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Cumprimento de Sentença e Execução de Título Extrajudicial
Professor: Ricardo Leite Menezes
Dia 09.03.2026
Aula 04
Partes e Terceiros na Execução: Sujeitos Processuais, Intervenção e Responsabilidade Patrimonial
Cumprimento de Sentença e Execução de Título Extrajudicial
O processo de execução, seja ele fundado em título executivo judicial (cumprimento de sentença) ou extrajudicial, representa o momento culminante da atividade jurisdicional. É na execução que o direito reconhecido ou o documento que a lei empresta força executiva busca sua concretização no mundo dos fatos, transferindo-se da potencialidade da norma para a realidade patrimonial do devedor. No centro dessa dinâmica, encontram-se as figuras do exequente (credor) e do executado (devedor), os sujeitos parciais do contraditório que compõem a relação jurídica processual executiva.
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No entanto, a dinâmica da execução civil não se esgota na relação bipolar entre credor e devedor. Frequentemente, o sucesso ou o fracasso da satisfação do crédito depende da compreensão adequada de quem pode figurar nos polos da execução, de como terceiros podem ser atingidos pelos atos executórios, ou de como podem a eles se integrar para proteger interesses próprios.
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A distinção entre "parte" e "terceiro" na execução é, portanto, uma questão de transcendental importância prática e teórica, pois envolve garantias constitucionais como o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal, além da própria efetividade da jurisdição.
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A distinção entre "parte" e "terceiro" na execução é, portanto, uma questão de transcendental importância prática e teórica, pois envolve garantias constitucionais como o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal, além da própria efetividade da jurisdição.
O Código de Processo Civil de 2015 (CPC/2015) trouxe inovações significativas nesse campo, notadamente com a sistemática do incidente de desconsideração da personalidade jurídica, a regulamentação mais rigorosa da fraude à execução e a delimitação dos sucessores e responsáveis pelo débito.
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No processo civil, "parte" é o sujeito parcial do contraditório, aquele que pede e contra quem se pede uma tutela jurisdicional. No processo de execução, essa definição mantém sua essência, mas adquire contornos específicos. Diferentemente do processo de conhecimento, onde se busca a declaração, constituição ou condenação relativa a um direito, na execução busca-se a satisfação de um direito já estabelecido (no título executivo). A parte, aqui, é definida em função do título que lastreia a execução.
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O artigo 778 do CPC/2015 estabelece, de forma taxativa, quem pode promover a execução (legitimidade ativa), enquanto o artigo 779 define quem pode figurar no polo passivo (legitimidade passiva). Pode-se afirmar, portanto, que a parte na execução é, em regra, aquela indicada no título executivo como credor e devedor, ou seus sucessores. Essa vinculação ao título é uma característica marcante do processo executivo, conferindo-lhe segurança e previsibilidade.
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A legitimidade ativa para a execução é a qualidade para ocupar o polo credor (exequente). O caput do art. 778 é claro: "A execução pode ser promovida contra:". A doutrina majoritária aponta um pequeno equívoco na redação, uma vez que o dispositivo, na verdade, elenca os legitimados ativos. São eles:
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I - O credor a quem a lei confere título executivo: É a hipótese mais comum. Refere-se à pessoa física ou jurídica que figura no título executivo (judicial ou extrajudicial) como a beneficiária da obrigação. Por exemplo, o beneficiário de uma nota promissória, o locador em um contrato de locação, ou o autor vitorioso em uma sentença condenatória.
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II - O Ministério Público: O parquet tem legitimidade para promover a execução de suas próprias decisões (como nas condenações em honorários sucumbenciais em ações civis públicas que patrocinou) ou quando a lei lhe atribuir especificamente essa função, atuando como substituto processual na defesa de interesses metaindividuais.
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III - A Defensoria Pública: Seguindo a mesma lógica do MP, a Defensoria Pública pode promover a execução para cobrar seus honorários sucumbenciais ou quando atua na defesa de direitos de necessitados, em nome próprio ou como substituta processual.
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IV - O sucessor do credor, a título universal ou singular: Esta é uma hipótese de grande relevância prática. A morte da pessoa física ou a extinção da pessoa jurídica não extingue, via de regra, as obrigações. Os sucessores universais (herdeiros, no caso de pessoa física; a sociedade que absorve o patrimônio da extinta, no caso de pessoa jurídica) assumem a posição ativa na execução. Da mesma forma, o sucessor singular (aquele que adquire um crédito específico, por exemplo, mediante cessão de crédito) pode promover a execução, desde que faça a devida prova da sucessão nos autos.
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V - O cessionário, quando o direito resultante do título executivo lhe for transferido por ato entre vivos: Trata-se de uma explicitação da sucessão singular inter vivos. A cessão de crédito é um negócio jurídico bilateral pelo qual o credor (cedente) transfere a outrem (cessionário) a titularidade do crédito. O CPC/2015, no §1º do art. 778, simplificou o procedimento ao permitir que o cessionário promova a execução, desde que, juntando o instrumento de cessão, requeira sua habilitação e intime o devedor para se manifestar no prazo de 15 dias. Se o devedor não impugnar, a habilitação é automática; se impugnar, instaura-se um incidente processual.
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VI - O sub-rogado nos direitos do credor: A sub-rogação ocorre quando um terceiro paga a dívida do devedor, assumindo, por força de lei ou do contrato, todos os direitos, ações, privilégios e garantias do credor originário (art. 346 do Código Civil). É o caso do fiador que paga a dívida e se sub-roga nos direitos do credor (geralmente o locador) para executar o devedor afiançado, ou da seguradora que indeniza o segurado e sub-roga-se no direito deste de ação contra o causador do dano.
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Aplicação prática: Um advogado que patrocina uma causa trabalhista e obtém êxito tem seu crédito de honorários sucumbenciais constituído no título. Com o trânsito em julgado,ele pode executar tal verba em nome próprio, com base no inciso II. Na prática, o advogado deve peticionar nos autos requerendo o cumprimento de sentença em seu favor, juntando a procuração e demonstrando que a verba sucumbencial lhe pertence por força do art. 85 do CPC. Em caso de morte do credor original, os herdeiros deverão promover a habilitação nos autos antes de prosseguir com a execução.
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A legitimidade passiva define quem pode sofrer o processo executivo, ou seja, quem pode ser executado. O art. 779 estabelece um rol que, embora exemplificativo na prática, é bastante abrangente:
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II - O espólio, os herdeiros ou os sucessores do devedor: Com a morte do devedor, a obrigação transmite-se a seus herdeiros, dentro das forças da herança (art. 1.792 do Código Civil). A execução não se extingue; ela prosseguirá contra o espólio (se ainda em aberto o inventário) ou diretamente contra os herdeiros (após a partilha). É importante destacar que a responsabilidade dos herdeiros é limitada ao valor do quinhão hereditário recebido.
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III - O novo devedor que assumiu, com o consentimento do credor, a obrigação resultante do título executivo: A assunção de dívida é um negócio jurídico previsto nos arts. 299 a 303 do Código Civil. Se o credor anuir expressamente com a substituição do devedor original por um novo devedor, a execução poderá ser promovida diretamente contra este último. A prova da assunção e da anuência do credor deve ser inequívoca.
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IV - O fiador do débito constante em título extrajudicial: O fiador é coobrigado pela dívida. O CPC/2015, no entanto, estabelece uma distinção crucial em relação ao título judicial. Se a execução for fundada em título extrajudicial (ex.: contrato de locação com fiança), o fiador pode ser incluído no polo passivo desde o início, pois sua obrigação decorre do próprio título. Já na execução de título judicial (cumprimento de sentença), o §5º do art. 513 veda expressamente que o cumprimento seja promovido em face do fiador, coobrigado ou corresponsável que não tiver participado da fase de conhecimento. Essa vedação visa preservar o contraditório e a coisa julgada.
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V - O responsável tributário, assim definido em lei: Esta hipótese remete à legislação tributária (CTN, arts. 134 e 135), que define os casos de responsabilidade de terceiros (sócios, administradores, contadores, etc.) por débitos fiscais. O reconhecimento dessa responsabilidade, no entanto, frequentemente depende da comprovação de infração à lei ou ao contrato social, o que pode exigir dilação probatória.
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A sucessão processual é o fenômeno pelo qual uma pessoa assume a posição de parte no processo, em substituição a outra. Na execução, a sucessão é regulada pelos arts. 778, IV e V, e 779, II e III, já mencionados. É crucial distinguir a sucessão da mera intervenção de terceiros. Na sucessão, o terceiro substitui a parte original, ocupando seu lugar no processo; na intervenção, ele se integra ao processo ao lado da parte (assistência) ou em litisconsórcio com ela (chamamento ao processo), sem excluir a parte original.
A sucessão pode ser:
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• Inter vivos: Cessão de crédito (ativo) ou assunção de dívida (passivo).
• Causa mortis: Morte do credor ou do devedor.
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• Inter vivos: Cessão de crédito (ativo) ou assunção de dívida (passivo).
• Causa mortis: Morte do credor ou do devedor.
O procedimento para a sucessão, especialmente a habilitação de herdeiros, deve observar o disposto nos arts. 687 a 692 do CPC, que tratam da habilitação incidental. Trata-se de um procedimento que visa garantir a segurança da identificação dos sucessores e a delimitação da responsabilidade de cada um.
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Aplicação prática: A principal dificuldade do dia a dia forense reside na inclusão de novos sujeitos no polo passivo da execução. Um erro comum é tentar incluir o cônjuge do devedor na execução sem a devida comprovação de que a dívida foi contraída em benefício da família ou da meação.
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Outro erro frequente é direcionar a execução contra o sócio retirante sem observar o prazo de 2 anos contados da averbação da alteração do contrato social (art. 1.003, parágrafo único, do Código Civil) ou o prazo de 5 anos para as dívidas fiscais. A segurança na identificação do legitimado passivo evita a nulidade dos atos executórios e a condenação em honorários sucumbenciais em eventual embargos à execução.
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"Terceiro" é todo aquele que não é parte no processo. É o sujeito estranho à relação jurídica processual instaurada . No entanto, a qualidade de "terceiro" não é absoluta. A doutrina classifica os terceiros em relação ao grau de afetação que o processo pode causar em sua esfera jurídica:
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• Terceiros desinteressados: São aqueles totalmente alheios à relação jurídica deduzida em juízo. A sentença ou os atos executórios não lhes causarão nenhum prejuízo ou benefício direto.
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• Terceiros interessados: São aqueles que, embora não sejam partes, podem ser indiretamente afetados pela decisão ou pelos atos de execução. O interesse pode ser:
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o Interesse econômico ou moral: A decisão pode repercutir na esfera do terceiro, mas sem vínculo jurídico direto. Exemplo: O credor de um credor (subcredor) tem interesse econômico no sucesso da execução promovida por seu devedor contra um terceiro, pois isso aumentará o patrimônio de seu devedor, garantindo seu futuro pagamento. Este interesse, por si só, não legitima a intervenção.
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o Interesse jurídico: É aquele em que o terceiro é titular de uma relação jurídica que pode ser direta ou indiretamente atingida pela decisão. O interesse jurídico é o que autoriza, em regra, a intervenção do terceiro no processo, inclusive na execução, nas hipóteses legalmente admitidas.
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Diferentemente do que ocorria no CPC/1973, que em regra admitia a intervenção apenas no processo de conhecimento, o CPC/2015 ampliou o espectro, mas a doutrina e a jurisprudência continuam a aplicar restrições no âmbito executivo. Vamos analisar cada modalidade à luz da execução.
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A assistência (arts. 119 a 124,CPC) é a modalidade pela qual o terceiro juridicamente interessado ingressa no processo para auxiliar uma das partes a obter uma sentença favorável.
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A assistência (arts. 119 a 124, CPC) é a modalidade pela qual o terceiro juridicamente interessado ingressa no processo para auxiliar uma das partes a obter uma sentença favorável.
Cabimento na execução: A assistência é, em tese, cabível na execução, embora sua aplicação prática seja limitada. O interesse jurídico do assistente deve estar relacionado ao próprio processo executivo. Exemplos:
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• Assistência simples: O fiador que não foi acionado na execução (por exemplo, porque o credor optou por executar primeiro o devedor principal) pode ter interesse em assistir o devedor principal. Se o devedor principal for executado e não pagar, o fiador poderá ser posteriormente demandado.
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• Assistência simples: O fiador que não foi acionado na execução (por exemplo, porque o credor optou por executar primeiro o devedor principal) pode ter interesse em assistir o devedor principal. Se o devedor principal for executado e não pagar, o fiador poderá ser posteriormente demandado.
Ele tem interesse jurídico em que a execução contra o devedor principal seja julgada improcedente (ou, no caso, que o executado se desincumba da obrigação), pois isso o eximirá da responsabilidade. Sua atuação é como auxiliar, sujeitando-se aos mesmos ônus processuais, mas não podendo, por exemplo, reconhecer a procedência do pedido do exequente.
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•Assistência litisconsorcial: Ocorre quando a sentença influir na relação jurídica entre o assistente e o adversário do assistido. Imagine uma execução de dívida condominial movida apenas contra o promitente-comprador (possuidor). O proprietário do imóvel (promitente-vendedor), que não foi incluído no polo passivo (e, a rigor, não poderia ser, por força do art. 513, §5º, para título judicial), mas que poderá ser responsabilizado caso a execução contra o possuidor seja infrutífera (em razão do caráter propter rem da dívida), pode intervir como assistente litisconsorcial, pois a sentença que reconhecer a dívida influenciará diretamente sua relação com o condomínio.
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Limitações: Apesar de cabível, a assistência não pode tumultuar a execução. O assistente recebe o processo no estado em que se encontra (art. 119, parágrafo único) e não pode requerer a repetição de atos já praticados.
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A denunciação da lide (arts. 125 a 129, CPC) é o mecanismo pelo qual uma parte, em ação movida contra si, chama ao processo um terceiro, garantindo o exercício do direito de regresso, caso seja vencida.
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Cabimento na execução: A doutrina e a jurisprudência são praticamente unânimes em considerar incabível a denunciação da lide na execução. O fundamento é simples: a denunciação da lide tem por objetivo resolver, em um único processo, uma pretensão de regresso que surge de uma relação jurídica de direito material. No entanto, na execução, não há "lide" a ser denunciada.
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A obrigação do executado já está cristalizada no título. Discutir, na execução, se um terceiro (por exemplo, o vendedor de um bem com defeito) é quem deverá, em regresso, arcar com o prejuízo, implicaria desvirtuar a natureza da execução, transformando-a em um processo de conhecimento incidental, com ampla dilação probatória, o que afrontaria os princípios da celeridade e efetividade que regem a execução.
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A única via possível para o executado exercer seu direito de regresso é ajuizar uma ação autônoma de regresso contra o terceiro responsável.
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O chamamento ao processo (art. 130, CPC) é uma faculdade do réu, em processo de conhecimento, de chamar ao feito os demais coobrigados (devedores solidários, fiadores, etc.) para que a dívida seja rateada ou para que a sentença os atinja.
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Cabimento na execução: Assim como a denunciação da lide, o chamamento ao processo é considerado incabível na execução. O art. 130 é claro ao se referir ao "réu" no processo de conhecimento. A execução não comporta essa integração forçada de novos sujeitos para debate da responsabilidade. Se o exequente optou por executar apenas um dos devedores solidários, não pode o executado exigir que os demais sejam chamados para dividir o pagamento.
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A solidariedade confere ao credor o direito de exigir a dívida de qualquer um dos devedores, por inteiro. Ao executado que pagar a dívida, caberá a ação de regresso contra os demais coobrigados, em processo autônomo.
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O Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica, previsto nos arts. 133 a 137 do CPC/2015, é, sem dúvida, a mais relevante inovação no que tange à interação entre partes e terceiros na execução. Ele não é, tecnicamente, uma modalidade de intervenção de terceiros, mas sim um incidente processual que visa incluir um terceiro (o sócio ou a pessoa jurídica de um grupo) no polo passivo da execução ou excluí-lo, desconsiderando, para aquele caso concreto, os efeitos da personalidade jurídica.
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Cabimento na execução: O IDPJ é perfeitamente cabível e extremamente comum na execução (arts. 133, caput, e 134, §4º). Ele pode ser instaurado tanto na fase de cumprimento de sentença (título judicial) quanto na execução fundada em título extrajudicial.
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Fundamentos: A desconsideração visa combater o desvio de finalidade (uso da pessoa jurídica para fins ilícitos) ou a confusão patrimonial (falta de clareza entre o patrimônio da sociedade e o de seus sócios). Em algumas situações específicas (relações de consumo e direito ambiental, por exemplo), a teoria menor da desconsideração pode ser aplicada, exigindo-se apenas a prova da insolvência da pessoa jurídica em prejuízo do credor (art. 28, §5º, do CDC).
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Procedimento (Art. 135, CPC): O procedimento do IDPJ é um dos grandes acertos do CPC/2015, pois garante o contraditório e a ampla defesa do terceiro que se pretende atingir, evitando decisões surpresa. O rito é o seguinte:
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1. Requerimento da parte ou do Ministério Público: O exequente deve requerer a instauração do incidente, com a exposição dos fundamentose a juntada de provas que demonstrem, em tese, a existência dos pressupostos para a desconsideração (desvio de finalidade ou confusão patrimonial).
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2. Suspensão do Processo (principal): Com a instauração do incidente, a execução é suspensa (art. 134, §3º). Essa suspensão é fundamental para que não sejam praticados atos de constrição contra o patrimônio da sociedade que possam prejudicar a futura defesa do sócio ou vice-versa.
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3. Citação/Intimação do terceiro: O sócio ou a pessoa jurídica a ser atingida será citado (na execução de título extrajudicial) ou intimado (no cumprimento de sentença) para, querendo, apresentar defesa no prazo de 15 dias.
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4. Defesa e instrução: O terceiro poderá apresentar sua defesa, requerer provas e produzir documentos. O incidente seguirá o rito comum, com possibilidade de audiência de instrução, se necessária.
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5. Decisão: Finda a instrução, o juiz decidirá por meio de decisão interlocutória. Se acolher o pedido, a penhora e demais atos executórios poderão recair sobre os bens do sócio ou da empresa do grupo. Se rejeitar, a execução prossegue apenas contra a pessoa jurídica original.
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Aplicação prática: O IDPJ é a ferramenta diária do advogado que se depara com a "tela societária" vazia, sem bens penhoráveis. Em vez de simplesmente requerer a penhora de bens dos sócios com base em uma alegação genérica (como se fazia antes de 2015), é necessário instaurar o incidente, comprovando, ainda que em cognição sumária, os indícios de abuso.
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Ignorar o procedimento e pedir diretamente a penhora de bens de sócio pode levar à nulidade dos atos e à responsabilização do exequente por litigância de má-fé. O STJ tem reiterado a necessidade de instauração do IDPJ como condição para atingir o patrimônio de terceiro não participante da fase de conhecimento ou do título executivo.
Cumprimento de Sentença e Execução de Título Extrajudicial
O amicus curiae (art. 138, CPC) é um auxiliar do juízo, que ingressa no processo para fornecer subsídios técnicos ou jurídicos em casos de relevância social, econômica ou jurídica.
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O amicus curiae (art. 138, CPC) é um auxiliar do juízo, que ingressa no processo para fornecer subsídios técnicos ou jurídicos em casos de relevância social, econômica ou jurídica.
Cabimento na execução: Em tese, é possível, embora extremamente raro e excepcional. Uma execução de grande vulto envolvendo uma tese repetitiva sobre a forma de cálculo de correção monetária de precatórios poderia justificar a oitiva do amicus curiae. No entanto, a natureza satisfativa da execução torna esse instituto praticamente incompatível com a maioria dos casos concretos.
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Se o IDPJ é a via de inclusão forçada do terceiro, os Embargos de Terceiro (arts. 674 a 681, CPC) são a via de exclusão voluntária. Trata-se da ação autônoma de que dispõe aquele que não é parte no processo, mas sofre constrição judicial sobre bens de sua propriedade ou posse, em virtude de decisão proferida em processo do qual não participou.
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Fundamento: O art. 674 é claro: "Quem, não sendo parte no processo, sofrer constrição ou ameaça de constrição sobre bens que possua ou sobre os quais tenha direito incompatível com o ato constritivo, poderá requerer seu desfazimento por meio de embargos de terceiro".
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Legitimidade: O terceiro possuidor ou proprietário do bem penhorado. Também pode ser o cônjuge ou companheiro, para defender a posse de bens próprios ou de sua meação (art. 674, §2º, I). O adquirente de um bem em hasta pública, que sofre turbação na posse, também pode manejar os embargos.
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Hipóteses comuns na prática forense:
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Hipóteses comuns na prática forense:
• Penhora de bem imóvel que pertence a terceiro, mas está registrado em nome do devedor.
• Penhora de veículo alienado ao terceiro de boa-fé, mas cujo registro não foi transferido perante o órgão de trânsito.
• Penhora de bem móvel (ex.: máquinas) que está na posse do devedor em virtude de comodato, mas é de propriedade de terceiro.
• Penhora da meação do cônjuge do devedor em dívida contraída exclusivamente por este, sem que a dívida tenha revertido em benefício da família.
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Procedimento: Os embargos de terceiro têm natureza de ação de conhecimento, com procedimento especial. Eles podem ser distribuídos por dependência ao juízo da execução. O prazo para ajuizamento é de 5 dias a contar da data da constrição judicial (art. 675). Admite-se a caução para a suspensão liminar da execução (art. 678). Se procedentes, os embargos determinam o levantamento da constrição sobre o bem do terceiro.
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Aplicação prática: Os embargos de terceiro são a principal arma processual para a defesa da propriedade contra o ímpeto da execução. O advogado do terceiro deve juntar a documentação que comprove a propriedade (escritura, nota fiscal, contrato) e demonstrar que a constrição é indevida. A demora no ajuizamento pode levar à perda do bem em hasta pública, restando apenas a discussão sobre o valor arrecadado.
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