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Carboidratos, classificação, reações enzimáticas e glicemia Apresentação Quantitativamente, os nutrientes mais importantes são os carboidratos, uma vez que estes fornecem a maior parte da energia utilizada pelo nosso corpo. Os carboidratos têm como principal função fornecer energia às células e aos tecidos como hemácias, nervos, cérebro e músculos. Eles são sintetizados pelas plantas e estão presentes em uma variedade de alimentos como cereais, frutas, vegetais, leguminosas, mel, mas também podem estar presentes em alimentos de origem animal como o leite e alguns de seus derivados. Após a digestão, os carboidratos são absorvidos pelo organismo principalmente sob a forma de glicose. Dependendo do tipo de carboidrato consumido, os níveis de açúcar no sangue podem aumentar de forma mais lenta ou mais rápida. Portanto, para o planejamento de dietas e um melhor controle dos níveis de glicose no sangue, principalmente para pacientes diabéticos, são utilizados o índice glicêmico e a carga glicêmica. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai classificar os diversos tipos de carboidratos. Além disso, vai descrever as principais reações enzimáticas envolvidas na sua digestão e metabolização. Por fim, vai compreender a importância dos aspectos bioquímicos relacionados ao índice glicêmico e da carga glicêmica. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Caracterizar os carboidratos e diferenciar suas classes. • Identificar as principais reações enzimáticas envolvidas na metabolização de monossacarídios, oligossacarídios e polissacarídios. • Relacionar os aspectos bioquímicos da digestão de carboidratos ao índice glicêmico e à carga glicêmica. • Desafio Em 1981, Jenkins e seus colegas criaram um sistema de classificação dos carboidratos por meio da resposta glicêmica produzida após o seu consumo, o índice glicêmico. Diferentes tipos de carboidratos levam a diferentes respostas glicêmicas, e o índice glicêmico é um sistema que verifica a resposta glicêmica a uma quantidade fixa de carboidrato (50g), em comparação a um alimento padrão (que pode ser a glicose ou o pão branco). Já a carga glicêmica mede o grau da resposta glicêmica e insulínica resultante da ingestão de uma porção definida de um alimento em particular. Essa medida reflete tanto a qualidade como a quantidade dos carboidratos na dieta, portanto é uma ferramenta mais completa que o índice glicêmico. Analise o caso a seguir: Agora calcule a carga glicêmica dos alimentos descritos e monte um café da manhã para o seu paciente com carga glicêmica de no máximo 20g. Infográfico Os carboidratos são provavelmente as substâncias orgânicas mais abundantes e disseminadas na natureza e são constituintes essenciais de todos os seres vivos. Eles são formados por plantas a partir de dióxido de carbono e água durante o processo de fotossíntese. Podem ser classificados de acordo com a sua forma química e unidades de glicose na molécula ou de acordo com a sua digestibilidade no intestino delgado. Os carboidratos estão presentes em uma grande variedade de alimentos e servem como fontes de energia e como componentes estruturais essenciais nos organismos. Neste Infográfico você vai ver a classificação, as fontes alimentares e as funções dos carboidratos. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/f18d52ad-158b-4602-99b5-80859ea11679/6a7c34a7-a67c-4d9c-b286-d82c14308d8b.jpg Conteúdo do livro Os carboidratos são uma importante fonte de energia na dieta e incluem uma gama de compostos contendo carbono, hidrogênio e oxigênio. A classificação primária de carboidratos é baseada no número de unidades de glicose na molécula como monossacarídios (uma unidade), dissacarídios (duas unidades), oligossacarídios (três a nove unidades) e polissacarídeos (acima de 10 a milhares de unidades). As fontes dietéticas de carboidratos estão amplamente distribuídas entre vários alimentos de origem vegetal e animal, como frutas, vegetais, mel, cereais, leite e produtos lácteos. Após a digestão dos di, oligo e polissacarídios presentes nesses alimentos, ocorre a quebra destes em monossacarídios, que são absorvidos e utilizados pelo corpo para fornecer energia ao cérebro, aos músculos, às hemácias, à medula e a muitas outras células. Duas ferramentas importantes utilizadas no planejamento de dietas são o índice glicêmico e a carga glicêmica, que fornecem uma visão quantitativa e qualitativa de alimentos que contêm carboidratos. Essas ferramentas são utilizadas para promover uma melhor gestão do açúcar no sangue e prevenir doenças como obesidade e diabetes melittus tipo II. No capítulo Carboidratos, classificação, reações enzimáticas e glicemia, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai reconhecer os carboidratos e suas respectivas classes. Vai identificar as principais reações enzimáticas envolvidas na sua metabolização. Por fim, vai relacionar o índice glicêmico e a carga glicêmica com os aspectos bioquímicos da digestão de carboidratos. Boa leitura. BIOQUÍMICA DA NUTRIÇÃO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Caracterizar os carboidratos e diferenciar suas classes. > Identificar as principais reações enzimáticas envolvidas na metabolização de monossacarídios, oligossacarídios e polissacarídios. > Relacionar os aspectos bioquímicos da digestão de carboidratos ao índice glicêmico e à carga glicêmica. Introdução Os carboidratos são compostos orgânicos formados por carbono, hidrogênio e oxigênio ((CH2O)n). Após serem digeridos e absorvidos, os carboidratos são decom- postos nos tecidos em água e dióxido de carbono. São classificados em função da sua estrutura química, mas também com base no seu papel ou fonte alimentar na dieta (WARDLAW; SMITH, 2013). Esse grupo inclui açúcares, amidos e fibras, e contribui com o maior aporte calórico total da dieta humana, pois suas fontes alimentares são fáceis de serem cultivadas e armazenadas. Os carboidratos são utilizados como fonte de energia para o cérebro e o sistema nervoso, assim como para hemácias, medula, músculos e outras células. Além disso, contribuem para o sabor e textura dos alimentos, a exemplo da adição de sacarose e frutose utilizadas como edulcorantes. Duas ferramentas muito utilizadas no planejamento de dietas são o índice glicémico, que explica como os carboidratos podem afetar os níveis de glicose no sangue, e a carga glicêmica, que leva em consideração cada componente do alimento como um todo, dando uma imagem mais real do impacto de um alimento nos níveis de glicose no sangue. Digestão de carboidratos Lina Cláudia Sant Ánna Neste capítulo, você vai estudar os carboidratos e conhecer suas diferentes classes, além de identificar as principais reações enzimáticas envolvidas na me- tabolização de monossacarídios, oligossacarídios e polissacarídios e relacionar os aspectos bioquímicos da digestão de carboidratos ao índice glicêmico e à carga glicêmica. Conceitos, classificação e fontes de carboidratos Os carboidratos são compostos por uma ou mais unidades de açúcares simples. De acordo com o número de unidades de açúcar, são classificados como mo- nossacarídios (uma unidade), dissacarídios (duas unidades), oligossacarídios (três a dez unidades) e polissacarídios (dez a vários milhares de açúcares). Os carboidratos dietéticos são na sua maioria convertidos em glicose no corpo e podem ser enzimaticamente hidrolisados em dióxido de carbono e água, produzindo uma média de 4 kcal/g (WARDLAW; SMITH, 2013). Monossacarídios Os monossacarídios, ou açúcares simples, são seis compostos de carbono que exibem grupos de álcool em diferentes posições e arranjos espaciais. São altamente solúveis em água e têm um sabor doce. Os monossacarídios são classificados em (WARDLAW; SMITH, 2013): � Glicose: também conhecida como o açúcar do sangue. Tem grande importância,pois é o carboidrato que entra nos tecidos e é convertido em energia ou outros produtos. Portanto é o produto da digestão de todos os outros carboidratos. A glicose também pode ser chamada de dextrose, pois quando em solução tem a característica de dobrar um feixe de luz polarizada para a direita. Representa uma das principais fontes de combustível para o organismo, principalmente para o cérebro. � Frutose: também conhecida como açúcar das frutas. Ocorre livremente no mel, nas frutas e no xarope de milho. É o mais doce de todos os açúcares. Também é conhecida como levulose, pois dobra a luz pola- rizada para a esquerda. � Galactose: não é encontrada na natureza em grandes quantidades, mas é encontrada em glicolipídios e glicoproteínas presentes em muitos tecidos do corpo humano e como componente da lactose. É pouco solúvel em água e o menos doce de todos os açúcares. Digestão de carboidratos2 Os únicos carboidratos que podem atravessar as membranas ce- lulares para entrar nos tecidos são os monossacarídios. Portanto, pacientes que são alimentados com soluções intravenosas só podem utilizar açúcares simples, geralmente glicose. Dissacarídios Os dissacarídios são carboidratos compostos por duas unidades de açúcar. São solúveis em água e devem ser hidrolisados em açúcares simples antes de serem absorvidos pelo intestino. Eles são classificados em (WARDLAW; SMITH, 2013): � Lactose: o carboidrato do leite, constituído por glicose e galactose. Está presente em vários alimentos derivados do leite. � Sacarose: conhecida como açúcar de mesa, é constituída por glicose e frutose. Pode ser obtida da cana-de-açúcar ou da beterraba. � Maltose: produto da decomposição do amido durante a germinação das sementes ou durante a digestão no intestino. É constituída por duas unidades de glicose. Oligossacarídios Os oligossacarídios são formados pela união de três a nove unidades de açúcar. Os mais conhecidos são os fruto-oligosacarídios (FOS), que consistem em até nove unidades de frutose e ocorrem naturalmente em vegetais de baixa doçura, como alcachofra e cebola. A rafinose e a estaquiose são dois outros exemplos de oligossacarídios, encontrados em algumas leguminosas, grãos e vegetais. A maioria dos oligossacarídios apresenta suas unidades ligadas de tal maneira que as enzimas digestivas do organismo não conseguem hidrolisá-las. Dessa forma, as moléculas desses carboidratos permanecem indigeríveis até alcançarem o cólon, onde são fermentadas por bactérias, produzindo gases (WONG; JENKINS, 2007). Digestão de carboidratos 3 Polissacarídios São necessárias dez ou mais e por vezes até vários milhares de unidades de açúcar para formar polissacarídios, que se distinguem geralmente em três tipos (WARDLAW; SMITH, 2013): � Amido: principal reserva energética em plantas. Formado por amilose e amilopectina. Quando ocorre o cozimento do amido, a amilopectina forma um gel, tornando-o mais denso e facilitando o processo de digestão. O amido é encontrado em cereais como arroz, batata, aveia e feijão. � Polissacarídios não amiláceos: fazem parte do grupo das fibras alimen- tares. Exemplos são a celulose, hemiceluloses e pectinas. As principais fontes desses polissacarídios são vegetais e frutas, assim como cereais integrais. Uma característica distinta dos polissacarídios não amiláceos, e na realidade de todas as fibras dietéticas, é que os seres humanos não os conseguem digerir; por conseguinte, seu conteúdo energético é mais baixo em comparação com a maioria dos outros carboidratos. Alguns tipos de fibras podem, contudo, ser metabolizados por bac- térias intestinais, dando origem a compostos benéficos para o nosso organismo, como ácidos graxos de cadeia curta. � Glicogênio: polissacarídios de reserva dos animais. Está presente no fígado e no tecido muscular. É importante para manter o metabolismo energético, porque ajuda a equilibrar os níveis de glicose normais no período de jejum e sono e promove combustível imediato para ações musculares. Alguns amidos, conhecidos como amidos resistentes, não podem ser hidrolisados pelas enzimas e, portanto, só podem ser fermentados pela microbiota intestinal. À medida que fermentam, atuam como prebióticos e alimentam as bactérias benéficas no intestino. O amido resistente está presente em alimentos como alcachofra, cebola, alho, aspargos, bananas verdes e em amidos cozidos e resfriados, como na salada de batata e no arroz requentado (WONG; JENKINS, 2007). Digestão de carboidratos4 Funções dos carboidratos Os carboidratos representam uma parte essencial da dieta humana. Acima de tudo, fornecem a energia para várias funções do corpo, como mover-se ou pensar. Durante a digestão, os di e polissacarídios são quebrados nos seus monossacarídios pelas enzimas digestivas, e depois são diretamente absorvidos, causando um aumento da glicemia. O corpo utiliza a glicose diretamente como fonte de energia em músculos, cérebro e outras células. Eles também desempenham um papel importante na estrutura e função das células, tecidos e órgãos (WONG; JENKINS, 2007). As principais funções dos carboidratos são (WARDLAW; SMITH, 2013): � Fornecer energia: o carboidrato mais simples e o mais abundante no corpo é a glicose. Para todos os organismos, desde bactérias a plantas e animais, a glicose é a fonte de combustível preferida. O cérebro é completamente dependente da glicose como sua fonte de energia (exceto durante condições de jejum prolongado ou cetose). � Armazenar energia: os carboidratos extras que não foram utilizados prontamente como fonte de energia passam a ser armazenados no fígado e nos músculos, e se necessários serão utilizados pelo corpo. � Construir macromoléculas: embora a maior parte da glicose absorvida seja utilizada para produzir energia, uma parcela dela é convertida em ribose e desoxirribose, que são blocos de construção essenciais de macromoléculas importantes, como RNA, DNA e ATP. A glicose é adicio- nalmente utilizada para construir a molécula NADPH, que é importante para a proteção contra o estresse oxidativo e é utilizada em muitas outras reações químicas no corpo. Depois que toda a energia, toda a capacidade de armazenamento de glicogênio e todas as necessidades de construção do corpo são satisfeitas, o excesso de glicose pode produzir gordura. � Poupar proteínas corporais: quando o corpo precisa de glicose e não a encontra, irá procurar proteínas (dos próprios músculos) e convertê-las em glicose. Uma quantidade de glicose adequada pelo corpo poupa a degradação das proteínas a serem utilizadas para produzir a glicose necessária ao corpo. Digestão de carboidratos 5 Fontes alimentares Os teores de carboidratos nos alimentos muitas vezes são medidos indire- tamente como a quantidade restante após a contabilização de água, proteí- nas, gordura e minerais. A análise acurada de cada tipo de carboidrato num alimento típico é uma questão importante, dada a variedade de compostos envolvidos. Alimentos tradicionais, como pão, arroz, mingaus, milho e batatas, normal- mente fornecem amido. Estes alimentos costumam representar a fonte mais barata de carboidrato. Como constituem uma parte grande da dieta, fornecem quantidades substanciais de proteínas, fibras, minerais e vitaminas à dieta diária na maior parte do mundo. Apesar disso, cerca de 25% dos carboidratos na dieta são provenientes do açúcar de mesa adicionado a alimentos, glicose e frutose. O xarope de milho com alta quantidade de frutose é a forma mais concentrada de carboidratos, utilizado em refrigerantes (55% de frutose, 42% de glucose), sucos de caixinha e outros produtos líquidos ou pastosos com quantidades muito pequenas de nutrientes essenciais ou componentes não nutritivos, como a fibra (WARDLAW; SMITH, 2013). O mel é um adoçante natural que contém frutose e glicose livres. Contém as mesmas calorias do açúcar de mesa, embora forneça alguns minerais e vitaminas. Por sua vez, o leite humanocontém 7% de lactose e 1% de oligos- sacarídios. O leite de vaca integral contém em média 4,9% de lactose. Em relação aos derivados de leite, a manteiga e a maior parte dos queijos que passam por um processo de maturação não contêm lactose. Alguns tipos de queijo com baixo teor em lactose são o queijo suíço, o gouda e o parmesão. Por outro lado, os queijos com pouco tempo de maturação (muçarela, re- queijão e ricota, por exemplo) contêm maiores quantidades de lactose. Os iogurtes também contêm quantidades maiores de lactose, mas as bactérias vivas presentes na maioria desses produtos ajudam a decompor esse açúcar, facilitando a digestão (WARDLAW; SMITH, 2013). A Figura 1 ilustra alguns exemplos de fontes alimentares de carboidratos naturais e processados. Digestão de carboidratos6 Figura 1. Fontes alimentares de carboidratos. Fonte: O que... (2022, documento on-line). Principais reações enzimáticas na metabolização de carboidratos Digestão e absorção O objetivo da digestão dos carboidratos é quebrar todos os dissacarídios e polissacarídios em monossacarídios para absorção, embora nem todos sejam completamente absorvidos no intestino delgado (como as fibras). A Digestão de carboidratos 7 decomposição desses macronutrientes em unidades às vezes começa com o processamento e cozimento dos alimentos (WONG; JENKINS, 2007). A digestão dos carboidratos começa na boca com a enzima amilase sa- livar, que divide o amido em unidades menores. No estômago, o ambiente ácido inibe a amilase, mas favorece certa degradação química do amido. No intestino delgado, o bolo alimentar bem misturado proveniente da digestão gástrica encontra enzimas do pâncreas e da superfície das células intesti- nais. As enzimas da membrana da borda em escova intestinal completam a decomposição dos dissacarídios, α-dextrinas e maltotriose. Essas enzimas da borda em escova incluem maltase que hidrolisa maltose e maltotriose, sucarase-isomaltase para a sacarose e α-dextrinas e lactase para a lactose. Os açúcares simples libertados (glicose, frutose e galactose) estão prontos para serem absorvidos. Apenas os açúcares simples são absorvidos no jejuno proximal. As fibras são pouco hidrolisadas no intestino proximal nos humanos e chegam ao cólon não digeridas (WONG; JENKINS, 2007). A digestão dos carboidratos é geralmente eficiente. A digestão e absorção deficientes devido à baixa atividade de uma ou mais enzimas digestivas permitem que os carboidratos passem para o cólon, onde se tornam um nutriente para as bactérias. Estes são nutrientes importantes para os hos- pedeiros e sua microbiota comensal, que pode quebrar a grande variedade de ligações de polissacarídios. A fermentação dos carboidratos por bactérias leva à produção de gás, ácidos e toxinas, que podem irritar o intestino e levar a dor e diarreia. Contudo, a microbiota intestinal pode fornecer energia ao hospedeiro sob a forma de ácidos graxos de cadeia curta (propionato, acetato, butirato), produzidos a partir de carboidratos dietéticos que o hospedeiro não consegue metabolizar sozinho (WARDLAW; SMITH, 2013). Na maioria dos seres humanos, a enzima lactase decresce com a idade a partir dos 3 a 5 anos ou mais cedo, dependendo da população. Esse padrão tem sido chamado de não persistência da lactase. No entanto, nas pessoas do norte da Europa, a atividade de lactase permanece alta durante a vida, no mesmo nível da infância. Isso é denominado persistência da lactase. A não persistência da lactase é encontrada principalmente em afro-americanos, americanos e asiáticos e pode levar à intolerância à lactose, que é a incapa- cidade dos indivíduos quebrarem esse açúcar, o que provoca gases, diarreia, abdome distendido e dores intestinais. A gravidade dos sintomas e a idade em que aparecem depende da quantidade de lactose que é consumida. Algumas pessoas podem ainda ser capazes de beber um pequeno copo de leite sem desencadear quaisquer sintomas, enquanto outras nem sequer são capazes de consumir leite no chá ou no café. Digestão de carboidratos8 Transporte Os transportadores são necessários para promover açúcares simples, glicose, galactose e frutose, entrada e saída de enterócitos. Entre as refeições, baixas concentrações de glicose e galactose são transportadas através da membrana apical para o enterócito pelo cotransportador sódio/glucose 1 (SGLT1), enquanto a frutose é absorvida pelo transportador de frutose 5 (GLUT5). Todas as três hexoses saem do enterócito através do transportador de glucose 2 (GLUT2), a família transportadora de soluto 2, membro 2 (SLC2A2), na membrana basola- teral, um processo que fornece esses açúcares ao sangue. Após uma refeição rica em açúcar, o GLUT2 é translocado para a membrana apical dos enterócitos, aumentando a taxa de absorção de açúcar em três vezes (WONG; JENKINS, 2007). Metabolismo Em adultos saudáveis, os níveis de glicose no sangue são rigorosamente regulados dentro de uma gama de 70 a 99 mg/dL, e mantidos por hormônios específicos (como insulina e glucagon), bem como pelo sistema nervoso central e periférico, para satisfazer as necessidades metabólicas. Várias células e tecidos (cérebro, músculo, trato gastrointestinal, fígado, rim e tecido adiposo) estão também envolvidos na regulação da glucose no sangue mediante ab- sorção, metabolismo, armazenamento e excreção. Esse processo altamente controlado pode ficar especialmente evidente durante o período pós-prandial, durante o qual, em circunstâncias fisiológicas normais, os níveis de glicose raramente sobem para além de 140 mg/dL, mesmo após o consumo de uma refeição rica em carboidratos (WARDLAW; SMITH, 2013). Entre os vários hormônios envolvidos na regulação da glicose, a insulina e o glucagon (ambos produzidos no pâncreas por ilhotas de Langerhans) são os mais relevantes. Dentro das ilhotas de Langerhans, as células β produzem insulina e as células α- produzem glucagon (MAZZOLA; TRIPLITT, 2012). Após a ingestão de glicose, ocorre o aumento da sua concentração no plasma, o que desencadeia a liberação de insulina, estimulando, por sua vez, a absorção esplâncnica e periférica de glicose e suprimindo a produção endó- gena (principalmente hepática) de glicose. A insulina, um potente hormônio antilipolítico (inibidor da quebra de gordura), atua reduzindo os níveis de glicose no sangue, acelerando o transporte da glicose para as células sensíveis à insulina e facilitando sua conversão em compostos de armazenamento via glicogênese (conversão da glicose em glicogênio) e lipogênese (formação de gordura) (MAZZOLA; TRIPLITT, 2012; WARDLAW; SMITH, 2013). Digestão de carboidratos 9 O glucagon é produzido em resposta a baixos níveis normais de glicose ou hipoglicemia e atua para aumentar os níveis de glicose, acelerando a glicogênese e promovendo a gliconeogênese. Contudo, após uma refeição contendo glicose, a secreção de glucagon é inibida pela hiperinsulinemia, que contribui para a supressão da produção de glicose hepática e manutenção da tolerância normal à glicose pós-prandial. A Figura 2 esquematiza a regu- lação da glicose no sangue realizada pelos hormônios insulina e glucagon (WARDLAW; SMITH, 2013). Figura 2. Regulação da glicemia. Fonte: Wardlaw e Smith (2013, p. 164). Um mecanismo diferente aumenta o nível de açúcar no sangue em pe- ríodos de estresse, envolvendo a epinefrina, o hormônio responsável pela reação de luta ou fuga. Ela é liberada em grandes quantidades pelas glân- dulas suprarrenais e por várias terminações nervosas em resposta a uma percepção de ameaça ao organismo, fazendo com que o glicogênio do fígado seja rapidamente degradado em forma de glicose. A inundação de glicose proveniente do fígado que entra na corrente sanguínea ajuda a promover rápidas reações mentais e físicas (WARDLAW; SMITH, 2013). Digestão de carboidratos10 Em resumo, as ações da insulina sobre a glicemia são equilibradas pelas ações do glucagon ou da epinefrina e de outros hormônios. Se o equilíbriohormonal não for mantido, como na produção prolongada excessiva ou escassa de insulina ou glucagon, podem ocorrer mudanças importantes nas concentrações de glicose no sangue. O diabetes mellitus tipo II é um exemplo de doença em que a produção de insulina é insuficiente. Relação dos aspectos bioquímicos da digestão dos carboidratos ao índice glicêmico e à carga glicêmica Índice glicêmico O índice glicêmico (IG) é um sistema de classificação em que as respostas glicêmicas dos alimentos são comparadas a um alimento-padrão (pão branco). Esse conceito foi introduzido em 1981 por David Jenkins, um cientista da Uni- versidade de Toronto, para expressar a quantidade de carboidratos dietéticos que afetam os níveis de glicose no sangue. O IG varia entre 0 e 100, sendo atribuído um valor de 100,2 à glicose pura (GRANT et al., 2020). Nem todos os carboidratos são iguais, e se comportam de maneira diferente em nosso corpo. O índice glicêmico descreve essa diferença classificando os carboidratos de acordo com seu efeito nos níveis de glicemia pós-prandial, ou seja, após a ingestão (GRANT et al., 2020). Para classificar o IG dos alimentos, é necessário cotejar a área sob a curva glicêmica nas duas horas seguintes à ingestão de um alimento-teste contendo 50 g de carboidratos com a área sob a curva glicêmica obtida nas duas horas seguintes à ingestão de 50 g de glicose ou pão branco. Ressalta-se que o IG não leva em consideração a quantidade de carboidrato consumido, apenas a qualidade (SHAMARD, 2022). Para facilitar o entendimento, a Figura 3 mostra um exemplo de curva glicêmica. Digestão de carboidratos 11 Figura 3. Curva glicêmica: o alimento contendo alto IG eleva mais rapidamente a glicemia do que um alimento contendo baixo IG. Fonte: Adaptada de Santos (2008). O IG depende das velocidades de digestão e absorção de carboidratos, que podem ser classificados como carboidratos de rápida ou lenta digestão e absorção. Alimentos ricos em carboidratos de rápida digestão e absorção promovem um acelerado aumento da concentração de glicose sanguínea, sendo, portanto, de alto IG. Seu consumo faz o açúcar no sangue se elevar, aumentando também a quantidade de insulina na corrente sanguínea. A longo prazo, essa prática pode sobrecarregar o pâncreas, causando pré-diabetes ou diabetes mellitus tipo 2. Por sua vez, alimentos ricos em carboidratos de lenta digestão e absorção liberam glicose gradualmente na corrente sanguínea, sendo, portanto, de baixo IG. Devem ser consumidos em maior quantidade, pois mantêm a saciedade por mais tempo e ajudam no combate à obesidade (SHAMARD, 2022). Muitos fatores alteram o IG dos alimentos, com destaque para aqueles listados a seguir. � Processamento: grãos que foram moídos e refinados — removendo o farelo e o germe — têm um IG mais elevado que os grãos inteiros minimamente processados. � Forma física: grãos finamente moídos são mais rapidamente digeridos que grãos grosseiramente moídos. É por isso que comer grãos inteiros, como arroz integral, pode ser mais saudável que comer pão de grãos altamente processados. � Conteúdo em fibra: os alimentos com alto teor de fibra não contêm muita quantidade de carboidratos digeríveis, e assim retardam a taxa de digestão e provocam um aumento mais gradual e mais baixo do açúcar no sangue. Digestão de carboidratos12 � Maturação: frutas e vegetais maduros tendem a apresentar um IG mais elevado que frutas mais verdes. � Teor de gordura e teor proteico: as refeições com gordura ou proteínas são convertidas mais lentamente em açúcar. O Quadro 1 mostra a diferença entre alguns alimentos de baixo, médio e alto IG. Quadro 1. Classificação de IG de diferentes alimentos Alimento com alto IG (acima de 70) Alimento com médio IG (56-69) Alimento com baixo IG (abaixo de 55) Bolo tipo muffin Cenoura Bolo inglês integral Mingau de aveia Mingau de farelo de aveia Farelo de cereais Pão branco Pão de hambúrguer Pão 80% de grãos integrais Cereal de milho sem açúcar Muesli All-Bran® Arroz parboilizado Farinha de milho Milho verde Fonte: Adaptado de Foster-Powel, Holt e Brand-Miller (2002). O consumo de alimentos com baixo índice glicêmico trazem alguns bene- fícios, como (WONG; JENKINS, 2007): � auxiliam no controle de peso; � reduzem a fome e mantêm a energia por mais tempo; � aumentam a sensibilidade do corpo à insulina; � melhoram o controle do diabetes mellitus. Carga glicêmica A carga glicêmica (CG) mede o grau da resposta glicêmica e insulínica resul- tante da ingestão de uma porção definida de um alimento em particular. Essa medida reflete tanto a qualidade quanto a quantidade dos carboidratos na dieta, sendo, portanto, uma ferramenta mais completa que o IG. Digestão de carboidratos 13 A CG é calculada da seguinte forma: A CG de uma maçã (porção de 120 g, com 15 g de carboidrato) = (40 × 15) ÷ 100 = 6. Assim, as porções de alimentos com idêntica carga glicêmica produzem valores similares de glicose pós-prandial, enquanto o aumento gradual da carga glicêmica resulta em aumentos previsíveis da glicose pós-prandial e da insulinemia (SANTOS, 2008). O Quadro 2 mostra a classificação da CG dos alimentos. Quadro 2. Classificação da CG dos alimentos Classificação CG do alimento (g) Baixa 19 Fonte: Adaptado de Santos (2008). É possível também calcular a CG de refeições somando a CG de cada alimento de todas as refeições, sendo que (SANTOS, 2008): � CG baixa — menor que 80 g; � CG moderada — entre 80 a 100 g; � CG alta — maior que 100 g. Como se pode perceber, os níveis de açúcar no sangue dependem de muitos fatores, incluindo os níveis de insulina, a rapidez com que o açúcar é absorvido pela corrente sanguínea e a quantidade de açúcar (glicose) numa refeição. O IG refere-se à quantidade de açúcar no sangue, que pode aumentar com o consumo de certos alimentos, mas esse índice analisa apenas a qualidade de carboidrato e não a quantidade consumida. Portanto, a CG é um instrumento mais preciso de como os alimentos afetam os níveis de açúcar no sangue, considerando os seguintes fatores (SHAMARD, 2022): Digestão de carboidratos14 � os tipos de açúcar e amidos nos alimentos; � a forma como a comida é preparada; � o teor de gordura; � o teor de fibra e carboidratos disponíveis; � o tamanho da porção. Estudos observacionais produziram resultados mistos no que diz respeito à associação de IG, CG e eventos médicos adversos. Estudos mostram que os carboidratos, quando consumidos sob a forma de alimentos integrais, como cereais integrais, leguminosas, frutas e vegetais, são melhores para a saúde do que os carboidratos contidos nos alimentos processados (KOMATSU et al., 2013). Em geral, os estudos mostram que seguir uma dieta de baixa CG, espe- cialmente uma dieta rica em fibras e alimentos integrais, é considerado benéfico para a prevenção de doenças cardiovasculares e várias outras doenças crônicas, como o diabetes mellitus tipo 2, câncer de cólon e de reto (WONG; JENKINS, 2007; GRANT et al., 2020). Como você percebeu pela leitura deste capítulo, é essencial para o nutri- cionista conhecer o processo de digestão dos carboidratos e relacionar seus aspectos bioquímicos com as ferramentas de IG e CG, para que o planejamento dietético seja preciso e adequado às necessidades do indivíduo. Referências FOSTER-POWELL, K.; HOLT, S. H. A.; BRAND-MILLER, J. C. International table of glycemic index and glycemic load values: 2002. American Journal of Clinical Nutrition, v. 76, n. 1, p. 5-56, 2002. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12081815/. Acesso em: 25 maio 2022. GRANT, S. M. et al. Evaluation of glycemic index education in people living with type 2 diabetes: participant satisfaction, knowledge uptake, and application. Nutrients, v. 12, n. 8, p. 2-16, 2020. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/ PMC7469042/pdf/nutrients-12-02416.pdf. Acesso em: 25 maio 2022. KOMATSU, M. etal. Glucose-stimulated insulin secretion: a newer perspective. Journal of Diabetes Investigation, v. 4, n. 6, p. 511–516, 2013. Disponível em: https://pubmed. ncbi.nlm.nih.gov/24843702/. Acesso em: 25 maio 2022. MAZZOLA, N.; TRIPLITT, C., Understanding the mechanisms to maintain glucose homeos- tasis: a review for managed care. American Jornal of Management Care, v. 18, n. 1, 2012. 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Disponível em: https:// doi.org/10.1093/jn/137.11.2539S. Acesso em: 25 maio 2022. Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. Digestão de carboidratos16 Dica do professor A fim de assegurar o funcionamento normal, o corpo humano está dependente de um controle muito preciso dos seus níveis de glicose no sangue. Consegue-se isso por meio de uma rede altamente sofisticada de vários hormônios e neuropeptídeos liberados principalmente pelo cérebro, pâncreas, fígado, intestino, bem como tecido adiposo e muscular. Dentro dessa rede, o pâncreas representa um papel-chave ao secretar a insulina, reduzindo a glicose no sangue e o glucagon, que tem efeito contrário. No entanto, perturbações nessa interação podem levar a alterações metabólicas como o diabetes mellitus tipo II, cujos prevalência, comorbilidades e custos médicos estão aumentando a cada dia. Nesta Dica do Professor, você vai ver os mecanismos relacionados com o pâncreas e com outros órgãos e tecidos que têm como função manter a homeostase da glicose. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/3e4a9e657a6d54916a47602ac3b132e4 Exercícios 1) O termo “açúcares” descreve convencionalmente mono e dissacarídios. As três hexoses principais (açúcares de seis carbonos) são glicose, frutose e galactose, que são os blocos de construção dos di, oligo e polissacarídios naturais. Os dissacarídios são carboidratos compostos por duas unidades de açúcar, são solúveis em água e devem ser hidrolisados em açúcares simples antes de serem absorvidos pelo intestino. Sobre esses carboidratos, assinale a alternativa correta. A) A glicose é o produto da digestão de todos os outros carboidratos e é utilizada como fonte de energia de várias células e tecidos. B) A frutose também é conhecida como açúcar das frutas e está presente livremente no mel, nas frutas e nos amidos. C) A galactose é encontrada na natureza em grandes quantidades, principalmente no leite e em seus derivados. D) A sacarose é um dissacarídio constituído por glicose e frutose. Pode ser obtida da cana-de- açúcar ou do mel. E) A maltose é o produto da decomposição do amido no intestino e é constituída por glicose e frutose. 2) Os carboidratos complexos têm estruturas químicas mais complexas, com três ou mais açúcares ligados entre si. São os oligossacarídios e os polissacarídios. Muitos alimentos fontes de carboidratos complexos contêm fibras, vitaminas e minerais, e demoram mais tempo a digerir. Mas outros alimentos que também são carboidratos complexos, tais como pão branco e batatas brancas, contêm sobretudo amido, mas pouca fibra ou outros nutrientes benéficos. Sobre os oligossacarídios e polissacarídios, assinale a alternativa correta. A) Os fruto-oligossacarídios ocorrem naturalmente em vegetais e frutas de baixa doçura, tais como alcachofras, limão, morango e cebolas. B) A rafinose e a pectinose são oligossacarídios encontrados em algumas leguminosas e em grãos e vegetais. C) O amido é a principal reserva energética em plantas, sendo formado de celulose e amilopectina. D) Os polissacarídios não amiláceos fazem parte do grupo das fibras alimentares como a estaquiose e as pectinas. E) O glicogênio é o polissacarídio de reserva dos animais, estando no fígado e no tecido muscular. 3) O objetivo da digestão dos carboidratos é quebrar todos os dissacarídios e polissacarídios em monossacarídios para a absorção, embora nem todos sejam completamente absorvidos no intestino delgado. Sobre o processo de digestão e absorção dos carboidratos, assinale a alternativa correta. A) A digestão dos carboidratos começa na boca, com a enzima lactase, que divide a lactase em galactose e glicose. B) No estômago, o ambiente alcalino favorece a degradação química dos carboidratos e a ação das enzimas gástricas. C) No intestino delgado, o bolo alimentar vindo do estômago é quebrado pelas enzimas do pâncreas e do intestino. D) As enzimas da membrana da borda em escova intestinal completam a decomposição dos monossacarídios. E) Após o processo de digestão, os monossacarídios são absorvidos no jejuno proximal e no cólon. 4) O índice glicêmico foi introduzido em 1981 por David Jenkins, cientista da Universidade de Toronto, para expressar a quantidade de carboidratos dietéticos que afetam os níveis de glicose no sangue. É um sistema de classificação em que as respostas glicêmicas dos alimentos no sangue são comparadas a um alimento padrão (pão branco). Sobre o índice glicêmico, assinale a alternativa correta. A) O índice glicêmico varia entre 0 e 100, sendo atribuído um valor de 50 à glicose pura. B) O índice glicêmico não leva em consideração a qualidade de carboidrato consumido. C) O índice glicêmico independe das velocidades de digestão e absorção de carboidrato. D) Alimentos de alto índice glicêmico promovem um rápido aumento da glicose sanguínea. E) Alimentos de baixo índice glicêmico têm mais fibras e menos teor de gorduras. 5) Após a criação do índice glicêmico, os pesquisadores desenvolveram uma forma de classificar os alimentos que leva em consideração outros fatores relacionados com a velocidade de digestão e absorção de glicose. Essa medida é denominada carga glicêmica. Sobre a carga glicêmica, assinale a alternativa correta. A) A carga glicêmica mede o grau da resposta glicêmica e insulínica resultante da ingestão de uma porção de um alimento. B) A carga glicêmica está relacionada com a quantidade dos carboidratos na dieta, já o índice glicêmico verifica apenas a qualidade. C) Para se calcular o índice glicêmico são necessários dados como a carga glicêmica e o teor de carboidratos em 100 gramas do alimento a ser consumido. D) A carga glicêmica do alimento é considerada baixa quando o resultado é menor que 20g e alta quando for maior de 80g. E) A carga glicêmica considera os tipos de aminoácidos, o teor de gordura, o teor de fibra e o tamanho da porção. Na prática A intolerância à lactose é a incapacidade de digerir a lactose, o açúcar encontrado principalmente no leite e nos produtos lácteos. É causada pela baixa produção de lactase no organismo, uma enzimaproduzida pelo intestino delgado necessária para digerir a lactose. Diferentes estudos demonstraram uma grande variação na prevalência da má absorção da lactose em todo o mundo, variando entre 4% na Dinamarca e quase 100% na China e entre os nativos americanos (STORHAUG et al., 2017). No Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (2017), estima-se que cerca de 40% da população adulta apresenta algum grau de hipolactasia, que é a redução da produção de lactase. Embora a intolerância à lactose não seja perigosa, os seus sintomas podem afetar o consumo de nutrientes e a qualidade de vida do indivíduo portador dessa condição. Confira, Na Prática, como uma nutricionista forneceu orientações nutricionais para uma paciente com intolerância à lactose. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/39b677c0-1f87-4768-8c2f-aa09a5577b3a/7df778b7-e163-449d-a98f-31cef758c761.jpg Saiba mais Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Nutrição contemporânea Os edulcorantes são substâncias que têm o poder de adoçar e podem ser divididos em nutritivos (com calorias) e alternativos (sem calorias). O Capítulo 4, "Carboidratos", traz uma tabela com as diferenças calóricas entre cada um dos edulcorantes. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Biomassa de banana verde: como fazer A biomassa de banana verde contém amido resistente, que é definido como uma porção de amido que não pode ser digerido pelas amilases no intestino delgado e passa para o cólon para ser fermentado pela microbiota. Desse modo, traz benefícios à saúde. Assista ao vídeo e veja o passo a passo do preparo desse alimento e seus benefícios. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Doce veneno: uma análise do consumo de bebidas açucaradas por adolescentes A obesidade impacta a vida de milhões de crianças e adolescentes nos países desenvolvidos. Uma criança ou adolescente com excesso de peso tem grande probabilidade de se tornar um adulto obeso e desenvolver diabetes mellitus e doenças cardiovasculares. Existe a preocupação de que a frutose presente em alimentos industrializados aumente o risco de obesidade em comparação com outros edulcorantes calóricos, visto que é metabolizada de forma diferente da glicose no corpo, o que pode contribuir para a obesidade. Leia este artigo para compreender os fatores de influência para a redução do consumo das bebidas açucaradas. https://www.youtube.com/embed/NknxzS5bigQ Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Você sabe como são feitos os produtos zero lactose? A lactose é o principal carboidrato presente no leite. Pessoas com dificuldade na digestão de alimentos que contêm esse açúcar precisam de uma readaptação alimentar, buscando consumir produtos com baixo teor de lactose. Leia esta matéria e entenda como são produzidos os alimentos com baixo teor de lactose ou sem lactose. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/33796/2/13.pdf https://minhasaude.proteste.org.br/como-sao-feitos-produtos-zero-lactose/