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FACULDADE MAURÍCIO DE NASSAU UNIDADE FORTALEZA CURSO DE GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA MARIA EDIVANIA MARTINS DA SILVA O PROCESSO DE PERDAS E LUTO NO CONTEXTO HOSPITALAR Fortaleza – Ceará 2025 MARIA EDIVANIA MARTINS DA SILVA TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO I Trabalho de conclusão de curso I exigido pelo curso de graduação em Psicologia do Centro Universitário Maurício de Nassau – Parangaba, como requisito final de avaliação da disciplina TCC I. Orientador: Prof. Francisco Doonon Vieira Franco Fortaleza – Ceará 2025 RESUMO A elaboração desta pesquisa partiu de uma experiência pessoal com a hospitalização de um ente. O estudo traz à tona as vivências e observações durante o processo de hospitalização e os sentimentos que emergiram diante da doença e do luto, como também compreender os processos do luto, suas implicações e influências. As pessoas desenvolvem diversas fases após uma perda importante em suas vidas contidas na dor e no sofrimento. Ressalta-se a importância e o trabalho do psicólogo hospitalar como o de catalisador das aflições sustentadas pelos pacientes e familiares, possibilitando a estes um espaço onde o sujeito possa ser considerado além de sua patologia. PALAVRAS-CHAVE: Luto; Perdas; Processo de hospitalização. ABSTRATC This research was developed based on a personal experience with the hospitalization of a loved one. The study brings to light the experiences and observations during the hospitalization process and the feelings that emerged in the face of illness and grief, as well as understanding the processes of grief, its implications and influences. People develop different phases after a significant loss in their lives, contained in pain and suffering. The importance and work of the hospital psychologist as a catalyst for the afflictions sustained by patients and family members is highlighted, providing them with a space where the subject can be considered beyond their pathology. KEYWORDS: Grief; Losses; Hospitalization process. SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO................................................................................................................… 2. PROBLEMATIZAÇÃO……………………………………………………………………………… 3. OBJETIVO GERAL……………………………………………………………………………… 3.1. OBJETIVOS ESPECÍFICOS 4. JUSTIFICATIVA………………………………………………………………………………….. 5. REFERENCIAL TEÓRICO......................................................................................………. 6. METODOLOGIA………………………………………………………………………………… 7. RECURSOS UTILIZADOS……………………………………………………………………. 8. CRONOGRAMA………………………………………………………………………………… 9. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS…………………………………………………………. 10. ANEXOS(VERIFICAR) 1. INTRODUÇÃO De acordo com Mello¹ (2004), o hospital é considerado um “estabelecimento de saúde destinado a prestar assistência médica e hospitalar a pacientes em regime de internação”. Ao ler esta definição, a pessoa que nunca vivenciou o processo de hospitalização não consegue ver a dimensão que o ambiente hospitalar pode assumir em sua vida. Ao chegar no hospital para um processo de hospitalização o sujeito adoecido, necessita adaptar-se a um novo estilo de vida e, embora as necessidades biológicas e orgânicas precisem ser prontamente atendidas, as questões psicológicas deverão ser consideradas simultaneamente.² (Goidanich & Guzzo, 2012). Cada paciente reage e enfrenta o processo de internação hospitalar de maneira diferente. No entanto, é possível descrever algumas experiências que, geralmente, o paciente que está inserido neste contexto vivência, a internação em quarto coletivo é um exemplo, reforçando a ideia de que o ambiente hospitalar é invasivo e despersonalizante. Além disso, durante a internação é necessário lidar com a espera, pois é preciso esperar pelo medicamento, pela hora de tomar banho, pela alimentação, pela visita do médico, pelo horário de receber a visita dos familiares, o que compromete a autonomia e a tomada de decisões. Por fim, o paciente necessita conviver com a separação da família, da casa, do trabalho e dos demais fatos relacionados à sua vida.² Goidanich e Guzzo (2012) destacam as separações e os rompimentos nas relações afetivas como algo inerente à hospitalização, em muitos casos estas separações são fatores que desestabilizam o paciente e sua família. Também compreendido no processo da hospitalização, o sujeito adoecido depara-se com diferentes formas de perdas, ou seja, a própria internação hospitalar é considerada um processo de perda. Conforme Simonetti ³ (2004), estas perdas podem ser destacadas como imaginárias ou reais. Compreende-se que as imaginárias estão relacionadas com a perda nas relações afetivas sociais e, em alguns casos, alterações na funcionalidade do corpo. Por outro lado, as reais são constituídas pela perda de algum órgão ou membro, perda financeira relacionada ao custo da hospitalização, perda temporária do emprego devido às faltas, perda da autonomia, entre outras. Luto “é o trabalho pessoal, individual para se reacomodar a uma vida diferente após a perda de alguém ou algo muito valorizado, de reaprender o mundo, irreversivelmente transformado sem ele/a”. (JARAMILLO, 2006, p.198). Segundo Worden (2013), o luto pode ser compreendido como um “tempo necessário para o enlutado retornar a um estado similar de equilíbrio” (p.25). Perder um ente querido é uma experiência indescritível que viabiliza mudanças e que requer adaptação a uma nova forma de ser no mundo, agora com a ausência do ente que morreu. Fukumitsu (2004), faz uma analogia do processo de luto ao processo de cicatrização. Descreve que a perda de alguém ou algo significativo pode ser considerada uma ferida existencial, que pode ser curada, porém, não esquecida. A autora refere-se ao luto como uma crise potencial em determinado momento da vida, como um se ajustar às perdas. Nesse sentido, o luto no qual um indivíduo vivencia pode ser entendido como um momento em que a existência precisa de reorganização. A Psicologia Hospitalar realiza atividades como: atendimento psicoterapêutico; grupos psicoterapêuticos; atendimentos em ambulatório e unidade de terapia intensiva; pronto atendimento; enfermarias em geral; psicomotricidade no contexto hospitalar; avaliação diagnóstica; psicodiagnóstico; consultoria e Inter consulta. Envolvendo assim um grande número de especialistas. Nesse contexto, supõe-se que esses profissionais são preparados para tomar decisões em curto espaço de tempo. (Tonetto, Gomes, 2007). Sendo assim, a psicologia hospitalar não se estende apenas às doenças psíquicas, mas aos pontos de vista psicológicos da doença. Pois na doença a subjetividade é encontrada e o trabalho da psicologia pode ser conveniente,³ (SIMONETTI, 2016.). Esta pesquisa se justifica por buscar a compreensão dos aspectos emocionais que envolvem o enfrentamento das perdas e do luto dos pacientes hospitalizados, e seus familiares, durante a hospitalização de um ente querido consegue observar e vivenciar situações de perda que resultam em processos de luto e que muitas vezes foram invalidados e/ou não reconhecidos. O objetivo dessa pesquisa é promover estudos sobre o tema para que possa ser ampliado a visibilidade para as pessoas que estão inseridas nesse contexto, bem como promover diálogos sobre as questões dele emergentes e contribuir com a construção de intervenções direcionadas a esse público, em busca de entender como esses pacientes se setem nesse processo. 2. PROBLEMATIZAÇÃO Quais os processos enfrentados pelas pessoas hospitalizadas? Relato meu caso? Abaixo deixei algumas falas e duvidas. Que tipo de sentimentos as permeiam nestes processos? Relato meu caso? Abaixo deixei algumas falas eduvidas. Qual papel da psicologia hospitalar na vida das pessoas que passam pelo processo de perdas e luto? A Psicologia Hospitalar é o campo de tratamento dos aspectos psicológicos em torno do adoecimento visando à minimização do sofrimento provocado pela hospitalização. (SIMONETTI, 2006). É importante evidenciar que a psicologia hospitalar visa ter um olhar como um todo para o paciente, ou seja, não faz dicotomia entre causas psicogênicas versus causas orgânicas. O psicólogo neste contexto voltará o seu olhar para os aspetos psicológicos da doença, visto que todo adoecimento encontra-se repleto de subjetividade, (MORETO E SIMONETTI, 2006). Não existe um sujeito e uma doença separados, mas um ser único que adoece, e que se revela na sua vivência particular. A psicologia hospitalar enfatiza a parte psíquica, mas não diz que a outra parte não é importante, pelo contrário, perguntará sempre qual a reação psíquica diante dessa realidade orgânica, qual a posição do sujeito diante desse real da doença, e disso fará seu material de trabalho. (SIMONETTI, 2006,pág.16). Ao se deparar com os aspetos psicológicos que se encontra a doença, a psicologia se depara com diversas manifestações psíquicas da subjetividade humana, tais como: sentimentos, desejos, pensamentos, comportamentos, fantasias, lembranças, estilos de vida, os planos para a saída do hospital, os medos principalmente o medo da morte, o modo de adoecimentos que é único de cada ser. Esses aspectos estão sendo permeados por todo o contexto da doença, como um envoltório ao adoecimento, muitas vezes podem aparecer como causa da doença, como desencadeador do processo patogênico, e ainda como agravante do quadro clínico. Mesmo verificando que a Psicologia Hospitalar nasceu da Psicossomática e da Psicanálise, atualmente se percebe uma ampliação de seu campo conceitual e sua prática clínica, com isto está se criando uma identidade diferente. Este conceito é comum entre vários autores. (EKSTERMAN, 1992; MORETO, 1983; ANGERAMI, 2000;SEBASTIANI, 1996; CHIATTONE, 2000 E SIMONETTI, 2006). No hospital, o psicólogo tem uma função ativa e real, sua atuação se dá ao nível de comunicação, reforçando o trabalho de adaptação do paciente e familiar ao enfrentamento do processo de hospitalização, a atuação se direciona em nível de apoio, atenção, compreensão, suporte ao tratamento, clarificação dos sentimentos, esclarecimentos sobre a doença e fortalecimento dos vínculos familiares. Na atuação do psicólogo é encontrado diversos tipos de solicitações como: preparação do paciente para procedimentos cirúrgicos (pré e pós-operatório), exames, auxílio ao enfrentamento da doença e seu tratamento, atenção aos transtornos mentais associados à patologia, acompanhamento familiar do caso clínico, tornando o paciente e a família ativa no processo de adoecimento e hospitalização, como também em casos de cuidados paliativos. Psicólogo e paciente conversam, e essa conversa é a porta de entrada para o mundo de significados e sentidos, que permeiam com o processo em que o paciente se encontra, o psicólogo deve estar atentamente presente nesse momento, repeitando os limites do paciente, agindo sempre com ética. O ambiente hospitalar apesar de ser um local de atendimento clínico, não é um local reservado, muitas vezes o psicólogo faz seu papel ali mesmo no leito em quartos com mais pessoas internadas, com isso o ambiente nem sempre é o mais seguro, e por muitas vezes invasivo, existem outros pacientes, acompanhantes no quarto, a equipe médica muitas vezes precisa intervir para aplicação de medicação ou outros procedimentos padrão, dificultando a escuta e o trabalho da psicologia. O que interessa a psicologia hospitalar não é a doença em si ou o quadro clínico, mas a relação que o doente tem com sua patologia, ou seja, é o destino do sintoma, o que o paciente faz com a sua doença, o significado que lhe traz, e só podemos enxergar a isso pela linguagem, pela palavra, pela expressão que só o paciente pode nos falar. A conversa que o psicólogo proporciona ao paciente não é uma conversa comum. E sim, assimétrica, ou seja, o paciente fala mais que o psicólogo, e é exatamente o silêncio dessa escuta que dá peso, consequência e significado as palavras. E importante que seja assim, pois no hospital há muitas pessoas querendo dizer ao paciente o que ele tem de fazer, retirando sua autonomia com conselhos, estimulando, mas nem sempre há alguém, além do psicólogo, querendo escutar o que ele tem a dizer. Muitas vezes é angustiante ouvir o que uma pessoa doente tem a dizer; são temores, dores, revoltas, fantasias, expectativas que mobilizam muitas emoções no ouvinte. E é aí que entra a especificidade do psicólogo: nenhum outro profissional foi treinado para escutar como ele.(SIMONETTI, 2006, pág. 24) Ao escutar, o psicólogo sustenta a angústia do paciente o tempo suficiente para que ele, o paciente, possa refletir e assim realizar a elaboração simbólica de suas perdas e dores. A maioria dos outros profissionais, a família e os amigos, por não suportarem ver o paciente naquela situação, não conseguem lhe prestar esse serviço e querem logo apagar, ne gar, destruir, ou mesmo encobrir a angústia. Mas a angústia não se resolve, se dissolve gradativamente em palavras. O psicólogo mantém a angústia do paciente na sua frente para que ele possa falar dela, simbolizá-la, dissolvê-la.(SIMONETTI, 2006, pág. 24-25). É aí então que entra em cena o psicólogo, que se oferece para escutar este sujeito adoentado a falar de si, da doença, da vida ou da morte, do que pensa, do que sente, do que teme, do que deseja, do que ele quiser falar. O psicólogo hospitalar participa deste momento como ouvinte privilegiado, e não como um guia. Por fim, o foco da psicologia hospitalar é o aspecto psicológico em torno do adoecimento, A psicologia hospitalar considera o ser humano em sua globalidade e integridade, única em suas condições pessoais, com seus direitos humanamente definidos e respeitados. Além de considerar essas pessoas individualmente, a psicologia hospitalar também se ocupa das relações entre elas, constituindo-se assim numa verdadeira ligação entre pacientes, familiares e equipe médica. (SIMONETTI, 2006) RELATO DE EXPERIÊNCIA PESSOAL (cabe aqui relatar a minha vivência?) (Duvidas)Posso descrever algumas falas da minha tia? (falas em que ela comentou como estava se sentindo ou o que faria ao sair dali, das vezes em que demostrou medo da morte, dos dias difíceis, das visitas, de como se sentia sozinha, da esperança e planos que tinha ao vencer a doença, do trabalho e da família que deixou em casa, de como seria o durante e o pôs transplante, de como se sentia invalidada e sem poder tomar decisões, do ambiente invasivo sem privacidade, das dores e de como os profissionais a tratavam sempre ao fazer um novo acesso ou tirar sangue, da quantidade de bolsas e plaquetas que tomou até a decisão de não contar mais, do dia em que foi informada que entraria em cuidados paliativos (nesse dia o médico perguntou para ela se a equipe de cuidados paliativos passou lá, sem se quer dar nenhuma informação ou explicar i que seria, ela relatou muito medo e falou sobre morte), da felicidade em cortar o cabelo que era algo que ela queria e não conseguia por estar internada, de como ela ficava feliz ao receber minha visita. 3. OBJETIVO GERAL Promover estudos sobre o processo de perdas e luto no contexto hospitalar. 3.1. OBJETIVO ESPECIFICO Compreender as perdas e luto vivenciados no processo de hospitalização. Observar os processos enfrentados pelas pessoas que vivem nesse ambiente. Identificar as contribuições da psicologia hospitalar nesse contexto. 4. JUSTIFICATIVA A justificativa dessa pesquisase deu por uma experiência pessoal vivida, ao viver esse processo desde a descoberta da doença, hospitalização e perda da minha tia percebi e consegui observar diversas dores, medos, inseguranças que ela como paciente passou e eu como família também vivenciei. Acredito que as pessoas não preparadas para viver esse contexto tão devastador que é ver um ente querido aos poucos indo embora, mesmo que a finitude seja natural da vida é doloroso o processo de perdas dentro do hospital, se perde a identidade, a autonomia, a privacidade, passa a ser totalmente dependente de outras pessoas. Sem falar que nos como família e também a equipe médica quer fazer tudo para acabar com aquele sofrimento, porém nem tudo é possível, foram diversos tipos de tratamentos sem sucesso até chegar o momento em que não havia mais saída e então só restava esperar e acreditar que algum milagre podesse acontecer. Esse tema é muito importante para a sociedade compreender o quão o processo de perdas e luto dentro do hospital é frágil, e difícil de lidar.