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BIOFÍSICA E 
FISIOLOGIA
Gustavo Leite Camargos
Audição e equilíbrio
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Reconhecer os componentes da orelha externa, média e interna.
 � Explicar as funções das estruturas que formam a orelha externa, média 
e interna.
 � Descrever as vias neurais auditivas desde as células ciliadas até o 
córtex auditivo.
Introdução
O sistema auditivo é capaz de captar estímulos sonoros e realizar a sua 
transformação em um estímulo químico que será percebido e proces-
sado pelo encéfalo. Porém, para que isso ocorra, são necessárias várias 
estruturas e etapas de captação de transdução.
Neste capítulo, você vai aprender quais são as divisões da orelha, 
bem como as estruturas localizadas em cada parte, e irá conhecer o 
papel funcional de cada uma dessas estruturas e como as informações 
auditivas, depois de terem sido transformadas em potencial elétrico, são 
conduzidas até o Sistema Nervoso Central.
Componentes da orelha externa, 
média e interna
A audição é um sentido que permite captar estímulos sonoros, necessitando, 
para isso, de uma estrutura devidamente organizada, como é o caso das orelhas. 
Estas podem ser divididas em externa, média e interna (Figura 1), sendo que, 
nessa última (interna), estão localizados os componentes neurais desse órgão 
sensorial. Além disso, é na orelha interna que está o aparelho vestibular, o qual 
é responsável pelo equilíbrio corporal (SILVERTHORN, 2017; WIDMAIER; 
RAFF; STRANG, 2017).
Figura 1. Estruturas anatômicas da orelha nas porções externa, média e interna.
Fonte: Silverthorn (2017, p. 330).
Orelha média Orelha internaOrelha externa
A orelha (aurícula)
direciona as
ondas sonoras
para dentro
do meato.
Janela oval
(janela do vestíbulo)
Nervos
Para a
faringe
Tuba auditiva
(tuba de Eustáquio)
Membrana
timpânica
Janela redonda
(janela da cóclea)
Estribo
Bigorna
Martelo
Canais
semicirculares
Meato acústico externo
(canal auditivo)
Aparelho
vestibular
Cóclea
A janela oval (do vestíbulo) e a janela redonda (da cóclea) 
separam a orelha interna, preenchida com líquido, da orelha 
média, que contém ar.
Orelha externa
Esta é a parte mais externa das orelhas. Trata-se de uma região chamada de 
aurícula que é constituída de cartilagem e coberta por pele e que serve como 
uma concha acústica. Ela é responsável por captar os estímulos sonoros, 
conduzindo-os em direção ao meato acústico externo (canal auditivo), um 
canal de aproximadamente 2,5 cm que termina na membrana timpânica 
(tímpano) (SILVERTHORN, 2017; WIDMAIER; RAFF; STRANG, 2017). 
No meato acústico externo, principalmente na sua porção inicial, estão os 
pelos, as glândulas sebáceas e as ceruminosas (glândulas sudoríparas adapta-
das). Essas estruturas são importantes, pois impedem que alguns componentes, 
como poeira, objetos e até mesmo alguns insetos, penetrem no interior da 
orelha (BOER, 2017). O tímpano separa a orelha externa da orelha média e é 
recoberto por um epitélio que é ricamente constituído de tecido conectivo, o 
qual é composto por colágeno e elastina, de modo a formar uma lâmina fina 
e semitransparente. 
Audição e equilíbrio2
Orelha média
Logo após o tímpano, encontra-se a orelha média, que é uma cavidade preen-
chida com ar que está localizada no osso temporal do crânio. Ela se conecta 
diretamente à faringe por intermédio da tuba auditiva (trompa de Eustáquio). 
Normalmente, a tuba auditiva se encontra colapsada, isolando a orelha média, 
porém, movimentos musculares, como os que ocorrem durante a mastigação, a 
deglutição, o bocejo e o espirro, são capazes de promover a sua abertura, o que 
permite que a pressão da orelha média se equilibre com a pressão atmosférica. 
Quando ocorre modificação da altitude de forma súbita, por exemplo, pode 
haver uma maior pressão fora da orelha, gerando uma distensão da membrana 
timpânica, o que pode provocar dor. O simples fato de bocejar ou realizar o 
movimento de deglutição é capaz de restaurar a pressão na orelha média.
Ainda na orelha média, encontram-se os três ossículos da audição que têm 
ligações articulares entre si e estão aderidos à orelha média por ligamentos 
suspensores. Além disso, dois músculos estriados esqueléticos importantes 
são localizados nela: o músculo tensor do tímpano e o estapédio. A contração 
dos dois é capaz de amenizar os sons intensos e prolongados, de forma que isto 
protege o aparato receptor da orelha interna (BOER, 2017; SILVERTHORN, 
2017). 
O primeiro ossículo, o martelo, está ligado ao tímpano e à bigorna. Esta, 
por sua vez, liga-se à outra extremidade do estribo, que se encaixa em uma 
estrutura da orelha interna denominada janela oval. Esses ossículos funcionam 
como uma espécie de pistão, acoplando as vibrações do tímpano com a janela 
oval (SILVERTHORN, 2017; WIDMAIER; RAFF; STRANG, 2017). 
A energia transmitida para a orelha interna por meio de ossículos pode ser reduzida 
pela ação do músculo tensor do tímpano e do estapédio. O primeiro se liga ao mar-
telo e a sua contração ameniza os movimentos desse osso, enquanto o segundo se 
prende ao estribo, controlando, dessa forma, a sua mobilidade. Porém, eles podem não 
proteger essas estruturas quando ocorrem elevações súbitas no som, principalmente 
de forma intermitente, o que justifica a necessidade de se utilizar equipamento de 
proteção auricular em ambientes sujeitos a essas variações sonoras (WIDMAIER; RAFF; 
STRANG, 2017). 
3Audição e equilíbrio
Orelha interna
Na orelha interna estão localizadas duas estruturas sensoriais importantes: 
cóclea e aparelho vestibular. A cóclea é um tubo membranoso enrolado, como 
se fosse uma concha de caracol, e está localizada dentro de uma cavidade óssea 
no osso temporal. Ela é preenchida por líquido e é longitudinalmente separada 
por um tubo chamado de ducto coclear, no qual se encontram os receptores 
sensitivos auditivos (WIDMAIER; RAFF; STRANG, 2017). 
O ducto coclear é totalmente preenchido por um líquido (denominado endo-
linfa) ricamente concentrado em potássio (K+). Em cada lado do ducto coclear 
existem compartimentos preenchidos por perilinfa, um composto líquido 
semelhante ao líquido cerebroespinal. Esses compartimentos são a rampa 
do vestíbulo e a rampa do tímpano (Figura 2). Como citado anteriormente, 
o estribo está conectado à cóclea pela janela oval, a qual faz comunicação 
com a rampa do vestíbulo e separa o ar da orelha média do líquido contido 
na cóclea. A rampa do tímpano está abaixo do ducto coclear e se comunica 
com a orelha média por meio de outra abertura (chamada de janela redonda). 
Ambas — a rampa do vestíbulo e a rampa do tímpano — comunicam-se na 
extremidade distal do ducto coclear que é chamada de helicoderma (BOER, 
2017; WIDMAIER; RAFF; STRANG, 2017).
Figura 2. Estruturas da cóclea.
Fonte: Silverthorn (2017, p. 333).
Helicotrema
Membrana
basilar
Rampa
do tímpano
Janela da cóclea
(redonda) 
Ducto
coclear
Órgão espiral
(de Corti)
Desenrolada
Sáculo
Janela do
vestíbulo (oval)
Rampa do
vestíbulo
Audição e equilíbrio4
A parede do ducto coclear que se está aderida à rampa do tímpano tem 
uma membrana basilar, na qual se encontra o órgão de Corti (órgão espiral). 
Essa estrutura representa o aparelho sensorial auditivo que é responsável por 
realizar a transdução do estímulo sonoro em potenciais de ação, portanto, ele 
contém as células receptoras sensíveis da orelha (células ciliadas) (Figura 3) 
(SILVERTHORN, 2017; WIDMAIER; RAFF; STRANG, 2017).
Figura 3. (a) Órgão de Corti; (b) estrutura de uma célula ciliada
Fonte: Adaptada de Boer (2017).
(a) (b)
As células ciliadas são formadas por feixes de cílios especializados (cha-
mados de estereocílios) que se encontram em contato direto com a endolinfa 
do ducto coclear. Existem dois tipos de células ciliadas: as células ciliadas 
internas e as células ciliadas externas. No órgão de Corti, são encontrados 
uma única fileira de células ciliadas internas e três fileiras de células ciliadasexternas. Os estereocílios das células ciliadas internas estão voltados para 
dentro do líquido da endolinfa e identificam as modificações nas pressões 
dentro desse líquido. 
Apoiada sobre a parte superior dos estereocílios das células ciliadas externas 
está a membrana tectória (Figura 3) (BOER, 2017; SILVERTHORN, 2017; 
WIDMAIER; RAFF; STRANG, 2017). Na porção inferior da célula ciliar 
5Audição e equilíbrio
(parte basal) encontram-se as conexões sinápticas com os neurônios sensitivos 
primários que dão origem ao nervo vestibulococlear (nervo craniano VIII). O 
neurotransmissor secretado pela célula ciliada é o glutamato, o qual se conecta 
e ativa 10 ou mais neurônios sensoriais (WIDMAIER; RAFF; STRANG, 2017). 
O aparelho vestibular é a principal estrutura que processa informações 
sobre o equilíbrio e está diretamente ligado à cóclea. Ele é constituído por três 
canais semicirculares e duas dilatações denominadas de utrículo e sáculo, todas 
localizadas em túneis no osso temporal. Assim como a cóclea, ele também é 
preenchido com endolinfa (WIDMAIER; RAFF; STRANG, 2017). 
Os canais semicirculares são responsáveis por identificar modificações 
angulares do posicionamento da cabeça por três eixos perpendiculares. Dessa 
forma, eles se posicionam em ângulos retos entre si e são chamados de canal 
superior, canal posterior e canal horizontal (Figura 4). Todos apresentam, em 
sua base, uma porção dilatada conhecida como ampola, na qual se encontram 
as cristas, o local que aloja as células ciliadas e as de sustentação. Essas células 
de sustentação formam uma membrana gelatinosa (cúpula) que fica acima 
das células ciliadas. Assim como na cóclea, as informações dessas estruturas 
também são enviadas pelo nervo vestibulococlear (VIII) (SILVERTHORN, 
2017; WIDMAIER; RAFF; STRANG, 2017).
Figura 4. Aparelho vestibular e canais semicirculares.
Fonte: Adaptada de Boer (2017).
Audição e equilíbrio6
O utrículo e o sáculo são órgãos otolíticos que têm a função de fornecer 
informações sobre a aceleração linear da cabeça, bem como as mudanças das 
posições desta em relação às forças da gravidade. Neles, as células receptoras 
são as células ciliadas, que têm estereocílios, no entanto, eles ainda têm o 
cinocílio, cujo tamanho é maior em comparação aos estereocílios.
Os seus estereocílios são revestidos por uma substância gelatinosa, cha-
mada de membrana otolítica, que tem minúsculos cristais incrustados que são 
conhecidos como otólitos (Figura 5), os quais são compostos de carbonato 
de cálcio e responsáveis por tornar a substância gelatinosa mais pesada que 
o líquido ao redor. Suas células ciliadas fazem comunicação com o nervo 
vestibulococlear (BOER, 2017; WIDMAIER; RAFF; STRANG, 2017). 
Figura 5. Estruturas dos órgãos otolíticos: utrículo e sáculo.
Fonte: Boer (2017, p. 106).
Funções das estruturas da orelha externa, 
média e interna
A orelha é responsável por captar os estímulos sonoros e realizar a transdu-
ção dessas informações por meio de um processo que segue vários passos e 
exige a participação de várias estruturas especializadas. Dessa forma, quando 
há a geração de um som, a orelha deve ser capaz de captá-lo, conduzi-lo e 
7Audição e equilíbrio
transformá-lo em um impulso nervoso. Cada parte da orelha é responsável por 
uma dessas transformações (Figura 6) (WIDMAIER; RAFF; STRANG, 2017). 
Figura 6. Transmissão e transformação sonora na orelha.
Fonte: Silverthorn (2017, p. 332).
As ondas 
sonoras atingem 
a membrana 
timpânica e se 
tornam 
vibrações.
A energia da 
onda sonora é 
transferida para 
os três ossos da 
orelha média, 
os quais vibram.
O estribo está 
conectado à membrana 
da janela oval (do 
vestíbulo). As vibrações 
da janela oval geram 
ondas no líquido do 
interior da cóclea.
Meato acústico
externo (canal auditivo) Martelo
Bigorna
Estribo
Nervo coclear
Rampa do vestíbulo
(perilinfa)
Janela da cóclea
(redonda) 
1 2 3
5
Ducto coclear
(endolinfa)
Rampa do tímpano
(perilinfa)
Janela do
vestíbulo (oval)
Membrana
timpânica
1
2
3
4
6
As ondas do líquido em-
purram as membranas �exí-
veis do ducto coclear. 
As células pilosas (ciliadas) se 
curvam e os canais iônicos 
se abrem, gerando um sinal 
elétrico que altera a liberação 
do neurotransmissor.
4 O neurotransmissor 
liberado nos neurônios 
sensoriais gera 
potencias de ação que 
trafegam pelo nervo 
coclear até o encéfalo.
5 A energia das ondas 
é transferida do ducto 
coclear para a rampa 
do tímpano, e se dissipa 
de volta para a orelha 
média na janela redonda 
(da cóclea).
6
Movimento
das ondas
sonoras
Orelha externa
A primeira fase da audição é a entrada dos estímulos sonoros no meato acústico 
externo por intermédio de vibrações contínuas de onda de pressão, as quais 
são conduzidas até a membrana timpânica. Essa membrana altamente sensível 
responde às diferenças de pressão provocadas pelas ondas sonoras, vibrando 
de forma mais lenta em respostas de baixa frequência e rapidamente nas de 
alta frequência (BOER, 2017; WIDMAIER; RAFF; STRANG, 2017). 
Orelha média
A vibração da membrana timpânica é transferida para a janela oval da cóclea 
devido ao movimento dos ossículos. Quando o tímpano vibra, o martelo 
conectado a ele também começa a vibrar. Essa vibração é transmitida instanta-
Audição e equilíbrio8
neamente para a bigorna, que a transfere ao estribo. A vibração do estribo, por 
sua vez, provoca variações de pressão vibratória na janela oval, transferindo o 
estímulo externo para o ouvido interno (Figura 7) (BOER, 2017; WIDMAIER; 
RAFF; STRANG, 2017). 
Figura 7. Condução da onda sonora.
Fonte: Boer (2017, p. 103).
Orelha interna
A vibração da janela oval promove alterações na vibração da perilinfa, de 
modo a determinar a capacidade de identificar sons. Essas vibrações produzem 
movimentos de ondas na perilinfa e na rampa do vestíbulo, criando ondas 
de pressão nessa rampa. Essas ondas são transmitidas para dois possíveis 
locais: primeiro, elas podem ser enviadas em direção ao helicoderma e daí 
para a rampa do tímpano, sendo dissipadas na janela redonda, no entanto, a 
maior parte da sua pressão é transferida a partir da rampa do vestíbulo para o 
ducto coclear. Dessa forma, a endolinfa, localizada no ducto coclear, também 
se movimenta, gerando ondas vibratórias que pressionam o órgão de Corti 
(Figura 8) (SILVERTHORN, 2017; WIDMAIER; RAFF; STRANG, 2017).
9Audição e equilíbrio
Figura 8. Demonstração dos componentes da cóclea e a onda de pressão da endolinfa 
contra o órgão de Cori.
Fonte: Adaptada de Silverthorn (2017,).
Membrana
basilar
Rampa do
tímpano
O nervo coclear
transmite potenciais
de ação dos neurônios
auditivos primários
para os núcleos
cocleares do bulbo no
caminho para o córtex
auditivo.
Membrana
tectória
Fibras nervosas
do nervo coclear
Membrana basilar
Células
pilosas
(ciliadas)
Ducto
coclear
Rampa
do tímpano
Onda de líquido
O movimento da
membrana tectória move os cílios
das células pilosas.
Membrana tectória
Ducto coclear
Rampa do vestíbulo
Órgão de Corti
Parede óssea coclear
A parede do ducto coclear mais próxima da rampa do tímpano tem a 
membrana basilar, que, quando sofre pressão da endolinfa, desloca as células 
ciliadas em relação à membrana tectórica, o que gera uma curvatura nos este-
reocílios. Quando estes são curvados, conexões fibrosas chamadas de ligações 
apicais (pequenos filamentos de proteínas) que ligam um estereocílio a outro 
geram uma atração que promove a abertura mecânica de canais catiônicos, 
resultando em um influxo de K+ e na sua despolarização. Essa variação da 
voltagem da membrana ocasiona a abertura de canais de Ca++ — voltagens 
dependentes localizadas na base das células ciliadas —, gerando a secreção de 
neurotransmissor. Dessa forma, há a geração de potenciais de ação nos neurô-
nios que irão compor o nervo vestibulococlear (Figura 9) (SILVERTHORN, 
2017; WIDMAIER; RAFF; STRANG, 2017). 
Audição e equilíbrio10
Figura 9. Transdução de sinal nas células ciliadas.
Fonte: Adaptadade Silverthorn (2017).
Furosemida é um medicamento utilizado no tratamento da hipertensão arterial. 
Seu mecanismo de ação consiste em inibir uma proteína renal responsável por trans-
portar K+, Na+ e Cl– pela membrana epitelial. Porém, essas proteínas são localizadas 
nas células epiteliais do ducto coclear e têm a função de concentrar o K+ na endolinfa. 
A sua inibição nesse local promove, portanto, a redução de K+, o que reduz a capaci-
dade de ocorrer despolarização nas células ciliadas frente a estímulos sonoros. Isto, 
por sua vez, irá comprometer o influxo de Ca++ e consequentemente a secreção de 
glutamato. Como resultado, um dos efeitos colaterais desse medicamento é a redução 
da percepção auditiva (WIDMAIER; RAFF; STRANG, 2017).
11Audição e equilíbrio
O sistema auditivo consegue determinar a intensidade do som por, pelo 
menos, três mecanismos distintos. A amplitude da vibração na membrana 
basilar pode ser elevada de acordo com a frequência vibracional do estribo, de 
modo que as células ciliadas excitam as terminações nervosas com frequências 
mais rápidas. Em segundo lugar, o aumento vibracional induz à ativação de 
um número cada vez maior de células ciliadas, gerando maior secreção de 
neurotransmissores. Além disso, pode haver o recrutamento de células ciliadas 
externas de forma mais significativa (BOER, 2017; SILVERTHORN, 2017). 
Existem diversas condições que podem resultar em perda auditiva. A alteração na 
capacidade de transmitir o som para a orelha média devido a alguns fatores, como o 
excesso de cerume ou os traumas que impedem a vibração dos ossículos, é conhecida 
como perda auditiva condutiva. Quando resulta de danos na orelha interna, como, 
por exemplo, a destruição de células ciliadas devido a barulhos intensos, chama-se 
de perda auditiva sensório-neural. Nessa condição, pode ser indicada a utilização de 
implantes cocleares. Se o dano ocorrer nas vias neurais, entre a orelha e o córtex, ele é 
chamado de perda auditiva central, sendo esta uma condição irreversível (BOER, 2017).
Assista ao vídeo disponibilizado no link a seguir para aprender um pouco mais sobre 
o implante coclear com explicações da fonoaudióloga Paula Moura.
https://qrgo.page.link/Kf5pS
Audição e equilíbrio12
Como descrito anteriormente, o aparelho vestibular também está localizado 
na orelha interna. Os três eixos proporcionados pelos canais semicirculares 
são ativados quando o indivíduo balança a cabeça para cima e para baixo 
(canal superior), de um lado para o outro (canal horizontal) ou de forma a 
aproximar a orelha de um ombro (canal posterior) (Figura 10). Sempre que 
há um movimento da cabeça, todas as estruturas se movimentam junto com 
ela, porém, o líquido que preenche seus ductos, devido à inércia, tende a 
permanecer em sua posição. Dessa forma, a ampola que está em movimento 
é empurrada contra esse líquido, gerando inclinação dos seus estereocílios, o 
que culmina na alteração da frequência de secreção dos neurotransmissores 
pelas células ciliadas (BOER, 2017; WIDMAIER; RAFF; STRANG, 2017).
Figura 10. Canais semicirculares.
Fonte: Adaptada de Silverthorn (2017).
Esquerda direita
O canal posterior do aparelho 
vestibular detecta a inclinação 
da cabeça em direção ao 
ombro direito ou esquerdo.
O canal anterior detecta a 
rotação da cabeça para a 
frente e para trás, como 
quando respondemos “sim”.
O canal lateral 
(horizontal) detecta a rotação 
da cabeça à direita ou à esquerda, 
como quando balançamos a cabeça 
dizendo “não”. 
13Audição e equilíbrio
Em situação de repouso, as células ciliares estão tonicamente secretando 
uma pequena quantidade de neurotransmissor que pode ser aumentada ou 
reduzida, conforme com a velocidade, a magnitude e o sentido dos movimentos 
da cabeça. Dessa forma, cada receptor das células ciliadas tem um sentido 
de liberação máxima de neurotransmissor, e quando seus estereocílios são 
inclinados nesse sentido, ocorre a despolarização da célula. Por outro lado, 
se os estereocílios são inclinados no sentido oposto, há a hiperpolarização da 
célula (WIDMAIER; RAFF; STRANG, 2017). 
O utrículo e sáculo são importantes para fornecer informações sobre a 
aceleração linear da cabeça, bem como mudanças na sua posição em relação 
à gravidade. As células ciliadas encontradas no utrículo apontam para cima 
quando o indivíduo se encontra em pé, sem apresentar inclinação, no entanto, 
quando a cabeça é flexionada para frente, suas células ciliadas são inclinadas 
para frente, o que gera um disparo de potenciais de ação para informar a posição 
da sua cabeça no espaço. Isto se deve à presença dos otólitos na substância 
gelatinosa, já que, devido ao seu peso, eles se movimentam de acordo com as 
forças da gravidade, empurrando contra as células ciliadas, o que promove o 
dobramento dos estereocílios e a secreção de neurotransmissor. Já no sáculo, 
as células ciliadas formam um ângulo reto com as do utrículo e respondem 
quando a cabeça se move de uma posição deitada para uma posição de pé, ou 
quando são realizados movimentos verticais da cabeça, como, por exemplo, 
quando o indivíduo pula em uma cama elástica (Figura 11) (BOER, 2017; 
WIDMAIER; RAFF; STRANG, 2017). 
Audição e equilíbrio14
Figura 11. Organização e funcionamento do utrículo e do sáculo.
Fonte: Adaptada de Silverthorn (2017).
Fibras
nervosas
Membrana otolítica
gelatinosa
Células pilosas
Otólitos são cristais que se movem 
em resposta a forças gravitacionais.
Gravidade
Gravidade
OtólitoCabeça inclinada
para trás
MáculaCabeça na posição
em repouso (neutra)
15Audição e equilíbrio
Vias neurais auditivas
Após a transdução do estímulo sonoro, como descrito até aqui, os neurônios 
sensoriais excitados transferem essas informações para o encéfalo. Essas fibras, 
chamadas de neurônios auditivos primários, entram no tronco encefálico, 
mais precisamente nos núcleos cocleares do bulbo, e realizam sinapses com 
interneurônios locais. Por outro lado, as fibras originadas nas duas orelhas 
convergem para o mesmo neurônio. Algumas fibras conduzem informações que 
permitem identificar a temporização do som, enquanto outras as informações 
sobre a qualidade. Os diferentes tempos de chegada dos sons e as diferentes 
intensidades permitem que o indivíduo determine a direção da fonte do estímulo 
(SILVERTHORN, 2017; WIDMAIER; RAFF; STRANG, 2017).
A partir do bulbo, originam-se neurônios sensoriais secundários que se 
projetam para o tálamo e para o córtex auditivo, o qual está localizado no 
lobo temporal. É importante destacar que esses neurônios secundários se 
projetam bilateralmente a partir do mesmo núcleo, sendo um homolateral 
e outro contralateral. Dessa forma, o estímulo sonoro captado por uma ore-
lha será processado de forma bilateral no encéfalo (SILVERTHORN, 2017; 
WIDMAIER; RAFF; STRANG, 2017). 
As diferentes áreas do sistema auditivo são especializadas em identificar 
características do som, como diferenças na frequência e na complexidade do 
som (p. ex., comunicação verbal) e a localização, a duração e a intensidade 
do som. Dessa forma, o encéfalo realiza uma computação complexa para 
criar diferentes análises do som, como a representação tridimensional da sua 
origem, o que permite direcionar a atenção para o objeto/estímulo (Figura 12) 
(SILVERTHORN, 2017; WIDMAIER; RAFF; STRANG, 2017). 
Audição e equilíbrio16
Figura 12. Organização das vias auditivas.
Fonte: Silverthorn (2017, p. 336). 
Ramo coclear do nervo 
vestibulococlear 
esquerdo (VIII)
Para o cerebelo Para o cerebelo 
Ramo coclear do nervo
vestibulococlear
direito (VIII)
Córtex auditivo
direito Tálamo
direito
Tálamo
esquerdo
Córtex auditivo
esquerdo
Cóclea esquerdaCóclea direita
Núcleos cocleares 
BULBO
MESEN-
CÉFALO
Ondas
sonoras
A audição é considerada um dos principais sentidos sociais. Para se ter uma ideia, as 
taxas de suicídios tendem a ser mais elevadas em pessoas surdas em comparação às 
que perdem a visão. Essa capacidade sensorial é responsável por conectar as pessoascom seus pares e com o mundo ao seu redor (SILVERTHORN, 2017).
Com base no que foi apresentado, é possível perceber que o ouvido é uma 
estrutura altamente complexa, sendo esta composta por várias partes extre-
mamente importantes para a realização da audição e do equilíbrio. Danos 
mínimos a esses pequenos componentes podem gerar alterações drásticas 
em sua funcionalidade, repercutindo tanto na capacidade auditiva quanto no 
17Audição e equilíbrio
equilíbrio do indivíduo. Dessa forma, torna-se importante evitar algumas 
situações, como, por exemplo, expor-se a barulhos excessivamente altos, ou 
até mesmo espirrar com o nariz fechado, pois ambos podem causar lesão 
timpânica, resultando em surdez e tontura. 
BOER, N. C. P. Fisiologia: curso prático. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
SILVERTHORN, D. U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed. Porto Alegre: 
Artmed, 2017.
WIDMAIER, E. P.; RAFF, H.; STRANG, K. T. Vander: fisiologia humana. 14. ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2017.
Leituras recomendadas
HALL, J. E. Guyton & Hall: tratado de fisiologia médica. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
KOEPPEN, B. M.; STANTON, B. A. Berne & Levy: fisiologia. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.
PRESTON, R. R.; WILSON, T. E. Fisiologia ilustrada. Porto Alegre: Artmed, 2014.
SHERWOOD, L. Fisiologia humana: das células aos sistemas. 7. ed. São Paulo: Cengage 
Learning, 2010.
Audição e equilíbrio18

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