Prévia do material em texto
Processos Psicológicos Básicos LINGUAGEM Profa. Dra. Ana Carolina Gallo Participação: Matheus A linguagem é a capacidade que os seres humanos têm para produzir, desenvolver e compreender a língua. Por meio dela, os seres humanos expressam sentimentos, constroem pensamentos, interagem com o ambiente e com outros indivíduos. Já a língua é um conjunto organizado de elementos (sons e gestos) que possibilitam a comunicação. O desenvolvimento da linguagem é um dos fatores mais determinantes para a formação da psique humana, pois é através da linguagem que o sujeito passa a pensar, se reconhecer, se relacionar e simbolizar o mundo. A linguagem não é apenas um meio de comunicação: ela é estrutura e expressão da vida psíquica. O DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM De 0 a 2 meses: o bebê se comunica por meio do choro, para a satisfação de suas necessidades básicas. Seus eventuais sorrisos são meros reflexos. De 2 a 4 meses: a criança emite gritos e vocalizações, sorri ao interagir com pessoas e começa a ficar atenta aos sons ao seu redor. De 4 a 6 meses: inicia o balbucio, que é o brincar com a voz, empregando entonações e intensidades variadas, além de movimentar a cabeça, para localizar os sons. De 6 a 8 meses: começa a pronunciar vogais e consoantes sequenciais, ainda sem significado. Já é capaz de localizar sons e atender ao chamado pelo nome. De 12 a 18 meses: inicia a produção de vocábulos isolados, com significado. Consegue localizar os sons que vêm de cima. De 18 meses aos 2 anos: desenvolve um vocabulário com cerca de 50 palavras e é capaz de manter um pequeno diálogo. De 2 a 3 anos: acumula cerca de 200 a 400 palavras em seu repertório, elaborando pequenas histórias. Identifica os sons vindos de todos os cantos e representa as atividades diárias em forma de brincadeiras. De 3 a 4 anos: com vocabulário extenso, a criança sustenta frases mais longas, com cerca de seis palavras, no passado, presente ou futuro. Mantém diálogos e histórias mais detalhados. Ainda se pode esperar trocas e dificuldades na fala, mas a comunicação já deve ser de fácil compreensão. De 4 a 5 anos: deverá ser capaz de pronunciar, adequadamente, todos os fonemas. As histórias são contadas com detalhes, com noção de tempo e espaço. FASE PRÉ-LINGUÍSTICA Do nascimento ao primeiro mês, o som mais comum que um bebê faz é o choro. Esse repertório de sons se amplia em cerca de 1 ou 2 meses com a adição de algumas risadas e o som repetitivo de vogais, como “aaaaaaa”. Os sons de consoantes aparecem apenas em torno dos 6 ou 7 meses, quando pela primeira vez o bebê tem o controle muscular necessário para combinar o som de uma consoante com o de uma vogal. Dos 6 meses em diante, há o balbucio, que envolve cadeias repetitivas das mesmas sílabas, como “dadadada” ou “nananana”. O balbucio é uma parte importante da preparação para a linguagem falada. Próximo ao final do primeiro ano, o bebê adquire também uma linguagem gestual. Apontar é o gesto mais comum entre os bebês, e costumam aparecer combinados ao balbucio. Essa linguagem receptiva possibilita o bebê a adquirir um repertório de significados, e é em algum ponto no meio do balbucio que as primeiras palavras aparecem, normalmente em torno dos 12 ou 13 meses. PRIMEIRAS PALAVRAS As palavras são definidas como um conjunto de sons usados para se referir a alguma coisa, ação ou qualidade. E com os bebês não é diferente. No entanto, não devemos nos espantar se as primeiras palavras não tiverem o significado comum. Brenda, uma menina estudada por Ronald Scollon (1976) usou o som nenê como uma de suas primeiras palavras. Ela parecia significar, sobretudo, comida líquida, pois era utilizada para referenciar leite, suco e mamadeira. Em algum ponto entre os 16 e os 24 meses, após o lento período inicial de aprendizagem de palavras, a maioria das crianças começa a acrescentar palavras novas rapidamente, como se tivessem entendido que as coisas têm nomes. PRIMEIRAS FRASES Quando enfim uma criança consegue articular duas palavras para formar uma frase, rapidamente passam por uma série de passos e estágios. As primeiras fases do desenvolvimento da linguagem, que Roger Brown chamou de gramática de estágio 1, são caracterizadas por palavras curtas e simples, e há o uso simples de substantivos, verbos e adjetivos, mas inflexões linguísticas (marcadores puramente gramaticais) são predominantemente ausentes. É neste estágio que a criança adquire a fala telegráfica, pois são formadas apenas por palavras essenciais. FALA TELEGRÁFICA A COMPREENSÃO DA LINGUAGEM PRECEDE A PRODUÇÃO DELA É um marco importante para avaliar o desenvolvimento da linguagem e identificar possíveis atrasos ou alterações na estrutura sintática. Comum entre 1 ano e meio e 3. Ex.: Comer pão A GRAMÁTICA Assim como a explosão do vocabulário apresenta início lento, uma explosão da gramática acontecerá após vários meses de frases curtas e simples. A criança começa a dar pistas dessa mudança quando as suas frases começam a ficar mais longas. A maioria das crianças de 12 a 20 meses ainda usa frases de uma e duas palavras. Aos 24 meses as crianças incluem quatro e cinco palavras em suas frases mais longas. SUPERGENERALIZAÇÃO Aos 3 anos as crianças aprendem a formar plurais acrescentando um “s” ao nome e, também, aprendem a formar o pretérito acrescentando “ou” aos verbos. Essa habilidade acarreta erros porque elas tendem a aplicar regras inflexivelmente. Nessa supergeneralização elas empregam as regras a tudo. ex,: ele caminhou; ela aplica a escrever ele escrivinhou. Era 4 de novembro de 1970 quando uma assistente social descobriu que Genie Wiley de apenas 14 anos estava sendo mantida em cativeiro pelo seu pai, esquizofrênico. Ao longo do tempo vários cientistas estudaram Genie, notou-se então avanços em seu desenvolvimento mental e psicológico geral. Em poucos meses, ela desenvolveu habilidades de comunicação não verbal e gradualmente aprendeu algumas habilidades sociais básicas, mas mesmo no final do estudo do caso, ela ainda exibia muitos traços comportamentais característicos de uma pessoa não socializada. Ela também continuou a aprender e usar novas habilidades linguísticas ao longo do tempo em que a testaram, mas, no final das contas, permaneceu incapaz de adquirir um primeiro idioma por completo. O PERÍODO CRÍTICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM A base biológica para o argumento do período crítico foi estabelecida por Lenneberg (1967), que observou que crianças que sofriam lesões cerebrais antes da puberdade conseguiam recuperar a linguagem com mais facilidade do que adultos, sugerindo maior plasticidade cerebral nessa fase. A janela biológica de tempo, geralmente dos primeiros anos de vida (do nascimento até cerca dos 6-7 anos), durante a qual a exposição à linguagem é essencial para que a criança desenvolva plenamente suas capacidades linguísticas — tanto na compreensão quanto na produção da fala. CASO DE ISOLAMENTO LINGUÍSTICO A menina Isabelle, isolada com sua mãe surda desde seu nascimento e encontrada aos 6 anos de idade. Quando encontrada, a menina também não falava, apenas emitia alguns sons (ROSA, 2010) . Após uma semana do resgate, Isabelle começou a vocalizar; Aos 7 anos, a menina já falava como uma criança de 7 anos de idade. COMO ISSO FOI POSSÍVEL? Ela foi exposta a uma língua ainda dentro do período crítico. Lenneberg (1967), em sua pesquisa dedicada aos casos de afasia traumática, isto é, casos que foram frutos de um traumatismo no cérebro, centrou-se nos padrões da recuperação da fala, o qual foi analisado pelo autor a partir de três categorias. A primeira observação é a de que se esta lesão cerebral ocorre em crianças em período inicial de aprendizagem (2 -3 anos), o que se percebe na recuperação é que a criança reinicia novamente o processo de aquisição, fazendo um caminho mais rápido e atingindo proficiência ótima em curtotempo. Porém, se a lesão ocorrer em crianças com aproximadamente 4 anos de idade até o início da puberdade, nota-se que ocorre um processo de restauração e não mais um reinício de seu processo de aquisição onde a recuperação passa a ser mais lenta e por um longo tempo indeterminado. Contudo, se a afasia cerebral ocorrer ao final da puberdade ou já em fase adulta, a restauração do sistema passa a ser restrita, ocasionando “danos” irreversíveis. ATIVIDADES PARA DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM Ler juntos Cantar canções Brincar com dedoches ou marionetes Contar histórias para os bonecos Conversar muito Slide 1: Processos Psicológicos Básicos LINGUAGEM Slide 2 Slide 3 Slide 4: O DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM Slide 5 Slide 6 Slide 7: FASE PRÉ-LINGUÍSTICA Slide 8: PRIMEIRAS PALAVRAS Slide 9: PRIMEIRAS FRASES Slide 10: FALA TELEGRÁFICA Slide 11: A GRAMÁTICA Slide 12: SUPERGENERALIZAÇÃO Slide 13 Slide 14: O PERÍODO CRÍTICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM Slide 15: CASO DE ISOLAMENTO LINGUÍSTICO Slide 16 Slide 17: ATIVIDADES PARA DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM