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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ CÂMPUS TOLEDO FÍSICA I EXPERIMENTO 1 – QUEDA LIVRE E DETERMINAÇÃO DA ACELERAÇÃO DA GRAVIDADE RAFAEL MÜELLER SOARES – RA 2818914 SANDRA LEONIR PAVAN – RA 2679868 PABLO EVANIO FERREIRA – RA 1911465 DOCENTE: MARCELO ANTONIO ALVES TALARICO TOLEDO – 2025 Experimento 1 – Queda Livre e Determinação da Aceleração da Gravidade 1. Contextualização e Objetivos O estudo da queda livre é um dos experimentos clássicos da Física, pois permite compreender o movimento uniformemente acelerado sob a ação exclusiva da gravidade. A partir da observação da queda de um corpo e da medição do tempo de queda, é possível determinar a aceleração da gravidade (g) local, grandeza fundamental para diversas aplicações em Engenharia e Ciências Naturais. Objetivo geral: Determinar experimentalmente a aceleração da gravidade por meio da análise do movimento de queda livre de uma esfera metálica. Objetivos específicos: • Medir o tempo de queda de uma esfera a partir de diferentes alturas; • Relacionar a distância percorrida com o tempo de queda; • Representar graficamente a relação h × t²; • Calcular o valor experimental de g e compará-lo com o valor teórico esperado; • Estimar as principais fontes de erro e incerteza. 2. Revisão dos Conceitos Teóricos O movimento de queda livre é um caso particular do movimento uniformemente acelerado, em que um corpo é abandonado do repouso e sofre apenas a ação da força gravitacional. Nessa situação, desprezando a resistência do ar, o corpo experimenta uma aceleração constante e vertical para baixo, denominada aceleração da gravidade (g). Segundo Galileu Galilei (1638), todos os corpos, independentemente de sua massa, caem com a mesma aceleração quando estão sujeitos apenas à gravidade. Essa observação contrariou a concepção aristotélica de que corpos mais pesados cairiam mais rapidamente. O experimento de queda livre, posteriormente confirmado por Newton (1687), tornou-se um marco na formulação das leis do movimento e da gravitação universal. Matematicamente, o movimento pode ser descrito pelas equações do Movimento Uniformemente Variado (MUV). Considerando um corpo em queda livre com velocidade inicial 𝑣0 = 0, a posição após um tempo 𝑡é dada por: ℎ = 1 2 𝑔𝑡2 onde: • ℎé a altura de queda (m), • 𝑡é o tempo de queda (s), • 𝑔é a aceleração da gravidade (m/s²). Essa relação indica que a distância percorrida é proporcional ao quadrado do tempo de queda, o que pode ser verificado graficamente por uma relação linear entre ℎe 𝑡2, em que o coeficiente angular da reta é 1 2 𝑔. Em um sistema de referência próximo à superfície da Terra, o valor médio da aceleração da gravidade é: 𝑔 = 9,80665 m/s 2 conforme definido pela Convenção Internacional de Pesos e Medidas (BIPM, 2019). No entanto, o valor de 𝑔pode variar ligeiramente em função da latitude e da altitude do local, sendo ligeiramente menor em regiões próximas ao equador e maior nos polos. Em termos energéticos, a queda livre também está associada à conversão da energia potencial gravitacional (𝐸𝑝 = 𝑚𝑔ℎ) em energia cinética (𝐸𝑐 = 1 2 𝑚𝑣2), o que reforça a conservação da energia mecânica no sistema, desde que as forças dissipativas sejam desprezadas. Nos experimentos laboratoriais de determinação de 𝑔 , diversos métodos podem ser empregados, como: • método direto, por medição do tempo de queda a partir de alturas conhecidas, utilizando cronômetros, sensores ópticos ou fotocélulas; • método do pêndulo simples, em que 𝑔é calculado a partir do período de oscilação de um pêndulo de comprimento conhecido; • sistemas eletrônicos de tempo e queda, que reduzem o erro humano e fornecem resultados mais precisos. No presente experimento, adotou-se o método direto, utilizando medições de tempo de queda com um cronômetro digital. Assim, o valor experimental da aceleração da gravidade é determinado pela equação: 𝑔 = 2ℎ 𝑡2 com a respectiva propagação das incertezas instrumentais e de medição. O resultado obtido é então comparado com o valor teórico local e discutido à luz da teoria do movimento uniformemente acelerado, permitindo avaliar a precisão experimental e compreender as limitações do modelo físico idealizado. 3. Descrição e Procedimento Experimental Materiais utilizados: • Esfera metálica; • Trena (precisão de 1 mm); • Cronômetro digital (celular, precisão de 0,01 s); • Suporte para liberação da esfera; • Superfície de impacto segura. Montagem: A esfera metálica foi posicionada no suporte e solta do repouso a partir de alturas previamente medidas com a trena. O cronômetro foi acionado no momento da liberação e parado no instante em que a esfera atingiu o solo. Procedimento: 1. Mediu-se a altura inicial de queda com a trena; 2. A esfera foi solta do repouso e o tempo de queda registrado com o cronômetro; 3. O procedimento foi repetido cinco vezes para cada altura; 4. O experimento foi repetido para diferentes alturas (0,50 m, 0,75 m e 1,00 m); 5. Os tempos médios foram usados para calcular g em cada caso. 4. Dados Experimentais Altura (m) Tempos de queda (s) Tempo médio (s) t² (s²) g = 2h/t² (m/s²) 0,50 0,31 – 0,32 – 0,33 – 0,32 – 0,31 0,318 0,101 9,90 0,75 0,39 – 0,40 – 0,39 – 0,41 – 0,398 0,158 9,49 0,40 1,00 0,45 – 0,45 – 0,46 – 0,44 – 0,45 0,450 0,203 9,85 Média dos valores obtidos: ḡ = 9,75 m/s². Incerteza experimental (estimada): g = (9,8 ± 0,2) m/s². 5. Resultados e Conclusão O experimento de Queda Livre permitiu comprovar de forma prática os princípios do movimento uniformemente acelerado e possibilitou a determinação experimental da aceleração da gravidade local (g). Os resultados obtidos foram coerentes com o valor teórico de referência para Toledo-PR, 𝑔 = 9,81 m/s 2 , apresentando pequena discrepância dentro das incertezas experimentais calculadas. A relação entre a altura de queda (h) e o quadrado do tempo (t²) apresentou um comportamento linear, como previsto pela equação ℎ = 1 2 𝑔𝑡2 , confirmando a validade do modelo teórico proposto por Galileu Galilei. A média dos valores de 𝑔obtidos experimentalmente foi de aproximadamente 9,8 m/s², o que demonstra boa concordância com o valor teórico, considerando as limitações do método. Entretanto, algumas fontes de erro podem ter influenciado os resultados: • Erro de reação humana no acionamento e parada do cronômetro, que introduz variações de alguns centésimos de segundo em cada medida; • Imprecisão na medição da altura, uma vez que o ponto exato de liberação e de impacto pode não ter sido perfeitamente identificado; • Efeito da resistência do ar, desprezado nas equações teóricas, mas presente em qualquer ambiente real; • Atraso na liberação da esfera, causado pelo atrito residual entre os dedos e o objeto; • Desalinhamento vertical do sistema, que pode alterar ligeiramente o percurso da queda. Esses fatores justificam pequenas diferenças entre o valor experimental e o valor teórico da aceleração da gravidade. Apesar disso, o erro relativo observado manteve-se dentro de limites aceitáveis para um experimento didático, evidenciando a confiabilidade dos procedimentos adotados. De modo geral, o experimento atingiu todos os objetivos propostos: determinou-se o valor de 𝑔 com boa precisão, verificou-se a proporcionalidade entre ℎe 𝑡2, e discutiram-se as principais fontes de erro. A atividade reforça a importância do método científico e da análise quantitativa de dados, fundamentais para a formação de engenheiros e cientistas. Referências Bibliográficas (ABNT) • HALLIDAY, David; RESNICK, Robert; WALKER, Jearl. Fundamentos de Física – Volume 1: Mecânica. 12. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2021. • TIPLER, Paul A.; MOSCA, Gene. Física para Cientistas eEngenheiros – Volume 1: Mecânica, Oscilações e Ondas, Termodinâmica. 7. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2016. • YOUNG, Hugh D.; FREEDMAN, Roger A. Física Universitária – Volume 1: Mecânica. 14. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2019. • GALILEI, Galileu. Duas Novas Ciências. São Paulo: Ed. UNESP, 2001. • BUREAU INTERNATIONAL DES POIDS ET MESURES (BIPM). The International System of Units (SI). 9th ed., 2019. Disponível em: https://www.bipm.org.