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귻귾근귽귿글긁긂긃긄긅긆 Teoria Geral do Processo 5. Princípios informativos do procedimento 5.1. Princípio da oralidade Humberto Theodoro Junior (2019, p.61) ensina que “a discussão oral da causa em audiência é tida como fator importantíssimo para concentrar a instrução e o julgamento do menor número possível de atos processuais. Os elementos que caracterizam o processo oral em sua pureza conceitual são: a) a identidade da pessoa física do juiz, de modo que este dirija o processo desde o início até o julgamento; b) a concentração, isto é, que em uma ou em poucas audiências próximas se realize a produção das provas e o julgamento da causa; c) a irrecorribilidade das decisões interlocutórias, evitando a cisão do processo ou a sua interrupção contínua, mediante recursos, que de que devolvem ao tribunal o julgamento impugnado. No CPC/2015, a recorribilidade das decisões interlocutórias não se apresenta como uma “irrecorribilidade” absoluta. O sistema adotou técnica específica, com hipóteses de agravo de instrumento (CPC, art. 1.015) e impugnação diferida em outros casos, razão pela qual o item “c)” deve ser compreendido, sobretudo, como um ideal de concentração e racionalização dos atos processuais e de redução da fragmentação recursal, e não como regra geral de inexistência de recurso. 5.2. Princípio da economia Humberto Theodoro Junior (2019, p.64-65) leciona “o processo civil deve-se inspirar no ideal de propiciar às partes uma Justiça barata e rápida, do que se extraia regra básica de que “deve tratar-se de obter o maior resultado com o mínimo de emprego de atividade estatal”. Continua o autor, “o ideal seria, portanto, o processo gratuito, com acesso facilitado a todos os cidadãos, em condição de plena igualdade. Isso, porém, ainda não foi atingido nem pelos países mais adiantados, de modo que as despesas processuais correm por conta dos litigantes, salvo apenas os casos de assistência judiciária dispensada aos comprovadamente pobres (NCPC, arts.98 a 102; Lei n. 1.060/1950). Como aplicações práticas do princípio da economia processual, podem ser citados os seguintes exemplos: denegação de provas inúteis; coibição de incidentes irrelevantes para a causa; possibilidade de antecipar o julgamento de mérito, quando não houver necessidade de provas orais em audiência; saneamento do processo antes da instrução etc. O princípio da economia processual vincula-se diretamente com a garantia do devido processo legal, porquanto o desvio da atividade processual para os atos onerosos, inúteis e desnecessários gera embaraço à rápida solução do litigio, tornando demorada a prestação jurisdicional. Justiça tardia é justiça denegada. Não é justa, portanto, uma causa que se arrasta penosamente pelo foro, desanimando a parte e desacreditando o aparelho judiciário perante a sociedade”. 5.3. Princípio da eventualidade ou da preclusão (CPC, 2015)Art. 223. Decorrido o prazo, extingue-se o direito de praticar ou de emendar o ato processual, independentemente de declaração judicial, ficando assegurado, porém, à parte provar que não o realizou por justa causa. § 1º Considera-se justa causa o evento alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário. § 2º Verificada a justa causa, o juiz permitirá à parte a prática do ato no prazo que lhe assinar. Segundo Humberto Theodoro Junior (2019, p.66), “O processo deve ser dividido numa série de fases ou momentos, formando compartimentos estanques, entre os quais se reparte o exercício das atividades tanto das partes quanto do juiz. Dessa forma, cada fase prepara a seguinte e, uma vez passada à próxima, não é mais dado retornar à anterior. Assim, o processo caminha sempre para a frente, rumo à solução de mérito, sem dar ensejo a manobras de má-fé de litigantes inescrupulosos ou maliciosos. Pelo princípio da eventualidade ou da preclusão, cada faculdade processual deve ser exercitada dentro da fase afetada adequada, sob pena de se perder a oportunidade de praticar o ato respectivo. Assim, a preclusão consiste na perda da faculdade de praticar um ato processual, quer porque já foi exercitada a faculdade processual, no momento adequado, que porque a parte deixou escoar a fase processual própria, sem fazer uso de seu direito. Tradicionalmente, o processo civil costuma ser dividido em quatro fases: a) a postulação = pedido do autor e resposta do réu; b) o saneamento = solução das questões meramente processuais ou formais para preparar o ingresso na fase de apreciação mérito; c) a instrução = coleta dos elementos de prova; e d) o julgamento = solução do mérito da causa (sentença)”. Em outras palavras, é a perda da oportunidade de realizar certos atos processuais em decorrência do decurso do tempo ou da prática de outros atos processuais. Existem diversos tipos de preclusão no processo civil, os principais são: Preclusão temporal: Refere-se à perda do direito de praticar um ato em razão do transcurso do tempo previamente estabelecido pela lei processual ou pelo juiz. Por exemplo, se uma parte não interpõe um recurso dentro do prazo legal, ocorre a preclusão temporal e ela perde o direito de recorrer. Preclusão consumativa: Ocorre quando um ato processual já praticado não pode mais ser repetido ou modificado, pois já se exauriu. Por exemplo praticado um ato que exaure a faculdade (p. ex., apresentada a contestação), não se pode substituí-lo livremente por outro ato idêntico fora das hipóteses legais; ou, apresentado um rol de testemunhas dentro do prazo, exaure-se a faculdade de apresentação ordinária, salvo autorização judicial para complementação em hipóteses justificadas. Preclusão lógica: Refere-se à incompatibilidade entre atos processuais que impedem a realização posterior de um ato anterior. Por exemplo, se uma parte contesta uma decisão judicial e posteriormente concorda com seus termos, ocorre a preclusão lógica, pois não é possível contestar e ao mesmo tempo concordar com os termos da decisão. Preclusão pro judicato: Também conhecida como preclusão para o juiz, ocorre quando uma questão foi decidida pelo juiz e não pode mais ser objeto de discussão no mesmo processo, salvo por meio de recurso. Por exemplo, se uma parte não impugna uma determinada decisão em momento oportuno, não pode mais questioná-la posteriormente. A preclusão é um conceito fundamental no processo civil, pois contribui para a segurança jurídica e para a celeridade processual, evitando que as partes fiquem eternamente discutindo questões já decididas ou que poderiam ter sido apresentadas em momentos oportunos durante o processo. 5.4. Princípio da identidade física do juiz O princípio da identidade física do juiz consistia no dever de que o magistrado que concluiu a audiência de instrução e julgamento proferir a sentença. O diploma processual atual não manteve a regra do código anterior. Embora o CPC/2015 não tenha reproduzido a regra rígida anterior, a lógica de valorização da prova oral e da adequada fundamentação permanece, sendo recomendável, sempre que possível, a preservação do conteúdo probatório por meios de registro (inclusive audiovisual, quando existente) e a racionalidade na substituição do magistrado, sem se falar, contudo, em identidade física como imposição legal geral. 5.5. Princípio da cooperação (CPC, 2015) Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Para Humberto Theodoro Junior (2019, p.82), “Trata-se de um desdobramento moderno do contraditório assegurado constitucionalmente, que não mais pode ser visto apenas como garantia de audiência bilateral das partes, mas que tem uma função democrática de permitir a todos os sujeitos da relação processual a possibilidade de influir, realmente, sobre a formaçãodo provimento jurisdicional. É, também, um consectário do princípio da boa-fé objetiva, um dos pilares de sustentação da garantia constitucional do processo justo, como já se viu”. “A cooperação de cada uma das partes com o juiz constitui também um energético ditame do princípio da lealdade processual (g.n.), que veda a prática de atos tendentes a dificultar a instrução da cauda ou retardar a efetivação de medidas constritivas na execução forçada” (DINAMARCO, Candido Rangel, O novo Código de Processo Civil brasileiro e a ordem processual civil vigente. Revista de Processo, v.247, p.75, set/2015). (Apud Humberto Theodoro Junior (2019, p.82) “A cooperação entre todos os sujeitos do processo deve significar a colaboração na identificação das questões de fato e de direito e de abster-se de provocar incidentes desnecessários e procrastinatórios. Essa vedação, aliás, decorre da expressa adoção do ‘princípio da boa- fé’ pelo art.5º. do novo CPC” (BUENO, Cassio Scarpinella. Novo Código de Processo Civil anotado. São Paulo: Saraiva, 2015, p.45). (Apud Humberto Theodoro Junior (2019, p.82) Cassio Scarpinella complementa, “A compreensão de que todos os sujeitos processuais, cada qual nas especificidades decorrentes de seu mister institucional (advogados, dentro da ética e do ordenamento jurídico, defenderão os interesses que lhe são confiados por seus clientes; membros do Ministério Público, observando os mesmos quadrantes, atuarão em prol de interesses que justificam sua intervenção no processo civil), são meio essencial para viabilizar a prestação da tutela jurisdicional para quem, na perspectiva do direito material, merecê-la (que é, em última análise, o fim do processo) é essencial para realizar concretamente o comando estampado no art. 6º do CPC de 2015, que, insisto, já é o que merecia ser extraído desde a concepção do contraditório como cooperação no contexto constitucional”. (BUENO, 2018). 5.6. Princípio dispositivo e Princípio inquisitivo (CPC, 2015) Art. 2º O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei. Também chamado de princípio da inércia da jurisdição, o princípio dispositivo preconiza que o juiz não pode conhecer de matéria a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte. Nas lições de Fredie Didier, a inércia se restringe apenas à iniciativa do processo, pois uma vez provocada a Jurisdição, ou seja, uma vez ajuizada a demanda, haverá o impulso oficial para o andamento do processo. Para o melhor entendimento do sistema, Daniel Amorim Assumpção Neves (2016, p. 123) conceitua o sistema inquisitivo puro e sistema dispositivo puro da seguinte forma: No sistema inquisitivo puro o juiz é colocado como a figura central do processo, cabendo a ele a sua instauração e condução sem a necessidade de qualquer provocação das partes. A liberdade na atuação do juiz é ampla e irrestrita. No sistema dispositivo puro o juiz passa a ter uma participação condicionada à vontade das partes, que definem não só a existência e extensão do processo – cabendo ao interessado a sua propositura e definição dos elementos objetivos e subjetivos –, como também o seu desenvolvimento, que dependerá de provocação para que prossiga. O sistema brasileiro é um sistema misto, com preponderância do princípio dispositivo (NEVES, 2016). _________________________________ 귲귳귴귵귶귷 Referências BRASIL. Constituição Federal. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm BRASIL. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm BUENO, Cassio Scarpinella. Manual de direito processual civil : volume único – 4.ed. – São Paulo : Saraiva Educação, 2018, p.55 elivro DIDIER JR., Freddie. Curso de Direito Processual Civil: introdução ao direito procesual civil, parte geral e processo de conhecimento. Vol1. 21 ed., Salvador: Jus Podivm, 2019. NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito processual civil – Volume único – 8. ed. – Salvador: Ed. JusPodivm, 2016. THEODORO JUNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. Vol 1. 60 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2019.