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EDUCAÇÃO E ARTES CÊNICAS. INTERFACES CONTEMPORÂNEAS Educação e Artes Cênicas: Interfaces contemporâneas. Alexandra Gouvênea Dumas et al. Bernard Charlot (org) rio de janeiro: Wak editora, 2013. Resumo do capitulo 1 “Clássica”, “moderna”, “contemporânea”: encontros e desencontros entre Educação e Arte” Bernard Charlot (2013) em seu texto “Clássica”, “moderna”, “contemporânea”: encontros e desencontros entre Educação e Arte” busca estabelecer relações e divergências entre a Educação e a Arte. Em um primeiro momento o autor destaca que no que tange a educação ocidental as artes nunca foram consideradas importantes, salvo algumas raras exceções. Na grande maioria dos casos ambas as áreas foram se constituindo como se existissem poucas relações entre elas. Todavia, mesmo que se tratem de áreas distintas, cada qual com as suas especificidades, esses campos pertencem a uma mesma sociedade e tentam expressá-la. O texto de Charlot (2013) basicamente se organiza buscando relações e divergências entre alguns campos da arte e da educação que se estabelecem historicamente de forma razoavelmente clara. Inicialmente busca por relações entre a arte clássica e a pedagogia tradicional, seguido de uma análise entre a arte moderna e a pedagogia nova e por fim entre a arte contemporânea e a educação de hoje. A pedagogia tradicional se sustenta a partir de alguns pressupostos alicerçados na ideia de que “Por um lado, a alma, o espírito; por outro, o seu inimigo: o corpo, a emoção, o desejo” (p.25). Nessa perspectiva educar está relacionado ao ato de disciplinar. Na pedagogia tradicional um dos elementos centrais está em suprimir o desejo pela norma, nesse sentido, educar está relacionado à normalização dos comportamentos. Charlot (2013) comenta que em muitos aspectos a pedagogia tradicional, baseada em regras, poderia muito bem se relacionar diretamente com a Arte clássica. A pintura, por exemplo, retratando temas religiosos ou a vida cotidiana dos burgueses, traz a ideia de que existem modelos a serem seguidos. Outro exemplo está no balé clássico, onde se exalta um corpo que só pode ser atingido com muito treino e sofrimento e movimentos “belos” e “perfeitos”. Obviamente que sempre existiram manifestações artísticas que fugiram a essas regras, todavia a educação também nunca conseguiu converter 100% das ações educativas as suas normas. Mesmo que sempre existiram tanto formas artísticas como educativas que fujam as regras existem convergências entre as normas que legitimam essas duas áreas. O autor destaca que por mais que existam convergências no que tangem os princípios das duas áreas, a pedagogia tradicional nunca ofereceu um espaço significativo para a Arte. Isso pode estar relacionado a vários fatores, um deles está fundamentado no próprio principio da pedagogia tradicional alicerçado na ideia de que o desejo deve ser subjugado pela norma. Nesse sentido, a Arte é inimiga da educação, visto que a primeira está relacionada a sensibilidade, portanto é cumplice do corpo, logo é suspeita e perigosa. Mesmo quando a escola abriu espaço para o corpo foi no âmbito da educação física é não da Arte. Entre o final do século XIX e início do século XX começam a surgir as correntes da pedagogia nova. No Brasil em 1932 um grupo de 26 educadores divulgam o “Manifesto dos pioneiros da Educação Nova”. Essas novas pedagogias fundamentam-se em princípios que divergem significativamente da pedagogia tradicional.