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FORRAGICULTURA E PASTAGEM

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Questões resolvidas

Qual é a importância da forragicultura brasileira para a criação de bovinos?

Qual é o principal gargalho da criação de animais a pasto?

Na produção animal a pasto temos que nos atentar ao valor nutritivo das plantas forrageiras, para que os animais possam ingerir um alimento de qualidade. Dessa forma é de extrema importância que sejam realizadas análises químicas da qualidade da planta durante o seu ciclo vegetativo, de forma com que, caso seja necessário, seja realizada uma suplementação alimentar. Dessa forma, o desempenho animal pode ser afetado e incrementado.

A diferenciação do aspecto fisiológico das gramíneas e leguminosas forrageiras se dá principalmente por processos da fotossíntese, mais especificamente na etapa de carboxilação. Existem as plantas de ciclo C3, que são as gramíneas de clima temperado (clima mais frio), e as plantas de ciclo C4, que são as gramíneas de clima tropical (clima mais quente). Com base nessa diferenciação, analise as seguintes afirmacoes:
I- As gramíneas de ciclo C3 são mais eficientes na fixação de carbono.
II- As gramíneas de ciclo C4 apresentam maior eficiência na utilização da água.
III- As leguminosas forrageiras são exclusivamente de ciclo C3.
a) Apenas I está correta.
b) Apenas II está correta.
c) Apenas III está correta.
d) I e II estão corretas.
e) II e III estão corretas.

O ponto ideal de colheita das forragens utilizadas para ensilagem pode ser determinado por:

✔Coloração de folhas;

✔Dias após plantio;

✔Teor de matéria seca – sendo esse o critério mais preciso (para o milho e sorgo esse teor é de 30 a 35%) (NUSSIO, 1991);

✔ Linha do leite – quando se fala em silagem de milho.

A questão da matéria seca é extremamente importante já que é um limite para uma boa ensilagem: o baixo teor significa uma alta umidade da forragem, o que origina uma produção elevada de efluentes. A produção de efluentes em demasia acarreta a lixiviação de nutrientes potencialmente digestíveis, o aumento da proteólise e também o crescimento de bactérias do gênero clostridium (SANTOS et al., 2013). A situação contrária, ou seja, quando há baixo teor de matéria seca, por exemplo, maior que 38%, origina uma maior dificuldade para compactação da massa de silagem no decorrer da sua confecção – esse problema acarreta outro: redução da densidade do silo. Quando o teor de matéria seca passa de 40% é necessário atentar para o tamanho da partícula, que deve ser uniforme e demanda uma grande potência do equipamento que é utilizado para a colheita da forragem.

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Questões resolvidas

Qual é a importância da forragicultura brasileira para a criação de bovinos?

Qual é o principal gargalho da criação de animais a pasto?

Na produção animal a pasto temos que nos atentar ao valor nutritivo das plantas forrageiras, para que os animais possam ingerir um alimento de qualidade. Dessa forma é de extrema importância que sejam realizadas análises químicas da qualidade da planta durante o seu ciclo vegetativo, de forma com que, caso seja necessário, seja realizada uma suplementação alimentar. Dessa forma, o desempenho animal pode ser afetado e incrementado.

A diferenciação do aspecto fisiológico das gramíneas e leguminosas forrageiras se dá principalmente por processos da fotossíntese, mais especificamente na etapa de carboxilação. Existem as plantas de ciclo C3, que são as gramíneas de clima temperado (clima mais frio), e as plantas de ciclo C4, que são as gramíneas de clima tropical (clima mais quente). Com base nessa diferenciação, analise as seguintes afirmacoes:
I- As gramíneas de ciclo C3 são mais eficientes na fixação de carbono.
II- As gramíneas de ciclo C4 apresentam maior eficiência na utilização da água.
III- As leguminosas forrageiras são exclusivamente de ciclo C3.
a) Apenas I está correta.
b) Apenas II está correta.
c) Apenas III está correta.
d) I e II estão corretas.
e) II e III estão corretas.

O ponto ideal de colheita das forragens utilizadas para ensilagem pode ser determinado por:

✔Coloração de folhas;

✔Dias após plantio;

✔Teor de matéria seca – sendo esse o critério mais preciso (para o milho e sorgo esse teor é de 30 a 35%) (NUSSIO, 1991);

✔ Linha do leite – quando se fala em silagem de milho.

A questão da matéria seca é extremamente importante já que é um limite para uma boa ensilagem: o baixo teor significa uma alta umidade da forragem, o que origina uma produção elevada de efluentes. A produção de efluentes em demasia acarreta a lixiviação de nutrientes potencialmente digestíveis, o aumento da proteólise e também o crescimento de bactérias do gênero clostridium (SANTOS et al., 2013). A situação contrária, ou seja, quando há baixo teor de matéria seca, por exemplo, maior que 38%, origina uma maior dificuldade para compactação da massa de silagem no decorrer da sua confecção – esse problema acarreta outro: redução da densidade do silo. Quando o teor de matéria seca passa de 40% é necessário atentar para o tamanho da partícula, que deve ser uniforme e demanda uma grande potência do equipamento que é utilizado para a colheita da forragem.

Prévia do material em texto

Professora Doutora Camila Cano Serafim
FORRAGICULTURA E 
PASTAGEM
REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira
DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença 
DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima
DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto 
DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini
DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel
COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Profa. Ma. Luciana Moraes
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Profa. Ma. Luciana Moraes
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Me. Jeferson de Souza Sá
COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
COORDENAÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA EAD Profa. Ma. Sônia Maria Crivelli Mataruco
COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas
REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling 
 Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante
 Caroline da Silva Marques 
 Eduardo Alves de Oliveira
 Jéssica Eugênio Azevedo
 Marcelino Fernando Rodrigues Santos
PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos
 Hugo Batalhoti Morangueira
 Vitor Amaral Poltronieri
ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz 
DE VÍDEO Carlos Firmino de Oliveira 
 Carlos Henrique Moraes dos Anjos
 Kauê Berto
 Pedro Vinícius de Lima Machado
 Thassiane da Silva Jacinto 
FICHA CATALOGRÁFICA
 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP
S482f Serafim, Camila Cano
 Forragicultura e pastagem / Camila Cano Serafim.
 Paranavaí: EduFatecie, 2023.
 91 p. : il. Color.
 1.Forragem. 2. Pastagens – Manejo. I. Centro Universitário
 UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título.
 CDD: 23. ed. 633.2
 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577
As imagens utilizadas neste material didático 
são oriundas dos bancos de imagens 
Shutterstock .
2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie.
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva
dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da 
obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la 
de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.
https://www.shutterstock.com/pt/
3
AUTORA
Professora Dra. Camila Cano Serafim
 ●Doutora em Ciência Animal pela UEL (Universidade Estadual de Londrina).
 ●Mestra em Saúde e Produção de Ruminantes pela UNOPAR (Universidade Norte do 
Paraná).
 ●Bacharela em Medicina Veterinária pela UNOPAR (Universidade Norte do Paraná).
 ●Técnica em Agropecuária pela ETEC Prof. Dr. Antonio Eufrásio de Toledo (Centro 
Paula Souza).
 ●Analista de Aplicação em Grandeo Tecnologia Analítica.
 ●Professora EAD disciplina Forragicultura e Pastagens (Unifatecie).
Experiência como pesquisadora na área de Produção animal, com ênfase em 
análise de alimentos na Nutrição de Ruminantes. Experiência em análise quimiométrica 
de dados e espectroscopia de infravermelho próximo na avaliação de plantas forrageiras. 
Planejamento e condução de experimentos, análises bromatológicas e incubações in vitro 
de alimentos para ruminantes, principalmente plantas forrageiras.
CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/6365122981934344
4
APRESENTAÇÃO DO MATERIAL
Seja bem-vindo (a)! Será um prazer compartilhar conhecimento com você!
Prezado aluno (a), fico animada com sua presença aqui e tenho certeza de que 
será extremamente valiosa! O seu interesse na disciplina de Forragicultura e Pastagens vai 
ser importante para podermos caminhar juntos de uma forma tranquila e para conhecermos 
um pouco sobre essa área tão importante da produção animal brasileira.
Na unidade I, falaremos sobre a produção animal brasileira em um contexto 
geral, abordando principalmente a criação de bovinos a pasto, que é a principal forma 
de exploração pecuária brasileira. Nesse cenário, vamos conversar sobre os principais 
gêneros e espécies de plantas forrageiras utilizadas para alimentação animal, tanto de 
gramíneas como de leguminosas (principalmente as primeiras), e aprender terminologias 
importantes relacionadas a forragicultura e pastagens.
Na unidade II, vamos estudar as diferenças entre as gramíneas e as leguminosas, 
principalmente em relação a morfofisiologia delas, com o objetivo de entender os seus 
ciclos e a influência desses fatores no valor nutritivo das plantas forrageiras. E ao final 
dessa unidade, falaremos sobre a análise bromatológica como uma ferramenta de conhecer 
a planta forrageira em questão. 
A partir da unidade III, serão abordados temas como a formação de pastagens e 
os fatores que podem limitar sua produção, falando sobre manejo básico de plantio e como 
escolher uma forrageira. E antes de finalizar essa unidade, vamos conversar sobre noções 
básicas de fertilidade e preparo de solos.
E para finalizar a disciplina, na nossa unidade IV falaremos sobre a estacionalidade 
de produção das plantas forrageiras, principalmente em ambientes de clima tropical. E 
como estratégias de mitigação de problemas durante a época mais seca do ano, serão 
abordadas as técnicas de conservação de forragens, no caso a fenação e a ensilagem.
Reforço o convite para compartilhar conhecimento a partir dessa disciplina e estou 
à disposição em ajudá-los (as) da melhor forma possível. Espero que tudo que for abordado 
contribua em sua jornada profissional e pessoal.
Muito obrigada e bom estudo!
5
SUMÁRIO
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
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Plano de Estudos
• Pontos Sobre a Produção Animal a Pasto;
• Principais Gêneros de Plantas Forrageiras Utilizados no Brasil;
• Terminologias Importantes na Forragicultura.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar sobre a importância da forragicultura 
brasileira, principalmente para a criação de bovinos.
• Estabelecer e descrever a importância dos principais gêneros das 
forrageiras utilizadas para a criação de animais em pastejo.
• Compreender e diferenciar as terminologias e termos importantes 
da área.
Professora Doutora Camila Cano Serafim
PRODUÇÃO ANIMAL PRODUÇÃO ANIMAL 
A PASTO: PRINCIPAIS A PASTO: PRINCIPAIS 
CONCEITOS E CONCEITOS E 
GÊNEROS DE PLANTAS GÊNEROS DE PLANTAS 
UTILIZADAS UTILIZADAS1UNIDADEUNIDADE
INTRODUÇÃO
7
Olá, querido (a) aluno (a)! Seja bem-vindo (a)à primeira unidade de estudo da nossa 
disciplina de Forragicultura e Pastagem! Para iniciar nossa conversa, vamos falar um pouco 
sobre o panorama geral dessa atividade no nosso país? Nesse ponto, vamos discutir sobre 
o principal gargalho da criação de animais a pasto, que seria a utilização de pastagens 
degradadas. Vamos conhecer também os principais gêneros e espécies cultivadas e termos 
importantes para a área de estudo e trabalho.
É importante saber que a Forragicultura envolve o conhecimento sobre as 
plantas forrageiras, bem como a interação com o ambiente, o animal e o solo (CONGIO; 
MESCHIATTI, 2019). 
O motivo principal da maioria dos nossos bovinos serem alimentados com plantas 
forrageiras é pelo barateamento dos custos de produção em relação à alimentação desses 
animais. Segundo o IBGE (2020), o Brasil é o maior produtor de carne bovina do mundo, 
possuindo um rebanho de 218.150.298 cabeças de gado – a maioria desses animais é 
criada a pasto, com a utilização de plantas forrageiras, principalmente as de clima tropical.
Pelo grande uso da atividade pecuária e sua importância para o agronegócio 
brasileiro, um profissional que entenda sobre manejo e produção de pastagens possui um 
valor significante para o mercado de trabalho.
Então, por meio dessa unidade de estudo e toda nossa conversa, vamos dar o 
pontapé na nossa disciplina e aprender mais sobre a produção animal a pasto brasileira, 
entendendo o que temos de problemática e possíveis soluções, conhecer os principais 
gêneros de plantas forrageiras cultivadas no Brasil e, por fim, saber diferenciar termos de 
extrema importância na área da Forragicultura.
Vamos lá? Acredito que será uma ótima experiência para você, querido aluno (a)!
UNIDADE 1 PRODUÇÃO ANIMAL A PASTO: PRINCIPAIS CONCEITOS E GÊNEROS DE PLANTAS UTILIZADAS 
8UNIDADE 1 PRODUÇÃO ANIMAL A PASTO: PRINCIPAIS CONCEITOS E GÊNEROS DE PLANTAS UTILIZADAS 
PONTOS SOBRE A PRODUÇÃO 
ANIMAL A PASTO1
TÓPICO
A produção animal, principalmente de bovinos a pasto, é uma importante atividade 
econômica do país – sendo que, em contrapartida, temos a criação de bovinos em 
confinamento. Ao baratear custos com alimentação dos animais, a utilização de pastagens 
possui uma relevância bem significativa na produção de carne e leite no país, nos levando 
a atentar a qualidade das forrageiras disponíveis, para que essas sejam bem utilizadas.
Segundo o IBGE (2020), o Brasil possui 160 milhões de hectares de área de 
pastagens desde nativas a cultivadas – esse montante representa cerca de 19% do território 
total brasileiro. O maior problema a que esse sistema de produção está susceptível é ao mau 
uso das pastagens, sendo essas mal manejadas e, muitas vezes, levadas à degradação 
por uso excessivo, sem respeitar as características da forrageira presente na área.
Pode-se considerar três etapas para a produção animal a pasto: crescimento, 
utilização e conversão – é importante lembrar que as três são correlacionadas (FONSECA 
et al., 2022; HODGSON, 1990). Vamos detalhar cada uma dessas etapas:
1. A etapa de crescimento consiste na utilização da energia solar e a posterior 
transformação em tecido vegetal. Diante esses processos, ocorre a produção de 
forragem. 
2. A etapa de utilização ocorre quando a forragem é colhida pelo animal, através do 
pastejo – ou seja, o ato do animal apreender a forrageira pelo bocado (ou mordida).
3. Quando a forragem consumida pelo animal é convertida em tecidos animais (com-
posição do corpo do animal) e produtos de origem animal, essa etapa é chamada 
de conversão – sendo caracterizada como a última parte do processo produtivo.
9UNIDADE 1 PRODUÇÃO ANIMAL A PASTO: PRINCIPAIS CONCEITOS E GÊNEROS DE PLANTAS UTILIZADAS 
No esquema abaixo é possível identificar cada uma das etapas de forma esquemática.
FIGURA 1 - ESQUEMA REPRESENTATIVO DAS ETAPAS DE PRODUÇÃO ANIMAL A PASTO
Fonte: Adaptado de Hodgson (1990, p. 65).
A execução correta dessas etapas permite a utilização das plantas forrageiras de 
forma com que não haja o processo de degradação de pastagens, é um passo para que 
essa atividade seja entendida como uma cultura importante para o agronegócio brasileiro.
Para termos uma ideia, no Cerrado brasileiro, aproximadamente 80% das pas-
tagens são degradadas – nessa situação, o bom manejo é a chave para a correção da 
problemática de limitação de recursos físicos e, com isso, a possibilidade do melhor uso de 
recursos vegetais disponíveis (DIAS-FILHO, 2014).
É importante lembrarmos que muito se diz sobre o desempenho dos animais 
alimentados com forragem quando sabemos a qualidade dela. O conhecimento do chamado 
valor nutritivo (VN) é um ponto crucial que permite sabermos sobre a concentração e 
digestibilidade dos nutrientes presentes nas plantas forrageiras de interesse na alimentação 
animal como um todo. Outro fator que deve ser levado em consideração, é que a maturidade 
da planta também influencia na sua qualidade nutricional, bem como o manejo a que é 
submetida 
É imprescindível que no momento da escolha da forrageira leve-se em consideração 
suas características para que a implementação e persistência das pastagens sejam 
asseguradas. Esse é outro fator que pode afetar o desempenho dos animais, uma vez que 
a habituação das plantas ao ambiente, clima e solo, afeta diretamente sua produção e, 
consequente, o ganho desses animais em relação a sua nutrição (FONSECA et al., 2022). 
Dessa forma, deve-se atentar ao planejamento do sistema na totalidade.
10UNIDADE 1 PRODUÇÃO ANIMAL A PASTO: PRINCIPAIS CONCEITOS E GÊNEROS DE PLANTAS UTILIZADAS 
PRINCIPAIS GÊNEROS DE PLANTAS 
FORRAGEIRAS UTILIZADOS NO 
BRASIL2
TÓPICO
No Brasil existe uma grande diversidade de plantas forrageiras, tanto de pastagens 
nativas quanto de cultivadas. O fato de existir um grande número de espécies a serem 
utilizadas amplia a possibilidade de escolha dos produtores, o que deve ser acompanhado de 
um critério ajustado com as características das plantas, localidade de cultivo, características 
de clima e solo, a categoria animal a ser alimentada etc. (FONSECA et al. 2022; CONGIO; 
MESCHIATTI, 2019).
As pastagens nativas, ou seja, aquelas que são naturais do país e dos biomas 
em que estão inseridas, estão presentes nos Campos Sulinos, Pantanal e Caatinga. Na 
listagem abaixo vamos conhecer quais gêneros existem em cada um desses:
Campos Sulinos: Andropogon, Arisitida, Axoponus, Baccharis, Eragrostis, Ma-
croptilum, Paspalum, Trifolium, entre outros (NABINGER et al., 2013).
FIGURA 2 - ASPECTO DA VEGETAÇÃO DOS CAMPOS SULINOS NO BRASIL
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/pampa-biome-one-most-beautiful-types-1689392017
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/pampa-biome-one-most-beautiful-types-1689392017
11UNIDADE 1 PRODUÇÃO ANIMAL A PASTO: PRINCIPAIS CONCEITOS E GÊNEROS DE PLANTAS UTILIZADAS 
Pantanal: Axonopus, Panicum e Paspalum (POTT; SANTOS; VALLS, 2013).
FIGURA 3 – BIODIVERSIDADE DO PANTANAL BRASILEIRO
Fonte: https://www.shutterstock.com/image-photo/two-jaguar-brothers-standing-on-river-1541162477
Caatinga: Capparis, Desmanthus, Manihot, Mimosa, Nopalea, Opuntia (SILVA; 
ANDRADE, 2013).
FIGURA 4 – ASPECTO DA VEGETAÇÃO DA CAATINGA BRASILEIRA
Fonte: https://www.shutterstock.com/image-photo/savanna-landscape-caatinga-biome-oeiras-
piaui-2118621203
As plantas cultivadas são aquelas inseridas em determinado ambiente do Brasil, ou 
seja, são exóticas, visando principalmente sua exploração como alimento para os animais. 
Para isso, essas plantas são inseridas em programas de melhoramento genético que obje-
tivam aumentar sua capacidade produtiva – e dentre os principais gêneros podemos citar 
Brachiaria (que também pode ser encontrada na literatura como Urochloa), Panicum (ou 
Megathyrsus), Pennisetum e Cynodon. 
https://www.shutterstock.com/image-photo/two-jaguar-brothers-standing-on-river-1541162477https://www.shutterstock.com/image-photo/savanna-landscape-caatinga-biome-oeiras-piaui-2118621203
https://www.shutterstock.com/image-photo/savanna-landscape-caatinga-biome-oeiras-piaui-2118621203
12UNIDADE 1 PRODUÇÃO ANIMAL A PASTO: PRINCIPAIS CONCEITOS E GÊNEROS DE PLANTAS UTILIZADAS 
Antes de falarmos mais sobre as pastagens existentes em território brasileiro, 
vamos relembrar conceitos de taxonomia das plantas forrageiras, ou seja, vamos classificá-
las. Esse é um ponto importante de estudo, uma vez que pelas características da planta é 
possível identificar e separar grupos de indivíduos. Vamos aos agrupamentos taxonômicos: 
a) REINO, b) DIVISÃO, c) CLASSE, d) ORDEM, e) FAMÍLIA, f) TRIBO, g) GÊNERO e 
h) ESPÉCIE (sendo essa última, a menor população distinta e distinguível das outras e 
capaz de originar descendentes férteis por cruzamentos). A categoria básica da hierarquia 
taxonômica é a espécie (CONGIO; MESCHIATTI, 2019).
A seguir temos um exemplo de classificação taxonômica de capim Brachiaria (Bra-
chiaria brizantha ou Urochloa brizantha):
 ● Reino: Vegetal.
 ● Divisão: Angioespermae.
 ● Classe: Monocotyledoneae.
 ● Ordem: Poales.
 ● Família: Poaceae.
 ● Subfamília: Panicoideae.
 ● Tribo: Paniceae.
 ● Gênero: Brachiaria (ou Urochloa).
 ● Espécie: Brachiaria brizantha (ou Urochloa brizantha).
A partir dessa classificação, devemos lembrar que o nome de uma espécie é duplo, 
ou seja, temos que escrever o gênero e um epíteto específico (uma palavra ou expressão 
que vai qualificar o gênero) (PEREIRA; HERLING, 2016). Essas informações devem ser 
sempre escritas em itálico ou sublinhado. Para plantas de uma mesma espécie, quando 
existe diferenciação entre populações devido cruzamentos naturais ou de melhoramento 
genético, temos os termos ‘variedade’ (planta oriunda de simples seleção de plantas) e 
‘cultivar’ (planta desenvolvida com auxílio de melhoramento genético) (CONGIO; MES-
CHIATTI, 2019), que serão explicados no próximo tópico dessa unidade.
Agora vamos conversar um pouco mais sobre as principais plantas forrageiras 
existentes no Brasil. É importante lembrar que existem duas famílias que mais interessam 
para a produção animal a pasto, as Poaceae e Fabaceae, sendo que a primeira é a família 
das gramíneas e a segunda, das leguminosas (PEDREIRA, 2016).
O cultivo e exploração de gramíneas em áreas de clima tropical é facilitado pela 
adaptabilidade delas as condições de solo, clima, fotoperíodo, entre outros. Essa facilidade 
de auxilia na maior produção de massa verde de duas a três vezes maior que uma legumi-
13UNIDADE 1 PRODUÇÃO ANIMAL A PASTO: PRINCIPAIS CONCEITOS E GÊNEROS DE PLANTAS UTILIZADAS 
nosa (CONGIO; MESCHIATTI, 2019). Sobre as diferenças de gramíneas e leguminosas, 
nós vamos estudar mais adiante na Unidade II.
Na tabela abaixo é possível visualizar o chamado ciclo dos capins, com a evolução 
da utilização das plantas forrageiras no Brasil – que chegou a causar cerca queda de 
produtividade das plantas forrageiras devido à substituição errônea pelos produtores que 
queriam cada vez mais uma maior produção, sem se atentar a qualidade de solos e até 
mesmo das plantas (FONSECA et al., 2022).
TABELA 1 - EVOLUÇÃO DO USO E SUBSTITUIÇÃO DE PLANTAS FORRAGEIRAS NO BRASIL 
(CICLO DOS CAPINS)
Década Gênero, espécie e/ou cultivar de forrageira
1960 Cynodon e Digitaria
1970 Panicum maximum (Green Panic, Sempre 
Verde e Makueni), 
Setaria anceps (Nandi, Kazungula)
Brachiaria decumbens
1980 (Áreas tropicais) Panicum maximum (Centenário)
Andropogon gayanus
1980 (Areas não tropicais) Festuca, Lolium, Phalaris, Trifolium, Medi-
cago, Lotus
1980 (Introdução de germoplasma) Brachiaria
Panicum
1980 (Lançamento de cultivar) Brachiaria brizantha cv. Marandu
1990 (Lançamento de cultivar) Panicum maximum cv. Vencedor, Tanzânia 
e Mombaça 
2000 (Lançamento de cultivar) Brachiaria brizantha cvs. Xaraés e Piată
Panicum maximum cv. Massai
Paspalum atratum cv. Pojuca
Cenchrus ciliaris cv. Aridus
2010 Brachiaria brizantha cv. Paiaguás
Panicum maximum cvs. BRS Zuri e Tamani 
Brachiaria sp. cv. BRS Ypipora
Panicum maximum cv. BRS Quênia 
Trevo-branco cv. Entrevero, Cornichão Cul-
tivar URSBRS
Posteiro, Cornichão cv. Posteiro
2020 Andropogon gayanus cv. Sarandi
Fonte: Fonseca et al. (2022, p. 89).
A seguir, vamos caracterizar de forma básica as principais plantas forrageiras mais 
cultivados no Brasil. 
14UNIDADE 1 PRODUÇÃO ANIMAL A PASTO: PRINCIPAIS CONCEITOS E GÊNEROS DE PLANTAS UTILIZADAS 
Brachiaria brizantha: a cultivar Marandu (ou braquiarão) é uma das plantas 
forrageiras mais utilizadas no país, principalmente pela sua capacidade de adaptação as 
condições climáticas (VALLE et al., 2022). Em relação à exigência nutricional, é importante 
ressaltar que não tem boa tolerância a baixa fertilidade e solos que podem ficar encharcados, 
porém, responde bem a corretivos e fertilizantes (JANK et al., 2013). Uma característica 
extremamente relevante do capim Marandu é a sua resistência à cigarrinha-das-pastagens 
(CONGIO; MESCHIATTI, 2019).
FIGURA 5 – FOLHAS DE BRACHIARIA
Fonte: https://www.shutterstock.com/image-photo/water-drops-on-blades-grass-1967640463
Panicum maximum: o capim Tanzânia é o exemplar mais utilizado do gênero 
Panicum – foi desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRA-
PA). É uma planta com alta/média exigência nutricional, com boas respostas à adubação e 
correção do solo, e resistente às cigarrinhas-das-pastagens e de cochonilhas (JANK et al., 
2013; JANK et al., 2022). Um ponto fraco dessa gramínea é ser sensível a ataque de fungos 
foliares e de sementes (CONGIO; MESCHIATTI, 2019).
 
https://www.shutterstock.com/image-photo/water-drops-on-blades-grass-1967640463
15UNIDADE 1 PRODUÇÃO ANIMAL A PASTO: PRINCIPAIS CONCEITOS E GÊNEROS DE PLANTAS UTILIZADAS 
FIGURA 6 – PANICUM MAXIMUM
Fonte: Beltrame (2019).
Pennisetum purpureum: é o chamado capim Elefante, sendo uma planta com 
porte alto (3-6 metros), que cresce de forma cespitosa – o plantio é feito com a utilização 
de mudas (JANK et al., 2013). Para o seu cultivo, é necessário a utilização de solos com 
boa drenagem de água e bem adubados. O plantio de capim Elefante é constantemente 
utilizado como reserva de forragem (CONGIO; MESCHIATTI, 2019).
FIGURA 7 – PENNISETUM PURPUREUM
Fonte: Gomide (2019).
Cynodon: as plantas forrageiras desse gênero são representadas pelas ‘gramas’ 
(Cynodon dactylon) e pelas ‘estrelas’ (Cynodon nlemfuensis) – os representantes mais 
conhecidos das gramas são o capim Coast-cross e o capim Tifton; enquanto os das estrelas, 
pode-se falar do capim-estrela (CONGIO; MESCHIATTI, 2019). Essas plantas possuem uma 
alta exigência quanto a fertilidade, que ao ser atingida, proporciona uma alta produtividade. 
Sua propagação é realizada principalmente por intermédio de mudas, isso porque as gramas 
possuem rizomas e estolões, e as estrelas possuem estolões apenas (JANK et al., 2013).
16UNIDADE 1 PRODUÇÃO ANIMAL A PASTO: PRINCIPAIS CONCEITOS E GÊNEROS DE PLANTAS UTILIZADAS 
FIGURA 8 – CYNODON DACTYLON
Fonte: Congio; Meschiatti (2019).
17UNIDADE 1 PRODUÇÃO ANIMAL A PASTO: PRINCIPAIS CONCEITOS E GÊNEROS DE PLANTAS UTILIZADAS 
TERMINOLOGIAS IMPORTANTES 
NA FORRAGICULTURA3
TÓPICO
Caro (a) aluno (a), nesse tópico vamos conversar sobre importantes conceitos e 
terminologias utilizadas na área da Forragicultura! É imprescindível que saibamos diferenciar 
algumas situações, para não causar confusão para técnicos e produtores. Diante disso, 
vamos conhecer termos listados abaixo, que em algum outro momento vamos encontrá-los 
na nossa disciplina.
Variedade: pode ser abreviada como ‘var.’; no caso são as plantas que podem ser 
distinguidas das outras em uma mesma espécie a partir de características morfológicas 
(coloração de flor, inflorescência, pilosidade) – esse processo acontece de forma natural 
na natureza (não há influência humana). Nesse caso, são encontradas característicasbotânicas comuns entre as plantas, que vieram devido à polinização natural, fazendo assim 
com que haja diferença entre as variedades da mesma espécie. 
Cultivar: pode ser abreviada como ‘cv.’; e é aquela planta originada de melhoramento 
genético, possuindo diferenças de composição química e/ou agronômicas – maior produção 
de massa verde, resistência a doenças e pragas, e tolerância a escassez hídrica são 
características visadas no processo de melhoramento genético.
Plantas hibernais: são aquelas plantas forrageiras de clima temperado, ou seja, 
que são mais adequadas para cultivo em ambientes de temperatura mais baixa e dias com 
menor incidência de sol. 
18UNIDADE 1 PRODUÇÃO ANIMAL A PASTO: PRINCIPAIS CONCEITOS E GÊNEROS DE PLANTAS UTILIZADAS 
FIGURA 9 – GRAMÍNEA EM UM AMBIENTE DE CLIMA FRIO
Fonte: https://www.shutterstock.com/image-photo/frosty-frost-spring-fields-winter-wheat-1928901782 
As plantas hibernais ainda são caracterizadas por colmos delicados e folhas tenras, 
são plantadas (via semente) no outono e colhidas no inverno e na primavera. Quando a 
planta está perto de florescer, há uma maior produtividade em relação à massa de forragem, 
em contrapartida, o valor nutritivo é menor – isso porque essa massa é na sua maioria 
composta por colmos e inflorescências (uma maior proporção de material de sustentação 
da planta). 
Plantas estivais: são aquelas espécies de plantas forrageiras de clima tropical, 
sendo as que crescem em locais de temperaturas mais elevadas e maior intensidade de luz 
solar. O potencial produtivo dessas plantas é grande, tendo um bom acúmulo de biomassa, 
caracterizado por folhas mais largas e colmos mais finas, quando comparados as plantas 
hibernais. 
FIGURA 10 – CAMPO REPRESENTATIVO DE PLANTAS ESTIVAIS
Fonte: https://www.shutterstock.com/image-photo/sunrise-over-fog-enshrouded-cornfield-stowe-2209675505
https://www.shutterstock.com/image-photo/frosty-frost-spring-fields-winter-wheat-1928901782
https://www.shutterstock.com/image-photo/sunrise-over-fog-enshrouded-cornfield-stowe-2209675505
19UNIDADE 1 PRODUÇÃO ANIMAL A PASTO: PRINCIPAIS CONCEITOS E GÊNEROS DE PLANTAS UTILIZADAS 
O crescimento das plantas estivais ocorre de forma reduzida no outono e inverno, 
quando há menores temperaturas e disponibilidade de chuva. A semeadura é realizada na 
primavera e a maior produtividade ocorre em meados do final dela, no verão e no início 
do outono. No inverno, principalmente no início dele, as espécies perenes apresentam o 
chamado repouso vegetativo e aquelas que são anuais acabam em estado senescente e 
morrem. 
Fase vegetativa: tem o início marcado pela germinação da semente, seguida de 
emergência da plântula, desenvolvimento de área foliar, posterior perfilhamento (crescimento 
dos perfilhos, que são a unidade funcional de crescimento da planta) e, por último, um 
alongamento dos colmos. 
Fase reprodutiva: nesse momento, não existe mais a emissão de folhas novas, e 
tudo aquilo que a planta metaboliza, ou seja, os fotoassimilados da planta são destinados 
ao enchimento e para maturidade dos grãos da inflorescência. Nessa fase, há um aumento 
na proporção de colmos e material senescente, e consequente diminuição de folhas – o que 
acarreta uma diminuição de valor nutritivo e também da digestibilidade da planta forrageira 
(PEREIRA; HERLING, 2016).
Plantas anuais: essa é uma classificação feita em relação ao ciclo de desenvolvimento 
das plantas forrageiras, sendo que as anuais, como o próprio nome diz, tem seu ciclo em 
um período de até 12 meses. Exemplos: gramínea – aveia-preta; leguminosas – ervilhaca.
Plantas bianuais: essas plantas têm seu crescimento vegetativo no seu primeiro 
ano de estabelecimento e, no segundo ano, o seu período reprodutivo e sua produção de 
sementes (PEREIRA; HERLING, 2016).
Plantas perenes: essas são aquelas que possuem o ciclo vegetativo longo, na 
maior parte das vezes, mais de dois anos (ou ciclos sazonais). 
Plantas de crescimento decumbente: nesse grupo, as plantas possuem forma 
de crescimento praticamente perpendicular à superfície do solo, até encostando – só que 
nesse caso, não há desenvolvimento de raízes nos nós que tem contato com o solo. Para 
esse grupo de plantas, temos a Brachiaria decumbens como exemplo.
Plantas de crescimento ereto (ou cespitoso): plantas com esse hábito de 
crescimento formam touceiras por crescerem de forma agrupada e verticalmente ao solo, 
como, por exemplo, as cultivares de Panicum maximum e Pennisetum purpureum.
Plantas de crescimento prostrado (ou rasteiro): as plantas com esse tipo de 
crescimento, como Cynodon sp., se desenvolvem bem rente ao solo, com suas raízes e 
também a parte área se originando dos nós – nesse caso, essas estruturas são nomeadas 
de estolões ou rizomas.
20UNIDADE 1 PRODUÇÃO ANIMAL A PASTO: PRINCIPAIS CONCEITOS E GÊNEROS DE PLANTAS UTILIZADAS 
Pastagem: é aquela área que possui o ‘pasto’, na maioria das vezes, delimitada 
por cercas, onde se produz a ‘forragem’ – podendo essa ser consumida diretamente 
pelo animal.
Forragem: são as partes comestíveis das plantas cultivadas, servem para 
alimentação dos animais, seja em pastejo ou colhidas para fornecimento e conservação. 
Dossel ou relvado: é a população de plantas, que têm um crescimento baixo e 
cobertura de solo uniforme.
Capacidade de suporte: com essa definição, pode-se determinar a taxa de lotação 
máxima que a pastagem suporta, aumentando a produtividade.
Superpastejo: ocorre quando há um pastejo muito intenso e com maior frequência 
em uma pastagem, e pode causar danos às plantas. Essa situação de superpastejo é 
caracterizada por uma capacidade de suporte exagerada.
Subpastejo: ocorre quando o pastejo é com baixa pressão que origina uma seleção 
da dieta pelos animais, um acúmulo de forragem e consequente perda de material. Esse 
é o pastejo que acontece em uma intensidade bem menor à capacidade de suporte da 
pastagem em questão. 
Plasticidade fenotípica: é a capacidade da planta de mudar alguma de suas 
características, principalmente morfológicas, em consequência as condições climáticas e 
de manejo (SBRISSIA; SILVA, 2001).
Valor nutritivo: é a capacidade do alimento fornecer nutrientes para o animal 
que o consome – nesse caso, é medido pela composição química (concentração dos 
nutrientes) e a digestibilidade (determinada pela disponibilidade dos nutrientes) (CONGIO; 
MESCHIATTI, 2019).
Valor alimentar: é sinônimo da qualidade de forragem, ligado de forma direta com 
o desempenho do animal – ou seja, acaba sendo resultado que interliga a digestibilidade, o 
consumo e a eficiência do uso dos nutrientes que foram digeridos pelos animais (CONGIO; 
MESCHIATTI, 2019).
21UNIDADE 1 PRODUÇÃO ANIMAL A PASTO: PRINCIPAIS CONCEITOS E GÊNEROS DE PLANTAS UTILIZADAS 
Na produção animal a pasto temos que nos atentar ao valor nutritivo das plantas forrageiras, para que 
os animais possam ingerir um alimento de qualidade. Dessa forma é de extrema importância que sejam 
realizadas análises químicas da qualidade da planta durante o seu ciclo vegetativo, de forma com que, caso 
seja necessário, seja realizada uma suplementação alimentar. Dessa forma, o desempenho animal pode 
ser afetado e incrementado.
Fonte: Congio, Meschiatti (2019, p. 89).
Não existe uma planta forrageira milagrosa! E sim aquela que melhor se adapta às condições de clima, solo 
e do tipo de produção que se deseja utilizar. Devemos tratar com respeito cada planta existente, bem como 
suas características, para que seu desempenho seja satisfatório.
Fonte: A autora (2023).
22
CONSIDERAÇÕES FINAIS
UNIDADE 1 PRODUÇÃO ANIMAL A PASTO: PRINCIPAIS CONCEITOS E GÊNEROS DE PLANTAS UTILIZADAS 
A partir dos pontos estudados nessa unidade podemos reforçar a ideia de que a 
Forragicultura é uma atividade importante para a produção de carne bovina no Brasil. O 
barateamento de custos é o principal ponto da sua utilização em relação à alimentação 
animal.Com o conhecimento da dinâmica das etapas de produção a pasto é possível 
identificar os gargalos presentes na atividade, e atribuir maiores cuidados ao que deve ser 
considerado uma cultura de grande porte, com a devida importância ao setor.
Ao escolher o gênero que mais se adapta ao sistema produtivo, o produtor pode 
facilitar o manejo da área, bem como na obtenção de uma boa produtividade desse sistema. 
A partir de práticas corretas de manejo é possível evitar o agravamento das condições 
de pastagens degradadas, e obter uma maior resposta ao nível produtivo das plantas 
forrageiras.
É de extrema importância que conheçamos os termos utilizados na área de 
Forragicultura e Pastagens de uma forma geral, tanto para a obtenção como para o 
fornecimento de informações que ajudem a melhorar o sistema como um todo, ao facilitar a 
comunicação entre produtores e técnicos. Dessa forma, fica exposto aqui a real importância 
de se conhecer e estudar mais sobre as plantas forrageiras que tanto nos auxiliam na 
produção bovina a pasto!
23
LEITURA COMPLEMENTAR
UNIDADE 1 PRODUÇÃO ANIMAL A PASTO: PRINCIPAIS CONCEITOS E GÊNEROS DE PLANTAS UTILIZADAS 
Em 2019, fui chamada para dar consultoria em uma pequena propriedade, na qual 
o proprietário possuía uma pequena área com capim Tifton plantado. Porém, fui procurada 
para informações sobre o plantio de uma cultivar de capim Elefante. Orientei o produtor 
sobre o plantio e cuidado com as mudas, para que obtivesse sucesso. E como havia outros 
tipos de capim na área, indiquei que fizesse o roçar prévio ao plantio de capim Elefante. 
Nesse momento, o produtor demonstrou certa resistência e disse que faria o plantio 
mesmo sem roçar, devido aos canos de irrigação do local, o que poderia ser arriscado – isso 
devido ao fato de que o capim Tifton já estava estabelecido na área, e que poderia ‘sufocar’ 
o nascimento das mudas de capim Elefante.
E sim, o produtor não conseguiu a roçar a área, e mesmo assim, prosseguiu com 
o plantio. Resultado: nenhuma muda conseguiu se estabelecer, perdendo todo o plantio. 
Nesse caso, foi demonstrado a importância de se ter um bom planejamento sobre 
o que se deve e pode-se fazer ao plantar uma forrageira, bem como a relevância de uma 
boa conversa técnico-produtor.
Podemos ter a disposição diversas fontes de informação para obtenção e 
disponibilidade de orientação sobre como proceder um plantio, ou propagação de diferentes 
plantas, para que seja evitado transtornos como o que foi descrito na situação acima. Existem 
instituições que desempenham esse papel ao produtor rural juntamente com técnico, como, 
por exemplo, o SENAR (Serviço de Aprendizagem Rural). E sim, caro (a) aluno (a), você 
pode ser um instrutor do SENAR futuramente! Quem sabe? A extensão rural é uma ótima 
opção para se trabalhar. 
Nesse tocante, do melhor planejamento, deixo abaixo uma indicação de um material 
do SENAR sobre o manejo de Pastagens tropicais, voltado a situações práticas.
Introdução da cartilha: “Esta cartilha descreve os procedimentos para que o 
pecuarista realize de forma correta o manejo das pastagens tropicais. Contém informações 
sobre como avaliar o perfil da propriedade, condição dos pastos e do rebanho, ajustar as 
práticas e conhecer alternativas para imprevistos ou falhas na condução dos métodos de 
manejo de pastagens e garantir a reserva de pasto para época da seca, contribuindo para 
uma maior produtividade das pastagens e preservação do meio ambiente.” 
Fonte: SENAR - Serviço Nacional de Aprendizagem Rural Manejo de Pasta-
gens / Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. – 2. ed. Brasília: SENAR, p.: 34, il., 2012. 
https://www.cnabrasil.org.br/assets/arquivos/157-PASTAGENS-NOVO.pdf Acesso em: 05 
ago. 2023.
https://www.cnabrasil.org.br/assets/arquivos/157-PASTAGENS-NOVO.pdf
24
MATERIAL COMPLEMENTAR 
LIVRO 
Título: Bovinocultura de Corte.
Autor: Ronaldo Lopes Pereira e Marco Aurélio Alves de Freitas 
Barbosa.
Editora: EDUFBA.
Sinopse: A obra aborda temas como nutrição e manejo 
de bovinos, sistemas de produção, critérios de seleção, 
melhoramento genético, confinamento, produção de carnes 
em pasto e novas tecnologias para a formação de pastagens. 
Valiosa contribuição técnica para criadores, estudantes e 
profissionais de Zootecnia, Medicina Veterinária e Agronomia.
FILME/VÍDEO 
Título: É possível ganhar dinheiro com a pecuária a pasto?
Ano: 2022.
Sinopse: Visita à fazenda Guaxupé, em Rio Branco, Acre! Dê 
uma olhada na rentabilidade da fazenda!
Link do vídeo: Pastagens 
WEB (OPCIONAL)
Pasto Certo – versão 2.0: é uma ferramenta da EMBRAPA que 
ajuda o usuário a identificar e diferenciar cultivares de plantas 
forrageiras.
Link do site: http://www.pastocerto.com
UNIDADE 1 PRODUÇÃO ANIMAL A PASTO: PRINCIPAIS CONCEITOS E GÊNEROS DE PLANTAS UTILIZADAS 
https://www.youtube.com/watch?v=ddcWU45S18M&ab_channel=ForragiculturaePastagens
http://www.pastocerto.com/
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
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Plano de Estudos
• Diferenciação entre Gramíneas e Leguminosas;
• 	Noções	das	Características	Morfofisiológicas	–	Ciclo	C3	e	C4;
• Diferenças de Valor Nutritivo e de Produção;
• 	Análise	Bromatológica	para	Conhecer	a	Qualidade	Nutricional;	
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar as diferenças entre gramíneas e leguminosas.
• 	Compreender	 as	 características	 morfofisiológicas	 importantes,	
que caracterizam cada um dos grupos, bem como o ciclo de cada 
um	 (ciclo	C3	e	C4)	e	 como	esses	aspectos	 influenciam	no	valor	
nutritivo.
• 	Estabelecer	 a	 importância	 da	 análise	 bromatológica	 como	 uma	
ferramenta	 para	 conhecimento	 do	 valor	 nutritivo	 das	 plantas	
forrageiras.
Professora Doutora Camila Cano Serafim
GRAMÍNEAS E GRAMÍNEAS E 
LEGUMINOSAS LEGUMINOSAS 2UNIDADEUNIDADE
INTRODUÇÃO
26UNIDADE 2 GRAMÍNEAS E LEGUMINOSAS 
Olá, querido(a) aluno(a)! Seja bem-vindo(a) à segunda unidade de estudo da 
nossa disciplina de Forragicultura e Pastagens! Vamos continuar nossa conversa sobre a 
Forragicultura brasileira? Espero que na unidade I vocês tenham sido incentivados a querer 
saber mais sobre a produção animal a pasto, de uma forma com que haja a curiosidade e 
vontade em seguir aprendendo comigo.
Na unidade passada, falamos sobre a importância das plantas forrageiras para o 
sistema de produção de carne no Brasil. A partir de agora vamos direcionar nossa conversa 
para a diferenciação entre os dois grupos de forrageiras que existem na produção animal: 
gramíneas e leguminosas.
Em um primeiro momento conversaremos sobre as diferenças morfofisiológicas 
dessas plantas, ou seja, como elas são compostas, sua estrutura física, bem como é o 
funcionamento delas na questão de metabolismo. Nesse ponto, vamos aprender sobre o ciclo 
C3 e o ciclo C4, que são as diferentes formas de assimilação e metabolismo fotossintético. 
No geral, podemos dizer que as gramíneas e leguminosas de clima tropical ou subtropical 
(regiões mais quentes) são as de ciclo C4, enquanto as de clima temperado (regiões mais 
frias) são de ciclo C3. 
A partir do entendimento desses fatores, vamos conhecer mais sobre o valor nutritivo 
das plantas forrageiras e como essa diferença no processofotossintético pode afetar sua 
qualidade químico-nutricional. Dessa forma, ao ter seu valor nutritivo diferenciado entre 
gramíneas e leguminosas, vamos perceber que também há diferença na produção de cada 
grupo, principalmente pela sua estrutura física. 
No tocante do valor nutritivo, vamos conversar sobre a importância da análise 
bromatológica para conhecer a qualidade nutricional de gramíneas e leguminosas, bem 
como quais são os principais atributos a serem conhecidos em uma planta.
Estão preparados(as)? Espero que sim! Estou ansiosa para dividir com vocês mais 
essa unidade! 
As gramíneas e leguminosas são de extrema importância para produção animal a 
pasto brasileira. O clima tropical do nosso país favorece as plantas que têm predileção por 
temperaturas mais altas e que suportam maiores períodos de seca – no caso, as gramíneas 
forrageiras apresentam essas características e são as mais utilizadas para alimentação dos 
animais.
A diferenciação entre gramíneas e leguminosas se dá tanto pela morfologia distinta 
dos grupos quanto pela fisiologia delas – essa última relacionada principalmente ao processo 
fotossintético. Na fotossíntese, a energia solar é convertida em energia química, originando 
a síntese de carboidratos e posterior liberação de oxigênio a partir da água e dióxido de 
carbono (TAIZ et al., 2017). 
Existem dois processos importantes da fotossíntese: a fase fotoquímica – ou 
fase do claro ou de reações luminosas, na qual acontece a fotólise da água e origina 
grupos complexos de alta energia; e a fase de escuro – na qual acontecem as reações 
de carboxilação e uso dos compostos de alta energia sintetizados na fase clara para a 
produção de carboidratos (TAIZ et al., 2017).
Dito isso, lembramos que a principal especificação entre gramíneas e leguminosas 
é em relação à carboxilação da fotossíntese – temos as plantas de ciclo C3 (gramíneas 
temperadas e leguminosas) e as de ciclo C4 (gramíneas tropicais).
Na tabela abaixo é possível observar algumas das diferenças entre esses grupos 
de forma sintetizada. Essas diferenças agronômicas são definidas pelo metabolismo e 
fisiologia que diferem entre as plantas de ciclo C3 e C4.
UNIDADE 2 GRAMÍNEAS E LEGUMINOSAS 27
DIFERENCIAÇÃO ENTRE 
GRAMÍNEAS E LEGUMINOSAS1
TÓPICO
28UNIDADE 2 GRAMÍNEAS E LEGUMINOSAS 
As plantas de ciclo C4 são aquelas que têm melhor funcionamento, de forma contínua, 
na faixa de temperatura de 10 a 40 °C — essa superioridade em maiores temperaturas faz 
com que o sistema de captação de luz seja mais tolerante a maior intensidade de luz. As 
plantas de ciclo C3 apresentam predileção por temperaturas e luz solar mais amenas em 
comparação às plantas de ciclo C4, como comentado anteriormente.
TABELA 1 - RESUMO DAS DIFERENÇAS ENTRE PARÂMETROS METABÓLICOS, FISIOLÓGICOS 
E AGRONÔMICOS DE ESPÉCIES C3 E C4
Fonte: Pedreira (2016b, p. 30).
Em relação à água, as plantas forrageiras de ciclo C4 apresentam maior eficiência 
no uso desse recurso, pelo fato de que conseguem aproveitar o carbono que está presente 
no CO2. Isso acontece pelo fato de que há uma melhor regulagem da planta para a abertura 
dos seus estômatos – esse é um ponto essencial para o controle da transpiração da folha 
(BUCKERIDGE, 2016).
Em relação às características morfológicas, uma gramínea pode ser tipificada 
genericamente como um cilindro ereto apoiado no solo, por intermédio das raízes e 
articulado pelos seus nós transversais – esses possuem uma folha ímpar alternada, tal que 
a parte inferior é chamada de bainha, que envolve o colmo, formando os perfilhos (unidade 
de crescimento de uma gramínea). Em cada perfilho estão presentes estruturas chamadas 
de fitômeros – eles são originados da diferenciação do meristema apical. O fitômero das 
gramíneas forrageiras é organizado em lâmina foliar, lígula, bainha foliar, entrenó, nó e 
gema axilar (CONGIO; MESCHIATTI, 2019; PEREIRA; HERLING, 2016), como podemos 
observar na imagem abaixo.
29UNIDADE 2 GRAMÍNEAS E LEGUMINOSAS 
FIGURA 1 - UNIDADE BÁSICA DE CRESCIMENTO DE UMA GRAMÍNEA
Fonte: Silva et al. (2008, p. 65)
O perfilho é constituído de uma cadeia de fitômeros, um sobre o outro e apresentam 
diversos estádios de desenvolvimento – cada uma das folhas novas que aparecem são 
correspondentes individualmente a um novo fitômero (SILVA et al., 2008).
Outra estrutura muito importante da planta é a raiz, que fica na porção mais 
baixa da planta, predominantemente no solo. A absorção de água e nutrientes, acúmulo 
de reservas e a sustentação da planta no solo são as funções primordiais das raízes. É 
importante salientar que as raízes das gramíneas forrageiras têm sua apresentação de 
forma fasciculada (ou em cabeleira) – dessa forma, não é possível diferenciar a raiz central 
das raízes secundárias. A chamada raiz primária (ou central) se desenvolve a partir da 
germinação e, posteriormente, há a emergência das raízes seminais (ou radículas, que se 
originam do embrião), e das raízes adventícias (SILVA et al., 2008). 
Os colmos das gramíneas forrageiras são as estruturas de suporte físico à parte 
aérea da planta – interiormente ao colmo, existem os vasos condutores que transportam 
água, produtos da fotossíntese, hormônios, sais minerais etc. Nos colmos temos a 
presença de internódios, sessões separadas pelos nós. É possível encontrar em algumas 
gramíneas o estolão ou colmo estolonífero, presente na forma horizontal. Desses, podemos 
ter os rizomas, sendo estruturas do sistema radicular que ficam de forma horizontal no 
solo, aparece na superfície como um novo perfilho – os rizomas armazenam reservas 
energéticas, bem como ajudam no desenvolvimento e propagação da planta, a partir das 
30UNIDADE 2 GRAMÍNEAS E LEGUMINOSAS 
gemas basais. As gemas basais ou nós basilares permitem o surgimento de um perfilho 
aéreo (PEREIRA; HERLING, 2016; SILVA et al., 2008).
Em relação às folhas das gramíneas, as quais são constituídas de bainha, lígula 
e lâmina foliar, pode-se dizer que essas são incompletas e simples, não apresentando 
pecíolo. A bainha foliar é originada do nó e rodeia o entrenó. A lígula está presente na 
inserção da bainha com a lâmina foliar e fornece proteção da gema para com agentes 
abióticos e bióticos. A lígula possui relevância em relação à taxonomia das plantas, uma vez 
que existe uma variedade de formas, permitindo a diferenciação entre elas.
A lâmina foliar propriamente dita se apresenta na forma de lança e sua vascularização 
é paralela, ou paralelinérvea. A flor das gramíneas não possui cálice nem corola, dessa 
forma, é considerada incompleta – as flores então são chamadas de espiguetas ou espículas, 
sendo essas, majoritariamente, hermafrodita (existem ambos os sexos na mesma flor). 
Como órgão masculino existe o androceu (composto de um a três estames salientes), e 
como órgão feminino existe o gineceu (composto de pistilo, formado por ovário, estilete 
e estigma). A partir de uma junção de espiguetas em um eixo principal, forma-se a raque, 
posteriormente formando a inflorescência – sobre essa última temos três principais formas 
de apresentação: espiga (espiguetas não têm pedicelo e são presas de forma direta ao 
eixo), panícula (ramificação abundante da raque em eixos principais e secundários, que 
ficam aderidos nas espiguetas) e racemo (existe um eixo sem ramificação e as espiguetas 
apresentam pedicelos) (CONGIO; MESCHIATTI, 2019). Essas estruturas estão ilustradas 
na figura abaixo.
FIGURA 2 - TIPOS DE INFLORESCÊNCIA DAS GRAMÍNEAS FORRAGEIRAS
Fonte: Pedreira (2016a, p. 36).
31UNIDADE 2 GRAMÍNEAS E LEGUMINOSAS 
As leguminosas, por sua vez, apresentam a vagem (ou legume) como peculiaridade 
do grupo, e essa vagem é seca e deiscente – ou seja, em algum momento ela se abre 
sozinha. Os fitômeros dessas plantas são constituídos de nó, entrenó, pecíolo, estípula, 
folha (ou folíolos) e gema axilar, apresentam raízes pivotantes (ou axial) – nesse caso, 
existeuma raiz principal bem desenvolvida dominante em relação às raízes secundárias. 
Nas raízes das leguminosas é possível encontrar nódulos resultantes da interação de 
bactérias do gênero Rhizobium e Bradyrhizobium – essas bactérias são microrganismos 
fixadores de N da atmosfera para o solo (CONGIO; MESCHIATTI, 2019). 
Em relação ao caule das plantas leguminosas, esses podem ser eretos (do tipo 
herbáceos ou lenhosos), rasteiros (estolões) ou trepadores (aqueles que crescem com 
sustentação). Os caules eretos e herbáceos apresentam estruturas mais tenras, enquanto 
os eretos e lenhosos apresentam rigidez e altos teores de lignina. Esses últimos podem ser 
caracterizados como de porte baixo (semiarbustivo), médio (arbustivo) e alto (arbóreos). 
Os caules rasteiros têm sua apresentação de crescimento bem próxima ao chão, com suas 
raízes e parte área em nós, com esses últimos em contato com a superfície do solo. 
Por último, os caules trepadores são aqueles que têm seu desenvolvimento apoiado em 
árvores, cercas e outros (PEREIRA; HERLING, 2006).
As folhas das plantas leguminosas são caracterizadas por lâmina foliar – constituída 
de folíolos e pecíolo. No caso do limbo, pode ser apresentado como simples ou composto, 
possuindo vascularização do tipo reticulada.
A flor das leguminosas também é hermafrodita, bem como a das gramíneas, e as 
flores possuem as inflorescências (espiga, racemo, umbela e capítulo são os padrões mais 
comuns) (CONGIO; MESCHIATTI, 2019).
Tudo que o animal tem disponível para alimentação, ou seja, a forragem em si, é 
simplesmente o resultado do processo de fotossíntese que a planta faz – resumidamente: 
a transformação da energia solar em massa de forragem pode ser consumida pelo animal 
e depois transformada em carne ou leite. Assim, a fotossíntese é o processo que envolve 
o aproveitamento da luz solar que os organismos fotossintetizantes fazem para a formação 
de compostos complexos, como carbono, posteriormente, biossíntese de carboidratos e 
liberação de oxigênio. Abaixo podemos ver como é a equação da fotossíntese.
FIGURA 3 - EQUAÇÃO DA FOTOSSÍNTESE.
Fonte: adaptado de Taiz et al. (2017).
Nas plantas, a fotossíntese acontece nas folhas dentro do cloroplasto – essa 
organela celular é envolvida por uma membrana externa e uma interna (envoltório), sendo 
que essa última é chamada de estroma. No estroma são armazenadas enzimas que 
catalisam o processo de fixação de carbono (TAIZ et al., 2017).
32
NOÇÕES DAS CARACTERÍSTICAS 
MORFOFISIOLÓGICAS – CICLO 
C3 E C4 2
TÓPICO
UNIDADE 2 GRAMÍNEAS E LEGUMINOSAS 
33UNIDADE 2 GRAMÍNEAS E LEGUMINOSAS 
A diferenciação do aspecto fisiológico das gramíneas e leguminosas forrageiras 
se dá principalmente por processos da fotossíntese, mais especificamente na etapa de 
carboxilação. Existem as plantas de ciclo C3, que são as gramíneas de clima temperado 
(clima mais frio), leguminosas e as plantas de ciclo C4, representadas pelas gramíneas 
de clima tropical. 
A fotossíntese é uma etapa crucial para as plantas, é possível aproveitar a energia 
proveniente do sol para síntese de compostos orgânicos complexos que contêm carbono. 
Na figura a seguir podemos ver como funciona sistematicamente o processo fotossintético 
e tudo aquilo que o envolve, desde luz solar incidida na planta até a liberação de oxigênio 
e assimilação de CO2, além da produção de carboidratos.
FIGURA 4 - ESQUEMA DO PROCESSO FOTOSSINTÉTICO.
Fonte: https://www.shutterstock.com/image-vector/diagram-showing-process-photosynthesis-plant-
illustration-1928075396
Tradução dos termos acima:
1 - Photosyntesis: fotossíntese.
2 - Oxygen: oxigênio.
3 - Sugar: açúcar.
https://www.shutterstock.com/image-vector/diagram-showing-process-photosynthesis-plant-illustration-1928075396
https://www.shutterstock.com/image-vector/diagram-showing-process-photosynthesis-plant-illustration-1928075396
34UNIDADE 2 GRAMÍNEAS E LEGUMINOSAS 
4 - Carbon dioxide: dióxido de carbono.
5 - Minerals: minerais.
7 - Water: água.
8 - Light energy: energia luminosa.
Sobre a fisiologia da fotossíntese e todos os processos envolvidos, Taiz et al. (2017) 
explicam detalhadamente, como evidenciado a seguir.
O processo da fotossíntese é composto de duas etapas: a fase do claro ou reações 
luminosas (fotoquímica) e a fase do escuro (reações de carboxilação). Na fase fotoquímica 
acontece a fotólise de água e a origem de compostos de alta energia, enquanto na fase 
escura ocorre a biossíntese de carboidratos no decorrer das reações de carboxilação.
Para as plantas de ciclo C3, o primeiro composto originado na etapa de carboxilação 
é o chamado 3-PGA (ácido 3-fosfoglicérico), que possui três moléculas de carbono. A 
carboxilação dessas plantas vai acontecer nas células do mesófilo (conjunto de células 
que ficam entre as duas epidermes foliares), e ocorre por intermédio da enzima Rubisco – 
sendo essa responsável pela carboxilação da ribulose-1,5-bifosfato. A Rubisco vai trabalhar 
tanto na carboxilação (que produz duas moléculas de 3-PGA), quanto na oxigenação (que 
produz uma molécula de 3-PGA e uma de 2-fosfoglicolato). Na etapa da oxigenação ocorre 
a atividade de oxigenase da Rubisco, que origina uma perda parcial de carbono, fixado pelo 
ciclo de Calvin-Benson.
Esse processo produz fosfoglicolato (inibidor de enzimas do cloroplasto – triose 
fosfato isomerase e fosfofrutoquinase). Como uma via de diminuição da “fuga” de carbono 
e da inibição de enzimas, ocorre a fotorrespiração na qual o 2-fosfoglicato é metabolizado 
nos cloroplastos, perixossomos e mitocôndrias. A proporção de carboxilação: oxigenação é 
de 3:1 na concentração habitual de CO2 e O2 da atmosfera (em uma temperatura de 25° C). 
Em contrapartida, para as plantas de ciclo C4, a rota metabólica determina a 
formação de oxaloacetato (OAA), que possui quatro carbonos. Nesse processo, é possível 
que a folha da planta acumule ácidos com quatro carbonos antes da reação operada pela 
enzima Rubisco – isso depende de dois tipos celulares das plantas C4, tais que contêm 
cloroplastos: as células da bainha foliar e as células do mesófilo (que também estão 
presentes nas plantas de ciclo C3). A carboxilação acontece no mesófilo com a ação da 
enzima fosfoenol-piruvato carboxilase (PEPcase), originando OAA e também aspartato ou 
malato. Posteriormente, o AOO é conduzido para bainha vascular e descarboxilado, o que 
proporciona CO₂ para o ciclo de Calvin-Benson. Essa descarboxilação resulta em um ácido 
35UNIDADE 2 GRAMÍNEAS E LEGUMINOSAS 
de três carbonos (piruvato ou alanina), que acaba voltando para o mesófilo e consumindo 
ATP, regenerando o aceptor de CO2 (fosfoenolpiruvato). 
Na bainha vascular, o que ocorre é a compartimentalização da ação da Rubisco – a 
concentração de CO2 é alta, o que acarreta uma supressão da atividade de oxigenasse da 
Rubisco e a fotorrespiração. O resultado de todo esse processo tem um custo energético 
em comparação ao ciclo C3, ou seja, para cada molécula de CO2 fixada pelas plantas de 
ciclo C4, há o consumo de duas moléculas de NADPH e cinco de ATP (TAIZ et al., 2017).
Um dos pontos importantes a ser citado é que o processo fotossintético das plantas 
de ciclo C4 marca um mecanismo de concentração de carbono das plantas terrestres, uti-
lizado para compensação de limitações quando existem baixas taxas de CO2 atmosférico 
(CONGIO; MESCHIATTI, 2019). 
Uma outra informação interessante é que as plantas de ciclo C4 têm sido relacio-
nadas a uma estrutura especial de folha: a anatomia de Kranz, que possui um tipo de anel 
interno de células da bainha vascular localizada em volta dos tecidos vasculares, além de 
uma outra camada, essa externa às células do mesófilo. Diante disso, pode-se considerar 
que essa característica distinta origina uma barreira de difusão que: a) possibilita a sepa-
ração da absorção de CO2 atmosférico em células do mesófilo de assimilação do gás pela 
Rubisco em células da bainha do feixevascular; b) restringe o escape de CO2 da bainha 
para o mesófilo (CONGIO; MESCHIATTI, 2019). A anatomia de Kranz é ilustrada na figura 
abaixo.
FIGURA 5 - ANATOMIA DE KRANZ PRESENTE NAS PLANTAS FORRAGEIRAS DE CICLO C4
Fonte: Taiz et al. (2017).
36UNIDADE 2 GRAMÍNEAS E LEGUMINOSAS 
Como produtos da fotossíntese, podemos citar os metabólitos que são armazenados 
durante o dia devido à presença de luz solar, utilizados como fonte de energia para a planta. 
Ao metabolizar o dióxido de carbono, as folhas produzem sacarose no citosol celular e 
amidos nos cloroplastos.
As diferenças morfofisiológicas já citadas anteriormente entre as plantas de ciclo 
fotossintético C3 (gramíneas temperadas e leguminosas) e C4 (gramíneas tropicais) podem 
acarretar diferenças de valor nutritivo e produtivo entre esses grupos. 
Relembrando, o valor nutritivo (VN) de uma planta forrageira é determinado como 
a capacidade dela, como alimento e de fornecer os nutrientes que o animal precisa. 
Envolve três fatores, como em uma equação: VN = Composição químico-nutricional 
+ Digestibilidade. A composição química está relacionada à concentração ou teor de 
nutrientes existentes na planta e a digestibilidade está relacionada à disponibilidade dos 
nutrientes e aquilo que o animal aproveita do alimento (CONGIO; MESCHIATTI, 2019).
Falemos das diferenças propriamente ditas entre gramíneas e leguminosas 
forrageiras, lembrando que isso se dá pelo fato de que seus ciclos fotossintéticos apresentam 
diferenças entre si.
Normalmente, as leguminosas apresentam maior quantidade de tecidos de alta 
digestibilidade em colmos e folhas, em comparação às gramíneas tropicais – o que resulta 
em maior valor nutritivo. As lâminas das folhas das leguminosas C3 apresentam maior 
proporção de mesofilo e floema, são materiais com maior digestibilidade. Nas bordas dos 
caules dessas plantas há a presença de feixes vasculares e esses feixes são intercalados com 
o mesófilo. Toda essa disposição na célula vegetal facilita a interação dos microrganismos 
do rúmen com as partículas de alimento, facilitando o processo de fermentação e posterior 
digestão.
37
DIFERENÇAS DE VALOR 
NUTRITIVO E DE PRODUÇÃO3
TÓPICO
UNIDADE 2 GRAMÍNEAS E LEGUMINOSAS 
38UNIDADE 2 GRAMÍNEAS E LEGUMINOSAS 
Em relação às plantas de ciclo C4, ou seja, as gramíneas tropicais, essas possuem 
em sua folha bainhas de feixe vascular. Esse feixe serve para compartimentalizar a ação 
da Rubisco. Nas gramíneas tropicais também há a presença do esclerênquima que, por 
sua vez, é um tecido de sustentação ligado aos feixes vasculares. Outro ponto que diminui 
a digestibilidade das plantas C4 é que as bainhas dos feixes vasculares contornam a maior 
porção da Rubisco, possuindo a maior proporção de nitrogênio solúvel da lâmina foliar. 
Esse arranjo estrutural prejudica o acesso dos microrganismos ruminais na partícula de 
alimento a ser digerida, consequentemente, o aproveitamento pelo animal. Nos colmos 
das gramíneas, existe uma estrutura chamada anel esclerenquimático, formado pela 
combinação das células espessadas do parênquima que ficam perto da borda com os 
feixes vasculares mais lignificados. Essa estrutura dificulta muito a colonização do colmo e, 
consequentemente, a sua fermentação e digestão (TAIZ et al., 2017).
A partir dos pontos citados, para fixar essa ideia, concluímos que o arranjo estrutural 
das plantas C3 favorecem o seu melhor valor nutritivo por apresentarem em sua composição 
uma maior proporção de tecidos mais digestíveis. Em decorrência da melhor digestibilidade 
e valor nutritivo, há também uma maior taxa de fracionamento das partículas da planta, como 
alimento no trato gastrointestinal do animal, facilitando a chamada taxa de passagem do bolo 
alimentar pelo rúmen, bem como aumenta o consumo e desempenho animal. Porém, quando 
as gramíneas tropicais são bem manejadas e escolhidas conforme sua melhor adaptabilidade 
a cada sistema de produção, o seu valor nutritivo pode ser interessante e originar um bom 
desempenho nos animais alimentados com elas (CONGIO; MESCHIATTI, 2019). 
Outro fator que implica no declínio do VN de uma gramínea ou leguminosa é o 
avanço da sua idade, ou etapa do seu ciclo de desenvolvimento. O amadurecimento da 
planta chega acompanhado de maior deposição e lignificação de constituintes da parede 
celular, o que, consequentemente, causa uma menor digestibilidade e também diminuição 
equivalentes dos componentes celulares, como a proteína bruta da planta. 
Acontece o seguinte: primeiro as lâminas das folhas vão perdendo qualidade, se-
guidas da bainha foliar e dos colmos/caules. Essas últimas frações citadas juntamente a 
bainha foliar e material morto (aquilo que está seco, senescente) se transformam em uma 
maior proporção na massa de forragem em comparação à lâmina foliar. Como resultado 
não tão bom de todo esse processo há a diminuição da qualidade nutricional, ou seja, do 
valor nutritivo de todo o dossel forrageiro (CONGIO, MESCHIATTI; 2019). 
As diferenças morfofisiológicas entre gramíneas e leguminosas também acarre-
tam diferenças de produção: como as gramíneas tropicais possuem estruturalmente mais 
tecidos de sustentação, ou seja, mais fibrosos, o acúmulo de massa verde de qualidade, 
39UNIDADE 2 GRAMÍNEAS E LEGUMINOSAS 
quando a planta está velha, fica mais dificultado. Principalmente para animais em pastejo, 
quando há baixa oferta de forragem juntamente a pastos baixos, a produção da pastagem 
diminuída acarreta baixo consumo e desempenho animal. Enquanto isso, as leguminosas 
normalmente não são utilizadas para pastejo dos animais, mas fornecidas no cocho, o que 
melhora sua produção, uma vez que não sofrem pisadura.
Para finalizar, é imprescindível conhecer o valor nutritivos das plantas forrageiras 
e, normalmente, esse estudo é realizado através da análise química, ou análise bromato-
lógica, da qual ficaremos sabendo mais no tópico a seguir. Vamos lá?
O conhecimento da qualidade nutricional do alimento ofertado ao animal é muito 
importante. A partir da análise bromatológica podemos estudar os atributos químico-
nutricionais das plantas forrageiras como, por exemplo, seus teores de proteína e fibra, 
sendo a concentração desses dois componentes extremamente importantes para a 
nutrição dos animais ruminantes. Conhecendo o alimento que temos disponível para oferta 
ao animal, é possível a tomada de decisões sobre a suplementação ou em que momento 
colocar os animais para pastejar.
A seguir vamos aprender um pouco mais sobre a análise bromatológica. Os 
materiais utilizados na alimentação animal possuem a seguinte composição:
FIGURA 6 - PRINCIPAIS COMPONENTES DE UM ALIMENTO
Fonte: adaptado de Mizubuti et al. (2009, p. 56).
40
ANÁLISE BROMATOLÓGICA 
PARA CONHECER A QUALIDADE 
NUTRICIONAL 4
TÓPICO
UNIDADE 2 GRAMÍNEAS E LEGUMINOSAS 
41UNIDADE 2 GRAMÍNEAS E LEGUMINOSAS 
O principal método utilizado na Bromatologia é o de Van Soest (que leva o nome 
do pesquisador Peter Van Soest) desenvolvido em 1967 nos laboratórios de pesquisa do 
Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (United States Department of Agriculture 
– USDA), com o intuito principal da análise de forragens.
Nessa metodologia faz-se o uso de reagentes químicos chamados de detergentes 
– esses detergentes em sua forma ácida e neutra fazem nada mais que a partição dos 
nutrientes dos tecidos vegetais em conteúdo celular e parede celular (ou fibra em detergente 
neutro). O primeiro grupo, de conteúdo celular, é aquele que possui em sua constituição 
as frações solúveis em detergente neutro – açúcares, carboidratos solúveis, amido, 
pectina, proteína e nitrogênio não proteico, lipídios e outros solúveis. O segundo 
grupo, o de componentes da parede celular, é o que é composto pela fração insolúvel em 
detergente neutro – hemicelulose, celulose, proteína modificada pelo calor e lignina 
(CHURCH; POND, 1977; MIZUBUTI et al., 2009).
Falando de plantasforrageiras, os principais componentes a serem analisados 
para fornecimento de informações importantes são matéria seca (MS), proteína bruta 
(PB), fibras (carboidratos fibrosos ou estruturais – CF ou CE [fibra em detergente 
neutro – FDN, fibra em detergente ácido – FDA], lignina, carboidratos não fibrosos ou 
não estruturais – CNF ou CNE) e digestibilidade (incubação in situ ou in vitro, produção 
de gás) (CONGIO; MESCHIATTI, 2019).
- Matéria seca (MS): como um fator de padronização, as forragens devem ser 
analisadas e determinados os teores de nutrientes com base na MS, isso porque existe um 
alto conteúdo de água nos materiais vegetais. Dessa forma, faz-se a secagem da amostra 
em duas etapas, considerando a manutenção da amostra com pouca alteração – primeira 
é uma secagem em estufa a 60 °C e a segunda em estufa a 105 °C. As análises dos outros 
teores citados são realizadas com o material originado da secagem a 60 °C (presença 
de água residual), o que auxilia e melhora a preparação da amostra e sua utilização nos 
processos químicos a que será submetida.
- Proteína bruta (PB): para obter o teor de PB de um alimento deve-se calcular 
o seu teor de nitrogênio (N) e multiplicá-lo por 6,25. Normalmente, utiliza-se o método de 
Kjeldahl para a análise de nitrogênio de uma amostra. Porém, temos também o método 
de combustão de Dumas. No método de Kjeldahl estão envolvidas as etapas de digestão, 
destilação e titulação de nitrogênio. Pode-se realizar a quantificação da fração de N na 
planta, fazendo seu fracionamento: nitrogênio ligado à fibra – proteína relacionada à fibra 
em detergente neutro (PIDN) ou ácido (PIDA), nitrogênio não proteico – esse inclui o 
grupo de aminoácidos e caracteriza a porção de PB não verdadeira, proteína verdadeira. 
42UNIDADE 2 GRAMÍNEAS E LEGUMINOSAS 
Adicionalmente, é possível particionar a proteína em relação às suas taxas de degradação 
ruminais, pelo sistema de Cornell: fração A – equivale ao NNP, que é prontamente disponível 
para microbiota ruminal; fração B1 – sinaliza a proteína verdadeira que é solúvel e possui 
alta taxa de degradação; fração B2 – equivale ao N solúvel em detergente neutro; fração 
B3 - equivale à parte solúvel em detergente ácido; fração C – é aquela insolúvel em 
detergente ácido.
- Carboidratos fibrosos ou estruturais (CF ou CE): a partir da solubilização 
do conteúdo celular da fração fibrosa com o uso dos reagentes, temos as classificações 
de fibra em detergente neutro (FDN) e fibra em detergente ácido (FDA). A FDN é aquela 
fração em que ocorre a solubilização do conteúdo celular, resultando no que é insolúvel 
em detergente neutro – hemicelulose, celulose e lignina. Nesse ponto, ao salientar que 
a fibra é definida como a parcela indigestível do alimento e que ocupa espaço no sistema 
digestório, temos a FDN como melhor alternativa para avaliar a fibra presente no alimento. 
A FDA é a fração na qual é solubilizado todo o conteúdo celular acrescido da hemicelulose, 
resultando no resíduo insolúvel em detergente ácido – celulose e lignina. 
- Lignina: é um constituinte fenólico que faz parte da parede celular e é indigestível 
para qualquer animal. Para determinar o seu teor, normalmente, se utiliza a digestão do 
resíduo da análise de fibra em detergente neutro, com o uso de em ácido sulfúrico a 72%.
- Carboidratos não fibrosos ou não estruturais (CNF ou CNE): os carboidratos não 
fibrosos são aqueles que fornecem a forma de energia mais digestível aos microrganismos 
do rúmen e podem ser estimados conforme a equação abaixo:
%CNF = 100 – (%PB + %EE + %FDN corrigido para PB + %CZ)
MS: matéria seca, PB: proteína bruta, EE: extrato etéreo, FDN corrigido para PB : 
fibra em detergente neutro corrigido para proteína bruta, CZ: cinzas.
- Digestibilidade: essa característica especifica aquilo que o animal aproveita 
na digestão. A digestibilidade pode ser determinada por incubação in situ – nesse caso, 
saquinhos porosos contendo a amostra são colocados dentro do rúmen do animal através 
de uma cânula e, dessa maneira, pode-se acompanhar o desaparecimento das frações do 
alimento em condições ruminais reais; incubação in vitro – nesse método, as características 
e condições ruminais de anaerobiose, presença de microrganismos, pH, tamponamento, 
temperatura são reproduzidos em laboratório; produção de gás – nessa técnica é realizada 
uma estimativa da fermentação ruminal, com medidas do quanto de gases são produzidos.
Para finalizar esse tópico, devemos lembrar e fixar a ideia de que a análise 
bromatológica não deve ser negligenciada, para que informações verdadeiras sobre o valor 
nutritivo das plantas forrageiras sejam obtidas e utilizadas para melhorias na alimentação 
dos animais e no sistema de produção no geral.
43
Nesse tópico, vamos conhecer informações sobre uma importante característica das leguminosas: a capa-
cidade dessas plantas fixarem nitrogênio atmosférico, a partir de um estudo da EMBRAPA. Aproveitem!!
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA Cerrados Tecnologia – Fixação biológica de Ni-
trogênio (FBN), 2016. 
Material na íntegra disponível gratuitamente em: https://www.embrapa.br/documents/1355008/0/Fol-
der+tecnologia+FBN/72690c5d-c076-4f9f-b48a-7f6ebec0183d
Fixação biológica de nitrogênio
Apresentação: A Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) é um dos processos naturais mais importantes do 
planeta, ao lado da fotossíntese. O nitrogênio é um nutriente essencial e exigido em grande quantidade pe-
las plantas. Na FBN o nitrogênio presente no ar (N2 ) é transformado em formas que podem ser utilizadas 
pelas plantas. Esse trabalho é realizado por bactérias presentes no solo, ou adicionadas por meio da prática 
da inocula ção. Em termos de agricultura, a simbiose entre bactérias fixadoras de nitrogênio (denominadas 
rizóbios) e plantas leguminosas (soja, feijão, ervilha, amendoim, entre outras) é a mais significativa. Essas 
bactérias, quando em contato com as raízes das leguminosas, induzem a formação de pequenas bolinhas, 
chamadas nódulos, onde ficam alojadas. No interior dos nódulos ocorre o processo de aproveitamento 
do nitrogênio do ar. A FBN foi escolhida como um dos pilares do Plano ABC - Agricultura de Baixa Emissão 
de Carbono, lançado em 2010 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, instituído para 
incentivar o uso de técnicas sustentáveis na agricultura visando a redução da emissão dos gases de efeito 
estufa (GEE).
Benefícios: A tecnologia que envolve o uso de bactérias fixadoras de nitrogênio gera redução do custo de 
produção e ajuda na recuperação de áreas degradadas, na melhoria da fertilidade e da qualidade solo, 
além de contribuir para a redução da emissão de gases de efeito estufa (GEE) e de contaminação dos ma-
nanciais hídricos. 
Recomendações técnicas: A inoculação é o processo por meio da qual bactérias fixadoras de nitrogênio, 
selecionadas pela pesquisa, são adicionadas às sementes das plantas antes da semeadura, com uso de um 
produto chamado inoculante.
UNIDADE 2 GRAMÍNEAS E LEGUMINOSAS 
https://www.embrapa.br/documents/1355008/0/Folder+tecnologia+FBN/72690c5d-c076-4f9f-b48a-7f6ebec0183d
https://www.embrapa.br/documents/1355008/0/Folder+tecnologia+FBN/72690c5d-c076-4f9f-b48a-7f6ebec0183d
44UNIDADE 2 GRAMÍNEAS E LEGUMINOSAS 
É de extrema importância conhecer aquilo que temos na propriedade que pode ser fornecido ao animal 
como alimento. Só se gerencia aquilo que conhecemos.
Fonte: A autora (2023).
45
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Querido(a) aluno(a), chegamos ao fim de mais uma unidade! Espero que tenha 
sido interessante para você.
A diferenciação das plantas forrageiras é de extrema importância para o conheci-
mento técnico e prático da área, uma vez que saber escolher o que melhor se adapta ao 
sistema de produção em questão é o “pulo do gato” para o sucesso de determinada cultura. 
Vimos como a morfofisiologia das gramíneas e leguminosas tem suas peculiaridades e 
como isso afeta o desenvolvimentode cada uma.
Em relação aos ciclos de desenvolvimento, aprendemos que as plantas de ciclo 
C3 são aquelas que se desenvolvem melhor em climas mais amenos, enquanto as de ciclo 
C4 preferem o calor. Por que isso é tão importante? Será que se escolhermos uma planta 
C3 para ser cultivada no Brasil, em uma região bem quente do país, ela desempenhará 
a sua melhor produção, aliada ao seu melhor valor nutritivo? Vimos que não! Por isso, é 
imprescindível respeitar as particularidades de cada grupo estudado.
E, falando de valor nutritivo, conseguimos aprender o que afeta essa característica 
tão importante das plantas e o porquê das diferenças entre os ciclos C3 e C4, pensando 
nelas como alimentos aos animais, e quais devem ser os principais atributos analisados, 
lembrando que: só conseguimos cuidar e aprimorar aquilo que conhecemos. 
Espero que tenha gostado de tudo que foi conversado nessa unidade e que esteja 
animado(a) para a próxima, na qual utilizaremos todo aprendizado obtido até agora! Vejo 
você na próxima, até mais.
UNIDADE 2 GRAMÍNEAS E LEGUMINOSAS 
46
LEITURA COMPLEMENTAR
Produtividade de sistemas forrageiros consorciados com leguminosas
Resumo: “O objetivo desta pesquisa foi avaliar três sistemas forrageiros (SF) com 
capim-elefante (CE) + azevém (AZ) + espécies de crescimento espontâneo (ECE); CE + AZ 
+ ECE + amendoim forrageiro (AM); e CE + AZ + ECE + trevo-vermelho (TV), usando-se a 
mesma área, sob pastejo rotacionado, no decorrer do ano agrícola. O CE foi estabelecido 
em linhas afastadas a cada 4m. No período hibernal, fez-se o estabelecimento do AZ entre 
as linhas do CE; o TV foi semeado e o AM foi preservado, considerando-se os respectivos 
SF. O delineamento experimental foi o inteiramente ao acaso, com três tratamentos (SF), 
duas repetições (piquetes) e avaliações independentes (ciclos de pastejos). Para avaliação, 
foram utilizadas vacas da raça Holandesa em lactação, que receberam suplementação 
alimentar com concentrado à razão de 1% do peso corporal/dia. Foram avaliados a massa 
de forragem, os componentes botânicos do pasto e estruturais do CE e a taxa de lotação. 
Durante o período experimental, foram efetuados oito ciclos de pastejo. Sistemas forrageiros 
que envolvem gramíneas e leguminosas de diferentes ciclos proporcionam a utilização da 
área durante todo o ano agrícola em pastejo rotativo com bovinos leiteiros. Considerando-
se a predominância das avaliações em cada pastejo, os sistemas forrageiros consorciados 
apresentam melhor resultado tanto para as variáveis de massa de forragem quanto para a 
taxa de lotação.”
Fonte: DIEHL, M.S. et al. Produtividade de sistemas forrageiros consorciados 
com leguminosas. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.65, n.5, p.1527-1536, 2013. Disponível 
em: https://www.scielo.br/j/abmvz/a/8PmvcJhtTBy75ZN8VkSZKCz/?format=pdf&lang=pt 
Acesso em: 10 jul. 2023.
UNIDADE 2 GRAMÍNEAS E LEGUMINOSAS 
https://www.scielo.br/j/abmvz/a/8PmvcJhtTBy75ZN8VkSZKCz/?format=pdf&lang=pt
47
MATERIAL COMPLEMENTAR 
LIVRO 
Título: Fisiologia e Desenvolvimento Vegetal.
Autor: Lincoln Taiz, Eduardo Zeiger, Ian Max Moller, Angus 
Murphy.
Editora: ArtMed.
Sinopse: Leitores de edições anteriores desta obra perceberão 
uma novidade significativa já na capa da presente edição: o título 
foi alterado de Fisiologia vegetal para Fisiologia e desenvolvimento 
vegetal, além do acréscimo de dois organizadores.   O novo 
título reflete uma reorganização importante da Unidade III, 
Crescimento e Desenvolvimento: em vez de capítulos separados 
sobre estrutura e função de hormônios e fotorreceptores, suas 
interações são agora descritas no contexto do ciclo de vida 
vegetal. Com a autoridade e o rigor científico de sempre, a obra 
continua trazendo os recentes avanços na área e introduzindo 
melhorias pedagógicas solicitadas por leitores, tornando os 
conteúdos mais acessíveis e atraentes ao público interessado.
FILME/VÍDEO 
Título: As vantagens do consórcio entre gramíneas e 
leguminosas
Ano: 2021
Sinopse: Pesquisador da Embrapa detalha os benefícios trazidos 
pela consorciação de gramíneas forrageiras com leguminosas 
de cobertura.
Link do vídeo: 
https: / /www.youtube.com/watch?v=moRjUa0qCSk&ab_
channel=TVRevistaRura
UNIDADE 2 GRAMÍNEAS E LEGUMINOSAS 
https://www.youtube.com/watch?v=moRjUa0qCSk&ab_channel=TVRevistaRura
https://www.youtube.com/watch?v=moRjUa0qCSk&ab_channel=TVRevistaRura
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Plano de Estudos
• Fatores de Limitação na Produção de Pastagens;
• 	Manejo	Básico	de	Plantio	e	Escolha	da	Forrageira;
• Noções Básicas de Fertilidade e Preparo de Solos.
Objetivos da Aprendizagem
• 	Contextualizar	 sobre	 os	 fatores	 que	 atrapalham	 ou	 favorecem	 a	
produção das plantas forrageiras;
• Compreender os pontos importantes para o plantio de uma 
forrageira, bem como quais os procedimentos envolvidos para a 
escolha	da	“melhor”	planta;
• Estabelecer a importância da fertilidade do solo na produção de 
forragens, e também da preparação dos solos para plantio.
Professora Doutora Camila Cano Serafim
FORMAÇÃO DE FORMAÇÃO DE 
PASTAGENSPASTAGENS
UNIDADEUNIDADE3
UNIDADE 3 FORMAÇÃO DE PASTAGENS 49
INTRODUÇÃO
Olá, seja bem-vindo(a) novamente, caro(a) aluno(a)! Espero que esteja bem e 
animado(a) para continuarmos nossos estudos sobre a Forragicultura. Agora vamos começar 
a Unidade III da apostila e conversar sobre a produção de planta forrageira propriamente dita. 
A unidade passada foi importante para contextualizar como a morfofisiologia das gramíneas 
e leguminosas influenciam no seu valor nutritivo e na sua produção. A partir de agora vamos 
aplicar esses aprendizados de maneira mais prática. Espero que esteja animado(a), vamos lá? 
Primeiramente, vamos falar sobre os fatores que afetam de forma negativa 
o estabelecimento ou formação das pastagens, como, por exemplo, a planta forrageira 
escolhida, as condições de solo, clima e como contorná-los. A implementação de uma 
pastagem é extremamente importante, uma vez que é o ponto inicial para a produção 
animal a pasto.
Dito isso, a conversa seguirá para como executar o manejo básico de plantio 
de uma planta forrageira, sobre quais etapas devem ser seguidas, quais procedimentos 
devem ser realizados antes da semeadura e afins. Posteriormente, vamos falar sobre a 
“estrela” do sistema, a planta forrageira: como ela deve ser escolhida? Quais fatores levar 
em consideração?
E para finalizar a Unidade III, vamos pontuar sobre noções básicas de fertilidade, a 
importância de se fazer a adubação para plantas forrageiras e também como deve preparar 
o solo para o plantio. Todos esses fatores podem influenciar tanto no estabelecimento e 
manutenção de uma pastagem quanto no seu potencial produtivo, e posterior uso como 
alimentação dos animais.
Dessa forma, convido você para começarmos mais uma unidade. Vamos lá?
50
A produção de pastagens implica em uma atividade que serve como a principal 
fonte de alimentação do rebanho brasileiro criado a pasto, sendo uma alternativa barata 
para os custos com a nutrição dos animais. 
A formação de pastagens é o momento ideal para o início de um sistema de criaçãoe produção de ruminantes, principalmente falando sobre a criação de bovinos de corte. 
Em qualquer sistema produtivo é de suma importância que haja planejamento, e 
na produção de forragens não seria diferente, uma vez que é uma ação necessária para o 
futuro da produção em si. 
Fatores de limitação na produção de pastagens são aqueles que dificultam todo o 
sistema, bem como suprimem o potencial produtivo de uma planta forrageira. Para driblar 
esses fatores é necessário levar em consideração diversos pontos para que a tomada 
de decisão seja correta. Aspectos como a escolha do local para implementação da área 
de pastagem, o histórico dessa área em relação a culturas anteriores, informações sobre 
solo e também seu preparo relacionado a adubação e correções, a escolha da espécie 
forrageira a ser utilizada e seu posterior plantio ou semeadura (dependendo se é feito em 
mudas ou sementes) e todo o manejo de formação em si – todos os pontos citados são de 
extrema importância no estabelecimento de pastagens e devem ser seguidos para 
que futuramente haja produtividade (CONGIO; MESCHIATTI, 2019).
Saber como agir e o que fazer em cada parte desse processo influencia no poten-
cial de produção da planta forrageira de forma com que, consequentemente, afete também 
o potencial produtivo da atividade pecuária escolhida. Para evitar perdas e prejuízos é 
UNIDADE 3 FORMAÇÃO DE PASTAGENS
FATORES DE LIMITAÇÃO NA 
PRODUÇÃO DE PASTAGENS1
TÓPICO
51UNIDADE 3 FORMAÇÃO DE PASTAGENS
importante entender cada etapa e, posteriormente, tomar decisões de forma assertiva para 
que a planta tenha condições de expressar todo seu potencial produtivo para suprir as 
exigências nutricionais dos animais criados naquela área.
O planejamento forrageiro consiste em uma série de decisões a serem toma-
das de forma com que haja organização da propriedade em relação ao plano alimentar. 
Nessa linha de raciocínio, o planejamento forrageiro é realizado para que haja alimento 
de qualidade, no caso, a forragem, em quantidade suficiente para os animais pelo período 
do ano todo – isso para que seja possível a garantia de eficiência e persistência no uso da 
pastagem, produtividade tanto da planta quanto dos animais presentes na área. Podemos 
resumir os objetivos do planejamento forrageiro de forma simples:
 ✔ Regular a necessidade de forragens em relação a sua capacidade produtiva.
 ✔ Ajustar a distribuição do rebanho de acordo com a produção dos pastos.
 ✔ Melhorar a capacidade de suporte da área, ou seja, aumentar a lotação de animais 
(animais/hectare).
 ✔ Potencializar a produtividade (litros de leite ou quilos de carne/hectare).
 ✔ E, consequente às etapas acima citadas, reduzir a necessidade de uso de forragens 
conservadas na época de maior escassez de alimentos.
Nas fases do planejamento forrageiro podemos citar 1) avaliação das áreas livres 
da propriedade em questão – observando declividade, localização, fontes de água, tipo de 
solo, presença de área de preservação etc.; 2) avaliação das condições de solo (fertilida-
de) e das plantas ali existentes; 3) cálculo e estruturação do rebanho de acordo com os 
objetivos da propriedade em relação à área disponível e com a capacidade produtiva dos 
pastos; 4) avaliação das áreas e das pastagens a serem introduzidas – tudo levando em 
consideração a área da propriedade, condições edafoclimáticas e objetivos que o produtor 
deseja alcançar (FERNANDES et al., 2015).
Na figura 1 a seguir temos um esquema da organização dos fatores considerados 
em um planejamento alimentar de uma propriedade, que envolve o planejamento forrageiro.
52UNIDADE 3 FORMAÇÃO DE PASTAGENS
FIGURA 1 - ESQUEMA DA ORGANIZAÇÃO DE UM PLANEJAMENTO ALIMENTAR.
Fonte: Adaptado de Tonato e Barioni (2014, p. 30).
Um ponto importante a ser considerado é a preferência de utilização de plantas 
forrageiras de ciclo longos, ou seja, as pastagens perenes. Normalmente esse grupo de 
plantas apresenta uma maior produção, maior capacidade de suporte, melhor distribuição 
de volume produtivo no período de um ano, maior cobertura de solo, aceita consorciamento 
com outras culturas, e também um menor custo de produção (FERNANDES et al., 2015). 
No tópico a seguir vamos entender um pouco mais sobre o processo de escolha de 
uma planta forrageira para sua implantação no processo de formação de pastagens.
53
Vamos conversar sobre os fatores a serem considerados para a escolha de uma 
planta forrageira e também como fazer preparo para plantio e semeadura. 
A escolha da forrageira a ser utilizada deve ser originada levando em consideração 
primeiramente o tipo de exploração da propriedade: se a área vai ser utilizada para criação 
de bovinos de corte ou de leite, se o uso da pastagem vai ser a médio e longo prazo – o 
que depende da criação presente, as demandas de cada categoria animal e também a 
tecnologia envolvida no sistema de produção. Dessa forma, é necessário todo um estudo 
de mercado para obtenção de informações sobre as necessidades do setor, logística de 
entrega dos produtos originados e características de ambiente em que a cultura vai ser 
inserida (CONGIO; MESCHIATTI, 2019). 
Resumidamente, é possível listar os aspectos importantes para esse processo de 
implantação da pastagem, temos que lembrar que não existe uma planta forrageira ideal 
ou uma planta totalmente ruim. É imprescindível ponderar a planta que se adapta para 
diferentes climas, solo, topografia, produtividade, tecnologias utilizadas – o que pode ser 
uma atividade trabalhosa, mas extremamente importante. 
O diagnóstico de uma propriedade deve ser feito considerando os seguintes pontos, 
segundo Pereira (2016), questionando sobre a importância de cada um:
 ✔Desde quando aquela área é utilizada?
 ✔Qual é o nível de tecnologia presente na propriedade?
 ✔Qual é o histórico da área?
UNIDADE 3 FORMAÇÃO DE PASTAGENS
MANEJO BÁSICO DE PLANTIO E 
ESCOLHA DA FORRAGEIRA2
TÓPICO
54UNIDADE 3 FORMAÇÃO DE PASTAGENS
 ✔Quais espécies forrageiras já foram plantas na área? Quais plantas estão sendo 
utilizadas?
 ✔Existem plantas invasoras (ou ervas daninhas) na área?
 ✔Qual foi a produtividade alcançada nos anos anteriores?
 ✔A área de implantação da pastagem possui potencial para doenças e pragas?
 ✔Existe um potencial de persistência de sementes no solo da área?
A partir da obtenção de todas essas informações, como resultado temos um 
histórico a ser considerado para a escolha da planta forrageira. Em seguida, tornando o 
assunto mais específico, podemos pontuar as características intrínsecas à própria espécie 
da planta a ser escolhida. Em relação a isso, um dos pontos seria a tolerância a condições 
adversas como:
 ✔À acidez do solo;
 ✔À escassez ou excesso de água;
 ✔Às geadas;
 ✔Às doenças e pragas das pastagens;
 ✔Ao sombreamento;
 ✔Ao pisoteio.
Para a propagação de uma planta forrageira e o estabelecimento de uma pastagem, 
uma característica pode ser imprescindível: sua capacidade de produção de sementes. 
Nesse caso, a propagação da área plantada pode ser facilitada e ser um ponto de economia 
para o produtor rural (CONGIO; MESCHIATTI, 2019).
O hábito de crescimento de uma planta forrageira também é um fator a ser levado 
em consideração, uma vez que isso influencia futuramente em relação ao manejo de 
pastagem – as plantas podem ser de crescimento cespitoso, decumbente e prostrado, por 
exemplo. É necessário saber se o estabelecimento da planta é em um período curto ou 
longo, entrando na questão do planejamento forrageiro, e de quando os animais poderão 
ser inseridos na área.
Dessa forma, devemos lembrar que cada cultivar ou espécie de planta forrageira 
a ser utilizada possui atributos que podem ser importantes na adaptação a cada 
especificidade produtiva (CONGIO; MESCHIATTI, 2019).
Resumidamente podemos listar os seguintes parâmetros para a escolha assertiva 
de uma espécie forrageira segundo Fernandes et al. (2015):
55UNIDADE 3FORMAÇÃO DE PASTAGENS
 ✔Valor nutritivo;
 ✔Capacidade produtiva;
 ✔Adaptabilidade às condições edafoclimáticas da região onde fica a propriedade;
 ✔Palatabilidade e aceitação pelos animais;
 ✔Ciclo de produção;
 ✔Resistência a doenças e pragas;
 ✔Capacidade de cobertura do solo, para obtenção de matéria orgânica;
 ✔Resistência ao pisoteio devido ao pastejo pelos animais;
 ✔Persistência;
 ✔Aceitação a consorciamento com outras espécies forrageiras.
Em relação à propagação de uma forrageira é preciso levar em consideração se 
esse processo é feito por mudas ou sementes. 
A semeadura é como as sementes são distribuídas, podendo ser em covas, sulcos 
(linhas) ou até mesmo a lanço, na superfície do solo. Um ponto extremamente importante 
é a qualidade da semente, que pode influenciar no sucesso da implantação da pastagem. 
As sementes de forrageiras podem possuir baixa qualidade, portanto, é importante priorizar 
sementes oriundas de empresas registradas. Para avaliar a qualidade de uma semente 
é preciso considerar os atributos genéticos, ou seja, se ela é geneticamente pura; suas 
características fisiológicas em relação à viabilidade e germinação; e aquelas características 
físicas, para análise de pureza (CONGIO; MESCHIATTI, 2019).
Para mensurar a qualidade de uma semente que está no mercado é possível 
considerar seu valor cultural (VC), que é a porcentagem de sementes da cultivar/espécie 
desejada com possibilidade de germinação, contida no lote de sementes. O VC é dado pela 
seguinte fórmula:
VC = % de pureza * % de germinação
100
Para ter uma melhor qualidade de sementes considera-se que: quanto maior o VC, 
maior será a qualidade das sementes e menor a quantidade exigida na semeadura.
É preciso respeitar uma profundidade de semeadura, que varia de acordo com o 
tipo de solo, clima, tamanho de sementes etc. Como uma “regra” é possível utilizar uma 
profundidade de semeadura de cinco vezes o tamanho da semente em questão – 1 a 2 cm. 
Pode haver variações como, por exemplo: 2 cm para sementes pequenas, até 5 cm para 
56UNIDADE 3 FORMAÇÃO DE PASTAGENS
sementes médias, que seriam as sementes de forrageiras tropicais, e mais de 5 cm para 
sementes grandes, que seriam as de leguminosas (EVANGELISTA, 1995).
O plantio de mudas, ou da forma vegetativa, pode ser realizado tanto de forma 
solteira quanto consorciado com lavouras – podem ser em covas, linhas ou na superfície 
do solo. Nesse sistema é extremamente necessário realizar a compactação das mudas 
(CONGIO; MESCHIATTI, 2019).
As mudas precisam estar maduras e secas, com ciclo acima de 90 dias e possuírem 
raízes, rizomas e estolões com bastante gemas. Essas mudas devem ser plantadas em um 
intervalo de 10 a 20 dias após colhidas, sendo regadas e mantidas na sombra até o plantio. 
O espaçamento necessário pode variar entre 0,5 e 1,0 m entre linhas. A densidade de plantio 
também é variável: plantio superficial – 4,5 toneladas/hectare; plantio em covas – 3 toneladas/
hectares; plantio em sulco – 2,5 toneladas/hectare (CONGIO; MESCHIATTI, 2019).
Outra variável é a profundidade de plantio em relação à textura do solo: de 15 
cm para solos arenosos e 10 cm para solos argilosos e mistos. As mudas precisam ser 
cobertas com uma camada de solo de forma que fique com 25 a 30% dela descoberta para 
estímulo da sua propagação.
É preferível que o estabelecimento da pastagem seja realizado em épocas de 
chuva, estando em planejamento constante para evitar maiores imprevistos. Essa etapa 
objetiva a cobertura do solo de forma rápida para que não haja problemas de erosão, e 
também para que os animais tenham acesso ao alimento de forma mais rápida. 
Após o estabelecimento é necessária uma adubação de cobertura, principalmente 
em relação a quantias de nitrogênio e potássio, e um chamado “manejo de uniformiza-
ção” – que consiste em um primeiro pastejo. Esses processos servem de estímulo para o 
perfilhamento e para o desenvolvimento de uma cobertura de matéria orgânica para o solo 
(CONGIO; MESCHIATTI, 2019). 
Nesse caso são utilizados os animais com um pastejo rápido e alta taxa de lotação 
para a tentativa de uniformizar o dossel forrageiro, favorecendo o estabelecimento da 
pastagem.
57
Para o preparo de solo ser iniciado é imprescindível o uso das informações 
oriundas de uma boa análise de solo. A partir dela é possível saber como está a fertilidade 
do solo, evitando desperdício de calcário e adubos. 
Para qualquer tipo de recomendação de preparo de solo é necessário levar em 
consideração especificações para a tomada de decisão como, por exemplo, 1) grau 
de intensificação e possibilidade de mecanização da área; 2) espécie forrageira a ser 
introduzida; tipo de planta daninha existente; 3) situação topográfica e de compactação 
da área; 4) equipamentos disponíveis, infraestrutura existente; 5) conservação de solo; 6) 
época do ano; e 7) fatores econômicos (CONGIO; MESCHIATTI, 2019).
A partir da análise de solos podemos recomendar uma adubação equilibrada, 
respeitando os atributos do solo e também as necessidades da forrageira a ser plantada. A 
seguir temos o exemplo de um formulário a ser preenchido para uma melhor caracterização 
da análise de solos.
UNIDADE 3 FORMAÇÃO DE PASTAGENS
NOÇÕES BÁSICAS DE FERTILIDADE 
E PREPARO DE SOLOS3
TÓPICO
58UNIDADE 3 FORMAÇÃO DE PASTAGENS
FIGURA 2 - QUESTIONÁRIO DE ANÁLISE DE SOLOS
Fonte: EMBRAPA (s.d).
A amostragem é uma etapa fundamental para avaliação da fertilidade do solo, 
deve ser realizada da forma mais correta possível para minimizar erros de coleta, uma vez 
que quando a amostra já está no laboratório, não há como corrigir erros nesse processo. 
Uma amostragem errônea pode gerar uma recomendação incorreta, acarretando prejuízos 
econômicos e ao meio ambiente (LEMAIRE et al., 2005).
A EMBRAPA possui recomendações de amostragem como demonstrado a seguir 
na figura 3.
59UNIDADE 3 FORMAÇÃO DE PASTAGENS
FIGURA 3 - EXEMPLOS DE AMOSTRAGEM DE SOLOS
Fonte: EMBRAPA (s.d).
Os solos brasileiros, bem como os de regiões tropicais no geral, são caracterizados 
por baixos teores de bases, como cálcio (Ca), magnésio (Mg) e potássio (K), fósforo (P) 
e enxofre (S), e outros nutrientes. Além dos altos teores de hidrogênio (H+) livre que 
caracteriza um pH baixo, altos teores de alumínio (Al) tóxico, de manganês (Mn) e ferro 
(Fe). Dessa forma, é importante salientar que as recomendações sobre adubação, calagem 
e gessagem, por exemplo, devem ser relacionadas a cada local específico e, claro, para 
cada espécie forrageira (CONGIO; MESCHIATTI, 2019).
Para as forrageiras em fase de crescimento a necessidade da nutrição com P e Ca 
é de grande valia, uma vez que esses nutrientes estão relacionados intimamente com o 
crescimento da planta e de seu sistema radicular (WERNER; HAAG, 1972).
Em relação à correção do solo e de seus níveis de pH podemos citar corretivos 
como calcário e gesso agrícola. A calagem, ou seja, aplicação de calcário no solo serve 
para aumentar os teores de Ca e Mg, neutralizar o teor de Al (sendo esse um componente 
tóxico para as plantas) e para correção do pH do solo. Entre as vantagens desse processo 
60UNIDADE 3 FORMAÇÃO DE PASTAGENS
podemos citar 1) eliminação da deficiência de cálcio e magnésio; 2) diminuição dos níveis 
tóxicos de alumínio, manganês e de ferro; 3) neutralização e diminuição da acidez do solo; 
4) proporciona uma maior e melhor atividade microbiana no solo; 5) favorece a fixação 
biológica de nitrogênio no solo; 6) melhora a biodisponibilidade de nutrientes; 6) favorece o 
desenvolvimento de raízes (CONGIO; MESCHIATTI, 2019).
Sobre a adubação para recuperação da fertilidade dos solos podemos salientar a 
adubação fosfatada (P), potássica (K) e nitrogenada (N). Esse processo auxilia para que a 
planta forrageira seja implantada corretamente e recubra o solo, o que ajuda a diminuir o 
risco da presença de ervas daninhas.
A adubação com P é intimamente ligadaà síntese de ATP, crescimento de raízes 
e diversos processos metabólicos – esse nutriente tem poder de adsorção, com baixa 
mobilidade (pouco disponível na solução solo). A recomendação da aplicação de P é 
dada pelo nível de exigência da planta, pelo nível tecnológico utilizado e também pela 
biodisponibilidade do nutriente no solo. A sua aplicação deve ser feita principalmente na 
hora da semeadura/plantio, sendo de forma local (ALVAREZ; RIBEIRO, 1999).
A adubação com N é associada a sustentabilidade da produção e com o aumento da 
produção de matéria seca. O nitrogênio é um composto presente em aminoácidos, ácidos 
nucleicos, clorofila etc., a sua recomendação vai de encontro com o nível de tecnologia e 
também com a exigência da planta forrageira. Normalmente é aplicado na forma de ureia 
nas épocas chuvosa – quando do estabelecimento da área, as aplicações são realizadas 
como cobertura (50 a 70% do solo já coberto) para maior absorção e menores riscos de 
perdas (ALVAREZ; RIBEIRO, 1999).
A adubação com K é importante uma vez que esse nutriente está ligado a ativação 
de sistemas enzimáticos da planta, regulação osmótica, bem como relacionado à atividade 
de estômatos, permeabilidade de membrana plasmática etc. A mobilização desse nutriente 
no solo é boa e a necessidade de K pela planta forrageira é ligada ao seu nível de produção. 
Deve ser realizada a adubação de cobertura quando a forrageira já cobrir 50 a 70% da 
área – o que pode garantir uma melhor absorção (ALVAREZ; RIBEIRO, 1999).
Para o preparo do solo podemos elencar o preparo convencional com aração ou 
gradagem – fazendo uma aração e duas gradagens, sendo a última mais leve ou niveladora 
para posterior semeadura/plantio. Esse método de preparo é o mais comum para estabelecer 
pastagens, porém, deve ser utilizado com cuidado por alterar bastante a estrutura física do 
solo, o que pode aumentar o risco ou ocorrência de erosões.
61UNIDADE 3 FORMAÇÃO DE PASTAGENS
Existe também o chamado plantio direto, em que é usada uma máquina semeadora 
adubadora especial – nesse caso, há um disco cortante acoplado e as sementes mais o 
adubo são diretamente acondicionados no solo, diretamente sobre a palhada (MELLO, 1996).
O preparo mínimo ou parcial do solo pode ser utilizado por intermédio de um arado 
escarificador, ou grade niveladora – nesse processo objetiva-se retirar somente a parte 
mais superficial do solo, mais adensada. Dessa forma, há uma maior conservação do solo, 
permitindo a incorporação superficial de corretivos e adubos, com baixo custo (FONTANELI; 
JACQUES, 1991).
Diante dos pontos citados podemos observar a importância de todos os processos 
envolvidos na implantação de uma área de pastagem, bem como todo preparo de solos e 
escolha da forrageira, para que todo o sistema funcione de modo a obter sucesso para a 
atividade.
#
Agora vamos fazer uma abordagem diferente de informações: um episódio de podcast sobre como esco-
lher uma planta forrageira! Vamos saber mais sobre o assunto? Essa foi uma iniciativa da EMBRAPA, e traz 
pessoas entendidas do assunto para a discussão de ideias. Mesmo sendo um programa que retrata da 
realidade do norte do país, conseguimos utilizar as informações no geral.
Vamos saber mais a seguir? Espero que goste!
Prosa Rural - Como escolher a forrageira adequada para a pastagem
O Prosa Rural desta semana apresenta aspectos relevantes que podem garantir a escolha certa da grama 
forrageira pelo produtor rural. O conteúdo também se destaca como vantagens da utilização de cultivares 
preservadas no processo de implantação ou reforma pastagens. De acordo com o pesquisador da Embrapa 
Acre, Carlos Maurício, participante do programa, dar preferência para capins adaptados ao clima e ao solo 
da propriedade rural ajuda a desenvolver um alimento de qualidade para o rebanho bovino e ganhos na 
produtividade animal e na renda do produtor . Tudo isso, e muito mais, você confere no programa desta 
semana. O Prosa Rural é o programa de rádio da Embrapa.
Link para ouvir o episódio: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/73461386/prosa-rural-
---como-escolher-a-forrageira-adequada-para-a-pastagem
https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/73461386/prosa-rural---como-escolher-a-forrageira-adequada-para-a-pastagem
https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/73461386/prosa-rural---como-escolher-a-forrageira-adequada-para-a-pastagem
62UNIDADE 3 FORMAÇÃO DE PASTAGENS
É importante lembrar que não existe a forrageira ideal, e sim aquela que melhor se adapta a atividade 
em questão e ao ambiente em que é cultivada. Dessa forma, é possível que a planta demonstre todo seu 
potencial produtivo e consequentemente, seja um bom alimento para os animais.
Fonte: A autora (2023).
63
CONSIDERAÇÕES FINAIS
UNIDADE 3 FORMAÇÃO DE PASTAGENS
Querido(a) aluno(a), chegamos ao fim de mais uma unidade! Espero que todos os 
assuntos aqui abordados tenham sido legais para você.
Foram abordados temas bem importantes para a produção de forragens desde o 
ponto inicial, os fatores que afetam a implantação de uma área e o que podemos realizar 
em relação ao manejo para melhorar todo o processo. A escolha do local, da forrageira, bem 
como a execução de um planejamento forrageiro tornam todo o processo extremamente 
importante. Outro ponto imprescindível é considerar qual tipo de atividade quero incorporar 
a área, para que tanto os animais quanto as plantas escolhidas possam expressar seu 
máximo potencial produtivo.
A partir desses pontos, conversamos sobre o fato de não existir uma planta forrageira 
ideal e sim aquela que melhor se adequa ao sistema produtivo em questão, as condições 
da área, condições de clima e como características intrínsecas à planta são importantes, 
como produtividade, tolerâncias, persistência no sistema e afins. Afinal, a planta forrageira 
é a estrela do sistema produtivo a pasto, então deve ser bem escolhida e manejada.
E não menos importante para finalizar nossa unidade, falamos sobre como é 
significativo para a produção de pastagens a correção e preparo dos solos com seu processo 
de calagem, e também a adubação – principalmente a fosfatada, potássica e nitrogenada. 
Cada uma dessas tem sua importância nos processos da planta, como crescimento de 
raízes, atividade estomática e produção de matéria seca, respectivamente.
Dessa forma, finalizamos mais uma unidade e espero que tenha sido proveitoso 
para você aprender mais sobre o sistema produtivo de pastagens. Vejo você na próxima 
unidade, até mais!
64
LEITURA COMPLEMENTAR
UNIDADE 3 FORMAÇÃO DE PASTAGENS
IMPLANTAÇÃO DE PASTAGENS PELO MÉTODO VEGETATIVO
Resumo: Tendo em vista que o Brasil se encontra no ranking mundial como sendo 
segundo maior produtor de carne bovina, e se apresenta como um dos maiores produtores 
de leite; o uso de plantas forrageiras é a principal fonte de alimento para ruminantes, além 
de ser a forma mais eficiente e econômica para os sistemas de produção. O desempenho 
animal é caracterizado principalmente pela disponibilidade de forrageiras no ambiente, 
associado a isso e com a ideia de otimizar a utilização das áreas empregadas a esses tipos 
de produção, a utilização de forrageiras perenes tem se destacado na alimentação de 
ruminantes por ocupar os chamados vazios forrageiros. Embora a multiplicação vegetativa 
seja muito utilizada na propagação de espécies forrageiras perenes, ainda há a necessidade 
de buscar trabalhos que facilitem o entendimento dos mecanismos de propagação e 
implantação das mesmas. Essa revisão tem por objetivo aumentar o conhecimento, bem 
como descrever procedimentos básicos para a multiplicação vegetativa de espécies 
forrageiras perenes de verão. Pelo exposto, para o sucesso da implantação, é necessário 
seguir todas as etapas relatadas.
Fonte: FARIAS, P. P.; et al. Implantação de pastagens pelo método vegetativo. 
Revista Científica Rural, Bagé-RS, volume 21, nº2, 2019. Disponível em: http://revista.urcamp.edu.br/index.php/RCR/article/view/2779 
http://revista.urcamp.edu.br/index.php/RCR/article/view/2779
http://revista.urcamp.edu.br/index.php/RCR/article/view/2779
65
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO 
Título: Adubação de Pastagens em Sistemas de Produção Ani-
mal.
Autor: Manoel Eduardo Rozalino Santos e Dilermano Miranda 
da Fonseca.
Editora: UFV.
Sinopse: Com o aumento do preço da terra e a necessidade de 
produzir cada vez mais em áreas menores, o uso de adubos em 
pastagens pode contribuir para a redução dos desmatamentos 
e garantir a sustentabilidade dos sistemas de produção em 
pastagens. Além disso, a alta produtividade animal em pastagens 
adubadas pode tornar esse sistema economicamente mais 
viável. Porém, para obter sucesso com a adubação da pastagem é 
preciso uma visão mais ampla do uso dos fertilizantes, mediante 
à análise de suas consequências sobre todas as etapas da 
produção animal antes de iniciar a adubação. Isso é conseguido 
com conhecimento e planejamento adequado, razão por que 
neste livro são apresentadas informações relevantes sobre 
"Necessidade de garantir o aporte de nutrientes ao ecossistema 
pastagem; Adubação da pastagem e seus efeitos nas etapas 
da produção animal; Principais determinantes da eficiência 
da adubação; Objetivos possíveis que podem ser alcançados 
com a adubação; Preparação da pastagem a ser adubada; 
Método simples de recomendar doses de adubos e corretivos; 
Manejo da adubação com ênfase no pastejo rotativo (lotação 
intermitente); Forma como o pasto adubado se desenvolve; 
Ajustes no manejo do pastejo em pastagens adubadas; Potencial 
de produção animal em pastagens adubadas; Adubação em 
pastagens diferidas; Adubação em sistemas que fazem uso 
de suplementos concentrados; e Adubação em sistemas 
consorciados, como silvipastoris e pastagens com gramíneas e 
leguminosas forrageiras”. As recomendações e/ou, orientações 
contidas nesta obra permitirão compreensão e entendimento 
de tecnologias mais adequadas para obtenção de respostas 
técnicas, econômicas e sociais viáveis em sistemas de produção 
animal. Portanto, este livro é de interesse para empresários 
da pecuária, zootecnistas, engenheiros-agrônomos, médicos-
veterinários, estudantes, professores e demais interessados 
neste importante assunto.
FILME/VÍDEO 
Título: A escolha da planta forrageira.
Ano: 2018.
Sinopse: Importância da planta forrageira no sistema de pro-
dução a pasto.
Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=vuVDbDc-
Vpmo&ab_channel=ForragiculturaePastagens
UNIDADE 3 FORMAÇÃO DE PASTAGENS
https://www.youtube.com/watch?v=vuVDbDcVpmo&ab_channel=ForragiculturaePastagens
https://www.youtube.com/watch?v=vuVDbDcVpmo&ab_channel=ForragiculturaePastagens
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Plano de Estudos
• Fatores Limitantes Ligados à Estacionalidade de Produção de 
Plantas Forrageiras;
• Ensilagem;
• Fenação.
Objetivos da Aprendizagem
• Contextualizar sobre os motivos pelos quais a estacionalidade de 
produção pode ser um problema para a criação de bovinos a pasto;
• Estabelecer a importância da secagem correta para a produção de 
feno e da fermentação/anaerobiose para a produção de silagens.
Professora Doutora Camila Cano Serafim
ESTACIONALIDADE ESTACIONALIDADE 
DE PRODUÇÃO E DE PRODUÇÃO E 
A CONSERVAÇÃO A CONSERVAÇÃO 
DE FORRAGENS DE FORRAGENS 
(FENAÇÃO E (FENAÇÃO E 
ENSILAGEM)ENSILAGEM)
UNIDADEUNIDADE4
67
INTRODUÇÃO
Olá, querido(a) aluno(a)! Chegamos à nossa última unidade da disciplina de 
Forragicultura e Pastagens! Durante o início e meio da nossa conversa, aprendemos 
sobre a importância da produção animal a pasto no Brasil e sobre as mais diversas plantas 
forrageiras que podem ser cultivadas no país para a alimentação animal.
Nessa unidade vamos entender um pouco mais sobre a questão da estacionalidade 
de produção das plantas forrageiras, principalmente das tropicais. Serão abordados os 
fatores que podem influenciar nessa condição e as estratégias para minimizar o impacto 
negativo que pode ocorrer – principalmente a escassez de alimentos nas épocas secas do 
ano. A partir desse ponto vamos conversar sobre as conservações de forragens.
Em relação à fermentação, falaremos de silagem, secagem para a produção de 
feno e como impactam na qualidade do produto que vai ser oferecido ao animal.
Sobre a ensilagem, vamos citar as etapas envolvidas desde o plantio até a colheita 
do material escolhido, o tamanho de partículas e a sua importância para a saúde ruminal 
dos bovinos, a fermentação que deve acontecer no processo, entre outros.
E para finalizar a unidade, vamos conversar sobre a fenação, que é o processo da 
produção de feno. Nesse ponto serão citados os aspectos a serem considerados para uma 
planta ser escolhida para a fenação, a importância de uma secagem adequada, bem como 
os cuidados a serem tomados após o enfardamento.
Vamos lá? Espero que esteja animado(a) para nossa última unidade!
UNIDADE 4 ESTACIONALIDADE DE PRODUÇÃO E A CONSERVAÇÃO DE FORRAGENS (FENAÇÃO E ENSILAGEM)
68
A produção de forragens é influenciada de forma significativa pelas condições 
ambientais presentes no país. As condições de clima tropical auxiliam na produção das 
plantas forrageiras (principalmente as de ciclo C4), porém, na época mais seca do ano a 
produtividade desse grupo pode diminuir.
Os fatores envolvidos nessa oscilação da oferta de alimento aos animais criados a 
pasto estão intimamente relacionados à quantidade e qualidade da pastagem no decorrer 
do ano e podem ser citados como exemplos a temperatura, umidade e luminosidade 
(quantidade da luz e duração do dia) – essas características modulam as características 
morfofisiológicas das plantas. No final, o valor nutritivo e o acúmulo de biomassa podem 
ser afetados. Outro ponto a ser considerado é que com todas essas mudanças acontecem 
também problemas em relação à proporção do suprimento de alimento, no caso, a pastagem, 
e a necessidade de nutrientes que os animais exigem (CONGIO, MESCHIATTI; 2019).
Para entendermos melhor o que acontece, vamos definir a estacionalidade 
produtiva: essa é uma condição de fornecimento desigual da produção de uma planta 
durante o ano, em diferentes épocas, devido às variações nos fatores ambientais como 
temperatura e quantidade de chuvas (TONATO, 2003). A inversão das condições ambientais 
no verão – com altas temperaturas e grande volume de chuvas, e no inverno – baixas 
temperaturas, com fotoperíodo menor e pouca chuva; dita o padrão de crescimento das 
plantas forrageiras: a primeira situação favorece a produção de massa verde, enquanto 
a segunda dificulta essa produção. Essa dinâmica determina a condição estacional da 
produção forrageira, sendo essa maior ou menor.
UNIDADE 4 ESTACIONALIDADE DE PRODUÇÃO E A CONSERVAÇÃO DE FORRAGENS (FENAÇÃO E ENSILAGEM)
FATORES LIMITANTES LIGADOS À 
ESTACIONALIDADE DE PRODUÇÃO 
DE PLANTAS FORRAGEIRAS1
TÓPICO
69UNIDADE 4 ESTACIONALIDADE DE PRODUÇÃO E A CONSERVAÇÃO DE FORRAGENS (FENAÇÃO E ENSILAGEM)
Na figura 1 abaixo podemos ver como funciona a dinâmica do acúmulo e crescimento 
de forragens durante o ano e suas estações. 
FIGURA 1 - DINÂMICA DO CRESCIMENTODE PLANTAS FORRAGEIRAS TROPICAIS NO 
DECORRER DAS ESTAÇÕES CLIMÁTICAS DO ANO
Fonte: adaptado de My Turf e Garden (2019).
São fatores determinantes que sofrem influência do ambiente na produção de 
forragens por interferência aos seus processos fisiológicos: crescimento, desenvolvimento 
fenológico, quantidade e qualidade da forragem. Segundo Buxton e Fales (1994), a 
temperatura e a luminosidade podem influenciar fortemente na fase de crescimento – uma 
vez que a quantia de água e nutrientes já é suficiente.
Nessas condições temos a estacionalidade de produção como uma dificuldade na 
produção de forragens justamente pelo fato de que o complicante existe em função da 
imprevisibilidade de projeções sobre a adaptação, manutenção e crescimento das plantas 
forrageiras que são extremamente dependentes de variáveis edafoclimáticas, ou seja, de 
temperatura, solo, água.
É possível dividir o ano em verão e inverno agrostológicos, segundo as condições 
climáticas. No período mais chuvoso ou das águas, que seria o verão agrostológico, 
temos temperaturas mais altas, com chuvas mais regulares e mais luminosidade devido 
aos dias mais longos. Essas condições permitem um crescimento expressivo das plantas 
devido a uma maior presença de folhas e perfilhamento, o que consequentemente resulta 
em um maior acúmulo de forragem no geral. É nesse momento que as plantas reagem 
melhor às práticas de manejo a que são submetidas e chegam a produzir cerca de 80% 
70UNIDADE 4 ESTACIONALIDADE DE PRODUÇÃO E A CONSERVAÇÃO DE FORRAGENS (FENAÇÃO E ENSILAGEM)
da sua produção de matéria seca geral do ano (CONGIO, MESCHIATTI; 2019), como 
exemplificado na figura 2 a seguir.
FIGURA 2 - ACÚMULO DE FORRAGEM DE ESPÉCIES TROPICAIS NO VERÃO E INVERNO 
AGROSTOLÓGICO
Fonte: Adaptado de Pedreira (2016).
No outro lado da moeda da estacionalidade produtiva temos o chamado inverno 
agrostológico: no momento de seca ou de falta de chuvas vem acompanhado de menores 
temperaturas e precipitação, além da menor luminosidade devido aos dias mais curtos 
– esses fatores diminuem os processos fisiológicos relacionados ao desenvolvimento da 
planta no geral, pela redução da velocidade de crescimento e assimilação de nutrientes. 
Consequentemente a esse fato, há uma redução marcante do acúmulo da massa de 
forragem, bem como a falta de resposta ao manejo escolhido, com uma produção de apenas 
20% da produção geral do ano (figura 2).
É possível perceber que os principais aspectos que impactam na estacionalidade 
de produção de plantas forrageiras são a temperatura, luminosidade e água.
A temperatura é o fator que mais impacta na qualidade de uma planta forrageira, 
ou seja, no seu valor nutritivo – isso porque afeta a distribuição e produção dos produtos 
fotoassimilados entre a parte aérea e a raiz da planta. Além disso, a temperatura do ar pode 
ser alterada conforme altitude, declividade do terreno, estação do ano, o que pode alterar 
o crescimento e a distribuição das plantas e também interferir na absorção e translocação 
de nutrientes. É importante lembrar que existe uma temperatura ótima de crescimento 
71UNIDADE 4 ESTACIONALIDADE DE PRODUÇÃO E A CONSERVAÇÃO DE FORRAGENS (FENAÇÃO E ENSILAGEM)
para cada espécie ou cultivar – quando os limiares máximo ou mínimo de temperatura são 
atingidos, o crescimento da planta é cessado. As espécies de ciclo C4, ou seja, as plantas 
forrageiras tropicais, têm seu crescimento ótimo na faixa de 25 °C a 35 °C (LARA, 2007).
A influência da temperatura no valor nutritivo de uma planta se dá pelo fato de 
que há uma grande modificação de fotoassimilados em componentes de parede estrutural, 
aumentando a lignificação de colmos, o que muda a proporção relativa entre folhas e 
colmos, alterando a morfologia da planta em questão (CONGIO, MESCHIATTI; 2019). A 
baixa temperatura por um tempo prolongado acaba afetando a pressão de turgescência, 
alongamento e divisão celular – o que atenua a diminuição da digestibilidade da forragem 
com a evolução do desenvolvimento da planta naqueles meses mais frios do ano.
A luminosidade e consequente disponibilidade de luz para as plantas é ligada 
à presença de energia solar, um fator básico e que pode limitar a produção – sendo que 
esse último ocorre pela determinação da taxa de fotossíntese nas plantas. Quando há um 
ambiente favorável em relação aos outros fatores de produção, a produção de matéria 
seca é diretamente proporcional às folhas expostas à radiação solar (MORENO, 2004). 
Com o aumento da interceptação luminosa em consequência à ampliação da área foliar, há 
maiores taxas de fotossíntese bruta e de atividade respiratória do dossel – o que acontece é 
que quanto maior a fotossíntese líquida, maior é a fixação de carbono e também a produção 
de biomassa.
O fotoperíodo nesse ponto é extremamente importante para morfofisiologia das 
plantas forrageiras por influenciar a indução do estágio reprodutivo – o fotoperíodo seria o 
sinal para o começo do ciclo reprodutivo devido às mudanças em relação ao florescimento. 
Muitas espécies não iniciam seu florescimento sem estímulos ambientais e, na maioria das 
vezes, são relacionados a mudanças de temperatura e fotoperíodo (TAIZ et al., 2017).
A água é o componente mais abundante da massa celular vegetal – cerca de 80 a 
95% dos tecidos vegetais em crescimento. Abaixo temos uma relação de funções essenciais 
que a água possui:
 ✔ Abertura e fechamento de estômatos;
 ✔ Crescimento e expansão celular;
 ✔ Definição de forma e estrutura dos órgãos;
 ✔ Penetração do sistema radicular no solo;
 ✔ Reagente no metabolismo fotossintético e respiratório;
 ✔ Turgescência celular.
72UNIDADE 4 ESTACIONALIDADE DE PRODUÇÃO E A CONSERVAÇÃO DE FORRAGENS (FENAÇÃO E ENSILAGEM)
As plantas absorvem cerca de 500 g de água para produzir uma grama de matéria 
seca, tais que são conduzidas pelos vasos condutores e dissipados para a atmosfera. 
Quando existem condições de estresse hídrico pode ocorrer uma diminuição da expansão 
das folhas devido ao processo de aumento celular que fica sensibilizado. Ao encontrar outros 
fatores restritivos ao seu crescimento, as plantas, mesmo quando em sistemas de irrigação, 
podem não conseguir chegar ao seu desenvolvimento pleno – temperatura e luminosidade 
são pontos extremamente determinantes ao crescimento de uma planta forrageira tropical 
(CONGIO, MESCHIATTI; 2019). 
Consciente de todos esses pontos citados, o produtor rural e o técnico responsável 
pelos serviços da propriedade devem ter em mente questões de que a inconstância estacional 
de quantidade e qualidade da forragem no decorrer do ano precisam ser considerados para 
o planejamento de todo o sistema de produção, principalmente se for exclusivamente a 
pasto (BARIONI, TONATO; ALBERTINI; 2011).
Abaixo, na figura 3, temos um esquema sobre fatores que influenciam em suprimento 
e demanda, tais que impactam e devem ser estudados para o planejamento da propriedade.
FIGURA 3 - FATORES IMPORTANTES PARA SUPRIMENTO E DEMANDA DE ALIMENTO EM 
SISTEMAS PRODUTIVOS A PASTO
Fonte: Pedreira (2016).
73UNIDADE 4 ESTACIONALIDADE DE PRODUÇÃO E A CONSERVAÇÃO DE FORRAGENS (FENAÇÃO E ENSILAGEM)
Para minimizar possíveis efeitos prejudiciais com a falta de alimento para o de-
sempenho animal e taxa de lotação, deve-se planejar estratégias com o objetivo haver 
suprimento suficiente para atender a demanda existente.
Uma dessas estratégias é a conservação de forragens, que pode ser realizada 
com o excedente (quando esse existe) de alimento existente nas épocas de mais oferta de 
alimento. As plantas tropicais no geral apresentam uma dinâmica de acúmulo de massa 
verde no decorrer do ano (figura 4), no período das águas esse acúmulo é maior, sendo 
possível fazer a colheita e conservação da forragem.
FIGURA 4 - DINÂMICA DO ACÚMULO DE FORRAGEM NO DECORRER DO ANO
Fonte: Pedreira (2016).
A seguir vamos conversar sobre as estratégias mais utilizadas: a ensilageme a 
fenação.
74
A silagem é o produto de fermentação de um material vegetal em circunstâncias 
de anaerobiose: há a ocorrência de fermentação de açúcares solúveis pelas bactérias 
existentes do ambiente e consequente produção de ácidos orgânicos, o que origina uma 
diminuição do pH do alimento.
Devemos ter conhecimento sobre nomenclaturas importantes relacionadas ao 
processo de ensilagem para entender melhor o que acontece. A ensilagem é a técnica 
de conservação de forragem ou grãos por intermédio da sua acidificação, originada da 
fermentação dos microrganismos e anaerobiose. A silagem é o resultado da conservação 
do material vegetal em ambiente anaeróbico, sendo esse de forragens úmidas ou de grãos 
de cereais com alta umidade – a anaerobiose é a condição de um ambiente sem oxigênio. 
E o silo é a estrutura de armazenamento da silagem.
O objetivo principal da ensilagem é conservação da forragem verde com o mínimo 
possível de perdas e um alto teor de umidade – tudo isso sem originar compostos tóxicos. 
Abaixo vamos pontuar fatores para uma boa silagem:
 ✔ Anaerobiose (sem oxigênio);
 ✔ Atividade baixa de microrganismos aeróbios;
 ✔ Impedimento da propagação de microrganismos butíricos para evitar putrefação da 
massa ensilada;
 ✔ Favorecer o desenvolvimento de microrganismos lácticos para produção de ácido 
láctico e consequente diminuição de pH.
UNIDADE 4 ESTACIONALIDADE DE PRODUÇÃO E A CONSERVAÇÃO DE FORRAGENS (FENAÇÃO E ENSILAGEM)
ENSILAGEM2
TÓPICO
75UNIDADE 4 ESTACIONALIDADE DE PRODUÇÃO E A CONSERVAÇÃO DE FORRAGENS (FENAÇÃO E ENSILAGEM)
Falando das etapas envolvidas, temos como uma primeira parte a colheita: nela 
o material vegetal é colhido, picado e levado aos silos. A colheita deve ser realizada de 
forma rápida devido ao fato de que o material vegetal continua respirando após o corte, o 
que consome o conteúdo celular, ou seja, de carboidratos solúveis. Quanto maior a demora 
entre o corte e a armazenagem, mais esse conteúdo é perdido e a qualidade nutricional do 
material ensilado diminui (CONGIO, MESCHIATTI; 2019).
 O ponto ideal de colheita das forragens utilizadas para ensilagem pode ser 
determinado por:
 ✔Coloração de folhas;
 ✔Dias após plantio;
 ✔Teor de matéria seca – sendo esse o critério mais preciso (para o milho e sorgo 
esse teor é de 30 a 35%) (NUSSIO, 1991);
 ✔ Linha do leite – quando se fala em silagem de milho.
A questão da matéria seca é extremamente importante já que é um limite para uma 
boa ensilagem: o baixo teor significa uma alta umidade da forragem, o que origina uma 
produção elevada de efluentes. A produção de efluentes em demasia acarreta a lixiviação 
de nutrientes potencialmente digestíveis, o aumento da proteólise e também o crescimento 
de bactérias do gênero clostridium (SANTOS et al., 2013). A situação contrária, ou seja, 
quando há baixo teor de matéria seca, por exemplo, maior que 38%, origina uma maior 
dificuldade para compactação da massa de silagem no decorrer da sua confecção – esse 
problema acarreta outro: redução da densidade do silo. Quando o teor de matéria seca 
passa de 40% é necessário atentar para o tamanho da partícula, que deve ser uniforme e 
demanda uma grande potência do equipamento que é utilizado para a colheita da forragem.
A compactação da massa de silagem é utilizada para retirada do ar residual dela, 
para que o ambiente anaeróbico seja criado – esse é o ponto de origem para a fermentação 
ideal desejada e para a diminuição da temperatura e preservação do material. Para uma 
compactação ideal pode ser utilizado um trator que permanece o tempo todo de enchimento 
do silo, compactando o material – esse trator deve apresentar um peso aproximado ou 
superior a 40% da massa de forragem que chega ao silo/hora de trabalho realizado. O 
tempo de compactação deve ser de 10 horas de colheita e 10 a 12 horas de compactação 
(CONGIO, MELCHIATTI; 2019).
76UNIDADE 4 ESTACIONALIDADE DE PRODUÇÃO E A CONSERVAÇÃO DE FORRAGENS (FENAÇÃO E ENSILAGEM)
A vedação deve ser eficiente para evitar que o material ensilado não seja 
comprometido pela entrada de ar no silo – isso acarretaria o aumento de temperatura e 
possíveis perdas por fungos. Essa vedação pode ser realizada com lona plástica (espessura 
de 200 micras ou mais), com sacos de areia para contenção da lona. 
Das culturas mais utilizadas para silagem podemos citar o milho, sorgo, cana-de-
açúcar e capins tropicais. Cada uma tem seu potencial produtivo e especificidades de cada 
espécie.
Devemos nos atenta a algumas limitações que podemos encontrar no processo de 
ensilagem:
 ✔ Alta umidade;
 ✔ Custo elevado em relação ao custo das pastagens;
 ✔ Estrutura para armazenamento;
 ✔ Redução da matéria orgânica e exposição do solo à erosão.
Com atenção a esses pontos e todo o processo de ensilagem, há a tentativa de 
amenizar as perdas que podem existir. Abaixo, na figura 5, temos um resumo sobre essas 
perdas no processo de ensilagem:
 
FIGURA 5 - PERDAS QUE PODEM ACONTECER DURANTE O PROCESSO DE ENSILAGEM
Fonte: adaptado de McDonald, Henderson e Heron (1991).
77
O feno é um alimento oriundo do processo de fenação, sendo originado do corte e 
desidratação de plantas forrageiras. A forragem verde, ou seja, com alta umidade, cerca de 
65 – 80%, é seca e transformada em uma massa seca, ou seja, com 10 – 20% de umidade. 
Esse processo visa conservar o alimento em relação ao seu valor nutritivo, e aumentando o 
seu tempo de armazenagem. Então, após o corte, a forragem deve ser exposta à luz solar 
e ambiente até que a umidade presente diminua.
As operações envolvidas na fenação são:
 ✔ Corte da forragem;
 ✔ Secagem;
 ✔ Revolvimento;
 ✔ Enleiramento – ato de formar leiras ou montes com a forragem cortada e seca;
 ✔ Enfardamento;
 ✔ Recolhimento e armazenamento dos fardos.
Para a fenação é desejável que a planta forrageira escolhida possua características 
como alta produção de massa verde, boa taxa de rebrota pós-corte, facilidade de 
desidratação, perda de folhas diminuída, ótimo valor nutritivo, e tolerância a cortes 
baixos. 
UNIDADE 4 ESTACIONALIDADE DE PRODUÇÃO E A CONSERVAÇÃO DE FORRAGENS (FENAÇÃO E ENSILAGEM)
FENAÇÃO3
TÓPICO
78UNIDADE 4 ESTACIONALIDADE DE PRODUÇÃO E A CONSERVAÇÃO DE FORRAGENS (FENAÇÃO E ENSILAGEM)
Para iniciar o processo de fenação deve-se realizar o corte da forragem para pos-
terior secagem. O momento ideal para o corte deve ser quando existe um equilíbrio entre 
duas características: o valor nutritivo da planta e a sua produtividade/hectare, como 
podemos ver no esquema abaixo (figura 6).
FIGURA 6 - ESQUEMÁTICA DO MOMENTO IDEAL PARA O CORTE DE UMA FORRAGEM PARA 
FENAÇÃO: EQUILÍBRIO ENTRE PRODUÇÃO X VALOR NUTRITIVO
Fonte: Cavalcanti (2015).
A maturidade da planta proporciona aumento nos teores de componentes estru-
turais (celulose, hemicelulose e lignina) e consequente diminuição do conteúdo celular. 
Esse fato faz com que cortes próximos ao crescimento reprodutivo proporcionem uma 
planta com maior lignificação celular e uma menor digestibilidade de proteína e energia. 
Já cortes mais prematuros, no início da fase de crescimento vegetativo, proporcionam um 
baixo rendimento forrageiro de massa seca e um alto teor de umidade da planta (CONGIO, 
MESCHIATTI; 2019). O corte é realizado com uma segadora.
Segundo sugestão da EMBRAPA Gado de Leite (2021), é possível classificar o feno 
em três categorias conforme sua qualidade, em relação aos teores de fibra em detergente 
neutro (FDN) e proteína bruta (PB): A, B e C – como explicado a seguir, na figura 7.
79UNIDADE 4 ESTACIONALIDADE DE PRODUÇÃO E A CONSERVAÇÃO DE FORRAGENS (FENAÇÃO E ENSILAGEM)
FIGURA 7 - TIPOS DE FENO, SEGUNDO A SUA QUALIDADE E TEORES DE UMIDADE, 
PROTEÍNA E FIBRA
Fonte: EMBRAPA Gado de Leite (2021).
Após o corte a planta apresenta 70 a 80% de umidade, e existe uma perda intensa 
de umidade na planta ainda viva (MacDonald; Clark, 1987) – a partir do momento em que 
folhase caule são separados das raízes, começa o murchamento. 
A secagem consiste na segunda etapa da fenação. Subsequente ao corte, o 
fornecimento de água pelas raízes é interrompido e ocorre uma continuação da evaporação 
via superfície das folhas, o que acarreta o pré-murchamento, secagem e morte celular. 
Nesse ponto, há algo importante a ser considerado: quanto mais rápida for a secagem, 
menor é a perda de valor nutritivo – a morte celular ocorre de maneira acelerada nesse 
caso, o que diminui a atividade enzimática indesejada e a perda de nutrientes. Para acelerar 
o processo de secagem, ela deve ser realizada no período mais quente do dia, com o 
material sendo revolvido para que aconteça de forma homogênea – a forragem deve ser 
espalhada no solo, para que a luz solar e o vento atuem como agentes secantes. A rapidez 
da secagem é diretamente proporcional ao revolvimento da forragem, ou seja, quanto maior 
o número de vezes que esse processo for realizado, mas rápido o capim fenado seca 
(MOSER, 1995).
Um ponto importante a ser estudado é que a secagem ocorre em 3 fases (SULLIVAN, 
1973): 1) fase de secagem rápida, quando os estômatos estão abertos; 2) fase da evaporação 
cuticular, que ocorre após fechamento dos estômatos com perda de água pela cutícula; 3) 
perda de água por permeabilidade seletiva da membrana celular, na qual a desidratação 
ocorre por essa permeabilidade, de forma rápida. Abaixo temos a figura 8 que ilustra o 
processo de secagem.
80UNIDADE 4 ESTACIONALIDADE DE PRODUÇÃO E A CONSERVAÇÃO DE FORRAGENS (FENAÇÃO E ENSILAGEM)
FIGURA 8 - ESQUEMA DA DESIDRATAÇÃO DA FORRAGEM NO PROCESSO DE FENAÇÃO
Fonte: Jones e Harris (1980).
Quando a forragem atinge de 10 a 20% de umidade, faz-se o enleiramento para 
que ela seja enfardada. O enfardamento é a etapa de compactação da forragem seca, que 
facilita o transporte, manuseio e armazenamento pela sua redução de tamanho – e consiste 
na finalização do processo de fenação.
Como na ensilagem, no processo de fenação podem ocorrer perdas – por processos 
biológicos, fatores mecânicos, condução dos processos produtivos, e podem afetar tanto 
qualitativamente quanto quantitativamente.
As perdas a campo são representadas por aquelas que decorrem do manejo errôneo 
da altura de resíduo, por perda de folhas por manipulação excessiva da forragem cortada, 
perda por lixiviação de nutrientes e por ineficiência no recolhimento da forragem para o en-
fardamento. Perdas por chuvas inesperadas que podem ocorrer durante a secagem podem 
atingir mais de 30% da matéria seca. As perdas qualitativas são referentes a perdas de 
valor nutritivo, relacionadas aos carboidratos solúveis, compostos nitrogenados, minerais 
e vitaminas da forragem. O ponto crítico para essas perdas é o processo de secagem, 
pela continuação da respiração e fermentação da planta – por isso a importância de uma 
secagem acelerada. A oxidação pela luz solar, lixiviação, quebra de folhas também podem 
aumentar essas perdas. As perdas durante o armazenamento ocorrem principalmente 
devido à alta umidade residual no feno: esse deve ser armazenado com umidade abaixo de 
81
A conservação de forragens é uma estratégia importante para os períodos de escassez de alimentos, porém 
devemos lembrar que com um bom manejo e planejamento forrageiro é possível reduzir a necessidade da 
conservação e armazenamento de alimentos e seus consequentes custos mais altos.
Fonte: A autora (2023).
Hoje a proposta do nosso Saiba Mais é um episódio do podcast SilagemBR, do professor Rafael Reis, do 
Instituto Federal de Rondônia, falando sobre o Histórico da Conservação de Alimentos de Animais no Brasil, 
em um bate-papo com o professor João Luiz Pratti Daniel, da Universidade Estadual de Maringá.
Link para ouvir o episódio: https://www.youtube.com/watch?v=TuuaEnGkTNI&ab_channel=Silagem-
BR 
20%. A alta umidade pode acarretar continuação da respiração celular, com consequente 
consumo de carboidratos solúveis, compostos nitrogenados e outros, além da proliferação 
de microrganismos e posterior aumento de temperatura dos fardos – o que pode causar 
reações de Maillard (o que diminui a digestibilidade do feno, pela formação de complexos 
de fração proteica aos carboidratos solúveis), e também ocasionar combustão espontânea. 
As perdas ao fornecimento podem ser minimizadas ao se processar o material, sendo 
esse picado ou moído antes de ser oferecido ao animal (CONGIO, MESCHIATTI; 2019).
UNIDADE 4 ESTACIONALIDADE DE PRODUÇÃO E A CONSERVAÇÃO DE FORRAGENS (FENAÇÃO E ENSILAGEM)
https://www.youtube.com/watch?v=TuuaEnGkTNI&ab_channel=SilagemBR
https://www.youtube.com/watch?v=TuuaEnGkTNI&ab_channel=SilagemBR
82
CONSIDERAÇÕES FINAIS
UNIDADE 4 ESTACIONALIDADE DE PRODUÇÃO E A CONSERVAÇÃO DE FORRAGENS (FENAÇÃO E ENSILAGEM)
Olá, querido(a) aluno(a)! Chegamos ao final da nossa última unidade e espero que 
o caminho até aqui tenha sido proveitoso. É importante conhecer uma das atividades mais 
importantes da pecuária brasileira, no caso a Forragicultura, que aqui estudamos.
Abordamos o fato de que a estacionalidade produtiva das plantas forrageiras pode 
afetar sua produção e diante dessa característica, é necessário lançar mão de estratégias 
para amenizar uma possível falta de recursos forrageiros necessários para alimentação dos 
animais e nesse caso, conversamos sobre a conservação de plantas forrageiras.
O corte e a secagem da forragem devem ser executados no momento correto para 
que não haja perda na qualidade e sim manutenção do valor nutritivo – vimos que esse é 
um ponto importante para o planejamento do momento de colheita.
Além de que os processos fisiológicos envolvidos são extremamente importantes, 
tanto a secagem de maneira rápida para evitar as perdas de componentes celulares quanto 
a fermentação correta para a produção de ácido láctico e manutenção da anaerobiose, que 
mantém a qualidade da silagem.
O teor de matéria seca de uma silagem é um dos principais indicadores da sua 
qualidade, uma vez que ao se respeitar esse critério, a chance de obtenção de um produto 
de qualidade é bem maior. Vimos que a compactação e vedação são etapas a serem 
realizadas da melhor maneira possível, pois impactam diretamente no tipo de fermentação 
que vai acontecer dentro do silo e na qualidade final da massa ensilada.
E para finalizar, percebemos a importância de uma secagem adequada para a 
produção de feno: quanto mais rapidamente essa acontecer, melhor a qualidade do produto 
originado. A ocorrência de perdas no processo de fenação pode ser diminuída a partir de um 
bom manejo, o que leva aos técnicos uma ótima possibilidade de intensificação da atividade, 
desde que haja um bom acompanhamento da produção (bem como da ensilagem também).
Espero que tenha aproveitado mais essa unidade, querido(a) aluno(a)! 
Nos vemos em uma próxima oportunidade!
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LEITURA COMPLEMENTAR
UNIDADE 4 ESTACIONALIDADE DE PRODUÇÃO E A CONSERVAÇÃO DE FORRAGENS (FENAÇÃO E ENSILAGEM)
Artigo da Revista Informe Agropecuária: “Conservação de alimentos para bovi-
nos - Produção de Feno”, 2013.
Autores: Antônio Ricardo Evangelista, Josiane Aparecida de Lima.
Resumo: O processo de fenação propicia rápida desidratação da planta forrageira, 
para obter um produto de valor nutritivo e baixo nível de perdas, com possibilidade de 
armazenamento por longo período. O objetivo é preservar as características nutricionais 
da forrageira. Embora necessite de boas condições climáticas, há possibilidade de produzir 
feno de boa qualidade na época propícia ao crescimento das plantas forrageiras (chuvas), 
porém é necessário ficar atento às condições climáticas diárias, no período de execução do 
trabalho. É importante um gerenciamento criterioso das atividades, pois tão logo a forrageira 
esteja no ponto de colheita, deve-se proceder à fenação. As vantagens do uso do feno são 
flexibilidade de oferta de forragem e amplitude de atendimento das exigências do rebanho,conservação por longos períodos, aumento da produção de forragem por área, economia 
da utilização de concentrados, maior número de animais por unidade de área, produção em 
pequena ou grande escala, armazenamento de grande quantidade de alimento volumoso 
em pouco espaço e utilização de várias espécies forrageiras para produção de feno. A 
fenação é mais uma alternativa para conservar forragens de boa qualidade, aproveitando o 
potencial produtivo das épocas de abundância, suprindo as necessidades diárias de volu-
mosos para rebanhos ou para uso estratégico nas épocas de escassez. Sua utilização, na 
prática, é uma importante ferramenta para melhorar os índices zootécnicos no Brasil. Em 
grande escala, a fenação deve ser precedida de estudos de viabilidade econômica.
Disponível gratuitamente em: https://www.livrariaepamig.com.br/docs/ia-277-
conservacao-de-alimentos-para-bovinos/ 
https://www.livrariaepamig.com.br/docs/ia-277-conservacao-de-alimentos-para-bovinos/
https://www.livrariaepamig.com.br/docs/ia-277-conservacao-de-alimentos-para-bovinos/
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MATERIAL COMPLEMENTAR 
UNIDADE 4 ESTACIONALIDADE DE PRODUÇÃO E A CONSERVAÇÃO DE FORRAGENS (FENAÇÃO E ENSILAGEM)
LIVRO 
Título: Conservação de Forragens
Autor: Maity Zopollatto.
Editora: SENAR AR/PR.
Sinopse: O SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – 
é uma instituição prevista na Constituição Federal e criada pela 
Lei n. 8.315, de 23/12/1991. Tem como objetivo a formação 
profissional e a promoção social do homem do campo para que 
ele melhore o resultado do seu trabalho e, com isso, aumente 
sua renda e a sua condição social. No Paraná, o SENAR é 
administrado pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná 
– FAEP – e vem respondendo por amplo e diversificado programa 
de treinamento. Todos os cursos ministrados por intermédio 
do SENAR são coordenados pelos Sindicatos Rurais e contam 
com a colaboração de outras instituições governamentais e 
particulares, prefeituras municipais, cooperativas e empresas 
privadas. O material didático de cada curso levado pelo SENAR 
é preparado de forma criteriosa e exclusiva para seu público-
alvo, a exemplo deste manual. O objetivo é garantir que os 
benefícios dos treinamentos se consolidem e se estendam. 
Afinal, quanto maior o número de trabalhadores e produtores 
rurais qualificados, melhor será o resultado para a economia e 
para a sociedade em geral.
FILME/VÍDEO 
Título: Conhecendo as etapas do processo de ensilagem
Ano: 2021.
Sinopse: O Agronomia Ativa é um portal que possui como 
objetivo disseminar e semear conhecimento e capacitação aos 
profissionais do agro, seja engenheiros agrônomos, técnicos 
agrícolas, produtores rurais, etc., bem como estudantes da 
área. Nesse vídeo eu te mostro quais são as etapas do processo 
de ensilagem.
Link do vídeo: 
https://www.youtube.com/watch?v=6Z4klzPbcrs&ab_channel=AgronomiaAtiva 
https://www.youtube.com/watch?v=6Z4klzPbcrs&ab_channel=AgronomiaAtiva
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CONCLUSÃO GERAL
Prezado aluno (a), espero que tenha aproveitado a jornada até aqui!
Com a apresentação e estudo desse material busquei expor e trazer para você um 
dos pontos mais importantes da produção animal brasileira, a forragicultura. Por isso, foram 
abordados temas como panorama geral da atividade, os principais gêneros e espécies de 
plantas forrageiras utilizadas pelos produtores e técnicos, e dessa forma espero que tenha 
sido entendido o quanto as gramíneas tropicais são importantes na alimentação animal. Em 
relação as terminologias importantes da área, é interessante que possíveis enganos quanto 
a conceitos tenham sido esclarecidos.
Foram destacadas as diferenças entre gramíneas e leguminosas e como essas são 
importantes na área estudada. Trouxemos exemplos de cada grupo e como cada um se com-
porta em determinado ambiente, respondendo ao seu ciclo C3 ou C4 – ponto esse que espero 
ter esclarecido da melhor forma possível, bem como o cada ciclo desse afeta o valor nutritivo 
de uma planta forrageira. Esses são conceitos que um profissional da zootecnia precisa ter 
consigo. Além disso, foi explicada a importância de uma análise bromatológica na avaliação 
de uma planta forrageira, que possibilita o conhecimento de teores de proteína bruta, fibra e 
digestibilidade de uma gramínea ou leguminosa – e o quanto isso afeta a produção animal.
Em relação a formação de pastagens, espero ter esclarecido pontos importantes ao 
abordar sobre os fatores que podem limitar o potencial de uma forrageira, como a competição 
dessas com ervas daninhas, por exemplo. É imprescindível que tenha ficado claro para vocês 
como é de suma importância considerar práticas de manejo básico como adubação e escolha 
da planta forrageira a ser utilizada, para que essa possa exprimir o seu potencial de produção.
E ao finalizarmos o material, espero que a relevância da conservação de forra-
gens tenha ficado o mais clara possível, sendo que essa é uma estratégia extremamente 
importante para evitar que os animais fiquem sem comida na época mais seca do ano, 
que consequentemente acarreta uma menor oferta de forragem. Essa estacionalidade 
de produção pode ser amenizada quando conhecemos o tipo de forrageira que estamos 
utilizando, bem como qual a melhor maneira de manejá-la e qual estratégia de conservação 
mais a favorece. Diante disso, temos que levar sempre em consideração a planta que 
melhor se adapta a cada situação, cada propriedade e cada sistema produtivo.
A partir de todo conteúdo abordado, acredito que você esteja amparado com uma 
boa base teórica para colocar em prática todo o conhecimento adquirido sobre plantas 
forrageiras, e dessa forma implementar a melhor estratégia possível em um sistema de 
produção a pasto.
Até uma próxima oportunidade. Muito obrigada!
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