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Introdução ao Estudo do Direito Michele Giovana Pedro Santos Ementa – 1º Semestre 2026 Definição e Conceito de Direito Direito e Sociedade Direito e Poder O Direito e demais Ramos do Saber Direito Positivo, Natural e Humano Ordem Jurídica Direito e Moral Direito e Equidade Direito e Justiça Norma Jurídica Imperatividade Ramos do Direito Fontes Materiais e formais do Direito Constituição, Lei, Regulamento, Medida Provisória Direito Consuetudinário Bibliografia Básica: FERRAS JUNIOR, T. S. Introdução ao estudo de direito. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2010 GUSMÃO, P. D. Introdução ao estudo do direito. 42.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2010 NUNES, L. A. R. Manual de introdução ao estudo do direito. 9.ed. São Paulo: Saraiva, 2009. Complementar: BETIOLI, A. B. Introdução ao direito: lições de propedêutica jurídica tridimensional. 9ed. São Paulo: Letras & Letras, 2004 BRASIL. Código Civil e Constituição Federal. 61ed. São Paulo: Saraiva, 2010 DINIZ, M. H. Compêndio de introdução à ciência do direito. 21ed. São Paulo: Saraiva, 2010 NADER, P. Introdução ao estudo do direito. 25ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005 REALE, M. Lições preliminares de direito. 27.ed. São Paulo: Saraiva, 2005 REVISTA JURÍDICA CONSULEX. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, Mensal Bibliografia complementar GARCIA, G. F. B. Introdução ao estudo do direito: teoria geral do direito. 3.ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: Forense: São Paulo: MÉTODO, 2015. NADER, P. Introdução ao estudo do direito. 25ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005 Sistema de Avaliação da disciplina Justificativa de ausência: O aluno pode informar a professora o motivo, mas deverá protocolar o documento (atestado médico com CID) na Secretaria Acadêmica – Prazo: 05 (cinco) dias úteis após o retorno às aulas. Ausência em avaliação: A não participação em avaliação ou SUB não realizada no mesmo bimestre a que se refere, a nota 0,00 (zero) será lançada no sistema. Prova SUB: O aluno deve justificar sua ausência diretamente à professora, que agendará nova avaliação a ser aplicada no tempo e forma que a mesma entender viável. Por que estudar IED? A disciplina Introdução ao Estudo do Direito é fundamental para a formação jurídica porque fornece as bases conceituais que estruturam todo o sistema jurídico. Por meio dela, o estudante compreende o que é o Direito, quais são suas fontes, princípios, métodos de interpretação e sua função na organização da vida em sociedade. Esse conhecimento inicial não apenas orienta o aprendizado das disciplinas posteriores, como também desenvolve o raciocínio crítico e a capacidade de análise, essenciais para a atuação profissional responsável e ética no campo jurídico. A importância da IED O ordenamento jurídico que o legislador oferece aos profissionais do Direito carece de sistematização ou de coerência interna e apresenta importantes omissões, ditadas algumas pelo avanço no âmbito das ciências da natureza, como a Biologia e a Física. Cabe ao intérprete a tarefa de cultivar a harmonia do sistema e propor o preenchimento de lacunas. A implementação do jurista de amanhã se faz mediante muita dedicação. (...) O desejável é que o espírito se mantenha inquieto, movido pela curiosidade científica, pela vontade de conhecer a organização social e política, na qual se insere o Direito. Para os acadêmicos, tão importante quanto a lição dos livros é a observação dos fatos, da lógica da vida, pois eles também ensinam. O hábito de raciocinar é da maior relevância, pois nada aproveita quem apenas se limita a ler ou a ouvir. Paulo Nader (2014) Os diversos usos da palavra “direito” O meu direito deve ser preservado, protegido! Ele deve andar direito com suas responsabilidades. Não se trata de um moço direito. Ela é meu braço direito. Esse ano vou começar a estudar direito. Gostaria de ficar do seu lado direito. Adoro a disciplina “Introdução ao Estudo do Direito” O termo direito é, portanto, palavra plurívoca, porque possui vários significados, ainda que entrelaçados, com sentido análogo (semelhante) Enfoques e significados Conotação de justiça; certo, correto, justoExpressão do que é justo Possibilidade de agir em busca do seu direitoFaculdade Direito na vida em sociedadeFato social Normas elaboradas pela sociedade ou pelo EstadoNorma Ramo do conhecimento cientifico: Filosofia do Direito; Sociologia Jurídica, Ciência do Direito; História do Direito; Psicologia Jurídica. Ciência 1. Definição de Direito “ius” do latim clássico tem o mesmo sentido de justiça, justo, jurídico, judiciário, judicial. É a arte do bom e do equitativo (ars boni et aequi). No Direito Romano antigo, o ius era constituído de normas impostas pelos homens à sociedade e se contrapunha ao fas, normas de cunho religioso. O Direito como arte procura melhorar as condições sociais ao sugerir e estabelecer regras justas e equitativas de conduta. O Direito como ciência, enfeixa o estudo e a compreensão das normas postas pelo Estado ou pela natureza do homem. Sem se limitar a apresentar e classificar regras, mas tem como objeto analisar e estabelecer princípios para os fenômenos sociais tais como os negócios jurídicos 1. Definições de Direito “O Direito - complexo como é, com múltiplas facetas que constituem uma das suas maiores dificuldades e exigem dos seus cultores, mais do que qualquer outro ramo de conhecimento, uma variedade enorme de qualidades, por vezes um tanto contraditórias – pode ser visto a muitas luzes, sob muitos ângulos, e nomeadamente pode ser objeto de indagação filosófica, que não é mais do que a Filosofia aplicada a este setor particular do mundo e da vida.” Inocêncio Galvão Telles (2001, v. 1:14) Direito é o conjunto de normas de conduta social, imposto coercitivamente pelo Estado para a realização da segurança, segundo critérios de justiça. (Nader, 2014) Direito é o conjunto de normas imperativas que regulam a vida em sociedade, dotadas de coercibilidade quanto à sua observância. (GARCIA, 2015) 2. Direito e Sociedade Sociedade é um grupo de indivíduos envolvido em interação social persistente ou um grande grupo social que compartilha o mesmo território espacial ou social, tipicamente sujeito à mesma autoridade política e expectativas culturais dominantes. As sociedades são caracterizadas por padrões de relacionamentos (relações sociais) entre indivíduos que compartilham uma cultura e instituições distintas; uma determinada sociedade pode ser descrita como a soma total de tais relacionamentos entre seus membros constituintes. SOCIEDADE. In: WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade. Acesso em: 05.01.2026 2. Direito e Sociedade Marco Túlio Cícero sobre Direito e Sociedade: “Ubi societas, ibi jus.” (Onde há sociedade, há Direito.) Essa frase expressa a ideia de que o Direito é inseparável da vida em sociedade: sempre que existe convivência humana organizada, existe a necessidade de normas jurídicas para regulá-la. Marco Túlio Cícero (Marcus Tullius Cicero, 106 a.C. – 43 a.C.) foi um dos mais importantes pensadores, juristas, oradores e políticos da Roma Antiga. 2. Direito e Sociedade A interação social se apresenta sob as formas de cooperação, competição e conflito e encontra no Direito a sua garantia, o instrumento de apoio que protege a dinâmica das ações. (Nader, 2014) O conflito se faz presente a partir do impasse, quando os interesses em jogo não logram uma solução pelo diálogo e as partes recorrem à luta, moral ou física, ou buscam a mediação da justiça. Podemos defini-lo como oposição de interesses, entre pessoas ou grupos, não conciliados pelas normas sociais . (Nader, 2014) 2. Direito e Sociedade Os conflitos são fenômenos naturais à sociedade (...). Quanto mais complexa a sociedade, quanto mais se desenvolve, mais se sujeita a novas formas de conflito e o resultado é o que hoje se verifica, como jáse afirmou, em que “o maior desafio não é o de como viver e sim o da convivência”. O Direito está em função da vida social. A sua finalidade é favorecer o amplo relacionamento entre as pessoas e os grupos sociais, que é uma das bases do progresso da sociedade. Ao separar o lícito do ilícito, segundo valores de convivência que a própria sociedade elege, o ordenamento jurídico torna possíveis os nexos de cooperação e disciplina a competição, estabelecendo as limitações necessárias ao equilíbrio e à justiça nas relações. (Nader, 2014) 2. Direito e Sociedade Ubi homo, ibi societas; ubi societas, ibi jus; ergo, ubi homo, ibi jus (onde o homem, aí a sociedade; onde a sociedade, aí o Direito; logo, onde o homem, aí o Direito). A sociedade sem o Direito não resistiria, seria anárquica, teria o seu fim. O Direito é a grande coluna que sustenta a sociedade. Criado pelo homem, para corrigir a sua imperfeição, o Direito representa um grande esforço para adaptar o mundo exterior às suas necessidades de vida. Exercício: valendo 2,0 Qual a relação entre Direito e Sociedade? Um sobreviveria sem o outro? Explique com suas palavras a frase “Ubi societas, ibi jus”. Qual a importância da cultura de uma sociedade para a construção do direito? Dicas de sites www.migalhas.com.br www.planalto.gov.br/legislação www.conjur.com.br/noticias www.senado.leg.br Dicas para receber atualizações rápidas Assine newsletters desses sites — muitos oferecem boletins diários ou semanais direto no seu e-mail (Migalhas, JOTA, ConJur, JusBrasil). Siga perfis oficiais nas redes sociais — elas costumam destacar mudanças legislativas e decisões importantes. 2. Direito e Sociedade De acordo com a PEC 148/2015, o fim da chamada escala 6x1 ocorrerá de forma gradual (...) A PEC foi aprovada em 10/12/25 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) (...) Antes de ser promulgado e passar a valer, o texto ainda precisa passar por duas votações no Plenário do Senado e mais duas no da Câmara, com o voto favorável de pelo menos 49 senadores e 308 deputados. (É o projeto que mais vai mexer com a vida dos brasileiros. Serão 38 milhões de trabalhadores (CLT) beneficiados. Sem contar os 120 milhões de brasileiros que, de alguma forma, terão ganho com a redução da jornada – disse Rogério Carvalho Senador. Redução da carga horária de 44 para 36 horas semanais Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – Decreto Lei 4.657/1942 A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) é um instrumento fundamental para o início dos estudos jurídicos, pois estabelece as regras gerais sobre a criação, vigência, aplicação e interpretação das leis. Ela orienta como o Direito deve ser compreendido e utilizado em todas as áreas, permitindo ao estudante entender o funcionamento básico do ordenamento jurídico antes de aprofundar-se em disciplinas específicas. Decreto Lei 4.657/1942 - LINDB Art. 1o Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada. (...) § 3o Se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, destinada a correção, o prazo deste artigo e dos parágrafos anteriores começará a correr da nova publicação. Art. 2o Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. Decreto Lei 4.657/1942 - LINDB Art. 3o Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. Art. 4o Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito. Art. 5o Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum. 3. Direito e Poder (...) Direito não é sinônimo de poder, mas sem dúvida emana do poder; o poder pode andar sem o Direito, e será vontade de um ou de alguns. Mas o Direito, para se exprimir, exige algo mais, pois ele resulta dos atos do poder, no sentido de ser a qualificação direcional destes, enquanto praticam Justiça. (Alexy, Direito, razão, discurso: estudos para a justiça do direito, 2015, p.114). (...) O Direito é criado pela sociedade para reger a própria vida social. (...) O Estado moderno dispõe de um poder próprio, para a formulação do Direito – O Poder Legislativo. A este compete a difícil e importante função de estabelecer o Direito. (Nader, 2014) (...) As normas jurídicas possuem uma estrutura imperativo-atributiva, isto é, ao mesmo tempo em que impõem um dever jurídico a alguém, atribuem um poder ou direito subjetivo a outrem. Daí se dizer que a cada direito corresponde um dever. (Nader, 2014) 3. Direito e Poder Disponível https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Hierarquia_das_normas_jur%C3%ADdicas_-_Hierarchy_of_laws.png Ordenamento Jurídico: às normas de direito civil de nosso país. (...) integram o ordenamento jurídico todas as normas jurídicas legislativas, judiciais, consuetudinárias e convencionais. A Constituição Federal (CF) pode ser entendida como poder constituinte originário. Pirâmide de Kelsen O Direito se impõe não unicamente porque emana de um poder soberano, mas porque se harmoniza com os princípios de justiça. 4. O Direito e demais ramos do saber O Direito não opera isoladamente; ele se interconecta com outros ramos do saber — como Filosofia, Sociologia, Economia e Psicologia — para compreender e regular as relações sociais de forma eficaz, superando o tecnicismo. Essa interdisciplinaridade permite que a norma jurídica responda a demandas complexas, como por exemplo: o biodireito. Direito Público: normas que regulam o Estado quando exerce a soberania. Direito Privado: quando a relação é entre particulares. (...) Na era moderna, houve uma releitura. Enquanto na esfera pública há a participação do Estado, uma relação de supremacia, isto é, domínio estatal, na esfera privada, o Estado é ausente, sendo a relação apenas entre iguais. Por um lado, o Direito resguarda os valores que interessam à comunidade, por outro, ampara os interesses dos particulares. 4. O Direito e demais ramos do saber (...) Miguel Reale afirma que há dois fatores que distinguem o Direito Público do Direito Privado. O primeiro leva em consideração o conteúdo da norma, enquanto o segundo dá enfoque ao aspecto formal da relação jurídica. Quanto ao aspecto formal, no Direito Privado a relação é de coordenação, já no Direito Público a relação é de subordinação. (Artigo: A origem da dicotomia entre Direito Público e Direito Privado) 5. Direito Natural, Positivo e Humano (...) Direito Natural, em sentido estrito, é o justo natural, e em sentido derivado, são os princípios e normas jurídicas que regulam a vida social do homem, ainda que na ausência de toda ordenação positiva. (Venosa, 2026) (...) O justo por natureza está no pensamento de cada um de dos homens. O Direito natural orienta o sentido do direito positivo. Essa posição deu azo à concepção positivista, sob o fundamento de que os sentidos do homem não dão um conhecimento verdadeiro (JUSTO, 2001:95) O Direito Natural busca assegurar o bem comum com a aplicação da justiça. A Lei humana, ainda que conduzida pelo governante ou pelo Estado, deve basear-se na razão, pois do contrário, seria injusta. (...) O Direito Natural é um conjunto de ideias de justiça, que não podem ser aplicados como lei. (VENOSA, 2026) 5. Direito Natural, Positivo e Humano Para Savigny, o Direito é antes de tudo um produto dos costumes e das convicções de um povo e não propriamente a lei, formulada e positivada pelo legislador. (...) o Direito Natural cumpre três funções: (a) ser fundamento do direito positivo; (b) inspirar o conteúdo do direito humano, pois deve haver harmonia com o direito positivo; e; (c) ser levado em conta quando da aplicação do direito positivo, da lei humana. (Venosa, 2026) “Se a ideia do Direito Natural é útil no processo de aperfeiçoamento das instituições jurídicas, pode, em contrapartida, falsamente ser utilizada como instrumentode conservação de uma ordem jurídica injusta e ilegítima, por força de manobras de quem detém o poder” – Paulo Nader (2003:370) - (Venosa, 2026) 5. Direito Natural, Positivo e Humano (...) o princípio justo desvincula-se da vontade divina e o ser humano pode, por sim mesmo, aplicar o direito natural. (Venosa, 2026) “Numa fórmula abrangente e sintética, pode definir-se o direito natural como a ordenação jurídica originada e fundamentada na natureza humana. Não se trata, convém advertir, de um direito apenas ideal, mas verdadeiramente real, que completado e desenvolvido (às vezes, porém contrariado) pelo direito positivo, é parte constitutiva, como elemento nuclear, da ordem jurídica da comunidade” – Mário Bigotte Chorão (2000:141) - (Venosa, 2026) 5. Direito Natural, Positivo e Humano “Sabe-se que entre os magistrados, mesmo os países de direito codificado e, portanto, mais sujeitos à influência do positivismo jurídico, desenvolvem-se ideias favoráveis a uma maior latitude de julgamento, a considerar a norma geral e abstrata uma diretriz em lugar de um comando rigidamente obrigatório.” (Bobbio (1997:72) Direito Positivo é o conjunto de normas estatais vigentes em determinado país, em determinada época. (...) O positivismo coloca-se, como regra geral, no lado oposto do jusnaturalismo. (...) Direito é apenas aquele existente nas leis criadas pelo ser humano e postas pelo Estado. (Venosa, 2026) 5. Direito Natural, Positivo e Humano O Direito não pode ser reduzido unicamente a normas hierarquizadas pelo Estado, amesquinhando toda a grandeza do seu universo, que em síntese é o universo do Ser Humano (Venosa, 2026). (...) O Direito deve levar em conta, a cada passo, em cada norma, em cada decisão judicial, com absoluta proeminência, a dignidade humana, como demonstra a tendência do século XX e desponta para esse novo século. Reduzir o Direito a um conjunto de normas frias, impositivas, destemperadas da emoção e da dignidade do ser humano é algo custoso de aceitar (...). (Venosa, 2026) Exercício: valendo 2,0 Em determinado país, foi implementado um sistema de inteligência artificial responsável por proferir decisões judiciais rápidas, embasadas tecnicamente e com suporte de um poderoso banco de dados, com todas as leis promulgadas e vigentes naquele país. O sistema se mostra rápido e eficiente nas análise dos processos e aplica rigorosamente a legislação vigente (Direito Positivo), sem considerar aspectos emocionais, sociais ou circunstâncias particulares não previstas nas normas positivadas. Após algumas sentenças, surgiram críticas da sociedade, de que as decisões, embora legalmente corretas, rápidas e muito bem fundamentadas, produziram resultados socialmente injustos. Exercício: valendo 2,0 Com base nos conceitos estudados sobre Direito e Sociedade; Direito Natural; Direito Positivo; Direito Humano; e, considerando o consenso do grupo, responda: 1. A aplicação estritamente formal da lei positivada garante a realização da justiça? Justifique a resposta. 2. O elemento humano e social são indispensáveis para um julgamento justo? Justifique a resposta. 3. De acordo com o que estudamos sobre Direito Natural, Direito Positivo e Humano, como cada uma dessas correntes analisaria as decisões tomadas apenas pela inteligência artificial? 4. Aplicar a lei de forma automática e rigorosa é suficiente para garantir justiça e respeito à dignidade da pessoa humana? Explique com suas palavras, fundamentando com a matéria. A relação entre a sociedade e o Direito apresenta um duplo sentido de adaptação: de um lado, o ordenamento jurídico é elaborado como processo de adaptação social e, para isto, deve ajustar-se às condições do meio; de outro, o Direito estabelecido cria a necessidade de o povo adaptar o seu comportamento aos novos padrões de convivência. (NADER:2014) Ordem Jurídica é expressão que coloca em destaque uma das qualidades essenciais do Direito Positivo, que é agrupar normas que se ajustam entre si e formam um todo harmônico e coerente de preceitos. (NADER:2014) 6. Ordem Jurídica 6. Ordem Jurídica Ainda que mal elaboradas sejam as leis, com visível atraso em relação ao momento histórico; ainda que apresentem disposições contraditórias e numerosas lacunas ou omissões, ao jurista caberá, com a aplicação de seu conhecimento científico e técnico, revelar a ordem jurídica subjacente. Em seu trabalho deverá submeter as regras à interpretação atualizadora, renovando a sua compreensão à luz das exigências contemporâneas; deverá expungir, não considerar, as regras conflitantes com outras disposições e que não se ajustem à índole do sistema; preencher os vazios da lei mediante o emprego da analogia e da projeção dos princípios consagrados no ordenamento. (NADER:2014) É falsa a ideia de que o legislador entrega à sociedade uma ordem jurídica pronta e aperfeiçoada. Ele elabora as leis, mas a ordem fundamental – ordem jurídica – é obra de beneficiamento a cargo dos juristas, definida em tratados e em acórdãos dos tribunais. (NADER:2014). 6. Ordem Jurídica A ideia de ordem pressupõe uma pluralidade de elementos que, por sua adequada posição ou função, compõem uma unidade de fim. A ordem jurídica, que é o sistema de legalidade do Estado, forma-se pela totalidade das normas vigentes, que se localizam em diversas fontes e se revelam a partir da Constituição Federal – a responsável pelas regras mais gerais e básicas à organização social. As demais formas de expressão do Direito (leis, decretos, costumes) devem estar ajustadas entre si e conjugadas à Lei Maior. (NADER:2014) 6. Ordem Jurídica – CF/1988 Ordenamento Jurídico, em uma definição didática, é o próprio direito positivo, organizado em forma de pirâmide (hierarquicamente), tendo a lei constitucional em seu ponto mais alto. 1. Constituição Federal (CF) É a norma suprema do ordenamento jurídico. Todas as demais normas devem ser compatíveis com ela. Inclui: Texto constitucional; Atos das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT); Emendas Constitucionais. Se uma norma contrariar a Constituição, ela poderá ser declarada inconstitucional. 6. Ordem Jurídica – EC - Tratados 2. Emendas Constitucionais Alteram o texto da Constituição. Possuem o mesmo nível hierárquico da Constituição, mas devem respeitar as cláusulas pétreas. 3. Tratados Internacionais A hierarquia depende do modo de aprovação: Tratados de Direitos Humanos aprovados com quórum qualificado (art. 5º, §3º, CF) → Equivalem a Emenda Constitucional Tratados de Direitos Humanos aprovados sem quórum qualificado → Status supralegal (acima das leis, abaixo da Constituição) – entendimento do STF Demais tratados internacionais → Status de lei ordinária 6. Ordem Jurídica - Leis 4. Leis em sentido amplo Leis Complementares: Regulam matérias que a Constituição exige quórum qualificado (maioria absoluta). Leis Ordinárias: Regra geral do processo legislativo, por maioria simples, destinada a regular matérias comuns da vida social e da administração pública. Leis Delegadas: é a lei feita pelo Presidente da República, com autorização prévia do Congresso Nacional. Medidas Provisórias: Editadas pelo Presidente da República em caso de relevância e urgência (possuem força de lei). Lei complementar não é superior à lei ordinária em hierarquia geral — ela apenas trata de matérias específicas previstas na Constituição. 6. Ordem Jurídica Atos Normativos 5. Atos Normativos Secundários (Infralegais) Devem respeitar todas as normas acima. → Decretos regulamentares: Detalha como a lei será aplicada na prática. → Portarias: Atos administrativos que visam organizar e orientar o funcionamento da adm. pública → Instruções Normativas: ato administrativo de detalha procedimentos para aplicar normas dentro da administração pública. → Resoluções administrativas: ato normativo editado por autoridades ou órgãos colegiados da administração pública para disciplinar matérias de sua competência e estabelecer regras sobre um determinadoassunto administrativo. No final das leis brasileiras aparece a contagem dos anos desde a Independência (1822) e desde a Proclamação da República (1889), como uma forma simbólica de marcar o momento histórico em que a lei foi criada. 7. Direito e Moral Direito e Moral são instrumentos de controle social que não se excluem, antes, se completam e mutuamente se influenciam (...) são conceitos que se distinguem mas não se separam”. A palavra Moral decorre sociologicamente de mores, que sob esse sentido pode ser compreendida como o conjunto de práticas, de costumes, de usos, de padrões de conduta em determinado segmento social (Lima, 2002:11). A moral de um povo nunca pode ser vista distante do seu conteúdo histórico: o que é harmônico com a Moral hoje poderá não ter sido ontem e poderá não sê-lo no futuro (VENOSA, 2026:29) 7. Direito e Moral Os valores morais são íntimos e próprios de cada um, com incontestáveis variações, a Moral é eminentemente subjetiva. Enquanto que o Direito é objetivo e apresenta sempre uma alteridade, uma relação jurídica, uma norma de agir dotada de sanção e coerção, aplicáveis a todos, sem distinção. “A moral estabelece os princípios gerais da ordem que deve reinar nos atos resultantes da livre vontade humana, estudando-os em relação aos fins que visam alcançar, ou seja, em relação aos fins naturais do homem.” (Vicente Ráo, 1991:47). 7. Direito e Moral MORALDIREITOCRITÉRIO Estabelece diretrizes mais gerais de conduta, sem particularização rígida. Conjunto de regras que definem a dimensão da conduta exigida, de forma determinada e específica. Conceito Unilateral – estrutura mais simples, impondo apenas deveres, sem atribuição correlata de direito subjetivo. Bilateral – estrutura imperativo-atributiva: Impõe um dever a alguém e atribui um poder ou direito subjetivo a outro. Estrutura Interior – Preocupa-se com a vida interior da pessoa, sua consciência e intenção. Exterior – preocupa-se com a conduta externa do indivíduo, independentemente de sua intenção íntima (salvo exceções) Âmbito Autonomia – a norma decorre da própria consciência do indivíduo, sendo fruto da autodeterminação. Heteronomia – sujeição ao querer alheio; regras impostas independentemente da vontade dos destinatários. Fonte da norma Não coercitiva (Coatividade social) – Pode haver reprovação ou pressão social, mas não há imposição pela força estatal. Coercibilidade – possibilidade de uso da força organizada do Estado, para garantir o cumprimento. Forma de cumprimento Revisão: Ordenamento Jurídico: Conjunto de normas (leis, decretos, princípios) que compõem o nosso sistema jurídico (Instrumento). Importante destacar que essa estrutura é estática pois a relação entre as normas não mudam, o que pode mudar é o conteúdo das normas. Ordem Jurídica: É o resultado prático e social desse ordenamento (fim ou efeito desejado). É o Direito em movimento, ou seja, a realidade da organização social direcionada pelas normas. Ordem JurídicaOrdenamento JurídicoCaracterística Aplicação e convivência socialNormas e estrutura hierárquicaFoco Dinâmica (a vida em sociedade)Estática (o código escrito)Natureza Comportamentos ajustados ao DireitoLeis, jurisprudência e princípiosComposição 8. Justiça e Equidade 9. Justiça e Equidade Rui Barbosa: "A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam". Equidade é forma de manifestação de justiça que tem o condão de atenuar, amenizar, dignificar a regra jurídica. (...) é a “justiça do caso concreto”. Art. 140, CPC/2015: “O juiz não se exime de decidir sob a alegação de lacuna ou obscuridade do ordenamento jurídico. Parágrafo único: O juiz só decidirá por equidade nos caos previstos em lei.” O trabalho de aplicação do Direito por equidade é de precipuamente aparar as arestas na aplicação da lei nua e crua, para que uma injustiça não seja cometida. A equidade é um trabalho de abrandamento da norma jurídica no caso concreto. (VENOSA:2026) 8. Justiça e Equidade EquidadeJustiça Adaptação da regra ao caso concretoAplicação da regra de forma igual Considera as diferençasTrata todos da mesma forma Foco na igualdade realFoco na igualdade formal 8. Justiça e Equidade A equidade é uma forma de correção da lei, quando esta se revela omissa ou falha, devido a sua universalidade, proporcionado a lei mais justa. Pra Aristóteles, a justiça não é apenas um conceito jurídico, mas a virtude moral completa. Ele a define como a disposição de caráter que torna as pessoas propensas a fazer o que é justo e a desejar o que é justo. Pra Aristóteles, a equidade é descrita como uma forma de correção da lei, quando esta se revela omissa ou falha, devido a sua universalidade. Para ele há uma “falha na Lei Geral”, pois as leis não conseguem prever a infinidade de casos particulares da vida humana, onde a aplicação de forma literal, pode causar injustiças. 8. Justiça e Equidade A equidade substitui a lei? A “justiça do caso concreto” com equidade, faz sentido ser aplicado na decisão de um juiz? 8. Caso concreto ADPF significa Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental Trata-se de uma ação judicial de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal (STF), criada para evitar ou reparar lesões a princípios básicos (preceitos fundamentais) da Constituição causadas por atos do Poder Público 8. Caso concreto 8. Caso concreto Em maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento conjunto da ADPF 132 e ADI 4277, reconheceu por unanimidade a união homoafetiva como entidade familiar. A decisão, relatada pelo Ministro Ayres Britto, equiparou as uniões homoafetivas às uniões estáveis heteroafetivas, fundamentando-se na afetividade e na dignidade da pessoa humana. O Conflito (A Norma Rígida) O artigo 226 da Constituição Federal diz explicitamente: "para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar". Art. 226 - CF. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. (...) § 3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. 8. Caso concreto 8. Caso concreto Consequências Práticas A partir desse julgamento (que tem efeito erga omnes, ou seja, vale para todos), os casais homoafetivos passaram a ter direitos automáticos a: •Pensão por morte; •Herança e comunhão de bens; •Inclusão em planos de saúde; •Adoção de filhos. Pra casa A "Régua de Lesbos“ e a metáfora Aristotélica 09. Norma Jurídica e Imperatividade Enquanto a regra for somente social, moral ou religiosa, sem a imposição coercitiva do ordenamento jurídico, seu descumprimento acarreta inconvenientes de ordem íntima, social ou comportamental. Tanto as regras de costumes, como as de religião ou as morais, referem-se a maneira como cada pessoa deve se comportar nas várias circunstâncias da convivência em determinado grupo e época. 09. Norma Jurídica e Imperatividade Quando a regra decorre de uma imposição e quando no seu descumprimento há uma sanção imposta pelo ordenamento jurídico, pelo Estado, a situação é diferente. Estaremos diante de uma norma, uma regra jurídica, num âmbito mais específico. As normas podem aconselhar, induzir, preceituar, propor, estabelecer, impor ou proibir determinada conduta/ato. A norma de conduta estabelece uma linha ideal de comportamento, oferecendo um modelo ideal, por essa razão, necessariamente será anterior a conduta. 09. Norma Jurídica e Imperatividade Art. 186, CC – “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”. Art. 1.521, CC – “Não podem casar: I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil; II – os afins em linha reta; III – o adotante comquem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante; IV – os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive; V – o adotado com o filho do adotante; VI – as pessoas casadas; VII – o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte”. Art. 121, CP – “Matar alguém: Pena – reclusão, de seis a vinte anos”. Art. 129, CP Lesão Corporal – Substituição da pena – Parágrafo 5º O Juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de detenção pela de multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis.”