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## Resumo sobre Crescimento, Desenvolvimento Craniofacial e Oclusão em OrtodontiaEste material aborda conceitos fundamentais sobre o crescimento e desenvolvimento dos tecidos, com foco especial no crescimento craniofacial e na oclusão dentária, essenciais para a prática da ortodontia. Inicialmente, diferencia-se crescimento de desenvolvimento: o crescimento é um aumento permanente, porém limitado, de volume, enquanto o desenvolvimento é uma progressão em direção à maturidade. O crescimento dos tecidos pode ocorrer por hiperplasia (aumento do número de células), hipertrofia (aumento do tamanho celular) ou uma combinação coordenada dos dois, denominada hipertrofoplasia. Além disso, o crescimento pode ser intersticial (adição de novos elementos celulares dentro do tecido existente) ou aposicional (adição em camadas sobrepostas), sendo que o tecido cartilaginoso exemplifica a ação conjunta desses processos.Diversos fatores influenciam o crescimento, incluindo genéticos, embrionários, ambientais (temperatura, nutrição) e hormonais. Entre os hormônios, destacam-se os do crescimento (secretados pela hipófise), tireoidianos, gonadais e adrenocorticais, sendo que estes últimos podem inibir o crescimento. O crescimento físico e o desenvolvimento biológico não são necessariamente sincronizados com a idade cronológica, sendo importante considerar idades esquelética, dentária e mental para avaliação clínica. O crescimento craniofacial é estudado por meio de radiografias, como a da mão e punho, que evidenciam a maturação óssea pela fusão das epífises.O desenvolvimento da face e da cavidade oral inicia-se precocemente, com o surgimento do estomódeo (boca primitiva) entre a terceira e quarta semanas de gestação e a definição dos arcos faríngeos entre a quarta e quinta semanas. O crescimento ósseo pode ser cartilaginoso (endocondral) ou membranoso (intramembranoso). No crescimento cartilaginoso, células mesenquimais se diferenciam em condrócitos que formam cartilagem, enquanto no intramembranoso, as células mesenquimais originam osteoblastos que produzem matriz óssea. O crescimento ósseo envolve processos de aposição (formação óssea) e reabsorção, que variam conforme a idade: jovens apresentam maior aposição, adultos equilíbrio e idosos maior reabsorção. A remodelação óssea ocorre com aposição em uma superfície e reabsorção na oposta, permitindo o deslizamento e deslocamento ósseo, fundamentais para o crescimento da maxila e mandíbula.A maxila cresce principalmente por aposição em áreas como o túber, processo alveolar e suturas, enquanto sofre reabsorção em regiões como a porção nasal do processo palatino e superfície vestibular. Ela cresce para trás e para cima, mas desliza para frente e para baixo, influenciada pelo contato com a base do crânio. A mandíbula, embora cresça principalmente por ossificação intramembranosa, possui uma área cartilaginosa na cabeça do côndilo, que é o principal centro de crescimento mandibular. O crescimento mandibular também ocorre para trás e para cima, com deslizamento para frente e para baixo, e apresenta aposição e reabsorção em áreas específicas, como bordas do ramo ascendente e processo alveolar.O crescimento da base do crânio é cartilaginoso e ocorre no sentido ântero-posterior, principalmente nas sincondroses esfenoccipital, esfenoetmoidal e intra-occipital, sendo a esfenoccipital ativa até cerca de 21 anos. Esse crescimento influencia diretamente o posicionamento da maxila e mandíbula. Já a abóbada craniana cresce de forma membranosa, secundariamente ao aumento cerebral. O crescimento craniofacial é controlado por fatores genéticos intrínsecos, epigenéticos locais e gerais (hormonais), além de fatores ambientais locais (pressão, forças musculares) e gerais (nutrição, oxigênio).## Desenvolvimento da Oclusão e DentiçãoO desenvolvimento da oclusão ocorre em quatro períodos: pré-dental, dentição decídua, dentição mista e dentição permanente. No período pré-dental, observa-se o abaulamento dos processos alveolares e a presença fisiológica de retrognatismo mandibular nos bebês, importante para o parto e amamentação. A dentição decídua inicia-se por volta dos 6 meses com a erupção dos incisivos, seguida pelos molares e caninos, com fases que refletem a função e posicionamento da língua, que inicialmente projeta-se para frente para auxiliar na deglutição, mas se posiciona posteriormente com a erupção dos dentes.Durante a dentição decídua, a oclusão apresenta características específicas em cada fase, como a formação da primeira guia oclusal, movimentos laterais da mandíbula, e a estabilização progressiva da mordida com a erupção dos segundos molares. A sobremordida profunda nesta fase é considerada normal. A dentição permanente apresenta diferenças estruturais, como raízes com angulação e inclinação, presença de curvas de Spee e Wilson, e espaços fisiológicos, que são importantes para acomodar os dentes permanentes.Na dentição mista, que ocorre entre 6 e 12 anos, coexistem dentes decíduos e permanentes, sendo a fase com maior número de dentes na cavidade oral. A erupção dos dentes permanentes segue uma cronologia específica, iniciando-se pelos primeiros molares e incisivos centrais, e avançando para pré-molares, caninos e segundos molares. Fatores como gênero, raça, lesões e extrações podem influenciar a velocidade da erupção. Características da dentição mista incluem a presença das curvas de Spee e Wilson, aumento temporário do overbite e overjet (fase do "patinho feio"), e o estabelecimento da chave de oclusão.## Conceitos de Oclusão Normal e MaloclusãoA oclusão normal é definida como o relacionamento correto entre os dentes superiores e inferiores, com 28 dentes alinhados harmonicamente, permitindo a distribuição equilibrada das forças estáticas e dinâmicas. Os dentes se relacionam por meio de faces de contato formando arcos dentais com concavidade posterior. O equilíbrio dos arcos é mantido por um sistema complexo de forças em três planos: vestibulolingual (contraposição muscular entre lábios/bochechas e língua), mesiodistal (tendência de migração mesial dos dentes) e oclusocervical (forças de erupção contínua).Na oclusão normal, cada dente de um arco deve ocluir com dois dentes do arco oposto: um antagonista principal e um acessório, com exceções nos incisivos centrais inferiores e terceiros molares superiores. As curvas de Spee (curva anteroposterior ascendente dos caninos aos terceiros molares) e Wilson (curva transversal de concavidade superior ligando os molares) são características importantes da oclusão normal, e desvios maiores que 3 mm na curva de Spee indicam anormalidades.Andrews, em 1964, definiu seis chaves para a oclusão perfeita, baseadas em estudos de pacientes sem tratamento ortodôntico. Essas chaves incluem: relação interarcadas correta (posição das cúspides e fossas dos molares e pré-molares), angulação positiva das coroas para o sentido mesial, inclinação adequada das coroas (positiva nos incisivos e caninos, negativa nos pré-molares e molares inferiores), ausência de rotações dentárias, contatos interproximais justos sem espaços e uma curva de Spee que varia de plana a levemente côncava. Essas características são fundamentais para a estabilidade funcional e estética da oclusão.---### Destaques- Crescimento ósseo ocorre por processos de aposição e reabsorção, com variações conforme a idade e tipo de tecido (cartilaginoso ou membranoso).- O desenvolvimento da oclusão passa por quatro períodos, com características específicas em cada fase da dentição (pré-dental, decídua, mista e permanente).- A oclusão normal envolve um equilíbrio complexo de forças musculares e dentárias, com contatos precisos entre dentes antagonistas e curvas oclusais específicas (Spee e Wilson).- As seis chaves de Andrews definem os critérios para uma oclusão perfeita, essenciais para o diagnóstico e planejamento ortodôntico.- Fatores genéticos, hormonais e ambientais influenciam o crescimento craniofacial e o desenvolvimento da oclusão, impactando diretamente a prática ortodôntica.