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FUNDAMENTOS III AULA 2
28 pág.

Trabalho Social Humanas / SociaisHumanas / Sociais

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## Resumo sobre a Intenção de Ruptura, Ditadura e Serviço Social no BrasilO texto aborda a construção histórica e teórica da chamada "intenção de ruptura" no Serviço Social brasileiro, especialmente a partir da década de 1960, período marcado pela ditadura militar e pelo aprofundamento das contradições sociais no país. Dois momentos fundamentais são destacados para a consolidação desse projeto crítico e alternativo ao tradicionalismo profissional: o trabalho do grupo de Belo Horizonte e a reflexão teórico-crítica de Iamamoto. Ambos representam marcos na elaboração de uma perspectiva que rompe com a neutralidade e o conservadorismo do Serviço Social tradicional, propondo uma atuação profissional comprometida com a transformação social e a análise crítica da realidade brasileira.### O Grupo de Belo Horizonte: Crítica ao Serviço Social Tradicional e Proposta AlternativaO grupo de Belo Horizonte formulou uma crítica contundente ao Serviço Social tradicional, que consideravam marcado por três tipos de reservas problemáticas: ideopolíticas, teórico-metodológicas e operativas-funcionais. Na dimensão ideopolítica, denunciavam a falsa neutralidade do Serviço Social tradicional, que na prática defendia interesses conservadores e da ordem burguesa. No plano teórico-metodológico, criticavam a visão fragmentada e abstrata da realidade social, que separava sujeito e objeto, sociedade e indivíduos, impedindo uma compreensão global e dialética dos fenômenos sociais. Por fim, na esfera operativa, apontavam que o tradicionalismo limitava-se a corrigir disfunções e desajustes sociais, sem questionar as causas estruturais dos problemas.A equipe belo-horizontina propôs, então, um Serviço Social comprometido com a "ação social da classe oprimida", definindo como objetivo-meta a transformação da sociedade e do homem, e como objetivos-meios a conscientização, capacitação e organização dessa classe. Contudo, essa proposta inicial apresentava limitações teóricas, como a ausência de uma definição clara do padrão social a ser substituído e a falta de uma projeção socialista explícita. Além disso, a relação entre teoria e prática era entendida de forma que a teoria deveria ser um conhecimento do mundo derivado da prática, e o método profissional era visto simultaneamente como instrumento de conhecimento e transformação social. O método Belo Horizonte, estruturado em sete momentos, foi testado em Itabira, demonstrando a importância da articulação entre técnicas e estratégia interventiva, bem como a necessidade de um espírito crítico constante.Entretanto, o experimento revelou dificuldades, especialmente a defasagem entre as referências teóricas e as condições concretas da intervenção, evidenciando um empirismo pragmático que limitava a profundidade da análise e da ação. A equipe reconheceu a necessidade de uma renovação teórica que incorporasse uma análise mais concreta e atualizada da realidade brasileira, superando o caráter fragmentário e pragmático da proposta inicial. Em resposta, foi sugerida uma reestruturação da formação profissional, baseada em três elementos nucleares: referência à realidade, criatividade e globalização. Essa formação deveria articular teoria, prática e investigação em unidades de aprendizagem integradas em projetos semestrais, visando formar profissionais com competências políticas, teóricas e interventivas, capazes de analisar a sociedade como campo de forças contraditórias, acumular conhecimento crítico e atuar eficazmente na prática profissional.### A Reflexão de Iamamoto: Resgate da Inspiração Marxiana e Análise Crítica do Serviço SocialA reflexão de Iamamoto representa um avanço teórico fundamental para o projeto de ruptura no Serviço Social brasileiro, ao incorporar a tradição marxiana clássica para compreender a profissão em seu contexto social e histórico. Iamamoto analisa o Serviço Social como uma instituição inserida na reprodução das relações sociais capitalistas, destacando que a profissão só pode ser plenamente compreendida em sua relação com a divisão social do trabalho e o aprofundamento do capitalismo no Brasil. Sua análise se desenvolve em dois níveis: a instituição profissional no conjunto das relações sociais da ordem burguesa e sua especificidade na formação social brasileira.Iamamoto critica duas abordagens críticas superficiais: o sociologismo vulgar, que reduz o Serviço Social a um instrumento de poder político, e o voluntarismo, que idealiza o assistente social como agente transformador sem reconhecer as limitações estruturais da prática profissional. Sua base teórica repousa na concepção marxiana da produção social como relação social entre pessoas e classes, onde o capital e o trabalho assalariado são unidades dialéticas que se expressam e se negam mutuamente. A constituição das classes sociais está imanente à produção social, e a historicidade do sistema capitalista é inerente às suas relações sociais, que se reproduzem em meio a contradições e antagonismos.No entanto, apesar do rigor teórico e da originalidade da análise, Iamamoto não consegue aprofundar completamente as múltiplas segmentações e complexidades da divisão social do trabalho na ordem burguesa consolidada e tardia, especialmente no que tange às novas formas de trabalho coletivo e suas implicações para o Serviço Social. Sua análise da divisão social do trabalho, embora correta e necessária, permanece insuficiente para abarcar as sutilezas e dinâmicas contemporâneas do capitalismo, o que limita a compreensão do espaço social e profissional do Serviço Social na atualidade.### Implicações e ConclusõesO conjunto das proposições do grupo de Belo Horizonte e da reflexão de Iamamoto marca um ponto de inflexão na história do Serviço Social brasileiro, ao consolidar um projeto de ruptura com o tradicionalismo e propor uma atuação profissional crítica, politizada e comprometida com a transformação social. A crítica ao Serviço Social tradicional revela a necessidade de superar a neutralidade aparente e a fragmentação teórica, incorporando uma análise dialética da realidade social e uma intervenção orientada pela consciência de classe e pela luta contra a opressão.A experiência prática e metodológica do grupo de Belo Horizonte, embora pioneira e inovadora, evidenciou a necessidade de aprofundamento teórico e de uma formação profissional que articule teoria, prática e investigação de forma integrada e crítica. A proposta de reestruturação da formação profissional, com ênfase na globalização do conhecimento e na articulação entre elementos políticos, teóricos e interventivos, aponta para a construção de um agente social capaz de enfrentar os desafios da realidade brasileira e do capitalismo contemporâneo.Por sua vez, a reflexão de Iamamoto, ao resgatar a tradição marxiana e analisar o Serviço Social como parte da reprodução das relações sociais capitalistas, oferece um referencial teórico sólido para compreender as limitações e possibilidades da profissão. Contudo, a necessidade de aprofundar a análise das novas segmentações do trabalho e das complexidades sociais contemporâneas permanece um desafio para o desenvolvimento teórico e prático do Serviço Social no Brasil.### Destaques- O grupo de Belo Horizonte formulou uma crítica radical ao Serviço Social tradicional, propondo um projeto de ruptura baseado na ação social da classe oprimida e na transformação social.- A experiência metodológica do grupo evidenciou a importância da articulação entre teoria e prática, mas também revelou limitações teóricas e a necessidade de renovação crítica.- A formação profissional proposta enfatiza competências políticas, teóricas e interventivas, articuladas em unidades de aprendizagem integradas em projetos semestrais.- Iamamoto resgatou a tradição marxiana para analisar o Serviço Social como instituição inserida na reprodução das relações sociais capitalistas, criticando abordagens superficiais e voluntaristas.- Apesar do rigor teórico, a análise de Iamamoto não aprofundou completamente as novas segmentações do trabalho e as complexidadesda ordem burguesa tardia, indicando desafios para o desenvolvimento futuro da profissão.

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