamente como o autor falou. Logo, é preciso mostrar para o corretor que você está fazendo isso. A necessidade de se usar aspas. Como nós precisamos mostrar para o corretor que há uma citação direta, o uso das aspas é obrigatório. Ele sinaliza que a frase está escrita tal qual foi falada, escrita ou cantada. Inicial maiúscula na primeira palavra da citação. Sobre a inicial da citação, é preciso analisar o caso em que estamos trabalhando. Como pontuar em citações indiretas? Nas citações indiretas, não é preciso mostrar que houve uma cópia da frase, ou seja, não há a necessidade de se usar as aspas para delimitar a afirmação. Além disso, como a informação aparece integrada aos resto do texto, não há necessidade de usar inicial maiúscula a não ser que essa seja a primeira parte do período, o que é praticamente impossível, visto que nós combinamos de sempre usar o conectivo, correto? Como usar a vírgula nos dois casos? Uso de “segundo”, “conforme” e “de acordo com” Essas expressões introduzem a fonte da citação e sempre exigem vírgula após o autor ou a obra. Segundo Karl Marx, “A história de todas as sociedades até agora existentes é a história da luta de classes”. Conforme Immanuel Kant, “O homem é aquilo que a educação faz dele”. 13 Monitoria de Redação de respeitar sua escolha no texto inteiro) Exemplo: “Memórias Póstumas de Brás Cubas” / “Memórias póstumas de Brás Cubas”. No nome dos autores, é preciso usar em todas as partes. Exemplo: Machado de Assis Não se usa letras maiúsculas em preposições nos nomes de filmes, de livros e de autores. Use as aspas para isolar o nome das obras. Aposto com o nome do autor Quando o nome do autor aparece depois do título da obra, ele deve ser isolado por vírgulas. Segundo “O capital”, de Karl Marx, as relações sociais são determinadas pela economia. Conforme “Crítica da razão pura”, de Immanuel Kant, o conhecimento resulta da interação entre experiência e razão. O livro “A origem das espécies”, de Charles Darwin, revolucionou a biologia. De acordo com Hannah Arendt, “A essência dos direitos humanos é o direito a ter direitos”. Mesmo que a locução apareça no meio ou no final da frase, a vírgula continua obrigatória: A ética, conforme Aristóteles, é o caminho para a felicidade. O pensamento marxista enfatiza a luta de classes, de acordo com Karl Marx. Uso de verbos como afirma, cita, fala, explana, demonstra… Esses verbos geralmente introduzem a citação direta, e, nesses casos, nós não usamos a vírgula depois do verbo. Aristóteles cita que “a felicidade consiste em viver de acordo com a virtude.” Rousseau demonstra que “o homem nasce livre, mas por toda parte está acorrentado.” Orientações finais Use sempre inicial maiúscula no nome das obras e dos autores. Nas obras, podem ser todas as iniciais ou apenas a inicial do primeiro nome (lembre-se TRANSCRIÇÃO DA MONITORIA Para esse capítulo, eu preparei um material riquíssimo que contempla não só a competência 1, mas também as competências 2 e 4. O meu objetivo dehoje não é que você apenas aprenda a pontuar em citações diretas e indiretas, mas que você consiga apresentar bem o seu repertório; para que o corretor consiga entender claramente aquilo que você quer pontuar, apresentar, trazer para embasar o seu argumento. A primeira coisa que você precisa entender é que, para tirar 200 pontos na competência 2, você precisa ter citações. E o que são citações? “Citações” é um nome um pouco diferente para repertório, porque, afinal, sempre que nós temos um repertório, nós estamos citando alguma coisa de um livro, de um filme, de uma área do conhecimento, de uma música, de um pensador. Você precisa ter essas citações. Basicamente, nós iremos aprender como apresentar repertórios hoje. E essas informações geralmente aparecem no desenvolvimento 1, no desenvolvimento 2 14 Monitoria de Redação Já a citação indireta é muito mais versátil, é muito fácil de utilizar. Por quê? Eu não preciso falar exatamente o que o pensador escreveu. Eu posso apenas me basear na ideia dele, apenas reproduzir uma parte dessa frase, uma parte do pensamento geral. eu posso falar com minhas palavras aquilo que o autor pensa. Então, a citação indireta tende a ser um pouco mais versátil. Por exemplo, eu posso pegar a mesma frase de Paulo Freire e escrever “Segundo o pensador Paulo Freire, a educação é muito importante, uma vez que as pessoas transformadas pela educação podem mudar a estrutura mundial”. Você percebe que eu utilizei a mesma frase, só que eu não precisei escrever da mesma forma que o Paulo Freire falou? Eu tive liberdade para usar as minhas palavras. Eu parafraseei a frase original. Essa forma de fazer é muito boa, porque você não precisa conhecer o livro inteiro, não precisa saber a música exatamente, não precisa saber todas as teorias do pensador, não precisa saber tudo sobre uma área do conhecimento, pode apenas pegar uma informação, você não precisa ficar decorando centenas de frases. Então, é muito melhor sempre se basear em algum livro, em algum filme, em algum autor e fazer uma citação indireta, por ser mais versátil. e também são utilizadas para contextualizar a sua introdução. Elas podem ser apresentadas de diferentes maneiras: de maneira direta ou de maneira indireta. Você sempre fará essa escolha, mas o que quer dizer apresentar de maneira direta ou indireta? Quando eu falo que o aluno fez uma citação direta, eu quero dizer que ele fez praticamente uma cópia daquilo que o filósofo falou, do que o filme apresentou, do que estava escrito na letra da música ou que foi afirmado pela área do conhecimento que ele escolheu. Então, você vai fazer uma cópia muito semelhante, realmente uma cópia daquilo que estava presente no repertório que você escolheu, caso seja uma citação direta. Vou contar um segredo para vocês. Geralmente, eu não gosto de utilizar a citação direta, porque vai que na hora da prova eu tenha um problema de memória? Vai que eu me esqueça de como é que aquela frase era escrita, de como aquele autor falava exatamente? Se eu esqueço e faço uma frase totalmente diferente, eu cometo um erro ao escrever uma citação direta, porque, se é uma citação direta, tem que ser exatamente igual ao que o autor falou. Então, eu geralmente utilizo a citação indireta, porque ela é mais fácil de ser utilizada. Só com frases muito específicas é que eu utilizo a citação direta, como a frase de Paulo Freire, “A educação não transforma o mundo, a educação muda pessoas, as pessoas transformam o mundo”. Porque essa é uma frase que me impactou muito e que eu tenho gravada na minha mente. Então, é fácil de citar, por exemplo, em um tema que fala sobre educação. RESUMINDO TUDO O QUE APRENDEMOS ATÉ AGORA: Citações são informações que nós trazemos para embasar nossos argumentos no texto, chamadas comumente de repertórios. Existem citações diretas e indiretas. 15 Monitoria de Redação Agora nós já sabemos o que são citações diretas e citações indiretas. Por isso, nós iremos aprender como utilizar as pontuações nesses casos: como utilizar as letras maiúsculas, as aspas, as vírgulas e como organizar a minha citação para que o corretor receba uma citação perfeita. Como nós queremos a citação perfeita, nós não podemos começar diretamente com a citação. Eu preciso ligar essa citação com algo que já foi falado no texto. Eu preciso ter uma ligação com o resto. Afinal, se eu apenas solto informação, de que vale essa informação para o meu texto? Ela precisa estar articulada. É a tal da produtividade que nós sempre falamos na competência 2. E qual a melhor forma de já iniciar com a boa ligação? Utilizar um conectivo para iniciar a sua citação. Então, não posso iniciar com: “segundo tal Citações diretas são aquelas em que eu preciso escrever exatamente o que o autor disse. Exemplo: Segundo o patrono da educação brasileira Paulo Freire, "A educação não transforma o mundo, a educação muda as pessoas, as pessoas transformam o mundo". Citações indiretas são aquelas em que eu possuo uma maior liberdade de escrita. Eu apenas tenho o pensamento do autor como base, mas não precisa estar escrito exatamente igual. Exemplo: Segundo o pensador Paulo Freire, a educação é muito importante, uma vez que as pessoas, transformadas pela educação, podem mudar a estrutura mundial. pessoa, de acordo com tal filósofo, tal área do conhecimento afirma” diretamente sem um conectivo. Na introdução, eu até consigo fazer isso. Por exemplo, “no filme, é retratada tal coisa”. Eu até consigo. Mas dentro dos desenvolvimentos, é preciso colocar um conectivo, até para que o corretor consiga perceber as ideias, a ligação entre as informações. Então você acabou o tópico frasal. “A tecnologia afeta a cognição das crianças”. Aí você não coloca o conectivo e já diz. “A neurociência afirma tal coisa.” Qual a ligação entre essas duas coisas? Não fica clara. Então você sempre tem que adicionar um conectivo como: Nesse sentido, nessa perspectiva, sob esse viés, a partir disso, nesse espectro, além disso. Então veja como é melhor falar: A tecnologia afeta a cognição das crianças, no meu tópico frasal. Depois disso eu digo, nesse sentido, com base nisso que foi dito, a neurociência afirma tal coisa; a fluidez fica perfeita. Então, nós temos um trato, sempre utilizar conectivo antes da citação. REGRA N° 1 Sempre usar conectivo antes da citação. O conectivo vale tanto para citações diretas quanto para citações indiretas. Agora, nós iremos saber as regras específicas para cada tipo de citação, direta ou indireta. Na citação direta, você já sabe que eu estou fazendo uma citação exatamente como o corretor falou. Então, eu preciso mostrar para o meu querido corretor que eu estou 16 Monitoria de Redação fazendo uma cópia da frase do meu autor. Então, nesse caso, eu preciso utilizar um marcador. E qual é esse marcador? As aspas. As aspas servem justamente para mostrar que a frase está escrita tal qual ela foi falada, escrita ou cantada em um filme, música, livro e etc. Então, nós sempre iremos utilizar as aspas para isolar as citações diretas. Se eu digo, Paulo Freire afirma, por exemplo, e aí eu escrevo exatamente a frase dele, eu preciso colocar aspas isolando totalmente a frase de Paulo Freire. Agora nós vamos trabalhar com outro caso que é um pouco mais específico. Muitas pessoas não sabem nem como agir nesses casos. É o caso da maiúscula ou da minúscula na primeira palavra da citação. Você pode ou não utilizar essa letra maiúscula. Depende do caso. Vamos ver. Se eu tenho uma frase que inicia por aquela palavra, eu vou utilizar a letra maiúscula porque eu estou em um início de frase. Além disso, se eu faço uma frase completa, uma frase independente, eu também irei utilizar a inicial maiúscula. Então, basicamente, se a frase está completa, eu utilizo a inicial maiúscula. Já se for uma parte da frase, se for um pedacinho da frase que tem ligação com o resto do texto, eu não utilizo a inicial maiúscula. Eu posso utilizar a inicial minúscula nesses casos. Vamos aos exemplos, porque eu sei que vocês aprendemmais com eles. Se eu utilizo a mesma frase de Paulo Freire e falo, como afirmou Paulo Freire, educação não transforma o mundo, educação muda as pessoas, as pessoas transformam o mundo. Eu utilizei a frase tal qual ela foi falada, escrita, afirmada pelo Paulo Freire. Então, eu preciso utilizar as aspas. Primeiro requisito eu já fiz. Mas essa frase também é uma frase completa. É a frase inteira do Paulo Freire. É uma frase independente. Nesse caso, eu irei utilizar também a inicial maiúscula. Se eu tenho alguma parte da minha frase que se completa com o que vem depois, eu não utilizo a inicial maiúscula. Por exemplo, se eu digo, Paulo Freire afirmou que a educação muda as pessoas, as pessoas transformam o mundo. Primeiro, eu não tenho a frase completa, mas mesmo assim eu utilizo as aspas, porque é uma parte da citação do Paulo Freire, e por ser apenas uma parte, e essa parte ainda se ligar com uma parte da minha frase, eu irei utilizar a inicial minúscula. Então, veja o que eu digo. Afirmou o quê? Afirmou algo. A educação muda as pessoas. Como uma coisa está complementando a outra, eu utilizo a inicial minúscula e não a maiúscula. Mas vocês podem ficar bem tranquilos quanto a isso da inicial maiúscula ou minúscula, porque é algo que há uma certa liberdade. Os corretores não pegam tanto no pé quanto a isso. Mas é muito importante que vocês saibam, porque vocês mesmos vão eliminar essa visão, esse receio em utilizar a maiúscula ou a minúscula, ok? Em citações diretas: Eu preciso usar aspas sempre. O uso de inicial maiúscula depende do caso, mas costuma ser algo pouco cobrado pelo corretor, pois há liberdade de usar uma ou outra forma. Já nas citações indiretas, não é preciso mostrar que houve uma cópia da frase. Por isso, nós não utilizamos as aspas, visto que nós não escrevemos da mesma maneira que o autor cantou, escreveu, falou. Então, não há necessidade de utilizar as aspas. 17 Monitoria de Redação Além disso, como a informação é integrada ao resto do texto, não há necessidade de se utilizar a letra maiúscula, uma vez que essa informação vai estar ali no meio do texto. Se essa informação iniciasse o período, nós teríamos a letra maiúscula. Mas não há necessidade de se utilizar a letra maiúscula, visto que nós combinamos, lá no início dos áudios, de utilizar sempre um conectivo para iniciar o nosso período. duas vírgulas. Se eu escrevo, o pensamento marxista enfatiza a luta de classes de acordo com Karl Marx. Eu coloco a vírgula antes do de acordo com Karl Marx. Exemplos: Segundo Karl Marx, "a história de todas as sociedades até agora existentes é a história da luta de classes". Conforme Immanuel Kant, "o homem é aquilo que a educação faz dele". De acordo com Hannah Arendt, "a essência dos direitos humanos é o direito a ter direitos". Mesmo que a locução apareça no meio ou no final da frase, a vírgula continua obrigatória: A ética, conforme Aristóteles, é o caminho para a felicidade. O pensamento marxista enfatiza a luta de classes, de acordo com Karl Marx. O segundo caso é quando eu tenho um aposto com o nome do autor. Nesses casos, o nome do autor não seria 100% necessário para a compreensão do sentido da frase. Porém, quando nós utilizamos o nome do autor, nós trazemos uma informação a mais, uma informação relevante, e por ser um aposto, uma informação que não é essencial para o sentido, nós utilizamos vírgulas antes e depois para isolar essa informação. Se eu digo, segundo o Capital de Karl Marx, as relações sociais são determinadas pela economia. Eu isolo de Karl Marx. Se eu escrevo, conforme crítica da razão pura de Immanuel Kant, o conhecimento resulta da interação entre experiência e razão. Eu isolo o de Immanuel Kant. O livro A Origem das Espécies, de Charles Darwin, revolucionou a biologia. Nesse caso, eu coloco as vírgulas isolando de Charles Darwin, porque é um aposto com o nome do autor. Então, sempre que você disser de Karl Marx, de Manuel Em citações indiretas: Não é preciso usar as aspas. A letra maiuscula não é usada. Agora nós vamos aprender quando utilizar a vírgula e quando não utilizar a vírgula em estações diretas e indiretas. Como são vários casos, eu vou dividir aqui e explicar cada um deles. O primeiro caso é quando nós introduzimos as citações com termos como segundo, conforme, de acordo com. Sempre que eu tenho essas expressões, eu preciso utilizar a vírgula, mesmo que ela apareça no início, no meio ou no fim da frase. Não importa o local onde ela aparece, é necessário usar a vírgula. Por exemplo, se eu digo, segundo Karl Marx, a história de todas as sociedades até agora existentes é a história da luta de classes. Eu preciso colocar a vírgula depois de segundo Karl Marx. Se eu digo, conforme Manuel Kant, vírgula, o homem é aquilo que a educação faz dele. De acordo com Hannah Arendt, vírgula, a essência dos direitos humanos é o direito a ter direitos. Se eu tenho essa informação no meio, eu também coloco a vírgula. A ética, vírgula, conforme Aristóteles, vírgula, é o caminho para a felicidade. Você vê que o conforme Aristóteles apareceu no meio e eu utilizei 18 Monitoria de Redação Kant, de Charles Darwin, de Jamila Ribeiro, e tiver o nome do autor, você deve utilizar as vírgulas antes e depois. Quando o nome do autor aparece depois do título da obra, ele deve ser isolado por vírgulas. Segundo "O capital", de Karl Marx, as relações sociais são determinadas pela economia. Conforme "Crítica da razão pura", de Immanuel Kant, o conhecimento resulta da interação entre experiência e razão. O livro "A origem das espécies", de Charles Darwin, revolucionou a biologia. A terceira forma é muito utilizada com citações diretas. É quando nós utilizamos verbos como afirma, cita, fala, explana, demonstra. Então, eu digo, calma, fala, cita, explana, demonstra. Eu escolho um desses verbos e utilizo na minha frase. Nesses casos, como nós temos um complemento que vem logo depois, a vírgula não é utilizada. Porque se alguém afirma, alguém afirma algo. Se alguém cita, alguém cita algo. Nesses casos, a vírgula não deve aparecer. Se eu digo: Aristóteles cita que a felicidade consiste em viver de acordo com a virtude, ou se eu digo Rousseau demonstra que o homem nasce livre, mas por toda parte está acorrentado, eu não utilizo a vírgula nem depois do demonstra que, nem depois do cita que, porque o que vem depois é o complemento. Quem cita, cita algo. Quem demonstra, demonstra algo ou demonstra alguma coisa. Por isso, quando você utilizar tal autor afirma, tal autor cita, tal autor fala, tal autor explana, você não deve utilizar vírgula em hipótese alguma. Rousseau demonstra que "o homem nasce livre, mas por toda parte está acorrentado." Agora vamos a algumas orientações finais para não cometer nenhum deslize. Primeiro, sempre utilize iniciais maiúsculas no nome dos livros e dos autores. E quando eu falo livros, eu falo livro, filme, música, qualquer tipo de obra. No caso das obras, nós temos duas escolhas. Ou nós utilizamos todas as iniciais maiúsculas, ou nós utilizamos apenas a inicial do primeiro nome. Porém, é interessante que você respeite a sua escolha em todo o texto. E o que é que quer dizer isso? Se lá na sua introdução você coloca só a primeira letra do nome do filme, maiúscula, quando você for apresentar o livro lá no seu desenvolvimento, você tem que colocar apenas a primeira letra do título do livro, maiúscula. Se você, na introdução, utiliza todas as iniciais das palavras com letra maiúscula, no desenvolvimento você também tem que utilizar todas as iniciais do título da obra com letra maiúscula também, ou seja, ter uma coerência no seu texto. Há duas formas de apresentar o título: 1 - Memórias Póstumas de Brás Cubas 2 - Memórias póstumas de Brás Cubas O título do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas pode ser apresentado de duas formas, ou com todas as letras maiúsculas ou com a primeira letra sendo maiúscula. E você pode me perguntar, mas Mateus, no segundo exemplo, somente póstumas está com letra minúsculas e o de. O de sempre vaificar com letra minúscula, porque preposições sempre ficam com letras minúsculas. preposições e artigos recebem letras minúsculas em títulos de filmes, livros e obras, ok? Outra coisa, por que que Brás Cubas está em letra maiúscula nos dois termos? Porque é um nome de pessoa, é um nome próprio. Nesse caso, por mais que Não usamos a vírgula nesses casos: Aristóteles cita que "a felicidade consiste em viver de acordo com a virtude." 19 Monitoria de Redação apenas a primeira letra, memórias, esteja com letra maiúscula, Brás Cubas precisa ter letras maiúsculas porque é o nome de alguém. Então, essa regra se mantém nos títulos. Se houver nome de pessoas, esses nomes serão escritos com letra maiúscula. Também é muito importante que vocês utilizem as aspas para isolar o nome das obras, de filmes, de livros, de músicas, porque quando nós estamos escrevendo em notebooks, em computadores - digitalmente -,nós utilizamos a fonte itálica para apresentar o título de obras. Porém, quando nós estamos escrevendo a redação não há como fazer a fonte itálica E até se você tentasse ficaria um pouco estranho. Então é interessante que você utilize as aspas para isolar, já que nós não temos essa possibilidade do itálico em um texto manuscrito e para substituir nós utilizamos as aspas Chegamos ao fim do nosso capítulo. Eu espero que você revise as regras que foram pontuadas aqui. Porque, uma vez que você aprende todas essas regras, você não terá mais dúvidas na hora de escrever. Então, já sei que preciso usar aspa nesse caso, letra maiúscula, a vírgula, e você já vai eliminar diversos erros que eu vejo muitos alunos cometendo. 20 Monitoria de Redação Capítulo 3 COMO UTILIZAR A CRASE O que é crase? Crase é o nome do fenômeno da junção de duas letras na língua portuguesa, e essa junção ocorre apenas com a letra “A”. Geralmente nós chamamos o acento de crase, mas crase é o nome do fenômeno. Acento grave é o nome do acento para a esquerda que nós utilizamos para simbolizar que houve essa junção de duas letras “A”. Contudo, não há nenhum problema se você confundir esses conceitos e chamar o acento de crase também. Para simplificar a nossa vida, eu vou chamar tudo de crase a partir de agora. Esse assunto demanda que você conheça as classes de palavras muito bem, porque, do contrário, você não conseguirá acompanhar bem a minha explicação. Por essa razão, vamos fazer uma breve revisão sobre o que é um: artigo, preposição, substantivo e verbo. estudei, eu estudarei, eu estudava, se eu estudasse. CLASSES DE PALAVRAS Verbo Em outra monitoria, eu já falei para vocês que verbo é uma palavra que expressa uma ação, estado ou fenômeno da natureza. Todavia, a melhor forma de identificar um verbo é percebendo que esse tipo de palavra pode ser conjugada, ou seja, pode ser modificada usando os diferentes tempos, modos e pessoas verbais. Exemplo: Estudar → eu estudo, tu estudas, ele estuda, nós estudamos. Eu estudaria, eu Preposição Essa é a classe das palavras que ligam uma palavra à outra. Por exemplo, se eu digo: Exemplo: Maria gosta ___ canetas. Eu não consigo entender muito bem qual a ligação entre Maria e as canetas, pois quem gosta, gosta DE algo, DE alguma coisa. Então, eu preciso desse “DE” na minha frase. O que é esse termo? Uma preposição, uma palavra que liga outras palavras. Exemplos: a, ante, com, desde, para, perante_, até, contra, sobre. No nosso estudo de crase, nós iremos focar na letra “A” que funciona como preposição. Há verbos que pedem essa preposição. Exemplos: obedecer (a alguém), referir- se (a algo/ a alguém), responder (a algo/ a alguém). Artigo São palavras que aparecem antes de substantivos Exemplos: As meninas, as crianças, os coelhos, a flor, um homem, uma mulher. Substantivo São palavras que dão nomes a coisas. Geralmente há artigos antes desses nomes. Exemplos: menino, bola, casa, coelho Agora que nós já estamos familiarizados com os termos técnicos, vamos aprender o motivo de usarmos a crase. A primeira coisa que nós precisamos compreender é que as preposições, na 21 Monitoria de Redação língua portuguesa, unem-se aos artigos. Vejamos alguns exemplos: Você não fala: Esse é o presente de a Maria. A festa será em a cidade. Eu vou a o mercado Você fala assim: Esse é o presente da Maria. A festa será na cidade. Eu vou ao mercado. Até aqui parece tudo muito óbvio, é claro que as preposições estão sempre juntas aos artigos quando eles aparecem nas frases. Porém, o questionamento começa a existir quando a preposição que aparece é igual ao artigo que vem depois. Por exemplo, o verbo “ir” pede sempre uma preposição “A”. Quem vai, vai “A” algum lugar. Porém, se o local que você vai tiver o nome feminino, sempre haverá um artigo feminino antes dele “a praia, a piscina, a igreja, a escola”. Como eu conseguirei juntar as duas preposições se elas são iguais? Não faria nenhum sentido duplicar essas palavras (vou a a igreja) ou colocar apenas um a, porque o outro se perderia (vou a igreja). Assim, qual foi a forma que os gramáticos inventaram de mostrar que naquele momento um único “A” significa dois? Um acento. Agora você já entendeu. Nós usamos o acento indicativo de crase apenas para mostrar que há duas letras “A” juntas, uma delas é uma preposição e a outra geralmente é um artigo. Então guarde essa ideia no seu coração: Só há crase se houver a junção de duas letras “A”. Se não houver DUAS letras “A” se juntando, eu não uso a crase. Agora nós já entendemos a base de crase, por isso, vamos entrar nos casos mais específicos, há momentos em que o uso da crase é obrigatório, proibido e facultativo. Nós veremos pelo menos um exemplo de cada um. USOS OBRIGATÓRIOS DA CRASE Diante de palavras femininas A primeira coisa necessária, nesse caso, é um verbo ou um nome que exija a preposição A. Aqui vai uma lista dos que mais aparecem na redação: Acesso a / Atenção a / Combate a / Análogo a / Semelhante a / Referência a / Relacionado a / Próximo a / Direito a / Fomento a Assistir a (ver) / Referir-se a / Responder a / Comparar a / Chegar a / Dirigir-se a / Pertencer a / Recorrer a / Dedicar-se a / Visar a (ter como objetivo Depois, precisamos de um substantivo que possua o artigo “A” antes dele. Exemplos: A saúde, a educação, a sociedade, a população, a problemática, a realidade. 22 Monitoria de Redação Exemplos de uso de crase: À disposição - Estou à disposição para fazer o serviço. À vista - A decisão foi tomada à vista dos fatos apresentados O acesso à educação é precário no Brasil. O combate à criminalidade não tem sido efetivo. Deve-se melhorar a saúde, visando à qualidade de vida da população Em locuções prepositivas Em locuções prepositivas femininas iniciadas pela letra “A”, o uso da crase é sempre obrigatório. Uma locução prepositiva é uma junção de duas palavras ou mais que fazem o papel de uma preposição. Geralmente, esses termos possuem uma preposição. Exemplos: À medida que - A situação piora à medida que o tempo passa. À espera de - Ela estava à espera de uma resposta. À frente de - Ele ficou à frente da fila. Em locuções adverbiais Em locuções adverbiais femininas iniciadas pela letra “A”, o uso da crase é sempre obrigatório. Locução adverbial é um conjunto de duas ou mais palavras que fazem o papel de um advérbio. Exemplos: À tarde - À tarde, estudaremos o conteúdo. À noite - Chegou à noite, depois de muito trabalho. Com os pronomes “aquele, aquela, aquilo” Esses pronomes demonstrativos iniciados pela letra “A” também podem receber a crase. Exemplos: Refiro-me àquela situação. Ele se dirigiu àquele evento. Ela não obedeceu àquilo que estava descrito na lei. Com o pronome relativo “a qual” Esse pronome relativo também pode ser usado com o acento indicativo de crase se ele estiver retomando a ideia de um verbo que rege a preposição “A” Exemplos: Os temas abordados nas aulas são questões às quais devemos dar atenção. Aquela é a lei à qual estamos sujeitos. Diante de horários Esse é um uso que não ocorrena redação, mas sempre deve ser usado no dia a dia. Antes dos horários use a crase. Exemplos: 23 Monitoria de Redação O encontro será às 14h. Assistirei à aula às 9h. Cheguei às 8h em ponto. Diante de nomes de lugares Há algumas cidades, estados e países que admitem o artigo feminino antes de seus nomes. Nesses casos, a crase deve ser usada. Exemplos: Cheguei à França Vou à Bahia Diante das palavras “casa” e “terra” determinadas Esse é mais um caso que pode não ser usado no Enem, mas que aparecerá na sua vida. A regra é a seguinte: apesar de as palavras “casa” e “terra” serem femininas, o uso da crase só ocorre se elas estiverem determinadas. Não pode ser qualquer casa, tampouco qualquer terra, é preciso que elas sejam especificadas. Exemplos: Cheguei a casa. Cheguei à casa dos meus pais. Os marinheiros retornaram a terra depois de meses no mar. Fui à terra dos meus avós. Por que isso acontece? Porque o artigo determina coisas. Artigos definidos só aparecem antes de coisas que também são definidas e específicas. USOS PROIBIDOS DA CRASE Antes de palavras masculinas A primeira regra que nós aprendemos foi que só há o uso da crase antes de palavras femininas que aceitam o artigo feminino. É por esse mesmo motivo que nós não usamos a crase antes de palavras masculinas. Simplesmente não há artigo feminino. Exemplos: As pessoas precisam de acesso ao conhecimento. O pedido está a caminho. A Constituição garante o direito ao meio ambiente saudável. Antes de verbos Antes de verbos nós não usamos a crase, porque não há artigos antes de verbos. Os artigos só são usados antes de substantivos. Exemplos: Ele começou a estudar. Eles foram convidados a palestrar na escola. Antes de alguns tipos de pronomes Antes de pronomes pessoais, indefinidos, demonstrativos (como esse e essa) e em alguns de tratamento, não há artigos, por isso, nós não usamos a crase. Exemplos: A saúde está um caos, porque o direito a ela é frágil. Fiz alusão a alguma ideia. Dirigi-me a você com educação. 24 Monitoria de Redação Entreguei a carta a vossa senhoria A problemática está relacionada a essa realidade Antes de artigos indefinidos Com os artigos indefinidos (um, uma, uns, umas) nós não usamos a crase porque não há como usar dois artigos ao mesmo tempo, ou você usa o artigo definido feminino (a), ou você usa o artigo indefinido. Exemplos: Direito a uma moradia segura. Acesso a uma alimentação saudável. Exemplos: dia a dia ano a ano mês a mês cara a cara. Antes de substantivos no plural acompanhados apenas pela preposição Nós sabemos que, para existirem artigos, é preciso que haja uma concordância entre o artigo e o substantivo. Por exemplo: Você viu a árvores bonitas? (claramente há um erro de concordância, pois o artigo deveria estar no plural “as árvores”) Eu também poderia escrever “você viu árvores bonitas”. Nesse caso, a ausência do artigo em nada afetaria a concordância da frase. Logo, se o artigo aparece, ele precisa obrigatoriamente concordar com o substantivo. Nesse exemplo: Eu dei um presente a crianças. Depois de preposições Aqui a regra é parecida com a de cima. Se não há como usar dois artigos juntos, também não dá para usar duas preposições ao mesmo tempo. Logo, se eu tenho uma preposição diferente de “A” antes do artigo “A”, isso quer dizer que a preposição já foi usada e que a crase não ocorrerá. Eu posso falar: Eu vou à escola OU Eu vou para a escola. No segundo caso, não há a crase porque não há junção da preposição “A” com o artigo “A”, visto que a preposição usada é o “PARA”. Em palavras repetidas Em palavras repetidas, não devemos usar a crase, visto que o que aparece, nesses casos, é apenas a preposição que liga uma palavra à outra. Não há o uso da crase, porque não há artigo antes de “crianças”, pois, para haver artigo, a frase deveria ser escrita assim “Eu dei um presente às crianças”. Dessa explicação, nós conseguimos tirar uma regra: só haverá crase quando o artigo e o substantivo concordarem. Exemplos: 25 Monitoria de Redação Há um grande combate às doenças (plural e plural - crase) Há um grande combate à doença (singular e singular - crase) Há um grande combate a doenças (singular e plural “não concordam” - sem uso da crase) uma preposição. Acredito que a maioria das pessoas concorda com os gramáticos que defendem que a crase não deve ser usada, mas qualquer uma das formas é aceita. Exemplos: Vou até a faculdade / vou até à faculdade Fui até a loja de manhã / Fui até à loja de manhã. USOS FACULTATIVOS DA CRASE Pronomes possessivos Esses pronomes indicam a ideia de posse “meu, minha, seu, sua, nosso, nossa, vosso, vossa” Exemplos: Nos casos facultativos, as duas formas são aceitas (com a crase e sem a crase) Ela foi à minha casa ontem. / Ela foi a minha casa ontem Ele se dirigiu à nossa escola. / Ele se dirigiu a nossa escola. Nomes próprios femininos Nomes próprios são nomes de pessoas: Maria, Joana, Júlia, Amália. Exemplos: Respondi a Maria / respondi à Maria Estive atento a Joana / Estive atento à Joana Preposição até Uma parte dos gramáticos fala que o uso da crase pode ser feito por “até a” ser uma locução prepositiva, mas outra parte defende que não se deve usar a crase por “até” ser TRANSCRIÇÃO DA MONITORIA Primeira coisa que precisamos entender: o que é crase? A palavra vem do grego crasis, que significa fusão. Na língua portuguesa, quando falamos que houve crase, estamos nos referindo a um fenômeno de junção de duas letras, geralmente dois as. Ou seja, quando junto um a com outro a, ocorre essa fusão, chamada de crase. Para sinalizar que houve essa junção, utilizamos um acento, chamado acento grave. Então, tecnicamente, quando alguém diz "faltou uma crase" referindo-se ao acento, está cometendo um erro. O correto seria dizer "faltou um acento grave". Mas, na prática, quase ninguém usa esse termo, apenas os corretores. No dia a dia, todo mundo fala simplesmente "crase", e é assim que nós também vamos tratar aqui. Então, quando eu disser "falta uma crase" ou "não devemos usar a crase", você já sabe: estou me referindo ao acento grave – aquele voltado para a esquerda ( à ). O outro, voltado para a direita ( á ), é o acento agudo. O fenômeno em si, a fusão dos dois as, é o que chamamos de crase. 26 Monitoria de Redação Note que o de tem justamente essa função de ligar as palavras e dar sentido à frase. Outro exemplo: se eu digo boneco Maria, a frase não faz sentido. Mas, se eu disser boneco de Maria, agora sim há sentido. Algumas preposições comuns são: com, para, perante, até, contra. O próprio a também pode ser uma preposição, e é exatamente nela que focaremos, pois tem um papel essencial na crase. Para que nós tenhamos um completo conhecimento sobre o uso da crase, é preciso que vocês tenham em mente algumas classes de palavras: o que é um verbo, o que é uma preposição, o que é um substantivo e o que é um artigo. Veremos cada um deles a seguir. CLASSES DE PALAVRAS O verbo Como eu já falei em outras monitorias, o verbo é uma palavra que expressa ação, estado, mudança de estado ou fenômeno da natureza. A única forma de identificar bem um verbo é saber que essa palavra pode ser conjugada. Assim, posso utilizar esse verbo no passado, no futuro, no presente e nos diferentes modos e pessoas verbais. Por exemplo, o verbo estudar pode ser conjugado de diversas formas: Eu estudo, tu estudas, ele estuda, nós estudamos, vós estudais, eles estudam. Eu estudarei, tu estudarás, ele estudará, nós estudaremos, vós estudareis, eles estudarão. Eu estudei, tu estudaste, ele estudou, nós estudamos, vós estudastes, eles estudaram. A preposição Quando falamos de preposição, estamos nos referindo a uma palavra que tem a função de ligar uma palavra à outra. Por exemplo, se eu digo: Maria gosta livro. Você pode pensar: "Maria gosta livro? Como assim?" Sabemos que quem gosta, gosta de alguma coisa. Então, o correto seria dizer: Maria gosta de livros. O substantivo Os substantivos sãopalavras que dão nome aos seres, objetos, sentimentos, entre outros. Alguns exemplos de substantivos são: garrafa, caneta, lápis, caderno, celular. Antes dos substantivos, podemos ter artigos, que servem para especificá-los. Por exemplo: Caderno ou o caderno Professora ou a professora Garrafa ou a garrafa Os artigos definidos, como o e a, aparecem apenas antes de substantivos. E é justamente na fusão entre a preposição a e o artigo a que ocorre a crase. Agora que vocês já conhecem essas classes de palavras, podemos avançar para entender melhor o uso correto da crase! Para compreendermos completamente o uso da crase, precisamos entender um conceito fundamental: na língua portuguesa, preposições frequentemente se juntam a artigos. Esse processo ocorre de maneira tão natural que, muitas vezes, não percebemos. Por exemplo, qual das frases está correta: "Esse é o brinquedo de a menina" ou "Esse é o brinquedo da menina"? Naturalmente, a 27 Monitoria de Redação Nomes que pedem a preposição "a":segunda opção soa correta, pois ocorre a fusão da preposição "de" com o artigo "a", formando "da". O mesmo acontece com outras preposições, como "em" + "a" = "na": "A festa será na cidade" (e não "em a cidade"). Agora, observe a seguinte construção: "Eu vou ao mercado". O verbo "ir" exige a preposição "a". Como "mercado" é um substantivo masculino precedido pelo artigo "o", ocorre a fusão "a" + "o" = "ao". Mas e se substituíssemos "mercado" por "praia"? Teríamos "Eu vou a a praia", o que soa estranho. Para resolver essa questão, foi adotado o acento grave, resultando em "Vou à praia". Esse acento indica a fusão entre a preposição "a" e o artigo "a". Assim, sempre que houver crase, haverá a presença da preposição "a" combinada com um outro "a", geralmente um artigo. Entretanto, essa fusão nem sempre ocorre com um artigo; outros casos serão abordados posteriormente. Por ora, o essencial é compreender que o acento grave indica a existência de duas letras "a" unidas. Com esse conceito bem entendido, dominar a crase torna-se muito mais fácil. Essa é a regra fundamental: a crase ocorre quando há a fusão entre a preposição "a" e um "a" subsequente. Se essa noção estiver clara, os demais casos serão simples de assimilar. Agora, veremos exemplos para identificar quando usar a crase, quando evitá-la e em quais situações seu uso é facultativo. Acesso a algo Atenção a algo Combate a algo Análogo a algo Semelhante a algo Referência a algo Relacionado a algo Próximo a algo Direito a algo Fomento a algo NOMES FEMININOS O uso mais básico da crase acontece quando temos nomes ou verbos que pedem a preposição "a", ou seja, que regem essa preposição. Separei aqui alguns exemplos de nomes e verbos que mais aparecem nas redações, para você não precisar se preocupar. Verbos que pedem a preposição "a": Assistir a algo (quando o sentido é ver). Exemplo: assistir às aulas Referir-se a algo Responder a algo (ou a algum chamado) Comparar a algo Chegar a algum lugar (não "chegar em") Dirigir-se a alguém Pertencer a algum grupo Recorrer a alguém Dedicar-se a algo Visar a algo (com o sentido de ter como objetivo) Por exemplo, na frase "visando à melhoria desse cenário", temos o uso da crase. Agora, sabemos que não é necessário apenas ter o verbo que pede a preposição "a", mas também é necessário que o termo que vem depois, o substantivo, tenha o artigo "a". Selecionei aqui os substantivos mais comuns nas redações que exigem o artigo a. Substantivos que pedem a preposição "a": A saúde A educação 28 Monitoria de Redação Quando a gente tem essa combinação – um verbo ou nome que pede a preposição "a" e um substantivo que aceita o artigo "a" – o uso da crase é obrigatório. Exemplos: Você pode perceber que todas essas locuções começam com a letra A e têm uma preposição ali no meio. Importante: nesses casos, o acento indicativo de crase não ocorre porque um verbo pede essa preposição, nem porque temos um artigo antes. A crase acontece simplesmente como um acento diferencial. Exemplos: A locução prepositiva "à vista de" Se eu dissesse "a vista daqui de cima é linda", não teria crase, porque estou me referindo à visão, ou seja, não há crase. Porém, se eu digo "a solução ficou clara, “à vista de todos", aí existe crase, porque estou falando da maneira como a solução ficou visível para todos. A sociedade A população A problemática A realidade "O acesso à educação é precário no Brasil." "O combate à criminalidade não tem sido efetivo." Aqui, a gente tem um verbo ou nome que pede a preposição "a" e, depois, um substantivo feminino que aceita o artigo "a" LOCUÇÕES PREPOSITIVAS Outro caso em que usamos a crase é quando temos uma locução prepositiva feminina que começa com a letra A. Mas, o que é uma locução prepositiva? Locução prepositiva é quando temos a junção de duas ou mais palavras que juntas desempenham o papel de uma preposição. Geralmente, elas terminam em "de" ou "que". Aqui estão alguns exemplos de locuções prepositivas que são mais recorrentes nas redações: À medida que À espera de À frente de À custa de À moda de À parte de À semelhança de À procura de Outros exemplos: "A medida tirada foi de 10 centímetros" – Nesse caso, não há crase, pois estou falando da medida em si. Já em "A situação piora à medida que o tempo passa", aqui temos crase porque estou falando de um processo gradual, um acento diferencial. LOCUÇÕES ADVERBIAIS Há também o uso da crase em locuções adverbiais. Mas, o que é uma locução adverbial? Locução adverbial é a junção de duas palavras que desempenham a função de um advérbio. E, como sabemos, o advérbio expressa o modo, a maneira como algo ocorre. 29 Monitoria de Redação Aqui estão as locuções adverbiais mais recorrentes na redação: Então, por que usamos a crase? Usamos para diferenciar uma expressão da outra. Exemplos: "A procura foi sem sucesso" – Sem crase, porque estou me referindo ao substantivo "procura", e não à maneira como algo acontece. "Foram à procura de soluções para o problema" – Com crase, pois estou falando da maneira como as pessoas se encontram em busca de soluções. À tarde À noite À disposição À vista À direita À esquerda À moda À procura À beira Por exemplo, quando escrevemos "estamos à disposição", estou falando sobre a maneira como eu me encontro, e não do substantivo "disposição". Por isso, usamos a crase. Portanto, sempre que eu falar sobre a maneira ou o modo como algo acontece, a crase será utilizada. Exemplo: "Vire à esquerda" – Aqui, "à esquerda" indica a forma como devo virar. Crase é necessária, pois estamos falando do modo de virar para a esquerda. COM OS PRONOMES “AQUELE, AQUELA E AQUILO” Vocês devem lembrar que não é apenas o artigo que se junta à preposição. Pronomes demonstrativos como aquele, aquela, aquilo também se juntam à preposição a, originando o acento indicativo de crase. A razão para isso é simples: como aquele, aquela e aquilo começam com a letra a, não faz sentido dizer "me refiro a aquela situação". O correto é dizer "me refiro àquela situação", com o acento da crase. Da mesma forma, em frases como "Ele se dirigiu àquele evento" e "Ele não obedeceu aquilo que estava descrito na lei", o uso da crase é necessário para garantir a correção da estrutura. Essas locuções recebem a crase porque começam com A e são seguidas de palavras femininas. Exemplos: "O carro está a caminho." – Sem crase, porque "caminho" é uma palavra masculina. "Eu estou à procura." – Com crase, porque "procura" é uma palavra feminina. COM O PRONOME “A QUAL” Vocês devem lembrar que não é apenas o artigo que se junta à preposição. Pronomes demonstrativos como aquele, aquela, aquilo também se juntam à preposição a, originando o acento indicativo de crase. A razão para isso é simples: como aquele, aquela e aquilo começam com a letra a, não faz sentido dizer "me refiro a aquela 30 Monitoria de Redação "Vou à Bahia, volto da Bahia." "Vou a Pernambuco, volto de Pernambuco." (Sem crase, pois "Pernambuco"não admite artigo feminino.) Sempre que tivermos o nome de uma cidade feminina, utilizaremos a crase nas construções "cheguei a", "voltei a" e "vou a". COM AS PALAVRAS “CASA” E “TERRA” DETERMINADAS No último caso de uso obrigatório da crase, encontramos as palavras "casa" e "terra", desde que estejam determinadas. Como saber se estão determinadas? Se houver um complemento posterior. Se eu digo apenas "cheguei a casa", surge a pergunta: que casa? A casa de quem? Se não há complemento, a palavra fica indeterminada, e a crase não se aplica. O artigo determinado, como o próprio nome sugere, especifica algo. Por isso, a crase aparece somente quando há essa especificidade. Veja os exemplos: Exemplo: situação". O correto é dizer "me refiro àquela situação", com o acento da crase. Da mesma forma, em frases como "Ele se dirigiu àquele evento" e "Ele não obedeceu aquilo que estava descrito na lei", o uso da crase é necessário para garantir a correção da estrutura. COM HORÁRIOS A crase não ocorre por causa de um verbo ou substantivo, mas sim por uma regra gramatical. Sempre que falamos sobre horas ou horários, devemos utilizar a crase. Por exemplo: "O encontro será às duas horas." Nesse caso, usamos a crase no às duas horas. Outro exemplo: "Eu assistirei à aula às nove horas." Portanto, expressões como às duas horas, às três horas, às quatro horas, às oito horas, sempre exigem o uso da crase. Isso acontece para diferenciar o às do simples as. COM O NOME DE LUGARES Nós vamos para a regra que todo mundo sabe, a tal do "vou a, volto da, crase há. Vou a, volto de, crase para quê?" Quando estamos diante de nomes de países que admitem o artigo feminino, devemos utilizar a crase. Se eu digo "cheguei ao Brasil", não há crase porque "Brasil" é um nome de país masculino. Já em "cheguei à França", ocorre a crase porque "França" é um nome de país feminino. E como identificar se um país é feminino? Basta verificar a preposição usada ao retornar: "volto de França" ou "volto da França"? Se for "volto da", significa que há um artigo feminino e, portanto, a crase deve ser usada. Exemplos: "Cheguei à casa dos meus pais." (Crase obrigatória, pois a casa está determinada.) "Fui à terra dos meus avós." (Crase obrigatória, pois a terra está determinada.) "Os marinheiros retornam a terra depois de meses no mar." (Sem especificação, e sem crase) O artigo sempre indica algo que já conhecemos. Compare: 31 Monitoria de Redação Por exemplo: Portanto, a presença do artigo feminino antes de "casa" e "terra" determina a necessidade do uso da crase. USOS PROIBIDOS Agora falaremos dos casos em que a crase é proibida. Não invente de colocá-la nesses contextos, pois isso seria um erro grave. "O seu pedido está a caminho." (Sem crase, pois "caminho" é masculino.) "As pessoas precisam de acesso ao conhecimento." (Sem crase, pois "conhecimento" é masculino.) "A Constituição garante o direito ao meio ambiente saudável." (Sem crase, pois "meio ambiente" é masculino. "Eu vi a árvore." (Árvore específica.) "Eu vi árvores." (Árvores em geral, sem especificação.) Antes de palavras masculinas Não se usa crase antes de palavras masculinas. Mas por quê? Porque a fusão da preposição "a" com o artigo "a" só ocorre diante de substantivos femininos. Se a palavra é masculina, o artigo correspondente será "o", impossibilitando a crase. Exemplo: Antes de verbos A crase nunca deve ser usada antes de verbos. Isso porque não há artigos antes de verbos na língua portuguesa, apenas preposição. O aluno pode se confundir ao perceber que o verbo anterior exige a preposição "a", mas deve lembrar que os verbos não admitem artigos. "Eles foram convidados a fazer alguma coisa." (Sem crase, pois "fazer" é verbo.) "Eles foram convidados a participar do evento." (Sem crase, pois "participar" é verbo.) Se houver dúvida, basta lembrar que verbos terminados em "-r" indicam ação, e antes deles não há artigo feminino, apenas preposição. Portanto, a fusão com o artigo feminino não acontece, tornando a crase impossível. Antes de pronomes A crase não ocorre antes de alguns pronomes, pois esses não aceitam artigo feminino antes deles. Vamos analisar os casos específicos: a) Pronomes pessoais Os pronomes pessoais (eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas) não aceitam artigo antes deles, então não há crase. "Entreguei o presente a ela." (Sem crase, pois "ela" não admite artigo.) "Disse a ele para aguardar." (Sem crase, pois "ele" não admite artigo.) b) Pronomes indefinidos Os pronomes indefinidos, por sua própria natureza, não aceitam artigo, pois são indefinidos. O artigo serve para definir algo, então a fusão da preposição "a" com o artigo "a" não ocorre. 32 Monitoria de Redação "Dirigi-me à senhora." (Com crase, pois "senhora" admite artigo.) "Entreguei a carta à senhorita." (Com crase, pois "senhorita" admite artigo.) "Prestei homenagem à dona do prédio." (Com crase, pois "dona" admite artigo.) "Fiz o pedido a vossa senhoria." (Sem crase, pois "vossa senhoria" não admite artigo.) "Falei a você sobre isso." (Sem crase, pois "você" não admite artigo.) "Não falei a nenhuma pessoa sobre o assunto." (Sem crase, pois "nenhuma" é indefinido.) "Referiu-se a qualquer um que estivesse presente." (Sem crase, pois "qualquer" é indefinido.) entanto, quando o substantivo é precedido de um artigo indefinido (um, uma, uns, umas), a crase não ocorre, pois não é possível utilizar dois artigos antes de um mesmo substantivo. Correto: Essa é uma árvore. Correto: Essa é a árvore. Incorreto: Essa é a uma árvore. (Uso indevido de dois artigos) c) Pronomes de tratamento Alguns pronomes de tratamento aceitam a crase, enquanto outros não. d) Pronomes demonstrativos Os pronomes demonstrativos "esse, essa, este, esta" e variações não admitem artigo antes deles, então a crase não ocorre. "A problemática está relacionada a essa realidade." (Sem crase, pois "essa" não admite artigo.) "A explicação se refere a este caso." (Sem crase, pois "este" não admite artigo.) A crase ocorre quando há a fusão da preposição "a" com o artigo definido "a". No Portanto, antes de uma, um, umas, uns, nunca há crase: Direito a uma moradia digna. (Sem crase, pois "uma" é artigo indefinido) Direito à moradia digna. (Com crase, pois "a moradia" é substantivo com artigo definido) Acesso a um alimento. (Sem crase, pois "um" é artigo indefinido) Acesso ao alimento. (Com junção da preposição "a" + artigo "o") Refiro-me a umas pessoas. (Sem crase, pois "umas" é artigo indefinido) Refiro-me às pessoas. (Com crase, pois "as" é artigo definido) A crase também não ocorre quando a regência do verbo ou do nome exige uma preposição diferente de "a". Isso acontece porque, em uma construção, não se pode usar duas preposições juntas. Vou ao mercado. (Preposição "a" + artigo "o") Vou para o mercado. (Preposição "para" substitui "a") Vou para a escola. (Sem crase, pois a preposição usada é "para") Artigos indefinidos e a impossibilidade da crase Crase e preposições 33 Monitoria de Redação Vou à escola. (Com crase, pois "a" é a preposição e "a" é artigo definido) CASOS FACULTATIVOS Definição: Casos facultativos significam que você pode optar por uma forma ou outra, e ambas estarão corretas. A chave aqui é que a escolha é sua, mas é importante manter a consistência ao longo do texto. Se escolher uma forma, use-a sempre da mesma maneira. Nunca ocorre crase entre palavras repetidas, pois, nesses casos, o "a" funciona apenas como preposição, sem a presença de artigo. Dia a dia Ano a ano Mês a mês Cara a cara Para que a crase ocorra, é necessário que o artigo definido concorde em gênero e número com o substantivo. Dei um presente a crianças. (Sem crase, pois "a" está no singular e "crianças" no plural, indicando apenas preposição) Dei um presente às crianças. (Com crase, pois "as" concorda com "crianças") Dei um presente à criança. (Com crase, pois "a criança" tem artigo definido no singular) Dica prática: antes de colocar a crase, observe se o substantivo seguinte