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Caderno de Teoria da Decisão Jurisd. E Recursos no Proc. Civil
Sentença
Conceito
A gestão de negócios é um ato jurídico em sentido estrito, unilateral e não negocial, caracterizado pela intervenção de uma pessoa (gestor) em negócio alheio, sem autorização do interessado (dono do negócio), mas em conformidade com a vontade presumida do dono do negócio.
Tendo por base dois critérios distintos:
· Posição: A decisão judicial deve encerrar a fase cognitiva do procedimento comum ou extinguir a execução.
· Conteúdo: a decição judicial deve ter como fundamento uma das hipóteses previstas no arts. 485 ou 487. Trata-se, assim, de um conceito híbrido, considerando não apenas o conteúdo, mas também as finalidades (os efeitos) da decisão judicial, para enquadrá-la na definição de sentença.
Sentenças terminativas e definitivas
Sentenças terminativas encerram o processo sem julgar o mérito (mérito = pedido principal) devido a falhas técnicas (art. 485 CPC), permitindo nova propositura após correção, gera apenas coisa julgada formal. Sentenças definitivas decidem o mérito (acolhem/rejeitam o pedido), solucionando o conflito com coisa julgada material (art. 487 CPC), impossibilitando nova ação igual.
Principais Diferenças:
· Sentença Terminativa (Sem mérito - art. 485 CPC):
· Foco: Questões processuais (falta de documento, ilegitimidade, abandono).
· Efeito: Coisa julgada formal (encerra o processo, mas não o conflito).
· Possibilidade: Permite nova ação se corrigido o vício.
· Sentença Definitiva (Com mérito - art. 487 CPC):
· Foco: O mérito da causa (o pedido em si).
· Efeito: Coisa julgada material (decisão imutável).
· Possibilidade: Finaliza o conflito definitivamente.
Exemplos de Sentença Terminativa (art. 485 CPC):
· Indeferimento da petição inicial.
· Abandono da causa pelo autor.
· Litispendência ou coisa julgada.
Exemplos de Sentença Definitiva (art. 487 CPC):
· Acolhimento ou rejeição do pedido.
· Reconhecimento de prescrição ou decadência.
· Homologação de transação (acordo).
Sentenças declaratórias, constitutivas e condenatórias
Principais Características e Exemplos:
· Sentença Declaratória:
· Objetivo: Certificar a certeza de um direito ou a falsidade de um documento, sem alterar o estado de fato.
· Exemplos: Ação de reconhecimento de paternidade (quando busca apenas o reconhecimento), declaração de inexistência de débito, autenticidade de documento.
· Sentença Constitutiva:
· Objetivo: Alterar a realidade jurídica, criando, modificando ou extinguindo um estado, relação ou situação.
· Exemplos: Sentença de divórcio (desconstitui o vínculo matrimonial), anulação de contrato, interdição.
· Sentença Condenatória:
· Objetivo: Reconhecer o direito e impor ao réu uma prestação, gerando um título executivo judicial para cobrança forçada.
· Exemplos: Ação de cobrança, indenização por danos morais/materiais, sentença penal condenatória. 
Esses tipos podem aparecer combinados no mesmo processo. Frequentemente, a sentença condenatória possui uma fase declaratória prévia (o juiz declara o direito para depois condenar). A diferença central reside no efeito: a constitutiva altera o estado de coisas para o futuro (ex nunc), enquanto a declaratória retroage à própria existência do direito (ex tunc), e a condenatória exige execução para satisfação.
Elementos da sentença 
O art. 489 do CPC afirma que são elementos essenciais da sentença: o relatório (inciso I), os fundamentos (inciso II) e o dispositivo (inciso III).
1. O relatório é a síntese da demanda, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, a suma do pedido, da defesa e da reconvenção (se houver), bem como o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo (art. 489, I, do CPC). Exige-se a elaboração de relatório para demonstrar que o órgão julgador conhece o processo que irá julgar. A ausência de relatório gera a nulidade absoluta da sentença para a doutrina majoritária. É preciso recordar que há hipóteses em que se dispensa o relatório, como é o caso das sentenças proferidas nos Juizados Especiais Cíveis (art. 38 da Lei n. 9.099/1995).
2. Na fundamentação, o juiz analisará as questões de fato e de direito (art. 489, inciso II, do CPC). É na fundamentação que se indicam os motivos que justificam, juridicamente, a conclusão a que se tenha chegado. Trata-se de elemento que não pode ser dispensado, cuja falta acarreta a nulidade da decisão (art. 93, IX, da CF/1988 e art. 11 do CPC). A fim de concretizar a exigência constitucional de fundamentação das decisões judiciais, o art. 489, §1º, do CPC enumerou, em rol exemplificativo, as situações em que não se considera fundamentada uma decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão.
3. No dispositivo, o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem (art. 489, inciso III, do CPC). Trata-se da parte conclusiva da sentença, representando o comando da decisão. Uma sentença sem sua parte dispositivo não é uma decisão judicial, pois nada foi decidido, concluído. Assim, ausente o dispositivo, a sentença é inexistente.
Por fim, o art. 489, §3º, do CPC fixa o dever de o juiz interpretar a decisão judicial a partir de todos os seus elementos em conjunto – e não vistos de forma isolada –, além de ter que analisá-los sempre em conformidade com o princípio da boa-fé. 
Vínculo entre a sentença e os pedidos
Na sentença de mérito, incumbe ao juiz acolher ou rejeitar, no todo ou em parte, os pedidos formulados pelas partes – no caso do autor, os pedidos constantes na demanda principal e do réu, os pedidos constantes na reconvenção (art. 490 do CPC).
O princípio da congruência (ou adstrição) determina que a sentença judicial deve ser estritamente limitada aos pedidos formulados pelas partes na petição inicial e na contestação. O juiz não pode decidir além (ultra petita), fora (extra petita) ou aquém (citra/infra petita) do que foi pedido, garantindo segurança jurídica.
· Sentença ultra petita: É aquela que concede à parte mais do que ela pediu; analisa outros fatos essenciais além dos postos pelas partes; ou resolve a demanda em relação a sujeitos que não participaram do processo, indo além dos que participaram.
· Sentença extra petita: É aquela que tem natureza diversa ou concede à parte coisa distinta da que foi pedida; considera fundamento de fato não suscitado no lugar dos efetivamente suscitados; ou atinge sujeito que não faz parte do processo.
· Sentença citra petita (ou infra petita): É aquela que deixa de analisar pedido formulado; fundamento de fato ou de direito trazido pela parte; ou pedido formulado por ou em face de determinado sujeito do processo.
Coisa julgada material e formal
A coisa julgada formal ocorre quando não cabem mais recursos dentro do mesmo processo, tornando a sentença imutável internamente (endoprocessual). A coisa julgada material torna o mérito da decisão imutável e indiscutível, impedindo nova ação sobre o mesmo tema (panprocessual). Enquanto a formal ocorre em toda sentença (final), a material exige decisão de mérito.
· Coisa Julgada Formal (Endoprocessual)
· Conceito: Refere-se à imutabilidade da decisão apenas dentro do processo em que foi proferida.
· Quando ocorre: Quando não há mais recursos possíveis contra uma sentença terminativa (sem resolução do mérito) ou definitiva.
· Efeito: Impede que o processo seja rediscutido internamente, encerrando-o.
· Coisa Julgada Material (Panprocessual)
· Conceito: É a imutabilidade do conteúdo da sentença de mérito, que se torna definitiva e imutável fora do processo.
· Quando ocorre: Apenas em sentenças que resolvem o mérito da causa (sentenças definitivas) e transitam em julgado, tornando o direito imutável.
· Efeito: Impede que a mesma questão seja reaberta em qualquer outra ação judicial (estende-se para fora do processo).
· Base Legal: Artigo 502 do CPC/2015.
· Principais Diferenças
· Abrangência: A formal atua apenas dentro do processo, enquanto a material produz efeitos externos (panprocessuais).
· Mérito: A coisa julgada material exige resolução do mérito, enquanto a formal pode ocorrersem, como na extinção por ausência de pressupostos processuais.
· Relação: A coisa julgada formal é, em regra, um requisito para a material.
· Ação Rescisória: A coisa julgada material pode ser desconstituída por ação rescisória, enquanto a formal geralmente encerra o caso sem discutir o mérito, podendo permitir nova propositura da ação em alguns casos.
Efeito negativo e efeito positivo da coisa julgada
A coisa julgada material é a imutabilidade de uma sentença após o fim dos recursos, garantindo segurança jurídica. O efeito negativo impede a rediscussão de lide idêntica (evita processos repetidos), enquanto o efeito positivo vincula juízes a decidirem novas demandas de forma consistente com o julgado anterior, funcionando como fundamento obrigatório.
· Efeito Negativo da Coisa Julgada (Proibição)
· Conceito: Proíbe que a mesma causa (mesmas partes, pedido e causa de pedir) seja ajuizada novamente.
· Objetivo: Evitar sentenças contraditórias e garantir que a lide seja resolvida definitivamente.
· Consequência: A propositura de uma nova ação idêntica leva à extinção do processo sem resolução do mérito (Art. 485, V, CPC).
· Exemplo: Após sentença transitada em julgado negando cobrança de dívida, o autor não pode processar o réu novamente pelo mesmo valor.
· Efeito Positivo da Coisa Julgada (Vinculação)
· Conceito: Vincula o juiz de um novo processo à decisão anterior, caso esta sirva como base ou questão prejudicial.
· Objetivo: Assegurar a coerência e a harmonia entre as decisões judiciais.
· Consequência: A questão decidida anteriormente deve ser considerada como verdadeira (premissa) no novo processo, não podendo ser reexaminada.
· Exemplo: Se uma sentença reconheceu a paternidade (coisa julgada), em uma futura ação de alimentos, o juiz não pode questionar se a paternidade existe; ele deve aceitar o que foi decidido na primeira ação.
· Conceito Relacionado: Eficácia Preclusiva
· Além do efeito positivo e negativo, existe a eficácia preclusiva, que impede a rediscussão de alegações que poderiam ter sido feitas no processo anterior, mas não foram.
Limites objetivos da coisa julgada
Os limites objetivos da coisa julgada definem o que se torna imutável em uma decisão, focando no dispositivo da sentença que resolve o mérito, conforme o art. 503 do CPC. Não fazem coisa julgada os motivos (fundamentação) ou a verdade dos fatos (art. 504, CPC), exceto questões prejudiciais decididas expressamente. A coisa julgada recai sobre o pedido e causa de pedir (tríplice identidade).
· Principais Aspectos dos Limites Objetivos:
· Dispositivo é o Centro: A imutabilidade e a indiscutibilidade (coisa julgada material) incidem essencialmente sobre o dispositivo, que é a parte final da sentença, onde o juiz decide a questão principal (art. 503, CPC).
· Fundamentação e Fatos (Art. 504, CPC): Os motivos (fundamentação), ainda que importantes para o alcance do dispositivo, e a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença, não fazem coisa julgada. Eles servem, porém, para interpretar o dispositivo em caso de ambiguidade.
· Questões Prejudiciais (Art. 503, §1º, CPC): Uma questão prejudicial (que antecede o mérito) pode ser coberta pela coisa julgada se: 1) de sua resolução depender o julgamento do mérito; 2) houver contraditório prévio; 3) o juiz tiver competência para resolvê-la.
· Relações de Trato Sucessivo (Art. 505, I, CPC): Em relações continuativas (ex: alimentos), a coisa julgada vigora enquanto não houver modificação no estado de fato ou de direito (cláusula rebus sic stantibus). Se houver alteração fática, a decisão pode ser revisada.
· Limitação à Lide: A coisa julgada material está restrita à "questão principal expressamente decidida", protegendo a segurança jurídica ao impedir nova discussão sobre o mesmo bem da vida já decidido.
Limites subjetivos da coisa julgada
Os limites subjetivos da coisa julgada definem quem é atingido pela imutabilidade da decisão. Em regra, a coisa julgada vincula apenas as partes do processo, não prejudicando terceiros, conforme o art. 506 do CPC/2015. A decisão pode beneficiar terceiros, mas não pode impor prejuízos a quem não participou do contraditório.
· Regra Geral (Art. 506, CPC): A sentença faz coisa julgada entre as partes, não beneficiando, nem prejudicando terceiros.
· Fundamento: Respeito ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa (garantindo que ninguém seja prejudicado sem ser ouvido).
· Exceções e Extensões:
· Sucessores: Terceiros que adquirem a coisa litigiosa ou sucedem a parte podem ser vinculados (sucessão inter vivos ou causa mortis).
· Substituição Processual: Em casos de legitimidade extraordinária (ex: sindicato agindo como substituto processual), a coisa julgada atinge os substituídos.
· Efeitos Reflexos: Terceiros podem sofrer efeitos reflexos (indiretos) da sentença, embora a imutabilidade da coisa julgada não os atinja diretamente.
· Terceiro Prejudicado: O terceiro que tiver interesse jurídico e for prejudicado pela sentença pode recorrer (art. 996, CPC).
Limites temporais
Os limites temporais da coisa julgada referem-se à duração da imutabilidade de uma sentença. Em regra, a coisa julgada cobre os fatos e o direito existentes até o trânsito em julgado. Contudo, em relações jurídicas de trato continuado (alimentos, tributos, aluguéis), a decisão é válida rebus sic stantibus (enquanto durar a situação fática ou jurídica).
· Pontos-chave sobre os limites temporais:
· Relações de Trato Continuado (Art. 505, CPC): Se houver modificação no estado de fato ou de direito, a sentença pode ser revista. A coisa julgada perde sua eficácia se a situação fática que a fundamentou for alterada.
· Novas Orientações do STF (Temas 881 e 885): O Supremo Tribunal Federal decidiu que, em matéria tributária de trato sucessivo, a coisa julgada perde seus efeitos temporais automaticamente se o STF, em controle concentrado ou repercussão geral, decidir de forma contrária, mesmo que a decisão anterior tenha transitado em julgado.
· Cláusula Rebus Sic Stantibus: A sentença vale apenas enquanto a situação fático-jurídica permanecer a mesma.
· Ação Rescisória (Prazo): A desconstituição da coisa julgada por meio de ação rescisória, com base em prova nova, por exemplo, tem prazo de 2 anos contados do trânsito em julgado.
Cabimento da ação rescisória, seu procedimento e julgamento
A ação rescisória é autônoma de impugnação que objetiva desconstituir a decisão judicial transitada em julgado e, eventualmente, o rejulgamento da causa originária. Na referida ação, portanto, busca-se, em um primeiro momento, desconstituir a decisão judicial já coberta pela coisa julgada, com fundamento nas hipóteses previstas em lei. Ato contínuo, se acolhido o pedido de desconstituição da referida decisão, é possível que haja – ainda no âmbito do processo da ação rescisória – o rejulgamento da causa de origem.
Nos termos do art. 966, do CPC, é cabível a ação rescisória contra as decisões de mérito, as quais foram proferidas sob as circunstâncias descritas nos incisos do art. 966. Ao se referir genericamente à decisão de mérito, optou o legislador por estabelecer que pode ser objeto de rescisão não apenas sentenças, mas decisões interlocutórias, decisões monocráticas de relator e acórdãos. Os dois únicos requisitos são que sejam tais decisões de mérito e que tenham transitado em julgado.
Hipóteses de cabimento:
· Inciso I, art. 966, do CPC: Prevê a hipótese de ser proferida decisão por força de prevaricação, concussão ou corrupção passiva praticadas pelo juiz. Trata-se de crimes contra a Administração Pública previstos nos arts. 319, 316 e 317 do Código Penal, respectivamente.
· Inciso II, art. 966, do CPC: Prevê outro caso de rescindibilidade da decisão quando proferida por juiz impedido ou por juízo absolutamente incompetente. As hipóteses de impedimento, previstas nos arts. 144 e 147 do CPC, foram criadas exatamente para preservar o julgamento imparcial do magistrado — considerado pressuposto de validade do processo.
· Inciso III, art. 966, do CPC: Prevê o terceiro caso de decisãode mérito rescindível, qual seja, aquela que resultar de dolo ou coação da parte vencedora em detrimento da parte vencida ou, ainda, de simulação ou colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei.
· Inciso IV, art. 966, do CPC: Prevê que é rescindível a decisão que ofender a coisa julgada. Portanto, caso uma decisão de mérito de determinado processo transitada em julgado tenha ofendido a coisa julgada de um processo anterior, será rescindível a referida decisão ofensora.
· Inciso V, art. 966, do CPC: Prevê a hipótese mais comum de rescindibilidade: quando a decisão violar manifestamente a norma jurídica. O dispositivo legal correspondente no Código anterior era o art. 485, V, do CPC/1973, que previa violação a literal dispositivo de lei.
· Inciso VI, art. 966, do CPC: Prevê a hipótese da rescindibilidade de decisão fundada em prova cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal ou venha a ser demonstrada na própria ação rescisória. Não é, contudo, qualquer prova falsa que permite a rescindibilidade da decisão, é preciso que tal prova tenha sido o principal fundamento para se alcançar a conclusão adotada.
· Inciso VII, art. 966, do CPC: Estabelece o cabimento de ação rescisória quando obtiver o autor, posteriormente ao trânsito em julgado, prova nova cuja existência ignorava ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar pronunciamento favorável. Na realidade, não trata o dispositivo legal de prova efetivamente nova, considerando que ela já existia, mas não podia o autor produzi-la à época, por não a conhecer ou por ser impossível acessá-la.
· Inciso VIII, art. 966, do CPC: Prevê que será rescindível a decisão fundada em erro de fato verificável do exame dos autos. O erro de fato verifica-se quando a decisão rescindenda admitir fato inexistente ou quando considerar inexistente fato efetivamente ocorrido, sendo indispensável, em ambos os casos, que o fato não represente ponto controvertido sobre o qual o juiz deveria ter se pronunciado (art. 966, §1º do CPC).]
Tem legitimidade para propor a ação rescisória:
· Quem foi parte no processo ou seusucessor a título universal ou singular;
· O terceiro juridicamente interessado;
· O Ministério Público:
· Caso não seja ouvido no processo em que lhe eraobrigatória a intervenção;
· Quando a decisão rescindenda é o efeito desimulação ou de colusão das partes, a fim de fraudar a lei;
· Em outros casos em que se imponha sua atuação;
· Aquele que não foi ouvido no processo em que lhe era obrigatória a intervenção (art. 967 do CPC).
Sobre a competência para propor a ação rescisória:
· Último Grau de Jurisdição: A competência é definida pela última instância que se pronunciou sobre o mérito da causa, mesmo que o recurso não tenha abordado todas as questões.
· STJ/STF: Se houve recurso especial ou extraordinário conhecido e com mérito julgado, o STJ ou STF será o competente, respectivamente.
· Competência Interna: Definida pelo regimento interno do próprio tribunal, geralmente grupos de câmaras ou seções especializadas.
· Súmula 515/STF: A competência para a ação rescisória não é do Supremo Tribunal Federal, quando a questão federal, apreciada no recurso extraordinário, for diversa da que foi suscitada no pedido rescisório.
Sobre a petição inicia da ação rescisória:
· O autor deve, além de observar os requisitos essenciais do art. 319 do CPC, cumular ao pedido de rescisão, se for o caso, o pedido de novo julgamento do processo (art. 968, I, do CPC). O trecho “se for o caso” fixado tem uma razão de ser: é que nem sempre o autor irá requerer o rejulgamento do processo. Nessas hipóteses, há tão somente o juízo rescindente (apreciação do pedido de desconstituição da coisa julgada), não se avançando para o juízo rescisório (rejulgamento da causa).
· Exemplos:
· Exemplo 1: Quando a decisão rescindenda é proferida por juízo absolutamente incompetente, é possível que o órgão responsável pelo juízo rescindente não seja competente para o juízo rescisório, motivo pelo qual não deve rejulgar o caso sob pena do mesmo vício ocorrer novamente.
· Exemplo 2: Quando a decisão rescindenda ofende coisa julgada, não há razão para se requerer novo julgamento, pois o pedido da rescisória objetiva apenas a preservação da coisa julgada que foi violada, não havendo, portanto, o que se julgar.
· Na petição inicial da rescisória, ainda, deve o autor também depositar a importância de 5% sobre o valor da causa, que se converterá em multa caso a ação seja, por unanimidade de votos, declarada inadmissível ou improcedente (art. 968, II, do CPC). Não pode, contudo, o referido depósito ser superior a mil salários-mínimos (art. 968, §2º do CPC). Além disso, estão isentos de realizar o depósito prévio os estados, o Distrito Federal, os municípios às suas respectivas autarquias e fundações de direito público, o Ministério Público, a Defensoria Pública e os que tenham obtido o benefício de gratuidade da justiça (art. 968, §1º do CPC). A isenção no depósito prévio, no entanto, não os isenta de pagamento de multa caso a ação, por qualquer um deles ajuizada, seja declarada, por unanimidade, inadmissível ou improcedente.
· O indeferimento da petição inicial da rescisória pode ocorrer com fundamento no art. 330, do CPC, ou caso não efetuado o depósito mencionado no art. 966, II, do CPC (art. 968, §3º, do CPC). A referida ação, vale dizer também, está sujeita igualmente às hipóteses de improcedência liminar do pedido previstas, no art. 332, do CPC (art. 968, §4º, do CPC).
· A propositura da ação rescisória não impede o cumprimento da decisão rescindenda, ressalvada a concessão de tutela provisória (art. 969 do CPC). Em regra, a decisão rescindenda não é suspensa quando ajuizada a ação rescisória, contudo, é possível que o autor da rescisória formule pedido de tutela provisória – disciplinada nos arts. 294 a 311 do CPC – para impedir o cumprimento da referida decisão.
Sobre o Procedimento:
· Após o juízo de admissibilidade da inicial, o relator ordenará a citação do réu, designando-lhe prazo de 15 a 30 dias úteis para apresentar contestação (primeira parte do art. 970 do CPC). Na contestação, caso respeitado o prazo decadencial de dois anos e feito o depósito prévio de 5% do valor da causa, previsto no art. 968, II, do CPC, poderá o réu também propor reconvenção, bem como, na mesma oportunidade, apresentar eventual impugnação ao valor da causa e impugnação aos benefícios de assistência judiciária, se tiver sido concedida liminarmente como matéria preliminar de contestação.
· Apresentada ou não a contestação – e o restante mencionado –, a ação rescisória seguirá o procedimento comum no que couber (segunda parte do art. 970 do CPC). Utiliza-se a expressão “no que couber”, pois a rescisória possui certas particularidades que a impedem de seguir rigorosamente o procedimento comum, a exemplo da inexistência de audiência de conciliação nessas demandas, por ser a desconstituição de decisão de mérito transitada em julgado matéria não sujeita a autocomposição.
· Após a fase instrutória, há o julgamento da ação rescisória. Em princípio, ele se decompõe em três etapas:
· Juízo de admissibilidade 
· Juízo rescindente (apreciação do pedido de desconstituição da coisa julgada): só ocorrerá se o juízo de admissibilidade decidir pela admissão da ação, assim como somente haverá juízo rescisório se, no juízo rescindente, a coisa julgada for desconstituída.
· Juízo rescisório (rejulgamento da causa): a regra do art. 968 do CPC se mantém; nem sempre tal juízo ocorrerá, conforme já analisado.
· Julgado procedente o pedido rescindente, o tribunal, se for o caso, rejulgará a causa e determinará a restituição do depósito a que se refere o inciso II do art. 968, condenando o réu, ademais, nos honorários de sucumbência (art. 974 do CPC). Por outro lado, se o pedido rescindente for julgado improcedente ou inadmissível por unanimidade, o tribunal deverá determinar a reversão, em favor do réu, da importância do depósito, sem prejuízo de condenar o autor às verbas de sucumbência (parágrafo único do art. 974).
Sobreo Prazo:
· O art. 975 estabelece que a ação rescisória deverá ser proposta em dois anos contados do trânsito em julgado da última decisão proferida no processo. Segundo o dispositivo legal, o prazo decadencial tem início a partir do trânsito em julgado da última decisão proferida no processo e não da decisão rescidenda.
· Em relação à contagem de prazo, determina o §1º do art. 975 que, caso o prazo decadencial de dois anos se encerre durante férias forenses, recesso, feriados ou em dia que não houver expediente forense, ele será prorrogado para o primeiro dia útil subsequente.
· Na hipótese de a rescisória fundar-se em prova nova, o termo inicial de dois anos será o da data de descoberta da referida prova, observado o prazo limite de cinco anos, contado do trânsito em julgado da última decisão proferida no processo (art. 975, §2º do CPC).
· Há, ainda, uma última exceção prevista pelo legislador em relação ao caput do art. 975 do CPC. Nos termos do §3º do art. 975, na ação rescisória fundada em simulação ou colusão das partes, o prazo de dois anos começa a contar, para o terceiro prejudicado com aquele ato e para o Ministério Público que não interveio no processo, do momento da ciência da simulação ou da colusão.

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