Prévia do material em texto
1. 2. 3. 4. RESUMÃO CONFERÊNCIA M1 → AULA 1 Artrite Reumatoide (AR) 1) Definição Doença inflamatória crônica, autoimune, sistêmica e progressiva. Afeta principalmente articulações → poliartrite simétrica. Pode levar a destruição articular, deformidades e manifestações extra-articulares 2) Epidemiologia Prevalência: 0,5–1% da população mundial. Sexo: mais comum em mulheres (3:1). Idade: qualquer idade, mas pico entre 40–60 anos. Curso crônico: sem tratamento → incapacidade funcional em até 10 anos 3) Fatores de Risco Genéticos: HLA-DR4, HLA-DR1, histórico familiar. Ambientais: tabagismo (mais importante), poluentes (sílica, pesticidas), infecções virais. Hormonais: mais comum em mulheres; melhora na gestação, piora no pós-parto. Metabólicos/microbiota: alterações no microbioma intestinal associadas 4) Fisiopatologia Ativação autoimune: linfócitos T e B ativam macrófagos e fibroblastos sinoviais. Autoanticorpos: fator reumatoide (FR) e anti-CCP (altamente específico). Citocinas: TNF-α, IL-1, IL-6 → mantêm inflamação crônica. Pannus: tecido sinovial hiperplásico → erosão óssea e destruição articular → Progressão: Inflamação inicial → sinovite. Angiogênese e hipertrofia sinovial. Destruição de cartilagem e osso. Deformidades irreversíveis 5) Manifestações Clínicas A. Articulares Poliartrite simétrica (mãos, punhos, pés, joelhos). Rigidez matinal > 1h (melhora com atividade). Edema, dor, calor articular. Deformidades típicas: Pescoço de cisne: hiperextensão PIP + flexão DIP. Dedo em botoeira (boutonnière): flexão PIP + hiperextensão DIP. Desvio ulnar: dedos desviam para ulna. Pés: subluxação MTF → dedos em garra, pé plano B. Sistêmicas Pele: nódulos reumatoides, vasculite. Pulmão: fibrose intersticial, derrame pleural, nódulos. Coração: pericardite, aterosclerose precoce. Olhos: síndrome de Sjögren, episclerite, esclerite. Hematológicas: síndrome de Felty (AR + esplenomegalia + neutropenia), anemia da doença crônica 6) Diagnóstico → Critérios ACR/EULAR 2010 Pontuação de 0 a 10; ≥6 = AR definitiva. Diagnóstico precoce → evita deformidades → Diagnóstico Diferencial Osteoartrite (assimétrica, pouco inflamatória). Lúpus (ANA alto). Espondiloartrites (sacroilíacas, sem FR/anti-CCP) 7) Exames Laboratoriais: FR positivo em 70–80%, mas não específico. Anti-CCP: alta especificidade (~95%), indica doença agressiva. PCR, VHS elevados. Hemograma: anemia da inflamação crônica, neutropenia na síndrome de Felty Imagem: Rx mãos/pés: osteopenia periarticular, erosões ósseas marginais, anquilose. USG com Doppler: detecta sinovite precoce. RM: identifica erosões precoces 1. 2. 3. 8) Tratamento → Objetivos Controlar inflamação/dor. Prevenir destruição articular. Manter função e qualidade de vida → Abordagem Sintomáticos: AINEs → alívio da dor. Corticoides → crises agudas. 1ª linha – DMARDs sintéticos convencionais: Metotrexato (droga de escolha, início precoce). 2ª linha – Biológicos/alvo específico (falha ao MTX): Anti-TNF (adalimumabe, infliximabe, etanercepte). Anti-IL-6 (tocilizumabe). Anti-CD20 (rituximabe). Inibidores JAK (tofacitinibe, baricitinibe) → Monitorização Hemograma, função hepática/renal. PCR e VHS. Radiografias periódicas 9) Reabilitação e Estilo de Vida Fisioterapia: exercícios de baixo impacto (hidroterapia, caminhada), alongamentos, fortalecimento, órteses. Estilo de vida: parar tabagismo, dieta balanceada, controle de peso. Vacinação: gripe, pneumococo, hepatite B (imunossuprimidos) → AULA 2 Espondilite Anquilosante (EA) 1) Definição Doença inflamatória crônica do espectro das espondiloartrites, com predileção pelo esqueleto axial (sacroilíacas e coluna), que pode evoluir com rigidez e anquilose (ossificação e fusão) e trazer limitações funcionais. Hoje falamos em espondiloartrite axial (axSpA), que inclui EA radiográfica (clássica, com sacroileíte no Rx) e axSpA não-radiográfica (achados inflamatórios sem alteração radiográfica; RM sensível). 1. 2. 3. 2) Epidemiologia Começa tipicamente em adultos jovens, pico em 20–30 anos; maior frequência em homens; forte associação com HLA-B27. Dor lombar inflamatória é a porta de entrada clínica mais comum e costuma preceder alterações radiográficas. 3) Fatores de risco e bases imunogenéticas Genética: associação robusta com HLA-B27 (mecanismos propostos incluem misfolding, apresentação antigênica peculiar e estresse do RE) Ambientais e imunes inatos/adaptativos contribuem para perpetuar a inflamação entesial/óssea. 4) Fisiopatologia (visão em camadas) Inflamação entesial (entesite) e sinovite em articulações sacroilíacas e coluna → dor e rigidez. Reparo/ossificação patológica (formação de sindesmófitos) → anquilose e perda de mobilidade. Eixo citocinas: TNF-α e IL-17 (via Th17) são drivers terapêuticos. 5) Quadro clínico A) Axial (típico) Dor lombar inflamatória (início insidiosodo Ministério da Saúde: prioriza AINEs; em refratariedade, anti-TNF; secukinumabe e certolizumabe foram incorporados a partir de 2017/2018; há atualização em consulta pública 2025 para axSpA. D) Estratégia “treat-to-target” Alvo = remissão ou baixa atividade (idealmente por ASDAS-CRP), com avaliação regular e otimização/rotação de mecanismo biológico conforme resposta e comorbidades. 10) Acompanhamento, prognóstico e educação do paciente Reavaliações periódicas com BASDAI/ASDAS e função (BASFI); vigilância de comorbidades e toxicidade medicamentosa; vacinação (influenza, pneumococo, hepatite B) antes/durante imunossupressão. Uveíte: educar para reconhecer olho vermelho doloroso + fotofobia → encaminhar urgente ao oftalmo. (Prevalência cumulativa ~20–30%). Prognóstico varia; controle adequado reduz dor/rigidez e retarda progressão. Início precoce do cuidado multidisciplinar = melhor função. 11) Dicas rápidas de prova e prática Inflamatória ≠ mecânica: melhora com exercício, piora repouso, rigidez matinal prolongada, início formação óssea. Com o tempo → osso fica poroso, fino e frágil. → Principais mecanismos: Déficit de estrogênio (pós-menopausa). Deficiência de cálcio/vitamina D. Alterações na via RANK/RANKL/OPG que regulam osteoclastos. 5) Quadro clínico A doença é silenciosa → não causa sintomas até ocorrer fratura. 1. Fraturas típicas: Vértebras → dor lombar aguda, perda de estatura, cifose dorsal (“corcunda de viúva”). Quadril → alto impacto funcional e risco de mortalidade. Punho (Colles). “Osteoporose só dá sintoma quando o osso quebra”. 6) Diagnóstico A) Método padrão-ouro Densitometria Óssea (DXA): avalia coluna lombar e quadril. Resultados expressos em T-score (comparação com adulto jovem saudável): Normal: T ≥ -1 Osteopenia: -2,5 1h, deformidades (pescoço de cisne, botoeira, desvio ulnar). Dor lombar que melhora com exercício, entesite (calcanhar), rigidez axial. Assintomática até a fratura. Extra-articulares Pele (nódulos), pulmão (fibrose), coração (pericardite), olhos (Sjogren). Uveíte, aortite, fibrose apical, associação com DII/psoríase. Não tem manifestações sistêmicas. Genética HLA-DR1/DR4. HLA-B27. Não aplicável. Exames laboratoriais FR (sensível), Anti- CCP (específico), PCR/VHS ↑. HLA-B27 (associado), PCR/VHS ↑. Ca, P, vitamina D (avaliar causas secundárias). Exames de imagem Rx → erosões, osteopenia periarticular. Rx/RM → sacroileíte, sindesmófitos, “coluna em bambu”. Densitometria óssea (DXA) → T-score ≤ -2,5. Tratamento DMARDs (metotrexato), biológicos (anti-TNF, anti-IL-6, anti-CD20, JAK), AINEs (1ª linha), se refratário → anti- TNF, anti-IL-17, JAK. Cálcio + Vit D, exercícios, bifosfonatos, denosumabe, teriparatida. AINEs/corticoides para sintomas. Complicações Deformidades irreversíveis, incapacidade funcional. Coluna rígida (anquilose), perda de mobilidade. Fraturas por fragilidade (quadril, coluna, punho).