Prévia do material em texto
Profª Drª Maria Teresa de Souza Barboza CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO Liquidação de Sentença. Responsabilidade patrimonial. Fraudes à execução e contra credores. Requisitos necessários para a execução: Inadimplemento do devedor. Título executivo. A execução deve se fundar em título executivo líquido, que permita a identificação do “quantum debeator”. Título executivo líquido é aquele que indica a quantidade de bens ou valores que constituem a obrigação a ser cumprida pelo devedor. Título executivo extrajudicial é sempre líquido. A liquidação de sentença é uma fase preparatória, intermediária, de natureza cognitiva, em que a sentença ilíquida passará a ter um valor certo e determinado, para possibilitar a sua execução. O devedor não será citado, mas intimado na pessoa de seu advogado para acompanhar a liquidação de sentença. o Exceção: haverá citação na liquidação de sentença penal condenatória, arbitral ou estrangeira, por tramitar por ação de execução. Liquidação de sentença (CPC, arts. 509 a 512) (1/3) Sentença pode ser um título executivo ilíquido, quando na condenação não apresenta o valor ou a quantidade de bens a ser executado. A sentença pode ser parte líquida e parte ilíquida, podendo o credor promover simultaneamente a execução da parte líquida e, em autos apartados, a liquidação de sentença (CPC, art. 509, § 1º). Exemplo: Ação de reparação de danos em que a sentença condena o réu a pagar os danos emergentes , correspondentes aos gastos que ele teve, em determinado valor, e os danos cessantes, a serem apurados em liquidação. A fase de liquidação de sentença, intermediária, ocorre quando é prolatada uma sentença condenatória ilíquida, antes de iniciar o cumprimento de sentença. Somente o título executivo judicial pode ser ilíquido, e portanto, necessitar de liquidação. Há casos em que o CPC veda sentença ilíquida: (art. 491, “in fine”) o Quando não for possível determinar, de modo definitivo, o montante devido; o Quando a apuração do valor devido depender da produção de prova de realização demorada ou excessivamente dispendiosa, assim reconhecida na sentença. Liquidação de sentença (CPC, arts. 509 a 512) (2/3) A liquidação de sentença tem por objetivo tornar líquido o título executivo judicial, uma vez que sem a apuração do valor do débito, não há como executar o devedor. Natureza da liquidação: decisão interlocutória de caráter declaratória, visto que limita-se a declarar o “quantum debeatur”, para possibilitar a execução. Recurso: contra o ato judicial que aprecia a liquidação é cabível agravo de instrumento (CPC, art. 1015, parágrafo único). Espécies de liquidação: (CPC, art. 509). Por arbitramento. De procedimento comum. Liquidação por cálculos não é uma espécie de liquidação, cabe ao exequente o ônus de elaborar a memória de cálculos discriminando do débito. Quando a apuração do valor depender apenas de cálculo aritmético, o credor poderá promover, desde logo, o cumprimento da sentença (CPC, art. 509, § 2º). Tipo especial previsto de liquidação previsto no Código de Defesa do Consumidor (CDC), na apuração do “quantum” devido às vítimas, quando proferida sentença condenatória genérica nas ações civis públicas para a defesa de interesses individuais homogêneos. Liquidação de sentença (CPC, arts. 509 a 512) (3/3) Liquidação de sentença pode anteceder o cumprimento de sentença provisória ou definitiva. A liquidação provisória ocorre quando do cumprimento de sentença que ainda não transitou em julgada, em decorrência de haver recurso pendente de julgamento no tribunal, e mesmo que este tenha sido recebido no efeito suspensivo (CPC, art. 512). A liquidação definitiva ocorre quando do cumprimento de sentença já transitada em julgada, com decisão imodificável. Liquidação provisória é feita por conta e risco do exequente, já que haverá o risco de reversão do julgamento, com a perda das despesas até então realizadas com a liquidação. A liquidação provisória se processa no juízo “a quo” por meio de autos suplementares, enquanto os autos principais estão no juízo “ad quem” para exame do recurso. A liquidação pode ser concluída e decidida, mas se dará a execução após o trânsito em julgado. Na fase de liquidação, é vedado rediscutir à lide ou modificar a sentença que julgou (CPC, art. 509, §4º). Fase de liquidação (1/2) Legitimidade para a liquidação: esta fase pode ser requerida pelo credor ou pelo devedor, tanto na liquidação provisória, quanto na liquidação definitiva. Quando requerida pelo autor-credor ou pelo réu-devedor, estes devem apresentar uma memória de cálculo do débito, de forma discriminada e constando os acréscimos de correção monetária, juros e outros fixados na condenação (CPC, art. 524). Na liquidação da sentença condenatória genérica proferida nas ações civis públicas, somente o credor será legitimado para requerer, visto que o devedor não terá condições de saber quem são as vítimas e quais os danos que cada um sofreu. o Natureza de decisão interlocutória de caráter constitutiva. Caberá sempre a manifestação da parte contrária a que apresentou os cálculos. Vedação de sentença ilíquida: ação de obrigação de pagar quantia, ainda que formulado pedido genérico, a decisão definirá a extensão da obrigação, o índice de correção monetária, a taxa de juros, termo inicial de ambos e a periodicidade da capitalização de juros, exceto quando: (CPC, art. 491) Não for possível determinar, de modo definitivo, o montante devido; A apuração do valor devido depender da produção de prova de realização demorada ou excessivamente dispendiosa, assim reconhecida na sentença Fase de liquidação (2/2) Quando o “quantum debetur” puder ser apurado por simples cálculos aritméticos não há necessidade da liquidação. Ao requerer a execução, cabe ao credor apresentar a memória discriminada de cálculo do débito, constando os itens da cobrança e os acréscimos de correção monetária, juros e outros fixados na condenação (CPC, art. 524). Poderá o devedor defender-se, após a garantia do juízo, por meio de objeções de pré-executividade ou impugnação (CPC, art. 524, §1º, “in fine”). A penhora será no valor que o juiz entender adequado, fixado no valor da condenação na sentença. Se houver dúvidas quanto aos cálculos, o juiz poderá valer-se de um contabilista, que terá o prazo máximo de 30 dias para apresentar os cálculos, exceto se outro lhe for determinado (CPC, art. 524, § 2º). Na hipótese dos cálculos dependerem de informações adicionais a serem apresentados pelo devedor ou por terceiros, mediante requerimento do juiz, no prazo de até 30 dias para cumprimento (CPC, art. 524, §§ 3º a 5º). Se descumprido pelo devedor, serão considerados corretos os cálculos apresentados pelo credor. Se descumprido por terceiro, poderá caracterizar crime de desobediência. Cálculo do contador A liquidação por arbitramento “é aquela que se presta à apuração do valor de um bem ou serviço” (GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil Esquematizado. 8ª. edição. São Paulo, 2017, p. 779). Não se discutem fatos novos. A liquidação por arbitramento se dá por meio (CPC, art. 509, I) da apresentação de pareceres e documentos pelas partes para apuração do valor do bem ou do valor do serviço, ou da nomeação de perito pelo juiz, que fixará prazo para entrega do laudo. o As partes serão intimadas da nomeação do perito, formular quesitos e indicar assistentes técnicos. o O procedimento previsto é o mesmo da prova pericial. Exemplo: ação de indenização correspondente a cobrança de aluguel decorrente de moradia indevida, em que foi proferida sentença procedente, cabendo ao perito verificar o valor do aluguel devido na região/bairro, para então a elaboração dos cálculos dos aluguéis não pagos. Diferençade unidades imobiliárias, sob regime de incorporação imobiliária, vinculados à execução da obra. § 1º - A impenhorabilidade não é oponível à execução de dívida relativa ao próprio bem, inclusive àquela contraída para sua aquisição. No entanto, não cabe a impenhorabilidade de imóvel que resida a família ao pagamento de débitos condominiais relativos ao próprio imóvel. § 2º - O disposto nos incisos IV e X do caput não se aplica à hipótese de penhora para pagamento de prestação alimentícia, independentemente de sua origem, bem como às importâncias excedentes a 50 (cinquenta) salários-mínimos mensais, devendo a constrição observar o disposto no art. 528, § 8º, e no art. 529, § 3º. Não prevalece sobre débitos alimentícios decorrentes do direito de família e de ato ilícito. O valor excedente a 50 salários mínimos pode ser penhorado por dívida de qualquer natureza. § 3º - Incluem-se na impenhorabilidade prevista no inciso V do caput os equipamentos, os implementos e as máquinas agrícolas pertencentes a pessoa física ou a empresa individual produtora rural, exceto quando tais bens tenham sido objeto de financiamento e estejam vinculados em garantia a negócio jurídico ou quando respondam por dívida de natureza alimentar, trabalhista ou previdenciária. Bens não sujeitos à execução (2/4) A Lei nº 8.009/90 incluiu ao rol de bens impenhoráveis o bem de família, imóvel residencial da família ou entidade familiar, por dívida de qualquer natureza, civil, comercial, fiscal ou previdenciária, salvo as exceções previstas no art. 3º da lei. O conceito de impenhorabilidade do bem de família se estende às pessoas solteiras, separadas ou viúvas (SSTJ 364). A impenhorabilidade abrange o terreno, a construção, as plantações, as benfeitorias de qualquer natureza e todos os equipamentos, inclusive os de uso profissional, ou móveis que guarnecem a casa, desde que quitados (Lei n. 8.009/90, arts. 1º, § 1º, e 2º, § único). Caso o devedor ofereça este bem à penhora, cessa a impenhorabilidade, visto que renunciou ao benefício. A impenhorabilidade do bem de família não é oponível à execução de dívida relativa ao próprio bem, inclusive àquela contraída para a sua aquisição. Exemplo: o Não pode opor a eventual impenhorabilidade de um imóvel que sirva de residência de família ao pagamento de débitos condominiais relativos ao próprio imóvel. o A vaga de garagem com matrícula própria no registro imóveis, que pode ser objeto de penhora autônoma (SSTJ 449). Bens não sujeitos à execução (3/4) Impenhorabilidade do bem de família convencional estabelecido por escritura pública ou testamento (CC, art. 1.711). A alegação de impenhorabilidade é matéria de ordem pública e, a qualquer tempo, pode ser conhecida de ofício pelo juiz ou pode ser requerida pela parte, por simples petição, ou por impugnação apresentada no cumprimento de sentença, ou por embargos na execução de título extrajudicial. Em regra, se a dívida contraída por um dos cônjuges ou companheiros, seja qual for o regime de bens, reverter em proveito do outro, ambos assumem a responsabilidade pelo pagamento do débito. Bens não sujeitos à execução (3/4) Apesar de não constarem no título executivo como devedor, terceiros poderão ter seus bens sujeitos à execução, são responsáveis patrimoniais secundários. Responsabilidade patrimonial de terceiro ocorre quando o devedor não tiver bens, ou eles não forem suficientes para a satisfação do credor, podendo a execução atingir o patrimônio de terceiros para satisfação do credor. Hipóteses de responsabilidade de terceiros (CPC, art. 790): “I - do sucessor a título singular, tratando-se de execução fundada em direito real ou obrigação reipersecutória; II - do sócio, nos termos da lei; III - do devedor, ainda que em poder de terceiros; IV - do cônjuge ou companheiro, nos casos em que seus bens próprios ou de sua meação respondem pela dívida; V - alienados ou gravados com ônus real em fraude à execução; VI - cuja alienação ou gravação com ônus real tenha sido anulada em razão do reconhecimento, em ação autônoma, de fraude contra credores; VII - do responsável, nos casos de desconsideração da personalidade jurídica”. Responsabilidade patrimonial de terceiros Hipótese de alienação da coisa litigiosa (CPC, art. 790, I): Ocorre quando, no curso do processo que versa sobre direito real ou obrigação reipersecutória, o devedor aliena a coisa a um terceiro, sendo que os efeitos da sentença irá abranger as partes e o terceiro adquirente ou cessionário (CPC, art. 109, § 3º). A alienação é ineficaz perante o credor e pode configurar fraude à execução, desde que a pendência do processo tenha sido averbada no respectivo registro público, se houver (CPC, art. 792, I). o São direitos reais: a propriedade, a superfície, as servidões, o usufruto, o uso, a habitação, o direito do promitente comprador do imóvel, o penhor, a hipoteca, a anticrese, a concessão de uso especial para fins de moradia, a concessão de direito real de uso e a laje (CC, art. 1.225). o Obrigação reipersecutória é obrigação que acompanha a coisa, devendo ser cumprida por quem quer que seja seu atual dono. Quando o dono aliena a coisa para terceiro, este terceiro passa a ter que cumprir a obrigação, justamente porque ela acompanha a coisa aonde quer que ela vá. Responsabilidade do sucessor a título singular Em regra, pelas dívidas da empresa responde o patrimônio desta, não atingindo os bens dos sócios. Apesar de os bens da pessoa jurídica não se comunicar com os bens particulares dos seus sócios, há situações em que os bens do sócio podem responder pela execução, caso a sociedade não apresente bens para a satisfação do débito. Mesmo não figurando no polo passivo da execução, o sócio poderá assumir a posição de devedor principal, uma vez declarada a desconsideração da personalidade jurídica da empresa (corresponsabilidade), desde que a empresa não tenha patrimônio suficiente para a satisfação do credor (CPC, arts. 133 a 137). Presentes os elementos configuradores da desconsideração da personalidade jurídica, o juiz estenderá a responsabilidade patrimonial aos sócios, que passarão a responder pelo débito da empresa com os seus bens particulares. Responsabilidade dos sócios – Desconsideração da personalidade jurídica (1/2) A teoria da desconsideração da personalidade jurídica está enunciada no CC, art. 50: “Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso”. Se entre as partes observar relação de consumo aplica-se o CDC, art. 28: “O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração”. Necessário ingressar com o incidente de desconsideração de personalidade, pois se trata de intervenção de terceiro, observando para o seu processamento o disposto no CPC, arts. 133 a 137. Penhorado bem particular do sócio para satisfazer dívida da empresa, este poderá opor embargos de terceiro. Responsabilidade dos sócios – Desconsideração da personalidade jurídica (2/2) Bens do executado em poder de terceiros (CPC, art. 790, III). Não se trata de responsabilidade patrimonial de terceiro, mas sim do próprio devedor,cujos bens estão em poder de terceiro e ficam sujeitos à execução. Bens do cônjuge ou companheiro: Há débito contraído por ambos os cônjuges ou companheiros, quando ambos são devedores com responsabilidade primária pelo pagamento da dívida (corresponsabilidade). Há débito contraído por um dos cônjuges ou companheiros, de quem será a responsabilidade? o Em regra, um cônjuge ou companheiro só tem responsabilidade pelas dívidas contraídas pelo outro se elas tiverem revertido em proveito do casal ou da família. o Há presunção, seja qual for o regime de bens, de que a dívida de um dos cônjuges ou companheiros reverte em proveito do outro, salvo quando decorrente de atos ilícitos. o Essa presunção é relativa, podendo ser afastada se o cônjuge ou companheiro provar que não contraiu a dívida e que não se beneficiou, cabendo se defender por meio de embargos de terceiro, requerendo a liberação da meação. Bens do executado em poder de terceiros e bens do cônjuge ou companheiro No caso de fraude à execução, o adquirente ou cessionário não responderá pela dívida, mas o bem a ele transferido ficará sujeito à execução. O bem poderá ser penhorado apesar de ter sido alienado para terceiro. Fraude à execução é instituto do direito processual civil que constitui ato atentatório à dignidade da justiça, vez que atenta contra o bom funcionamento do Poder Judiciário. Fraude contra credores ofende o direito dos credores. Alienados ou gravados com ônus real em fraude à execução Fraude contra credores Fraude à execução O devedor se desfaz de bens do seu patrimônio, tornando-se insolvente. Gera a ineficácia do negócio jurídico fraudulento perante o credor. Exige comprovação da má-fé do adquirente (CC, art. 161; SSTJ 375). Instituto de direito material. Instituto do direito processual civil, previsto no CPC, art. 792. A alienação do bem ocorre quando ainda não havia ação em curso. A alienação do bem ocorre na existência de ação em curso, no processo de conhecimento ou de execução. Antes da citação no processo de conhecimento ou no processo de execução. Após a citação no processo de conhecimento ou no processo de execução. Defeito do negócio jurídico. Ato atentatório à dignidade da justiça. Semelhanças e diferenças entre fraude contra credores e fraude à execução (1/2) Fraude contra credores Fraude à execução Dívida já existente, mas não há ação judicial. O credor já ajuizou ação judicial contra o devedor, e este já foi validamente citado, quando da alienação do bem (CPC, art. 240). Ineficácia contra o credor, a qual deve ser reconhecida em ação própria: ação pauliana. Ação pauliana tem natureza declaratória de ineficácia, constando no polo passivo o alienante e o adquirente. A ineficácia contra o credor é reconhecida nos próprios autos da ação na execução, declarando a ineficácia retroativa de todas as alienações ocorridas desde a citação na fase de conhecimento. A fraude contra credores pode ser declarada em ação própria, chamada ação pauliana. O credor pode postular o reconhecimento de fraude à execução nos próprios autos do processo em curso e em embargos de terceiro (SSTJ 195). Semelhanças e diferenças entre fraude contra credores e fraude à execução (2/2) OBRIGADA E ATÉ A PRÓXIMA!cujos bens estão em poder de terceiro e ficam sujeitos à execução. Bens do cônjuge ou companheiro: Há débito contraído por ambos os cônjuges ou companheiros, quando ambos são devedores com responsabilidade primária pelo pagamento da dívida (corresponsabilidade). Há débito contraído por um dos cônjuges ou companheiros, de quem será a responsabilidade? o Em regra, um cônjuge ou companheiro só tem responsabilidade pelas dívidas contraídas pelo outro se elas tiverem revertido em proveito do casal ou da família. o Há presunção, seja qual for o regime de bens, de que a dívida de um dos cônjuges ou companheiros reverte em proveito do outro, salvo quando decorrente de atos ilícitos. o Essa presunção é relativa, podendo ser afastada se o cônjuge ou companheiro provar que não contraiu a dívida e que não se beneficiou, cabendo se defender por meio de embargos de terceiro, requerendo a liberação da meação. Bens do executado em poder de terceiros e bens do cônjuge ou companheiro No caso de fraude à execução, o adquirente ou cessionário não responderá pela dívida, mas o bem a ele transferido ficará sujeito à execução. O bem poderá ser penhorado apesar de ter sido alienado para terceiro. Fraude à execução é instituto do direito processual civil que constitui ato atentatório à dignidade da justiça, vez que atenta contra o bom funcionamento do Poder Judiciário. Fraude contra credores ofende o direito dos credores. Alienados ou gravados com ônus real em fraude à execução Fraude contra credores Fraude à execução O devedor se desfaz de bens do seu patrimônio, tornando-se insolvente. Gera a ineficácia do negócio jurídico fraudulento perante o credor. Exige comprovação da má-fé do adquirente (CC, art. 161; SSTJ 375). Instituto de direito material. Instituto do direito processual civil, previsto no CPC, art. 792. A alienação do bem ocorre quando ainda não havia ação em curso. A alienação do bem ocorre na existência de ação em curso, no processo de conhecimento ou de execução. Antes da citação no processo de conhecimento ou no processo de execução. Após a citação no processo de conhecimento ou no processo de execução. Defeito do negócio jurídico. Ato atentatório à dignidade da justiça. Semelhanças e diferenças entre fraude contra credores e fraude à execução (1/2) Fraude contra credores Fraude à execução Dívida já existente, mas não há ação judicial. O credor já ajuizou ação judicial contra o devedor, e este já foi validamente citado, quando da alienação do bem (CPC, art. 240). Ineficácia contra o credor, a qual deve ser reconhecida em ação própria: ação pauliana. Ação pauliana tem natureza declaratória de ineficácia, constando no polo passivo o alienante e o adquirente. A ineficácia contra o credor é reconhecida nos próprios autos da ação na execução, declarando a ineficácia retroativa de todas as alienações ocorridas desde a citação na fase de conhecimento. A fraude contra credores pode ser declarada em ação própria, chamada ação pauliana. O credor pode postular o reconhecimento de fraude à execução nos próprios autos do processo em curso e em embargos de terceiro (SSTJ 195). Semelhanças e diferenças entre fraude contra credores e fraude à execução (2/2) OBRIGADA E ATÉ A PRÓXIMA!