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Arquitetura Brasileira| CEUB
Casa de Cultura Emílio Silvestre Wolff
RODRIGUES DE LIMA NETO, Evelyn
Centro Universitário de Brasília. evelyn.rn@sempreceub.com
Resumo
O artigo em questão segue uma breve
pesquisa referente a obra de Victor
Dubugras, a Casa de Cultura do Município
de Araras. A pesquisa realizada tem a
intenção para melhor entendimento e
compreensão do estilo usado na época e
suas características representadas.
Os principais métodos usados para a
realização deste artigo foram pesquisas
leituras de outros artigos acadêmicos,
livros sobre a obra e até mesmo entrevista
por e-mail com funcionários do local que
conhecem detalhadamente a história da
obra e as mudanças que ela teve até se
tornar um centro cultural. A obra tem um
avanço bastante grande e significativo
dentro da história da arquitetura de São
Paulo, por ser uma obra nova comparada a
muitas outras e pela a forma que foi
representada e até mesmo reformada,
lembrando até mesmo um castelo
medieval, citado pelo próprio site do
edifício.
Palavras-Chave: Cultura; Edifício;
Dubugras; Arquitetura; Estilo;
Tombamento.
1. Introdução
Construída no ano de 1896, a Casa de
Cultura do Município de Araras,
conhecida popularmente como, Casa
de Cultura Emílio Silvestre Wolff,
merece destaque por conta do seu
grande protagonismo em relação a sua
história e como se mantém de pé com
um grande acervo de documentos e
conhecimentos que podem ser de
grande valência para muitos arquitetos
que estão em formação ou os amantes
da arte.
Figura 1: Casa de Cultura do Município de
Araras / Casa de Cultura Emílio Silvestre Wolff
Fonte: https://araras.sp.gov.br/turismo/detalhe
No ano em que foi concluída sua
construção, o objetivo da obra de Victor
Dubugras, era para ser um fórum, uma
cadeia e até mesmo a sede da Câmara
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https://araras.sp.gov.br/turismo/detalhe/17
Arquitetura Brasileira| CEUB
Municipal de Araras, na gestão do,
coronel Justiniano Whitaker de Oliveira
(1864 - 1915), e que na época a
construção custeou o governo em
68800$000 (sessenta e oito contos e
oitocentos mil réis), o equivalente a R$
8.000,00 (oito mil reais), nos dias de
hoje. Pode se dizer que pelo o
tamanho e as formas de construção da
época, a obra sairia bastante barata
para o governo e em um prazo não tão
demorado, tendo conhecimento de que
demorou dois anos para sua
conclusão.
2. Análise Teórico e Crítica
Por seguir um estilo eclético, a Casa da
Cultura do Município de Araras,
também conhecida como Casa da
Cultura Emílio Wolff, de acordo com o
site de turismo do estado de São
Paulo, tem elementos fortíssimos da
época estampados nas fachadas.
Conta com grandes janelas, que
podem ser consideradas do art
nouveau (que começou tempo depois
que da construção da obra), que
valorizava bastante a questão da
iluminação natural e elementos como
os adornos da platibanda, e telhado de
barro, fazem com que reflita um pouco
da arquitetura colonial. A obra lembra
um pequeno castelo medieval, com
uma pegada vitoriana, conta com uma
riqueza significativa nas suas fachadas
e as formas simétricas como foram
abordadas deixam ela falar por si só o
conceito pensado pelo o arquiteto
Victor Dubugras. O autor da obra tem
uma essência dentro das suas obras
que transfere a genialidade de pensar
o que chamamos de “a frente do seu
tempo”.
Figura 2: Retrato de Victor Dubugras por
Sandro Rolim
Fonte: Acervo Pessoal do Arquiteto - Centro da
Memória de Mairinque
2. 1. Victor Dubugras
O arquiteto Victor Dubugras, nasceu,
como já mencionado anteriormente, no
ano de 1868, em Sarthe, França, mas
passou grande parte da sua vida na
América do Sul. Se formou no ano de
1890 na Argentina, onde residiu por
muitos anos e um ano após sua
graduação, se mudou para o Brasil,
fazendo residência fixa na cidade de
São Paulo com sua esposa.
Como a cidade do futuro estava
começando a crescer bastante, Victor
iniciou sua carreira como arquiteto já
fazendo grandes prédios públicos,
tendo trabalhado para o governo por
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Arquitetura Brasileira| CEUB
um período de seis anos, entre 1896 a
1902, e lecionou dentro de sala de aula
na Escola Politécnica entre os anos de
1894 até 1928.
Durante esse período em que estava
se mantendo ativo em relação aos
projetos de arquitetura, Dubugras
construiu muitas escolas usando como
base a casa de fazendeiros para os
edifícios. Seu portfólio conta com: a
cadeia pública e um grupo de escolas
em São Carlos, um grupo de escolas
para Botucatu e São Manoel. E essa
grande influência para cadeias e
escolas se estenderam para outros
municípios, como: Curralinho,
Jaboticabal e principalmente, Araras.
Ficou bastante conhecido pelo o
projeto da casa de Névio Barbosa, do
estilo Neocolonial, no ano de 1914 e
após dois anos seu outro projeto de
maior destaque no estilo foi a Casa da
Baronesa de Arary, em São Paulo.
Figura 2: Croqui da Casa da Baronesa de
Arary
Fonte: Victor Dubugras - Baronesa de Arary – O
casarão | Série Avenida Paulista
(serieavenidapaulista.com.br)
2. 2. Movimento no Brasil
O ecletismo foi um movimento muito
importante para a arquitetura, por ser
responsável pela a junção de
movimentos que o antecederam e
criação de vertentes da arquitetura que
tem grande influência até os dias
atuais.
Foi um movimento trazido por
influência direta da Europa, apenas
não se destaca a forma que ele se
aplica por conta dos processos de
industrialização que não estavam no
mesmo ritmo.
Por ser mistura de movimentos, os que
tiveram mais destaque foram os estilos:
clássico, medieval, renascentista,
barroco, e neoclássico.
Bastante forte nos estados de São
Paulo e Rio de Janeiro, mas tem
muitos representantes do movimento
pelo o país.
Pode ser considerado um dos favoritos
entre os alunos e arquitetos formados
na época, na Escola de Belas Artes.
As características já citadas sobre o
movimento, sendo elas: simetria,
procura de grandeza e riquezas
decorativas, podemos ver em outras
obras como: Mercado Público de São
Paulo e o Teatro Municipal do Rio de
Janeiro.
Figura 3: Mercado Público de São Paulo
Fonte: Thiago Scandolara
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https://serieavenidapaulista.com.br/2019/03/30/baronesa-de-arary-casarao-e-edificio/
https://serieavenidapaulista.com.br/2019/03/30/baronesa-de-arary-casarao-e-edificio/
https://serieavenidapaulista.com.br/2019/03/30/baronesa-de-arary-casarao-e-edificio/
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Figura 4: Teatro Municipal do Rio de Janeiro
Fonte: Marcos
2. 3. A Arquitetura
De acordo com as informações obtidas
no livro “Casa de Cultura - Emílio Wolff”
as formas que os elementos da obra
foram posicionados, remete muito ao
que se passava lá dentro, por ser uma
prisão no início, a entrada quando feita
pelo o portão de ferro é possível avistar
a coluna quadrada do lado esquerdo
com uma pequena janela revestida de
alvenaria, o que pode simbolizar as
prisões e as celas que geralmente são
fechadas, abafadas e até mesmo muito
pequenas. Já do lado direito, é possível
observar a escadaria que leva até ao
fórum, com uma coluna mais redonda
com janelas abertas, um local que
remete a liberdade, muitas vezes a
liberdade após o julgamento.
Figura 5: Fachada Casa de Cultura
Fonte: Flickr - José Carlos
As formas que os elementos da obra
foram posicionados, remete muito ao
que se passava lá dentro, por ser uma
prisão no início, a entrada quando feita
pelo o portão de ferro é possível avistar
a coluna quadrada do lado esquerdo
com uma pequena janela revestida de
alvenaria, o que pode simbolizar as
prisões e as celas que geralmente são
fechadas, abafadas e até mesmo muito
pequenas. Já do lado direito, é possível
observar a escadaria que leva até ao
fórum, com uma coluna mais redonda
com janelas abertas, um local que
remete a liberdade, muitas vezes a
liberdade após o julgamento.
As características que podemos ver em
evidência que vincula o art nouveau ao
neoclássico é representado pelo o
ecletismo da obra, com sua simetria,
busca de grandeza e riquezas
decorativas nas fachadas e cômodos
internos, podemos notar todas essas
principais características, apenas
olhando para a fachada principal da
Casa de CulturaEmílio Silvestre Wolff.
A fachada, contando com adornos e
elementos decorativos nas janelas,
refletem a influência do movimento
sobre Victor Dubugras, como os
prédios públicos, na época, estavam
começando a ter influência do estilo
neoclássico, a incorporação do art
nouveau na Casa de Cultura Emílio S.
Wolff em Araras foi de forma
inconsciente, deixando em evidência
como o Dubugras pensava e como
expressava seu estilo nas obras que
projetava.
4
https://www.flickr.com/photos/95844037@N05/8755748190/in/photostream/
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Figura 6: Parte interna da Casa de Cultura
Fonte: https://araras.sp.gov.br/turismo/detalhe
Figura 7: Perspectiva Casa de Cultura
Fonte: Flickr - José Carlos
3. Conclusão
O livro “Casa de Cultura de Araras,
escrito por Emílio Wolff, a Carta de
Veneza de 1964 e o relatório redigido
por Francisco, seguem uma mesma
ideia, valorizar o patrimônio público de
forma que não seja violado em nome
do falso “progresso” que apaga a
história de cidades e pessoas.
A Casa de Cultura de Araras,
Conforme a carta escrita por Francisco
B. Filho para zelar pelo prédio, tem
uma grande influência na arquitetura
por ter sido um dos precursores ao
introduzir o movimento de Art Nouveau
no Brasil, por meio da arquitetura
Eclética, envolvendo elementos
neoclássicos e de Art nouveau.
“Embora seja apenas manifestação de
um gosto do passado, o “art nouveau”
representa um período sugestivo no
plano de nossa tradição artística,
porque foi um estilo que assinalou o
primeiro movimento de libertação
daquelas soluções "neogóticas" e "neo
renascentistas", “pseudo barrocas” e
até “pseudo coloniais” que proliferavam
e ainda proliferam entre nós”, essa
citação no segundo tópico da carta
redigida por Francisco B. Filho, nos
mostra como Victor Dubugras fez essa
separação dos movimentos que
estavam com força no Brasil e como a
arquitetura brasileira estava se
reformulando.
4. Referência
Livros:
WOLFF, Emílio. Casa de Cultura de
Araras. São Paulo, 1983.
Sites:
ALMEIDA, Nelson Martins. CASA DA
CULTURA DE ARARAS - Secretaria
Municipal de Cultura e Lazer, 2013.
Disponível em:
https://nelsonmartinsdealmeida.blogspo
t.com/2013/07/casa-da-cultura-de-arara
s-secretaria.html
BONIATTI, Renan. Arquitetura
Neoclássica e Eclética, 2010.
Disponível em:
https://arqnobrasil.wordpress.com/abou
t/
Artigo:
DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO DE SP,
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https://araras.sp.gov.br/turismo/detalhe/17
https://www.flickr.com/photos/95844037@N05/8755748190/in/photostream/
https://nelsonmartinsdealmeida.blogspot.com/2013/07/casa-da-cultura-de-araras-secretaria.html
https://nelsonmartinsdealmeida.blogspot.com/2013/07/casa-da-cultura-de-araras-secretaria.html
https://nelsonmartinsdealmeida.blogspot.com/2013/07/casa-da-cultura-de-araras-secretaria.html
https://arqnobrasil.wordpress.com/about/
https://arqnobrasil.wordpress.com/about/
Arquitetura Brasileira| CEUB
p. 51, 1977.
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