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resumo feito por: Giulia Akemi Sadoyama @giusadoyama PACIENTE CRÍTICO trauma - evento agudo que altera a homeostase do organismo, desencadeando uma complexa resposta neuroendócrina e imunobiológica, cujos efeitos metabólicos e cardiorrespiratórios tendem a preservar algumas funções vitais • é a capacidade do organismo de apresentar uma situação físico-química característica e constante, dentro de determinados limites, mesmo diante de alterações impostas pelo meio ambiente (respiração, temperatura, pressão arterial, frequência cardíaca, etc). • passamos por diversas mudanças ambientais e o nosso corpo possui mecanismos internos que mantém as características dentro de um padrão estável, e é isso o corpo tenta fazer durante um trauma, para a sobrevivência SITUAÇÕES CLÍNICAS QUE CARACTERIZAM O TRAUMA - politrauma - intervenções cirúrgicas - sepse - queimaduras - hemorragia - pancreatite aguda grave - acidentes (veículos, tiros, feridas por facas, quedas) PARÂMETROS a) volemia (volume sanguíneo) b) débito cardíaco c) oxigenação tecidual d) oferta e utilização de substratos energético FASES DA RESPOSTA AO TRAUMA - resposta metabólica ao stress é dividida em duas fases: Refluxo (Ebb) e Fluxo (Flow) - há uma fase de refluxo, onde há um choque (hipovolêmico), ou seja, uma perda de volemia, seja por uma hemorragia ou inflamação exacerbada decorrente do trauma severo, que promove uma vasodilatação ou edema (fuga de água/líquido) para o espaço intersticial, saindo do espaço intravascular para os tecidos. portanto, há poucos nutrientes e oxigênio no vaso sanguíneo, levando à falência múltipla de órgãos. - nos primeiros dias há a fase de fluxo, uma fase de catabolismo, ou seja, o corpo tenta utilizar o máximo de energia possível para produzir proteínas e células que respondem ao trauma, para promover reparação tecidual. caso o paciente passe por resumo feito por: Giulia Akemi Sadoyama @giusadoyama esta fase sem transtornos, ele vai para uma fase de recuperação (fase de anabolismo), investindo na recuperação nutricional. - na fase de catabolismo é importante a resposta ao trauma, não pode investir em muitos nutrientes para promover metabolismo de vários nutrientes, somente na fase de recuperação para o paciente ter uma melhor resposta. - na fase inicial o gasto energético (fase de refluxo - ebb) cai e depois sobe (fase de fluxo - flow) • fase ebb - fase pré-reanimação - resposta inicial ao evento traumático - instabilidade hemodinâmica - extremidades frias e hipotermia - diminuição das NE - hipometabolismo • fase flow - fase de recuperação - estabilidade hemodinâmica - cicatrização de lesões e convalescença - aumento da TMB - aumento da temperatura corpórea - hipermetabolismo JEJUM alterações metabólicas • preservação da massa corporal • conservação da oferta de energia para as células • preservação do volume circulatório. processo de adaptação • reduz o consumo basal de oxigênio • diminui a síntese proteica e as perdas de nitrogênio • aumenta a excreção urinária de corpos cetônicos alterações metabólicas no jejum prolongado • maior utilização de lipídios • maior eficiência da gliconeogênese a partir do glicerol e do lactato, com redução da gliconeogênese a partir dos aminoácidos • redução da utilização da glicose pelo SNC que começa a usar corpos cetônicos alterações metabólicas no jejum - alterações adaptativas fisiológicas - como no jejum há um processo fisiológico, há uma mudança na produção de hormônios, catecolaminas, substâncias e componentes que contribuem para o processo adaptativo. aumenta a produção então de glicocorticóides (glucagon) e redução de insulina. com isso, o glucagon atua no fígado, promovendo processo de glicogenólise, glicólise, resumo feito por: Giulia Akemi Sadoyama @giusadoyama gliconeogênese, e a glicose ‘’alimenta’’ células dependentes (hemácias, leucócitos, neurônios, etc), mantendo homeostase. com o passar do tempo, a glicose não é mais suficiente para as demandas internas, então inicia-se o processo de glicólise anaeróbica, que tem o produto final o lactato, e o lactato retorna para o fígado para haver a gliconeogênese, com isso, o indivíduo consegue manter a homeostase, porém, esse processo já é catabólico, porém pequeno. nos adipócitos, o glucagon também age sobre eles, estimulando a lipólise (AG livres para corrente sanguínea), e os AG são transformados em cetonas, para ‘’alimentar’’ os tecidos que podem receber esses corpos cetônicos como fonte de energia (ex: cérebro). em uma situação de jejum mais prolongada, os aminoácidos, como alanina e glutamina, podem ser utilizados também para a gliconeogênese, para haver formação de glicose. ciclo de cori - o ciclo de Cori consiste na conversão de glicose em lactato em tecidos musculares, durante um período de privação de oxigênio, seguido da conversão de lactato em glicose no fígado. em um jejum prolongado e doenças/traumas, essa conversão vem de uma fermentação láctica e o saldo de ATP acaba sendo negativo, levando a uma perda de massa muscular. - esse ciclo pode acontecer tanto em uma situação fisiológica quanto no câncer, por exemplo. TRAUMA - características gerais: • ativação de uma resposta cardiocirculatória do tipo hiperdinâmica, dependente da resposta neuroendócrina. lesões internas são detectadas pelo SNC e disparam informações para órgãos produzirem hormônios e outros componentes necessários para ativar a resposta ao trauma. • aumento do gasto energético e do consumo de oxigênio (catabolismo) • complexa alteração do metabolismo proteico, que, ao contrário do jejum, é marcada não apenas pela proteólise no músculo esquelético, mas também por aumento da síntese protéica visceral, priorizando as proteínas de defesa (proteína de fase aguda inflamatória, com funções imunológicas, a PCR por exemplo) • gliconeogênese maior que no jejum, não suprimida com a administração de glicose e associada a um estado de resistência à insulina com hiperglicemia (muitos glicocorticóides, atuando no núcleo dependente de insulina, para que não haja formação de transportadores de glicose, pois evita metabolização de glicose na célula e disponibiliza glicose aos órgãos vitais durante o trauma) • alterações do metabolismo intermediário não modificadas facilmente com a administração de nutrientes como se dá no jejum. resumo feito por: Giulia Akemi Sadoyama @giusadoyama alterações metabólicas no jejum e trauma - quanto mais ‘’+’’, mais intensidade a alteração metabólica. - em trauma ou queimadura grave, a excreção de nitrogênio é muito grande, e a recuperação não é fácil. já em jejum, ele poupa proteínas (massa muscular), e usa mais fonte de glicose como fonte de energia através de corpos cetônicos. PACIENTE CRÍTICO queimaduras - lesões dos tecidos orgânicos em decorrência de trauma de origem térmica resultante da exposição ou contato com chamas, líquidos quentes, superfícies quentes, eletricidade, frio, substâncias químicas, radiação, atrito ou fricção - 1 milhão de acidentes por queimadura/ano - cerca de 100.000 são atendidos em serviços de emergência - mortalidade: 2.500 óbitos por ano - faixa etária de maior risco: < 10, 20-39 e > 60 anos - principal agente causador entre adultos e crianças: álcool e líquidos superaquecidos, respectivamente - centro de referência em queimados em MS: Santa Casa de Campo Grande. - comprometem as funções básicas da pele - podem causar alterações das funções normais de outros órgãos e sistemas. - sua gravidade é determinada, principalmente, pela extensão da superfície corporal queimada e pela profundidade. - a profundidade da lesão é dependente da temperatura e duração da energia térmica aplicada à pele - o contato da pele com o calor, substâncias químicas ou eletricidade resulta na destruição do tecido em graus variáveis resumo feito por: Giulia Akemi Sadoyama @giusadoyama CLASSIFICAÇÃO quanto ao agente etiológico - queimaduras térmicas: vapor, objetos aquecidos, água quente, chamas - queimaduras químicas: produtos à base de ácidos, álcool, gasolina - queimaduras elétricas: choque elétrico- queimaduras por atrito: raios ultra-violeta, nucleares - outras: água-viva, látex de certas plantas quanto à profundidade 1 GRAU - atinge a epiderme - hiperemia, calor, edema discreto, ardência e ressecamento da pele - exposição excessiva ao sol (raios ultravioleta) e/ou ao calor extremo - descama em 4-6 dias. 2 GRAU - atinge a derme - presença de bolhas com conteúdo líquido ou colóide - apresenta edema que atinge regiões circunvizinhas, apresentando dor intensa por sua relação íntima com vasos e terminações nervosas periféricas; a perda de água e eletrólitos pode provocar desidratação. - restauração das lesões ocorre entre 7 e 21 dias 3 GRAU - destrói todas as camadas da pele, atingindo tecidos adjacentes e profundos - a pele apresenta-se endurecida, muitas vezes indolor e não apresenta sangramento - não re-epiteliza, necessita de enxertia de pele. quanto à superfície corporal queimada resumo feito por: Giulia Akemi Sadoyama @giusadoyama quanto à complexidade das queimaduras - pequeno queimado ou queimado de pequena gravidade • queimaduras de primeiro grau em qualquer extensão, em qualquer idade e/ou • queimaduras de segundo grau com SCQ de até 5% em crianças menores de 12 anos, ou de até 10% em maiores de 12 anos - médio queimado ou queimado de média gravidade • queimaduras de segundo grau (<12 anos: SCQ entre 5%-15%; >12 anos: SCQ entre 10% a 20%) • queimadura de segundo grau envolvendo mão ou pé ou face ou pescoço ou axila ou grande articulação (axila, cotovelo, punho, coxofemoral, joelho, tornozelo), em qualquer idade • queimaduras que não envolvam face ou mão ou períneo ou pé, de terceiro grau (<12 anos: até 5% da SCQ; >12 anos: até 10% da SCQ). - grande queimado ou queimado de grande gravidade • queimaduras de segundo grau: (<12 anos: SCQ >15%; >12 anos: SCQ >20%) • queimaduras de terceiro grau: (<12 anos: SCQ >5%; >12 anos: SCQ >10%) • queimaduras de segundo ou terceiro grau atingindo o períneo, em qualquer idade • queimaduras de terceiro grau atingindo mão ou pé ou face ou pescoço ou axila, em qualquer idade • queimaduras por corrente elétrica FISIOPATOLOGIA resposta local - zonas de queimadura 1- zona de coagulação - zona de tecido morto que não irá recuperar 2- zona de estase - redução da vascularização e morte das células da derme e epiderme 3- zona de hiperemia - região onde aconteceu a queimadura, onde há os vasos sanguíneos, onde células imunológicas podem ir para a região resposta sistêmica - afeta múltiplos órgãos e sistemas, conduzindo a manifestações clínicas, incluindo: • choque hipovolêmico • alterações respiratórias • alterações renais • alterações gastrointestinais • alterações no sistema imunológico - a queimadura causa uma exposição do colágeno que fica na pele, e quando é exposto, o organismo reconhece e dispara uma resposta inflamatória que é proporcional à extensão dessa queimadura e ao grau de exposição desse colágeno, como os quatro fatores ao lado, e essas respostas causam o aumento da resumo feito por: Giulia Akemi Sadoyama @giusadoyama permeabilidade capilar, para permitir a passagem de células que fazem a recuperação tecidual e combater possíveis agressores que entram através da pele. isso faz com o que o líquido presente do soro possa sair, causando um edema, e esse edema faz com que a velocidade de circulação sanguínea fique mais devagar e permite a passagem de células imunológicas para o tecido afetado, o problema é que muito líquido sai do espaço intravascular, causando uma hipovolemia, causando um choque, e o indivíduo necessita de reposição de líquidos. • respiratória - há um acúmulo de água nos alvéolos pulmonares causado pela inflamação, que promove aumento da permeabilidade vascular. o sangue está mal oxigenado, e a troca gasosa não acontece de forma certa, aumentando frequência cardíaca e respiratória, fazendo com que o indivíduo tenha um gasto energético maior e venha a desnutrir. - reposição hidroeletrolítica: forma de promover o edema pulmonar (reposição de líquido). - hipoproteinemia: conduz ao edema pulmonar também pois o corpo não possui proteína suficiente para responder ao agravo da queimadura. para a recuperação de músculos respiratórios, capilares respiratórios é necessário proteínas. mas se há pouca proteína, há um maior agravo respiratório. - a queimadura causa aumento dos neutrófilos (cels imunológicas), que aumenta a produção de radicais livres, TNF-a e tomboxano A2, que aumentam a permeabilidade capilar/vasoconstrição periférica, que causa edema pulmonar. • renal - quando um indivíduo sofre um trauma, há uma saída de líquido para o espaço intersticial, isso faz com que haja pouco líquido nos vasos sanguíneos (carência de água). esse sangue tem um aumento da osmolaridade, e isso pode conduzir à distúrbios hidroeletrolíticos, as células não conseguem trabalhar com alterações de micronutrientes, havendo um descontrole, que podem levar ao óbito. para evitar que isso aconteça, há uma ativação interna endógena e uma série de mecanismos resumo feito por: Giulia Akemi Sadoyama @giusadoyama para promover a reabsorção de água (ex: ativação da ADH), isso faz com que a excreção de água seja diminuída no rim. a quantidade de sangue que passa pelo rim é pequena, que pode levar o rim à falência. - com a hipovolemia, o fluxo sanguíneo renal é diminuído, o que diminui também a taxa de filtração glomerular e, consequentemente, causa uma oligúria (pouca urina), levando à uma lesão renal aguda. - dependendo do grau da queimadura, as fibras musculares podem ser atingidas e podem impactar o rim, impedindo a entrada de sangue no rim e filtração glomerular, causando um dano tubular renal e lesão renal aguda (mioglobinúria) gastrointestinal - como a queimadura causa uma hipoperfusão mesentérica, a falta de oxigênio é grande, isso causa uma ativação de espécies reativas de oxigênio. essa hipoperfusão também ativa um processo inflamatório, levando à morte de enterócitos. o indivíduo pode ter um íleo adinâmico (sem trânsito intestinal), reduz esvaziamento gástrico (alimento impactado), diminuição de absorção de nutrientes e translocação bacteriana (processo de morte dos enterócitos expõe a lâmina própria) imunológica - a queimadura ativa vários processos imunológicos, que causa uma peroxidação lipídica (oxidação da camada lipídica, as células possuem uma função inadequada em todo o organismo) e supressão de células T quando a ativação imunológica está muito elevada. isso faz com que o indivíduo tenha uma inflamação e infecção grande, e todo esse processo causa a sepse. resumo das complicações sistêmicas resumo feito por: Giulia Akemi Sadoyama @giusadoyama PACIENTE CRÍTICO terapia nutricional OBJETIVOS - oferecer energia, fluidos e nutrientes nas quantidades adequadas - garantir as ofertas proteicas, minimizando o catabolismo proteico e nitrogenado - reduzir o risco de hiperalimentação - recuperar a atividade do sistema imunológico e reduzir complicações metabólicas - minimizar a produção exacerbada de radicais livres - prevenir a translocação bacteriana e úlceras de pressão - viabilizar o processo de cicatrização TRIAGEM NUTRICIONAL - objetivo: definir o risco nutricional e auxiliar no plano terapêutico - recomendados: NUTRIC Score e NRS-2002 (únicos que consideram a gravidade da doença) - preferência: NUTRIC Score – Risco nutricional no doente crítico. (NUTrition Risk In the Critically Ill) nutric - o NUTRIC permite uma análise mais acurada da gravidade, pois usa um conjunto de índices prognósticos em UTI, o Acute Physiology And Chronic Health Evaluation II (APACHE II) e o Sepsis-Related Organ Failure Assessment (SOFA) • APACHE II - Utiliza dados fisiológicos, condições mórbidas prévias e informações relativas à natureza da doença atual para prever a probabilidade de óbito • SOFA – Escore de disfunção de órgãos, especificamente de seis sistemas corporais: cardiovascular, respiratório, hepático, hematológico, neurológico e renal resumo feito por: Giulia Akemi Sadoyama @giusadoyama abordagem pragmática (ESPEN guideline onclinical nutrition in the intensive care unit) - risco nutricional (não precisa fazer nutric) • UTI > 2 dias • sob ventilação mecânica • hipoalimentação > 5 dias; e/ou • apresentar doença crônica grave AVALIAÇÃO NUTRICIONAL resumo feito por: Giulia Akemi Sadoyama @giusadoyama - marcadores tradicionais da proteína sérica (albumina, pré-albumina, transferrina, proteína ligadora do retinol) são um reflexo da resposta de fase aguda (aumento da permeabilidade vascular e priorização vascular da síntese hepática) e, portanto, NÃO REPRESENTAM com precisão o estado nutricional. - cuidado com antropometria → grande possibilidade de erro devido à falta de cooperação do paciente (quando sedado) e ao edema de membros NECESSIDADES NUTRICIONAIS energia ASPEN 2016 - ideal: calorimetria indireta (CI) • 25-30 kcal/kg • equações preditoras: menor acurácia na desnutrição e na obesidade. maior acurácia - Ireton-Jones • deve ser reavaliada periodicamente ESPEN 2019 - ideal: calorimetria indireta (CI) • equações baseadas no VCO2 (Ventilação Mecânica) • 20-25 kcal/kg • equações preditoras: erro de até 60% (hipo/hiperalimentação) • fase inicial: - se CI: isocalórica - escalonar a oferta energética em três dias (80-100% após 3º dia) BRASPEN 2018 - ideal: calorimetria indireta (CI) • 25-30 kcal/kg após o 4º dia QUEIMADOS ESPEN 2013 Adultos ( fórmula de Toronto): -4343 + (10,5 x % TBSA) + (0,23 x ingestão calórica) + (0,84 x necessidade energética pela fórmula de Harris-Benedict) + (114 x t°C) - (4,5 + dias após a queimadura) - fórmula de Harris-Benedict Homens = 66 + [13,7 x Peso (kg)] + [5,0 x Altura em cm] – [6,8 x Idade] Mulheres = 665 + [9,6 x Peso (kg)] + [1,8 x Altura em cm] – [4,7 x Idade] - fórmulas de Schoffield meninas 3-10 anos = [16,97 x Peso (kg)] + [1,618 x Altura (cm)] + 371,2 10-18 anos = [8,365 x Peso (kg)] + [4,65 x Altura (cm)] + 200 meninos 3-10 anos = [19,6 x Peso (kg)] + [1,033 x Altura (cm)] + 414,9 10-18 anos = [16,25 x Peso (kg)] + [1,372 x Altura (cm)] + 515,5 proteínas ASPEN 2016 1,2 a 2,0 g/kg de peso atual/dia BRASPEN 2018 1,5 a 2,0 g/kg de peso atual/dia ISBI 2016 > 20% da SCQ: 1,5 a 2,0 g/kg de peso atual/dia (adultos) > 20% da SCQ: até 3,0 g/kg de peso atual/dia (crianças) ESPEN 2019 - ideal: determinado pelo balanço nitrogenado ou da massa muscular por métodos acurados (tomografia computadorizada) • 1,3 g/kg de peso atual/dia lipídios e carboidratos ESPEN 2019 resumo feito por: Giulia Akemi Sadoyama @giusadoyama - NP (glicose) ou NE (carboidratos): não deve exceder 5 mg/kg/min - NP (lipídios): não exceder 1,5 g/kg/dia (incluindo fontes não nutricionais - propofol) - lipídios preferenciais: TCM + ácido graxo monoinsaturado ômega-9, ácido graxo poli-insaturado ômega-3 AG n-3 ESPEN 2016 - NE enriquecida com n-3 não deve ser utilizada como rotina em pacientes clínicos - NE enriquecida com n-3 pode ser considerada em pacientes cirúrgicos AG n-3 ASPEN 2019 - NE enriquecida com n-3 pode ser administrada, evitando doses elevadas via bolus - NP: emulsões de lipídeos com EPA+DHA (óleo de peixe 0,1- 0,2g/kg/dia) fibras ASPEN 2016 - mix de fibras não deve ser utilizado na prevenção de diarreia ou manutenção do trânsito intestinal - evitar fibras solúveis ou insolúveis em pacientes com alto risco de isquemia intestinal ou dismotilidade grave - fibras solúveis (10-20g ao longo de 24h) podem ser utilizadas como terapia adjuvante da diarreia BRASPEN 2018 - em pacientes com diarreia persistente que estejam hemodinamicamente compensados e que não tenham dismotilidade, o uso de fibras solúveis pode ser considerado glutamina ASPEN 2016 - NE enriquecida com glutamina não deve ser utilizada como rotina em pacientes clínicos - NE enriquecida com glutamina pode ser considerada em pacientes cirúrgicos ESPEN 2019 - trauma: via NE (0,2-0,3g/kg/dia) nos primeiros 7 dias - queimados: > 20% superfície corporal – via NE (0,3-0,5 g/kg/dia) - pacientes instáveis, com falência renal/hepática: não deve ser administrado BRASPEN 2018 - em pacientes traumatizados e queimados, o uso de glutamina enteral pode ser considerado probióticos ASPEN 2016 - embora pareça ser seguro, não há recomendação para uso de rotina - avaliar evidências, utilizar em condições específicas - lactobacillus GG: redução pneumonia associada à ventilação mecânica BRASPEN 2018 - o uso de probióticos pode ser indicado em doentes críticos selecionados, desde que não haja imunossupressão. Populações com poucas evidências científicas: imunossuprimidos, pós-operatório recente de anastomose intestinal, cirurgia de via biliar e pâncreas, isquemia intestinal, portadores de doenças hematológicas e reumatológicas e curta estada na UTI imunomoduladores/anti oxidantes ASPEN 2016 - fórmulas enterais com arginina + n-3 ou glutamina não devem ser utilizadas em pacientes clínicos - considerar seu uso em pacientes cirúrgicos BRASPEN 2019 - formulações enterais imunomoduladoras não devem ser utilizadas rotineiramente em UTI. em pacientes cirúrgicos hemodinamicamente estáveis em pós-operatório de grandes cirurgias por câncer, sua utilização deve ser considerada ESPEN 2019 - antioxidantes não devem ser utilizados micronutrientes resumo feito por: Giulia Akemi Sadoyama @giusadoyama implementação da terapia nutricional ASPEN 2016 - priorizar via oral - iniciar NE precoce (24-48 horas): • gástrica • risco de aspiração: pós pilórica - se instabilidade hemodinâmica: aguardar início ou reintrodução da NE. • Se NE não for possível, implementar NP. ESPEN 2019 - priorizar via oral - iniciar NE precoce (24-48 horas): • gástrica • risco de aspiração: pós pilórica - NE contínua deve ser priorizada. Se NE não for possível, implementar NP entre 3 e 7 dias - NP deve ser implementada quando NE contraindicada ou paciente com desnutrição grave - NE + NP precoce deve ser evitada BRASPEN 2018 - priorizar via oral - iniciar NE precoce (24-48 horas): • gástrica • risco de aspiração: pós pilórica - sugere-se o início precoce (24-48 horas) da TNE em pacientes críticos que não conseguirem se alimentar por via oral - NP deve ser implementada quando NE contraindicada ou paciente com alto risco nutricional monitorização da terapia nutricional ASPEN e ESPEN - monitorar diariamente - tolerância da NE: • vômito • distensão abdominal • desconforto abdominal • volume residual gástrico elevado • diarreia • redução trânsito intestinal (flatos, bolo fecal) situações específicas - obesidade ASPEN e BRASPEN - TN Precoce - hipocalórica: • 65 –70% do gasto energético total • IMC 30-50 kg/m²: 11-14 kcal/kg peso atual/dia • IMC >50 kg/m²: 22-25 kcal peso ideal/dia - hiperproteica: • IMC 30-40 kg/m²: 2,0 g/kg peso ideal/dia • IMC >40 kg/m²: 2,5 g/kg peso ideal/dia - monitorar glicemia, esteatose hepática, componentes cardiometabólicos CONSIDERAÇÕES FINAIS - diretrizes devem ser utilizadas para planejar a prescrição inicial - prescrição deve ser individualizada - avaliação e monitorização do estado nutricional na admissão e durante a internação - TN: início precoce - implementação de protocolos - equipe multidisciplinar - priorizar a clínica do indivíduo!