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Economia das Políticas públicas 
brasileiras: educação, habitação, 
saneamento, saúde e segurança
Apresentação
Seja bem-vindo!
Na economia brasileira, as políticas públicas são determinantes para o funcionamento do Estado e 
da sociedade como um todo, havendo diferentes tipos. Elas, então, são implementadas 
simultaneamente, como, por exemplo, as políticas de educação, de habitação, de saneamento, de 
saúde e de segurança. Assim, as políticas públicas brasileiras permeiam, direta e indiretamente, a 
agenda econômica brasileira como um todo.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai entender o que são as políticas públicas e como elas se 
relacionam com a economia brasileira, ao afetar a agenda dos agentes socioeconômicos nacionais.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Definir o que são políticas públicas.•
Relacionar economia e políticas públicas a partir da realidade brasileira.•
Identificar como a agenda econômica brasileira atual está tratando das políticas públicas.•
Desafio
Imagine que você é um gestor público e tem o papel de escolher a orientação econômica do País e 
de como serão implementadas as políticas públicas nacionais. Para tomar suas decisões, você 
recomendou um modelo de Estado protagonista e empresário. Essa será a sua orientação 
estratégica entre a economia e as políticas públicas.
Neste Desafio, observe as opções a seguir e aponte qual seria a melhor orientação econômica e 
quais políticas públicas seriam mais apropriadas para o seu projeto de Estado e de 
sociedade, justificando sua escolha. Além disso, explique por que não escolheu as outras duas 
opções, ou melhor, por que elas não são apropriadas para serem adotadas pelo Estado.
Infográfico
Na realidade concreta, as políticas públicas brasileiras são executadas a partir de um ciclo que 
produz efeitos diretos e indiretos sobre a economia real. Existem diferentes fases entre a 
constatação de um problema público e a implementação de uma política pública relacionada.
Para conhecer esse ciclo de etapas, observe o exemplo, no Infográfico a seguir.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/17156ae1-545d-4378-9f76-c96b10516222/332b2633-b694-40ef-9ee0-d02a4d1779c3.jpg
Conteúdo do livro
A agenda econômica predominante influência a formulação e a implementação das políticas 
públicas e vice-versa. No Brasil, ora o Estado brasileiro adquire o protagonismo da economia via 
políticas públicas, ora se alinha às novas tendências ideológicas do neoliberalismo.
No capítulo Economia das políticas públicas brasileiras: educação, habitação, saneamento, saúde e 
segurança, da obra Economia política, você vai identificar o que são as políticas públicas, ver como 
elas se relacionam com a economia, a partir da realidade do Brasil, e como a agenda econômica do 
País está tratando desse tema. 
Boa leitura.
ECONOMIA POLITICA
Filipe Prado 
Macedo da Silva
 
Economia das políticas 
públicas brasileiras: 
educação, habitação, 
saneamento, saúde 
e segurança
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste capítulo, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Definir o que são políticas públicas.
  Articular economia e políticas públicas a partir da realidade brasileira.
  Identificar como a agenda econômica brasileira atual está tratando 
das políticas públicas.
Introdução
A agenda econômica predominante influência a formulação e a imple-
mentação das políticas públicas, e vice-versa. No Brasil, ora o Estado 
brasileiro adquire, via políticas públicas, o protagonismo da economia, 
ora o Estado brasileiro alinha-se às novas tendências ideológicas do 
neoliberalismo.
Neste capítulo, você vai identificar o que são as políticas públicas, ver 
como elas se relacionam com a economia a partir da realidade do Brasil 
e identificar como a agenda econômica do país está tratando o assunto. 
O que são políticas públicas
As políticas públicas permeiam todos os aspectos concretos da sociedade 
brasileira. Cotidianamente, nos deparamos — direta e indiretamente — com 
os efeitos reais das políticas públicas. Mas o que são as políticas públicas? É 
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importante destacar que não existe uma única nem uma melhor defi nição do 
que seja política pública (SOUZA, 2006). 
Existem definições de política pública que são mais abstratas, e outras, 
mais concretas; algumas podem ser mais específicas, outras, mais abrangentes. 
Além disso, é fundamental observar que em cada país as políticas públicas 
podem assumir não apenas definições diferentes, mas conotações sociais 
e econômicas variadas — revelando uma variedade de percepções sobre o 
campo de estudo em questão.
 Por exemplo, uma forma de enxergar as políticas públicas é a partir da sua 
operacionalização em torno das questões públicas. Isso significa dizer que são 
políticas públicas tudo aquilo que tratar de bens, ações e/ou serviços públicos 
abertos a toda a sociedade. Nessa percepção, não existe discriminação dos 
efeitos da política pública — já que ela é aberta e generalista, a fim de atingir 
o maior número de cidadãos. Isso inclui, por exemplo, desde as políticas de 
infraestrutura até as políticas de saneamento básico, que resultam em benefícios 
de qualidade de vida para toda a população.
Outra maneira de definir as políticas públicas parte da ideia de que sejam 
“[...] todas as atividades dos governos, que agem diretamente ou através de 
delegação, e que influenciam a vida dos cidadãos” (PETERS, 1986, apud 
SOUZA, 2006, p. 5). A atuação do governo, nesse caso, pode produzir efeitos 
específicos ou abrangentes, conforme o planejamento e as diretrizes das 
políticas públicas em questão (OLIVEIRA, 2012).
Nessa percepção, é fundamental notar que as políticas públicas incluem o 
que “o governo escolhe fazer ou não fazer”. Desde os anos 1960, diferentes 
estudos revelam que o “não fazer” por parte de um governo também é uma 
forma de fazer política pública (BACHRACH; BARATZ, 2011). Dessa forma, 
as políticas públicas executadas ou não executadas atendem aos mais diferentes 
interesses da sociedade civil e/ou dos grupos sociais organizados, revelando 
que por trás das ações do governo existem variados interesses políticos, 
econômicos e sociais.
Logo, as análises sobre as políticas públicas procuram responder: “[...] 
quem ganha o quê, por quê e que diferença faz” (SOUZA, 2006). Daí a ne-
cessidade de diferenciar o que são políticas públicas de Estado (amparadas 
em arcabouços legais) e políticas públicas de governo (ou do governo no 
poder, que defende um projeto de sociedade). Em geral, as políticas públicas 
de Estado são executadas a longo prazo, e são amparadas em legislações que 
são realizadas independentemente do governo em curso. Já as políticas dos 
governos dependem dos interesses políticos, sociais e econômicos que per-
meiam o governo em questão e, logo, são executadas no curto prazo; podendo, 
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no governo seguinte, de um grupo político antagônico, serem substituídas ou 
finalizadas/encerradas.
Paralelamente, outras definições enfatizam o papel da política pública 
na solução de problemas públicos. Nesse sentido, as políticas públicas se 
restringem a aspectos racionais e procedimentais — em uma evidente visão 
“economicista” e “pragmática”. Opostamente, outras definições preservam 
a noção de que a política pública tem na sua essência “ideias e interesses 
socioeconômicos”, e logo, são permeadas de procedimentos conflituosos entre 
instituições e grupos sociais (SOUZA, 2006).
Talvez, na prática, as políticas públicas se retroalimentem do pragmatismo 
e do espírito conflituoso, em uma visão mesclada — que ora atende o ra-
cionalismoeconômico, ora os interesses dos grupos sociais mais fortes e/ou 
organizados da sociedade em geral. Por isso, ainda que as políticas públicas 
sejam frutos de cálculos econômicos em cada país ou região, elas giram em 
torno de interesses, preferências e ideias da sociedade. E, consequentemente, 
os governos são um espelho desse ambiente socioeconômico.
Além disso, existem as definições de políticas públicas que “[...] assumem, 
em geral, uma visão holística do tema, uma perspectiva de que o todo é mais 
importante do que a soma das partes e que indivíduos, instituições, intera-
ções, ideologias e interesses contam, mesmo que existam diferenças sobre a 
importância relativa destes fatores” (SOUZA, 2006).
Dessa maneira, temos de reconhecer que — do ponto de vista teórico-
-conceitual — a política pública é um campo multidisciplinar, multidimensional 
e multiforme. Segundo Souza (2006), por isso, uma teoria geral da política 
pública implica a busca de sintetizar teorias arquitetadas no campo da sociolo-
gia, da ciência política, da economia, da antropologia, da administração, entre 
outros. Em outras palavras, compreender o que são políticas públicas sugere 
mesclar os interesses comuns das várias áreas de estudo que, diretamente e/
ou indiretamente, analisam as interrelações entre Estado, política, economia 
e sociedade.
Assim sendo, pode-se sintetizar política pública como “[...] o campo do 
conhecimento que busca, ao mesmo tempo, ‘colocar o governo em ação’ e/ou 
analisar essa ação (variável independente) e, quando necessário, propor mudanças 
no rumo ou curso dessas ações (variável dependente)” (SOUZA, 2006). Ou seja, 
são medidas e/ou ações formuladas pelo Estado — e executadas pelos governos 
— a fim de garantir o bem-estar da população e/ou os direitos fundamentais, 
em geral, previstos nas Constituições Federais (OLIVEIRA, 2012). 
Num regime democrático, como é o caso do Brasil, as políticas públicas 
traduzem os propósitos e/ou os interesses dos grupos sociais, dos políticos e 
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e/ou da sociedade em geral. É por isso que, muitas vezes, as políticas públicas 
envolvem um trabalho em conjunto dos três poderes que formam o Estado: o 
executivo, o legislativo e o judiciário (OLIVEIRA, 2012).
Enquanto o poder executivo e/ou o poder legislativo propõem as políticas 
públicas, o poder judiciário faz os controles legais e confirma se as políticas 
públicas cumpriram os seus objetivos. É importante destacar que a diferença 
entre o poder executivo e o poder legislativo está no seguinte: enquanto o 
primeiro cuida do planejamento (de ação) e da aplicação da política pública, o 
segundo é responsável por criar as leis que vão reger a legalidade e a execução 
das políticas públicas.
Na prática, as políticas públicas, após serem desenhadas, formuladas 
e planejadas, são desdobradas em planos, em programas estratégicos, em 
projetos, em bases de dados ou sistemas de informação e pesquisa. Depois, 
quando entram em operacionalização, as políticas públicas são submetidas 
aos controles — estatais e/ou sociais — de acompanhamento e avaliação.
É importante destacar que a política pública enquanto área de conhecimento e 
disciplina surgiu nos Estados Unidos, rompendo as etapas seguidas pela tradição 
europeia de estudos/pesquisas que se concentravam na análise sobre o Estado e suas 
instituições. A visão norte-americana se concentrou na “produção econômica” dos 
governos (SOUZA, 2006). Em outras palavras, a visão europeia das políticas públicas 
vai surgir como um desdobramento de teorias explicativas sobre o papel do Estado. 
Já a visão norte-americana surgiu sem estabelecer relações com as bases teóricas 
sobre o papel do Estado, passando direto para a ênfase nos estudos sobre a ação 
dos governos. Em outras palavras, a perspectiva europeia é mais teórica, enquanto a 
perspectiva norte-americana é mais pragmática.
Economia e políticas públicas a partir 
 da realidade brasileira
Desde o Brasil colônia, o Estado é decisivo para o funcionamento da economia. 
No período colonial, a Coroa Portuguesa era responsável pelo dinamismo 
econômico do território brasileiro, ao submeter a colônia aos ciclos e interesses 
da metrópole europeia.
Com a instalação da República, em 1889, iniciou-se a construção do Estado 
brasileiro e, consequentemente, das políticas públicas brasileiras. Do século 
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XIX ao XXI, a economia e as políticas públicas passaram a completar-se 
constantemente na produção dos bens e/ou serviços públicos. Podemos des-
tacar que quase tudo o que se produziu, se produz, ou se produzirá no Brasil, 
tem, em maior ou menor medida, o protagonismo de alguma política pública 
(federal, estadual e/ou municipal) (OLIVEIRA, 2012).
Na Revolução de 1930, é inaugurada a construção do Estado brasileiro. 
Na realidade, é nesse período que acontece a constituição de uma ossatura 
material do Estado brasileiro. Isso quer dizer que o Estado, em nível federativo, 
passou a ser estabelecido não somente institucionalmente, mas do ponto de 
vista das estruturas socioeconômicas. O que isso significa?
Primeiro, significa dizer que o Estado brasileiro passou a modelar-se em sua 
forma mais avançada, ou seja, em um Estado nacional, capitalista e burguês 
(FONSECA, 1999). Assim, foram forjadas instituições e infraestruturas que 
avalizaram ao Estado brasileiro as características mínimas e necessárias para 
produzir e perpetuar o capitalismo (ou seja, a versão da sociedade do capital).
Daí em diante, economia e políticas públicas passaram a andar de mãos 
dadas, retroalimentando-se, em uma relação na qual a economia depende 
fortemente das intervenções públicas mediante ações políticas, e em que, 
inversamente, as políticas públicas (também) dependem fortemente do de-
sempenho econômico (e também dos interesses dos agentes socioeconômicos) 
(FIANI, 2004; OLIVEIRA, 2012).
Nesse contexto, dos anos 1930 até os anos 1980, o Estado (via políticas 
públicas) passou a ser um grande interventor na economia — leia-se, o Estado 
era o grande agente econômico ou o protagonista social e econômico da socie-
dade brasileira. Assim, o Estado passou a criar instituições e, respectivamente, 
políticas públicas no campo econômico e no campo social. 
Como destaca Silva e Lorenzo (2017), “[...] o Estado se caracteriza por 
forte envolvimento, intervencionismo e regulação em vários campos da vida 
[...]” — educação, bem-estar e saúde, saneamento, habitação, segurança, 
trabalho, previdência, entre outros. Soma-se a isso a importante função do 
Estado e das políticas públicas de longo prazo no que tange aos investimentos 
em infraestrutura — especialmente, em aeroportos, rodovias, portos, ferrovias, 
indústria do petróleo e gás, indústria aeroespacial, indústria farmacêutica, 
siderurgia e/ou mineração, entre outros (FONSECA, 1999).
Resumidamente, em maior ou menor grau, quase tudo o que a economia 
brasileira produz, recentemente, teve (ou tem) alguma influência e/ou parti-
cipação do Estado brasileiro. Esse Estado desenvolvimentista foi responsável 
igualmente pelo desenvolvimento nacional do agronegócio e pela consolidação 
do processo de industrialização (ainda que tardiamente). Logo, a realidade 
5Economia das políticas públicas brasileiras: educação, habitação, saneamento, saúde e segurança
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brasileira mostra que, ao longo do século XX, o Estado brasileiro foi um 
Estado-empresário — ora com funções sociais, ora com funções produtivas.
Para participar do campo econômico, o Estado-empresário brasileiro criou 
um conjunto de empresas públicas, fundos de investimentos e arranjos institu-
cionais/legais paraoperar nos mais diferentes setores da economia brasileira. 
Recordemos ainda, nos anos 1920-1930, a importância das políticas públicas 
produtivas para o café, responsável não apenas por centenas de empregos, 
mas por divisas monetárias (via exportação) para o Brasil. Depois, o Estado 
brasileiro implementou uma série de políticas públicas produtivas com o 
desígnio de fomentar e implementar as mais diferentes indústrias nascentes. 
Atualmente, o Estado continua atuando em várias frentes com o propósito de 
gerar crescimento e desenvolvimento econômico. 
Isso quer dizer que o setor público e o setor privado marcham — na prá-
tica — no mesmo sentido. Logo, há de se reconhecer que o Brasil ser uma 
das dez maiores economias do mundo deve-se à forte intervenção econômica 
que o Estado brasileiro realizou historicamente. É importante frisar que esse 
comportamento — de um Estado interventor — foi responsável também pelo 
forte crescimento e desenvolvimento econômico de várias economias europeias 
e mesmo dos Estados Unidos.
A partir dos anos 1990, a forma de atuação do Estado frente à economia 
modificou-se em todo o mundo. O novo Estado neoliberal passou a postular 
rupturas com o Estado de vertente keynesiana/cepalina — de DNA interven-
cionista e protagonista. Agora, o Estado deveria propor e/ou implementar 
políticas públicas regulacionistas, com pouca interferência no mercado ou 
no setor privado, e de caráter horizontalizado (LEHER, 2003). Em outras 
palavras, as políticas públicas brasileiras — a partir do governo de Collor e 
de Fernando Henrique Cardoso — passaram a ficar restritas e limitadas a 
apenas poucos campos sociais.
Nesse contexto, surgem as reformas das instituições públicas, os ajustes e 
compromissos com a dívida pública e a retirada do Estado — ou seja, a reti-
rada de políticas públicas — das atividades econômicas, com a privatização 
das empresas estatais e o fim dos benefícios produtivos, que outrora foram 
instituídos para dar dinamismo à economia brasileira (OLIVEIRA, 2012).
O excesso de políticas públicas passou a ser interpretado como um mal para 
a economia. Atualmente, as recomendações dos organismos internacionais — 
inclusive para o Brasil — é a redução da máquina pública e das interferências 
governamentais frente à economia. Assim, busca-se distanciar a economia das 
políticas públicas — sendo que essas agora passam a ter apenas uma função 
estabilizadora momentânea ou de fins sociais. Por fim, cabe destacar que o 
Economia das políticas públicas brasileiras: educação, habitação, saneamento, saúde e segurança6
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Estado passou a priorizar as políticas públicas macroeconômicas frente às 
políticas públicas produtivas.
Sendo assim, várias políticas públicas desapareceram ou passaram a ser 
operadas pelo setor privado. Isso aconteceu fortemente no Brasil com a cria-
ção das parcerias público-privadas — em que o mercado age como agente 
público na execução de uma série de políticas outrora ditas públicas. Isso — na 
prática — tem gerado cada vez mais antagonismos — na sua grande maioria, 
equivocados — entre a economia — com um predomínio do setor privado — e 
as políticas públicas — com um predomínio do setor público. 
O problema é que a economia não opera em conflito com as políticas pú-
blicas, e vice-versa. Talvez, essa ideia de que o “privado está contra o público” 
seja a razão do crescimento das desigualdades regionais ou dos desequilíbrios 
sociais recentes (LEHER, 2003).
Nos anos 1990 surgiu a retórica neoliberal do Estado mínimo e da supremacia do mer-
cado. De acordo com Leher (2003), as análises neoliberais baseiam-se nos pressupostos 
neoclássicos sob sua forma mais ortodoxa. Nesse sentido, Friedrich Hayek conclui que 
a extensão do Estado, com seus “tentáculos sobre as atividades produtivas” é a causa 
exclusiva das dificuldades das sociedades contemporâneas. Assim, para ele, as crises 
econômicas não são das economias de mercado e do capitalismo, mas dos Estados 
e das instituições públicas. Dentro desse raciocínio, “a ação do Estado na economia é 
desestabilizadora e perturba o mercado, pois o serviço público é ineficiente e produz 
restrições deformantes” (LEHER, 2003, p. 33-34). Nos regimes democráticos modernos, 
as ações públicas das instituições estatais “[...] hipertrofiam o Estado, requerendo mais 
impostos e acarretando elevação dos custos da produção e da circulação, perda de 
dinamismo econômico, desemprego, e logo, mais gastos públicos” (LEHER, 2003). Re-
sumindo, as políticas públicas levam a um “ciclo vicioso” que precisa ser quebrado para 
que o crescimento e/ou o desenvolvimento econômico possam fluir sem obstáculos 
(ANDERSON, 2002). Em poucas palavras, as economias modernas estão regidas pela lógica 
de um Estado cada vez mais mínimo — em que o bem-estar social foi privatizado e o 
mercado passou a exercer diferentes funções que antigamente eram públicas. 
Como a agenda econômica brasileira atual está 
tratando das políticas públicas
Na última década do século XX, a agenda econômica brasileira alinhou-se à 
agenda neoliberal — forjada a partir do que fi cou conhecido como Consenso 
7Economia das políticas públicas brasileiras: educação, habitação, saneamento, saúde e segurança
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de Washington. Com o avanço do processo de globalização e o acirramento da 
competitividade comercial, ganhou força em todo o mundo a lógica de que o 
Estado é um obstáculo ao desenvolvimento dos mercados e, logo, é fundamental 
que as novas liberdades sejam adotadas de maneira generalizada — visando 
o crescimento e o desenvolvimento econômico.
Nesse contexto, a agenda econômica brasileira passou a tratar as políticas 
públicas como um problema nacional. Naquele momento, exigia-se que o Estado 
promovesse mudanças institucionais e estruturais em sua operacionalização. 
As primeiras demandas nesse sentido foram adotadas pelo governo de Collor 
(1990) e, posteriormente, aprofundadas pelo governo de Fernando Henrique 
Cardoso (1994).
A ideologia por trás dessa nova agenda econômica era a “lógica do mer-
cado” (ANDERSON, 1995). Ou seja, o mercado deveria ser o protagonista 
da sociedade concreta, e as políticas públicas apenas acessórias na cadeia de 
valorização do capital (ANDERSON, 2002; LEHER, 2003). Assim, o Estado 
brasileiro deveria retirar-se das atividades produtivas e de ações públicas que 
geravam desequilíbrios no mercado, como, por exemplo, a atuação no setor 
de energia e de telecomunicações.
Daí a forte pressão do mercado — e dos mais poderosos agentes socioeco-
nômicos — para que o governo desse fim aos monopólios estatais, privatizasse 
uma centena de empresas públicas deficitárias, saneasse o sistema financeiro, 
viabilizasse a estabilidade monetária e realizasse um intenso ajuste fiscal. Isso 
incluía ainda a criação de uma série de agências reguladoras de bens/serviços 
de utilidade pública — inaugurando um novo período na sociedade brasileira: 
em que o Estado regula, mas o mercado executa/opera.
Por exemplo, a agenda econômica de privatizações do governo Fernando 
Henrique Cardoso transferiu para o setor privado uma centena de atividades 
produtivas que outrora eram consideradas estratégicas e/ou nas quais o setor 
privado não tinha interesse de investir dados os riscos das atividades. Com a 
desestatização, esses gastos anteriormente públicos viraram gastos privados 
— deixando de pressionar as contas públicas. Nesse sentido, o Estado passou 
somente a “regular” os setores produtivos.
Nessa nova conjuntura, a demanda da agenda econômica do mercado era 
a de que o Estado brasileiro só deveria — a partir dos anos 1990 — cuidar da 
estabilidade macroeconômica do país. Essa era inclusive uma recomendação 
dos organismos internacionais — como o FMI, o Banco Mundial, a OCDE, 
entre outros. 
No campo econômico, somente a gestão macroeconômica deveria ser fruto 
de políticas públicas.Assim sendo, o Estado deveria cuidar da estabilidade dos 
Economia das políticas públicas brasileiras: educação, habitação, saneamento, saúde e segurança8
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preços, das garantias monetárias, dos fluxos cambiais, e de outros instrumentos 
financeiros que garantissem o Sistema de Metas de Inflação. O restante, ou 
o Estado privatizaria ou promoveria concessões (a longo prazo) para que o 
mercado privado realizasse a atividade produtiva e os devidos investimentos 
financeiros (OLIVEIRA, 2012).
Além da abertura de novas frentes de investimentos para o mercado privado, 
a retirada do poder público de várias atividades produtivas abriu o caminho 
para o estabelecimento de novas bases de competição nos setores em questão. 
Logo, é importante frisar que o mercado — interno (doméstico) e externo 
(estrangeiro) — exigia que o Brasil se assentasse aos novos paradigmas da 
competição internacional.
Até 2002, esse cenário de forte alinhamento com a agenda neoliberal do-
minou o Estado e as políticas públicas nacionais. Aqui, cabe pontuar que esse 
alinhamento neoliberal colocou em segundo plano uma série de políticas públicas 
que antes eram importantes para o protagonismo do Estado. Por exemplo, para 
manter as metas inflacionárias e a relativa estabilidade monetária, o Estado 
esqueceu (ou sucateou) as políticas públicas educacionais (redução sucessiva dos 
investimentos em creches, escolas, universidades, contratação e qualificação de 
professores, etc.), as políticas públicas de habitação (aumentou a especulação 
imobiliária ao passo que diminuíram os investimentos com moradia popular), 
as políticas públicas de saúde (o Sistema Único de Saúde atingiu o caos em todo 
o território nacional), e as políticas públicas de segurança (com o aumento da 
criminalidade, da população carcerária e das atividades ilegais).
Apesar do campo social entrar em relativo colapso na agenda pública, 
a garantia da estabilidade no campo econômico permite que a economia, o 
Estado e a sociedade tenham a sensação de que está tudo muito bem! Essa 
contradição faz parte de uma agenda social cada vez mais materialista, que 
separa dentro do próprio Estado (e das políticas públicas), dois cenários anta-
gônicos: o sucesso da estabilidade econômicas versus o fracasso das funções 
sociais do Estado contemporâneo (SILVA, 2014).
Em 2003, com a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro Presidente 
da República dito de esquerda, a lógica entre a economia e o Estado assumiu 
um novo caminho. Esse novo período perdurou até 2016, quando o impeach-
ment de Dilma Rousseff a retirou do poder. Assim, de 2003 até 2016, o Estado 
brasileiro praticou a lógica do novo desenvolvimentismo (SILVA, 2013, 2014).
Isso significa que o Estado brasileiro, no período governado pelo Partido 
dos Trabalhadores (PT), assumiu novamente o seu protagonismo em organizar 
a economia e em implementar as políticas públicas. Por isso, a agenda eco-
nômica passou a equilibrar também suas funções sociais — da agenda social 
9Economia das políticas públicas brasileiras: educação, habitação, saneamento, saúde e segurança
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— buscando “um reequilíbrio social e regional com crescimento econômico 
em todo o país” (SILVA, 2014).
Vale ressaltar que a era do PT ampliou as dimensões e as estruturas do 
Estado brasileiro, com o intuito de ampliar o alcance das diferentes políticas 
públicas que foram destruídas na era de Collor e Fernando Henrique Cardoso. 
Nesse caso, foi um retorno ao Estado protagonista — com políticas públicas 
em todos os campos da vida social e econômica.
Posteriormente, com a queda de Dilma Rousseff e o acirramento da crise 
de 2015 na economia brasileira, as políticas públicas voltaram a ganhar um 
novo desenho político-institucional. Vale ressaltar que a crise financeira do 
Estado brasileiro fez com o que as políticas públicas voltassem a ser reduzi-
das — dando lugar novamente a uma agenda econômica neoliberal, em que 
o mercado sinaliza o desejo de recuperar o seu protagonismo na economia 
nacional (SILVA, 2014).
1. Existem definições de política 
pública que são mais abstratas, e 
outras, mais concretas; algumas 
podem ser mais específicas, outras, 
mais abrangentes. Sobre as políticas 
públicas, é correto afirmar que:
a) as políticas públicas compre-
endem somente as perdas eco-
nômicas e financeiras do Estado 
diante da sociedade. Seus efeitos 
são abstratos, e é muito difícil 
mensurar os efeitos positivos e 
negativos.
b) as políticas públicas incluem o 
que o governo escolhe fazer ou 
não fazer. Desde os anos 1960, 
diferentes estudos revelam que 
o “não fazer” por parte de um 
governo também é uma forma 
de fazer política pública.
c) as políticas públicas dizem res-
peito apenas ao campo político 
— e a como os agentes políticos 
agem sobre o Estado. Por isso, em 
geral, é um assunto das ciências 
políticas e sobre seus desdobra-
mentos sobre o campo político. 
Não há qualquer desdobramento 
sobre a sociedade, como por 
exemplo, a sociedade brasileira.
d) as políticas públicas são um 
resultado das interrelações entre 
Estado, política, economia e so-
ciedade. Contudo, no caso brasi-
leiro, os efeitos reais das políticas 
públicas não acontecem, porque 
o país possui uma democracia 
institucionalmente atrasada.
e) as políticas públicas, após serem 
desenhadas, formuladas e 
planejadas, são desdobradas em 
planos, em programas estraté-
gicos e em projetos. Assim, as 
políticas públicas são apenas 
Economia das políticas públicas brasileiras: educação, habitação, saneamento, saúde e segurança10
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construções documentais e legais, 
mas é o mercado que as imple-
menta na realidade concreta.
2. Em um regime democrático, como é 
o caso do Brasil, as políticas públicas 
traduzem :
a) os propósitos e/ou os interesses 
de agentes públicos e agentes 
privados, que, em conjunto, 
constroem as ações e políticas do 
Estado sobre a economia nacional.
b) os propósitos e/ou os interesses do 
poder executivo, na figura dos seus 
principais representantes (Presi-
dente, Governador ou Prefeito).
c) os propósitos e/ou os interesses 
dos poderes legislativos, que 
possuem o poder constitucional 
de legislar ou proibir as ações 
do Estado sobre a economia e a 
sociedade em geral.
d) os propósitos e/ou os interesses 
apenas do mercado privado 
e das instituições financeiras 
— que subornam os agentes 
públicos federais e estatuais para 
atenderem somente os seus 
interesses econômicos.
e) os propósitos e/ou os interesses 
do poder judiciário — que 
fiscaliza o Estado e a sociedade, 
aplicando punições para os 
agentes socioeconômicos que 
não cumprem os seus interesses.
3. A partir da realidade brasileira, qual 
a relação entre a economia e as 
políticas públicas até 1980?
a) Até 1980, as políticas públicas 
brasileiras sempre foram exclu-
sivamente sociais, com foco em 
educação, saúde, previdência, 
entre outros. Ou seja, o Estado 
brasileiro só passou a imple-
mentar políticas públicas produ-
tivas a partir dos anos 1990, com 
a abertura comercial do país.
b) Até a década de 1980, no Brasil, o 
Estado ficou distante das ativi-
dades econômicas. Sendo assim, 
a economia se desenvolveu sem a 
contribuição das políticas públicas 
— dada a pouca integração ins-
titucional e política entre o setor 
público e o setor privado.
c) Até 1980, o Estado brasileiro 
propôs e/ou implementou 
políticas públicas regulacionistas, 
com pouca interferência no mer-
cado ou no setor privado e de e 
de caráter horizontalizado.
d) Em maior ou menor grau, quase 
tudo o que a economia brasileira 
produz, recentemente, teve (ou 
tem) alguma influência e/ou par-
ticipação do Estado brasileiro até 
1980. Esse Estado desenvolvimen-
tista foi responsável igualmente 
pelo desenvolvimento nacional 
do agronegócio e pela consoli-dação do processo de industriali-
zação (ainda que tardiamente).
e) Até 1980, o Estado brasileiro foi 
muito fraco na intervenção da eco-
nomia, com políticas públicas de 
um país pobre e subdesenvolvido 
e sem capacidade de implementar 
uma burocracia estatal com insti-
tuições estáveis politicamente.
4. O que significa a retórica neoliberal 
nas relações entre a economia e as 
políticas públicas, no caso do Brasil? 
a) A retórica neoliberal nas relações 
entre a economia e as políticas pú-
blicas busca distanciar a economia 
das políticas públicas — sendo 
que essas agora passam a ter 
apenas uma função estabilizadora 
momentânea ou de fins sociais.
11Economia das políticas públicas brasileiras: educação, habitação, saneamento, saúde e segurança
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b) A retórica neoliberal nas relações 
entre a economia e as políticas 
públicas caracteriza-se por forte 
envolvimento, intervencionismo 
e regulação em vários campos da 
vida econômica.
c) A retórica neoliberal nas relações 
entre a economia e as políticas 
públicas caractertiza-se por uma 
ideologia em que o desempenho 
econômico nacional depende de 
acordos comerciais com os países 
europeus e asiáticos.
d) No Brasil, a retórica neoliberal 
nas relações entre a economia e 
as políticas públicas significa o 
fim do Estado-nação e a gestão 
privada da sociedade, mediante 
instituições sem fins lucrativos de 
democracia participativa.
e) A retórica neoliberal nas relações 
entre a economia e as políticas 
públicas caracteriza-se pela 
implementação de um regime 
autoritário em que a economia é 
dominada por empresas estatais 
controladas por autoridades 
militares.
5. Como a agenda econômica brasileira 
atual está tratando das políticas 
públicas ?
a) Desde os anos 2000, o Brasil vem 
intensificando a lógica do novo 
desenvolvimentismo, em que 
o Estado mínimo permite que 
o mercado privado estabeleça 
a agenda de políticas públicas 
produtivas, deixando para os 
três poderes apenas a gestão 
das funções sociais regidas pela 
Constituição Federal. É uma com-
binação ao mesmo tempo de 
um Estado mínimo e um Estado 
interventor (máximo).
b) Com a recomendação dos orga-
nismos internacionais — como 
o FMI, o Banco Mundial, a OCDE, 
entre outros — o Brasil, desde 
1980, vem adotando os modelos 
de privatização e de concessão 
dos serviços públicos — via 
Parcerias Público-Privadas. Nesse 
sentido, o Estado brasileiro passou 
somente a regular os setores pro-
dutivos, mas é o mercado privado 
que executa/opera.
c) Nas últimas três décadas, as 
políticas públicas brasileiras pro-
duziram intensas interferências 
sobre a economia, com a criação 
de mais empresas estatais, 
mais fundações públicas e mais 
instituições de administração 
direta com o objetivo de gerir a 
economia de mercado.
d) A agenda econômica brasileira 
trata das políticas públicas de 
acordo com o projeto político-
-econômico predominante, e os 
seus interesses correntes sobre 
a intervenção ou não do Estado 
sobre a economia.
e) Desde 1980, a agenda econô-
mica brasileira está afastada 
das políticas públicas, mesmo 
quando governos ditos de es-
querda tomaram o poder político 
do país. Isso revela o alinhamento 
com a agenda neoliberal de um 
Estado mínimo preocupado 
sempre e unicamente com a 
macroeconomia.
Economia das políticas públicas brasileiras: educação, habitação, saneamento, saúde e segurança12
C04_Economia_politicas_publicas_brasileiras.indd 12 25/07/2018 16:24:52
ANDERSON, P. Afinidades seletivas. São Paulo: Boitempo Editorial, 2002.
ANDERSON, P. Balanço do neoliberalismo. In: SADER, E.; GENTILI, P. (Org.) Pós-neoli-
beralismo: as políticas sociais e o Estado democrático. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 
1995. p. 9-23.
BACHRACH, P.; BARATZ, M. S. Duas faces do poder. Revista de Sociologia e Política, v. 
19, n. 40, p. 149-157, out. 2011.
FIANI, R. Teoria da regulação econômica: estado atual e perspectivas futuras: texto 
para discussão. Rio de Janeiro: UFRJ-IE, 2004.
FONSECA, P. C. D. Vargas: o capitalismo em construção. São Paulo: Brasiliense, 1999.
LEHER, R. Reforma do estado: o privado contra o público. Trabalho, Educação e Saúde, 
v. 1, n. 2, p. 203-228, 2003. Disponível em: . Acesso em: 25 jul. 2018.
OLIVEIRA, F. A. de. Economia e política das finanças públicas no Brasil: um guia de leitura. 
São Paulo: Hucitec, 2012.
SILVA, R. P.; LORENZO, H. C. Sistema nacional de segurança alimentar e nutricional na 
dinâmica de estado: abrangência e limites da política social. Uniara - Universidade 
de Araraquara. Revista Retratos de assentamentos, v. 20, n. 2, p. 31-56, 2017. Disponível 
em: . Acesso em: 25 jul. 2018.
SILVA, F. P. M. TD - Nº 02-2013: estado, políticas públicas e desafios ao desenvolvimento 
do Brasil. Salvador: Editorial FPMS, 2013. (Textos para Discussão). 
SILVA, F. P. M. TD - nº 02-2014: reflexões introdutórias sobre o desenvolvimento. Salvador: 
Editorial FPMS, 2014. (Textos para Discussão).
SOUZA, C. Políticas públicas: uma revisão da literatura. Sociologias, ano 8, n. 16, p. 
20-45, jul./dez. 2006. Disponível em: . 
Acesso em: 25 jul. 2018.
Leituras recomendadas
CORREIA, E. P. A intervenção do estado na economia. 2010. Monografia (Pós-Graduação 
em Direito Constitucional)- Instituto Brasiliense de Direito Público, Brasília, DF, 2010.
GESTIOPOLIS.COM ¿Cuál es la diferencia entre políticas públicas verticales y horizontales? 
22 out. 2002. Disponível em: . Acesso em: 22 jul. 2018.
MARTINS, J. C.; SILVA, R. C. Da intervenção do Estado na Economia. Revista do Curso 
de Direito da Faculdade de Humanidades e Direito, v. 8, n. 8, p. 9-30, 2011.
SILVA, T. D. Gestão da transversalidade em políticas públicas. In: ENCONTRO DA ANPAD, 
35., 2011, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: ANPAD, 2011.
13Economia das políticas públicas brasileiras: educação, habitação, saneamento, saúde e segurança
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esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
 
Dica do professor
Nas últimas décadas, a economia e as políticas públicas ficaram cada vez mais interdependentes em 
todo o mundo. Dessa forma, essas políticas permeiam todos os aspectos concretos da sociedade, 
inclusive no caso do Brasil.
Nesta Dica do Professor, você vai aprender sobre a diferença entre as políticas públicas brasileiras 
consideradas verticais e sobre as políticas públicas brasileiras consideradas horizontais. Por fim, 
você vai ver como isso afeta diferentemente a sociedade concreta.
Assista, a seguir.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
 
 
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Exercícios
1) Existem definições de políticas públicas que são mais abstratas e, outras, mais concreta. 
Algumas podem ser mais específicas e, outras, mais abrangentes. 
 
Sobre as políticas públicas, é correto afirmar que:
A) compreendem somente as perdas econômicas e financeiras do Estado diante da sociedade. 
Seus efeitos são abstratos, considerando que os positivos e os negativos são muito difíceis de 
mensurar.
B) incluem o que “o governo escolhe fazer ou não fazer”. Desde os anos 1960, diferentes 
estudos revelam que o “não fazer” por parte de um governo também é uma forma de fazer 
política pública.
C) dizem respeito apenas ao campo político e a como os agentes desse meio agem sobre o 
Estado. Por isso, em geral, é um assunto pertinente às Ciências Políticas e referente aos seus 
desdobramentos sobre o campo político. Não há qualquer efeito sobre a sociedade,como, 
por exemplo, a do Brasil.
D) são resultado das inter-relações entre Estado, política, economia e sociedade. Contudo, no 
caso do Brasil, os efeitos reais das políticas públicas não acontecem, porque o país tem uma 
democracia institucionalmente atrasada.
E) após serem desenhadas, formuladas e planejadas, são desdobradas em planos, em programas 
estratégicos e em projetos. Assim, as políticas públicas são apenas construções documentais e 
legais, mas é o mercado que as implementa na realidade concreta.
2) Em um regime democrático, como é o caso do Brasil, as políticas públicas traduzem:
A) os propósitos e/ou os interesses de agentes públicos e de agentes privados, que, em 
conjunto, constroem as ações e políticas do Estado sobre a economia nacional.
B) os propósitos e/ou os interesses do Poder Executivo, na figura dos seus principais 
representantes (Presidente, governador ou prefeito).
C) os propósitos e/ou os interesses dos Poderes Legislativos, que possuem o poder 
constitucional de legislar ou proibir as ações do Estado sobre a economia e sobre a sociedade 
em geral.
alessandra matias
Realce
alessandra matias
Realce
D) os propósitos e/ou os interesses apenas do mercado privado e das instituições financeiras, 
que subornam os agentes públicos federais e estatuais para atenderem somente aos seus 
interesses econômicos.
E) os propósitos e/ou os interesses do Poder Judiciário, que fiscaliza o Estado e a sociedade, 
aplicando punições para os agentes socioeconômicos que não cumprem os seus interesses.
3) A partir da realidade brasileira, qual é a relação entre a economia e as políticas públicas até 
1980? 
A) Até 1980, as políticas públicas brasileiras sempre foram exclusivamente sociais, com foco em 
educação, saúde, previdência, entre outros. Ou seja, o Estado brasileiro só passou a 
implementar políticas públicas produtivas a partir dos anos 1990, com a abertura comercial 
do País.
B) Até a década de 1980, no Brasil, o Estado ficou distante das atividades econômicas. Sendo 
assim, a economia se desenvolveu sem a contribuição das políticas públicas, dada a pouca 
integração institucional e política entre o setor público e o setor privado.
C) Até 1980, o Estado brasileiro propôs e/ou implementou políticas públicas "regulacionistas", 
com pouca interferência no mercado ou no setor privado, e de caráter "horizontalizado".
D) Em maior ou menor grau, quase tudo o que a economia brasileira produz, recentemente, teve 
(ou tem) alguma influência e/ou participação do Estado brasileiro até 1980. Esse Estado 
desenvolvimentista foi responsável, igualmente, pelo desenvolvimento nacional do 
agronegócio e pela consolidação do processo de industrialização, ainda que tardiamente.
E) Até 1980, o Estado brasileiro foi muito fraco na intervenção da economia, com políticas 
públicas de um país pobre e subdesenvolvido e sem capacidade de implementar um 
burocracia estatal, com instituições estáveis politicamente.
4) O que significa a retórica neoliberal nas relações entre a economia e as políticas públicas, no 
caso do Brasil? 
A) Nas relações entre a economia e as políticas públicas, a retórica neoliberal busca distanciar a 
economia das políticas públicas, sendo que estas, agora, passam a ter apenas uma função 
estabilizadora momentânea ou para fins sociais.
B) Nas relações entre a economia e as políticas públicas, a retórica neoliberal se caracteriza por 
forte envolvimento, intervencionismo e regulação em vários campos da vida econômica.
alessandra matias
Realce
alessandra matias
Realce
alessandra matias
Realce
C) Nas relações entre a economia e as políticas públicas, a retórica neoliberal se caracteriza por 
uma ideologia em que o desempenho econômico nacional depende de acordos comerciais 
com os países europeus e asiáticos.
D) A retórica neoliberal, no Brasil, quanto às relações entre a economia e as políticas públicas, 
significa o fim do Estado-nação e a gestão privada da sociedade, mediante instituições sem 
fins lucrativos de democracia participativa.
E) Nas relações entre a economia e as políticas públicas, a retórica neoliberal se caracteriza pela 
implementação de um regime autoritário, em que a economia é dominada por empresas 
estatais, controlada por autoridades militares.
5) Como a agenda econômica brasileira atual está tratando das políticas públicas?
A) Desde os anos 2000, o Brasil vem intensificando a lógica do “novo desenvolvimentismo”, em 
que o Estado mínimo permite que o mercado privado estabeleça a agenda de políticas 
públicas produtivas, deixando para os três poderes apenas a gestão das funções sociais 
regidas pela Constituição Federal. É uma combinação, ao mesmo tempo, de um Estado 
mínimo e de um Estado interventor (máximo).
B) Com a recomendação dos organismos internacionais, como o FMI, o Banco Mundial, a OCDE, 
entre outros, o Brasil, desde 1980, vem adotando os modelos de privatização e de concessão 
dos serviços públicos, via Parcerias Público-Privadas. Nesse sentido, o Estado brasileiro 
passou somente a “regular” os setores produtivos, mas é o mercado privado que 
executa/opera.
C) Nas últimas três décadas, as políticas públicas brasileiras produziram intensas interferências 
sobre a economia, com a criação de mais empresas estatais, mais fundações públicas e mais 
instituições da administração direta, com o objetivo de gerir a economia de mercado.
D) A agenda econômica brasileira trata das políticas públicas de acordo com o projeto político-
econômico predominante e com os seus interesses correntes sobre a intervenção ou não do 
Estado sobre a economia.
E) Desde 1980, a agenda econômica brasileira está afastada das políticas públicas, mesmo 
quando governos ditos de esquerda tomaram o poder político do País. Isso revela o 
alinhamento com a agenda neoliberal de um Estado mínimo, preocupado sempre e 
unicamente com a macroeconomia.
Na prática
Diariamente, as políticas públicas brasileiras são pressionadas pelas diferentes agendas econômicas, 
dos mais variados grupos socioeconômicos nacionais. Assim, a velocidade, o tipo, a forma e os 
objetivos das políticas públicas mudam de acordo com as demandas da própria sociedade.
Dessa forma, o poder das políticas públicas depende do poder dos grupos socioeconômicos que as 
demandam. Neste Na Prática, veja como um grupo socioeconômico pode fazer pressão para que o 
governo incorpore a sua agenda econômica em forma de políticas públicas. 
 
Confira, a seguir.
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Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
O que são políticas públicas?
Assista a este vídeo, para compreender como a proposta, a execução e a avaliação das políticas 
públicas são grandes passos rumo à cidadania.
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Grandes questões da economia: políticas redistributivas
Assista a este vídeo para se informar sobre as políticas públicas redistributivas, aquelas que atingem 
um maior número de pessoas.
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Gestão da transversalidade em políticas públicas
No artigo indicado, acompanhe algumas reflexões sobre a transversalidade, como abordagem e 
como instrumento de gestão das políticas públicas, em um contexto nacional cada vez mais 
complexo, dinâmico e heterogêneo.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://www.youtube.com/embed/406y7gDN-ZE
https://www.youtube.com/embed/z4UEWQJzefI
http://www.anpad.org.br/admin/pdf/APB2041.pdf
As influências das políticas educacionais na constituição da 
Identidade profissional e pessoal do professor
Na leitura indicada, veja um exemplo de como a agenda econômicatrata das políticas públicas.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/1543-8.pdf

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