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DIREITO CIVIL IV
AULA 03: POSSE - II.
ARTS. 1.196 A 1.224 DO CC.
PROF. YANNA SILVA
E-mail: profyannasilva@gmail.com
EFEITOS MATERIAIS DA POSSE
 PERCEPÇÃO DOS FRUTOS E DAS SUAS CONSEQUÊNCIAS
 Bens acessórios.
 Apenas o possuidor de boa-fé tem direito aos frutos.
 Art. 1.214. O possuidor de boa-fé tem direito, enquanto ela
durar, aos frutos percebidos.
Parágrafo único. Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a
boa-fé devem ser restituídos, depois de deduzidas as despesas
da produção e custeio; devem ser também restituídos os frutos
colhidos com antecipação.
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 Possuidor de má-fé - art. 1.216 do CC/2002.
 Todavia, esse possuidor tem direito às despesas da produção e de
custeio.
Art. 1.216. O possuidor de má-fé responde por todos os frutos colhidos
e percebidos, bem como pelos que, por culpa sua, deixou de perceber,
desde o momento em que se constituiu de má-fé; tem direito às
despesas da produção e custeio.
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 A INDENIZAÇÃO E A RETENÇÃO DE BENFEITORIAS:
 Benfeitorias - bens acessórios introduzidos em um bem móvel ou
imóvel, visando a sua conservação ou melhora da sua utilidade.
 Art. 96 do CC/2002:
a) Benfeitorias necessárias;
b) Benfeitorias úteis;
c) Benfeitorias voluptuárias.
 Enuncia o art. 1.219 do CC/2002 que o possuidor de boa-fé tem
direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem
como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las,
quando o puder sem detrimento da coisa.4
 Locação de imóvel urbano - há regras específicas relativas às
benfeitorias previstas nos arts. 35 e 36 da Lei 8.245/1991.
 Art. 35 da Lei de Locação - salvo expressa disposição em
contrário, as benfeitorias necessárias introduzidas pelo locatário,
ainda que não autorizadas pelo locador, bem como as úteis,
estas desde que autorizadas, são indenizáveis e permitem o
direito de retenção.
 Já as benfeitorias voluptuárias não são indenizáveis, podendo
ser levantadas pelo locatário, finda a locação, desde que a sua
retirada não afete a estrutura e a substância do imóvel (art. 36
da Lei 8.245/1991).
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 AS RESPONSABILIDADES:
 Art. 1.217 do CC/2002 - possuidor de boa-fé não responde pela
perda ou deterioração da coisa, a que não der causa.
 Responsabilidade subjetiva;
 Art. 1.218 - possuidor de má-fé responde pela perda ou
deterioração da coisa, ainda que acidentais, salvo se provar que
de igual modo se teriam dado, estando ela na posse do
reivindicante.
 A responsabilidade do possuidor de má-fé é objetiva.
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 O DIREITO À USUCAPIÃO:
 Um dos principais efeitos decorrentes da posse.
Modo particular de adquirir o domínio.
 Código Civil, em relação à propriedade imóvel, consagra as
seguintes modalidades de usucapião de bem imóvel:
a) usucapião ordinária (art. 1.242 do CC);
b) usucapião extraordinária (art. 1.238 do CC);
c) usucapião especial rural (art. 1.239 do CC, já prevista
anteriormente na Constituição Federal); e
d) usucapião especial urbana (art. 1.240 do CC, também constante
do Texto Maior).
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 Há ainda a usucapião indígena (Lei 6.001/1973 – Estatuto do
Índio) e a usucapião coletiva (Lei 10.257/2001 – Estatuto da
Cidade).
 Usucapião administrativa, sem ação judicial, tratada pelo art.
60 da Lei Minha Casa, Minha Vida (Lei 11.977/2009): Sem
prejuízo dos direitos decorrentes da posse exercida
anteriormente, o detentor do título de legitimação de posse,
após 5 (cinco) anos de seu registro, poderá requerer ao oficial
de registro de imóveis a conversão desse título em registro de
propriedade, tendo em vista sua aquisição por usucapião, nos
termos do art. 183 da Constituição Federal.
EFEITOS PROCESSUAIS DA POSSE
 A FACULDADE DE INVOCAR OS INTERDITOS POSSESSÓRIOS:
 Ações possessórias diretas.
Manutenção ou restituição da posse.
 R a partir do art. 920 do CPC.
Na prática, são três situações concretas que possibilitam a
propositura de três ações correspondentes:
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No caso de ameaça à posse (risco de atentado à posse) =
caberá ação de interdito proibitório.
No caso de turbação (atentados fracionados à posse) = caberá
ação de manutenção de posse – Art. 1.210, CC.
No caso de esbulho (atentado consolidado à posse) = caberá
ação de reintegração de posse.
OBS: Na prática, é interessante aqui esclarecer que, no caso de
invasão parcial de um terreno, a ação cabível não é a de manutenção
de posse, mas a de reintegração.
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 Na ameaça não há ainda qualquer atentado concretizado, como no
caso dos integrantes de um movimento popular que se encontram
acampado próximo a uma propriedade, sem que esta seja invadida –
situação de mero risco.
OBS: Por oportuno, vale lembrar que, conforme a Súmula 228 do
Superior Tribunal de Justiça “É inadmissível o interdito proibitório para
a proteção do direito autoral”.
 Na turbação já houve atentado à posse em algum momento, como, por
exemplo, no caso dos integrantes desse mesmo movimento popular que
levam os cavalos para pastar na fazenda que será.
 Por fim, no esbulho, houve o atentado definitivo. Ex.: Os integrantes do
movimento popular adentraram na fazenda e lá se estabeleceram.11
 O art. 920 do CPC consagra a fungibilidade total entre as três medidas,
nos seguintes termos: “A propositura de uma ação possessória em vez de
outra não obstará a que o juiz conheça do pedido e outorgue a proteção
legal correspondente àquela, cujos requisitos estejam provados”.
 Uma ação possessória pode ser convertida em outra livremente, se for
alterada a situação fática que a fundamenta.
 Art. 1.210, caput, do CC/2002: “O possuidor tem direito a ser mantido na
posse em caso de turbação, restituído no de esbulho, e segurado de
violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado”.
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Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: TCE-RR Prova: FGV - 2025 - TCE-RR -
Auditor de Controle Externo - Ciências Jurídicas
Em 2021, Gertrudes adquiriu, de boa-fé, um imóvel rural mediante
contrato de compra e venda. Posteriormente, em 2023, descobriu que
o vendedor não detinha a titularidade do domínio. Durante o período
em que acreditava ser proprietária legítima, Gertrudes realizou no
imóvel diversas benfeitorias, classificadas como necessárias, úteis e
voluptuárias, tais como: instalação de cercas de proteção, construção
de uma casa de alvenaria e de um lago ornamental.
Em 2024, o verdadeiro proprietário ajuizou ação reivindicatória,
obtendo sentença favorável que determinou a restituição do imóvel. Ao
ser intimada a desocupar o bem, Gertrudes requereu indenização pelas
benfeitorias realizadas e o direito de retenção até o recebimento do
valor correspondente.
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Considerando a situação hipotética apresentada, é correto afirmar que
A) o possuidor de boa-fé é obrigado a compensar o legítimo proprietário pelos frutos
obtidos durante o período de posse, no entanto, as despesas de manutenção e
investimento devem ser deduzidas.
B) durante a posse de boa-fé, o possuidor é responsável pela perda ou danos à coisa,
mesmo que sejam acidentais ou imprevistos, a menos que possa demonstrar que as
mesmas circunstâncias teriam ocorrido se o objeto estivesse na posse do reclamante.
C) o possuidor de boa-fé faz jus à indenização pelas benfeitorias necessárias e úteis
realizadas; em relação às benfeitorias voluptuárias, caso não sejam indenizadas,
podem ser levantadas, desde que não haja detrimento da coisa.
D) o possuidor de boa-fé é responsável por todos os frutos colhidos e percebidos,
assim como por aqueles que, por sua culpa, deixou de perceber. No entanto, assiste-
lhe o direito ao ressarcimento das despesas de custeio e produção.
E) os frutos pendentes no momento em que cessar a boa-fé pertencem ao possuidor,
cabendo ao legítimo proprietário indenizá-los pelo valor de mercado, acrescido das
despesas de produção e custeio.
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POSSIBILIDADE DE INGRESSO DE OUTRAS AÇÕES POSSESSÓRIAS
 DA AÇÃO DE NUNCIAÇÃO DE OBRA NOVA OU EMBARGO DE
OBRA NOVA:
 Visa a impedir a continuação de obras no terreno vizinho que lhe
prejudiquem ou que estejam em desacordo com os regulamentos
civis e administrativos. Rito especial - Arts. 934 a 940, CPC.
 Dispõe o art. 934, I, do CPC que essa ação compete ao
proprietário ou possuidor.
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 A ação também cabe ao condômino, para impedir que o
coproprietário execute alguma obra com prejuízo ou alteração da
coisa comum; ou ao Município, a fim de impedir que o particular
construa em contravenção da lei, do regulamento ou de postura
(art. 934, II e III, do CPC).
 Em havendo necessidade de demolição, colheita, corte de
madeiras, extração de minérios e obras semelhantes, pode incluir-
se o pedido de apreensão e depósito dos materiais e produtos já
retirados (art. 936, parágrafo único, do CPC).
 A ação de nunciação pode ser convertida em ação demolitória,
conforme posicionamento da jurisprudência (RT 533/1976).
Entretanto, para essa conversão, deve-se levar em conta a
razoabilidade, em atenção ao princípio da função social da posse
e da propriedade.16
 DOS EMBARGOS DE TERCEIRO:
 Rito especial – Arts. 674 a 681, CC.
 Remédio processual para a defesa da posse, ou mesmo da
propriedade, por aquele que for turbado ou esbulhado por atos
de apreensão judicial.
 Deve ser equiparado a terceiro a parte que, posto figure no
processo, defende bens que, pelo título de sua aquisição ou pela
qualidade em que os possuir, não podem ser atingidos pela
apreensão judicial.
 Considera-se também terceiro o cônjuge quando defende a posse
de bens próprios ou de sua meação.
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 DA AÇÃO DE IMISSÃO DE POSSE:
Não há menção no atual CPC.
 É tida como uma ação petitória e não possessória.
Não se pode deixar enganar pelo seu nome, portanto. O seu
fundamento principal é o art. 1.228 e não o 1.196 do CC.
 Segue o rito ordinário.
 A ação é fundada em título de propriedade, sem que o
interessado tenha tido posse.
Ex.: o proprietário que arrematou o bem em leilão e quer adentrar
no imóvel.
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 DA AÇÃO PUBLICIANA:
 Ação petitória, fundada no domínio.
 Reaver a posse daquele que reúne todos os requisitos da ação de
usucapião, mas não requereu judicialmente o reconhecimento desta
e sofreu um esbulho.
 É uma espécie de reivindicatória sem título, que visa reaver a
posse perdida e garantir a usucapião, sendo uma ação de
natureza declaratória e com efeitos inter partes.
 Segue rito ordinário não se aplicando as regras previstas para as
ações possessórias diretas.
 A sentença não serve de título para registrar o bem no Cartório
de Registro de Imóveis, sendo necessária a ação de usucapião.19
COMPOSSE OU COMPOSSESSÃO
Duas ou mais pessoas exercem, simultaneamente, poderes possessórios
sobre a mesma coisa - condomínio de posses.
 Pode ser decorrente de contrato ou de herança, tendo origem
inter vivos ou mortis causa.
Ex.: Nos contratos, doação conjuntiva, a dois donatários, mantendo
ambos a posse sobre o imóvel doado. Na herança, pode ser citada a
situação dos herdeiros antes da partilha dos bens, ainda em curso o
inventário.
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Desde que não haja exclusão do direito alheio, qualquer um dos
possuidores poderá fazer uso das ações possessórias, no caso de
atentado praticado por terceiro.
Em relação a terceiros, como se fossem um único sujeito, qualquer dos
possuidores poderá usar os remédios possessórios que se fizerem
necessários, tal como acontece no condomínio.
Há composse de bens entre cônjuges, de acordo com as
correspondentes regras de regime de bens; e também entre conviventes
ou companheiros, havendo união estável (art. 1.723 do CC).
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 Relativamente ao seu estado, a composse admite a classificação a seguir:
 Composse pro indiviso ou indivisível – é a situação em que os
compossuidores têm fração ideal da posse, pois não é possível determinar,
no plano fático e corpóreo, qual a parte de cada um.
Ex.: dois irmãos têm a posse de uma fazenda e ambos exercem-na sobre
todo o imóvel, retirando dele produção de hortaliças.
 Composse pro diviso ou divisível – nesta situação, cada compossuidor sabe
qual a sua parte, que é determinável no plano fático e corpóreo, havendo
uma fração real da posse.
Ex.: dois irmãos têm a composse de uma fazenda, que é dividida ao meio
por uma cerca. Em metade dela um irmão tem uma plantação de
rabanetes; na outra metade o outro irmão cultiva beterrabas.
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PERDA DA POSSE
Em relação à perda da posse, o legislador atual preferiu utilizar
expressões genéricas, ao prever no art. 1.223 do Código Civil vigente
que “Perde-se a posse quando cessa, embora contra a vontade do
possuidor, o poder sobre o bem, ao qual se refere o art. 1.196”.
Cessando os atributos relativos à propriedade, cessa a posse, que é
perdida, extinta.
Determina o art. 1.224 do atual Código Civil que só se considera
perdida a posse para quem não presenciou o esbulho, quando, tendo
notícia dele, se abstém de retornar a coisa, ou, tentando recuperá-la, é
violentamente repelido.
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A norma mantém íntima relação com a boa-fé objetiva, particularmente
com a perda de um direito ou de posição jurídica pelo seu não exercício
no tempo.
O possuidor que não toma as medidas cabíveis ao ter conhecimento do
esbulho não pode, após isso, insurgir-se contra o ato de terceiro. A lei
acaba por presumir que a sua posse está perdida, admitindo-se,
obviamente, prova em contrário.
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O B R I G A D A !

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