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Livro - Gramatica (Volume 2)

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1
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Assaad, Pedro
 Gramática na prática [livro eletrônico] :
vol. 02 / Pedro Assaad. -- São João de Meriti, RJ :
Assaad Treinamentos, 2025.
 PDF
 ISBN 978-65-987102-8-6
 1. Gramática - Estudo e ensino 2. Língua
portuguesa - Estudo e ensino I. Título.
25-284606 CDD-469.507
Índices para catálogo sistemático:
1. Gramática : Língua portuguesa : Estudo e ensino
469.507
Eliete Marques da Silva - Bibliotecária - CRB-8/9380
SUMÁRIO
Capítulo 1: Concordância do verbo "haver" 5
Capítulo 2: Pontuação em citações diretas e indiretas 11
Capítulo 3: Como utilizar a crase 20
Capítulo 4: Diferença entre vocativos e apostos explicativos 35
Capítulo 5: Uso de maiúsculas e minúsculas 43
Capítulo 6: Pleonasmo e ambiguidade 50
Capítulo 7: Principais erros de ortografia 55
Capítulo 8: Uso da vírgula em períodos simples 70
Capítulo 9: Uso da vírgula em períodos compostos 76
Capítulo 10: Uso correto dos pronomes relativos 85
4
LIVRO DE 
Gramática II
Se a primeira etapa foi entender os pilares da gramática, agora é hora de ir além
da teoria e mergulhar nos mecanismos que moldam a construção de textos
mais refinados, coesos e expressivos.
Nesta segunda apostila, você encontrará conceitos mais aprofundados e
aplicações práticas da norma-padrão, sempre com foco na escrita —
especialmente na redação do ENEM. Vamos trabalhar com estruturas que exigem
atenção e consciência linguística: concordâncias sutis, pontuações, apostos,
vocativos, colocação pronominal e mais.
Aqui, a gramática deixa de ser vista como correção isolada e passa a ser parte
ativa do estilo, da intenção e da clareza do que se escreve. Cada tópico foi
pensado para que você possa identificar nuances, corrigir falhas recorrentes e
fortalecer o seu domínio da língua com intencionalidade.
Escrever bem é entender o que se quer dizer — e saber como dizer com
precisão. Este material é mais um passo rumo à sua autonomia linguística.
Vamos em frente?
Monitoria de Redação
INTRODUÇÃO
5 Monitoria de Redação
Capítulo 1
CONCORDÂNCIA
DO VERBO "HAVER"
COMO CONCORDAR
COM O VERBO HAVER?
Aqui iremos compreender um dos conteúdos
de concordância que muitíssimos alunos
erram nas redações. Esse é um caso
específico de concordância que gera dúvidas
na hora de escrever. Por isso, vamos à
explicação.
A confusão gerada ao utilizar o verbo “haver”
diz respeito ao seu emprego como verbo
impessoal.
MAS O QUE É UM
VERBO IMPESSOAL?
Eu já te explicarei isso, mas,
primeiramente, eu preciso consolidar
dois pontos contigo.
Um verbo é uma palavra que
pode ser conjugada. Essas
palavras exprimem ações, estados
e fenômenos da natureza.
Exemplos: correr, cantar, estar,
falar, trovejar.
Um sujeito é um termo que é
capaz de modificar o verbo. Esse
termo está diretamente relacionado
ao verbo e, em alguns casos, ele é
a própria pessoa que faz a ação.
Exemplos: Ela é bonita / Elas
são bonitas / Nós somos
bonitos.
Agora você já conhece o que é um verbo e
um sujeito. Porém, nem todos os verbos
possuem um sujeito, esse é o caso dos
verbos impessoais. Um verbo impessoal é
aquele que não possui uma ligação direta
com um sujeito. De maneira geral, não há
uma pessoa que faça a ação do verbo ou
alguém que sofra essa ação.
Um exemplo muito claro disso são os verbos
que exprimem fenômenos da natureza. 
Exemplo: Hoje trovejou muito. 
Perceba que não há ninguém fazendo a ação
de trovejar (não me venha dizer que foi São
Pedro, por obséquio). Ou seja, não há um
termo que está diretamente relacionado a
esse verbo.
VERBO HAVER FUNCIONANDO
COMO IMPESSOAL
O verbo haver pode se comportar assim.
Aliás, na maioria dos casos, ele se comporta
dessa maneira. 
Vamos acompanhar o esquema para
entender melhor:
Verbo impessoal não possui sujeito o
sujeito modifica o verbo o verbo “haver”
pode ser impessoal então ele não
possui um sujeito para o modificar se
ele não possui sujeito, eu não devo
concordar com outros termos da oração 
o verbo fica no singular sempre.
A regra aprendida é: verbos
impessoais não concordam com os
elementos da frase, eles seguem
uma forma básica.
6 Monitoria de Redação
Sempre que o verbo “haver” possuir o
sentido de “existir”, o verbo será impessoal. 
Exemplos: 
Há aulas da Plataforma Assaad que
valem ouro. 
Há monitorias que são imprescindíveis
na nossa preparação.
Veja que o verbo não concorda com “aulas”
nem com “monitorias”, porque esses termos
não são sujeitos, e isso é um pouco óbvio,
uma vez que, no tempo presente, ninguém
erra o uso do verbo haver, visto que todo
mundo já está acostumado a escrever da
maneira certa. Por acaso você já viu alguém
escrever “hão amigos ruins” ? Espero que
você não tenha tido esse desgosto. 
Todavia, é muito comum ver essa confusão
nos tempos futuro e passado, justamente
porque os brasileiros não conjugam tanto os
verbos em diferentes tempos, preferimos
sempre ficar no bom e seguro tempo
presente. 
Veja os exemplos a seguir:
Regra: se o verbo haver tiver o sentido do
verbo “existir”, não iremos o conjugar no
plural. Ele ficará na “terceira pessoa do
singular”, em linhas gerais, no singular.
Há apenas alguns casos em que o verbo
“haver” pode ser levado para o plural. Isso é
feito quando ele funciona como um verbo
auxiliar. 
Exemplos: 
Eles haviam planejado fazer uma
viagem. 
Nós havíamos assistido às aulas do
Pedro.
Nesses casos, claramente há um sujeito que
modifica o verbo, por isso, eles não são
impessoais. Eu trouxe esses exemplos
apenas para que você não pense que jamais
o verbo poderá ser conjugado.
Haverá aulas ao vivo com a Cecília. ✅
Haverão aulas ao vivo com a Cecília ❌ 
Houve notas 980 neste grupo. ✅ 
Houveram notas 980 neste grupo. ❌
Quando isso ocorre?
Você precisa ter em mente que o que vem
depois não é o sujeito, por isso, esses
termos não concordam com o verbo “haver”.
Para ter a certeza disso, você pode trocar o
verbo “haver” pelo verbo “existir”
Existirão alunos 200 na C1. ✅ 
Haverá alunos 200 na C1. ✅
Quando isso NÃO ocorre?
TRANSCRIÇÃO
DA MONITORIA
A primeira coisa que nós vamos fazer é
aprender a como concordar utilizando o
verbo haver. E eu tenho certeza de que se
você não errou essa questão em uma
redação, provavelmente você errou na fala,
porque nós temos muito o costume de
acabar errando esse ponto por desconhecer
essa regra. Mas hoje você sairá com um
amplo conhecimento não só sobre isso, mas
sobre outras coisas do nosso idioma
também. 
Você deve estar se perguntando, por que eu
tenho que estudar a concordância do verbo
“haver” se concordância aborda todos os
verbos da língua portuguesa? Por que esse
verbo é tão especial?
7 Monitoria de Redação
Esse verbo causa dúvidas porque ele faz
parte de um grupo específico, os verbos
impessoais, por isso nós precisamos
estudar um pouco mais as concordâncias
com eles.
às vezes, a pessoa verbal não faz a ação, ela
sofre a ação do verbo. Então, essa é uma
regra que muitos professores passam
“sujeito é quem faz a ação”, mas que não é
100% verdadeira. Você tem de lembrar que o
sujeito modifica o verbo de alguma forma.
Por exemplo, se eu digo, ele assinou a
Plataforma Assaad. Quem foi que assinou?
Quem fez a ação de assinar? Ele. Então,
nesse caso, o sujeito é quem faz a ação. Mas
se eu digo, a cadeira quebrou, foi a própria
cadeira que fez a ação de se quebrar? Não.
Nesse caso, ela sofreu a ação, ela foi
quebrada por alguém. Então, nem sempre o
sujeito é quem faz a ação. Mas, de toda
forma, o sujeito é quem modifica o verbo. Por
exemplo, se eu trocasse “cadeira” - no
singular - por “cadeiras” no plural, eu deveria
dizer “as cadeiras quebraram”.
Você deve estar pensando: “Mateus, eu nem
sei o que é um verbo impessoal”. Mas calma
que eu já te explico o que é! Primeiro, nós
temos que ter duas ideias bem consolidadas
em mente: o que é um verbo e o que é um
sujeito. 
Verbo é uma palavra que pode ser
conjugada. E você pode se perguntar,está no
plural e se o "a" também está no plural.
Referente a dificuldades. (Sem
crase, pois "dificuldades" está no
plural, mas "a" está no singular) 
Referente às dificuldades. (Com
crase, pois "as" concorda com
"dificuldades")
Pronomes Possessivos
(indicam ideia de posse):
Exemplos:
Meu, minha, seu, sua, nosso,
vosso.
Uso do artigo:
Com artigo: "Dei férias aos meus
funcionários" (mais formal). 
Sem artigo: "Dei férias a meus
funcionários." 
Observação: ambas as formas
são corretas. No entanto, é
importante manter a consistência.
Se optar por usar o artigo, useo
sempre da mesma forma no texto.
Crase:
Pode ocorrer crase antes dos pronomes
possessivos (como "sua", "nosso", "vossa",
"nossa").
Exemplo:
Reagiu à sua mensagem (usado
pelo Instagram).
Importante: Você escolhe se usa ou não a
crase, mas é importante manter a
consistência. 
Preferência pessoal: Eu, Mateus,
prefiro usar a crase sempre, pois a
considero mais formal.
Crase entre palavras idênticas
Concordância entre
artigo e substantivo
34 Monitoria de Redação
Uso de nomes próprios
Com artigo: "O Mateus gostou
disso." 
Sem artigo: "Mateus gostou
disso."
Observação: O uso do artigo antes de
nomes próprios varia conforme a região. 
No Sudeste, o uso do artigo é mais
comum: "O Pedro deu muitas aulas". 
Em Pernambuco, por exemplo, o artigo é
geralmente omitido: "Pedro deu muitas
aulas".
Importante: Como no caso dos possessivos,
o uso do artigo é facultativo, e você deve
escolher um padrão e segui-lo ao longo do
texto.
Exemplos:
Refiro-me à Maria / Refiro-me a
Maria.
Preposição "até":
Discussão sobre a crase: 
Parte dos gramáticos acredita que "até"
não pode ser seguido de crase, pois
após a preposição "até" não pode existir
outra preposição. 
Outros gramáticos argumentam que "até
a" é uma locução prepositiva, permitindo
a crase.
Observação: Como em outros casos
facultativos, ambos os usos (com ou sem
crase) são aceitáveis. 
Preferência pessoal: Eu prefiro
simplificar e não usar crase após "até",
mas você tem a liberdade de escolher
como usá-la.
35 Monitoria de Redação
Capítulo 4
DIFERENÇA ENTRE VOCATIVOS
E APOSTOS EXPLICATIVOS
A primeira coisa que precisamos fazer é
compreender o que é um vocativo e o que é
um aposto.
não fazemos perguntas, não usamos verbos
na primeira pessoa do plural como “nós
vemos” ou “nós pensamos”. 
Logo, eu quero que você entenda o que é um
vocativo para que você escreva bem no dia a
dia, mas, na redação, nós não usamos
vocativos, uma vez que não chamamos
ninguém.
A informação mais relevante sobre o vocativo
é que ele é sempre virgulado, sempre haverá
vírgulas isolando-o, não importa de ele
parece no meio, no início ou no fim da frase.
VOCATIVO
A palavra vocativo vem do latim “vocare” que
significa “chamar” ou “chamamento”. E essa
origem da palavra diz muito sobre o seu uso.
Os vocativos são palavras usadas para
chamar pessoas em frases ou em discursos.
Exemplos:
Mateus, bom dia! 
Pegue essa garrafa para mim,
querido. 
Amigo, pare com essas atitudes.
Não há uma uma série de palavras que são
consideradas vocativos; basicamente, um
grande número delas pode ser usado como
vocativo, ou seja, qualquer palavra usada
para chamar alguém é considerada vocativo. 
Exemplos:
O homem feio. (feio funciona como
adjetivo) 
Deixe disso, feio! (feio funciona
como um vocativo, porque eu usei
essa característica para chamar o
homem)
Só de falar isso, você deve estar pensando
“mas eu não chamo ninguém na redação”.
Você está certíssimo ao pensar assim. Nós
não chamamos nenhuma pessoa na
redação, porque o texto é impessoal, ou seja,
nós não nos comunicamos com o corretor,
Bom dia, querido amigo Mateus,
tudo bem? 
Querido amigo Mateus, bom dia! 
Bom dia, querido amigo Mateus!
Vimos tudo o que precisamos saber sobre os
vocativos:
Não são usados na redação.
São palavras usadas para chamar
ou estabelecer contato com
alguém
Sempre recebem a vírgula para os
isolar do resto da frase.
APOSTO
A primeira coisa que você precisa saber é o
que é um aposto: 
Aposto é uma palavra ou expressão que
especifica ou exemplifica algo na oração. 
Como esse termo é algo adicional na frase, a
vírgula é usada para o isolar de maneira
semelhante ao vocativo. Esse é o ponto em
comum entre eles, ambos são isolados por
vírgulas. No caso dos apostos, nós podemos
usar travessões, dois-pontos e parênteses
36 Monitoria de Redação
para isolar as informações também.
O Brasil, maior país da América
do Sul, possui uma biodiversidade
impressionante.
A CONFUSÃO ENTRE APOSTO
E VOCATIVO
Veja a frase: 
"O escritor Machado de Assis é conhecido
como um dos maiores autores brasileiros." 
Esse período não precisa de vírgulas, mas
alguns alunos poderiam isolar o termo
“Machado de Assis” acreditando que isso é
um vocativo. Porém, lembra que um vocativo
é uma palavra que nós usamos para chamar
alguém? Você está chamando o Machado de
Assis? Não. Por isso, não temos um vocativo. 
Esse termo também não faz o papel de um
aposto explicativo, uma vez que, se
usássemos as vírgulas, “Machado de Assis”
passaria a ser uma informação adicional, e o
significado seria de que, no mundo inteiro, há
apenas um escritor e que o nome dele é
Machado de Assis.
Isso ocorre porque esse é um aposto
especificativo. 
Você deve pensar, mas eu não sei quais são
os tipos de aposto. Para resolver isso, eu fiz
uma explicação sobre os tipos de aposto
existentes, eles são 7. Vejamos um exemplo
de cada um.
Esse tipo de aposto consiste na explicação
de um termo anteriormente citado na frase,
mas essa informação não é essencial para a
frase, sendo inclusive possível remover esse
trecho dela. Usa-se vírgulas ou travessões
antes e depois dele geralmente.
Exemplo:
Aposto explicativo:
Esse tipo enumera as explicações ou as
exemplificações de um termo anteriormente
usado. Nesse caso, nós usamos as vírgulas
entre os termos e, no fim, usamos o “e” antes
do último termo. Geralmente ele é
introduzido por dois-pontos.
Exemplo:
Aposto enumerativo:
Alguns escritores românticos
marcaram época: José de
Alencar, Castro Alves e
Gonçalves Dias.
Esse tipo resume ou sintetiza os termos
anteriores do enunciado. Antes de um aposto
como esse, a vírgula é usada. Ademais, são
usadas algumas palavras para indicar esses
apostos: “tudo isso”, “tudo”, “estas”, “essas”,
“isso”, entre outros termos.
Exemplo:
Aposto resumidor
ou recapitulativo
Amor, dedicação e paciência, tudo
isso é necessário para ser um
bom professor.
Esse aposto identifica ou particulariza o
termo ao qual se refere, funcionando como
parte essencial da frase. 
Nesse caso, o aposto não é separado por
vírgulas, travessões ou parênteses, pois é
Aposto especificativo:
37 Monitoria de Redação
O rio Amazonas é o mais extenso
do mundo.
indispensável para a compreensão do
enunciado. É preciso ficar muito atento a
esse caso, porque há alunos que erram na
redação por justamente isolarem esses
apostos.
Exemplo:
Esse tipo de aposto é semelhante ao aposto
explicativo, porém há uma diferença, pois o
aposto distributivo não explica apenas um
elemento anterior, a distribuição das
explicações é feita para mais de um termo,
muitas vezes, usando as expressões “este”,
“aquele”, “um” ou “outro”. 
Geralmente esses apostos são isolados por
vírgulas para organizar as informações e
facilitar a compreensão da informação.
Exemplo:
Aposto distributivo:
Exemplo:
O Brasil, como um grande
celeiro agrícola, é referência
mundial na produção de alimentos.
O time perdeu o campeonato,
decisão que todos esperavam.
O sol e a lua, aquele quente e
brilhante, esta suave e
misteriosa, inspiram poetas.
Esse tipo de aposto é usado para comparar
o termo anterior com outro, destacando as
semelhanças ou diferenças entre eles. 
As vírgulas são obrigatórias para isolar o
aposto comparativo. O uso de travessões
também é possível, mas as vírgulas são mais
comuns. Parênteses são pouco usados em
redações do Enem, mas podem ser
encontrados em outros textos formais. O uso
do elemento “como” é bem comum para
introduzir a ideia.
Aposto comparativo:
Nestecaso, "como um grande
celeiro agrícola" deixa claro que o
Brasil está sendo comparado a
um celeiro.
O aposto de oração é uma oração que faz o
papel de aposto, ou seja, ela complementa,
explica ou detalha um termo da oração
principal. 
O aposto de oração é isolado por vírgulas,
travessões ou parênteses, conforme o estilo
do texto. Em alguns casos, o uso de ponto e
vírgula também é necessário, dependendo
do contexto e da extensão da oração. Nas
nossas redações, o mais comum é usar a
vírgula ou o travessão.
Exemplo:
Aposto de oração:
TRANSCRIÇÃO
DA MONITORIA
Eu sei que isso é um desejo de muitos
alunos: saber usar a vírgula em qualquer
contexto. Porém, eu canso de falar que
aprender a usar a vírgula não é algo que se
faz de uma hora para outra. Você precisa
aprender cada um dos casos muito bem. 
Aqui, nós aprenderemos a utilizar a vírgula
tanto com vocativos quanto com apostos
explicativos e também com outros tipos de
apostos que eu vou trazer aqui para vocês.
38 Monitoria de Redação
Ganhando esse conhecimento, vocês já vão
eliminar muitos, mas muitos erros, tanto na
sua comunicação quanto na sua redação. E,
a cada capítulo, conforme formos
trabalhando novos conteúdos, você adquirirá
mais conhecimento, até que passe a não
errar em nenhum contexto o uso da vírgula.
Você pode até saber o que é um aposto ou
um vocativo, porém esse conhecimento não
será cobrado na prova. Não haverá uma
questão perguntando qual é o aposto, qual é
o vocativo. Entretanto, ter o conhecimento
dessas estruturas fará com que você tenha
consciência ao utilizar os pontos, as vírgulas
e os sinais de pontuação no seu texto. É para
isso que a gente estuda gramática: não para
fazer uma análise sintática a todo momento,
mas para que possamos escrever bem. 
A primeira estrutura que conheceremos hoje
é o vocativo. O vocativo vem do latim
"vocare", que significa chamar ou
chamamento, e essa palavra no latim tem
total sentido com o uso dos vocativos. Por
quê? O vocativo é usado sempre para
chamar as pessoas, para comunicar, para,
de alguma forma, chamar a atenção de
alguém em uma frase ou em um discurso.
Por exemplo, se você me dá bom dia, você
diz: "Bom dia, Mateus". E "Mateus" é o
vocativo, porque você está me chamando. Se
eu digo: "Pegue essa garrafa para mim,
querido", "querido" é o vocativo, porque
estou chamando aquela pessoa por esse
termo. Se eu digo: "Amigo, pare com essas
atitudes", "amigo" também é um vocativo.
Qualquer palavra que eu use para chamar
outra pessoa, para me comunicar com ela,
para estabelecer um contato, é um vocativo.
"Vocare", do latim, significa chamar.
Você pode pensar: "Então, um vocativo é
uma classe gramatical e existem palavras
que sempre se comportam como vocativo". E
você estaria completamente errado se
pensasse assim, pois vocativo nem sempre é
uma estrutura rígida. Eu posso utilizar
diversas palavras para me referir a uma
pessoa. 
Um exemplo claro disso é a comunicação
entre dois namorados. Eu posso utilizar o
nome daquela pessoa para falar com ela,
mas, preferencialmente, utilizamos apelidos
carinhosos, como "meu amor", "lindo",
"querido", trocando o nome por outra
palavra. Por exemplo, "lindo" é um adjetivo:
"Ele é lindo". Mas também pode fazer o papel
de um vocativo: "Bom dia, lindo".
Você deve estar pensando: "Ok, Mateus,
vocativo é uma palavra que eu utilizo para
chamar alguém. Mas, na redação, eu chamo
alguma pessoa? Eu converso com o meu
corretor?" É claro que não! E é daí que
tiramos nossa primeira conclusão: nunca
teremos um vocativo dentro da nossa
redação. A não ser em casos muito raros,
quando um repertório incluir a fala de alguém
que contenha um vocativo. Mas, no geral,
nunca teremos um vocativo na redação. 
Isso acontece porque a redação é um texto
impessoal. Pegue essa informação: um texto
impessoal é aquele em que não nos
comunicamos diretamente com quem está
lendo. Então, jamais faça uma pergunta para
o corretor, por mais que seja retórica. Isso
não é interessante, pois você não pode se
comunicar com quem está corrigindo a sua
redação.
Por isso, não faça perguntas e não utilize
verbos na primeira pessoa do plural, como
em: "Nós vemos a realidade do Brasil", "nós
pensamos", "nós não observamos tal coisa
sendo feita pelo governo". Jamais você deve
fazer isso! Sempre utilize construções
impessoais: "Vê-se tal coisa", "Observa-se tal
coisa", "Fica claro que tal coisa existe".
39 Monitoria de Redação
Dessa forma, você não se inclui dentro da
análise. Esse é um texto impessoal. 
Já que não utilizamos vocativos na redação,
aprenderemos a usar a vírgula nesses casos
para que, quando você estiver se
comunicando com outras pessoas, no
trabalho, na escola ou com o seu professor,
não passe vergonha e tenha um português
impecável.
O vocativo — aquele termo ou expressão
que utilizamos para chamar ou nos
comunicarmos com alguém — deve sempre
ser isolado por vírgulas. Se ele aparece no
início da frase, colocamos apenas uma
vírgula depois dele. Se está no final,
utilizamos apenas uma vírgula antes. Se está
no meio, utilizamos duas vírgulas.
Por exemplo:
exemplifica ou especifica alguma coisa na
oração. Basicamente, trata-se de uma
informação adicional, algo que você insere
para explicar ou detalhar um termo
previamente mencionado. 
Como essas informações são explicações ou
exemplificações, é fundamental utilizar sinais
de pontuação para destacá-las. Não apenas
é interessante, como também necessário.
Devemos utilizar a vírgula, o travessão, os
dois pontos ou os parênteses, e veremos
claramente quando empregar cada um
desses sinais ao longo deste capítulo.
Agora, vamos entender por que alguns
alunos frequentemente confundem o
vocativo com o aposto explicativo. Considere
a seguinte frase:
"Bom dia, querido amigo Mateus." 
"Pegue essa garrafa para mim,
querido." 
"Amigo, pare com essas atitudes."
Perceba que o vocativo pode ser extenso:
"Bom dia, querido amabilíssimo amigo
Mateus". Aqui, todo esse trecho é um
vocativo. Qualquer palavra, expressão ou
frase que você utilize para chamar a atenção
de alguém será vocativo, independentemente
do tamanho. 
Se você chama alguém de "amigo",
"consagrado", "guerreiro", "cavalheiro",
sempre será vocativo. E, se é vocativo,
precisa estar isolado por vírgulas!
Agora nós aprenderemos o que é um aposto,
e a compreensão desse conceito é muito
relevante para que você utilize bem as
vírgulas dentro da sua redação. Um aposto é
uma palavra ou uma expressão que
O escritor Machado de Assis é
conhecido como um dos maiores
autores brasileiros.
Nesse caso, não temos vocativo nem aposto
explicativo, pois não há vírgulas isolando
nenhum termo. Fica claro que não se trata de
uma explicação ou exemplificação adicional.
No entanto, alguns alunos tendem a isolar o
termo "Machado de Assis", escrevendo:
O escritor, Machado de Assis, é
conhecido como um dos maiores
autores brasileiros.
Esse uso das vírgulas está incorreto, pois
transforma "Machado de Assis" em um
aposto explicativo, o que mudaria o sentido
da frase. 
Se o aluno isola "Machado de Assis" como
se fosse um vocativo, ele comete um erro
conceitual. Nesse caso, não estamos
chamando o escritor diretamente. Para que
houvesse um vocativo, a frase deveria ser
algo como:
40 Monitoria de Redação
Aqui, sim, temos um vocativo, pois estamos
nos dirigindo diretamente ao autor. 
Agora, se o aluno isola "Machado de Assis"
com vírgulas pensando que é um aposto
explicativo, ele está cometendo um erro de
pontuação. O uso da vírgula nesse caso
indicaria que a informação poderia ser
removida sem comprometer o sentido da
frase. Se disséssemos:
Machado de Assis, você é um
escritor muito bom.
O escritor, Machado de Assis, é
conhecido como um dos maiores
autores brasileiros.
Ao retirar "Machado de Assis", a frase ficaria:
O escritor é conhecido como um
dos maiores autores brasileiros.
Isso compromete a clareza, pois sem o
nome, não sabemos de qual escritor
estamos falando. Portanto, "Machado de
Assis" é um aposto restritivo, que não pode
ser isolado por vírgulas. 
Você pode estar se perguntando: "Mateus,eu não entendo o que é um aposto restritivo
e um aposto explicativo." Por isso, agora
explicarei cada tipo de aposto para que você
compreenda exatamente quando deve ou
não utilizar a vírgula. 
Antes disso, vamos recapitular o que
aprendemos até aqui:
O vocativo é usado para chamar
ou se dirigir a uma pessoa
diretamente e é sempre isolado
por vírgula.
O aposto é uma informação
adicional, podendo ou não ser
isolado por vírgulas, dependendo
do seu tipo
Agora, aprenderemos quando o
aposto exige vírgula e quando não.
TIPOS DE APOSTOS
O primeiro caso que temos é o do aposto
explicativo. Como o próprio nome sugere,
ele explica algo mencionado anteriormente.
Para indicar essa explicação, devemos
utilizar sinais de pontuação, como:
Duas vírgulas, uma antes e outra depois;
Dois travessões; 
Parênteses.
Na redação, evitamos o uso de parênteses,
priorizando vírgulas e travessões.
Exemplos:
O Brasil, maior país da América
do Sul, possui uma biodiversidade
impressionante. 
Meu professor, um especialista
em literatura brasileira,
recomendou a leitura de Machado
de Assis. 
A tecnologia, uma grande aliada
no trabalho remoto, tem
revolucionado nossas rotinas.
Caso seja possível remover o termo sem
comprometer o sentido da frase, estamos
diante de um aposto explicativo. 
O segundo tipo é o aposto enumerativo,
que apresenta explicações ou
exemplificações de um termo anterior. Na
redação, ele aparece ao introduzirmos nossa
tese, sempre acompanhado de dois pontos:
41 Monitoria de Redação
Exemplos:
Perceba que, quando há mais de um termo,
utilizamos vírgulas e adicionamos a
conjunção "e" antes do último elemento. 
O aposto resumidor ou recapitulativo
sintetiza termos mencionados anteriormente.
Ele costuma ser introduzido por palavras
como tudo, todas essas coisas, isso:
Exemplos:
A cidade de São Paulo é um
grande centro econômico do
Brasil.
Quando aparece no meio da frase, há
sempre uma vírgula antes do elemento
resumidor. 
O aposto especificativo atribui uma
especificação essencial ao termo, sem
possibilidade de remoção. Diferentemente do
explicativo, não pode ser isolado por
vírgulas.
Exemplos:
Desse modo, urge debater as
causas desse dilema: a falta de
recursos e a falha educacional. 
Alguns escritores românticos
marcaram época: José de
Alencar, Castro Alves e
Gonçalves Dias.
Determinação, esforço e coragem,
essas são as qualidades de um
vencedor. 
Trabalho, estudo e descanso, tudo
deve estar equilibrado na rotina.
O rio Amazonas é o mais extenso
do mundo. 
O poeta Carlos Drummond de
Andrade escreveu "No Meio do
Caminho". 
Se retirarmos "Amazonas" da primeira frase,
a informação sobre o nome do rio se
perderia. Por isso, não há vírgula. 
O aposto distributivo apresenta
explicações distintas para termos diferentes
na mesma frase. Ele utiliza pronomes
demonstrativos como "uma", "outra", "este",
"aquele":
Exemplos:
Sol e Lua, aquele brilhante e
quente, esta suave e misteriosa,
inspiram poetas. 
Marta e Carla, uma dedicada aos
estudos, outra ao esporte, são
irmãs.
As explicações devem ser isoladas por
vírgulas.
O aposto comparativo faz uma comparação
do termo anterior com algo posterior. Ele
costuma vir acompanhado de expressões
como como, conforme, de modo
semelhante a e pode ser isolado por
vírgulas ou travessões:
Exemplos:
O Brasil, como um grande
celeiro agrícola, é referência
mundial na produção de alimentos. 
A vida dele, como um livro
aberto, era fácil de entender. 
Ela, como uma flor rara,
conquistava todos à sua volta.
42 Monitoria de Redação
Por fim, o aposto de oração é uma oração
inteira que desempenha função de aposto.
Ele sempre vem precedido por vírgula e
pode expressar uma explicação ou
conclusão:
Exemplo:
Esse tipo de aposto é útil na redação para
enriquecer argumentos e reforçar
explicações.
Os bolos ficaram lindos e
saborosos, fruto da sua técnica e
dedicação.
43 Monitoria de Redação
Capítulo 5
USO DE MAIÚSCULAS
E MINÚSCULAS
Esse é um tópico sobre o qual há uma
imensa discussão e polêmica. Às vezes, a
banca é um pouco mais flexível, outras vezes
ela é mais rígida. Todavia, há regras que
orientam o uso das letras maiúsculas e
minúsculas na redação, e você irá aprender
quais são as palavras que sempre devem ser
escritas com iniciais minúsculas e quais
devem ser escritas com letra maiúscula.
Estudando esse capítulo, você estará
preparadíssimo para escrever, mesmo
que a banca seja um pouco mais rígida,
pois você terá aprendido qual a maneira
certa de escrever. Essa é a certeza de
nunca errar nesse tópico.
INÍCIO DE FRASES
Esse primeiro caso é o mais básico. Nós o
aprendemos na escola ainda nos anos
iniciais. Sempre que iniciarmos um
período, devemos utilizar a letra
maiúscula. 
Porém, o que é um período? 
Um período é tudo aquilo que é falado do
início da frase até um sinal de pontuação
que a finaliza. Esses sinais de pontuação
podem ser: interrogações, exclamações e, o
mais comum, ponto-final. 
Logo, sempre que você usar um ponto-final,
ponto de exclamação ou ponto de
interrogação, a próxima palavra precisa
ser grafada com inicial maiúscula.
POR QUE USAR
LETRAS MAIÚSCULAS?
O uso de letras maiúsculas confere a
algumas palavras um grau de importância
maior. Usamos maiúsculas em nosso texto
para justamente destacar inícios de frases,
nomes próprios, nomes de órgãos, nomes
de obras, enfim, para coisas importantes. 
Por essa razão, o uso dessa formatação
precisa seguir regras bem estabelecidas e
uniformes. Porém, muitos professores
ensinam esse assunto de maneiras
diferentes, principalmente aqueles que
possuem pouco contato com o sistema de
avaliação da redação do Enem. Para que
não restem dúvidas de quando usar ou não
as letras maiúsculas, nós criamos um
material completo com todos os casos mais
recorrentes no Enem. 
Vamos ver quais são esses casos a partir de
agora.
Diante desse cenário, é válido citar que
os problemas na saúde pública são
causados pelo descaso estatal. Nesse
sentido, com base no artigo 196 da
Constituição Federal de 1988...
Início de parágrafo
sempre com inicial
maiúscula.
Início de
período sempre
com maiúscula.
EM NOMES PRÓPRIOS
Antes de sabermos a regra, precisamos
conhecer o que é um nome próprio.
Nomes comuns 
Como o próprio termo já indica, é um tipo de
substantivo que representa coisas genéricas,
comuns e sem um caráter de exclusividade. 
Por exemplo, se eu falo “plataforma”, eu
estou falando de qualquer plataforma no
44 Monitoria de Redação
geral, já se eu escrevo “Plataforma Assaad”,
eu estou falando de uma plataforma
específica.
Os nomes comuns são escritos com
iniciais minúsculas, justamente porque não
representam algo especial. Por isso, a
maioria das palavras escritas no seu texto
possuem iniciais minúsculas, pois são nomes
comuns.
EM TÍTULOS DE OBRAS
Você já usou alguma vez uma obra em sua
redação como repertório provavelmente.
Todavia, você sabe como escrever
corretamente os títulos dessas obras para
não cometer erros na C1? Se ainda não
sabe, você pode aprender agora. 
A primeira coisa que você precisa saber é
que há uma certa flexibilidade quanto ao uso
de iniciais maiúsculas, ou seja, há várias
formas de escrever corretamente o nome de
uma obra na língua portuguesa.
Todas as iniciais maiúsculas 
Nesse caso, todas as iniciais dos nomes
são grafadas com letras maiúsculas.
Entretanto, há a exceção para termos
invariáveis, como preposições e artigos
que aparecem no meio do título. Essa é a
forma mais comum de escrever um título.
Exemplos:
Nomes próprios 
São termos que particularizam seres,
conferindo um caráter de exclusividade. 
Por exemplo, se eu falo “Oceano Pacífico”, eu
estou me referindo a um “oceano” específico.
Perceba que, quando grafada sem a palavra
“Pacífico”, “oceano” é grafada com inicial
minúscula, visto que não há uma referência
há um único elemento especial, já o nome
“Oceano Pacífico”, possui iniciais maiúsculas,
uma vez que esse é o nome de apenas um
dos oceanos, esse nome é especial e
exclusivo dele. 
Em razão disso, os nomes próprios são
sempre grafados com iniciais maiúsculas.
Talvezvocê tenha dúvidas de quais são os
nomes próprios e quais são os nomes
comuns que mais usamos na redação. Para
resolver esse problema, nós criamos uma
seção apenas com esses casos no último
assunto desse capítulo.
Memórias de um Sargento de
Milícias. 
Vidas Secas. 
A Escrava Isaura.
Mesmo sendo um artigo, por
estar no início do título, a letra
deve ser maiúscula
Apenas a primeira letra maiúscula 
Nesse caso aqui, apenas a primeira letra é
escrita com a inicial maiúscula. Contudo,
quando uma das palavras do título for um
nome próprio, deve-se respeitar a segunda
regra que estudamos aqui e escrevê-lo com
inicial maiúscula. 
Exemplos:
45 Monitoria de Redação
No caso de IPTU, nós lemos I - P - T - U,
falando cada uma das letras como se
estivéssemos soletrando a palavra. 
Exemplos: ABNT, BNDES, CNBB, IPTU,
INSS, ICMS, CNPJ, FGTS, UFSC.
Memórias póstumas de Brás
Cubas. 
Morte e vida severina.
Essas duas formas de escrever são aceitas
sem nenhum problema, mas é importante
que você mantenha um padrão na sua forma
de escrever. Se você usa uma forma,
permaneça com ela até o fim do texto. Eu
escolheria uma para fazer sempre assim -
por exemplo, com todas as maiúsculas - e
reproduziria em todos os meus textos. Assim,
eu não teria problemas nunca, pois sempre
faria dessa maneira. Escolha a sua preferida!
USO DE MAIÚSCULAS
EM SIGLAS
Para entendermos essa questão, precisamos
compreender algumas questões sobre as
siglas. Primeiramente, há siglas de até três
letras, siglas que são soletradas e siglas
que são lidas como uma palavra. 
Para cada um desses casos, há regras para
o uso de letras maiúsculas e minúsculas.
No caso das siglas que possuem apenas 2
ou 3 letras, o uso das letras maiúsculas é
obrigatório. 
Exemplos: SUS, CPF, PM, OAB, USP, PUC,
MEC, CEP, MP.
Siglas com até três letras
Quando as siglas são faladas letra por letra,
as letras maiúsculas devem ser usadas
obrigatoriamente. 
Por exemplo, Enem não é pronunciado letra
por letra, pois nós não lemos E - N - E - M,
lemos a palavra inteira “Enem”. 
Siglas que são soletradas
Quando as siglas são lidas como se fossem
uma palavra e possuem mais de três letras, o
uso da maiúscula deve ser feito apenas na
primeira letra. 
Exemplos: Serasa, Unibanco, Unisul,
Embratur, Unesco, Anatel, Bacen, Bovespa,
Cofins, Dataprev, Embratel, Mercosul,
Procon, Sebrae, Senac, Senai, Unicamp,
Unicef, Unimed, Sisu, Enem, Encceja.
Seguindo essas regras, você nunca mais
cometerá erros ao escrever siglas.
Se possui apenas três letras:
maiúscula em todas (SUS) 
Se soletrada letra por letra e possui
mais de três: maiúscula em todas.
(INSS) 
Se for lida como uma palavra:
maiúscula somente na primeira letra.
(Enem)
Siglas que são pronunciadas
EVENTOS HISTÓRICOS
Em eventos históricos conhecidos por todos,
o uso da letra maiúscula é obrigatório. 
Períodos históricos como Idade Média,
Renascimento, Brasil Colônia, Brasil Império,
Independência (quando se referir ao período
histórico), Regência, Primeiro Reinado,
Primeira República, Revolução Francesa,
Revolução Industrial e Primeira Revolução
Industrial. 
De forma similar, escreve-se com maiúsculas
datas históricas, como Sete de Setembro,
46 Monitoria de Redação
Quinze de Novembro, assim como datas
religiosas, como Natal e Páscoa.
EM CITAÇÕES
DIRETAS COMPLETAS
No repertório, você provavelmente já usou
uma fala de algum filósofo na vida. Por isso,
vamos falar sobre o uso das maiúsculas
nesses casos. 
Há duas formas de se fazer uma citação:
Citação direta: essa é aquela citação feita
da mesma forma que o escritor escreveu ou
o pensador falou - a frase é escrita
exatamente igual. 
Citação indireta: essa forma é mais usada,
nós não fazemos uma cópia do que disse o
autor, apenas reescrevemos o que
lembramos acerca de sua obra ou de suas
falas.
Nas citações diretas, o aluno faz uma cópia
do que o autor falou, mas ele pode fazer a
cópia somente de uma parte ou de tudo o
que o autor falou. 
Por que eu estou explicando isso? Porque
nós só usaremos as maiúsculas se a frase
for completa. Caso o aluno reproduza
apenas uma parte da frase, ele pode não
escrever o início dela, ou seja, a letra
maiúscula (exigida pelo início de frase) não
deve ser usada. 
Vejamos com um exemplo:
Citação indireta: 
Nesse sentido, segundo o educador
Paulo Freire, o ato de ensinar consiste
em criar possibilidades para que a
pessoa possa se construir.
Citação direta incompleta: 
Nesse sentido, segundo o educador
Paulo Freire, o processo de ensino deve
auxiliar o aluno a “criar as
possibilidades para a sua própria
produção ou a sua construção"
Nesse caso, não há o uso de
maiúsculas, visto que o texto foi
criado pelo próprio aluno e não há
um início de frase.
Aqui, o uso de inicial maiúscula
não ocorre por que o início da
frase não está presente. Além
disso, a citação se integra
perfeitamente ao resto do texto.
Citação direta completa: 
Nesse sentido, segundo o educador
Paulo Freire, "Ensinar não é transferir
conhecimento, mas criar as
possibilidades para a sua própria
produção ou a sua construção".
Nesse período, o uso de inicial
maiúscula ocorre por que o início
da frase está presente, visto que
ela foi completamente escrita. Em
casos assim, o uso da maiúscula
é obrigatório.
Logo, chegamos à conclusão de que o uso
da inicial maiúscula na citação só deve ser
feito de a frase inteira for escrita tal qual o
autor falou ou escreveu.
CASOS QUE GERAM DÚVIDAS
Agora nós vamos aprender os principais
usos na redação. Recorra a esse documento
sempre que quiser conferir a forma correta
47 Monitoria de Redação
de escrever. É importante saber que há
redações que, mesmo possuindo erros
desse tipo, não foram penalizadas na C1,
porque a banca foi flexível e não viu
problema. Contudo, essas formas que você
aprenderá aqui estão alinhadas aos
documentos oficiais do governo e às regras
gramaticais, o que garante que você jamais
seja penalizado.
Muitos alunos escrevem esse termo com
iniciais maiúsculas, mas você sabia que o
certo é escrever com iniciais minúsculas?
Inclusive, os manuais oficiais do governo
indicam que essa é a escrita correta. Vamos
entender o motivo.
Ao falar “governo federal”, você não está se
referindo a um órgão específico ou a uma
instituição que só há no Brasil. Quando
falamos em “governo federal”, estamos
apenas nos referindo a uma forma de
organização governamental em federações -
os nossos estados (ex.: Pernambuco, São
Paulo) são chamados assim.
Logo, essa forma “governo federal” pode se
referir a qualquer país que possui uma
organização em federações, por isso, deve
ser grafada com iniciais minúsculas, mesmo
se tratando do aparato governamental.
Caso de governo federal
O termo “governo” segue a mesma lógica de
“governo federal”, mas de maneira ainda
mais geral, visto que eu posso me referir a
qualquer governo do mundo, como governo
da China, governo dos Estados Unidos,
governo estadual, governo municipal, enfim,
posso me referir a diversas coisas. Logo, há
um substantivo comum, e não próprio, por
conseguinte, o uso de inicial minúscula é
obrigatório.
Caso de governo
No caso da palavra “Estado”, há duas formas
de escrever: com inicial maiúscula ou
minúscula, dependendo do contexto. 
Quando a palavra é usada para se referir à
entidade máxima de um país com um sentido
semelhante a “governo”, a inicial maiúscula
deve ser empregada. 
Exemplo: O Estado é negligente em oferecer
recursos para a educação
Quando a palavra é usada para se referir a
estados físicos ou a estados federativos, o
uso da inicial minúscula deve ocorrer. 
Exemplo: A água está no estado sólido no
estado do Rio Grande do Sul.
Nesse caso, mesmo podendo fazer
referência a vários países ou formas de
governo, o uso da inicial maiúscula ocorre
para evitar ambiguidades, visto que essa
palavra possui variados usos.
Caso de Estado
A palavra país, quando se referia ao Brasil,
era escrita com inicial maiúscula. Porém,
essa regra está praticamente em desuso.
Você sabe que a nossa língua é viva e,
justamente por isso, algumas regras podem
mudar com otempo. Durante muito tempo,
para se referir aos outros países, usava-se a
letra minúscula e, para o Brasil, maiúscula.
Contudo, a maioria das pessoas desconhece
essa regra, creio que alguns corretores
também, pois a escrita com a inicial
minúscula se popularizou. 
Com base nisso, eu recomendo que você
escreva usando a inicial minúscula, mas,
caso não escreva com a minúscula, não há
problema, você não comete um erro. Todavia,
Caso de país
48 Monitoria de Redação
lembre-se de manter a coerência. Se
escrever com maiúscula, permaneça fazendo
assim em todo o texto.
Exemplos: Ministério da Educação,
Ministério da Cultura e Ministério da Saúde.
Nomes de documentos, como a Constituição
e o Estatuto da Criança e do Adolescente
são sempre escritos com iniciais maiúsculas,
porque são nomes de documentos
específicos.
Documentos, como Constituição
Não são poucos os alunos que cometem
erros ao escrever o nome dos agentes da
proposta de intervenção, visto que muitos
possuem a visão errônea de que, apenas por
ser agente da proposta de intervenção, o
nome do termo precisa estar grafado com
iniciais maiúsculas. Entretanto, esse é um
erro gigantesco que não possui nem lógica. 
Por que usamos as letras maiúsculas? Para
destacar algo especial e exclusivo, não é
mesmo? Pois bem, palavras como “mídia,
família e escola” não são substantivos
próprios, na verdade, são ideias comuns,
veja que “família” faz referência a todas as
famílias do país - algo comum e pouco
específico.
O agente só será grafado com inicial
maiúscula se ele já for um substantivo
próprio, como Estado, Poder Executivo e
Ministério da Educação. 
Então, a partir de agora, você já sabe que os
agentes da proposta de intervenção não
precisam ser grafados com iniciais
maiúsculas, já que ele não vira um
substantivo próprio apenas por ser usado
como agente.
Agentes da proposta de
intervenção (mídia, escola,
família, população)
Essa é uma regra bem simples, você precisa
a conhecer para escrever a redação. Todos
os ministérios possuem seus nomes
escritos com iniciais maiúsculas, mas por
quê? Porque são nomes de órgãos
específicos, se é específico, usamos a letra
maiúscula.
Nomes de ministérios
Esse nome segue as mesmas regras de
“governo” e “governo federal”, sempre se
escreve com iniciais minúsculas, porque não
estamos falando de um poder específico ou
de um órgão específico, mas apenas falando
sobre o poder daquele governo em vigência,
podendo-se fazer o uso até para outros
países, como poder público da Espanha.
Caso de poder público
Esse é um caso em que temos de ter
cuidado, porque, quando vamos falar dos
poderes da república, estamos falando de
aspectos específicos, de um tipo de poder
especial. Os poderes da república são três:
Poder Legislativo 
Poder Executivo 
Poder Judiciário 
Esses três termos são sempre escritos
com iniciais maiúsculas.
Poderes da República
Esse caso é uma verdadeira pegadinha para
os alunos, porque muitos acabam citando o
artigo específico e acreditam que a letra
maiúscula deve ser usada, mas não é bem
assim. 
Na própria Constituição, o uso de letras
maiúsculas para referir aos artigos não é
feito. Esse uso só ocorre quando a palavra
Caso dos artigos da
Constituição
49 Monitoria de Redação
“artigo” inicia a frase (regra que nós já vimos,
início de frase sempre recebe letra
maiúscula).
Por mais que o artigo esteja especificado,
o uso da maiúscula não ocorre. 
Exemplo: Nesse sentido, conforme o artigo
225 da Constituição...
A palavra “lei” é diferente de “artigo”. Se ela
estiver especificada, o uso da maiúscula
deve ser feito. Se não estiver, o uso da
minúscula é feito. 
Exemplos: 
A lei precisa ser cumprida. (lei no
conceito geral) 
As leis são importantes. (leis no geral) 
A Lei Maria da Penha precisa ser
cumprida. (lei específica, Maria da
Penha) 
A Lei nº 11.340 precisa ser cumprida. (o
número especifica qual é a lei)
Caso da palavra "lei"
50 Monitoria de Redação
Capítulo 6
PLEONASMO E AMBIGUIDADE
Os erros de pleonasmo e ambiguidade não
afetam a estrutura ortográfica do texto, mas
prejudicam diretamente o entendimento da
mensagem passada, adicionando
mensagens desnecessárias ou de sentido
confuso. Por isso, é essencial ficar atento a
essas questões para facilitar a compreensão
do avaliador. Para que você tenha mais
atenção a esses pontos, nós criamos um
capítulo com os casos mais comuns de
pleonasmo e ambiguidade. Desse modo,
você conseguirá escrever com muito mais
clareza. Esperamos que você aprenda
bastante.
Uma prova como o Enem precisa de um
processo de correção semelhante e muito
padronizado. Dessa maneira, a correção feita
em um lugar do Brasil é a mesma feita em
outro. Se o texto fosse um poema, os dois
corretores que avaliam poderiam ter
percepções diferentes daquilo que foi escrito,
pois tudo dependeria da sensibilidade do
avaliador e da sua interpretação.
Agora que você já sabe disso, fica fácil
entender o porquê de não podermos
escrever usando figuras de linguagem na
nossa redação: para não comprometer a
objetividade da avaliação. Logo, o uso de
metáforas, hipérboles, pleonasmos e
ambiguidades não deve ser feito, visto que
isso faria com que as percepções dos
corretores fossem diferentes. 
O pleonasmo e a ambiguidade podem ser
usados em outros tipos de textos, como em
músicas, mas é muito desestimulado na
escrita da redação, a fim de facilitar a
correção e evitar inadequações relacionadas
ao gênero textual. Por isso, vamos conhecer
os principais casos desses erros a partir de
agora.
USO DE FIGURAS DE
LINGUAGEM NA REDAÇÃO
A primeira coisa que nós precisamos
entender é que o texto dissertativo-
argumentativo, proposto pela banca
avaliadora do Enem, tem como foco a
objetividade das ideias. 
Você sabe por qual motivo as questões de
poemas são as mais erradas em toda a
prova? Porque poemas usam vários
recursos estilísticos para conseguir
impactar o leitor, e esses recursos nem
sempre são percebidos de uma mesma
forma. Há pessoas que interpretam de uma
maneira e outras que encontram um sentido
diferente, mesmo se tratando do mesmo
texto. 
Você já chegou a refletir o motivo que levou o
texto pedido pelo Enem a ser do modelo
dissertativo-argumentativo? A razão para
não fazermos um poema, por exemplo, é que
seria muito difícil padronizar a correção.
PLEONASMO
Como vimos anteriormente, o pleonasmo é
uma figura de linguagem e pode ser usado
em textos literários sem nenhum problema,
desde que o seu objetivo seja enfatizar uma
ideias ou deixar mais nítida alguma
relação textual. 
No entanto, na linguagem da redação do
Enem, o seu uso é incorreto, pois,
geralmente, ocorre sem um objetivo claro e
de maneira viciosa. Além disso, o uso
estilístico não é permitido como já
aprendemos.
51 Monitoria de Redação
Para que você tenha um conhecimento mais
robusto, vamos ver alguns casos de uso
estilístico por grandes autores.
Exemplos:
“Ó mar salgado, quanto do teu sal / São
lágrimas de Portugal!” (Fernando
Pessoa) 
Todo “mar” é “salgado”, mas o autor
quis enfatizar essa característica. 
“E rir meu riso e derramar meu pranto”
(Vinicius de Moraes) 
Quem “ri” sempre “ri um riso”, mas
essa foi uma escolha para enfatizar a
emoção. 
"Chovia uma triste chuva de
resignação." (Manoel Bandeira) 
Só se “chove” uma “chuva”,
novamente, esse é um caso usado
para dar ênfase. 
Agora vejamos mais 5 exemplos que não são
de autores, mas também poderiam ser
usados como recurso estilístico em poemas
e músicas.
Exemplos: 
"No silêncio calado da noite, esperava a
resposta." 
"Derramou lágrimas molhadas sobre o
velho diário." 
"Subiu para o alto da montanha
imponente e grandiosa." 
"Sorria um sorriso largo e iluminado." 
"Sentia medo assustador diante da
tempestade que rugia."
É importante que você tenha aprendido que
nem sempre o pleonasmo está errado,
desde que o uso dele seja intencional e
estilístico. No entanto, nunca o use na
redação, certo?
Pleonasmo estilístico (usado em
obras literárias)
Esse tipo de pleonasmo é um vício de
linguagem, ou seja, algo que não é feito com
a intenção de passar umamensagem para o
leitor, mas por desconhecimento do escritor
acerca da língua. 
Vejamos alguns exemplos de excessos que
prejudicam o sua fala e escrita:
"Ele entrou para dentro da sala sem pedir
permissão." 
"Entrar" já indica movimento para dentro. 
Correção: "Ele entrou na sala sem pedir
permissão."
"O avião subiu para cima rapidamente."
"Subir" já indica direção para cima. 
Correção: "O avião subiu rapidamente.
"Eles desceram para baixo do palco para
falar com o público." 
"Descer" já implica direção para baixo. 
Correção: "Eles desceram do palco para
falar com o público."
"Precisamos planejar antecipadamente as
próximas ações." 
"Planejar" já envolve antecipação. 
Correção: "Precisamos planejar as
próximas ações." 
"Há muitos anos atrás, essa tradição já
existia." 
"Há" já indica tempo passado, então
"atrás" é desnecessário. 
Correção: "Há muitos anos, essa
tradição já existia."
"Os dois times jogaram metades iguais do
jogo." 
Se são metades, já são partes iguais.
Pleonasmo vicioso (errado,
deve-se evitar tanto na redação
quanto no dia a dia)
52 Monitoria de Redação
Correção: "Os dois times jogaram
metades do tempo do jogo."
"O professor pediu uma conclusão final no
trabalho." 
Toda conclusão já é final. 
Correção: "O professor pediu uma
conclusão no trabalho." 
"Devido ao frio congelante, todos usavam
casacos pesados." 
"Frio" já indica baixa temperatura;
"congelante" é redundante. 
Correção: "Devido ao frio, todos usavam
casacos pesados." 
"Ela repetiu novamente a explicação para
os alunos." 
"Repetir" já significa fazer de novo. 
Correção: "Ela repetiu a explicação para
os alunos." 
"Vamos encarar de frente os desafios do
futuro." 
"Encarar" já significa enfrentar de frente. 
Correção: "Vamos encarar os desafios
do futuro." 
"Esse fato real comprova a importância da
medida." 
“Fato” é sempre real, do contrário não
seria um fato. 
Correção: "Esse fato comprova a
importância da medida." 
"Como por exemplo, a educação deve ser
valorizada." 
“Como” e “por exemplo” indicam a ideia
de exemplificação, devendo ser usado só
um. 
Correção: "Por exemplo, a educação
deve ser valorizada." 
Para evitar erros, você sempre deverá ter em
mente que o uso de termos desnecessários
deve ser eliminado. Preocupando-se em
eliminar os excessos, você terá um texto livre
de pleonasmos viciosos.
AMBIGUIDADE
Novamente, nós estamos diante de uma
estrutura que não está completamente
errada em todos os casos. Por exemplo, em
propagandas o uso de ambiguidades é muito
recorrente e, inclusive, é uma estratégia
muito bem-vinda. 
Antes de tudo, uma ambiguidade é uma
duplicidade no sentido ou na
compreensão de uma palavra ou de uma
frase. Por exemplo, a palavra “manga” possui
vários sentidos, dependendo do contexto, ela
admite significados diferentes.
Porém, se a ambiguidade for usada de
maneira indevida, pode causar problemas
para aquele que escreveu, como neste caso:
Ao falar “Móveis por estes preços não vão
durar nada!”, o autor queria enfatizar que os
móveis seriam vendidos rapidamente,
incentivando que as pessoas comprassem
logo. 
Contudo, alguém pode ter entendido que, por
serem tão baratos, os móveis são frágeis e
não terão durabilidade. 
Aqui houve uma ambiguidade: escassez x
durabilidade
53 Monitoria de Redação
Com base nesse exemplo, eu não preciso
nem falar que você deve evitar o uso de
ambiguidades na sua redação, não é
mesmo?
Caso você venha a fazer uma frase ambígua,
o corretor pode simplesmente não entender
aquilo que você escreveu e diminuir a sua
nota. Veja que complexo! Por isso, vamos
tentar eliminar a todo custo as ambiguidades
na nossa redação.
Agora vamos ver alguns casos de
ambiguidade e de como eliminá-la. 
"O SUS passa por problemas, por isso, o
Estado precisa melhorar a sua atuação na
saúde pública."
Atuação de quem? Do SUS ou do
Estado? Percebe que coisas assim
podem gerar dúvidas? A falta de clareza
pode fazer o leitor pensar que a atuação
a ser melhorada é do governo, e não do
sistema de saúde. 
Correção: "O SUS passa por problemas,
por isso, o Estado precisa melhorar a
atuação desse sistema na saúde
pública."
"A educação no Brasil enfrenta sérias
dificuldades, e o governo deve melhorar a
sua gestão." 
O pronome "sua" não especifica se é a
gestão do governo ou da educação que
precisa ser melhorada. O corretor pode
interpretar erroneamente. Nesse caso,
apenas eliminar o “sua” já é suficiente
para resolver essa ambiguidade. 
Correção: "A educação no Brasil enfrenta
sérias dificuldades, e o governo deve
melhorar a gestão da educação."
"Falei com a chefe com vertigens." 
Quem possui vertigens? A pessoa que
falou ou o chefe? O uso de "com" neste
caso cria uma ambiguidade. Adicionar
“que estava” elimina essa ambiguidade. 
Correção: "Falei com a chefe que estava
com vertigens."
"O político falou com o público com
sinceridade." 
O "com" pode gerar a impressão de que
o político estava falando com o público de
uma maneira particular, ou que a
sinceridade estava "no público", o que
causa ambiguidade. 
Correção: "O político falou com o público
de forma sincera."
"Fui à reunião com minhas propostas e
ideias novas." 
O uso de "com" pode indicar a ideia de
companhia. Nesse caso, há até uma
personificação, pois parece que “as
propostas e as ideias” estão
acompanhando o homem como se
fossem pessoas. 
Correção: "Fui à reunião levando
minhas propostas e ideias novas."
"O livro fala sobre a jornada de um herói em
busca de seu destino." 
A frase sugere que o livro está "falando",
o que é uma personificação, mas o leitor
pode ficar em dúvida se é o livro que tem
a capacidade de falar ou se o enredo do
livro está sendo descrito como uma
"fala". Essa ambiguidade acontece
porque o verbo "falar" normalmente é
atribuído a seres humanos ou entidades
que podem se comunicar verbalmente,
não a objetos como livros. 
Correção: “No livro, é descrita a jornada
de um herói em busca de seu destino.”
54 Monitoria de Redação
Vimos alguns exemplos, mas não
conseguiremos conferir todos os casos
existentes, uma vez que a ambiguidade pode
aparecer de diversas formas. Para que o seu
texto fique livre desses erros, é relevante
fazer uma leitura antes de passar a limpo,
pois é nessa leitura que encontramos
diversas coisas que podemos melhorar. A
leitura de livros também auxilia o ganho de
consciência sobre diversos erros e faz você
reproduzir bem as suas ideias.
55 Monitoria de Redação
Capítulo 7
PRINCIPAIS ERROS
DE ORTOGRAFIA
As regras de ortografia são bastante
extensas, por isso, há diversos alunos que
não conseguem a nota de 200 pontos na
Competência 1 por erros simples. Alguns
trocam “s” por “z”, outros “e” por “i”, enfim,
diversas são as causas de erros ortográficos.
Por isso, criamos um capítulo especial que
trabalha os principais erros de ortografia no
âmbito da redação do Enem. A partir da
leitura dele, grandes dúvidas serão
solucionadas, e você poderá escrever com
muito mais tranquilidade sem ter que perder
tempo pensando em como se escreve
determinadas palavras. Acreditamos que
será uma leitura muito proveitosa, use este
material como um guia na hora de escrever.
PALAVRAS QUE OS
ALUNOS MAIS ERRAM
Há diversas palavras que são escritas
incorretamente pelos alunos, por isso,
resolvemos trazer os erros que mais
aparecem nas redações para que você
consiga ficar atento a eles e nunca mais
cometê-los. Falaremos inicialmente das
palavras com apenas uma grafia correta.
Essa é uma das palavras que os alunos mais
erram na redação, porque muitas pessoas a
pronunciam incorretamente. A letra que vem
antes do “O” é um “E”, e não um “i”.
Estereótipo
Jamais estará correto escrever
com “i” “Esteriótipo” não existe.
Essa palavra também costuma causar
dúvidas, pois é difícil lembrar se ela é
grafada com “e” ou com “i”, visto que há dois
sinônimos bem semelhantes para problema,
um que começa com “E” (empecilho) e um
que começa com “I” (impasse). Para esse
caso, nós precisaremos criar um trocadilho
para lembrar. 
Empecilho é algo que aparece no caminho e
impede que eu consiga ir paraa frente, não é
mesmo? Se há um empecilho, eu “empaco”. 
Então, da próxima vez que você tiver dúvidas
é só lembrar o seguinte esquema:
Empecilho
Se há um empecilho, eu empaco. 
Se há um empecilho, eu empaco. 
Se há um empecilho, eu empaco.
Lembre-se dessa frase e nunca mais
tenha problemas com essa palavra.
Agora que nós já sabemos que “empecilho”
se escreve com “e”, seria muito fácil apenas
lembrar que “impasse” é escrita com “i”.
Porém, você pode ainda ter dificuldades. Por
essa razão, nós iremos aprender uma frase
para essa palavra também. 
Você deve pensar que tudo estava indo muito
bem até que aconteceu um “impasse”, um
problema, mas nenhum problema é
“impossível”. 
Então, sempre que você tiver dúvidas na
hora de escrever lembre-se desse esquema:
Impasse
56 Monitoria de Redação
Esse é um erro menos comum. Alguns
alunos adicionam um “R” a mais na palavra
“majoritariamente” e acabam escrevendo
“marjoritariamente”. Esse é claramente um
erro por excesso. Para lembrar dele, pense
que na palavra “majoritariamente” não tem
“mar”.
Majoritariamente
Jamais estará correto escrever com
“R” “Marjoritariamente” não existe.
Agora que nós já vimos as principais
palavras que confundem os alunos, iremos
aprender quais são os casos de palavras
muito semelhantes. Nesses casos, as duas
formas de escrever estão corretas, mas
possuem usos em contextos diferentes.
Um impasse é difícil de resolver, mas
não é impossível.
Lembre-se dessa frase e nunca mais
tenha problemas com essa palavra.
É bastante comum ver alunos usando duas
letras “E” na palavra “premente”, escrevendo
“preemente”. Essa forma não exite, o jeito
correto de se escrever é com apenas um “E”.
Premente
Jamais escreva com duas letras “E”
“Preemente” não existe.
Esse erro é muito comum na proposta de
intervenção, uma vez que muitos alunos
propõem uma “campanha beneficente”. 
Não está errado escrever assim, o problema
está em adicionar um “i” a mais na palavra,
escrevendo “beneficiente”. Esse é um erro
tão comum que parece até certo.
Beneficente
Nunca adicione um “i” depois do “C”
“Beneficiente” não existe, mesmo
muitas pessoas escrevendo errado.
PALAVRAS DIFERENTES -
USOS DIFERENTES
sse é um erro muitíssimo comum entre os
alunos que, muitas vezes, acontece por falta
de atenção. Para que você nunca erre, fique
sempre atento ao usar essas palavras e
aplique o seguinte raciocínio:
Mau x mal
Vamos ver como aplicar isso na prática com
este exemplo: 
Os jovens possuem um _______
desempenho escolar.
Quando você ficar em dúvida, pense se você
escreveria: 
Os jovens possuem um bem
desempenho escolar. 
Os jovens possuem um bom
desempenho escolar.
Com certeza, você escreveria como na
segunda frase, usando o “bom”. Logo, entre
“mau” ou “mal”, você deve usar o antônimo
de “bom” que é “mau”
57 Monitoria de Redação
Os jovens possuem um mau
desempenho escolar.
'
Sempre que tiver dúvidas, faça a troca por
“bem” ou “bom”. Assim, você nunca errará.
Exemplos: 
O concerto musical foi especial.
Essas duas palavras são muito confundidas
no dia a dia. Ambas as formas estão
corretas, mas cada uma possui a sua
maneira correta de ser usada. Vejamos.
Consertar x concertar
Há muitas confusões quanto ao uso do “há” e
do “a”. Um é o verbo haver “há” e o outro “a”
pode fazer o papel de preposição, artigo ou
estar presente em locuções adverbiais. 
Quando usar o “há”?
Nós usaremos o “há” quando quisermos falar
da existência de algo ou sobre um evento
que ocorreu no passado.
Exemplos: 
Isso ocorreu há dois anos. (ideia de
passado) 
Há dois amigos conversando ali. (ideia de
existência)
Quando usar o “a”? 
Nós usaremos o “a” quando quisermos
expressar que algo ocorrerá no futuro ou
nos demais usos da letra “a” como artigo e
preposição, por exemplo.
Exemplos: 
Daqui a dois dias teremos uma reunião.
(indicando a ideia de futuro) 
A moça estava ocupada. (uso como
artigo) 
Vamos a escolas. (uso como preposição)
Há x a
Conserto
Essa forma (com “S”) é usada quando
queremos expressar que ocorreu um reparo
de algo que se encontrava quebrado, como
em oficinas. Essa forma (com “C”) é usada
quando queremos falar de uma
apresentação que se encontra em harmonia,
como em uma banda musical. 
Exemplos: 
Ele consertou a geladeira quebrada. 
Ela consertou o carro. 
O governo consertará a situação.
Concerto
Essa forma (com “C”) é usada quando
queremos falar de uma apresentação que se
encontra em harmonia, como em uma banda
musical. 
Essas palavras são muito confundidas na
redação. Geralmente, o termo que mais
usamos é o “notório”. Quando você quiser
dizer que algo está nítido, claro e fácil de ser
visualizado, use o “notório”. Quando você
quiser falar sobre algo que é importante, que
se destaca e que é extraordinário, use o
“notável”. 
Qual o significado de “notável”?
Notável x notório
58 Monitoria de Redação
Essa palavra diz respeito a uma pessoa ou
coisa que se destaca muito, que pode ser
admirado, que é extraordinário, por exemplo.
Exemplos: 
Essas técnicas são notáveis. 
Ele é um profissional notável.
Qual o significado de “notório”? 
Esse termo diz respeito a algo que está
muito nítido, que pode ser observado com
clareza, é alfo que pode ser notado com
facilidade. Na redação, usamos muito para
falar “é notório que tal problema existe...”.
Exemplos: 
É notório que a violência contra a
violência contra as mulheres persiste no
Brasil. 
É notório que a fome precisa ser
combatida. 
Nunca escreva: “É notável que esse é um
grave problema”, por exemplo.
Portanto, medidas são necessárias para
descriminar o uso de armamento. 
O deputado foi descriminado pelo STF
devido à falta de provas do furto.
Quando usar "discriminar"?
Esse é o termo que aparece mais
comumente nas nossas redações, uma vez
que nós sempre falamos sobre preconceitos
ou sobre problemas causados por ele.
Quando quiser falar de “separação e
segregação”, use o termo “discriminar”.
Exemplos: 
As pessoas negras são discriminadas
por sua cor no Brasil. 
Os jovens são discriminados por sua falta
de experiência no mercado de trabalho.
Muitas pessoas conhecem apenas a palavra
“iminente” e não sabem que a palavra
“eminente” (com “E”) também existe e pode
ser usada em diversos contextos.
Para ensinar essas duas palavras, eu quero
que você imagine duas coisas diferentes:
pense em um vulcão que está prestes a
entrar em erupção e em um rei que é
conhecido por sua bondade e excelência. 
Iminente x eminente
Esse é um caso que gera muitas dúvidas e
erros na redação, pois os dois termos estão
corretos, mas possuem usos bem diferentes. 
O termo “descriminar” é usado quando
falamos sobre crimes e sobre o processo de
tornar um crime algo normal, algo
semelhante ao termo “descriminalização”. 
Já o termo “discriminar” é usado quando
queremos falar de algum preconceito.
Quando usar “descriminar”? 
Você usará esse termo na sua redação se
você quiser falar que algo que era crime já
não é mais, ou seja, que houve ou que
haverá um processo de descriminalização.
Exemplos:
Descriminar x discriminar
Iminente
Eu posso falar que o vulcão está na
iminência de uma explosão.
59 Monitoria de Redação
A primeira coisa que temos que entender é
que “perca” é a forma verbal do verbo
“perder” e “perda” é um substantivo.
Geralmente, substantivos vêm
acompanhados de artigos, ou seja, sempre
haverá um “a” ou “uma” antes de “perda”.
Quando usar o “perca”? 
Nós usaremos o “perca” quando estivermos
expressando um pedido para alguém, pois
esse verbo está flexionado no modo
imperativo ou quando quisermos demostrar
uma possibilidade. Normalmente, não se usa
esse termo na redação.
Exemplos: 
Não perca tempo! 
Caso ele perca a aposta, eu ganharei
dinheiro.
Quando usar o “perda”? 
Vamos usar o “perda” sempre que quisermos
falar da “perda” em si. Como “perda” é um
substantivo, na maioria das vezes, haverá
um artigo antes. 
Exemplos: 
O carro deu perda total. 
Esse problema trará uma perda
inimaginável.
Também posso dizer que o Rei é um
eminente administrador.
Quando usar “iminente”? 
Você usará esse termo para denominarcoisas que estão “prestes a acontecer”. A
qualquer pequeno toque, mudança ou ação
essa coisa pode mudar o seu estado atual.
Exemplos: 
O risco de um desabamento nesse local
é iminente. 
Eles vivem os problemas de uma
iminente crise econômica. 
Quando usar “eminente”?
Nós usaremos esse termo quando
quisermos nos referir a alguém que possui
uma conduta admirável, excelente, muito
bem feita, ilustre e elevada.
Exemplos: 
Ele foi um eminente pai para mim. 
O professor da universidade era um
eminente estudioso.
Eminente
Esse caso é mais um dos que aparecem
sempre nas redações. Esses termos são
muito semelhantes e constantemente são
usados como sinônimos na fala das pessoas
com menos instrução. Porém, cada um
possui um uso diferente e faz muita diferença
usar um ou o outro.
Perca x perda
Essa é uma questão bem básica que a
maioria dos alunos já conhece, porém, é
bastante fácil acabar trocando uma
expressão por outra se você não domina a
explicação corretamente. 
O termo MAS é usado para indicar uma ideia
de contrariedade, visto que ele é uma
conjunção adversativa. 
O termo MAIS é usado quando nós
queremos indicar que algo foi adicionado ou
que houve uma soma. Nós usamos com
Mas x mais
60 Monitoria de Redação
Deve-se conscientizar as pessoas, a fim
de melhorar esse cenário.
Quando usar o “afim”? 
Quando tivermos uma ideia de semelhança,
afinidade ou parentesco entre coisas. 
Exemplos: 
Nós temos interesses afins.
(semelhantes) 
O português é uma língua afim com o
espanhol. (semelhante)
quantidades numéricas normalmente.
Quando usar o “mas”?
Nós usaremos o “mas” sempre que tivermos
uma ideia que é diferente da anterior, ou
seja, sempre que tivermos uma relação de
adversidade entre os termos. 
Exemplos: 
Há investimentos, mas eles não são
eficientes. 
É preciso cortar gastos, mas as áreas
essenciais não podem ficar sem
recursos.
Quando usar o “mais”? 
Usaremos o “mais” sempre que quisermos
passar a ideia de uma maior quantidade. 
Exemplos: 
Mais recursos são necessários. 
São necessárias mais fiscalizações.
Essa é uma confusão de muitos alunos. O
termo que nós mais usamos na redação -
geralmente antes de apresentar a finalidade
da nossa proposta de intervenção - é o “a fim
de” (escrito separadamente). A outra forma
“afim” existe, mas não é utilizada com
frequência em nossos textos. 
A fim de é uma locução prepositiva que
indica uma finalidade de fazer algo. 
Afim indica uma semelhança entre termos.
Quando usar o “a fim”? 
Nós usaremos sempre antes de termos que
expressam a finalidade de alguma coisa ou
ação, como na redação em que escrevemos
“a fim de” (sempre acompanhado do “de”). 
Exemplos: 
A fim de melhorar o trânsito, a polícia
trabalhou arduamente.
A fim x afim
Esse caso é muito recorrente na redação
quando o aluno vai falar sobre um direito
constitucional. Por exemplo, o aluno vai falar
que o direto não está sendo “cumprido” - ou
seria “comprido”? - muitos não sabem qual a
forma correta. 
Para que você não cometa esse erro em
suas redações, vamos revisar quando usar
cada uma delas. Afinal, as duas existem e
estão corretas, apenas possuem usos
diferentes.
Comprimento x cumprimento
Comprimento
Você fala que algo tem 10 centímetros de
comprimento. Logo, quando você fala em
comprimento você está falando de uma
medida.
Cumprimento
61 Monitoria de Redação
Ratificar significa aceitar, confirmar,
autenticar ou comprovar algo. 
Exemplos: 
Eu ratifiquei as mudanças no projeto. 
O contrato foi ratificado pela empresa.
Você provavelmente pretende cumprir a sua
agenda. Quando falamos que alguém
cumpriu algo, estamos nos referindo à ação
de seguir um combinado.
Então, sempre que for falar da Constituição
ou de qualquer trato social, use
“cumprimento, cumprido, cumpriria,
cumprirá”. 
Exemplos: 
O Estado não cumpre o seu dever como
garantidor do bem-estar social. 
Esse dever constitucional não está sendo
cumprido.
Esse é um erro que até pessoas com mais
domínio gramatical cometem. Por isso,
vamos ficar atentos sempre que usarmos
essas duas palavras. 
Precisaremos pensar em um caso: em um
presidente que precisa aceitar algumas
propostas de lei, mas ele se depara com
erros no texto e pede para que haja uma
mudança.
Retificar x ratificar
Para mim, essas palavras são bem diferentes
e possuem significados diferentes. Todavia,
tenho percebido um número altíssimo de
alunos confundindo esses dois termos e
cometendo vários erros nas redações. Por
isso, vamos aprender o significado de cada
uma delas. 
O que significa corroborar?
As pessoas que erram, provavelmente, não
sabem qual é o significado dessa palavra. O
termo corroborar significa “comprovar algo”,
“confirmar algo”, “ratificar alguma coisa”.
Esse é um verbo transitivo direto, por isso,
não se usam preposições depois dele. Não
existe em hipótese alguma “corrobora com”. 
Exemplos: 
Ele corroborou a tese dele. 
Eu corroborarei a minha opinião.
O problema dos alunos é escrever “isso
corrobora com o problema”, mas esse uso é
totalmente incorreto, pois “colaborar” não é
sinônimo de “corroborar”.
O que significa “colaborar”?
Colaborar é um termo que todos conhecem,
significa ajudar, contribuir com algo ou com
alguma coisa. 
Exemplos: 
A inércia estatal colabora com o
problema. 
A falta de investimentos colabora para a
manutenção desse óbice.
Corroborar x colaborar
Traduzindo essa frase... 
O presidente gostaria de aceitar as
propostas, mas o texto precisa ser
corrigido.
Retificar tem o sentido de tornar algo “reto”,
de endireitar algo que estava torto. Por
exemplo, os erros, não permitiam que as
propostas estivessem perfeitas.
Exemplos: 
O mecânico da retifica de motores me
ligou. 
Ele retificou a redação antes de entregá-
la à professora.
62 Monitoria de Redação
Ou seja, esse termo se refere a uma troca,
não importa qual seja essa troca.
Geralmente, usamos essa expressão para
tudo, visto que ela não exige que as ações
sejam exatamente opostas. 
Estudar não é exatamente o oposto de
dormir.
A maioria das pessoas pensa que essas
expressões são sinônimas e que podemos
usar tanto uma quanto outra sempre, mas
isso é um erro. 
Além disso, muitos usam apenas o “ao invés
de” para todos os casos. Porém, esse termo
precisa ser usado apenas em casos
específicos. 
Em vez de - Deve ser usado quando
simplesmente for feita uma troca. 
Ao invés de - Deve ser usado quando a
troca for feita exatamente pelo inverso. 
Vamos aprender com exemplos:
Ao invés x em vez de
Ao invés de ficar acordado, foi dormir. 
Perceba que a palavra “inverso” tem a ver
com o termo “invés”. 
Por essa razão, usaremos “invés” somente
quanto falarmos de coisas que são
exatamente opostas. 
Dormir é exatamente o oposto de ficar
acordado.
Em vez de estudar, foi dormir.
Já o termo “em vez de“ faz referência à
expressão “no lugar de”. 
Esse é um dos casos que costuma confundir
muitíssimos escritores, justamente por ser
difícil ver uma diferença muito nítida entre os
termos. Porém, fique tranquilo. Você sairá
sabendo como diferenciar cada um. 
O que é o “demais”? 
Primeiramente, “demais” pode ser usado de
duas formas: como pronome indefinido e
como advérbio de intensidade.
Como advérbio de intensidade 
Esse termo pode ser substituído por
“muito” e indica que há algo muito
intenso. 
Exemplo: Maria trabalhou demais hoje /
Maria trabalhou muito hoje. 
Como pronome indefinido 
Esse termo pode ser substituído por
“restante” ou “os outros”. 
Exemplo: Vamos seguir, os demais nos
acompanham. / os outros nos
acompanham.
O que é o “de mais”? 
Esse termo pode ser usado quando
queremos nos referir a quantidades “a mais”
de objetos. Ele é apenas usado para
expressar quantidades, por isso, não há
nenhuma ligação com a intensidade com que
algo é feito. 
Quando devemos usá-lo? 
Você sempre irá trocar esse termo por “de
menos” e, se a frase continuar fazendo
Demais x de mais
63 Monitoria de Redação
desses dois termos, pois eles são muito
semelhantes, mas agora você compreenderá
a diferença entre cada um.
Se não 
A primeira coisa que você precisa entender é
queo “se” aqui é uma partícula que expressa
condição. 
Exemplo: 
Se eu ganhar doces, ficarei feliz.
(condição para que haja felicidade) 
Quando usamos o “se não”, queremos
expressar uma condição negativa. 
Exemplos: 
Se não chover, a plantação pode morrer. 
Se não houver público, o evento pode
ser um fiasco. 
Eu não irei se não houver música.
Senão 
Para entender o uso dessa estrutura, você
precisa compreender que esse termo passa
a ideia de uma contrariedade e possui o
mesmo sentido de “do contrário”. 
Exemplo: 
Estude, senão a nota será baixa. /
Estude, do contrário a nota será baixa. 
Quando usamos o “senão” queremos
expressar uma contrariedade. 
Exemplos: 
É preciso comer bem, senão problemas
de saúde podem surgir. 
Não faça isso, senão haverá
penalidades. 
Revise a sua redação, senão erros
podem passar despercebidos.
sentido, esse é o termo correto a se utilizar.
Mas lembre-se de sempre conferir se a ideia
de “quantidade a mais” existe.
Exemplos: 
Ele precisa de mais comida para ganhar
massa muscular. (mais quantidade) 
Ele precisa de menos comida. 
Nós levamos roupas de mais para a
viagem. (uma quantidade a mais) 
Nós levamos roupas de menos para a
viagem.
Esse erro é menos comum, mas muitas
pessoas não sabem que a escrita “encima”
existe e que se trata de uma forma verbal.
Por isso, vamos aprender.
Em cima 
Usamos esse termo quando queremos nos
referir a algo que está acima de alguma
coisa. Lembre-se que esse termo é o
contrário de “embaixo” (escrito tudo junto).
Geralmente, essa é a forma mais usada,
visto que o verbo “encimar” está em desuso. 
Exemplos: 
Coloque esse lápis em cima da mesa. 
Ponha o papel em cima da carteira
Encima 
É uma forma verbal do verbo “encimar”. Esse
verbo se refere a algo que foi elevado, que se
encontra em um lugar alto. 
Exemplos: 
A coroa encima a cabeça da rainha. 
A funcionária foi encimada pelo gerente.
(posta em um alto cargo, promovida)
Em cima x encima
Há constantemente confusões sobre o uso
Se não x senão
64 Monitoria de Redação
O verbo usado para demonstrar essa ação é
delatar.
Exemplos de uso: 
O deputado delatou no último dia. 
Deve-se delatar os crimes ambientais.
Dilatação
Dilatação é o nome de um fenômeno físico
que tem como característica o aumento no
volume de um determinado material. 
O verbo usado para denominar a ação de
fazer a dilatação é dilatar.
Exemplos de uso: 
A porta dilatou muito. 
É preciso ter cuidado para que a
estrutura não dilate.
Esse caso é bem complexo porque essas
palavras são muito parecidas, mas,
geralmente, apenas uma delas é usada na
redação “infringir”. 
Vamos conhecer o significado de cada uma
delas:
Infringir 
Significa transgredir uma lei, cometer um
erro ou não seguir as orientações contidas
na lei. No nosso texto, por exemplo, nós
podemos falar que “as pessoas infringem as
leis ao não possuírem determinadas
condutas”. 
Exemplos: 
Os cidadãos infringiram a lei seca. É
necessário punir aqueles que infringiram
as normas. 
Infligir 
Podemos dizer que esse é o resultado de
infringir uma lei: a punição, o dano, o prejuízo
por ter feito algo ruim, uma pena ou um
castigo. 
Exemplo: 
O juiz infligiu uma pena àqueles que
desrespeitaram a lei.
Infligir x infringir
Esse caso é simples se soubermos os
processos por trás de cada uma dessas
ações.
Delação
Uma delação é o ato de fazer uma denuncia,
acusar ou revelar um crime de alguém.
Delatar x dilatar
Geralmente não há dúvidas quanto ao uso
do verbo “ver” e “vir” quando eles estão no
infinitivo. Vejamos:
Ver
Refere-se ao ato de olhar para alguma coisa,
de a observar.
Exemplo: Eu vou ver se ele estará aqui.
Vir
Refere-se ao ato de se deslocar para algum
lugar.
Exemplo: Eu vou vir até aqui para o
encontrar.
O problema acontece quando usamos esses
verbos no futuro do subjuntivo (aquele modo
que expressa dúvida ou incerteza). Nesse
caso, muitos alunos tendem a trocar o “ver”
pelo “vir”. 
Vamos ver se você está atento: 
Qual a frase correta?
Vir x ver no futuro do subjuntivo
65 Monitoria de Redação
Se eu vir ele, terei uma longa conversa. 
Se eu ver ele, terei uma longa conversa
Se você não conhece essa regra,
provavelmente responderá que a segunda
frase é a correta. Porém, a frase correta é a
primeira “se eu vir“. Mas qual o motivo
disso? 
O verbo “ver” irregular, por isso, ele muda a
sua forma na conjugação do futuro do
subjuntivo para “vir”.
Você deve se perguntar, mas “vir“ não
significava ir a algum lugar? Sim, mas só no
infinitivo. Contudo, no futuro do subjuntivo, a
forma para falar do deslocamento é “vier“. 
Vejamos exemplos para consolidarmos essa
questão:
Forma certa
Se ele vier à sua casa, quero que seja
bem recebido. 
Quando ele vir onde se meteu, terá
cuidado.
Se ele vir todo o seu potencial, irá te
elogiar.
Forma errada
Se ele vir à sua casa, quero que seja
bem recebido.
Quando ele ver onde se meteu, terá
cuidado.
Se ele ver todo o seu potencial, irá te
elogiar.
Não são poucos os alunos que ouvem
alguém usar essas expressões e começam a
reproduzir erroneamente na redação,
acreditando que elas são sinônimas. Porém,
as ideias passadas por elas são
completamente diferentes uma da outra.
Aprenderemos a usar cada uma com
exemplos.
De encontro a x ao encontro de
Perceba que há um choque entre os dois
carros, eles tiveram uma colisão.
Aqui o olhar do casal se encontrou, eles
estão em harmonia.
Na redação, você usará “de encontro a”
para coisas conflitantes entre si. Enquanto
“ao encontro de” será usado para coisas
que possuem a mesma direção, que estão
em harmonia e que concordam.
Basicamente, “de encontro a” representa
conflitos e “ao encontro de” representa
harmonia. 
Exemplos: 
O seu olhar foi ao encontro do meu.
(estão em consonância) 
Um carro foi de encontro ao outro.
(colidiram) 
A conduta governamental vai de
encontro aos princípios constitucionais.
(contrário) 
São precisas medidas que vão ao
encontro de mais igualdade. (harmonia)
Essas duas formas são muito confundidas
nos textos em geral, por isso, vamos
aprender como usar cada uma delas. 
Traz 
Essa é uma das formas do verbo trazer, nós
iremos usar justamente quando quisermos
Traz x trás
66 Monitoria de Redação
mostrar que alguém está trazendo algo para
alguém.
Exemplos: 
Ele sempre traz boas notícias.
Essa atitude traz problemas ao meio
ambiente.
Trás 
Esse é um advérbio de lugar que indica a
posição de algo ou de alguma coisa. Ele é
usado nos termos “atrás” e “para trás”. 
Exemplos: 
Ele estava atrás do carro. 
Os lobos mais fracos ficam para trás.
Na redação, nós geralmente nós usamos a
forma “traz” do verbo trazer para mostrar que
condutas ou problemas trazem resultados
para a população.
Muitos alunos acreditam que esses termos
são sinônimos, uma vez que na fala muitas
pessoas usam uma e outra forma sem
qualquer diferença entre elas. Porém, é
preciso ficar atento, pois os usos delas são
bem diferentes.
Onde
O termo “onde” deve ser usado para lugares
físicos que estão fixos, não há ideia de
movimento nesses casos. Não há verbos
pedindo a preposição “a” na frase.
Exemplos: 
Essa é a escola onde eu estudei. 
Esse é o hospital onde fiquei internado. 
Onde estão as minhas chaves?
Aonde
O termo “aonde” deve ser usado para indicar
uma ideia de movimento. Uma dica
importante é que sempre haverá um verbo
que pede a preposição “a” na frase.
Onde x aonde
Exemplos: 
Aonde eu irei? 
Vamos chegar aonde por esse caminho? 
Aonde você foi?
Aproveitando que estamos falando do
“onde”, vamos conhecer um erro muito
comum nas redações dos alunos que pode
tirar 40 pontos na sua competência 4 por ser
uma inadequação coesiva. 
Exemplo de erro: 
O racismo estrutural prejudica muitas
vidas por ser um preconceito onde a
vítima sofre com discriminações.
Esse caso acima está errado porque o
“onde” está retomando o termo
“preconceito”, porém o “onde” só pode
ser usado para retomar lugares concretos
(feitos de alvenaria, por exemplo), não ideias.
Veja como seria o certo: 
O racismo estrutural prejudica muitas
vidas por ser um preconceito no qual a
vítima sofre comdiscriminações.
Exemplos de uso correto: 
As escolas são lugares onde o
aprendizado é essencial. 
Essa é a universidade onde eu estudei.
Onde com valor locativo
Esse é um caso em que até os gramáticos
discordam, porém, aqueles que são mais
conservadores seguem essa regra que eu
irei explicar. É importante que você aprenda
isso porque não sabemos qual corretor irá
pegar a sua redação. Por exemplo, se o seu
corretor tiver estudado por uma gramática
que vê isso como um erro, você pode ser
penalizado. O ideal é sempre evitar a todo
custo erros, por isso, eu recomendo que
você tente não usar o “através”.
Através
67 Monitoria de Redação
Observação: o manual do INEP não orienta o
corretor a tirar pontos nesse caso, mas o
corretor pode esquecer disso quando estiver
corrigindo, por isso, vamos blindar nosso
texto.
Qual o problema de usar o “através”? 
Os gramáticos mais normativos ensinam que
o “através” só deve ser usado com o sentido
de atravessar alguma coisa. 
Exemplos: 
Eu a vi através da janela. (O olhar
atravessou a janela) 
Passamos através do rio. (Atravessamos
o rio) 
A luz passou através do buraco. (A luz
atravessou o buraco)
Na redação, dificilmente iremos usar o
“através” com esse sentido de atravessar. Por
isso, é interessante que você troque o
“através” por “por meio de”, “por
intermédio de” e “mediante”.
Exemplos: 
O governo federal, por meio de
investimentos, deve criar políticas. 
O Estado, por intermédio de
campanhas, deve conscientizar a
população. 
A mídia, mediante programas televisivos,
deve divulgar. 
Veja que ninguém atravessou os
investimentos, nem as campanhas e nem os
programas televisivos. Por isso, usamos
outros termos no lugar do “através”.
“Antes de entrar no elevador, verifique se o
mesmo encontra-se parado neste andar.”
Contudo, escrever desta forma é um erro na
língua portuguesa, porque o termo “mesmo”
nunca atuará como um pronome relativo
para retomar elementos. 
Nas suas redações, nunca use esse termo
para retomar ideias, sempre use um
pronome pessoal como “ele” ou “ela”.
Exemplos de erros e correções: 
A educação está defasada, pois a
mesma não recebe investimentos.
(errado) 
A educação está defasada, pois ela não
recebe investimentos. (certo) 
O governo é negligente, visto que o
mesmo não investe na saúde. (errado) 
O governo é negligente, visto que ele
não investe na saúde. (certo) 
A sociedade não se movimenta, uma vez
que a mesma não é conscientizada.
(errado) 
A sociedade não se movimenta, uma vez
que ela não é conscientizada. (certo) 
Agora você já sabe. Nunca se deve usar “o
mesmo, os mesmos, a mesma e as mesmas”
como elementos de retomada na redação.
Esse é um erro comum e muito cometido até
por grandes estabelecimentos. Há até uma
história sobre o surgimento desse erro que
tem a ver com placas de elevadores que
eram escritas desta maneira:
“Mesmo” como elemento de
retomada
Você deve se lembrar do nome desse
assunto lá do ensino fundamental, mas será
que lembra o que é um dígrafo e como os
alunos cometem erros de ortografia por
conta deles? 
Dígrafo é um encontro de duas letras que
representam um único som. Exemplos: Ch,
Gu, LH, Nh, Qu, Rr, Sc, Sç, Ss, Xc.
Dígrafos
68 Monitoria de Redação
Por que os alunos cometem erros? Os
alunos erram por muitas vezes esquecerem-
se de uma das letras, pois, como as duas
letras não são pronunciadas, o aluno
reproduz apenas uma na escrita.
Vamos ver algumas palavras que os
alunos mais erram por esquecerem uma
letra: 
O grande vilão, nesses casos, é o dígrafo
“sc”, comumente os alunos escrevem sem o
“S”, usando apenas o “C”. Por isso, sempre
que você for escrever alguma dessas
palavras, tenha muito cuidado.
ajudará, pois o aprendizado dessas regras
de ortografia é feito por mimetismo
(imitação). Aprender um monte de regras não
faria você acertar todas as palavras lá no
Enem, mas saber quais são as palavras que
mais aparecem é, sim, muito mais
proveitoso.
Palavras com S 
Análise, pesquisa, defesa, expansão,
compreensão, desigualdade. 
Palavras com SS 
Acesso, agressão, expressão,
concessão, discussão, excesso,
opressão, repressão, transgressão,
transmissão.
Palavras com SC 
Consciência, crescimento, fascínio,
rescisão, transcender, afrodescendente,
adolescente. 
Palavras com SÇ 
Desça, cresça, nasça. (casos pouco
prováveis na redação) 
Palavras com Ç 
Atenção, alteração, manutenção,
percepção, solução, afirmação, exceção,
reduções. 
Palavras com C 
Coerência, eficiência, evidências,
referências, vivenciado, capacidade.
Palavras com X 
Complexo, contexto, expectativa,
exposição, extensão, máximo, próximo,
reflexão. 
Palavras com Z 
Civilização, coletivização, polarização,
globalização, organização, realização,
valorização, fraqueza, conscientização.
Quem escreve
“sucetível” está
completamente
errado. O “SC” é
imprescindível.
Essa palavra e suas
derivadas
“conscientização”,
“conscientizar”, entre
outras, sempre possuem
o “SC”. Quem escreve
“conciência” está errado.
Esse erro é menos
comum, mas vale a
pena lembrar que o
“SC” também deve
estar presente.
Novamente o “SC”
aparece
obrigatoriamente.
As regras para o uso dessas letras são
muitíssimo extensas, por isso, nós iremos
apenas estudar quais são as palavras que
recebem essas letras na redação. Isso nos
Orientações sobre o uso de S,
SS, SC, SÇ, Ç, X e Z
69 Monitoria de Redação
Esses são alguns casos, o ideal é que você
tenha uma rotina de leitura muito ativa,
porque você não precisará decorar as regras
de uso dessas letras, mas apenas a grafia de
cada palavra. Ao fazer isso, você não está
cometendo um erro, visto que as regras são
muito extensas e cheias de exceções, pois a
nossa língua possui diversas misturas de
culturas que as justificam. Combinando
leitura e prática, você pode aprender muito
mais.
Agora vamos falar de translineação, uma
questão que também tira muitos pontos dos
alunos. Na escrita feita à mão, quando uma
palavra não consegue ser escrita
completamente, usamos o hífen para separar
a palavra em duas partes. Contudo, isso não
pode ser feito de qualquer forma. 
A primeira regra é que a divisão da palavra
tem de ser feita com base na divisão
silábica oficial, ou seja, você não pode
simplesmente parar a palavra em qualquer
letra.
Eu acredito que você já deve ter aprendido a
separar as sílabas no ensino fundamental,
por isso, vamos revisar apenas alguns
aspectos mais relevantes.
Divisão silábica com letras iguais na
sílaba 
Isso acontece com os dígrafos “RR” e “SS”,
nesses casos, uma letra fica na linha
anterior e a outra fica na próxima linha.
Divisão silábica e translineação
Logo, fica evidente que esse dilema
afeta diretamente a formação e a car-
reira dos jovens brasileiros.
Desse modo, cabe analisar as
causas do problema em discus-
são: a inércia estatal e a má
educação.
Palavras compostas que possuem hífen 
Há algumas palavras que possuem hífen,
como “bem-estar” e “pré-escola”, e é muito
comum usá-las na redação do Enem. O
dilema aparece quando essas palavras
aparecem no fim de uma linha. O que fazer
nesse caso? 
Em casos assim, é preciso duplicar o hífen
por clareza. Um dos hifens é translineação, e
o outro é da própria palavra.
Esse é um problema que afeta
diretamente a saúde e o bem-
-estar das crianças no Brasil.
Logo, fica claro que é preciso
investir na educação desde a pré -
- escola para eliminar os riscos
desse dilema.
Essas são as duas regras que os alunos
menos conhecem, mas agora você já sabe
de tudo. No resto dos casos, as regras
seguem a divisão silábica tradicional que nós
já aprendemos no ensino fundamental. 
Exemplos: 
Bo-la / ca-sa / pro-ble-má-ti-ca / di-le-ma.
70 Monitoria de Redação
Capítulo 8
USO DA VÍRGULA EM
PERÍODOS SIMPLES
Iremos falar sobre o uso da vírgula em
períodos simples. Mas espera, o que é um
período simples? 
Na língua portuguesa, nós temos dois tipos
de período: simples e composto. 
Período simples é aquele possui apenas
um verbo ou locução verbal, por isso, ele é
simples.
Exemplos:
Vamos começar falando sobre onde
devemos usar a vírgula obrigatoriamente:o que
é conjugar? É justamente modificar essas
palavras em vários tempos e pessoas
verbais. Então, por exemplo, se eu escolho o
verbo “cantar”, eu posso dizer: Eu canto, tu
cantas, ele canta, nós cantamos, vós cantais.
Eu posso também trocar para o presente,
futuro e passado: 
Eu cantarei, eu cantava, eu canto. 
Então, se a palavra consegue ser conjugada,
nós chamaremos essa palavra de verbo. E
elas sempre exprimem estados, ações e
fenômenos da natureza, como correr,
cantar, estar, falar, trovejar…
O sujeito é um termo que é capaz de
modificar o verbo. Você pode ter percebido
que, quando eu modifiquei as pessoas
verbais “eu”, “tu”, “ele”, “nós”, eu também
modifiquei as terminações dos verbos, ou
seja, eu modifiquei as conjugações. Às
vezes, a própria pessoa que modifica o
sujeito é quem faz ação do verbo, mas isso
não é uma regra totalmente válida, porque,
Ele é especial por ser
um verbo impessoal.
Sujeito é quem
modifica o verbo.
E eu expliquei o que é um sujeito porque
nem todos os verbos possuem sujeito. É o
caso dos verbos impessoais. Perceba que
impessoal é porque não há pessoa, não há
um sujeito que faz a ação ou que, pelo
menos, modifica o verbo nesses casos.
Verbo impessoal
não possui sujeito.
E um claro exemplo disso são os verbos que
expressam fenômenos da natureza. Por
exemplo, se eu digo, hoje trovejou muito. Eu
não consigo encontrar nessa frase alguém
que faça a ação de trovejar. E não extrapole,
não me venha dizer que foi São Pedro quem
fez com que trovejasse, porque nós não
8 Monitoria de Redação
estamos analisando isso. Eu estou falando
desta frase: “hoje trovejou muito”. Não há
quem faz a ação de “trovejar”, nem a ação de
“chover”, nem a ação de “ventar”. Pois eles
são verbos impessoais que não estão
ligados a um sujeito.
Verbos impessoais
não concordam,
porque não há sujeito
na oração, e o verbo
“haver” é um deles.
Você pode me falar, ok, Mateus, eu já
entendi que o verbo não irá concordar.
Porém, eu não sei quando é que o verbo
“haver” vai ter esse sentido de um verbo
impessoal. Como é que eu consigo identificar
qual a forma mais fácil de saber disso? 
A forma mais fácil é sempre comparar e
trocar o verbo “haver” na frase pelo verbo
“existir”. Se essa frase ainda fizer sentido, é
porque nesse caso o verbo está sendo
impessoal.
O verbo “haver”
será impessoal
quando tiver o
sentido de existir.
Por exemplo, se eu digo “há aulas da
Plataforma Assaad que valem ouro”, eu
consigo modificar o termo “há” pelo verbo
“existir” → “existem aulas da Plataforma
Assaad que valem ouro”. E você vê que
nesse caso o verbo “haver” ficou no singular,
apesar de “aulas” - o termo que vem depois -
estar no plural. Por quê? Esse termo não é o
sujeito e, nesse caso, eu tenho um verbo
impessoal. 
Exemplo:
Há aulas da Plataforma Assaad que
valem ouro.
Você jamais diria ou escreveria “hão aulas da
Plataforma Assaad”. E por que isso soa tão
estranho para nós? Porque nós já temos
O verbo haver pode ser um verbo
impessoal. Aliás, na maioria das vezes,
esse verbo se comporta como um verbo
impessoal.
Vou fazer aqui uma linha argumentativa para
provar para você por que o verbo haver não
pode ser modificado, por que o verbo haver
não concorda com outros termos na oração.
Então, a gente viu que um verbo impessoal é
um verbo que não possui sujeito. E o sujeito
é o termo que modifica o verbo. Nós também
vimos isso. O verbo haver pode ser um verbo
impessoal, ou seja, ele, quando faz o papel
de um verbo impessoal, não possui um
sujeito para o modificar. Se ele não possui
um sujeito para o modificar, não há como
concordar, porque a concordância somente é
feita entre o sujeito e o verbo. Se eu não
tenho sujeito, não há como concordar. Ou
seja, logo, a partir dessa explanação, eu
consigo entender que se o verbo é
impessoal, ele não tem sujeito e por isso ele
não concorda, ele não deve ser usado no
plural, por exemplo, ele não concorda com
outras partes da oração.
Então, em resumo, qual é a regra? Verbos
impessoais não concordam com os
elementos da frase, porque um verbo
impessoal não possui sujeito. A concordância
só pode ser feita entre sujeito e verbo. Se eu
não tenho sujeito, o verbo fica na forma
básica, no singular.
9 Monitoria de Redação
esse costume de utilizar corretamente o
verbo impessoal no presente, que é o tempo
que os brasileiros mais utilizam. Porém, no
passado e no futuro, nós temos uma certa
dificuldade, que é justamente o ponto que
vocês precisam aprender agora.
Exemplos: 
Haverá aulas ao vivo com a Cecilia. ✅ 
Haverão aulas ao vivo com a Cecília ❌ 
Já se eu digo assim, “haverá aulas ao vivo
com a Cecília”. Muitas pessoas podem dizer
“Mateus, você, corretor, está cometendo um
erro, deveria dizer haverão aulas, porque as
aulas estão no plural”.
E aí eu lhe pergunto, por que então quando
eu falei “há aulas”, eu não disse “hão aulas”?
Porque nesse caso eu tenho um verbo
impessoal. E aqui, quando eu digo haverá
aulas da Cecília, eu também tenho um verbo
impessoal. Veja que eu consigo trocar o
“haverá” pelo verbo “existir”. Haverá aulas
(existirão aulas) ao vivo com a Cecília. 
Exemplos: 
Houve notas 980 neste grupo. ✅ 
Houveram notas 980 neste grupo. ❌ 
No passado, vocês também erram, por
exemplo, se eu digo assim: “houve notas 980
neste grupo”, está correto. Eu não preciso
dizer “houveram notas”, porque, nesse caso,
eu tenho um verbo impessoal. Não foram as
notas que fizeram a ação, além de que esse
verbo possui o sentido de “existir”, “existiram
notas”, então o correto é “houve notas”, no
singular.
Pode ser um pouco difícil compreender isso
no início, mas, uma vez que você aprende,
nunca mais você errará na redação. Então,
sempre que você disser “haverá aulas”, está
correto: haverá aulas, houve aulas, haverá
matérias, houve matérias, houve um
problema, houve vários problemas, houve um
debate, houve debates - sempre no
singular.
ndependentemente de eu estar tratando de
algo no plural ou no singular. Jamais escreva
“houveram” ou “haverão”. Não é “haverão
aulas”, é “haverá aulas”. Não é “haverão
explicações”, mas sim “haverá explicações”.
Você pode me perguntar “mas, Mateus,
então isso quer dizer que jamais estará
certo utilizar haviam, havíamos, haverão,
houveram - essas formas no plural - em
qualquer frase da língua portuguesa?”. Se
eu dissesse que sim, eu estaria
completamente errado. Por quê? Há frases
(veja que eu disse “há frases”) em que esses
verbos funcionam/fazem o papel de verbos
auxiliares, mas ficará muito nítido que há um
sujeito nesses casos, que há alguma coisa
ali que está ligada a esse verbo. Não haverá
dúvidas (veja que eu não disse haverão
dúvidas, eu disse haverá). Já estou
colocando em prática os conhecimentos que
aprendemos.
Casos em que o verbo pode concordar: 
"Eles haviam" planejado uma viagem. 
"Nós havíamos" assistido às aulas do
Pedro.
Vejam essas duas frases. “Eles haviam
planejado uma viagem”. Quem foi que
planejou a viagem? Eles. “Eles” é o quê? O
sujeito. E esse verbo aí, “haviam”, ele está
fazendo parte de uma locução verbal,
“haviam planejado”. Nesse caso, fica muito
nítido quem é o sujeito -> Eles -> Eles
haviam. Então, a gente conjuga no plural. Se
for “nós havíamos assistido às aulas do
Pedro”, quem assistiu às aulas? Nós. O
sujeito está nítido, e nós temos uma
locução -> “havíamos assistido”, dois verbos
que fazem o papel de um único verbo.
10 Monitoria de Redação
Além disso, se eu trocar esse verbo pelo
verbo “existir”, eu não terei uma frase que faz
sentido. Se eu disser assim → eles “existiam”
planejado uma viagem. Faz sentido? Não faz
sentido. Então, se o verbo não pode ser
trocado pela palavra existir, ele não é
impessoal. E se ele não é impessoal, eu
posso concordar com o sujeito. 
Então, resumindo tudo, o que é que você fará
quando se deparar com um verbo haver?
Você verá se ele tem o sentido de existir, se
você consegue trocar por uma forma do
verbo existir. Se você conseguir, esse verbo
será impessoal. Se esse verbo é impessoal,
ele não concorda com o que vem depois e
ficará sempre na terceira pessoa do singular.
Ou seja,Você “é” um excelente aluno. 
Nós “estamos pensando” nessa
possibilidade.
Período composto é aquele que possui
mais de um verbo ou locução verbal, ou
seja, mais de uma oração, porque oração é
uma frase que possui um verbo. Logo, se
temos dois verbos, temos duas orações.
Exemplos:
As aulas da Plataforma Assaad
“são” maravilhosas, pois você
sempre “aprende” tudo.
Essa é aquela regra mais simples que
aprendemos na escola, a vírgula serve
apenas para organizar as ideias aqui.
Lembre-se da lista de mercado.
Para separar elementos de uma
enumeração
Ex: Aquele rapaz ao fundo, de
camisa azul, é meu amigo. 
Na redação: Machado de Assis,
renomado escritor brasileiro,
produziu obras excelentes.
Essa vírgula serve para isolar o aposto, um
termo adicional na frase, algo que não
seria obrigatório para o sentido, mas
complementa a ideia. Pense nela como a
vírgula que isola algo adicional.
Para separar o aposto
explicativo
Ex: Aquele rapaz ao fundo, de
camisa azul, é meu amigo. 
Na redação: Machado de Assis,
renomado escritor brasileiro,
produziu obras excelentes.
Nós usamos essa vírgula sempre que vamos
chamar alguém.
Para separar o vocativo
Ex.: Mateus, eu entendi tudo da
sua monitoria! 
Professor, essa explicação está
ótima. 
Na redação: Não usamos, visto
que não estabelecemos uma
conversa direta com o corretor.
Usamos essa regra sempre que temos um
adjunto adverbial no início ou no meio da
frase. Se você não sabe o que é um adjunto
adverbial, eu te explico: são termos que
indicam as circunstâncias, como tempo,
lugar e modo. Geralmente esses termos
são complementos das orações e, por isso,
deveriam aparecer no fim delas.
Para separar o adjunto adverbial
deslocado ou antecipado
71 Monitoria de Redação
Ex.: Ontem, nós fizemos um ótimo
trabalho
Nós fizemos um ótimo trabalho
ontem. 
Na redação: No Brasil
contemporâneo, a cultura africana
é negligenciada
Ex.: Ele era, sim, um ótimo amigo. 
Nossa, que problema! 
Não, isso não é seu. 
Na redação: Nós não
costumamos usar essa vírgula,
porque não expressamos
emoções, uma vez que o texto não
tem caráter emotivo.
Essa é uma regra bem específica, mas pode
ser útil em algum dia.
Para isolar o nome do
lugar nas datas
Na redação: A herança africana,
ou seja, a base da cultura
brasileira, é negligenciada.
Para evitar repetições, você pode omitir um
verbo ou outro termo, a fim de manter o
sentido, usamos a vírgula.
Para marcar elipse
(omissão) do verbo
Ex.: Eu prefiro cinema, minha
esposa, teatro. 
Na redação: A cultura europeia é
aclamada, a africana, não.
As interjeições são palavras que expressam
emoções, como oxe, nossa, ah, sim, não.
Esses termos devem sempre ser isolados.
Para isolar interjeições
Ex.: São Paulo, 1º de outubro de
2015. 
Na redação: Mariana, 5 de
novembro de 2015, um desastre
de grandes proporções…
Expressões como “isto é”, “ou seja”, “a
saber” e “por exemplo” são sempre isoladas
com vírgulas na redação.
Para separar expressões
explicativas ou corretivas
Ex.: As pessoas, por exemplo,
precisam de mais amigos.
Na língua portuguesa, existe uma ordem
lógica de se apresentar os termos em uma
oração: sujeito + verbo + complemento.
Quando essa ordem é alterada, usa-se a
vírgula para sinalizar a mudança.
Para indicar inversões sintáticas
Ex.: Mateus foi à padaria > Foi à
padaria, Mateus. 
Na redação: O governo deve
melhorar a educação > Deve, o
governo, melhorar a educação
Há casos em que a vírgula é usada para
evitar ambiguidades
Para evitar ambiguidades
Ex.: Aos que estudam, tudo é
possível 
Aos que estudam tudo é possível
72 Monitoria de Redação
essencial para a coerência e a coesão
textuais.
A escrita imita a fala, ou seja, escrever é uma
tentativa de representar graficamente aquilo
que falamos. Na fala, fazemos pausas,
intercalamos orações, organizamos ideias e
damos destaque a palavras. Para transpor
isso para a escrita, utilizamos sinais de
pontuação, como a vírgula. No entanto, a
ideia de que a vírgula deve ser usada
quando respiramos é equivocada. Se fosse
assim, uma pessoa asmática usaria muito
mais vírgulas do que outra que tem um
padrão respiratório diferente. O uso da
vírgula segue regras gramaticais, como a
separação de termos deslocados ou
repetição de elementos sintáticos. 
Antes de entrar nas regras específicas da
vírgula em períodos simples, precisamos
entender alguns conceitos básicos. Um verbo
é uma palavra que pode ser conjugada. Por
exemplo, "estudar" pode ser flexionado em
diferentes tempos e modos: eu estudo, tu
estudas, ele estuda, nós estudamos etc. Se
uma palavra não pode ser conjugada, como
"bola", então ela não é um verbo. Esse
conceito é fundamental para distinguir um
período simples de um composto.
O período simples possui apenas um verbo
ou uma locução verbal, enquanto o período
composto tem mais de um verbo ou locução
verbal. Uma locução verbal ocorre quando
dois verbos juntos expressam uma única
ação. Por exemplo, "eu vou falar" pode ser
substituído por "eu falarei". O primeiro caso é
uma locução verbal, pois "vou" (verbo
auxiliar) e "falar" (verbo principal) formam um
único sentido.
Outro conceito essencial é o de oração, que
se define como toda estrutura que possui um
verbo ou locução verbal. Se uma frase tem
CASOS EM QUE A VÍRGULA
NÃO DEVE SER USADA
Pensemos na vírgula como um termo que
separa elementos na nossa língua. Todavia,
há algumas partes da oração que não
podem ser separadas, termos que
dependem um do outro para fazer
sentido, nesses casos, a vírgula é proibida.
Vejamos quais são:
1 - Entre o sujeito e o predicado 
Os alunos (,) estudaram bastante. 
2 - Entre o verbo e seus complementos
(objeto direto e indireto) 
A pessoa estudou (,) raciocínio lógico. O
candidato necessitou de (,) informações. 
3 - Entre o nome e o complemento
nominal 
Ele tinha necessidade de (,) informações. 
4 - Entre o nome e o adjunto adnominal 
As duas inteligentes (,) moças passaram
no concurso. 
* (,) significa que essa vírgula não deve ser
usada.
TRANSCRIÇÃO
DA MONITORIA
Hoje, vamos estudar o uso da vírgula nos
períodos simples. Para começar, imagine um
estudante que possui um domínio avançado
da crase, das conjugações verbais e da
estrutura argumentativa, mas tem
dificuldades com a vírgula. Em uma redação,
esse aluno cometeu apenas três erros de
vírgula e, por conta disso, perdeu nota na
competência 1. Além disso, esses erros de
vírgula geraram justaposição,
comprometendo a organização do texto. Isso
mostra o quanto o uso correto da vírgula é
73 Monitoria de Redação
um verbo, trata-se de uma oração; se tem
dois verbos, são duas orações, e assim por
diante. Um período é o espaço entre a letra
maiúscula inicial e o ponto final, de
interrogação ou de exclamação. Logo, o
período simples terá apenas uma oração,
enquanto o composto terá mais de uma.
Exemplo de período simples: 
"Você é um excelente aluno." (Apenas o
verbo "é".) 
"Nós estamos pensando nessa
possibilidade." (Locução verbal "estamos
pensando".) 
Exemplo de período composto: 
"As aulas da Plataforma Assaad são
maravilhosas, pois você sempre aprende
tudo." (Dois verbos: "são" e "aprende".)
Agora que compreendemos o que é um
período simples, podemos avançar para as
regras específicas do uso da vírgula nessas
estruturas.
O USO DA VÍRGULA
OBRIGATÓRIO EM
PERÍODOS SIMPLES
Esse primeiro caso é aquele que a gente já
conhece desde o ensino fundamental.
Quando temos uma enumeração, ou seja,
uma lista de elementos semelhantes,
utilizamos vírgulas para separá-los. Mas
atenção: antes do último termo, colocamos a
conjunção "e". Muita gente esquece esse
detalhe e acaba deixando a frase truncada.
Exemplo:
Enumeração
Incorreto: Eu pretendo comprar
arroz, calabresa, alface, feijão. 
Correto: Eu pretendo comprar
arroz, calabresa, alface e feijão.
 Na redação: A herança africana
não é divulgada na televisão, na
escola e no cinema.
Aqui temos um clássico: a informação
adicional que não é essencial para entender
a frase. Sempre que um termo desempenhar
esse papel, ele deve ser isolado por vírgulas.
Exemplo:
Aposto Explicativo
Incorreto:Aquele rapaz ao fundo
de camisa azul é meu amigo. 
Correto: Aquele rapaz, ao fundo,
de camisa azul, é meu amigo. 
Na redação: Machado de Assis,
renomado escritor brasileiro,
produziu obras excelentes
Ou seja, quando a gente tira a informação
entre vírgulas, a frase continua com sentido
completo. Se isso acontecer, já sabe: isola
com vírgulas!
O vocativo é aquele termo que usamos para
chamar alguém. Ele não faz parte da
estrutura sintática da oração e, por isso, deve
ser separado por vírgulas.
Exemplo:
Vocativo
Mateus, eu entendi tudo da sua
monitoria. 
Professor, essa explicação está
ótima. 
Gostei muito, Mateus, da sua
monitoria.
Mas atenção: na redação do Enem, não
usamos o vocativo, já que não estamos nos
dirigindo diretamente ao corretor
74 Monitoria de Redação
Adjuntos adverbiais indicam tempo, lugar,
modo etc. Quando deslocamos esses termos
para o início ou para o meio da frase,
precisamos isolá-los com vírgulas.
Exemplo:
Adjunto Adverbial Deslocado
Sem inversão: A menina foi à
praia. 
Com inversão: Foi à praia, a
menina.
Na redação: 
No Brasil contemporâneo, a
cultura africana é negligenciada. 
A cultura africana, no Brasil
contemporâneo, é negligenciada. 
A cultura africana é negligenciada
no Brasil contemporâneo. (Sem
necessidade de vírgula.)
Exemplo:
São Paulo, 1º de outubro de 2015.
Isso é muito comum em cartas e
documentos formais.
Expressões como "ou seja", "isto é" e "por
exemplo" funcionam como explicações
dentro da frase. Por isso, precisam ser
isoladas por vírgulas.
Exemplo:
Expressões Explicativas
As pessoas, por exemplo,
precisam de mais amigos. 
A herança africana, ou seja, a
base da cultura brasileira, é
negligenciada.
Aqui vale aquela dica: quanto maior o
adjunto adverbial deslocado, maior a
necessidade da vírgula.
Palavras que expressam emoções ou dão
ênfase precisam ser isoladas por vírgulas.
Exemplo:
Interjeições
Nossa, que problema! 
Ele era, sim, um ótimo amigo. 
Não, isso não é seu.
Perceba como a vírgula ajuda a marcar a
entonação da fala!
Essa é uma regra que muita gente esquece!
Sempre que citamos uma cidade junto com
uma data, devemos separá-los por vírgula.
Nomes de Cidades e Datas
Sem essas vírgulas, a leitura pode ficar
confusa.
Esse é um caso interessante! A elipse
acontece quando omitimos um termo que já
foi citado antes, e a vírgula entra para indicar
essa omissão.
Exemplo:
Elipse
Completo: Eu prefiro cinema, já a
minha esposa prefere teatro. 
Com elipse: Eu prefiro cinema,
minha esposa, teatro.
Essa estrutura é útil para deixar o texto mais
conciso e fluido.
Esses são os principais casos em que a
vírgula é obrigatória. Seguindo essas regras,
seu texto ficará muito mais claro e coeso!
75 Monitoria de Redação
A vírgula só seria necessária se houvesse
uma inversão, como já estudamos.
Algumas palavras exigem complementos
para que tenham sentido completo. Não
podemos separar esses termos com vírgula.
Exemplo:
Entre nome e complemento
nominal
Incorreto: Ele tinha necessidade,
de informações. 
Correto: Ele tinha necessidade de
informações
O complemento "de informações" faz parte
do termo "necessidade" e não pode ser
isolado.
O adjunto adnominal é um termo que
qualifica um substantivo. Ele não pode ser
isolado por vírgula.
Exemplo:
Entre o substantivo e seu
adjunto adnominal
Incorreto: As duas, inteligentes
moças passaram no concurso. 
Correto: As duas inteligentes
moças passaram no concurso. 
Incorreto: O gato, preto caiu. 
Correto: O gato preto caiu.
Aqui, "preto" é uma característica do gato,
então não deve ser separado por vírgula.
Seguindo essas regras, você evitará os erros
mais comuns no uso da vírgula e garantirá
maior clareza na sua escrita!
ERROS NO USO DAS
VÍRGULAS: CASOS PROIBIDOS
Agora nós vamos falar daquilo que é o maior
causador de erros nas redações dos alunos.
Não é a falta da vírgula, mas sim o uso
incorreto dela. Vamos ver os principais casos
em que a vírgula é proibida:
Na nossa língua, existem termos que se
complementam e que devem estar juntos. A
vírgula funciona como um muro, e, se você
separa termos essenciais, há um problema.
Exemplo:
Entre sujeito e predicado
Incorreto: Os alunos, estudaram
bastante. 
Correto: Os alunos estudaram
bastante.
Não há pausa natural entre "os alunos" e
"estudaram bastante", pois um é sujeito e o
outro é predicado.
O verbo e seu complemento formam uma
unidade de sentido. Não há motivo para
separá-los com vírgula.
Exemplos:
Entre o verbo e
seu complemento
Incorreto: A pessoa estudou,
raciocínio lógico.
Correto: A pessoa estudou
raciocínio lógico. 
Incorreto: O candidato necessitou,
de informações. 
Correto: O candidato necessitou
de informações.
76 Monitoria de Redação
Capítulo 9
USO DA VÍRGULA EM
PERÍODOS COMPOSTOS
Vamos revisar alguns aspectos trabalhados
no capítulo anterior.
Oração 
É uma frase que possui verbo. 
Período 
É todo o espaço entre o início da frase e o
ponto-final. 
Período simples 
Corresponde a um período que possui
apenas uma oração, ou seja, um único verbo
ou locução verbal. 
Período composto 
Corresponde ao período que possui mais de
um verbo ou mais de uma locução verbal. 
Partindo desse ponto, iremos aprender
quando usar a vírgula nos períodos
compostos.
precisa de complemento, já a oração
subordinada precisa de algo para fazer
sentido.
Exemplo:
Eu gosto de comprar cursos
porque me ajudam a aprender
mais.
Cheguei cedo, fiz o relatório, saí
para almoçar.
Período composto por coordenação
É aquele período em que as orações não
dependem uma da outra para fazer
sentido. Elas apenas se juntam
(coordenam-se) para formar uma frase
mais completa.
Exemplo:
Os alunos estudaram para a
prova, mas ainda estavam
nervosos.
Período composto por subordinação
É aquele período que possui orações
diferentes, uma principal e outra
subordinada. A oração principal não
Orações coordenadas
Podem ser: sindéticas ou assindéticas 
1.Assindéticas 
Não são ligadas por conectivos. O uso da
vírgula é obrigatório para ligá-las.
Exemplo:
2. Sindéticas 
São ligadas por conectivos. O uso da vírgula
depende do tipo de conectivo. 
Adversativo: Sempre recebe vírgula
antes e pode receber uma depois.
Exemplo:
Estudei muito, mas não passei na
prova.
Conclusivo: Recebe uma vírgula antes e
pode receber uma depois. Exemplo:
Você se esforçou, portanto,
merece a vitória
Explicativo: A vírgula só pode ser usada
antes. Exemplo:
Apresse-se, porque o prazo está
acabando
77 Monitoria de Redação
Conforme estabelece a
Constituição Federal, a saúde é
um direito de todos e um dever do
Estado.
Alternativo: A vírgula é usada se houver
a repetição do conectivo. Exemplo:
Ou você estuda, ou não terá um
bom desempenho
Aditivo: Não se usa vírgula se o sujeito
for o mesmo. Exemplo:
Fiz a tarefa e entreguei ao
professor. 
Exemplo com sujeitos
diferentes: 
João estava escrevendo, e Maria
comendo
Orações subordinadas
Podem ser de 3 tipos: substantiva,
adjetiva e adverbial
1.Orações substantivas 
Papel semelhante ao de um substantivo
O uso da vírgula não ocorre, porque elas
atuam como um complemento da oração
principal, com exceção da oração que
funciona como um aposto.
Exemplo:
É fundamental que os jovens leiam
Exemplo restritivo: As meninas
que estão sem farda devem sair da
sala. 
Exemplo explicativo: As
meninas, que estão sem farda,
devem sair da sala.
2. Orações adjetivas
Papel semelhante ao de uma adjetivo O uso
da vírgula depende do significado que
queremos dar à frase, pois a oração pode
ser restritiva ou explicativa.
3. Orações adverbiais
Papel semelhante ao de um advérbio. O uso
da vírgula ocorrerá quando a oração
subordinada for deslocada do fim da frase
para o início dela. Exemplo:
TRANSCRIÇÃO
DA MONITORIA
Nós faremos uma breve revisão de alguns
aspectos essenciais para que possamos
prosseguir ao contexto do período composto. 
A primeira coisa que você precisa saber é o
que é um período.
Período 
Período é aquele espaço que vai do início da
frase até o ponto final, a interrogação ou a
exclamação. Na redação, a gente só utiliza o
ponto final.Então, é aquilo que vai do início
da frase até o ponto final. Dentro dessas
frases, podemos ter mais de uma oração ou
apenas uma. 
Oração 
Oração é justamente uma frase que possui
verbo. Se eu tenho dois verbos e eles não
fazem parte de uma locução verbal, estando
separados e realizando ações diferentes,
tenho duas orações. Se há duas orações em
um mesmo período, trata-se de um período
composto. Se há apenas uma oração, o
período é simples.
Simples é aquilo que tem só uma coisa,
enquanto composto envolve duas, três ou
mais partes, tornando-se mais complexo. No
período composto, analisamos a forma como
78 Monitoria de Redação
"Eu gosto de comprar cursos
porque me ajudam a aprender
mais."
1) "Eu gosto de comprar cursos" é a oração
principal, pois tem sentido completo
2) "Porque me ajudam a aprender mais" é a
oração subordinada, pois depende da
principal para ser compreendida.
Se alguém apenas dissesse "Porque me
ajudam a aprender mais", a frase pareceria
incompleta e confusa. 
Dessa forma, a oração principal "manda" na
subordinada, pois esta é dependente
daquela para ser compreendida
corretamente.
Agora que entendemos o que é um período
composto por subordinação e um período
composto por coordenação, vamos
aprofundar o uso da vírgula nesses casos,
começando pelas orações coordenadas
assindéticas. 
No período composto por coordenação, as
orações são independentes, ou seja, cada
uma delas possui sentido completo, mas se
relacionam entre si dentro do período. Essas
orações podem estar ligadas por conjunções
ou podem ser simplesmente justapostas,
sem o uso de conectivos. Quando há
conjunção, chamamos de orações
coordenadas sindéticas; quando não há,
chamamos de orações coordenadas
assindéticas.
O que são orações coordenadas
assindéticas? 
As orações coordenadas assindéticas são
aquelas que não possuem conjunções
fazendo a ligação entre elas. Em vez disso,
são separadas por pontuação, geralmente
as orações se unem, ou seja, como uma se
liga à outra.
Período Composto 
Na organização das orações dentro do
período, podemos ter duas formas principais: 
Período composto por coordenação 
Período composto por subordinação
1. Período Composto por Coordenação
Coordenação refere-se à junção de
elementos que não dependem uns dos
outros para fazer sentido. Em um período
composto por coordenação, as orações se
unem sem haver dependência entre elas.
Exemplo:
"Os alunos estudaram para a
prova, mas ainda estavam
nervosos."
Temos duas orações: 
1.Os alunos estudaram para a prova. 
2.Ainda estavam nervosos. 
Ambas fazem sentido de forma
independente, e a conjunção "mas" apenas
as conecta para enriquecer a frase.
2.Período Composto por Subordinação
Subordinação ocorre quando uma oração
depende da outra para fazer sentido.
Em um período composto por subordinação,
temos: 
Oração principal: a parte independente. 
Oração subordinada: a parte
dependente, que precisa da oração
principal para ter significado completo.
Exemplo:
79 Monitoria de Redação
Apesar de a estrutura com orações
coordenadas assindéticas ser comum na fala
e em textos informais, em redações
dissertativas-argumentativas seu uso deve
ser moderado. Como não há uma relação
explícita entre as ideias, a ausência de
conectivos pode tornar o texto menos coeso.
Exemplo de fala cotidiana: 
O que você fez hoje? Estudei, fui à
academia, lavei os pratos, dormi.
Nesse caso, as ações são apenas listadas,
sem um encadeamento lógico explícito. Na
escrita formal, como na redação do Enem,
recomenda-se o uso de conectivos para
estabelecer relações entre as informações,
garantindo maior coesão textual. 
Agora, quando nós temos as orações
coordenadas sindéticas, ou seja, aquelas
nas quais utilizamos os conectivos, o uso da
vírgula passa a ser não obrigatório, mas
depende do tipo da conjunção. E é isso que
veremos agora.
Se eu tenho uma frase como "cheguei ao
trabalho e fui direto preparar o jantar", tenho
duas orações ligadas pela conjunção "e". Já
se eu disser "as políticas públicas para a
saúde avançaram nos últimos anos, porém,
ainda não atingem áreas mais vulneráveis", o
"porém" é uma conjunção adversativa que
também faz o papel de ligar as orações. No
caso da adversativa, o uso da vírgula é
obrigatório. No caso da aditiva, não há
necessidade de vírgula. Veremos todas as
regras agora.
Revisando, estamos tratando das orações
coordenadas, aquelas em que ambas as
pela vírgula. Como essas orações são
independentes entre si, cada uma delas
apresenta uma informação autônoma dentro
do enunciado.
Exemplo:
Cheguei cedo, fiz o relatório, saí
para almoçar. 
Peguei o copo, bebi água,
coloquei-o na mesa. 
A educação pública enfrenta
desafios graves, os investimentos
são insuficientes, os professores
não têm o devido reconhecimento.
Em todas essas frases, temos orações
independentes, separadas por vírgulas.
Nenhuma delas estabelece uma relação de
subordinação com outra, apenas estão
sendo justapostas dentro do mesmo período.
USO DA VÍRGULA NAS
ORAÇÕES COORDENADAS
ASSINDÉTICAS
A vírgula é essencial para delimitar cada uma
das orações coordenadas assindéticas, pois
ela cumpre o papel de segmentar as
informações dentro do período. Como cada
oração possui sentido próprio e não há um
conectivo unindo-as, a vírgula serve para
organizar o enunciado e garantir sua clareza.
Exemplo:
O dia amanheceu frio, saí sem
casaco, passei a manhã tremendo. 
O trânsito estava intenso, perdi a
hora, cheguei atrasado. 
Preparei o jantar, arrumei a mesa,
chamei todos para comer.
Cada uma dessas frases contém três
orações coordenadas assindéticas,
separadas corretamente por vírgulas.
Cuidado com o uso
desse tipo de construção
em redações formais!
80 Monitoria de Redação
frases fazem sentido completo, podendo ser
ligadas sem conectivos ou com conectivos.
Sem conectivo, sempre utilizamos a vírgula
para isolar as frases. Com o conectivo, a
necessidade da vírgula depende do tipo de
conjunção: adversativa, conclusiva,
explicativa, alternativa, aditiva ou a
conjunção "e", que é um caso especial.
Conjunções adversativas
As conjunções adversativas, como "mas",
"porém", "contudo", "entretanto", "todavia",
sempre recebem uma vírgula antes. A vírgula
depois é opcional. Se eu uso "porém", por
exemplo, posso colocar uma vírgula antes e
depois? Sim. Já o "mas", por ser curto,
recebe apenas a vírgula antes. O "contudo" e
o "todavia" podem receber a vírgula antes e
depois, mas também podem aparecer
apenas com a vírgula antes. Na redação,
prefiro utilizar a vírgula antes e depois, pois
torna o texto mais formal e reforça a pausa
da conjunção adversativa.
Exemplo:
"O governo investiu em
campanhas educativas, porém, a
população ainda carece de
conscientização ambiental." Aqui,
a vírgula antes do "porém" é
obrigatória.
Conjunções conclusivas 
As conjunções conclusivas incluem
"portanto", "logo", "por conseguinte". Nesse
caso, a vírgula antes da conjunção é
obrigatória, e a vírgula depois pode ser
usada para dar ênfase.
Exemplo:
"A inclusão de disciplinas práticas
no currículo escolar foi aprovada,
por conseguinte, os estudantes
terão uma formação mais
completa.
Conjunções explicativas 
As conjunções explicativas incluem "pois",
"porque", "uma vez que", "já que". Nesses
casos, a vírgula só deve ser utilizada antes,
nunca depois.
Exemplo:
"Apresse-se, porque o prazo está
acabando." Aqui, não há vírgula
depois do "porque".
Um caso especial é o "pois". Quando tem
sentido conclusivo, recebe vírgula antes e
depois. Exemplo: "Os indícios são muito
fortes. Deverão, pois, condenar o suspeito."
Nesse caso, o "pois" pode ser trocado por
"portanto", evidenciando seu caráter
conclusivo.
Conjunções alternativas 
As conjunções alternativas indicam
alternância: "ou... ou", "ora... ora", "quer...
quer". Quando há repetição, colocamos
vírgula após a primeira expressão.
Exemplo:
"Ora estuda, ora trabalha." / "Ou
dorme, ou come."
Se não houver repetição, não há
necessidade de vírgula: "Você quer comer ou
dormir?"
81 Monitoria de Redação
Conjunções aditivas 
As conjunções aditivasincluem "e", "nem". A
regra geral é que não se usa vírgula antes do
"e", exceto quando há mudança de sujeito.
Exemplo sem mudança de
sujeito: "Fiz a tarefa e entreguei
ao professor." O sujeito é o
mesmo, então não há vírgula.
Exemplo com mudança de
sujeito: "O governo anunciou a
construção de novas escolas, e a
população comemorou." Aqui, a
vírgula aparece porque há dois
sujeitos distintos.
Agora que já vimos todas as regras do
período composto por coordenação,
podemos seguir para as regras do período
composto por subordinação. Com essas
explicações, você já sabe como utilizar a
vírgula corretamente e pode escrever com
mais segurança.
No período composto por subordinação, é
essencial lembrar que temos duas orações
interdependentes: a oração principal e a
oração subordinada, que depende da
principal para ter sentido completo. 
Essas orações subordinadas se classificam
em três tipos: 
Oração subordinada substantiva 
Oração subordinada adjetiva 
Oração subordinada adverbial
É aqui que começam aqueles termos
gigantes, como oração subordinada
substantiva completiva nominal, que
costuma assustar muitos estudantes. Hoje,
vamos esclarecer esse assunto e facilitar sua
compreensão.
O motivo desses nomes (substantiva,
adjetiva e adverbial) está na função que
essas orações exercem na frase. Elas se
comportam de maneira semelhante a um
substantivo, um adjetivo ou um advérbio.
Por isso, antes de avançarmos, é
fundamental reforçar: 
Substantivo: dá nome às coisas. 
Advérbio: indica o modo ou estado de
algo. 
Adjetivo: expressa uma qualidade de
algo. 
Com esse entendimento, fica muito mais fácil
identificar e analisar as orações
subordinadas.
Orações Subordinadas Substantivas
Iniciaremos pelas orações subordinadas
substantivas. O nome já indica sua função:
elas exercem o papel de um substantivo
dentro da frase. Isso significa que podem
desempenhar diversas funções, como
sujeito, complemento verbal ou nominal, mas
não precisamos decorar essas classificações
agora. 
Nosso foco aqui é a vírgula. E a principal
regra é clara: nunca utilizamos a vírgula
para separar uma oração subordinada
substantiva da oração principal. Por quê?
Porque a oração subordinada substantiva
complementa diretamente a principal,
funcionando como se fosse um substantivo
dentro dela. Se colocarmos uma vírgula entre
essas orações, estamos quebrando essa
conexão e prejudicando a fluidez do texto.
Exemplo prático: Nosso desejo é
que os jovens sejam bons leitores.
82 Monitoria de Redação
Agora, se inserirmos uma
vírgula: ❌ Nosso desejo é, que os
jovens sejam bons leitores. (Erro!)
Aqui, a vírgula interrompe a relação natural
entre “nosso desejo” e “que os jovens sejam
bons leitores”, o que não faz sentido. 
Teste simples para identificar orações
substantivas:
Uma maneira prática de perceber essa
estrutura é substituir a oração subordinada
por algo ou alguma coisa:
É fundamental algo. → É fundamental
que os jovens leiam. 
Nosso desejo é alguma coisa. → Nosso
desejo é que os jovens sejam bons
leitores. 
Temos fé de algo. → Temos fé de que os
jovens leiam mais. 
Desejo algo. → Desejo que os jovens
gostem de ler. 
Gostaria de algo. → Gostaria de que os
jovens gostassem mais de ler.
Se a substituição fizer sentido, estamos
diante de uma oração subordinada
substantiva e, portanto, não devemos isolá-
la com vírgula. 
Única exceção: oração subordinada
substantiva com função de aposto.
A única situação em que a vírgula pode
aparecer é quando a oração exerce o papel
de aposto, ou seja, uma explicação ou
detalhe adicional.
Exemplo:
Aqui, a parte “que eu adoro livros” não é
essencial para a estrutura principal da
oração. Se retirarmos essa informação, a
frase ainda fará sentido: 
Todos pensam a mesma coisa.
Nesse caso, a vírgula pode ser usada,
assim como dois pontos:
Todos pensam a mesma coisa: que eu
adoro livros.
Atenção ao erro comum com "que": 
Muitos erram ao colocar uma vírgula antes
do "que" em orações subordinadas
substantivas. Isso acontece porque o "que"
está ligado a um termo anterior, completando
seu sentido.
Compare:
Todos pensam a mesma coisa,
que eu adoro livros.
✅ É fundamental que os jovens
leiam. 
❌ É fundamental, que os jovens
leiam. (Erro!)
A segunda frase está errada porque “que os
jovens leiam” é justamente a explicação do
que é fundamental. Como essa informação
completa a oração principal, não há motivo
para inserir a vírgula.
RESUMO DA REGRA
✔ NUNCA use vírgula para separar a
oração subordinada substantiva da
principal. 
✔ A única exceção ocorre quando a
oração exerce função de aposto. 
✔ Evite colocar vírgula antes do "que"
quando ele introduz uma oração
subordinada substantiva.
83 Monitoria de Redação
Orações Subordinadas Adjetivas
As orações subordinadas adjetivas exercem
o papel de um adjetivo dentro da frase. Um
adjetivo caracteriza um substantivo,
fornecendo uma informação sobre ele. Por
exemplo:
Outro exemplo:
Menino alto (alto é uma
característica do menino) 
Menino rico (rico descreve uma
qualidade do menino) 
Menino alegre (alegre indica uma
característica dele)
Aqueles produtos que estão
arranhados devem ser
descartados. 
Apenas os produtos
arranhados serão descartados. 
Nessa frase, apenas os
arranhados serão descartados,
ou seja, há um grupo que não
possui arranhões.
Orações Adjetivas Explicativas (Com
Vírgula)
Quando a oração adjetiva apenas
acrescenta uma informação adicional,
sem restringir o significado do substantivo,
ela deve ser isolada por duas vírgulas.
Exemplo:
Da mesma forma, uma oração subordinada
adjetiva dá uma informação sobre um
substantivo da oração principal. A questão é:
posso ou não utilizar a vírgula isolando
essa oração? 
A resposta depende da função da
informação: se ela restringe o significado do
substantivo ou se apenas acrescenta um
detalhe sobre ele.
Orações Adjetivas Restritivas (Sem
Vírgula) 
Quando a oração adjetiva é essencial para
identificar o substantivo, não usamos
vírgulas. Ela restringe o significado, ou seja,
sem essa informação, não saberíamos de
quem ou do que estamos falando.
Exemplo:
As meninas que estão sem farda
devem sair da sala. 
O diretor está falando apenas
das meninas que não estão
com a farda. 
A expressão "que estão sem
farda" é essencial para
identificar quais meninas
precisam sair.
As meninas, que estão sem
farda, devem sair da sala. 
O diretor está falando com
todas as meninas da sala. Isso
quer dizer que todas as
meninas estão sem a
vestimenta. 
"Que estão sem farda" é
apenas um detalhe adicional
sobre as alunas, tanto que eu
posso ler sem essa informação
"as meninas devem sair da
sala".
Outro exemplo:
Aqueles produtos, que estão
arranhados, devem ser
descartados. 
Todos os produtos serão
descartados. 
O trecho "que estão
arranhados" é uma informação
84 Monitoria de Redação
extra sobre os produtos, e não
um critério de seleção. Logo,
isso quer dizer que todos os
produtos possuem arranhões,
dizer que eles estão nessa
condição é uma informação
adicional.
RESUMO DA REGRA
✔ Sem vírgula: quando a oração é
essencial para identificar o substantivo
(restritiva). 
✔ Com vírgula: quando a oração
apenas acrescenta uma informação
extra (explicativa).
Orações subordinadas adverbiais 
As orações subordinadas adverbiais
desempenham o papel de advérbio dentro do
período composto. Na semana passada,
falamos sobre os adjuntos adverbiais e a
regra de pontuação: quando aparecem no
fim da oração, a vírgula não é utilizada;
quando deslocados para o início ou para o
meio, a vírgula torna-se obrigatória. Com as
orações subordinadas adverbiais, a lógica é
a mesma, mas, em vez de uma palavra
isolada, temos uma oração inteira
desempenhando essa função.
Vejamos alguns exemplos: 
Temporal: "Quando políticas públicas
efetivas forem implementadas, a
qualidade de vida da população
melhorará." O normal seria: "A qualidade
de vida melhorará quando políticas forem
implementadas." Como houve inversão, a
vírgula foi necessária.
Causal: "Como a desinformação ainda
está presente, é necessário investir em
educação midiática." Sem inversão,a
vírgula não seria usada: "É necessário
investir em educação midiática como a
desinformação ainda está presente." 
Condicional: "Se a educação fosse
priorizada, o índice de desigualdade
seria reduzido." Na ordem direta: "O
índice de desigualdade seria reduzido se
a educação fosse priorizada." 
Concessiva: "Embora existam leis sobre
o tema, elas ainda são pouco aplicadas
na prática."
Final: "Para que a inclusão digital seja
acessível a todos, é fundamental ampliar
o acesso à internet." 
Proporcional: "À medida que os
investimentos em saúde mental
aumentam, a taxa de suicídio diminui." 
Comparativa: "Tão grave quanto a falta
de investimentos na saúde, é o descaso
com a educação pública." 
Conformativa: "Conforme estabelece a
Constituição Federal, a saúde é um
direito de todos e um dever do Estado."
RESUMO PRÁTICO
1.Se a oração adverbial está no final da
frase, não se usa vírgula.
2.Se a oração adverbial está no início ou
no meio, usa-se vírgula. 
3.Casos mais frequentes: 
"Se" no início: sempre com vírgula.
Ex.: "Se eu estudar, terei sucesso." 
"Quando" no início: sempre com
vírgula. Ex.: "Quando eu escrever,
revisarei o texto." 
"Embora" no início: sempre com
vírgula. Ex.: "Embora haja
dificuldades, continuaremos." 
"Para" indicando finalidade no
início: sempre com vírgula. Ex.:
"Para aprender bem, é preciso
prática."
85 Monitoria de Redação
Capítulo 10
USO CORRETO DOS
PRONOMES RELATIVOS
A primeira coisa que precisamos saber é: o
que é um pronome? 
Pronome é uma palavra que substitui um
nome já mencionado no texto. Por que nós
usamos pronomes? Para evitar repetições
desnecessárias, as quais são encontradas
em textos de crianças.
Exemplo:
desses elementos já é capaz de retomar
uma ideia inteira.
Exemplo:
O termo “o qual” retoma “o grande problema
da falta de água no Nordeste”. 
Agora vamos conhecer quais são os
pronomes relativos: 
Invariáveis: que, quem, onde. 
Variáveis: o qual, a qual, os quais, as quais,
cujo, cuja, cujos, cujas, quanto, quanta,
quantos, quantas.
Invariável quer dizer que eles não precisam
fazer concordância, enquanto variável
significa que eles precisam concordar em
gênero e número.
O gato cinza é peludo. Esse gato
subiu na mesa da minha casa.
Quando esse gato desceu, alguns
pratos caíram.
Percebe que esse texto está muito repetitivo?
Essas repetições enfraquecem a coesão, por
isso, nós usamos os pronomes (palavras
para substituir nomes).
Exemplo corrigido:
O gato cinza é peludo. Esse
animal subiu na mesa da minha
casa. Quando ele desceu, alguns
pratos caíram.
Agora, com o uso de sinônimos e pronomes,
é mais fácil ler o texto. 
Perfeito! Entendemos o que é um pronome,
agora precisamos entender apenas por que
há uma classificação que os chama de
“pronomes relativos”.
Os pronomes relativos são aqueles
pronomes utilizados para retomar alguma
ideia que já foi citada no texto, apenas um
O grande problema da falta de
água no Nordeste sobre o qual
falávamos na semana passada
não foi resolvido.
Usado para retomar pessoas ou coisas,
funcionando como sujeito ou complemento.
Exemplo:
"Que" (invariável)
O livro que comprei é muito bom. 
A menina que chegou é minha
prima.
Usado para retomar pessoas e sempre exige
uma preposição quando exerce função de
complemento.
Exemplos:
"Quem" (invariável)
86 Monitoria de Redação
posse, então o artigo "o" não deve ser
usado.)
Não conheço a pessoa de quem
você está falando. (complemento
regido por "de"). 
Ele foi o professor a quem pedi
ajuda. (complemento regido por
"a").
❌ Erro comum: 
O professor quem admiro é muito
inteligente. 
(Correção: "O professor a quem admiro"
ou "O professor que admiro")
Usados para evitar ambiguidade,
especialmente quando há mais de um
antecedente.
Exemplos:
"O qual", "a qual", "os quais",
"as quais" (variáveis)
A empresa e a equipe, as quais
trabalham juntas, tiveram bons
resultados. (evita ambiguidade em
relação ao pronome "que") 
O projeto, o qual foi aprovado,
começará em breve. (pronome
mais formal que "que")
Indicam posse e não podem ser seguidos
por artigo.
Exemplos:
"Cujo", "cuja", "cujos", "cujas"
(variáveis)
Li um livro cujo autor é renomado. 
Essa é a aluna cujo desempenho
surpreendeu a todos.
❌ Erro comum: 
Li um livro cujo o autor é renomado.
(Errado! O pronome "cujo" já indica
Usados após os pronomes indefinidos "tudo",
"todo", "todas", “tantas”, indicando relação
com quantidade.
Exemplos:
"Quanto", "quanta", "quantos",
"quantas" (variáveis)
Ele disse tudo quanto sabia.
(equivalente a "tudo o que sabia") 
Li todas quantas as notícias do
dia. (mais formal que "todas as
notícias")
Indica lugar e pode ser substituído por "em
que" ou "no qual".
Exemplos:
"Onde" (invariável)
A cidade onde nasci é linda.
(equivalente a "em que nasci") 
O restaurante onde jantamos
ontem foi excelente. (equivalente a
"no qual jantamos")
Cuidado! O uso de "onde" para
retomar termos abstratos é inadequado.
Ele só pode ser usado com valor
locativo, e esse erro pode custar 40
pontos na sua competência 4.
❌ Exemplo errado: 
A situação onde me encontrei foi difícil. 
(Correção: "A situação em que me
encontrei")
87 Monitoria de Redação
nos alunos é o uso de pronomes relativos
junto a preposições. Esses pronomes devem
ser usados respeitando a regência dos
verbos contidos na frase.
Exemplos:
Essa é a juíza à qual me referi.
(Referir-se a) 
O assunto de que tratamos era
complexo. (Tratar de) 
O professor de quem lhe falei já
chegou. (Falar de) 
O problema com que me deparei
era sério. (Deparar-se com) 
O projeto sobre o qual discutimos
foi aprovado. (Discutir sobre) 
A cidade em que nasci é pequena.
(Nascer em) 
O autor a cujas obras me dedico é
renomado. (Dedicar-se a)
O PROBLEMA DO USO DE
"MESMO" COMO ELEMENTO
DE RETOMADA
Muitos alunos acreditam que "mesmo" pode
substituir pronomes relativos como "que" ou
"o qual", mas isso está errado. O pronome
"mesmo" tem valor de ênfase ou identidade,
mas não serve para retomar um termo
anterior
❌ Erro comum: 
O professor foi rude, o mesmo foi retirado
do cargo. (Uso incorreto de "o mesmo"
para retomar "o professor")
Opções de correções: 
O professor foi rude, e ele foi retirado do
cargo. (Uso de um pronome pessoal para
retomada.) 
O professor, que foi rude, foi retirado do
cargo. (Uso do pronome relativo
adequado.) 
O professor foi rude e, por isso, foi
retirado do cargo. (Uso de conectivo para
dar coesão ao texto.)
Quando usar "mesmo"? 
"Mesmo" pode ser usado para indicar
identidade ou ênfase, mas não como
pronome relativo.
Exemplos corretos:
Quero resolver o problema eu
mesmo. (ênfase no sujeito) 
Ela trabalha na mesma empresa
há anos. (sentido de identidade,
indicando que a empresa é a
mesma de antes.)
PRONOMES RELATIVOS
E REGÊNCIA
Uma questão que causa muitas confusões
PRONOMES RELATIVOS
E PONTUAÇÃO
Iremos revisar alguns usos da vírgula que já
vimos na semana passada. 
Casos que geralmente não exigem
vírgula: 
Quando o pronome relativo restringe o
sentido do termo anterior.
O livro que comprei é interessante. 
A cidade onde nasci é pequena.
Casos que exigem vírgula: 
Quando o pronome relativo introduz orações
explicativas. 
Meu irmão, que mora em Recife, virá nos
visitar. 
A Amazônia, onde vivem milhares de
espécies, sofre com o desmatamento.
Como evitar erros de concordância?
88 Monitoria de Redação
E você deve me perguntar: por que temos
pronomes? Por que é necessário tê-los em
nosso texto? Precisamos dos pronomes para
evitar um texto repetitivo, como o de uma
criança de cinco anos, que ainda está
aprendendo a fazer retomadas e a usar
pronomes. Ela irá constantemente repetir
algumas palavras, e o nosso texto precisa
progredir, ter fluidez. 
Para ilustrar, veja este exemplo:
Ao usar pronomes relativos, é muito fácil
cometer algum erro de concordância, mas,
para evitá-los, você deve estar muito atento
ao termo ao qual ele se refere. 
Desse modo, você conseguirá fazer um texto
coeso e sem erros de concordância. Vejamos
alguns exemplos de erros comuns:
❌ Erro: A juíza, o qual tomou a
decisão, é experiente. 
✅ Correção:A juíza, a qual
tomou a decisão, é experiente. 
❌ Erro: As leis, a qual foram
aprovadas, são rigorosas. 
✅ Correção: As leis, as quais
foram aprovadas, são rigorosas.
Perceba que é muito importante ter em
mente qual é o termo que está sendo
retomado.
TRANSCRIÇÃO
DA MONITORIA
O assunto que nós trabalharemos agora é o
uso correto dos pronomes relativos, pois não
basta utilizar os pronomes relativos: é
preciso também fazer o uso correto. 
Como corretor, eu sei que muitos alunos
erram o uso dos pronomes relativos,
principalmente quando temos a
concordância entre o pronome relativo e o
termo que está sendo retomado. Além disso,
há dificuldades quando aliamos regência aos
pronomes relativos, pois, como eu já
expliquei no assunto de crase, os pronomes
relativos, como "o qual" e "a qual", podem se
unir a preposições. Nós veremos isso com
detalhes aqui.
O que é um pronome? 
A primeira coisa que faremos é entender o
que é um pronome na língua portuguesa.
Texto sem pronomes: O gato
cinza é peludo. Esse gato subiu na
mesa. Quando esse gato desceu,
alguns pratos caíram.
Perceba que repeti três vezes a palavra
"gato". Isso torna o texto monótono. Agora,
vejamos uma reescrita utilizando pronomes:
Texto com pronomes: O gato
cinza é peludo. Esse animal mal
subiu na mesa da minha casa.
Quando ele desceu, alguns pratos
caíram.
Note que o texto já ficou mais fluido, apesar
de manter uma estrutura simples. 
Já vimos, então, que pronomes como "ele",
"ela", "nós", "vós", "este", "aquele" e "aquilo"
ajudam a evitar repetições. Mas hoje nos
concentraremos nos pronomes relativos.
O que é um pronome relativo? 
Um pronome relativo é uma palavra que tem
a função de retomar algum elemento que já
foi mencionado no texto. Ou seja, ele
estabelece uma relação entre duas orações
e evita a repetição de termos já citados.
Os pronomes relativos podem ser variáveis
ou invariáveis. Antes de explorarmos essa
classificação, analise a seguinte frase:
89 Monitoria de Redação
O grande problema da falta de água no
Nordeste, sobre o qual falávamos na semana
passada, não foi resolvido. 
O pronome relativo "o qual" retoma "o grande
problema da falta de água no Nordeste".
Observe que uma pequena expressão evita
a repetição desnecessária dessa informação.
Assim, utilizamos os pronomes relativos para
garantir progressão textual e fluidez,
tornando o texto mais coeso e elegante. 
Agora que nós já entendemos o motivo de
usar os pronomes relativos, nós vamos
propriamente conhecer quais são esses
pronomes.
Temos três que são invariáveis: "o que", "o
quem" e "o onde". E por que esses termos
são chamados de invariáveis? Porque eles
não mudam de acordo com as pessoas ou
com a quantidade de pessoas. Já os termos
variáveis são aqueles que mudam conforme
o gênero e o número: se é feminino ou
masculino, se é uma pessoa ou se são duas
pessoas. Por exemplo, o "o qual" apresenta
as variações: "o qual", "os quais", "a qual" e
"as quais". Já "cujo" se flexiona em "cujo",
"cuja", "cujos" e "cujas". O mesmo acontece
com "quanto": "quanto", "quanta", "quantos"
e "quantas". Esses termos precisam
concordar com os substantivos a que se
referem no texto. 
Agora que já vimos quais são os pronomes
relativos, vamos entender quando utilizar
cada um deles. Começaremos pelo "que",
que é invariável. Costumo dizer que ele é
universal, pois serve para tudo: homem,
mulher, criança, objeto. Podemos utilizá-lo
em frases como:
A realidade em que vivemos...
(Nesse caso, há a preposição
"em".) 
O prédio que foi construído
recentemente...
A criança que estava aqui... 
O homem que fugiu...
O "que" pode ser utilizado para tudo. No
entanto, é comum encontrarmos erros ao
utilizá-lo. Um exemplo equivocado do uso do
"quem" em vez do "que":
"O professor quem admiro muito é
inteligente."
O correto seria:
"O professor que admiro muito é
inteligente." 
"O professor a quem admiro muito
é inteligente."
Agora falaremos sobre o pronome "quem",
que só deve ser utilizado para se referir a
pessoas. Isso é óbvio, pois, se perguntarmos
"quem está aí?", não esperamos como
resposta "uma garrafa", por exemplo. Então,
em frases, ele também sempre se referirá a
uma pessoa. Vejamos alguns exemplos:
"Não conheço a pessoa de quem
você está falando." (Quem fala,
fala de alguém.) 
"Ele foi o professor a quem pedi
ajuda." (Quem pede ajuda, pede
ajuda a alguém.)
Agora vamos ao uso de "o qual", "a qual",
"os quais" e "as quais". Esses termos são
mais formais e diretos, pois fazem
concordância com o termo retomado,
tornando a referência mais clara. Em
algumas situações, o "que" não será a
melhor escolha, e o uso de "o qual" ajudará a
evitar ambiguidades. Veja exemplos:
90 Monitoria de Redação
"A empresa e a equipe, as quais
trabalham juntas, tiveram bons
resultados." 
"O projeto, o qual foi aprovado,
começará em breve."
Embora o uso desses pronomes seja mais
formal, eles podem ser empregados em
diferentes contextos, como na literatura ou
até mesmo em redações, desde que
adequado ao tom do texto.
Agora nós iremos falar de algo que pode tirar
40 pontos da sua competência 4, e você
deve estar pensando: "Nossa, então isso
realmente é algo muito grave?" Sim! A
competência 4 não admite nenhum erro. Se
você tem uma inadequação coesiva, já perde
40 pontos. 
E qual é esse caso tão relevante? O caso do
"onde". Esse termo é utilizado como
pronome relativo, mas não pode retomar
qualquer coisa. Algo que nós não vemos no
dia a dia, pois as pessoas utilizam
erroneamente esse pronome para qualquer
ideia ou situação. No entanto, "onde" só pode
ser utilizado com valor locativo, ou seja, para
referir-se a locais físicos.
Por exemplo:
Agora trabalharemos um tipo de pronome
que muitos erram: "cujo", "cuja", "cujos",
"cujas". Os erros geralmente ocorrem por
dois motivos: 
1."Cujo" só pode ser utilizado quando há
ideia de posse. 
2.Não se deve colocar artigo depois de
"cujo".
Por exemplo, a frase incorreta:
"O rapaz cujo o nome é João." 
O correto seria: "O rapaz cujo
nome é João."
Vejamos outros exemplos corretos: 
"Li um livro cujo autor é renomado." (O
livro pertence ao autor.) 
"Essa é a aluna cujo desempenho
surpreendeu a todos." (O desempenho
pertence à aluna.)
Agora falaremos de alguns pronomes
relativos menos frequentes na redação, mas
que são úteis em outros contextos. Os
pronomes "quanto", "quanta", "quantos" e
"quantas" referem-se a quantidades e
sempre aparecem junto a pronomes
indefinidos, como "todo", "toda", "tantos",
"tantas". Exemplos:
"Ele disse tudo quanto sabia."
(Refere-se à quantidade de
conhecimento.) 
"Li todas quantas as notícias do
dia." (Refere-se à quantidade de
notícias.)
A escola onde estudei. 
O hospital onde nasci.
Ambos são locais físicos, então o uso de
"onde" está correto. Podemos nos deslocar
até eles.
Agora, vejamos exemplos de uso
incorreto: 
Essa é a sociedade onde ocorreu
um grande problema. (Erro!
"Sociedade" é uma ideia abstrata,
não um local físico.) 
Esse é o problema onde é preciso
atuar. (Erro! "Problema" não é um
local, então o uso de "onde" está
errado.)
91 Monitoria de Redação
Essa é a mesma garrafa que eu
tenho há anos. (Indica que é a
mesma garrafa, sem alteração.)
USO INADEQUADO DE "O
MESMO" COMO RETOMADA
Agora, falaremos de um caso que não é
propriamente um pronome relativo, mas que
é erroneamente utilizado como tal: "o
mesmo", "a mesma", "os mesmos", "as
mesmas". Esses termos jamais devem ser
utilizados como elementos de retomada, pois
não exercem a função de pronome relativo.
Exemplo incorreto: O professor
foi rude com a aluna, o mesmo foi
demitido. (Erro! "O mesmo" não
pode retomar "o professor".) 
Exemplo correto: O professor foi
rude com a aluna, ele foi demitido.
Erro comum em redações: Os
investimentos na educação são
precários, os mesmos deveriam ser
melhorados. (Erro!) 
Forma correta: Os investimentos na
educação são precários, eles deveriam
ser melhorados.
Esse erro é tão recorrente que até mesmo
documentos oficiais o cometem. Um exemplo
é uma lei estadual que determinava a
colocação de placas nos elevadores com a
frase:"Antes de entrar, verifique se o mesmo
encontra-se parado." O correto seria: "Antes
de entrar, verifique se ele está parado."
Quando "o mesmo" pode ser usado
corretamente? 
"O mesmo" pode ser usado em contextos de
ênfase ou identidade:
Eu quero resolver a questão eu
mesmo. (Enfatiza que a própria
pessoa quer resolver.) 
Agora, se a frase for: 
Essa é a minha garrafa. A mesma é
verde. (Erro! O correto seria "Ela é verde"
ou "A qual é verde".)
Agora que nós já entendemos quais são os
pronomes relativos e quando utilizá-los,
vamos revisar três aspectos fundamentais:
concordância, regência e pontuação
PONTUAÇÃO
A pontuação nas orações subordinadas
adjetivas segue a seguinte regra: 
Orações explicativas: são separadas por
vírgulas, pois adicionam uma informação
extra. Exemplo:
A garrafa, que era verde, é muito
boa. (A informação sobre a cor da
garrafa não é essencial.)
Orações restritivas: não são separadas por
vírgulas, pois restringem o sentido do
substantivo. Exemplo:
A garrafa que é verde é muito boa.
(Dentre várias garrafas, apenas a
verde é boa.)
REGÊNCIA
Os pronomes relativos não regem
preposições por si só, mas a regência verbal
da frase pode exigir uma preposição antes
deles. Veja alguns exemplos:
Essa é a juíza à qual me referi.
(Quem se refere, se refere a algo.)
92 Monitoria de Redação
O assunto de que tratamos é
complexo. (Quem trata, trata de
algo.) 
O professor de quem falei já
chegou. (Quem fala, fala de algo.) 
O problema com que me deparei
era sério. (Quem se depara, se
depara com algo.) 
O projeto sobre o qual discutimos
foi aprovado. (Quem discute,
discute sobre algo.)
Sempre observe o verbo e a preposição
exigida por ele antes do pronome relativo.
CONCORDÂNCIA
Os pronomes relativos variáveis devem
concordar em gênero e número com os
termos aos quais se referem. Exemplos:
A cadeira a qual comprei era boa.
(Concordância com "cadeira", que
é feminino.) 
As leis as quais foram aprovadas
devem ser respeitadas.
(Concordância com "leis", que é
plural.)
Evite erros como:
A cadeira o qual comprei... ❌ 
As leis a qual foram aprovadas... ❌
Concluir essa segunda etapa do estudo
gramatical é mais do que acumular
conhecimento: é ampliar sua consciência
sobre a língua que você usa para pensar,
argumentar e se posicionar no mundo.
Aqui, você se deparou com estruturas
mais sofisticadas da norma-padrão e
fortaleceu o olhar para os detalhes que
diferenciam uma escrita comum de uma
escrita realmente eficaz.
Lembre-se de que cada elemento
gramatical é uma ferramenta de construção
— e, quando bem utilizada, ela refina seu
texto, amplia sua clareza e fortalece sua
voz no papel.
Continue praticando. Escrever bem é
uma consequência direta de ler com
atenção, revisar com rigor e pensar com
linguagem. Você está mais preparado —
e mais consciente — para escrever com
precisão e intenção.ficará no singular.
Além disso, qual o sentido dessa
expressão? Quando eu digo que “não há
nada a ver”, é como se eu afirmasse que não
há semelhança, não há nada ali que pode
ser visto e que traz essa ideia de
semelhança, de algo que tem uma ligação
com outra coisa. É por isso que nós
utilizamos o “nada a ver”. Não há nenhuma
ligação, não há “nada a ver” de semelhança
aqui.
Sobre a expressão "nada a ver"
Esse é um ponto que não necessariamente é
da concordância, mas que tem muito a ver
com o verbo haver. Inclusive, eu até utilizei
essa expressão agora, “tem muito a ver”. O
correto é utilizar a forma separada, não o
verbo “haver”. 
Você deve lembrar que eu falei que o verbo
haver é impessoal e que, quando ele é
impessoal, ele não possui sujeito, ok?
Quando ele é impessoal, ele também pode
ser trocado pelo verbo existir, certo?
Então, nessa frase, quando eu digo: 
Isso não tem nada a ver. 
Eu poderia trocar o “haver”, caso fosse esse
verbo - a escrita junta - pelo “existir”?
Isso não tem nada “existir”.
Faria sentido? Não faria sentido. Então é por
isso que nós utilizamos o “nada a ver”
separado. Essa é uma das justificativas.
11 Monitoria de Redação
Capítulo 2
PONTUAÇÃO EM CITAÇÕES
DIRETAS E INDIRETAS
Vamos falar sobre as citações nos nossos
textos, algo importantíssimo para alcançar a
nota de 200 pontos na competência 2. 
A primeira coisa que vamos
entender é: o que são citações.
A partir de agora eu quero que você pense
na citação como aquele repertório que você
precisa usar em diversos momentos do seu
texto. De modo mais específico, é
interessante que você os use em três
momentos: na introdução, no
desenvolvimento 1 e no desenvolvimento 2. 
Os repertórios podem ser: afirmações de
especialistas, citações de filmes, letras de
músicas, frases de filósofos, informações de
áreas do conhecimento e de livros. Essas
citações são essenciais para embasar o seu
ponto de vista. 
Todavia, elas não aparecem sempre da
mesma forma nos textos. Há várias maneiras
de apresentar essas informações, porém
sempre você fará uma escolha: falar de
maneira direta ou falar de maneira indireta.
direta, porque talvez a minha memória me
engane no dia da prova e eu seja
prejudicado por isso hahaha. Brincadeiras à
parte, as citações diretas podem ser usadas
em frases que você conheça muito, como
esta que é o meu xodó para falar de
problemas na educação: “A educação não
transforma o mundo, a educação muda as
pessoas, as pessoas transformam o mundo",
de Paulo Freire.
Resumindo: citações diretas falam
exatamente a mesma coisa que o
autor disse.
CITAÇÕES DIRETAS
As citações diretas são praticamente “cópias”
daquilo que foi dito pelo filósofo, apresentado
no filme, escrito na letra da música ou
afirmado pela área do conhecimento. Você
precisa fazer uma cópia muito semelhante ao
que o autor disse, praticamente igual.
Eu, Mateus, não gosto tanto de usar citação
CITAÇÕES INDIRETAS
As citações indiretas são mais populares
entre os alunos, visto que há uma maior
liberdade ao utilizá-las. É possível usar um
pensamento de um autor, mas sem precisar
lembrar exatamente do que aquele autor
falava. 
Por exemplo, eu posso usar a mesma frase
do Paulo Freire de maneira indireta. Vejamos:
Segundo o pensador Paulo Freire, a
educação é muito importante, uma vez que
as pessoas, transformadas pela educação,
podem mudar a estrutura mundial. 
Eu falei a mesma coisa com outras palavras,
eu parafraseei a frase original.
Essa forma de fazer é maravilhosa porque
você não precisa saber tudo do livro, da
música, do pensador, da teoria, da área do
conhecimento; enfim, não é preciso decorar
centenas de citações para o seu texto.
Resumindo: citações indiretas são
aquelas em que não é preciso
escrever exatamente o que o autor
falou.
12 Monitoria de Redação
Se a citação for um período independente,
ela começa com maiúscula. 
Exemplo: Como afirmou Paulo Freire, “A
educação não transforma o mundo, a
educação muda as pessoas, as pessoas
transformam o mundo.”
Se a citação for integrada à estrutura do
período, mantendo a coesão com o texto,
pode começar com minúscula. 
Exemplo: Paulo Freire afirmou que “a
educação muda as pessoas, as pessoas
transformam o mundo
PONTUAÇÃO EM CITAÇÕES
DIRETAS E INDIRETAS
Agora que nós já sabemos o que são
citações diretas e indiretas, vamos aprender
a maneira certa de usar iniciais maiúsculas,
aspas e vírgulas nesses casos. 
Antes da citação, é preciso que você tenha
um conectivo para ligar esse trecho ao
trecho anterior. Não vale começar a frase de
modo seco com apenas “segundo tal
pessoa”, “de acordo com tal filósofo”, “tal
área do conhecimento afirma”. Cadê a
fluidez? Cadê a passagem fluida das ideias?
Percebe que fica tudo muito seco? 
Por essa razão, siga a dica do corretor: use
sempre um conectivo antes da citação.
Exemplos: 
Nesse sentido, Nessa perspectiva, Sob
esse viés, A partir disso, Nesse espectro,
Além disso, Ademais.
Como pontuar em citações
diretas?
Nas citações diretas, nós precisamos
escrever exatamente como o autor falou.
Logo, é preciso mostrar para o corretor que
você está fazendo isso.
A necessidade de se usar aspas. 
Como nós precisamos mostrar para o
corretor que há uma citação direta, o uso
das aspas é obrigatório. Ele sinaliza que
a frase está escrita tal qual foi falada,
escrita ou cantada.
Inicial maiúscula na primeira palavra
da citação. 
Sobre a inicial da citação, é preciso
analisar o caso em que estamos
trabalhando.
Como pontuar em citações
indiretas?
Nas citações indiretas, não é preciso mostrar
que houve uma cópia da frase, ou seja, não
há a necessidade de se usar as aspas para
delimitar a afirmação. 
Além disso, como a informação aparece
integrada aos resto do texto, não há
necessidade de usar inicial maiúscula a não
ser que essa seja a primeira parte do
período, o que é praticamente impossível,
visto que nós combinamos de sempre usar o
conectivo, correto?
Como usar a vírgula nos dois
casos?
Uso de “segundo”, “conforme” e “de
acordo com” 
Essas expressões introduzem a fonte da
citação e sempre exigem vírgula após o
autor ou a obra. 
Segundo Karl Marx, “A história de
todas as sociedades até agora
existentes é a história da luta de
classes”. 
Conforme Immanuel Kant, “O
homem é aquilo que a educação faz
dele”.
13 Monitoria de Redação
de respeitar sua escolha no texto inteiro) 
Exemplo: “Memórias Póstumas de Brás
Cubas” / “Memórias póstumas de Brás
Cubas”.
No nome dos autores, é preciso usar em
todas as partes. 
Exemplo: Machado de Assis 
Não se usa letras maiúsculas em
preposições nos nomes de filmes, de livros e
de autores. 
Use as aspas para isolar o nome das obras.
Aposto com o nome do autor
Quando o nome do autor aparece depois
do título da obra, ele deve ser isolado por
vírgulas. 
Segundo “O capital”, de Karl Marx,
as relações sociais são determinadas
pela economia. 
Conforme “Crítica da razão pura”, de
Immanuel Kant, o conhecimento
resulta da interação entre experiência
e razão. 
O livro “A origem das espécies”, de
Charles Darwin, revolucionou a
biologia.
De acordo com Hannah Arendt, “A
essência dos direitos humanos é o
direito a ter direitos”.
Mesmo que a locução apareça no meio
ou no final da frase, a vírgula continua
obrigatória: 
A ética, conforme Aristóteles, é o
caminho para a felicidade. 
O pensamento marxista enfatiza a
luta de classes, de acordo com Karl
Marx.
Uso de verbos como afirma, cita, fala,
explana, demonstra… 
Esses verbos geralmente introduzem a
citação direta, e, nesses casos, nós não
usamos a vírgula depois do verbo. 
Aristóteles cita que “a felicidade
consiste em viver de acordo com a
virtude.” 
Rousseau demonstra que “o homem
nasce livre, mas por toda parte está
acorrentado.”
Orientações finais
Use sempre inicial maiúscula no nome das
obras e dos autores.
Nas obras, podem ser todas as iniciais ou
apenas a inicial do primeiro nome (lembre-se
TRANSCRIÇÃO
DA MONITORIA
Para esse capítulo, eu preparei um material
riquíssimo que contempla não só a
competência 1, mas também as
competências 2 e 4.
O meu objetivo dehoje não é que você
apenas aprenda a pontuar em citações
diretas e indiretas, mas que você consiga
apresentar bem o seu repertório; para que o
corretor consiga entender claramente aquilo
que você quer pontuar, apresentar, trazer
para embasar o seu argumento. 
A primeira coisa que você precisa entender é
que, para tirar 200 pontos na competência 2,
você precisa ter citações. E o que são
citações? “Citações” é um nome um pouco
diferente para repertório, porque, afinal,
sempre que nós temos um repertório, nós
estamos citando alguma coisa de um livro,
de um filme, de uma área do conhecimento,
de uma música, de um pensador. Você
precisa ter essas citações. Basicamente, nós
iremos aprender como apresentar
repertórios hoje.
E essas informações geralmente aparecem
no desenvolvimento 1, no desenvolvimento 2
14 Monitoria de Redação
Já a citação indireta é muito mais versátil, é
muito fácil de utilizar. Por quê? Eu não
preciso falar exatamente o que o pensador
escreveu. Eu posso apenas me basear na
ideia dele, apenas reproduzir uma parte
dessa frase, uma parte do pensamento
geral. eu posso falar com minhas palavras
aquilo que o autor pensa. Então, a citação
indireta tende a ser um pouco mais versátil.
Por exemplo, eu posso pegar a mesma frase
de Paulo Freire e escrever “Segundo o
pensador Paulo Freire, a educação é muito
importante, uma vez que as pessoas
transformadas pela educação podem mudar
a estrutura mundial”.
Você percebe que eu utilizei a mesma frase,
só que eu não precisei escrever da mesma
forma que o Paulo Freire falou? Eu tive
liberdade para usar as minhas palavras. Eu
parafraseei a frase original. 
Essa forma de fazer é muito boa, porque
você não precisa conhecer o livro inteiro, não
precisa saber a música exatamente, não
precisa saber todas as teorias do pensador,
não precisa saber tudo sobre uma área do
conhecimento, pode apenas pegar uma
informação, você não precisa ficar decorando
centenas de frases. Então, é muito melhor
sempre se basear em algum livro, em algum
filme, em algum autor e fazer uma citação
indireta, por ser mais versátil.
e também são utilizadas para contextualizar
a sua introdução. Elas podem ser
apresentadas de diferentes maneiras: de
maneira direta ou de maneira indireta.
Você sempre fará essa escolha, mas o que
quer dizer apresentar de maneira direta ou
indireta?
Quando eu falo que o aluno fez uma citação
direta, eu quero dizer que ele fez
praticamente uma cópia daquilo que o
filósofo falou, do que o filme apresentou, do
que estava escrito na letra da música ou que
foi afirmado pela área do conhecimento que
ele escolheu. Então, você vai fazer uma
cópia muito semelhante, realmente uma
cópia daquilo que estava presente no
repertório que você escolheu, caso seja uma
citação direta. 
Vou contar um segredo para vocês.
Geralmente, eu não gosto de utilizar a
citação direta, porque vai que na hora da
prova eu tenha um problema de memória?
Vai que eu me esqueça de como é que
aquela frase era escrita, de como aquele
autor falava exatamente? Se eu esqueço e
faço uma frase totalmente diferente, eu
cometo um erro ao escrever uma citação
direta, porque, se é uma citação direta, tem
que ser exatamente igual ao que o autor
falou.
Então, eu geralmente utilizo a citação
indireta, porque ela é mais fácil de ser
utilizada. Só com frases muito específicas é
que eu utilizo a citação direta, como a frase
de Paulo Freire, “A educação não transforma
o mundo, a educação muda pessoas, as
pessoas transformam o mundo”. Porque essa
é uma frase que me impactou muito e que eu
tenho gravada na minha mente. Então, é fácil
de citar, por exemplo, em um tema que fala
sobre educação.
RESUMINDO TUDO O QUE
APRENDEMOS ATÉ AGORA:
Citações são informações que nós
trazemos para embasar nossos
argumentos no texto, chamadas
comumente de repertórios. 
Existem citações diretas e indiretas.
15 Monitoria de Redação
Agora nós já sabemos o que são citações
diretas e citações indiretas. Por isso, nós
iremos aprender como utilizar as pontuações
nesses casos: como utilizar as letras
maiúsculas, as aspas, as vírgulas e como
organizar a minha citação para que o
corretor receba uma citação perfeita. 
Como nós queremos a citação perfeita, nós
não podemos começar diretamente com a
citação. Eu preciso ligar essa citação com
algo que já foi falado no texto. Eu preciso ter
uma ligação com o resto. Afinal, se eu
apenas solto informação, de que vale essa
informação para o meu texto? Ela precisa
estar articulada. É a tal da produtividade
que nós sempre falamos na competência 2.
E qual a melhor forma de já iniciar com a boa
ligação? Utilizar um conectivo para iniciar a
sua citação.
Então, não posso iniciar com: “segundo tal
Citações diretas são aquelas em que
eu preciso escrever exatamente o que
o autor disse. 
Exemplo: Segundo o patrono da
educação brasileira Paulo Freire,
"A educação não transforma o
mundo, a educação muda as
pessoas, as pessoas transformam
o mundo".
Citações indiretas são aquelas em
que eu possuo uma maior liberdade
de escrita. Eu apenas tenho o
pensamento do autor como base, mas
não precisa estar escrito exatamente
igual. 
Exemplo: Segundo o pensador
Paulo Freire, a educação é muito
importante, uma vez que as
pessoas, transformadas pela
educação, podem mudar a
estrutura mundial.
pessoa, de acordo com tal filósofo, tal área
do conhecimento afirma” diretamente sem
um conectivo.
Na introdução, eu até consigo fazer isso. Por
exemplo, “no filme, é retratada tal coisa”. Eu
até consigo. Mas dentro dos
desenvolvimentos, é preciso colocar um
conectivo, até para que o corretor consiga
perceber as ideias, a ligação entre as
informações. 
Então você acabou o tópico frasal. “A
tecnologia afeta a cognição das crianças”. Aí
você não coloca o conectivo e já diz. “A
neurociência afirma tal coisa.” Qual a
ligação entre essas duas coisas? Não fica
clara.
Então você sempre tem que adicionar um
conectivo como: 
Nesse sentido, nessa perspectiva, sob
esse viés, a partir disso, nesse espectro,
além disso.
Então veja como é melhor falar: A tecnologia
afeta a cognição das crianças, no meu tópico
frasal. Depois disso eu digo, nesse sentido,
com base nisso que foi dito, a neurociência
afirma tal coisa; a fluidez fica perfeita. Então,
nós temos um trato, sempre utilizar
conectivo antes da citação.
REGRA N° 1
Sempre usar conectivo antes da citação.
O conectivo vale tanto para citações diretas
quanto para citações indiretas. Agora, nós
iremos saber as regras específicas para cada
tipo de citação, direta ou indireta. 
Na citação direta, você já sabe que eu
estou fazendo uma citação exatamente como
o corretor falou. Então, eu preciso mostrar
para o meu querido corretor que eu estou
16 Monitoria de Redação
fazendo uma cópia da frase do meu autor.
Então, nesse caso, eu preciso utilizar um
marcador. E qual é esse marcador? As
aspas. As aspas servem justamente para
mostrar que a frase está escrita tal qual ela
foi falada, escrita ou cantada em um filme,
música, livro e etc.
Então, nós sempre iremos utilizar as aspas
para isolar as citações diretas. Se eu digo,
Paulo Freire afirma, por exemplo, e aí eu
escrevo exatamente a frase dele, eu preciso
colocar aspas isolando totalmente a frase de
Paulo Freire.
Agora nós vamos trabalhar com outro caso
que é um pouco mais específico. Muitas
pessoas não sabem nem como agir nesses
casos. É o caso da maiúscula ou da
minúscula na primeira palavra da citação.
Você pode ou não utilizar essa letra
maiúscula. Depende do caso. Vamos ver. Se
eu tenho uma frase que inicia por aquela
palavra, eu vou utilizar a letra maiúscula
porque eu estou em um início de frase. Além
disso, se eu faço uma frase completa, uma
frase independente, eu também irei utilizar a
inicial maiúscula. Então, basicamente, se a
frase está completa, eu utilizo a inicial
maiúscula. Já se for uma parte da frase, se
for um pedacinho da frase que tem ligação
com o resto do texto, eu não utilizo a inicial
maiúscula. Eu posso utilizar a inicial
minúscula nesses casos.
Vamos aos exemplos, porque eu sei que
vocês aprendemmais com eles. Se eu utilizo
a mesma frase de Paulo Freire e falo, como
afirmou Paulo Freire, educação não
transforma o mundo, educação muda as
pessoas, as pessoas transformam o mundo.
Eu utilizei a frase tal qual ela foi falada,
escrita, afirmada pelo Paulo Freire. Então, eu
preciso utilizar as aspas. Primeiro requisito
eu já fiz. Mas essa frase também é uma frase
completa. É a frase inteira do Paulo Freire. É
uma frase independente. Nesse caso, eu irei
utilizar também a inicial maiúscula.
Se eu tenho alguma parte da minha frase
que se completa com o que vem depois, eu
não utilizo a inicial maiúscula. Por exemplo,
se eu digo, Paulo Freire afirmou que a
educação muda as pessoas, as pessoas
transformam o mundo. Primeiro, eu não
tenho a frase completa, mas mesmo assim
eu utilizo as aspas, porque é uma parte da
citação do Paulo Freire, e por ser apenas
uma parte, e essa parte ainda se ligar com
uma parte da minha frase, eu irei utilizar a
inicial minúscula. Então, veja o que eu digo.
Afirmou o quê? Afirmou algo. A educação
muda as pessoas. Como uma coisa está
complementando a outra, eu utilizo a inicial
minúscula e não a maiúscula. 
Mas vocês podem ficar bem tranquilos
quanto a isso da inicial maiúscula ou
minúscula, porque é algo que há uma certa
liberdade. Os corretores não pegam tanto no
pé quanto a isso. Mas é muito importante
que vocês saibam, porque vocês mesmos
vão eliminar essa visão, esse receio em
utilizar a maiúscula ou a minúscula, ok?
Em citações diretas: 
Eu preciso usar aspas sempre. 
O uso de inicial maiúscula
depende do caso, mas costuma
ser algo pouco cobrado pelo
corretor, pois há liberdade de usar
uma ou outra forma.
Já nas citações indiretas, não é preciso
mostrar que houve uma cópia da frase. Por
isso, nós não utilizamos as aspas, visto que
nós não escrevemos da mesma maneira que
o autor cantou, escreveu, falou. Então, não
há necessidade de utilizar as aspas.
17 Monitoria de Redação
Além disso, como a informação é integrada
ao resto do texto, não há necessidade de se
utilizar a letra maiúscula, uma vez que essa
informação vai estar ali no meio do texto. Se
essa informação iniciasse o período, nós
teríamos a letra maiúscula. Mas não há
necessidade de se utilizar a letra maiúscula,
visto que nós combinamos, lá no início dos
áudios, de utilizar sempre um conectivo para
iniciar o nosso período.
duas vírgulas. Se eu escrevo, o pensamento
marxista enfatiza a luta de classes de acordo
com Karl Marx. Eu coloco a vírgula antes do
de acordo com Karl Marx. 
Exemplos: 
Segundo Karl Marx, "a história de todas
as sociedades até agora existentes é a
história da luta de classes". 
Conforme Immanuel Kant, "o homem é
aquilo que a educação faz dele". 
De acordo com Hannah Arendt, "a
essência dos direitos humanos é o direito
a ter direitos".
Mesmo que a locução apareça no meio ou
no final da frase, a vírgula continua
obrigatória: 
A ética, conforme Aristóteles, é o
caminho para a felicidade. 
O pensamento marxista enfatiza a luta
de classes, de acordo com Karl Marx.
O segundo caso é quando eu tenho um
aposto com o nome do autor. Nesses casos,
o nome do autor não seria 100% necessário
para a compreensão do sentido da frase.
Porém, quando nós utilizamos o nome do
autor, nós trazemos uma informação a mais,
uma informação relevante, e por ser um
aposto, uma informação que não é essencial
para o sentido, nós utilizamos vírgulas antes
e depois para isolar essa informação.
Se eu digo, segundo o Capital de Karl Marx,
as relações sociais são determinadas pela
economia. Eu isolo de Karl Marx. Se eu
escrevo, conforme crítica da razão pura de
Immanuel Kant, o conhecimento resulta da
interação entre experiência e razão. Eu isolo
o de Immanuel Kant. O livro A Origem das
Espécies, de Charles Darwin, revolucionou a
biologia. Nesse caso, eu coloco as vírgulas
isolando de Charles Darwin, porque é um
aposto com o nome do autor. Então, sempre
que você disser de Karl Marx, de Manuel
Em citações indiretas: 
Não é preciso usar as aspas. 
A letra maiuscula não é usada.
Agora nós vamos aprender quando utilizar a
vírgula e quando não utilizar a vírgula em
estações diretas e indiretas. Como são vários
casos, eu vou dividir aqui e explicar cada um
deles. 
O primeiro caso é quando nós introduzimos
as citações com termos como segundo,
conforme, de acordo com. Sempre que eu
tenho essas expressões, eu preciso utilizar a
vírgula, mesmo que ela apareça no início, no
meio ou no fim da frase. Não importa o local
onde ela aparece, é necessário usar a
vírgula.
Por exemplo, se eu digo, segundo Karl Marx,
a história de todas as sociedades até agora
existentes é a história da luta de classes. Eu
preciso colocar a vírgula depois de segundo
Karl Marx. Se eu digo, conforme Manuel
Kant, vírgula, o homem é aquilo que a
educação faz dele. De acordo com Hannah
Arendt, vírgula, a essência dos direitos
humanos é o direito a ter direitos. Se eu
tenho essa informação no meio, eu também
coloco a vírgula. A ética, vírgula, conforme
Aristóteles, vírgula, é o caminho para a
felicidade. Você vê que o conforme
Aristóteles apareceu no meio e eu utilizei
18 Monitoria de Redação
Kant, de Charles Darwin, de Jamila Ribeiro,
e tiver o nome do autor, você deve utilizar as
vírgulas antes e depois. 
Quando o nome do autor aparece depois do
título da obra, ele deve ser isolado por
vírgulas.
Segundo "O capital", de Karl Marx, as
relações sociais são determinadas pela
economia. 
Conforme "Crítica da razão pura", de
Immanuel Kant, o conhecimento resulta
da interação entre experiência e razão. 
O livro "A origem das espécies", de
Charles Darwin, revolucionou a biologia.
A terceira forma é muito utilizada com
citações diretas. É quando nós utilizamos
verbos como afirma, cita, fala, explana,
demonstra. Então, eu digo, calma, fala, cita,
explana, demonstra. Eu escolho um desses
verbos e utilizo na minha frase. Nesses
casos, como nós temos um complemento
que vem logo depois, a vírgula não é
utilizada. Porque se alguém afirma, alguém
afirma algo. Se alguém cita, alguém cita algo.
Nesses casos, a vírgula não deve aparecer. 
Se eu digo: Aristóteles cita que a felicidade
consiste em viver de acordo com a virtude,
ou se eu digo Rousseau demonstra que o
homem nasce livre, mas por toda parte está
acorrentado, eu não utilizo a vírgula nem
depois do demonstra que, nem depois do
cita que, porque o que vem depois é o
complemento. Quem cita, cita algo. Quem
demonstra, demonstra algo ou demonstra
alguma coisa. Por isso, quando você utilizar
tal autor afirma, tal autor cita, tal autor fala,
tal autor explana, você não deve utilizar
vírgula em hipótese alguma.
Rousseau demonstra que "o homem
nasce livre, mas por toda parte está
acorrentado."
Agora vamos a algumas orientações finais
para não cometer nenhum deslize. Primeiro,
sempre utilize iniciais maiúsculas no nome
dos livros e dos autores. E quando eu falo
livros, eu falo livro, filme, música, qualquer
tipo de obra. No caso das obras, nós temos
duas escolhas. Ou nós utilizamos todas as
iniciais maiúsculas, ou nós utilizamos apenas
a inicial do primeiro nome. Porém, é
interessante que você respeite a sua escolha
em todo o texto. E o que é que quer dizer
isso? Se lá na sua introdução você coloca só
a primeira letra do nome do filme, maiúscula,
quando você for apresentar o livro lá no seu
desenvolvimento, você tem que colocar
apenas a primeira letra do título do livro,
maiúscula. Se você, na introdução, utiliza
todas as iniciais das palavras com letra
maiúscula, no desenvolvimento você também
tem que utilizar todas as iniciais do título da
obra com letra maiúscula também, ou seja,
ter uma coerência no seu texto.
Há duas formas de apresentar o título: 
1 - Memórias Póstumas de Brás Cubas 
2 - Memórias póstumas de Brás Cubas
O título do livro Memórias Póstumas de Brás
Cubas pode ser apresentado de duas
formas, ou com todas as letras maiúsculas
ou com a primeira letra sendo maiúscula. E
você pode me perguntar, mas Mateus, no
segundo exemplo, somente póstumas está
com letra minúsculas e o de. O de sempre
vaificar com letra minúscula, porque
preposições sempre ficam com letras
minúsculas. preposições e artigos recebem
letras minúsculas em títulos de filmes, livros
e obras, ok? Outra coisa, por que que Brás
Cubas está em letra maiúscula nos dois
termos? Porque é um nome de pessoa, é um
nome próprio. Nesse caso, por mais que
Não usamos a vírgula nesses casos:
Aristóteles cita que "a felicidade consiste
em viver de acordo com a virtude."
19 Monitoria de Redação
apenas a primeira letra, memórias, esteja
com letra maiúscula, Brás Cubas precisa ter
letras maiúsculas porque é o nome de
alguém. Então, essa regra se mantém nos
títulos. Se houver nome de pessoas, esses
nomes serão escritos com letra maiúscula.
Também é muito importante que vocês
utilizem as aspas para isolar o nome das
obras, de filmes, de livros, de músicas,
porque quando nós estamos escrevendo em
notebooks, em computadores - digitalmente
-,nós utilizamos a fonte itálica para
apresentar o título de obras. Porém, quando
nós estamos escrevendo a redação não há
como fazer a fonte itálica E até se você
tentasse ficaria um pouco estranho. Então é
interessante que você utilize as aspas para
isolar, já que nós não temos essa
possibilidade do itálico em um texto
manuscrito e para substituir nós utilizamos
as aspas 
Chegamos ao fim do nosso capítulo. Eu
espero que você revise as regras que foram
pontuadas aqui. Porque, uma vez que você
aprende todas essas regras, você não terá
mais dúvidas na hora de escrever. Então, já
sei que preciso usar aspa nesse caso, letra
maiúscula, a vírgula, e você já vai eliminar
diversos erros que eu vejo muitos alunos
cometendo.
20 Monitoria de Redação
Capítulo 3
COMO UTILIZAR A CRASE
O que é crase?
Crase é o nome do fenômeno da junção de
duas letras na língua portuguesa, e essa
junção ocorre apenas com a letra “A”. 
Geralmente nós chamamos o acento de
crase, mas crase é o nome do fenômeno. 
Acento grave é o nome do acento para a
esquerda que nós utilizamos para simbolizar
que houve essa junção de duas letras “A”.
Contudo, não há nenhum problema se você
confundir esses conceitos e chamar o acento
de crase também. Para simplificar a nossa
vida, eu vou chamar tudo de crase a partir de
agora. 
Esse assunto demanda que você conheça as
classes de palavras muito bem, porque, do
contrário, você não conseguirá acompanhar
bem a minha explicação. Por essa razão,
vamos fazer uma breve revisão sobre o que
é um: artigo, preposição, substantivo e verbo.
estudei, eu estudarei, eu estudava, se eu
estudasse.
CLASSES DE PALAVRAS
Verbo
Em outra monitoria, eu já falei para vocês
que verbo é uma palavra que expressa uma
ação, estado ou fenômeno da natureza.
Todavia, a melhor forma de identificar um
verbo é percebendo que esse tipo de palavra
pode ser conjugada, ou seja, pode ser
modificada usando os diferentes tempos,
modos e pessoas verbais.
Exemplo: Estudar → eu estudo, tu estudas,
ele estuda, nós estudamos. Eu estudaria, eu
Preposição
Essa é a classe das palavras que ligam uma
palavra à outra. Por exemplo, se eu digo: 
Exemplo: Maria gosta ___ canetas.
Eu não consigo entender muito bem qual a
ligação entre Maria e as canetas, pois quem
gosta, gosta DE algo, DE alguma coisa.
Então, eu preciso desse “DE” na minha frase.
O que é esse termo? Uma preposição, uma
palavra que liga outras palavras.
Exemplos: a, ante, com, desde, para,
perante_, até, contra, sobre.
No nosso estudo de crase, nós iremos focar
na letra “A” que funciona como preposição.
Há verbos que pedem essa preposição.
Exemplos: obedecer (a alguém), referir-
se (a algo/ a alguém), responder (a algo/
a alguém).
Artigo
São palavras que aparecem antes de
substantivos 
Exemplos: As meninas, as crianças, os
coelhos, a flor, um homem, uma mulher.
Substantivo
São palavras que dão nomes a coisas.
Geralmente há artigos antes desses nomes. 
Exemplos: menino, bola, casa, coelho
Agora que nós já estamos familiarizados com
os termos técnicos, vamos aprender o motivo
de usarmos a crase. 
A primeira coisa que nós precisamos
compreender é que as preposições, na
21 Monitoria de Redação
língua portuguesa, unem-se aos artigos.
Vejamos alguns exemplos:
Você não fala: 
Esse é o presente de a Maria. 
A festa será em a cidade. 
Eu vou a o mercado
Você fala assim: 
Esse é o presente da Maria. 
A festa será na cidade. 
Eu vou ao mercado.
Até aqui parece tudo muito óbvio, é claro que
as preposições estão sempre juntas aos
artigos quando eles aparecem nas frases.
Porém, o questionamento começa a existir
quando a preposição que aparece é igual ao
artigo que vem depois. 
Por exemplo, o verbo “ir” pede sempre uma
preposição “A”. Quem vai, vai “A” algum
lugar. Porém, se o local que você vai tiver o
nome feminino, sempre haverá um artigo
feminino antes dele “a praia, a piscina, a
igreja, a escola”. Como eu conseguirei juntar
as duas preposições se elas são iguais?
Não faria nenhum sentido duplicar essas
palavras (vou a a igreja) ou colocar apenas
um a, porque o outro se perderia (vou a
igreja). Assim, qual foi a forma que os
gramáticos inventaram de mostrar que
naquele momento um único “A” significa
dois? Um acento. 
Agora você já entendeu. Nós usamos o
acento indicativo de crase apenas para
mostrar que há duas letras “A” juntas, uma
delas é uma preposição e a outra geralmente
é um artigo. 
Então guarde essa ideia no seu coração:
Só há crase se houver a junção de
duas letras “A”. Se não houver
DUAS letras “A” se juntando, eu não
uso a crase.
Agora nós já entendemos a base de crase,
por isso, vamos entrar nos casos mais
específicos, há momentos em que o uso da
crase é obrigatório, proibido e facultativo. Nós
veremos pelo menos um exemplo de cada
um.
USOS OBRIGATÓRIOS
DA CRASE
Diante de palavras femininas
A primeira coisa necessária, nesse caso, é
um verbo ou um nome que exija a
preposição A. 
Aqui vai uma lista dos que mais aparecem na
redação:
Acesso a / Atenção a / Combate a /
Análogo a / Semelhante a / Referência
a / Relacionado a / Próximo a / Direito
a / Fomento a 
Assistir a (ver) / Referir-se a /
Responder a / Comparar a / Chegar a
/ Dirigir-se a / Pertencer a / Recorrer a
/ Dedicar-se a / Visar a (ter como
objetivo
Depois, precisamos de um substantivo que
possua o artigo “A” antes dele. Exemplos:
A saúde, a educação, a sociedade, a
população, a problemática, a
realidade.
22 Monitoria de Redação
Exemplos de uso de crase:
À disposição - Estou à disposição
para fazer o serviço. 
À vista - A decisão foi tomada à
vista dos fatos apresentados
O acesso à educação é precário
no Brasil. 
O combate à criminalidade não
tem sido efetivo. 
Deve-se melhorar a saúde,
visando à qualidade de vida da
população
Em locuções prepositivas
Em locuções prepositivas femininas iniciadas
pela letra “A”, o uso da crase é sempre
obrigatório. 
Uma locução prepositiva é uma junção de
duas palavras ou mais que fazem o papel de
uma preposição. Geralmente, esses termos
possuem uma preposição.
Exemplos:
À medida que - A situação piora à
medida que o tempo passa. 
À espera de - Ela estava à espera
de uma resposta. 
À frente de - Ele ficou à frente da
fila.
Em locuções adverbiais
Em locuções adverbiais femininas iniciadas
pela letra “A”, o uso da crase é sempre
obrigatório. 
Locução adverbial é um conjunto de duas
ou mais palavras que fazem o papel de um
advérbio.
Exemplos:
À tarde - À tarde, estudaremos o
conteúdo. 
À noite - Chegou à noite, depois
de muito trabalho.
Com os pronomes “aquele,
aquela, aquilo”
Esses pronomes demonstrativos iniciados
pela letra “A” também podem receber a
crase. 
Exemplos:
Refiro-me àquela situação. 
Ele se dirigiu àquele evento. 
Ela não obedeceu àquilo que
estava descrito na lei.
Com o pronome relativo “a
qual”
Esse pronome relativo também pode ser
usado com o acento indicativo de crase se
ele estiver retomando a ideia de um verbo
que rege a preposição “A” 
Exemplos:
Os temas abordados nas aulas
são questões às quais devemos
dar atenção. 
Aquela é a lei à qual estamos
sujeitos.
Diante de horários
Esse é um uso que não ocorrena redação,
mas sempre deve ser usado no dia a dia.
Antes dos horários use a crase. 
Exemplos:
23 Monitoria de Redação
O encontro será às 14h. 
Assistirei à aula às 9h. 
Cheguei às 8h em ponto.
Diante de nomes de lugares
Há algumas cidades, estados e países que
admitem o artigo feminino antes de seus
nomes. Nesses casos, a crase deve ser
usada. 
Exemplos:
Cheguei à França 
Vou à Bahia
Diante das palavras “casa” e
“terra” determinadas
Esse é mais um caso que pode não ser
usado no Enem, mas que aparecerá na sua
vida. A regra é a seguinte: apesar de as
palavras “casa” e “terra” serem femininas, o
uso da crase só ocorre se elas estiverem
determinadas. 
Não pode ser qualquer casa, tampouco
qualquer terra, é preciso que elas sejam
especificadas.
Exemplos:
Cheguei a casa. 
Cheguei à casa dos meus pais. 
Os marinheiros retornaram a terra
depois de meses no mar. 
Fui à terra dos meus avós.
Por que isso acontece? Porque o artigo
determina coisas. 
Artigos definidos só aparecem antes de
coisas que também são definidas e
específicas.
USOS PROIBIDOS DA CRASE
Antes de palavras masculinas
A primeira regra que nós aprendemos foi que
só há o uso da crase antes de palavras
femininas que aceitam o artigo feminino. É
por esse mesmo motivo que nós não usamos
a crase antes de palavras masculinas.
Simplesmente não há artigo feminino. 
Exemplos:
As pessoas precisam de acesso
ao conhecimento. 
O pedido está a caminho. 
A Constituição garante o direito ao
meio ambiente saudável.
Antes de verbos
Antes de verbos nós não usamos a crase,
porque não há artigos antes de verbos. Os
artigos só são usados antes de substantivos.
Exemplos:
Ele começou a estudar. 
Eles foram convidados a palestrar
na escola.
Antes de alguns tipos de
pronomes
Antes de pronomes pessoais, indefinidos,
demonstrativos (como esse e essa) e em
alguns de tratamento, não há artigos, por
isso, nós não usamos a crase. 
Exemplos:
A saúde está um caos, porque o
direito a ela é frágil. 
Fiz alusão a alguma ideia. 
Dirigi-me a você com educação.
24 Monitoria de Redação
Entreguei a carta a vossa
senhoria 
A problemática está relacionada a
essa realidade
Antes de artigos indefinidos
Com os artigos indefinidos (um, uma, uns,
umas) nós não usamos a crase porque não
há como usar dois artigos ao mesmo tempo,
ou você usa o artigo definido feminino (a), ou
você usa o artigo indefinido. 
Exemplos:
Direito a uma moradia segura. 
Acesso a uma alimentação
saudável.
Exemplos:
dia a dia 
ano a ano 
mês a mês 
cara a cara.
Antes de substantivos no plural
acompanhados apenas pela
preposição
Nós sabemos que, para existirem artigos, é
preciso que haja uma concordância entre o
artigo e o substantivo.
Por exemplo:
Você viu a árvores bonitas?
(claramente há um erro de
concordância, pois o artigo deveria
estar no plural “as árvores”)
Eu também poderia escrever “você viu
árvores bonitas”. Nesse caso, a ausência do
artigo em nada afetaria a concordância da
frase. 
Logo, se o artigo aparece, ele precisa
obrigatoriamente concordar com o
substantivo.
Nesse exemplo:
Eu dei um presente a crianças.
Depois de preposições
Aqui a regra é parecida com a de cima. Se
não há como usar dois artigos juntos,
também não dá para usar duas preposições
ao mesmo tempo. Logo, se eu tenho uma
preposição diferente de “A” antes do artigo
“A”, isso quer dizer que a preposição já foi
usada e que a crase não ocorrerá.
Eu posso falar:
Eu vou à escola 
 OU 
Eu vou para a escola.
No segundo caso, não há a crase porque
não há junção da preposição “A” com o
artigo “A”, visto que a preposição usada é o
“PARA”.
Em palavras repetidas
Em palavras repetidas, não devemos usar a
crase, visto que o que aparece, nesses
casos, é apenas a preposição que liga uma
palavra à outra.
Não há o uso da crase, porque não há artigo
antes de “crianças”, pois, para haver artigo, a
frase deveria ser escrita assim “Eu dei um
presente às crianças”. 
Dessa explicação, nós conseguimos tirar
uma regra: só haverá crase quando o artigo
e o substantivo concordarem.
Exemplos:
25 Monitoria de Redação
Há um grande combate às
doenças (plural e plural - crase) 
Há um grande combate à doença
(singular e singular - crase) 
Há um grande combate a doenças
(singular e plural “não concordam”
- sem uso da crase)
uma preposição. Acredito que a maioria das
pessoas concorda com os gramáticos que
defendem que a crase não deve ser usada,
mas qualquer uma das formas é aceita.
Exemplos:
Vou até a faculdade / vou até à
faculdade 
Fui até a loja de manhã / Fui até à
loja de manhã.
USOS FACULTATIVOS
DA CRASE
Pronomes possessivos
Esses pronomes indicam a ideia de posse
“meu, minha, seu, sua, nosso, nossa, vosso,
vossa” 
Exemplos:
Nos casos facultativos, as duas formas são
aceitas (com a crase e sem a crase)
Ela foi à minha casa ontem. / Ela
foi a minha casa ontem 
Ele se dirigiu à nossa escola. / Ele
se dirigiu a nossa escola.
Nomes próprios femininos
Nomes próprios são nomes de pessoas:
Maria, Joana, Júlia, Amália.
Exemplos:
Respondi a Maria / respondi à
Maria 
Estive atento a Joana / Estive
atento à Joana
Preposição até
Uma parte dos gramáticos fala que o uso da
crase pode ser feito por “até a” ser uma
locução prepositiva, mas outra parte defende
que não se deve usar a crase por “até” ser
TRANSCRIÇÃO
DA MONITORIA
Primeira coisa que precisamos entender:
o que é crase? 
A palavra vem do grego crasis, que significa
fusão. Na língua portuguesa, quando falamos
que houve crase, estamos nos referindo a
um fenômeno de junção de duas letras,
geralmente dois as. Ou seja, quando junto
um a com outro a, ocorre essa fusão,
chamada de crase.
Para sinalizar que houve essa junção,
utilizamos um acento, chamado acento
grave. Então, tecnicamente, quando alguém
diz "faltou uma crase" referindo-se ao acento,
está cometendo um erro. O correto seria
dizer "faltou um acento grave". Mas, na
prática, quase ninguém usa esse termo,
apenas os corretores. No dia a dia, todo
mundo fala simplesmente "crase", e é assim
que nós também vamos tratar aqui.
Então, quando eu disser "falta uma crase" ou
"não devemos usar a crase", você já sabe:
estou me referindo ao acento grave –
aquele voltado para a esquerda ( à ). O outro,
voltado para a direita ( á ), é o acento
agudo. O fenômeno em si, a fusão dos dois
as, é o que chamamos de crase.
26 Monitoria de Redação
Note que o de tem justamente essa função
de ligar as palavras e dar sentido à frase. 
Outro exemplo: se eu digo boneco Maria, a
frase não faz sentido. Mas, se eu disser
boneco de Maria, agora sim há sentido.
Algumas preposições comuns são: com,
para, perante, até, contra. O próprio a
também pode ser uma preposição, e é
exatamente nela que focaremos, pois tem
um papel essencial na crase.
Para que nós tenhamos um completo
conhecimento sobre o uso da crase, é
preciso que vocês tenham em mente
algumas classes de palavras: o que é um
verbo, o que é uma preposição, o que é um
substantivo e o que é um artigo. Veremos
cada um deles a seguir.
CLASSES DE PALAVRAS
O verbo
Como eu já falei em outras monitorias, o
verbo é uma palavra que expressa ação,
estado, mudança de estado ou fenômeno da
natureza. A única forma de identificar bem
um verbo é saber que essa palavra pode ser
conjugada. Assim, posso utilizar esse verbo
no passado, no futuro, no presente e nos
diferentes modos e pessoas verbais. 
Por exemplo, o verbo estudar pode ser
conjugado de diversas formas:
Eu estudo, tu estudas, ele estuda,
nós estudamos, vós estudais, eles
estudam. 
Eu estudarei, tu estudarás, ele
estudará, nós estudaremos, vós
estudareis, eles estudarão. 
Eu estudei, tu estudaste, ele
estudou, nós estudamos, vós
estudastes, eles estudaram.
A preposição
Quando falamos de preposição, estamos nos
referindo a uma palavra que tem a função de
ligar uma palavra à outra. Por exemplo, se eu
digo:
Maria gosta livro. Você pode
pensar: "Maria gosta livro? Como
assim?" Sabemos que quem
gosta, gosta de alguma coisa.
Então, o correto seria dizer: Maria
gosta de livros.
O substantivo
Os substantivos sãopalavras que dão nome
aos seres, objetos, sentimentos, entre outros.
Alguns exemplos de substantivos são:
garrafa, caneta, lápis, caderno, celular. 
Antes dos substantivos, podemos ter
artigos, que servem para especificá-los. Por
exemplo:
Caderno ou o caderno 
Professora ou a professora 
Garrafa ou a garrafa
Os artigos definidos, como o e a, aparecem
apenas antes de substantivos. E é
justamente na fusão entre a preposição a e o
artigo a que ocorre a crase. 
Agora que vocês já conhecem essas classes
de palavras, podemos avançar para entender
melhor o uso correto da crase!
Para compreendermos completamente o uso
da crase, precisamos entender um conceito
fundamental: na língua portuguesa,
preposições frequentemente se juntam a
artigos. Esse processo ocorre de maneira tão
natural que, muitas vezes, não percebemos. 
Por exemplo, qual das frases está correta:
"Esse é o brinquedo de a menina" ou "Esse
é o brinquedo da menina"? Naturalmente, a
27 Monitoria de Redação
Nomes que pedem a preposição "a":segunda opção soa correta, pois ocorre a
fusão da preposição "de" com o artigo "a",
formando "da". O mesmo acontece com
outras preposições, como "em" + "a" = "na":
"A festa será na cidade" (e não "em a
cidade").
Agora, observe a seguinte construção: "Eu
vou ao mercado". O verbo "ir" exige a
preposição "a". Como "mercado" é um
substantivo masculino precedido pelo artigo
"o", ocorre a fusão "a" + "o" = "ao". Mas e se
substituíssemos "mercado" por "praia"?
Teríamos "Eu vou a a praia", o que soa
estranho. Para resolver essa questão, foi
adotado o acento grave, resultando em "Vou
à praia". Esse acento indica a fusão entre a
preposição "a" e o artigo "a". 
Assim, sempre que houver crase, haverá a
presença da preposição "a" combinada com
um outro "a", geralmente um artigo.
Entretanto, essa fusão nem sempre ocorre
com um artigo; outros casos serão
abordados posteriormente. Por ora, o
essencial é compreender que o acento grave
indica a existência de duas letras "a" unidas.
Com esse conceito bem entendido, dominar
a crase torna-se muito mais fácil. Essa é a
regra fundamental: a crase ocorre quando há
a fusão entre a preposição "a" e um "a"
subsequente. Se essa noção estiver clara, os
demais casos serão simples de assimilar.
Agora, veremos exemplos para identificar
quando usar a crase, quando evitá-la e em
quais situações seu uso é facultativo.
Acesso a algo 
Atenção a algo 
Combate a algo 
Análogo a algo 
Semelhante a algo 
Referência a algo 
Relacionado a algo 
Próximo a algo 
Direito a algo 
Fomento a algo
NOMES FEMININOS
O uso mais básico da crase acontece
quando temos nomes ou verbos que pedem
a preposição "a", ou seja, que regem essa
preposição. Separei aqui alguns exemplos de
nomes e verbos que mais aparecem nas
redações, para você não precisar se
preocupar.
Verbos que pedem a preposição "a":
Assistir a algo (quando o sentido é
ver). Exemplo: assistir às aulas 
Referir-se a algo 
Responder a algo (ou a algum
chamado) 
Comparar a algo 
Chegar a algum lugar (não "chegar
em") 
Dirigir-se a alguém 
Pertencer a algum grupo 
Recorrer a alguém 
Dedicar-se a algo 
Visar a algo (com o sentido de ter
como objetivo)
Por exemplo, na frase "visando à melhoria
desse cenário", temos o uso da crase. 
Agora, sabemos que não é necessário
apenas ter o verbo que pede a preposição
"a", mas também é necessário que o termo
que vem depois, o substantivo, tenha o
artigo "a". Selecionei aqui os substantivos
mais comuns nas redações que exigem o
artigo a.
Substantivos que pedem a preposição
"a":
A saúde 
A educação 
28 Monitoria de Redação
Quando a gente tem essa combinação – um
verbo ou nome que pede a preposição "a" e
um substantivo que aceita o artigo "a" – o
uso da crase é obrigatório.
Exemplos:
Você pode perceber que todas essas
locuções começam com a letra A e têm uma
preposição ali no meio. Importante: nesses
casos, o acento indicativo de crase não
ocorre porque um verbo pede essa
preposição, nem porque temos um artigo
antes. A crase acontece simplesmente como
um acento diferencial.
Exemplos:
A locução prepositiva "à vista de" 
Se eu dissesse "a vista daqui de
cima é linda", não teria crase,
porque estou me referindo à visão,
ou seja, não há crase. 
Porém, se eu digo "a solução ficou
clara, “à vista de todos", aí
existe crase, porque estou
falando da maneira como a
solução ficou visível para todos.
A sociedade 
A população 
A problemática 
A realidade
"O acesso à educação é precário
no Brasil." 
"O combate à criminalidade não
tem sido efetivo."
Aqui, a gente tem um verbo ou nome que
pede a preposição "a" e, depois, um
substantivo feminino que aceita o artigo "a"
LOCUÇÕES PREPOSITIVAS
Outro caso em que usamos a crase é
quando temos uma locução prepositiva
feminina que começa com a letra A. Mas, o
que é uma locução prepositiva?
Locução prepositiva é quando temos a
junção de duas ou mais palavras que juntas
desempenham o papel de uma preposição.
Geralmente, elas terminam em "de" ou "que". 
Aqui estão alguns exemplos de locuções
prepositivas que são mais recorrentes nas
redações:
À medida que 
À espera de 
À frente de 
À custa de 
À moda de 
À parte de 
À semelhança de 
À procura de
Outros exemplos:
"A medida tirada foi de 10
centímetros" – Nesse caso, não há
crase, pois estou falando da
medida em si. 
Já em "A situação piora à medida
que o tempo passa", aqui temos
crase porque estou falando de um
processo gradual, um acento
diferencial.
LOCUÇÕES ADVERBIAIS
Há também o uso da crase em locuções
adverbiais. Mas, o que é uma locução
adverbial? 
Locução adverbial é a junção de duas
palavras que desempenham a função de um
advérbio. E, como sabemos, o advérbio
expressa o modo, a maneira como algo
ocorre.
29 Monitoria de Redação
Aqui estão as locuções adverbiais mais
recorrentes na redação:
Então, por que usamos a crase? Usamos
para diferenciar uma expressão da outra.
Exemplos:
"A procura foi sem sucesso" –
Sem crase, porque estou me
referindo ao substantivo "procura",
e não à maneira como algo
acontece. 
"Foram à procura de soluções
para o problema" – Com crase,
pois estou falando da maneira
como as pessoas se encontram
em busca de soluções.
À tarde 
À noite 
À disposição 
À vista 
À direita 
À esquerda 
À moda 
À procura 
À beira
Por exemplo, quando escrevemos "estamos
à disposição", estou falando sobre a
maneira como eu me encontro, e não do
substantivo "disposição". Por isso, usamos a
crase. 
Portanto, sempre que eu falar sobre a
maneira ou o modo como algo acontece, a
crase será utilizada.
Exemplo:
"Vire à esquerda" – Aqui, "à
esquerda" indica a forma como
devo virar. Crase é necessária,
pois estamos falando do modo de
virar para a esquerda.
COM OS PRONOMES
“AQUELE, AQUELA E AQUILO”
Vocês devem lembrar que não é apenas o
artigo que se junta à preposição. Pronomes
demonstrativos como aquele, aquela, aquilo
também se juntam à preposição a,
originando o acento indicativo de crase. A
razão para isso é simples: como aquele,
aquela e aquilo começam com a letra a, não
faz sentido dizer "me refiro a aquela
situação". O correto é dizer "me refiro àquela
situação", com o acento da crase. Da mesma
forma, em frases como "Ele se dirigiu àquele
evento" e "Ele não obedeceu aquilo que
estava descrito na lei", o uso da crase é
necessário para garantir a correção da
estrutura.
Essas locuções recebem a crase porque
começam com A e são seguidas de
palavras femininas.
Exemplos:
"O carro está a caminho." – Sem
crase, porque "caminho" é uma
palavra masculina. 
"Eu estou à procura." – Com
crase, porque "procura" é uma
palavra feminina.
COM O PRONOME “A QUAL”
Vocês devem lembrar que não é apenas o
artigo que se junta à preposição. Pronomes
demonstrativos como aquele, aquela, aquilo
também se juntam à preposição a,
originando o acento indicativo de crase. A
razão para isso é simples: como aquele,
aquela e aquilo começam com a letra a, não
faz sentido dizer "me refiro a aquela 
30 Monitoria de Redação
"Vou à Bahia, volto da Bahia." 
"Vou a Pernambuco, volto de
Pernambuco." (Sem crase, pois
"Pernambuco"não admite artigo
feminino.)
Sempre que tivermos o nome de uma cidade
feminina, utilizaremos a crase nas
construções "cheguei a", "voltei a" e "vou a".
COM AS PALAVRAS “CASA” E
“TERRA” DETERMINADAS
No último caso de uso obrigatório da crase,
encontramos as palavras "casa" e "terra",
desde que estejam determinadas. 
Como saber se estão determinadas? Se
houver um complemento posterior. Se eu
digo apenas "cheguei a casa", surge a
pergunta: que casa? A casa de quem? Se
não há complemento, a palavra fica
indeterminada, e a crase não se aplica. 
O artigo determinado, como o próprio nome
sugere, especifica algo. Por isso, a crase
aparece somente quando há essa
especificidade. Veja os exemplos:
Exemplo:
situação". O correto é dizer "me refiro àquela
situação", com o acento da crase. Da mesma
forma, em frases como "Ele se dirigiu àquele
evento" e "Ele não obedeceu aquilo que
estava descrito na lei", o uso da crase é
necessário para garantir a correção da
estrutura.
COM HORÁRIOS
A crase não ocorre por causa de um verbo
ou substantivo, mas sim por uma regra
gramatical. Sempre que falamos sobre horas
ou horários, devemos utilizar a crase. Por
exemplo: "O encontro será às duas horas."
Nesse caso, usamos a crase no às duas
horas. Outro exemplo: "Eu assistirei à aula às
nove horas." Portanto, expressões como às
duas horas, às três horas, às quatro horas,
às oito horas, sempre exigem o uso da
crase. Isso acontece para diferenciar o às do
simples as.
COM O NOME DE LUGARES
Nós vamos para a regra que todo mundo
sabe, a tal do "vou a, volto da, crase há. Vou
a, volto de, crase para quê?" Quando
estamos diante de nomes de países que
admitem o artigo feminino, devemos utilizar a
crase. 
Se eu digo "cheguei ao Brasil", não há crase
porque "Brasil" é um nome de país
masculino. Já em "cheguei à França", ocorre
a crase porque "França" é um nome de país
feminino. E como identificar se um país é
feminino? Basta verificar a preposição usada
ao retornar: "volto de França" ou "volto da
França"? Se for "volto da", significa que há
um artigo feminino e, portanto, a crase deve
ser usada.
Exemplos:
"Cheguei à casa dos meus pais."
(Crase obrigatória, pois a casa
está determinada.) 
"Fui à terra dos meus avós."
(Crase obrigatória, pois a terra
está determinada.) 
"Os marinheiros retornam a terra
depois de meses no mar." (Sem
especificação, e sem crase)
O artigo sempre indica algo que já
conhecemos. Compare:
31 Monitoria de Redação
Por exemplo:
Portanto, a presença do artigo feminino
antes de "casa" e "terra" determina a
necessidade do uso da crase.
USOS PROIBIDOS
Agora falaremos dos casos em que a crase é
proibida. Não invente de colocá-la nesses
contextos, pois isso seria um erro grave.
"O seu pedido está a caminho."
(Sem crase, pois "caminho" é
masculino.) 
"As pessoas precisam de acesso
ao conhecimento." (Sem crase,
pois "conhecimento" é masculino.) 
"A Constituição garante o direito
ao meio ambiente saudável." (Sem
crase, pois "meio ambiente" é
masculino.
"Eu vi a árvore." (Árvore
específica.) 
"Eu vi árvores." (Árvores em geral,
sem especificação.)
Antes de palavras masculinas
Não se usa crase antes de palavras
masculinas. Mas por quê? Porque a fusão da
preposição "a" com o artigo "a" só ocorre
diante de substantivos femininos. Se a
palavra é masculina, o artigo correspondente
será "o", impossibilitando a crase.
Exemplo:
Antes de verbos
A crase nunca deve ser usada antes de
verbos. Isso porque não há artigos antes de
verbos na língua portuguesa, apenas
preposição. O aluno pode se confundir ao
perceber que o verbo anterior exige a
preposição "a", mas deve lembrar que os
verbos não admitem artigos.
"Eles foram convidados a fazer
alguma coisa." (Sem crase, pois
"fazer" é verbo.) 
"Eles foram convidados a
participar do evento." (Sem crase,
pois "participar" é verbo.)
Se houver dúvida, basta lembrar que verbos
terminados em "-r" indicam ação, e antes
deles não há artigo feminino, apenas
preposição. Portanto, a fusão com o artigo
feminino não acontece, tornando a crase
impossível.
Antes de pronomes
A crase não ocorre antes de alguns
pronomes, pois esses não aceitam artigo
feminino antes deles. Vamos analisar os
casos específicos:
a) Pronomes pessoais 
Os pronomes pessoais (eu, tu, ele, ela, nós,
vós, eles, elas) não aceitam artigo antes
deles, então não há crase.
"Entreguei o presente a ela." (Sem
crase, pois "ela" não admite
artigo.) 
"Disse a ele para aguardar." (Sem
crase, pois "ele" não admite
artigo.)
b) Pronomes indefinidos 
Os pronomes indefinidos, por sua própria
natureza, não aceitam artigo, pois são
indefinidos. O artigo serve para definir algo,
então a fusão da preposição "a" com o artigo
"a" não ocorre.
32 Monitoria de Redação
"Dirigi-me à senhora." (Com crase,
pois "senhora" admite artigo.) 
"Entreguei a carta à senhorita."
(Com crase, pois "senhorita"
admite artigo.) 
"Prestei homenagem à dona do
prédio." (Com crase, pois "dona"
admite artigo.) 
"Fiz o pedido a vossa senhoria."
(Sem crase, pois "vossa senhoria"
não admite artigo.)
"Falei a você sobre isso." (Sem
crase, pois "você" não admite
artigo.)
"Não falei a nenhuma pessoa
sobre o assunto." (Sem crase, pois
"nenhuma" é indefinido.) 
"Referiu-se a qualquer um que
estivesse presente." (Sem crase,
pois "qualquer" é indefinido.)
entanto, quando o substantivo é precedido
de um artigo indefinido (um, uma, uns,
umas), a crase não ocorre, pois não é
possível utilizar dois artigos antes de um
mesmo substantivo.
Correto: Essa é uma árvore. 
Correto: Essa é a árvore. 
Incorreto: Essa é a uma árvore.
(Uso indevido de dois artigos)
c) Pronomes de tratamento 
Alguns pronomes de tratamento aceitam a
crase, enquanto outros não.
d) Pronomes demonstrativos 
Os pronomes demonstrativos "esse, essa,
este, esta" e variações não admitem artigo
antes deles, então a crase não ocorre.
"A problemática está relacionada a
essa realidade." (Sem crase, pois
"essa" não admite artigo.) 
"A explicação se refere a este
caso." (Sem crase, pois "este" não
admite artigo.)
A crase ocorre quando há a fusão da
preposição "a" com o artigo definido "a". No
Portanto, antes de uma, um, umas, uns,
nunca há crase:
Direito a uma moradia digna. (Sem
crase, pois "uma" é artigo
indefinido) 
Direito à moradia digna. (Com
crase, pois "a moradia" é
substantivo com artigo definido) 
Acesso a um alimento. (Sem
crase, pois "um" é artigo
indefinido) 
Acesso ao alimento. (Com junção
da preposição "a" + artigo "o") 
Refiro-me a umas pessoas. (Sem
crase, pois "umas" é artigo
indefinido) 
Refiro-me às pessoas. (Com
crase, pois "as" é artigo definido)
A crase também não ocorre quando a
regência do verbo ou do nome exige uma
preposição diferente de "a". Isso acontece
porque, em uma construção, não se pode
usar duas preposições juntas.
Vou ao mercado. (Preposição "a" +
artigo "o") 
Vou para o mercado. (Preposição
"para" substitui "a") 
Vou para a escola. (Sem crase,
pois a preposição usada é "para")
Artigos indefinidos e a
impossibilidade da crase
Crase e preposições
33 Monitoria de Redação
Vou à escola. (Com crase, pois "a"
é a preposição e "a" é artigo
definido)
CASOS FACULTATIVOS
Definição: Casos facultativos significam que
você pode optar por uma forma ou outra, e
ambas estarão corretas. A chave aqui é que
a escolha é sua, mas é importante manter a
consistência ao longo do texto. Se escolher
uma forma, use-a sempre da mesma
maneira.
Nunca ocorre crase entre palavras repetidas,
pois, nesses casos, o "a" funciona apenas
como preposição, sem a presença de artigo.
Dia a dia 
Ano a ano 
Mês a mês 
Cara a cara
Para que a crase ocorra, é necessário que o
artigo definido concorde em gênero e
número com o substantivo.
Dei um presente a crianças. (Sem
crase, pois "a" está no singular e
"crianças" no plural, indicando
apenas preposição) 
Dei um presente às crianças.
(Com crase, pois "as" concorda
com "crianças") 
Dei um presente à criança. (Com
crase, pois "a criança" tem artigo
definido no singular)
Dica prática: antes de colocar a crase,
observe se o substantivo seguinte

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