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DIREITO CIVIL IV
AULA 02: POSSE.
ARTS. 1.196 A 1.224 DO CC.
PROF. YANNA SILVA
E-mail: profyannasilva@gmail.com
INTRODUÇÃO
Exteriorização da propriedade.
Presunção de propriedade.
 Objeto da posse:
 Bens corpóreos e bens incorpóreos (quase-posse).
 Posse de direitos➔ apropriáveis e exteriorizáveis (direitos reais).
Ex: direitos do autor, propriedade intelectual, passe atlético.
 Sujeitos da posse: São as pessoas, sejam elas naturais ou jurídicas, de direito
público ou de direito privado.2
CONCEITO
Natureza: se trata de um fato ou de um direito?
 Direito de natureza especial, que não se enquadra como
direito real ou pessoal.
 Duas correntes: Trata-se de um mero fato e outra pela qual a posse,
realmente, constitui um direito.
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 Orlando Gomes: “Se a posse é um direito, como o reconhece, hoje, a
maioria dos juristas, é preciso saber se tem natureza de um direito
real ou pessoal. A circunstância de ceder a um direito superior, como
o de propriedade, não significa que seja um direito pessoal. Trata-se
de uma limitação que não é incompatível com o direito real. O que
importa para caracterizar este é o fato de se exercer sem
intermediário. Na posse, a sujeição da coisa é direta e imediata. Não
há um sujeito passivo determinado. O direito do possuidor se exerce
erga omnes. Todos são obrigados a respeitá-lo. Só os direitos reais
têm essa virtude. Verdade é que os interditos se apresentam com
certas qualidades de ação pessoal, mas nem por isso influem sobre a
natureza real do jus possessionis”
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 Maria Helena Diniz: A posse é um direito real, visto que é a visibilidade ou
desmembramento da propriedade no qual pode-se aplicar o princípio de que o
acessório segue o principal, pois não há propriedade sem posse.
 Completa que na posse encontra-se todos os caracteres do direito real, como:
1) Exercício direto, sem intermediário;
2) Oponibilidade erga omnes;
3) Incidência em objeto obrigatoriamente determinado.
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 Silvio Salvo Venosa: Posse é um estado de aparência, podendo ser
utilizado como requisito para a aquisição da propriedade, mas não é
um direito real.
 Silvio Rodrigues: Posse não pode ser considerada como um direito
real, pois não há configuração da mesma na enumeração do artigo
1225 do Código Civil de 2002.
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 Art. 1.196. Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o
exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à
propriedade.
 É difícil reconhecer a posse como um direito real, pois o nosso
Código Civil de 2002 não menciona ser a natureza da posse um
direito real, admitindo apenas que a posse é um fato, assim
adotando a teoria da objetividade, de Ihering.
7
TEORIAS EXPLICATIVAS DA POSSE
 Teoria Subjetivista ou Subjetiva
 Friedrich Carl von SAVIGNY
 Poder imediato sobre um bem + a intenção de tê-lo para si ou
defendê-lo de agressão contra quem quer que seja.
 A posse, para essa corrente, possui dois elementos:
- O primeiro seria o corpus, elemento material da posse,
constituído pelo poder físico ou de disponibilidade sobre a coisa.
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- O segundo elemento seria o subjetivo, o animus domini, a
intenção de ter a coisa para si, de exercer sobre ela o direito de
propriedade.
 A posse poderia ser delimitada de acordo com a seguinte fórmula,
apresentada por Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald
(Direitos reais..., 2006, p. 30)
POSSE = Corpus + Ânimus
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 Teoria Objetivista ou Objetiva
 Rudolf von IHERING
 Disposição física da coisa (ou a mera possibilidade de exercer
esse contato).
 Dispensa a intenção de ser dono;
 Este é formado pela atitude externa do possuidor em relação à
coisa, agindo este com o intuito de explorá-la economicamente.
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 Para essa teoria, dentro do conceito de corpus está ligado à intenção
de explorar a coisa com fins econômicos.
 Como apontam Cristiano Chaves e Nelson Rosenvald, pode ser
elaborada a seguinte fórmula para explanar essa teoria (Direitos
reais..., 2006, p. 32):
POSSE (TEORIA OBJETIVISTA) = CORPUS
11
 O Código Civil de 2002, a exemplo do seu antecessor (CC 1916),
adotou parcialmente a teoria objetivista de IHERING – Art. 1.196, CC.
Art. 1.196 do CC/2002 -> posse como o exercício pleno ou não de
alguns dos poderes inerentes à propriedade.
Basta a presença de um dos atributos da propriedade para que surja
a posse.
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POSSE ≠ DETENÇÃO
 O detentor não pode ser confundido com o possuidor, pela inteligência
do art. 1.198 do CC/2002: “Considera-se detentor aquele que,
achando-se em relação de dependência para com outro, conserva a
posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas.
Parágrafo único. Aquele que começou a comportar-se do modo como
prescreve este artigo, em relação ao bem e à outra pessoa, presume-se
detentor, até que prove o contrário”.
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 Maria Helena Diniz:
 Detentor ou fâmulo de posse -> gestor da posse.
A lei ressalva não ser possuidor aquele que, achando-se em relação
de dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e
em cumprimento de ordens e instruções suas.
 O detentor exerce sobre o bem não uma posse própria, mas uma
posse em nome de outrem.
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 É possível que o detentor defenda a posse alheia por meio da
autotutela, tratada pelo art. 1.210, § 1.º, do CC, conforme reconhece o
seguinte enunciado doutrinário, da V Jornada de Direito Civil: “O
detentor (art. 1.198 do Código Civil) pode, no interesse do possuidor,
exercer a autodefesa do bem sob seu poder” (Enunciado n. 493).
 Art. 1.210. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de
turbação, restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se
tiver justo receio de ser molestado.
§ 1 o O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou restituir-se
por sua própria força, contanto que o faça logo; os atos de defesa, ou
de desforço, não podem ir além do indispensável à manutenção, ou
restituição da posse.
O art. 1.208, CC : Não induzem posse os atos de mera permissão ou
tolerância.
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 Orlando Gomes, em obra atualizada por Luiz Edson Fachin: “são
servidores da posse, dentre outras pessoas as seguintes: os
empregados em geral, os diretores de empresa, os bibliotecários, os
viajantes em relação aos mostruários, os menores mesmo quando
usam coisas próprias, o soldado, o detento”.
 Conversão da detenção em posse➔ Enunciado n. 301, IV Jornada
de Direito Civil: “É possível a conversão da detenção em posse,
desde que rompida a subordinação, na hipótese de exercício em
nome próprio dos atos possessórios”.
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PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES DA POSSE
 Quanto à relação pessoa-coisa ou quanto ao desdobramento da
posse (art. 1.197 do CC):
 Posse direta ou imediata – aquela que é exercida por quem
tem a coisa materialmente, havendo um poder físico imediato.
Ex: locatário, o depositário, o comodatário e o usufrutuário.
 Posse indireta ou mediata – exercida por meio de outra pessoa,
havendo exercício de direito, geralmente decorrente da
propriedade.
Exemplos: locador, depositante, comodante e nu-proprietário.
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 Quanto à presença de vícios objetivos (art. 1.200 do CC):
 Posse justa – é a que não apresenta os vícios da violência, da
clandestinidade ou da precariedade, sendo uma posse limpa.
 Posse injusta – apresenta os referidos vícios, pois foi adquirida por
meio de ato de violência, ato clandestino ou de precariedade, nos
seguintes termos:
a) Posse violenta – é a obtida por meio de esbulho, for força física
ou violência moral. A doutrina tem o costume de associá-la ao
crime de roubo. Ex.: movimento popular invade violentamente,
removendo e destruindo obstáculos, uma propriedade rural
produtiva, que está sendo utilizada pelo proprietário, cumprindo a
sua função social.
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b) Posse clandestina – é a obtida às escondidas, de forma oculta, à
surdina, na calada da noite. É assemelhada ao crime de furto. Ex.:
movimento popular invade, à noite e sem violência, uma propriedade
rural que está sendo utilizada pelo proprietário, cumprindo a sua
função social.
c) Posse precária – é a obtida com abusode confiança ou de direito
(precário). Tem forma assemelhada ao crime de estelionato ou à
apropriação indébita, sendo também denominada esbulho pacífico.
Ex.: locatário de um bem móvel que não devolve o veículo ao final do
contrato.
Art. 1.200. É justa a posse que não for violenta, clandestina ou
precária.
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 Observação 1 – Basta a presença de apenas um dos critérios acima
para que a posse seja caracterizada como injusta, não havendo exigência
de cumulação.
 Observação 2 – A posse, mesmo que injusta, ainda é posse e pode ser
defendida por ações do juízo possessório, não contra aquele de quem se
tirou a coisa, mas sim em face de terceiros. Isso porque a posse somente é
viciada em relação a uma determinada pessoa (efeitos inter partes), não
tendo o vício efeitos contra todos, ou seja, erga omnes.
 Observação 3 – Em relação aos seus efeitos, os vícios da violência, da
clandestinidade ou da precariedade não influenciam na questão dos
frutos, das benfeitorias e das responsabilidades. Para tais questões, leva-
se em conta se a posse é de boa-fé ou má-fé, ou seja, critérios subjetivos,
que serão analisados a seguir.
 Observação 4 - Ainda, aquele que tem posse injusta não tem a posse
usucapível (ad usucapionem), ou seja, não pode adquirir a coisa por
usucapião.
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Quanto à boa-fé subjetiva ou intencional (art. 1.201 do CC):
 Posse de boa-fé – presente quando o possuidor ignora os vícios ou os
obstáculos que lhe impedem a aquisição da coisa ou quando tem um
justo título que fundamente a sua posse. Orlando Gomes a divide em
posse de boa-fé real quando “a convicção do possuidor se apoia em
elementos objetivos tão evidentes que nenhuma dúvida pode ser
suscitada quanto à legitimidade de sua aquisição” e posse de boa-fé
presumida “quando o possuidor tem o justo título”.
 Posse de má-fé – situação em que alguém sabe do vício que acomete
a coisa, mas mesmo assim pretende exercer o domínio fático sobre
esta. Neste caso, o possuidor nunca possui um justo título. De qualquer
modo, ainda que de má-fé, esse possuidor não perde o direito de
ajuizar a ação possessória competente para proteger-se de um
ataque de terceiro.
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 Quanto à presença de título:
 Posse com título – situação em que há uma causa representativa da
transmissão da posse, caso de um documento escrito, como ocorre na
vigência de um contrato de locação ou de comodato, por exemplo.
 Posse sem título – situação em que não há uma causa
representativa, pelo menos aparente, da transmissão do domínio
fático.
Exemplo: alguém acha um tesouro, depósito de coisas preciosas, sem
a intenção de fazê-lo. Nesse caso, a posse é qualificada como um
ato-fato jurídico, pois não há uma vontade juridicamente relevante
para que exista um ato jurídico
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 Quanto ao tempo:
 Posse nova – é a que conta com menos de um ano e um dia, ou seja, é
aquela com até um ano.
 Posse velha – é a que conta com pelo menos um ano e um dia, ou seja,
com um ano e um dia ou mais. Segue-se, nessa classificação, a doutrina
de Maria Helena Diniz e Carlos Roberto Gonçalves, que entendem que
a posse que tem um ano e um dia é velha.
Obs.: A classificação da posse quanto ao tempo é fundamental para a
questão processual relativa às ações possessórias. Enuncia o art. 924 do
CPC que “Regem o procedimento de manutenção e de reintegração de
posse as normas da seção seguinte, quando intentado dentro de ano e dia
da turbação ou do esbulho; passado esse prazo, será ordinário, não
perdendo, contudo, o caráter possessório”.
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 Quanto aos efeitos:
 Posse ad interdicta – constituindo regra geral, é a posse que pode ser
defendida pelas ações possessórias diretas ou interditos possessórios.
Exemplificando, tanto o locador quanto o locatário podem defender a
posse de uma turbação ou esbulho praticado por um terceiro. Essa
posse não conduz à usucapião.
 Posse ad usucapionem – exceção à regra, é a que se prolonga por
determinado lapso de tempo previsto na lei, admitindo-se a aquisição
da propriedade pela usucapião, desde que obedecidos os parâmetros
legais. Em outras palavras, é aquela posse com olhos à usucapião
(posse usucapível), pela presença dos seus elementos. A posse ad
usucapionem deve ser mansa, pacífica, duradoura por lapso temporal
previsto em lei, ininterrupta e com intenção de dono (animus domini –
conceito de Savigny). Além disso, em regra, deve ter os requisitos do
justo título e da boa-fé.24
O B R I G A D A !

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