Prévia do material em texto
TRIAGEm no sERvIço dE uRGêncIA Manual do forMando 2.ª edição © GRUPO PORTUGUÊS DE TRIAGEM 2010 protocolo de triageM de Manchester creo Triagem no Serviço de Urgência Protocolo de Triagem de Manchester MANUAL DO FORMANDO © Grupo Português de Triagem 2010 Grupo Po r tuguês de Tr iagem Ficha Técnica título Triagem no Serviço de Urgência (2.ª edição) é publicada sob licença da Blackwell Publishing Ltd, oxford EDIÇÃo Grupo Português de triagem IC 19, 2720-276 Amadora gptriagem@gmail.com tRADuÇÃo A tradução é da autoria do Grupo Português de triagem, do original inglês: Emergency triage, Second Edition by Advanced life Support Group, ISBN 9780727915429. A responsabilidade da tradução é exclusivamente do Grupo Português de triagem, e não da responsabilidade da Blackwell Publishing ltd. PAGINAÇÃo E ImPRESSÃo DPI Cromotipo Rua Alexandre Braga, 21 B, 1150-002 lISBoA tel.: 217 711 600 Fax: 217 711 601 ISBN 978-989-96652-0-0 2.ª Edição – Amadora, Dezembro de 2010 todos os direitos reservados © GPt 2010 Triagem no Serviço de Urgência Protocolo de Triagem de Manchester Grupo Po r tuguês de Tr iagem Triagem no Serviço de Urgência Protocolo de Triagem de Manchester Editores António Marques Paulo Freitas Contribuíram para esta edição Amélia Gracias Ângela Valença António Pereira Arsénio Gregório Cidália Gomes David Teixeira Fernando Moura Francisca Frade Henrique Martins Humberto Machado José Carlos Teixeira Maio José Coincas José Manuel Almeida Jorge Nunes Luís Cuna Manuel Fernando Silva Maria das Dores Pombinho Vilagelim Ribeiro Grupo Po r tuguês de Tr iagem Grupo Po r tuguês de Tr iagem � Índice Capítulo 1 – História da implementação da triagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 Capítulo 2 – O processo de tomada de decisão e a triagem . . . . . . . . . . . . . 27 Capítulo 3 – Método de triagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 Capítulo 4 – Avaliação da dor como parte do processo de triagem . . . . . . 43 Capítulo 5 – A triagem e a gestão de doentes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 Capítulo 6 – Para além da priorização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 Capítulo 7 – Protocolo de Triagem de Manchester e gestão de risco à gestão do Serviço de Urgência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61 Capítulo 8 – Auditoria ao Protocolo da Triagem de Manchester: Auditoria interna e externa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77 Capítulo 9 – Triagem telefónica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89 Índice de fluxogramas de apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93 Dicionário de discriminadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 199 Anexos – Tabelas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 211 • Régua de dor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 213 • Régua de dor (pediátrica) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 215 • Escala de Coma de Glasgow (GCS) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 217 • Temperaturas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 219 • Fluxo expiratório máximo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 221 • Folha de catástrofe . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 223 • Critérios para atribuição da prioridade branca . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 227 Grupo Po r tuguês de Tr iagem � Prefácio da 1.ª Edição Portuguesa A Triagem no Serviço de Urgência tem como objectivo único priorizar os doentes consoante a gravidade clínica com que se apresentam no Serviço. Ao traduzir este Livro, não posso deixar de agradecer ao Editor Kevin Mackway-Jones e à British Medical Journal Publishing Group a quem pertence o Copyright. Quero também agradecer ao Conselho de Administração e ao Centro de Formação do Hospital Fernando Fonseca a opor- tunidade que deram ao Grupo de trabalho para implementar este método de triagem. Saliento que a implementação do método em Portugal foi iniciada simultaneamente no HFF e Hospital Geral de Santo António, no dia 18 de Outubro de 2000, o que só foi possível graças ao apoio do Conselho de Administração e Centro de Formação do Hospital Geral de Santo António e à colaboração do Dr. António Marques, director do Serviço de Urgência. Por último, quero agradecer a todos os colaboradores do Grupo Português de Triagem sem os quais este projecto não seria implementável. Dr. Paulo Freitas Março 2003 Grupo Po r tuguês de Tr iagem 11 Prefácio da 2.ª Edição Portuguesa Passaram 9 anos desde o início da implementação do Protocolo de Manchester em Portugal. É gratificante constatar que um projecto que se iniciou por vontade de dois hospitais (Hospital Fernando Fonseca e Hospital de Santo António) se generalizou a todo o País, com representação expressiva nas diversas áreas geográficas do continente e das regiões autónomas. Presentemente, o sistema encontra-se implementado em sessenta serviços de urgência nacionais, com mais unidades em fase de implementação, podendo ultrapassar, a breve trecho, os setenta ser- viços aderentes. O Protocolo de Manchester afirma-se hoje como ferramenta indispensável para o planeamento e gestão dos serviços de urgência em Portugal. O início do projecto em Espanha (2005) e no Brasil (2007) foi igualmente promovido com a participação activa do Grupo Português de Triagem. Desde a edição de 2003, muitas mudanças no conhecimento científico e na reestruturação funcional dos serviços de urgência, nomeadamente, na área das tecnologias de informação, tornaram possível demonstrar a segurança e utilidade do protocolo. As implicações vão para além do objectivo para o qual o sistema foi inicialmente desenvolvido, isto é, a estratificação de risco dos doentes que recorrem aos serviços de urgência. Para a actualização, na mais recente edição, considerou-se o avanço do conhecimento e valorizou-se o consenso internacional e as contribuições de muitos profissionais. Muito foi feito, e o Grupo Português de Triagem tem de estar orgulhoso e grato a todos os profissionais de saúde que, com espírito de serviço público e de forma abnegada, tornaram este trabalho possível. Espera-se que a nova edição cumpra as vossas expectativas e que o projecto continue a contribuir para a crescente organização dos cuidados prestados aos doentes. Paulo Freitas, António Marques Lisboa, Maio 2009 Grupo Po r tuguês de Tr iagem 13 Prefácio à 1.ª Edição Inglesa As Urgências são confrontadas diariamente com um grande número de doentes que apresentam uma vasta gama de problemas. A sobrecarga de trabalho dos serviços varia de hora para hora e depende do número de doentes que aí acorrem e do estado que apresentam. É absolutamente essencial que exista um sistema de triagem implementado para assegurarque estes doentes sejam observados por ordem de necessidade clínica e não por ordem de chegada. Foram recentemente dados passos importantes para o estabelecimento de um método de Triagem Nacional. Este livro destina-se a possibilitar ao pessoal da triagem o trabalho de elaboração de uma nova norma pela aplicação deste método aos doentes que recorrem aos seus serviços. Os elementos do grupo multidisciplinar de consenso que conceberam esta metodologia esperam que ela seja usada individualmente por profissionais de saúde, com vista a melhorar o processo de triagem e a assegurar que as suas decisões relativas à triagem são tão válidas quanto reproduzíveis. Este manual contém os conhecimentos básicos necessários para os profissionais da triagem começarem o desenvolvi- mento da sua competência na realização de uma triagem. Esperamos que este manual constitua um recurso de referência útil e um auxiliar de memória. Kevin Mackway-Jones Manchester, Abril 1996 Grupo Po r tuguês de Tr iagem 15 Prefácio à 2.ª Edição Inglesa Já passaram mais de dez anos desde que um grupo de médicos e enfermeiros do serviço de urgência se reuniram, pela primeira vez, para debater soluções para combater a desorganização que se vivia nos serviços de urgência, no Reino Unido. Mal sabíamos que a solução para o nosso problema local seria suficientemente pertinente (e suficientemente oportuna) para se tornar a solução para todo o Reino Unido. Nunca, nos nossos sonhos mais arrojados, imaginámos que o Protocolo de Triagem de Manchester (PTM) seria suficientemente genérico para ser adoptado em todo o mundo. No entanto, para nossa grande surpresa, ambos os sonhos tornaram-se realidade, e o PTM é utilizado em muitas línguas para triar dezenas de milhões de utentes dos Serviços de Urgência, todos os anos Enquanto os princípios básicos que estão subjacentes ao PTM (reconhecimento da queixa de apresentação e identificação de um discriminador) são inalteráveis, tornou-se necessário fazer alguns ajustes. A segunda edição incorpora o resultado de todos os comentários que nos foram enviados por utilizadores durante vários anos (pelos quais estamos muito gratos). Também procura incluir alterações que reflectem novas práticas, tais como a possibilidade de técnicas de revascularização para os doentes que sofreram uma trombose ou enfarte agudo do miocárdio. As principais alterações incluem novos flu- xogramas de Alergia e Palpitações, juntamente com fusão e ampliação de outros fluxogramas, para manter 50 fluxogramas. Alguns novos discriminadores foram introduzidos, tais como Défice neurológico agudo e História respiratória significativa, enquanto outros foram redefinidos. Esta nova edição também procura colocar a triagem no contexto de alterações que estão a acontecer, em muitos sistemas de cuidados de urgência, em todo o mundo. Nos últimos 10 anos a prestação de cuidados de urgência tornou-se o foco de atenção política e, por isso, da gestão. Em particular o cuidado aos doentes com condições menos urgentes (que estão em maior número na maior parte dos contextos) tornou-se uma fonte de preocupação, uma vez que sistemas com recursos inferiores tratam em primeiro lugar os doentes com prioridade clínica mais elevada (correctamente). Deste modo inevi- tavelmente, a terapêutica é atrasada para os doentes no outro extremo da escala de prioridade. Era mais fácil culpar o sis- tema de priorização clínica (triagem), por este atraso, do que aceitar que o sistema tinha poucos recursos, o que significou que a triagem deixou de estar na moda nalgumas áreas. A nossa opinião foi sempre de que a triagem é vital, em todos os sistemas ou circunstâncias onde a procura de cuidados ultrapassa a capacidade de os tratar. Continuamos a acreditar que estas circunstâncias ocorrem ocasionalmente, mesmos nos sistemas mais bem geridos e com melhores recursos, e fre- quentemente naqueles com pior capacidade de resposta. Assim, a priorização clínica (quer chamada triagem, avaliação inicial, ou qualquer outra coisa) continua a ser um ponto muito importante e central da gestão de risco clínico nos cuidados de urgência, pelo que abandoná-lo por completo não é uma opção. Como mostramos num dos nossos capítulos, o resul- tado do processo de triagem do PTM pode ser usado de forma construtiva, “para além da priorização”, e isto realça a sua utilidade para os serviços de urgência. Kevin Mackway-Jones, Janet Marsden, Jill Windle Manchester, 2005 Grupo Po r tuguês de Tr iagem 17 Membros do Protocolo de Triagem de Manchester Kassim Ali - Consultor de Medicina de Urgência Simon Brown - Enfermeiro Sénior de Urgência Helen Fiveash - Enfermeira Sénior de Urgência Julie Flaherty - Enfermeira Pediátrica Sénior de Urgência Stephanie Gibson - Enfermeira Sénior de Urgência Chris Lloyd - Enfermeiro Sénior de Urgência Kevin Mackway-Jones - Consultor de Medicina de Urgência Janet Marsden - Enfermeira Sénior de Urgência de Oftalmologia Sue McLaughlin - Enfermeira Sénior de Urgência de Pediatria Rosemary Morton - Consultora de Medicina de Urgência Karen Orry - Enfermeira Sénior de Urgência Barbara Phillips - Consultora de Medicina Pediátrica de Urgência Phil Randall - Consultor de Medicina de Urgência Brendan Ryan - Consultor de Medicina de Urgência Ian Smith - Consultor de Medicina de Urgência Debbie Stevenson - Enfermeira Sénior de Urgência Claire Summers - Consultora de Medicina de Urgência Steve Southworth - Consultor de Medicina de Urgência Jill Windle - Instrutora de Enfermagem de Urgência Joanne Royle - Enfermeira Sénior de Urgência Grupo Po r tuguês de Tr iagem 19 Núcleo Fundador do Grupo Português de Triagem António Marques David Teixeira França Gouveia Maria das Dores Pombinho Manuel Fernando Silva Paulo Freitas Rui Vieira Grupo Po r tuguês de Tr iagem 21 Capítulo 1 História da implementação da triagem Introdução O Protocolo de Triagem de Manchester foi implementado em Novembro de 1994 com o objectivo expresso de estabelecer um consenso entre médicos e enfermeiros do Serviço de Urgência com vista à criação de normas de triagem. Ficou rapi- damente claro que o objectivo do grupo podia ser definido em: desenvolvimento de uma nomenclatura comum desenvolvimento de definições comuns desenvolvimento de uma sólida metodologia de triagem desenvolvimento de um programa de formação desenvolvimento de um guia de auditoria para a triagem noMEnCLAturA E dEFInIçÕES Uma análise da nomenclatura e das definições actualmente em uso revelou diferenças consideráveis. De seguida apre- senta-se uma amostra representativa destas diferenças: PrIorIdAdE tEMPo-ALvo PrIorIdAdE tEMPo-ALvo PrIorIdAdE tEMPo-ALvo PrIorIdAdE tEMPo-ALvo Vermelho 0 A 0 Imediato 0 1 0 Amarelo < 15 BC < 10 < 60 Urgente Semiurgente 5 - 10 30 - 60 2 < 10 Verde < 120 D < 120 Azul < 240 E ~ Tempoaceitável ~ 3 ~ Ficou evidente que há um determinado número de tempos comuns a serem usados pelos diferentes sistemas de triagem, que são os seguintes: PrIorIdAdE tEMPo-ALvo tEMPo-ALvo tEMPo-ALvo tEMPo-ALvo 1 0 0 0 0 2 < 15 < 10 5 - 10 < 10 3 < 60 30 - 60 4 120 < 120 5 < 240 ~ ~ ~ Uma vez identificados os temas de triagem comuns foi possível rapidamente chegar a acordo quanto a um novo sistema de nomenclatura e de definição. A cada uma das novas categorias foi atribuído um número, uma cor e um nome, sendo cada uma delas definida em termos de tempo-alvo aceitável até ao primeiro contacto com o médico de serviço. 22 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem No Reino Unido realizaram-se reuniões ao nível nacional entre os representantes da Enfermagem e Corpo Clínico dos Serviços de Urgência para a discussão de uma escala nacional de triagem baseada em conceitos idênticos. Conseguiu-se um consenso em torno da seguinte escala de triagem: NÚMERO NOMECOR TEMPO-ALVO 1 Emergente Vermelho 0 2 Muito urgente Laranja 10 3 Urgente Amarelo 60 4 Pouco urgente Verde 120 5 Não urgente Azul 240 Deverá ser atribuída a cor branca a todos os doentes que apresentam situações não compatíveis com o Serviço de Urgência, de que são exemplos os doentes admitidos para transplante, para técnicas programadas, etc. Nestes casos, deve ser registada a cor branca e a razão da sua atribuição (este tema é abordado no Capítulo 3) . METODOLOGIA DE TRIAGEM Em termos gerais, um método de triagem pode tentar fornecer ao profissional não um diagnóstico, mas uma prioridade clínica baseada apenas na identificação de problemas. O Grupo Português de Triagem decidiu rapidamente que o objec- tivo da metodologia de triagem devia ser concebida por forma a atribuir uma prioridade clínica. Esta decisão baseou-se em três grandes princípios. O primeiro é que o objectivo da triagem num Serviço de Urgência é facilitar a gestão clínica de doentes e, ao mesmo tempo, facilitar a gestão do Serviço; a melhor forma de isto ser conseguido é através da atribui- ção exacta de uma prioridade clínica. O segundo é que se o tempo da “observação” de triagem visar a obtenção de um diagnóstico exacto está condenado ao fracasso. E, finalmente, é evidente que o diagnóstico não está precisamente rela- cionado à prioridade clínica; a prioridade reflecte um número de aspectos de uma condição particular apresentada por um doente; por exemplo, um doente com um diagnóstico final de entorse do tornozelo pode apresentar-se com dor aguda moderada ou sem dor, e a sua prioridade clínica deve reflectir esta realidade. Em traços gerais, o método de triagem proposto por este livro requer que os profissionais identifiquem a queixa de apre- sentação, e procurem posteriormente um número limitado de sinais e sintomas em cada nível de prioridade clínica. Os sinais e os sintomas que fazem a discriminação entre as prioridades clínicas são chamados de discriminadores e estão apresentados na forma de fluxogramas para cada condição apresentada – os fluxogramas de apresentação. Os discrimi- nadores que indicam níveis de prioridade mais altos são os primeiros a ser procurados, e, em grande medida, os doentes que são classificados pelas prioridades clínicas mais baixas, são seleccionados por defeito. O processo de tomada de decisão é discutido no Capítulo 2 e o método de triagem propriamente dito é explicado em pormenor no Capítulo 3. Prioridade e Gestão É fácil, mas errado, fazer confusão entre prioridade clínica e gestão clínica de um doente. A primeira requer a recolha de informações que permitam a colocação do doente numa das cinco categorias definidas, já apresentadas; a última pode exigir uma maior compreensão das necessidades do doente, e pode ser afectada por um vasto número de factores extrín- secos, tais como a hora do dia, a disponibilidade de pessoal e o número de camas disponível. A gestão de doentes é ana- lisada em pormenor no Capítulo 5. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 23 Formação em triagem O presente livro e o curso que o acompanha tentam fornecer a formação necessária para a introdução de um método de triagem normalizado. Não se prevê que a leitura do livro e a frequência de um curso produzam uma perícia instantânea em triagem. Este processo, pelo contrário, vai introduzir o método e permitir aos profissionais o desenvolvimento da sua competência na utilização do material disponível. Este é o primeiro passo para a aptidão na utilização do sistema, devendo ser seguido de uma auditoria e avaliação do sistema em utilização. a auditoria de triagem O Grupo Português de Triagem dedicou uma quantidade de tempo considerável a tentar estabelecer “situações sentinela” – ou seja, problemas que possam ser identificados retrospectivamente e ser utilizados como “marcadores” de uma triagem precisa. Pelas razões supracitadas tornou-se rapidamente evidente que mesmo a análise retrospectiva não pode prever com exactidão a prioridade clínica real. Prevê-se que seja possível identificar o perfil das prioridades clínicas que subsequentemente estejam associadas a diagnósticos particulares, e o Grupo identificou um certo número de “marcadores” para este processo. Uma vez imple- mentado o sistema, serão efectuados estudos que permitam determinar este perfil e a verificação da sua fiabilidade entre os diversos serviços. A introdução com sucesso de um método sólido de auditoria é essencial para o futuro de qualquer metodologia normali- zada, uma vez que tem de ser demonstrada a existência da reprodutibilidade entre profissionais e serviços individuais. Para além da triagem no serviço de urgência O conceito de triagem (que determina a necessidade clínica como um método de gerir o risco clínico), e o processo real- çado neste livro (identificação da queixa de apresentação seguido pela procura de um discriminador) é aplicável noutros contextos. Nalguns destes (por exemplo médico, cirúrgico ou unidades de avaliação pediátrica) o sistema pode ser implementado exactamente da mesma forma como no Serviço de Urgência. Noutros contextos (por exemplo unidades de cuidados primários), muitos contactos podem ser feitos por telefone. Uma modificação do Protocolo de Triagem de Manchester (PTM) pode ser usada para esse fim, como é realçado no capítulo 9. A informação obtida durante o processo de triagem pode também ser usada de outras formas para melhorar os cuidados do doente. É importante, por exemplo, que os pofissionais de saúde reconheçam qualquer agravamento no estado dos doentes o mais cedo possível. A valorização de sinais e sintomas foram aplicados em muitos contextos para formalizar esta função. Finalmente, alguns utilizadores do PTM devem ter percebido que o resultado da selecção da apresentação – processo de avaliação da prioridade no PTM é colocar doentes individuais numa de 250 hipóteses, numa matriz de apresentação- -prioridade de 50 × 5 alternativas. 24 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem Resumo A triagem é uma parte fundamental da gestão do risco clínico, quando a carga assistencial ultrapassa a disponibilidade dos serviços. O PTM promove um sistema verificável que se pode ensinar, de como atribuir a prioridade clínica em contextos de urgência. Não é concebido para julgar se os doentes estão, apropriadamente, no local de atendimento adequado, mas para assegurar que os que precisam de cuidados urgentes e emergentes os recebem, de forma adequada e rapidamente. Pode ser utilizado para monitorizar cuidados e para identificar prioridades clínicas – isto será determi- nado por prestações locais e disponibilidade real. o futuRo A prioridade clínica dos doentes é um dos marcadores dos variados casos que se encontram no serviço; é passível de ser utilizada como parâmetro em contratos de qualidade e pode ser usada também como variável na contratação financeira. A triagem precisa de ser reprodutível e possível de auditoria se se pretender a implementação destes desenvolvimentos. É importante que os pontos de vista clínicos, bem como os que foram usados para a produção da metodologia que aqui se descreve, estejam no centro deste importante processo. PRojecção NacioNal do PRotocolo de maNchesteR O Hospital Fernando Fonseca e o Hospital de Santo António foram pioneiros no estabelecimento e na divulgação do PTM, alargando a novos horizontes a gestão do serviço de urgência, com a sua implementação a 15 de Outubro de 2000. Após celebração de um acordo com objectivos específicos, em Março do mesmo ano, os seus profissionais efectuaram treino, definindo um caminho comum, partilhando riscos, que decorrem de uma mudança radical, em relação ao funcionamento da rede de urgência hospitalar de então, e aceitando que os serviços necessitavam de ser organizados desde a entrada e por prioridade clínica. Após a revisão sistemática e permanente dos fluxogramas e a consolidação da metodologia, outras Instituições demons-traram interesse na implementação da mesma filosofia de organização. Uma vez que a implementação noutras instituições ultrapassava as competências restritas do acordo bilateral atrás referido, foi celebrado, com o Ministério da Saúde, em Maio de 2001, um acordo que permitia às instituições hospitalares, que, voluntariamente, desejassem implementar o PTM, o fizessem, integrando o Grupo Português de Triagem (GPT). Para tal, teriam de assinar um protocolo e uma declaração de princípios, onde aceitavam, tacitamente, as regras para a sua implementação, não existindo qualquer pagamento por adesão. Existia, sim, um código rígido de conduta, de modo a garantir a fiabilidade e a reprodutibilidade do sistema, permitindo ao GPT, nomeadamente, o acesso às bases de dados das Instituições. Todas as Instituições eram parceiras de pleno direito no GPT, criando-se, espontaneamente, um fórum de discussão e de melhoria contínua do sistema. As adesões continuaram a aumentar, atingindo, actualmente, cerca de 75 serviços de urgência em funcionamento (tanto no domínio público como no privado), e com perspectivas de crescimento a toda a rede de urgência. Portugal tem, neste momento, mais de 4500 profissionais de saúde creditados para efectuarem a triagem de doentes e cerca de 200 creditados como instrutores e auditores. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 25 De seguida, demonstra-se a evolução desta implementação em Portugal: 0 10 20 30 40 50 60 N º Hos pitais C/PM 2 2 2 1 7 2 2 3 4 4 9 5 7 6 0 2 0 0 0 2 0 0 1 2 0 0 2 2 0 0 3 2 0 0 4 2 0 0 5 2 0 0 6 2 0 0 7 2 0 0 8 Evolução dos Hospitais com Protocolo Manchester 2000-2008 Fonte: Grupo Português de Triagem, 2008 Projecção InternacIonal do Protocolo de Manchester Com o lançamento, em Março de 2003, da segunda edição portuguesa do Protocolo de Manchester, que incorporava ino- vações desenvolvidas pelo GPT, os autores ingleses, a fim de formalizarem um fórum internacional de partilha de conhe- cimentos, constituíram o International Working Group. Este Grupo constitui consenso internacional e é responsável pela actualização contínua e adaptação, nomeadamente para compatibilizar o método com os avanços da Medicina, de forma uniforme nos diversos países com hospitais aderentes. Em Março de 2005, o GPT, com o acordo dos autores ingleses, foi convidado por um grupo de profissionais espanhóis a iniciar o projecto em Espanha. Essa colaboração constituiu um verdadeiro desafio, que culminou com o primeiro Curso de Instrutores, em Madrid, em Outubro de 2005, e a constituição formal do Grupo Espanhol de Triagem (GET), sendo ratificado um acordo de parceria com o GPT. Foram cedidos todos os materiais para ensino e necessários para a implementação do protocolo de Manchester em Espanha. Presentemente, Espanha conta com 30 serviços de urgência, que utilizam esta metodologia, esperando-se atingir os 60 até ao final de 2009. Em Maio de 2007, o GPT foi contactado pelo Governo do Estado de Minas Gerais, no Brasil, que, no âmbito do programa de reestruturação da rede de urgência e emergência, solicitou a implementação do PTM no referido Estado. Contando com o envolvimento de um número significativo de profissionais de saúde, foi criado o Grupo Brasileiro de Classificação de Risco (GBCR) como órgão técnico local para a promoção do PTM. Assinado o acordo de cooperação, em Outubro do mesmo ano entre os autores ingleses, GPT e GBCR, iniciou-se a formação, com o objectivo de assegurar 19 hospitais em funcionamento até ao final de 2008. Através da internacionalização, foi possível a implantação do protocolo na Austrália, Nova Zelândia, Holanda, Alemanha, Itália, Áustria, Suécia, Japão, Canadá, Espanha e Brasil. A internacionalização permitiu testar o PTM e adaptá-lo a culturas diversas, validando os parâmetros de qualidade e o modelo de gestão. creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 27 Capítulo 2 o proCesso de tomada de deCisão e a triagem Introdução A tomada de decisões é parte integrante e importante da prática clínica e de enfermagem. Uma sólida avaliação clínica de um doente requer tanto raciocínio como intuição, e ambos devem basear-se nos conhecimentos e aptidões profissio- nais. Muitos profissionais argumentam que as decisões críticas são tomadas apenas com “senso comum” e como “solução de problemas”, e, têm razão, até certo ponto. No entanto, decidir é muito mais do que isso e requer um certo nível de competência. Parte do seu processo de tomada de decisão dos clínicos consiste em: Interpretar discriminar Avaliar Assim, é necessário interpretar, discriminar e avaliar a informação que recolhem acerca dos doentes, e fazer uma avaliação crítica das suas acções posteriores a essa decisão. Sem um quadro de referência em que basear as suas decisões não têm uma estrutura, ficando as opções ao acaso. A capacidade de tomar decisões sólidas é essencial para uma prestação de cui- dados de boa qualidade aos doentes. Para esse fim, torna-se evidente que é necessário possuir um quadro referencial objectivo. No Reino Unido a triagem era tradicionalmente uma função da equipa de enfermagem mas, durante uma década, as únicas linhas de orientação adoptadas foram as do instrumento de avaliação SOAPE de Blythin que estrutura a entrevista mas não fornecem orientações quanto ao resultado. Desta forma, o resultado do processo de triagem não era baseado numa meto- dologia sólida – as decisões da triagem, relativas aos doentes, eram potencialmente únicas para cada triador fazendo parte inerente do seu próprio processo de tomada de decisões. Estas decisões podem ser fundamentalmente inválidas sem um quadro de referência. Tal problema só pode ser superado com o fornecimento deste quadro de referência (metodologia), para o processo de triagem, e pela concepção de um método que permita aos profissionais obter as competências neces- sárias para a sua implementação. o desenvolvImento dA CAPACIdAde Foi descrita uma relação entre a experiência e a aquisição de competência, em que existem os cinco estádios de desen- volvimento que se indicam abaixo: Principiante Principiante avançado Competente extremamente competente Perito 28 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem À medida que os profissionais se vão desenvolvendo, continuamente, vão adquirindo competências e aprendendo com as suas experiências. Nesse sentido altera-se e melhora-se a sua capacidade de tomada de decisões. Este processo pode ser facilitado pelo fornecimento de um sistema baseado num quadro comum, metodologicamente sólido, onde se avalie a sua eficácia. Estratégias dE tomada dE dEcisõEs Num processo de tomada de decisão recorre-se a um determinado número de estratégias, que se indicam a seguir: raciocínio reconhecimento de padrões Formulação repetitiva de hipóteses representação mental intuição raciocínio Há essencialmente dois tipos de raciocínio envolvidos num pensamento crítico: o indutivo e o dedutivo. O raciocínio indutivo é a capacidade de ter em conta todas as possibilidades, e é especialmente útil aos menos experientes. Envolve um processo moroso de análise de todas as informações recolhidas sobre um doente, para se chegar a uma decisão con- creta quanto aos cuidados de que necessita. O raciocínio dedutivo é a selecção da análise de diferentes soluções óbvias através da recolha de informações sobre o doente. Essa estratégia, que permite ao profissional a rápida distinção entre informações importantes e irrelevantes para chegar a uma decisão, é frequentemente ignorada ou não reconhecida, mas faz parte da prática de um perito. reconhecimento de padrões Vulgarmente usados pelos profissionais de saúde, reveste-se de particular importância na tomada de decisões rápidas com base num número limitado de informações necessárias à triagem. Este método permite juntar as peças da informação disponível com o objectivo de as analisar. Os clínicos interpretam os padrões dos sinais e sintomasdo doente por compa- ração e relacionamento com outras condições observadas em casos anteriores, alcançando um diagnóstico ou decisão referente ao bem-estar dos doentes. A capacidade de utilização desta capacidade de tomar decisões desenvolve-se com a experiência, e, por vezes, pode parecer intuição. Os profissionais principiantes, extremamente competentes ou simples- mente competentes, podem necessitar de recorrer à solução de problemas para chegar a uma solução, enquanto que os colegas mais experientes podem utilizar o reconhecimento de padrões. Formulação repetitiva de hipóteses A formulação repetitiva de hipóteses é usada pelos clínicos para testar o raciocínio do diagnóstico. Uma decisão pode ser tomada através da recolha de dados para a confirmação ou eliminação de hipóteses. Este método pode ser indutivo ou dedutivo, dependendo do grau de perícia. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 29 Representação mental A representação mental é um método que consiste em simplificar uma situação para obter um quadro geral, permitindo ao profissional concentrar-se nas informações importantes. Esta estratégia é frequentemente usada em problemas muito complexos ou prementes. O uso de analogias ajuda o clínico a visualizar a situação pela simplificação do problema, per- mitindo-lhe uma perspectiva diferente. As decisões de triagem têm de ser rápidas e o uso deste método é limitado nesta fase dos cuidados prestados ao doente. Intuição A intuição, profundamente inserida na perícia, é vista frequentemente como a capacidade de os profissionais resolverem problemas com relativamente poucos dados. A intuição raramente envolve uma análise consciente e é frequentemente expressa como “sentimento interior” ou “forte palpite”. Os profissionais peritos veem as situações de uma forma holística e recorrem à experiência adquirida. Muito do seu conhecimento é baseado na prática e é referido como tácito, quando as decisões eficazes são tomadas através da combinação dos conhecimentos com as teorias da tomada de decisões e o pen- samento intuitivo. Muitos peritos não estão conscientes dos processos mentais que usam na avaliação e na gestão de doentes. Embora a intuição continue a ser imensurável, o seu valor para a prática clínica é reconhecido e está bem documentado. Tomada de decIsões duRanTe a TRIagem Apesar de todas as teorias, a tomada de decisões consiste simplesmente numa série de passos para chegar a uma conclusão e é composta por três fases: identificação de um problema, determinação das alternativas e selecção da alternativa mais adequada. Foi descrita uma abordagem para a tomada de decisões críticas que utiliza os cinco passos seguintes: Identificação do problema colheita e análise de informações relacionadas com a solução avaliação de todas as alternativas e selecção de uma delas para implementação Implementação da alternativa seleccionada monitorização da implementação e avaliação dos resultados Esta abordagem inclui um determinado número de teorias e métodos. Quando aplicadas à triagem, as decisões são for- madas do seguinte modo: Identificação do problema É feita através da obtenção de informações do próprio doente, das pessoas que lhe prestam cuidados e/ou de qualquer pessoal de saúde pré-hospitalar. Esta fase permite a identificação do fluxograma de apresentação relevante. Recolha e análise de informações relacionadas com a solução Uma vez identificado o fluxograma, esta fase torna-se mais simples, uma vez que se podem procurar os discriminadores em cada nível. Os fluxogramas facilitam a avaliação rápida através da sugestão de perguntas estruturadas. O reconheci- mento de padrões também desempenha um papel importante nesta fase. 30 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem Avaliação das alternativas e selecção de uma delas para implementação Os profissionais de saúde recolhem uma quantidade maciça de dados sobre os doentes que observam, são reunidos na sua própria base de dados mental e armazenados em compartimentos para fácil memorização; estes dados são mais efi- cazes quando estão associados a um quadro de avaliação organizacional. Estes quadros servem de guias de avaliação e são organizados por compartimentos com subtítulos. O fluxograma de apresentação fornece o quadro organizacional para a ordenação do processo do raciocínio durante a triagem. Foi provado que os fluxogramas integram o processo de tomada de decisões no quadro clínico auxiliam a tomada de decisões, através do fornecimento de uma estrutura, e servem também de apoio ao pessoal júnior, no seu processo de aquisição de competência na tomada de decisões. Implementação da alternativa seleccionada A selecção possível limita-se às cinco categorias de triagem existentes e, como foi dito no Capítulo 1, todas elas têm um nome e uma definição específica. Os profissionais da triagem aplicam a categoria que melhor se adapta à urgência da condição apresentada pelo doente. Uma vez atribuída a prioridade, tem início o respectivo percurso. Monitorização da alternativa implementada e avaliação dos resultados A triagem é dinâmica e deve responder tanto às necessidades dos doentes como às do serviço. O método de triagem delineado neste livro garante que o processo que leva à tomada de decisões é acertado. Consequentemente, o pessoal que executa a triagem estará capacitado para identificar como e quando chegaram ao resultado (categoria). Isto facilita a reavaliação e posterior confirmação ou alteração de categoria. Outro aspecto tão importante quanto este é que todo o processo pode ser passível de auditoria e introduzido no sistema. AlterAção dA prátIcA corrente de toMAdA de decIsões Para muitos profissionais de saúde experientes a introdução de um novo quadro para a tomada de decisões na triagem apresenta alguns problemas. Vai ser difícil “desaprender” métodos individuais de tomada de decisões que foram desen- volvidos ao longo de muitos anos de prática. No entanto, esta mudança deve ser vista como um aperfeiçoamento do seu sistema actual, proporcionando pela primeira vez um raciocínio claro para a decisão tomada e um sistema passível de auditoria. Esta abordagem sistemática será uma contribuição de grande importância para o corpo de conhecimentos quando utilizado na formação de pessoal júnior, que muito dependem de peritos para os informar e orientar na sua prática profissional. O actual processo de tomada de decisões na triagem, apresentado neste manual, é eficaz, adaptável a qual- quer ambiente profissional e valioso para qualquer elemento, independentemente do seu grau de experiência. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 31 Capítulo 3 Método de triageM Introdução O método delineado neste livro foi concebido para permitir ao profissional da triagem a atribuição rápida de uma prio- ridade clínica a cada doente. O sistema selecciona os doentes com maior prioridade e funciona sem fazer quaisquer pre- sunções sobre o diagnóstico: este modo de funcionamento é deliberado e reconhece que os serviços de urgência são, em grande medida, orientados pelos sinais e sintomas apresentados pelos doentes. Como já foi dito no Capítulo 2, as decisões tomadas na triagem seguem cinco passos. Identificação do problema Colheita e análise das informações relacionadas com a solução Avaliação de todas as alternativas e selecção de uma para implementação Implementação da alternativa seleccionada Monitorização da implementação e avaliação dos resultados Identificação do Problema A prática clínica gira à volta do conceito da queixa apresentada – o principal sinal ou sintoma identificado pelo doente ou pelo profissional de saúde que motiva o doente a procurar o serviço de urgência. Apresentamos uma lista de condições apresentadas pertinentes para a triagem. Agressão Alergia Asma Auto-agressão Bebé que chora Cefaleia Comportamento estranho Convulsões Corpo estranho Criança com dificuldade de locomoção Criança irritável Criança que não se sentebem Diabetes Diarreia e/ou vómitos Dispneia Dispneia na criança Doença mental Doenças sexualmente transmissíveis Dor abdominal Dor abdominal na criança Dor cervical Dor de garganta Dor lombar Dor testicular Dor torácica Embriaguez aparente Erupções cutâneas Estado de inconsciência/síncope Exposição a químicos Feridas Grande traumatismo Gravidez Hemorragia GI Hemorragia vaginal Indisposição no adulto Infecções locais e abcessos Lesão torácico-abdominal Mordeduras e picadas Pais preocupados Palpitações Problemas estomatológicos Problemas faciais Problemas nos membros Problemas oftalmológicos Problemas nos ouvidos Problemas urinários Quedas Queimaduras profundas e superficiais Sobredosagem ou envenenamento T.C.E. Catástrofe – avaliação primária Catástrofe – avaliação secundária 32 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem Esta lista foi compilada após consenso e abrange quase todas as situações apresentadas nos serviços de urgência. Estas situações enquadram-se grosso modo nas categorias doença médica, trauma/lesão, crianças, comportamento anormal e grandes incidentes. A primeira parte do método de triagem requer que o profissional seleccione uma condição apropriada da lista apresen- tada. Ao seleccionar esta condição adequada o profissional é levado para um fluxograma de apresentação que identifica os discriminadores e que permite a determinação da prioridade clínica. Houve o máximo cuidado para garantir que os fluxogramas têm uma abordagem consistente, com informação cruzada entre fluxogramas, uma vez que um determinado número de condições principais apresentadas pode conduzir a mais de um fluxograma de apresentação. Desta forma, por exemplo, um "doente indisposto" (que não se sente bem), e que apresente o pescoço rígido e cefaleias/dores de cabeça, terá a mesma prioridade, quer o profissional use os fluxogramas Indisposição no Adulto, Dor Cervical ou Cefaleia. Os fluxogramas propriamente ditos são apresentados mais adiante neste livro. Recolha e análise de infoRmações A escolha do fluxograma de apresentação é, em grande medida, ditada pela condição apresentada pelo doente. Depois desta selecção, é necessário proceder à recolha e análise de informações que permitam a determinação da prioridade real. O fluxograma estrutura este processo mostrando discriminadores-chave (perguntas) em cada nível de prioridade – a avalia- ção é feita encontrando o grau mais elevado de resposta positiva (ou que não se consegue negar) para a pergunta discri- minadora. Os discriminadores são deliberadamente colocados na forma de perguntas para facilitar o processo. discriminadores Discriminadores, como o nome indica, são factores que à discriminação dos doentes, permitem a sua inclusão numa das cinco prioridades clínicas e podem ser gerais ou específicos. Os primeiros aplicam-se a todos os doentes, independente- mente da condição que apresentam e, consequentemente, surgem repetidas vezes ao longo dos fluxogramas; em todos os casos, os mesmos discriminadores gerais remetem o profissional da triagem para a mesma prioridade clínica. Os dis- criminadores específicos aplicam-se aos casos individuais, ou a pequenos grupos de apresentações, e tendem a relacio- nar-se com características-chave de condições particulares. Desta forma, por exemplo, dor aguda é um discriminador geral, dor pré-cordial e dor pleurítica são discriminadores específicos. Os discriminadores gerais surgem em muito mais fluxogramas que os específicos. Todos os discriminadores usados são definidos no dicionário (glossário) de discrimina- dores no fim do livro; as definições dos discriminadores específicos usados em fluxogramas individuais são repetidos nas notas que acompanham o fluxograma para permitir uma fácil referenciação. Os discriminadores gerais são uma característica recorrente dos fluxogramas, e é essencial que sejam bem entendidos para uma boa compreensão do método de triagem. Serão discutidos aqui seis discriminadores gerais – os que se encon- tram na tabela. Risco de vida dor hemorragia Grau de estado de consciência Temperatura início das queixas Grupo Po r tuguês de Tr iagem 33 Risco de vida Para um enfermeiro ou médico do serviço de urgência os discriminadores relacionados com o risco de vida de todos. Em termos gerais, este discriminador reconhece que qualquer paragem ou ameaça das funções vitais (ABC: via aérea, ventilação, circulação) coloca o doente no primeiro grupo de prioridades. Os doentes que não são capazes de manter premeável a sua via aérea, por qualquer período de tempo, têm com- promisso da via aérea. Além disso, os doentes com estri- dor apresentam grave compromisso respiratório – pode ser um ruído na inspiração, na expiração ou em ambas. O estridor é mais audível quando se respira de boca aberta. A apneia é definida como ausência de respiração ou esforço para respirar, avaliada por observação directa e auscultação durante 10 segundos. Respiração ineficaz é um conceito mais difícil – mas, em termos gerais, os doentes que não conseguem respirar por forma a manter uma oxigenação adequada apresentam respiração inefi- caz. Pode verificar-se um aumento de esforço respira- tório, sinais de utilização de músculos acessórios ou exaustão. A ausência de pulso só é diagnosticada com palpação de um pulso central durante 5 segundos ou com a ausência evidente de sinais de circulação. O choque pode ser difícil de detectar – os sinais clássicos incluem: sudação, palidez, taquicardia, hipotensão e alteração do estado de consciência. Dor Na perspectiva dos doentes a dor é um factor importante para a determinação da prioridade. O uso da dor como discriminador geral ao longo dos fluxogramas de apresen- tação reconhece este facto e torna implícito que todas as avaliações de triagem devem incluir uma avaliação da dor. A avaliação da dor é tratada em pormenor em capítulo próprio e os leitores são remetidos para lá para obterem uma discussão detalhada; em termos gerais, o discrimina- dor “dor severa” pretende representar uma dor intolerável – significativa e insuportável –, muitas vezes descrita como a pior de sempre, enquanto que "dor moderada” refere-se a uma dor intensa, significativa mas suportável. Qualquer doente com um grau de dor inferior ao atrás descrito tem uma dor ligeira que, se inferior a 7 dias e salvo se existirem outros discriminadores que sugiram uma priorização mais elevada, no mínimo implica a prioridade pouco urgente (verde). Na prioridade não urgente (azul) serão colocados, por exclusão, os doentes de dor ligeira há mais de 7 dias, inclusive. O discriminador geral dor descreve apenas a intensidade ou gravidade da dor. Outras características da dor, tais como a localização, irradiação e a periodicidade, podem figurar como discriminadores específicos noutros fluxogramas de apre- sentação particulares. S N N S S vermelho respiração? ineficaz? Compromisso da via aérea? estridor? Ausência de pulso ou choque? lArAnjA AmArelo verde dor moderada? dor severa? dor ligeira < 7 dias? Azul dor ligeira ≥ 7 dias? 34 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem Hemorragia A Hemorragia apresenta-se de várias formas – espe- cialmente, mas não exclusivamente, a que envolve trau- matismo. Os discriminadores de hemorragia são exsanguinante, grande hemorragia incontrolável ou pequena hemorragia incontrolável. A tentativa de controlar com sucesso a hemorragia por compressão, determina a gravidade da mesma. De um modo geral, uma hemorragia contínua tem uma maior prioridade clínica. Embora, certamente, na prática possa ser difícil decidir em que categoria se enquadra uma hemorragia, as definições dos discriminadores estão con- cebidas para facilitar ao profissional a sua decisão. Verifica-se uma hemorragia exsanguinante quando a morte ocorrerá rapidamente a menos que esta seja parada. Uma hemorragia quenão é controlada pela aplicação de uma pressão directa constante, e que continua a sangrar abundantemente ou ensopa rapidamente pensos grandes é descrita como grande hemorragia incontrolável, enquanto que uma hemorragia que continua a sangrar ligeiramente ou intermi- tentemente é descrita como pequena hemorragia incontrolável. Qualquer hemorragia, por muito pequena que seja, e salvo se existirem outros discriminadores que conduzam a uma maior prioridade clínica – deve merecer, no mínimo, a prioridade urgente. Grau de estado de consciência O grau de estado de consciência é tido em conta separadamente para adultos e crianças. Nos adultos, apenas os doentes em estado de mal epiléptico são sempre colocados na categoria de intervenção “emergente”, enquanto que todas as crianças que não respondem são colocadas neste grau de prioridade. Os doentes adultos com um grau de consciência alterado em relação ao estado prévio ou em que não se consiga negar alteração recente (segundo a Escala de Coma de Glasgow – por exemplo, que apenas respondam à voz ou a dor, ou que não respondem) são incluídos na categoria de “muito urgente”. São igualmente muito urgentes as crianças que apenas respondam à voz ou à dor. Todos os doentes com história de perda de consciência devem ser colocados na categoria de urgente. vermelho laranja amarelo Grande hemorragia incontrolável? hemorragia exsanguinante? Pequena hemorragia incontrolável? vermelho laranja apenas responde à voz ou à dor? Convulsão actual não responde? amarelo vermelho laranja alteração do estado de consciência de novo? Convulsão actual? história de perda de consciência? história de perda de consciência? amarelo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 35 O facto de todos os doentes com alteração do estado de consciência de novo serem colocados na prioridade muito urgente pode ser conflituoso com a prática actual: isto é especialmente verdade para a prioridade clínica dada aos doen- tes etilizados ou sob a influência de drogas. Acerca disto, há duas coisas a esclarecer. Em primeiro lugar, a etiologia das alterações do estado de consciência é irrelevante para a determinação do risco do doente – um estado de consciência alterado devido a drogas ou álcool tem a mesma importância clínica que se for provocado por outras causas. Em segundo lugar, a maior parte dos doentes embriagados não tem alterações de estado de consciência. Os pontos específicos para a atribuição de uma prioridade clínica a estes doentes aparentemente embriagados são tratados no fluxograma de apresentação que tem essa denominação. Temperatura A temperatura é usada como um discriminador geral. Pode ser difícil conseguir uma medição precisa durante o processo de triagem, embora os modernos termóme- tros de leitura rápida no tímpano possam tornar isto possível; uma abordagem alternativa menos desejável é a impressão clínica da temperatura da pele seguida de uma avaliação exacta, logo que possível. Se a pele está muito quente ao tacto diz-se que o doente está muito quente – isto corresponde a uma temperatura ≥ 41°C – temperatura timpânica. Da mesma forma, se a pele estiver quente ao tacto, diz-se que o doente está quente, o que corresponde a uma temperatura ≥ 38,5°C e < 40,9°C – temperatura timpânica. Um doente com a pele ligeiramente quente corresponde ao discriminador Febrícula / Subfebril e corresponde a uma temperatura ≥ 37,5°C e > 38,4°C – temperatura timpânica. Para melhor objectivar a situação, a triagem deve dispor de meios de medição rápida da temperatura. Tabela de temperatura (Crianças) TemperaTura TimpâniCa Febrícula/Subfebril 37,5 – 38,4 °C Quente 38,5 – 39,8 °C Muito Quente = ou > a 39,9 ºC Tabela de temperatura (adultos) TemperaTura TimpâniCa Febrícula/Subfebril 37,5 – 38,4 °C Quente 38,5 – 40,9 °C Muito Quente = ou > 41,0 °C laranja amarelo verde Subfebril? Febrícula? Hipotermia? Criança muito quente? adulto muito quente? adulto quente? Criança quente? 36 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem Os doentes com a pele fria podem denominar-se clinicamente como frios – este discriminador corresponde a uma tem- peratura < 35 °C. Um adulto e criança muito quente deverão ser sempre postos na categoria de muito urgente, correspondendo respecti- vamente a uma temperatura timpânica de maior ou igual a 41 ºC ou maior ou igual a 39,9 ºC. O adulto e a criança quente deverão ser colocados na categoria de urgente, correspondendo uma temperatura timpânica de maior ou igual a 38,5 ºC. Os doentes com temperatura timpânica < 35 ºC (independentemente da idade) devem ser sempre colocados na prioridade muito urgente. Os serviços de urgência devem ter protocolos terapêuticos escritos para permitir a administração de antipiréticos. Deve ser registada sempre a hora de administração de antipiréticos quer tenha sido efectuada no domicílio ou no serviço de urgência. Inicio da queixa/agravamento O uso do tempo decorrente desde o aparecimento da lesão/ferimento ou doença como discriminador pode ser considerado controverso, especialmente se a razão de ser não for bem entendida. É determinado o tempo de ins- talação do problema (“acuteness”) como forma de enquadrar temporalmente o aparecimento da situação. Um ferimento ou doença (problema) recente define-se como tendo aparecido (ou se tenha agravado) nos 7 dias anteriores. O tempo relativamente longo de existência do problema, sem agravamento e sinais de risco, indica que o doente pode ser incluído na prioridade não urgente sem risco clínico. O método de triagem está concebido de forma a que, se houver outros discriminadores gerais ou específicos importantes para a condição apresentada, o grau de prioridade suba. Deste modo divide-se em quatro grupos a relação tem- poral de ínicio da queixa/agravamento: Repentino, súbito, agudo, recente, ou não recente. O uso deste discriminador não se destina a “punir” os doentes por acorrerem “indevidamente” ao serviço, nem se destina a assegurar que os doentes que sofrem de ferimentos/lesões ou doenças há muito tempo tenham longos tempos de espera. O tempo de espera para doen- tes com problemas estáveis, que não tenham aparecido recentemente, dependerá da gravidade, do número de casos no serviço e dos recursos disponíveis. Azul verdeProblema recente? lesão/Ferimento recente? Sim Não Inicio da queixa/agravamento repentino minutos/segundos súbito ≤ 12 horas agudo ≤ 24 horas recente < a 7 dias não recente ≥ a 7 dias Grupo Po r tuguês de Tr iagem 37 Fluxograma geral Muitos doentes poderão ser colocados nas respectivas categorias através dos discriminadores gerais e de alguns específi- cos mais comuns, independentemente da condição apresentada. De seguida apresenta-se um fluxograma com o resumo dos discriminadores gerais. Não • Pequena hemorragia incontrolável? • História inapropriada? • Vómitos persistentes? • Adulto quente? • Criança quente? • Dor moderada? AmArelo VerDe Sim Não Azul lArAnjA • Grande hemorragia incontrolável? • Alteração do estado de consciência de novo? • Criança muito quente? • Adulto muito quente? • Dor severa? VermelHo • Compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • Choque? • Criança que não responde? • Convulsão actual? • Subfebril (Febrícula)? • Vómitos? • Dor ligeira < 7 dias? • Problema recente? creo 38 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem AvAliAção dAs AlternAtivAs e sUA selecção A escolha de um fluxograma de apresentação leva à selecção de um determinado número de discriminadores gerais e específicos que poderão ser então aferidos face à condição apresentada pelo doente. A capacidade de implementação do método de triagem aqui apresentado baseia-se na avaliação desta aferição. Os profissionais têm de decidir se os critérios para a presença de certos discriminadoresse verificam, assim como qual dos discriminadores presentes tem maior priori- dade clínica. implementAção dA AlternAtivA seleccionAdA Este passo é basicamente um passo de procedimento. O resultado inevitável da recolha, análise e discussão de informações referidas acima é a decisão de que um determinado discriminador (geral ou específico) é o positivo. Este passo leva à atri- buição de uma das prioridades mostradas na seguinte tabela: nÚmero nome cor tempo-Alvo 1 Emergente Vermelho 0 2 Muito urgente Laranja 10 3 Urgente Amarelo 60 4 Pouco urgente Verde 120 5 Não urgente Azul 240 documentação A implementação envolve o registo da prioridade atribuída. O método de triagem delineado neste livro demonstra que a documentação é muito simples e precisa. É necessário registar o fluxograma de apresentação que está a ser aplicado, qual é o discriminador que define a categoria e qual a categoria que foi seleccionada. Desta forma, o registo de triagem de um doente que se apresenta com dor torácica pode ter o seguinte aspecto: Fluxograma – dor torácica discriminador – dor pleurítica prioridade – UrGente Esta abordagem simples da documentação permite não só uma auditoria simples como também significa que as razões que levaram à decisão são bastante evidentes. monitorizAção e AvAliAção A prioridade clínica pode mudar e, por isso, a triagem tem de ser dinâmica. O método de triagem descrito neste livro pode ser aplicado rapidamente e com confiança por pessoal treinado – torna-se, portanto, útil como instrumento para múltiplas reavaliações da prioridade clínica durante a espera do doente. Toda a observação secundária de enfermagem pode servir como uma reavaliação de triagem, e quaisquer alterações na prioridade clínica podem ser rapidamente notificadas e rectificadas. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 39 AvAliAção do doente A visão purista do evento de triagem é um encontro rápido e focado, no qual é recolhida informação e aplicada para atribuir uma prioridade. Este tipo de avaliação é uma capacidade em si própria. A seguinte estrutura pode ser utilizada para ensinar o processo aos triadores, assegurando que as decisões são baseadas em dados relevantes e adequados ao doente. É importante que a avaliação de um doente seja sistemática, e que todos os elementos dessa avaliação sejam reunidos para dar uma imagem completa dos problemas do doente. Por esta razão, o profissional de triagem deve ter experiência suficiente de cuidados de urgência, e capacidades interpessoais para comunicar eficazmente com os doentes e as suas famílias. A abordagem a esta avaliação deve ter o seguinte formato: PASSoS dA AvAliAção ActividAde de triAgem Cumprimentar o paciente A avaliação começa com a visão dos doentes, olhe para eles quando se aproximam da área de triagem, e capte quaisquer sinais visuais que podem incluir: • Nível de mobilidade • Ferimento óbvio • Idade do doente Colheita sumária de dados Perguntar aos doentes o que os levou ao serviço de urgência. Esta informação é curta, concisa e informa-o sobre o ferimento/doença/problema relacionado com a saúde dos doentes. A apresentação da queixa Doentes que apresentam queixas podem ser relacionados com a história subjectiva que fornecem. Isto leva o triador a escolher o fluxograma de apresentação mais apropriado. As questões focalizadas (entrevista) É aqui que o conhecimento e capacidades do profissional de triagem são mais evidentes. Aplicação de conhecimentos anatómicos, reconhecimento de padrão de queixas apresentadas, e a capacidade de reagir eficazmente a situações de vida ou morte, são todas do domínio do profissional de triagem. Questões focalizadas podem ser usadas para obter mais detalhes se necessário, ex. duração do problema, mecanismo de lesão, medicação actual, etc. O formato destas questões será dirigido pelos discriminadores no fluxograma de apresentação escolhido. Exame físico e análise dos parâmetros físicos Se apropriado, segundo o indicado pelo fluxograma escolhido. Localização das lesões actuais. Registo de observações base, pulso, temperatura, ou informação mais detalhada, ex. obtida pela oximetria do pulso ou avaliação sumária da acuidade visual. Avaliação da dor Uma parte integral do PTM, tanto os valores da dor subjectiva (doente) como objectiva (profissional de triagem) são dignos de registo, com documentos de base racional, para diferenciar os valores. Prioridade/plano de cuidados Prioridade atribuída utilizando o discriminador aplicável ao doente. Descrição sucinta, de qualquer outro cuidado identificado como resultado da avaliação de triagem. Documentos O registo desta informação deve ser feito num formato pré-acordado e mais uma vez claro, conciso e relevante da queixa apresentada. Quando um sistema de triagem computorizado é utilizado o profissional de triagem deve certificar-se que o foco da atenção é sempre o doente e não o ecrã do computador/teclado. Se relevante, incluir um registo de qualquer: • Alergia • Medicação • Historia passada relevante • Medidas de primeiros socorros aplicadas na triagem • Observações Assinatura legível/identificação objectiva Nova avaliação (se aplicável) Registar a necessidade de nova avaliação, em particular quando foi administrado fármaco na triagem. 40 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem Ao seguir este processo sistemático, facilitado pela metodologia de triagem, a análise do doente pode ser executada rapidamente e com confiança, para alcançar uma prioridade clínica apropriada, de forma a guiar a tomada de decisão. A introdução, com sucesso, de um método de verificação resoluto é essencial para o futuro de qualquer metodologia padrão, uma vez que se deve mostrar que existe reprodutibilidade entre os profissionais individuais e os departamentos. Isto será discutido, mais detalhadamente, no Capítulo 8. Cor branCa na triagem A utilização incorrecta dos serviços de urgência como porta de entrada administrativa, bem como o uso destes serviços para execução de actividade “programada” ou não urgente, agrava a pressão sobre os serviços e estimula a incorrecta uti- lização dos serviços pelos profissionais e utentes. Identificado o problema, e dada a diferença de cultura e postura no Reino Unido em relação a estas situações (que não são autorizadas), o Grupo Português de Triagem propôs aos autores ingleses uma cor que identificasse esses casos – a cor branca. Essa cor permitiria quantificar a dimensão do problema em cada serviço, de modo a serem identificadas e sistematizadas soluções que promovam a correcta utilização dos recursos disponíveis. Na última reunião de consenso do Grupo Português de Triagem, foi estabelecido como objectivo nacional que essa per- centagem seja inferior a 5% da totalidade dos episódios de urgência. Cabe aos serviços a correcta monitorização e planeamento de medidas correctivas para cumprimento deste objectivo. Como atribuição da cor branca na triagem tem sido identificada nas auditorias externas como uma dificuldade, pela ausência de critérios uniformizados a nível nacional, esses critérios foram revistos. São critérios para atribuição de cor branca: 1. Razões administrativas: • Doente de outro hospital que necessita de inscrição para execução de exame complementar de diagnóstico por acordo entre instituições (no caso de não ser aberta a inscrição para esta finalidade, o doente não é triado e não é atribuída cor de prioridade). • Cadáver que necessita de registo administrativo para admissão na casa mortuária. • Doente chamado para terapêutica não programada (transplante). • Doente admitido para o internamento para actividade programada, e que utiliza o posto administrativo da urgência para admissão. 2. Razões clínicas: • Doente referenciado por médico (independentemente do local de referenciação ou da especialidade) sem situação aguda ou de urgência, seja para a realização de técnica, exame complementar ou actomédico não urgente (por exemplo, doente enviado para reavaliação clínica, remoção ou renovação de imobilizações, etc.). • Doente referenciado por médico para inclusão em protocolo científico, sem situação aguda ou de urgência. • Utente que recorre ao serviço de urgência ao abrigo do programa de interrupção voluntária de gravidez. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 41 3. Outras razões: • Doentes admitidos para reavaliação por referenciação médica, tendo sido observados anteriormente na urgência, e que actualmente não apresentam situação aguda ou urgente. • Colheita de sangue para contra prova da detecção de álcool ou drogas – por indicação de autoridade policial. Não são critérios para atribuição de cor branca na triagem: 1. Doente readmitido após transferência para outro hospital para efeitos de consultadoria (deverá assumir o processo anterior). 2. Doente referenciado por médico (independentemente do local de referenciação ou da especialidade) à urgência com situação aguda ou urgente. Neste caso, o doente deve ser triado e atribuída a prioridade corresponde à sua situação. 3. Doente que autonomamente procede à inscrição no serviço de urgência para técnica ou acto terapêutico não com- paginável com o serviço de urgência (deverá ser recusado e encaminhado para área / serviço mais indicado e anulada a inscrição). 4. Doente erradamente inscrito na urgência de adultos (doente obstétrico). Deverá ser reencaminhado administrativa- mente, antes de ser triado. 5. Doente transportado pelo INEM e / ou com apoio de VMER (deverá ser triado normalmente, sem impedimento da continuação do tratamento do doente grave e instável – que poderá mandatar seguimento imediato para sala de emergência e avaliação e registo formal da triagem à posteriori). 6. Funcionário vítima de acidente de serviço. Deve ser inscrito e triado normalmente. Deverá ser assegurado o cumpri- mento, em tempo útil, do protocolo para a situação respectiva. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 43 Capítulo 4 avaliação da dor Como parte do proCesso de triagem INTRODUÇÃO Não há muita informação disponível sobre a dor sentida pelos doentes que acorrem ao serviço de urgência. No entanto, a dor é uma questão importante por várias razões: Há um número de vantagens em fazer a avaliação da dor como parte do processo de triagem. A avaliação garante que a dor é tratada na primeira oportunidade. Se o doente ficar tolerável é possível atribuir-lhe uma prioridade inferior, o que permite que o pessoal fique livre para tratar de doentes que requerem uma observação urgente por outras razões, reduz a ansiedade do doente e melhora a comunicação. O processo de avaliação da dor na triagem A avaliação da dor faz parte integrante da metodologia aqui apresentada. Constitui o reconhecimento deliberado e explícito da importância da dor pelas razões referidas acima. Reconhece-se que a avaliação da dor vai resultar na colocação de alguns doentes em categorias de maior prioridade que até então; é uma tentativa deliberada de mudar a má prática corrente onde nem sempre a dor é devidamente valorizada como 5.º sinal vital. Se for feita a avaliação formal da dor do doente na triagem, e se o resultado dessa avaliação ajudar a determinar a urgência com que esse doente tem de ser observado, isto significa que todos os profissionais têm de ser competentes na avaliação da dor - e a avaliação da dor tem de ser válida e reprodu- zível. Não é realista esperar que só seja tida em conta a avaliação subjectiva do doente durante o processo. Pela mesma ordem de ideias, também não é apropriado que só seja tida em conta a avaliação subjectiva do profissional da triagem. Avaliação da dor na urgência Esta avaliação pode ser difícil uma vez que os doentes se sentem pressionados a dizer que têm dores para justificar o seu recurso ao serviço, e alguns doentes, especialmente as crianças, podem negar as dores para evitar tratamentos ou o inter- namento no hospital. A avaliação e tratamento da dor por alguns profissionais pode ser influenciada por percursos clínicos e atitudes “tradicionais”. Por exemplo, os doentes que têm fracturas recebem analgésicos imediatamente enquanto que os que têm dores abdominais não os recebem até serem observados por um cirurgião; se se tratar de uma criança que não chora frequentemente subentende-se que a criança está sem dores. Por outro lado, pode haver a preocupação de que um doente se queixe mais para ser classificado numa prioridade mais elevada, se pensar que isso vai resultar num trata- mento mais rápido. A maior parte dos doentes que vem às urgências sente qualquer grau de dor O grau de dor influencia a prioridade A gestão adequada da dor é um critério-chave para a satisfação do doente O doente com dor pode tornar-se agitado e agressivo O doente com dor é uma fonte de desestabilização para o pessoal e para os outros doentes Por parte do doente há a expectativa de que a sua dor seja tratada 44 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem INSTRUMENTOS PARA A AVALIAÇÃO DA DOR Alguns serviços de urgência estão já a utilizar um instrumento formal para a avaliação da dor. No entanto, a maior parte destes foi desenvolvida para utilizar em doentes no pós-operatório ou com doenças crónicas. De facto, não foi investido muito trabalho na avaliação da adequabilidade da utilização destes instrumentos no ambiente das urgências. Existem três tipos principais de instrumentos de avaliação: Escala descritiva verbal Escalas visual analógica Instrumentos comportamentais da dor Escala descritiva verbal (EDV) Este instrumento consiste num certo número de descritivos, normalmente três a cinco, que estão classificados por ordem numérica. Os descritivos mais comuns são Nenhuma Ligeira Moderada Severa e o correspondente valor numérico aumenta com a gravidade da dor. A escala descritiva verbal é simples e relativamente fácil de usar pelos doentes, tendo já sido utilizada no ambiente de serviço de urgência. VANTAGENS DESVANTAGENS Fornece uma classificação fácil de analisar pelo profissional O uso de uma só palavra de uma lista limitada pode não reflectir a dor que o doente está a sentir Provavelmente produz dados fiáveis Não é adequada para doentes que não falem a mesma língua do triador Pode ser modificada para uso em crianças Representa a avaliação subjectiva do doente Para o profissional de saúde, considera-se uma dor severa aquela que é significativa e insuportável para o doente (de 8-10 na Régua de Dor). Considera-se dor moderada, a dor que é significativa mas suportável para o doente (de 5-7 na Régua de Dor). Considera-se ainda dor ligeira todas as que não são incluídas nas alíneas anteriores. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 45 Escala visual analógica (EVA) Habitualmente, esta escala consiste numa linha recta que representa vários níveis de dor com expressões verbais fixas em cada extremidade. SEM A MAIOR INTENSIDADE DE DOR DOR QUE PODE EXISTIR Os doentes podem assinalar um ponto qualquer na linha. Podem também ser acrescentados descritivos por baixo da linha além das expressões nas extremidades e a linha pode ser segmentada numericamente para facilitar a classificação para fins de avaliação ou comparação. VANTAGENS DESVANTAGENS Fácil e rápida de usar e de classificar Alguns doentes preferem marcar os pontos próximos das extremidades Estas escalas podem ser mais sensíveis do que as escalas verbais Não é adequada para doentes que não falem a mesma língua do triador Se forem usadas correctamente, são reproduzíveis e fiáveis Alguns doentes acham as EVA demasiado abstractas, especialmente os que sentem dor aguda, os que têm um grau de habilitações inferior ou os que são portadores de qualquer deficiência de coordenação motora. As pessoas idosas têm alguma dificuldade em usar estas escalas. Avaliação subjectiva do doente Instrumentos comportamentais da dor (ICD)Estes instrumentos foram desenvolvidos com base no princípio de que os doentes com dores exibem certos comporta- mentos e alterações psicológicas. Estes instrumentos podem medir: Resposta verbal Linguagem gestual Expressão facial Mudanças comportamentais Estado de consciência Alterações psicológicas 46 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem Há alguns instrumentos baseados na combinação de um certo número dos factores acima referidos. VANTAGENS DESVANTAGENS Podem ser usados em doentes com problemas de comunicação Escalas complexas, comparação e classificação difícil Não incluem a avaliação subjectiva do doente Morosas – demoram 5-15 minutos a usar O INSTRUMENTO IDEAL PARA A AVALIAÇÃO DA DOR Um instrumento ideal para utilização num serviço de urgência deve ser rápido e simples de usar, deve ter sido aferido e deve fornecer resultados fiáveis e reprodutíveis. Estes instrumentos devem ter em conta tanto os dados do doente como os do observador. A régua de dor Não há um instrumento de avaliação da dor necessariamente melhor que outro, embora alguns pareçam estar mais adapta- dos a certas áreas clínicas que outros. A régua de dor é um instrumento de avaliação de dor bem estabelecido, que parece prestar-se mais ao uso no serviço de urgência que algumas das outras alternativas. As suas principais vantagens são: • Mede a intensidade da dor e os seus efeitos nas funções normais • Combina o uso dos descritivos verbais com uma escala visual analógica • É rápida e fácil de usar • É facilmente ponderada para permitir que a avaliação da dor faça parte do processo de triagem • Ao facilitar a avaliação das funções normais, permite ao profissional envolver-se no processo da avaliação da dor • Promove o diálogo, o que, por sua vez, convence o doente de que a sua dor está a ser valorizada • Produz uma classificação que facilita a avaliação contínua • O resultado da avaliação é rápido e fácil de documentar • Pode ser facilmente adaptada para o uso com crianças Grupo Po r tuguês de Tr iagem 47 A seguinte figura representa a Régua de Dor 1 3 5 7 9 0 2 4 6 8 10 Sem qualquer dor Actividades normais Poucos problemas Faz a maior parte das coisas Causa dificuldades Cessa algumas actividades Incapacitante Cessa actividades normais Sem controlo Ligeira Picada Moderada (significativa mas suportável) Bastante má Muito má Grave Severa (significativa e insuportável) Dilacerante Ao usar a Régua de Dor considera-se para efeitos de registo: Dor severa entre 8-10, dor moderada entre 5-7 e dor ligeira entre 1-4 (esta última independentemente da sua duração). Dor ligeira ≥ 7 Dias < 7 Dias Para efeitos de registo: Dor severa entre 8-10; dor moderada entre 5-7; dor ligeira entre 1-4 (esta última independentemente da sua duração). Dor ligeira ≥ 7 Dias < 7 Dias 1 3 5 7 9 0 2 4 6 8 10 Sem qualquer dor Actividades normais Poucos problemas Faz a maior parte das coisas Causa dificuldades Cessa algumas actividades Incapacitante Cessa actividades normais Sem controlo Ligeira Picada Moderada (significativa mas suportável) Bastante má Muito má Grave Severa (significativa e insuportável) Dilacerante creo 48 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem AVALIAÇÃO DA DOR NA TRIAGEM A avaliação da dor é um processo que exige perícia técnica em qualquer ambiente, e a avaliação feita durante a triagem não é excepção. Há restrições especiais neste ambiente que reflectem a natureza da urgência dos doentes e a falta de tempo para a avaliação. No entanto, é essencial uma inclusão precisa da dor dos doentes numa das categorias mostradas na figura se se pretender prestar cuidados atempados. O profissional da triagem tem de ter em conta um número de factores que influenciam os doentes na percepção da sua dor. Idade As crianças podem imaginar o pior dos resultados possíveis da sua dor. Têm pensamentos catastróficos o que aumentam a ansiedade e o medo que, pode, portanto, aumentar a sua percepção da dor. Muitos idosos sofrem de múltiplos problemas álgicos e podem considerar um nível significativo de dor como aceitável. Muitos aceitam a dor e lidam bem com ela. TÉCNICA DE AVALIAÇÃO Identificar os doentes cuja idade afecta a avaliação da dor. A percepção da dor aumentou ou diminuiu? Como é que esta situação pode ser ultrapassada? Experiência prévia de dor Os doentes são influenciados pelas suas experiências anteriores de dor. Podem comparar esta dor com episódios anterio- res, quanto a ser mais ou menos grave. São também influenciados pela forma como a dor foi tratada anteriormente. TÉCNICA DE AVALIAÇÃO Identificar se o doente já teve anteriormente uma dor semelhante. O que é diferente desta vez? Como é que o doente tratou a dor anteriormente? Cultura O comportamento na doença e, consequentemente, o comportamento na dor, tem uma componente fortemente cultural, e é devido às diferentes influências culturais e sociais que nem todos os indivíduos exprimem a dor da mesma forma. Os comportamentos na dor vão sendo reforçados ao longo da vida pelo grupo social em que o indivíduo está inserido. laranja amarelo verde dor moderada? (5-7) dor severa? (8-10) dor ligeira < 7 dias? (1-4) azul dor ligeira ≥ 7 dias? (1-4) Grupo Po r tuguês de Tr iagem 49 Os diversos grupos culturais não sentem menos dor que os outros. A única diferença é a forma como respondem à dor, ou como a exprimem. É essencial que o profissional da triagem reconheça que os seus próprios antecedentes culturais e sociais vão inevitavelmente influenciar a sua forma de interpretar o comportamento do doente com dor. Este facto iden- tifica uma dificuldade particular em confiar nos instrumentos de avaliação que têm em conta apenas a avaliação subjectiva dos doentes (ou dos profissionais). TÉCNICA DE AVALIAÇÃO Reconhecer os seus próprios antecedentes culturais e também os dos doentes. Como é que o nível cultural do doente influencia a sua percepção da dor? Como é que o nível cultural influencia a interpretação do observador no comportamento para com o doente? Ansiedade Existe uma ligação entre o grau mais elevado de ansiedade e a classificação mais elevada do grau de dor. Os doentes podem estar ansiosos por uma variedade de razões: podem estar preocupados com o efeito desta doença/acidente na sua capacidade de executar as suas actividades quotidianas; podem estar ansiosos por terem recorrido ao hospital e sobre qual será o seu problema. Existem benefícios consideráveis em tratar da dor dos doentes na triagem dado que se mostra ao doente, na primeira oportunidade, que a sua dor está a ser levada a sério. A tranquilização e explicação pelo enfermeiro da triagem nessa altura, pode desempenhar um papel na redução da dor. TÉCNICA DE AVALIAÇÃO Reconhecer o grau de ansiedade do doente. Quais são as razões que o levam a estar ansioso? Como é que isto afecta a percepção (que o doente tem) da dor? Interrupção das actividades normais do doente Qualquer indivíduo funciona num nível que considera ser normal. A dor pode destruir a capacidade de o doente agir nor- malmente, afectando o seu bem-estar físico e emocional, a sua situação financeira e a sua posição social. A percepção que cada doente tem da sua dor pode, até certo ponto, ser influenciada pela forma como a dor os impede de funcionar nor- malmente. Pode não ser possível avaliar totalmente o nível de ruptura dos doentes com as suas actividades habituais, mas o triador pode ter a possibilidade de ajudar o doente a concentrar-se no efeito da dor através de perguntas pertinentes tais como: A dor impede-o de comer / beber/ dormir / de respirar bem? A dor impede-o de andar, de se sentar etc.? A dor impede-o de trabalhar / ir à escola? 50 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguêsde Tr iagem TÉCNICA DE AVALIAÇÃO Reconhecer o grau de incapacidade para as actividades normais. Como é que pode ser avaliado o grau de incapacidade? Como é que o grau de incapacidade se relaciona com a percepção do doente em relação à dor? Se um doente classificar a sua dor como 10 (pontuação máxima na escala) mas está em condições de executar as suas actividades habituais, o triador deverá, então, ponderar outros factores que possam influenciar a avaliação da dor feita pelo doente. Outras considerações Alguns doentes podem não estar aptos a participar no processo da avaliação de dor. Podem estar confusos, ter dificuldades de aprendizagem ou estar angustiados. Podem também não saber ler ou não entender a língua. Deve-se pensar em cada doente como um indivíduo e proceder à análise de quais os instrumentos alternativos que pode usar. TÉCNICA DE AVALIAÇÃO Reconhecer que não existe um só instrumento de avaliação que se adapte a todos os doentes que se apresentam com dores. Este doente pode participar usando este método de avaliação? Que outros métodos de avaliação da dor são mais apropriados? Para a população pediátrica a Régua de Dor foi ajustada para ajudar o triador na avaliação (ver tabelas). Na altura da Urgência o registo contempla obrigatoriamente a atribuição de um número da Régua de Dor. Deve ser regis- tado se o utente utilizou analgésicos antes de recorrer ao serviço de urgência. Isto permitirá usar a Régua de Dor na monitorização do efeito terapêutico, ou no caso de agravamento durante o episódio de urgência. Dor pleurítica e dor precordial A identificação de dor pleurítica ou precordial, independentemente da intensidade, obriga à atribuição da prioridade adequada (amarelo e laranja, respectivamente). O discriminador é atribuído, portanto, pela característica da dor e não pela sua intensidade. DORES NÃO QUANTIFICÁVEIS Dor pleurítica Dor precordial Grupo Po r tuguês de Tr iagem 51 Capítulo 5 triagem e gestão de doentes INTRODUÇÃO Existe uma diferença entre prioridade clínica absoluta, como é definida pela utilização do método apresentado neste livro, e prioridade relativa dentro das categorias de triagem . Numa perspectiva geral, o processo de triagem apresentado neste livro é bastante simples - os doentes são colocados numa categoria de triagem e são depois atendidos por ordem de prioridade e tempo de espera. No entanto, há muitos outros factores para além da prioridade clínica que podem, periodi- camente, influenciar a forma como o doente é tratado no serviço de urgência. Este capítulo aborda esses factores e analisa a sua importância. A prioridade clínica e os factores que a determinam são, obviamente, muito importantes, mas o facto de não se reconhecerem outros factores pode ser negativo tanto para o funcionamento do serviço como para a qualidade dos cuidados prestados aos doentes. TIPOLOGIA DE DOENTES Além da prioridade clínica ,há várias questões sobre a natureza de cada um dos doentes que afectam o seu tratamento. Estas questões são de seguida resumidas. Crianças As crianças podem requerer um tratamento especial, especialmente nos serviços de urgência que não dispõem de insta- lações pediátricas. As crianças são sempre acompanhadas por alguém (normalmente um dos pais, mas podem estar pre- sentes outros familiares, professores, ou assistentes sociais), e também irmãos e amigos que, apesar de não terem problemas de saúde, precisam de ser atendidos. Não se consegue manter por muito tempo a atenção das crianças, o que leva a que fiquem saturadas, assustadas e cansadas com muita facilidade. Podem ficar muito deprimidas e agitadas devido a dificuldades de comunicação e compreensão, o que torna a comunicação com elas ainda mais difícil. As crianças que podem ser entretidas facilmente por uma pessoa que brinque com elas, ou que disponham de uma sala lúdica separada, dispensarão, provavelmente atenções especiais além das frequentes reavaliações. Poderá ser útil dispor de alimentos e bebidas de que a criança goste, por exemplo, snacks e sumos etc. (a menos que o profissional de saúde tenha conhecimento de que a criança vai precisar de uma anestesia geral ou de um sedativo e, nesse caso não deva ingerir alimentos). Nas crianças com idade < a 3 meses considerar, devido à sua condição, a classificação de muito urgente. Poderá valer a pena existir uma política para as crianças que acorrem ao serviço ao fim do dia ou à noite. A criança que estiver muito cansada poderá revelar-se impossível de examinar e de tratar, o que justifica uma observação o mais cedo possível. Idosos A imobilidade relativa pode provocar aumento de desconforto na sala de espera e também dificuldades em chegar às instalações sanitárias ou em procurar bebidas. Qualquer pessoa que funcione normalmente num ambiente familiar pode 52 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem ficar bastante confusa e desorientada no serviço de urgência, mesmo que tenha apenas lesões ligeiras. Os idosos estão frequentemente habituados a uma rotina e ficam normalmente ansiosos quando não podem cumprir os seus horários habituais. Poderá haver prestadores de cuidados em casa dos doentes que deverão ser informados do seu atendimento no serviço de urgência. Os idosos têm tendência para desenvolver zonas de pressão que em poucas horas se agravam se tiverem que esperar muito tempo, numa maca de hospital. Se não puderem ser observados rapidamente para tratamento requerem a atenção dos enfer- meiros para os mudar de posição. Podem apresentar problemas de incontinência que, se não forem antecipados, poderão originar situações embaraçosas. Os problemas de memória podem levar a uma deficiente recolha de informações. Os profis- sionais deverão prestar atenção a estas questões e ter em consideração as necessidades relativas deste grupo de doentes. Doentes com incapacidade física ou dificuldades de aprendizagem Além dos problemas da idade avançada, há também os doentes que têm dificuldades particulares. Este grupo de doentes inclui os que têm acuidade visual diminuída, má acuidade auditiva, etc. Uma pessoa que funcione bastante bem na comu- nidade em circunstâncias controladas pode ter grandes dificuldades no ambiente estranho como o do serviço de urgência. Mais uma vez, a comunicação se reveste de particular importância, e pode ser apropriada a observação destes doentes o mais cedo possível. Doentes abusivos/agressivos Poderá ser difícil gerir uma sala de espera cheia, e ter um ou mais doentes (ou, mais frequentemente, familiares ou amigos do doente) constantemente a exigir atenção. Embora o princípio orientador seja que estes doentes não têm prioridade pelo simples facto de gritarem mais alto, deve ser tida em conta a angústia que provocam nos outros doentes. Deve ser feita uma tentativa inicial de contacto e comunicação. Se for necessário deve ser pedida a intervenção da autoridade policial seguida de várias acções. O doente pode ser colocado num compartimento de espera individual para minimizar a tensão na sala de espera. Em alternativa, estes doentes poderão ser observados e terem alta rapidamente para benefício dos outros. Se estas medidas não resultarem ,deve pedir-se ao doente (que não apresente risco clínico) e aos seus acom- panhantes que saiam, se necessário escoltados por um segurança ou por uma autoridade policial. Doentes sob a influência do álcool Estes doentes são difíceis de avaliar devido ao efeito do álcool no seu nível/estado de consciência e na percepção da dor. Necessitam de avaliações frequentes para verificar se não estão a piorar ou a desenvolver qualquer problema que não seja imediatamente visível na triagem. Os doentes embriagados desordeiros ou perturbadores devem receber o tratamento acima descrito. O “cliente” habitual A maior parte dos serviços recebe um certo número de doentes que aí acorrem frequentemente. Existe o risco de colocar estes doentes na categoria dosnão urgentes sem uma avaliação adequada. Atenção! Os “clientes” habituais também desenvolvem patologias orgânicas, também são vítimas de traumatismos e podem ter complicações graves da sua doença. Estes doentes (mesmo os que têm predominantemente problemas sociais) são, de facto, mais susceptíveis de desenvolver doenças ou traumatismos do que a população em geral. Cada visita ao serviço de urgência deve ser tratada como sendo a primeira, e deve ser feita a avaliação adequada. Isto evita que se ignorem possíveis causas graves para vir ao serviço. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 53 Doentes que voltam ao serviço – readmissões Há ocasiões em que um doente volta ao serviço, normalmente porque as queixas que apresentava não foram resolvidas, ou porque surgiram complicações. As expectativas dos doentes quanto à evolução natural de uma lesão ou doença podem não ser realistas. O doente pode também não ter querido esperar por um tratamento definitivo numa ocasião anterior. A categoria de triagem atribuída ao doente deverá ser de acordo com os sintomas apresentados na altura da triagem, e não segundo a categoria da triagem da visita anterior. Alguns serviços podem ter políticas que recomendem que estes doentes sejam reavaliados por um médico sénior, se disponível. Pode também ser apropriado propor a estes doentes uma consulta médica de revisão para serem avaliados posteriormente por um médico, no caso de, aparentemente, não ser necessário um tratamento imediato. Doentes inscritos em consultas A maior parte dos serviços de urgência (no Reino Unido) têm uma consulta externa para revisão de casos. Isso não colide com o papel do profissional de saúde na triagem. Se as consultas estiverem na área do serviço de urgência é normal que estes doentes tenham uma prioridade e/ou encaminhamento diferente no serviço. É importante que na triagem seja explicado aos novos doentes que há doentes já inscritos no hospital que podem ser chamados fora da ordem normal. Doentes referenciados por outros serviços Existem serviços permitem a utilização das suas instalações por outras equipas para avaliação de doentes. A observação destes doentes é, normalmente, combinada antecipadamente, ou então são doentes referenciados pelo médico assistente. São normalmente doentes candidatos a possível internamento e muitos deles têm uma prioridade clínica relativamente alta. Estes doentes devem ser triados da mesma forma que os doentes do serviço de urgência. Se a triagem destes doentes lhes der prioridade máxima cabe à equipa do serviço de urgência iniciar a reanimação. Alguns doentes são trazidos pela polícia (por exemplo, doentes sem abrigo, agitados ou desorientados), pelos serviços sociais ou por outros serviços profissionais. Os profissionais da triagem devem estar alerta para a pressão exercida no pessoal pelas outras entidades, e ter isto em consideração na altura da atribuição da prioridade relativa destes doentes, e na alta do serviço. FACTORES DE SERVIÇO Qualquer serviço de urgência pode, por vezes, ficar sobrecarregado pelo afluxo de doentes. Algumas vezes basta um doente grave, ou a falta de um elemento do pessoal para provocar um congestionamento. Cada serviço precisa de desen- volver meios para lidar com esta situação. Uma avaliação de triagem precisa é um primeiro passo essencial para a boa gestão do serviço. Tanto a sobrecarga de trabalho como a quantidade de pessoal no serviço variam conforme o momento do dia. Muitas vezes no período da noite estão menos médicos no serviço o que pode aumentar os tempos de espera e as dificuldades na sala de espera, especialmente se houver doentes agressivos ou alcoolizados. Pode ser apropriado que o médico veja alguns “casos rápidos” antes de despender muito tempo com um doente eventualmente mais moroso. Alguns serviços podem preferir observar mais rapidamente as crianças à noite. 54 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem Encaminhamento rápido (Fast Tracking) e ajustamento dos recursos às exigências Este método destina-se a acelerar o fluxo de doentes no serviço através da inversão da ordem pela qual os doentes são normalmente observados, ou seja, primeiro os de prioridade mais baixa, em local de atendimento especifico, sem colocar em causa a observação de doentes mais graves. O Serviço funciona melhor quando há um médico sénior disponível para observar e tratar muito rapidamente dos doentes com pequenos problemas. É essencial que a assistência aos doentes de maior prioridade não seja interrompida, e que um outro membro do corpo clínico continue a ocupar-se desses casos. Para facilitar o encaminhamento rápido, o profissional da triagem tem de identificar os doentes que podem ser observados rapidamente. Estes são geralmente, mas não exclusivamente, classificados com as categorias azuis e verde. O médico sénior pode tratar desses doentes, de baixa prioridade, reduzindo, assim, o número de doentes na sala de espera, e o tempo de espera. Este procedimento deve ser explicado aos doentes que se encontram na sala de espera, uma vez que estes ficam aborrecidos quando vêem outros ser atendidos fora da sua vez. O funcionamento deste sistema não pode prejudicar os doentes mais graves. Muitos serviços de urgência de grandes dimensões dispõem de diversas áreas de observação, e os doentes em piores condições são separados fisicamente dos que não apresentam condições tão urgentes; pode haver uma equipa de pessoal diferente para cada um destes grupos de doentes. Nesses casos, o encaminhamento rápido é um percurso contínuo de gestão, e requer uma monitorização constante do volume de trabalho em cada uma das áreas, por parte dos membros sénior das equipas, para que sejam desviados recursos em caso de necessidade. Alternativas para o Atendimento médico Qualquer doente que insista em falar com um médico no serviço de urgência tem o direito de o fazer. No entanto, há alturas em que o doente pode receber melhor tratamento noutro local, especialmente se o serviço estiver muito ocupado e o tempo de espera for excessivo. Esta decisão depende de uma avaliação muito apurada, e deve ter-se o cuidado de não prejudicar um doente pelo facto deste se ir embora do serviço. Uma boa prática requer a discussão do tratamento provável a administrar no serviço e das opções para tratamento alternativo noutro sítio. Muitos doentes podem ser tranquilizados e elucidados e vão-se embora de boa vontade. Nenhum deve ser forçado a sair, nem criticado por ficar à espera, uma vez que se deve frequentemente, à falta de conhecimento ou a factores alheios ao controlo do serviço de urgência. Os dias calmos Mesmo quando o serviço está calmo é importante manter o ritmo de trabalho para assegurar que os doentes são obser- vados rapidamente dentro da sua categoria de triagem e para evitar atrasos desnecessários. O PAPEL DO ENFERMEIRO NA TRIAGEM O principal papel do enfermeiro na triagem é a atribuição da prioridade exacta aos doentes, e esse deve ser o seu principal objectivo. O enfermeiro na triagem tem de se tornar excelente na avaliação rápida: isto envolve a rápida tomada de deci- sões e a delegação de tarefas apropriadas. Devem ser evitadas as conversas longas com os doentes, bem como o registo exaustivo de histórias. As observações muito morosas, tais como a medição da temperatura/pulso, etc., têm de ser deferi- das, se esses valores não forem necessários para estabelecimento da prioridade. Nos serviços de pequenas dimensões, o enfermeiro na triagem observa todos os doentes que acorrem ao serviço. Noutros, pode haver enfermeiros para lidar com os doentes em ambulatório e outros para os que estão em macas. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 55 O método de chegada de doentes nem sempre corresponde à gravidade das doenças. (Há doentes com queixas triviais que chamam o 112 e doentes com enfarte de miocárdio que chegam por meio próprio). Por esta razão, deve haver uma ligação estreita entre opessoal da triagem com vista à classificação correcta dos doentes. O método de triagem apresen- tado neste livro deverá auxiliar este processo pela normalização da prática da triagem. O afluxo repentino de doentes pode exigir que o enfermeiro da triagem peça ajuda de outro elemento do pessoal. O pro- cesso de triagem está integrado na gestão clínica global da maior parte dos serviços, e é aceite o pedido de exames com- plementares a partir da triagem (ECG, Rx,, etc.), bem como, o encaminhamento através de protocolo. Primeiros socorros / Analgesia O enfermeiro na triagem pode ter necessidade de prestar ou facilitar alguns primeiros socorros, e identificar a necessidade da administração de analgésicos, se necessário conforme protocolo médico existente no hospital. A aplicação de uma ligadura ou de um penso melhora imediatamente o conforto do doente e ajuda a minimizar o traumatismo ou a hemorragia. Informação dos doentes O processo da triagem é o primeiro contacto com um profissional de saúde, e a explicação da situação e do provável per- curso no serviço alivia muitas angústias e ansiedades. Os doentes gostam de saber qual é o tempo de espera, o tempo que vai provavelmente passar no serviço, podem ser pedidos alguns exames e qual é o possível tratamento. Para os casos mais vulgares, estas informações podem ser dadas rapidamente. Promoção da saúde O enfermeiro na triagem (se o tempo o permitir) pode agir como útil promotor da saúde. Quando acontece qualquer evento adverso, o doente está bastante receptivo a quaisquer conselhos de cuidados de saúde. Se for possível, pode ser adequado dar alguns conselhos (por exemplo quanto ao uso de capacete em motociclistas e deixar de fumar). Será útil ter folhetos informativos disponíveis para os doentes. Disposição de doentes no serviço Muitas vezes o enfermeiro na triagem tem de decidir para onde encaminhar os doentes no Serviço. Isto depende das ins- talações e das políticas locais. Os doentes angustiados, com dores, com hemorragias ou muito idosos ficam melhor insta- lados em gabinetes afastados da sala de espera comum. Os doentes que precisam de ser examinados deitados (por exemplo, os que sofrem de lesões dos joelhos, dores lombares e dores abdominais) devem ser colocados numa área onde se possam deitar. Os doentes normais que podem andar pelo serviço devem ser colocados no local apropriado. Para con- seguir esta separação, o enfermeiro na triagem precisa de saber permanentemente qual é a ocupação do serviço e a dis- posição dos doentes no momento. É fundamental que como instrumento de gestão, exista no serviço uma politica objectiva respeitante ao circuito de encaminhamento de doentes, para, de acordo com a determinação da direcção do serviço, se proceda ao encaminhamento de forma sistemática, segura e uniforme. Gestão da sala de espera Até serem observados por um médico, os doentes podem contactar com o enfermeiro na triagem. Estes doentes podem precisar de mais aconselhamento e de exprimir algumas críticas. O enfermeiro na triagem deve estar informado do tempo de espera aproximado. São necessárias uma observação e reavaliação constante para identificar os doentes cuja condição 56 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem se esteja a alterar. A triagem é um processo dinâmico e os doentes precisam frequentemente de ser reavaliados. Isto pode acontecer após uma intervenção, por exemplo, a administração de um analgésico, ou após um prazo de tempo adequado. Os doentes podem ser colocados numa prioridade inferior após o alívio da dor, ou subir de prioridade em caso de agrava- mento. Ninguém é capaz de antecipar todos os problemas e a mudança de prioridade de triagem conforme a evolução da condição do doente, ou devido à aquisição de mais informações, não é um erro de avaliação. A sala de espera deve ser considerada uma área de observação Responsabilidade Médica na Triagem Sendo a triagem efectuada por delegação de competência médica, os médicos responsáveis têm de assumir o controlo do serviço de modo a garantir o cumprimento dos tempos alvos propostos pela triagem de Manchester. Todo o acto de triagem é assumido como tendo controlo médico no protocolo assinado entre as Direcções dos Hospitais e a do Grupo Português de Triagem. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 57 Capítulo 6 paRa alÉM Da pRIoRIZaÇÃo O Protocolo de Triagem de Manchester foi criado como uma ferramenta de gestão de risco clínico robusta e passível de auditoria, que identificasse a prioridade clínica dos doentes. A triagem por si só é útil na identificação de doentes de maior risco, mas é a base de toda a organização do serviço de urgência. Para além da atribuição de uma prioridade, foi identificada a necessidade de desenvolver ferramentas de gestão do per- curso do doente no serviço. Os autores ingleses, desenvolveram duas: O “ Monitor de Manchester” cujo objectivo é a rea- valiação dos doentes em espera para observação e uma “Matriz de mapeamento” baseada na queixa de apresentação e prioridade atribuída. Em Portugal o GPT, reconhecendo que a cultura e atribuição de funções dos profissionais de saúde é muito diferente que a existente no Reino Unido, desenvolveu o conceito de protocolo de encaminhamento. A existência deste protocolo é obrigatória para todos os serviços que aderem à metodologia da triagem de Manchester, e alvo de Auditoria pelo GPT. Apesar das metodologias serem diferentes, o objectivo final é igual: proporcionar aos doentes que procuram os serviços de urgência os cuidados no tempo certo pelo profissional mais habilitado, no local do serviço adequado à situação clínica, criando condições de segurança para a sua avaliação e tratamento. SiStema de monitorização – monitor de mancheSter A triagem é um processo dinâmico e deve ser executado periodicamente, em todos os doentes enquanto esperam pela observação ou tratamento. Desta forma, qualquer alteração na situação clínica pode ser identificada, e a prioridade alte- rada, se necessário. A necessidade de monitorização não cessa após a primeira triagem. É muito importante que qualquer deterioração posterior seja identificada, o mais rapidamente possível, para que uma nova avaliação possa ser executada, e a terapêutica iniciada. Este processo é designado como retriagem. A semelhança entre a retriagem e a monitorização e avaliação clínica posterior é grande. Em alguns hospitais, em áreas de internamento, é utilizado um protocolo de valores de aviso prévio (“early warning sco- res”), com bastante sucesso. No entanto, no serviço de urgência isto obriga a que os profissionais de saúde aprendam e implementem uma nova ferramenta de avaliação. Os discriminadores, dentro do PTM, particularmente aqueles que abor- dam ameaça de vida “ABC”, adaptam-se muito bem à avaliação em curso. É da utilização desses discriminadores que nasce “monitor de Manchester” . O “Monitor” pode ser usado muito rapidamente, usando parâmetros com os quais os profissio- nais de saúde do serviço de urgência estão familiarizados, para identificar deterioração (ou melhoria) na condição do doente, que pode precisar de intervenção. 58 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem Vermelho laranja amarelo Via aérea Respiração Compromisso da via aerea Respiração ineficaz SaO2 muito baixa Exaustão (dispneia grave) SaO2 baixa Circulação Choque Hemorragia exsanguinante Pulso anormal Grande Hemorragia incontrolavel Pequena hemorragia incontrolavel Avaliação neurológica Criança não reactivaHipoglicémia Alteração do estado de consciência de novo Como em todas as ferramentas de monitorização, é mais a mudança nos valores seriados do que o resultado absoluto que é importante. Assim, o novo aparecimento de um discriminador vermelho deve indicar uma nova avaliação clínica ime- diata, enquanto o reconhecimento de um discriminador laranja ou amarelo deve precipitar a acçãoclínica dentro de 10 ou 60 minutos, respectivamente. Esta abordagem tem a vantagem de usar uma ferramenta com a qual os profissionais de enfermagem estão familiarizados, e uma metodologia que lhes é familiar. a maTrIZ de mapeamenTo dos doenTes no serVIço de UrgêncIa O conceito de doente não urgente ou pouco urgente, e que não deveria recorrer aos serviços de urgência, foi substituido pelo conceito de fornecimento de cuidados aos doentes de acordo com a necessidade clínica. É um facto que o serviço de urgência é utilizado, erradamente, como porta de entrada real para os cuidados de saúde. Os profissionais de saúde têm que estar equipados com uma metodologia que lhes possibilitem decidir, segura e eficazmente, onde os doentes podem ser melhor tratados. Torna-se claro, quanto se revê o PTM, que o resultado do processo de priorização pode ser aproveitado para comunicar decisões sobre o encaminhamento mais apropriado do doente. Em particular a combinação do fluxograma de apresenta- ção usado e a prioridade atribuída (no seu conjunto, formando o complexo da prioridade - apresentação) poderá ser har- monizado com categorias particulares de prestação de cuidados. Assim, um doente que apresenta problemas nos membros, e a quem é atribuída a prioridade amarela deverá ser assistido numa área de lesões menos graves, enquanto um doente com dor torácica, a quem é atribuída a prioridade muito urgente, é mais bem assistido numa área diferenciada. O PTM consiste em 50 fluxogramas de queixas de apresentação e 5 prioridades – fazendo um total de 250 combinações apresentação/prioridade. Foi feito um mapa para considerarem o encaminhamento apropriado de todas as combinações. Esta matriz de encami- nhamento, que usa apresentação e prioridade, é aqui apresentada de forma resumida. Os encaminhamentos disponíveis serão sujeitos a prestação de cuidados de urgência segundo o protocolo local. Por exemplo, a falta de uma unidade de urgência de oftalmologia mudará o local onde os doentes com problemas de visão são assistidos. No entanto, pode a matriz estimular o debate com o serviço de oftalmologia, de forma a providenciar um serviço mais apropriado para estes doentes. Os encaminhamentos mostrados abaixo assumem um âmbito completo de prestação de cuidados de saúde, e inclusivamente assumem que os cuidados primários estão disponíveis. A tabela seguinte constitui um exemplo do que foi implementado num hospital do Reino Unido. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 59 1 2 3 4 5 Infecções locais e abcessos R R ou Ap Ap CA Indisposição no adulto R R ou Ap Ap CA CA Alergias R R ou Ap Ap CA Embriaguez aparente R R ou Ap Ap Lm Asma R R ou Ap Ap CA Legenda R Área de Reanimação do Serviço de Urgência Ap Avaliação por A&E (especialista) Lm Lesões Menores/Pequena Cirurgia CA Consulta Aberta / Medicina geral e Familiar AP Psiquiatria CO Oftalmologia CD Estomatologia CSS Dermatologia / Venereologia Os encaminhamentos referidos atrás pretendem ser um exemplo, não sendo por isso aplicáveis à realidade da prática médica e de enfermagem no nosso País. Protocolo de encaminhamento no serviço de urgência Após a implementação em 1999 do PTM em Portugal, foi identificada a necessidade pelos membros do GPT de estabelecer regras na gestão do doente nos serviços de urgência após a triagem. A identificação da prioridade, por si só não garantia o acesso aos cuidados de saúde e no tempo preconizado. Deste modo, desde 2001 todos os Hospitais aderentes assumem no protocolo firmado com o GPT a obrigação de elaborar um protocolo de encaminhamento no seu serviço de urgência. A elaboração desse protocolo encerra vários objectivos: – Encaminhar o doente para área adequada à sua Prioridade (vermelhos - sala de emergência) – Encaminhar igualmente segundo a necessidade clínica (especialidade médica) – Reduzir demora média do episódio – Reduzir os circuitos redundantes e inúteis para a resolução do problema clínico do doente, orientando o doente para um percurso correcto no do serviço – Adequar esse encaminhamento segundo os horários e especialidades disponíveis A elaboração do protocolo de encaminhamento deve promover a discussão interna do serviço e, de igual forma ,deve envolver todas as especialidades que, não estando na linha da frente do serviço de urgência prestam apoio por consulta- doria ou chamada. Devem ser envolvidos os hospitais que prestam apoio às valências que o hospital não possui, e para as quais irá referenciar os doentes, de forma a garantir a sua observação e uma boa comunicação entre instituições. O protocolo deve ser reavaliado periodicamente e sempre que surjam novos dados (encerramento ou abertura de valên- cias, alterações de horários etc.). 60 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem A eficácia de um protocolo correctamente elaborado traduz-se na demora média do episódio de urgência, na redução do número de reencaminhamento secundário para outras especialidades. Ao invés, o protocolo será tecnicamente desade- quado quanto maior forem os encaminhamentos secundários para outras especialidades. Uma vez que os serviços de urgência são muito diferentes quanto ao volume, valências disponíveis, e relacionamento institucional com as outras unidades hospitalares, este documento não pode (nem deve) ser elaborado por entidade externa à instituição sendo da sua inteira responsabilidade. O protocolo deve ainda prever as vias verdes intra e extra hospitalares e a execução imediata de contactos com as espe- cialidades a partir da triagem bem como o pedido de exames complementares de diagnóstico por delegação de compe- tências em protocolo. São exemplos a solicitação de electrocardiograma imediato após a Triagem nos doentes com dor pré-cordial, ou radiografias de esqueleto no mono trauma. Podem ainda ser aceites protocolos terapêuticos, como por exemplo de analgesia ou para administração de antipiréticos. Não deve ser esquecida ainda as modificações a efectuar no protocolo de encaminhamento em situação de catástrofe. Uma vez que essas situações são raras devem ser alvo de protocolo de encaminhamento e treino específicos. Os eventuais benefícios da triagem mais interventiva são que os doentes têm acesso à gestão da dor no ponto de acesso, sem um atraso no tratamento definitivo. Por exemplo é possível que haja uma redução no tempo total dispendido no serviço, se os doentes que se apresentam ao médico que os trata com as suas radiografias para interpretação. Os doentes podem evitar atrasos desnecessários se dirigidos para serviços alternativos/especialidades a partir da triagem, sempre de acordo com políticas de serviço previamente estabelecidas e com controlo médico. O inconveniente desta abordagem é que introduzir mais intervenção na avaliação resultará numa abordagem mais morosa, e pode criar um atraso significativo para os doentes que entram no sistema, introduzindo assim um elemento de risco. Para compensar este problema é viável ter sempre mais do que um profissional no posto de triagem, para assegurar que os doentes são triados sem atrasos significativos (assunto cuja pertinência deve ser avaliada a nível de cada local/realidade). Como em Portugal, o tempo necessário para priorização precisa é de cerca de 60 segundos, por isso não é justo culpar o evento de triagem por quaisquer atrasos que resultem do alargamento da área de responsabili- dade de avaliação inicial. Usos fUtUros O Protocolo de Triagem de Manchester poderá ser usado para ajudar noutros processos na prática hospitalar e pré-hospi- talar. Contudo, quando são consideradas quaisquer utilizações, além da priorização, deve ser sempre lembrado que o sis- tema foi desenhado para priorizar os doentes do serviço de urgência. Quaisquer benefícios noutros processos, que não este, devem ser provados e não assumidos. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 61 Capítulo 7 protoColo De trIaGeM De ManChester e GestÃo De rIsCo à GestÃo Do servIçoDe urGênCIa Introdução Desde o inicio da implantação do Protocolo de Triagem de Manchester (PTM) em Portugal, ficou claro para os profissionais de saúde a melhoria na qualidade dos serviços prestados aos utentes. A prática clínica, a casuística nacional e internacional e percepção dos profissionais de saúde mostram que a metodologia do protocolo de Manchester para a triagem de prioridades num Serviço de Urgência é adequada. Contudo, entre os diver- sos autores que já estudaram este tópico, concluem que a escolha de um modelo de cinco níveis é claramente o mais apropriado (TRAVERS, 2002). Outra preocupação, também já estudada, centrou-se na questão de saber se concretamente o modelo de Manchester tinha a capacidade de detectar os doentes verdadeiramente críticos; o resultado foi claro, e foi possível demonstrar que era realmente consistente a capacidade da Triagem de Manchester em detectar utentes criticamente doentes (COOKE, 1999). Havendo outros métodos de triagem com cinco níveis, foi também colocada a questão de qual método poderia ser o mais adequado; a evidência existente mostra que, pelo menos num cenário como o estudado (envolvimento de vários serviços de urgência na Holanda), o modelo de Manchester se mostrou o mais adequado (Versloot, 2007). Com a ajuda da informatização dos serviços, a investigação cientifica nos serviços de urgência tornou-se exequível. Apresentam-se de seguida alguns dos trabalhos efectuados em Portugal no Hospital Fernando Fonseca e Centro Hospitalar do Porto, hospitais pioneiros na implementação do Protocolo de Manchester em Portugal, que mereceram para além de prémios nacionais, o reconhecimento científico pela sua publicação internacional. Na primeira parte deste capítulo, divulgamos os estudos efectuados no Hospital Fernando Fonseca, utilizando uma base de dados criada com os episódios de urgência do Serviço de Urgência Geral de 2006, 2007 e até Junho 2008 correspon- dendo a um total de 321.529 episódios. Na segunda parte divulgamos dados do Centro Hospitalar do Porto baseada numa amostra de 16.824 episódios de urgên- cia, a quem agradecemos a cedência dos dados para esta publicação. 1. ServIço de urGÊnCIA: A “portA de entrAdA” no SIStemA de SAúde Ao contrário do que acontece na maioria dos sistemas de saúde da Europa, os serviços de urgência em Portugal assistem grande volume de doentes (cinco vezes mais que Inglaterra). Este volume resulta da ineficiência do sistema de saúde em si, mas gera outras ineficiências na própria estrutura hospitalar, obrigando ao desvio de recursos humanos e financeiros para uma actividade que resolve os problemas dos doentes no curto prazo, não facilitando a acesso aos cuidados progra- mados, nomeadamente no que respeita à gestão da doença crónica. 62 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem Quando surge a ideia de implementar uma ferramenta de gestão de risco em 1999, já a maioria dos serviços estava em rotura no atendimento. O problema já tinha sido estudado por muitos, e o objectivo dos autores do PTM em Portugal era simples: garantir o acesso em tempo útil do doente grave ao medico, numa tentativa de evitar as mortes evitáveis. A população teria de interiorizar que os recursos eram limitados, que os doentes mais graves teriam acesso mais rápido ao médico e que a metodologia ao longo do tempo era justa com todos, porque se a situação clínica do utente num epi- sódio de urgência futuro fosse de maior gravidade, esse utente seria observado mais rapidamente. A missão do serviço de urgência é o atendimento dos doentes emergentes e urgentes, pelo que a sua observação não deve ser realizada em função de critérios administrativos ou outros, mas sim em função da necessidade clínica. Tornou-se necessário implementar uma metodologia de trabalho que fosse coerente, fiável, uniforme e objectiva ao longo do tempo, bem como passível de auditoria (inclusive externa), e que respeitasse a boa prática médica em situações urgentes. 2. Carga de Trabalho do serviço de UrgÊNCia: volUme e Case mix Com a implementação do protocolo em todo o País, se por um lado se constatou em que 40% dos doentes em média per- tenciam às categorias pouco urgentes ou não urgentes, foi também claro que os serviços divergiam entre si. Deste modo, serviços com o mesmo volume de doentes, mas com grande variação nas prioridades entre eles, apresentam necessidades de recursos humanos muito diferentes. Apresentam ainda necessidades de infra-estruturas igualmente diversas, no que se refere à capacidade para receber doentes na área de observação, ou dimensionamento das salas de emergência. O conhecimento do case mix obrigou ainda à reflexão sobre o design e localização dessas infra-estruturas, permitindo o seu correcto dimensionamento em relação à actividade. Dá-se o exemplo da sala de emergência do Hospital Fernando Fonseca (HFF), que inicialmente se localizava longe da sala de observações (S.O.) obrigando à saída de recursos humanos para uma área diversa e afastada fisicamente, adicionando disfuncionalidade à actividade assistencial. Em 2007 eram obser- vados 147.353 adultos no HFF (404 doentes /dia) com a distribuição de prioridades que se ilustra na figura que se segue. Laranja Amarelo Verde Azul 2% 25% 50% 22% 1% Vermelho admissões por prioridade Fonte: HFF, 2008 creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 63 3. A referenciAção Ao serviço de UrgênciA Como se pode observar na figura infra, a referenciação médica para o serviço de urgência não ultrapassa os 8%, do total de doentes inscritos traduzindo uma cultura de auto-referenciação da população. Este facto leva à má utilização do sistema de saúde, criando uma pressão de doentes de baixa gravidade e distorcendo qualquer comparabilidade com sistemas de saúde de outros países, onde esta facilidade de acesso não é permitida. Acresce que a subpopulação de doentes referenciados por médico, não apresenta à entrada do serviço de urgência varia- ção significativa de prioridades em relação aos restantes doentes, excepto na prioridade laranja onde existe de facto um aumento (embora estatisticamente não significativo). Este estudo foi efectuado pela análise de 321539 episódios de Urgência (Janeiro 2005 a Junho 2007) 0 , 0 0 % 1 , 0 0 % 2 , 0 0 % 3 , 0 0 % 4 , 0 0 % 5 , 0 0 % 6 , 0 0 % 7 , 0 0 % 8 , 0 0 % 9 , 0 0 % 2 00 5-0 7 5 , 2 7% 1 , 0 8% 1, 36 % 0 , 3 1% 8 , 0 % C en tr o d e S a ú d e S A P T r an sf H o sp S a ú d e 24 T o tal G e r al Fonte: HFF, 2008 4. A sAZonALidAde: fActor AdicionAL de pressão A sazonalidade, nomeadamente os meses de Inverno provocam aumento de procura ao serviço de urgência. Este factor coloca um desafio adicional ao planeamento dos recursos existentes (humanos e da capacidade instalada), colocando o hospital e o serviço de urgência em situação de grande fragilidade no caso de picos de procura prolongados (gripe sazonal). Essa fragilidade é acentuada pelo agravamento do casemix da procura e aumento das necessidades de internamento. Assim se em média são internados 7-8% do total dos episódios, de Dezembro a Fevereiro a taxa de inter- namento ultrapassa os 10%, em linha com a alteração do case mix nesses meses. 10000 10500 11000 11500 12000 12500 13000 13500 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez 2005 2006 2007 Fonte: HFF, 2005/2006/2007 Admissões de Urgência geral 2005-07 Admissões por tipo de referenciação Médica – 2007 creo 64 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem 5. A DISTRBUIÇÃO SEMANAL DAS pRIORIDADES Estes dados apresentam elementos novos e de relevância para os Serviços de Urgência. Já era conhecido, mas nunca tinha sido comprovado de forma consistente, o incremento da categoria verde nos dois primeiros dias da semana. A documen- tação do incremento das categorias laranja e vermelho, a partir de quarta-feira, não era de todo conhecida,bem como a da redução espectável da categoria branca, a partir de sexta-feira. O quadro documenta 2007, mas os números sobrepõem- se em 2005 e 2006. O conhecimento desta realidade é importante para o planeamento das equipas, no que respeita à sua diferenciação. Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Sábado Domingo Pe so R el at iv o* Vermelho Laranja Amarelo Verde Azul Branco Fonte: HFF, 2007 O conceito de redução das equipas de urgência ao fim-de-semana pela redução do número total de casos que acontece de forma consistente é contrariada pelo aumento da complexidade dos casos que se apresentam nos serviços de urgência. Fluxo Semanal de prioridades – 2007 creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 65 6. O fluxO dOs dOentes: O “labirintO” nO serviçO de urgência Após a triagem é obrigatório o encaminhamento segundo protocolos escritos, para as diferentes áreas da urgência. É possível avaliar a eficácia desse encaminhamento, avaliando os fluxos dentro do próprio Serviço de Urgência. Esta ava- liação existe e torna-se possível, analisando os fluxos entre especialidades, a respectiva gravidade de forma mais evidente e objectiva. O sistema de informação do PTM, permite analisar o encaminhamento interno dos doentes, observando, deste modo, correntes internas desconhecidas de referenciações dentro do Serviço ou mesmo de outras Urgências do mesmo Hospital (Pediatria). Os principais fluxos a ter em conta são as referenciações entre as áreas de Medicina e Cirurgia e as referenciações de Pediatria para Ortopedia e Cirurgia. É assim possível estabelecer a carga de trabalho das diferentes áreas, resultante da soma dos números de doentes por encaminhamento dito primário (directo da triagem) e secundário (por referenciação de outra especialidade no Serviço de Urgência). Pode-se ainda quantificar o número de contactos por doente para cada especialidade e desta forma poder adequar as equipas aos fluxos de procura previsíveis ao longo do dia. Os gráficos seguintes apresentam a referenciação primária (a partir da triagem) para as diferentes especialidades. 1 00000 9 0000 8 0000 7 0000 6 0000 5 0000 4 0000 3 0000 Medicina 1 0000 0 Cirurgia Ortopedia ORL OFT 2 0000 40,0% 70,0% 50,0% 30,0% 20,0% 10,0% 0,0% 60,0% Total % repartição das 1.as Observações urgência geral – 1.as Observações/Área Média MinutOs anO classe urg. u. geral 2005 2006 2007 u. geral Cirurgia 12100 9,0% 12524 9,1% 11670 8,1% P. Cirurgia 10658 7,9% 11171 8,1% 11104 7,7% Total Cirurgia 22758 17,0% 23695 17,2% 22774 15,8% M. Geral 79556 59,3% 80606 58,4% 87595 60,9% OFT 5777 4,3% 6956 5,0% 7399 5,1% ORL 4985 3,7% 5312 3,8% 5816 4,0% Ortopedia 21047 15,7% 21503 15,6% 20322 14,1% tOtal geral 134123 100,0% 138072 100,0% 143906 100,0% Fonte: HFF, 2008 creo 66 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem Já a referenciação interna, traduzida no gráfico seguinte, demonstra alguma complexidade do fluxo de doentes no serviço, e a carga de trabalho escondida por ela gerada. Fluxos Internos – SURG medicina p. cirurgia cirurgia ortopedia oftalmogia ORL 2 a 3 % 7,8 % 12,7 % 2 a 3 % 5,1 % 7,8 % 16,7 % Fluxos Internos – SURG 6,8 % Da análise destes fluxos, constata-se que 16% do total de episódios necessitaram de consultadoria de outra especialidade para a qual não tinham sido encaminhados primariamente. A constituição de bases de dados autónomas utilizando esta metodologia permite avaliar não só se foram correctamente encaminhados, mas também identificar as patologias subja- centes e estabelecer a sua correcta orientação no serviço. Para quantificar de forma correcta a carga de trabalho de uma determinada área de especialidade é fundamental o registo de, por exemplo, a contribuição das outras valências com doentes para essas áreas. Ilustra-se de seguida o contributo mensal do Serviço de Urgência Pediátrica em 2005 e 2006 na “ área cirúrgica “do Serviço de Urgência. Doentes de Pediatria Fonte: HFF, 2008 Grupo Po r tuguês de Tr iagem 67 Em conclusão, a carga de trabalho por área, resulta da soma dos doentes referenciados directamente pela triagem, acres- cida das referenciações internas multiplicando a adição anterior pelo número de contactos médio por doente da área em causa. Podem ser tomadas medidas para redução desses contactos. O protocolo de encaminhamento por delegação de competências devidamente protocolada pode encaminhar o utente directamente para a realização de meios complemen- tares de diagnóstico. Por exemplo os doentes com patologia fracturaria óbvia na triagem, podem ser encaminhados directamente para a Imagiologia, reduzindo o número de contactos com a Ortopedia. Ao poupar esse contacto, reduz-se a demora média do episodio, e promove-se a correcta utilização do tempo médico. De igual modo todos os doentes que são admitidos com o discriminador dor pré cordial, são encaminhados directamente para realização de ECG de forma a reduzir o tempo de identificação dos síndromes coronários agudos com elevação do segmento ST. A tabela seguinte traduz a carga de trabalho real total de cada área: Urgência Geral – Tempo de Total Observações/Área Média MinUTOs anO Classe UrG. U. Geral 2005 2006 2007 U. Geral Cirurgia 31737 9,4% 35761 9,6% 33978 8,5% P. Cirurgia 19758 5,9% 21,501 5,8% 21469 5,3% Total Cirurgia 51522 15,3% 57262 15,4% 55447 13,8% M. Geral 230406 68,5% 255152 68,8% 285982 71,3% OFT 7695 2,3% 9331 2,5% 10485 2,6% ORL 7290 2,2% 7916 2,1% 8296 2,1% Ortopedia 39599 11,8% 41324 11,1% 41129 10,2% TOTal Geral 336512 100,0% 370985 100,0% 401339 100,0% Fonte: HFF 7. GesTãO de risCO ClíniCO e Os sisTeMas de TriaGeM Os sistemas de triagem foram criados para dar prioridade aos doentes mais graves, dividindo-os por categorias de tempo para o qual é seguro esperar pela observação. Embora o conceito de triagem seja antigo, aparentemente remontando ao século XVIII e de origem militar, enquadra-se no conceito de gestão de risco clínico: identificar o erro, avaliá-lo no contexto do funcionamento da organização e apresentar uma solução. Assim, quando confrontada com números elevados de vítimas ou doentes, uma instituição de saúde deve prever que não possui recursos suficientes para acudir a todos simultaneamente; um sistema de triagem tem por objectivo identificar os doentes que devem ser atendidos em primeiro lugar e quais os que podem esperar em segurança. Não é possível identificar um culpado, se um doente sofrer por não ter sido atendido a tempo, mas é possível prever que tal irá acontecer, se nada for feito para diminuir esse potencial de risco. Os sistemas de triagem são ferramentas de gestão de risco clínico, que permitem gerir a demora, ganhando tempo para os doentes que dele necessitam. Numa situação em que os recursos humanos são limitados e o afluxo de doentes é alea- tório e imprevisível momento a momento, a triagem é a resposta para a gestão do risco, logo à entrada do Serviço de Urgências. Assim, é possível determinar a prioridade do doente e não o seu diagnóstico ou necessidade de internamento; no entanto, o PTM aparenta ter capacidades de previsão do risco de mortalidade e de internamento. creo 68 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem 7.1. O PTM como indicador de risco dentro do Serviço de Urgência O objectivo do PTM é a triagem, de forma sistemática e reprodutível, dos doentes admitidos no Serviço de Urgência. No entanto, com o acumular de resultados, é visível que o PTM apresenta informação para além da própria triagem. Muitas vezes confunde-se urgência com internamento, o que não é verdade: muitas situações urgentes, como as que envolvem dor – cólica renal ou traumatismos dos membros, por exemplo – são atendidas, mas não obrigam a internamento. No entanto, a gestão do doente na urgência envolve sempre a ponderação de três possibilidades: necessidade de atendi- mentoemergente (na sala de reanimação), de internamento hospitalar e de tratamento em SU com alta para domicílio. Sendo que a gestão de cada doente, neste contexto, leva a encontrar os melhores tratamentos e processos, uma ferramenta que indique probabilidade de acontecimentos funestos (mortalidade a curto prazo – dentro do SU) será um indicador de qualidade e, assim, deve ser estudada a fundo. 7.2. Um sistema de triagem aumenta a qualidade clínica de uma instituição Um sistema de triagem, por exemplo o PTM, permite aumentar a qualidade de um serviço de urgência por diversos meca- nismos, desde as alterações ao ‘design’ do Serviço de Urgência até novas formas de pensar o doente crítico/urgente. O estudo, que nos permite afirmar que o PTM aumentou a qualidade, mas explanaremos aqui os aspectos mais importantes. Este estudo analisou dados de dois anos e meio, com o intuito de estudar o valor da utilização do PTM e a sua relação com a mortalidade a curto prazo (dentro do SURG) e a probabilidade de internamento. Não pretendíamos validar o sistema como ferramenta de triagem (o que já está feito), mas estudar o poder discriminatório do PTM em relação à probabilidade de inter- namento e ao risco de morte a curto prazo. Claramente, aquilo que muitos apontam como uma fraqueza do SURG do HFF – a elevada afluência - transformou-se em vantagem, quando necessitamos de números para trabalhar as quatro hipóteses. Assim, a análise incluiu dados de 321539 doentes inscritos no SURG, dos quais 31344 foram admitidos para internamento. Os resultados mais interessantes destes estudos levaram a concluir que há relação directa entre a gravidade de cada prio- ridade e o número de óbitos (Tabela 1) temdo falecido apenas um doente da prioridade verde. A indicação para o inter- namento (Tabela 2), ilustra-se a distribuição dos doentes admitidos para internamento, por prioridade, para o universo de todas as áreas do Serviço de Urgência. Realça-se o peso da prioridade laranja, que representa metade dos doentes inter- nados, embora corresponda a um quarto do total de inscrições. Tabela 1: Óbitos no SURG antes do internamento PRiORidadeS adMiSSõeS (%) MORTalidade iMediaTa eM cada PRiORidade PeSO de cada PRiORidade PaRa O TOTal de adMiSSõeS PeSO de cada PRiORidade PaRa O TOTal de MORTalidade vermelho 2388 (1%) 245 0.16% 94.23% laranja 79680 (25%) 32 5.43% 12.31% amarelo 162870 (51%) 6 3.47% 2.31% verde 65226 (20%) 1 0.37% 0.38% azul 6458 (2%) 0 0.03% 0.00% branco 4917 (2%) 0 0.19% 0.00% Fonte: HFF, 2008 Grupo Po r tuguês de Tr iagem 69 Considerou-se, para o total de admissões, a mortalidade em reanimação, uma vez que representa uma situação equivalente a internamento (se o doente tivesse sobrevivido, teria indicação para internamento). Tabela 2 : Internamentos/admissões por prioridade PrIorIdades admIssões ToTaIs+óbITos Por PrIorIdade InTernamenTos % de InTernamenTo em cada PrIorIdade Peso de cada PrIorIdade Para o ToTal de InTernamenTos vermelho 760 515 21.57% 1.66% laranja 17505 17473 21.93% 56.25% amarelo 11170 11164 6.85% 35.94% verde 1202 1201 1.84% 3.87% azul 92 92 1.42% 0.30% branco 615 615 12.51% 1.98% Fonte: HFF, 2008 O Protocolo de Manchester é uma ferramenta eficaz para discriminar os doentes críticos e com baixo risco e também aqueles que necessitaram de internamento hospitalar, correlacionando-se, assim, com mortalidade e propensão para o internamento. Este poder discriminativo não é igual para as especialidades médicas e cirúrgicas. No entanto sendo o flu- xograma Problemas nos Membros o mais escolhido para as especialidades cirúrgicas e o discriminador Dor o mais utilizado, o risco de mortalidade é logicamente diferente nestas áreas de observação de doentes. Estes dados levantam ainda o problema do Serviço de Urgência ser a porta de entrada administrativa “fora de horas”. Apesar do peso percentual dos doentes com prioridade branca ser inferior ao referencial aconselhado pelo GPT, isto é inferior a 5%, uma percentagem significativa é internada. Isto reflecte a utilização do serviço como porta de entrada para a actividade programada, nomea- damente pelos serviços cirúrgicos, o que é uma prática incorrecta. 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Vermelho Laranja Amarelo Verde Azul Branco Sem prioridade Taxa de Internamento por Prioridade 2005/07 Fonte: HFF, 2008 creo 70 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem 7.3. Como quantificar a melhoria de qualidade pelo uso do PTM Assim, o desafio será quantificar essa melhoria de qualidade e tentar estimar, de forma objectiva, o benefício clínico para os doentes. Uma forma de o efectuar é o estudo por comparação com a solução alternativa; neste caso, seria não fazer triagem. Este tipo de metodologia é utilizado, frequentemente, em Economia. Para isso, necessitamos de escolher os “outcomes” a comparar. Neste caso, considerou-se o seguinte: a) O risco de mortalidade a curto prazo. b) O risco ou probabilidade de internamento. c) Número de exames complementares efectuados. d) Número de especialidades envolvidas no caso. O primeiro representa um “outcome” difícil de controlar e cuja redução pode ser influenciada pela triagem e pelo encami- nhamento para a sala de reanimação. Contudo, não é possível calcular o efeito da triagem na mortalidade em si, visto que não se pode, eticamente, experimentar o cenário do não envio para reanimação. Uma vez iniciada a triagem (neste caso, só a comparação com outros hospitais poderia responder à questão que faz parte da literatura sobre PTM). O segundo é, no entanto, um outcome necessário à boa prestação de cuidados subsequentes à triagem de um doente e à situação de chegada à urgência e pode servir como indicador agregado. Nesta análise, o internamento corresponde a uma prestação de cuidados de saúde, com determinado custo, porque assume um risco clínico elevado e cujo controlo depende de o doente deixar de fazer medicação e vida ambulatória e passar a residir, medicado, num hospital. Com base nos dados e assumindo um cenário alternativo de não triagem (excluindo os doentes classificados com a priori- dade branca, podemos estimar que, num cenário sem triagem de PTM, e assumindo que os tempos de atendimento se mantinham como no PTM ideal, do total de doentes que recorreriam ao SU do HFF, durante 2,5 anos (total de 316622, em 912 dias, ou seja, 347 doentes/dia, isto é, 15 doentes por hora), 9,7% acabariam por ficar internados num período médio de 1 hora. No entanto, os 2388 indivíduos, que chegariam à porta do SU (necessitando de cuidados emergentes – os que o PTM os classificou como vermelhos), poderiam fazê-lo numa hora ou até um mínimo de um em cada hora, misturados, de forma aleatória, com os outros 14 doentes “não vermelhos”. Aplicando a mesma proporção média de internamento – cerca de 10% –, obtemos que, num extremo, apenas 1 doente seria imediatamente internado (o primeiro a ser visto) e, no outro extremo, poderia, dessa hora média de observação, o doente grave ser internado em último lugar, tendo passado, em muito, os primeiros minutos críticos para uma intervenção clínica eficaz. Isto significa que, em cada hora (60min), há 15 intervalos de tempo de 4 minutos, dos quais 14 são desadequados à resposta de um doente grave, numa proporção de 1:14, sendo que os doentes “vermelhos” estiveram numa proporção de 1:100 dos “não vermelhos”, isto é, por cada 6 doentes graves, um teria sido visto nos primeiros 4 minutos. No entanto, com o PTM todos os doentes graves “vermelhos” são vistos no primeiro minuto de contacto com o SURG do HFF e, imediatamente, encaminhados para a reanimação, iniciando-se a estratégia terapêutica em menos de 4 minutos. Em suma, sem o protocolo de Manchester, em 2388 doentes graves, estima-se que apenas um em cada seis teria tido uma resposta em tempo útil – cerca de 398. Assim, cerca de 1990 teriam um risco acrescido de “outcomes” adversos,incluindo morte. Dito de outra forma, a introdução do Protocolo tendo em conta apenas o seu impacto nos doentes muito graves, implicou uma redução de até 6 vezes o risco clínico destes doentes. Poderá, assim, ter contribuído para salvar, pelo menos, 1786 vidas. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 71 7.4. Tempo de Permanência no Serviço de Urgência:” A ponta do Iceberg” O principal motivo de reclamação dos Serviços de Urgência no mundo é o tempo de espera. É na decomposição do tempo de permanência no serviço, isto é da analise de todo o processo do episodio, que se conseguem identificar as áreas de engarrafamento ou constrangimento. A análise do tempo médio é um parâmetro importante como medida de performance global, mas francamente insuficiente para uma análise mais fina. É importante verificar o desvio padrão, a moda e a decomposição dos tempos por área de trabalho. A seguir apresentamos a importância do tempo médio de permanência como monitorização de resultados de um programa de melhoria de qualidade. Urgência Geral – Tempo de Premanência Admissão/Alta MédIA MInUToS Ano ClASSe UrG. U. GerAl 2005 2006 2007 PrIorIdAde U. GerAl vermelho 124,9 135,1 8,2% 124,2 -8,1% laranja 371,9 283,7 -23,7% 262,6 -7,4% amarelo 338,9 233 -31,2% 212,7 -8,7% verde 245,3 171,5 -30,1% 170,6 -0,5% azul 343,5 260,8 -24,1% 256,1 -1,8% ToTAl GerAl 323,2 232,7 -28,0% 214,2 -8,0% Fonte: HFF, 2008 Da análise dos quadros, torna-se perfeitamente clara a melhoria constante da performance do serviço em anos sucessivos, apesar do aumento da procura. Actualmente o referencial para os Serviços de Urgência em Inglaterra é de 240 minutos (tempo "see and street"). O tempo de permanência no Hospital Fernando da Fonseca aproxima-se dos 200 minutos. No entanto o desvio-padrão não é contabilizado pelo que o tempo de permanência é um indicador incompleto e insuficiente para a correcta gestão do serviço. creo 72 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem No quadro seguinte demonstra-se a importância da decomposição do tempo de permanência só assim é possível analisar, por exemplo, o tempo de espera para a triagem e o tempo entre o fim da triagem e a primeira observação pelo médico, permitindo a implementação de medidas para melhoria da performance nas diferentes componentes do episódio de urgência. Urgência Geral – Tempo de Triagem/1.ª Observação Média MinUTOs anO Classe UrG. U. Geral 2005 2006 2007 PriOridade U. Geral vermelho 17,6 17,7 0,6% 11,8 -33,3% laranja 50,3 42 -16,5% 28,4 -32,4% amarelo 95,2 69,1 -27,4% 62,5 -9,6% verde 116,3 80,9 -30,4% 80,6 -0,4% azul 229,4 142,6 -37,8% 152,3 6,8% TOTal Geral 91,4 64,1 -29,9% 57,8 -9,8% Fonte: HFF, 2008 Urgência Geral – Tempo de admissão/Triagem Média MinUTOs anO Classe UrG. U. Geral 2005 2006 2007 TOTal Geral 31,6 29 -8,2% 25,1 -13,4% creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 73 8. Prioridade ClíniCa e disCriminadores:” a desCoberta de ConheCimento” O Protocolo de Triagem de Manchester tem em linha de conta alguns valores e variáveis fisiológicas, em alguns dos seus fluxogramas/discriminadores. Contudo, a grande valorização centra-se na queixa que traz o utente ao Serviço de Urgência. Alguns autores questionaram-se sobre a pertinência destes factos, ou seja, seria útil adicionar algumas variáveis fisiológicas ao modelo, no sentido de lhe conferir maior robustez clínica para aferir o verdadeiro risco e por consequência a prioridade do utente. Foi de facto em 2006 que surge a primeira evidência sobre este tópico; o estudo destes autores revela que não existe utilidade em adicionar outras variáveis fisiológicas ao modelo de Manchester, no sentido de substancialmente melhorar a sua capacidade de detectar os doentes mais críticos (SUBBE, 2006) e que portanto precisam de ser prontamente observados. No âmbito dos serviços de urgência, e relativamente a um conjunto de informação estudada no Centro Hospitalar do Porto, em Portugal (MACHADO, 2008), procurou-se encontrar indicadores que reflectissem o comportamento dos doentes das cinco prioridades, perante esses mesmos indicadores. Com recurso a uma análise qualitativa, envolvendo peritos nestas matérias (directores de serviços de urgência, chefes de equipa, enfermeiros chefes de serviços de urgência, entre outros), foi possível encontrar um conjunto de indicadores especialmente sensíveis para o estudo e alocados aos doentes das várias prioridades. Apresenta-se seguidamente o encontrado e subsequentemente o que se concluiu do observado. Resultados dos estudos efectuados Os indicadores estudados de acordo com as várias prioridades incluem: número de observações pelo médico, número de exames complementares efectuados, duração do episódio de urgência (superior a seis horas), readmissão às 72 horas pela mesma queixa (fluxograma), internamento em cuidados intensivos e internamento em enfermaria ou cuidados intermédios (SO ou OBS). A amostra estudada foi de 16824 doentes. Doente emergente – identificado pela cor VERMELHA Trata-se de um tipo de doente que numa elevada percentagem é observado por dois ou mais médicos (intervalo de confiança de 95%, 43,3%-60,4%); apenas cerca de 17% tem episódios de urgência superiores a seis horas (IC 95%, 10,4-23,3%), não apresenta evidência de poder vir a ser readmitido pela mesma queixa nas 72h seguintes (IC 95%, 0% e risco relativo, Odds ratio = 0), apresenta uma moderada tendência ao recurso a exames complementares, com uma percentagem média de cerca de 15% dos doentes para o pedido de duas ou mais análises ou exames de imagem (IC95%, respectivamente 9,1-21,4% e 10,3-23,1%). Por outro lado trata-se de um doente que tem um risco relativo de internamento em cuidados intensivos cerca de 500 vezes superior aos demais, apesar de ter uma percentagem média na amostra de 17,56% (IC 95%, 11,04-24,07%); por outro lado apresenta um risco relativo de internamento em enfermaria de 5,74 com uma percentagem média de 35,8% (IC 95%, 27,6-44,09%). Doente muito urgente – identificado pela cor LARANJA Trata-se de um tipo de doente que apresenta a maior percentagem de observação por dois ou mais médicos (intervalo de confiança de 95%, 53,1%-58,1%); em cerca de 29% tem episódios de urgência superiores a seis horas (IC 95%, 27,3-31,9%), numa percentagem média de 1,18% pode vir a ser readmitido pela mesma queixa nas 72h seguintes (IC 95%, 0,6-1,7%), apresenta uma elevada tendência ao recurso a exames complementares, com uma percentagem média de cerca de 61,5% dos doentes para o pedido de duas ou mais análises, com uma percentagem média de doentes a terem dois ou mais exames de imagem de 16,9% (IC95%, respectivamente 59,1-63,9% e 15-18,7%). Por outro lado trata-se de um doente que tem um risco relativo de internamento em cuidados intensivos cerca de baixo, 0,79; por outro lado apresenta um risco relativo de internamento em enfermaria de 7,16 com uma percentagem média de 32,3% (IC 95%, 29,9-34,6%). 74 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem Doente URGENTE – identificado pela cor AMARELA Este é o grupo mais numeroso de doentes, e apresenta uma percentagem média de observação por dois ou mais médicos de 35,6% (IC 95%, 34,7%-36,5%); em cerca de 14,3% tem episódios de urgência superiores a seis horas (IC 95%, 13,6-14,9%), numa percentagem média de 1,87% pode vir a ser readmitido pela mesma queixa nas 72h seguintes (IC 95%, 1,6-2,1%), apresenta uma moderada tendência ao recurso a exames complementares, com uma percentagem média de cerca de 24,6% dos doentes para o pedido de duas ou mais análises, com uma percentagem média de doentes a terem dois ou mais exames de imagem de 14,7% (IC95%, respectivamente 23,8-25,4% e 14-15,3%). Por outro lado trata-se de um doente que tem um risco relativo de internamento em cuidados intensivos ainda mais baixo que os anteriores, 0,24; por outro lado apresenta um risco relativode internamento em enfermaria de 2,45 com uma percentagem média de 8,49% (IC 95%, 7,9-9%). Doente POUCO URGENTE – identificado pela cor VERDE Este grupo apresenta uma percentagem média de observação por dois ou mais médicos de 17,6% (IC 95%, 16,4%-18,8%); em cerca de 4,94% tem episódios de urgência superiores a seis horas (IC 95%, 4,2-5,6%), numa percentagem média de 0,78% pode vir a ser readmitido pela mesma queixa nas 72h seguintes (IC 95%, 0,5-1%), apresenta uma baixa tendência ao recurso a exames complementares, com uma percentagem média de cerca de 5,69% dos doentes para o pedido de duas ou mais análises, com uma percentagem média de doentes a terem dois ou mais exames de imagem de 4,52% (IC95%, respectivamente 4,9-6,4% e 3,8-6,1%). Trata-se de um doente que tem um risco relativo de internamento em cuidados intensivos nulo; por outro lado apresenta um risco relativo de internamento em enfermaria de 0,19 com uma percentagem média de 1,7% (IC 95%, 1,3-2,1%). Doente NÃO URGENTE – identificado pela cor AZUL Este grupo apresenta uma percentagem média de observação por dois ou mais médicos de 10,3% (IC 95%, 4,2%-16,3%), ou seja a menor percentagem de todas as prioridades; em cerca de 9,28% tem episódios de urgência superiores a seis horas (IC 95%, 3,5-15%). Apresenta uma percentagem 0% de vir a ser readmitido pela mesma queixa nas 72h seguintes (IC 95%, 0-0%), apresenta a mais baixa tendência ao recurso a exames complementares, com uma percentagem média de cerca de 4,1% dos doentes para o pedido de duas ou mais análises, com uma percentagem média de doentes a terem dois ou mais exames de imagem de 2,06% (IC95%, respectivamente 0,16-8,08% e -0,76-4,8%). Trata-se de um doente que tem um risco relativo de internamento em cuidados intensivos nulo; por outro lado apresenta um risco relativo de internamento em enfermaria de 0,1 com uma percentagem média de 1,03% (IC 95%, -0,79-3,04%). Grupo Po r tuguês de Tr iagem 75 ConClusões O PTM constitui um meio objectivo de determinação da prioridade clínica para a primeira observação médica dos utentes que recorrem aos serviços de urgência. No entanto a sua utilidade como ferramenta de gestão ultrapassa largamente o objectivo inicial para que foi desenvolvido. Assim o PTM: 1. Identifica na prioridade vermelha, o doente critico e com maior peso relativo ou absoluto para a mortalidade no serviço. 2. Identifica os doentes com baixo risco de morte, readmissão no serviço ou internamento hospitalar nas categorias verde e azul. 3. Identifica a categoria laranja como tendo risco significativo de morte, admissão para o internamento (sobretudo na área de atendimento da Medicina), maior número de observações médicas e demora média de episódio, e ainda com maior número de exames complementares pedidos. 4. Identifica que o risco de internamento e morte após o internamento hospitalar está relacionado, e é proporcional, à gravidade da prioridade na admissão no serviço de Urgência. 5. Identifica o contributo em numero absoluto das categorias laranja e vermelha para a admissão na sala de emergência. 6. Identifica a necessidade de aumentar o poder discriminativo da categoria amarela, grupo mais numeroso de utentes e com maior percentagem de readmissões no serviço pela mesma causa nas 72 horas seguintes. 7. Alerta para que as ferramentas de gestão a desenvolver devem analisar todo o percurso do doente no serviço sendo que a demora média de episódio é claramente insuficiente se for utilizada isoladamente. 8. Ajuda na necessidade de se criar um protocolo de encaminhamento de doentes, para uma melhor gestão dos utentes pós Triagem. Palavras finais Ao fim de dez anos de trabalho, esta edição resulta do contributo de muitos profissionais de saúde, que fizeram este caminho connosco com a firme determinação que era possível mudar o panorama assistencial nos serviços de urgência, em Portugal. O PTM permitiu criar uma nova forma de olhar os serviços, uma nova cultura, um novo conhecimento científico. Resta pois agradecer a todos os profissionais de saúde que trabalham nos serviços de urgência, a dedicação e o apoio que deram ao Grupo Português de Triagem, esperando que esta nova edição venha ao encontro das suas expectativas. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 77 Capítulo 8 auDItoRIa ao pRotoColo Da tRIaGEM DE MaNCHEStER: auDItoRIa INtERNa E ExtERNa 1. INTRODUÇÃO A consolidação de um método sólido de auditoria é essencial para a continuidade de qualquer metodologia normalizada, uma vez que tem de ser demonstrada a existência de reprodutividade entre profissionais, serviços e instituições de saúde. Auditoria define-se pela análise sistemática e independente com vista a determinar se as actividades e resultados relativos ao Protocolo de Triagem de Manchester satisfazem os requisitos previamente estabelecidos e se estes estão efectivamente implementados. Desde o início da implementação da Triagem de Manchester em Portugal que o Grupo Português de Triagem (GPT) pro- move a sua auditoria. Esta prioridade encontra-se expressa no Manual “Como Implementar a Triagem de Manchester no seu Hospital” e assumida no Protocolo tipo firmado entre o GPT e os Hospitais aderentes ao Sistema, nos termos do homo- logado pelo Ministério da Saúde. Os Conselhos de Administração das Unidades Hospitalares ao aderirem a este Sistema devem garantir as condições para a sua implementação e a utilização dos resultados para a melhor gestão dos Serviços de Urgência. Este processo destina-se a dar garantias de que os princípios determinados correspondem à real situação dos doentes e que está documentada nos registos da triagem. Esta necessita pois, ser reprodutível e auditável. O Protocolo de Triagem de Manchester tal como preconizado, tem inerente à sua aplicação dois processos de Auditoria, Interna e Externa, que visam determinar se as actividades e resultados do sistema, cumprem os requisitos estabelecidos, e se estes estão efectivamente implementados. Os objectivos do Manual de Auditoria ao Protocolo de Triagem de Manchester são: • Sistematizar as orientações para a auditoria interna e externa; • Uniformizar a metodologia das auditorias; • Orientar a execução das auditorias; • Clarificar as funcionalidades exigidas no âmbito da informatização das auditorias. O Manual divide-se em três grandes capítulos: • Normas de Auditoria Interna; • Normas de Auditoria Externa; • Instrumentos de Apoio às Auditorias. Com este conjunto de princípios e conceitos pretende-se ajudar as Direcções dos Serviços de Urgência na consolidação do Protocolo de Triagem de Manchester e no cumprimento dos requisitos para a caracterização objectiva do funciona- mento da triagem de prioridades, incentivando a posterior introdução das medidas correctivas necessárias face aos resultados das auditorias. O GPT respeita todas as normas dos autores originais do Protocolo de Triagem de Manchester e, ao promover a presente metodologia de trabalho, contribui para um novo patamar de exigência entre os parceiros internacionais integrados no International Working Group (constituído pelos autores e representantes dos Países aderentes ao Sistema). 78 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem 2. AUDITORIA INTERNA O Protocolo de Triagem de Manchester tem inerente à sua aplicação um processo de Auditoria Interna que visa determinar se os requisitos, as actividades e os resultados relativos ao sistema, estão implementados e são cumpridos. Nos termos do Protocolo firmado com as Administrações Hospitalares, o GPT forma auditores internos em cada instituição, profissionais de saúde do próprio Hospital, que são credenciados como formadores e reconhecidos como auditores. 2.1. Definição de Auditoria Interna Auditoria Interna do Protocolo de Triagem de Manchester define-se pela análise sistemática e independente por auditores internos, na respectiva instituição, com vista a determinar se as actividades e resultadosrelativos ao Protocolo de Manchester satisfazem os requisitos previamente estabelecidos e se estes estão efectivamente implementados. 2.2. Definição de Auditor Interno Profissional de Saúde qualificado, proposto pelo Hospital, formado e reconhecido pelo Grupo Português de Triagem e nomeado pelo Conselho de Administração do Hospital, para efectuar Auditorias Internas, no Hospital onde exerce funções. O Auditor Interno depende do Conselho de Administração. O GPT manterá um registo nacional de Auditores Internos e identificará os mesmos com crachá específico com nome, grupo profissional, hospital de origem e nº identificativo próprio. 2.3. Perfil do Auditor Interno O Auditor Interno deve possuir o seguinte perfil: • Possuir conhecimentos sobre o Protocolo de Triagem de Manchester, tendo frequentado com aproveitamento o Curso de Triagem no Serviço de Urgência; • Possuir formação específica em auditoria, tendo frequentado com aproveitamento o Curso de Formação de Formadores e Auditores do Protocolo de Triagem de Manchester; • Possuir capacidade de comunicação e de relacionamento; • Possuir capacidade de análise, síntese e tomada de decisão; • Ser reconhecido como profissional competente e idóneo. 2.4. Objectivos da Auditoria Interna A Auditoria Interna tem como objectivos: • Verificar o cumprimento dos requisitos do Protocolo de Triagem de Manchester; • Contribuir para a garantia da qualidade dos cuidados prestados nos Serviços de Urgência; • Induzir a tomada de decisão com vista ao melhoramento do funcionamento da Triagem; • Dar credibilidade aos indicadores produzidos pelo Sistema; • Cumprir o Protocolo tipo firmado entre o GPT e os Hospitais aderentes ao Sistema. 2.5. Pressupostos da Auditoria Interna O objectivo é conseguir uma avaliação individual dos elementos envolvidos na triagem de prioridades bem como uma auditoria global do Serviço de Urgência nesta área. Para esse fim, a meta é demonstrar uma aferição igual ou superior a 80%, para o Serviço e por triador. É desejável, mas não obrigatório, que o sistema seja informatizado. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 79 Atingindo a meta de aferição de 80% é considerado bom o desempenho da Triagem de Prioridades segundo a metodo- logia do Protocolo da Triagem de Manchester. A aferição superior a 90 % e considerada pelo Grupo Português de Triagem como muito boa e a superior a 95% excelente. 2.6. Procedimento da Auditoria Interna • Calendarização das auditorias • As Auditorias Internas são realizadas mensalmente, referentes ao desempenho do Serviço no mês imediatamente anterior. • Realização das auditorias – Em conformidade com o estabelecido no Protocolo firmado entre o GPT e as Administrações dos Hospitais aderentes ao Sistema, as Auditorias Internas são consideradas trabalho efectivo do Serviço, portanto, realizadas em horário de trabalho. – Para uma determinada análise mensal a equipa de Auditoria Interna deve ser constituída por, no mínimo, um médico e um enfermeiro. – Etapas: – Análise da queixa apresentada pelo doente – Verificação da adequada selecção do Fluxograma face à queixa apresentada – Verificação de evidências para a selecção do Discriminador e Prioridade Nota: A queixa apresentada pelo doente e redigida pelo triador deve ser idêntica ao transmitido na formação, ou seja: Contextualizada no tempo e Caracterização da queixa de forma clara, precisa e concisa. • Número de episódios de urgência a auditar – Em cada mês é escolhida uma semana. Em relação a essa semana, são avaliados 5 episódios e os respectivos registos de triagem por cada triador. Trata-se da auditoria individual. • Selecção dos episódios de urgência a auditar – Os episódios de urgência a auditar devem ser seleccionados aleatoriamente, por elemento do Serviço estranho ao processo de auditoria ou através do programa informático. • Registo das auditorias – Existem formulários tipo para cada avaliação e para o relatório específico respeitante a cada elemento auditado (descritos em capítulo próprio desta publicação). – O registo da auditoria deverá ser efectuado no Relatório Individual Auditoria Interna. – Nos casos em que seja utilizado programa informático, a impressão das auditorias não é obrigatória, no entanto, os dados devem ficar disponíveis para consulta. • Elaboração do relatório da auditoria interna – Mensalmente deverá ser efectuado relatório, utilizando para o efeito o Relatório Mensal da Auditoria Interna. – Este deverá conter, no mínimo, a seguinte informação: – Nº Doentes Admitidos – Nº Episódios Triados – Nº de Auditados /Triados – Nºs e tipos de Prioridades Atribuídas (incluindo a Prioridade Branco) – Tempo Médio desde a Admissão até à Triagem – Tempo Médio de Triagem 80 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem – Tempo Médio desde a Triagem até ao início da 1ª Observação Médica, por prioridade / cor (apenas exigido nos hospitais com informatização clínica) – Nº Triadores / Mês – % de Triagens Correctas e Incorrectas – Problemas Detectados – Sugestão de Medidas Correctivas – Conclusões • Divulgação do Relatório Mensal – O relatório é apresentado mensalmente à Direcção do Serviço de Urgência e ao GPT. – A Direcção do Serviço de Urgência informa as Direcções Técnicas das medidas assumidas em caso de anomalias importantes detectadas. – O GPT é informado pela Direcção do Serviço de Urgência das medidas correctivas introduzidas e seus resultados face às auditorias efectuadas. • Análise dos Resultados – Trimestralmente deverá ser agendada reunião conjunta entre Auditores Internos e Direcção do Serviço de Urgência, para análise de dados e identificação de possíveis medidas de melhoramento. – Caso se verifique uma aferição inferior a 80% na auditoria, ou outro problema considerado grave, é convocada reunião entre os Auditores Internos e a Direcção do Serviço de Urgência. 3. AUDITORIA EXTERNA A implementação do Protocolo de Triagem de Manchester nos Serviços de Urgência, tem subjacente para além do processo de auditoria interna, um processo de Auditoria Externa, que acompanha a operacionalização dos seus pressupostos e controla o próprio sistema. Nos termos do Protocolo firmado com as Administrações Hospitalares, o GPT pode proceder com avaliações externas da instituição, com profissionais externos à mesma credenciados como formadores e reconhecidos como auditores, sempre que tal for determinado pelo Ministério da Saúde ou julgado pertinente pela Direcção Clínica, pelo Conselho de Administração ou sugerido pelo GPT. 3.1. Definição de Auditoria Externa Auditoria Externa do Protocolo de Triagem de Manchester define-se pela análise periódica e independente por auditores externos, em instituição de onde estes não são oriundos, com vista a determinar se as actividades e resultados relativos ao Protocolo de Manchester satisfazem os requisitos previamente estabelecidos e se estes estão efectivamente implementados. 3.2. Definição de Auditor Externo Profissional de Saúde qualificado como auditor do Protocolo de Triagem de Manchester e nomeado pelo Grupo Português de Triagem para efectuar Auditoria Externa nos hospitais onde não exerce funções. Pode ainda haver colaboração de auditores externos oriundos de outros Países onde a Triagem de Manchester se encontra implementada. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 81 O GPT manterá um registo de Auditores Externos e identificará os mesmos com crachá específico com nome, grupo pro- fissional, hospital de origem e nº identificativo próprio. 3.3. Perfil do Auditor Externo O Auditor Externo deve possuir o seguinte perfil: • Possuir conhecimentos sobre o Protocolo de Triagem de Manchester, tendo frequentado com aproveitamento o Curso de Triagem no Serviço de Urgência; • Possuir formação específica em auditoria, tendo frequentado com aproveitamento o Curso de Formação de Formadores e Auditores do Protocolo de Triagem de Manchester; • Ser Auditor Interno do Protocolo de Triagemde Manchester; • Possuir capacidade de comunicação e de relacionamento; • Possuir capacidade de análise, síntese e tomada de decisão; • Demonstrar capacidade para dinamizar a aplicação do Sistema. 3.4. Objectivos da Auditoria Externa A Auditoria Externa tem como objectivos: • Garantir a fiabilidade do Protocolo de Triagem de Manchester; • Garantir a reprodutividade e comparabilidade dos resultados do Sistema; • Dar credibilidade aos indicadores produzidos pelo Sistema; • Cumprir o Protocolo tipo firmado entre o GPT e os Hospitais aderentes à Triagem de Manchester. 3.5. Pressupostos da Auditoria Externa • Periodicamente, no mínimo, uma vez por triénio, os Serviços de Urgência dos Hospitais aderentes ao Protocolo de Triagem de Manchester serão auditados externamente por uma equipa de Auditores Externos; • A equipa de Auditores Externos realizará auditorias em Hospitais onde não exercem funções; • A Auditoria Externa será efectuada por auditores pertencentes a Hospitais utilizadores do Protocolo de Triagem de Manchester, onde exercem a actividade de Auditor Interno; • Os episódios de triagem a auditar externamente serão seleccionados de entre os auditados internamente, de forma aleatória, garantindo uma amostra alargada e representativa, com dados representativos de todos os meses do último ano de funcionamento da Triagem. Deverão ser seleccionados um/dois episódios de triagem auditados internamente, por triador. • Para além do descrito, o Auditor Externo reserva o direito de poder solicitar e auditar qualquer episódio de urgência em particular. 3.6. Procedimento da Auditoria Externa • Preparação da Auditoria – Constituição da equipa; – Organização logística da auditoria; – Preparação da documentação; – Verificação da agenda da auditoria; – Contactos com a instituição a auditar. 82 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem • Reunião com a Direcção do Serviço de Urgência – Agenda organizada em função de procedimento tipificado (descrito noutro capítulo); – Chegada da equipa de auditores (15 minutos antes da hora marcada); – Reunião organizada em função de procedimento tipificado (impresso tipo descrito noutro capítulo); – Apresentação à Direcção do Serviço de Urgência do Hospital; – Validação da agenda da Auditoria Externa; – Explicação da metodologia da Auditoria Externa; – Solicitar informação sobre a orgânica do Serviço; – Solicitar documentação; – Visita ao serviço de Urgência para verificação do circuito do doente. • Observação de Triagens – Trabalho organizado em função de procedimento tipificado (impresso tipo descrito noutro capítulo); – Verificação dos recursos humanos e materiais existentes no posto de triagem; – Verificação da metodologia utilizada no serviço durante as triagens; – Observação de 10 triagens. • Auditoria aos episódios de triagem auditados internamente – Trabalho organizado em função de procedimento tipificado (impresso tipo descrito noutro capítulo); – Solicitar dossiers das Auditorias Internas; – Proceder à selecção dos episódios a auditar; – Efectuar as auditorias. • Elaboração de Relatório Preliminar – Trabalho organizado em função de procedimento tipificado (impresso tipo descrito noutro capítulo); – Apreciação global: acolhimento, disponibilidade e nível de concretização da agenda; – Breve descrição das etapas da auditoria e resultados globais. • Reunião Final (esta reunião tem como objectivo transmitir os resultados preliminares da auditoria ao Conselho de Administração e à Direcção do Serviço de Urgência) – Transmitir os resultados obtidos; – Entregar o Relatório Preliminar; – Solicitar a sua rubrica e fotocópia; – Informar do posterior envio do Relatório Final; – Agradecer a disponibilidade. • Prazos importantes – A preparação da Auditoria efectua-se com um mínimo de 3 meses de antecedência; – A realização da Auditoria Externa processa-se em 1/2 a 1 dia útil de trabalho, conforme o acordado previamente em função da carga de trabalho esperada; – O Relatório Preliminar é entregue ao Conselho de Administração do Hospital pela equipa auditora no final da Auditoria Externa; – O Relatório Final é remetido ao GPT pela equipa auditora no prazo de 1 mês após a Auditoria Externa; – O GPT remete o Relatório Final e seu parecer ao Hospital no prazo de 2 meses após a Auditoria Externa. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 83 3.7. Competências do GPT • Em conformidade com o acordado em Protocolo firmado entre o GPT e os Hospitais aderentes ao Sistema, o GPT reserva o direito de proceder com Auditorias Externas; • Anualmente o GPT procederá ao planeamento e calendarização das Auditorias Externas a efectuar durante o ano, informando os respectivos Hospitais (Conselho de Administração e Direcção do Serviço de Urgência); • Os Auditores Externos são designados pelo Grupo Português de Triagem, que procederá às diligências necessárias junto dos diferentes Conselhos de Administração relevantes para a sua dispensa de serviço (colaboração prevista em Protocolo firmado com os Hospitais aderentes ao Sistema); • O GPT distribui as equipas de auditoria pelos Hospitais; • A equipa de Auditores Externos é composta por 4 elementos, no mínimo, sendo 2/3 enfermeiros e 1/2 médicos (um dos quais será designado o Coordenador), dependendo da dimensão do Serviço de Urgência a auditar; • O GPT nomeia o Auditor Coordenador da equipa de Auditoria Externa; • O GPT é responsável pela divulgação da calendarização e respectiva equipa de auditora aos Hospitais a auditar; • O GPT fornece a logística documental (documentação e impressos tipo GPT). • O GPT analisará e aprovará o Relatório Final da auditoria, efectuado pelo Coordenador da equipa auditora externa e, caso não existam dúvidas ou omissões, remetê-lo-á ao Conselho de Administração do Hospital e Direcção do Serviço de Urgência; • Os Auditores Externos formam uma equipa que se reúne, pelo menos uma vez por ano, com a Direcção do GPT, assegurando um processo contínuo e permanente; • Anualmente, o GPT elaborará Relatório das Auditorias Externas efectuadas, para análise em reunião anual e dará conhecimento do mesmo ao Ministério da Saúde. 3.8. Competências do Coordenador da equipa de auditoria Após designação pelo GPT, compete ao Coordenador: • Confirmar a recepção do GPT do dossier com a logística documental para a Auditoria Externa. • Antes da data da realização da Auditoria externa, confirmar com os restantes elementos da equipa de auditoria o plano de trabalho a realizar; • Contactar o Hospital/Serviço Urgência, através da profissional de referência indicado pelo GPT, para confirmar: – Organização da logística para os auditores (deslocação e instalação). – Organização local da logística para a auditoria (instalações e meios necessários). – Preparação da documentação do Hospital. • Cumprir a agenda da Auditoria Externa e coloca-a a parecer do Hospital; • Coordenar os trabalhos da equipa auditora; • Elaborar, com a participação da restante equipa de auditoria, o Relatório Preliminar da Auditoria Externa e apre- senta-o ao Conselho de Administração do Hospital, a respectiva Direcção do Serviço de Urgência e o GPT; • Elaborar, com a participação da restante equipa de auditoria, o Relatório Final da Auditoria Externa e remete-lo parecer do GPT, no prazo máximo de 1 mês após a auditoria. 3.9. Competências do Hospital auditado Após conhecimento da data proposta pelo GPT para a realização da auditoria: • Nomear o interlocutor do Hospital para a organização e logística da Auditoria Externa; • Providenciar instalações adequadas para os Auditores Externos realizarem a auditoria; • Disponibilizar os registos de episódios de urgência necessários para a realização da Auditoria Externa; • Disponibilizar os registos de Auditorias Internas necessários para a realização da Auditoria Externa; 84 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem • Disponibilizaradocumentação relativa à organização e funcionamento do Serviço de Urgência necessária para a realização da Auditoria Externa; • Em conformidade com o Protocolo firmado entre o GPT e os Hospitais aderentes ao Sistema, suportar as despesas inerentes, nomeadamente, as relativas à deslocação, instalação e alimentação dos Auditores Externos. 3.10. Avaliação Parâmetros da Avaliação Final da Auditoria Externa Os parâmetros valorizados na Avaliação Final são os constantes da Grelha de Avaliação Global (descrita em anexo), ou seja, a verificação da existência do seguinte: 1. Formação dos triadores no momento da Auditoria Externa. 2. Posto de Triagem de Manchester – Enquadramento no Serviço. 3. Posto de Triagem de Manchester – Equipamento base. 4. Posto de Triagem de Manchester – Permanência recursos humanos. 5. Possibilidade de retriagem. 6. Definição do circuito de gestão de doentes (aprovado pelo CA e/ou Direcção Serviço). 7. Auditorias Internas mensais. 8. Evidência de introdução de medidas correctivas face aos resultados das Auditorias Internas. 9. Tempo médio entre a inscrição e a triagem. 10. Tempo médio de duração da triagem. 11. Tempo médio entre o fim da triagem e o início da 1ª observação médica. 12. Prioridade Branca. 13. Taxa de conformidade entre Auditoria Interna e Externa. 14. Informação aos Utentes/Doentes sobre a Triagem de Manchester e os respectivos tempos alvo. 15. Inquérito actualizado de satisfação aos utentes do Serviço de Urgência. 16. “Dossier” no Serviço contendo documentos fundamentais para o funcionamento da Triagem. 17. Plano para a resposta a situações com múltiplas vítimas (Catástrofe Externa). No contexto dos parâmetros supracitados e da avaliação geral, são aspectos específicos considerados de Avaliação Obrigatória no Relatório Final: Dados organizativos • Grupo profissional, número e formação dos triadores. • Espaço físico da triagem adequado (dimensão, localização, numero de postos de trabalho). • Descrição da metodologia de triagem: informatizada ou não, com descrição do plano de contingência para a manutenção da triagem no caso de inoperacionalidade informática. • Possibilidade de efectuar retriagem. • Protocolo escrito (e divulgado) aprovado pela Direcção do Serviço e pela Direcção Clínica que descreve o encami- nhamento dos doentes após a triagem (circuito de encaminhamento). • Protocolo de Catástrofe (Plano de Emergência Externa). • Inquérito de satisfação aos utentes. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 85 Dados estatísticos • Número de inscrições (doentes admitidos) no Serviço de Urgência. • Número e percentagem de episódios triados no Serviço de Urgência. • Número e percentagem de doentes internados a partir do Serviço de Urgência. • Resultados da auditoria interna do período em auditoria: – Percentagem correcta por triador. – Percentagem correcta no Serviço de Urgência. • Número e percentagem de fluxogramas escolhidos, por ordem de frequência. • Distribuição em número e percentagem por prioridades (cores Vermelho, Laranja, Amarelo, Verde e Azul) por dia, por dia da semana, por mês e por ano. • Numero e percentagem de doentes classificados como “Brancos” por dia, por dia da semana, por mês, por ano, por especialidade e por médico em relação ao nº total de episódios do período respectivo. • Contabilidade e % considerando as cinco prioridades (Vermelho, Laranja, Amarelo, Verde e Azul) no contexto do nº de episódios triados com (apenas) estas prioridades no Serviço de Urgência em relação ao total de episódios do período pretendido. • Contabilidade e % considerando as cinco prioridades (Vermelho, Laranja, Amarelo, Verde e Azul) no contexto do nº total de episódios no Serviço de Urgência, identificando igualmente os Brancos e os não triados no período de tempo pretendido. • Tempo médio entre a inscrição administrativa e a triagem (tempo de espera do doente desde o fim da inscrição administrativa até ao início da triagem). • Tempo médio de duração da triagem (desde a abertura da ficha do doente na triagem até ao fim da triagem). Avaliação Facultativa (apenas possível nos Serviços com informatização administrativa e clínica): • Tempo médio entre o fim da triagem e o início da primeira observação médica, total, por prioridade (cor *) e por área funcional do Serviço de Urgência (médica, cirúrgica, etc... se assim organizado). • Numero e percentagem de observações por área funcional do Serviço de Urgência (se assim organizado). • Distribuição em número e percentagem das prioridades (cores *), por dia, por dia da semana, por ano, total e por área funcional do Serviço de Urgência (se Serviço assim organizado). • Demora média do episódio total de urgência (desde a inscrição administrativa até decisão final de encaminha- mento (alta, internamento, etc...), total, por prioridade (cor *) e por área funcional do Serviço de Urgência (médica, cirúrgica, etc... se Serviço assim organizado). • Demora média do episódio clínico de urgência (desde o início da primeira observação médica até decisão final de encaminhamento (alta, internamento, etc...), total, por prioridade (cor *) e por área funcional do Serviço de Urgência (médica, cirúrgica, etc... se Serviço assim organizado). * As prioridades (cores) consideradas são Vermelho, Laranja, Amarelo, Verde e Azul, bem como a cor Branca. A avaliação final será em função do resultado da verificação dos citados parâmetros. AVALIAÇÃO CONFORME A avaliação conforme exige verificação do cumprimento dos seguintes critérios: • A obtenção de pelo menos 60% dos critérios n.ºs 1 a 17. • N.º 11 aplicável apenas na circunstância de existir sistema informatizado. • N.ºs 14 e 17, considerados apenas se forem verificados concomitantemente os dois itens. • Nº 16, considerado apenas se for verificada a existência de documentos estruturantes. Neste item têm obrigato- riamente de estar incluídos: Circuito de Gestão (encaminhamento) de Doentes, Protocolo de actuação em caso de inoperacionalidade informática (se triagem informatizada) e Protocolo de actuação em situações com múltiplas vítimas (Plano de Catástrofe Externa). 86 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem A Avaliação Global Conforme indica uma adequada implementação do Sistema e calendarização de nova Auditoria Externa no triénio seguinte. AVALIAÇÃO CONFORME PROVISÓRIA A ausência dos critérios abaixo indicados, implica uma avaliação conforme provisória: • N.º 6. Definição do circuito de gestão de doentes (Documento aprovado pelo CA e/ou Direcção Serviço). • N.º 8. Evidência de introdução de medidas correctivas face aos resultados das Auditorias internas. • N.º 13. Taxa de conformidade entre auditoria interna e externa. • N.º 17. O Serviço tem plano para a resposta a situações com múltiplas vítimas (Catástrofe Externa). Este resultado, implica a tomada de medidas por parte do Hospital, no sentido do cumprimento da norma e envio ao GPT de evidências que confirmem a correcção da situação, no prazo de seis meses, após o qual, se tal não se verificar ficará não conforme. AVALIAÇÃO NÃO CONFORME Entende-se por avaliação Não Conforme a obtenção de uma percentagem inferior a 60% dos critérios enunciados. Adicionalmente, por si só, a não conformidade no critério nº 7 “Existência de auditorias Internas mensais” implica uma Avaliação Global Não Conforme. Este resultado, implica a repetição da auditoria externa, após o prazo de seis meses, para verificação da introdução de medidas correctivas. 3.11. Relatório Final Este documento é elaborado pela equipa de Auditoria Externa, revisto e aprovado pelo GPT e remetido ao Conselho de Administração e Direcção do Serviço de Urgência do Hospital nos prazos estipulados anteriormente. Em conformidade com impresso tipificado fornecido pelo GPT, o Relatório Final é constituído por: • Introdução: – Identificação do hospital a que se refere a auditoria; – Identificação nominal dos auditores externos presentes, incluindoo grupo profissional; – Identificação de presenças / participantes na reunião inicial no hospital auditado; – Data da presente auditoria; – Data da última auditoria; – Data do início da implementação da triagem. • Constatações: – Resultados da auditoria aos episódios de triagem auditados internamente; – Apreciação global do Serviço de Urgência; Instalações, Orgânica, Observação das triagens e Documentação apresentada. • Questões: – Identificação de aspectos positivos e negativos. • Sugestões: – Apresentação de sugestões de melhoria. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 87 • Conclusões: – Emissão de parecer final sobre a conformidade; – Comunicação de recomendações formais. • Anexos (documentos tipo fornecidos pelo GPT): – Agenda da Auditoria; – Grelha da Reunião Inicial; – Grelha de Observação da Triagem; – Grelha de Auditoria aos Episódios de Triagem; – Grelha de Avaliação Global da Auditoria Externa; – Relatório Preliminar. 4. INSTRUMENTOS DE APOIO ÀS AUDITORIAS 4.1. Auditoria Interna Para a clarificação, sistematização e facilitação do processo, existem instrumentos de suporte à Auditoria Interna a serem utilizados pelos Auditores no contexto do seu trabalho. Estarão disponíveis no livro "Como Implementar". Estes ficam arquivados no respectivo Hospital, disponíveis para eventual Auditoria Externa. • RELATÓRIO INDIVIDUAL AUDITORIA INTERNA OU EQUIVALENTE INFORMÁTICO • RELATÓRIO MENSAL AUDITORIA INTERNA 4.2. Auditoria Externa Para a clarificação, sistematização e facilitação do processo, existem instrumentos de suporte à Auditoria Externa a serem utilizados pelos Auditores no contexto do seu trabalho. Uma vez assumidos os resultados pela equipa de auditoria, estes são remetidos pelo GPT ao Hospital auditado. • PREPARAÇÃO DA AUDITORIA EXTERNA • AGENDA DA AUDITORIA EXTERNA • ENTREVISTA INICIAL DA AUDITORIA EXTERNA • GRELHA DE OBSERVAÇÃO DA TRIAGEM NA AUDITORIA EXTERNA • GRELHA DE AUDITORIA DE TRIAGENS NA AUDITORIA EXTERNA • GRELHA DE AVALIAÇÃO GLOBAL DA AUDITORIA EXTERNA • RELATÓRIO PRELIMINAR DA AUDITORIA EXTERNA • RELATÓRIO FINAL DA AUDITORIA EXTERNA 88 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem 5. CONCLUSÕES Desde o início da sua actividade que o GPT valorizou a auditoria. Como garante da qualidade futura do processo de imple- mentação e funcionamento da Triagem de Manchester, o GPT incluiu a Auditoria Interna e a Auditoria Externa no Protocolo tipo a celebrar com os Hospitais aderentes ao Protocolo de Triagem de Manchester, tendo este sido aceite e aprovado pelo Ministério da Saúde. A Triagem de Manchester encontra-se largamente divulgada e implementada na realidade Portuguesa. A maioria dos Serviços de Urgência, incluindo os de maior movimento, já implementou o Protocolo de Manchester. Após o esforço de implementação do Protocolo de Triagem de Manchester, é mandatório investir no seu acompanhamento através do incentivo à realização sistemática de auditorias internas e por meio da operacionalização de auditorias externas. Existindo já alguma experiência na realização de ambos os tipos de auditorias, serve o presente manual para sistematizar e apresentar os conceitos, sempre coerentes com o defendido e divulgado ao longo dos anos de implementação do Sistema, e instrumentos de trabalho para a concretização da auditoria numa escala alargada e nacional. O GPT agradece a todos os instrutores e auditores que participaram em acções de formação, auditorias e contribuíram para a concretização do presente manual. O GPT solicita a todos os auditores a maior atenção e empenho na prossecução dos objectivos delineados. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 89 Capítulo 9 tRIaGEM tElEFÓNICa INtRodução O reconhecimento da necessidade de uma triagem telefónica formal e o seu desenvolvimento ocorreu primeiro nos Estados Unidos. A triagem telefónica foi primeiro descrita como uma ferramenta útil no contexto de urgência, no Reino Unido, em 1991. Foram enunciados vários benefícios atribuidos a esta estratégia, incluindo redução da procura do serviço de urgência, devido às explicações e aconselhamento de cuidados no domicilio e redireccionamento dos doentes para locais mais apropriados como consulta externa. A identificação de problemas antes de o doente se deslocar ao Serviço de Urgência, melhora a eficácia da procura, e reduz custos resultantes da má utilização do sistema de saúde. Nas realidades citadas, aconselhar por telefone sempre foi considerada uma parte integral do papel de enfermagem, apesar de nenhum sistema ter sido reconhecido como tendo uma identidade particularmente distinta. Estudos anteriores suge- riam que a avaliação dos doentes pelo telefone era subjectiva, estruturada de forma deficiente, e executada por pessoal sem formação. As decisões eram tomadas precipitadamente, sem averiguar todos os factos. As recomendações originadas por estes estudos demonstraram que se um profissional de saúde fosse o primeiro ponto de contacto no aconselhamento telefónico, apoiado por protocolos de aconselhamento para problemas comuns (com validação e responsabilidade médica assumida), e com registos adequados tornavam o sistema eficaz. Onde estas estratégias foram implementadas na prática, a triagem telefónica foi considerada como um método seguro e eficaz de priorização. O Aconselhamento formal dado pelo telefone tem o potencial de ser uma ferramenta valiosa em muitos contextos – um facto que foi reconhecido no desen- volvimento do NHS-Direct, o aconselhamento telefónico e a linha de ajuda no Reino Unido. Em Portugal, o programa “Saúde 24”, iniciado em 2007, baseia-se nessa metodologia (NHS-Direct). A linha de demarcação entre o aconselhamento telefónico e a triagem telefónica é discutível. Sugere-se que a triagem ocorre quando existe um processo formalizado de tomada de decisão, que permite a identificação de prioridades clínicas, e atribuição de categorias previamente determinadas de urgência, traduzidas na necessidade de avaliação médica e de cuidados da saúde. Metodologia de triageM telefónica Quando efectuada com eficácia, a triagem no serviço de urgência envolve uma decisão sobre prioridade clínica, que se baseia na queixa de apresentação em vez de no diagnóstico. A triagem telefónica deve ser efectuada exactamente da mesma forma. A metodologia aqui descrita constrói-se sobre o mesmo sistema de triagem presencial explicada pelo Grupo de Triagem de Manchester. Os resultados possíveis são, no entanto, simplificados a partir do sistema de cinco cate- gorias, uma vez que existem menos opções disponíveis para o profissional que procede à triagem telefónica. As decisões que têm que ser tomadas são as seguintes: • O doente precisa de cuidados imediatos e urgentes? (tratamento imediato) • Precisam de cuidados nas próximas horas? (tratamento em breve) • Os cuidados ou tratamento podem ser atrasados? (tratamento deferido) 90 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem Os doentes que estão na categoria de “tratamento imediato” são melhor atendidos pelos serviços de urgência, qualquer que seja a sua localização. Os que estão nas outras duas categorias podem receber tratamento em vários locais, consoante a organização do sistema de saúde local. Assim, o tempo para tratamento na categoria “tratamento em breve” variará, dependendo da disponibilidade de serviços. Isto pode significar que o doente deve dirigir-se ao serviço de urgência o mais rapidamente possível ou, o doente pode ser visto no próprio dia, no centro de saúde disponível mais próximo. É essencial que o profissional que efectua a triagem telefónica esteja ciente de (ou tenha acesso a informação) sobre a organização dos serviços de saúde locais, tais como, por exemplo, a localização de serviços de estomatologia de urgência, números de telefone dos centros de saúde, e a localização de todas as farmácias de serviço. Tomada de decisãoAo receber a chamada telefónica ,o profissional deve recolher algumas informações básicas, de quem telefona e, elaborar a queixa de apresentação de forma a identificar o problema de saúde do utente. Isto ditará qual o fluxograma de apre- sentação a seleccionar. Depois da decisão ser tomada, são usadas técnicas de questionário para obter informações, de forma a decidir qual a prioridade a ser atribuída. A metodologia é redutiva – utilizando sistematicamente os discriminadores mais graves para menos graves. O profissional de saúde está preparado para cobrir todas as possibilidades, através da informação contida nos fluxogramas. O profissional deve decidir se os critérios de cada discriminador estão preenchidos, e identificar qual dos discriminadores presentes indica a prioridade clínica mais elevada. DOres nAs COsTAs Compromisso da via aérea respiração ineficaz Dor abdominal Deficit neurológico agudo Dor severa tratamento imediato novos sintomas ou sinais neurológicos Traumatismo directo na região lombar Incapacidade de andar Quente tratamento em breve Problema recente tratamento deferidoAconselhamento telefonico As definições dos discriminadores permanecem as mesmas quando se faz a triagem por telefone ou no serviço de urgência. As questões normalmente colocadas pelo profissional de triagem devem ser modificadas para ter em conta o afastamento do doente, os níveis de ansiedade e a possibilidade de quem liga não ser o doente. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 91 Alguns exemplos de questões relacionadas com discriminadores especificos (juntamente com as suas definições) são aqui apresentados. DiscriminADor Questões Definição início agudo pós trau- mático isto começou depois de ter caído/ ser atingido, etc? Quando é que isto começou? início dos sintomas imediatamente ou pouco depois de um acontecimento fisicamente traumático ? Avulsão dentária recente Quando o dente caiu? foi o resultado de um ferimento? está completo com a raiz? extracção dentária < 7 dias Dispneia aguda ficou com falta de ar de repente?tem mais falta de ar do que o normal? Dificuldade respiratória que se desenvolve subitamente, ou uma repentina exacerbação de dispneia crónica Alteração do estado de consciência de novo? Abrem os olhos, ou mexem-se quando fala com eles ou quando abanam ligeiramente os ombros? Alteração referente ao score de Glasgow pré existente. em caso de dúvida atribuir este discriminador Dor precordial onde é a dor? Já teve dores como esta? como descrever a dor? Atinge o braço ou o pescoço? classicamente, uma dor constritiva ou pesada no centro do peito, que pode irradiar para o braço esquerdo, ou para o pescoço. Pode estar associada a suores , náusea, sensação de lipotimia e/ou dor epigástrica trauma directo na região cervical foi atingido no pescoço? exactamente o que aconteceu? o traumatismo pode ser por aplicação de força vertical, antero-posterior por torção ou extensão (enforcamento) Alto risco de auto- agressão o que vai/vão fazer? Quer-se matar? Que aconteceu no passado? Doente que potencialmente tenta se auto agredir. em caso de dúvida, presumir alto risco inconsolável pelos pais consegue acalmá-los?eles acalmam quando os abraça? As crianças cujo choro ou angustia não respondem às tentativas dos pais para as confortar preenchem estes critérios sinais de desidratação tem /têm a língua seca? Parece (m) secos? urina (m) normalmente? os sinais incluem língua seca, olhos afundados, turgor da cutaneo aumentado, e em bebés pequenos, uma fontanela anterior afundada. Habitualmente associada a uma diminuição do débito urinário sinais de meningismo tem/têm o pescoço rígido?A luz magoa o (s) seu( s) olhos? classicamente, pescoço rígido juntamente com cefaleia e fotofobia 92 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem AconselhAmento temporário Porque o doente está distante do local de socorro, pode ser necessário aconselhamento temporário, para promover a recuperação ou evitar a deterioração da condição do doente, antes de receber ajuda médica. Por exemplo, se o profissional de triagem obtiver informação que o doente não está a respirar normalmente, ou tem uma via aérea comprometida, então o aconselhamento de suporte básico de vida tem que ser dado pelo telefone, para que a reanimação possa ser executada até chegar ajuda. Da mesma forma, se uma criança não está bem, e for colocada pela triagem na categoria “tratamento deferido” será apropriado dar aconselhamento a quem está a tomar conta, sobre medidas simples para aliviar os sintomas como febre e diarreia. Aconselhamento temporário deve estar disponível para cada discriminador. O seguimento por chamada telefónica subsequente pode ser aconselhável. Alguns exemplos são mostrados de seguida: DiscriminADOr AcOnselhAmenTO TemPOráriO convulsão actual Tentativa de colocar o paciente na posição lateral de segurança (descrever se necessário). Alargar as roupas. não tente colocar nada na boca. criança quente retirar roupas quentes. Administrar paracetamol se disponível, doseado de acordo com as recomendações adequadas ao peso e idade. história de overdose, ou enven- enamento não tente induzir o vómito. se os lábios estiverem a queimar depois da ingestão de substância corrosiva, tente pequenos goles frequentes de água fria. Fractura exposta não mova o membro. coloque almofadas à sua volta para o manter imóvel. cubra a ferida com um penso limpo ou toalha limpa. Depois de obter os detalhes dos doentes que apresentam sintomas, de atribuir uma categoria de prioridade, e de dar aconselhamento temporário, poderá ser necessário aconselhamento sobre meios de transporte. Devem existir protocolos para estas situações, dependendo das instituições locais. Dor A avaliação da dor, é parte integrante do processo de tomada de decisão, com particularidades inerentes à triagem tele- fónica. A observação directa do doente não é possível, e o tempo disponível para recolha dessa informação limitado. A informação prestada pelo doente ou seu familiar, pode ser de utilidade relativa se não for compreendido o objectivo do inquérito, podendo gerar dificuldades acrescidas. A dor severa é usada como discriminador para observação imediata, uma vez que necessita de investigação urgente e avaliação clínica. Para além da dor severa, a dor não é utilizada para identificação das outras prioridades, sendo os doentes prioritizados por outros discriminadores que não este, necessitando o profissional de saúde de informação adicional. o profissionAl De sAúDe nA triAgem telefónicA A triagem telefónica, como a triagem efectuada no serviço de urgência necessita de ser efectuada por profissionais expe- rientes. A disponibilização de protocolos, não dispensa a experiencia profissional. Pelo contrário a triagem telefónica, necessita de maior experiencia e treino, de forma a compensar a ausência do doente e a obter telefonicamente a informa- ção mais pertinente no mais curto espaço de tempo. como na triagem no serviço de urgência, o sucesso depende do respeito integral da metodologia. O sistema tem de ser auditado, e os profissionais receberem o treino adequado. A supervisão no dia-a-dia assegura que os protocolos são utili- zados da melhor forma, com os resultados esperados. A triagem telefónica providencia um método, eficaz, seguro e auditavel para a prioritização dos doentes via telefone. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 93 ÍNDICE DE FLUXOGRAMAS DESCRIÇÃO DE SINTOMAS N.º DE QUADRO N.º DE PÁGINA Estado de inconsciência / síncope 28 148 Exposição a químicos 29 150 Feridas 30 152 Grande traumatismo 31 154 Gravidez 32 156 Hemorragia gastrointestinal 33 158 Hemorragia vaginal 34 160 Indisposição no adulto 35 162 Infecções locais e abcessos 36 164 Lesão toraco-abdominal 37 166 Mordeduras e picadas 38 168 Pais preocupados (P) 39 170 Palpitações 40 172 Problemas estomatológicos 41 174 Problemas faciais 42 176Problemas nos membros 43 178 Problemas oftalmológicos 44 180 Problemas de ouvidos 45 182 Problemas urinários 46 184 Queda 47 186 Queimaduras profundas e superficiais 48 188 Sobredosagem e envenenamento 49 190 T.C.E. Trauma crânio-encefálico 50 192 Catástrofes – Avaliação primária 51 194 Catástrofes – Avaliação secundária 52 196 DESCRIÇÃO DE SINTOMAS N.º DE QUADRO N.º DE PÁGINA Agressão 1 94 Alergias 2 96 Asma 3 98 Auto-agressão 4 100 Bebé que chora (P) 5 102 Cefaleia 6 104 Comportamento estranho 7 106 Convulsões 8 108 Corpo estranho 9 110 Criança com dificuldade de locomoção (P) 10 112 Criança que não se sente bem (P) 11 114 Criança irritável (P) 12 116 Diabetes 13 118 Diarreia e/ou vómitos 14 120 Dispneia 15 122 Dispneia na criança (P) 16 124 Doença mental 17 126 Doenças sexualmente transmissíveis 18 128 Dor abdominal 19 130 Dor abdominal na criança (P) 20 132 Dor cervical 21 134 Dor de garganta 22 136 Dor lombar 23 138 Dor testicular 24 140 Dor torácica 25 142 Embriaguez aparente 26 144 Erupções cutâneas 27 146 94 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 1 agressão Não laranja • Mecanismo de lesão? • Dispneia aguda? • grande hemorragia incontrolável? • alteração do estado de consciência de novo? • Défice neurológico agudo? • Dor severa? verMelho • Compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • hemorragia exsanguinante? • Choque? Não • Pequena hemorragia incontrolável? • história de perda de consciência? • novos sintomas e/ou sinais neurológicos? • alteração da coagulação • história inapropriada? • Dor moderada? aMarelo verDe Sim azul • edema? • Deformação? • Dor ligeira < 7 dias? • Problema recente? Não Não Sim Sim Sim creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 95 ver também NOtaS DO QUaDrO T.C.E. Dor lombar Feridas A agressão é uma situação de apresentação comum e estes doentes podem ser triados usando este quadro. A triagem dos doentes que apresentam lesões pode ser melhorada usando os quadros que dizem respeito às várias lesões. É valorizado um determinado número de discriminadores gerais, incluindo risco de vida, hemorragia e dor. Os discriminadores específicos são incluídos para identificar doentes que têm uma história significativa de agressão que possa indicar a necessidade de um tratamento mais urgente. DiScrimiNaDOreS eSpecíficOS explicaçãO Alteração do estado de consciência de novo Alteração nas últimas 12 horas em relação ao grau pré-existente na Escala de Coma de Glasgow. Em caso de dúvida presumir existência de alteração de estado de consciência. Défice neurológico agudo Qualquer perda de função neurológica acontecida ≤ 24 horas, incluindo alterações sensitivas, redução da força (temporária ou permanente) dos membros ou alterações funcionais vesicais ou do intestino. Deformação Situação sempre subjectiva. Estão implícitas angulações ou rotações anormais. Dispneia aguda Dificuldade respiratória que se desenvolve subitamente ou uma repentina exacerbação de dispneia crónica. História de perda de consciência Pode haver uma testemunha fiável que possa dizer se o doente esteve inconsciente (e durante quanto tempo). Caso contrário, se o doente não se recorda do incidente deve-se presumir que esteve inconsciente. Mecanismo de lesão São significativas as lesões penetrantes (facadas ou tiros) e as lesões com elevada transferência de energia, tais como quedas de altura, acidentes de tráfego a alta velocidade (velocidade superior a 60 km/h), ejecção de um veículo, morte de ocupantes e deformação significativa de um veículo. Pode ser especialmente significativa história de saltar de um edifício em chamas ou de exposição a uma explosão. Novos sinais e/ou sintomas neurológicos Podem incluir alteração ou perda de sensibilidade, enfraquecimento dos membros (transitório ou permanente) ou alterações do funcionamento da bexiga ou do intestino (incontinência) há > 24 horas. NOtaS: aGreSSãO QUADRO 1 96 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 2 alergias Não laranja • edema facial? • edema na língua? • História significativa de alergia? • incapacidade de articular frases completas? • Pulso anormal? • alteração do estado consciência de novo? • saO2 muito baixa? • Dor severa? • Prurido severo? vermelHO • Compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • estridor? • Choque? • Criança não reactiva? Não • saO2 baixa? • exantema eritematoso ou bolhoso? • Dor moderada? • Prurido moderado? amarelO verDe Sim azul • inflamação local? • Dor ligeira < 7 dias? • Prurido ligeiro? • Problema recente? Não Não Sim Sim Sim creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 97 ver também NOtaS DO QUaDrO Asma Estado de inconsciência/síncope Indisposição do adulto Mordeduras e picadas Este quadro permite a priorização de situações relacionadas com alergia. Os doentes com reacções alérgicas, apresentam-se com situações que podem ir desde o choque anafilático até ao prurido. São usados discriminadores gerais, como alteração do estado de consciência, e específicos de modo a identificar situações mais urgentes. DiScrimiNaDOreS eSpecíficOS explicaçãO Edema da face Inchaço difuso na face, envolvendo habitualmente os lábios. Edema da língua Inchaço ou aumento de volume da língua, em qualquer grau. Exantema eritematoso ou bolhoso Qualquer erupção de vesículas que cobrem uma área superior a 10% da superfície corporal. História significativa de alergia É significativa uma sensibilidade conhecida com reacção grave (ex. nozes ou picadas de abelha). Incapacidade de articular frases completas Doentes com dificuldade respiratória tão grande que não conseguem articular frases curtas numa só expiração. Inflamação local A inflamação local envolve dor, edema e eritema confinados a um determinado local ou área. Pulso anormal Bradicardia (< 60 min.), taquicardia (> 120 min.) ou arritmia de novo, ou que não se consiga negar como pré-existente. SaO2 baixa Uma saturação de < 95% com ar atmosférico. SaO2 muito baixa Uma saturação < 95% com terapêutica O2 suplementar ou < 90% com ar atmosférico. NOtaS: alerGiaS QUADRO 2 98 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 3 asma laranja • Incapacidade de articular frases completas? • História significativa de doença respiratória? • Pulso anormal? • saO2 muito baixa? • alteração do estado de consciência de novo? • PEFr muito baixa? vErmElHO • Compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • Choque? • Criança não reactiva? Não Sim Sim Não Não • saO2 baixa? • asma sem melhoria com o seu tratamento habitual? • PEFr baixo? amarElO vErdE Sim azul • Broncospasmo • Provável infecção respiratória • Problema recente? Não Sim creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 99 ver também NOtaS DO QUaDrO Alergias Dispneia Dispneia na criança Este fluxograma destina-se a doentes que apresentam exacerbações de asma conhecida. A gravidade dos casos de asma que se apresentam varia desde risco de vida a repetição da prescrição de inaladores. É usado um determinado número de discriminadores gerais, incluindo risco de vida, grau de consciência (em adultos e crianças), e saturação de oxigénio. Os discriminadores específicos são incluídos para identificar sinais e sintomas que indiquem asma grave e que provoquem risco de vida. DiScrimiNaDOreS eSpecíficOS explicaçãO Asma sem melhoras com o seu tratamento habitual Esta história deve ser fornecida pelo doente. A ausência de melhoria com uma terapêutica de broncodilatadores prescrita pelo médico assistente é igualmente significativa. Broncospasmo Pode ter sibilância audível. Deve ter-se em mente que a dificuldade respiratória grave pode ser silenciosa (o ar não se movimenta).História significativa de doença respiratória História de doença respiratória instável ou de episódios anteriores com perigo de vida. Incluir os doentes com oxigénioterapia ou ventilação não invasiva domiciliária. Incapacidade de articular frases completas Doentes com dificuldade respiratória tão grande que não conseguem articular frases curtas numa só expiração. Fluxo Expiratório Máximo (PEFR) baixo É um PEFR de 50% ou inferior à melhor PEFR prevista (ver escalas em anexo). Fluxo Expiratório Máximo (PEFR) muito baixo É um PEFR de 33% ou inferior à melhor PEFR, ou PEFR prevista (ver escalas em anexo). Provável infecção respiratória Quadro caracterizado por tosse, expectoração e/ou dispneia. Pulso anormal Bradicardia (< 60 min.), taquicardia (> 120 min.) ou arritmia de novo, ou que não se consiga negar como pré-existente. SaO2 baixa É uma saturação < 95% de O2 respirando ar atmosférico. SaO2 muito baixa É uma saturação < 95% com terapêutica de O2 suplementar ou < 90% com ar atmosférico. NOtaS: aSma QUADRO 3 100 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 4 AUTO-AGRESSÃO lARAnjA • Dispneia aguda? • Grande hemorragia incontrolável? • Alteração do estado de consciência de novo? • Mecanismo de lesão? • Alto risco de nova auto-agressão? • Dor severa? vERMElhO • Compromisso da via aérea? • Respiração ineficaz? • hemorragia exsanguinante? • Choque? Não Sim Sim Não • Pequena hemorragia incontrolável? • Risco moderado de auto-agressão? • história psiquiátrica signficativa? • Alteração da coagulação? • história inapropriada? • Angústia marcada? • Dor moderada? AMARElO vERDE Não Sim creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 101 QUADRO 4 NOTAS: AUTO-AGRESSÃO VER TAmbém NOTAS dO QUAdRO Doença mental Sobredosagem e envenenamento Este fluxograma foi concebido para permitir que os doentes que se tenham auto- -infligido danos físicos a si próprios tenham a prioridade necessária. Foi produzido um fluxograma separado para abranger as situações de sobredosagem e envenenamento. É usado um número de discriminadores gerais que incluem risco de vida, hemorragia, grau de consciência, e dor. Os discriminadores específicos permitem a atribuição correcta de prioridade aos doentes com um mecanismo de lesão significativo e aos que apresentam vários graus de risco de nova auto-agressão. diScRimiNAdORES ESpEcíficOS ExplicAçÃO Alteração do estado de consciência de novo Alteração nas últimas 12 horas em relação ao grau pré-existente na Escala de Coma de Glasgow. Em caso de dúvida presumir existência de alteração de estado de consciência. Alto risco de auto-agressão Confirmação do alto risco de auto-agressão, deve ter em conta nomeadamente, uma história significativa prévia de auto-agressão, doentes que activamente tentam auto- -mutilação ou que tentam sair do serviço de urgência com esse intuito. Angústia marcada Os doentes que apresentam perturbações físicas ou emocionais acentuadas preenchem este critério. Dispneia aguda Dificuldade respiratória que se desenvolve subitamente ou uma repentina exacerbação de dispneia crónica. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, então a história é inapropriada. História psiquiátrica significativa História de doença ou evento psiquiátrico importante. Mecanismo de lesão São significativas as lesões penetrantes (facadas ou tiros) e as lesões com elevada transferência de energia, tais como quedas de altura, acidentes de tráfego a alta velocidade (velocidade superior a 60 km/h), ejecção de um veículo, morte de ocupantes e deformação significativa de um veículo. Pode ser especialmente significativa a história de saltar de um edifício em chamas ou de exposição a uma explosão. Risco moderado de auto-agressão Uma visão inicial do risco de auto-agressão poderá ser formada tendo em conta o comportamento do doente. Os doentes que não apresentem uma história significativa de auto-agressão, que não tentam activamente auto-agredir-se, que não tentam sair do serviço de urgência com a intenção de se auto-agredir, são doentes de risco moderado de auto-agressão. Em caso de dúvida, presumir alto risco. 102 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 5 bebé que chora laranja • Sinais de dor severa? • Só responde à voz e à dor? • Prostrado? • Púrpura? • erupção cutânea desconhecida? • criança muito quente? vermelho • compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • choque? • criança não reactiva? Não Sim Sim Não • Sinais de dor moderada? • história de perda de consciência? • história inapropriada? • Inconsolável pelos pais? • choro prolongado ou ininterrupto? • Incapaz de se alimentar? • criança quente? amarelo verde Sim azul • Sinais de dor ligeira < a 7 dias? • Subfebril (Febrícula)? • comportamento estranho? • Problema recente? Não Sim creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 103 QUADRO 5 NOTAS: BEBÉ QUE CHORA VER TAMBÉM NOTAS dO QUAdRO Criança que não se sente bem Pais preocupados Este quadro foi concebido para permitir que seja dada a prioridade correcta às crianças trazidas pelos pais, sendo o choro a principal queixa. Foram utilizados discriminadores gerais que incluem risco de vida, grau de consciência e a dor. Os discriminadores específicos permitem o reconhecimento de patologias mais específicas, tais como a sepsis, ou indicadores da possível existência de patologias mais graves. dISCRIMINAdORES ESPECÍFICOS ExPlICAçãO Choro prolongado ou ininterrupto Qualquer criança que chore continuamente, durante duas horas ou mais, preenche este critério. Comportamento estranho Criança que se comporta de forma não habitual numa determinada situação. Os tutores prestam frequentemente esta informação de forma voluntária. Estas crianças são muitas vezes referidas como "rabugentas" ou “indispostas”. Erupção cutânea desconhecida Qualquer erupção cutânea cuja causa não se possa identificar. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, então a história é inapropriada. História de perda de consciência Pode haver uma testemunha fiável que possa dizer se o doente esteve inconsciente (e durante quanto tempo). Caso contrário, se o doente não se recorda do incidente deve‑se presumir que esteve inconsciente. Incapaz de se alimentar Crianças que não ingerem alimentos sólidos ou líquidos (como o esperado) por via oral. Crianças que ingerem alimentos mas que em seguida os vomitam poderão também preencher este critério. Inconsolável pelos pais As crianças cujo choro ou angústia não respondem às tentativas de conforto dos pais preenchem este critério. Prostrado Os pais poderão descrever os seus filhos como apáticos, pouco reactivos ou “molengões”. O tónus é em geral reduzido – o sinal mais notável é o movimento da cabeça. Púrpura Exantema em qualquer parte do corpo causado por pequenas hemorragias subcutâneas. Um exantema purpúreo não fica esbranquiçado (não se torna branco) sob pressão. Sinais de dor ligeira São todas as crianças em que se suspeita existência de dor e que não se enquadram nos critérios de dor moderada. Sinais de dor moderada Jovens crianças e bebés com dor moderada não se sabem queixar. Habitualmente, choram contínua ou intermitentemente e são ocasionalmente consoláveis. Sinais de dor severa Jovens crianças e bebés com dores severas não se sabem queixar. Habitualmente, choram contínua e inconsolavelmente podendo apresentar taquicardia. Poderão exibir sinais como palidez e suores. 104 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 6 cefaleia laranja • início repentino? • alteração do estado de consciência de novo? • Défice neurológico agudo? • Perda súbita de visão com início nas 24 horas anteriores? • Sinais de meningismo?• erupção cutânea desconhecida? • Púrpura? • criança muito quente? • adulto muito quente? • Dor severa? vermelho • compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • choque? • criança não reactiva? • convulsão actual? Não Sim Sim Não • história de T.c.e.? • história de perda de consciência? • alteração da coagulação? • história inapropriada? • recente redução da acuidade visual? • vómitos persistentes? • novos sintomas e/ou sinais neurológicos? • Dor à palpação da região temporal? • adulto quente? • criança quente? • Dor moderada? amarelo verDe Sim azul • Subfebril (febrícula)? • vómitos? • Dor ligeira < 7 dias? • Problema recente? Não Sim Não creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 105 QUADRO 6 NOTAS: CEFALEIA VEr TAmbém NOTAS dO QuAdrO T.C.E. Dor cervical Um largo número de doenças podem apresentar cefaleias e, nalguns casos, estas requerem intervenção urgente. São utilizados discriminadores gerais que incluem perigo de vida, grau de consciência, dor e temperatura. Discriminadores específicos são usados para identificar causas severas como a hemorragia subaracnóideia e a meningococcemia. Sinais neurológicos focais (ou sem dúvida quaisquer sintomas/ sinais neurológicos) em conjunto com a redução de acuidade visual e couro cabeludo doloroso são usados para indicar a necessidade de categorização urgente. dISCrImINAdOrES ESpECíFICOS EXpLICAÇÃO Convulsão actual Doentes que se encontram em fase tónica ou clónica de uma convulsão epiléptica, e doentes actualmente sofrendo de convulsões preenchem este critério. Défice neurológico agudo Qualquer perda de função neurológica ≤ 24 horas, incluindo alterações sensitivas, redução da força (temporária ou permanente) dos membros ou alterações funcionais vesicais ou do intestino. Dor à palpação da região temporal Dor à palpação da região temporal (especialmente sobre a artéria). Erupção cutânea desconhecida Qualquer erupção cutânea cuja causa não se possa identificar. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, a história é inapropriada. História de perda de consciência Pode haver uma testemunha de confiança que possa afirmar se o doente esteve inconsciente (e por quanto tempo). Caso contrário, se o doente não for capaz de se recordar do incidente deve-se assumir que esteve inconsciente. Início repentino Início em minutos ou segundos, pode obrigar a pessoa a acordar duante o sono. Novos sinais e/ou sintomas neurológicos Podem incluir alteração ou perda de sensibilidade, enfraquecimento dos membros (transitório ou permanente) ou alterações do funcionamento da bexiga ou intestino (incontinência) há > 24 horas. Perda súbita de visão com início nas 24 horas anteriores Perda de visão num ou nos dois olhos durante mais de 24 horas. Púrpura Exantema em qualquer parte do corpo causado por pequenas hemorragias subcutâneas. Um exantema purpúreo não fica esbranquiçado (não se torna branco) sob pressão. Recente redução da acuidade visual Qualquer redução da acuidade visual (corrigida) nos últimos 7 dias. Sinais de meningismo Classicamente, pescoço rígido concomitante com cefaleia e fotofobia. 106 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 7 comportamento estranho laranja • alteração do estado de consciência de novo? • Défice neurológico agudo? • história de sobredosagem ou envenenamento? • alto risco de agressão a terceiros? • alto risco de auto-agressão? vermelho • compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • choque? • hipoglicemia? Não Sim Sim • história de t.c.e.? • história de perda de consciência? • novos sintomas e/ou sinais neurológicos? • história psiquiátrica significativa? • risco moderado de agressão a terceiros? • risco moderado de auto-agressão? amarelo verDe Não Sim Não creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 107 QUADRO 7 NOTAS: COMPORTAMENTO ESTRANHO VER TAMbéM NOTAS dO QuAdRO Doença mental Embriaguez aparente A causa de os doentes apresentarem um comportamento estranho pode ser de ordem psiquiátrica ou física. Este quadro está concebido para permitir que seja dada a estes grupos de doentes a adequada prioridade. Os discriminadores gerais incluem risco de vida e grau de consciência. São usados discriminadores específicos, em especial os conceitos de risco de agressão a terceiros e risco de auto-agressão. diSCRiMiNAdORES ESPECífiCOS ExPliCAçãO Alto risco de agressão a terceiros A possibilidade de um doente tentar agredir outros. Esta situação pode ser avaliada tendo em conta o estado mental, a postura corporal e o comportamento. Quando em dúvida, presumir alto risco. O alto risco deve ser assumido se o doente tiver acesso a armas ou potenciais vítimas ou se constatar perda do auto-controlo. Alto risco de auto-agressão Uma visão inicial do risco de auto-agressão pode ser formada tendo em conta o comportamento do doente. Os doentes que apresentem histórias significativas de auto-agressão, estão a tentar auto agredir-se ou que estão a tentar sair com a intenção de se auto-agredir são doentes de alto risco. Défice neurológico agudo Qualquer perda de função neurológica acontecida ≤ 24 horas, incluindo alterações sensitivas, redução da força (temporária ou permanente) dos membros ou alterações funcionais vesicais ou do intestino. Hipoglicemia Glicemia inferior a 55 mg/dl. História de perda de consciência Pode haver uma testemunha fiável que possa afirmar se o doente esteve inconsciente (e por quanto tempo). Caso contrário, se o doente não for capaz de se recordar do incidente, deve-se assumir que esteve inconsciente. História psiquiátrica significativa História de doença ou evento psiquiátrico importante. História de sobredosagem ou envenenamento Esta informação poderá ser prestada por terceiros ou poderá ser deduzida na presença de caixas de substâncias perigosas vazias. Novos sintomas e/ou sinais neurológicos Podem incluir alteração ou perda de sensibilidade, enfraquecimento dos membros (transitório ou permanente) ou alterações do funcionamento da bexiga ou intestino (incontinência) há > 24 horas. Risco moderado de agressão a terceiros A presença de um risco potencial de agressão a terceiros poderá ser medida observando a postura (tensa e rígida), padrões de conversação (voz alta e palavras ameaçadoras) e comportamento motor (nervosismo e andar sem parar). Em caso de dúvida presumir alto risco. Risco moderado de auto-agressão Uma visão inicial do risco de auto-agressão poderá ser formada tendo em conta o comportamento do doente. Os doentes que não apresentem uma história significativa de auto-agressão, que não tentam activamente auto-agredir-se, que não tentam sair do serviço de urgência com a intenção de se auto-agredir, são doentes de risco moderado de auto-agressão. Em caso de dúvida, presumir alto risco. T.C.E. Qualquer acontecimento traumático envolvendo a cabeça preenche este critério. 108 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 8 CONVULSÕES LaraNja • alteração do estado de consciência de novo? • Défice neurológico agudo? • Sinais de meningismo? • História de sobredosagem ou envenenamento? • Erupção cutânea desconhecida? • Púrpura? • Criança muito quente? • adulto muito quente? VErmELHO • Compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • Choque? • Criança não reactiva? • Convulsão actual? • Hipoglicemia? Não Sim Sim Não • História de T.C.E.? • História inapropriada? • Novos sintomas e/ou sinais neurológicos? • adulto quente? • Criança quente? • História de convulsão? amarELO VErDE Sim azUL • Subfebril (Febrícula)? • Cefaleias? • Dor ligeira < 7 dias? • Problema recente? Não Sim Não creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 109 QUADRO 8 NOTAS: CONVULSÕES VEr TAmbém NOTAS dO QUAdrO Cefaleias Sobredosageme envenenamento T.C.E. Esta situação não é invulgar nas urgências e o Fluxograma está concebido para permitir uma categorização rápida de doentes que estão actualmente, ou que estiveram, em crise/convulsão. São utilizados discriminadores gerais que incluem perigo de vida, grau de consciência e temperatura. Os discriminadores específicos incluem sinais de meningismo e perda focal ou perda progressiva de função. Como acontece com todos os doentes inconscientes, deve fazer-se uma medição rápida dos níveis de glicose no sangue para se excluir a hipótese de hipoglicemia. diSCrimiNAdOrES ESpECífiCOS ExpLiCAçãO Cefaleia Qualquer dor em redor da cabeça não relacionada com uma determinada estrutura anatómica. A dor facial não está incluída. Convulsão actual Doentes que se encontram actualmente sofrendo de convulsões (na fase tónica, clónica ou com outra manifestação relevante) preenchem este critério. Défice neurológico agudo Qualquer perda de função neurológica acontecida ≤ 24 horas, incluindo alterações sensitivas, redução da força (temporária ou permanente) dos membros ou alterações funcionais vesicais ou do intestino. Erupção cutânea desconhecida Qualquer erupção cutânea cuja causa não se possa identificar. Hipoglicemia Glicemia inferior a 55 mg/dl. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, a história é inapropriada. História de sobredosagem ou envenenamento Esta informação poderá ser prestada por terceiros ou poderá ser deduzida na presença de caixas de substâncias perigosas vazias. História de T.C.E. Qualquer acontecimento traumático envolvendo a cabeça preenche este critério. Novos sinais e/ou sintomas neurológicos Podem incluir alteração ou perda de sensibilidade, enfraquecimento dos membros (transitória ou permanente) ou alterações no funcionamento da bexiga ou do intestino (incontinência) há > 24 horas. Púrpura Exantema em qualquer parte do corpo causado por pequenas hemorragias subcutâneas. Um exantema purpúreo não fica esbranquiçado (não se torna branco) sob pressão. Sinais de meningismo Classicamente, pescoço rígido concomitante com cefaleia e fotofobia. 110 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 9 CORPO ESTRANHO lARANjA • Grande hemorragia incontrolável? • Mecanismo de lesão? • Alteração do estado de consciência de novo? • Traumatismo ocular penetrante? • Dor severa? vERMElHO • Compromisso da via aérea? • Estridor? • Respiração ineficaz? • Hemorragia exsanguinante? • Choque? Não Sim Sim Não • História inapropriada? • Pequena hemorragia incontrolável? • Dor moderada? AMARElO vERDE Sim Azul • Inflamação local? • Infecção local? • Olho vermelho? • Dor ligeira < 7 dias? • Problema recente? Não Sim Não creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 111 QUADRO 9 NOTAS: CORPO ESTRANHO VER TAmbém NOTAS dO QuAdRO Dor lombar Feridas Este fluxograma está concebido para permitir a atribuição da prioridade correcta aos doentes que se apresentem com um corpo estranho em qualquer parte do seu corpo. A gravidade destes casos vai desde o incómodo ao risco de vida e o quadro permite a diferenciação entre os graus de gravidade. São utilizados discriminadores gerais que incluem perigo de vida, hemorragia e dor. O único discriminador específico relacionado com o local anatómico é o da penetração do globo ocular. diSCRimiNAdORES ESPECífiCOS ExPliCAçãO Alteração do estado de consciência de novo Alteração nas últimas 12 horas em relação ao grau pré-existente na Escala de Coma de Glasgow. Em caso de dúvida presumir existência de alteração de estado de consciência. Estridor Som que poderá ser inspiratório ou expiratório, ou ambos. O estridor é ouvido mais claramente quando se respira de boca aberta. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, a história é inapropriada. Traumatismo ocular penetrante Um evento traumático físico recente que envolva a penetração do globo ocular. Infecção local A infecção local manifesta-se habitualmente como inflamação (dor, edema e eritema) confinada a um determinado local ou área, com ou sem o aparecimento de pus. Inflamação local A inflamação local envolve dor, edema e eritema confinados a um determinado local ou área. Mecanismo da lesão São significativas as lesões penetrantes (facadas ou tiros) e as lesões com elevada transferência de energia, tais como quedas de altura, acidentes de tráfego a alta velocidade (velocidade superior a 60 km/h), ejecção de um veículo, morte de ocupantes e deformação significativa de um veículo. Pode ser especialmente significativa a história de saltar de um edifício em chamas ou de exposição a uma explosão. Olho vermelho Olhos que se apresentam vermelhos. Um olho vermelho pode ser doloroso, ou não, e poderá ser total ou parcialmente afectado. 112 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 10 criança com dificuldade de locomoção laranja • Sinais de dor severa? • compromisso vascular distal? • erupção cutânea desconhecida? • Púrpura? • criança muito quente? vermelho • compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • choque? Não Sim Sim Não • Sinais de dor moderada? • dor à mobilização das articulações? • história inapropriada? • alteração da coagulação? • articulação quente? • criança quente? amarelo verde Sim azul • Sinais de dor ligeira < 7 dias? • Subfebril (febrícula)? • deformação? • edema? • Problema recente? Não Sim Não creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 113 QUADRO 10 NOTAS: criANçA cOm dificuldAde de lOcOmOçãO Ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Lesões nos membros A criança que se apresenta com dificuldade de locomoção pode ter sofrido um traumatismo das partes moles do pé ou do calcanhar, ou estar a desenvolver uma artrite séptica da coxa. Este fluxograma está desenhado para permitir o estabelecimento da prioridade mais alta a este último caso. São utilizados discriminadores gerais que incluem perigo de vida, dor e temperatura. Discriminadores específicos foram incluídos para permitir que as crianças com patologias mais urgentes que ameaçam a função do membro, sejam identificadas e aqueles cuja dificuldade de locomoção seja um sinal indirecto de uma doença sistémica, sejam detectadas rapidamente. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Alteração da coagulação Alteração da coagulação associada a doença hematológica ou terapêutica. Articulação quente Qualquer aumento de temperatura em redor de uma articulação preenche este critério. Frequentemente acompanhado por eritema. Compromisso vascular distal Trata-se de uma combinação de palidez, frio, alteração da sensibilidade e dor, com ou sem ausência de pulsação distal à lesão. Deformação Situação sempre subjectiva. Estão implícitas angulações ou rotações anormais. Dor à mobilização nas articulações Poderá tratar-se de uma dor por movimento activo (do doente) ou por movimento passivo (pelo examinador). Edema Inchaço ou aumento de volume. Edema da face Inchaço difuso na face, envolvendo habitualmente os lábios. Edema da língua Inchaço ou aumento de volume da língua, em qualquer grau. Erupção cutânea desconhecida Qualquer erupção cutânea cuja causa não se possa identificar. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, a história é inapropriada. Púrpura Exantema em qualquer parte do corpo causado por pequenas hemorragias subcutâneas. Um exantema purpúreo não fica esbranquiçado (não se torna branco) sob pressão. 114 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 11 criança que não se sente bem laranja • sinais de dor severa? • só responde à voz e à dor? • sem reacção aos estimulos dos pais? • sinais de meningismo? • erupção cutânea desconhecida? • Púrpura? •criança muito quente? • Hipotermia? vermelHo • compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • choque? • Hipoglicemia? • convulsão actual? • criança não reactiva? Não Sim Sim Não • sinais de dor moderada? • História inapropriada? • sinais de desidratação? • retenção urinária/oligoanúria? • não se alimenta? • criança quente? amarelo verde Sim azul • sinais de dor ligeira < 7 dias? • subfebril (Febrícula)? • comportamento estranho? • Problema recente? Não Sim creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 115 QUADRO 11 NOTAS: criANçA que NãO Se SeNTe bem Ver TAmbém NOTAS dO quAdrO Bebé que chora Criança irritável Pais preocupados Este fluxograma pretende priorizar crianças que não têm uma doença específica, mas que não se sentem bem. O número de discriminadores gerais usados incluindo perigo de vida, grau de consciência, dor e temperatura. O número de discriminadores específicos foram incluídos para permitir a identificação de patologia grave, como meningococcémia. Isto pode levar mais tempo que a observação inicial. O BM test nas crianças não diabéticas só é obrigatório se existir alteração do estado de consciência. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Comportamento estranho Criança que se comporta de forma não habitual numa determinada situação. Os tutores prestam frequentemente esta informação de forma voluntária. Estas crianças são muitas vezes referidas como rabugentas ou “indispostas”. Erupção cutânea desconhecida Qualquer erupção cutânea cuja causa não se possa identificar. Hipoglicemia Glicemia inferior a 55 mg/dl. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, então a história é inapropriada. Não se alimenta Crianças que não ingerem alimentos sólidos ou líquidos (como o esperado) por via oral. Crianças que ingerem alimentos mas que em seguida a vomitam poderão também preencher este critério. Púrpura Exantema em qualquer parte do corpo causado por pequenas hemorragias subcutâneas. Um exantema purpúreo não fica esbranquiçado (não se torna branco) sob pressão. Retenção de urinária/oligoanúria Incapacidade de urinar com distensão da bexiga e ou oligoanúria. Sem reacção aos estímulos dos pais A falta de qualquer tipo de reacção à cara ou a voz dos pais. Reacções anormais e uma aparente falta de reconhecimento dos pais são sinais preocupantes. Sinais de desidratação Incluindo secura da língua, olhos afundados, turgir cutâneo aumentado e, em bebés, uma fontanela anterior afundada. Habitualmente, associada a uma diminuição do débito urinário. Sinais de meningismo Classicamente, pescoço rígido concomitante com cefaleia e fotofobia. 116 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 12 criança irriTÁVEL Laranja • Sinais de dor severa? • Só responde à voz e à dor? • História de sobredosagem ou envenenamento? • Sinais de meningismo? • Erupção cutânea desconhecida? • Púrpura? • criança muito quente? VErmELHo • compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • choque? • Hipoglicemia? • criança não reactiva? Não Sim Sim Não • Sinais de dor moderada? • incapacidade de distracção? • não se alimenta? • História inapropriada? • choro prolongado ou ininterrupto? • criança quente? amarELo VErdE Sim azuL • Sinais de dor ligeira < 7 dias? • Subfebril (Febrícula)? • comportamento estranho? • Problema recente? Não Sim creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 117 QUADRO 12 NOTAS: criANçA irriTÁVEL VEr TAmbém NOTAS dO QuAdrO Bebé que chora Criança que não se sente bem Pais preocupados Este fluxograma foi criado para ser usado em crianças até à idade de 1 ano. São utilizados discriminadores gerais que incluem perigo de vida, grau de consciência e dor. Os discriminadores específicos permitem o reconhecimento de patologias mais específicas tais como a septicemia, ou indicadores da possível existência de patologias mais graves. O BM test nas crianças não diabéticas só é obrigatório se existir alteração do estado de consciência. diScrimiNAdOrES ESpEcíficOS ExpLicAçãO Choro prolongado ou ininterrupto Qualquer criança que chore continuamente, durante duas horas ou mais, preenche este critério. Criança não reactiva As crianças que não reagem a estímulos verbais ou dolorosos dizem-se sem reacção. Comportamento estranho Criança que se comporta de forma não habitual numa determinada situação. Os tutores prestam frequentemente esta informação de forma voluntária. Estas crianças são muitas vezes referidas como "rabugentas" ou “indispostas”. Erupção cutânea desconhecida Qualquer erupção cutânea cuja causa não se possa identificar. Hipoglicemia Glicemia inferior a 55 mg/dl. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, a história é inapropriada. História de sobredosagem ou envenenamento Esta informação poderá ser prestada por terceiros ou poderá ser deduzida na presença de caixas de substâncias perigosas vazias. Incapacidade de distracção Crianças angustiadas pela dor, ou por outros factores, e que são incapazes de se distrair com conversa ou brincadeira preenchem este critério. Púrpura Exantema em qualquer parte do corpo causado por pequenas hemorragias subcutâneas. Um exantema purpúreo não fica esbranquiçado (não se torna branco) sob pressão. Não se alimenta Crianças que não ingerem alimentos sólidos ou líquidos (como o esperado). Crianças que ingerem alimentos, mas que em seguida os vomitam poderão também preencher este critério. Sinais de meningismo Classicamente, pescoço rígido concomitante com cefaleia e fotofobia. Sinais de dor moderada Jovens crianças e bebés com dor moderada não se sabem queixar. Habitualmente, choram continua ou intermitentemente e são ocasionalmente consoláveis. Sinais de dor severa Jovens crianças e bebés com dores severas não se sabem queixar. Habitualmente, choram contínua e inconsolavelmente podendo apresentar taquicardia. Poderão exibir sinais como palidez e suores. 118 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 13 DIABETES lArAnjA � •��Alteração�do�estado�de�consciência� de�novo? •�Hiperglicemia�com�cetose? •�Criança�muito�quente? •�Adulto�muito�quente? •�Hipotermia? •�Dor�severa? vErmElHo •�Compromisso�da�via�aérea? •�respiração�ineficaz? •�Choque? •�Criança�não�reactiva? •�Hipoglicemia? Não Sim Sim Não •�Hiperglicemia? •�Adulto�quente? •�Criança�quente? •�vómitos�persistentes? •�Dor�moderada? AmArElo vErDE Sim Azul •��Subfebril� (Febrícula)? •�vómitos? •��Dor�ligeira�� <�7�dias? •��Problema� recente? Não Sim Não creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 119 QUADRO 13 NOTAS: DIABETES VER TAMBÉM NOTAS DO QuADRO Este fluxograma está concebido para permitir a categorização de doentes que se apresentem com casos conhecidos de diabetes. São utilizados discriminadores gerais que incluem risco de vida, grau de consciência (tanto para adulto como para criança), nível de glicemia e temperatura. DIScRIMINADORES ESpEcífIcOS EXpLIcAÇÃO Hipoglicemia Glicemia inferior a 55 mg/dl. Hiperglicemia Glicemia superior a 300 mg/dl. Hiperglicemia com cetose Glicemia superior a 200 mg/dl com cetonémia (ou cetonúria) ou sinais de acidose (respiração profunda, etc.). Hipotermia Se a pele se encontrar fria, considera-se que o doente está clinicamente frio. A temperatura deve ser medida logo que possível – uma temperatura central de < 35°C é considerada hipotermia. Vómitos persistentes Vómitos constantes e/ou frequentes, podendo ser acompanhados de náusea. 120 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 14 DIARREIA E/OU VÓMITOS lARAnjA • Alteração do estado de consciência de novo? • Sem reacção aos estímulos dos pais? • Hematoquésias ou rectorragias? • Hematemeses?• letárgico? • Criança muito quente? • Adulto muito quente? • Dor severa? VERMElHO • Compromisso da via aérea? • Respiração ineficaz? • Choque? • Criança não reactiva? Não Sim Sim Não • Fezes pretas ou raiadas de sangue? • História de hematemeses? • Sinais de desidratação? • Vómitos persistentes? • Adulto quente? • Criança quente? • Dor moderada? AMARElO VERDE Sim AzUl • Subfebril? • Vómitos? • Dor ligeira < 7 dias? • Problema recente? Não Sim Não creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 121 QUADRO 14 NOTAS: diArreiA e/Ou vómiTOS ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Dor abdominal Dor abdominal nas crianças Hemorragia gastrointestinal Os casos de diarreia são comuns nas urgências e algumas patologias graves podem apresentar-se desta forma. Os discriminadores gerais incluem risco de vida e dor. Os discriminadores asseguram que os doentes que estão com hemorragia digestiva e os que apresentam diarreias mais graves são incluídos nas categorias apropriadas. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Fezes pretas ou raiadas de sangue As fezes aparecem com cor vermelho-escura. A ausência periódica ou temporária deste tipo de manifestação, não exclui o diagnóstico. Qualquer sinal de apresentação de fezes pretas, constitui um alerta. Hematemeses O sangue expelido no vómito poderá ser fresco (vermelho-vivo) ou escuro, ou com aparência de borras de café. Hematoquesias, melenas ou rectorragias Numa hemorragia gastrointestinal maciça e activa, o sangue vermelho-escuro é expelido pelo recto. À medida que aumenta o tempo de trânsito gastrointestinal o sangue torna-se mais escuro – vindo a tornar-se em melenas. História de hematemese Hematemese recente e clinicamente evidente, vómitos de sangue alterado (borras de café) ou de sangue misturado com vómito. História significativa de diarreia Diarreia que, pela frequência e/ou volume, implica risco iminente de desidratação. Letargia Diminuição do tónus muscular e alteração da postura corporal. Sem reacção aos estímulos dos pais A falta de qualquer tipo de reacção à cara ou a voz dos pais. Reacções anormais e uma aparente falta de reconhecimento dos pais são sinais preocupantes. Sinais de desidratação Sinais que incluem secura da língua, olhos afundados, turgor cutâneo aumentado e, em bebés, uma fontanela anterior afundada. Habitualmente associada a uma diminuição do débito urinário. Vómitos persistentes Vómitos constantes e/ou frequentes, podendo ser acompanhados de náuseas. 122 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 15 dispneia laranja � •�dor�precordial? •�saO2�muito�baixa? •��incapacidade�de�articular�� frases�completas? •�Hemoptise? •��História�significativa�de�doença� respiratória? •�início�agudo�pós-traumático? •�pulso�anormal? •��alteração�do�estado�de�consciência� de�novo? •�exaustão? •�dor�epigástrica? •�adulto�muito�quente? •�peFr�muito�baixo? vermelHO •�Compromisso�da�via�aérea? •�respiração�ineficaz? •�estridor? •�Baba-se? •�Choque? Não Sim Sim Não •�saO2�baixa? •�História�de�hemoptise? •�dor�pleurítica? •�adulto�quente? •�peFr�baixo? amarelO verde Sim azul •�Broncospasmo? •��provável� infecção� respiratória? •��Traumatismo� torácico? •��subfebril� (Febrícula)? •��problema� recente? Não Sim Não creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 123 QUADRO 15 NOTAS: diSpNeiA Ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Asma Dispneia na criança Indisposição no adulto Dispneia pode ser sintoma de problemas cardiovasculares e respiratórios. São utilizados discriminadores gerais que incluem risco de vida e a saturação arterial de oxigénio. Discriminadores específicos incluem a presença de asma severa e cardiopatia isquémica. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Broncospasmo Pode ter sibilância audível. Deve ter-se em mente que a dificuldade respiratória grave pode ser silenciosa (o ar não se movimenta). Baba-se Saliva que escorre da boca devido à incapacidade de engolir. Criança não reactiva As crianças que não reagem a estímulos verbais ou dolorosos dizem-se sem reacção. Dor epigástrica Entende-se por dor epigástrica a dor ou desconforto no epigastro acompanhado de náusea, hipersudorese e/ou sensação de lipotimia. Dor pleurítica Dor aguda no tórax, que piora quando se respira, tosse ou espirra. Dor precordial Classicamente, uma dor constritiva ou pesada no centro do peito, podendo irradiar para o braço esquerdo ou para o pescoço. Poderá estar associada a suores, náuseas, sensação de lipotimia e/ou dor epigástrica. Estridor Som que poderá ser inspiratório ou expiratório, ou ambos. O estridor é ouvido mais claramente quando se respira de boca aberta. Exaustão Um doente exausto aparenta redução do esforço respiratório apresentando insuficiência respiratória. Esta é uma situação pré-terminal. Hemoptise Sangue arejado emitido com o esforço da tosse. História significativa de doença respiratória História de doença respiratória instável ou de episódios anteriores com perigo de vida. Incluir doentes com oxigénioterapia ou ventilação não invasiva domiciliária. História de traumatismo torácico História de um evento fisicamente traumático recente na região torácica. Incapacidade de articular frases completas Doentes com dificuldade respiratória tão grande que não conseguem articular frases curtas numa só expiração. Início agudo pós-traumático O início agudo de sintomas imediatamente, ou pouco depois, de um incidente fisicamente traumático. PEFR baixo PEFR de 50% ou menos do melhor PEFR do ou previsto. PEFR muito baixo Um PEFR de 33% ou menos melhor do PEFR ou do previsto Provável infecção respiratória Quadro caracterizado por tosse, expectoração e/ou dispneia. Pulso anormal Bradicardia (< 60 min.), taquicardia (> 120 min.) ou arritmia de novo, ou que não se consiga negar como pré-existente. SaO2 baixa Uma saturação de < 95% com ar atmosférico SaO2 muito baixa Uma saturação < 95% com terapêutica O2 suplementar ou < 90% com ar atmosférico. 124 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 16 dispneia na criança laranja • saO2 muito baixa? • Trabalho respiratório aumentado? • incapacidade de articular frases completas? • Hemoptise? • História significativa de doença respiratória? • início agudo pós-traumático? • só responde à voz ou à dor? • exaustão? • peFr muito baixo? vermelHO • compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • estridor? • Baba-se? • choque? • criança não reactiva? Não Sim Sim Não • saO2 baixa? • História de hemoptise? • História inapropriada? • dor pleurítica? • peFr baixo? amarelO verde Sim azul • Broncospasmo? • provável infecção respiratória? • Traumatismo torácico? • problema recente? Não Sim Não creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 125 QUADRO 16 NOTAS: diSpNeiA NA criANçA Ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Asma Criança que não se sente bem Este fluxograma só se aplica a crianças com idade inferior a 14 anos. O número de discriminadores gerais usados incluem risco de vida e a saturação arterial de oxigénio. Discriminadores específicos foram incluídos para permitir a identificação rápida de crianças com asma grave ou com patologia igualmente grave. É reconhecido que é difícil obter uma leitura do fluxo expiratório máximo em crianças mais novas. Nesse caso, este discriminador deve ser ignorado. Não esquecer de adaptar as leituras ao fluxo expiratório máximo esperado, relacionado com a idade e o sexo (ver escalas em anexo). diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Baba-se Saliva que escorre da boca devido à incapacidade de engolir. Broncospasmo Pode ter sibilância audível. Deve ter-se em mente que a dificuldade respiratória grave pode ser silenciosa (o ar não se movimenta). Criança não reactiva As crianças que não reagem a estímulos verbais ou dolorosos dizem-se sem reacção. Dor pleurítica Dor aguda nopeito, que piora quando se respira, tosse ou espirra. Estridor Som que poderá ser inspiratório, expiratório, ou ambos. O estridor é ouvido mais claramente quando se respira de boca aberta. Exaustão Um doente exausto aparenta redução do esforço respiratório, apresentando insuficiência respiratória. Isto é pré-terminal. Hemoptise Sangue arejado emitido com o esforço da tosse. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, então a história é inapropriada. História significativa de doença respiratória História de doença respiratória instável ou de episódios anteriores com perigo de vida. Incluir doentes com oxigénioterapia ou ventilação não invasiva domiciliária. Incapacidade de articular frases completas Doentes com dificuldade respiratória tão grande que não conseguem articular frases curtas numa só expiração. Início agudo pós-traumático O início agudo de sintomas imediatamente, ou pouco depois, de um incidente fisicamente traumático. PEFR baixo PEFR de 50% ou menos do melhor PEFR ou do previsto. PEFR muito baixo Um PEFR de 33% ou menos do melhor PEFR ou do previsto Provável infecção respiratória Quadro caracterizado por tosse, expectoração e/ou dispneia. SaO2 baixa Uma saturação de < 95% com ar atmosférico. SaO2 muito baixa Uma saturação < 95% com terapêutica O2 suplementar ou < 90% com ar atmosférico. Trabalho respiratório aumentado O aumento do esforço respiratório é demonstrado por sinais como a frequência respiratória aumentada, o uso de músculos acessórios e/ou estridor ou gemido. Traumatismo torácico Qualquer trauma na região torácica. 126 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 17 DOENÇA MENTAL LArANjA • Alteração do estado de consciência de novo? • Alto risco de agressão a terceiros? • Alto risco de auto-agressão? vErMELhO • Compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • Choque? • hipoglicemia? Não Sim Sim • história psiquiátrica significativa? • risco moderado de agressão a terceiros? • risco moderado de auto-agressão? • Angústia marcada? • Comportamento disruptivo? AMArELO vErDE Não Sim Não creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 127 QUADRO 17 NOTAS: DOENÇA MENTAL VEr TAMbéM NOTAS DO QuADrO Comportamento estranho Embriaguez aparente Este fluxograma foi desenhado para permitir a priorização dos doentes que se apresentam com doença mental recente ou já conhecida. Este mapa deveria incluir doentes cuja queixa principal indica uma doença mental. São utilizados discriminadores gerais incluindo risco de vida e grau de consciência. Os discriminadores específicos incluídos permitem uma priorização dos pacientes com história de doença psiquiátrica significativa já conhecida e dos que têm vários graus de risco de causar lesões a si próprios ou a terceiros. Os doentes disruptivos que sofrem de grande perturbação/agitação, devem ser colocados na categoria urgente. DiScriMiNADOrES ESpEcíficOS ExpLicAÇãO Alteração do estado de consciência de novo Alteração nas últimas 12 horas em relação ao grau pré-existente na Escala de Coma de Glasgow. Em caso de dúvida presumir existência de alteração de estado de consciência. Alto risco de agressão a terceiros A possibilidade de um doente tentar agredir outros. Esta situação pode ser avaliada tendo em conta o estado mental, a postura corporal e o comportamento. Quando em dúvida, presumir alto risco. O alto risco deve ser assumido se o doente tiver acesso a armas ou potenciais vítimas ou se constar perda de autocontrolo. Alto risco de auto-agressão Uma visão inicial do risco de auto-agressão pode ser formada tendo em conta o comportamento do doente. Os doentes que apresentem histórias significativas de auto-agressão, que estão a tentar auto-agredir-se ou que estão a tentar sair com a intenção de se auto-agredir são doentes de alto risco. Angústia marcada Os doentes que apresentem perturbações fisicas ou emocionais acentuadas preenchem este critério. Comportamento disruptivo O comportamento disruptivo é um comportamento que afecta a boa ordem de serviço de urgências. Poderá ou não ser ameaçador. Hipoglicemia Glicemia inferior a 55 mg/dl. História psiquiátrica significativa História de doença ou evento psiquiátrico importante. Risco moderado de agressão a terceiros A presença de um risco potencial de agressão a terceiros poderá ser medida observando a postura (tensa e rígida), padrões de conversação (voz alta e palavras ameaçadoras) e comportamento motor (nervosismo e andar sem parar). Em caso de dúvida, presumir alto risco. Risco moderado de auto-agressão Uma visão inicial do risco de auto-agressão poderá ser formada tendo em conta o comportamento do doente. Os doentes que não apresentem uma história significativa de auto-agressão, que não tentam activamente auto-agredir-se, que não tentam sair do serviço de urgência com a intenção de se auto-agredir, são doentes de risco moderado de auto-agressão. Em caso de dúvida, presumir alto risco. 128 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 18 DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS LARANjA • Alteração do estado de consciência de novo? • Erupção cutânea desconhecida? • Púrpura? • Adulto muito quente? • Dor severa? VERMELhO • Compromisso da via aérea? • Respiração ineficaz? • Choque? Não Sim Sim Não • Dor testicular? • Exantema eritematoso ou bolhoso? • Imunossupressão conhecida? • Dor à mobilização das articulações? • Articulação quente? • Adulto quente? • Dor moderada? AMARELO VERDE Sim AzUL • Subfebril (Febrícula)? • Corrimento? • Dor ligeira < 7 dias? • Problema recente? Não Sim Não creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 129 QUADRO 18 NOTAS: DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS VER TAMbéM NOTAS DO QUADRO Este fluxograma foi incluído de forma a categorizar os doentes que são observados com doenças sexualmente transmissíveis óbvias ou já conhecidas. Os discriminadores gerais incluem risco de vida, dor e temperatura. Discriminadores específicos foram adicionados para identificação de situações mais urgentes, como a infecção por gonococos. É importante que alguns preconceitos relacionados com estas doenças não impeçam uma triagem adequada. DIScRIMINADORES ESpEcÍfIcOS EXpLIcAÇãO Corrimento Corrimento anormal pelo pénis ou pela vagina. Dor à mobillização das articulações Poderá tratar-se de uma dor por movimento activo (do doente) ou por movimento passivo (pelo examinador). Dor testicular Dor nos testículos. Erupção cutânea desconhecida Qualquer erupção cutânea cuja causa não se possa identificar. Exantema eritematoso ou bolhoso Qualquer erupção de vesículas que cubram uma área superior a 10% da superfície corporal. Imunossupressão conhecida Qualquer doente sujeito à administração de medicamentos imunossupressores (incluindo corticosteróides a longo prazo) ou com doença que cause imunossupressão. Púrpura Exantema em qualquer parte do corpo causado por pequenas hemorragias subcutâneas. Um exantema purpúreo não fica esbranquiçado (não se torna branco) sob pressão. 130 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 19 dor abdominal laranja • dor irradiando para a região dorsal? • Hematemeses? • Hematoquesias ou rectorragias? • Hemorragia vaginal em gestação > 20 semanas? • adulto muito quente? • dor epigástrica? • dor severa? vermelHo • Compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • Choque? Não Sim Sim Não • Possível gravidez? • dor que irradia para o ombro? • Fezes pretas ou raiadas de sangue? • História de hematemeses? • vómitos persistentes? • adulto quente? • dor moderada? amarelo azul • vómitos? • dor ligeira < 7 dias? • Problema recente? Não Sim Não verde Sim creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 131 QUADRO 19NOTAS: dOr AbdOmiNAl Ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Diarreia/vómitos Hemorragia gastrointestinal Gravidez A dor abdominal é uma situação comum de apresentação no serviço de urgência. São usados discriminadores gerais que incluem risco de vida e dor. Os discriminadores específicos estão incluídos nas prioridades laranja e amarelo de forma a garantir que as patologias mais graves sejam adequadamente valorizadas. Os discriminadores são incluídos, em especial, para assegurar que os doentes com hemorragia gastrointestinal grave ou moderada, ou os que apresentam sinais de irritação retroperitoneal ou diafragmática, sejam classificados numa categoria adequadamente elevada. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Dor epigástrica Entende-se por dor epigástrica a dor ou desconforto no epigastro acompanhada de náuseas, hipersudorese e/ou sensação de lipotimia. Dor que irradia para o ombro Dor sentida na extremidade do ombro pode ser indicativa de uma irritação diafragmática. Pode co-existir com dor epigástrica. Dor com irradiação para a região dorsal Dor que é também sentida no dorso, de forma intermitente ou constante. Dor à mobilização das articulações Poderá tratar-se de uma dor por movimento activo (do doente) ou por movimento passivo (pelo examinador). Fezes pretas ou raiadas de sangue As fezes aparecem com cor vermelho-escura. A ausência periódica e temporária deste tipo de manifestação, não é regra para se excluir um diagnóstico. Qualquer sinal de apresentação de fezes pretas constitui um alerta. Hemorragia vaginal em gestação > 20 semanas Qualquer perda sanguínea pela vagina em grávida com > 20 semanas de gestação. Hematemeses O sangue expelido no vómito pode ser fresco (vermelho-vivo) ou escuro ou com aspecto de borras de café. Hematoquesias ou rectorragias Em caso de hemorragia gastrointestinal maciça activa, o sangue vermelho passa pelo recto. À medida que o tempo de trânsito gastrointestinal aumenta, o sangue torna-se mais escuro. Possível gravidez Qualquer mulher com amenorreia poderá considerar a possibilidade de gravidez. Além disso, qualquer mulher em idade de procriação que pratique sexo não protegido deve considerar a possibilidade de gravidez. Vómitos Qualquer vómito preenche este critério. Vómitos persistentes Vómitos constantes e/ou frequentes, podendo ser acompanhados de náuseas. 132 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 20 dor abdominal na criança laranja • Sinais dor severa? • Hematemeses? • Hematoquesias ou rectorragias? • criança muito quente? • Púrpura? • Erupção cutânea desconhecida? vErmElHo • compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • choque? Não Sim Sim Não • Sinais de dor moderada? • inconsolável pelos pais? • massa abdominal visível? • Fezes pretas ou raiadas de sangue? • História de hematemeses? • vómitos persistentes? • História inapropriada? • criança quente? amarElo azul • Sinais de dor ligeira < 7 dias? • vómitos? • Problema recente? Não Sim Não vErdE Sim creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 133 QUADRO 20 NOTAS: dOr AbdOmiNAl NA criANçA Ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Diarreia/vómitos As crianças que apresentam dores abdominais podem ter diversas patologias, e este quadro foi concebido para permitir uma atribuição de prioridades nestes casos. São utilizados discriminadores gerais, incluindo risco de vida e dor. São incluídos discriminadores específicos para assegurar que as crianças que apresentam hemorragia activa, ou as que apresentam patologias ou sintomas mais graves, tais como abdómen agudo, são observadas com urgência. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Erupção cutânea desconhecida Qualquer erupção cutânea cuja causa não se possa identificar. Fezes pretas ou raiadas de sangue As fezes aparecem com cor vermelha-escura. A ausência periódica ou temporária deste tipo de manifestação não é regra para se excluir um diagnóstico. Qualquer sinal de apresentação de fezes pretas constitui um alerta. Hematemeses O sangue expelido no vómito pode ser fresco (vermelho vivo) ou escuro, ou com aspecto de borras de café. Hematoquesias ou rectorragia Numa hemorragia gastrointestinal maciça e activa o sangue vermelho é expelido pelo recto. À medida que aumenta o tempo de trânsito gastrointestinal, o sangue torna-se mais escuro. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, então a história é inapropriada. Inconsoláveis pelos pais As crianças cujo choro ou angústia não respondem às tentativas de conforto dos pais preenchem este critério. Massa abdominal visível Uma massa visível na observação do abdómen. Púrpura Exantema em qualquer parte do corpo causado por pequenas hemorragias subcutâneas. Um exantema purpúreo não fica esbranquiçado (não se torna branco) sob pressão. Sinais de dor moderada Crianças jovens e bébés com dor moderada não se sabem queixar. Habitualmente choram contínua ou intermitentemente e são ocasionalmente consoláveis. Sinais de dor severa Crianças jovens e bébés com dores severas não se sabem queixar. Habitualmente choram contínua e inconsolavelmente podendo sofrer de taquicardia. Poderão exibir sinais como palidez e suores. Vómitos Qualquer vómito preenche este critério. Vómitos persistentes Vómitos constantes e/ou frequentes, podendo ser acompanhados de náuseas. 134 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 21 dor cervical laranja • Sinais de meningismo? • défice neurológico agudo? • erupção cutânea desconhecida? • Púrpura? • criança muito quente? • adulto muito quente? • dor severa? vermelho • compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • choque? Não Sim Sim Não • Traumatismo directo da região cervical? • novos sintomas e/ou sinais neurológicos? • adulto quente? • criança quente? • dor moderada? amarelo azul • dor ligeira < 7 dias? • Problema recente? Não Sim Não verde Sim creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 135 QUADRO 21 NOTAS: dOr cervicAl ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Cefaleia Dor lombar Dor na região cervical pode ocorrer na presença de patologia local ou por irritação meníngea. Este quadro foi criado para rapidamente serem identificados os doentes com sinais ou sintomas que indicam patologias mais urgentes. São utilizados discriminadores gerais que incluem risco de vida, dor e temperatura. Os discriminadores específicos que indicam meningite estão incluídos na categoria laranja. Casos de dor na região cervical após um trauma directo ou não associada a sinais neurológicos, ou outros, são categorizados como amarelos. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Défice neurológico agudo Qualquer perda de função neurológica acontecida ≤ 24 horas, incluindo alterações sensitivas, redução da força (temporária ou permanente) dos membros ou alterações funcionais vesicais ou do intestino. Erupção cutânea desconhecida Qualquer erupção cutânea cuja causa não se possa identificar. Novos sinais e/ou sintomas neurológicos Podem incluir alteração ou perda de sensibilidade, enfraquecimento dos membros (transitório ou permanente) ou alterações do funcionamento da bexiga ou intestino (incontinência) há > 24 horas. Púrpura Exantema em qualquer parte do corpo causado por pequenas hemorragias subcutâneas. Um exantema purpúreo não fica esbranquiçado (não se torna branco) sob pressão. Sinais de meningismo Classicamente, pescoço rígido concomitante com cefaleia e fotofobia. Traumatismo directo da região cervical Poderá ser vertical (carga), por exemplo quando algo cai sobre a cabeça, por flexão se dobra (para a frente, para trás, para os lados), por torção ou distensão (enforcamento). 136 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 22 dor de garganta laranja • alteração do estado de consciênciade novo? • adulto muito quente? • Criança muito quente? • dor severa? vermelho • Compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • estridor? • Baba-se? • Choque? Não Sim Sim Não • história de viagens ao estrangeiro? • Instalação súbita? • adulto quente? • Criança quente? • dor moderada? amarelo azul • Subfebril (Febrícula)? • dor ligeira < 7 dias? • Problema recente? Não Sim Não verde Sim creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 137 QUADRO 22 NOTAS: dOr de gArgANTA Ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Criança que não se sente bem Dispneia Dispneia na criança Indisposição no adulto São utilizados discriminadores gerais que incluem risco de vida, dor e temperatura. O fluxograma foi criado para reconhecer prioridades nos doentes com dor de garganta. A dor de garganta afecta a via respiratória e pode-se estar perante uma prioridade elevada. Discriminadores específicos estão incluídos para indicar a alta probabilidade de uma patologia mais grave. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Alteração do estado de consciência de novo Alteração nas últimas 12 horas em relação ao grau pré-existente na Escala de Coma de Glasgow. Em caso de dúvida presumir existência de alteração de estado de consciência. Baba-se Saliva que escorre da boca devido à incapacidade de engolir. Estridor Som que poderá ser inspiratório, expiratório, ou ambos. O estridor é ouvido mais claramente quando se respira de boca aberta. História de viagens ao estrangeiro Viagens ao estrangeiro nas últimas 2 semanas. Instalação súbita Início ≤ 12 horas. 138 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 23 dor lombar laranja • défice neurológico agudo? • mecanismo de lesão? • Criança muito quente? • adulto muito quente? • dor abdominal? • dor severa? vermelho • Compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • Choque? Não Sim Sim Não • novos sintomas e/ou sinais neurológicos? • Traumatismo directo da região lombar? • Incapacidade de andar? • adulto quente? • Criança quente? • Cólica? • história inapropriada? • dor moderada? amarelo azul • dor ligeira < 7 dias? • Problema recente? Não Sim Não verde Sim creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 139 QUADRO 23 NOTAS: dOr lOmbAr Ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Dor abdominal Dor cervical A dor lombar pode representar um episódio agudo ou a exacerbação aguda de um problema crónico. São utilizados discriminadores gerais, incluindo risco de vida, dor e temperatura. Os discriminadores específicos são incluídos para permitir que seja atribuída a categoria correcta aos problemas mais urgentes. Os discriminadores são especialmente incluídos para permitir a classificação de um aneurisma abdominal e de doentes com sintomas e sinais neurológicos no seguimento de um prolapso discal. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Cólicas Dores intermitentes. A cólica renal tem tendência a aparecer e a desaparecer durante um período de mais ou menos 20 minutos. Défice neurológico agudo Qualquer perda de função neurológica acontecida ≤ 24 horas, incluindo alterações sensitivas, redução da força (temporária ou permanente) dos membros ou alterações funcionais vesicais ou do intestino. Dor abdominal Dor abdominal associada a dor lombar deverá ser valorizada pois pode corresponder a ruptura de aneurisma da aorta ou se relacionada com hemorragia vaginal pode estar associada a gravidez ectópica ou aborto espontâneo. Incapacidade de andar É importante tentar distinguir entre doentes com dor e dificuldade em andar e aqueles que não conseguem andar. Apenas estes últimos podem ser considerados como incapazes de se locomover. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, então a história é inapropriada. Mecanismo de lesão São significativas as lesões penetrantes (facadas ou tiros) e as lesões com elevada transferência de energia, tais como quedas de altura, acidentes de tráfego a alta velocidade (velocidade superior a 60 km/h), ejecção de um veículo, morte de ocupantes e deformação significativa de um veículo. Pode ser especialmente significativa uma história de saltar de um edifício em chamas ou de exposição a uma explosão. Novos sinais e/ou sintomas neurológicos Podem incluir alteração ou perda de sensibilidade, enfraquecimento dos membros (transitório ou permanente) ou alterações do funcionamento da bexiga ou do intestino (incontinência) há > 24 horas. Traumatismo directo da região lombar Poderá ser vertical (carga), por exemplo, quando alguém cai de pé ou se dobra (para a frente, para trás ou para os lados), ou por torção. 140 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 24 dor testicular laranja • idade ≤ 25 anos? • Gangrena escrotal? • adulto muito quente? • criança muito quente? • dor severa? vermelho • compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • choque? Não Sim Sim Não • celulite escrotal? • cólica? • vómitos persistentes? • adulto quente? • criança quente? • dor moderada? amarelo azul • traumatismo escrotal? • vómitos? • dor ligeira < 7 dias? • Problema recente? Não Sim Não verde Sim creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 141 QUADRO 24 NOTAS: dOr TeSTiculAr Ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Dor abdominal Este é um fluxograma das situações apresentadas. Dor testicular pode ser indicativa de diversas patologias, a mais urgente é a torção do testículo. São usados discriminadores gerais que incluem risco de vida, dor e temperatura. Discriminadores específicos estão incluídos na prioridade laranja e designados para indicar que estes doentes têm alta probabilidade de torção dos testículos. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Celulite escrotal Vermelhidão e edema à volta do escroto. Cólica Dores intermitentes. A cólica renal tem tendência a aparecer e a desaparecer durante um período de mais ou menos 20 minutos. Gangrena escrotal Pele morta, escurecida em redor do escroto e virilha. A gangrena precoce poderá não escurecer mas aparecer como uma queimadura de espessura total, com ou sem descamação. Traumatismo escrotal Qualquer traumatismo recente que envolveu o escroto. Vómitos persistentes Vómitos constantes e/ou frequentes, podendo ser acompanhados de náuseas. 142 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 25 dor torácica laranja • dor precordial? • dispneia aguda? • Pulso anormal? • adulto muito quente? • dor severa? vermelho • compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • choque? Não Sim Sim Não • dor pleurítica? • vómitos persistentes? • história cardíaca significativa? • adulto quente? • dor moderada? amarelo azul • vómitos? • dor ligeira < 7 dias? • Subfebril (Febrícula)? • Problema recente? Não Sim Não verde Sim creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 143 QUADRO 25 NOTAS: dOr TOrácicA Ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO A dor torácica é uma situação comum no serviço de urgência e constitui cerca de 2-5% do total de doentes que aí se apresentam. As causas da dor torácica vão desde o enfarte agudo do miocárdio até à irritação muscular e a sua categorização é absolutamente primordial. São utilizados discriminadores gerais que incluem risco de vida e dor. Os discriminadores específicos incluem a natureza e gravidade da dor (cardíaca ou pleural) e as anomalias de pulso. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Dispneia aguda Dificuldade respiratória que se desenvolve subitamente ou uma repentina exacerbação de dispneia crónica. Dor pleurítica Dor aguda no peito que piora quando se respira, tosse ou espirra. Dor precordial Classicamente, uma dor constritiva ou pesada no centro do peito, podendo irradiar para o braço esquerdo ou para o pescoço. Poderá estar associada a suores,náuseas sensação de lipotimia e/ou dor epigástrica. História cardíaca significativa Antecedentes de doença cardíaca com risco significativo de vida (doença coronária ou disritmia). Pulso anormal Bradicardia (< 60 min.), taquicardia (> 120 min.) ou arritmia de novo, ou que não se consiga negar como pré-existente. Vómitos persistentes Vómitos constantes e/ou frequentes, podendo ser acompanhados de náuseas. 144 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 26 embriaguez aparente laranja • alteração do estado de consciência não completamente atribuível ao álcool? • Défice neurológico agudo? • História inadequada? • Hipotermia? vermelHo • Compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • Choque? • Criança não reactiva? • Convulsão actual? • Hipoglicemia? Não Sim Sim Não • alteração do estado consciência totalmente atribuível ao álcool? • novos sintomas e/ou sinais neurológicos? • História de perda de consciência? • História inapropriada? • História t.C.e.? amarelo azul • Dor ligeira < 7 dias? • traumatismo recente? Não Sim Não verDe Sim creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 145 QUADRO 26 NOTAS: embriAguez ApAreNTe Ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Comportamento estranho Estado de inconsciência/síncope T.C.E. Um grande número de doentes acorrem ao serviço de urgência em aparente estado de embriaguez. Este fluxograma reconhece implicitamente que nem todos esses doentes estão embriagados. O fluxograma está concebido para uma identificação cuidadosa, a fim de assegurar que os doentes com patologias que os façam parecer embriagados ou que estejam gravemente embriagados sejam reconhecidos. A etiologia das alterações do estado de consciência é em grande parte irrelevante para a determinação do risco do doente – um estado de consciência alterado provocado por drogas ou álcool tem a mesma importância clínica das alterações de consciência provocadas por outras causas. São utilizados discriminadores incluindo risco de vida e grau de consciência, em crianças e nível de glicemia. Os doentes que têm uma história de ingestão de álcool desadequada devem ser observados e tratados rapidamente. Uma condição física ou mental não deve ser atribuída ao álcool a menos que exista uma história credível e todas as outras causas possam ser excluídas. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Alteração do estado de consciência totalmente atribuível ao álcool Doente que não se encontra totalmente consciente, com história clara de ingestão de álcool, tendo sido excluídas todas as causas que possam causar alteração do estado de consciência. Alteração de estado de consciência não totalmente atribuível ao álcool Doente que não se encontra totalmente consciente, com uma história de ingestão de álcool e sobre quem existem dúvidas da presença de outras causas de perda do nível de consciência, preenchem este critério. Défice neurológico agudo Qualquer perda de função neurológica acontecida ≤ 24 horas, incluindo alterações sensitivas, redução da força (temporária ou permanente) dos membros ou alterações funcionais vesicais ou do intestino. Hipoglicemia Glicemia inferior a 55 mg/dl. História inadequada Se não houver uma história clara e inequívoca de ingestão aguda de álcool, e quando não se pode excluir uma lesão da cabeça, ingestão de drogas, situação médica subjacente, etc., então a história é inadequada. História inapropriada Se o mecanismo alegado não explicar a lesão ou doença aparente, a história não é apropriada. História de perda de consciência Pode haver uma testemunha fiável que possa dizer se o doente esteve inconsciente (e durante quanto tempo). Caso contrário, se o doente não se recorda do incidente deve‑se presumir que esteve inconsciente. Novos sinais e/ou sintomas neurológicos Podem incluir alteração ou perda de sensibilidade, enfraquecimento dos membros (transitório ou permanente) ou alterações do funcionamento da bexiga ou intestino (incontinência) há > 24 horas. T.C.E. Qualquer acontecimento traumático envolvendo a cabeça preenche este critério. 146 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 27 erupções cutâneas laranja • edema da face? • edema da língua? • Dispneia aguda? • alteração do estado de consciência de novo? • História significativa de alergia? • erupção cutânea desconhecida? • púrpura? • adulto muito quente? • criança muito quente? • Dor severa? • prurido severo? vermelHo • compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • estridor? • choque? • criança não reactiva? Não Sim Sim Não • exantema eritematoso ou bolhoso? • História inapropriada? • adulto quente? • criança quente? • Dor moderada? • prurido moderado? amarelo azul • subfebril (Febrícula)? • Dor ligeira < 7 dias ? • prurido ligeiro? • problema recente? Não Sim Não verDe Sim creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 147 QUADRO 27 NOTAS: erupçõeS cuTâNeAS Ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Alergias Criança que não se sente bem Indisposição do adulto Mordeduras e picadas Uma erupção cutânea pode traduzir uma doença grave como meningococcemia ou traduzir apenas um problema crónico como psoríase. Dois discriminadores gerais: riscos de vida e temperatura neste fluxograma são usados. Um maior número de discriminadores específicos são incluídos nas categorias Laranja e Amarelo de modo a assegurar que doenças mais graves sejam triadas adequadamente. Particularmente a púrpura e a reacção anafilática aparece na categoria laranja. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Dispneia aguda Dificuldade respiratória que se desenvolve subitamente ou uma repentina exacerbação de dispneia crónica. Edema da face Inchaço difuso na face envolvendo habitualmente os lábios. Edema da língua Inchaço da língua em qualquer grau. Erupção cutânea desconhecida Qualquer erupção cutânea cuja causa não se possa identificar. Estridor Som que poderá ser inspiratório, expiratório, ou ambos. O estridor é ouvido mais claramente quando se respira de boca aberta. Exantema eritematoso ou bolhoso Qualquer erupção de vesículas que cobra uma área superior a 10% da superfície corporal. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, então a história é inapropriada. História significativa de alergia É significativa a presença de sensibilidade conhecida com reacções graves (ex. a nozes ou à picada da abelha). Púrpura Exantema em qualquer parte do corpo causado por pequenas hemorragias subcutâneas. Um exantema purpúreo não fica esbranquiçado (não se torna branco) sob pressão. 148 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 28 estado de inconsciência/síncope laranja • dor precordial? • História significativa de alergia? • dispneia aguda? • pulso anormal? • alteração do estado de consciência de novo? • défice neurológico agudo? • púrpura? • erupção cutânea desconhecida? • adulto muito quente? • Hipotermia? • dor severa? vermelHo • compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • choque? • Hipoglicemia? • convulsão actual? Não Sim Sim Não • História de t.c.e.? • História de perda de consciência? • História inapropriada? • novos sintomas e/ou sinais neurológicos? • adulto quente? • dor moderada? amarelo azul • subfebril (Febrícula)? • dor ligeira < 7 dias? • problema recente? Não Sim verde Sim creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 149 QUADRO 28 NOTAS: eSTAdO de iNcONSciêNciA/SíNcOpe Ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Convulsões Embriaguez aparente Indisposição no adulto A situação de inconsciência/síncope não é invulgar no serviço de urgência e este quadro está concebido para permitir a triagem rápida dos doentes que se apresentemneste estado. Os discriminadores gerais incluem risco de vida, grau de consciência, dor e temperatura. Foram adicionados ao quadro discriminadores específicos para valorizar patologias mais graves. Como em qualquer quadro, patologias que potencialmente beneficiarem de uma intervenção precoce (como, por exemplo, o enfarte do miocárdio) têm deliberadamente uma categorização mais elevada. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Alteração do estado de consciência de novo Alteração nas últimas 12 horas em relação ao grau pré-existente na Escala de Coma de Glasgow. Em caso de dúvida presumir existência de alteração de estado de consciência. Défice neurológico agudo Qualquer perda de função neurológica acontecida nas últimas 24 horas, incluindo alterações sensitivas, redução da força (temporária ou permanente) dos membros ou alterações funcionais vesicais ou do intestino. Dispneia aguda Dificuldade respiratória que se desenvolve subitamente ou uma repentina exacerbação de dispneia crónica. Dor precordial Classicamente, uma dor constritiva ou pesada no centro do peito, podendo irradiar para o braço esquerdo ou para o pescoço. Poderá estar associada a suores, náuseas, sensação de lipotimia e/ou dor epigástrica. Erupção cutânea desconhecida Qualquer erupção cutânea cuja causa não se possa identificar. Hipoglicemia Glicemia inferior a 55 mg/dl. História de perda de consciência Pode haver uma testemunha fiável que possa dizer se o doente esteve inconsciente (e durante quanto tempo). Caso contrário, se o doente não se recorda do incidente deve-se presumir que esteve inconsciente. História inapropriada Se o mecanismo alegado não explicar a lesão ou doença aparente, a história não é apropriada. História significativa de alergia É significativa a presença de sensibilidade conhecida com reacções graves (ex. a nozes ou à picada da abelha). Pulso anormal Bradicardia (< 60 min.), taquicardia (>120 min.) ou arritmia de novo, ou que não se consiga negar como pré-existente. Púrpura Exantema em qualquer parte do corpo causado por pequenas hemorragias subcutâneas. Um exantema purpúreo não fica esbranquiçado (não se torna branco) sob pressão. 150 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 29 exposição a químicos laranja • alta mortalidade? • edema da face? • edema da língua? • alteração do estado de consciência de novo? • risco de contaminação? • sao2 muito baixa? • Dor severa? vermelho • compromisso da via aérea? • estridor? • respiração ineficaz? • choque? • convulsão actual? • lesão ocular química? Não Sim Sim Não • mortalidade moderada? • exantema eritematoso ou bolhoso? • história inapropriada? • sao2 baixa? • Dor moderada? amarelo azul • Dor ligeira < 7 dias? • problema recente? Não Sim Não verDe Sim creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 151 QUADRO 29 NOTAS: expOSiçãO A químicOS Ver TAmbém NOTAS dO quAdrO Dispneia Dispneia na criança Sobredosagem ou envenenamento Embora esta situação não seja comum, não deixa de ser importante pela eventual gravidade clínica. Os sinais e sintomas nem sempre se enquadram de modo fácil em qualquer outro grupo de apresentações. Os discriminadores gerais usados incluem risco de vida, grau de consciência, dor e saturação de oxigénio. Foram adicionados discriminadores específicos, que incluem os que respeitam a órgãos alvo específicos. A lesão química ocular aparece na categoria VERMELHO e a lesão química respiratória na LARANJA. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Alta mortalidade Probabilidade da substância ingerida causar doença ou morte. Poderá ser necessário pedir aconselhamento ao centro de venenos para estabelecer a situação. Em caso de dúvida, presumir alto risco. Alteração do estado de consciência de novo Alteração nas últimas 12 horas em relação ao grau pré-existente na Escala de Coma de Glasgow. Em caso de dúvida presumir existência de alteração de estado de consciência. Edema da face Inchaço difuso na face, envolvendo habitualmente os lábios. Edema da língua Inchaço ou aumento de volume de qualquer grau da língua. Estridor Som que poderá ser inspiratório ou expiratório, ou ambos. O estridor é ouvido mais claramente quando se respira de boca aberta. Exantema eritematoso ou bolhoso Qualquer erupção de vesículas que cubram uma área superior a 10% da superfície corporal. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, então a história é inapropriada. Lesão ocular química Qualquer substância que salpique ou seja colocada nos olhos que venha a causar sensação de picadas, queimadura ou reduza a visão deve presumir-se capaz de causar lesão química. Mortalidade moderada Probabilidade de substância ingerida causar doença grave ou morte. Poderá ser necessário recorrer ao aconselhamento do centro de informações anti-veneno para estabelecer o nível de risco do doente. Em caso de dúvida, presumir alto risco. Risco de contaminação Quando a exposição implica risco de perpetuação da contaminação do próprio ou de terceiros, incluindo profissionais de saúde. SaO2 baixa Uma saturação de <95% com ar atmosférico. SaO2 muito baixa Uma saturação <95% com terapêutica O2 suplementar ou <90% com ar atmosférico. 152 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 30 FERIDAS lARAnjA � •��Grande�hemorragia�incontrolável? •��Compromisso�vascular�distal? •���Alteração�do�estado�de�consciência� de�novo? •��Dor�severa? vERmElho •��Compromisso�da�via�aérea? •��Respiração�ineficaz? •��hemorragia�exsanguinante? •��Choque? Não Sim Sim Não �•��história�inapropriada? •���Pequena�hemorragia�incontrolável? •���novos�sintomas�e/ou�sinais� neurológicos? •��Dor�moderada? AmARElo Azul •��Infecção�local? •���Inflamação� local? •���Dor�ligeira�� <�7�dias? •���Traumatismo� recente? Não Sim Não vERDE Sim creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 153 QUADRO 30 NOTAS: FERIDAS VER TAmbém NOTAS DO QuADRO Agressão Muitos doentes são atendidos no serviço de urgência apresentando diferentes tipos de feridas. Estas podem variar de feridas que põem em perigo a vida, até pequenas abrasões. Este fluxograma foi desenhado para permitir uma adequada priorização dos doentes com feridas. São usados discriminadores gerais relacionados com o risco de vida, hemorragia e dor. Discriminadores específicos foram usados para permitir a identificação de doentes com sinais ou sintomas, sugerindo ameaça da funcionalidade dos membros. DIScRImINADORES ESpEcíFIcOS ExplIcAçãO Alteração do estado de consciência de novo Alteração nas últimas 12 horas em relação ao grau pré-existente na Escala de Coma de Glasgow. Em caso de dúvida presumir existência de alteração de estado de consciência. Compromisso vascular distal Combinação de palidez, frio, alteração sensitiva e/ou dor, com ou sem ausência de pulsação distal à lesão. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, então a história é inapropriada. Infecção local A infecção local manifesta-se habitualmente como inflamação (dor, edema e eritema) confinada a um determinado local ou área, com ou sem o aparecimento de pus. Inflamação local A inflamação local envolve dor, edema e eritema confinados a um determinado local ou área. Novos sinais e/ou sintomas neurológicos Podem incluir alteração ou perda de sensibilidade, enfraquecimento dos membros (transitório ou permanente) ou alterações do funcionamento da bexiga ou intestino (incontinência), há > 24 horas. 154 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 31 GRANDE TRAUMATISMO lARANjA • Dispneia aguda? • Grande hemorragia incontrolável? • Alteração do estado de consciência de novo? • Défice neurológico agudo? • Mecanismo de lesão? • Dorsevera? vERMElhO • Compromisso da via aérea? • Respiração ineficaz? • hemorragia exsanguinante? • Choque? • Criança não reactiva? Não Sim Sim • Pequena hemorragia incontrolável? • história de perda de consciência? • história clínica significativa? • Alteração da coagulação? • Dor moderada? AMARElO • Reavaliar Não Sim Não creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 155 QUADRO 31 NOTAS: GRANDE TRAUMATISMO VER TAMbéM NOTAS DO QUADRO Os profissionais de saúde devem reconhecer as eventuais implicações após um traumatismo major. Deste modo, a actuação dos profissionais não pode ser baseada apenas nas lesões que o doente apresenta. Por isso, poderá não ser seguro categorizar os doentes a não ser como urgentes. Em alternativa pode-se usar o fluxograma referente ao tipo de traumatismo que o doente sofreu, por exemplo, T.C.E. Os discriminadores gerais usados incluem risco de vida, hemorragia, grau de consciência (adultos e crianças) e dor. Foram usasdos discriminadores específicos para assegurar que seja atribuida a devida prioridade e reconhecidos em tempo correcto os doentes que têm doença médica pré- existente e/ou desenvolvimento de novos sinais neurológicos. DIScRIMINADORES ESpEcífIcOS ExplIcAçãO Défice neurológico agudo Qualquer perda de função neurológica acontecida nas ≤ 24 horas, incluindo alterações sensitivas, redução da força (temporária ou permanente) dos membros ou alterações funcionais vesicais ou do intestino. Dispneia aguda Dificuldade respiratória que se desenvolve subitamente ou uma repentina exacerbação de dispneia crónica. História clínica significativa Qualquer situação clínica pré-existente que requeira medicação contínua ou outros cuidados. História de perda de consciência Pode haver uma testemunha fiável que possa dizer se o doente esteve inconsciente (e durante quanto tempo). Caso contrário, se o doente não se recorda do incidente deve-se presumir que esteve inconsciente. Mecanismo de lesão São significativas as lesões penetrantes (facadas ou tiros) e as lesões com elevada transferência de energia, tais como quedas de altura, acidentes de tráfego a alta velocidade (velocidade superior a 60 km/h), ejecção de um veículo, morte de ocupantes e deformação significativa de um veículo. Pode ser especialmente significativa uma história de saltar de um edifício em chamas ou de exposição a uma explosão. Reavaliar Se não houver a certeza quanto à existência de grande traumatismo é necessário reavaliar e pesquisar uma vez mais antes de reclassificar. 156 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 32 gravidez laranja � •���em�trabalho�de�parto? •���alteração�do�estado�de�consciência� de�novo? •���História�de�convulsão? •���Hemorragia�vaginal�intensa? •���Hemorragia�vaginal�em�gestação�� >�20�semanas? •�adulto�muito�quente? •���dor�severa? vermelHo •���Compromisso�da�via�aérea? •���respiração�ineficaz? •���Hemorragia�exsanguinante? •���Choque? •���apresentação�de�segmentos�fetais? •���Prolapso�do�cordão�umbilical? •���Convulsão�actual? Não Sim Sim � •���dor�abdominal? •���Pressão�arterial�elevada? •���História�de�traumatismo? •���História�inapropriada? •���dor�que�irradia�para�o�ombro? •���Hemorragia�vaginal? •�adulto�quente? •���dor�moderada? amarelo •���Subfebril� (Febrícula)? •���dor�ligeira�? Não Sim Não verde creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 157 QUADRO 32 NOTAS: GRAvidez veR TAmbém NOTAS dO QuAdRO Hemorragia vaginal A mulher grávida pode ser atendida no serviço de urgência, independentemente do mês de gravidez e com uma variedade de queixas. Algumas mulheres desconhecem estarem grávidas. São usados discriminadores gerais que incluem dor e grau de consciência. São usados discriminadores específicos para o reconhecimento precoce de complicações na grávida ao longo da gestação. diScRimiNAdOReS eSpecíficOS explicAçãO Apresentação segmentos fetais Fase de nascimento ou o aparecimento de outras partes fetais na vagina. Dor abdominal Dor abdominal associada a dor lombar deverá ser valorizada pois pode corresponder a ruptura de aneurisma da aorta ou se relacionada com hemorragia vaginal pode estar associada a gravidez ectópica ou aborto espontâneo. Dor que irradia para o ombro Dor sentida na extremidade do ombro pode ser indicativa de uma irritação diafragmática. Pode co-existir com dor epigástrica. Hemorragia vaginal em gestação > 20 semanas Qualquer perda sanguínea pela vagina em grávida com > 20 semanas de gestação. Hemorragia vaginal intensa A perda vaginal é extremamente dificil de avaliar. A presença de grandes coágulos ou de um fluxo contínuo preenche este critério. O uso de grandes quantidades de pensos higiénicos é sugestivo de grandes perdas. História de convulsões Uma história de eventos convulsivos durante as seis horas antecedentes. Esta situação é especialmente significativa no fim da gravidez quando poderá significar eclampsia. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, então a história é inapropriada. História de traumatismo História de um evento fisicamente traumático recente. Pressão arterial elevada Qualquer aumento da pressão arterial em relação ao início da gravidez, ou hipertensão arterial conhecida. Prolapso do cordão umbilical Prolapso de qualquer parte do cordão umbilical através do colo. Trabalho de parto Qualquer mulher grávida com contracções regulares com intervalo inferior a 15 minutos e/ou ruptura de bolsa de águas preenche este critério. 158 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 33 hemorragia gastrointestinal laranja • hematemeses? • hematoquesias ou rectorragias? • história significativa de hemorragia gastrointestinal? • alteração do estado de consciência de novo? • Dor severa? vermelho • Compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • hemorragia exsanguinante? • Choque? Não Sim Sim • Fezes pretas ou raiadas de sangue? • história de hematemeses? • alteração da coagulação? • vómitos persistentes? • Dor moderada? amarelo • vómitos? • Dor ligeira < 7 dias? • Problema recente? Não Sim Não verDe Sim Não azul creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 159 QUADRO 33 NOTAS: hemOrrAgiA gASTrOiNTeSTiNAl Ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Diarreia/vómito Dor abdominal Dor abdominal na criança Os doentes podem apresentar-se com hemorragia gastrointestinal e com vómitos de sangue alterado ou inalterado. São usados discriminadores gerais que incluem e risco de vida e dor. São usados discriminadores específicos para indicar a gravidade real da hemorragia gastrointestinal. Desta forma, os doentes com vómito agudo de sangue são classificados numa categoria mais alta que os que têm uma história de vómito ou fezes com sangue. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Alteração da coagulação Alteração da coagulação associada a doença hematológica ou terapêutica. Fezes pretas ou raiadas de sangue Qualquer sinal de apresentação de fezes pretas ou raiadas de sangue constitui um alerta. Hematemeses O sangue expelido no vómito poderá ser fresco (vermelho-vivo) ou escuro ou com aparência de borras de café. Hematoquesias, rectorragias Numa hemorragia gastrointestinal maciça e activa o sangue vermelho é expelido pelo recto. À medida que aumenta o tempo de trânsito gastro intestinal o sangue torna-se mais escuro, vindo a transformar em melenas. História de hematemeses Hematemese recente e clinicamente evidente, vómito de sangue alterado (borras de café) ou de sangue misturado com vómito. História significativa de hemorragia gastrointestinal História de hemorragia gastrointestinal associada a doença ulcerosa ou varizes esofágicas. Vómitos persistentes Vómitos constantes e/ou frequentes, podendo ser acompanhados de náuseas. 160 GPT – T. 214348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 34 hemorragia vaginal laranja • alteração do estado de consciência de novo? • hemorragia vaginal > 20 semanas de gestação? • hemorragia vaginal intensa? • Dor severa? vermelho • Compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • hemorragia exsanguinante? • Choque? Não Sim Sim • Dor abdominal? • Dor que irradia para o ombro? • Traumatismo vaginal? • alteração da coagulação? • história inapropriada? • Possibilidade de gravidez? • Dor moderada? amarelo • Dor ligeira < 7 dias? • Problema recente? Não Sim Não verDe Sim Não azul creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 161 QUADRO 34 NOTAS: hemOrrAgiA vAgiNAl ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Dor abdominal Gravidez Hemorragia vaginal pode ocorrer em mulheres grávidas e não grávidas, com um número indefinido de causas. São usados discriminadores gerais que incluem risco de vida, hemorragia e dor. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Dor abdominal Dor abdominal associada a dor lombar deverá ser valorizada pois pode corresponder a ruptura de aneurisma da aorta ou se relacionada com hemorragia vaginal pode estar associada a gravidez ectópica ou aborto espontâneo. Dor que irradia para o ombro Dor sentida na extremidade do ombro poderá indicar uma irritação diafragmática. Pode coexistir com dor epigástrica. Hemorragia vaginal em gestação > 20 semanas Qualquer perda sanguínea pela vagina em grávida com > 20 semanas de gestação. Hemorragia vaginal intensa A perda vaginal é extremamente difícil de avaliar. A presença de grandes coágulos ou de um fluxo contínuo preenche este critério. O uso de grandes quantidades de pensos higiénicos é sugestivo de grandes perdas. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, então a história é inapropriada. Possível gravidez Qualquer mulher com amenorreia poderá considerar a possibilidade de gravidez. Além disso, qualquer mulher em idade de procriação que pratique sexo não protegido deve considerar a possibilidade de gravidez. Traumatismo vaginal Qualquer história ou outras provas de traumatismo directo da vagina preenche este critério. 162 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 35 INDISPOSIÇÃO NO ADULTO LArANjA • Alteração do estado de consciência de novo? • Hemoptise? • Pulso anormal? • Sinais de meningismo? • Défice neurológico agudo? • História de risco especial de infecção? • Erupção cutânea desconhecida? • Púrpura? • Adulto muito quente? • Hipotermia? • Dor severa? vErmELHO • Compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • Choque? • Hipoglicemia? • Convulsão actual? Não Sim Sim • Instalação súbita? • História de hemoptise? • História de viagem ao estrangeiro? • Novos sintomas e/ou sinais neurológicos? • Alterações de imunidade conhecida? • Alterações da coagulação? • Exantema eritematoso ou bolhoso? • Adulto quente? • Dor moderada? AmArELO • Subfebril (Febrícula)? • Dor ligeira < 7 dias? • Problema recente? Não Sim vErDE Sim Não AzUL creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 163 QUADRO 35 NOTAS: iNdiSpOSiçãO NO AdulTO Ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Estado de inconsciência/síncope Este fluxograma só deve ser utilizado para os doentes que não se sintam bem, ou não estão bem, sem queixa específica. Deverá ser usado por exclusão. São usados discriminadores gerais que incluem risco de vida, grau de consciência, dor e temperatura. Discriminadores específicos estão incluídos para assegurar que os doentes com patologia grave, por exemplo, meningite, são colocados na categoria apropriada. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Alterações da coagulação Alteração da coagulação associada a doença hematológica ou terapêutica. Alterações de imunidade conhecidas Qualquer doente sob terapêutica imunossupressora ou com doença que cause imunossupressão. Défice neurológico agudo Qualquer perda de função neurológica acontecida ≤ 24 horas, incluindo alterações sensitivas, redução da força (temporária ou permanente) dos membros ou alterações funcionais vesicais ou do intestino. Erupção cutânea desconhecida Qualquer erupção cutânea cuja causa não se possa identificar. Exantema eritematoso ou bolhoso Qualquer erupção de vesículas que cubram uma área superior a 10% da superfície corporal. Hemoptise Sangue arejado emitido com o esforço da tosse. Hipoglicemia Glicemia inferior a 55 mg/dl. Hipotermia Se a pele se encontrar fria, considera-se que o doente está clinicamente frio. A temperatura deve ser medida logo que possível – uma temperatura central de < 35 °C é considerada hipotermia. História de risco especial de infecção Exposição a alto risco conhecido, quer num laboratório ou numa área de infecção conhecida. História de viagem ao estrangeiro Viagens ao estrangeiro nas 2 últimas semanas. Instalação súbita Início ≤ 12 horas. Novos sinais e/ou sintomas neurológicos Podem incluir alteração ou perda de sensibilidade, enfraquecimento dos membros (transitório ou permanente) ou alterações do funcionamento da bexiga ou intestino (incontinência) há > 24 horas. Púrpura Exantema em qualquer parte do corpo causado por pequenas hemorragias subcutâneas. Um exantema purpúreo não fica esbranquiçado (não se torna branco) sob pressão. Sinais de meningismo Classicamente, pescoço rígido concomitante com cefaleia e fotofobia. 164 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 36 INFECÇÕES LOCAIS E ABCESSOS LArANjA • Compromisso vascular distal? • Enfisema subcutâneo? • Criança muito quente? • Adulto muito quente? • Dor severa? vErmELhO • Compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • Choque? Não Sim Sim • Dor à mobilização das articulações? • Articulação quente? • Adulto quente? • Criança quente? • Dor moderada? AmArELO • Subfebril (Febrícula)? • Dor ligeira < 7 dias? • Problema recente? Não Sim Não vErDE Sim Não AzuL creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 165 Ver também Notas do Quadro Mordeduras e picadas Este fluxograma foi criado para permitir o estabelecimento de prioridades dos doentes que apresentam uma variedade de infecções locais ou abcessos óbvios. As doenças variam entre uma celulite orbitária ocular, que pode ameaçar a vida, até à vulgar acne. São usados discriminadores gerais que incluem risco de vida, dor e temperatura. São usados discriminadores específicos para permitir a identificação de situações mais urgentes, como a gangrena gasosa ou a artrite séptica. discrimiNadores específicos explicação Articulação quente Qualquer aquecimento em redor de uma articulação preenche este critério. Frequentemente acompanhado por eritema. Compromisso vascular distal Combinação de palidez, frio, alteração da sensibilidade e/ou dor, com ou sem ausência de pulsação distal à lesão. Dor à mobilização das articulações Poderá tratar-se de uma dor por movimento activo (do doente) ou por movimento passivo (pelo examinador). Enfisema subcutâneo O enfisema subcutâneo pode ser detectado quando se sente uma espécie de crepitação à palpação. Poderão existir bolhas de gás e uma linha de demarcação. QUADRO 36 Notas: iNfecçÕes locais e abcessos 166 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 37 LESÃO TORACO-ABDOMINAL LARANjA • Dispneia aguda? • Grande hemorragia incontrolável? • Mecanismo de lesão? • Evisceração de órgãos? • Dor severa? vERMELhO • Compromisso da via aérea? • Respiração ineficaz? • hemorragia exsanguinante? • Choque? Não Sim Sim • Dor pleurítica? • Pequena hemorragia incontrolável? • Alteração da coagulação? • históriainapropriada? • Dor moderada? AMARELO • Inflamação local? • Infecção local? • Dor ligeira < 7 dias? • Problema recente? Não Sim Não vERDE Sim Não AzuL creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 167 QUADRO 37 NOTAS: LESÃO TORACO-ABDOMINAL VER TAMBéM NOTAS DO QuADRO Agressão Grande traumatismo Feridas Este fluxograma foi criado para permitir o estabelecimento adequado da prioridade dos doentes que sofreram lesões torácicas ou abdominais. Os discriminadores gerais incluem risco de vida, hemorragia e dor. Foram usados discriminadores específicos para permitir a adequada identificação de doentes com lesões externamente menos óbvias, mas com lesões internas graves. Por isso, são incluídos nas categorias de maior gravidade, os doentes com dispneia e com história de trauma significativo. DISCRIMINADORES ESpECífICOS ExpLICAçÃO Dispneia aguda Dificuldade respiratória que se desenvolve subitamente ou uma repentina exacerbação de dispneia crónica. Dor pleurítica Dor aguda no peito, piora quando se respira, tosse ou espirra. Evisceração de órgãos Extrusão de órgãos internos. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, então a história é inapropriada. Infecção local A infecção local manifesta-se habitualmente como inflamação (dor, edema e eritema) confinada a um determinado local ou área, com ou sem o aparecimento de pus. Inflamação local A inflamação local envolve dor, edema e eritema confinados a um determinado local ou área. Mecanismo de lesão São significativas as lesões penetrantes (facadas ou tiros) e as lesões com elevada transferência de energia, tais como quedas de altura, acidentes de tráfego a alta velocidade (velocidade superior a 60 km/h), ejecção de um veículo, morte de ocupantes e deformação significativa de um veículo. Pode ser especialmente significativa uma história de saltar de um edifício em chamas ou de exposição a uma explosão. 168 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 38 MORDEDURAS E PICADAS lARAnjA • Edema da face? • Edema da língua? • Incapacidade para articular frases completas? • Grande hemorragia incontrolável? • História significativa de alergia? • Alta mortalidade por envenenamento? • Alteração do estado de consciência de novo? • SaO2 muito baixa? • Criança muito quente? • Adulto muito quente? • Dor severa? • Prurido severo? vERMElHO • Compromisso da via aérea? • Respiração ineficaz? • Estridor? • Hemorragia exsanguinante? • Choque? Não Sim Sim • SaO2 baixa? • Pequena hemorragia incontrolável? • Exantema eritematoso ou bolhoso? • Risco moderado de morte por envenenamento? • Adulto quente? • Criança quente? • Dor moderada? • Prurido moderado? AMARElO • Inflamação local? • Infecção local? • Dor ligeira < 7 dias? • Prurido ligeiro? • Problema recente? Não Sim Não vERDE Sim Não AzUl creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 169 QUADRO 38 NOTAS: MORDEDURAS E PICADAS VER TAMbéM NOTAS DO QUADRO Alergias Infecções locais e abcessos Este fluxograma foi criado para permitir o estabelecimento da prioridade dos doentes que se apresentem após mordeduras e picadas. As mordeduras podem ser de insectos ou mordeduras de grandes animais e, por isso, estas situações estão abrangidas por uma gama diversa de prioridades. São utilizados discriminadores gerais que incluem risco de vida, hemorragia e dor. São usados discriminadores específicos para permitir uma identificação clara dos doentes que requerem um tratamento mais urgente devido a lesões mais graves, ou ao desenvolvimento de reacções alérgicas. DISCRIMINADORES ESPECífICOS ExPlICAçãO Alta mortalidade por envenenamento Alta probabilidade de a mordedura ou picada causar morte. Em caso de dúvida presumir risco. Poderá ser necessário solicitar aconselhamento. Dispneia aguda Dificuldade respiratória que se desenvolve subitamente ou uma repentina exacerbação de dispneia crónica. Edema da face Inchaço difuso da face, envolvendo habitualmente os lábios. Edema da língua Inchaço ou aumento de volume da língua de qualquer grau. Estridor Som que poderá ser inspiratório, ou expiratório, ou ambos. O estridor é ouvido mais claramente quando se respira de boca aberta. Exantema eritematoso ou bolhoso Qualquer erupção de vesículas que cubram uma área superior a 10% da superfície corporal. História significativa de alergia É significativa uma sensibilidade conhecida com reacção grave (ex. nozes ou picadas de abelha). Incapacidade de articular frases completas Doentes com dificuldade respiratória tão grande que não conseguem articular frases curtas numa só expiração. Infecção local A infecção local manifesta-se habitualmente como inflamação (dor, edema e eritema) confinada a um determinado local ou área, com ou sem o aparecimento de pus. Inflamação local A inflamação local envolve dor, edema e eritema confinados a um determinado local ou área. Risco moderado de morte por envenenamento Risco moderado de mordedura ou picada pode causar a morte. Em caso de dúvida, pedir aconselhamento e presumir alto risco. SaO2 baixa Uma saturação de < 95% com ar atmosférico SaO2 muito baixa Uma saturação < 95% com terapêutica O2 suplementar ou < 90% com ar atmosférico. 170 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 39 pais preocupados laranja • sinais de dor severa? • só responde à voz ou à dor? • sem reacção aos estímulos dos pais? • História de sobredosagem ou envenenamento? • erupção cutânea desconhecida? • púrpura? • prostrado? • criança muito quente? vermelHo • compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • choque? • criança não reactiva? Não Sim Sim • sinais de dor moderada? • choro prolongado ou ininterrupto? • inconsolável pelos pais? • História inapropriada? • sinais de desidratação? • não urina? • não se alimenta? • criança quente? amarelo • sinais de dor ligeira < 7 dias? • subfebril (Febrícula)? • comportamento estranho? • problema recente? Não Sim verde Sim Não azul creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 171 QUADRO 39 NOTAS: pAiS preOcupAdOS Ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Bébé que chora Criança irritável Criança que não se sente bem Este fluxograma foi elaborado para permitir uma adequada priorização das crianças que são trazidas ao serviço de urgência por preocupação dos pais. Os pais conhecem os seus filhos melhor que ninguém, e apesar dessas crianças poderem não ter patologia grave, é necessário que as suspeitas dos pais sejam tomadas em consideração. Os discriminadores gerais usados incluem risco de vida, grau de consciência, dor e temperatura. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Choro prolongado ou ininterrupto Qualquer criança que chore continuamente durante duas horas ou mais preenche este critério. Comportamento estranho na criança Criança que se comporta de forma não habitual numa determinada situação. Os tutores prestam frequentemente esta informação de forma voluntária. Estas crianças são muitas vezes referidas como "rabugentas" ou "indispostas". Erupção cutânea desconhecida Qualquer erupção cutânea cuja causa não se possa identificar. História de sobredosagem ou envenenamento Esta informação poderá ser prestada por terceiros ou poderá ser deduzida na presença de caixas de substâncias perigosas vazias. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, então a história é inapropriada. Inconsolável pelos pais As crianças cujo choro ou angústia não respondem às tentativas de conforto dos pais preenchem este critério. Não se alimenta Crianças que não ingerem alimentos sólidos ou líquidos (como o esperado). Crianças que ingerem alimentos mas que em seguida a vomitam poderão também preenchereste critério. Não urina Falência da produção de urina e micção. Isto pode ser difícil de valorizar nas crianças (e nos idosos), podendo ser feita referência ao número de fraldas utilizadas. Prostrado Os pais poderão descrever os seus filhos como apáticos, pouco reactivos ou “molengões”. O tónus é em geral reduzido – o sinal mais notável é o movimento da cabeça. Púrpura Exantema em qualquer parte do corpo causado por pequenas hemorragias subcutâneas. Um exantema purpúreo não fica esbranquiçado (não se torna branco) sob pressão. Sem reacção aos estímulos dos pais A falta de qualquer tipo de reacção à cara ou à voz dos pais. Reacções anormais e uma aparente falta de reconhecimento dos pais são sinais preocupantes. Sinais de desidratação Incluindo secura da língua, olhos afundados, turgor cutâneo aumentado e, em bebés, uma fontanela anterior afundada. Habitualmente, associada a uma diminuição do débito urinário. 172 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 40 palpitações laranja � •���Dor�precordial? •���Dispneia�aguda? •���História�de�sobredosagem�ou� envenenamento? •���pulso�anormal? •���alteração�do�estado�de�consciência� de�novo? •���Criança�muito�quente? •���adulto�muito�quente? vermelHo •���Compromisso�da�via�aérea? •���respiração�ineficaz? •���Choque? Não Sim Sim � •���Com�palpitações? •���História�de�perda�de�consciência? •���História�cardíaca�significativa? •���adulto�quente? •�Criança�quente? amarelo •���problema� recente? Não Sim verDe Sim Não azul creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 173 NOTAS: pAlpiTAçõeS QUADRO 40 Ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Dor torácica Estado de inconsciência/síncope Indisposição no adulto Este fluxograma foi criado para priorizar doentes cuja queixa principal são as palpitações. As palpitações são de múltiplas etiologias desde a doença coronária aguda até à ansiedade. Independemente da causa, o efeito hemodinâmico ou a probalidade de desenvolvimento de arritmias malignas determina a prioridade do doente. A identificação de patologia cardíaca e a história recente, detectam potenciais problemas. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Alteração do estado de consciência de novo Alteração nas últimas 12 horas em relação ao grau pré-existente na Escala de Coma de Glasgow. Em caso de dúvida presumir existência de alteração de estado de consciência. Com palpitações Doente que refere na triagem sentir palpitações. Dispneia aguda Dificuldade respiratória que se desenvolve subitamente ou uma repentina exacerbação de dispneia crónica. História de perda de consciência Há a possibilidade de haver uma testemunha fiável que possa dizer se o doente esteve inconsciente (e durante quanto tempo). Caso contrário, se o doente não se recorda do incidente, deve presumir-se que esteve inconsciente. História cardíaca significativa Antecedentes de doença cardíaca com risco significativo de vida (doença coronária ou disritmia). História de sobredosagem ou envenenamento Esta informação poderá ser prestada por terceiros ou poderá ser deduzida na presença de caixas de substâncias perigosas vazias. Dor precordial Classicamente, uma dor constritiva ou pesada no centro do peito, podendo irradiar para o braço esquerdo ou para o pescoço. Poderá estar associada a suores, náuseas, sensação de lipotimia e/ou dor epigástrica. Pulso anormal Bradicardia (< 60 min.), taquicardia (> 120 min.) ou arritmia de novo, ou que não se consiga negar como pré-existente. 174 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 41 problemas estomatológicos laranja • grande hemorragia incontrolável? • criança muito quente? • adulto muito quente? • Dor severa? vermelho • compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • choque? Não Sim Sim • pequena hemorragia incontrolável? • avulsão dentária recente? • alteração da coagulação? • história inapropriada? • adulto quente? • criança quente? • Dor moderada? amarelo • subfebril (Febrícula)? • edema da face? • Dor ligeira < 7 dias? • problema recente? Não Sim Não verDe Sim Não azul creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 175 NOTAS: prOblemAS eSTOmATOlógicOS QUADRO 41 Ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Problemas faciais Este fluxograma foi criado para permitir o estabelecimento da prioridade nos doentes que se apresentem com problemas dentais ou gengivais. Foram usados discriminadores gerais que incluem risco de vida, dor, hemorragia e temperatura. Foi incluída a extracção de um dente na categoria de urgente (amarelo) uma vez que a rapidez de reimplantação afecta o resultado. É importante assegurar que preconceitos não afectam a triagem de doentes nestas condições. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Avulsão dentária recente Extracção dentária há < 7 dias. Edema da face Inchaço difuso na face, envolvendo habitualmente os lábios. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, então a história é inapropriada. 176 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 42 problemas faciais laranja • alteração do estado de consciência de novo? • Grande hemorragia incontrolável? • adulto muito quente? • criança muito quente? • Dor severa? vermelho • compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • hemorragia exsanguinante? • choque? Não Sim Sim • Deformação grosseira? • alteração da coagulação? • recente redução da acuidade visual? • pequena hemorragia incontrolável? • história de perda de consciência? • avulsão dentária recente? • história inapropriada? • adulto quente? • criança quente? • Dor moderada? amarelo • subfebril? • Diplopia? • hematoma do pavilhão auricular? • alteração de sensibilidade na face? • edema facial? • olho vermelho? • Dor ligeira < 7 dias? • problema recente? Não Sim Não verDe Sim Não azul creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 177 NOTAS: prOblemAS fAciAiS QUADRO 42 Ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO T.C.E. Problemas estomatológicos Problemas de ouvidos Problemas oftalmológicos Este fluxograma foi criado para definir prioridades nos doentes que sofrem de problemas faciais. É usado um certo número de discriminadores gerais que incluem risco de vida, hemorragia e dor. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Alteração da coagulação Alteração da coagulação associada a doença hematológica ou a terapêutica. Alteração da sensibilidade da face Qualquer alteração da sensibilidade podendo ser referida como sensação de formigueiro ou "encortiçamento". Avulsão dentária recente Extracção dentária < 7 dias. Deformação grosseira Esta situação será sempre subjectiva. Está implícita uma angulação ou rotação grosseira e anormal. Diplopia Imagem dupla que desaparece com a oclusão de um dos globos oculares. Edema da facial Inchaço difuso na face, envolvendo habitualmente os lábios. Hematoma do pavilhão auricular Um hematoma tenso (usualmente pós-traumático) no ouvido externo. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, então a história é inapropriada. História de perda de consciência Pode haver uma testemunha fiável que possa dizer se o doente esteve inconsciente (e durante quanto tempo). Caso contrário, se o doente não se recorda do incidente deve-se presumir que esteve inconsciente. Olho vermelho Olhos que se apresentam vermelhos. Um olho vermelho pode ser doloroso, ou não, e poderá ser total ou parcialmente. Recente redução da acuidade visual Qualquer redução da acuidade visual (corrigida) nos últimos 7 dias. 178 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 43 problemas nos membros laranja • Dispneia aguda? • pele crítica? • Compromissovascular distal? • Grande hemorragia incontrolável? • Dor severa? vermelho • Compromisso via aérea? • respiração ineficaz? • hemorragia exsanguinante? • Choque? Não Sim Sim • Dor pleurítica? • Deformação grosseira? • Fractura exposta? • pequena hemorragia incontrolável? • novos sinais e/ou sintomas neurológicos? • alterações de coagulação? • história inapropriada? • Dor moderada? amarelo • Deformação? • edema? • Dor ligeira < 7 dias? • problema recente? Não Sim Não verDe Sim Não azul creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 179 NOTAS: prOblemAS NOS membrOS QUADRO 43 Ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Criança com dificuldade de locomoção Lesões nos membros são ocorrências comuns e, embora raramente, um caso de perigo de vida. Podem ser a causa de grande morbilidade. É usado um certo número de discriminadores gerais que incluem risco de vida, hemorragia e dor. Discriminadores específicos asseguram que o tratamento das lesões que ameaçam a funcionalidade dos membros sejam reconhecidas e tratadas com urgência. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Alteração da coagulação Alteração da coagulação associada a doença hematológica ou a terapêutica. Compromisso vascular distal Trata-se de uma combinação de palidez, frio, alteração da sensibilidade e dor, com ou sem ausência de pulsação distal à lesão. Deformação Situação sempre subjectiva. Estão implícitas angulações ou rotações anormais. Deformação grosseira Esta situação será sempre subjectiva. Está implícita uma angulação ou rotação grosseira e anormal. Dispneia aguda Dificuldade respiratória que se desenvolve subitamente ou uma repentina exacerbação de dispneia crónica. Dor pleurítica Dor aguda no peito, piora quando se respira, tosse ou espirra. Edema Inchaço ou aumento de volume. Fractura exposta Todos os ferimentos na proximidade de uma fractura devem ser considerados suspeitos. A fractura deverá ser considerada como exposta se existir alguma possibilidade de comunicação entre o ferimento e a fractura. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, a história é inapropriada. Novos sinais e/ou sintomas neurológicos Podem incluir alteração ou perda de sensibilidade, enfraquecimento dos membros (transitório ou permanente) ou alterações do funcionamento da bexiga ou do intestino (incontinência). Pele crítica Uma fractura ou deslocação poderá deixar fragmentos ou pedaços de ossos a pressionar fortemente contra a pele, ficando a viabilidade da mesma ameaçada. A pele encontrar-se-á branca e sobre tensão. 180 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 44 problemas oftalmológicos laranja • traumatismo ocular penetrante? • perda súbita de visão com início nas 24 horas anteriores? • adulto muito quente? • criança muito quente? • Dor severa? vermelho • compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • choque? • lesão ocular química? Não Sim Sim • recente redução de acuidade visual? • história inapropriada? • adulto quente? • criança quente? • Dor moderada? amarelo • olho vermelho? • sensação de corpo estranho? • Diplopia? • Dor ligeira < 7 dias? • problema recente? Não Sim Não verDe Sim Não azul creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 181 NOTAS: prOblemAS OfTAlmOlógicOS QUADRO 44 Ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Problemas faciais Este fluxograma está concebido para permitir a atribuição correcta de prioridades aos doentes que se apresentem com condições que afectem os olhos. A dor é usada como discriminador geral. Os discriminadores específicos incluem uma história de lesão química que indique a necessidade de intervenção imediata, uma história de penetração ocular ou perda completa de visão subitamente, e uma avaliação da acuidade visual. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Diplopia Imagem dupla que desaparece com a oclusão de um dos globos oculares. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, então a história é inapropriada. Lesão ocular química Qualquer substância que salpique ou seja colocada nos olhos que venha a causar sensação de picadas, queimadura ou reduza a visão deve presumir-se capaz de causar lesão química. Olho vermelho Olhos que se apresentam vermelhos. Um olho vermelho pode ser doloroso ou não e poderá ser total ou parcialmente afectado. Perda súbita de visão com início nas 24 horas anteriores A perda de visão num ou em ambos os olhos nas 24 horas anteriores. Recente redução da acuidade visual Qualquer redução da acuidade visual (corrigida) nos últimos 7 dias. Sensação de corpo estranho Aumento da sensibilidade acompanhada de lacrimejo e eritema do globo ocular. Traumatismo ocular penetrante Um evento recente fisicamente traumático com a penetração do globo ocular. 182 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 45 problemas de ouvidos laranja • alteração do estado de consciência de novo? • Grande hemorragia incontrolável? • Criança muito quente? • adulto muito quente? • dor severa? vermelho • Compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • Choque? Não Sim Sim • pequena hemorragia incontrolável? • história de T.C.e.? • vómitos persistentes? • história inapropriada? • adulto quente? • Criança quente? • dor moderada? amarelo • subfebril (Febrícula)? • perda recente de audição? • hematoma no pavilhão auricular? • vertigens? • dor ligeira < 7 dias? • problema recente? Não Sim Não verde Sim Não azul creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 183 NOTAS: prOblemAS de OuvidOS QUADRO 45 ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Problemas faciais T.C.E. Este fluxograma está criado para permitir a atribuição correcta de prioridades em doentes que se apresentem com situações que afectam o ouvido. São utilizados discriminadores gerais que incluem risco de vida, dor, hemorragia e temperatura. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, então a história é inapropriada. História de T.C.E. – Traumatismo crânio-encefálico Sensação aguda de andar à roda ou de tontura, possivelmente acompanhada de náuseas e vómitos. Hematoma do pavilhão auricular Um hematoma tenso (usualmente pós-traumático) no ouvido externo. Perda recente de audição A perda de audição em um ou ambos os ouvidos < 7 dias. Vertigem Sensação aguda de andar à roda ou de tontura, possivelmente acompanhada de náuseas e vómitos. Vómitos persistentes Vómitos constantes e/ou frequentes, podendo ser acompanhados de náuseas. 184 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 46 problemas urinários laranja • priapismo? • adulto muito quente? • Criança muito quente? • Dor severa? vermelho • Compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • hemorragia exsanguinante? • Choque? Não Sim Sim • Cólica? • hematúria clinicamente evidente? • retenção urinária/oligoanúria? • vómitos persistentes? • adulto quente? • Criança quente? • Dor moderada? amarelo • vómitos? • Disúria? • Dor ligeira < 7 dias? • problema recente? Não Sim Não verDe Sim Não azul creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 185 NOTAS: prOblemAS uriNáriOS QUADRO 46 Ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Doenças sexualmente transmissíveis Dor testicular Muitos doentes apresentam problemas urinários que para além de dor, podem estar relacionados com patologia grave. São usados discriminadores gerais como risco de vida, dor e temperatura. São usados discriminadores especifícos para assegurar que os doentes com retenção urinária e com infecções são colocados na categoria adequada. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Cólica Dores intermitentes. A cólica renal tem tendência a aparecer e a desaparecerdurante um período de mais ou menos 20 minutos. Disúria Dor ou dificuldade em urinar. Hematúria clinicamente evidente Sangue na urina, visível a olho nu. Priapismo Erecção sustentada do pénis. Retenção urinária/oliguanúria Incapacidade de urinar com distenção da bexiga e/ou oliguanúria. Vómitos persistentes Vómitos constantes e/ou frequentes, podendo ser acompanhados de náuseas. 186 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 47 queda laranja � •�Mecanismo�de�lesão? •�Pulso�anormal? •�Grande�hemorragia�incontrolável? •�défice�neurológico�agudo? •��alteração�de�estado�de�consciência� de�novo? •�Hipotermia? •�dor�severa? verMelHo •�Compromisso�da�via�aérea? •�respiração�ineficaz? •�Choque? •�Criança�não�reactiva? •�Convulsão�actual? •�Hipoglicemia? Não Sim Sim � •��História�de�perda�de�consciência? •�alteração�da�coagulação? •�História�inapropriada? •��Pequena�hemorragia�incontrolável? •��novos�sintomas�e/ou�sinais� neurológicos? •�deformação�grosseira? •�Fractura�exposta? •�dor��moderada? aMarelo •�deformação? •�edema? •��dor�ligeira� <�7�dias? •��Problema� recente? Não Sim Não verde Sim Não azul creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 187 NOTAS: quedA QUADRO 47 Ver TAmbém NOTAS dO quAdrO Estado de inconsciência/síncope Muitos doentes que sofrem com quedas apresentam traumatismos. Alguns poderão ter patologia subjacente grave que lhes terá provocado a queda ou poderão ter desenvolvido complicações depois desta. Este quadro foi criado para permitir a atribuição correcta de prioridade conforme a lesão ou a causa subjacente for mais ou menos relevante. São usados discriminadores gerais que incluem risco de vida, grau de consciência e dor. Foram incluídos discriminadores específicos para assegurar que os doentes que sofrem de patologias subjacentes graves ou apresentem lesões que ponham em risco os membros sejam colocados na categoria adequada. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Alteração do estado de consciência de novo Alteração nas últimas 12 horas em relação ao grau pré-existente na Escala de Coma de Glasgow. Em caso de dúvida presumir existência de alteração de estado de consciência. Défice neurológico agudo Qualquer perda de função neurológica acontecida ≤ 24 horas, incluindo alterações sensitivas, redução da força (temporária ou permanente) dos membros ou alterações funcionais vesicais ou do intestino. Deformação Situação sempre subjectiva. Estão implícitas angulações ou rotações anormais. Deformação grosseira Esta situação será sempre subjectiva. Está implícita uma angulação ou rotação grosseira e anormal. Edema Inchaço ou aumento de volume. Fractura exposta Todos os ferimentos na proximidade de uma fractura devem ser considerados suspeitos. Se existir alguma possibilidade de comunicação entre o ferimento e a fractura, então a fractura deverá ser considerada como exposta. Hipoglicemia Glicemia inferior a 55 mg/dl. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, então a história é inapropriada. História de perda de consciência Pode haver uma testemunha fiável que possa dizer se o doente esteve inconsciente (e durante quanto tempo). Caso contrário, se o doente não se recorda do incidente deve-se presumir que esteve inconsciente. Mecanismo de lesão São significativas as lesões penetrantes (facadas ou tiros) e as lesões com elevada transferência de energia, tais como quedas de altura, acidentes de tráfego a alta velocidade (velocidade superior a 60 km/h), ejecção de um veículo, morte de ocupantes e deformação significativa de um veículo. Pode ser especialmente significativa uma história de saltar de um edifício em chamas ou de exposição a uma explosão. Novos sintomas e/ou sinais neurológicos Podem incluir alteração ou perda de sensibilidade, enfraquecimento dos membros (transitório ou permanente) ou alterações do funcionamento da bexiga ou intestino (incontinência) há > 24 horas. Pulso anormal Bradicardia (< 60 min.), taquicardia (> 120 min.) ou arritmia de novo, ou que não se conseguia negar como preexistente. Sinais neurológicos focais Perda de função limitada a uma parte específica do corpo (membro, lado, olho, etc.). 188 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 48 queimaduras profundas e superficiais laranja • edema da face? • lesão por inalação? • dispneia aguda? • mecanismo de lesão? • alteração do estado de consciência de novo? • sao2 muito baixa? • dor severa? vermelho • respiração ineficaz? • compromisso da via aérea? • estridor? • choque? • criança não reactiva? Não Sim Sim • sao2 baixa? • inalação de fumos? • história inapropriada? • lesão eléctrica? • queimadura química? • dor moderada? amarelo • inflamação local? • infecção local? • dor ligeira < 7 dias? • problema recente? Não Sim Não verde Sim Não azul creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 189 NOTAS: queimAdurAS prOfuNdAS e SuperficiAiS QUADRO 48 Ver TAmbém NOTAS dO quAdrO Existem diversos graus de gravidade nestas situações e o fluxograma foi criado para permitir a identificação adequada dos doentes dentro de cada uma das categorias. São usados discriminadores gerais que incluem risco de vida, grau de consciência e dor. Os discriminadores específicos permitem a identificação dos doentes que sofreram lesões respiratórias e aqueles em que o mecanismo sugere a necessidade de mais exames complementares de diagnóstico e tratamento mais específico. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Dispneia aguda Dificuldade respiratória que se desenvolve subitamente ou uma repentina exacerbação de dispneia crónica. Edema da face Inchaço difuso na face, envolvendo habitualmente os lábios. História inapropriada Se o mecanismo alegado não explicar a lesão ou doença aparente, a história é inapropriada. Inalação de fumo Deve presumir-se ter havido inalação de fumo quando o doente estiver confinado a um espaço cheio de fumo. Os sinais físicos de fuligem oral ou nasal são menos seguros, mas significativos se presentes. Infecção local A infecção local manifesta-se habitualmente como inflamação (dor, edema e eritema) confinada a um determinado local ou área, com ou sem o aparecimento de pus. Inflamação local A inflamação local envolve dor, edema e eritema confinados a um determinado local ou área. Lesão eléctrica Qualquer lesão causada, ou possivelmente causada, por corrente eléctrica. Inclui corrente alternada e corrente directa, bem como as fontes naturais e artificiais. Lesão por inalação História de ter estado confinado a um espaço cheio de fumo é o indicador mais seguro de inalação de fumo. Podem observar-se depósitos em redor da boca e nariz e/ou rouquidão. A história é a forma mais sugestiva para se diagnosticar a possível inalação de substâncias químicas, mesmo sem a observação de sinais evidentes. Mecanismo de lesão São significativas as lesões penetrantes (facadas ou tiros) e as lesões com elevada transferência de energia, tais como quedas de altura, acidentes de tráfego a alta velocidade (velocidade superior a 60 km/h), ejecção de um veículo, morte de ocupantes e deformação significativa de um veículo. Pode ser especialmente significativa uma história de saltar de um edifício em chamas ou de exposição a uma explosão. Queimadura química Qualquer substância que seja colocada no corpo, ou o salpique, e que cause picadas, queimadura ou dor deve presumir-se ter causado queimadura química. SaO2 baixa Uma saturação de < 95% com ar atmosférico SaO2 muito baixa Uma saturação < 95% com terapêutica O2 suplementar ou < 90% com ar atmosférico. 190 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 49 sobredosagem e envenenamento laranja • Pulso anormal? • alta mortalidade? • alteração do estado deconsciência de novo? • alto risco de nova auto-agressão? • sao2 muito baixa? vermelho • Compromisso da via aérea? • respiração ineficaz? • Choque? • Criança não reactiva? • hipoglicemia? • Convulsão actual? Não Sim Sim • mortalidade moderada? • risco moderado de auto-agressão? • história psiquiátrica significativa? • história de perda de consciência? • angústia marcada? • história inapropriada? • sao2 baixa? amarelo Não Sim verde Não creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 191 NOTAS: SObredOSAgem e eNveNeNAmeNTO QUADRO 49 ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Auto-agressão O quadro foi criado para permitir que os aspectos físicos e psiquiátricos da sobredosagem possam ser considerados, assegurando por isso a prioridade a dar aos doentes segundo as duas perspectivas. Os discriminadores gerais usados incluem risco de vida, grau de consciência (crianças e adultos). Discriminadores específicos incluem a avaliação da letalidade da overdose, que pode ser efectuada com a ajuda do Centro de Informação Anti-venenos, e uma avaliação do risco futuro de causar danos próprios. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Alta mortalidade Probabilidade alta da substância ingerida ou a que a vítima foi exposta causar doença grave ou morte. Poderá ser necessário pedir aconselhamento ao centro de informação antivenenos para esclarecer o nível de risco do doente. Em caso de dúvida, presumir alto risco. Alto risco de auto-agressão Uma visão inicial do risco de auto-agressão pode ser formada tendo em conta o comportamento do doente. Os doentes que apresentam histórias significativas de auto-agressão, estão a tentar auto-agredir-se ou que estão a tentar sair com a intenção de se auto-agredir, são doentes de alto risco. Angústia marcada Os doentes que apresentam perturbações físicas ou emocionais acentuadas preenchem este critério. Hipoglicemia Glicemia inferior a 55 mg/dl. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, então a história é inapropriada. História de perda de consciência Pode haver uma testemunha fiável que possa dizer se o doente esteve inconsciente (e durante quanto tempo). Caso contrário, se o doente não se recorda do incidente deve-se presumir que esteve inconsciente. História psiquiátrica significativa História de doença ou evento psiquiátrico importante. Mortalidade moderada Probabilidade moderada de substância ingerida ou que a vítima foi exposta causar doença grave ou morte. Poderá ser necessário recorrer ao aconselhamento do centro de informações antivenenos para esclarecer o nível de risco do doente. Em caso de dúvida, presumir alto risco. Pulso anormal Bradicardia (< 60 min.), taquicardia (> 120 min.) ou arritmia de novo, ou que não se consiga negar como pré-existente. Risco moderado de auto-agressão Uma visão inicial do risco de auto-agressão poderá ser formada tendo em conta o comportamento do doente. Os doentes que não apresentem uma história significativa de auto-agressão, que não tentam activamente auto-agredir-se, que não tentam activamente sair com a intenção de se auto-agredir mas que confessam o desejo de se auto-agredir, são doentes de risco moderado. Em caso de dúvida, presumir alto risco. SaO2 baixa Uma saturação de < 95% com ar atmosférico SaO2 muito baixa Uma saturação < 95% com terapêutica O2 suplementar ou < 90% com ar atmosférico. 192 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 50 T.C.E. laranja � •��Mecanismo�de�lesão? •��Grande�hemorragia�incontrolável? •��alteração�do�estado�de�consciência� de�novo? •��Défice�neurológico�agudo? •��Dor��severa? vErMElho •��Compromisso�da�via�aérea? •��respiração�ineficaz? •��hemorragia�exsanguinante? •��Choque? •��Criança�não�reactiva? •��Convulsão�actual? •��hipoglicemia? Não Sim Sim � •��história�de�perda�de�consciência? •��alteração�da�coagulação? •��história�inapropriada? •��Pequena�hemorragia�incontrolável? •��vómitos�persistentes? •���novos�sintomas�e/ou�sinais� neurológicos? •��Dor�moderada? aMarElo •��hematoma�no� couro�cabeludo? •��vómitos? •��Dor�ligeira� <�7�dias? •��Problema� recente? Não Sim Não vErDE Sim Não azul creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 193 NOTAS: T.C.E. QUADRO 50 VEr TAmbém NOTAS dO QuAdrO Cefaleia Convulsões Dor cervical O T.C.E. (traumatismo crânio-encefálico) é uma apresentação comum e o seu efeito varia: desde uma lesão que ameça a vida (hematoma subdural) até pequenas feridas no couro cabeludo. São utilizados discriminadores gerais que incluem risco de vida, grau de consciência (em adultos e crianças), hemorragia e dor. Discriminadores específicos estão incluídos para seleccionar doentes com significante mecanismo, progressão de sinais neurológicos e sintomas, com prioridade elevada. diSCrimiNAdOrES ESpECífiCOS ExpliCAçãO Alteração da coagulação Alteração da coagulação associada a doença hematológica ou terapêutica. Convulsão actual Doentes que se encontrem actualmente sofrendo de convulsões (na fase tónica, clónica ou com outras manifestações relevantes) preenchem este critério. Défice neurológico agudo Qualquer perda de função neurológica acontecida ≤ 24 horas, incluindo alterações sensitivas, redução da força (temporária ou permanente) dos membros ou alterações funcionais vesicais ou do intestino. Hematoma no couro cabeludo Uma área elevada e ferida no couro cabeludo acima da linha da implantação do cabelo. Hipoglicemia Glicemia inferior a 55 mg/dl. História de perda de consciência Pode haver uma testemunha fiável que possa dizer se o doente esteve inconsciente (e durante quanto tempo). Caso contrário, se o doente não se recorda do incidente deve-se presumir que esteve inconsciente. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente a história é inapropriada. Mecanismo de lesão São significativas as lesões penetrantes (facadas ou tiros) e as lesões com elevada transferência de energia, tais como quedas de altura, acidentes de tráfego a alta velocidade (velocidade superior a 60 km/h), ejecção de um veículo, morte de ocupantes e deformação significativa de um veículo. Pode ser especialmente significativa uma história de saltar de um edifício em chamas ou de exposição a uma explosão. Novos sinais e/ou sintomas neurológicos Podem incluir alteração ou perda de sensibilidade, enfraquecimento dos membros (transitória ou permanente) ou alterações no funcionamento da bexiga ou do intestino (incontinência) há > 24 horas. Vómitos persistentes Vómitos constantes e/ou frequentes, podendo ser acompanhados de náuseas. 194 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 51 CATÁSTROFES – AVALIAÇÃO PRIMÁRIA MORTE • Respira após abertura da via aérea? VERMELhO • Anda? Não Sim Não • Frequência respiratória >29/min • Frequência respiratória <10/min AMARELO • Preenchimento capilar >2 seg. • Pulso >120/min? VERdE Sim Sim Não Não Sim creo Grupo Po r tuguês de Tr iagem 195 NOTAS: cATáSTrOfeS – AvAliAçãO primáriA QUADRO 51 ver TAmbém NOTAS dO QuAdrO Avaliação primária A triagem primária durante uma catástrofe tem uma metodologia completamente diferente da usada no dia-a-dia dos serviços de urgência. Para atingir o objectivo de, perante uma situação com múltiplas vítimas, que inviabiliza o normal funcionamento do serviço, salvar tantas vidas quanto possível e assegurar a melhor prestação de cuidados segundo os recursos existentes, tem de ser utilizado um método diferente. Em vez de se seleccionar em primeiro lugar os doentes mais graves, seleccionam-se os menos graves. Em vez de usar discriminadores gerais e específicos, são usados discriminadores muito simples para realizar uma divisão grosseira dos doentes em três categorias. Este fluxograma descreve o primeiro método de triagem a ser usadoem situação de catástrofe (ocorrência com multivítimas). Está desenhado para permitir não só a imposição da ordem, mas também para assegurar a triagem rápida de um grande número de feridos que cheguem na mesma altura. Não se escolhem os doentes mais graves em primeiro lugar, mas selecciona-se o maior número de doentes que andam (verdes), subcategorizando os doentes de maior gravidade em vermelhos ou amarelos. Consideram-se verdes os doentes que andam na medida em que isso significa que o seu ABC (via aérea, ventilação e circulação) se encontra minimamente intacto. Não devem ser gastos mais de 15 segundos por cada doente/triagem. diScrimiNAdOreS eSpecíficOS explicAçãO Avaliação da respiração Algumas vezes a respiração é irregular. Quando a frequência respiratória é demasiado elevada >29/min ou muito baixa < 10/min o doente é classificado com a prioridade vermelho. Doente que anda Num incidente grave em que foi accionado o plano de catástrofe, qualquer doente que possa andar, independentemente do eventual ferimento preenche este critério Pulso Se o tempo de preenchimento capilar não for medido, e se o pulso for superior a 120/min, o doente é classificado com a prioridade vermelha. Respiração após abertura da via aérea Em situações de catástrofe, deve ser pesquisada a presença da respiração após as manobras de abertura da via aérea. A ausência de respiração durante 10 segundos após abertura da via aérea, implica a declaração do óbito (uma competência médica), a não ser que exista a capacidade para proceder à reanimação sem prejuízo no atendimento de doentes com prioridade vermelho. Tempo de preenchimento capilar O tempo de preenchimento capilar é o tempo que levam os capilares do leito ungueal a voltarem a encher-se após ter sido aplicada uma pressão de cinco segundos. O tempo normal de preenchimento é de até dois segundos. Este sinal não é tão útil se o doente estiver frio. Se for prolongado para além de 2 segundos, o doente é classificado com a prioridade vermelho. 196 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem QUADRO 52 CATÁSTROFES – AVALIAÇÃO SECundÁRIA • TRTS 11? VERmELhO • TRTS < 10? Não Sim Sim • TRTS 12?AmARELO VERdE Não Sim Grupo Po r tuguês de Tr iagem 197 Ver também Notas do Quadro Avaliação secundária O fluxograma para a triagem secundária na catástrofes é usado para rapidamente proceder à reavaliação de um grande número de doentes, já inicialmente observados na triagem primária. O TRTS (Triage Revised Trauma Score) é uma maneira adequada para triar um grande número de feridos. É baseado na codificação de três variáveis: o estado de consciência, a frequência respiratória e a pressão arterial sistólica. Segundo o TRTS, as prioridades são atribuídas da seguinte forma: Pontuação 1-10 = Prioridade 1 11 = Prioridade 2 12 = Prioridade 3 0 = Prioridade 4 discrimiNadores específicos explicação Frequência respiratória 10-29 4 > 29 3 6-9 2 1-5 1 0 0 Pressão arterial sistólica ≥ 90 4 76-89 3 50-75 2 1-49 1 0 0 Escala de Coma de Glasgow 13-15 4 9-12 3 6-8 2 4-5 1 3 0 TRTS A pontuação do TRTS calcula-se utilizando a codificação da frequência respiratória (0-4), a pressão arterial sistólica (0-4) e da Escala de Coma de Glasgow (0-4) para se obter uma pontuação total de 0-12. Este sistema de pontuação aparece em muitas das etiquetas de triagem disponíveis no mercado. Notas: catástrofes – aValiação secuNdária QUADRO 52 Grupo Po r tuguês de Tr iagem 199 Alta mortalidade Probabilidade alta da substância ingerida ou a que a vítima foi exposta causar doença grave ou morte. Poderá ser necessário pedir aconselhamento ao centro de informação antivenenos para esclarecer o nível de risco do doente. Em caso de dúvida, presumir alto risco. Alta mortalidade por envenenamento Alta probabilidade de mordedura ou picada causar morte. Em caso de dúvida presumir risco. Poderá ser necessário solicitar aconselhamento. Alteração da coagulação Alteração da coagulação associada a doença hematológica ou terapêutica. Alteração do estado de consciência de novo Alteração nas últimas 12 horas em relação ao grau pré-existente na Escala de Coma de Glasgow. Em caso de dúvida presumir a existência de alteração do estado de consciência. Alteração de estado de consciência não totalmente atribuível ao álcool Doente que não se encontra totalmente consciente, com uma história de ingestão de álcool e sobre quem existem dúvidas da presença de outras causas de perda do nível de consciência, preenchem este critério. Alteração de estado de consciência totalmente atribuível ao álcool Doente que não se encontra totalmente consciente, com história clara de ingestão de álcool, tendo sido excluídas todas as causas que possam causar alteração do estado de consciência. Alteração da imunidade conhecida Qualquer doente sob terapêutica imunossupressora ou com doença que cause imunossupressão. Alteração da sensibilidade da face Qualquer alteração da sensibilidade podendo ser referida como sensação de formigueiro ou "encortiçamento". Alto risco de agressão a terceiros A possibilidade de um doente tentar agredir outros. Esta situação pode ser avaliada tendo em conta o estado mental, a postura corporal e o comportamento. Quando em dúvida, presumir alto risco. O alto risco deve ser assumido se o doente tiver acesso a armas ou potenciais vítimas ou se constar perda de autocontrolo. Alto risco de auto-agressão Uma visão inicial do risco de auto-agressão pode ser formada tendo em conta o comportamento do doente. Os doentes que apresentam histórias significativas de auto-agressão, estão a tentar auto agredir-se ou que estão a tentar sair com a intenção de se auto-agredir, são doentes de alto risco. Angústia devido à dor Doente angustiado e inconsolável devido à dor. Angústia marcada Os doente que apresentam perturbações físicas ou emocionais acentuadas preenchem este critério. Apneia Falta de respiração ou esforço respiratório durante 10 segundos, conforme avaliação pelo olhar, a audição e o tacto. Apresentação de segmentos fetais Fase de nascimento ou o aparecimento de outras partes fetais na vagina. dicionário de discriminadores 200 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem Articulação quente Qualquer aumento de temperatura em redor de uma articulação preenche este critério. Frequentemente acompanhado por eritema. Asma sem melhoria com o seu tratamento habitual Esta história deve ser fornecida pelo doente. A ausência de melhoria com uma terapêutica de broncodilatadores prescrita pelo médico assistente é igualmente significativa. Ausência de pulso Nenhum pulso central é sentido por um período de 5 segundos, ou ausência evidente de sinais de circulação. Avaliação da respiração Algumas vezes a respiração é irregular. Quando a frequência respiratória é demasiado elevada >29/min ou muito baixa < 10/min o doente é classificado com a prioridade vermelho. Avulsão dentária recente Extracção dentária há < 7 dias. Baba-se Saliva que escorre da boca devido à incapacidade de engolir. Broncospasmo Pode ter sibilância audível. Deve ter-se em mente que a dificuldade respiratória grave pode ser silenciosa (o ar não se movimenta). Cefaleia Qualquer dor em redor da cabeça não relacionada com uma determinada estrutura anatómica. A dor facial não está incluída. Celulite escrotal Eritema e edema à volta do escroto. Choque O choque deve-se à distribuição inadequada da perfusão sanguínea e do oxigénio pelos tecidos. Os sinais clássicos incluem suores, palidez, taquicardia, hipotensão e nível de consciência reduzido. Choro prolongado ou ininterrupto Qualquer criança que chore continuamente, durante duas horas ou mais, preenche este critério. Cólicas Dores intermitentes. A cólica tem tendência a aparecer e a desaparecer durante um período de cercade 20 minutos. Com palpitações Doente que refere na triagem sentir palpitações. Comportamento estranho na criança Criança que se comporta de forma não habitual numa determinada situação. Os tutores prestam frequentemente esta informação de forma voluntária. Estas crianças são muitas vezes referidas como "rabugentas" ou "indispostas". Comportamento disruptivo O comportamento disruptivo é um comportamento que afecta a boa ordem do serviço de urgência. Poderá ou não ser ameaçador. Compromisso vascular distal Combinação de palidez, frio, alteração sensitiva e/ou dor, com ou sem ausência de pulsação distal à lesão. Compromisso da via aérea A via aérea poderá estar comprometida, quer por não se conseguir manter aberta ou quer porque os reflexos protectores da via respiratória (que evitam a aspiração) se perderam. A incapacidade de manter a via aérea aberta poderá resultar de uma obstrução total ou parcial, intermitente ou não. Isto manifestar- -se-á por sons como o ressonar ou o gorgolejar durante a respiração. Contaminação de ferimentos Um ferimento que contém matéria extrínseca de qualquer tipo diz-se estar contaminado. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 201 Convulsão actual Doentes que se encontram actualmente sofrendo de convulsões (na fase tónica, clónica ou com outra manifestação relevante) preenchem este critério. Corrimento Corrimento anormal pelo pénis ou vagina. Criança não reactiva As crianças que não reagem a estímulos verbais ou dolorosos dizem-se não reactivas. Défice neurológico agudo Qualquer perda de função neurológica acontecida ≤ 24 horas, incluindo alterações sensitivas, redução da força (temporária ou permanente) dos membros ou alterações funcionais vesicais ou do intestino. Deformação Situação sempre subjectiva. Estão implícitas angulações ou rotações anormais. Deformação grosseira Esta situação será sempre subjectiva. Está implícita uma angulação ou rotação grosseira e anormal. Diplopia Imagem dupla que desaparece com a oclusão de um dos globos oculares. Dispneia aguda Dificuldade respiratória que se desenvolve subitamente ou uma repentina exacerbação de dispneia crónica. Disúria Dor ou dificuldade em urinar. Doente que anda Num incidente grave em que foi accionado o plano de catástrofe, qualquer doente que possa andar, independentemente do eventual ferimento preenche este critério Dor Qualquer expressão de dor preenche este critério. Ver o Capítulo 4 sobre avaliação da dor. Dor abdominal Dor abdominal associada a dor lombar deverá ser valorizada pois pode corresponder a ruptura de aneurisma da aorta ou se relacionada com hemorragia vaginal pode estar associada a gravidez ectópica ou aborto espontâneo. Dor à mobilização das articulações Poderá tratar-se de uma dor por movimento activo (do doente) ou por movimento passivo (pelo examinador). Dor à palpação da região temporal Dor à palpação da região temporal (especialmente sobre a artéria). Dor epigástrica Entende-se por dor epigástrica a dor ou desconforto no epigastro acompanhada de náuseas, hipersudorese e/ou sensação de lipotimia. Dor que irradia para o ombro Dor sentida na extremidade do ombro pode ser indicativa de uma irritação diafragmática. Pode existir com dor epigástrica. Dor que irradia para a região dorsal Dor que é também sentida no dorso, de forma intermitente ou constante. Dor moderada Dor significativa mas suportável. Ver o Capítulo sobre avaliação da dor. Dor pleurítica Dor aguda no tórax, que piora quando se respira, tosse ou espirra. Dor precordial Classicamente, uma dor constritiva ou pesada no centro do peito, podendo irradiar para o braço esquerdo ou para o pescoço. Poderá estar associada a suores, náuseas, sensação de lipotimia e/ou dor epigástrica. 202 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem Dor severa Dor significativa e insuportável, frequentemente referida como a pior de sempre. Ver o Capítulo sobre avaliação da dor. Dor testicular Dor nos testículos. Edema Inchaço ou aumento de volume. Edema da face Inchaço difuso na face, envolvendo habitualmente os lábios. Edema da língua Inchaço ou aumento de volume da língua, em qualquer grau. Enfisema subcutâneo O enfisema subcutâneo pode ser detectado quando se sente uma espécie de crepitação à palpação. Poderão existir bolhas de gás e uma linha de demarcação. Estridor Som que poderá ser inspiratório, expiratório ou ambos. O estridor é ouvido mais claramente quando se respira de boca aberta. Exantema eritematoso ou bolhoso Qualquer erupção de vesículas que cubram uma área superior a 10% da superfície corporal. Exantema generalizado O exantema poderá aparentar qualquer forma mas será habitualmente eritematoso ou urticariforme. Erupção cutânea desconhecida Qualquer erupção cutânea cuja causa não se possa identificar. Exaustão Um doente exausto aparenta redução do esforço respiratório apresentando insuficiência respiratória. Esta é uma situação pré-terminal. Evisceração de órgãos Extrusão de órgãos internos. Extracção dentária recente Dente que foi extraído há ≤ 24 horas. Febrícula Temperatura > 37,5 ºC. Fezes pretas ou raiadas de sangue As fezes aparecem com cor vermelha-escura. A ausência periódica ou temporária deste tipo de manifestação não é regra para se excluir um diagnóstico. Qualquer sinal de apresentação de fezes pretas constitui um alerta. Forte sensação de angústia Doentes angustiados que se apresentem com perturbações físicas ou emocionais acentuadas, preenchem este critério. Fractura exposta Todos os ferimentos na proximidade de uma fractura devem ser considerados suspeitos. A fractura deverá ser considerada como exposta se existir alguma possibilidade de comunicação entre o ferimento e a fractura. Frequência de pulso Número de batimentos cardíacos por minuto. Frequência respiratória Número de ciclo respiratórios por minuto. Gangrena escrotal Pele morta, escurecida em redor do escroto e virilha. A gangrena precoce poderá não escurecer mas aparecer como uma queimadura de espessura total, com ou sem descamação. Grande hemorragia incontrolável Quando é impossível controlar rapidamente uma hemorragia através da aplicação da pressão directa sustentada, continuando a sangrar fortemente ou a molhar rapidamente uma grande quantidade de pensos. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 203 Gravidez com mais de 24 semanas Último período menstrual há 24 semanas ou mais. Hematemeses O sangue expelido no vómito poderá ser fresco (vermelho-vivo) ou escuro, ou com aparência de borras de café. Hematoquésias, melenas ou rectorragias Numa hemorragia gastrointestinal maciça e activa, o sangue vermelho-escuro é expelido pelo recto. À medida que aumenta o tempo de trânsito gastrointestinal o sangue torna-se mais escuro – vindo a tornar-se em melenas. Hematoma do pavilhão auricular Um hematoma tenso (usualmente pós-traumático) no ouvido externo. Hematoma do couro cabeludo Uma área elevada e ferida no couro cabeludo, acima da linha da implantação do cabelo. Hematúria clinicamente evidente Sangue na urina visível a olho nu. Hemoptise Sangue arejado emitido com o esforço da tosse. Hemorragia exsanguinante Hemorragia de tal forma siignificativa que resultará em morte a menos que seja rapidamente controlada. Hemorragia vaginal em gestação > 20 semanas Qualquer perda sanguínea pela vagina em grávida com > 20 semanas de gestação. Hemorragia vaginal intensa A perda vaginal é extremamente difícil de avaliar. A presença de grandes coágulos ou de um fluxo contínuo preenche este critério. O uso de grandes quantidades de pensos higiénicos é sugestivo de grande perda. Hiperglicemia Glicemia superior a 300mg/dl. Hiperglicemia com cetose Glicemia superior a 200 mg/dl com cetonémia (ou cetonúria) ou sinais de acidose (respiração profunda, etc.). Hipoglicemia Glicemia inferior a 55 mg/dl. Hipotermia Se a pele se encontrar fria, considera-se que o doente está clinicamente frio. A temperaturadeve ser medida logo que possível – uma temperatura central de <35°C é considerada hipotermia. História cardíaca significativa Antecedentes de doença cardíaca com risco significativo de vida (doença coronária ou disritmia). História clínica significativa Qualquer situação clínica pré-existente que requeira medicação contínua ou outros cuidados. História de convulsão Uma história de eventos convulsivos durante as seis horas antecedentes. Esta situação é especialmente significativa no fim da gravidez quando poderá significar eclampsia. História de hematemeses Hematemese recente e clinicamente evidente, vómitos de sangue alterado (borras de café) ou de sangue misturado com vómito. História hematológica significativa Doente com distúrbios sanguíneos que podem desenvolver rapidamente complicações. 204 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem História inadequada (na embriaguez aparente) Se não existir uma história clara e inequívoca de ingestão aguda de álcool, e quando não se pode excluir uma lesão da cabeça, ingestão de drogas, situação médica subjacente, etc., então a história é inadequada. História inapropriada Se o alegado mecanismo não explicar a lesão ou doença aparente, então a história é inapropriada. História de perda de consciência Pode haver uma testemunha fiável que possa dizer se o doente esteve inconsciente (e durante quanto tempo). Caso contrário, se o doente não se recorda do incidente deve-se presumir que esteve inconsciente. História de risco especial de infecção Exposição a alto risco conhecido, quer num laboratório ou numa área de infecção conhecida. História psiquiátrica significativa História de doença ou evento psiquiátrico importante. História significativa de alergia É significativa uma sensibilidade conhecida com reacção grave (ex. nozes ou picadas de abelha). História significativa de diarreia Diarreia que, pela frequência e/ou volume, implica risco iminente de desidratação. História significativa de doença respiratória História de doença respiratória instável ou de episódios anteriores com perigo de vida. Incluir os doentes com oxigénioterapia ou ventilação não invasiva domiciliária. História significativa de hemorragia gatrointestinal História de hemorragia gastrointestinal associada a doença ulcerosa ou varizes esofágicas. História de sobredosagem ou envenenamento Esta informação poderá ser prestada por terceiros ou poderá ser deduzida na presença de caixas de substâncias perigosas vazias. História de T.C.E. – Traumatismo craneo-encefálico Qualquer acontecimento traumático envolvendo a cabeça preenche este critério. História de traumatismo História de um evento fisicamente traumático recente. História de viagens ao estrangeiro Viagens ao estrangeiro nas últimas 2 semanas. Imunossupressão conhecida Qualquer doente sujeito à administração de medicamentos imunossupressores (incluindo corticosteróides a longo prazo) ou com doença que cause imunossupressão. Inalação de fumo Deve presumir-se ter havido inalação de fumo quando o doente estiver confinado a um espaço cheio de fumo. Os sinais físicos de fuligem oral ou nasal são menos seguros, mas significativos se presentes. Incapacidade de se alimentar Crianças que não ingerem alimentos sólidos ou líquidos (como o esperado por via oral). Crianças que ingerem alimentos mas que em seguida os vomitam poderão também preencher este critério. Incapaz de se alimentar Crianças que não ingerem alimentos sólidos ou líquidos (como o esperado) por via oral. Crianças que ingerem alimentos mas que em seguida os vomitam poderão também preencher este critério. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 205 Incapacidade de andar É importante tentar distinguir entre doentes com dor e dificuldade em andar e aqueles que não conseguem andar. Apenas estes últimos podem ser considerados como incapazes de se locomover. Incapacidade de articular frases completas Doentes com dificuldade respiratória tão grande que não conseguem articular frases curtas numa só expiração. Incapacidade de distracção Crianças angustiadas pela dor, ou por outros factores que são incapazes de se distrair pela conversa ou pelas brincadeiras preenchem este critério. Inconsolável pelos pais As crianças cujo choro ou angústia não respondem às tentativas de conforto dos pais preenchem este critério. Indisposição do adulto Doente que não se sente bem, sem queixas específicas. Este fluxograma deverá ser utilizado por exclusão. Infecção local A infecção local manifesta-se habitualmente como inflamação (dor, edema e eritema) confinada a um determinado local ou área, com ou sem o aparecimento de pus. Inflamação local A inflamação local envolve dor, edema e eritema confinados a um determinado local ou área. Início agudo pós-traumático O início agudo de sintomas imediatamente, ou pouco depois, de um incidente fisicamente traumático. Início repentino Início em segundos ou minutos. Pode obrigar a pessoa a acordar durante o sono. Instalação súbita Início ≤ 12 horas. Lesão Evento recente fisicamente traumático. Lesão eléctrica Qualquer lesão causada, ou possivelmente causada por corrente eléctrica. Inclui corrente alternada e corrente directa, bem como as fontes naturais e artificiais. Lesão por inalação História de ter estado confinado a um espaço cheio de fumo é o indicador mais seguro de inalação de fumo. Podem observar-se depósitos em redor da boca e nariz e/ou rouquidão. A história é a forma mais sugestiva para se diagnosticar a possível inalação de substâncias químicas, mesmo sem a observação de sinais evidentes. Lesão por inalação de substância química História de inalação de uma substância química potencialmente perigosa. Certos químicos deixam sinais específicos enquanto outros podem não o fazer. A natureza do perigo pode não ser imediatamente aparente. Lesão neurológica focal Perda de função limitada a uma determinada parte do corpo (membro, lado, olho, etc.). Lesão ocular Traumatismo ocular recente. Lesão ocular química Qualquer substância que salpique ou seja colocada nos olhos que venha a causar sensação de picadas, queimadura ou que reduza a visão deve presumir-se capaz de causar lesão química. 206 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem Lesão recente Lesão ocorrida na última semana é considerada como uma lesão recente. Lesão torácica Qualquer lesão na área inferior às clavículas e acima do nível das costelas inferiores. Uma lesão na parte inferior do tórax poderá causar lesões subjacentes aos órgãos abdominais. Letargia Diminuição do tónus muscular e alteração da postura corporal. Massa abdominal visível Uma massa visível na observação do abdómen. Mecanismo de lesão São significativas as lesões penetrantes (facadas ou tiros) e as lesões com elevada transferência de energia, tais como quedas de altura, acidentes de tráfego a alta velocidade (velocidade superior a 60 km/h), ejecção de um veículo, morte de ocupantes e deformação significativa de um veículo. Pode ser especialmente significativa uma história de saltar de um edifício em chamas ou de exposição a uma explosão. Menstruação normal A perda de sangue menstrual e a dor que ocorrem na data prevista pelo período de tempo esperado. Mortalidade (sobredosagem ou envenenamento) Probabilidade de substância ingerida causar doença ou morte. Poderá ser necessário pedir aconselhamento ao centro de informações antiveneno para estabelecer a situação. Em caso de dúvida, presumir alto risco. Mortalidade moderada Probabilidade moderada de substância ingerida ou que a vítima foi exposta causar doença grave ou morte. Poderá ser necessário recorrer ao aconselhamento do centro de informações antivenenos para esclarecer o nível de risco do doente. Em caso de dúvida, presumir alto risco. Muito quente Se a pele se encontrar muito quente diz-se que o doente se encontra clinicamentemuito quente. Uma temperatura > 41 °C é muito quente no adulto. Na criança é > 39 °C. Ver página 17. Não se alimenta Crianças que não ingerem alimentos sólidos ou líquidos (como o esperado). Crianças que ingerem alimentos mas que em seguida a vomitam poderão também preencher este critério. Não urina Falência de produção de urina ou micção. Isto pode ser difícil de valorizar nas crianças (e nos idosos) podendo ser feita referência ao número de fraldas utilizadas. Novos sinais e/ou sintomas neurológicos Podem incluir alteração ou perda de sensibilidade, enfraquecimento dos membros (transitório ou permanente) ou alterações do funcionamento da bexiga ou intestino (incontinência) há > 24 horas. Olho vermelho Olhos que se apresentam vermelhos. Um olho vermelho pode ser doloroso, ou não, e poderá ser total ou parcialmente afectado. PEFR baixo (Fluxo expiratório máximo) É um PEFR de 50% ou inferior à melhor PEFR prevista (ver escalas em anexo). PEFR muito baixo É um PEFR de 33% ou inferior à melhor PEFR, ou PEFR prevista (ver escalas em anexo). Grupo Po r tuguês de Tr iagem 207 PEFR previsto < 33% O fluxo expiratório máximo previsto considerando a idade e o sexo do doente. Alguns doentes podem ter a noção do seu melhor PEFR, podendo este ser utilizado. Se a relação da medição prevista for menor que 33% então este critério é preenchido. PEFR previsto < 50% O fluxo expiratório máximo previsto após consideração da idade e do sexo do doente. Alguns doentes poderão ter a noção do seu melhor PEFR, podendo este ser utilizado. Se a relação da medição prevista for menor que < 50% então este critério é preenchido. Pele crítica Uma fractura ou deslocação poderá deixar fragmentos ou pedaços de ossos a pressionar tão fortemente contra a pele que a viabilidade da mesma se encontra ameaçada. A pele encontrar-se-á branca e sob tensão. Pequena hemorragia incontrolável Quando é impossível controlar uma hemorragia rapidamente através da aplicação de pressão directa sustentada continuando a sangrar levemente ou a escorrer sangue. Perda recente de audição A perda de audição num ou em ambos os ouvidos < 7 dias. Perda súbita de visão Perda de visão num ou nos dois olhos durante as 24 horas anteriores. Possível gravidez Qualquer mulher com amenorreia poderá considerar a possibilidade de gravidez. Além disso, qualquer mulher em idade de procriação que pratique sexo não protegido deve considerar a possibilidade de gravidez. Pressão arterial elevada (na grávida) Qualquer aumento da pressão arterial em relação ao início da gravidez, ou hipertensão arterial conhecida. Priapismo Erecção sustentada do pénis. Prolapso do cordão umbilical Prolapso de qualquer parte do cordão umbilical através do colo. Problema recente Um problema que aparece no decorrer da última semana é considerado como um problema recente. Prostrado Os pais poderão descrever os seus filhos como apáticos, pouco reactivos ou “molengões”. O tónus é em geral reduzido – o sinal mais notável é o movimento da cabeça. Provável infecção respiratória Quadro caracterizado por tosse, expectoração e/ou dispneia. Prurido grave Um prurido insuportável. Pulso (catástrofe secundária) Se o tempo de preenchimento capilar não for medido e o pulso for superior a 120 por min., o doente será classificado com a prioridade vermelha. Pulso anormal Bradicardia (< 60 min.), taquicardia (> 120 min.) ou arritmia de novo, ou que não se consiga negar como pré-existente. Púrpura Exantema em qualquer parte do corpo causado por pequenas hemorragias subcutâneas. Um exantema purpúreo não fica esbranquiçado (não se torna branco) sob pressão. 208 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem Queimadura química Qualquer substância que seja colocada no corpo, ou o salpique, e que cause picadas, queimadura ou dor deve presumir-se ter causado queimadura química. Quente Se a pele estiver quente, diz-se que o doente se encontra clinicamente quente. Diz-se que o doente está quente quando tem uma temperatura > 38,5 °C. Reacção à dor Reacção ao estímulo da dor. Os estímulos periféricos normais devem ser utilizados – é usado um lápis ou uma caneta para aplicar pressão no leito da unha. Estes estímulos não devem ser aplicados nos dedos dos pés visto que o reflexo espinhal poder causar flexão mesmo na morte cerebral. Não devem ser utilizados os nervos supra-orbitários devido à possibilidade de ocorrerem reflexos faciais com esgar. Reacção à voz Reacção ao estímulo vocal. Não é necessário gritar o nome do doente. As crianças poderão não reagir devido ao medo. Reavaliar (grande traumatismo) Se não houver a certeza quanto à existência de grande traumatismo é necessário reavaliar e pesquisar uma vez mais antes de reclassificar. Recente redução da acuidade vistual Qualquer redução da acuidade visutal (corrigida) nos últimos 7 dias. Respiração após abertura da via aérea (catástrofe primária) Em situações de catástrofe, deve ser pesquisada a presença da respiração após as manobras de abertura da via aérea. A ausência de respiração durante 10 segundos após abertura da via aérea, implica a declaração do óbito (uma competência médica), a não ser que exista a capacidade para proceder à reanimação sem prejuízo no atendimento de doentes com prioridade vermelha. Respiração ineficaz Doentes que não conseguem respirar suficientemente bem para manter uma oxigenação adequada, com falência respiratória, sofrem de respiração ineficaz. Poderá resultar num esforço acrescentado para respirar ou em exaustão, incluindo respiração tipo "gasping". Retenção urinária/oligoanúria Incapacidade de urinar com distensão da bexiga e/ou oligoanúria. Risco de contaminação Quando a exposição implica risco de perpetuação da contaminação do próprio ou de terceiros, incluindo profissionais de saúde. Risco moderado de agressão a terceiros A presença de um risco potencial de agressão a terceiros poderá ser medida observando a postura (tensa e rígida), padrões de conversação (voz alta e palavras ameaçadoras) e comportamento motor (nervosismo e andar sem parar). Em caso de dúvida, presumir alto risco. Risco moderado de auto-agressão Uma visão inicial do risco de auto-agressão poderá ser formada tendo em conta o comportamento do doente. Os doentes que não apresentem uma história significativa de auto-agressão, que não tentam activamente auto-agredir-se, que não tentam sair do serviço de urgência com a intenção de se auto-agredir, são doentes de risco moderado de auto-agressão. Em caso de dúvida, presumir alto risco. Risco moderado de morte por envenenamento Risco moderado de mordedura ou picada pode causar a morte. Em caso de dúvida, pedir aconselhamento e presumir alto risco. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 209 Risco de novas auto-agressões Doente que potencialmente tenta agredir-se mais. Em caso de dúvida, presumir alto risco. Sangue alterado Sangue mais escuro que o sangue vermelho-vivo e frequentemente com um odor parecido à melena. Sangue fresco Sangue não alterado – prontamente identificado pelos doentes e profissionais de saúde. SaO2 baixa Uma saturação de < 95% com ar atmosférico. SaO2 muito baixa Uma saturação < 95% com terapêutica O2 suplementar ou < 90% com ar atmosférico. Sem reacção Doentes que não reagem a estímulos verbais ou dolorosos são doentes sem reacção. Sem reacção aos estímulos dos pais A falta de qualquer tipo de reacção à cara ou à voz dos pais. Reacções anormais e uma aparente falta de reconhecimento dos pais são sinais preocupantes. Sensação de corpo estranho (problemas oftalmológicos) Aumento da sensibilidade acompanhada de lacrimeijo e eritema do globo ocular. Sinais de desidratação Sinais que incluem secura da língua, olhos afundados, turgor cutâneo aumentado e, em bebés, uma fontanela anterior afundada. Habitualmente associada a uma diminuição do débito urinário. Sinais de dor moderada Crianças jovens e bebés com dor moderadanão se sabem queixar. Habitualmente, choram contínua ou intermitentemente e são ocasionalmente consoláveis. Sinais de dor severa Crianças jovens e bebés com dores severas não se sabem queixar. Habitualmente, choram contínua e inconsolavelmente podendo apresentar taquicardia. Poderão exibir sinais como palidez e suores. Sinais de meningismo Classicamente, pescoço rígido concomitante com cefaleia e fotofobia. Sinais neurológicos focais Perda de função limitada a uma parte específica do corpo (membro, lado, olho, etc.) ou perda de uma função que piora com o decorrer do tempo. Sincope Alteração súbita da consciência com colapso cardiocirculatório associado. Subfebril (Febrícula) Diz-se que um adulto ou uma criança está subfebril quando a temperatura é > a 37,5 °C. Súbito Acontecido nas últimas 12 horas. Traumatismo torácico Qualquer traumatismo ou transferência de energia na região torácica. T.C.E. – Traumatismo craneo-encefálico Qualquer acontecimento traumático envolvendo a cabeça. Taquicardia acentuada Frequência cardíaca acima de 120 min. num adulto. Em crianças esta situação deverá ser relacionada com a idade da criança. 210 GPT – T. 214 348 331 - 214 348 268 F. 214 361 969 gptriagem@gmail.com Grupo Po r tuguês de Tr iagem Tempo de preenchimento capilar O tempo de preenchimento capilar é o tempo que levam os capilares do leito ungueal a voltarem a encher-se após ter sido aplicada uma pressão de cinco segundos. O tempo normal de preenchimento é de até dois segundos. Este sinal não é tão útil se o doente estiver frio. Se for prolongado para além de 2 segundos, o doente é classificado com a prioridade vermelho. Totalmente atribuível ao álcool Uma história clara de ingestão de álcool e a exclusão completa de todas as outras causas de sintomas e sinais. Trabalho de parto Qualquer mulher grávida com contracções regulares com intervalo inferior a 15 minutos e/ou ruptura de bolsa de águas preenche este critério. Trabalho respiratório aumentado O aumento do esforço respiratório é demonstrado por sinais como a frequência respiratória aumentada, uso de músculos acessórios e/ou estridor ou gemido. Trauma directo da região cervical Poderá ser vertical (carga), por exemplo quando algo cai sobre a cabeça, por flexão se se dobra (para a frente, para trás, para os lados), por torção ou distensão (enforcamento) Trauma escrotal Qualquer evento recente, fisicamente traumático, envolvendo o escroto. Traumatismo directo da região lombar Poderá ser vertical (carga), por exemplo, quando alguém cai de pé, se se dobra (para a frente, para trás ou para os lados), ou por torção. Traumatismo ocular penetrante Um evento recente, fisicamente traumático com a penetração do globo ocular. Traumatismo penetrante Um evento recente, fisicamente traumático, que envolve uma penetração directa de qualquer aérea corporal por meio de faca, bala ou outro objecto. Traumatismo torácico Qualquer trauma à região torácica. Traumatismo vaginal Qualquer história ou outras provas de traumatismo directo da vagina preenchem este critério. TRTS A pontuação do TRTS calcula-se utilizando a codificação da frequência respiratória (0-4), a pressão arterial sistólica (0-4) e da Escala de Coma de Glasgow (0-4) para se obter uma pontuação total de 0-12. Este sistema de pontuação aparece em muitas das etiquetas de triagem disponíveis no mercado. Vertigem Sensação aguda de andar à roda ou de tontura, possivelmente acompanhada de náuseas e vómitos. Via aérea fechada Os doentes ficam incapacitados de respirar com a via aérea fechada. Se o doente se encontrar em apneia. Deve-se executar uma manobra de abertura de via e observar o resultado. Via aérea insegura Doentes que não conseguem manter continuamente a sua própria via aérea patente demonstram ter uma via aérea insegura. Vómitos Qualquer vómito preenche este critério. Vómitos persistentes Vómitos constantes e/ou frequentes, podendo ser acompanhados de náusea. Grupo Po r tuguês de Tr iagem 211 ANEXOS Tabelas Régua de Dor Régua de Dor (pediátrica) Escala de Coma de Glasgow (ECG) Tabelas de Temperaturas Tabela de Fluxo Expiratório Máximo Folha de Catástrofe Critério para Atribuição da Prioridade Branca tr ia g em d e p r io r id a d es r ég u a d E d o r 1 3 5 7 9 0 2 4 6 8 10 se m qu al qu er d or ac tiv id ad es no rm ai s po uc os pr ob le m as Fa z a m ai or pa rt e da s co is as Ca us a di fic ul da de s Ce ss a al gu m as ac tiv id ad es in ca pa ci ta nt e Ce ss a ac tiv id ad es no rm ai s se m co nt ro lo Li ge ira pi ca da m od er ad a (s ig ni fic at iv a m as s up or tá ve l) Ba st an te m á m ui to m á g ra ve se ve ra (s ig ni fic at iv a e in su po rt áv el ) d ila ce ra nt e d o r li g Ei r a ≥ 7 d ia s < 7 d ia s Gr up o Po rt ug uê s de T ria ge m © g ru po p or tu gu ês d e tr ia ge m pa ra e fe ito s de re gi st o: d or s ev er a en tr e 8- 10 d or m od er ad a en tr e 5- 7 d or li ge ira e nt re 1 -4 (e st a úl tim a in de pe nd en te m en te d a s ua d ur aç ão ) creo tr ia g em d e p r io r id a d es r ég u a d E d o r P Ed IÁ T r IC a d o r lI g EI r a ≥ 7 d ia s < 7 d ia s 1 3 5 7 9 0 2 4 6 8 10 se m qu al qu er d or ac tiv id ad es no rm ai s po uc os pr ob le m as Fa z a m ai or pa rt e da s co is as Ca us a di fic ul da de s Ce ss a al gu m as ac tiv id ad es in ca pa ci ta nt e Ce ss a ac tiv id ad es no rm ai s se m co nt ro lo Li ge ira pi ca da m od er ad a (s ig ni fic at iv a m as s up or tá ve l) Ba st an te m á m ui to m á g ra ve se ve ra (s ig ni fic at iv a e in su po rt áv el ) d ila ce ra nt e Gr up o Po rt ug uê s de T ria ge m © g ru po p or tu gu ês d e tr ia ge m pa ra e fe ito s de re gi st o: d or s ev er a en tr e 8- 10 d or m od er ad a en tr e 5- 7 d or li ge ira e nt re 1 -4 (e st a úl tim a in de pe nd en te m en te d a s ua d ur aç ão ) creo tr ia g em d e p r io r id a d es a lt er a Ç ã o d o e st a d o d e c o n sc iê n c ia es c a la d e c o m a d e g la s g o w ( ec g ) O = O LH O S (0 a 4 ) 4 – o lh os a be rt os e sp on ta ne am en te 3 – a pe na s ab re o s ol ho s qu an do o uv e fa la r (o rd em v er ba l) 2 – a pe na s ab re o s ol ho s qu an do s en te d or (e st ím ul o do lo ro so ) 1 – n ão a br e os o lh os V = R ES PO ST A V ER BA L (0 a 5 ) 5 – d is cu rs o co er en te e o rie nt ad o 4 – d is cu rs o co nf us o 3 – d is cu rs o in ap ro pr ia do 2 – d is cu rs o in co m pr ee ns ív el 1 – n ão fa la M = R ES PO ST A M O TO RA (0 a 6 ) 6 – cu m pr e or de ns 5 – n ão c um pr e or de ns m as lo ca liz a a do r 4 – Fl ex ão a no rm al d o( s) m em br o( s) à d or (m ov im en to d e fu ga ) 3 – Fl ex ão d o( s) m em br o( s) (d es co rt ic aç ão ) 2 – ex te ns ão d (s ) m em br o( s) (d es ce re br aç ão ) 1 – n ão m ex e os m em br os N O R M A L = 1 5 Gr up o Po rt ug uê s de T ria ge m © g ru po p or tu gu ês d e tr ia ge m creo tr ia g em d e p r io r id a d es Ta be la d e Te m pe ra Tu ra (c ri a n ç a s) te m pe ra tu ra t im pâ ni ca Fe br íc ul a/ su bf eb ril 37 ,5 - 38 ,4 ºC Q ue nt e 38 ,5 - 39 ,8 ºC m ui to Q ue nt e = ou > a 3 9, 9 ºC Gr up o Po rt ug uê s deT ria ge m © g ru po p or tu gu ês d e tr ia ge m Ta be la d e Te m pe ra Tu ra (a d u lT o s) te m pe ra tu ra t im pâ ni ca Fe br íc ul a/ su bf eb ril 37 ,5 - 38 ,4 ºC Q ue nt e 38 ,5 - 40 ,9 ºC m ui to Q ue nt e = ou > a 4 1, 0 ºC tr ia g em d e p r io r id a d es ta b el a d e fl u x o e x p ir a tó r io m á x im o 70 0 65 0 60 0 55 0 50 0 45 0 40 0 35 0 30 0 25 0 20 0 15 0 10 0 Fluxo Expiratório Máximo (litros/min) 95 % 95 % M éd ia 19 0 cm 10 0 11 0 12 0 13 0 14 0 15 0 16 0 17 0 18 0 A lt ur a 66 0 65 0 64 0 63 0 62 0 61 0 60 0 59 0 58 0 57 0 56 0 55 0 54 0 53 0 52 0 51 0 50 0 49 0 48 0 47 0 46 0 45 0 44 0 49 0 42 0 41 0 40 0 39 0 38 0 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 A lt ur a cm 17 5 16 7 16 0 15 2 14 5 A lt ur a cm 19 0 18 3 17 5 16 7 16 0 Fluxo Expiratório Máximo (litros/min) Id ad e em a no s H om en s M ul he r es Gr up o Po rt ug uê s de T ria ge m © g ru po p or tu gu ês d e tr ia ge m FO LH A D E C A TÁ ST R O FE Ca so n .º D at a / / H or a : 2. A vA Li A ç ã O S EC u n D Á R iA 1. A vA Li A ç ã O P R im Á R iA O bs er va çõ es : A nd a Re sp ir a ap ós a be rt ur a da v ia a ér ea Fr eq . R es p. > 2 9 Fr eq . R es p. < 10 Pr ee nc hi m en to C ap ila r > 2 Pu ls o > 12 0 N ão Si m N ão N ão Si m N ão Si m Si m v eR m el h o v eR m el h o PR et o v eR d e A m A Re lo H or a Av TR TS Av TR TS Av TR TS Av TR TS Av TR TS Av TR TS Fr eq . R es p. P. A . S is t. G la sg ow t t t t t t Co r Pr io ri da de N .º M ec . A be rt ur a de o lh os Es po nâ ne a 4 vo z 3 D or 2 S/ R es po st a 1 Re sp os ta ve rb al O rie nt ad a 5 Co nf us a 4 in ap ro pr ia da 3 im pe rc ep tiv el 2 S/ R es po st a 1 Re sp os ta m ot or a O rd em 6 Lo ca liz a 5 Fu ga 4 Fl ex ão 3 Ex te ns ão 2 S/ R es po st a 1 Fr eq . Re sp . 10 a 2 9 4 > 29 3 0 = 9 2 1 a 5 1 0 0 Pr es sã o A rt er ia l Si st ól ic a ≥ 9 0 4 7 6 a 89 3 5 0 a 75 2 1 a 49 1 0 0 Es ca la D e Co m as D e G la sg ow 10 a 1 5 4 9 a 12 3 6 a 8 2 4 a 5 1 0 0 es ca la t Rt S escala de comas de Glasgow © G ru po P or tu gu ês d e Tr ia ge m tR tS 1 a 10 11 12 0 Cô R ve rm el ho A m ar el o ve rd e Pr et o Pr io ri da de s t Rt S N .º m ec Gr up o Po rt ug uê s de T ria ge m creo H or a O bs er va çã o M éd ic a Su m ár ia N .º m ec H or a Tr at am en to s N .º m ec H or a Re gi st os d e En fe rm ag em N .º m ec © G ru po P or tu gu ês d e Tr ia ge m Re gi st os d e En fe rm ag em FO LH A D E C A TÁ ST R O FE Gr up o Po rt ug uê s de T ria ge m Grupo Po r tuguês de Tr iagem 227 Critérios para atribuição da Cor branCa na triagem A utilização incorrecta dos serviços de urgência como porta de entrada administrativa, bem como o uso destes serviços para execução de actividade “programada” ou não urgente, agrava a pressão sobre os serviços e estimula a incorrecta utilização dos serviços pelos profissionais e utentes. Identificado o problema e dada a diferença de cultura e postura no Reino Unido em relação a estas situações (que não são autorizadas), o Grupo Português de Triagem propôs aos autores Ingleses uma cor que identificasse esses casos – cor branca. Essa cor permitiria identificar a dimensão do problema em cada serviço de modo a serem identificadas e sistematizadas soluções que promovam a correcta utilização dos recursos disponíveis. Na última reunião de consenso do Grupo Português de triagem foi estabelecido como objectivo nacional que essa percentagem seja inferior a 5% da totalidade dos episódios de urgência. Cabe aos serviços a correcta monitorização e planeamento de medidas correctivas para cumprimento deste objectivo. Como atribuição da cor branca na triagem tem sido identificada nas auditorias externas como uma dificuldade, pela ausência de critérios uniformizados a nível nacional, esses critérios foram revistos. são Critérios para atribuição de Cor branCa 1. razões administrativas • Doente de outro Hospital que necessita de inscrição para execução de exame complementar de diagnóstico por acordo entre instituições. (No caso de não ser aberta inscrição para esta finalidade, o doente não é triado e não é atribuída cor de prioridade.) • Cadáver que necessita de registo administrativo para admissão na casa mortuária. • Doente chamado para terapêutica não programada (Transplante). • Doente admitido para o internamento para actividade programada, e que utiliza o posto administrativo da urgência para admissão. 2. razões clínicas • Doente referenciado por médico (independentemente do local de referenciação ou da especialidade) sem situação aguda ou de urgência, seja para a realização de técnica, exame complementar ou acto médico não urgente (por exemplo, doente enviado para reavaliação clínica, remoção ou renovação de imobilizações, etc. ). • Doente referenciado por médico para inclusão em protocolo científico sem situação aguda ou de urgência. • Utente que recorre ao Serviço ao abrigo do programa de interrupção voluntária de gravidez. 3. outras razões • Doentes admitidos para reavaliação por referenciação médica, tendo sido observados anteriormente na Urgência, e que actualmente não apresentam situação aguda ou urgente. • Colheita de sangue para contra prova – Polícia. não são Critérios para atribuição de Cor branCa na triagem 1. Doente readmitido após transferência para outro hospital para efeitos de consultadoria (deverá assumir o processo anterior). 2. Doente referenciado por médico (independentemente do local de referenciação ou da especialidade) à urgência com situação aguda ou urgente. Neste caso, o doente deve ser triado e atribuída a prioridade corresponde à sua situação. 3. Doente que autonomamente procede a inscrição no serviço de urgência para técnica ou acto terapêutico não compaginável com o serviço de urgência (deverá ser recusado e encaminhado para área/ serviço mais indicado e anulada a inscrição). 4. Doente erradamente inscrito na urgência de adultos (doente obstétrico). Deverá ser reencaminhado administrativamente, antes de ser triado. 5. Doente transportado pelo INEM e/ou com apoio de VMER (deverá ser triado normalmente). 6. Funcionário vítima de acidente de serviço deve ser inscrito e triado normalmente. Deve ser assegurado o cumprimento em tempo útil do protocolo para a situação respectiva. TRIAGEm no sERvIço dE uRGêncIA Manual do forMando 2.ª edição © GRUPO PORTUGUÊS DE TRIAGEM 2010 protocolo de triageM de Manchester creo