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Gerenciamento de Crises PROF. Artemilson Lago Introdução No meio policial brasileiro, os primeiros estudos referentes ao gerenciamento de crises tiveram início no final da década de 80 e início dos anos 90. Outro marco importante, nesse contexto, foi a criação nos anos 80, de uma unidade tática de elite (tipo SWAT) na Polícia Federal, o COT (Comando de Operações Táticas), subordinado ao alto escalão da corporação, responsável por intervenções de alto risco, com reféns e apoderamento ilícito de aeronaves, comumente conhecido como "sequestro de aviões". Nos últimos anos os cursos de formação de policias passaram a incorporar essa disciplina, já integrando a grade curricular na preparação de agentes, escrivães, soldados da PM, bombeiros militares, Policiais Penais, etc. No final de 2012 a Polícia Federal atualizou o programa do Curso de Formação do Vigilante, introduzindo, dentre outras, essa disciplina, possibilitando que o profissional de segurança privada, que presta vigilância em inúmeros locais, que podem ser palco de crises, possua conhecimentos básicos sobre o tema, podendo auxiliar, nos limites de suas atribuições, as autoridades policiais, a quem compete o "gerenciamento" dos eventos instalados O ensinamento dessa disciplina nos cursos de formação de vigilantes, não pretende habilitar esse profissional para "resolver" as crises instaladas em sua volta, mas fazer com que conheça o tema, suas características, evitando a adoção de GERENCIAMENTO DE CRISES, de medidas impensadas que, ao invés de ajudar, termine complicando ainda mais o quadro crítico. ; Conflito Conflito, nesse contexto, seria uma oposição de interesses, sentimentos, ideias, que pode gerar desentendimentos, tumulto, desordem, brigas, confusão, etc., que geralmente pode ser contido por outro tipo de ação: desde o convencimento, buscando um acordo, uma concordância entre os envolvidos, ou, até mesmo com a intervenção da força de aparato de segurança, que pode ser de policiais ou de vigilantes. Conflito Um conflito pode, eventualmente, progredir para um evento crítico, sem haver, entretanto uma relação direta entre os tipos de eventos. Ao contrário da crise, no conflito pode haver a intervenção do vigilante, tentando conter os ânimos, enquanto se aguarda a chegada da polícia, acaso a situação persista ou seja de grande proporção. Conceito de crise . Crise é todo incidente ou situação crucial não rotineira, que exige resposta especial da Polícia, a fim de assegurar uma solução aceitável, em razão da possibilidade de agravamento conjuntural, inclusive com risco a vida das pessoas envolvidas. podendo se manifestar através de motins em presídios, roubos a bancos com reféns, sequestros, atos de terrorismo, tentativa de suicídio, dentre outras ocorrências de grande vulto. Conceito de crise O FBI, a polícia federal americana, define crise como sendo "um evento ou situação crucial, que exige uma resposta especial da polícia, a fim de assegurar uma solução aceitável". . O gerenciamento de uma crise compete às autoridades policiais, não sendo recomendável a participação de outros profissionais, como psicólogos, religiosos, artista, repórteres, etc. em negociações para solucionar uma crise. CARACTERÍSTICAS DE UMA CRISE IMPREVISIBILIDADE - uma crise é inesperada, pode ocorrer a qualquer momento e em qualquer lugar, ninguém pode prever quando ela pode surgir. Por isso é de suma importância que os órgãos estejam preparados e qualificados para enfrentá-la. CARACTERÍSTICAS DE UMA CRISE COMPRESSÃO DE TEMPO (URGÊNCIA) - mesmo que uma crise se arraste por vários dias, as decisões para sua solução e a adoção de posturas operacionais devem ser rápidas e precisas. O tempo para decidir e resolver sempre é curto. CARACTERÍSTICAS DE UMA CRISE AMEAÇA DE VIDA - sempre se configura como componente do evento crítico. Mesmo havendo apenas risco à vida do indivíduo causador, como por exemplo, um suicida no alto de uma torre. Temos uma crise instalada. NECESSIDADES POSTURA ORGANIZACIONAL NÃO ROTINEIRA - a necessidade de uma postura organizacional não rotineira é de todas as características essenciais, aquela que talvez cause maiores transtornos ao processo de gerenciamento. Entretanto, é a única que os efeitos podem ser minimizados, graças a um preparo e a um treinamento prévio da corporação para o enfrentamento de eventos críticos. NECESSIDADES PLANEJAMENTO ANALÍTICO ESPECIAL E CAPACIDADE DE IMPLEMENTAÇÃO – sobre a necessidade de um planejamento analítico especial é importante observar que a análise e o planejamento, durante o desenrolar de uma crise, são consideravelmente prejudicados por fatores, como a insuficiência de informações sobre o evento crítico, a intervenção da mídia e o tumulto de massa geralmente causado por situações dessa natureza. NECESSIDADES CONSIDERAÇÕES LEGAIS ESPECIAIS – com relação às considerações legais especiais exigidas pelos eventos críticos, cabe ressaltar que, além de reflexões sobre temas, como: estado de necessidade, legitima defesa, estrito cumprimento do dever legal, responsabilidade civil, etc., o aspecto da competência para atuar é aquela que primeiro vem à cabeça, ao se ter notícia do desencadeamento de uma crise. CONCEITO DE GERENCIAMENTO DE CRISES É o processo eficaz de se identificar, obter e aplicar, de conformidade com a legislação vigente e com emprego das técnicas especializadas os recursos estratégicos adequados para a solução da crise, sejam medidas de antecipação, prevenção e/ou resolução, a fim de assegurar o completo restabelecimento da ordem pública e da normalidade da situação. OBJETIVOS DO GERENCIAMENTO DE CRISES O objetivo do gerenciamento de crises é preservar a vida e aplicar a lei. A vida como bem jurídico de maior valor é o principal alvo de proteção no gerenciamento de crises. CRITÉRIOS DE AÇÃO DO GERENCIAMENTO DE CRISES Na tomada de decisões, deve-se rigorosamente observar os seguintes critérios: Necessidade – Indica que qualquer ação somente deve ser implementada quando for indispensável. Validade do Risco – Orienta que toda e qualquer ação tem que levar em conta se os riscos dela advindos são compensados pelos resultados. Aceitabilidade – Implica em que toda a ação deve ter embasamento legal, moral e ético. CLASSIFICAÇÃO DOS GRAUS DE RISCOS OU AMEAÇA CLASSIFICAÇÃO TIPOS EXEMPLOS 1º GRAU ALTO RISCO Assalto a banco por um ou dois elementos armados de pistolas sem reféns. 2º GRAU ALTÍSSIMO RISCO Assalto a banco por dois elementos armados , mantendo três ou quatro reféns 3º GRAU AMEAÇA EXTRAORDINÁRIA Terroristas armados com metralhadoras ou outras armas automáticas, mantendo reféns a bordo de uma aeronave. 4º GRAU AMEAÇA EXÓTICA Um indivíduo de posse de um recipiente, afirmando que o conteúdo é radioativo e de alto poder destrutivo ou letal, por qualquer motivo, ameaça uma população Fontes de informação numa crise Para se avaliar o grau de risco de um evento crítico, se toma por base as informações coletadas desde os primeiros momentos, geralmente pela primeira autoridade policial que chega ao local. FONTES DE INFORMAÇÃO: 1. Reféns liberados ou que tenham conseguido fugir; 2. Os negociadores; 3. Os policiais encarregados de observar o ponto crítico ou que estejam na condição de franco-atiradores (atiradores de precisão); 4. Investigações; Fontes de informação numa crise FONTES DE INFORMAÇÃO: 5. Documentos a respeito dos bandidos e do ponto crítico, tai como, mapas, croquis, fotografias, etc.; 6. Vigilância técnica do ponto crítico; 7. A mídia, e 8. As ações táticas de reconhecimento. Em ocorrências de grande vulto, com ameaça de vidas, urgência e necessidade de atuação especializada organizacional não rotineira, as medidas internas em uma empresa devem se restringir a manter a calma e acionar imediatamentea Polícia a fim de que sejam adotadas as providências adequadas e aceitáveis por parte do grupo especializado. O profissional de segurança privada deve se conscientizar que qualquer decisão precipitada e inadequada pode resultar em prejuízos irreparáveis e irreversíveis. Plano de segurança Trata-se de um documento no qual são planificadas todas as ações para que a saúde e a segurança dos trabalhadores sejam promovidas na organização. É importante que o vigilante tenha acesso e conheça as prescrições contidas nesse documento, notadamente, sobre eventos críticos e seus desdobramentos, possibilitando agir preventivamente e adotar as medidas previstas no caso do desencadeamento de um evento, que progrida para a instalação de uma crise. . Obrigado! Artemilson Lago @forbac Slide 1 Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23