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## Resumo sobre Princípios Constitucionais FundamentaisEste material aborda os princípios fundamentais da Constituição Federal de 1988, detalhando conceitos essenciais para a compreensão do ordenamento jurídico brasileiro, especialmente os previstos nos artigos 1º a 4º da CF/88. Inicialmente, destaca-se a distinção entre normas regras e normas princípios, sendo as primeiras específicas e impositivas de condutas determinadas, enquanto as últimas são genéricas, estabelecendo diretrizes e valores a serem ponderados. Por exemplo, o artigo 37 da CF/88 contém tanto normas regras, como a vedação à divulgação da imagem de agentes políticos em propagandas governamentais, quanto normas princípios, como o princípio da impessoalidade.### Princípios Fundamentais e NormasOs princípios fundamentais englobam o Princípio Republicano, o Estado Democrático de Direito, o Princípio Federativo, os Fundamentos da República, o Princípio Democrático, a Separação dos Poderes, os Objetivos Fundamentais da República e os Princípios das Relações Internacionais. Estes princípios são normas genéricas que sustentam a Constituição e podem ser ponderados entre si em caso de conflito, diferentemente das normas regras, que devem ser cumpridas integralmente ou não. Essa ponderação permite otimizar os valores constitucionais, garantindo flexibilidade e equilíbrio na aplicação do direito.### Formas e Sistemas de GovernoO texto também explora as formas de governo, classificadas segundo Maquiavel em República e Monarquia, e segundo Aristóteles em puras e impuras, conforme a finalidade dos governantes. A República se caracteriza pela eletividade e temporariedade dos governantes, enquanto a Monarquia baseia-se na hereditariedade e vitaliciedade. Já Aristóteles distingue formas puras, que buscam o bem comum (Monarquia, Aristocracia, Democracia), das impuras, que visam o interesse particular (Tirania, Oligarquia, Demagogia).Quanto aos sistemas de governo, são destacados o parlamentarismo e o presidencialismo. No parlamentarismo, o Parlamento detém superioridade, o chefe do Executivo é o Primeiro-Ministro, e as funções de chefe de Estado e chefe de Governo são exercidas por pessoas distintas. No presidencialismo, há equilíbrio entre os poderes, o Presidente acumula as funções de chefe de Estado e chefe de Governo, e é eleito diretamente pelo povo. O Brasil adota o sistema presidencialista desde 1963, com exceção do breve período parlamentarista entre 1961 e 1963.### Forma de Estado e FederaçãoA forma de Estado refere-se à repartição territorial do poder, podendo ser unitária ou federada. No Estado unitário, o poder é centralizado, podendo ser puro ou descentralizado administrativamente, como em Portugal. No Estado federado, como o Brasil, o poder é descentralizado, existindo múltiplos entes federativos (União, Estados, Municípios) com autonomia política, legislativa e administrativa. A federação brasileira é caracterizada pelo federalismo centrífugo, onde o Estado unitário descentraliza o poder para os entes federados, que possuem autonomia política, mas não soberania, atributo exclusivo da República Federativa do Brasil.Além disso, o material diferencia federação de confederação, sendo esta última uma união dissolúvel de Estados soberanos, regida por tratados internacionais, com possibilidade de secessão, enquanto a federação é indissolúvel e regida por uma Constituição Federal. A federação brasileira possui características fundamentais, como a autonomia política dos entes federados, a indissolubilidade do vínculo federativo, a intervenção federal em casos excepcionais, a existência de um órgão legislativo representativo (Senado Federal), um tribunal federativo (Supremo Tribunal Federal), vedações constitucionais para garantir a solidez do pacto federativo e a forma federativa como cláusula pétrea.### Democracia e Estado de DireitoA democracia é definida como o poder originário do povo, exercido direta ou indiretamente. O Brasil adota a democracia semidireta ou mista, combinando a eleição de representantes com mecanismos de participação popular direta, como plebiscitos, referendos e iniciativas populares. O Estado de Direito, por sua vez, é o Estado cujos poderes são limitados, em contraposição ao Estado Absoluto. No Brasil, isso implica responsabilização política dos governantes, obrigatoriedade de prestação de contas e garantia dos direitos fundamentais.O Estado de Direito evoluiu em três fases: o Estado liberal, que impõe limites negativos ao Estado; o Estado social, que exige atuação estatal para garantir direitos mínimos e justiça social; e o Estado democrático, que limita o poder estatal e o submete ao controle popular, refletindo a influência da globalização e da revolução tecnocientífica.### Fundamentos e Objetivos da RepúblicaOs fundamentos da República Federativa do Brasil, previstos no artigo 1º da CF/88, são: soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana, valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, e pluralismo político. Estes fundamentos são normas de eficácia plena e aplicabilidade imediata, servindo como bases para o ordenamento jurídico e a organização do Estado. A dignidade da pessoa humana é considerada o "meta princípio" que orienta todos os demais, fundamentando decisões judiciais e políticas públicas.Os objetivos fundamentais, previstos no artigo 3º, são metas a serem alcançadas, como construir uma sociedade livre, justa e solidária, garantir o desenvolvimento nacional, erradicar a pobreza e marginalização, e promover o bem de todos sem discriminação. Diferentemente dos fundamentos, os objetivos são normas de eficácia limitada, aplicáveis de forma mediata e progressiva.### Princípios das Relações Internacionais e Separação dos PoderesO artigo 4º da CF/88 estabelece os princípios que regem as relações internacionais do Brasil, incluindo independência nacional, prevalência dos direitos humanos, autodeterminação dos povos, não intervenção, igualdade entre os Estados, defesa da paz, solução pacífica de conflitos, repúdio ao terrorismo e racismo, cooperação para o progresso da humanidade e concessão de asilo político. O texto diferencia as figuras do asilo político, concedido no território brasileiro a perseguidos políticos, do asilo diplomático, que ocorre em embaixadas no exterior, e do refúgio político, destinado a vítimas de guerra ou graves violações de direitos humanos.Por fim, o princípio da separação dos poderes, originado em Aristóteles e desenvolvido por Montesquieu, estabelece a independência e harmonia entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, com mecanismos de freios e contrapesos para garantir o equilíbrio e evitar abusos. O artigo 2º da CF/88 explicita essa separação, detalhando as funções típicas e atípicas de cada poder e exemplificando a fiscalização recíproca, como o controle de constitucionalidade das leis pelo Judiciário e a nomeação de ministros do STF pelo Executivo com aprovação do Legislativo.---### Destaques- **Princípios fundamentais** são normas genéricas que sustentam a Constituição e podem ser ponderados, diferentemente das normas regras, que são específicas e devem ser cumpridas integralmente.- **Formas de governo** distinguem-se entre República (eletiva e temporária) e Monarquia (hereditária e vitalícia), enquanto **sistemas de governo** referem-se à relação entre poderes, destacando-se o presidencialismo e o parlamentarismo.- **Forma federativa de Estado** no Brasil é caracterizada pela autonomia política dos entes federados, indissolubilidade do pacto federativo, e cláusula pétrea constitucional.- **Democracia brasileira** é semidireta, combinando representação popular com participação direta em decisões políticas.- **Estado de Direito** limita o poder estatal, assegura responsabilização dos governantes e direitos fundamentais, evoluindo em fases liberal, social e democrática.- **Fundamentos da República** incluem soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana, valores sociais do trabalho e livre iniciativa, e pluralismo político.- **Separação dos poderes** garanteindependência e harmonia entre Legislativo, Executivo e Judiciário, com mecanismos de controle mútuo para preservar o equilíbrio institucional.

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