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1 2 DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 3 SUMÁRIO DIREITO DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DO JOVEM .............................................................................. 4 REVISÃO DA DOUTRINA (RESUMO + QUESTÕES) ............................................................................................ 5 1. NORMAS DE PROTEÇÃO AO TRABALHADOR ADOLESCENTE ...................................................................... 5 1.1. Idade mínima para trabalhar e atividades restritas ............................................................................. 5 1.2. Piores formas de trabalho infantil ........................................................................................................ 6 1.3. Trabalho infantil artístico ..................................................................................................................... 8 1.4. Principais disposições do ECA acerca da proteção do trabalho da criança e do adolescente ............. 9 1.5. Jornada de trabalho do adolescente .................................................................................................. 14 1.6. Papel dos representantes legais do adolescente ............................................................................... 16 1.7. Férias do adolescente ......................................................................................................................... 16 1.8. Do salário ............................................................................................................................................ 16 1.9. Da prescrição ...................................................................................................................................... 17 1.10. Meio ambiente de trabalho .............................................................................................................. 17 2. APRENDIZAGEM ........................................................................................................................................ 17 2.1. Contrato especial de trabalho ............................................................................................................ 20 2.2. Duração do contrato de aprendizagem .............................................................................................. 22 2.3 Super Card – Contrato de Aprendizagem ............................................................................................ 23 2.4. Estagiário ............................................................................................................................................ 24 Mapa Mental - Partes no contrato de estágio .......................................................................................... 27 QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................. 29 DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 4 DIREITO DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DO JOVEM TEMAS DO DIA DIREITO DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DO JOVEM Normas de proteção ao trabalhador adolescente. Limites à contratação. Estágio e aprendizagem: conceitos, distinções e características. Direitos do estagiário e do aprendiz. Requisitos para a adoção válida DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 5 dos regimes de estágio e de aprendizagem. Extinção do contrato de aprendizagem. Proteção ao trabalhador adolescente com deficiência. REVISÃO DA DOUTRINA (RESUMO + QUESTÕES) 1. NORMAS DE PROTEÇÃO AO TRABALHADOR ADOLESCENTE Proteção do trabalho da criança e do adolescente: A criança e o adolescente possuem o direito à proteção integral e prioridade absoluta com respeito aos seus direitos fundamentais com destaco ao direito à profissionalização: Art. 227 da CF/88. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Normas protetivas: A Constituição Federal e a CLT apresentam normas que estabelecem medidas de proteção ao trabalho da criança e do adolescente para se assegurar o desenvolvimento físico, mental e social (CORREIA, 2021) 1.1. Idade mínima para trabalhar e atividades restritas Idade para trabalhar: é admitido o trabalho a partir dos 16 anos apenas, com exceção da aprendizagem que poderá ser desenvolvida a partir dos 14 anos. Restrições de atividades: ainda que permitido o trabalho aos 16 anos, há atividades que não podem ser desenvolvidas pelos adolescentes: trabalhos noturnos, perigosos ou insalubres. Art. 7º da CF/88. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XXX – proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil; DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 6 XXXIII – proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito anos e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos. Para o empregado doméstico, a Lei Complementar nº 150/2015 determinou a idade mínima de 18 anos: Art. 1º, Parágrafo único, LC 150/2015: É vedada a contratação de menor de 18 (dezoito) anos para desempenho de trabalho doméstico, de acordo com a Convenção nº 182, de 1999, da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e com o Decreto nº 6.481, de 12 de junho de 2008. IMPORTANTE Emancipação (Posição da doutrina): “Essa proteção, no tocante às atividades prejudiciais à saúde, ocorre em razão do estágio de desenvolvimento em que se encontra o adolescente. Assim sendo, mesmo que ele seja emancipado pelo casamento, por exemplo, persiste a proibição de prestar serviços em atividades insalubres, perigosas e em horário noturno.” (CORREIA, 2021) Profissões com idade diferenciada: é importante ressaltar a existência de legislação que estabelece idades diferenciadas daquelas previstas na CF/88 e somente serão válidas quando ampliarem o patamar mínimo estabelecido no texto constitucional: 1) Vigilante: 21 anos (art. 16, II, Lei nº 7.102/1983); 2) Mãe social: 25 anos (art. 9º, a, Lei nº 7.644/1987); 3) Peão de rodeio: 21 anos (art. 4º, “caput”, Lei 10.220/2011) – para contratação de maiores de 16 e menores de 21 anos, exige-se assentimento do responsável legal; 4) Motoboys: 21 anos (art. 2º da Lei nº 12.009/2009); 5) Minas de subsolo: 21 anos (art. 301 da CLT). 1.2. Piores formas de trabalho infantil Convenção nº 182 da OIT: O Brasil ratificou a Convenção 182 da OIT que visa à eliminação das piores formas de trabalho infantil, em caráter de urgência. Decreto nº 6.481/2008: estabelece a Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (Lista TIP), que contém a classificação das atividades, locais e trabalhos prejudiciais à saúde, à segurança e à moral dos menores. É DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 7 uma lista com diversas atividades proibidas para crianças e adolescentes. O trabalho doméstico está presente nessa lista. Formas de integração de piores formas de trabalho infantil: o art. 4º do Decreto estabelece critérios de atividades que também configuram piores formas de trabalho infantil: Art. 4º, Decreto nº 6.481/2008: Parafins de aplicação das alíneas a, b e c do artigo 3º da Convenção nº 182, da OIT, integram as piores formas de trabalho infantil: I – todas as formas de escravidão ou práticas análogas, tais como venda ou tráfico, cativeiro ou sujeição por dívida, servidão, trabalho forçado ou obrigatório; II – a utilização, demanda, oferta, tráfico ou aliciamento para fins de exploração sexual comercial, produção de pornografia ou atuações pornográficas; III – a utilização, recrutamento e oferta de adolescente para outras atividades ilícitas, particularmente para a produção e tráfico de drogas; e IV – o recrutamento forçado ou compulsório de adolescente para ser utilizado em conflitos armados. Proibição para o trabalho elidida: De acordo com o art. 2º do Decreto nº 6.481/2009, a proibição prevista na Lista TIP pode ser elidida em duas situações: a) Autorização do Ministério do Trabalho após consulta às organizações de empregadores e de trabalhadores interessados, desde que se assegure condições plenas de saúde, segurança e moral dos adolescentes; b) Parecer técnico circunstanciado elaborado por profissional legalmente habilitado em segurança e saúde do trabalho que ateste a não exposição a riscos que comprometam a saúde, segurança e moral dos adolescentes, depositado no Ministério do Trabalho: Art. 2º do Decreto nº 6.481/2009: Fica proibido o trabalho do menor de dezoito anos nas atividades descritas na Lista TIP, salvo nas hipóteses previstas neste decreto. § 1º. A proibição prevista no caput poderá ser elidida: I – na hipótese de ser o emprego ou trabalho, a partir da idade de dezesseis anos, autorizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, após consulta às organizações de DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 8 empregadores e de trabalhadores interessadas, desde que fiquem plenamente garantidas a saúde, a segurança e a moral dos adolescentes; e II – na hipótese de aceitação de parecer técnico circunstanciado, assinado por profissional legalmente habilitado em segurança e saúde no trabalho, que ateste a não exposição a riscos que possam comprometer a saúde, a segurança e a moral dos adolescentes, depositado na unidade descentralizada do Ministério do Trabalho e Emprego da circunscrição onde ocorrerem as referidas atividades. Previsão de trabalhos prejudiciais na CLT: o art. 405, § 3º, da CLT traça um rol de locais que são prejudiciais à moralidade do adolescente: Art. 405, § 3º, da CLT Considera-se prejudicial à moralidade do menor o trabalho: a) prestado de qualquer modo, em teatros de revista, cinemas, buates, cassinos, cabarés, dancings e estabelecimentos análogos; b) em emprêsas circenses, em funções de acróbata, saltimbanco, ginasta e outras semelhantes; c) de produção, composição, entrega ou venda de escritos, impressos, cartazes, desenhos, gravuras, pinturas, emblemas, imagens e quaisquer outros objetos que possam, a juízo da autoridade competente, prejudicar sua formação moral; d) consistente na venda, a varejo, de bebidas alcoólicas. Posição doutrinária: “entendemos que a previsão contida no art. 405 da CLT, no sentido de que seria possível a autorização judicial para o trabalho realizado em ruas, praças e demais logradouros públicos, não foi recepcionada pela Constituição Federal/1988, o que é corroborado pelo Decreto nº 6.481/2009, que inseriu tais atividades na Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (Lista TIP).” (CORREIA, 2021) 1.3. Trabalho infantil artístico É permitido o trabalho infantil artístico para crianças e adolescentes com menos de 14 anos? Somente será admitido com autorização judicial desde que não haja nenhum prejuízo ao desenvolvimento da criança e do adolescente nos termos do art. 8º da Convenção nº 138 da OIT, ratificada pelo Brasil: Art. 8º — 1. A autoridade competente, após consulta com as organizações de empregadores de trabalhadores concernentes, se as houver, poderá, mediante licenças concedidas em casos individuais, permitir exceções para a proibição de emprego ou trabalho provida no Artigo 2º desta Convenção, para finalidades como DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 9 a participação em representações artísticas. 2. Licenças dessa natureza limitarão o número de horas de duração do emprego ou trabalho e estabelecerão as condições em que é permitido. Ausência de autorização judicial: configura hipótese de trabalho proibido e enseja o encerramento das atividades, o pagamento das verbas trabalhistas e a aplicação de multa pela fiscalização do trabalho. Requisitos para a autorização do trabalho artístico (CORREIA, 2021): 1) Anotação da CTPS; 2) Realização de exames admissionais e periódicos para que se avalie o estado de saúde do menor e comprovação de continuidade das atividades escolares; 3) Ao menos 50% da remuneração deve ser depositada em caderneta de poupança de banco oficial, que só poderá ser movimentada quando o menor completar 18 anos, ou antes dos 18 anos mediante análise pelo Ministério Público do Trabalho e autorização por alvará judicial. Órgão competente para a autorização do trabalho de crianças e dos adolescentes: Havia grande discussão acerca do órgão judicial competente para a autorização do trabalho de crianças e adolescentes. O tema foi pacificado pelo STF na ADI nº 5.326/DF. O Ministro Marco Aurélio Mello, em medida liminar, suspendeu a eficácia de recomendações que previam a competência da Justiça do Trabalho para autorização do trabalho do menor em atividades artísticas. Após apreciar a ADI, o Tribunal, por maioria, decidiu que é competência da Justiça Comum apreciar pedido de autorização visando a participação de crianças e adolescentes e eventos de caráter artístico: Competência – jurisdição voluntária – crianças e adolescentes – eventos artísticos – participação – autorização. Ausente controvérsia a envolver relação de trabalho, compete ao Juízo da Infância e da Juventude, inserido no âmbito da Justiça Comum, apreciar, no campo da jurisdição voluntária, pedido de autorização visando a participação de crianças e adolescentes em eventos de caráter artístico (ADI nº 5.326 – Relator: Ministro Marco Aurélio Mello – Data de publicação: 20/03/2020). 1.4. Principais disposições do ECA acerca da proteção do trabalho da criança e do adolescente DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 10 Terminologias do ECA: De acordo com previsão expressa no ECA, é considerada criança a pessoa com até 12 anos incompletos e adolescente aquela entre 12 e 18 anos de idade. Art. 2º do ECA: Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade. Parágrafo único. Nos casos expressos em lei, aplica-se excepcionalmente este Estatuto às pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade. Direitos à profissionalização e à proteção do trabalho: estão previstos nos art. 60 a 69 do ECA e serão apresentadas as suas principais disposições a seguir. Idade: o ECA prevê idade mínima de trabalho aos 14 anos, mas a CF/88 é expressa ao estabelecer a idade de 16 anos, salvo na condição de aprendiz aos 14 anos. Princípios da formação técnico-profissional: I - garantia de acesso e freqüência obrigatória ao ensino regular; II - atividade compatível com o desenvolvimento do adolescente; III - horário especial para o exercício das atividades. ATENÇÃO As disposições do ECA que mencionam aprendizagem para adolescente de até 14 anos não são aceitas pela Constituição Federal. Aprendiz com deficiência: tem assegurado o trabalho protegido. Vedação de trabalho: I - noturno, realizado entre as vinte e duas horas de um dia e as cinco horas do dia seguinte; II - perigoso, insalubre ou penoso; III - realizado em locais prejudiciaisà sua formação e ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e social; IV - realizado em horários e locais que não permitam a frequência à escola. Conselho Tutelar: De acordo com o art. 131 do ECA, o Conselho Tutelar é órgão permanente e autônomo que tem a função de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. Deve haver DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 11 em cada município no mínimo 1 Conselho Tutelar como órgão integrante da administração pública local, sendo composto por 5 membros, escolhidos pela população local para mandato de 4 anos, permitida uma recondução (art. 132 do ECA). Requisitos para candidatura ao Conselho Tutelar: Para a candidatura a membro do Conselho Tutelar, é necessário o reconhecimento de idoneidade moral, idade superior a 21 anos e que resida no município onde prestará os serviços. Atribuições: estão previstas no art. 136 do ECA: Art. 136. São atribuições do Conselho Tutelar: I - atender as crianças e adolescentes nas hipóteses previstas nos arts. 98 e 105, aplicando as medidas previstas no art. 101, I a VII; II - atender e aconselhar os pais ou responsável, aplicando as medidas previstas no art. 129, I a VII; III - promover a execução de suas decisões, podendo para tanto: a) requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educação, serviço social, previdência, trabalho e segurança; b) representar junto à autoridade judiciária nos casos de descumprimento injustificado de suas deliberações. IV - encaminhar ao Ministério Público notícia de fato que constitua infração administrativa ou penal contra os direitos da criança ou adolescente; V - encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua competência; VI - providenciar a medida estabelecida pela autoridade judiciária, dentre as previstas no art. 101, de I a VI, para o adolescente autor de ato infracional; VII - expedir notificações; XIII - adotar, na esfera de sua competência, ações articuladas e efetivas direcionadas à identificação da agressão, à agilidade no atendimento da criança e do adolescente vítima de violência doméstica e familiar e à responsabilização do agressor; (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) Vigência XIV - atender à criança e ao adolescente vítima ou testemunha de violência doméstica e familiar, ou submetido a tratamento cruel ou degradante ou a formas violentas de educação, correção ou disciplina, a seus familiares e a testemunhas, de forma a prover orientação e aconselhamento acerca de seus direitos e dos encaminhamentos necessários; (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) Vigência https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art29 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art34 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art29 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art34 DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 12 XV - representar à autoridade judicial ou policial para requerer o afastamento do agressor do lar, do domicílio ou do local de convivência com a vítima nos casos de violência doméstica e familiar contra a criança e o adolescente; (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) Vigência XVI - representar à autoridade judicial para requerer a concessão de medida protetiva de urgência à criança ou ao adolescente vítima ou testemunha de violência doméstica e familiar, bem como a revisão daquelas já concedidas; (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) Vigência XVII - representar ao Ministério Público para requerer a propositura de ação cautelar de antecipação de produção de prova nas causas que envolvam violência contra a criança e o adolescente; (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) Vigência XVIII - tomar as providências cabíveis, na esfera de sua competência, ao receber comunicação da ocorrência de ação ou omissão, praticada em local público ou privado, que constitua violência doméstica e familiar contra a criança e o adolescente; (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) Vigência XIX - receber e encaminhar, quando for o caso, as informações reveladas por noticiantes ou denunciantes relativas à prática de violência, ao uso de tratamento cruel ou degradante ou de formas violentas de educação, correção ou disciplina contra a criança e o adolescente; (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) Vigência XX - representar à autoridade judicial ou ao Ministério Público para requerer a concessão de medidas cautelares direta ou indiretamente relacionada à eficácia da proteção de noticiante ou denunciante de informações de crimes que envolvam violência doméstica e familiar contra a criança e o adolescente. (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) Vigência Parágrafo único. Se, no exercício de suas atribuições, o Conselho Tutelar entender necessário o afastamento do convívio familiar, comunicará incontinenti o fato ao Ministério Público, prestando-lhe informações sobre os motivos de tal entendimento e as providências tomadas para a orientação, o apoio e a promoção social da família. 1.4.1. Trabalho educativo O trabalho educativo está previsto no art. 68 do Estatuto da Criança e do Adolescente: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art29 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art29 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art34 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art29 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art29 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art34 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art29 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art34 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art29 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art34 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art29 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art34 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art29 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art29 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art34 DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 13 Art. 68, Lei nº 8.069/1990. O programa social que tenha por base o trabalho educativo, sob responsabilidade de entidade governamental ou não-governamental sem fins lucrativos, deverá assegurar ao adolescente que dele participe condições de capacitação para o exercício de atividade regular remunerada. § 1º. Entende-se por trabalho educativo a atividade laboral em que as exigências pedagógicas relativas ao desenvolvimento pessoal e social do educando prevalecem sobre o aspecto produtivo. § 2º. A remuneração que o adolescente recebe pelo trabalho efetuado ou a participação na venda dos produtos de seu trabalho não desfigura o caráter educativo. Ausência de regulamentação: o art. 68 do ECA não foi regulamentado e todas as definições, parâmetros de jornada, remuneração, formalidade e eventuais atividades desenvolvidas são delineados pela doutrina. Assim, essa ausência de parâmetros legais dificulta a sua adoção prática (CORREIA, 2021). 1.4.2. Dos direitos de profissionalização do Jovem (Lei nº 12.852/2013) Lei nº 12.852/2013: instituiu o Estatuto da Juventude, dispondo sobre os direitos dos jovens, princípios e diretrizes das políticas públicas de juventude e o Sistema Nacional de Juventude (SINAJUVE). Jovem: De acordo com a lei, é considerado jovem o sujeito entre 15 e 29 anos, sendo aplicável o ECA aos adolescentes entre 15 e 18anos incompletos, e o Estatuto do Jovem, de forma excepcional, quando não conflitar com o ECA. A Lei nº 12.852/2013 traz em seu bojo, artigos que disciplinam o direito à profissionalização, ao trabalho e à renda dos jovens entre 19 e 29 anos em seus arts. 14 a 16, os quais se recomenda a leitura: Art. 14. O jovem tem direito à profissionalização, ao trabalho e à renda, exercido em condições de liberdade, equidade e segurança, adequadamente remunerado e com proteção social. Art. 15. A ação do poder público na efetivação do direito do jovem à profissionalização, ao trabalho e à renda contempla a adoção das seguintes medidas: I - promoção de formas coletivas de organização para o trabalho, de redes de economia solidária e da livre associação; II - oferta de condições especiais de jornada de trabalho por meio de: DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 14 a) compatibilização entre os horários de trabalho e de estudo; b) oferta dos níveis, formas e modalidades de ensino em horários que permitam a compatibilização da frequência escolar com o trabalho regular; III - criação de linha de crédito especial destinada aos jovens empreendedores; IV - atuação estatal preventiva e repressiva quanto à exploração e precarização do trabalho juvenil; V - adoção de políticas públicas voltadas para a promoção do estágio, aprendizagem e trabalho para a juventude; VI - apoio ao jovem trabalhador rural na organização da produção da agricultura familiar e dos empreendimentos familiares rurais, por meio das seguintes ações: a) estímulo à produção e à diversificação de produtos; b) fomento à produção sustentável baseada na agroecologia, nas agroindústrias familiares, na integração entre lavoura, pecuária e floresta e no extrativismo sustentável; c) investimento em pesquisa de tecnologias apropriadas à agricultura familiar e aos empreendimentos familiares rurais; d) estímulo à comercialização direta da produção da agricultura familiar, aos empreendimentos familiares rurais e à formação de cooperativas; e) garantia de projetos de infraestrutura básica de acesso e escoamento de produção, priorizando a melhoria das estradas e do transporte; f) promoção de programas que favoreçam o acesso ao crédito, à terra e à assistência técnica rural; VII - apoio ao jovem trabalhador com deficiência, por meio das seguintes ações: a) estímulo à formação e à qualificação profissional em ambiente inclusivo; b) oferta de condições especiais de jornada de trabalho; c) estímulo à inserção no mercado de trabalho por meio da condição de aprendiz. Art. 16. O direito à profissionalização e à proteção no trabalho dos adolescentes com idade entre 15 (quinze) e 18 (dezoito) anos de idade será regido pelo disposto na Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 - Estatuto da Criança e do Adolescente, e em leis específicas, não se aplicando o previsto nesta Seção. 1.5. Jornada de trabalho do adolescente Jornada de trabalho do adolescente: tem a mesma duração aplicada ao trabalhador adulto com limitação de 8 horas diárias e 44 horas semanais nos termos do art. 7º, XIII, da CF/88 DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 15 Trabalho extraordinário do adolescente: A CLT traz regras diferenciadas acerca do trabalho extraordinário do empregado adolescente atinente à compensação de jornada e força maior: 1) Compensação de jornada: Nos termos do art. 413, I, da CLT, a compensação de jornada do empregado adolescente somente é possível mediante a celebração de convenção e acordo coletivo. 2) Horas extras na hipótese de força maior: é o acontecimento extraordinário, alheio à vontade do empregador que gera consequências ao contrato de trabalho. Nesses casos, o adolescente pode prestar horas extras desde que limitadas a 12 horas diárias, com o recebimento de adicional de 50% sobre o valor da hora normal naquilo que ultrapassar as 8 horas diárias. O trabalho do menor deve ser imprescindível ao funcionamento da empresa. Art. 409 da CLT - Para maior segurança do trabalho e garantia da saúde dos menores, a autoridade fiscalizadora poderá proibir-lhes o gozo dos períodos de repouso nos locais de trabalho. Art. 413 da CLT - É vedado prorrogar a duração normal diária do trabalho do menor, salvo: I - até mais 2 (duas) horas, independentemente de acréscimo salarial, mediante convenção ou acordo coletivo nos termos do Título VI desta Consolidação, desde que o excesso de horas em um dia seja compensado pela diminuição em outro, de modo a ser observado o limite máximo de 48 (quarenta e oito) horas semanais ou outro inferior legalmente fixada; II - excepcionalmente, por motivo de força maior, até o máximo de 12 (doze) horas, com acréscimo salarial de, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) sobre a hora normal e desde que o trabalho do menor seja imprescindível ao funcionamento do estabelecimento. Parágrafo único. Aplica-se à prorrogação do trabalho do menor o disposto no art. 375, no parágrafo único do art. 376, no art. 378 e no art. 384 desta Consolidação. Somatória das jornadas de trabalho: não há vedação para que o adolescente preste seus serviços para mais de uma empresa. No entanto, as jornadas devem ser somadas e esse somatório não pode ser superior ao limite de duração diário de 8 horas e 44 horas semanais: DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 16 Art. 414 da CLT - Quando o menor de 18 (dezoito) anos for empregado em mais de um estabelecimento, as horas de trabalho em cada um serão totalizadas. 1.6. Papel dos representantes legais do adolescente Assinatura do recibo de quitação das verbas rescisórias: há a necessidade de assistência dos representantes legais, sob pena de nulidade, conforme previsto no art. 439 da CLT. Pedido de demissão do adolescente: pode ser realizado sem a assistência dos pais. Serviços que causam prejuízos de ordem física ou moral: É facultado, ainda, ao responsável legal do menor, pleitear a extinção do contrato de trabalho, desde que o serviço possa acarretar prejuízos de ordem física ou moral (CORREIA, 2021) 1.7. Férias do adolescente Direito de férias: Assim como o empregado adulto, o menor terá direito às férias anuais remuneradas, acrescidas de 1/3 a mais da remuneração. A duração das férias irá variar de acordo com as faltas injustificadas ocorridas durante o período aquisitivo. Diferença do adolescente: poderá fazer coincidir suas férias no trabalho com o período das férias escolares. ATENÇÃO Após a Reforma Trabalhista, o adolescente pode fracionar as férias tal como os demais empregados, desde que haja sua concordância expressa em até 3 períodos, sendo que um deles deve ter, no mínimo, 15 dias, e os demais nunca podem ser inferiores a 5 dias. 1.8. Do salário Vedação à discriminação de salário: O art. 7º, inciso XXX, da CF/88 proíbe que os menores de 18 anos tenham salários diferentes no exercício de funções idênticas se comparados com o salário de um empregado adulto. Nesse sentido: Art. 7º, inciso XXX, CF/88: São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: proibição de diferença de DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 17 salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil. Orientação Jurisprudencial nº 26 da SDC do TST: Os empregados menores não podem ser discriminados em cláusula que fixa salário mínimo profissional para a categoria. 1.9. Da prescrição Prescrição: contra o menor de 18 anos, não corre prazo prescricional, ou seja, há uma causa impeditiva de contagem do prazo. Não correrá o prazo prescricional até que ele complete 18 anos. Ao completar essa idade, inicia-se o prazo de dois anos para ingressarcom a ação na Justiça do Trabalho. Ressalta-se que não é vedado ao menor ingressar com a reclamação trabalhista antes de completar 18 anos (CORREIA, 2021). 1.10. Meio ambiente de trabalho Aplicação das normas de meio ambiente de trabalho da mulher: As normas referentes ao meio ambiente de trabalho da mulher previstas na CLT são aplicadas subsidiariamente aos menores de 18 anos. Art. 413, parágrafo único da CLT. Aplica-se à prorrogação do trabalho do menor o disposto no art. 375, no parágrafo único do art. 376, no art. 378 e no art. 384 desta Consolidação. Art. 390. Ao empregador é vedado empregar a mulher em serviço que demande o emprego de força muscular superior a 20 (vinte) quilos para o trabalho continuo, ou 25 (vinte e cinco) quilos para o trabalho ocasional. Parágrafo único. Não está compreendida na determinação deste artigo a remoção de material feita por impulsão ou tração de vagonetes sobre trilhos, de carros de mão ou quaisquer aparelhos mecânicos. Art. 405, § 5º: Aplica-se ao menor o disposto no art. 390 e seu parágrafo único. 2. APRENDIZAGEM Aprendizagem e relação de emprego: O contrato de aprendizagem é um contrato especial de trabalho com a formação de vínculo de emprego entre o aprendiz e a entidade que o contrata. Dessa forma, todos os DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 18 requisitos do vínculo de emprego estão presentes, quais sejam: pessoalidade, habitualidade ou não eventualidade, onerosidade e subordinação. Aprendizagem na Constituição Federal: O grande diferencial do aprendiz em relação aos demais empregados é a possibilidade de contratação a partir dos 14 anos. Lembre-se de que a regra geral é a contratação somente a partir dos 16 anos de idadade: Art. 7º da CF/88: São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos A aprendizagem somente é destinada aos empregados com menos de 18 anos? Não. A aprendizagem é realizada entre 14 anos e 24 anos de idade. Vale ressaltar que o aprendiz com deficiência pode ser contratado independentemente da idade. Prioridade de contratação: Nos termos do art. 53 do Decreto nº 9.579/2018, a contratação de aprendizes deverá atender, prioritariamente, aos adolescentes com idade entre quatorze e dezoito anos, exceto quando: I - as atividades ocorrerem no interior do estabelecimento e sujeitarem os aprendizes à insalubridade ou à periculosidade sem que se possa elidir o risco ou realizá-las integralmente em ambiente simulado; (Redação dada pelo Decreto nº 11.479, de 2023) II - a lei exigir, para o desempenho das atividades práticas, licença ou autorização vedada para pessoa com idade inferior a dezoito anos; e (Redação dada pelo Decreto nº 11.479, de 2023) III - a natureza das atividades práticas for incompatível com o desenvolvimento físico, psicológico ou moral dos adolescentes aprendizes. (Redação dada pelo Decreto nº 11.479, de 2023) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Decreto/D11479.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Decreto/D11479.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Decreto/D11479.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Decreto/D11479.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Decreto/D11479.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Decreto/D11479.htm#art1 DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 19 ATENÇÃO As Atividades relacionadas à insalubridade, à periculosidade ou se incompatíveis com o desenvolvimento físico e moral dos adolescentes deverão ser ministradas para os jovens de 18 a 24 anos. IMPORTANTE “O contrato de aprendizagem previsto na CLT era regulamentado pelo Decreto nº 5.598/2005. Ocorre que, no dia 22 de novembro de 2018, o Presidente da República editou o Decreto nº 9.579/2018 que consolidou os atos normativos editados pelo Poder Executivo federal que dispõem sobre a temática do lactente, da criança e do adolescente e do aprendiz, e sobre o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, o Fundo Nacional para a Criança e o Adolescente e os programas federais da criança e do adolescente. Dessa forma, os dispositivos que antes constavam do Decreto nº 5.598/2005 foram compilados nos art. 42 a 75 do novo Decreto nº 9.579/2018.” (CORREIA, 2021). Aprendizagem e estágio são sinônimos? Não, aprendizagem é espécie de contrato de trabalho e o aprendiz terá os direitos assegurados pela legislação trabalhista, tais como férias, 13º salário, FGTS, dentre outros. O estagiário não é empregado e não tem os direitos trabalhistas asseguradas por expressa previsão na legislação atinente. Para fins didáticos, segue tabela adaptada do Livro Manual de Direito da Criança e do Adolescente dos Autores Paulo Lépore e Luciano Alves Rossato (2021, p. 138), que apresenta as principais diferenças entre estágio e aprendizagem. Destacamos que iremos trabalhar as principais características dispostas na tabela acerca da aprendizagem ao longo dessa rodada: Comparação: Estágio e Aprendizagem Estágio Aprendizagem Vínculo empregatício Não Sim Partes envolvidas Estagiário, instituição de ensino, instituição concedente e agentes de integração Aprendiz e empregador Atividade exercida Ato educativo escolar supervisionado Formação técnico-profissional Remuneração Obrigatória bolsa no estágio não obrigatório Obrigatório o pagamento de salário DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 20 Jornada 20, 30 ou 40 horas semanais (a depender do tipo de instituição de ensino envolvida) Até 6 horas diárias em regra, podendo excepcionalmente se estender a 8 horas. Descanso anual Recesso de 30 dias a cada ano trabalhado – pode ser proporcional Férias conforme disposto na CLT Instrumento Termo de compromisso Contrato de aprendizagem Anotação na CTPS Não Sim Demais direitos trabalhistas Não Sim Direitos previdenciários Facultativo Sim 2.1. Contrato especial de trabalho Contrato de trabalho solene: O contrato de aprendizagem é modalidade especial de contrato de trabalho e se caracteriza por ser um contrato solene, pois somente poderá ser celebrado por escrito. Além disso, é contrato por prazo determinado com as seguintes obrigações de cada parte: 1) Empregador: compromete-se a assegurar ao empregado, com mais de 14 anos e menos de 24 anos inscrito em programa de aprendizagem, formação técnico profissional metódica compatível com o seu desenvolvimento físico, moral e psicológico; O que é formação técnico profissional? De acordo com o art. 428, § 4º, da CLT, é aquele composta por atividades teóricas e práticas, metodicamente organizadas em tarefas de complexidade progressiva desenvolvidas no ambiente de trabalho. 2) Aprendiz: obriga-se a executar com zelo e diligência as tarefas necessárias a essa formação. Art. 428 da CLT. Contrato de aprendizagem é o contrato de trabalho especial, ajustado por escrito e por prazo determinado, em que o empregador se compromete a assegurar ao maior de 14 (quatorze) e menor de 24 (vinte e quatro) anos inscrito em programa de aprendizagem formação técnico-profissional metódica, compatível com o seu desenvolvimento físico, moral e psicológico, e o aprendiz, a executar com zelo e diligência as tarefas necessárias a essa formação. Requisitos de validade do contrato de aprendizagem: o art. 428 da CLT traça os requisitos de validade do contrato de aprendizagem que deverão ser observados durante a contratação: DIREITODA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 21 1º Requisito: O contrato de aprendizagem deve ser obrigatoriamente escrito; 2º Requisito: A CTPS do empregado deve ser devidamente anotada constando a aprendizagem. Note- se que, atualmente, a CTPS é emitida preferencialmente em meio eletrônico após as alterações promovidas pela Lei 13.874/2019. 3º Requisito: Matrícula e frequência do aprendiz na escola caso não tenha concluído o ensino médio. Note-se, portanto, que a aprendizagem é possível desde que a formação escolar seja garantida. Nas localidades onde não houver oferta de ensino médio, a contratação do aprendiz poderá ocorrer sem a frequência à escola, desde que ele já tenha concluído o ensino fundamental. ATENÇÃO Nos termos do art. 428, § 6º, da CLT, a comprovação da escolaridade do aprendiz com deficiência deve considerar as habilidades e competência relacionadas com a profissionalização. Além disso, para o aprendiz com deficiência com 18 (dezoito) anos ou mais, a validade do contrato de aprendizagem pressupõe anotação na CTPS e matrícula e frequência em programa de aprendizagem desenvolvido sob orientação de entidade qualificada em formação técnico-profissional metódica. 4º Requisito: Inscrição em programa de aprendizagem desenvolvido sob orientação de entidade qualificada em formação técnico-profissional metódica. Entidades qualificadas em formação técnico-profissional metódica: os cursos e formação deverão ser ministrados especialmente pelos Serviços Nacionais de Aprendizagem como SESC, SENAI, SENAC, SESI, dentre outros. No entanto, se os cursos não forem oferecidos ou se não houver vagas suficientes para atender à demanda dos estabelecimentos, é possível suprir por outras entidades qualificadas em formação técnico- profissional metódica nos termos do art. 430 da CLT: I – Escola Técnicas de Educação; II – entidades sem fins lucrativos, que tenham por objetivo a assistência ao adolescente à educação profissional, registradas no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Deve cadastrar cursos, turmas e aprendizes no Ministério do Trabalho. III – entidades de prática desportiva das diversas modalidades filiadas ao Sistema Nacional do Desporto e aos Sistemas de Desporto dos Estados, do Distrito Federal e DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 22 dos municípios. Devem cadastrar cursos, turmas e aprendizes no Ministério do Trabalho. Estrutura: As entidades que irão fornecer os cursos de formação técnico-profissional deverão ter estrutura adequada ao desenvolvimento dos programas de aprendizagem, de forma a manter a qualidade do processo de ensino, bem como acompanhar e avaliar os resultados. Emissão de certificado: os aprendizes que concluírem os cursos de aprendizagem, com aproveitamento, receberão certificado de qualificação profissional Descumprimento dos requisitos de validade do contrato de aprendizes: De acordo com o art. 9º da CLT e 47 do Decreto nº 9.579/2018, o descumprimento desses requisitos importará a nulidade do contrato de aprendizagem, estabelecendo-se o vínculo empregatício diretamente com o empregador responsável pelo cumprimento da cota de aprendizagem, com exceção da pessoa jurídica de direito público: Art. 9º da CLT - Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. Art. 47 do Decreto nº 9.579/2018. O descumprimento das disposições legais e regulamentares importará a nulidade do contrato de aprendizagem, nos termos do disposto no art. 9º da CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1943, situação em que fica estabelecido o vínculo empregatício diretamente com o empregador responsável pelo cumprimento da cota de aprendizagem. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica, quanto ao vínculo, a pessoa jurídica de direito público. 2.2. Duração do contrato de aprendizagem Contrato por prazo determinado: Como já ressaltado, o contrato de aprendizagem é realizado por prazo determinado e não pode ser firmado por mais de 2 anos com o mesmo empregador. Se ultrapassado o período, o contrato é convertido em contrato por prazo indeterminado. Exceção dos aprendizes com deficiência: não se sujeitam ao limite de prazo para contratação. Sendo assim, o contrato pode ser celebrado com prazo de duração maior. DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 23 2.3 Super Card – Contrato de Aprendizagem DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 24 2.4. Estagiário Estágio: “tem por finalidade complementar a formação do estudante por meio de atividades práticas. Desse modo, o estudante tem a possibilidade de concretizar os ensinamentos teóricos recebidos na instituição de ensino, preparando-se para o ingresso no mercado de trabalho.” (CORREIA, 2021) Relação jurídica de estágio: “A relação jurídica entre parte concedente e estagiário representa verdadeira relação de trabalho em sentido amplo, porque há prestação de serviços executados por pessoa natural. O contrato de estágio possui todos os requisitos para formação da relação empregatícia, pois nele há pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. Entretanto, o legislador excluiu o estagiário da DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 25 proteção celetista, para incentivar a formação de novos profissionais. Diante disso, não se aplicam ao estagiário as normas protetivas da CLT (férias, 13º, hora extra etc.).” (CORREIA, 2021) Diferenças entre estágio e aprendizagem: na aprendizagem há verdadeiro vínculo empregatício, previsto na CLT (arts. 424 a 433). Ademais, o aprendiz possui limitação na idade, entre 14 e 24 anos. Por fim, o aprendiz possuirá todo o sistema protetivo trabalhista e previdenciário, o que não ocorre com o estagiário. O estágio não obrigatório é aquele desenvolvido como atividade opcional, acrescida à carga horária regular e obrigatória (art. 2º, § 2º). Nesse caso, a contraprestação e a concessão do vale-transporte são obrigatórias. Lei do estágio: o estágio é regulamentado pela Lei nº 11.788/2008. De acordo com o Informativo nº 175 do TST, a nova legislação não se aplica aos contratos de estágio que foram firmados sob a égide da legislação anterior (Lei nº 6.494/1977). Conceito de Estágio: está previsto no art. 1º da Lei 11.788/2008: Art. 1o da Lei 11.788/2008: Estágio é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam frequentando o ensino regular em instituições de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos. § 1o O estágio faz parte do projeto pedagógico do curso, além de integrar o itinerário formativo do educando. § 2o O estágio visa ao aprendizado de competências próprias da atividade profissional e à contextualização curricular, objetivando o desenvolvimento do educando para a vida cidadã e para o trabalho. Formas de estágio (art. 2º da Lei 11.788/2008): o estádio pode ser obrigatório ou não obrigatório conforme determinação das diretrizes curriculares da etapa, modalidade e área de ensino e do projeto pedagógico do curso. As atividades de extensão, de monitorias e de iniciação científica na educação superior, desenvolvidas pelo estudante, somente poderão ser equiparadas ao estágio em caso de previsão no projeto pedagógico do curso. DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 26 1) Estágio obrigatório: é aquele definido como tal no projeto do curso, cuja carga horária é requisito para aprovaçãoe obtenção de diploma. O pagamento de contraprestação é facultativo. 2) Estágio não obrigatório: é aquele desenvolvido como atividade opcional, acrescida à carga horária regular e obrigatória. O pagamento de contraprestação é obrigatório. Requisitos do estágio (art. 3º da Lei 11.788/2008): 1) matrícula e frequência regular do educando em curso de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e nos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos e atestados pela instituição de ensino; 2) celebração de termo de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de ensino; 3) compatibilidade entre as atividades desenvolvidas no estágio e aquelas previstas no termo de compromisso. 4) acompanhamento efetivo pelo professor orientador da instituição de ensino e por supervisor da parte concedente, comprovado por vistos nos relatórios e por menção de aprovação final. Consequências do descumprimento dos requisitos (art. 3º, § 2º, da Lei 11.788/2008): caracteriza vínculo de emprego do educando com a parte concedente do estágio para todos os fins da legislação trabalhista e previdenciária. Partes no contrato de estágio: há formação de uma relação triangular, sendo partes a instituição de ensino, a parte concedente de estágio e o estagiário: 1) Instituição de ensino: é a instituição a que o estagiário está matriculado e frequentando o curso e faz a intermediação da relação de estágio. De acordo com CORREIA (2021), entre suas atribuições está a necessidade de avaliar as instalações da parte concedente do estágio e sua adequação à formação cultural e profissional do educando (art. 7º). DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 27 2) Parte concedente: é aquela que concederá o estágio e onde serão desenvolvidas as atividades práticas. Podem ser parte concedente pessoa jurídica de direito privado, órgãos da Administração pública direta, autárquica e fundacional e profissionais liberais registrados nos conselhos de fiscalização profissional. 3) Estagiário: é o trabalhador que prestará as atividades profissionais nos termos da lei do estágio. Mapa Mental - Partes no contrato de estágio Jornada do estagiário: está prevista no art. 10 da Lei 11.788/2008 e será determinada de comum acordo entre as partes desde que respeitados os limites legais a depender do nível de escolaridade e do tipo de curso realizado: Art. 10 da Lei nº 11.788/2008: A jornada de atividade em estágio será definida de comum acordo entre a instituição de ensino, a parte concedente e o aluno estagiário ou seu representante legal, devendo constar do termo de compromisso ser compatível com as atividades escolares e não ultrapassar: I – 4 (quatro) horas diárias e 20 (vinte) horas semanais, no caso de estudantes de educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional de educação de jovens e adultos; II – 6 (seis) horas diárias e 30 (trinta) horas semanais, no caso de estudantes do ensino superior, da educação profissional de nível médio e do ensino médio regular. § 1o O estágio relativo a cursos que alternam teoria e prática, nos períodos em que não estão programadas aulas presenciais, poderá ter jornada de até 40 (quarenta) DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 28 horas semanais, desde que isso esteja previsto no projeto pedagógico do curso e da instituição de ensino. § 2o Se a instituição de ensino adotar verificações de aprendizagem periódicas ou finais, nos períodos de avaliação, a carga horária do estágio será reduzida pelo menos à metade, segundo estipulado no termo de compromisso, para garantir o bom desempenho do estudante. Duração do contrato de estágio: Nos termos do art. 11 da lei, o contrato de estágio pode ser celebrado por, no máximo, 2 anos com a mesma parte concedente. Esse prazo não é aplicado ao estagiário com deficiência. Bolsa: no caso de estágio obrigatório, a bolsa é facultativa e seu valor é acordado entre as partes. Essa bolsa será obrigatória no estágio não obrigatório assim como o pagamento de auxílio-transporte. Previdência Social: o estagiário pode se inscrever como segurado facultativo da Previdência Social. Recesso: o estagiário tem direito a recesso de 30 dias quando o estágio tem duração superior a 1 ano, que deverá ser gozado preferencialmente durante suas férias escolares. O recesso é remunerado quando o estagiário receber bolsa. No caso de duração inferior a 1 ano, o estagiário terá direito ao recesso de forma proporcional. Ação afirmativa: é assegurado às pessoas com deficiência o percentual de 10% das vagas oferecidas de estágio pela parte concedente de estágio. Número máximo de estagiários: atenderá ao quadro de pessoal da parte concedente, que compreende o conjunto de trabalhadores empregados existentes no estabelecimento. É importante ressaltar que essa limitação não se aplica aos estágios de nível superior e de nível médio profissional. - 1 a 5 empregados: 1 estagiário; - 6 a 10 empregados: até 2 estagiários; - 11 a 25 empregados: até 5 estagiários; - Acima de 25 empregados: até 20% de estagiários. Fraude no estágio: Ocorrerá a fraude no estágio quando ausente um dos requisitos formais ou materiais. Assim sendo, mesmo que presentes os requisitos formais, se verificada a falta de compatibilidade entre a formação escolar do estudante e as atividades desenvolvidas na parte concedente, atrairá o art. 9º da DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 29 CLT, bem como o princípio da primazia da realidade, formando vínculo empregatício entre estagiário e parte concedente. (CORREIA, 2021) Caso particular da Administração Pública: Se a fraude no estágio ocorrer perante a Administração Pública, não acarretará formação de vínculo empregatício, por falta do requisito do concurso público: OJ nº 366 da SDI-I do TST: Ainda que desvirtuada a finalidade do contrato de estágio celebrado na vigência da Constituição Federal de 1988, é inviável o reconhecimento do vínculo empregatício com ente da Administração Pública direta ou indireta, por força do art. 37, II, da CF/1988, bem como o deferimento de indenização pecuniária, exceto em relação às parcelas previstas na Súmula nº 363 do TST, se requeridas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARROS, Alice Monteiro de. Curso de Direito do Trabalho. 10. ed. São Paulo: LTr, 2016. CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do Trabalho. São Paulo: Método. CORREIA, Henrique. Curso de Direito do Trabalho. 6. ed. Salvador: Juspodivm, 2021 CORREIA, Henrique; MIESSA, Élisson. Súmulas, OJs do TST e Recursos Repetitivos. 9. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. MIRANDA, Rafael de Sousa. Manual de Execução Penal – Teoria e Prática. 3. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. PORTELA, Paulo Henrique Gonçalves. Direito Internacional Público e Privado. 12. ed. Salvador: Juspodivm, 2020. QUESTÕES PROPOSTAS 01 - MPT - 2020 - MPT - Procurador do Trabalho Acerca da aprendizagem social, assinale a alternativa INCORRETA: A) O estabelecimento contratante cujas peculiaridades da atividade ou dos locais de trabalho constituam embaraço à realização das aulas práticas, além de poder ministrá-las exclusivamente nas entidades qualificadas em formação técnico profissional, poderá requerer junto à unidade descentralizada da Secretaria do Trabalho a assinatura de termo de compromisso para o cumprimento da cota em entidade concedente da experiência prática do aprendiz. B) Consideram-se entidades concedentes da experiência prática do aprendiz: órgãos públicos, organizações da sociedade civil e unidades do sistema nacional de atendimento socioeducativo. DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção30 C) A seleção dos aprendizes será realizada a partir do cadastro público de emprego, disponível no sítio eletrônico Emprega Brasil, da Secretaria do Trabalho, e deverá priorizar a inclusão de jovens e adolescentes em situação de vulnerabilidade ou risco social, tais como adolescentes egressos do sistema socioeducativo ou em cumprimento de medidas socioeducativas; jovens em cumprimento de pena no sistema prisional; jovens e adolescentes cujas famílias sejam beneficiárias de programas de transferência de renda; jovens e adolescentes em situação de acolhimento institucional; jovens e adolescentes egressos do trabalho infantil; jovens e adolescentes com deficiência; jovens e adolescentes matriculados em instituição de ensino da rede pública, em nível fundamental, médio regular ou médio técnico, incluída a modalidade de Educação de Jovens e Adultos; e jovens desempregados e com ensino fundamental ou médio concluído em instituição de ensino da rede pública, desde que obedecida a cota racial. D) Estão dispensadas da contratação de aprendizes as microempresas, as empresas de pequeno porte e as entidades sem fins lucrativos que tenham por objetivo a educação profissional. COMENTÁRIOS Instrução normativa nº 146/2018 do Ministério do Trabalho. A- art. 39 "caput": O estabelecimento contratante cujas peculiaridades da atividade ou dos locais de trabalho constituam embaraço à realização das aulas práticas, nos termos de regulamento específico do Ministério do Trabalho, poderão requerer junto à respectiva unidade descentralizada do MTb a assinatura de termo de compromisso para o cumprimento da cota em entidade concedente da experiência prática do aprendiz. B- art. 39, § 2º: Considera-se entidade concedente da parte prática órgãos públicos, organizações da sociedade civil, nos termos do art. 2º da lei n.º 13.019/14 e unidades do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo. C- art. 39, § 3º: O termo de compromisso deve prever a obrigatoriedade de contratação de adolescentes em situação de vulnerabilidade ou risco social, tais como: a) adolescentes egressos do sistema socioeducativo ou em cumprimento de medidas socioeducativas; b) jovens em cumprimento de pena no sistema prisional; c) jovens e adolescentes cujas famílias sejam beneficiárias de programas de transferência de renda; d) jovens e adolescentes em situação de acolhimento institucional; e) jovens e adolescentes egressos do trabalho infantil; f) jovens e adolescentes com deficiência; g) jovens e adolescentes matriculados na rede pública de ensino, em nível fundamental, médio regular ou médio técnico, inclusive na modalidade de Educação de Jovens e Adultos; e, h) jovens desempregados e com ensino fundamental ou médio concluído na rede pública. D- art. 3º: Estão legalmente dispensadas do cumprimento da cota de aprendizagem: I - as microempresas e as empresas de pequeno porte, optantes ou não pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - Simples Nacional. II - as entidades sem fins lucrativos que tenham por objetivo a educação profissional na modalidade aprendizagem, inscritas no Cadastro Nacional de Aprendizagem com curso validado. No mesmo sentido, art. 56 do decreto nº 9.579/2018. DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 31 02 - MPT - 2017 - MPT - Procurador do Trabalho Acerca da aprendizagem e do contrato de estágio, analise as seguintes assertivas: I - Quanto à aprendizagem, o estabelecimento contratante cujas peculiaridades da atividade ou dos locais de trabalho constituam embaraço à realização das aulas práticas poderão requerer junto ao Ministério do Trabalho a assinatura de termo de compromisso para o cumprimento da cota em entidade concedente da experiência prática do aprendiz. II - Com o advento da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), o sistema de cotas referente aos contratos de aprendizagem passou a prever percentual específico dirigido às pessoas com deficiência, prestigiando-se o princípio da inclusão. III - Segundo entendimento consolidado do Tribunal Superior do Trabalho, ainda que desvirtuada a finalidade do contrato de estágio celebrado na vigência da Constituição Federal de 1988 (CF/1988), é inviável o reconhecimento do vínculo empregatício com ente da Administração Pública direta ou indireta, por força do art. 37, II, da CF/1988. IV - O contrato de aprendizagem poderá se estender por além de dois anos, quando se tratar de aprendiz com deficiência, ao contrário do que ocorre com a duração do estágio, que não poderá ultrapassar o limite legalmente estabelecido, ainda que se trate de estagiário com deficiência. Assinale a alternativa CORRETA: A) Apenas as assertivas II e IV estão corretas. B) Apenas as assertivas I, II e III estão corretas. C) Apenas as assertivas I e III estão corretas. D) Apenas as assertivas II, III e IV estão corretas. E) Não respondida. COMENTÁRIOS Item I. CERTO. Decreto 5598/05 -Art. 23-A. O estabelecimento contratante cujas peculiaridades da atividade ou dos locais de trabalho constituam embaraço à realização das aulas práticas, além de poderem ministrá-las exclusivamente nas entidades qualificadas em formação técnico profissional, poderão requerer junto à respectiva unidade descentralizada do Ministério do Trabalho e Previdência Social a assinatura de termo de compromisso para o cumprimento da cota em entidade concedente da experiência prática do aprendiz. (Incluído pelo Decreto nº 8.740, de 2016) Atualmente, o fundamento é o art. 66 do Decreto nº 9579/2018. "Art. 66. O estabelecimento contratante cujas peculiaridades da atividade ou dos locais de trabalho constituam embaraço à realização das aulas práticas, além de poder ministrá-las exclusivamente nas entidades qualificadas em formação técnico profissional, poderá requerer junto à unidade descentralizada do Ministério do Trabalho a assinatura de termo de compromisso para o cumprimento da cota em entidade concedente da experiência prática do aprendiz." GABARITO: C DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 32 Item II. ERRADO. A banca quis confundir o candidato misturando regras do contrato de aprendizagem com o de estágio. Apenas com relação ao estagiário existe percentual específico (10%) de vagas dirigido às pessoas com deficiência (art. 17, § 5º, Lei 11.788/08). Item III. CERTO. OJ nº 366. ESTAGIÁRIO. DESVIRTUAMENTO DO CONTRATO DE ESTÁGIO. RECONHECIMENTO DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO COM A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA ou INDIRETA. PERÍODO POSTERIOR À CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. IMPOSSIBILIDADE (DJ 20, 21 e 23.05.2008). Ainda que desvirtuada a finalidade do contrato de estágio celebrado na vigência da Constituição Federal de 1988, é inviável o reconhecimento do vínculo empregatício com ente da Administração Pública direta ou indireta, por força do art. 37, II, da CF/1988, bem como o deferimento de indenização pecuniária, exceto em relação às parcelas previstas na Súmula nº 363 do TST, se requeridas. Item IV. ERRADO. O prazo máximo de 02 anos não se aplica aos estagiários nem ao aprendiz portador de necessidades especiais. GABARITO: C 03 - TRT 4º Região - 2016 - TRT - 4ª REGIÃO (RS) - Juiz do Trabalho Substituto Considere as assertivas abaixo sobre contrato de estágio. I - Entidades concedentes de estágio que possuam 6 (seis) empregados em seu quadro de pessoal poderão contratar no máximo 2 (dois) estagiários, limite que não se aplica aos estágios de nível superior e de nível médio profissional. II - As pessoas portadoras de deficiência têm assegurado o percentual de 5% (cinco por cento) das vagas oferecidas pela parte concedente do estágio. III - A jornada de atividade em estágio deve constar do termo de compromisso, ser compatível com as atividades escolares e não ultrapassar6 (seis) horas diárias e 36 (trinta e seis) horas semanais no caso de estudantes do ensino superior, da educação profissional de nível médio e do ensino médio regular. Quais são corretas? A) Apenas I B) Apenas II C) Apenas III D) Apenas I e II E) I, II e III COMENTÁRIOS Item I. CERTO. Lei 11.788/08 Art. 17. O número máximo de estagiários em relação ao quadro de pessoal das entidades concedentes de estágio deverá atender às seguintes proporções: II – de 6 (seis) a 10 (dez) empregados: até 2 (dois) estagiários; § 4º Não se aplica o disposto no caput deste artigo aos estágios de nível superior e de nível médio profissional. Item II. ERRADO. Lei 11.788/08 Art.17 § 5º - Fica assegurado às pessoas portadoras de deficiência o percentual de 10% (dez por cento) das vagas oferecidas pela parte concedente do estágio. DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 33 Item III. ERRADO. Lei 11.788/08 Art. 10. A jornada de atividade em estágio será definida de comum acordo entre a instituição de ensino, a parte concedente e o aluno estagiário ou seu representante legal, devendo constar do termo de compromisso ser compatível com as atividades escolares e não ultrapassar: I – 4 (quatro) horas diárias e 20 (vinte) horas semanais, no caso de estudantes de educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional de educação de jovens e adultos; II – 6 (seis) horas diárias e 30 (trinta) horas semanais, no caso de estudantes do ensino superior, da educação profissional de nível médio e do ensino médio regular. GABARITO: A 04. CESPE / CEBRASPE - 2021 - MPE-AP - Promotor de Justiça Substituto A Constituição Federal de 1988 e o ECA conferem especial proteção ao trabalhador adolescente. Com relação às vedações legais, é correto afirmar que ao adolescente é vedado o trabalho A) noturno, realizado entre as vinte horas de um dia e as seis horas do dia seguinte. B) a menores de dezesseis anos de idade, salvo na condição de aprendiz, a partir de doze anos de idade. C) perigoso, insalubre ou penoso aos maiores de quatorze anos de idade, salvo se assegurado o fornecimento de equipamento de proteção individual (EPI). D) realizado em locais prejudiciais à formação e ao desenvolvimento físico, psíquico, moral e social. E) realizado em local distante da escola frequentada pelo adolescente. COMENTÁRIOS A- Art. 67 [...] é vedado trabalho: I - noturno, realizado entre as vinte e duas horas de um dia e as cinco horas do dia seguinte; B- Art. 60. É proibido qualquer trabalho a menores de quatorze anos de idade, salvo na condição de aprendiz. C- Art. 67 [...] é vedado trabalho: II - perigoso, insalubre ou penoso; D- Art. 67. Ao adolescente empregado, aprendiz, em regime familiar de trabalho, aluno de escola técnica, assistido em entidade governamental ou não-governamental, é vedado trabalho: III - realizado em locais prejudiciais à sua formação e ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e social; E- Art. 67 [...] é vedado trabalho: IV - realizado em horários e locais que não permitam a freqüência à escola. GABARITO: D 05. FCC - 2018 - TRT - 15ª Região (SP) - Analista Judiciário - Área Judiciária O Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n° 8.069/1990) prevê normas relativas ao direito à profissionalização e à proteção no trabalho, entre as quais, DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Normas de proteção 34 A) ao adolescente empregado, aprendiz, em regime familiar de trabalho, aluno de escola técnica, assistido em entidade governamental ou não governamental, é vedado trabalho noturno, realizado entre as vinte horas de um dia e as cinco horas do dia seguinte. B) ao adolescente até dezesseis anos de idade é assegurada bolsa de aprendizagem, após o que, na condição de aprendiz, passa a receber salário. C) a formação técnico-profissional obedecerá aos seguintes princípios: garantia de acesso e frequência obrigatória ao ensino regular; atividade compatível com o desenvolvimento do adolescente; horário especial para o exercício das atividades. D) o programa social que tenha por base o trabalho educativo, sob responsabilidade de entidade governamental ou não governamental com fins lucrativos, deverá assegurar ao adolescente que dele participe condições de capacitação para o exercício de atividade regular remunerada. E) no trabalho educativo o adolescente não pode receber qualquer valor a título de remuneração pelo trabalho efetuado ou pela participação na venda dos produtos de seu trabalho, sob pena de desvirtuamento da finalidade e descaracterização do trabalho educativo. COMENTÁRIOS A- Art. 67. Ao adolescente empregado, aprendiz, em regime familiar de trabalho, aluno de escola técnica, assistido em entidade governamental ou não-governamental, é vedado trabalho: I - noturno, realizado entre as vinte e duas horas de um dia e as cinco horas do dia seguinte; B- Art. 64. Ao adolescente até quatorze anos de idade é assegurada bolsa de aprendizagem. C- Art. 63. A formação técnico-profissional obedecerá aos seguintes princípios: I - garantia de acesso e freqüência obrigatória ao ensino regular; II - atividade compatível com o desenvolvimento do adolescente; III - horário especial para o exercício das atividades. D- Art. 68. O programa social que tenha por base o trabalho educativo, sob responsabilidade de entidade governamental ou não-governamental sem fins lucrativos, deverá assegurar ao adolescente que dele participe condições de capacitação para o exercício de atividade regular remunerada. E- Art. 68, § 2º A remuneração que o adolescente recebe pelo trabalho efetuado ou a participação na venda dos produtos de seu trabalho não desfigura o caráter educativo. GABARITO: C DIREITO DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DO JOVEM REVISÃO DA DOUTRINA (RESUMO + QUESTÕES) 1. NORMAS DE PROTEÇÃO AO TRABALHADOR ADOLESCENTE 1.1. Idade mínima para trabalhar e atividades restritas 1.2. Piores formas de trabalho infantil 1.3. Trabalho infantil artístico 1.4. Principais disposições do ECA acerca da proteção do trabalho da criança e do adolescente 1.4.1. Trabalho educativo 1.4.2. Dos direitos de profissionalização do Jovem (Lei nº 12.852/2013) 1.5. Jornada de trabalho do adolescente 1.6. Papel dos representantes legais do adolescente 1.7. Férias do adolescente 1.8. Do salário 1.9. Da prescrição 1.10. Meio ambiente de trabalho 2. APRENDIZAGEM 2.1. Contrato especial de trabalho 2.2. Duração do contrato de aprendizagem 2.3 Super Card – Contrato de Aprendizagem 2.4. Estagiário Mapa Mental - Partes no contrato de estágio QUESTÕES PROPOSTAS