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TÍTULO EXECUTIVO: A Chave para a Efetividade da Prestação 
Jurisdicional 
 
INTRODUÇÃO: A Busca pela Efetividade e o Papel Central do Título 
Executivo 
 
No Estado Democrático de Direito, a garantia de acesso à justiça, insculpida 
no artigo 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal, não se esgota na mera 
declaração de um direito. O provimento jurisdicional deve ser efetivo, capaz 
de entregar ao vencedor o bem da vida almejado, transformando a realidade 
substancial. 
 
É nesse ponto que o Direito Processual Civil revela sua faceta mais 
imperativa: a execução forçada. O processo de execução, ou a fase de 
cumprimento de sentença, representa a atividade estatal de agressão ao 
patrimônio do devedor para satisfazer o crédito do exequente, e essa 
atividade não pode ser arbitrária. 
 
Para que o Estado-juiz possa legitimamente invadir a esfera patrimonial de 
um indivíduo, retirando-lhe bens ou valores, é imprescindível um 
fundamento jurídico incontestável. Esse fundamento é o título executivo. 
Longe de ser um mero documento, o título executivo é a própria garantia do 
devido processo legal na fase executiva. 
 
Ele atua como uma "chave" que desbloqueia as medidas coercitivas e sub-
rogatórias do poder judiciário, assegurando que o devedor só terá seu 
patrimônio agredido se existir uma prova pré-constituída e qualificada pela 
lei da obrigação e da sua inadimplência. 
 
Nas palavras do processualista Alexandre Câmara, citado no artigo da 
Advbox, "o título executivo é o ato jurídico capaz de legitimar a prática dos 
atos de agressão a serem praticados sobre os bens que integram um dado 
patrimônio, de forma a tornar viável sua utilização na satisfação de um 
crédito. A exigência de que exista um título executivo para que possa 
desenvolver-se a execução é um mecanismo de proteção do demandado". 
 
Este texto propõe uma análise detalhada e abrangente do título executivo no 
ordenamento jurídico brasileiro. Abordaremos seu conceito, sua evolução 
histórica, a base legal consolidada no Código de Processo Civil de 2015 (Lei 
nº 13.105/15), a classificação entre judicial e extrajudicial, os requisitos 
intrínsecos da certeza, liquidez e exigibilidade, e, por fim, sua aplicação 
prática no cotidiano forense, incluindo os desafios contemporâneos e as 
inovações tecnológicas. 
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PARTE I - CONCEITOS FUNDAMENTAIS E EVOLUÇÃO 
HISTÓRICA 
 
1.1 Conceito de Título Executivo 
 
Em termos jurídicos, título executivo é o documento (físico ou eletrônico) 
formalmente qualificado pela lei como suficiente para embasar um processo 
de execução ou a fase de cumprimento de sentença. Ele é a materialização 
de uma obrigação certa, líquida e exigível, cuja existência é presumida ou já 
foi reconhecida pelo Poder Judiciário, dispensando, em regra, uma nova fase 
de conhecimento para sua apuração. 
 
O título executivo não se confunde com a obrigação em si, mas é o seu 
invólucro formal. É ele que confere ao credor a actio executio, ou seja, o 
direito de invocar a tutela jurisdicional executiva. Sem ele, o credor está 
relegado ao processo de conhecimento, mais lento e complexo, para, ao final, 
obter um título e então executá-lo. Portanto, a existência do título executivo 
é o principal critério de distinção entre a execução e o processo de 
conhecimento. 
 
1.2 Evolução Histórica e a Unificação Processual 
 
Historicamente, o processo civil brasileiro, influenciado pelo sistema 
italiano e pelo Código de Processo Civil de 1973, mantinha uma rígida 
separação entre o processo de conhecimento e o de execução. Essa 
dicotomia, no entanto, gerava um formalismo excessivo e atrasos 
desnecessários. O devedor era citado para pagar em autos apartados, e a 
defesa se dava por meio de embargos, formando-se uma nova relação 
processual. 
 
O Código de Processo Civil de 2015 representou uma mudança de paradigma 
ao unificar o procedimento para as execuções fundadas em títulos judiciais. 
Criou-se o "cumprimento de sentença" como uma mera fase subsequente ao 
processo de conhecimento (arts. 513 a 519), eliminando a necessidade de 
uma nova ação autônoma . Essa alteração concretiza os princípios da 
celeridade e da efetividade, pois o processo é uno, e a fase executiva é seu 
desdobramento natural. 
 
Para os títulos extrajudiciais, manteve-se a ação de execução autônoma (arts. 
771 a 796), dado que estes não são precedidos de um processo judicial, mas 
o rito também foi simplificado, buscando maior eficiência na satisfação do 
crédito. 
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PARTE II - BASE LEGAL E CLASSIFICAÇÃO DOS TÍTULOS 
EXECUTIVOS 
 
A base legal do título executivo no ordenamento pátrio está solidamente 
ancorada no Código de Processo Civil de 2015, que dedica livros inteiros à 
matéria, e em leis extravagantes. O CPC/2015 adotou uma técnica de 
"numerus clausus" (rol taxativo) para definir o que é título executivo, ou seja, 
só é título executivo aquilo que a lei assim define. A seguir, analisamos as 
duas grandes espécies: títulos executivos judiciais e extrajudiciais. 
 
2.1 Títulos Executivos Judiciais (Art. 515 do CPC) 
 
Os títulos executivos judiciais são aqueles que emanam de uma atividade 
jurisdicional, seja ela estatal ou equiparada (como a arbitragem). Eles gozam 
de maior credibilidade e estabilidade, pois o direito neles contido já foi 
objeto de cognição judicial ou de homologação de acordo. O artigo 515 do 
CPC elenca um rol de 9 incisos que os define. 
 
O rol do art. 515: 
 
I - As decisões proferidas no processo civil que reconheçam a 
exigibilidade de obrigação de pagar quantia, de fazer, de não fazer ou 
de entregar coisa: Esta é a hipótese mais comum. Abrange as sentenças 
condenatórias proferidas no processo de conhecimento, bem como as 
decisões interlocutórias de mérito que, antecipando a tutela, já reconhecem 
a obrigação e a tornam exigível. 
 
II - A decisão homologatória de autocomposição judicial: Quando as 
partes, durante um processo, chegam a um acordo e este é homologado pelo 
juiz, essa decisão se torna um título executivo judicial. Exemplo: a 
homologação de um acordo em uma audiência de conciliação. 
 
III - A decisão homologatória de autocomposição extrajudicial de 
qualquer natureza: Inovação do CPC/2015. Se as partes realizam um 
acordo extrajudicial (por exemplo, em um centro de mediação privada) e o 
levam ao Judiciário para homologação, o termo homologado se torna título 
judicial. 
 
IV - O formal e a certidão de partilha: No processo de inventário e 
partilha, o documento que formaliza a divisão dos bens entre os herdeiros 
(formal de partilha) e que individualiza o crédito de cada um (certidão de 
partilha) é título executivo judicial. Ele permite que um herdeiro cobre de 
outro as obrigações decorrentes da partilha (ex: tornas). 
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V - O crédito de auxiliar da justiça, quando as custas, emolumentos ou 
honorários tiverem sido aprovados por decisão judicial: Peritos, 
depositários, administradores e outros auxiliares da justiça que têm seus 
honorários fixados por decisão judicial podem executar esse crédito com 
base neste título. 
 
VI - A sentença penal condenatória transitada em julgado: A sentença 
da esfera penal que reconhece o crime e condena o réu a reparar o dano (arts. 
63 e 64 do CPP) constitui título executivo judicial no cível. É importante 
notar que apenas a sentença definitiva (transitada em julgado) tem essa força, 
não cabendo execução provisória nesse caso, conforme destaca a doutrina. 
 
VII - A sentença arbitral: A Lei de Arbitragem (Lei 9.307/96) equipara a 
sentença arbitral à sentença judicial. Portanto, ela é um título executivo 
judicial e pode ser executada no Poder Judiciário independentemente de 
homologação. 
 
VIII - A sentença estrangeira homologada pelo Superior Tribunal de 
Justiça (STJ): Decisões proferidas por tribunais de outros países, para 
produzirem efeitos no Brasil, precisam ser homologadas pelo STJ. Apósa 
homologação, tornam-se títulos executivos judiciais. 
 
IX - A decisão interlocutória estrangeira, após a concessão 
do exequatur à carta rogatória pelo Superior Tribunal de 
Justiça: Hipótese similar à anterior, mas para decisões que não são sentenças 
finais, que dependem de cumprimento por meio de carta rogatória. 
 
2.2 Títulos Executivos Extrajudiciais (Art. 784 do CPC) 
 
Os títulos executivos extrajudiciais são documentos produzidos pela vontade 
das partes ou por agentes dotados de fé pública, sem a participação direta do 
Poder Judiciário na sua formação. A lei, considerando a segurança e a 
formalidade inerentes a esses documentos, confere-lhes a mesma força 
executiva de uma decisão judicial, justamente para agilizar a cobrança de 
dívidas incontroversas. 
 
O rol do art. 784: 
 
I - A letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o 
cheque: São os títulos de crédito típicos. A nota promissória é a promessa 
de pagamento; a letra de câmbio e a duplicata são ordens de pagamento; e o 
cheque é uma ordem de pagamento à vista. Todos são considerados títulos 
executivos. 
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II - A escritura pública ou outro documento público assinado pelo 
devedor: Documentos lavrados por tabelião em cartório, que gozam de fé 
pública. Um contrato de compra e venda de imóvel feito por escritura pública 
é título executivo. 
 
III - O documento particular assinado pelo devedor e por 2 (duas) 
testemunhas: Esta é uma das hipóteses mais utilizadas na prática. Um 
contrato de empréstimo, uma confissão de dívida, desde que assinados pelo 
devedor e por duas testemunhas, adquirem força executiva. A presença das 
testemunhas visa atestar a veracidade e a livre manifestação de vontade no 
momento da assinatura. O §4º do art. 784 moderniza essa regra ao admitir 
assinatura eletrônica para esses documentos, dispensando testemunhas 
quando a integridade for conferida por provedor de assinatura. 
 
IV - O instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, 
pela Defensoria Pública, pela Advocacia Pública, pelos advogados dos 
transatores ou por conciliador ou mediador credenciado por 
tribunal: Acordos extrajudiciais que contam com a chancela dessas 
autoridades ou profissionais ganham força de título executivo extrajudicial. 
 
V - O contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese ou outro 
direito real de garantia e aquele garantido por caução: A existência de 
uma garantia real (que recai sobre um bem) ou fidejussória (pessoal, como a 
caução) confere maior segurança e, por isso, a lei atribui força executiva ao 
contrato. 
 
VI - O contrato de seguro de vida em caso de morte: O beneficiário pode 
executar a seguradora com base na apólice, que é título executivo. 
 
VII - O crédito decorrente de foro e laudêmio: Obrigações típicas de 
enfiteuse (direito real sobre imóvel próprio). 
 
VIII - O crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel 
de imóvel, bem como de encargos acessórios, tais como taxas e despesas 
de condomínio: O contrato de locação, quando não cumprido, pode gerar 
créditos de aluguel e encargos que, se comprovados documentalmente 
(contrato, comprovantes de vencimento), autorizam a execução. 
 
 
 
 
 
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IX - A certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos 
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, correspondente aos 
créditos inscritos na forma da lei: A CDA é o título executivo extrajudicial 
que embasa as execuções fiscais. É um documento de alta carga formal e, 
uma vez emitida, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte 
demonstrar sua ilegalidade. 
 
X - O crédito referente às contribuições ordinárias ou extraordinárias 
de condomínio edilício, previstas na respectiva convenção ou aprovadas 
em assembleia geral, desde que documentalmente 
comprovadas: Inovação do CPC/2015. A simples inadimplência da taxa de 
condomínio, comprovada por meio do boleto e da convenção/ata da 
assembleia que aprovou o orçamento, permite a execução, agilizando a 
cobrança para os condomínios. 
 
XI - A certidão expedida por serventia notarial ou de registro relativa a 
valores de emolumentos e demais despesas devidas pelos atos por ela 
praticados: Tabelionatos e cartórios podem executar os valores devidos por 
seus serviços com base nessa certidão. 
 
XII - Todos os demais títulos aos quais, por disposição expressa, a lei 
atribuir força executiva: É a chamada "cláusula aberta" que, embora o rol 
seja taxativo, a lei remete a outros diplomas legais que podem criar novos 
títulos executivos (ex: a cédula de crédito bancário, regida por lei específica). 
 
PARTE III - OS REQUISITOS ESSENCIAIS: CERTEZA, LIQUIDEZ 
E EXIGIBILIDADE 
 
Não basta que o documento esteja previsto em um dos incisos dos arts. 515 
ou 784. Para que a execução seja deflagrada, é imprescindível que a 
obrigação nele contida seja certa, líquida e exigível, conforme determina o 
caput do art. 783 do CPC: "A execução para cobrança de crédito fundar-se-
á sempre em título de obrigação certa, líquida e exigível". 
 
3.1 Obrigação Certa 
 
A certeza da obrigação diz respeito à sua existência e à identificação de seus 
elementos essenciais. O título deve deixar claro quem é o credor (exequente), 
quem é o devedor (executado) e qual é a natureza da prestação devida (pagar 
quantia, entregar coisa, fazer ou não fazer). Em outras palavras, não pode 
haver dúvida sobre a existência do vínculo obrigacional. O título deve 
representar, com fidedignidade, a relação jurídica material que originou a 
dívida. 
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3.2 Obrigação Líquida 
 
A liquidez se refere à determinação do objeto da obrigação. No caso de 
obrigação de pagar quantia, ela exige que o valor devido esteja 
expressamente determinado no título ou seja determinável mediante simples 
cálculo aritmético. 
 
O artigo 786 do CPC estabelece que "a execução pode ser instaurada caso o 
devedor não satisfaça a obrigação certa, líquida e exigível, consubstanciada 
em título executivo". Se o título for ilíquido, o credor precisará, antes, 
liquidá-lo, o que pode ocorrer por simples cálculo (do contador judicial) ou 
por procedimento comum (quando depender de fatos novos ou provas). 
 
Por exemplo, uma sentença que condene ao pagamento de "perdas e danos a 
serem apuradas em liquidação de sentença" não permite, de imediato, o 
cumprimento de sentença. Será necessária a fase de liquidação. 
 
3.3 Obrigação Exigível 
 
A exigibilidade está relacionada ao termo ou à condição para o cumprimento 
da obrigação. Uma obrigação é exigível quando é pura e simples e já está 
vencida, ou quando, sendo condicional ou a prazo, a condição se 
implementou ou o prazo já se esgotou. 
 
Assim, não se pode executar uma dívida cujo prazo de pagamento ainda não 
venceu, a menos que haja vencimento antecipado previsto em contrato (ex: 
cláusula de debt acceleration em caso de falência ou inadimplemento de 
outras parcelas). Da mesma forma, obrigações sujeitas a condição suspensiva 
não podem ser exigidas antes do implemento dessa condição. 
 
Se faltar qualquer um desses três requisitos, a execução não poderá ser 
iniciada. A ausência de liquidez, por exemplo, impede a citação do devedor 
para pagar quantia certa. O título ilíquido é um título imperfeito para fins 
executivos. 
 
PARTE IV - APLICAÇÃO PRÁTICA NO COTIDIANO JURÍDICO 
 
A teoria ganha vida nos escritórios de advocacia e nos fóruns de todo o país. 
A compreensão do título executivo é essencial para a estratégia de cobrança 
e para a defesa do devedor. Vejamos como isso se desenrola na prática. 
 
 
 
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4.1 O Ciclo de Vida da Execução 
 
a) Título Judicial - O Cumprimento de Sentença: 
 
1. Trânsito em julgado: A sentença condenatória torna-se definitiva, não 
cabendo mais recursos. 
2. Requerimento do Exequente: O credor apresenta um requerimento nos 
próprios autos do processo de conhecimento, iniciando a fase de 
cumprimentode sentença (art. 513). 
3. Intimação do Devedor: O devedor (executado) é intimado na pessoa de seu 
advogado ou, não tendo representante nos autos, por carta com aviso de 
recebimento. 
4. Prazo para Pagamento Voluntário: O devedor tem 15 dias para pagar a 
dívida. Se o fizer, extingue-se a obrigação. Se não pagar, o débito será 
acrescido de multa de 10% e honorários advocatícios de 10% (art. 523, §1º). 
5. Penhora e Atos Executivos: Não havendo pagamento, o juiz, a 
requerimento do exequente, determinará a penhora de bens para satisfazer o 
crédito. 
 
b) Título Extrajudicial - A Ação de Execução: 
 
1. Petição Inicial: O credor (exequente) propõe uma nova ação, a ação de 
execução, instruindo-a com o título executivo extrajudicial . 
2. Citação do Executado: O devedor (executado) é citado para, no prazo de 3 
dias, pagar a dívida (art. 829). Se não pagar, no mesmo ato de citação já pode 
ocorrer a penhora de bens (art. 829, §1º). 
3. Embargos à Execução: O devedor pode opor-se à execução por meio dos 
Embargos à Execução (art. 914), que são uma ação autônoma de 
conhecimento, distribuída por dependência aos autos da execução. Neles, o 
devedor poderá alegar qualquer matéria defensiva (pagamento, prescrição, 
nulidade do título, etc.). 
 
4.2 Casos Práticos e Problemáticas Comuns 
 
a) O Cheque como Título Executivo: O cheque é título executivo 
extrajudicial (art. 784, I). No entanto, sua força executiva tem prazo de 
decadência. O credor tem até 6 meses (contados do fim do prazo de 
apresentação, que é de 30 ou 60 dias) para ajuizar a execução. Após esse 
prazo, o cheque perde a executividade, mas ainda pode ser usado para 
embasar uma ação monitória ou uma ação de cobrança pelo rito comum, para 
obter um novo título (judicial). 
 
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b) O Contrato sem Testemunhas: Um contrato particular de empréstimo, 
assinado apenas pelo devedor e pelo credor, mas sem duas testemunhas, não 
é título executivo (art. 784, III). O credor não poderá propor ação de 
execução. Ele terá que ingressar com uma ação de cobrança pelo 
procedimento comum. Nesse processo, o contrato será a prova da dívida, 
mas o juiz terá que, após a instrução, proferir uma sentença condenatória, 
que só então se tornará título judicial para execução. 
 
c) A Execução de Aluguéis: O crédito de aluguel pode ser cobrado por 
execução com base no art. 784, VIII. O locador deve instruir a petição inicial 
com o contrato de locação e os comprovantes da inadimplência. Contudo, se 
durante a execução houver discussão sobre o real valor do aluguel ou sobre 
a existência de benfeitorias a descontar, o juiz pode remeter as partes à 
liquidação ou à arbitramento, suspendendo a execução até que a questão 
incidental seja resolvida. 
 
d) A Exceção de Pré-Executividade: Trata-se de um instrumento 
processual de defesa do executado que não demanda a oposição de embargos 
(autos apartados). Ela é cabível para questões de ordem pública, que o juiz 
pode conhecer de ofício, como a ausência dos requisitos da certeza, liquidez 
e exigibilidade do título, a ilegitimidade das partes ou a prescrição. No 
exemplo do contrato sem testemunhas, o executado poderia opor exceção de 
pré-executividade alegando a ausência de título executivo válido, levando à 
extinção da execução sem a necessidade de embargos. 
 
4.3 A Execução na Era Digital e os Desafios Contemporâneos 
 
O CPC/2015 e a prática forense moderna estão cada vez mais integrados à 
tecnologia para dar efetividade à execução. 
 
a) Títulos Eletrônicos e a Dispensa de Originais: O art. 425 do CPC 
estabelece que as reproduções digitalizadas têm o mesmo valor probante dos 
originais. Em sintonia com isso, o STJ já decidiu (REsp 2.013.526-MT) que, 
na execução de título cartular (físico) em processo eletrônico, a exigência de 
apresentação do título original só deve ocorrer se houver alegação concreta 
e motivada do devedor sobre a falta de exigibilidade, liquidez ou certeza do 
título, ou sobre sua circulação indevida. Isso agiliza as execuções e evita 
formalismos procrastinatórios. 
 
b) Ferramentas Eletrônicas de Constrição (SISBAJUD, RENAJUD, 
INFOJUD): O cumprimento de sentença e a execução moderna contam com 
poderosos sistemas eletrônicos. O SISBAJUD (antigo BacenJud) permite ao 
juiz, em minutos, bloquear valores em contas bancárias do executado. 
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O RENAJUD possibilita a restrição de veículos. O INFOJUD dá acesso à 
base de dados da Receita Federal para localizar bens e declarações de renda. 
Essas ferramentas são essenciais para a efetividade, permitindo que a 
constrição de bens ocorra de forma célere. 
 
c) Medidas Executivas Atípicas (Art. 139, IV): Uma das grandes 
inovações do CPC/2015 é a cláusula geral de poder do juiz para "determinar 
todas as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias 
necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive nas 
ações que tenham por objeto prestação pecuniária" (art. 139, IV) . Com base 
nisso, a jurisprudência tem admitido medidas como: 
 
 Suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH); 
 Apreensão de passaporte; 
 Bloqueio de cartões de crédito. 
 
Essas medidas são extremamente controvertidas e devem ser aplicadas com 
proporcionalidade e razoabilidade, mas representam uma mudança de 
paradigma, buscando pressionar o devedor a pagar, especialmente nos casos 
em que ele possui meios, mas oculta seu patrimônio. 
 
PARTE V - A DEFESA DO DEVEDOR E OS LIMITES DA 
EXECUÇÃO 
 
O título executivo, embora seja um atestado de certeza, não é infalível. O 
sistema processual garante ao devedor o direito de defesa, respeitando o 
contraditório e a ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CF). 
 
5.1 Impugnação ao Cumprimento de Sentença (Título Judicial) 
 
No cumprimento de sentença, a defesa do devedor se dá por meio 
da Impugnação (art. 525), no prazo de 15 dias. O rol de matérias que podem 
ser alegadas é mais restrito do que nos embargos, pois o mérito da decisão já 
foi discutido no processo de conhecimento. Pode-se alegar, por exemplo: 
 
 Falta ou nulidade da citação no processo de conhecimento. 
 Inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação. 
 Excesso de execução ou cumulação indevida de execuções. 
 Qualquer causa impeditiva, modificativa ou extintiva da obrigação, como 
pagamento, prescrição ou compensação, desde que supervenientes à 
sentença. 
 
 
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5.2 Embargos à Execução (Título Extrajudicial) 
 
Para a execução fundada em título extrajudicial, a defesa se dá por meio 
dos Embargos à Execução (art. 914), que devem ser opostos no prazo de 15 
dias, contados da juntada do mandado de citação cumprido aos autos. Nos 
embargos, a defesa é mais ampla, podendo o executado alegar qualquer 
matéria útil à sua defesa, como: 
 
 Nulidade formal do título. 
 Ilegitimidade de parte. 
 Prescrição ou decadência. 
 Pagamento, novação, compensação, transação. 
 Ausência dos requisitos de certeza, liquidez e exigibilidade. 
 
5.3 Penhora e Impenhorabilidades 
 
A fase executiva culmina na penhora, que é o ato de constrição judicial que 
individualiza e apreende bens do devedor para garantir a execução. A lei 
estabelece uma ordem de preferência para a penhora (art. 835), priorizando 
dinheiro em espécie ou em aplicação financeira. No entanto, a lei também 
prevê bens absolutamente impenhoráveis (art. 833), protegendo a dignidade 
do devedor. São exemplos: o bem de família (Lei 8.009/90), os salários e 
verbas alimentares (com exceções), os instrumentos de trabalho, entre 
outros. 
 
CONCLUSÃO: O Título Executivo como Instrumento de Pacificação 
Social 
 
O título executivo é, portanto, uma peça fundamental na engrenagem do 
processo civil. Ele é a síntese da dupla função da jurisdição: reconhecer 
direitos e efetivá-los. Ao longo deste texto, vimos que ele não é um simples 
documento, mas sim um complexo instituto que equilibra a necessidadede 
agilidade na satisfação do crédito com a segurança jurídica do devedor. 
 
O Código de Processo Civil de 2015, ao ampliar o rol de títulos 
extrajudiciais, ao simplificar o cumprimento de sentença e ao dotar o juiz de 
poderes para utilizar medidas atípicas e ferramentas tecnológicas, reafirmou 
o compromisso com a efetividade da prestação jurisdicional. 
 
 
 
 
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O desafio que se impõe aos operadores do Direito é o de manejar esses 
instrumentos com técnica e sensibilidade, compreendendo que atrás de cada 
título executivo há uma história de uma obrigação não cumprida, e que a 
execução, embora agressiva, deve sempre observar os princípios 
constitucionais da dignidade da pessoa humana e da proporcionalidade. 
 
Dominar a teoria do título executivo, conhecer seus requisitos e entender sua 
aplicação prática é condição sine qua non para o advogado que busca o 
melhor resultado para seu cliente, seja na posição de exequente, buscando 
receber o que lhe é devido, seja na de executado, protegendo seu patrimônio 
contra investidas indevidas. É nesse equilíbrio que se constrói a verdadeira 
justiça.

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