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RESUMO HISTOLOGIA + PALESTRA DO ARTHUR - MAD 02 
 
Aula 01 - Malária 
 
Alterações histopatológicas em órgãos e tecidos, correlacionado com a patogênese da Malária 
 
A malária é uma doença infecciosa febril aguda, causada por protozoários do gênero Plasmodium [P. 
falciparum, P. vivax e P. malariae], transmitidos pela picada da fêmea infectada do mosquito Anopheles. 
É uma das principais endemias tropicais do mundo, especialmente em regiões como a Amazônia Legal 
brasileira, onde se concentra mais de 99% dos casos no Brasil. 
 
Ciclo biológico da malária: 
1) A fêmea do mosquito infectada pica o ser humano e injeta o protozoário na forma de esporozoíto na 
circulação sanguínea. 
2) Os esporozoítos seguem em direção ao fígado onde infectam os hepatócitos. 
3) Nos hepatócitos, os esporozoítos originaram os merozoítos, os quais rompem esse hepatócito e 
passam a infectar as hemácias. 
4) Cada hemácia é infectada por um merozoíto, que sofre modificações e se transforma em trofozoíto, 
que dá origem a novos merozoítos. 
5) Esses novos merozoítos rompem as hemácias e infectam outras. São importantes para a 
continuidade do ciclo, pois eles podem ser ingeridos por mosquitos ao picarem o doente. 
 
[ciclo esporogônico] As formas sexuadas (gametócitos) no sangue humano dão início ao ciclo sexuado 
no mosquito → produzem esporozoítos → esses vão para as glândulas salivares do mosquito → e só aí 
o ciclo está pronto para recomeçar, quando o mosquito infecta outro hospedeiro. 
 
Fase Hepática ou Exoeritrocítica (fase assexuada) 
A fase hepática (ou exoeritrocítica) do Plasmodium é a primeira etapa da infecção no ser humano, que 
acontece antes da fase sanguínea. 
O Plasmodium invade hepatócitos, se multiplica formando merozoítos e depois rompe o hepatócito para 
entrar no sangue. 
 
Lóbulo Hepático e espaço porta: 
 
/Gametócitos↑
EsPORozoitos - Merozoitos es Trofozoitos
 
Espaço porta: 
Tríade portal = ducto biliar, ramo da veia porta e ramo da artéria hepática. 
• A veia porta do fígado traz 70% a 80% do sangue total rico em nutrientes, toxinas e CO2 advindo do 
trato gastrointestinal, pâncreas e baço; 
• A artéria hepática traz sangue do tronco celíaco da aorta abdominal, fornece 25% de sangue 
oxigenado. 
• Ducto Biliar: epitélio cúbico ou cilíndrico simples. 
 
No caso de infecção, o parasita interage com a membrana do hepatócito, remodelando-a para criar um 
ambiente favorável ao seu desenvolvimento. O parasita aproveita ainda a capacidade do fígado de 
induzir tolerância para evitar ser eliminado, estabelecendo uma infecção produtiva. 
 
 
 
 
➡ Hepatócito Infectado (esquizontes) e macrófagos 
com pigmento malárico 
 
 
 
O pigmento malárico/hemozoína: derivado do 
metabolismo da hemoglobina pelo Plasmodium, 
aparece como grânulos escuros em células de Kupffer. 
É um sinal de infecção persistente ou intensa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quais as alterações histopatológicas no Fígado? 
● Necrose de hepatócitos: Morte das células do fígado, que pode ser focal ou difusa. 
● Congestão Sinusoidal: Dilatação dos sinusóides hepáticos, com acúmulo de sangue e células 
infectadas. 
● Infiltração células de Kupffer: Aumento número e atividade das células de Kupffer, responsáveis pela 
remoção de resíduos e patógenos do sangue. 
● Depósitos de hemozoína: Pigmento marrom escuro formado a partir da degradação da hemoglobina 
pelas formas assexuadas do parasita. 
● Inflamação do trato portal: Infiltração de células inflamatórias nos espaços portais, que contêm vasos 
sanguíneos e ductos biliares. 
● Proliferação do ducto biliar: Aumento do número de ductos biliares em resposta à inflamação. 
● Colestase: Diminuição ou obstrução do fluxo biliar, que pode levar à icterícia. 
● Lesões granulomatosas: Formação de pequenos nódulos inflamatórios em resposta à infecção. 
 
 
 
 
Fase eritrocítica 
Na fase eritrocítica, o Plasmodium invade hemácias, se multiplica, rompe essas células → causando os 
sintomas típicos da malária (febre, calafrios, anemia). Essa fase é cíclica, repetitiva e responsável pelas 
manifestações clínicas. 
As células de Kupffer e os macrófagos do baço fagocitam hemácias parasitadas, restos celulares e 
hemozoína. Esse processo ajuda no controle da infecção, mas também causa anemia, esplenomegalia 
e pigmentação dos órgãos. 
 
 
 
 
 
➡ Hemácia infectada 
 
 
 
 
 
 
HISTOLOGIA DO BAÇO 
 
Órgão abdominal, constituindo-se no maior acúmulo de tecido linfático do organismo. Tem função de 
defesa, produz anticorpos, forma linfócitos e faz hemocaterese (destruição dos eritrócitos). 
 
Histologia: Cápsula (tecido conectivo denso) emitindo trabéculas para dentro. 
• Polpa branca: Bainha linfóide periarterial [linfócitos T] e nódulos linfáticos [linfócitos B]. 
• Polpa vermelha: Cordões esplênicos (de Billroth) e capilares sinusóides. 
 
Malária e Esplenomegalia [aumento do baço] 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O baço remove glóbulos vermelhos infectados e danificados do sangue, ajudando a controlar a 
infecção. Ele contém células que reconhecem o parasita e desencadeiam uma resposta imune para 
combatê-lo. 
A esplenomegalia é comum da malária, principalmente infecções repetidas. 
Hiperplasia resulta da lentidão da circulação pelo baço, levando à proliferação de macrófagos e maior 
fagocitose das hemácias. 
A zona de células T na polpa branca se torna desorganizada, com células T espalhadas por todo o 
folículo de células B e polpa vermelha [migra para outros locais]. 
Em casos graves, pode haver ruptura do baço. 
 
CÉREBRO X MALÁRIA: obstrução capilar por eritrócitos parasitados [gera falta de O2 no cérebro]. 
 
 
Ocorre em cerca de 2% dos indivíduos 
Principais sintomas: forte cefaléia, hipertermia, vômitos e sonolência devido a falta de O2 por conta da 
obstrução do capilar; convulsões [em crianças]. 
O paciente evolui para um quadro de coma, com pupilas contraídas e alteração dos reflexos profundos.
 
 
Aula 02 - Doença de Chagas 
 
Alterações histopatológicas em órgãos e tecidos, correlacionado com a patogênese da Doença 
de Chagas 
Parasito: Trypanosoma cruzi 
Hospedeiros: triatomíneos (Insetos hematófagos conhecidos como barbeiros, chupança, bicudo, etc.), 
homem, mamíferos silvestres e domésticos. 
 
 
Transmissão 
- Pelo vetor: penetração dos tripomastigotas metacíclicos (presentes nas fezes ou urina dos 
triatomíneos) em solução de continuidade da pele ou mucosa íntegra; 
- Transmissão oral: alimentos ou bebidas contaminadas com o Trypanosoma cruzi 
- Transfusão sanguínea; transplante 
- Transmissão congênita 
- Acidentes de laboratório 
 
Formas Evolutivas 
 
A: amastigota, encontrada dentro das células [do hospedeiro 
vertebrado]; 
B: epimastigota, encontrada em dejeto de triatomíneo e meio de 
cultura (hospedeiro invertebrado); 
C: tripomastigota encontrada no sangue circulante e nas fezes 
de triatomíneo. 
 
Metacíclico → libera nos dejetos. 
 
 
 
AMASTIGOTA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
(infectante)
TRiPOMasTiGoTa EPiMastiGota
Metacíclica
com o estado imunológico do hospedeiro. 
Forma aguda sintomática geralmente é em criança. 
A evolução para a morte é rara nesta fase [exceto menores de 5 anos - mortalidade elevada]. 
A maioria dos casos agudos não são diagnosticados. 
Sinais e sintomas: São raros, mas quando tem, pode haver chagoma de inoculação [sinal de porta de 
entrada através da pele - tumoração cutânea, hiperemia, dor local] ou sinal de Romaña [edema 
bipalpebral e unilateral - marca o início da doença, 4-10 após inoculação]; Febre 39 a 40 °C (dura de 30 
a 40 dias); Cefaléia; Astenia; Poliadenite [aumento dos linfonodos]; Hepatoesplenomegalia. 
As manifestações sintomáticas da fase aguda geralmente desaparecem em 60 dias, mesmo se a 
infecção não for tratada com medicamentos. 
 
 
 
- Fase crônica: 
→ Indeterminado (latente, pré-clínica) - A mais frequente no Brasil. 
São considerados casos assintomáticos: Reações sorológicas ou xenodiagnósticio positivo; 
Eletrocardiograma normal; Esôfago e colón radiologicamente normais. 
Prognóstico favorável, baixa morbidade. 
Essa fase pode durar 10 - 30 anos (geralmente) ou mesmo para o resto da vida. 
Bom prognóstico. 
 
→ Determinada (clínica), subdividido em formas: cardíaca, digestiva (megaesôfago e / ou megacólon) e 
cardiodigestiva. 
● Cardíaca: manifestação mais grave e frequente; miocardiopatia inflamatória fibrosante - arrítmica, que 
leva à uma insuficiência cardíaca. Se manifesta como três síndromes = arritmia; insuficiência cardíaca; 
tromboembolismo (sistêmica e pulmonar). 
● Digestiva: alterações das funções motora, secretora e de absorção [esôfago e cólon] - megaesôfago e 
megacólon. 
Sintomas: disfagia, dor retroesternal, regurgitação, pirose, soluço e obstrução intestinal; 
 
MIOCARDITE CHAGÁSICA AGUDA 
• Intenso parasitismo – infecção chagásica 
• Destruição de células musculares cardíacas 
• Presença de infiltrado inflamatório mononuclear 
• Resposta imune humoral e/ou celular 
• Presença de infiltrado inflamatório polifocal mononuclear 
• Destruição de fibras miocárdicas 
• Áreas de fibrose 
• Contribui para insuficiência cardíaca e arritmias 
 
 
 
 
Resposta humoral: predomínio de linfócitos, produz anticorpo IgM. 
Resposta celular: produz interleucinas 10, 12, INF-y, monócito e linfócito. 
 
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL 
- Fase aguda: Gota espessa – alta sensibilidade; Esfregaço sanguíneo – alta especificidade. 
- Fase aguda e crônica: PCR [padrão ouro] 
- Fase crônica: Testes sorológicos – pesquisa de anticorpos (IgM e IgG) [Imunofluorescência indireta e 
ELISA]. 
 
 
Aula 03 - Esquistossomose 
 
Alterações histopatológicas em órgãos e tecidos, correlacionado com a patogênese da 
Esquistossomose 
 
Conhecido como: barriga d 'água, xistose, mal do caramujo. 
• Agente: Schistosoma mansoni 
• Hospedeiro Definitivo: homem 
• Hospedeiros Intermediários: caramujo Biomphalaria 
• Reservatórios: homem e roedores (ratos silvestres) 
 
O ovo do Schistosoma é encontrado no EPF. No meio externo o ovo sobrevive por 2 a 5 dias (fezes 
formadas). 
 
CICLO BIOLÓGICO 
Ovos são eliminados nas fezes humanas para a água doce. 
No ambiente aquático, o ovo eclode em miracídio, que procura e penetra o caramujo Biomphalaria. 
No caramujo: multiplicação assexuada (esporocistos) e produção de cercárias (forma larval infectante). 
As cercárias saem do caramujo para a água [vive 24 - 48h na água] e penetram a pele de pessoas 
expostas (banho, pesca, irrigação). 
Dentro do humano, transformam-se em esquistossômulos, migram via circulação até o sistema porta, 
amadurecem em vermes adultos (casal macho-fêmea). 
Fêmeas depositam ovos nas vênulas; parte migra para a luz intestinal e é eliminada nas fezes; parte 
fica retida em tecidos, iniciando a doença. 
 
Funções das formas morfológicas 
● Ovo: produzido pelos vermes adultos; contém o embrião (miracídio). Quando chega às fezes e ao 
ambiente aquático, eclode liberando o miracídio. Também é o principal responsável pela formação de 
granulomas e danos teciduais no fígado e intestino. 
● Miracídio: forma ciliada e móvel que nada em busca do caramujo Biomphalaria (hospedeiro 
intermediário). Sua função é penetrar no molusco e iniciar a fase assexuada. 
● Esporocisto (primário e secundário): formas assexuadas que se desenvolvem dentro do caramujo, 
multiplicando-se e originando as cercárias. Sua função é produção clonal de cercárias. 
● Cercária: forma infectante para o homem, liberada na água pelo caramujo. Possui cauda bifurcada que 
permite nado ativo. Sua função é penetrar ativamente pela pele humana. 
● Esquistossômulo: forma resultante da penetração da cercária na pele. Circula pela corrente 
sanguínea, passando pelos pulmões e chegando ao fígado, onde amadurece. 
● Vermes adultos (macho e fêmea): vivem nos vasos mesentéricos do hospedeiro humano. Sua função 
é acasalamento e produção de ovos, garantindo a continuidade do ciclo. 
 
Transmissão 
• Penetração ativa das cercárias na pele e mucosa; 
• Ingestão de água contaminada (morrem no intestino) MAS podem penetrar na mucosa oral; 
• Cercárias mais ativas entre 10h e 16h (temperatura adequada); 
• Valas de irrigação de horta, açudes, pequenos córregos. 
 
 
 
Patogenia 
Ligada a fatores como: cepa do parasito, carga parasitária, idade, estado nutricional, resposta imunitária 
da pessoa. 
Patogenia relacionada à morfologia do parasito: 
- Dermatite cercariana: penetração da cercária, sensação de comichão, erupção, eritema, vermelhidão, 
inchaço e dor; 
- Esquistossômulos: após penetração essa forma penetra nos pulmões, levando a febre, 
esplenomegalia,tosse, falta de ar); 
- Vermes adultos: espoliação do hospedeiro por alto metabolismo, faz ingestão de 2,5mg de ferro por 
dia e 1/5 do peso em glicose; 
- Ovos: causadores das grandes patogenias. Quando muitos ovos liberados podem causar hemorragias 
(rompimento da veia mesentérica), edema, reação granulomatosa, com necrose, infiltrado linfocitário, 
fibrose. 
 
AGUDA - fase pré-postural: Sintomas variados que ocorrem 10 a 35 dias após 
Podem ser assintomáticos ou apresentar mal estar com ou sem febre; tosse; dores musculares; 
desconforto abdominal – Hepatite aguda. Dura até 120 dias pós infecção; 
Grande disseminação de ovos levando à enterocolite, com formação de granulomas e necrose. 
Acompanha sudorese, calafrios, diarréia, emagrecimento, fenômenos alérgicos, cólica, aumento do 
baço e fígado, eosinofilia e aumento das transaminases [TGO e TGP]. 
Pode evoluir para cronicidade ou morte 
Lesão do fígado ocorre devido eliminação de antígenos dos ovos, levando a uma hipersensibilidade, 
que tipo I decresce na cronificação da doença, com modulação do sistema imune > diminui a 
sintomatologia; 
 
CRÔNICA – INTESTINAL 
• Paciente passa por períodos com sintomas e sem sintomas; 
• Diarréia com muco e sangue (passagem de vários ovos para as fezes); 
• Fibrose da alça sigmóide (diminuição do peristaltismo e constipação constante); 
• Dores abdominais; 
 
CRÔNICA – FÍGADO 
● Ovos do parasita induzem formação de granulomas no fígado. 
● O fígado torna-se aumentado e doloroso. 
● Os granulomas evoluem para fibrose hepática, com formação de saliências. 
● A fibrose causa obstrução da veia porta, gerando hipertensão portal. 
● O organismo forma varizes (circulação colateral) para compensar. 
● Ruptura das varizes pode levar a hemorragias graves e fatais. 
 
 
 
Esquistossomose hepática 
inflamação crônica 
granulomatosa 
- Cápsula fibrosa 
- Halo linfocitário 
 
 
 
 
 
 
 
Resposta imune (não focar muito nisso - acho que não cobrariam em LMF) 
Fase aguda – Th1 = IFN-γ; IL-2; IL-6; IL-10; IL-12; TNF-α. 
 
Quando as cercárias penetram na pele, ocorre reação inflamatória aguda: 
Imunidade inata: mastócitos, eosinófilos, neutrófilos e macrófagos liberam citocinas → reação alérgica 
com dermatite cercariana. 
Produção de IgE e IgG contra antígenos do parasita. 
 
Resposta adaptativa: 
Quando os vermes adultos se instalam nos vasos mesentéricos, a resposta passa a ser mais regulada, 
porqueo parasita consegue “mascarar” seus antígenos com proteínas do hospedeiro. 
O ponto central é a reação contra ovos retidos nos tecidos (principal causa da patologia). 
Resposta Th2 predominante → citocinas IL-4, IL-5, IL-13. 
Recrutamento de eosinófilos, mastócitos e ativação de células B produtoras de IgE. 
Formação de granulomas eosinofílicos ao redor dos ovos → tentativa de conter os antígenos liberados. 
 
Tratamento 
Oxamniquina ou Praziquantel. 
 
 
Aula 04 - Envenenamento - Prof. Arthur 
 
Envenenamento: penetração ou absorção de substância tóxica (veneno) no organismo [ingestão, 
inalação, inoculação ou contato cutâneo/mucoso] capaz de provocar alterações fisiológicas, bioquímicas 
e anatômicas que podem levar a manifestações clínicas leves, graves ou até ao óbito. 
Quando uma substância tóxica entra no organismo de forma intencional ou acidental. 
 
*A diferença entre remédio e veneno está na dose e na forma de uso.* 
 
Origem: Pode ser natural (animais peçonhentos, plantas tóxicas) ou artificial (produtos químicos, 
medicamentos, drogas). Exemplos: Picadas de cobra, ingestão de raticida [tentativa de autoextermínio]. 
 
Intoxicação: Estado clínico causado pela ação nociva de uma substância tóxica no organismo. É o 
resultado/consequência do envenenamento ou da exposição repetida ao tóxico. Exemplo: alguém 
bêbado e apresenta sinais clínicos está em intoxicação alcoólica. 
 
- Envenenamento por animais peçonhentos: conjunto de sinais e sintomas que resulta da inoculação 
ativa de veneno por animais que possuem glândulas de veneno e aparelho inoculador (presa, ferrão, 
aguilhão). Ex.: cobra, escorpião, aranha. 
Outros exemplos: 
Água: excesso pode levar a hiponatremia - edema cerebral, hipertensão intracraniana, convulsões e 
óbito. 
Sal de cozinha (NaCl): excesso pode causar HAS e insuficiência renal crônica. 
Álcool: excesso pode levar intoxicação alcoólica, cirrose hepática e levar a hipertensão portal, varizes 
esofágicas, hemorragia digestiva alta. 
AAS 100mg (aspirina): doses altas pode causa hemorragia e intoxicação metabólica. 
Paracetamol: excesso pode causar intoxicação hepática. 
AINEs: excesso pode causar insuficiência renal crônica. 
Diazepam: excesso pode causar depressão respiratória, sonolência profunda, coma e óbito. 
Insulina: excesso pode levar a hipoglicemia grave, convulsões, coma e óbito. 
Prednisona: excesso e interrupção abrupta pode levar a insuficiência da adrenal (suprarrenal). 
 
*Não existe substância totalmente segura ou totalmente venenosa, depende da quantidade, frequência 
e do contexto. 
 
Animais venenosos tem veneno mas não injetam ativamente. 
 
Vias de entrada de veneno: 
● Ingestão: alimentos contaminados, medicamentos em excesso, plantas tóxicas. 
● Inalação: fumaça, gases, solventes. 
● Inoculação: picadas/mordidas de animais peçonhentos. 
● Contato cutâneo/mucoso: produto químico, agrotóxicos. 
 
Principais causas de envenenamentos: animais peçonhentos, plantas tóxicas [comigo-ninguém pode, 
mamona, espirradeira], produtos químicos domésticos; medicamentos, drogas e álcool. 
 
 
Manifestações clínicas do envenenamento: Náusea, vômito, dor abdominal, alterações neurológicas 
(tontura, convulsão, sonolência, coma), alterações respiratórias (falta de ar, broncoespasmo, depressão 
respiratória), alterações cardíacas (taquicardia, arritmias cardíacas, hipotensão arterial), reações locais 
(dor, inchaço, necrose em picadas). 
 
CONDUTA 
● Manter a calma e acionar o socorro 
● Tentar identificar a substância / animal envolvido, levar rótulo do produto ou o animal (se possível em 
segurança) para identificação no hospital 
● Não provocar vômito. 
● Não dar nada via oral. 
● Em picadas: manter membros elevados e imóveis; procurar hospital imediatamente. 
 
Prevenção: 
● Guardar medicamento e produtos químicos fora do alcance de crianças. 
● EPIs no trabalho 
● Evitar contato com animais desconhecidos 
● Conhecer plantas tóxicas comuns e evitar consumos 
 
Soro antiofídicos 
Preparações imunobiológicas a partir do plasma de animais hiperimunizados com pequenas 
quantidades de veneno de serpentes. Contêm anticorpos específicos capazes de neutralizar o veneno 
no organismo humano. 
 
Imunidade e Envenenamento 
1) Imunidade e antígenos no envenenamento 
Toxinas presentes nos venenos (enzimas, proteínas, peptídeos) funcionam como antígenos. 
O sistema imune reconhece essas moléculas como estranhas, desencadeando resposta imune inata e 
adaptativa. 
Podem gerar: Reações locais: inflamação, dor, necrose, choque anafilático, alterações 
neuromusculares, coagulopatias. 
 
2) Participação das proteínas do MHC 
O MHC (Complexo Principal de Histocompatibilidade) é fundamental para apresentar fragmentos de 
toxinas às células T. Ele "mostra" pedaços do antígeno (peptídeos derivados das toxinas) na superfície 
celular → ativando linfócitos T. 
- MHC Classe I: Apresenta antígenos endógenos (vindos do próprio interior da célula, como proteínas 
virais ou toxinas internalizadas). Ativa linfócitos T CD8+ (citotóxicos) → destroem células alteradas. 
- MHC Classe II: Restrito aAPCs [macrófagos, células dendríticas, linfócitos B]. Apresenta antígenos 
exógenos (moléculas de veneno fagocitadas e processadas). Ativa linfócitos T CD4+ (auxiliares) → 
secretam citocinas, ativam macrófagos e estimulam linfócitos B a produzir anticorpos (anti-veneno 
natural). 
 
3) Vias de processamento antigênico 
Via endógena (MHC I): proteínas do veneno que entram na célula → degradadas no proteassoma → 
apresentadas no MHC I → ativam CD8+. 
Via exógena (MHC II): toxinas do veneno fagocitadas por APCs → degradadas nos lisossomos → 
apresentadas no MHC II → ativam CD4+. 
 
 
O organismo pode neutralizar parte das toxinas com anticorpos, mas geralmente a quantidade é 
insuficiente frente à alta potência do veneno. Isso explica porque, em acidentes graves, é necessário o 
uso de soro antiveneno (anticorpos prontos produzidos em animais hiperimunizados). O soro funciona 
como uma imunidade passiva, ajudando o sistema imune do paciente a neutralizar rapidamente as 
toxinas. 
 
Todos os acidentes ofídicos com sinais clínicos de envenenamento (dor local intensa, necrose, 
alterações de coagulação, neurotoxicidade, rabdomiólise).

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