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Antibioticoterapia no paciente crítico: “Atirar para todos os lados?” Maria Luisa Gonçalves Infectologista Pediátrica Hospital São Rafael – BA Hospital Geral Roberto Santos – BA CEDAP – BA MBA em CCIH e Gestão em Saúde – INESP/SP Membro da comissão local. Sem patrocínio da indústria. Encruzilhada: Lugar onde se cruzam duas ou mais ruas, estradas ou caminhos; cruzamento. [Figurado] Dilema que torna difícil tomar uma decisão; apuro. Infecções no paciente crítico: “Atirar para todos os lados?” Cenário atual • 20-50% de todos os antibióticos prescritos nos EUA são desnecessários ou inapropiados. • No Brasil, as unidades de terapia intensiva pediátrica e neonatal possuem taxas de infecção entre 18.9 e 57.7%. • Desde 1990 aumento global da prevalência de resistência das BGN na população pediátrica (ESBL, enterobactérias resistentes a carbapenêmicos). • A literatura pediátrica com poucos dados (resultados extrapolados dos adultos). • Possibilidade terapêuticas limitada, especialmente para BGN. ANVISA cdc.gov Clinical Infectious Diseases 2014;58(10):1439–48 Margotto, PR. Unid Neonatal,HRAS Distribuição de patógenos de infecção associada a cuidados de saúde em diferentes serviços de Pediatria Lancet Infect Dis 2008; 8: 19–31 • Depende do sítio de infecção. • Perfil da unidade. Epidemiologia Global da KPC Lancet Infect Dis. 2013 Sep; 13(9): 785–796. doi: [10.1016/S1473-3099(13)70190-7] https://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/eutils/elink.fcgi?dbfrom=pubmed&retmode=ref&cmd=prlinks&id=23969216 https://dx.doi.org/10.1016/S1473-3099(13)70190-7 Altas taxas de infecção por BGN-MR na UTIP: 50% de E.coli MR 46,6% de Klebsiella pneumoniae MR 62% de Acinetobacter baumanii MR 18,5% de Pseudomonas aeruginosa MR Colonização dos pacientes admitidos por KPC: 2.6% UTI NEO 3.6% UTI PED Depois de +/- 10.6 dias ... 39.0% na UTI PED 18.1% na UTI NEO Desenvolveram infecção sistêmica. Identificar fatores de risco Biomarcadores? Procalcitonina? Infecções no paciente crítico: “Atirar para todos os lados?” Diagnóstico de pacientes que receberam antibióticos na unidade de terapia intensiva pediátrica: Indian J Crit Care Med. 2016 May; 20(5): 291–294. doi: 10.4103/0972-5229.182197 https://dx.doi.org/10.4103/0972-5229.182197 Infecções no paciente crítico: “Atirar para todos os lados?” Número de antibióticos por paciente Indian J Crit Care Med. 2016 May; 20(5): 291–294. doi: 10.4103/0972- 5229.182197 Antibióticos mais comuns e sua indicação https://dx.doi.org/10.4103/0972-5229.182197 Infecções no paciente crítico: “Atirar para todos os lados?” Recomendações Gerais • Colher culturas antes de iniciar antibioticoterapia • Suspender antibióticos se culturas negativas após 48h, exceto se: • Criança com sinais de sepse grave • Culturas colhidas depois do início da antibioticoterapia • Provável infecção em atividade • Reduzir espectro de cobertura quando a sensibilidade estiver disponível Empiric Antibiotic Guidelines for Paediatric Intensive Care Unit (PICU) Children’s Health Queensland Hospital, 2017 Recomendações Gerais • Determinar tempo de tratamento em infecções definidas: • Pneumonia/PAV – 5 a 7 dias • Sepse • Hemocultura negativa – 5 a 7 dias • Hemocultura positiva – 7 a 14 dias (discutir com especialista) • Revisar diariamente a indicação/suspensão de antibióticos. • Sempre que possível, discutir condutas com o especialista. Empiric Antibiotic Guidelines for Paediatric Intensive Care Unit (PICU) Children’s Health Queensland Hospital, 2017 Escolha da terapia empírica Se colonizado por germe multirresistente, considerar o perfil da colonização para auxiliar na escolha da antibioticoterapia. Avaliar esquemas utilizados anteriormente e medicações de uso continuo. Considerar a epidemiologia e os protocolos locais para escolhas mais adequadas: MDR? Surto? Sazonalidade História Clínica e Gravidade da doença: Complicação de infecção comunitária? Infecção habitual em paciente com condição especial? IRAS? Infecções no paciente crítico: “Atirar para todos os lados?” Otimização farmacodinâmica de ß-lactâmicos em pacientes críticos Administração do antibiótico: “Infusão estendida” - 3h para o meropenem - 4h piperacilina+ tazobactam - 3h para o cefepime Critical Care 2008, 12 (Suppl 4) : S2 PIDJ,30,(4), 336-337,2011 T>MIC= MAIOR EFEITO BACTERICIDA ENTEROBACTERIAS RESISTENTES AO CARBAPENEM EM PEDIATRIA Clinical Infectious Diseases 2014;58(10):1439–48 Fatores que influenciam a duração da terapia antimicrobiana: • Características do microrganismo: • Perfil de sensibilidade • Capacidade formação biofilme • Potencial foco metastático • Virulência • Características do paciente • Situação imunológica (idade, comorbidades e tratamentos imunossupressores) • Presença corpo estranho (prótese metálica, valvar, cateter etc.) • Característica da infecção • Duração • Localização • Gravidade e resposta ao tratamento • Característica do antimicrobiano • Perfil de sensibilidade do microrganismo • Bactericida versus bacteriostático • Monoterapia versus terapia combinada einstein. 2015;13(3):448-53 Infecções no paciente crítico: “Atirar para todos os lados?” Antibiotic surveillance on a paediatric intensive care unit: easy attainable strategy at low costs and resources. Stocker M1, Ferrao E, Banya W, Cheong J, Macrae D, Furck A. CDC campanha – 12 passos 3 meses Uso apropriado de antibiótico empírico em pacientes com cultura negativa: 18% (10/53) 74% (42/57); p