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Indaial – 2022 Básicos de História Prof. Carlos Odilon da Costa Prof.ª Graciele Alice Carvalho Adriano 2a Edição Metodologia e conteúdos Elaboração: Prof. Carlos Odilon da Costa Prof.ª Graciele Alice Carvalho Adriano Copyright © UNIASSELVI 2022 Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI Impresso por: C837m Costa, Carlos Odilon da Metodologia e conteúdos básicos de História. / Carlos Odilon da Costa; Graciele Alice Carvalho Adriano. – Indaial: UNIASSELVI, 2022. 187 p.; il. ISBN 978-65-5663-767-9 ISBN Digital 978-65-5663-768-6 1. Ensino da História. – Brasil I. Adriano, Graciele Alice Carvalho. II. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. CDD 370 Prezado acadêmico, seja bem-vindo à disciplina de Metodologia e Conteúdos Básicos de História. A partir dos estudos deste livro didático, você ampliará seus conhecimentos sobre o trabalho educativo referente ao ensino da História. O processo de ensino e aprendizagem abrange alguns saberes docentes necessários para o desenvolvimento das práticas relacionadas aos assuntos de História. Na Unidade 1, nós estudaremos o contexto do ensino de história, com a abordagem histórica do ensino de História, o ensino da História a partir das propostas educacionais e o processo de avaliação e formação dos alunos. Em seguida, na Unidade 2, abordaremos os principais métodos, temas de ensino e aprendizagem de História, para você compreender como, ao longo do processo de configuração da disciplina e da ciência histórica, as diferentes abordagens foram elaboradas. Por fim, na Unidade 3, aprenderemos o período conhecido como pós-moderno, que guiará os estudos de história, com destaque para a alfabetização, condição humana e novas tecnologias relacionadas à sociedade do século XXI, bem como a produção de conhecimento em sala de aula. Bons estudos! Prof. Carlos Odilon da Costa Prof.ª Graciele Alice Carvalho Adriano APRESENTAÇÃO Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – e dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR Codes completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos. GIO QR CODE Olá, eu sou a Gio! No livro didático, você encontrará blocos com informações adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender melhor o que são essas informações adicionais e por que você poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto estudado em questão. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um novo visual – com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada também digital, em que você pode acompanhar os recursos adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente, apresentamos também este livro no formato digital. Portanto, acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Preparamos também um novo layout. Diante disso, você verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os seus estudos com um material atualizado e de qualidade. ENADE LEMBRETE Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela um novo conhecimento. Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementares, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada! Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confira, acessando o QR Code a seguir. Boa leitura! SUMÁRIO UNIDADE 1 - CONTEXTO DO ENSINO DE HISTÓRIA ...............................................1 TÓPICO 1 - ABORDAGEM HISTÓRICA DO ENSINO DE HISTÓRIA ......................... 3 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 3 2 CONCEITO DE DISCIPLINA ESCOLAR ................................................................. 3 2.1 CONSTITUIÇÃO DAS DISCIPLINAS ESCOLARES ..........................................................5 2.2 DISCIPLINA ESCOLAR E O ENSINO DE HISTÓRIA ........................................................6 3 MÉTODOS DE ENSINO DE HISTÓRIA ................................................................... 9 3.1 O ENSINO DA HISTÓRIA NA ANTIGA ESCOLA PRIMÁRIA ............................................9 3.2 O ENSINO COM BASE NA MEMORIZAÇÃO ....................................................................11 3.3 O ENSINO DOS ESTUDOS SOCIAIS ................................................................................12 RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................... 14 AUTOATIVIDADE ................................................................................................... 15 TÓPICO 2 - O ENSINO DA HISTÓRIA A PARTIR DAS PROPOSTAS EDUCACIONAIS ......................................................................................................17 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................17 2 AS PROPOSTAS CURRICULARES PARA O ENSINO DE HISTÓRIA ....................17 2.1 PROPOSTAS CURRICULARES DE HISTÓRIA ...............................................................18 2.2 OBJETIVOS E TEMAS DA HISTÓRIA ESCOLAR ..........................................................19 2.3 DIVERSIDADE SOCIAL E CULTURAL NOS CURRÍCULOS ........................................20 3 FUNDAMENTOS GERAIS DA BNCC .................................................................. 21 3.1 AS COMPETÊNCIAS PARA A BNCC ............................................................................... 22 3.2 ESTRUTURA DA BNCC ..................................................................................................... 24 3.3 COMPONENTE CURRICULAR DE HISTÓRIA .............................................................. 25 RESUMO DO TÓPICO 2 ..........................................................................................29 AUTOATIVIDADE ...................................................................................................30 TÓPICO 3 - PROCESSO DE AVALIAÇÃO E FORMAÇÃO DOS ALUNOS ................33 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................33de conflitos e conciliação social. No ensino da História é fundamental utilizar as diferentes fontes e tipos de documentos, que auxiliam na compreensão da relação tempo e espaço, bem como das relações sociais que os geraram. Assim, o objeto histórico se transforma em laboratório da memória que objetiva a produção de um saber próprio da história (BRASIL, 2018). Um dos principais objetivos do ensino da História consiste em estimular a autonomia do pensamento e a capacidade de reconhecer que os indivíduos agem de acordo com seu tempo e o lugar em que vivem. A percepção de que existe uma 26 diversidade de sujeitos e histórias, estimula o pensamento crítico, a autonomia e a formação para a cidadania. De acordo com a BNCC (BRASIL, 2018) a busca de autonomia requer o reconhecimento das bases de epistemologia da história: • a natureza compartilhada do sujeito e do objeto de conhecimento; • o conceito de tempo histórico em seus diferentes ritmos e durações; • a concepção de documento como suporte das relações sociais; • as várias linguagens em que o indivíduo se apropria do mundo. Assim, espera-se que o conhecimento histórico seja tratado como uma forma de pensar, de indagar as situações do passado e do presente, de construir explicações, desvendar significados, compor e decompor interpretações, ao longo do tempo e do espaço. A BNCC (BRASIL, 2018) pretende estimular ações para que os professores e alunos sejam sujeitos do processo de ensino e aprendizagem, para que assumam uma atitude historiadora diante dos conteúdos estudados. O ensino da História para os anos iniciais do Ensino Fundamental contempla a construção do sujeito. O processo inicia quando a criança percebe a existência de um Eu e de um Outro. Dessa forma, os indivíduos desenvolvem a percepção de si e do outro em meio as vivências cotidianas, na família, escola e no espaço em que vivem. O aprendizado torna-se mais complexo à medida que o indivíduo percebe a existência de um Outro, e que cada um apreende o mundo de modo particular. A percepção da distância entre o objeto e o pensamento contribui para a autonomia do sujeito, enquanto produtor de diferentes linguagens. As diversas linguagens medem a relação do sujeito com a sociedade. Assim, a história depende das linguagens como forma dos indivíduos se comunicarem, entrarem em conflitos e negociarem. 27 FIGURA 2 – COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE HISTÓRIA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL FONTE: Brasil (2018, p. 402) DICA Acesse o site “Base Nacional Comum Curricular: Educação é a base” e descubra diversas informações sobre o documento. Inclusive, você terá acesso à BNCC para navegação, PDF e planilha. Disponível em: http:// basenacionalcomum.mec.gov.br/. 28 HOME PAGE DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR FONTE: . Acesso em: 9 nov. 2021. 29 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • As propostas elaboradas após o ano de 1996, com o destaque para a inserção da História e Geografia, a partir dos anos iniciais, substituindo o ensino dos Estudos Sociais. • A maior parte das propostas organizadas no decorrer da década de 1990, são fundamentadas em uma história social ou sociocultural, baseada na relação com os conceitos direcionados a cultura, trabalho e poder. • A História, inicialmente, serviu para legitimar um passado que explicasse a formação do Estado-nação e para desenvolver nos um sentimento patriótico ou nacionalista de identidade nacional. • Na atualidade, seu objetivo relaciona-se à construção de identidades, das múltiplas identidades sociais, que incluem de gênero, étnicas e sexuais. • Os PCN apresentam os estudos organizados por eixos temáticos. • Atualmente, nos currículos de História, percebe-se a inclusão de problemáticas em relação às diversidades sociais e culturais da sociedade. • Os estudos da história da sociedade brasileira que contemple a sua diversidade, necessitam abranger a inclusão dos povos indígenas, afrodescendentes e das sociedades europeias, nos seus tempos e espaços, enfrentando os preconceitos e as hierarquias. • A BNCC (BRASIL, 2018) aponta conhecimentos, competências e habilidades esperados no desenvolvimento dos alunos ao longo da Educação Básica, com principal foco na formação integral para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. • Um dos principais objetivos do ensino da História consiste em estimular a autonomia do pensamento e a capacidade de reconhecer que os indivíduos agem de acordo com seu tempo e o lugar em que vivem. • O ensino da História para os anos iniciais do Ensino Fundamental contempla a construção do sujeito. 30 1 As propostas elaboradas após o ano de 1996, com destaque para a inserção da História e Geografia, a partir dos anos iniciais, substituindo o ensino dos Estudos Sociais. Essa situação impôs uma preocupação em relação à introdução de noções e conceitos históricos, que serão progressivamente desenvolvidos ao longo do Ensino Fundamental e Médio. Sobre as características dos conceitos fundamentais das propostas, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Apontam o ensino voltado ao patriotismo, civismo e aqueles considerados como heróis. b) ( ) Atribui valor ao ensino voltado a experiência das crianças, em passeios e excursões. c) ( ) Asseguram o ensino da cultura, organização social e trabalho, bem como as noções de tempo e espaço históricos. d) ( ) Incluíram a noção de tempo e espaço que vigorou como único ponto de estudos das crianças. 2 Atualmente, nos currículos de História, percebe-se a inclusão de problemáticas em relação às diversidades sociais e culturais da sociedade. Por meio de legislação obrigatória, como a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, a LDB, os temas raciais da sociedade brasileira devem aparecer nos conteúdos curriculares, visto que a escola consiste no lugar de debates sobre tais situações. Com base nas definições para a formação do “bom professor” na perspectiva de Nóvoa (2009), analise as sentenças a seguir: FONTE: NÓVOA, A. Professores: imagens do futuro presente. Lisboa: EDUCA. 2009. I- Os estudos da história da sociedade brasileira necessitam abranger a inclusão dos povos indígenas, afrodescendentes e das sociedades europeias. II- Há necessidade de se manter a periodização produzida pela lógica europeia, definindo as divisões da História, para a compreensão do processo histórico. III- Os estudos das sociedades africanas devem estar inseridos na revisão dos conceitos fundamentais que constituem a história dos grupos marginalizados e excluídos. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. AUTOATIVIDADE 31 3 A BNCC aponta conhecimentos, competências e habilidades esperados no desenvolvimento dos alunos ao longo da Educação Básica, com principal foco na formação integral para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. Disserte sobre o caráter normativo da BNCC. 4 A BNCC define um conjunto de aprendizagens que são essenciais ao desenvolvimento das crianças, jovens e adultos durante as etapas da Educação Básica. Apresenta como principal objetivo o aprender, em destaque no texto com o direcionamento do trabalho pedagógico para o “aprender a aprender”. Disserte sobre as características que definem o ensino da História para os anos iniciais do Ensino Fundamental. 5 Para a BNCC (BRASIL, 2018), o “fazer história” inicia com a indagação da constituição do sujeito, para depois, se expandir e contemplar as questões do mundo. Nesse meio, os indivíduos produzem saberes que os tornam mais aptos para enfrentarem as situações de conflitos e conciliação social. De acordo com as competências específicas de história para o ensino fundamental, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: FONTE: BRASIL. Ministério daEducação. Base nacional comum curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. ( ) Compreender os acontecimentos históricos, relações de poder, processos e mecanismos de transformação ao longo do tempo e nos diferentes espaços, para analisar e intervir no mundo. ( ) Compreender a historicidade no tempo e no espaço, problematizando os significados das lógicas da organização cronológica. ( ) Elaborar textos e resumos sobre os documentos e contextos históricos específicos, segundo a linguagem escrita e documental, com base no diálogo, cooperação e respeito. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – V. b) ( ) F – V – F. c) ( ) V – V – F. d) ( ) F – F – V. 32 33 TÓPICO 3 - PROCESSO DE AVALIAÇÃO E FORMAÇÃO DOS ALUNOS 1 INTRODUÇÃO UNIDADE 1 Prezado acadêmico, o trabalho pedagógico que envolve o ensino de História requer certos conhecimentos que abrangem os diversos fazeres educacionais. Um em especial, consiste na concepção de avaliação escolar, no tipo de organização que o professor escolherá conforme sua percepção de educação. Assim, neste tópico, você conhecerá os aspectos que nortearam historicamente o conceito de avaliação, de acordo com as concepções sociais de cada época. Observe atentamente as características que fizeram parte do antigo conceito de avaliação e que ainda se encontram presentes no cotidiano escolar. Ao final de seus estudos, faça o seguinte questionamento: qual tipo de avaliação você assume na prática educativa? Outro ponto de destaque que estudaremos será a formação do aluno como sujeito histórico, em que necessitamos conhecer saberes da construção do conhecimento na teoria de Vygotsky. Inclusive, conheceremos o desenvolvimento dos conceitos cotidianos e científicos, bem como sua relação com a ZDP. Por fim, abordaremos os princípios que incidem na formação do pensamento crítico do aluno, mais precisamente, nas práticas desenvolvidas pelo professor. 2 CONCEPÇÃO DE AVALIAÇÃO ESCOLAR No Brasil, o século XX incidiu concepções inovadoras, sendo influenciadas por estudiosos da Europa e Estados Unidos, repercutindo, na década de 1930, no movimento da Escola Nova. A nova forma de se pensar em educação contrapunha o modelo tradicional herdado das escolas religiosas. A Escola Nova, segundo Aranha (2006), defendia uma renovação pedagógica, para transformar a prática pedagógica buscando a formação de pessoas para o exercício da democracia. A ênfase das práticas pedagógicas deveria voltar-se para o estudante, oferecendo oportunidades para aprender por si mesmo realizando na prática o que havia aprendido. 34 A inserção das teorias cognitivistas da aprendizagem indicadas por estudiosos como: Ausubel (1963) com a aprendizagem significativa; Piaget (1971) com o construtivismo e Vygotsky (1991) com a teoria sócio-histórica e cultural, repassadas nos cursos de formação de professores, repercutiram em mudanças no pensamento educacional. Na década de 1990, houve a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394/1996, que passa a regulamentar as várias formas de oferta do ensino no país. Assim, a LDB, com revisão e atualização em 2016, aborda, em seu Art. 24, a organização do Ensino Fundamental e Médio (BRASIL, 1996). Discorre quanto aos aspectos referentes à avaliação: II- a classificação em qualquer série ou etapa, exceto a primeira do ensino fundamental, pode ser feita: a) por promoção, para alunos que cursaram, com aproveitamento, a série ou fase anterior, na própria escola; b) por transferência, para candidatos procedentes de outras escolas; c) independentemente de escolarização anterior, mediante avaliação feita pela escola, que defina o grau de desenvolvimento e experiência do candidato e permita sua inscrição na série ou etapa adequada, conforme regulamentação do respectivo sistema de ensino; III- nos estabelecimentos que adotam a progressão regular por série, o regimento escolar pode admitir formas de progressão parcial, desde que preservada a sequência do currículo, observadas as normas do respectivo sistema de ensino; IV- poderão organizar-se classes, ou turmas, com alunos de séries distintas, com níveis equivalentes de adiantamento na matéria, para o ensino de línguas estrangeiras, artes, ou outros componentes curriculares; V- a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios: a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais; b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar; c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado; d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito; e) obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos (BRASIL, 1996, s. p.). De acordo com a legislação educacional, a avaliação necessita valorizar os aspectos qualitativos sobre os quantitativos durante o ano de estudo, principalmente em relação aos exames finais. Preconiza a valorização quanto à recuperação de estudos ao longo do processo de ensino e aprendizagem no ano letivo, sobre os assuntos que não foram bem compreendidos pelos estudantes. 35 A legislação também indica a possibilidade do avanço nas séries ou anos dos programas escolares. Essa situação se aplica aos estudantes que apresentam um desenvolvimento acima da média na aprendizagem, superando as expectativas dos estudos no ano que cursa. 2.1 O SENTIDO DA AVALIAÇÃO AO LONGO DOS ANOS A avaliação como conceito geral infere significados classificados em informal e formal. A avaliação informal diz respeito à ação instintiva das pessoas em atribuírem sentidos de juízo às vivências, situações e impressões que vivenciam no cotidiano. Como uma forma inerente do ser humano de examinar as ocorrências que fazem parte de sua vivência e atribuir conceitos favoráveis ou negativos. Contudo, a avaliação formal aponta para uma ação sistematizada para compreensão dos processos que envolvem as pessoas, no desenvolvimento de atividades, situações e na aprendizagem de conhecimentos (BELLONI; MAGALHÃES; SOUSA, 2001). A avaliação formal destaca um diferencial a avaliação informal quando precedida de intencionalidade no aprendizado e desenvolvimento de funções cognitivas. A avaliação da aprendizagem como um dos estilos de avaliação formal, apresentou destaque nos processos de ensino quando infere, [...] um juízo de valor, o que significa uma afirmação qualitativa sobre um dado objeto, a partir de critérios pré-estabelecidos, portanto diverso do juízo de existência que se funda nas demarcações físicas do objeto. O objeto avaliado será tanto mais satisfatório quanto mais se aproximar do ideal estabelecido, e menos satisfatório quanto mais distante estiver da definição ideal, como protótipo ou como estágio de um processo (LUCKESI, 1996, p. 33). Ao longo do processo histórico de formação do conceito de avaliação, em vários tempos diferentes se perdurou a noção de quantificar, medir e controlar o desenvolvimento dos alunos, utilizando como instrumento a avaliação. A partir da Idade Média, o processo de aprendizagem esteve intimamente ligado e orientado por avaliações que mediam a quantidade de conhecimento aprendido, visto que os alunos na época necessitam memorizar todos os saberes. Com o passar do tempo, e o aumento do número de alunos nas escolas, o advento da imprensa com a chegada do livro, os professores necessitaram reinventar metodologias que garantissem o aprendizado, no decorrer da Idade Moderna. As provas e exames continuaram garantindo a medição dos conhecimentos aprendidos, acompanhados por outros recursos que regulavam a indisciplina e o agito de turmas com uma média decem crianças. 36 FIGURA 3 – SALA DE AULA NA IDADE MODERNA FONTE: . Acesso em: 9 nov. 2021. Na contemporaneidade, segundo Luckesi (1996), o sentido da avaliação ainda se baseia em provas, exames, trabalhos e outras formas de averiguar o aprendizado, incidem na avaliação com função classificatória em detrimento da diagnóstica. "Como diagnóstica, ela será um momento dialético de senso do estágio em que se está e de sua distância em relação à perspectiva que está colocada como ponto a ser atingido à frente" (LUCKESI, 1996, p. 35). Ou seja, a avaliação diagnóstica como uma revelação do estágio que se encontra no processo de aprendizado do aluno, para que o professor possa organizar sua prática educativa com a finalidade de prosseguir os estudos com a turma. Logo, a prática educativa garante a manutenção de avaliações classificatórias, reproduzindo uma "pedagogia do exame" em detrimento da "pedagogia do ensino/ aprendizagem", onde o objetivo central se encontra nas provas e exames. Luckesi (1996) aponta algumas características que revela o sentido da avaliação escolar, como a atenção na promoção, atenção nas provas, a família voltada para promoção, instituições centradas nos resultados das provas/exames, sistema social garante as notas obtidas em exames e o medo. A atenção na promoção infere na atenção dos alunos em relação à promoção no final do ano escolar. Assim, buscam conhecer as regras, normas e as formas de como conseguirão obter as notas para alcançarem seu objetivo, avançar nos anos escolares. No decorrer do ano, as notas são lançadas, médias calculadas, o processo escolar baseia-se fundamentalmente na aquisição das notas, sem interesse em como foram obtidas, ou nos caminhos que os levaram a receber uma nota em detrimento de outra (LUCKESI, 1996). O processo de ensino e aprendizagem com preponderância no desenvolvimento da aprendizagem dos conhecimentos fica à margem, substituído no entendimento da relevância quanto a aquisição de notas para passar de ano. 37 A atenção nas provas indica a relevância dos professores em utilizarem de instrumentos avaliativos como forma de tortura e ameaça prévia aos alunos, acreditando que seja um objeto de motivação para os estudos da turma. Dessa forma, os professores deixam a impressão das provas serem uma forma de controle motivacional da turma. Os alunos necessitam prestar atenção nas explicações dos conteúdos para terem um bom desempenho nas avaliações, o medo como forma de incentivo para que a turma estude (LUCKESI, 1996). A família voltada para promoção consiste nos responsáveis que esperam as notas de seus filhos, ou dos menores que convivem junto, para que possam ser aprovados no ano letivo. A escola gerencia momentos que influenciam as expectativas dos responsáveis, principalmente nas reuniões com entregas dos boletins, dos resultados obtidos no decorrer de um tempo. O principal motivo da reunião para os professores seria o momento de conversar com os responsáveis sobre os problemas de alguns alunos, que refletem em suas notas abaixo da média esperada. Contudo, os considerados bons alunos, aqueles que atingiram a média, os professores não sentem necessidade em discutir com os responsáveis o desenvolvimento da aprendizagem dos menores. Os encontros já são organizados de forma a dificultar o diálogo entre professores e pais (LUCKESI, 1996). Atualmente, as turmas variam de 25 a 40 alunos, dependendo do ano escolar, e o professor atenderá aos responsáveis no mesmo momento, na entrega de boletins. Dessa forma, não consegue dialogar coerentemente com todos os responsáveis, resultando em falas curtas sobre indisciplina e notas baixas com uns e parabenizações a outros que alcançaram os objetivos, boas notas. São encontros que não há possibilidade de se discutir o processo de ensino e aprendizagem, muito menos o desenvolvimento conceitual dos alunos. Instituições centradas nos resultados das provas/exames por meio dos índices estatísticos de aprovação e reprovação, indicando o rendimento dos alunos anualmente. O aproveitamento dos alunos nessa situação passa a ser gerido por números que indicam os que conseguiram atingir a média para avançarem nos anos escolares (LUCKESI, 1996). Dessa forma, nada indicam da realidade expressa no desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem dos alunos que ocorreu ao longo das aulas. Não há uma preocupação em relação ao processo de aprendizagem, mas sim na expressão dos números que indicam a aprovação, na quantidade de alunos que conseguiram realizar corretamente as questões das provas e exames. Sistema social garante as notas obtidas em exames incluindo a manutenção e preservação de um modelo educacional que valoriza a nota em detrimento aos processos educativos. Quando uma determinada escola, após muito estudo e reflexão com a comunidade escolar, resolve modificar sua concepção educativa, incluindo a avaliação, necessitará garantir bons resultados. Caso não consiga atingir os objetivos estatísticos, será considerada fora do normal e autuada pelo órgão competente (LUCKESI, 1996). 38 Medo como principal fator no processo de controle social, enquanto mantenedor da ordem, serve como um freio natural para que ações indesejadas sejam realizadas. Segundo Luckesi (1996, p. 24), "o medo gera submissão forçada e habitua a criança e o jovem a viverem sob sua égide. Reiterado, gera modos permanentes e petrificados de ação". Para garantir a manutenção do medo, se faz uso de castigos que podem ser explícitos ou velados. Atualmente, não se usa mais o castigo físico nas escolas, contudo, o castigo psicológico se faz presente no cotidiano escolar. A ameaça como um castigo psicológico que mantém uma duração prolongada, e as avaliações de aprendizagem muitas vezes inferem o poder da ameaça iminente para que os alunos estudem e tenham disciplina em sala. Você pode questionar como lidar com tantos alunos juntos em sala de aula, em como deveria ser então a forma de conduta para garantir um nível de solidariedade e participação, garantindo a todos o direito de estudar. Uma das vias que na contemporaneidade se faz necessária nas escolas, seria o estudo apurado das legislações. Leis que garantem o processo de ensino e aprendizagem aos alunos, que atentam aos que infringem os direitos humanos. Não relacionados a manutenção do silêncio e ordem em sala, mas do respeito e igualdade de condições de estudo para todos. Um fator importante que necessita ser observado no ambiente escolar diz respeito à diferença entre as dificuldades de aprendizagem, indisciplina escolar e os delitos. As dificuldades de aprendizagem entendidas como aqueles que não acompanham a turma, os que parecem não entender os assuntos explicados. "A preocupação da escola e dos professores em controlar para que todos os alunos aprendam ao mesmo tempo e da mesma forma resulta, também, numa sequência padronizada e rígida das tarefas avaliativas" (HOFFMANN, 2001, p. 63). A ficção produzida ao longo dos anos no ambiente escolar, de que todos os alunos aprendem do mesmo modo, em situações equivalentes, produz entraves que são desvelados quando se observa as singularidades presentes numa mesma turma. 2.2 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO Os instrumentos de avaliação são oriundos de uma percepção, sentido ou um entendimento sobre: o que avaliar? Como avaliar? Qual é o significado de avaliação da aprendizagem? Para Romão (2009, p. 80): [...] a avaliação da aprendizagem é o procedimento docente que atribui símbolos a fenômenos cujas dimensões foram medidas, a fim de lhes caracterizar o valor, por comparação com padrões prefixados. [...] enquanto medida constrói-se mais em cima de juízos de fato [...], a avaliação se edifica sobre juízos de valor. 39 Nesse sentido, entende-se que a medida e a avaliação são duas etapas de um mesmo processo, em como se amálgama em determinadas situações de verificaçãode aprendizagem. A avaliação da aprendizagem consiste no estilo de medida comparada, transformada em símbolos que retratam a quantidade de acertos numa prova ou exame (ROMÃO, 1998). A avaliação é como uma forma subjetiva de referenciar os valores de uma determinada época, sociedade ou classe social. É uma forma de revelar as vontades e entendimentos do sistema educacional, colocado em prática por processo educativo realizado nos espaços escolares. Para sua efetivação, ainda há necessidade da organização de escalas de valores para que o desempenho dos alunos possa ser comparado (ROMÃO, 2009). De acordo com Luckesi (1996, p. 85), "a avaliação da aprendizagem escolar adquire seu sentido na medida em que se articula com um projeto pedagógico e com seu consequente projeto de ensino. [...] ela subsidia um curso de ação que visa construir um resultado previamente definido". Dessa forma, a avaliação da aprendizagem infere decisões sobre a aprendizagem dos alunos, como uma garantia que revela a qualidade do resultado educativo. Os professores, de modo geral, atuam em três procedimentos básicos que estruturam a concepção de avaliação da aprendizagem escolar. Assim, a medida do aproveitamento escolar diz respeito à obtenção de resultados da aprendizagem por medidas que variam conforme os tipos de instrumentos utilizados. A medida nessa questão como um padrão que servirá para medir o objeto, quantas vezes forem necessários. No processo de ensino e aprendizagem, o padrão de medida indica o acerto de questão, com a contagem de acordo com os conteúdos explicados. Para tanto, os professores fazem uso de observações, testes e outras formas avaliativas com critérios padronizados. A partir da medida, o professor consegue averiguar o nível de aprendizagem dos alunos, determinando um ponto fixo até onde deveriam ter avançado em seus estudos (LUCKESI, 1996). O segundo passo do professor consiste em transformar a medida em nota ou conceito obtido por meio dos instrumentos avaliativos em que os resultados são comparados a medida pré-estabelecida. As notas consistem em valores numéricos em que cada valor representa níveis que consideram a quantidade de aprendizagem, ou os conceitos, que apresentam em texto descritivo o nível de aprendizagem dos alunos. 40 O professor, ao longo de sua prática educativa, utiliza vários instrumentos avaliativos e necessita, ao final de um percurso que varia conforme o sistema de ensino, utilizar da média de notas ou conceitos. Quando o sistema determina o uso numérico, as avaliações realizadas de forma conceitual necessitam ser transformadas em números, transpondo a qualidade em quantidade (LUCKESI, 1996). O último passo avaliativo do professor seria a utilização dos resultados, no qual o professor registra em seu diário de classe as notas ou conceitos obtidos, oferta ao aluno uma nova oportunidade em realizar a avaliação quanto não atinge a média prevista. Outra possibilidade que os resultados apresentam seria nas dificuldades de aprendizagem dos alunos e na decisão de trabalhar novamente os conteúdos, objetivando seu aprendizado. Nesse sentido, os resultados obtidos abaixo da medida proposta indicam ao professor a necessidade de retomar os assuntos trabalhados em outra perspectiva com objetivo educacional voltado para o desenvolvimento dos alunos. O que geralmente não ocorre, interrompido no momento que se averigua o resultado final: aprovado ou reprovado. A avaliação sob essa perspectiva infere uma característica classificatória, diferente daquela que possibilita uma revisão dos conteúdos influenciando em aprendizagens ainda não realizadas pelos alunos (LUCKESI, 1996). FIGURA 4 – PASSOS DA AVALIAÇÃO DO APROVEITAMENTO DO ALUNO FONTE: Adaptada de Luckesi (1996) 41 Luckesi (1996) indica a avaliação do aproveitamento escolar como uma forma de atribuir qualidade aos resultados da aprendizagem dos alunos. Uma avaliação atenta aos passos que a constituem, mas com um objetivo final direcionado para escolhas que indiquem o aprendizado, o desenvolvimento do aluno. Assim, a avaliação deixa de ser classificatória e assume um caráter de averiguação do aproveitamento escolar. O professor quando coleta, analisa e sintetiza o material recolhido que servirá de instrumento avaliativo, percebe o desenvolvimento da aprendizagem dos alunos. De posse das informações, necessita atribuir um juízo de acordo com os assuntos trabalhados, ou um valor de qualidade a partir de um padrão estabelecido e admitido pelo sistema de ensino. Após essas etapas que notificarão o nível de aprendizagem dos alunos, o professor necessita escolher o que pretende fazer. Quais seriam suas ações perante os resultados obtidos? Numa perspectiva voltada ao desenvolvimento de aprendizagem da turma, segundo Luckesi (1996), o professor optaria em seu contexto educacional de sala de aula para: • reorientação da aprendizagem: utilizando outras formas de ensinar para o conteúdo seja compreendido pelos alunos; • encaminhamento dos alunos para os próximos assuntos a serem aprendidos, caso considere qualitativamente os resultados como satisfatórios. A avaliação conduzida dessa forma, revela um entendimento do professor sobre averiguar o aproveitamento escolar, considerando o desenvolvimento da aprendizagem dos alunos. Dessa forma, transpõe a perspectiva que considera a avaliação como forma de mensurar quantitativamente os resultados, posicionando os alunos em aprovados ou reprovados. Luckesi (1996) adverte que para o professor utilizar corretamente a avaliação voltada ao processo de ensino e aprendizagem dos alunos, precisa estabelecer um padrão mínimo de conhecimentos, habilidades e hábitos que os alunos deverão aprender. Diferente da média mínima de notas que usualmente ocorre nos espaços escolares, revelando ínfimas quantidades de elementos presentes numa totalidade da realidade dos alunos. "A prática da avaliação da aprendizagem, em seu sentido pleno, só será possível na medida em que se estiver efetivamente interessado na aprendizagem do educando, ou seja, há que se estar interessado em que o educando aprenda aquilo que está sendo ensinado" (LUCKESI, 1996, p. 99). A avaliação assume um caráter diagnóstico da qualidade dos resultados que necessita ser repensada pelo professor, com objetivo de rever o processo de ensino e aprendizagem de determinados conteúdos com sua turma. 42 2.3 CONCEPÇÕES DE AVALIAÇÃO AO LONGO DO PERCURSO HISTÓRICO Os conceitos que estruturam a avaliação da aprendizagem presente nos espaços escolares passaram por algumas concepções ao longo dos anos. O entendimento em relação ao desenvolvimento conceitual dos professores sobre a avaliação, qualifica o trabalho educativo com sentido para o processo de ensino e aprendizagem. A avaliação faz parte do convívio social entre as pessoas, expressando ações referentes ao julgamento e comparação. Dalben (2005, p. 66) aponta que "[...] seja através de reflexões informais que orientam as frequentes opções do dia a dia ou, formalmente, através da reflexão organizada e sistemática que define a tomada de decisões". A avaliação no âmbito escolar, apesar de apresentar algumas especificidades ao longo da história, mantém um caráter de verificação da aprendizagem. Nesse sentido, apresentou ao longo do percurso histórico social algumas alterações, de forma sutil, em relação à perspectiva no campo educacional. A avaliação entendida ao longo dos anos como classificatória, diagnóstica, emancipatória, formativa, mediadora e dialógica. A distinção das denominações deve- se às influências dos teóricos e correntes educacionais, de acordo com as necessidades de cada período da histórica. 2.3.1. Concepção classificatória A tendência classificatória situa a avaliação como medida, ou seja, a avaliação e medida eram sinônimos. Nessa época, a avaliação apresentava um sentido técnico, baseada em testes que permitiam medir as aprendizagens dos alunos. A concepção da avaliação comomedida vem dos testes destinados a medir a inteligência e as aptidões, fundamentados nos estudos de Alfred Binet, na França. Binet originou o chamado coeficiente de inteligência, resultante do quociente entre a idade mental e a idade cronológica das pessoas. Esses testes foram usados em grande escala para recrutamento, encaminhamento e orientação dos jovens para as forças armadas, tornando-se populares inclusive nos sistemas educativos (FERNANDES, 2008). 43 FIGURA 5 – ALFRED BINET FONTE: . Acesso em: 9 nov. 2021. Para Fernandes (2008), a avaliação passou a considerar testes e outros instrumentos que serviam para medir as aprendizagens humanas, comparando, qualificando, quantificando e ordenando-as em escalas. Os dados estruturados matematicamente forneciam resultados que serviam para diversas finalidades, incluindo a quantificação de aprendizagens. O principal teórico da época foi Frederick Taylor e sua teoria foi adotada pelos sistemas educativos, expressando uma concepção empresarial a educação. As concepções de avaliação desse período ainda interferem no cotidiano escolar atual, quando avaliação e medida são sinônimas. Com testes que produzem resultados para aferir classificações em determinados períodos. Nessa perspectiva, o processo de avaliação ocorre apenas no final do processo de aprendizagem de um conteúdo, a fim de medir o produto final, atuando como instrumento de coleta de nota, classificando os alunos em bons, médios ou ruins. Compreende aspectos referentes à herança do ensino tradicional, classificando, medindo, mensurando a capacidade de aprendizagem dos estudantes. A metodologia de ensino se encontra na reprodução de técnicas para apresentar determinados conteúdos e aquisição de habilidades para o "manejo da turma", ignorando a construção de conhecimentos dos estudantes. Não existe a preocupação em recuperar os estudos, com a reconstrução do saber, mas somente no avanço dos conteúdos previstos nas unidades dos livros didáticos. 44 A avaliação nessa tendência ocorre ao final do processo da explicação e atividades sobre um determinado assunto. Para Luckesi (2000, p. 35): Sua função constitui-se num instrumento estático e frenador do processo de crescimento. [...] O educando como sujeito humano e histórico; contudo, julgado e classificado, ficará para o resto da vida, do ponto de vista do modelo escolar vigente, estigmatizado, pois as anotações e registros permanecerão, em definitivo, nos arquivos e nos históricos escolares, que se transformam em documentos legalmente definidos. O professor utiliza da avaliação como forma de medição e averiguação quantitativa dos resultados das aprendizagens nos estudantes, com objetivo de reprovação ou aprovação. Boughton e Cintra (2005) mencionam que a avaliação classificatória, voltada para medir os índices de aprendizagem, tem suas contribuições para a educação, quando usada como instrumento de avaliação nacional. 2.3.2 Concepção diagnóstica A tendência diagnóstica prevê a avaliação como descrição e procurou superar algumas limitações destacadas na primeira concepção, quando a avaliação estava associada à medida. Nessa perspectiva, avaliação enquanto descrição, os conhecimentos dos alunos passaram a ser os únicos objetos de avaliação. Dessa forma, o sentido da descrição continha a premissa do professor destacar os padrões de pontos fortes e fracos dos alunos, descrevendo até que ponto conseguiram alcançar os objetivos educacionais. Um dos principais nomes da época conta com Ralph Tyler, com grande influência quando, pela primeira vez, destaca a importância de se formular objetivos para direcionar as avaliações (FERNANDES, 2008). FIGURA 6 – RALPH TYLER FONTE: . Acesso em: 9 nov. 2021. 45 Tyler, nos anos de 1940, apresentou uma concepção de currículo "[...] como um conjunto planejado e alargado de experiências formativas que ocorriam na escola, destinadas a contribuir para que os alunos pudessem atingir um conjunto de objetivos previamente definidos" (FERNANDES, 2008, p. 57). Apresentou a expressão “avaliação educacional” como processo de avaliação de cumprimento ou não dos objetivos definidos previamente. A avaliação em que o professor desloca a atenção da transmissão de conteúdo, para a organização de estratégias, promovendo a aprendizagem dos conhecimentos. Para Oliveira (2001), esse tipo de avaliação consiste no constante olhar crítico sobre a própria ação educativa. Na possibilidade de o professor identificar o percurso no decorrer do processo tanto da sua ação como dos estudantes. Apresenta como eixo principal a investigação e questionamento das ações realizadas, respeitando o estudante nos aspectos da integridade, dignidade e privacidade (PENNA FIRME, 2007). O professor ao utilizar da concepção da avaliação diagnóstica conseguirá se apropriar da existência, ou ausência das habilidades e conhecimentos pré-estabelecidos nos estudantes. A minuciosa observação, descrição e detalhamento dos aspectos da turma, permitirão uma identificação prévia, que será utilizada nas decisões e possíveis modificações no planejamento educativo. 2.3.3 Concepção emancipatória A outra concepção intitulada emancipatória aponta a avaliação como juízo de valor ou de julgamentos, com pretensão de superar as falhas da perspectiva anterior. Nesse momento, houve a necessidade de se atribuir juízos de valor nos objetos de avaliação. Segundo Fernandes (2008, p. 58): Assim, os avaliadores, mantendo as funções técnicas e descritivas das gerações anteriores, passariam também a desempenhar o papel de juízes. Apesar dum conjunto de reações quanto a esta implicação da emissão de juízos de valor, a verdade é que, a partir dos finais da década de sessenta, todas as abordagens de avaliação, independentes das suas diferenças, estavam de acordo nesse ponto. Em 1967, surge a distinção entre a avaliação somativa, relacionada à prestação de contas, certificação e seleção, em relação à avaliação formativa, que orientava para o desenvolvimento, melhoria das aprendizagens e aos processos de ensino e aprendizagem (FERNANDES, 2008). Fernandes (2008) aponta ainda que, nessa fase, surgiram um conjunto de perspectivas em relação à organização do ensino e à avaliação das aprendizagens. A avaliação formativa preconizava a importância das ações didáticas que o professor deveria utilizar como resultado das aprendizagens dos alunos. 46 Os behavioristas apontavam a avaliação como forma de analisar os resultados, baseados na prévia definição dos objetivos e das tarefas que os utilizavam para seus testes. Os cognitivistas se baseavam na análise dos processos de aprendizagem dos alunos, integrado aos objetivos e tarefas que integravam os saberes. Contudo, no contexto educativo atual, as ideias que compõem as características da avaliação como juízo de valor, são inexistentes nas salas de aulas. Segundo Fernandes (2008, p. 59), "elas existiam fundamentalmente ao nível de recomendações decorrentes de elaborações teóricas em que se evidenciavam a complexidade dos processos de ensino e de aprendizagem e a necessidade de encontrar uma avaliação que fosse congruente com essa mesma complexidade". O fato se deve à dificuldade de os modelos teóricos influenciarem os currículos atuais, das novas concepções de aprendizagem, exigências de democratização do sistema educativo e da predominância das avaliações classificatórias. Para Luckesi (2000), a avaliação emancipatória pretende promover os estudantes, libertando-os dos modelos classificatórios e da estagnação social, proporcionando seu crescimento. A avaliação passa a ser entendida como um processo de modo que contemple a percepção, crítica e a prática baseado nas relações entre professor e estudante. 2.3.4 Concepção formativa A concepção formativa caracterizada pela avaliação formativa se originoudos princípios decorrentes do cognitivismo, construtivismo, psicologia social, das teorias socioculturais e sociocognitivas. A avaliação com caráter humanizado, que referencia as situações vividas por professores e alunos, apresenta um caráter centrado na regulação e melhoria das aprendizagens, mais participativa, transparente e integrada nos processos de ensino e aprendizagem. Dessa forma, a avaliação formativa constitui uma construção social complexa que considera o processo de ensino e aprendizagem de forma integrada, interativo, com o principal objetivo em regular e melhorar a aprendizagem dos alunos. A principal premissa da avaliação preconiza o desenvolvimento das competências, do domínio cognitivo e metacognitivo nos alunos. Para tanto, há necessidade de os professores assumirem algumas responsabilidades que dizem respeito à reorganização dos tempos e processos, que constituem o desenvolvimento dos trabalhos quanto ao ensino e aprendizagem dos alunos. A avaliação formativa pressupõe a partilha de responsabilidades entre o professor e os alunos, quanto à avaliação e ao processo de aprendizagem. Aos professores cabe a responsabilidade geral de organizarem os feedbacks, e aos alunos, o desenvolvimento dos processos de autoavaliação e autorregulação de suas aprendizagens (FERNANDES, 2008). 47 FIGURA 7 – AVALIAÇÃO FORMATIVA FONTE: . Acesso em: 9 nov. 2021. Perrenoud (1999, p. 78) aponta que "ensinar é esforçar-se para orientar o processo de aprendizagem para o domínio de um currículo definido, o que não acontece sem um mínimo de regulação dos processos de aprendizagem no decorrer do ano escolar". Atenta para a regulação enquanto intervenções corretoras, baseadas nos progressos e trabalhos desenvolvidos pelos alunos. A regulação dos processos de aprendizagem como um conjunto de operações metacognitivas do aluno e suas interações com o meio, que modificam seus processos de aprendizagem, segundo um objetivo pré-definido. Pensar a avaliação formativa na perspectiva da regulação significa atribuir um conjunto de situações parcialmente previstas no contexto educacional, que serão vivenciadas por uma turma de alunos (PERRENOUD, 1999). 2.3.5 Concepção mediadora A concepção mediadora apresenta a avaliação mediadora, de caráter construtivista, segundo Hoffmann (2001), aborda a ação do professor no processo avaliativo. Indica um tempo maior da permanência do professor em sala de aula, atendimento individualizado aos estudantes para conseguir acompanhar o processo de construção do conhecimento. Desta forma, o professor acompanha, de fato, e favorece o desenvolvimento dos estudantes, oferecendo novas e desafiadoras situações de aprendizagem no intuito de proporcionar um entendimento progressivo sobre o assunto estudado. 48 Tal paradigma pretende opor-se ao modelo do "transmitir-verificar- registrar" e evoluir no sentido de uma ação avaliativa reflexiva e desafiadora do educador em termos de contribuir, elucidar, favorecer a troca de ideias entre e com seus alunos, num movimento de superação do saber transmitido a uma produção de saber enriquecido, construído a partir da compreensão dos fenômenos estudados (HOFFMANN, 1994, p. 51). A avaliação, numa perspectiva dialógica, interpreta o conhecimento enquanto aprendizagem compartilhada por alunos e professor, como uma ação-reflexão-ação dos episódios que ocorrem em sala de aula, com saberes que serão aprimorados, enriquecidos e compreendidos. Dessa forma, o professor viabiliza uma conexão baseada na reflexão das formas de compreensão dos alunos em relação com os conteúdos estudados (HOFFMANN, 1994). Hoffmann (2011, p. 17) assinala que, "a avaliação é a reflexão transformada em ação. Ação, essa, que nos impulsiona a novas reflexões. Reflexão permanente do educador sobre sua realidade, e acompanhamento de todos os passos do educando na sua trajetória de construção do conhecimento". O contexto educativo enquanto processo interativo, no qual alunos e professor aprendem mutuamente sobre si mesmos e em relação aos conteúdos escolares, incluindo no momento da avaliação. A sala de aula como um cenário organizado para o desenvolvimento da tarefa de aprender, por meio dos processos de ensino e aprendizagem oportunizados pela ação pedagógica. Assim, o ensino expositivo viabiliza uma aprendizagem passiva, na qual o professor observará o aluno em atividade sequencial, mecanizada. No espaço educativo onde os alunos vivenciam experiências, com atividades que permitem o desenvolvimento intelectual, o professor conseguirá identificar as dificuldades e os avanços dos alunos. Atividades que envolvam tarefas experimentais em laboratórios, jogos, visitas ou passeios, filmes, teatros, debates e atividades que envolvam diversos recursos como os midiáticos, permitem ao professor acompanhar o desenvolvimento da aprendizagem dos seus alunos (HOFFMANN, 2001). Nessa forma de organização do espaço escolar e da concepção de avaliação, Hoffmann (2001) aponta que o professor permite que os alunos partilhem suas ideias com os outros colegas, que expressem suas opiniões, conceitos e dúvidas. Aquele aluno que, por ventura, não cumprir com sua parte no trabalho realizado pelas equipes, será cobrado e criticado pelo seu grupo de trabalho. Necessitará buscar de explicações para resolver os conflitos gerados pela sua ausência na cooperação com o trabalho solicitado pelo professor. Para que a turma participe de uma discussão sobre um determinado tema, há necessidade de estudos prévios sobre o assunto. Quando o grupo discute sobre algo, como um texto solicitado pelo professor, e alguns alunos não o leem, não conseguem participar do debate, sendo cobrados pelos colegas. Assim, os alunos que não cumpriram com sua tarefa sentem-se prejudicados em relação à discussão. 49 3 FORMAÇÃO DO ALUNO COMO SUJEITO HISTÓRICO A concepção vygotskyana de sujeito aponta para o comportamento humano apoiado em duas dimensões: a biológica e a social. Assim, a biológica, presente no indivíduo desde o nascimento, representa as reações inatas da espécie, a base da constituição humana; a social está baseada no comportamento como um resultado da interação das reações do indivíduo com o meio, relativas a um determinado lócus social. Para Vygotsky, o desenvolvimento infantil ocorre de forma irregular, com alguns saltos progressivos, seguidos por períodos de estagnação, próprios do princípio dialético de desenvolvimento, não de forma lenta e gradual, mas baseada em contradições e na transformação da quantidade em qualidade de aprendizagens (VYGOTSKY, 2010). 3.1 CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO SEGUNDO VYGOTKSY Vygotsky (2010) destaca quatro períodos com fases etárias que apontam para fatores biológicos e na relação com o meio: tenra infância; infância tardia; adolescência e juventude. A tenra infância compõe o período do nascimento aos seis ou sete anos, caracterizada, sobretudo, pelas funções biológicas (como a fome e a sede) que incidem no comportamento. No entanto, a criança reage às interações estimuladas pela família, como nas brincadeiras e, desta forma, vai se familiarizando com o meio. Na brincadeira, a criança exercita e aprende a orientar os principais órgãos de percepção e movimento; os familiares e o meio influenciam o comportamento da criança, sendo que ela própria começa a agir sobre si mesma. Um salto brusco nesta fase seria a perda dos dentes de leite, em que a criança, ao modificar a alimentação, altera sobremaneira sua relação com o meio. Na infância tardia, dos sete aos treze ou quatorze anos, a criança se encontra numa relação direta com o meio, não só físico, mas também cultural. Adquire as habilidades observadas dos adultos, que permite uma sofisticação na relação com este meio. Essa fase termina com a maturação do corpo, na transformação de organismos com características próprias de cadasexo – o indivíduo deixa um corpo infantil e necessita se acostumar com o novo corpo. Tais transformações apontam para o primeiro conflito com o meio, desencadeado pelas explosões hormonais no corpo, que são reprimidos pela inação no meio. Também denominada de "idade crítica", na falta de adaptação com o meio, neste período, se estabelecem as formas básicas de sublimação – "[...] transformação de modalidades inferiores de energia psíquica, que não foram utilizadas nem encontraram vazão na atividade normal do organismo, em modalidades superiores" (VYGOTSKY, 2010, p. 337). O adolescente inicia o processo de formação de conceitos, uma forma nova e superior de atividade intelectual (VYGOTSKY, 1997). Na fase da juventude, após os 18 anos, o indivíduo se familiariza definitivamente com o meio cultural (VYGOTSKY, 2010). 50 A teoria histórico-cultural leva em conta a aproximação do meio (físico e social) no desenvolvimento biológico, no decorrer da vida do indivíduo, ou seja, a criança, desde seu nascimento, terá acesso à cultura circundante, estimulada pelos familiares. Na interação da criança com o meio, através da mediação dos que a cercam, fará uso dos signos (linguagens) e, na medida do seu crescimento, receberá outros estímulos que incidirão sobre mudança nas reações, baseadas no que já conhece. Ao longo do desenvolvimento humano, a educação gerencia o desenvolvimento social de um povo, ao passo que desenvolve nos indivíduos formas de comportamento, conforme a cultura na qual o indivíduo se insere. O meio nada mais significa que as relações que ocorrem entre os indivíduos, como algo exterior, mas impulsionando e conduzindo formas individuais de ser e estar no mundo, na relação com o outro. Concluímos que o desenvolvimento do comportamento humano depende das condições históricas e sociais da sociedade em que o indivíduo se encontra. O que serve também para o desenvolvimento do pensamento da criança, da mesma forma, submetido aos meios sociais de pensamento e da linguagem de um grupo social. O pensamento, de forma semelhante ao desenvolvimento biológico, passa por determinadas etapas, influenciadas pela mediação simbólica, que determina o desenvolvimento conceitual. Intensificamos que o processo de formação de conceitos não se reduz ao pensamento, representação e juízo de algo, mas no emprego funcional do signo – a palavra, pela qual o indivíduo consegue pensar e se expressar. O desenvolvimento dos processos que resultam na formação conceitual surge no início da infância e, com o passar do tempo, pensamento e linguagem, como funções intelectuais, se associam dialeticamente, formando a base psicológica do processo de formação dos conceitos, que se desenvolvem e amadurecem somente na puberdade (VYGOTSKY, 2009). Na adolescência, o indivíduo tem domínio sobre o comportamento, faz uso do signo – palavra de forma consciente e autorregulada, indicadores do pensamento conceitual maduro. O desenvolvimento de conceitos caracteriza-se em três estágios, com subetapas correspondentes. O primeiro estágio, que compreende o período pré-escolar, é denominado sincretismo, caracterizando o pensamento como um acumulado de informações sobre um determinado assunto ou objeto, no qual a criança associa, de forma subjetiva, vários elementos independentes no significado, unindo-os sob seu ponto de vista. Uma palavra apresenta o mesmo significado, de forma geral, para o adulto e a criança, mas no pensamento sincrético, quando faz uso de um entendimento, a criança atribui significados a mais no uso da palavra, associado a sua formação eidética. A explicação que a criança faz se utiliza de propriedades e impressões que se relacionam a uma determinada imagem, porém, atribui palavras e as une de acordo com suas ideias. No exemplo da questão: "por que o Sol não cai?", a criança atribui palavras subjetivas, como porque é amarelo, está no alto e é quente, não consegue responder de forma objetiva à questão (VYGOTSKY, 1997). Atribui um acumulado de palavras que subjetivamente explicam o que lhe foi perguntado. 51 O primeiro estágio divide-se em três fases – a primeira fase corresponde à formação da “imagem sincrética”, em que a criança, ao passar por provas, investe na tentativa e erro ao atribuir conceitos em suas explicações. Todavia, quando erra, substitui, ao acaso, as palavras empregadas por outras para apresentar novos argumentos às provas. Na segunda fase, a criança continua priorizando os aspectos subjetivos destinados aos objetos ao invés dos objetivos. Aproxima os objetos e atribui um significado comum, de acordo com as semelhanças que apresentam na sua percepção. A terceira fase marca a passagem para o segundo estágio – a imagem sincrética, que equivale ao conceito da criança sobre algo, sistematiza em um significado para sua percepção. Tal significado mantém um conjunto de elementos sem relação entre si, representando o mesmo aglomerado desconexo equivalente as duas fases anteriores (VYGOTSKY, 2009). O segundo estágio aponta para a formação de complexos, e a criança continua estabelecendo vínculos e relações entre diferentes impressões concretas, generalizando os objetos de acordo com sua experiência. Os objetos não são mais agrupados pela percepção subjetiva identificada pela criança, mas na objetividade concreta que existem nos objetos e no seu entendimento, formando vínculos de agrupamento. Quando a criança se encontra neste estágio de pensamento, conseguiu superar o egocentrismo que sustentava o pensamento sincrético, as impressões, antes baseadas nas impressões subjetivas dos objetos, são substituídas pela identificação das relações das mais variadas entre os objetos, de forma concreta (VYGOTSKY, 2009). Neste estágio, a criança ainda não consegue pensar conceitualmente, pois a percepção une os objetos de forma heterogênea considerando aspectos físicos, concretos. Percebemos a diferença na caracterização do pensamento por complexos e conceitos quando, no pensar por complexos, se considera a união de diversos vínculos objetivos, isentos de relação entre si. No pensamento por conceitos, os elementos atribuídos apresentam vínculos do mesmo tipo, há uma ligação lógica entre si, podemos dizer, uma homogeneidade de significados para um objeto ou representação, conforme Vygotsky (2009). O sistema por complexos apresenta-se em cinco fases presentes na formação do pensamento. Na primeira fase, de “tipo associativo”, a criança baseia seu julgamento em qualquer vínculo associativo observado no objeto, qualquer descoberta incide na ligação associativa entre o que viu em relação a outro objeto que já conhece, nomeando ambos pela palavra que designa o nome da família em comum (VYGOTSKY, 2009). Nesta fase, a criança não percebe nomes isolados, atribuindo um nome de família para tudo que se pareça na forma concreta, como no caso das formigas, todas as espécies e seres que assim se pareçam serão formigas. A segunda fase, do complexo “coleção”, corresponde ao período no qual a criança combina os objetos e as impressões em grupos que lembram coleções. Os objetos são organizados de acordo com um propósito ou traço 52 em comum, formam um todo constituído de elementos heterogêneos, com alguma ligação (VYGOTSKY, 2009). Os aspectos ligados à vida cotidiana, como os utensílios que utiliza no momento da alimentação no almoço ou jantar, como garfo, faca, prato, formam um conjunto de complexos-coleções. Encontramos outros exemplos, como o vestuário, material escolar, brinquedos, objetos presentes no cotidiano da criança que são organizados pelo pensamento em agrupamentos por coleções. Vygotsky (2009) denomina a terceira fase do pensamento por complexos como “complexo em cadeia”. A criança combina os objetos de acordo com vínculos independentes entre os elos em uma única cadeia. Ou seja, escolhe um determinado objeto e associa vários outros ao primeiro, de acordo com a cor, forma ou outro traço concreto que faça sentido. No momentode sua escolha, se algum aspecto do último objeto da série lhe chamar a atenção, altera a escolha dos próximos formando um elo com o que despertou interesse, assim prossegue formando uma cadeia, uma fila de objetos que apresentam uma sequência de elos que une um ao outro. Porém, entre eles, pode ocorrer a mudança de um aspecto, algo que chamou atenção da criança, e esta muda o perfil da escolha. O final da cadeia pode apresentar traços bem diferentes do primeiro, a ordenação dos objetos, o motivo da escolha se desvincula do modelo original, estabelecendo elos entre o antecessor e o sucessor. A quarta fase, o “complexo difuso”, apresenta combinações associativas de elementos concretos de forma difusa, confusa e indefinida, no olhar rápido de um adulto, porém, com significado para a criança que o organizou. Visto que a seleção dos objetos que formam a cadeia projetada segue as generalizações do pensamento da criança que, neste momento, incide não somente pela forma concreta em si, mas nas aproximações que estabelecem entre si. A criança, ao agrupar triângulos, trapézios, quadrados, hexágonos, semicírculos e círculos, pelas minuciosas características que percebe entre as figuras, faz algumas generalizações expressas pelo pensamento, com base na experiência que possui. Um olhar aligeirado do adulto não perceberá os vínculos entre as figuras, mas num momento de contemplação em que procura observar as similitudes nas figuras encontrará os elos que unem o antecessor ao sucessor na cadeia, o primeiro não necessariamente unido ao último elemento. A quinta e última fase da formação do pensamento por complexos estabelece vínculo com o novo estágio – formação do conceito. Para tanto, o pseudoconceito aponta generalizações realizadas pelo pensamento infantil, semelhantes aos empregados pelos adultos, mas diferentes na essência e natureza psicológica conceitual. A criança agrupa elementos com vínculos idênticos, por exemplo, todos os triângulos existentes em uma caixa, o que, aparentemente, incide sobre o pensamento por conceitos. Os vínculos utilizados pela criança ainda estão subordinados ao pensamento por complexos e isso acontece porque, para a criança, o significado das palavras utilizadas pelo adulto não é organizado por ela mesma. 53 O desenvolvimento dos significados das palavras que recebem dos adultos é isento do modo de pensar adulto, que aponta o como fazer, o caminho a ser seguido, que não interfere no modo de pensar da criança. O pensamento compreende as determinações dos adultos, o significado das palavras utilizadas, mas o entendimento ocorre de outra forma, que, aparentemente, na resposta relaciona-se com o conceito, contudo, permanece no estado de complexos. O pensamento complexo, que para a criança se aproxima do conceito, o que determina o pseudoconceito – um conceito aparente, pronto, formado pelo significado das palavras no mundo adulto. O conceito “em si” e “para os outros” contido no pseudoconceito surge antes do “para si” quando efetivamente desenvolve um conceito (VYGOTSKY, 2009). Como ambos se coincidem de forma geral, entre o pensamento infantil por complexos e o conceitual do adulto, surge o pseudoconceito, uma forma semelhante de apresentar uma resposta à mesma questão, porém, intimamente diferente na percepção do adulto e da criança. A elaboração do conceito pela criança implica não somente a combinação e generalização de vínculos que estabelece entre os elementos concretos, de acordo com sua experiência, mas também na abstração e no isolamento de alguns elementos, junto à habilidade de examiná-los na forma do contexto concreto que aparecem na experiência. Para Vygotsky (2009, p. 220) "a decomposição e a vinculação são igualmente momentos interiores necessários na construção do conceito". O terceiro e último estágio da formação de conceitos destaca quatro fases, sendo que a primeira se assemelha ao pseudoconceito, que se completa na adolescência. A criança atribui valores a um objeto de forma complexa, o insere na generalização que escolhe, conforme sua experiência, embora ignore outros atributos que pertencem ao complexo. Assim, a generalização que a criança cria, de acordo com seu pensamento, torna-se empobrecido quando comparado ao pseudoconceito, porque os vínculos que estabelece esgotam-se ao serem analisados em relação à identidade ou semelhança. Todavia, mais elaborado que o pseudoconceito, quando sua percepção considera características perceptíveis no grupo geral (VYGOTSKY, 2009). A segunda fase, caracterizada de "estágio de conceitos potenciais", quando a criança organiza um grupo de objetos e generaliza segundo um vínculo comum a todos. Consiste na formação pré-intelectual, que a auxilia na desvinculação de generalizações relacionadas ao objeto concreto, criando novos vínculos combinados de forma abstrata. O domínio da abstração e da organização por complexos desenvolve o pensamento conceitual infantil. Vygotsky (2009, p. 226) afirma que "o conceito surge quando uma série de atributos abstraídos torna a sintetizar-se, e quando a síntese abstrata assim obtida se torna forma basilar de pensamento com o qual a criança percebe e toma conhecimento da realidade que a cerca". O meio condutor de todo o progresso se encontra na "palavra", e por meio dela a criança orienta sua percepção, sintetiza o conceito abstrato e organiza o seu pensamento. 54 O período da adolescência não encerra o desenvolvimento do pensamento conceitual, contudo, situa um percurso de crise e amadurecimento. Alguns adultos e adolescentes, baseados na experiência cotidiana, restringem seu pensar em noções gerais, por complexos, semelhantes ao pseudoconceito. Ou seja, conseguem aplicar com êxito um conceito em uma situação concreta, no uso de uma palavra, porém, ao ser questionado pela definição verbal do conceito, sentem dificuldades e atribuem respostas baseadas em complexos. A dificuldade se encontra no ponto de transferir o conceito concreto formado de algo, para uma situação abstrata nova, que deveria ser superada ao final da idade de transição com a experiência e o desenvolvimento do pensamento. O estímulo para a formação de conceitos, no adolescente, incide na necessidade em solucionar algum problema novo. No uso da palavra como um atributo significativo de algo, transfere em si um conceito, que ao ser transferido para outras situações concretas, será assimilado. O uso das formas por complexos com os conceitos potenciais determina o desenvolvimento de conceitos, etapa em que o indivíduo atribui vínculos que combinam elementos a um conjunto, além de qualificar características que lhes são comuns, por meio da palavra, com entendimento do seu significado. 3.2 O DESENVOLVIMENTO DOS CONCEITOS COTIDIANOS E CIENTÍFICOS E A ZDP O desenvolvimento do pensamento como um processo interno incide na mudança do significado da palavra, que formula o conceito. Em geral, o significado da palavra consiste no resultado do pensamento, articulado em conceito. O pensamento se realiza de forma que vincula os conceitos entre si e as relações de generalização que determinam o trânsito de um conceito a outro. O desenvolvimento da criança inicia junto à formação de conceitos, que acompanha o desenvolvimento do pensamento infantil. Desta forma, quando chega à escola, traz certos conceitos provenientes do convívio social, chamados conceitos espontâneos. Os conceitos espontâneos se desenvolvem com a ajuda dos adultos, na medida em que a criança aprende sobre o meio físico e social que a cerca. Como já havíamos apresentado, a estrutura final de um conceito, sua verbalização com entendimento conscientizado, acontece somente na adolescência. Até esta fase, o desenvolvimento mental da criança caracteriza-se pelo pensamento sincrético e pelos complexos. O conceito científico apresentado à criança, a partir do momento que ingressa na escola, caracteriza os conhecimentos culturalmente significados, distribuídos em áreascomo as ciências naturais e exatas, as ciências sociais e outras disciplinas que compõem o imenso mundo dos saberes escolares. 55 O desenvolvimento dos conceitos acontece de forma oposta ao desenvolvimento dos conceitos espontâneos, enquanto parte da primeira infância até a entrada no pré- escolar, período em que o pensamento atua nas generalizações dos objetos de forma subjetiva e sincrética, ou por complexos. Os conceitos científicos se organizam a partir da definição verbal vinculada à definição cultural dos conceitos. No espaço escolar, por meio das aulas, a criança aprende a estabelecer relações lógicas entre os conceitos, desse modo, os conceitos espontâneos e científicos se encontram no seu pensamento de tal forma que ainda não consegue dissociar um do outro. O desenvolvimento dos conceitos espontâneos atinge um nível de sofisticação do pensamento, ao internalizar os conceitos científicos, que o transformam em sua estrutura. De acordo com Friedrich (2012, p. 100), "[...] 1) os conceitos científicos sempre se apoiam nos conceitos cotidianos, não podendo existir sem eles e 2) um conceito científico existe sempre no interior de um sistema de conceitos". Os conceitos espontâneos estão relacionados às situações do cotidiano em que a criança se encontra. Os conceitos científicos se realizam com base em algum outro conceito, "[...] passa à generalização de um tipo mais elevado no aspecto funcional e revela a possibilidade das operações, dos signos que caracterizam a atividade do conceito científico" (VYGOTSKY, 2010, p. 539- 540). Como são mais elaborados, consistem na verbalização do significado da palavra de forma sofisticada, atribuída a outros elementos em comparação ao primeiro vínculo apresentado anteriormente, o que caracterizaria o conceito espontâneo. Apontamos algumas diferenças entre os conceitos espontâneos e científicos, acima de tudo, ressaltamos que a criança elabora os conceitos espontâneos de forma não conscientizada. No decorrer do desenvolvimento conceitual, a criança toma consciência do objeto e, posteriormente, do conceito que lhe é atribuído. De forma contrária, os conceitos científicos realizam o caminho do conceito ao objeto. Ambos os conceitos começam a fazer parte do pensamento infantil, na medida em que não há a possibilidade em separar os conhecimentos que a criança aprende no convívio social do escolar (VYGOTSKY, 2009). Desta forma, a elaboração dos conceitos científicos, pela criança, necessita do desenvolvimento dos conceitos espontâneos, para posterior tomada de consciência, com vistas à abstração e verbalização oral conceito. Ação, que se manifesta na Zona de Desenvolvimento Proximal, quando os conceitos científicos elevam a um nível superior de compreensão a partir dos espontâneos. Vygotsky (2009) baseou sua teoria no desenvolvimento e na aprendizagem a partir das pesquisas realizadas por Koffka, que elucidam a ideia de como a aprendizagem precede o desenvolvimento do sistema nervoso, se constituindo em desenvolvimento. Queremos dizer que há uma relação mútua entre ambos: desenvolvimento e aprendizagem, em que o processo de amadurecimento organiza as estruturas para a aprendizagem, que estimula o processo de amadurecimento pelo desenvolvimento. 56 A aprendizagem da criança inicia antes de frequentar a escola, como já visto pelo desenvolvimento dos conceitos espontâneos. A criança, do ponto de vista da compreensão do desenvolvimento, percorre dois níveis: o nível de desenvolvimento real e o potencial. Vygotsky (2009), quando escreveu sua teoria em russo, definiu uma zona de desenvolvimento atual e imediato, que se transformaram em zona de desenvolvimento real e proximal, resultado da tradução dos textos realizada no Brasil. O nível de desenvolvimento real se refere ao "[...] desenvolvimento das funções mentais da criança, que se formou como resultado de determinados ciclos já concluídos do seu desenvolvimento" (VYGOTSKY, 2010, p. 478). Sobretudo, quando questionamos uma criança sobre algo, essa infere uma resposta que representa o nível do desenvolvimento real de seu pensamento. Como se constitui em algo móvel e fluido, o pensamento pode modificar logo após uma explicação ou atividade, acompanhada por um adulto ou alguém mais experiente, alterando a sua forma de pensar. O nível de desenvolvimento proximal consiste na possibilidade da criança em realizar algo novo, primeiramente, com o apoio de um adulto e, posteriormente, de forma autônoma. A criança, frente a um novo desafio, como na aprendizagem de algo novo ou para acrescentar algum item ao conhecimento já compreendido, se encontra no nível de desenvolvimento potencial, do que já conhece. Um novo trajeto necessita ser percorrido e novas aprendizagens irão incidir na Zona de Desenvolvimento Proximal, finalizando esta etapa quando a criança consegue realizar sozinha – o nível real. FIGURA 8 – NÍVEIS DE APRENDIZAGEM FONTE: . Acesso em: 9 nov. 2021. 57 Vygotsky (2009) argumenta que a criança consegue imitar apenas o que está próximo das suas potencialidades intelectuais; para tanto, se faz necessário a oportunidade de interação com o outro, na tentativa de realizar algo que ainda não domina. Assim, no processo de colaboração com o outro, a criança sente confiança em propor tentativas e respostas próximas ao seu nível de desenvolvimento. Essa etapa, em que a criança consegue com maior ou menor êxito realizar algo em colaboração e, posteriormente, sozinha, determina o seu desenvolvimento. Neste sentido, entra em cena o papel mediador do professor em sala de aula. Por meio da imitação, a aprendizagem influencia o desenvolvimento e, no espaço escolar, a criança não aprende o que já sabe, mas sim, algo novo. 3.3. FORMAÇÃO DO PENSAMENTO CRÍTICO DO ALUNO De acordo com Fermiano e Santos (2014), o processo de ensino da História deve partir da realidade do aluno, o que significa destacar como referência o cotidiano dos alunos. Para tanto, o professor necessita conhecer a realidade sociocultural dos alunos, que inclui seus valores, modo de viver e visão de mundo. Assim, para descobrir esses elementos, o professor precisa questionar as crianças sobre o que pensam a respeito de algo, incluindo novas perguntas para descobrir seus entendimentos sobre uma determinada situação. Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, as práticas pedagógicas devem priorizar a ação, ou seja, em permitir que os alunos participem ativamente do processo de aprendizado. “Em outras palavras, os alunos aprendem melhor quando são levados a pensar, imaginar, pesquisar, analisar, comparar suas ideias com as dos colegas” (FERMIANO; SANTOS, 2014, posição 389). A proposta curricular assinala que para se construir a História, se faz necessário considerar os diferentes sujeitos situados nos diversos lugares. O professor necessita desenvolver práticas para que os alunos percebam que a realidade ao qual estão inseridas, representa uma fração de infinitas possibilidades de viver (FERMIANO; SANTOS, 2014). No primeiro ciclo do Ensino Fundamental, as crianças passam a perceber que há vários protagonistas da história, como mulheres, homens, alunos, negros, indígenas, trabalhadores e outros. A compreensão dessa situação é processual, sendo que os alunos necessitam de atividades que permitam o reconhecimento por meio da interação com as informações. Em situações que permitam que a turma pesquise, analise, compare, classifique, imagine, crie e se expresse por meio das diferentes linguagens. 58 Para desenvolver o pensamento crítico da criança, é necessário propor perguntas estimulantes, visto que por meio de suas respostas, o professor formula outros questionamentos. “O pensamento crítico exige capacidade de reflexão, e isso só se adquire com amadurecimento e muito treino. Portanto, é fundamental apresentar aos alunos, desde os primeiros anosda escolaridade básica, situações simples que os levem a exercitar esse pensamento crítico” (FERMIANO; SANTOS, 2014, posição 466). De modo geral, o professor necessita desenvolver atividades que apresentem um significado para as crianças, que permita a transposição das informações, para analisarem as situações de seu cotidiano. Dessa forma, as práticas educativas favorecem a construção do pensamento crítico e o desenvolvimento para a cidadania. Uma cidadania voltada para a garantia dos direitos civis, políticos e sociais, um conceito histórico voltado para a compreensão das lutas e reivindicações sociais. DICA Recomendamos a leitura da obra Didática e prática do ensino de história de Selma Guimarães. Este livro apresenta reflexões sobre didática, metodologias e práticas de ensino de História desenvolvidas, no ensino fundamental, pela autora e por diversos professores, formadores, pesquisadores e alunos, em diferentes espaços e épocas. DIDÁTICA E PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA, DE SELMA GUIMARÃES FONTE: . Acesso em: 9 nov. 2021. 59 ENSINO DA HISTÓRIA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL: CONCEPÇÕES DOS PROFESSORES SOBRE A PRÁTICA EM SALA DE AULA Angélica Catarino Vieira José Pedro Toniosso [...] 2.1 O QUE É HISTÓRIA? A História pode ser definida como tudo aquilo que o homem produz no decorrer de sua existência, é o produto de suas ações na sociedade. Dessa forma, enquanto seres sociais, podemos dizer que fazemos parte desse processo de forma ativa, pois independentemente de nossas práticas sociais sempre deixaremos vestígios, os mesmos que constituíram uma história. Segundo Carr (1996, p. 67), “Todo ser humano em qualquer estágio da história ou pré-história, nasce numa sociedade e, desde seus primeiros anos, é moldado por essa sociedade”. Sendo assim, nos denominamos sujeitos históricos, pois a mesma na qual estamos inseridos se encontra em constante processo de mudanças, a cada dia o indivíduo constrói sua história e ela constitui a história, tendo em vista que entender o passado contribui para a compreensão do presente. Partindo desse pressuposto, podemos dizer que a história engloba desde acontecimentos, objetos, pessoas e até mesmo construções, ou seja, tudo o que se encontra a nossa volta pode ser denominado como tal, pois cada elemento contribui de maneira significativa para a composição da mesma. Segundo Borges (1987, p. 45), “Quer saibamos ou não, somos parte da história e temos então, todos, desde que nascemos uma ação concreta a desempenhar nela”. Sendo assim, tudo aquilo que construímos no decorrer de nossas vidas contribui para a formação de uma história, seja ela de uma família, cultura, sociedade ou, até mesmo, a história pessoal de cada um. 2.2 A HISTÓRIA DO ENSINO DE HISTÓRIA NO BRASIL A História é uma disciplina que se faz presente na sociedade brasileira desde que o país passou a constituir seus estados, e desde então passa a fornecer a sociedade uma explicação sobre as suas origens (BORGES, 1987). LEITURA COMPLEMENTAR 60 Em 1827, na fase do Brasil Império, com a implantação da escola elementar, era estabelecido ao educador o ensino da leitura e da escrita, bem como as quatro operações básicas da matemática. Da mesma forma, havia uma forte ligação com o ensino religioso, associado à História Sagrada. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN – da disciplina de História (BRASIL, 1997, p.19), “[...] a escola elementar destinava-se a fornecer conhecimentos políticos rudimentares e uma formação moral cristã à população”. Sendo assim, o ensino da época vinculava a catequese ao ensino, como forma de fortalecer os laços políticos entre o Estado e a Igreja. [...] a história era uma disciplina pronta e acabada, porque se tratava do que já aconteceu. A construção o conhecimento histórico, o estudo das ações humanas, as relações entre os grupos sociais, o tempo e o espaço eram desprezados na maior parte das vezes (BRODBECK, 2012, p. 8). As mudanças pelas quais a disciplina de História passou no decorrer do tempo, se relacionam com as transformações sociais, políticas e educacionais ocorridas no Brasil. Com a implantação da Republica no ano de 1889, propostas ganharam forças na sociedade, o que fizeram com que a educação passasse a ser vista como um meio de transformar o país. A disciplina de história nesse contexto passou então a exercer um papel civilizatório e patriótico. Segundo o PCN da disciplina de História. A História passou a ocupar no currículo um duplo papel: o civilizatório e o patriótico, formando, ao lado da Geografia e da Língua Pátria, o tripé da nacionalidade, cuja missão na escola elementar seria o de modelar um novo tipo de trabalhador: o cidadão patriótico (BRASIL, 1997, p. 20). Dessa forma, pode-se perceber a substituição do caráter religioso até então pela difusão de uma disciplina com caráter cívico (civismo), no qual o Estado passa a conduzir as sociedades ao processo civilizatório. “Os principais conteúdos de História no Brasil tinham como objetivo a constituição e a formação da nacionalidade, com seus heróis e marcos históricos, sendo a pátria principal personagem desse tipo de ensino” (SCHMIDT, CARNELI, 2010, p. 13). A partir do ano de 1930, no qual se iniciou o governo de Getúlio Vargas, estendendo assim até o ano de 1945, o ensino de História passa por uma reordenação em relação aos seus conteúdos. Os mesmos neste período deveriam ser ministrados sem que passassem a comprometer o sistema político vigente, dessa forma, até a formação dos educadores da época visava uma preparação para tal ação. Durante o regime militar, a partir de 1964, o Estado passou a ter maior preocupação com o controle sobre o currículo, motivo que levou à criação da disciplina de Estudos Sociais, que contemplava conteúdos de História juntamente com outros de Geografia, ocorrendo uma diminuição da qualidade e empobrecimento dos conteúdos de ambas as disciplinas. Muitas críticas surgiram nesse período, por conta da atenção maior dada apenas a personalidades políticas que fizeram parte de grandes marcos da sociedade brasileira. 61 Com a substituição por Estudos Sociais os conteúdos de História e Geografia foram esvaziados ou diluídos, ganhando contornos ideológicos de um ufanismo nacionalista destinado a justificar o projeto nacional organizado pelo governo militar implantado no País a partir de 1964 (BRASIL, 1997, p. 26). A partir da Lei nº 5.692/71, outra mudança promovida pelo regime militar no currículo escolar foi a introdução da disciplina de Educação Moral e Cívica, que se tornou obrigatória nas instituições de ensino brasileiras, fazendo disso uma estratégia política, adotando somente aquilo considerável de interesse dele. De acordo com Fonseca (2005, p. 21), “Dessa forma, o ensino de história [...], foi sutilmente “vinculado” aos “princípios” norteadores da educação moral e cívica”. As principais características dessas novas disciplinas resumiam-se em realizar homenagens a hinos, venerar símbolos e heróis nacionais, participar de comemorações cívicas, entre outras. No final dos anos de 1980, a disciplina de História passou novamente por várias mudanças, entre elas a separação com a Geografia e a extinção dos Estudos Sociais, que fora criado durante o regime militar. Com características próprias a História tornou- se única, abordando conteúdos próprios, esperando alcançar objetivos particulares. Encontramos de maneira mais específica tais objetivos nas propostas curriculares, que definem que “o ensino de História possui objetivos específicos, sendo um dos mais relevantes o que se relaciona à constituição da noção de identidade” (BRASIL, 1997, p. 26). Neste sentido, por meio da História, espera-se que o aluno consiga estabelecer a relação entre o presente e o passado, percebendo-se como parte do processo social, reconhecendo as semelhanças e diferenças2 CONCEPÇÃO DE AVALIAÇÃO ESCOLAR ...........................................................33 2.1 O SENTIDO DA AVALIAÇÃO AO LONGO DOS ANOS ................................................... 35 2.2 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO ...................................................................................38 2.3 CONCEPÇÕES DE AVALIAÇÃO AO LONGO DO PERCURSO HISTÓRICO .............. 42 2.3.1. Concepção classificatória ..................................................................................... 42 2.3.2 Concepção diagnóstica .........................................................................................44 2.3.3 Concepção emancipatória ....................................................................................45 2.3.4 Concepção formativa .............................................................................................46 2.3.5 Concepção mediadora ........................................................................................... 47 3 FORMAÇÃO DO ALUNO COMO SUJEITO HISTÓRICO .......................................49 3.1 CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO SEGUNDO VYGOTKSY ................................... 49 3.2 O DESENVOLVIMENTO DOS CONCEITOS COTIDIANOS E CIENTÍFICOS E A ZDP .......54 3.3. FORMAÇÃO DO PENSAMENTO CRÍTICO DO ALUNO ................................................57 LEITURA COMPLEMENTAR ..................................................................................59 RESUMO DO TÓPICO 3 ..........................................................................................63 AUTOATIVIDADE ...................................................................................................64 REFERÊNCIAS .......................................................................................................66 UNIDADE 2 — HISTÓRIA: MÉTODOS, TEMAS E CONCEITOS...............................69 TÓPICO 1 — HISTÓRIA, CIÊNCIA E ENSINO ...........................................................71 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................71 2 CONHECIMENTO HISTÓRICO .............................................................................71 3 CIÊNCIA HISTÓRICA .......................................................................................... 77 4 O ENSINO DE HISTÓRIA .....................................................................................80 4.1 ENSINO DE HISTÓRIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL .........................................................81 4.2 ENSINO DE HISTÓRIA E A TRANSIÇÃO ........................................................................ 92 4.3 ENSINO DE HISTÓRIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA: ENSINO FUNDAMENTAL ANOS INICIAIS ................................................................................................................... 95 4.4 ENSINO HISTÓRIA ANOS INICIAIS E A BNCC ALGUNS APONTAMENTOS ........... 101 RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................108 AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 110 TÓPICO 2 - ABORDAGENS E MÉTODOS NA HISTÓRIA ..................................... 113 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 113 2 PRINCIPAIS ABORDAGENS EPISTEMOLÓGICAS DA HISTÓRIA .................... 113 2.1 HISTÓRIA TRADICIONAL .................................................................................................. 116 2.2 HISTÓRIA CRÍTICA ............................................................................................................ 116 2.3 HISTÓRIA PÓS-CRÍTICA ...................................................................................................117 3 MÉTODOS DA HISTÓRIA II ................................................................................117 4 O USO DAS TEORIAS DO CONHECIMENTO HISTÓRICO NO COTIDIANO ........119 4.1 HISTÓRIA LOCAL ............................................................................................................... 119 4.2 HISTÓRIA ORAL ............................................................................................................... 120 4.3 HISTÓRIA DE VIDA ........................................................................................................... 121 RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................ 123 AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 125 TÓPICO 3 - CONCEITOS E TEMAS NA HISTÓRIA ............................................... 127 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 127 2 CONCEITOS E TEMAS DA HISTÓRIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA ....................... 127 3 CONCEITOS E TEMAS DA HISTÓRIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL .................... 129 4 CONCEITOS E TEMAS DA HISTÓRIA NOS ANOS INICIAIS ............................. 132 LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................ 135 RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................ 141 AUTOATIVIDADE .................................................................................................143 REFERÊNCIAS .....................................................................................................145 UNIDADE 3 — ENSINAR E APRENDER HISTÓRIA NO SÉCULO XXI ................... 147 TÓPICO 1 — CONHECIMENTO HISTÓRICO NO SÉCULO XXI ......................................149 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................149 2 PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO HISTÓRICO NO SÉCULO XXI .....................149 3 ALFABETIZAÇÃO E HISTÓRIA NO SÉCULO XXI ............................................. 152 4 A HISTÓRIA E O LÚDICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL E ANOS INICIAIS NO SÉCULO XXI ..................................................................................................... 155 RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................158 AUTOATIVIDADE .................................................................................................160 TÓPICO 2 - O ENSINO DE HISTÓRIA E A VIRTUALIDADE EM SALA DE AULA ...... 163 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 163 2 NOVAS TECNOLOGIAS E A EDUCAÇÃO .......................................................... 163 3 VIRTUALIDADE ................................................................................................ 165 4 HISTÓRIA E NOVAS TECNOLOGIAS ................................................................ 167 RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................ 169 AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 170 TÓPICO 3 - O ENSINO DE HISTÓRIA NO SÉCULO XXI: MEIO AMBIENTE E CULTURA .......................................................................................................... 173 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 173 2 HISTÓRIA AMBIENTAL EM SALA DE AULA ..................................................... 173 3 HISTÓRIA CULTURAL EM SALA DE AULA ....................................................... 175 4 HISTÓRIA DA RELIGIÃO EM SALA DE AULA ................................................... 178 LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................ 179 RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................184 AUTOATIVIDADE .................................................................................................185em seu grupo de convívio, sendo ele tanto no ambiente escolar, quanto em todos locais que o rodeia, ensinando também que tenha respeito pelas diferenças e valorize a diversidade do seu tempo e espaço. Brodbeck (2012, p. 6), aponta que o professor deve fazer com que o ensino desta disciplina permita ao aluno perceber-se como um sujeito histórico, ou seja, que se perceba inserido no processo de fazer História e aprenda a valorizar a mesma em seus diversos âmbitos. Da mesma forma, pode-se dizer que a disciplina abre espaço para que ocorram processos formativos, nos quais se baseiam na formação de cidadãos que saibam lidar com as diferenças e desigualdades presentes na sociedade. 2.3 IMPORTÂNCIA DA HISTÓRIA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL Nos anos iniciais do ensino fundamental a criança deverá desenvolver várias de suas habilidades, competências e conhecimentos e, sendo assim, é preciso que as disciplinas abordem conteúdos que sejam significativos a ela, para que possa utilizá-los de alguma forma no decorrer de sua vida escolar e, também, na sua vivência em sociedade. 62 A disciplina de História se faz presente nos anos iniciais do ensino fundamental por meio de vários conteúdos que proporcionam à criança uma formação de pensamento transformador, permitindo a ela que se perceba como sujeito histórico e que tudo que a cerca também faz parte desse processo. “Cada sujeito precisa se perceber de fato, como sujeito histórico, e isso só se consegue quando ele se dá conta dos esforços que nossos antepassados fizeram para chegarmos ao estágio no qual nos encontramos” (PINSKY, 2004, p. 20). Além de contextualizar a sociedade civil na qual o aluno se encontra o educador pode trabalhar temas como: a história familiar, o bairro, a cidade e outros, na perspectiva de transformações e permanências, também fazendo de datas comemorativas uma oportunidade de se trabalhar a disciplina. Vale salientar que ao estudar determinados conteúdos o aluno buscará entender o porquê de determinadas situações existentes no meio em que está inserido. Neste sentido, Neves (1985, p. 35) defende que, “a criança vive no presente. Não conhece outro lugar que não seja aqui, nem outro tempo que não seja agora [...]”. Portanto, a disciplina deve abordar aquilo que é considerado mais significativo, utilizando-se de diferentes recursos e metodologias, de forma a possibilitar ao aluno a compreensão acerca da realidade que o cerca. FONTE: Adaptada de . Acesso em: 9 nov. 2021. 63 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • Ao longo do processo histórico de formação do conceito de avaliação, em vários tempos diferentes se perdurou a noção de quantificar, medir e controlar o desenvolvimento dos alunos, utilizando como instrumentos a avaliação. • Luckesi (1996) aponta algumas características que revela o sentido da avaliação escolar, como a atenção na promoção, atenção nas provas, a família voltada para promoção, instituições centradas nos resultados das provas/exames, sistema social garante as notas obtidas em exames e o medo. • A avaliação da aprendizagem consiste no estilo de medida comparada, transformada em símbolos que retratam a quantidade de acertos numa prova ou exame. • A avaliação é entendida ao longo dos anos como classificatória, diagnóstica, emancipatória, formativa, mediadora e dialógica. A distinção das denominações deve-se às influências dos teóricos e correntes educacionais, de acordo com as necessidades de cada período da histórica. • A concepção vygotskyana de sujeito aponta para o comportamento humano apoiado em duas dimensões: a biológica e a social. • Encontramos quatro períodos com fases etárias que apontam para fatores biológicos e na relação com o meio: tenra infância; infância tardia; adolescência e juventude. • O desenvolvimento da criança inicia junto à formação de conceitos, que acompanha o desenvolvimento do pensamento infantil. • Os conceitos espontâneos se desenvolvem com a ajuda dos adultos, na medida em que a criança aprende sobre o meio físico e social que a cerca. • O conceito científico apresentado à criança, a partir do momento que ingressa na escola, caracteriza os conhecimentos culturalmente significados, distribuídos em áreas como as ciências naturais e exatas, as ciências sociais e outras disciplinas que compõem o imenso mundo dos saberes escolares. • O processo de ensino da História deve partir da realidade do aluno, o que significa destacar como referência o cotidiano dos alunos. 64 1 Na década de 1990, houve a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394/1996, que passou a regulamentar as várias formas de oferta do ensino no país. A LDB aborda a organização do Ensino Fundamental e Médio, apontando os aspectos referentes à avaliação. Sobre os aspectos relacionados à avaliação apontados pela LDB, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) A avaliação necessita valorizar os aspectos qualitativos sobre os quantitativos durante o ano de estudo, principalmente em relação aos exames finais. b) ( ) A avaliação prioriza os aspectos quantitativos em detrimento dos qualitativos, segundo os exames nacionais. c) ( ) A avaliação considera o caráter quantitativo durante o ano de estudo, sendo o quantitativo para os exames finais. d) ( ) A avaliação passou a ser descritiva para todos os níveis de ensino, considerando somente seu aspecto qualitativo. 2 Para Vygotsky (2009), o desenvolvimento infantil ocorre de forma irregular, com alguns saltos progressivos, seguidos por períodos de estagnação, próprios do princípio dialético de desenvolvimento, não de forma lenta e gradual, mas baseada em contradições e na transformação da quantidade em qualidade de aprendizagens. Assim, o desenvolvimento de conceitos caracteriza-se em três estágios, com subetapas correspondentes. De acordo com a quinta e última fase da formação do pensamento por complexos, a formação do pseudoconceito, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: FONTE: VYGOTSKY, L. S. A construção do pensamento e da linguagem. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2009. ( ) O pseudoconceito aponta generalizações realizadas pelo pensamento infantil, semelhantes aos empregados pelos adultos, mas diferentes na essência e natureza psicológica conceitual. ( ) O pensamento complexo que, para a criança, se aproxima do conceito, antecede o pseudoconceito, que seria um conceito aparente, em construção, formado pelo significado das palavras no mundo adulto. ( ) Entre o pensamento infantil por complexos e o conceitual do adulto, surge o pseudoconceito, uma forma semelhante de apresentar uma resposta à mesma questão, porém, intimamente diferente na percepção do adulto e da criança. AUTOATIVIDADE 65 Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 3 Os conceitos que estruturam a avaliação da aprendizagem presente nos espaços escolares passaram por algumas concepções ao longo dos anos. A avaliação entendida ao longo dos anos como classificatória, diagnóstica, emancipatória, formativa, mediadora e dialógica. Analise o seguinte estudo de caso: você é o professor de uma turma e precisa planejar o modo de avaliar a turma. Dessa forma, você terá que refletir sobre os pressupostos que embasam sua concepção de avaliação. Disserte sobre o tipo de avaliação que você seguiria, apresentando os instrumentos avaliativos. 4 O processo de ensino da História deve partir da realidade do aluno, o que significa destacar como referência o cotidiano dele. Para tanto, o professor necessita conhecer a realidade sociocultural dos alunos, que inclui seus valores, modo de viver e visão de mundo. Disserte sobre os aspectos que as práticas pedagógicas, no ensino de História, necessitam priorizar no processode ensino e aprendizagem das turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental. 5 A História é uma disciplina que se faz presente na sociedade brasileira desde que o país passou a constituir seus estados, e desde então passa a fornecer a sociedade uma explicação sobre as suas origens. Com base no contexto histórico do ensino de história no Brasil, analise as sentenças a seguir: I- Em 1827, na fase do Brasil Império, o ensino de história possui uma ligação com o ensino religioso, associado à História Sagrada. II- Com a implantação da República no ano de 1889, a disciplina de história nesse contexto passou então a exercer um papel civilizatório e patriótico. III- A partir do ano de 1930, no qual se iniciou o governo de Getúlio Vargas, estendendo assim até o ano de 1945, o ensino de História passa por uma estagnação em relação aos seus conteúdos. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 66 REFERÊNCIAS ARANHA, M.L.A. História da educação e da pedagogia: geral e Brasil. São Paulo: Moderna, 2006. BELLONI, I.; MAGALHÃES, H. de; SOUSA, L. C. de. Metodologia de avaliação em políticas públicas: uma experiência em educação profissional. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2001. BITTENCOURT, C. M. F. Ensino de história: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2018. E-book. 5348 posições. BOUGHTON, D.; CINTRA, A. H. R. Avaliação: da teoria à prática. In: BARBOSA, A. M. (Org.). Arte/educação contemporânea: consonâncias internacionais. São Paulo: Cortez, 2005. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Presidência da República, 1996. 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São Paulo: Martins Fontes, 2010. 68 69 HISTÓRIA: MÉTODOS, TEMAS E CONCEITOS UNIDADE 2 — OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • identificar os principais métodos, temas e abordagens no ensino da história; • compreender o uso dos conceitos históricos em sala de aula; • distinguir a ciência histórica do ensino de história; • analisar os principais métodos da história e seus usos em sala de aula; • conhecer os principais conceitos e temas da história. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – HISTÓRIA, CIÊNCIA E ENSINO TÓPICO 2 – ABORDAGENS E MÉTODOS NA HISTÓRIA TÓPICO 3 – CONCEITOS E TEMAS NA HISTÓRIA Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 70 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 2! Acesse o QR Code abaixo: 71 TÓPICO 1 — HISTÓRIA, CIÊNCIA E ENSINO UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Caro acadêmico! No Tópico 1 abordaremos o conhecimento histórico, no qual você aprenderá que o conhecimento histórico ajuda na compreensão do ser humano enquanto ser que constrói seu tempo e que a história não se resume a uma simples repetição dos conhecimentos acumulados. Ela deve servir como instrumento de conscientização dos seres humanos para a tarefa de construir um mundo melhor e uma sociedade mais justa. No subtópico Ciência Histórica, a história é uma ciência que estuda a vida do ser humano através do tempo. Ela investiga o que os sujeitos da humanidade fizeram, pensaram e sentiram enquanto seres sociais. No subtópico Ensino de História, compreenderá que a História como disciplina escolar tem um papel relevante na formação e preparação dos sujeitos para a vida social, através de suas experiências didáticas. O ensino de História auxilia na construção da democracia e da cidadania. A proposta do ensino de história passa a valorizar a problematização, a análise e a crítica da realidade, transformando professores e alunos em produtores de história e conhecimento em sala de aula, tornando todos sujeitos históricos do cotidiano. 2 CONHECIMENTO HISTÓRICO A história é uma ciência que estuda a vida do ser humano por meio do tempo. Ela investiga o que os humanos fizeram, pensaram e sentiram enquanto seres sociais. Nesse sentido, o conhecimento histórico ajuda na compreensão do ser humano enquanto ser que constrói seu tempo, sua vida, suas relações. Nas palavras de Barton (2019), A disciplina de História é de uma grande importância no mundo moderno. Para os educadores, a disciplina envolve a análise de relações causa e efeito, numa tentativa de compreender como é que a sociedade humana evoluiu com o passar do tempo. 72 De uma mesma maneira, para algumas pessoas a História surge como fonte de identidade individual e pessoal, uma história que explica quem somos, de onde viemos, como família, comunidade, nação ou etnia. Outros ainda podem considerar o passado como uma forma de divertimento ou de preenchimento pessoal. Barton (2019) acrescenta que, se esperar ensinar História dentro deste leque de perspectivas, os professores conseguirão reconhecer a legitimidade de diferentes ideias acerca do passado, e de dar aos alunos as ferramentas intelectuais necessárias para que eles possam tirar delas o seu próprio significadoe de ligar a História às ideias prévias dos alunos ao mesmo tempo. ATENÇÃO Uma abordagem que reconhece a importância de ensinar História, não apenas versões do passado, tem o mérito adicional de tirar algum vigor aos argumentos sobre que conteúdos ensinar. Se você percebeu acadêmico, o pensamento de Barton (2019) referente ao conhecimento histórico na atualidade é encontrado na BNCC (BRASIL, 2018) ao descrever que o passado deve dialogar com o presente. Esse é um dos pontos principais que a BNCC traz para o ensino de História. De acordo com a Base, é preciso transformar a história em ferramenta a serviço de um discernimento maior sobre as experiências humanas e das sociedades em que se vive (BRASIL, 2018). Segundo Trevisan (2021) os alunos não devem apenas aprender sobre os fatos de maneira distante ou fora de contexto a outros fenômenos e, principalmente, do próprio presente. Portanto, é preciso planejar aulas que permitam que os conhecimentos do professor se transformem em instrumentos de construção do saber, com espaço para uma postura ativa dos estudantes diante de suas aprendizagens. Isso significa que através de processos, como os cinco propostos pela Base, os alunos devem ser estimulados a fazer uma leitura crítica dos fatos históricos. 73 Para que isso aconteça, conforme Trevisan (2021), é essencial que todos sintam-se motivados a partir dos conhecimentos que adquirem nas aulas, a formularem perguntas sobre o passado e sobre o presente. Os alunos devem ser incentivados a apresentarem suas hipóteses e interpretações acerca dos fatos para questionar e confrontar o conhecimento histórico pré-estabelecido. Veja quais são os cinco processos e como aplicá-los: QUADRO 1 – PROCESSO IDENTIFICAÇÃO Identificação O que é: o processo de reconhecimento de uma questão ou objeto a ser estudado. Como conduzir o aluno nesse processo: a partir da formulação de perguntas como: 1. "O que é? 2. "Como é possível descrevê-lo?” 3. “Como pode ser lido?” 4. “Que conhecimentos precisam ser mobilizados para reconhecer o objeto?” 5. “A quais componentes culturais ele está intrinsecamente ligado?” 6. “Qual é o sentido que nossa cultura atribui a ele?” Um exemplo: no início do processo de pesquisa sobre uma questão histórica, ao tomar contato com um objeto, é possível reconhecer em detalhe a sua linguagem. Identificar um mapa ou uma planta ou até mesmo ler uma escala são atividades recomendadas nessa etapa. Identificar é também desnaturalizar a visão que se tem de determinado objeto de estudo, tentando apenas vê-lo como é, sem a “interferência” dos componentes culturais. FONTE: . Acesso em: 31 jan. 2022. Na Educação Infantil e Anos Iniciais é partir de objetos de análise do cotidiano de seus alunos. 74 QUADRO 2 – PROCESSO COMPARAÇÃO Comparação O que é: conhecer o outro percebendo suas semelhanças e diferenças. Ao comparar, crianças e jovens podem ter uma melhor compreensão dos fenômenos, dos processos históricos e das fontes documentais. Como conduzir o aluno nesse processo: apresentando fatos históricos correlacionados, de modo que o aluno possa ampliar seus conhecimentos em relação a outros povos e de seus costumes específicos. O pensamento articulado entre as dimensões do ‘eu’, do ‘outro’ e do ‘nós’ preparam os alunos para enfrentar situações marcadas pelo conflito ou pela conciliação, estimulando também o respeito à pluralidade cultural, social e política. Um exemplo: no ano de 1500, a cidade do México Tenochitlán tinha entre 500 mil e 1 milhão de habitantes e ostentava uma estrutura urbana complexa com aquedutos e diques. Na mesma época, Paris tinha cerca de 200 mil habitantes e Veneza, 105 mil. Apenas cinco cidades da Europa tinham mais de 100 mil habitantes naquela época. “A comparação aliada à identificação quantitativa permite ao aluno ver o mundo a partir de uma outra proporção”. FONTE: . Acesso em: 31 jan. 2022. Na Educação Infantil e Anos Iniciais, a comparação deve ser feita por casos concretos (usando os sentidos), ou seja, que os alunos possam usar a Visão, Audição, Paladar, Olfato, Tato. Exemplo: a produção agrícola nos períodos históricos. Comparar as frutas de determinados países, por exemplo, seu uso e produção e relacionar com os fatos históricos. Nessa aula é possível aproveitar a degustação dessas frutas. 75 QUADRO 3 – PROCESSO CONTEXTUALIZAÇÃO Contextualização O que é: localizar momentos e lugares específicos em que determinados fatos históricos ocorreram no momento de atribuir sentidos e significados. Como conduzir o aluno nesse processo: o aluno deve identificar o momento em que uma circunstância histórica é analisada e as condições específicas daquela realidade. Um evento não deve ser estudado de forma isolada, mas inserido em um quadro amplo de referências sociais, culturais e econômicas. Um exemplo: o aluno pode ser estimulado a pensar sobre questões secundárias que ajudarão a construir o contexto. Perguntas a serem feitas: 1. “O que é preciso saber para administrar uma cidade com 1 milhão de habitantes?” 2. “Como aconteceram os processos civilizatórios” A Base sugere que, em meio aos debates propostos em sala de aula, que sejam destacadas as dicotomias entre Ocidente e Oriente e os modelos baseados na sequência temporal de surgimento, auge e declínio. Ambos dão conta de explicar questões históricas complexas. FONTE: . Acesso em: 31 jan. 2022. Na Educação Infantil e Anos Iniciais de contextualização: • O que é preciso saber para trabalhar em um comércio? • Vocês sabem as diferenças de indústria e comércio? A Base sugere que, em meio aos debates propostos em sala de aula, que sejam destacadas as diferenças entre indústria e comércio, uso de cartolina, gravuras e materiais que possibilitem a visualização das questões e a melhor compreensão do tema trabalhado em sala. 76 QUADRO 4 – PROCESSO INTERPRETAÇÃO Interpretação O que é: posicionar-se criticamente sobre o conteúdo estudado em sala de aula. Interpretações variadas sobre um mesmo objeto tornam mais clara, explícita, a relação sujeito/objeto e, ao mesmo tempo, estimulam a identificação das hipóteses levantadas. Como conduzir o aluno nesse processo: diante de um mesmo fato, os alunos devem ser capazes de levantar diversas hipóteses e desenvolver argumentos acerca delas. O estudante pode, por exemplo, ser chamado a questionar: “O que torna um determinado evento um marco histórico?” Um exemplo: no momento de interpretar, o aluno pode construir argumentos sobre o conteúdo estudado, discutir com os pares e selecionar diferentes proposições. Pode perguntar e responder questões como: porque o incêndio nas Torres Gêmeas é um marco histórico e um outro incêndio de uma casa em São Paulo. FONTE: . Acesso em: 31 jan. 2022. QUADRO 5 – PROCESSO ANÁLISE Análise O que é: problematizar a própria escrita da história, considerando as pressões e restrições de que ela também é fruto, da mesma forma como as outras produções da sociedade em que vivemos. Como conduzir o aluno nesse processo: é possível propor atividades para que os alunos construam hipóteses sobre as questões ideológicas abordadas em sala de aula. Algumas questões norteadoras: 1. “Como foi produzido aquele saber?” 2. “Para que serve?” 3. “Quem o consome?” 4. “Seu significado se alterou no tempo e no espaço?” Um exemplo: ao se deparar com um fato histórico, além de conhecê-lo, o aluno deve ser capaz de compreender que é um produto de um embate de forças que resulta na elaboração de significados, que podem ser reinterpretados. É interessante que o estudante reconheça as tensões sociais, culturais, religiosas,políticas e econômicas intrínsecas ao processo de formação das sociedades que se sucederam ao longo do tempo. Ao analisar o desenvolvimento de diversos povos, por exemplo, é importante que o aluno compreenda que toda a história é contada a partir de uma determinada perspectiva que pode ser desconstruída. FONTE: . Acesso em: 31 jan. 2022. 77 DICA Acadêmico, deixamos como exemplo um plano de aula para se trabalhar o conhecimento histórico com os alunos a partir de diversidade cultural. Acesse: https://bit.ly/3s95jQZ. 3 CIÊNCIA HISTÓRICA O historiador formula suas questões, sempre, a partir do presente, para só então retornar imaginativamente à um passado que estava morto até então, e revirá-lo em busca do acontecido. Como nos propõe Certeau (1982), escrever é caminhar pelo mundo dos mortos, trazendo-os à vida a partir da narrativa, do discurso. Um conceito importante para o historiador é o de tempo: tempo cronológico e tempo histórico. Observe a Figura 1. FIGURA 1 – TEMPO CRONOLÓGICO FONTE: Matos (2015, p. 4) 78 É no tempo que entendemos os fatos históricos, pois somente o contexto pode auxiliar-nos a compreender os acontecimentos. O tempo é contínuo, mas está em eterna mudança, porque novos acontecimentos no presente transformam as sociedades e contribuem para que mudemos nossa forma de compreender o passado, assim, tempo histórico tem como agentes os grupos humanos, os quais provocam as mudanças sociais, ao mesmo tempo em que são modificados por elas. Bloch (2001 apud MATOS, 2015, p. 5), sustenta de que o “Tempo Histórico é o modo como cada grupo ou sociedade vivencia, percebe e organiza o seu tempo cronológico”. O modo de vida é diverso de uma sociedade para outra, cada uma tem sua organização social e econômica; seus membros têm mentalidade e visão de mundo próprias, criadas, desenvolvidas e modificadas ao longo de sua história. Embora o tempo passe igualmente para todo o mundo, nem todos passam pelo tempo da mesma forma.A história busca conhecer o passado e interpretá- lo de várias formas, portanto, é o estudo das ações humanas no passado e no presente, ou como defende o grande historiador Bloch (2001), Em História é possível fazer novas descobertas até quando investigar um fato já bem estudado do passado ao encontrar novos documentos ou reinterpretando documentos já analisados. A diversidade dos testemunhos históricos é quase infinita. Tudo o que o ser humano diz ou escreve, tudo o que constrói, tudo o que toca, pode e deve fornecer informações sobre o fato. O historiador só pode afirmar algo se tiver como prová-lo. Para isso, ele utiliza- se de todos os vestígios (sinais) da passagem dos seres humanos pela Terra: restos de suas moradias, de sua alimentação, seus instrumentos de trabalho, seus enfeites esculturas, armas, pinturas, canções, festas, cartas, jornais, revistas, certidões, leis, fotografias, filmes, fitas cassetes etc. Esses vestígios quando estudados pelo historiador são chamadas fontes históricas. As fontes históricas podem ser divididas em diferentes categorias que nos ajudam a tipificá-las e entendê-las. Uma delas, de acordo com Bloch (2001), define as fontes como voluntárias e involuntárias. A voluntária é aquela que foi produzida com a intenção deliberada de registrar algo para a posteridade, isto é, determinado acontecimento histórico. A fonte histórica involuntária é aquela que tem importância no trabalho do investigador, mas é um vestígio que não foi produzido pensando-se na posteridade. Existem outras formas outras formas de categorizar e tipificar as fontes. Barros (2012) organiza as fontes históricas em quatro tipos, que são: documentos textuais; vestígios arqueológicos e fontes da cultura material; representações pictóricas; e registros orais. 79 FIGURA 2 – FONTES PRIMÁRIAS/DIRETAS E SECUNDÁRIAS/INDIRETAS FONTE: Matos (2015, p. 12) Caro acadêmico, o desconhecimento do passado compromete a ação humana no presente, pois a sociedade é influenciada por um conjunto de eras passadas e os fatos se projetam num continuum, portanto, o fato não se explica em si mesmo, assim o passado e o presente isolados não compreenderão nada senão pela metade. IMPORTANTE O historiador só conhece partes do passado, aquilo que tem registros preservados. Além de serem guardados, os registros do passado precisam ser interpretados para que possam ter sentido. Cada historiador faz a sua reconstrução do que aconteceu, de acordo com seus conhecimentos, sua maneira de ver o mundo. Por isso, os mesmos acontecimentos estudados por diferentes historiadores podem levar a conclusões diferentes. Isso não significa que os historiadores possam dizer qualquer coisa sobre aquilo que estudam e escrevem. Eles não podem inventar os fatos, não podem fugir das evidências das pistas encontradas. À medida que estudamos História, percebemos que dois historiadores que usaram as mesmas fontes históricas podem chegar a conclusões diferentes e até opostas sobre o mesmo assunto. Isso ocorre porque eles têm perspectivas teóricas distintas e diferentes valores morais e religiosos. Propomos que você desenvolva uma atividade sobre a importância da preservação de memórias no ensino de história. 80 LUGARES DE PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA As pessoas têm preocupação em guardar os vestígios de suas vidas para o conhecimento das gerações futuras. Atividade: vamos conhecer alguns desses lugares! Visitar o Museu da cidade. Visitar o Museu virtual, no endereço: https://bit.ly/3odGPom. Durante a visita você deverá observar algumas coisas e anotar: Relacione o que mais lhe chamou a atenção nos dois museus. Você encontrou nos museus coisas que não conhecia? Quais? Você considera importante preservar a memória? Por quê? Junto com um colega da turma elabore um relatório de sua visita aos dois museus. Compare o que você viu em um e em outro e indique as diferenças e coincidências entre eles. FONTE: . Acesso em: 31 jan. 2022. Bom, você deve estar se perguntando, mas, o que estudam e pesquisam os historiadores? A pesquisadora e professora Borges (2007), comenta que o historiador estuda a mudança da vida humana na duração do tempo a partir de dois eixos: a) as causas da mudança: as causas são todos os acontecimentos que podem ter influído no desenvolvimento do fato histórico; b) as consequências da mudança: as consequências são os acontecimentos que se desenvolveram em decorrência do fato histórico. E lembrando que cada ciência possui a sua estética da linguagem e o historiador precisa perceber o papel da linguagem nos processos de interpretação, pois a História possui uma escrita que deve ser composta por um processo explicativo e essa se utilizará de conceitos para significar os fenômenos históricos. 4 O ENSINO DE HISTÓRIA Caro acadêmico, partido do que aprendemos no assunto anterior, percebemos que todos esses saberes e conhecimentos são importantes para o Ensino de História em sala de aula: o conhecimento acumulado, o conhecimento/saber prático e do cotidiano e o conhecimento e prática de se fazer pesquisa. Referente a este último, Demo (2004, p. 116), cita que. [...] o aluno que aprende a pesquisar, aprende a habilidade mais básica para sua permanente renovação profissional, sem falar naquela de estudar melhor e aprender de maneira reconstrutiva; 81 não vem à instituição para escutar aula, tomar nota, fazer prova, mas para reconstruir conhecimento sistematicamente; este tipo de aluno tem peso no futuro do país e é a fonte principal para a instituição de novas vocações docentes. Demo (2004) reflete sobre a importância de desenvolver no aluno o espírito de pesquisador, processo que se dará ao longo da Educação Básica. Você deve questionar é como se dá o processo de ensinar história na Educação Infantil e nos Anos Iniciaisdo Ensino Fundamental? Como desenvolver esse espírito nas crianças? 4.1 ENSINO DE HISTÓRIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL Como primeira etapa da Educação Básica, a Educação Infantil é o início e o fundamento do processo educacional. A entrada na creche ou na pré-escola significa, na maioria das vezes, a primeira separação das crianças dos seus vínculos afetivos familiares para se incorporarem a uma situação de socialização estruturada (BRASIL, 2018). Nas últimas décadas, vem se consolidando, na Educação Infantil, a concepção que vincula educar e cuidar, entendendo o cuidado como algo indissociável do processo educativo. Nesse contexto, as creches e pré-escolas, ao acolher as vivências e os conhecimentos construídos pelas crianças no ambiente da família e no contexto de sua comunidade, e articulá-los em suas propostas pedagógicas, têm o objetivo de ampliar o universo de experiências, conhecimentos e habilidades dessas crianças, diversificando e consolidando novas aprendizagens, atuando de maneira complementar à educação familiar – especialmente quando se trata da educação dos bebês e das crianças bem pequenas, que envolve aprendizagens muito próximas aos dois contextos (familiar e escolar), como a socialização, a autonomia e a comunicação (BRASIL, 2018). Assim, a divisão etária é estruturada da BNCC Educação Infantil de acordo com a Figura 3: 82 FIGURA 3 – DIVISÃO ETÁRIA FONTE: . Acesso em: 31 jan. 2022. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) dá um salto histórico ao reconhecer a Educação Infantil como etapa essencial e estabelecer seis direitos de aprendizagem para bebês e crianças de zero a cinco anos. O professor precisa garantir que as experiências propostas estejam de acordo com os aspectos considerados fundamentais no processo (conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se). O documento também inova ao reconhecer essa etapa da Educação Básica como fundamental para a construção da identidade e da subjetividade dos pequenos. O importante é criar condições para a formulação de perguntas. As crianças precisam pensar sobre o mundo ao seu redor, desenvolver estratégias de observação, criar hipóteses e narrativas. IMPORTANTE DIREITOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO NA EDUCAÇÃO INFANTIL • Conviver com outras crianças e adultos, em pequenos e grandes grupos, utilizando diferentes linguagens, ampliando o conhecimento de si e do outro, o respeito em relação à cultura e às diferenças entre as pessoas. • Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais. • Participar ativamente, com adultos e outras crianças, tanto do planejamento da gestão da escola e das atividades propostas pelo educador quanto da realização das atividades da vida cotidiana, tais como a escolha das brincadeiras, dos materiais e dos ambientes, desenvolvendo diferentes linguagens e elaborando conhecimentos, decidindo e se posicionando. • Explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções, transformações, relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza, na escola e fora dela, ampliando seus saberes sobre a cultura, em suas diversas modalidades: as artes, a escrita, a ciência e a tecnologia. 83 • Expressar, como sujeito dialógico, criativo e sensível, suas necessidades, emoções, sentimentos, dúvidas, hipóteses, descobertas, opiniões, questionamentos, por meio de diferentes linguagens. • Conhecer-se e construir sua identidade pessoal, social e cultural, constituindo uma imagem positiva de si e de seus grupos de pertencimento, nas diversas experiências de cuidados, interações, brincadeiras e linguagens vivenciadas na instituição escolar e em seu contexto familiar e comunitário. FONTE: BRASIL. Ministério da Educação. Base nacional comum curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 38. O documento também traz um arranjo composto de cinco campos de experiências, que englobam situações e experiências e aprendizagens essenciais para que a criança aprenda e se desenvolva. São eles: (1) O eu, o outro e o nós, (2) Corpo, gestos e movimentos, (3) Traços, sons, cores e formas, (4) Escuta, fala, pensamento e imaginação e (5) Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações. Neles estão definidos os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento para cada grupo etário (BRASIL, 2018). Os campos enfatizam noções, habilidades, comportamentos e valores a serem desenvolvidos ao longo da Educação Infantil e devem nortear o trabalho pedagógico. Essa estrutura preserva a identidade da Educação Infantil e o modo próprio como a criança pensa o mundo, tem ideias e sente. Também um avanço por dialogar mais com questões do mundo contemporâneo, que é mais complexo e remete a pensar com mais atenção nas qualidades das experiências atuais. Hoje, as maneiras de aprender são mais diversificadas, pois atuasse com um número maior de linguagens e nos relacionamentos com o tempo de maneira diferente. Para completar, direitos, campos e objetivos giram em torno de dois eixos estruturantes para a elaboração dos currículos locais: interações e brincadeiras. A criança pequena organiza ideias e sentimentos, compreende o mundo por meio da brincadeira (BRASIL, 2018). De acordo com a professor Rico (2019), as interações estão presentes desde muito cedo, inclusive entre os próprios bebês, que percebem e reagem às ações do outro. Pelas experiências e vivência, considerar as crianças ativas no processo de aprendizagem e valorizar suas experiências não quer dizer deixá-las entregues a seus próprios recursos, totalmente livres, esperando que o desenvolvimento ocorra de maneira espontânea. 84 Qualificar as experiências exige intencionalidade. E também regularidade para que não se tornem apenas vivências. A experiência envolve um saber sobre a vivência. Ela toca o sujeito e altera seu estado, que sai modificado. Por isso, não adianta oferecer a cada dia uma atividade diferente, sempre com materiais e recursos variados. Criar condições para a criança construir boas experiências é dar oportunidade para ela fazer a atividade mais de uma vez, olhar sobre outro ponto de vista, testar se o que fez com um material vai funcionar em outra ocasião e com outro material. Ao viver várias vezes a mesma situação é que ela constrói a aprendizagem e se apropria de conceitos e saberes. E como fazer isto na prática? Com planejamento. É pensar em situações de inovação e outras de continuidade. E importante também é observar e refletir, a lógica de alternar entre apresentar algo novo e repetir uma atividade, mas com variações nos objetos e materiais utilizados e desafios progressivos é mais significativa conforme o professor desenvolve um olhar sensível e observador para equilibrar o que é intencionalmente planejado – afinal, há direitos e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento para garantir – com a percepção, e uso disso, sobre o que emerge da interação com as crianças. A observação é a principal ferramenta do docente e precisa ser exercitada como um trabalho cotidiano. Ele deve estar atento ao que ocorre com as crianças, registrar e analisar para que nada se perca, utilizando as observações para os planejamentos subsequentes. No caso de bebês e crianças bem pequenas, em geral, isso representa atenção aos detalhes. É necessário escutar, tendo a consciência de que a linguagem não se resume a oral e escrita. O bebê começa com linguagens mais corporais e expressivas até adquirir a fala. Então, escutar é prestar atenção como ele se movimenta, por que chora, quando ri, quando arregala os olhos etc. E escutar a criança bem pequena é também ver o desenho dela, o jeitodela imitar algum amiguinho e outros sinais. Os detalhes são grandes e necessários. Se não fizer isso, não há como saber os caminhos que as crianças estão tomando. Aí o professor fica preso no seu planejamento e não considera a participação das crianças, que é um dos direitos de aprendizagem e desenvolvimento. 85 INTERESSANTE O QUE SÃO OS CAMPOS DE EXPERIÊNCIA? Eles fazem parte da estrutura da BNCC para a etapa, mas não devem ser encarados como currículo. Os campos de experiência não são currículo. Eles fazem parte da estrutura da BNCC para a Educação Infantil, que foca no “o que ensinar”. A definição sobre o “como ensinar”, que também compõe um currículo, é de responsabilidade de redes estaduais e municipais, escolas e professores. Nesse processo de debater como levar a perspectiva trazida pelos campos de experiência para a prática cotidiana, é essencial lembrar que eles não são disciplinas, com suas listas de conteúdos a cumprir a cada ano, e, portanto, não devem ser trabalhados um de cada vez. Pelo contrário, uma vez que surgiram justamente para romper com essa lógica e valorizar a aprendizagem por meio de experiências, como o nome diz, é necessário integrá-los. Ou seja, as atividades propostas devem envolver mais de um campo de experiência simultaneamente. FONTE: . Acesso em: 31 jan. 2022. Os campos de experiência da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) têm como objetivo o desenvolvimento da criança e a centralização do aprendizado no aluno. O documento também estabelece campos de experiência que devem ser trabalhados nas instituições de ensino para promover uma reorganização do ensino e favorecer o crescimento infantil. Lembrando que, são cinco campos de experiências para a Educação Infantil: eu, o outro e o nós; corpo, gestos e movimentos; traços, sons, cores e formas; escuta, fala, pensamento e imaginação; e espaço, tempo, quantidades, relações e transformações. Cada um desses Campos possui objetivos específicos para grupo etário. Confira, a seguir, o que são os campos de experiência da BNCC (BRASIL, 2018). • Eu, o outro e o nós É na interação com os pares e com adultos que as crianças vão constituindo um modo próprio de agir, sentir e pensar e vão descobrindo que existem outros modos de vida, pessoas diferentes, com outros pontos de vista. Conforme vivem suas primeiras experiências sociais (na família, na instituição escolar, na coletividade), constroem percepções e questionamentos sobre si e sobre os outros, diferenciando-se e, simultaneamente, identificando- se como seres individuais e sociais. Ao mesmo tempo que participam de relações sociais e de cuidados pessoais, as crianças constroem sua autonomia e senso de autocuidado, de reciprocidade e de interdependência com o meio (BRASIL, 2018). 86 QUADRO 6 – OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO A Bebês (zero a 1 ano e 6 meses) Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses) (EI01EO01) Perceber que suas ações têm efeitos nas outras crianças e nos adultos. (EI02EO01) Demonstrar atitudes de cuidado e solidariedade na interação com crianças e adultos. (EI03EO01) Demonstrar empatia pelos outros, percebendo que as pessoas têm diferentes sentimentos, necessidades e maneiras de pensar e agir. (EI01EO02) Perceber as possibilidades e os limites de seu corpo nas brincadeiras e interações das quais participa. (EI02EO02) Demonstrar imagem positiva de si e confiança em sua capacidade para enfrentar dificuldades e desafios. (EI03EO02) Agir de maneira independente, com confiança em suas capacidades, reconhecendo suas conquistas e limitações. (EI01EO03) Interagir com crianças da mesma faixa etária e adultos ao explorar espaços, materiais, objetos, brinquedos. (EI02EO03) Compartilhar os objetos e os espaços com crianças da mesma faixa etária e adultos. (EI03EO03) Ampliar as relações interpessoais, desenvolvendo atitudes de participação e cooperação. (EI01EO04) Comunicar necessidades, desejos e emoções, utilizando gestos, balbucios, palavras. (EI02EO04) Comunicar-se com os colegas e os adultos, buscando compreendê-los e fazendo-se compreender. (EI03EO04) Comunicar suas ideias e sentimentos a pessoas e grupos diversos. (EI01EO05) Reconhecer seu corpo e expressar suas sensações em momentos de alimentação, higiene, brincadeira e descanso. (EI02EO05) Perceber que as pessoas têm características físicas diferentes, respeitando essas diferenças. (EI03EO05) Demonstrar valorização das características de seu corpo e respeitar as características dos outros (crianças e adultos) com os quais convive. (EI01EO06) Interagir com outras crianças da mesma faixa etária e adultos, adaptando-se ao convívio social. (EI02EO06) Respeitar regras básicas de convívio social nas interações e brincadeiras. (EI03EO06) Manifestar interesse e respeito por diferentes culturas e modos de vida. (EI02EO07) Resolver conflitos nas interações e brincadeiras, com a orientação de um adulto. (EI03EO07) Usar estratégias pautadas no respeito mútuo para lidar com conflitos nas interações com crianças e adultos. FONTE: Brasil (2018, p. 45-46) 87 • Corpo, gestos e movimentos Com o corpo (por meio dos sentidos, gestos, movimentos impulsivos ou intencionais, coordenados ou espontâneos), as crianças, desde cedo, exploram o mundo, o espaço e os objetos do seu entorno, estabelecem relações, expressam-se, brincam e produzem conhecimentos sobre si, sobre o outro, sobre o universo social e cultural, tornando-se, progressivamente, conscientes dessa corporeidade (BRASIL, 2018). QUADRO 7 – OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO B Bebês (zero a 1 ano e 6 meses) Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses) (EI01CG01) Movimentar as partes do corpo para exprimir corporalmente emoções, necessidades e desejos. (EI02CG01) Apropriar-se de gestos e movimentos de sua cultura no cuidado de si e nos jogos e brincadeiras. (EI03CG01) Criar com o corpo formas diversificadas de expressão de sentimentos, sensações e emoções, tanto nas situações do cotidiano quanto em brincadeiras, dança, teatro, música. (EI01CG02) Experimentar as possibilidades corporais nas brincadeiras e interações em ambientes acolhedores e desafiantes. (EI02CG02) Deslocar seu corpo no espaço, orientando-se por noções como em frente, atrás, no alto, embaixo, dentro, fora etc., ao se envolver em brincadeiras e atividades de diferentes naturezas. (EI03CG02) Demonstrar controle e adequação do uso de seu corpo em brincadeiras e jogos, escuta e reconto de histórias, atividades artísticas, entre outras possibilidades. (EI01CG03) Imitar gestos e movimentos de outras crianças, adultos e animais. (EI02CG03) Explorar formas de deslocamento no espaço (pular, saltar, dançar), combinando movimentos e seguindo orientações. (EI03CG03) Criar movimentos, gestos, olhares e mímicas em brincadeiras, jogos e atividades artísticas como dança, teatro e música. (EI01CG04) Participar do cuidado do seu corpo e da promoção do seu bem-estar. (EI02CG04) Demonstrar progressiva independência no cuidado do seu corpo. (EI03CG04) Adotar hábitos de autocuidado relacionados a higiene, alimentação, conforto e aparência. (EI01CG05) Utilizar os movimentos de preensão, encaixe e lançamento, ampliando suas possibilidades de manuseio de diferentes materiais e objetos. (EI02CG05) Desenvolver progressivamente as habilidades manuais, adquirindo controle para desenhar, pintar, rasgar, folhear, entre outros. (EI03CG05) Coordenar suas habilidades manuais no atendimento adequado a seus interesses e necessidades em situações diversas. FONTE: Brasil (2018, p. 47)88 Traços, sons, cores e formas Conviver com diferentes manifestações artísticas, culturais e científicas, locais e universais, no cotidiano da instituição escolar, possibilita às crianças, por meio de experiências diversificadas, vivenciar diversas formas de expressão e linguagens, como as artes visuais (pintura, modelagem, colagem, fotografia etc.), a música, o teatro, a dança e o audiovisual, entre outras. Com base nessas experiências, elas se expressam por várias linguagens, criando suas próprias produções artísticas ou culturais, exercitando a autoria (coletiva e individual) com sons, traços, gestos, danças, mímicas, encenações, canções, desenhos, modelagens, manipulação de diversos materiais e de recursos tecnológicos (BRASIL, 2018). QUADRO 8 – OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO C Bebês (zero a 1 ano e 6 meses) Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses) (EI01TS01) Explorar sons produzidos com o próprio corpo e com objetos do ambiente. (EI02TS01) Criar sons com materiais, objetos e instrumentos musicais, para acompanhar diversos ritmos de música. (EI03TS01) Utilizar sons produzidos por materiais, objetos e instrumentos musicais durante brincadeiras de faz de conta, encenações, criações musicais, festas. (EI01TS02) Traçar marcas gráficas, em diferentes suportes, usando instrumentos riscantes e tintas. (EI02TS02) Utilizar materiais variados com possibilidades de manipulação (argila, massa de modelar), explorando cores, texturas, superfícies, planos, formas e volumes ao criar objetos tridimensionais. (EI03TS02) Expressar-se livremente por meio de desenho, pintura, colagem, dobradura e escultura, criando produções bidimensionais e tridimensionais. (EI01TS03) Explorar diferentes fontes sonoras e materiais para acompanhar brincadeiras cantadas, canções, músicas e melodias. (EI02TS03) Utilizar diferentes fontes sonoras disponíveis no ambiente em brincadeiras cantadas, canções, músicas e melodias. (EI03TS03) Reconhecer as qualidades do som (intensidade, duração, altura e timbre), utilizando-as em suas produções sonoras e ao ouvir músicas e sons. FONTE: Brasil (2018, p. 48) 89 • Escuta, fala, pensamento e imaginação Desde o nascimento, as crianças participam de situações comunicativas cotidianas com as pessoas com as quais interagem. As primeiras formas de interação do bebê são os movimentos do seu corpo, o olhar, a postura corporal, o sorriso, o choro e outros recursos vocais, que ganham sentido com a interpretação do outro. Progressivamente, as crianças vão ampliando e enriquecendo seu vocabulário e demais recursos de expressão e de compreensão, apropriando-se da língua materna – que se torna, pouco a pouco, seu veículo privilegiado de interação (BRASIL, 2018). QUADRO 9 – OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO D Bebês (zero a 1 ano e 6 meses) Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses) (EI01EF01) Reconhecer quando é chamado por seu nome e reconhecer os nomes de pessoas com quem convive. (EI02EF01) Dialogar com crianças e adultos, expressando seus desejos, necessidades, sentimentos e opiniões. (EI03EF01) Expressar ideias, desejos e sentimentos sobre suas vivências, por meio da linguagem oral e escrita (escrita espontânea), de fotos, desenhos e outras formas de expressão. (EI01EF02) Demonstrar interesse ao ouvir a leitura de poemas e a apresentação de músicas. (EI02EF02) Identificar e criar diferentes sons e reconhecer rimas e aliterações em cantigas de roda e textos poéticos. (EI03EF02) Inventar brincadeiras cantadas, poemas e canções, criando rimas, aliterações e ritmos. (EI01EF03) Demonstrar interesse ao ouvir histórias lidas ou contadas, observando ilustrações e os movimentos de leitura do adulto-leitor (modo de segurar o portador e de virar as páginas). (EI02EF03) Demonstrar interesse e atenção ao ouvir a leitura de histórias e outros textos, diferenciando escrita de ilustrações, e acompanhando, com orientação do adulto-leitor, a direção da leitura (de cima para baixo, da esquerda para a direita). (EI03EF03) Escolher e folhear livros, procurando orientar- se por temas e ilustrações e tentando identificar palavras conhecidas. (EI01EF04) Reconhecer elementos das ilustrações de histórias, apontando-os, a pedido do adulto-leitor. (EI02EF04) Formular e responder perguntas sobre fatos da história narrada, identificando cenários, personagens e principais acontecimentos. (EI03EF04) Recontar histórias ouvidas e planejar coletivamente roteiros de vídeos e de encenações, definindo os contextos, os personagens, a estrutura da história. (EI01EF05) Imitar as variações de entonação e gestos realizados pelos adultos, ao ler histórias e ao cantar. (EI02EF05) Relatar experiências e fatos acontecidos, histórias ouvidas, filmes ou peças teatrais assistidos etc. (EI03EF05) Recontar histórias ouvidas para produção de reconto escrito, tendo o professor como escriba. 90 (EI01EF06) Comunicar-se com outras pessoas usando movimentos, gestos, balbucios, fala e outras formas de expressão. (EI02EF06) Criar e contar histórias oralmente, com base em imagens ou temas sugeridos. (EI03EF06) Produzir suas próprias histórias orais e escritas (escrita espontânea), em situações com função social significativa. (EI01EF07) Conhecer e manipular materiais impressos e audiovisuais em diferentes portadores (livro, revista, gibi, jornal, cartaz, CD, tablet etc.). (EI02EF07) Manusear diferentes portadores textuais, demonstrando reconhecer seus usos sociais. (EI03EF07) Levantar hipóteses sobre gêneros textuais veiculados em portadores conhecidos, recorrendo a estratégias de observação gráfica e/ou de leitura. (EI01EF08) Participar de situações de escuta de textos em diferentes gêneros textuais (poemas, fábulas, contos, receitas, quadrinhos, anúncios etc.). (EI02EF08) Manipular textos e participar de situações de escuta para ampliar seu contato com diferentes gêneros textuais (parlendas, histórias de aventura, tirinhas, cartazes de sala, cardápios, notícias etc.). (EI03EF08) Selecionar livros e textos de gêneros conhecidos para a leitura de um adulto e/ou para sua própria leitura (partindo de seu repertório sobre esses textos, como a recuperação pela memória, pela leitura das ilustrações etc.). (EI01EF09) Conhecer e manipular diferentes instrumentos e suportes de escrita. (EI02EF09) Manusear diferentes instrumentos e suportes de escrita para desenhar, traçar letras e outros sinais gráficos. (EI03EF09) Levantar hipóteses em relação à linguagem escrita, realizando registros de palavras e textos, por meio de escrita espontânea. FONTE: Brasil (2018 p. 49-50) • Espaço, tempo, quantidades, relações e transformações As crianças vivem inseridas em espaços e tempos de diferentes dimensões, em um mundo constituído de fenômenos naturais e socioculturais. Desde muito pequenas, elas procuram se situar em diversos espaços (rua, bairro, cidade etc.) e tempos (dia e noite; hoje, ontem e amanhã etc.). Demonstram também curiosidade sobre o mundo físico (seu próprio corpo, os fenômenos atmosféricos, os animais, as plantas, as transformações da natureza, os diferentes tipos de materiais e as possibilidades de sua manipulação etc.) e o mundo sociocultural (as relações de parentesco e sociais entre as pessoas que conhece; como vivem e em que trabalham essas pessoas; quais suas tradições e seus costumes; a diversidade entre elas etc.) (BRASIL, 2018). 91 QUADRO 10 – OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO E Bebês (zero a 1 ano e 6 meses) Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses) (EI01ET01) Explorar e descobrir as propriedades de objetos emateriais (odor, cor, sabor, temperatura). (EI02ET01) Explorar e descrever semelhanças e diferenças entre as características e propriedades dos objetos (textura, massa, tamanho). (EI03ET01) Estabelecer relações de comparação entre objetos, observando suas propriedades. (EI01ET02) Explorar relações de causa e efeito (transbordar, tingir, misturar, mover e remover etc.) na interação com o mundo físico. (EI02ET02) Observar, relatar e descrever incidentes do cotidiano e fenômenos naturais (luz solar, vento, chuva etc.). (EI03ET02) Observar e descrever mudanças em diferentes materiais, resultantes de ações sobre eles, em experimentos envolvendo fenômenos naturais e artificiais. (EI01ET03) Explorar o ambiente pela ação e observação, manipulando, experimentando e fazendo descobertas. (EI02ET03) Compartilhar, com outras crianças, situações de cuidado de plantas e animais nos espaços da instituição e fora dela. (EI03ET03) Identificar e selecionar fontes de informações, para responder a questões sobre a natureza, seus fenômenos, sua conservação. (EI01ET04) Manipular, experimentar, arrumar e explorar o espaço por meio de experiências de deslocamentos de si e dos objetos. (EI02ET04) Identificar relações espaciais (dentro e fora, em cima, embaixo, acima, abaixo, entre e do lado) e temporais (antes, durante e depois). (EI03ET04) Registrar observações, manipulações e medidas, usando múltiplas linguagens (desenho, registro por números ou escrita espontânea), em diferentes suportes. (EI01ET05) Manipular materiais diversos e variados para comparar as diferenças e semelhanças entre eles. (EI02ET05) Classificar objetos, considerando determinado atributo (tamanho, peso, cor, forma etc.). (EI03ET05) Classificar objetos e figuras de acordo com suas semelhanças e diferenças. (EI01ET06) Vivenciar diferentes ritmos, velocidades e fluxos nas interações e brincadeiras (em danças, balanços, escorregadores etc.). (EI02ET06) Utilizar conceitos básicos de tempo (agora, antes, durante, depois, ontem, hoje, amanhã, lento, rápido, depressa, devagar). (EI03ET06) Relatar fatos importantes sobre seu nascimento e desenvolvimento, a história dos seus familiares e da sua comunidade. (EI02ET07) Contar oralmente objetos, pessoas, livros etc., em contextos diversos. (EI03ET07) Relacionar números às suas respectivas quantidades e identificar o antes, o depois e o entre em uma sequência. (EI02ET08) Registrar com números a quantidade de crianças (meninas e meninos, presentes e ausentes) e a quantidade de objetos da mesma natureza (bonecas, bolas, livros etc.). (EI03ET08) Expressar medidas (peso, altura etc.), construindo gráficos básicos FONTE: Brasil (2018, p. 51-52) 92 Em síntese, acadêmico, na Educação Infantil, o quadro de cada campo de experiências se organiza em três colunas relativas aos grupos por faixa etária, nas quais estão detalhados os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento. Em cada linha da coluna, os objetivos definidos para os diferentes grupos referem-se a um mesmo aspecto do campo de experiências. Observe o Quadro 11 referente à organização da Educação Infantil proposta pela BNCC. QUADRO 11 – ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL NA BNCC FONTE: . Acesso em: 31 jan. 2022. 4.2 ENSINO DE HISTÓRIA E A TRANSIÇÃO De acordo com a BNCC (BRASIL, 2018) A transição entre as duas etapas da Educação Básica (Educação Infantil e Ensino Fundamental) requer muita atenção, para que haja equilíbrio entre as mudanças introduzidas, garantindo integração e continuidade dos processos de aprendizagens das crianças, respeitando suas singularidades e as diferentes relações que elas estabelecem com os conhecimentos, assim como a natureza das mediações de cada etapa. 93 Torna-se necessário estabelecer estratégias de acolhimento e adaptação tanto para as crianças quanto para os docentes, de modo que a nova etapa se construa com base no que a criança sabe e é capaz de fazer, em uma perspectiva de continuidade de seu percurso educativo. Para isso, as informações contidas em relatórios, portfólios ou outros registros que evidenciem os processos vivenciados pelas crianças ao longo de sua trajetória na Educação Infantil podem contribuir para a compreensão da história de vida escolar de cada aluno do Ensino Fundamental. Conversas ou visitas e troca de materiais entre os professores das escolas de Educação Infantil e de Ensino Fundamental – Anos Iniciais também são importantes para facilitar a inserção das crianças nessa nova etapa da vida escolar. Além disso, para que as crianças superem com sucesso os desafios da transição, é indispensável um equilíbrio entre as mudanças introduzidas, a continuidade das aprendizagens e o acolhimento afetivo, de modo que a nova etapa se construa com base no que os educandos sabem e são capazes de fazer, evitando a fragmentação e a descontinuidade do trabalho pedagógico (BRASIL, 2018). Nessa direção, considerando os direitos e os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento, apresenta-se a síntese das aprendizagens esperadas em cada campo de experiências. Essa síntese deve ser compreendida como elemento balizador e indicativo de objetivos a serem explorados em todo o segmento da Educação Infantil, e que serão ampliados e aprofundados no Ensino Fundamental, e não como condição ou pré-requisito para o acesso ao Ensino Fundamental (BRASIL, 2018). Observe o Quadro 12: 94 QUADRO 12 – SÍNTESE DAS APRENDIZAGENS FONTE: Brasil (2018, p. 54) Observe a continuação no Quadro 13. 95 QUADRO 13 – SÍNTESE DAS APRENDIZAGENS PARA ATRANSIÇÃO PARA O ENINO FUNDAMENTAL FONTE: Brasil (2018, p. 55) 4.3 ENSINO DE HISTÓRIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA: ENSINO FUNDAMENTAL ANOS INICIAIS Diferente da Educação Infantil, a proposta da BNCC (BRASIL, 2018) Ensino Fundamental Anos Iniciais é a progressão das múltiplas aprendizagens, articulando o trabalho com as experiências anteriores e valorizando as situações lúdicas de aprendizagem. Tal articulação precisa prever tanto a progressiva sistematização dessas experiências quanto o desenvolvimento, pelos alunos, de novas formas de relação com o mundo, novas possibilidades de ler e formular hipóteses sobre os fenômenos, de testá-las, de refutá-las, de elaborar conclusões, em uma atitude ativa na construção de conhecimentos. 96 A progressão do conhecimento ocorre pela consolidação das aprendizagens anteriores e pela ampliação das práticas de linguagem e da experiência estética e intercultural das crianças, considerando tanto seus interesses e suas expectativas quanto o que ainda precisam aprender. Observe a Figura 4. FIGURA 4 – ÁREAS DO CONHECIMENTO E COMPONENTES CURRICULARES FONTE: Costa (2021, p. 183) A organização estrutural da BNCC no Ensino Fundamental como um todo se dá por áreas do conhecimento. As áreas do conhecimento previstas pela BNCC (BRASIL, 2018) • Linguagens ◦ Componentes curriculares: Língua Portuguesa, Arte, Educação Física, Língua Inglesa. • Matemática ◦ Componente curricular: Matemática. • Ciências da Natureza ◦ Componente curricular: Ciências. • Ciências Humanas ◦ Componentes curriculares: História e Geografia. • Ensino Religioso ◦ Componente curricular: Ensino Religioso. Cada uma delas têm competências específicas de área, reflexo das dez competências gerais da BNCC que devem ser promovidas ao longo de todo o Ensino Fundamental. De acordo com a BNCC (BRASIL, 2018, p. 28) As competências específicas possibilitam a articulação horizontal entre as áreas, perpassando todos os componentes curriculares, e também a articulação vertical, ou seja, a progressão entre o Ensino Fundamental – Anos Iniciais e o Ensino Fundamental – Anos Finais e a continuidade das experiências dos alunos, considerando suas especificidades. 97 ATENÇÃO O que antes entendíamos como disciplinas ou matérias, chamamos agora de componentes curriculares. As disciplinas não deixaramde existir, o que mudou foi: a BNCC não chama mais História, por exemplo, de disciplina ou matéria. A Base a compreende como um componente curricular da área de conhecimento de Ciências Humanas Com o intuito de garantir o desenvolvimento das competências especificas de área, cada componente curricular possui um conjunto de habilidades que estão relacionadas aos objetos de conhecimento (conteúdos, conceitos e processos) e que se organizam em unidades temáticas. A área de Ciências Humanas contribui para que os alunos desenvolvam a cognição in situ, ou seja, sem prescindir da contextualização marcada pelas noções de tempo e espaço, conceitos fundamentais da área. Cognição e contexto são, assim, categorias elaboradas conjuntamente, em meio a circunstâncias históricas específicas, nas quais a diversidade humana deve ganhar especial destaque, com vistas ao acolhimento da diferença (BRASIL, 2018). O raciocínio espaço-temporal baseia-se na ideia de que o ser humano produz o espaço em que vive, apropriando-se dele em determinada circunstância histórica. A capacidade de identificação dessa circunstância impõe-se como condição para que o ser humano compreenda, interprete e avalie os significados das ações realizadas no passado ou no presente, o que o torna responsável tanto pelo saber produzido quanto pelo controle dos fenômenos naturais e históricos dos quais é agente (BRASIL, 2018). A abordagem das relações espaciais e o consequente desenvolvimento do raciocínio espaço-temporal no ensino de Ciências Humanas devem favorecer a compreensão, pelos alunos, dos tempos sociais e da natureza e de suas relações com os espaços. A exploração das noções de espaço e tempo deve se dar por meio de diferentes linguagens, de forma a permitir que os alunos se tornem produtores e leitores de mapas dos mais variados lugares vividos, concebidos e percebidos (BRASIL, 2018). Na análise geográfica, os espaços percebidos, concebidos e vividos não são lineares. Portanto, é necessário romper com essa concepção para possibilitar uma leitura geo-histórica dos fatos e uma análise com abordagens históricas, sociológicas e espaciais (geográficas) simultâneas. Retomar o sentido dos espaços percebidos, concebidos e vividos nos permite reconhecer os objetos, os fenômenos e os lugares distribuídos no território e compreender os diferentes olhares para os arranjos desses objetos nos planos espaciais (BRASIL, 2018). Embora o tempo, o espaço e o movimento sejam categorias básicas na área de Ciências Humanas, não se pode deixar de valorizar também a crítica sistemática à ação humana, às relações sociais e de poder e, especialmente, à produção de conhecimentos e saberes, frutos de diferentes circunstâncias históricas e espaços geográficos. 98 O ensino de Geografia e História, ao estimular os alunos a desenvolver uma melhor compreensão do mundo, não só favorece o desenvolvimento autônomo de cada indivíduo, como também os torna aptos a uma intervenção mais responsável no mundo em que vivem (BRASIL, 2018). As Ciências Humanas devem, assim, estimular uma formação ética, dos direitos humanos; o respeito ao ambiente e à própria coletividade; o fortalecimento de valores sociais, tais como a solidariedade, a participação e o protagonismo voltados para o bem comum; e, sobretudo, a preocupação com as desigualdades sociais. Cabe, cultivar a formação de alunos intelectualmente autônomos, com capacidade de articular categorias de pensamento histórico e geográfico em face de seu próprio tempo, percebendo as experiências humanas e refletindo sobre elas, com base na diversidade de pontos de vista (BRASIL, 2018) Os conhecimentos específicos na área de Ciências Humanas exigem clareza na definição de um conjunto de objetos de conhecimento que favoreçam o desenvolvimento de habilidades e que aprimorem a capacidade de os alunos pensarem diferentes culturas e sociedades, em seus tempos históricos, territórios e paisagens (compreendendo melhor o Brasil, sua diversidade regional e territorial). E que os levem a refletir sobre sua inserção singular e responsável na história da sua família, comunidade, nação e mundo (BRASIL, 2018). Ao longo de toda a Educação Básica, o ensino das Ciências Humanas deve promover explorações sociocognitivas, afetivas e lúdicas capazes de potencializar sentidos e experiências com saberes sobre a pessoa, o mundo social e a natureza. Dessa maneira, a área contribui para o adensamento de conhecimentos sobre a participação no mundo social e a reflexão sobre questões sociais, éticas e políticas, fortalecendo a formação dos alunos e o desenvolvimento da autonomia intelectual, bases para uma atuação crítica e orientada por valores democráticos (BRASIL, 2018). Desde a Educação Infantil, os alunos expressam percepções simples, mas bem definidas, de sua vida familiar, seus grupos e seus espaços de convivência. No cotidiano, por exemplo, desenham familiares, identificam relações de parentesco, reconhecem a si mesmos em fotos (classificando-as como antigas ou recentes), guardam datas e fatos, sabem a hora de dormir e de ir para a escola, negociam horários, fazem relatos orais e revisitam o passado por meio de jogos, cantigas e brincadeiras ensinadas pelos mais velhos. Com essas experiências, começam a levantar hipóteses e a se posicionar sobre determinadas situações (BRASIL, 2018). 99 No decorrer do Ensino Fundamental, os procedimentos de investigação em Ciências Humanas devem contribuir para que os alunos desenvolvam a capacidade de observação de diferentes indivíduos, situações e objetos que trazem à tona dinâmicas sociais em razão de sua própria natureza (tecnológica, morfológica, funcional). A Geografia e a História, ao longo dessa etapa, trabalham o reconhecimento do Eu e o sentimento de pertencimento dos alunos à vida da família e da comunidade (BRASIL, 2018). No Ensino Fundamental Anos Iniciais, é importante valorizar e problematizar as vivências e experiências individuais e familiares trazidas pelos alunos, por meio do lúdico, de trocas, da escuta e de falas sensíveis, nos diversos ambientes educativos (bibliotecas, pátio, praças, parques, museus, arquivos, entre outros). Essa abordagem privilegia o trabalho de campo, as entrevistas, a observação, o desenvolvimento de análises e de argumentações, de modo a potencializar descobertas e estimular o pensamento criativo e crítico. É nessa fase que os alunos começam a desenvolver procedimentos de investigação em Ciências Humanas, como a pesquisa sobre diferentes fontes documentais, a observação e o registro de paisagens, fatos, acontecimentos e depoimentos – e o estabelecimento de comparações. Esses procedimentos são fundamentais para que compreendam a si mesmos e àqueles que estão em seu entorno, suas histórias de vida e as diferenças dos grupos sociais com os quais se relacionam. O processo de aprendizagem deve levar em conta, de forma progressiva, a escola, a comunidade, o Estado e o país. É importante também que os alunos percebam as relações com o ambiente e a ação dos seres humanos com o mundo que os cerca, refletindo sobre os significados dessas relações (BRASIL, 2018). Observe o Quadro 14 referente à organização do Ensino Fundamental na BNCC: 100 QUADRO 14 – ORGANIZAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL (ANOS INICIAIS E FINAIS) NA BNCC FONTE: . Acesso em: 31 jan. 2022. INTERESSANTE COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE CIÊNCIAS HUMANAS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL 1- Compreender a si e ao outro como identidades diferentes, de forma a exercitar o respeito à diferença em uma sociedade plural e promover os direitos humanos. 2- Analisar o mundo social, cultural e digital e o meio técnico-científico-informacional com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, considerando suas variações de significado no tempo e no espaço, para intervir em situações do cotidiano e se posicionar diante de problemas do mundo contemporâneo. 3- Identificar, comparar e explicara intervenção do ser humano na natureza e na sociedade, exercitando a curiosidade e propondo ideias e ações que contribuam para a transformação espacial, social e cultural, de modo a participar efetivamente das dinâmicas da vida social. 4- Interpretar e expressar sentimentos, crenças e dúvidas com relação a si mesmo, aos outros e às diferentes culturas, com base nos instrumentos de investigação das Ciências Humanas, promovendo o acolhimento e a valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza. 5- Comparar eventos ocorridos simultaneamente no mesmo espaço e em espaços variados, e eventos ocorridos em tempos diferentes no mesmo espaço e em espaços variados. 101 6- Construir argumentos, com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, para negociar e defender ideias e opiniões que respeitem e promovam os direitos humanos e a consciência socioambiental, exercitando a responsabilidade e o protagonismo voltados para o bem comum e a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. 7- Utilizar as linguagens cartográfica, gráfica e iconográfica e diferentes gêneros textuais e tecnologias digitais de informação e comunicação no desenvolvimento do raciocínio espaço-temporal relacionado a localização, distância, direção, duração, simultaneidade, sucessão, ritmo e conexão. FONTE: BRASIL. Ministério da Educação. Base nacional comum curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC, 2018. p. 357. 4.3 ENSINO HISTÓRIA ANOS INICIAIS E A BNCC ALGUNS APONTAMENTOS A BNCC de História no Ensino Fundamental – Anos Iniciais contempla, antes de mais nada, a construção do sujeito. O processo tem início quando a criança toma consciência da existência de um “Eu” e de um “Outro”. O exercício de separação dos sujeitos é um método de conhecimento, uma maneira pela qual o indivíduo toma consciência de si, desenvolvendo a capacidade de administrar a sua vontade de maneira autônoma, como parte de uma família, uma comunidade e um corpo social (BRASIL, 2018). Pode--se dizer que, do 1º ao 5º ano, as habilidades trabalham com diferentes graus de complexidade, mas o objetivo primordial é o reconhecimento do “Eu”, do “Outro” e do “Nós”. Há uma ampliação de escala e de percepção, mas o que se busca, de início, é o conhecimento de si, das referências imediatas do círculo pessoal, da noção de comunidade e da vida em sociedade. Em seguida, por meio da relação diferenciada entre sujeitos e objetos, é possível separar o “Eu” do “Outro”. Esse é o ponto de partida (BRASIL, 2018). No 3º e no 4º ano contemplam-se a noção de lugar em que se vive e as dinâmicas em torno da cidade, com ênfase nas diferenciações entre a vida privada e a vida pública, a urbana e a rural. Nesse momento, também são analisados processos mais longínquos na escala temporal, como a circulação dos primeiros grupos humanos. Essa análise se amplia no 5º ano, cuja ênfase está em pensar a diversidade dos povos e culturas e suas formas de organização. A noção de cidadania, com direitos e deveres, e o reconhecimento da diversidade das sociedades pressupõem uma educação que estimule o convívio e o respeito entre os povos. Para evitar uma visão homogênea, busca- se observar que, no interior de uma sociedade, há formas de registros variados, e que cada grupo produz suas memórias como elemento que impulsiona o estabelecimento 102 de identidades e o reconhecimento de pertencimento a um grupo social determinado. As memórias podem ser individuais ou coletivas e podem ter significações variadas, inserindo-se em uma lógica de produção de patrimônios (materiais ou imateriais) que dizem respeito a grupos ou povos específicos (BRASIL, 2018). Agora, acadêmico, convido você a acompanhar os quadros referentes ao Ensino de História nos anos iniciais na BNCC. • Unidades temáticas, objetos de conhecimentos e habilidades propostos para o primeiro ano QUADRO 15 – PRIMEIRO ANO UNIDADES TEMÁTICAS OBJETOS DE CONHECIMENTO HABILIDADES Mundo pessoal: meu lugar no mundo As fases da vida e a ideia de temporalidade (passado, presente, futuro) (EF01HI01) Identificar aspectos do seu crescimento por meio do registro das lembranças particulares ou de lembranças dos membros de sua família e/ou de sua comunidade. As diferentes formas de organização da família e da comunidade: os vínculos pessoais e as relações de amizade (EF01HI02) Identificar a relação entre as suas histórias e as histórias de sua família e de sua comunidade. (EF01HI03) Descrever e distinguir os seus papéis e responsabilidades relacionados à família, à escola e à comunidade. A escola e a diversidade do grupo social envolvido (EF01HI04) Identificar as diferenças entre os variados ambientes em que vive (doméstico, escolar e da comunidade), reconhecendo as especificidades dos hábitos e das regras que os regem. Mundo pessoal: eu, meu grupo social e meu tempo A vida em casa, a vida na escola e formas de representação social e espacial: os jogos e brincadeiras como forma de interação social e espacial (EF01HI05) Identificar semelhanças e diferenças entre jogos e brincadeiras atuais e de outras épocas e lugares. A vida em família: diferentes configurações e vínculos (EF01HI06) Conhecer as histórias da família e da escola e identificar o papel desempenhado por diferentes sujeitos em diferentes espaços. (EF01HI07) Identificar mudanças e permanências nas formas de organização familiar. A escola, sua representação espacial, sua história e seu papel na comunidade EF01HI08) Reconhecer o significado das comemorações e festas escolares, diferenciando-as das datas festivas comemoradas no âmbito familiar ou da comunidade. FONTE: Brasil (2018, p. 406-407) 103 • Unidades temáticas, objetos de conhecimentos e habilidades propostos para o segundo ano QUADRO 16 – SEGUNDO ANO UNIDADES TEMÁTICAS OBJETOS DE CONHECIMENTO HABILIDADES A comunidade e seus registros A noção do “Eu” e do “Outro”: comunidade, convivências e interações entre pessoas ((EF02HI01) Reconhecer espaços de sociabilidade e identificar os motivos que aproximam e separam as pessoas em diferentes grupos sociais ou de parentesco. (EF02HI02) Identificar e descrever práticas e papéis sociais que as pessoas exercem em diferentes comunidades. (EF02HI03) Selecionar situações cotidianas que remetam à percepção de mudança, pertencimento e memória. A noção do “Eu” e do “Outro”: registros de experiências pessoais e da comunidade no tempo e no espaço ((EF02HI04) Selecionar e compreender o significado de objetos e documentos pessoais como fontes de memórias e histórias nos âmbitos pessoal, familiar, escolar e comunitário. Formas de registrar e narrar histórias (marcos de memória materiais e imateriais) (EF02HI05) Selecionar objetos e documentos pessoais e de grupos próximos ao seu convívio e compreender sua função, seu uso e seu significado. O tempo como medida (EF02HI06) Identificar e organizar, temporalmente, fatos da vida cotidiana, usando noções relacionadas ao tempo (antes, durante, ao mesmo tempo e depois). (EF02HI07) Identificar e utilizar diferentes marcadores do tempo presentes na comunidade, como relógio e calendário. As formas de registrar as experiências da comunidade As fontes: relatos orais, objetos, imagens (pinturas, fotografias, vídeos), músicas, escrita, tecnologias digitais de informação e comunicação e inscrições nas paredes, ruas e espaços sociais (EF02HI08) Compilar histórias da família e/ ou da comunidade registradas em diferentes fontes. (EF02HI09) Identificar objetos e documentos pessoais que remetam à própria experiência no âmbito da família e/ou da comunidade, discutindo as razões pelas quais alguns objetos são preservados e outros são descartados. O trabalho e a sustentabilidade na comunidade A sobrevivência e a relação com a natureza (EF02HI10)REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 187 1 UNIDADE 1 - CONTEXTO DO ENSINO DE HISTÓRIA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • compreender as abordagens do ensino de História; • caracterizar o ensino da História nas propostas curriculares; • identificar o processo de avaliação; • conhecer o processo de formação conceitual dos alunos. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – ABORDAGEM HISTÓRICA DO ENSINO DE HISTÓRIA TÓPICO 2 – O ENSINO DA HISTÓRIA A PARTIR DAS PROPOSTAS EDUCACIONAIS TÓPICO 3 – PROCESSO DE AVALIAÇÃO E FORMAÇÃO DOS ALUNOS Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 2 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 1! Acesse o QR Code abaixo: 3 ABORDAGEM HISTÓRICA DO ENSINO DE HISTÓRIA 1 INTRODUÇÃO TÓPICO 1 - UNIDADE 1 O processo de ensino e aprendizagem nos anos iniciais incluem vários conhecimentos, para além do processo de alfabetização e cálculos numéricos. Entretanto, essa concepção pertence à atualidade, visto que no passado, de acordo com os interesses da sociedade, o ensino da História contemplou outros saberes. Acadêmico, no Tópico 1, abordaremos o conceito de disciplina escolar, sua origem e denominação no passado, de onde advém a gênese dos atuais componentes curriculares citados na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Assim, você perceberá duas concepções de estudiosos, em que uma aponta a “transposição didática” e a outra afirma a importância de a disciplina escolar ser estudada historicamente. Inclusive, estudaremos a constituição dos métodos de ensino da História, em uma análise do assunto, percebemos a gênese de algumas práticas realizadas atualmente nas escolas. Assim, para iniciar a reflexão, apresentamos o ensino da História na antiga escola primária e como ocorreu a inserção dessa disciplina no processo de ensino e aprendizagem das crianças. O uso da memorização como recurso de aprendizagem para os alunos e o ingresso do ensino dos Estudos Sociais. 2 CONCEITO DE DISCIPLINA ESCOLAR Para os estudiosos franceses e ingleses, as disciplinas escolares advêm das ciências eruditas de referência, que são dependentes da produção das universidades e instituições acadêmicas, que veiculam o conhecimento produzido por cientistas. O pesquisador francês Yves Chevallard designou como “transposição didática”, que consiste na organização escolar da “noosfera”, ou seja, no conjunto de agentes sociais externos à sala de aula, que garantem o acesso aos saberes provenientes das ciências pela academia (BITTENCOURT, 2018). Assim, para essa concepção, a disciplina escolar depende da organização do conhecimento erudito ou científico, que, ao chegar à escola, necessita da didática para realizar sua “transposição” aos alunos. 4 Consequentemente, uma “boa” didática tem por objetivo fundamental evitar o distanciamento entre a produção científica e o que deve ser ensinado, além de criar instrumentos metodológicos para transpor o conhecimento científico para a escola de forma mais adequada possível (BITTENCOURT, 2018, posição 393). A concepção de disciplina escolar como transposição didática permeia uma hierarquia de conhecimentos, em que o saber científico legitima as disciplinas escolares. Essa condição impacta na atribuição de valor inferiorizado aos saberes escolares das séries iniciais do Ensino Fundamental, visto que estão desvinculadas, devido à formação dos docentes, as ciências acadêmicas de origem (BITTENCOURT, 2018). Os adeptos da ideia de “transposição didática” separam a noção de conteúdos e métodos de ensino e aprendizagem. Assim, os conteúdos escolares advêm da produção científica e os métodos consistem em técnicas que se transformam na didática. Segundo Bittencourt (2018, posição 410) “[...] a escola é o lugar de recepção e de reprodução do conhecimento externo, variando sua eficiência pela maior ou menor capacidade de “transpô-lo” e reproduzi-lo adequadamente”. O professor constitui no papel de intermediário desse processo de reprodução, com o grau de eficiência medido pela capacidade de adaptar o conhecimento científico ao meio escolar. Entretanto, há outros pesquisadores que discordam dessa concepção, em especial o inglês Ivor Goodson e o francês André Chervel, afirmando que a disciplina escolar não consiste na simples “transposição didática” do saber científico. Os estudiosos afirmam que ocorre por meio de uma congruência de outros conhecimentos, com diferenças entre o conhecimento científico e o escolar. A “transposição didática” acentua a hierarquização de saberes, com conotações sociais que transcendem a sua ordem epistemológica (BITTENCOURT, 2018). Segundo Bittencourt (2018), o estudioso Chervel afirma que a disciplina escolar deve ser estudada historicamente, contextualizando os trabalhos desenvolvidos na escola segundo seus momentos históricos. Dessa forma, considera as relações de poder que estão intrínsecas aos afazeres escolares. “As disciplinas escolares formam- se no interior dessa cultura, tendo objetivos próprios e muitas vezes irredutíveis aos das “ciências de referência”, termo que Chervel emprega em lugar de conhecimento científico” (BITTENCOURT, 2018, posição 427). Nesse sentido, a escola, embora tenha que seguir uma lógica particular e específica, necessita ser considerada como um lugar de produção de saberes próprios. Igualmente, as disciplinas escolares, que não podem ser entendidas como “metodologias”. As disciplinas devem ser consideradas como parte integrante da cultura escolar, para que as relações estabelecidas com a cultura da sociedade possam ser compreendidas (BITTENCOURT, 2018). 5 Os conteúdos e métodos se amalgamam, sendo que deixam de ser vistos como entes separados. Assim, a seleção de conteúdos escolares depende da finalidade específica, isentas de seguirem os objetivos das ciências de referência. Ao contrário, seguem um complexo sistema de valores e interesses da escola, segundo o papel que desempenha na formação de cidadãos. O pensamento de Chervel gera polêmicas, em relação a autonomia das disciplinas ou saberes escolares em relação às ciências de referência. Dessa maneira, é imprescindível conhecer a história das disciplinas, para saber os pressupostos que delimitam as aproximações e diferenças entre a disciplina escolar e as ciências de referência, visto que cada disciplina apresenta um contexto histórico (BITTENCOURT, 2018). 2.1 CONSTITUIÇÃO DAS DISCIPLINAS ESCOLARES Segundo Bittencourt (2018), para se compreender as disciplinas escolares, é necessário perceber seu processo de produção. As disciplinas escolares se constituíram efetivamente com essa denominação a partir do ano de 1910, como um resultado de disputas entre os conhecimentos que deveriam compor o currículo escolar. Desde o final do século XIX, iniciaram as discussões sobre a necessidade de se manter um currículo humanístico organizado pelo estudo das línguas e da oratória. Tais saberes eram entendidos como primordiais para a formação das elites, que “disciplinavam as mentes” com uma “cultura clássica”. Com o advento da industrialização na segunda metade do século XIX, os conhecimentos das áreas denominadas de exatas, que incluíam a Biologia, Química, Botânica, Física e Matemática, passaram a ser considerados como importantes. Dessa forma, de acordo com Bittencourt (2018), disputaram espaço com as áreas das “humanidades clássicas” na formação escolar. Essa disputa resultou na organização sistematizada dos conhecimentos, que pertenciam tradicionalmente ao currículo antigo e aos novos apresentados nas escolas. Nesse período se estabeleceu a finalidade de cada uma das disciplinas, inclusiveIdentificar diferentes formas de trabalho existentes na comunidade em que vive, seus significados, suas especificidades e importância. (EF02HI11) Identificar impactos no ambiente causados pelas diferentes formas de trabalho existentes na comunidade em que vive. FONTE: Brasil (2018, 408-409) 104 • Unidades temáticas, objetos de conhecimentos e habilidades propostos para o terceiro ano QUADRO 17 – TERCEIRO ANO UNIDADES TEMÁTICAS OBJETOS DE CONHECIMENTO HABILIDADES As pessoas e os grupos que compõem a cidade e o município O “Eu”, o “Outro” e os diferentes grupos sociais e étnicos que compõem a cidade e os municípios: os desafios sociais, culturais e ambientais do lugar onde vive (EF03HI01) Identificar os grupos populacionais que formam a cidade, o município e a região, as relações estabelecidas entre eles e os eventos que marcam a formação da cidade, como fenômenos migratórios (vida rural/vida urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes empresas etc. (EF03HI02) Selecionar, por meio da consulta de fontes de diferentes naturezas, e registrar acontecimentos ocorridos ao longo do tempo na cidade ou região em que vive. (EF03HI03) Identificar e comparar pontos de vista em relação a eventos significativos do local em que vive, aspectos relacionados a condições sociais e à presença de diferentes grupos sociais e culturais, com especial destaque para as culturas africanas, indígenas e de migrantes. Os patrimônios históricos e culturais da cidade e/ou do município em que vive (EF03HI04) Identificar os patrimônios históricos e culturais de sua cidade ou região e discutir as razões culturais, sociais e políticas para que assim sejam considerados. O lugar em que vive A produção dos marcos da memória: os lugares de memória (ruas, praças, escolas, monumentos, museus etc.) (EF03HI05) Identificar os marcos históricos do lugar em que vive e compreender seus significados. (EF03HI06) Identificar os registros de memória na cidade (nomes de ruas, monumentos, edifícios etc.), discutindo os critérios que explicam a escolha desses nomes. A produção dos marcos da memória: formação cultural da população (EF03HI07) Identificar semelhanças e diferenças existentes entre comunidades de sua cidade ou região, e descrever o papel dos diferentes grupos sociais que as formam. A produção dos marcos da memória: a cidade e o campo, aproximações e diferenças (EF03HI08) Identificar modos de vida na cidade e no campo no presente, comparando-os com os do passado. 105 A noção de espaço público e privado A cidade, seus espaços públicos e privados e suas áreas de conservação ambiental (EF03HI09) Mapear os espaços públicos no lugar em que vive (ruas, praças, escolas, hospitais, prédios da Prefeitura e da Câmara de Vereadores etc.) e identificar suas funções. (EF03HI10) Identificar as diferenças entre o espaço doméstico, os espaços públicos e as áreas de conservação ambiental, compreendendo a importância dessa distinção. A cidade e suas atividades: trabalho, cultura e lazer (EF03HI11) Identificar diferenças entre formas de trabalho realizadas na cidade e no campo, considerando também o uso da tecnologia nesses diferentes contextos. (EF03HI12) Comparar as relações de trabalho e lazer do presente com as de outros tempos e espaços, analisando mudanças e permanências FONTE: Brasil (2018, p. 410-411) • Unidades temáticas, objetos de conhecimentos e habilidades propostos para o quarto ano QUADRO 18 – QUARTO ANO UNIDADES TEMÁTICAS OBJETOS DE CONHECIMENTO HABILIDADES Transformações e permanências nas trajetórias dos grupos humanos A ação das pessoas, grupos sociais e comunidades no tempo e no espaço: nomadismo, agricultura, escrita, navegações, indústria, entre outras (EF04HI01) Reconhecer a história como resultado da ação do ser humano no tempo e no espaço, com base na identificação de mudanças e permanências ao longo do tempo. (EF04HI02) Identificar mudanças e permanências ao longo do tempo, discutindo os sentidos dos grandes marcos da história (nomadismo, desenvolvimento da agricultura e do pastoreio, criação da indústria etc.). O passado e o presente: a noção de permanência e as lentas transformações sociais e culturais (EF04HI03) Identificar as transformações ocorridas na cidade ao longo do tempo e discutir suas interferências nos modos de vida de seus habitantes, tomando como ponto de partida o presente. 106 Circulação de pessoas, produtos e culturas A circulação de pessoas e as transformações no meio natural (EF04HI04) Identificar as relações entre os indivíduos e a natureza e discutir o significado do nomadismo e da fixação das primeiras comunidades humanas. (EF04HI05) Relacionar os processos de ocupação do campo a intervenções na natureza, avaliando os resultados dessas intervenções. A invenção do comércio e a circulação de produtos (EF04HI06) Identificar as transformações ocorridas nos processos de deslocamento das pessoas e mercadorias, analisando as formas de adaptação ou marginalização. As rotas terrestres, fluviais e marítimas e seus impactos para a formação de cidades e as transformações do meio natural (EF04HI07) Identificar e descrever a importância dos caminhos terrestres, fluviais e marítimos para a dinâmica da vida comercial. O mundo da tecnologia: a integração de pessoas e as exclusões sociais e culturais (EF04HI08) Identificar as transformações ocorridas nos meios de comunicação (cultura oral, imprensa, rádio, televisão, cinema, internet e demais tecnologias digitais de informação e comunicação) e discutir seus significados para os diferentes grupos ou estratos sociais. As questões históricas relativas às migrações O surgimento da espécie humana no continente africano e sua expansão pelo mundo (EF04HI09) Identificar as motivações dos processos migratórios em diferentes tempos e espaços e avaliar o papel desempenhado pela migração nas regiões de destino. Os processos migratórios para a formação do Brasil: os grupos indígenas, a presença portuguesa e a diáspora forçada dos africanos Os processos migratórios do final do século XIX e início do século XX no Brasil As dinâmicas internas de migração no Brasil a partir dos anos 1960 (EF04HI10) Analisar diferentes fluxos populacionais e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira. (EF04HI11) Analisar, na sociedade em que vive, a existência ou não de mudanças associadas à migração (interna e internacional). FONTE: Brasil (2018, p. 412-413) 107 • Unidades temáticas, objetos de conhecimentos e habilidades propostos para o quinto ano QUADRO 19 – QUINTO ANO UNIDADES TEMÁTICAS OBJETOS DE CONHECIMENTO HABILIDADES Povos e culturas: meu lugar no mundo e meu grupo social O que forma um povo: do nomadismo aos primeiros povos sedentarizados (EF05HI01) Identificar os processos de formação das culturas e dos povos, relacionando-os com o espaço geográfico ocupado. As formas de organização social e política: a noção de Estado (EF05HI02) Identificar os mecanismos de organização do poder político com vistas à compreensão da ideia de Estado e/ou de outras formas de ordenação social. O papel das religiões e da cultura para a formação dos povos antigos ((EF05HI03) Analisar o papel das culturas e das religiões na composição identitária dos povos antigos. Cidadania, diversidade cultural e respeito às diferenças sociais, culturais e históricas (EF05HI04) Associar a noção de cidadania com os princípios de respeito à diversidade, à pluralidade e aos direitos humanos. (EF05HI05) Associar o conceito de cidadania à conquista de direitos dos povos e das sociedades, compreendendo-o como conquista histórica. Registros da história: linguagens e culturas As tradições orais e a valorização da memória O surgimento da escrita e a noção de fonte para a transmissão de saberes,culturas e histórias (EF05HI06) Comparar o uso de diferentes linguagens e tecnologias no processo de comunicação e avaliar os significados sociais, políticos e culturais atribuídos a elas. (EF05HI07) Identificar os processos de produção, hierarquização e difusão dos marcos de memória e discutir a presença e/ou a ausência de diferentes grupos que compõem a sociedade na nomeação desses marcos de memória. (EF05HI08) Identificar formas de marcação da passagem do tempo em distintas sociedades, incluindo os povos indígenas originários e os povos africanos. (EF05HI09) Comparar pontos de vista sobre temas que impactam a vida cotidiana no tempo presente, por meio do acesso a diferentes fontes, incluindo orais. Os patrimônios materiais e imateriais da humanidade (EF05HI10) Inventariar os patrimônios materiais e imateriais da humanidade e analisar mudanças e permanências desses patrimônios ao longo do tempo. FONTE: Brasil (2018, p. 414-415) 108 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • Ao estudar a história é possível notar o que os seres humanos foram e fizeram, e isso ajuda a compreender como é possível ser e fazer no mundo e com o mundo. Assim, a história é a ciência do passado e do presente, mas o estudo do passado e a compreensão do presente não acontecem de uma forma perfeita, pois não é possível voltar ao passado e ele não se repete. • É preciso planejar aulas que permitam que os conhecimentos do professor se transformem em instrumentos de construção do saber, com espaço para uma postura ativa dos estudantes diante de suas aprendizagens. • Especialmente a partir dos anos de 1970, a historiografia enfrenta o desafio de repensar seu lugar no campo das ciências. Para alguns autores, o rigor metodológico na pesquisa é o que permite à História reivindicar seu lugar científico, mesmo que os paradigmas que lhe garantiam este status, construídos especialmente no fim do século XIX, tenham sido colocados em xeque. Para outros, a História é alguma outra coisa. Preocupados com o caráter discursivo da narrativa historiográfica, lhes parece mais apropriado assentá-la ao lado das produções artísticas ou literárias, ou em um lugar situado entre a ciência e a arte. • Em História é possível fazer novas descobertas até quando investigar um fato já bem estudado do passado ao encontrar novos documentos ou reinterpretando documentos já analisados. A diversidade dos testemunhos históricos é quase infinita. Tudo o que o ser humano diz ou escreve, tudo o que constrói, tudo o que toca, pode e deve fornecer informações sobre o fato. O historiador só pode afirmar algo se tiver como prová-lo. Para isso, ele utiliza-se de todos os vestígios (sinais) da passagem dos seres humanos pela Terra. • A presença da disciplina História no currículo do Ensino leva a diversos questionamentos acerca do trabalho do professor, tendo como ponto de partida o próprio conceito que nomeia os conteúdos chamados históricos. • A Base Nacional Comum Curricular colocou uma atenção inédita nos bebês e nas crianças bem pequenas. Reforça a ideia de especificidade do processo de ensino e aprendizagem das crianças de zero a três anos ao organizar os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento em três grupos de faixas etárias: bebês (zero a um ano e seis meses), crianças bem pequenas (um ano e sete meses a três anos e 11 meses) e crianças pequenas (quatro anos a cinco anos e 11 meses). Portanto é concretizar a ideia de que a progressão das aprendizagens e das conquistas deve ser desenvolvida ao longo deste segmento da Educação. 109 RESUMO DO TÓPICO 1 • A proposta para o Ensino Fundamental Anos Iniciais é a progressão das múltiplas aprendizagens, articulando o trabalho com as experiências anteriores e valorizando as situações lúdicas de aprendizagem. Tal articulação precisa prever tanto a progressiva sistematização dessas experiências quanto o desenvolvimento, pelos alunos, de novas formas de relação com o mundo, novas possibilidades de ler e formular hipóteses sobre os fenômenos, de testá-las, de refutá-las, de elaborar conclusões, em uma atitude ativa na construção de conhecimentos. • A BNCC de História no Ensino Fundamental Anos Iniciais contempla, antes de mais nada, a construção do sujeito. O processo tem início quando a criança toma consciência da existência de um “Eu” e de um “Outro”. O exercício de separação dos sujeitos é um método de conhecimento, uma maneira pela qual o indivíduo toma consciência de si, desenvolvendo a capacidade de administrar a sua vontade de maneira autônoma, como parte de uma família, uma comunidade e um corpo social. 110 1 A História busca estudar o ser humano, através dos tempos, nos diferentes lugares em que tem vivido etc. Investiga permanências e mudanças ou transformações de seu modo de vida e no empenho de compreendê-las. Sobre a História, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Permite-nos conhecer o passado, interessando-se por todas as atividades dos seres humanos. b) ( ) Determina o estudo das ciências naturais e o desenvolvimento dos grupos humanos. c) ( ) Determina os estudos somente das áreas de Antropologia, Sociologia e Matemática. d) ( ) Determina os conhecimentos voltados pela inexistência de transformações com a humanidade. 2 No desenvolvimento das disciplinas que compõem a grade curricular das escolas, estas buscam alcançar seus objetivos. Nesse contexto, a disciplina de História, como todas as demais ciências, busca também compreender seus objetivos. Referente aos objetivos da disciplina, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) A História procura, enquanto ciência, compreender as transformações pelas quais passa um determinado grupo de pessoas. b) ( ) A História procura, enquanto ciência, compreender as transformações pelas quais passa a sociedade. c) ( ) A História procura, enquanto ciência, compreender somente as transformações pelas quais passavam os povos que viviam no período paleolítico. d) ( ) A História procura, enquanto ciência, compreender as transformações pelas quais passa a evolução das máquinas. 3 Dentro das novas tendências historiográficas ocorridas a partir da década de 1980, muitos foram os debates que buscavam novas perspectivas para o ensino de História. Os debates tornaram-se acalorados e buscavam determinar novos rumos à História. A nova tendência historiográfica enquadrava-se no modelo de história proposto por qual escola? Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Escola Francesa La Fontaine e Magia. b) ( ) Escola Alemã de Estudos Históricos Culturais. c) ( ) Escola dos Annales. d) ( ) Escola dos Autos Estudos da Europa Central. AUTOATIVIDADE 111 4 Desde o momento de nosso nascimento, já estamos marcando e fazendo História. A História é um elemento de extrema necessidade, pois ela nos dá a possibilidade de observarmos os acontecimentos do passado para que possamos compreender quais ações/atitudes foram tomadas e por quê. Nesta perspectiva, a História é escrita a todo instante. Disserte sobre o porquê de a história ser vivenciada e estudada. 5 Toda criança que chega à escola já traz importantes conhecimentos acerca do mundo, da sociedade, da família e, consequentemente, de sua própria história. É um pequeno cidadão, capaz de defender suas ideias e opiniões com relação ao mundo em que vive, a partir de suas vivências e experiências. Partindo desse pressuposto, disserte sobre a criança e o conhecimento histórico. 112 113 ABORDAGENS E MÉTODOS NA HISTÓRIA 1 INTRODUÇÃO UNIDADE 2 TÓPICO 2 - Acadêmico, no Tópico 2, veremos as principais abordagens epistemológicas da História, apresentaremos as principais abordagens e descreveremos o campo da disciplina histórica que se ocupa do trabalho de conceitualização, fundamentação e crítica permanente da história enquanto ciência e os significados para os diversos povos e comunidades. Você também compreenderá que a construção do conhecimento histórico- científicoé um processo, no qual é possível perceber que o historiador, como sujeito produtor de conhecimento, vai se utilizar de algumas regras e normas para tornar o seu ofício mais sistemático e direcionado. E no uso das teorias do conhecimento Históricos no cotidiano, você perceberá que o estudo histórico desempenha um papel importante na medida em que contempla reflexões das representações construídas socialmente e das relações estabelecidas entre os indivíduos, os grupos, os povos e o mundo social em uma determinada época. 2 PRINCIPAIS ABORDAGENS EPISTEMOLÓGICAS DA HISTÓRIA Caro acadêmico, Etimologicamente, "Epistemologia" significa discurso (logos) sobre a ciência (episteme). (Episteme + logos). Epistemologia: é a ciência da ciência. Filosofia da ciência. É o estudo crítico dos princípios, das hipóteses e dos resultados das diversas ciências. É a teoria do conhecimento. De acordo com Tesser (1994), a Epistemologia Pedagógica consiste em ensinar aos alunos a pensar criticamente, ir além das interpretações literárias e dos modos fragmentados de raciocínio. Aprender não apenas a compreender, mas ter acima de tudo a capacidade e competência de problematizar dialeticamente a teoria e a práxis educacional. Os alunos deverão aprender uma Epistemologia que lhes permita a busca de elementos de diferentes áreas do conhecimento, e de engajar-se em novos tipos de questionamentos, de formulação de problemas apropriados para a transformação da realidade educacional. 114 A Educação deverá ser integradora, numa criação e recriação do conhecimento, comumente partilhado. Pedagogicamente a educação é um processo aberto, permanente, que abarca a existencial idade do ser humano. A ação é questionar e problematizar é a essência do processo pedagógico. ATENÇÃO Caro acadêmico, reflita sobre alguns problemas da Epistemologia Pedagógica. Educar para quê? Educar para quem? Como educar? Para que serve o espaço da sala de aula? Quais são os problemas que o professor e aluno enfrentam em sala de aula? Que paradigma norteiam a Ação Pedagógica hoje? Como é impossível abarcar todas as abordagens que de uma forma ou de outra trazem implicações epistemológicas à História, citaremos as consideradas mais importantes: referente à abordagem Positivista, é preciso entender que o positivismo é uma corrente filosófica que busca definir o ideal de ciência a partir do modelo das ciências naturais, dentro de um viés conservador. No caso específico da História, o desafio proposto pelo positivismo é o de justificar as pretensões de cientificidade da historiografia. Já que a ciência, na concepção positivista, visa estabelecer leis gerais para os fenômenos estudados. Opondo-se ao conservadorismo positivista, a abordagem do materialismo dialético, que oferece uma visão de História profundamente engajada em questões sociais e econômicas. De acordo com Vasconcelos (2012 p, 79): O materialismo dialético é importante para a História em dois sentidos: em primeiro lugar porque nos fornece uma nova chave para discernir o “que conta” ou não como conhecimento histórico; em segundo lugar, essa teoria nos fornece uma nova maneira de interpretar o desenrolar do processo histórico. Importante destacar também a escola dos Annales, que não constitui propriamente uma abordagem epistemológica, mas cuja prática nos incita a uma análise de cunho filosófico. Sobre a fenomenologia, uma corrente filosófica que inova ao propor um novo método de investigação lógica e que encontra, um foco a partir do qual podemos entender a História sob um prisma fenomenológico-existencial, ou seja, a fenomenologia torna-se importante para a História em função de sua problematização do tempo e, em especial, do tempo histórico. E as tendências contemporâneas da epistemologia, especialmente a relação entre História, teoria literária e filosofia da linguagem. Através da historiografia pós- modernista, encontra na história das mentalidades há uma ruptura com a tradição essencialista. A narrativa e o discurso são temas muito discutidos na pós-modernidade. 115 Caro acadêmico, tendo como fundamento as Teorias do Conhecimento em História, podemos trabalhar o conhecimento produzido pela humanidade de ter três maneiras. Conservando o conhecimento para geração futura; renovando o conhecimento já produzido; ou criando um novo conhecimento, para que isso ocorra o processo de ensino é baseado em três formas. Tradicional, Crítico e Pós-Crítico. Vamos conversar agora como você poderá aplicar os conhecimentos que estamos estudando em sala de aula. Tendo como parâmetro três Teorias Curriculares para a Geografia. O que os alunos devem saber? Qual conhecimento ou saber é considerado importante ou válido ou essencial para merecer ser considerado parte do teu planejamento? ATENÇÃO É precisamente a questão do poder que vai separar as teorias tradicionais das teorias críticas e pós-críticas do currículo. As teorias tradicionais pretendem ser apenas isso: "teorias" neutras, científicas, desinteressadas. As teorias críticas e as teorias pós-críticas, em contraste, argumentam que nenhuma teoria é neutra, científica ou desinteressada, mas que está, inevitavelmente, implicada em relações de poder. As teorias tradicionais, ao aceitar mais facilmente o status quo, os conhecimentos e os saberes dominantes, acabam por se concentrar em questões técnicas. Em geral, elas tornam a resposta à questão "o quê?" como dada, como óbvia e por isso buscam responder a uma outra questão: "como?". Dado que temos esse conhecimento (inquestionável?) a ser transmitido, qual é a melhor forma de transmiti-lo? As teorias tradicionais se preocupam com questões de organização. As teorias críticas e pós-críticas, por sua vez, não se limitam a perguntar "o quê?", mas submetem este "quê a um constante questionamento. Sua questão central seria, pois, não tanto "o quê?", mas "por quê?". Por que esse conhecimento e não outro? Quais interesses fazem com que esse conhecimento e não outro esteja no currículo? Por que privilegiar um determinado tipo de identidade ou subjetividade e não outro? As teorias críticas e pós-críticas de currículo estão preocupadas com as conexões entre saber, identidade e poder. FONTE: SILVA, T. T. Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte: Autêntica, 2001. p. 10 Acompanhe o Quadro 20, referente às Teorias Curriculares. 116 QUADRO 20 – TEORIA CURRICULARES FONTE: Silva (2001, p. 10) 2.1 HISTÓRIA TRADICIONAL O ensino da História tradicional é marcado por verdades impostas, os conteúdos repassados são basicamente os valores sociais acumulados com o passar dos tempos com o intuito de prepará-los para a vida já padronizada, O ensino não depende do aluno, pois este não tem o poder de contestar e nem de dar a sua opinião, neste caso cabe ao aluno a função da aprendizagem crua e decorativa, e ao professor a função do ensino direto. O método dos professores, o conteúdo e a avaliação são todos de poder decisório deles, a explanação oral é à base do compartilhamento de conhecimento, as aulas são todas preparadas de forma minuciosa, sendo que a explanação e até a analise são quase todas feitas pelo professor, direcionando o aluno para onde se queria, dentre as características do ensino tradicional a aplicação de conteúdo repetitivo de forma que aluno decore, a falta de dinamismo faz com que certos alunos aprendem e outro não, já que a capacidade de aprendizagem varia entre as pessoas, cada um tem sua forma de aprender. Paulo Freire em diversos escritos comenta que que essa ação é conhecida como Educação Bancária. Os alunos precisam decorar todo o conteúdo. 2.2 HISTÓRIA CRÍTICA Para o ensino da História de forma crítica, os alunos devem atingir uma consciência crítica em sua fase educacional. Desta maneira, os alunos devem adquirir conhecimentos teóricos e superar certos exames, mas, na verdade, o que eles precisam é fomentar sua formação como indivíduo consciente da realidadeem que vivem e em relação global. A finalidade do processo de aprendizagem na História, assim como as outras disciplinas escolares é transformar a realidade social, neste ensino é necessária a formação da autoconsciência do aluno, e o processo de ensino deve focar na autossuperação do aluno em seu contexto social e cultural. Teorias Tradicionais Teorias Críticas Teorias Pós-Críticas Ensino Aprendizagem Avaliação Metodologia Didática Organização Planejamento Eficiência Objetivos Ideologia Reprodução Cultural e Social Poder Classe Social Capitalismo Relações Sociais de Produção Conscientização, Emancipação e Libertação Currículo Oculto Resistência Identidade, Alteridade, Diferença Subjetividade Saber-Poder Significação e Discurso Representação Cultura Gênero, Raça, Etnia, Sexualidade Multiculturalismo 117 O planejamento das aulas deve refletir sobre as diferenças sociais existentes e adotar uma postura comprometida com os valores de justiça e equidade. Paulo Freire (1921-1997) entendia que a educação é um instrumento para mudar o mundo. Deve estar baseado na participação dos alunos, na sua formação humanística, na transformação da sociedade e na contextualização do ensino-aprendizagem e deve procurar combater os aspectos políticos, culturais e econômicos que degradam o sistema educativo, e estar direcionado a uma ação cultural combativa que questione a cultura do domínio. Imagine você elaborando planos de aulas fundamentados em uma abordagem Crítica. Não esqueça que o ensino da história crítica propõe romper com a ideia de neutralidade científica para fazer da história uma ciência apta a elaborar uma crítica radical à sociedade capitalista ou qualquer forma de sociedade opressora e excludente. Lembre-se de que o planejar suas aulas, e até mesmo o plano de aula dentro de uma perspectiva Crítica, se fundamenta nas questões sociais. Alguns temas se fazem presentes na História Crítica: ideologia; reprodução cultural e social; poder; classe social; capitalismo; relações sociais de produção; conscientização; emancipação e libertação; resistência. 2.3 HISTÓRIA PÓS-CRÍTICA A perspectiva de ensino na História pós-crítica eleva o planejamento de aulas para além da questão das classes sociais, indo direto ao foco principal: o sujeito e a relação existente na cultura e gênero. Desse modo, mais do que a realidade social dos indivíduos, é compreender também os estigmas étnicos e culturais, tais como a racialidade, o gênero, a orientação sexual e todos os elementos próprios das diferenças entre as pessoas. Nesse sentido, é estabelecer o combate à opressão de grupos semanticamente marginalizados e lutar por sua inclusão no meio social. Aqui o termo luta e combate, assim como na perspectiva crítica assume o significado de reflexão e apropriação dos conhecimentos críticos para fundamentar a opinião, as ideias, as leis, as normas sociais. Alguns temas presentes na História Pós-Crítica: identidade, alteridade, diferença, subjetividade, significação e discurso; saber-poder; representação; cultura; gênero, raça, etnia, sexualidade, multiculturalismo, interculturalidade. 3 MÉTODOS DA HISTÓRIA II A Epistemologia (Teoria do Conhecimento) usada em sala, ou nas pesquisas, indica o tipo de método que o professor ou o pesquisador usará em seu cotidiano. O método é resultado da Teoria do Conhecimento que você usa. Exemplificando, se você usa nas aulas de História, uma abordagem ou concepção mais crítica, usará um método de ensino e de aprendizagem mais crítico. 118 Caro acadêmico, veja alguns métodos que podemos usar na escola para que a aprendizagem ocorra. O que devemos ter em mente é que esses métodos relacionados com a Teoria do Conhecimento de História que usamos produzem o ensino e a aprendizagem junto aos alunos. Observe alguns Métodos de Ensino Aprendizagem na Educação: • O método de ensino tradicional A metodologia de ensino tradicional é a mais disseminada no país e no mundo. Consiste, basicamente, no ensino centrado na figura do professor, em uma relação de exposição de conhecimento e cobrança é completamente vertical. • O método de ensino construtivista Ao contrário da metodologia de ensino tradicional, o método de ensino construtivista coloca o aluno no centro do processo de aprendizagem, fazendo com que ele desempenhe um papel ativo na busca por conhecimento na medida em que o senso crítico é estimulado por meio de questionamentos. • O método de ensino montessoriano Este método de ensino busca garantir a autonomia máxima do aluno sobre o processo de aprendizagem. Neste contexto, os pais e professores se tornam apenas facilitadores do conhecimento, disponibilizando meios para que os alunos escolham os temas de interesse para que possam ser pesquisados e estudados. • O método de ensino waldorfiano A metodologia de Waldorf incentiva a imaginação e a criatividade, direciona os alunos ao pensamento autônomo e entende que o desenvolvimento e a compreensão dos seres humanos, relacionados aos mais diferentes âmbitos, precisam levar em conta a individualidade de cada aluno. • O método de ensino sociointeracionista Esta metodologia de ensino considera que é por meio da interação entre o sujeito e a sociedade que o processo de aprendizagem se dá. Sendo assim, o método de ensino sócio interacionista entende que o ser humano pode modificar o ambiente e que o ambiente é capaz de modificar o ser humano. Agora observe os métodos focados na aprendizagem • Método de aprendizagem por experimentação Com esse método, os alunos aprendem por meio de testes, prototipagens e descobertas. A experimentação é um fator importante para permitir a real compreensão e a capacidade de tomar decisões baseadas no conhecimento. 119 • Método de aprendizagem por desafios Esse é um dos métodos de ensino-aprendizagem mais eficaz para engajar e incentivar os alunos em sala de aula. O estudante se esforça para encontrar soluções dentro de um contexto usando tanto a tecnologia, que é inerente aos métodos de ensino atuais, como outros meios. • Método de aprendizagem baseada em jogos Os jogos são uma paixão de muitas pessoas não importa a idade. Por isso, é muito interessante usar esse modelo para promover informações e novos conhecimentos. Desenvolver jogos com os alunos, sejam eletrônicos, sejam analógicos, para facilitar a compreensão do funcionamento da lógica e da tecnologia, ou jogos de cartas e tabuleiros, para o ensino da matemática, é muito benéfico. O jogo em si é um objeto do saber. Jogos educativos proporcionam um ambiente crítico, fazendo com que os alunos se sensibilizem para a construção de novos conhecimentos, além de desenvolverem suas cognições de maneira mais prazerosa. Lembre-se acadêmico, temos muitos outros métodos disponíveis na Educação para a construção do ensino e da aprendizagem em História e demais disciplinas, o importante é ter em mente qual método trará o melhor resultado para suas aulas, ou seja, que os alunos aprendam o conteúdo e consigam fazer a leitura de mundo. 4 O USO DAS TEORIAS DO CONHECIMENTO HISTÓRICO NO COTIDIANO Apresentamos três perspectivas possíveis para se trabalhar em suas aulas a história do cotidiano dos alunos: História Local; História Oral e a História de Vida. 4.1 HISTÓRIA LOCAL O estudo da história local e do cotidiano faz com que nos percebamos como parte integrante da História, por meio das nossas vivências pessoais e também com a nossa comunidade. A História local, segundo Goubert (1988), é aquela que diz respeito a uma ou poucas aldeias, a uma cidade pequena ou média (um grande porto ou uma capital estão além do âmbito local ou a uma área geográfica que não seja maior do que a unidade provincial comum. 120 A abordagem sobre história local, possibilita novas visões sobre o processo de aprendizado da História e, a influência do meio em que o aluno e a escola estão inseridos. “A história local é entendida aqui como aquela que desenvolve análise de pequenos emédios municípios, ou de áreas geográficas não limitadas e não muito extensas”, conforme descreve Germinari (2010, p. 118). Circe Bittencourt (2008) chama atenção para necessidade de reflexão sobre a relação entre a micro e a macro-história quando se propõe a História Local como metodologia de ensino. Os estudos da história local devem tentar buscar no recorte micro os sinais e as relações da totalidade social, rastreando-se por outro lado, os indícios das particularidades – os homens e as mulheres de carne e osso. A história do Brasil se constitui, assim, por uma dimensão nacional, local e regional (BITTENCOURT, 2008, p. 203). DICA Caro acadêmico, acesse o site da Revista Nova Escola e veja um plano de aula baseado na História Local. O plano está previsto para ser realizado em uma aula de 50 minutos, na qual serão abordados aspectos que fazem parte do trabalho com a habilidade (EF03HI05) de História, que consta na BNCC. Como a habilidade deve ser desenvolvida ao longo de todo o ano, você observará que ela não será contemplada em sua totalidade, e que as propostas podem ter continuidade em aulas subsequentes: https://bit.ly/3s6LOYZ. 4.2 HISTÓRIA ORAL A história oral é uma metodologia de pesquisa que consiste em realizar entrevistas gravadas com pessoas que podem testemunhar sobre acontecimentos, conjunturas, instituições, modos de vida ou outros aspectos da história contemporânea. Caracterizada pela coleta de depoimentos com pessoas que testemunharam conjunturas, processos, acontecimentos, modos de ser e de estar dentro de uma sociedade ou instituição. Para efeito didático pode estar dividida em três gêneros distintos: a tradição oral, a história de vida e a história temática. A Tradição Oral caracteriza-se pelo testemunho transmitido oralmente de uma geração para outra. São exemplos disso metodologias, por exemplo, que são capazes de resgatar tradições rurais e urbanas como cantigas de roda, brincadeiras e histórias infantis. Isso porque esta tradição precede à escrita e podem ser encontradas em sociedades bastante antigas ou mesmo comunidades que não passaram pelo processo de escrita. São exemplos disso comunidades ribeirinhas, indígenas, agricultoras, entre outras (REZENDE, 2017). 121 A História oral de Vida, um relato autobiográfico onde a escrita está ausente, e, portanto, não pode ser chamada de autobiografia. A História de Vida concentra-se na história pessoal de um indivíduo contada por ele próprio. É, portanto, um relato pessoal, que em geral percorre toda a existência desta pessoa: do nascimento até o momento presente. Em alguns casos, e como parte de Projetos de Memória, opta-se por este tipo de relato e a história da pessoa percorre todos os momentos de sua vida e o momento em que se encontrou com a instituição à qual o projeto faz parte. É interessante esta opção, já que apesar do projeto ser sobre uma determinada instituição, a importância de uma história de vida pode ser ainda maior. Um exemplo disso é a figura de um fundador. Este personagem tem grande importância para a existência da Instituição, mas sua trajetória anterior e de vida podem ter um significado ainda maior (REZENDE, 2017) A História Oral Temática, que em geral, é feita com um grupo de indivíduos em torno de um determinado evento ou movimento vivido por todos. São perspectivas individuais de sujeitos inseridos em um mesmo contexto. A utilização desta forma de coleta de depoimento pode possuir aspectos positivos e negativos. O aspecto positivo é o de que uns poderão disparar gatilhos de lembranças e detalhes poderão ser muito melhor esmiuçados à luz de muitos olhares. Mas também poderá ocorrer o seu contrário: eventualmente alguém com maior poder de fala ou influência poderá silenciar outras vozes e memórias. São comuns depoimentos desse tipo no caso de movimentos populares, sindicais, religiosos ou culturais, entre outros. Neste caso, a importância maior está no tema, e não nas individualidades. O interesse é o maior número de informações possíveis sobre o tema a partir das multiplicidades de olhares (REZENDE, 2017). DICA Caro acadêmico, seguem orientações para a realização de projetos de história oral. Acesse: http://www.crmariocovas.sp.gov.br/Downloads/ diretrizes_projetos_historia_oral.pdf. 4.3 HISTÓRIA DE VIDA A história de vida é um procedimento de investigação que consiste, fundamentalmente, numa recolha intensiva de dados de carácter biográfico, sobre uma ou mais pessoas, sendo que o próprio ou os próprios são a fonte principal da informação, embora não necessariamente a única. Pressupõe, regra geral, a realização de uma série de entrevistas. A história de vida, costuma resumir os fatos mais relevantes da existência de um indivíduo. A escolha daquilo que é contado irá depender da óptica da própria pessoa (no caso de ser ela mesma quem esteja a falar) ou de quem estiver a contar a história de vida. Podemos associar a história de vida à biografia, que é a narração escrita que resume os principais feitos da vida de uma pessoa no género literário em que se demarcam essas narrações. 122 DICA Caro acadêmico, uma sugestão de aula sobre a história de vida dos alunos. Acesse: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula. html?aula=33257. 123 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • Etimologicamente, "Epistemologia" significa discurso (logos) sobre a ciência (episteme). (Episteme + logos). Epistemologia: é a ciência da ciência. Filosofia da ciência. É o estudo crítico dos princípios, das hipóteses e dos resultados das diversas ciências. É a teoria do conhecimento. A tarefa principal da epistemologia consiste na reconstrução racional do conhecimento científico, conhecer, analisar, todo o processo gnosiológico da ciência do ponto de vista lógico, linguístico, sociológico, interdisciplinar, político, filosófico e histórico. • A Epistemologia Pedagógica consiste em ensinar aos alunos a pensar criticamente, ir além das interpretações literárias e dos modos fragmentados de raciocínio. Aprender não apenas a compreender, mas ter, acima de tudo, a capacidade e competência de problematizar dialeticamente a teoria e a práxis educacional. Os alunos deverão aprender uma Epistemologia que lhes permita a busca de elementos de diferentes áreas do conhecimento, e de engajar-se em novos tipos de questionamentos, de formulação de problemas apropriados para a transformação da realidade educacional. • O ensino da História tradicional é marcado por verdades impostas, os conteúdos repassados são basicamente os valores sociais acumulados com o passar dos tempos com o intuito de prepará-los para a vida já padronizada, e esses conteúdos são determinados pela sociedade e ordenados na legislação independente da experiência do aluno e das realidades sociais. • Para o ensino da História de forma crítica os alunos devem atingir uma consciência crítica em sua fase educacional. Desta maneira, os alunos devem adquirir conhecimentos teóricos e superar certos exames, mas, na verdade, o que eles precisam é fomentar sua formação como indivíduo consciente da realidade em que vivem e em relação global. • A perspectiva de ensino na História pós-crítica eleva o planejamento de aulas para além da questão das classes sociais, indo direto ao foco principal: o sujeito e a relação existente na cultura e gênero. • A complexidade do acervo conceitual do pensamento histórico significa a abertura a diferentes tendências teórico-metodológicas e através delas reconhecendo os embates no plano da ciência postos por cada época. Assim, o método na história não é compreendido enquanto uma articulação estrita de abordagens ou concepções, mas como totalidade aberta e tensionada por visões de mundo, inclusive, contraditórios. 124 As abordagens ou concepções históricas são examinadas no seu movimento de constituição, na sua potência interpretativa e nos seus limites, objetivando projetar o campo da geografia a novas possibilidadese diálogos. • O estudo histórico desempenha um papel importante, na medida em que contempla pesquisa e reflexão da relação construída socialmente e da relação estabelecida entre indivíduo, grupo e o mundo social. Nesse sentido, o ensino de História poderá fazer escolha pedagógica capaz de possibilitar ao aluno refletir sobre seus valores e suas práticas cotidianas e relacioná-los com a problemática histórica inerente ao seu grupo de convívio, à sua localidade, à sua região e à sociedade nacional e mundial. Foram apresentadas três perspectivas possíveis para se trabalhar em suas aulas a história do cotidiano dos alunos: História Local; História Oral e a História de Vida. 125 1 Os processos avaliativos dos processos de ensino-aprendizagem ditos tradicionais têm sido criticados tanto pelos pensadores da educação como pelos professores que são os principais responsáveis por colocá-los em prática. Com base em quais argumentos os processos avaliativos tradicionais têm sido colocados em xeque? Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Pelo fato de que estabeleciam relações de sentido, orientação e significado, tanto ao alcance de aprendizagem dos estudantes como do fazer dos professores. b) ( ) Pelo fato de que, por meio deles, os professores conseguiam tanto obter diagnósticos, sondagens da bagagem e dos conhecimentos prévios dos estudantes. c) ( ) Pelo fato de que somente informavam da aprendizagem de conteúdos específicos e dos estudantes exigiam somente preparação nos últimos momentos antes da aplicação das avaliações. d) ( ) Pelo fato de que favoreciam a identificação somente da aprendizagem de valores comportamentais e atitudinais, e nada informavam sobre os conteúdos que haviam sido estudados. 2 Estudar e discutir metodologia do ensino da História requer que se pense muito além de planos, conteúdos, objetivos, recursos metodológicos e processos avaliativos. Antes, exige que o profissional da história pense e reflita sobre aspectos externos ao fazer educacional nos espaços de sala de aula propriamente ditos. Para tanto, espera-se que o professor de História esteja atento a quais aspectos? Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Funções sociais, políticas e cultura que os conteúdos podem receber. b) ( ) Inovações que ocorrem no campo de alternativa em termos de materiais didáticos. c) ( ) Superações e avanços em termos de teorias explicativas dos processos de ensino-aprendizagem. d) ( ) Pontos em que planos de ensino e planos de aula podem atender de forma mais eficiente aos interesses dos grupos políticos. AUTOATIVIDADE 126 3 Na disciplina de História, nos deparamos a todo instante com conceitos das mais diversas áreas. A História Oral também possui seus conceitos, que nos remetem a muitos fatores históricos divulgados através de vários elementos pessoais. Desta forma, assinale a alternativa CORRETA que define História Oral: a) ( ) É o registro da história social e coletiva de indivíduos que, ao focalizar suas amizades pessoais, constroem uma visão mais crítica da dinâmica de funcionamento do grupo social ao qual pertencem. b) ( ) É o registro do histórico familiar de pessoas que, ao analisar suas famílias, constroem também uma visão mais concreta da dinâmica de funcionamento e das várias etapas da vida coletiva, no grupo ao qual pertencem. c) ( ) É o registro da história estudantil de indivíduos que, ao conhecer a escola, constroem uma visão mais concreta da dinâmica de funcionamento e das várias etapas da convivência do grupo social ao qual pertencem. d) ( ) É o registro da história de vida de pessoas que, ao relembrar suas memórias, constroem também uma visão mais ampla do funcionamento e das etapas que compõem a trajetória do grupo social do qual faz parte. 4 O momento contemporâneo apresenta diversos desafios aos profissionais da Educação e da História. Além do fazer profissional competente e comprometido, precisam estar atentos às mais diversas dimensões e aspectos que compõem tanto a experiência individual, coletiva dos estudantes e da sociedade como um todo. Diante disso, disserte sobre os principais impasses na sociedade contemporânea que se apresentam ao exercício profissional, que exigem mudança de postura e novas respostas por parte dos indivíduos e que não podem ser negligenciados quando da abordagem do conhecimento histórico. 5 Os temas de neutralidade e a imparcialidade são colocados em contraponto aos de parcialidade e de engajamento político e ideológico no campo da ciência e do conhecimento histórico e representam assuntos que provocam debates polêmicos e até são responsáveis por dividir estudiosos e pesquisadores em correntes teóricas antagônicas. Diante deste contexto, disserte sobre as sugestões feitas aos profissionais da História tanto na profissão como na vida pública de cidadãos. 127 TÓPICO 3 - CONCEITOS E TEMAS NA HISTÓRIA 1 INTRODUÇÃO UNIDADE 2 Caro acadêmico, o Tópico 3 abordará conceitos e temas da História na Educação Básica, apresentaremos a importância do estudo da História devido ao seu potencial formativo, reflexivo e cognitivo. Ou seja, o estudo da história na educação básica tem a capacidade de fazer com que os alunos raciocinem de forma a compreender o porquê de se estudar determinados conceitos e temas. No subtópico Conceitos e temas da História na Educação Infantil, as atividades constituídas pelos jogos e brincadeiras na educação infantil nas aulas de história são de suma importância para o desenvolvimento integral do educando. Nas escolas, podem ser exploradas em todo seu potencial, pois o educando mistura em sua vida cotidiana o jogo com atividades, buscando o prazer em realizá-los e ter um desempenho eficaz. Por sua vez, o subtópico Conceitos e temas da História nos Anos Iniciais é fundamental para transmitir conhecimentos de maneira adequada a sua compreensão, ela promove a reflexão, senso crítico e a curiosidade do aluno, despertando interesses participativos. O professor tem função fundamental nesse processo, pois ele deve transmitir o conteúdo utilizando ações do cotidiano dos alunos para melhor aprendizado, instigando o mesmo a reflexão e a querer participar das ações de sua localidade, adquirindo experiência e fazendo parte da história local. 2 CONCEITOS E TEMAS DA HISTÓRIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA A história não emerge como um dado ou um acidente que tudo explica: ela é a correlação de forças, de enfrentamentos e da batalha para a produção de sentidos e significados, que são constantemente reinterpretados por diferentes grupos sociais e suas demandas – o que, consequentemente, suscita outras questões e discussões. O exercício do “fazer história”, de indagar, é marcado, inicialmente, pela constituição de um sujeito. Em seguida, amplia-se para o conhecimento de um “Outro”, às vezes semelhante, muitas vezes diferente. Depois, alarga-se ainda mais em direção a outros povos, com seus usos e costumes específicos. Por fim, parte-se para o mundo, sempre em movimento e transformação. Em meio a inúmeras combinações dessas variáveis – do Eu, do Outro e do Nós –, inseridas em tempos e espaços específicos, indivíduos produzem saberes que os tornam mais aptos para enfrentar situações marcadas pelo conflito ou pela conciliação (BRASIL, 2018) 128 Entre os saberes produzidos, destaca-se a capacidade de comunicação e diálogo, instrumento necessário para o respeito à pluralidade cultural, social e política, bem como para o enfrentamento de circunstâncias marcadas pela tensão e pelo conflito. A lógica da palavra, da argumentação, é aquela que permite ao sujeito enfrentar os problemas e propor soluções com vistas à superação das contradições políticas, econômicas e sociais do mundo em que vivemos. Para se pensar o ensino de História, é fundamental considerar a utilização de diferentes fontes e tipos de documento (escritos, iconográficos, materiais, imateriais) capazes de facilitar a compreensão da relação tempo e espaço e dasrelações sociais que os geraram. Os registros e vestígios das mais diversas naturezas (mobiliário, instrumentos de trabalho, música etc.) deixados pelos indivíduos carregam em si mesmos a experiência humana, as formas específicas de produção, consumo e circulação, tanto de objetos quanto de saberes. Nessa dimensão, o objeto histórico transforma-se em exercício, em laboratório da memória voltado para a produção de um saber próprio da história (BRASIL, 2018) Um dos importantes objetivos de História no Ensino Fundamental é estimular a autonomia de pensamento e a capacidade de reconhecer que os indivíduos agem de acordo com a época e o lugar nos quais vivem, de forma a preservar ou transformar seus hábitos e condutas. A percepção de que existe uma grande diversidade de sujeitos e histórias estimula o pensamento crítico, a autonomia e a formação para a cidadania. A busca de autonomia também exige reconhecimento das bases da epistemologia da História, a saber: a natureza compartilhada do sujeito e do objeto de conhecimento, o conceito de tempo histórico em seus diferentes ritmos e durações, a concepção de documento como suporte das relações sociais, as várias linguagens por meio das quais o ser humano se apropria do mundo. Enfim, percepções capazes de responder aos desafios da prática historiadora presente dentro e fora da sala de aula (BRASIL, 2018). Todas essas considerações de ordem teórica devem considerar a experiência dos alunos e professores, tendo em vista a realidade social e o universo da comunidade escolar, bem como seus referenciais históricos, sociais e culturais. Ao promover a diversidade de análises e proposições, espera-se que os alunos construam as próprias interpretações, de forma fundamentada e rigorosa. Convém destacar as temáticas voltadas para a diversidade cultural e para as múltiplas configurações identitárias, destacando-se as abordagens relacionadas à história dos povos indígenas originários e africanos. Ressalta-se, também, na formação da sociedade brasileira, a presença de diferentes povos e culturas, suas contradições sociais e culturais e suas articulações com outros povos e sociedades (BRASIL, 2018). 129 A inclusão dos temas obrigatórios definidos pela legislação vigente, tais como a história da África e das culturas afro-brasileira e indígena, deve ultrapassar a dimensão puramente retórica e permitir que se defenda o estudo dessas populações como artífices da própria história do Brasil. A relevância da história desses grupos humanos reside na possibilidade de os estudantes compreenderem o papel das alteridades presentes na sociedade brasileira, comprometerem-se com elas e, ainda, perceberem que existem outros referenciais de produção, circulação e transmissão de conhecimentos, que podem se entrecruzar com aqueles considerados consagrados nos espaços formais de produção de saber (BRASIL, 2018). A BNCC pretende estimular ações nas quais professores e alunos sejam sujeitos do processo de ensino e aprendizagem. Nesse sentido, eles próprios devem assumir uma atitude historiadora diante dos conteúdos propostos no âmbito do Ensino Fundamental. Cumpre destacar que os critérios de organização das habilidades na BNCC (com a explicitação dos objetos de conhecimento aos quais se relacionam e do agrupamento desses objetos em unidades temáticas) expressam um arranjo possível (dentre outros). Portanto, os agrupamentos propostos não devem ser tomados como modelo obrigatório para o desenho dos currículos. Considerando esses pressupostos, e em articulação com as competências gerais da Educação Básica e com as competências específicas da área de Ciências Humanas, o componente curricular de História deve garantir aos alunos o desenvolvimento de competências específicas. 3 CONCEITOS E TEMAS DA HISTÓRIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL Por meio da Proposta Curricular da BNCC (BRASIL, 2018), nessa fase escolar de educação infantil, o conhecimento histórico deve se centrar na autoidentificação da criança e dos membros de suas relações próximas. Assim, trabalhar o nome da criança e as razões que permitiram esta nomeação iniciará um processo de descoberta de momentos de sua vida onde os adultos, mediante narrativas, descrevem o passado. A descoberta de momentos em que os outros decidem e valorizam a criança introduz uma dimensão de presente e passado que não poderá ser apropriado nessa fase escolar, mas que engendrará as dimensões de um tempo a ser descoberto. As histórias infantis podem servir de instrumento para que a criança reflita sobre tempos desconhecidos. Os procedimentos pedagógicos devem garantir também a compreensão do antes e do depois; do próximo e do distante; e da dimensão temporal de semana, mês e ano. Cabe ao professor o desafio de ir em busca e se utilizar de sua criatividade para que possa implementar um aprendizado significativo para seus alunos. Há muitas formas de fazer com que a criança se sinta à vontade com a disciplina de história, basta apenas paciência, comprometimento e determinação. 130 Essa concepção de criança como ser que observa, questiona, levanta hipóteses, conclui, faz julgamentos e assimila valores e que constrói conhecimentos e se apropria do conhecimento sistematizado por meio da ação e nas interações com o mundo físico e social não deve resultar no confinamento dessas aprendizagens a um processo de desenvolvimento natural ou espontâneo. Ao contrário, impõe a necessidade de imprimir intencionalidade educativa às práticas pedagógicas na Educação Infantil, tanto na creche quanto na pré-escola (BRASIL, 2018). Essa intencionalidade consiste na organização e proposição, pelo educador, de experiências que permitam às crianças conhecer a si e ao outro e de conhecer e compreender as relações com a natureza, com a cultura e com a produção científica, que se traduzem nas práticas de cuidados pessoais (alimentar-se, vestir-se, higienizar- se), nas brincadeiras, nas experimentações com materiais variados, na aproximação com a literatura e no encontro com as pessoas. Parte do trabalho do educador é refletir, selecionar, organizar, planejar, mediar e monitorar o conjunto das práticas e interações, garantindo a pluralidade de situações que promovam o desenvolvimento pleno das crianças (BRASIL, 2018). Ainda, é preciso acompanhar tanto essas práticas quanto as aprendizagens das crianças, realizando a observação da trajetória de cada criança e de todo o grupo – suas conquistas, avanços, possibilidades e aprendizagens. Por meio de diversos registros, feitos em diferentes momentos tanto pelos professores quanto pelas crianças (como relatórios, portfólios, fotografias, desenhos e textos. Trata-se de reunir elementos para reorganizar tempos, espaços e situações que garantam os direitos de aprendizagem de todas as crianças. Considerando que, na Educação Infantil, as aprendizagens e o desenvolvimento das crianças têm como eixos estruturantes as interações e a brincadeira, assegurando-lhes os direitos de conviver, brincar, participar, explorar, expressar-se e conhecer-se, a organização curricular da Educação Infantil na BNCC está estruturada em cinco campos de experiências, no âmbito dos quais são definidos os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento (BRASIL, 2018). Os campos de experiências constituem um arranjo curricular que acolhe as situações e as experiências concretas da vida cotidiana das crianças e seus saberes, entrelaçando-os aos conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural. Considerando esses saberes e conhecimentos, os campos de experiências em que se organiza a BNCC são: • O eu, o outro e o nós É na interação com os pares e com adultos que as crianças vão constituindo um modo próprio de agir, sentir e pensar e vão descobrindo que existem outros modos de vida, pessoas diferentes, com outros pontos de vista. Conforme vivem suas primeiras experiências sociais (na família, na instituição escolar, na coletividade), constroem percepções e questionamentos sobresi e sobre os outros, diferenciando-se e, 131 simultaneamente, identificando- se como seres individuais e sociais. Ao mesmo tempo que participam de relações sociais e de cuidados pessoais, as crianças constroem sua autonomia e senso de autocuidado, de reciprocidade e de interdependência com o meio. • Corpo, gestos e movimentos Com o corpo (por meio dos sentidos, gestos, movimentos impulsivos ou intencionais, coordenados ou espontâneos), as crianças, desde cedo, exploram o mundo, o espaço e os objetos do seu entorno, estabelecem relações, expressam-se, brincam e produzem conhecimentos sobre si, sobre o outro, sobre o universo social e cultural, tornando-se, progressivamente, conscientes dessa corporeidade. • Traços, sons, cores e formas Conviver com diferentes manifestações artísticas, culturais e científicas, locais e universais, no cotidiano da instituição escolar, possibilita às crianças, por meio de experiências diversificadas, vivenciar diversas formas de expressão e linguagens, como as artes visuais (pintura, modelagem, colagem, fotografia etc.), a música, o teatro, a dança e o audiovisual, entre outras. • Escuta, fala, pensamento e imaginação Desde o nascimento, as crianças participam de situações comunicativas cotidianas com as pessoas com as quais interagem. As primeiras formas de interação do bebê são os movimentos do seu corpo, o olhar, a postura corporal, o sorriso, o choro e outros recursos vocais, que ganham sentido com a interpretação do outro. Progressivamente, as crianças vão ampliando e enriquecendo seu vocabulário e demais recursos de expressão e de compreensão, apropriando-se da língua materna – que se torna, pouco a pouco, seu veículo privilegiado de interação. • Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações As crianças vivem inseridas em espaços e tempos de diferentes dimensões, em um mundo constituído de fenômenos naturais e socioculturais. Desde muito pequenas, elas procuram se situar em diversos espaços (rua, bairro, cidade etc.) e tempos (dia e noite; hoje, ontem e amanhã etc.). Demonstram também curiosidade sobre o mundo físico (seu próprio corpo, os fenômenos atmosféricos, os animais, as plantas, as transformações da natureza, os diferentes tipos de materiais e as possibilidades de sua manipulação etc.) e o mundo sociocultural (as relações de parentesco e sociais entre as pessoas que conhece; como vivem e em que trabalham essas pessoas; quais suas tradições e seus costumes; a diversidade entre elas etc.) (BRASIL, 2018). Portanto, a Educação Infantil precisa promover experiências nas quais as crianças possam fazer observações, manipular objetos, investigar e explorar seu entorno, levantar hipóteses e consultar fontes de informação para buscar respostas às suas curiosidades e indagações. Assim, a instituição escolar está criando oportunidades para que as crianças ampliem seus conhecimentos do mundo físico e sociocultural e possam utilizá-los em seu cotidiano. 132 4 CONCEITOS E TEMAS DA HISTÓRIA NOS ANOS INICIAIS O Ensino Fundamental, com nove anos de duração, é a etapa mais longa da Educação Básica, atendendo estudantes entre 6 e 14 anos. Há, portanto, crianças e adolescentes que, ao longo desse período, passam por uma série de mudanças relacionadas a aspectos físicos, cognitivos, afetivos, sociais, emocionais, entre outros. Essas mudanças impõem desafios à elaboração de currículos para essa etapa de escolarização, de modo a superar as rupturas que ocorrem na passagem não somente entre as etapas da Educação Básica, mas também entre as duas fases do Ensino Fundamental: Anos Iniciais e Anos Finais (BRASIL, 2018). A BNCC do Ensino Fundamental Anos Iniciais, ao valorizar as situações lúdicas de aprendizagem, aponta para a necessária articulação com as experiências vivenciadas na Educação Infantil. Tal articulação precisa prever tanto a progressiva sistematização dessas experiências quanto o desenvolvimento, pelos alunos, de novas formas de relação com o mundo, novas possibilidades de ler e formular hipóteses sobre os fenômenos, de testá-las, de refutá-las, de elaborar conclusões, em uma atitude ativa na construção de conhecimentos (BRASIL, 2018). Nesse período da vida, as crianças estão vivendo mudanças importantes em seu processo de desenvolvimento que repercutem em suas relações consigo mesmas, com os outros e com o mundo. Ampliam-se também as experiências para o desenvolvimento da oralidade e dos processos de percepção, compreensão e representação, elementos importantes para a apropriação do sistema de escrita alfabética e de outros sistemas de representação, como os signos matemáticos, os registros artísticos, midiáticos e científicos e as formas de representação do tempo e do espaço. Os alunos se deparam com uma variedade de situações que envolvem conceitos e fazeres científicos, desenvolvendo observações, análises, argumentações e potencializando descobertas (BRASIL, 2018). As experiências das crianças em seu contexto familiar, social e cultural, suas memórias, seu pertencimento a um grupo e sua interação com as mais diversas tecnologias de informação e comunicação são fontes que estimulam sua curiosidade e a formulação de perguntas. O estímulo ao pensamento criativo, lógico e crítico, por meio da construção e do fortalecimento da capacidade de fazer perguntas e de avaliar respostas, de argumentar, de interagir com diversas produções culturais, de fazer uso de tecnologias de informação e comunicação, possibilita aos alunos ampliar sua compreensão de si mesmos, do mundo natural e social, das relações dos seres humanos entre si e com a natureza. As características dessa faixa etária demandam um trabalho no ambiente escolar que se organize em torno dos interesses manifestos pelas crianças, de suas vivências mais imediatas para que, com base nessas vivências, elas possam, progressivamente, ampliar essa compreensão, o que se dá pela mobilização de operações cognitivas cada vez mais complexas e pela sensibilidade para apreender o mundo, expressar-se sobre ele e nele atuar (BRASIL, 2018). 133 Nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental, a ação pedagógica deve ter como foco a alfabetização, a fim de garantir amplas oportunidades para que os alunos se apropriem do sistema de escrita alfabética de modo articulado ao desenvolvimento de outras habilidades de leitura e de escrita e ao seu envolvimento em práticas diversificadas de letramentos. Ao descortinarem às crianças o conhecimento do mundo por meio de novos olhares, lhes oferecem oportunidades de exercitar a leitura e a escrita de um modo mais significativo (BRASIL, 2018). Ao longo do Ensino Fundamental Anos Iniciais, a progressão do conhecimento ocorre pela consolidação das aprendizagens anteriores e pela ampliação das práticas de linguagem e da experiência estética e intercultural das crianças, considerando tanto seus interesses e suas expectativas quanto o que ainda precisam aprender. Ampliam-se a autonomia intelectual, a compreensão de normas e os interesses pela vida social, o que lhes possibilita lidar com sistemas mais amplos, que dizem respeito às relações dos sujeitos entre si, com a natureza, com a história, com a cultura, com as tecnologias e com o ambiente (BRASIL, 2018). A BNCC de História no Ensino Fundamental Anos Iniciais contempla, antes de mais nada, a construção do sujeito. O processo tem início quando a criança toma consciência da existência de um “Eu” e de um “Outro”. O exercício de separação dos sujeitos é um método de conhecimento, uma maneira pela qual o indivíduo toma consciência de si, desenvolvendo a capacidade de administrar a sua vontade de maneira autônoma, como parte de uma família, uma comunidade e um corpo social. Esse processo de constituição do sujeito é longo e complexo (BRASIL, 2018). Os indivíduos desenvolvem sua percepção de si e do outro em meio a vivências cotidianas, identificando o seu lugar na família, na escola e no espaço em que vivem. O aprendizado,ao longo do Ensino Fundamental Anos Iniciais, torna-se mais complexo à medida que o sujeito reconhece que existe um “Outro” e que cada um apreende o mundo de forma particular. A percepção da distância entre objeto e pensamento é um passo necessário para a autonomia do sujeito, tomado como produtor de diferentes linguagens. É ela que funda a relação do sujeito com a sociedade. Nesse sentido, a História depende das linguagens com as quais os seres humanos se comunicam, entram em conflito e negociam (BRASIL, 2018). A existência de diferentes linguagens pode ser explicada pela análise, por exemplo, de sistemas numéricos utilizados por distintas culturas. Não são apenas os sistemas numéricos que explicam variações de linguagem. Existem inúmeras maneiras de se comunicar por meio de expressões corporais, sonoras ou gustativas, como o que se come ou não se come. Aprender a identificar códigos variados é tarefa necessária para o desenvolvimento da cognição, comunicação e socialização, competências essenciais para o viver em sociedade (BRASIL, 2018). 134 Para evitar uma visão homogênea, busca-se observar que, no interior de uma sociedade, há formas de registros variados, e que cada grupo produz suas memórias como elemento que impulsiona o estabelecimento de identidades e o reconhecimento de pertencimento a um grupo social determinado. As memórias podem ser individuais ou coletivas e podem ter significações variadas, inserindo-se em uma lógica de produção de patrimônios (materiais ou imateriais) que dizem respeito a grupos ou povos específicos (BRASIL, 2018). 135 O LUGAR DA HISTÓRIA NOS ANOS INICIAIS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR Francislaine Soledade Carniel As Ciências Humanas de forma geral “são ciências fundamentais para a construção de conceitos imprescindíveis ao exercício de uma cidadania plena” (LASTÓRIA; MELLO, 2008, n.p.). Logo, é importante que nos anos iniciais da educação básica conceitos empregados do componente curricular de História sejam trabalhados e que o ensino deve partir dos conhecimentos do discente através do seu cotidiano, vivências e sua localidade. No Brasil, há uma maior valorização das disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática nos anos iniciais da educação, situação que reflete tanto na construção e distribuição dos materiais didáticos e também na formação docente do pedagogo, desvalorizando as outras disciplinas que também são essenciais para o desenvolvimento da criança. Segundo Lastória e Fernandes (2012) a ênfase das práticas escolares nos anos iniciais está no processo de alfabetização (ou letramento) e das operações matemáticas básicas, o ensino de Língua Portuguesa e Matemática são equivocadamente mais valorizados. As demais áreas do conhecimento escolar, dentre elas a Geografia e a História, as Ciências Naturais, as Artes e a Educação Física, acabam reduzidas ou mesmo excluídas (tanto dos processos de formação continuada de professores quanto dos próprios currículos escolares (LASTÓRIA; FERNANDES, 2012, p. 103). Os conceitos trabalhados na História, tais como tempo, cotidiano, memória, entre outros, são necessários para a formação integral do aluno ainda nos anos iniciais. Nesse sentido, é essencial que a História, por exemplo, estabeleça uma reflexão crítica, a fim de que os indivíduos se reconheçam como agentes históricos. É importante que a História seja entendida como o resultado da ação de diferentes classes da sociedade. [...] o estudo da História desde os primeiros anos de escolaridade é fundamental para que o indivíduo possa conhecer-se, conhecer os grupos, perceber a diversidade, possibilitando comparações entre grupos e sociedades nos diversos tempos e espaços. Por isso, a História ensina a ter respeito pela diferença, contribuindo para o entendimento dos modos de leitura e escrita do mundo em que vivemos e também do mundo em que gostaríamos de viver (FONSECA, 2009, p. 252). LEITURA COMPLEMENTAR 136 Pensando especificamente nos anos iniciais, é possível e necessário alfabetizar ensinando História, tendo em vista que os componentes possibilitam o desenvolvimento das linguagens escrita e oral. Segundo Fonseca (2010) Esse “privilégio” da alfabetização não quer dizer que não se deva ensinar História, Geografia e Ciências, mas que, além da própria alfabetização nessas áreas, o trabalho nelas desenvolvidos pode também, ao mesmo tempo em que se volta para o ensino de História, ser uma atividade fundamental no processo de desenvolvimento da linguagem oral e escrita. Exemplo: podemos realizar uma aula de leitura e interpretação de texto partindo de um texto histórico, assim como trabalhar com a produção de textos a partir de um tema da história. A leitura propicia a aprendizagem em História, é inerente à atividade de construção de saberes históricos [...] é possível, sim, alfabetizar as crianças, ensinando e aprendendo História. Aprender história é ler e compreender o mundo em que vivemos (FONSECA, 2010, p. 5-6). Além disso, por meio da História, os estudantes dos anos iniciais podem encontrar uma forma interessante de conhecer o mundo, de entender-se como cidadãos e de serem atuantes na construção do espaço em que vive. Desta maneira, o ensino de História nos anos iniciais da educação básica possibilita ao aluno ferramentas para a leitura do mundo ao seu redor, para se sentirem inseridos em seu lugar, compreenderem os problemas em sua volta. Logo, é importante que a disciplina não se limite a ensinar datas cívicas ou exaltar heróis nacionais. Assim, “a vida cotidiana de anônimos transeuntes em um local que lê o mundo a sua maneira, deve ser a finalidade das práticas pedagógicas contemporâneas” (LASTÓRIA; MELLO, 2008, n.p.). A partir da nossa exposição, entendemos que a História Escolar é essencial, pois estabelece uma reflexão crítica, a fim de que os indivíduos se reconheçam como agentes históricos. Nesse sentido, a História desde os anos iniciais é relevante para que o aluno possa “conhecer-se, conhecer os grupos, perceber a diversidade, possibilitando comparações entre grupos e sociedades nos diversos tempos e espaços” (FONSECA, 2009, p. 252). Ao falar sobre a História, a BNCC entende que: A história não emerge como um dado ou um acidente que tudo explica: ela é a correlação de forças, de enfrentamentos e da batalha para a produção de sentidos e significados, que são constantemente reinterpretados por diferentes grupos sociais e suas demandas – o que, consequentemente, suscita outras questões e discussões. O exercício do “fazer história”, de indagar, é marcado, inicialmente, pela constituição de um sujeito. Em seguida, amplia-se para o conhecimento de um “Outro”, às vezes semelhante, muitas vezes diferente. Depois, alarga-se ainda mais em direção a outros povos, com seus usos e costumes específicos. Por fim, parte-se para o mundo, sempre em movimento e transformação. Em meio a inúmeras combinações dessas variáveis – do Eu, do Outro e do Nós –, inseridas em tempos e espaços específicos, indivíduos produzem saberes que os tornam mais aptos para enfrentar situações marcadas pelo conflito ou pela conciliação (BRASIL, 2017, p. 395-396). 137 Para contemplar seus objetivos em História, a Base entende ser necessário utilizar diferentes fontes e tipos de documentos, tais como escritos, iconográficos, materiais e imateriais para facilitar a compreensão da relação tempo e espaço. Para a BNCC “o objeto histórico transforma-se em exercício, em laboratório da memória voltado para a produção de um saber próprio da história” (BRASIL, 2017, p. 396). O documento menciona que a utilização dos objetos materiais estimula a produção de conhecimento histórico na escola, pois auxilia o professor e os alunos colocar em questão o significado das coisas do mundo. Para a Base, essa prática professor e aluno pode “desempenhar o papel de agentes do processo de ensino e aprendizagem, assumindo, ambos, uma ‘atitude historiadora’” (BRASIL, 2017, p. 396). A BNCCconsidera os processos de identificação, comparação, contextualização, interpretação e análise essenciais para estimular o pensamento. O documento pontua que identificação faz se importante a partir das questões ou objetos a ser estudado. Nesse sentido, perguntas como: “Como é produzido?” “Para que serve?” “Seu significado se alterou no tempo e no espaço”, auxiliam o processo de identificação. Segundo a Base a comparação permite indagações sobre, por exemplo, funcionamento de diferentes sociedades, compreendendo semelhanças e diferenças entre elas. A contextualização é, para o documento, imprescindível para o conhecimento histórico. Os discentes devem ser motivados aprender a contextualizar para saber identificar as circunstâncias em que determinado acontecimento ocorreu no intuito de compreender sentidos e significados condizentes com a época estudada. Distinguir contextos e localizar processos, sem deixar de lado o que é particular em uma dada circunstância, é uma habilidade necessária e enriquecedora. Ela estimula a percepção de que povos e sociedades, em tempos e espaços diferentes, não são tributários dos mesmos valores e princípios da atualidade (BRASIL, 2017, p. 397). O processo de interpretação é essencial para a formação de um pensamento crítico. Exige do aluno observação e conhecimento da estrutura do objeto suas relações no tempo e espaço. Para a Base: O exercício da interpretação também permite compreender o significado histórico de uma cronologia e realizar o exercício da composição de outras ordens cronológicas. Essa prática explicita a dialética da inclusão e da exclusão e dá visibilidade ao seguinte questionamento: “O que torna um determinado evento um marco histórico?” Entre os debates que merecem ser enunciados, destacam-se as dicotomias entre Ocidente e Oriente e os modelos baseados na sequência temporal de surgimento, auge e declínio. Ambos pretendem dar conta de explicações para questões históricas complexas. De um lado, a longa existência de tensões (sociais, culturais, religiosas, políticas e econômicas) entre sociedades ocidentais e orientais; de outro, a busca pela compreensão dos modos de organização das várias sociedades que se sucederam ao longo da história (BRASIL, 2017, p. 398). 138 No que se refere a análise, a BNCC entende que é uma habilidade complexa, pois implica problematizar a escrita da História, “apesar do esforço de organização e de busca de sentido, trata-se de uma atividade em que algo sempre escapa” (BRASIL, 2017, p. 398). Segundo Hannah Arendt, trata-se de um saber lidar com o mundo, fruto de um processo iniciado ao nascer e que só se completa com a morte. Nesse sentido, ele é impossível de ser concluído e incapaz de produzir resultados finais, exigindo do sujeito uma compreensão estética e, principalmente, ética do objeto em questão (BRASIL, 2017, p. 398). Apontados os processos importantes para a compreensão da História, o documento menciona que um dos objetivos primordiais da História é estimular a autonomia do pensamento e compreender que os indivíduos da sociedade agem de acordo com a época e o lugar nos quais vivem. Assim, segundo a BNCC, “a percepção de que existe uma grande diversidade de sujeitos e histórias estimula o pensamento crítico, a autonomia e a formação para a cidadania” (BRASIL, 2017, p. 398). De acordo com Fonseca (2018) O texto do documento seleciona e indica os processos considerados imperativos na formação dos estudantes: identificação, comparação, contextualização, interpretação e análise de um objeto. Reforça que tais processos estimulam o pensamento. No entanto, o texto é discreto em relação a estimular a problematização. Lembramos Karnal (2004) ao defender que ensinar a construir conceitos e situações problema contribuem no processo de interpretação, na construção de argumentos que permitam explicar a si próprios e aos outros, de maneira convincente, potencializa a apreensão da situação histórica e desenvolve uma percepção mais abrangente da condição humana nas mais diferentes culturas e diante dos mais variados problemas (FONSECA, 2018, p. 1020) Para a Base é importante reconhecer a natureza compartilhada do sujeito e do objeto de conhecimento, o conceito de tempo histórico, a concepção de documento como suporte das relações sociais, as linguagens da qual o ser humano se apropria da sociedade. Segundo o documento, Todas essas considerações de ordem teórica devem considerar a experiência dos alunos e professores, tendo em vista a realidade social e o universo da comunidade escolar, bem como seus referenciais históricos, sociais e culturais. Ao promover a diversidade de análises e proposições, espera-se que os alunos construam as próprias interpretações, de forma fundamentada e rigorosa. Convém destacar as temáticas voltadas para a diversidade cultural e para as múltiplas configurações identitárias, destacando-se as abordagens relacionadas à história dos povos indígenas originários e africanos. Ressalta-se, também, na formação da sociedade brasileira, a presença de diferentes povos e culturas, suas contradições sociais e culturais e suas articulações com outros povos e sociedades (BRASIL, 2017, p. 399). 139 Desse modo, a BNCC compreende que o conhecimento histórico seja tratado como uma forma de pensar, de indagar o passado e o presente, de construir explicações, descobrir significado, compor e decompor interpretações, ao longo do tempo e do espaço, podendo assim, utilizar da História uma ferramenta a serviço de “um discernimento maior sobre as experiências humanas e as sociedades em que se vive” (BRASIL, 2017, p. 399). No que se refere aos anos iniciais, a Base entende que a História deve contemplar a construção do sujeito, a partir do momento em que a criança toma consciência da existência de um Eu e um Outro. Para o documento, o processo de constituição do sujeito é longo e complexo, pois os alunos dos anos iniciais desenvolvem as percepções de si e do outro por meio das vivências cotidianas, reconhecendo o seu lugar na sociedade e que cada um apreende o mundo de forma única. A percepção da distância entre objeto e pensamento é um passo necessário para a autonomia do sujeito, tomado como produtor de diferentes linguagens. É ela que funda a relação do sujeito com a sociedade. Nesse sentido, a História depende das linguagens com as quais os seres humanos se comunicam, entram em conflito e negocia (BRASIL, 2017, p. 401). Desse modo, aprender a identificar diferentes linguagens é essencial para o desenvolvimento da cognição, comunicação e socialização, competências que a Base considera necessárias. Na sequência, a Base retoma o objetivo principal da História: o reconhecimento do “Eu” do “Outro” e do “Nós”. O documento compreende que Há uma ampliação de escala e de percepção, mas o que se busca, de início, é o conhecimento de si, das referências imediatas do círculo pessoal, da noção de comunidade e da vida em sociedade. Em seguida, por meio da relação diferenciada entre sujeitos e objetos, é possível separar o “Eu” do “Outro”. Esse é o ponto de partida (BRASIL, 2017, p. 402). No documento, é priorizado a História a partir do 3º ano do ensino fundamental, onde é explicitado que no 3º e 4º ano abrange a noção de lugar em que se vive e as dinâmicas em torna da cidade, diferenciando a vida privada e a vida pública, a rural e a urbana, além de analisar processos de escala temporal, como o estudo dos primeiros grupos humanos. No 5º ano, a BNCC procura enfatizar as diversidades entre os povos e culturas e suas formas de organização. Nesse momento, a Base compreende que “a noção de cidadania, com direitos e deveres, e o reconhecimento da diversidade das sociedades pressupõem uma educação que estimule o convívio e o respeito entre os povos” (BRASIL, 2017, p. 402). A partir do 1º ano do Ensino Fundamental, as Unidades Temáticas, Objetivos de conhecimento e Habilidades são organizadas para que, segundo a BNCC, norteiena seleção de conteúdos e na definição dos métodos de ensino e avaliação, para garantir o processo de ensino e aprendizagem dos alunos. As finalidades da disciplina escolar se caracterizavam na articulação com os objetivos instrucionais e entre os específicos e educacionais, considerados como gerais. Assim, toda disciplina organizou seus objetivos com a intenção de contribuir na formação intelectual e cultural, para o desenvolvimento da criticidade e capacidade de comparação, dedução, criatividade, argumentação lógica, habilidades técnicas e outras. Os objetivos específicos das disciplinas escolares eram determinados segundo os objetivos gerais da escola, que definiam o processo de socialização, comportamentos individuais e coletivos, normas, horários, padrões de higiene e outros. 6 O conteúdo explícito consiste no outro elemento da disciplina escolar, que corresponde ao conjunto de “[...] conhecimento organizado segundo uma lógica interna que articula conceitos, informações e técnicas consideradas fundamentais” (BITTENCOURT, 2018, posição 477). Os conteúdos explícitos se caracterizam por temas específicos e são apresentados em planos sucessivos, variando conforme os níveis de ensino. Sua seleção segue critérios estabelecidos por variáveis, que precisam se relacionar com os objetivos educacionais e instrucionais, serem distribuídos adequadamente, estarem de acordo com o desenvolvimento dos alunos e apresentarem uma carga horária definida pelo currículo das escolas. Os conteúdos se articulam com os métodos de ensino e aprendizagem, que podem ser associados às aulas expositivas, uso de livros didáticos, mídias, projetos pedagógicos, sequência didática e outros. E, por fim, entre os constituintes da disciplina escolar, há as atividades de avaliação, utilizadas para “[...] se ter o controle sobre o que é ensinado ou apreendido pelo aluno” (BITTENCOURT, 2018, posição 493). A avaliação se relaciona aos conceitos de aprendizagem e se articula com a compreensão do professor em relação à disciplina escolar, que pode ser entendida como uma transmissora de conteúdos ou produtora de conhecimentos. Assim, os exames, provas, testes e outros, consistem em formas de controlar o que se está ensinando e o que foi aprendido. A avaliação, de modo geral, gera um certo poder ao professor e aos sistemas avaliatórios, que interferem no processo de mudança ou transformação dos métodos e conteúdo (BITTENCOURT, 2018). 2.2 DISCIPLINA ESCOLAR E O ENSINO DE HISTÓRIA A partir do século XIX, o ensino da História nas escolas e universidades, sofreu constantes aproximações e separações entre a História escolar e a dos historiadores. O historiador francês Henri Moniot investigou a questão da História como disciplina escolar, no final do século XIX, organizando a história universitária. A divisão da História em grandes períodos, como a Antiguidade, Idade Média, Moderna e Contemporânea, criadas para organizar os estudos históricos escolares, definindo as especialidades dos historiadores em suas áreas de pesquisa (BITTENCOURT, 2018). A concepção francesa de divisão permanece nos cursos de História, que inclui bacharelado e licenciatura, que se mantêm desde a reformulação da Lei de Diretrizes e Bases de 1962, quando foi estabelecido o currículo mínimo pelo Conselho Federal de Educação, que compõe a História Antiga, História Medieval, História Moderna, História Contemporânea, História da América e História do Brasil. A organização disciplinar mantém relação entre o conhecimento acadêmico e escolar, por isso, tentar modificar o currículo do Ensino Fundamental e Médio, implica as mudanças curriculares no Ensino Superior. 7 A reflexão sobre a concepção de disciplina propõe um entendimento sobre o papel do professor na prática educativa, na ação e poder que exerce nesse processo. Assim, destaca-se a importância da ação do professor na constituição da disciplina, enquanto sujeito que define o currículo que ocorre na escola e nas práticas de sala de aula. “O professor é quem transforma o saber a ser ensinado em saber apreendido, ação fundamental no processo de produção do conhecimento” (BITTENCOURT, 2018, posição 586). Nesse sentido, os conteúdos, métodos e avaliação são construídos no cotidiano escolar e nas relações que ocorrem entre os professores e alunos. A atuação do professor requer certos saberes necessários para o exercício da profissão, desenvolvidos na sua formação inicial e continuada. Alguns estudiosos refletem sobre o ofício da profissão docente, com pesquisas que buscam compreender a sua função nas tarefas cotidianas realizadas na escola. Desta forma, apontam a necessidade de se repensar a formação docente, para além dos conhecimentos teóricos desenvolvidos no curso de licenciatura no Ensino Superior. As discussões sobre o tema surgiram no âmbito internacional nas décadas de 1980 e 1990, influenciadas pelos movimentos de profissionalização do ensino e as questões relacionadas ao conhecimento dos professores. A intencionalidade visava estabelecer um repertório de conhecimentos para garantir e legitimar a profissão, garantindo uma ampliação quantitativa e qualitativa na área de atuação (TARDIF, 1999). Os estudos dos saberes docentes como uma forma de construir a identidade do profissional que atuaria na educação, na figura do professor. Pimenta (1999, p. 19) aponta a: [...] significação social da profissão; da revisão constante dos significados sociais da profissão; da revisão das tradições. Mas também da reafirmação das práticas consagradas culturalmente e que permanecem significativas. Práticas que resistem a inovações porque prenhes de saberes válidos às necessidades da realidade. Do confronto entre as teorias e as práticas, da análise sistemática das práticas à luz das teorias existentes, da construção de novas teorias. De forma geral, apresenta a figura do professor no cerne de sua formação, inserido no constante processo de autoformação, reelaborando os saberes iniciais no convívio cotidiano de sua profissão. Os saberes construídos e transformados a partir da reflexão das e nas práticas educativas. Tardif (2006) enfatiza que os saberes de um professor se constituem na realidade social por meio de formações, programas, práticas coletivas, disciplinas escolares, mas também pelos saberes dele, de forma individual docente. O estudioso categorizou sete saberes essenciais à docência: saber disciplinar, curricular, da experiência, da ação pedagógica, da cultura profissional, cultura geral e da tradição pedagógica. Saberes docentes considerados na “interface entre o individual e o social, entre o ator e o sistema, a fim de captar a sua natureza social e individual como um todo [...] num certo número de fios condutores” (TARDIF, 2006, p. 16). 8 São características fundamentais presentes nos saberes inerentes à profissão de professor, que consideram, segundo Tardif (2006): • saber e trabalho: na relação do professor no trabalho na escola e em sala de aula; • diversidade do saber: a diversidade e o pluralismo do saber docente; • temporalidade do saber: saber adquirido no decorrer da vivência histórica da carreira profissional; • experiência de trabalho enquanto fundamento do saber: saberes provenientes de várias fontes e momentos da história pessoal e profissional do professor; • saberes humanos a respeito de seres humanos: o trabalho interativo que se relaciona com o objeto de trabalho através da interação humana; • saberes e formação de professores: a necessidade de repensar a formação para o magistério, considerando os diversos saberes. De modo geral, o professor recorre aos saberes que construiu para buscar soluções e respostas aos questionamentos do cotidiano escolar, incluindo três elementos: a situação educativa, os saberes do docente e o julgamento. As situações que ocorrem em sala de aula suscitam da ação docente posicionamentos que condizem na relação que o profissional estabelece entre as situaçõesa criação dos currículos escolares. As Unidades Temáticas são: “Mundo pessoal: meu lugar no mundo”; “Mundo pessoal: eu, meu grupo social e meu tempo”; “A comunidade e seus registros”; “As formas de registrar as experiências da comunidade”; 140 “O trabalho e a sustentabilidade na comunidade”; “As pessoas e os grupos que compõem a cidade e o município”; “O lugar em que vive”; “A noção de espaço público e privado”; “Transformações e permanências nas trajetórias dos grupos humanos”; “Circulação de pessoas, produtos e culturas”; “As questões históricas relativas às migrações”; “Povos e culturas: meu lugar no mundo e meu grupo social” e “Registros da história: linguagens e culturas”. FONTE: . Acesso em: 31 jan. 2022. 141 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • As questões que nos levam a pensar a História como um saber necessário para a formação das crianças e jovens na escola são as originárias do tempo presente. O passado que deve impulsionar a dinâmica do ensino-aprendizagem no Ensino Fundamental é aquele que dialoga com o tempo atual. • Para se pensar o ensino de História, é fundamental considerar a utilização de diferentes fontes e tipos de documento (escritos, iconográficos, materiais, imateriais) capazes de facilitar a compreensão da relação tempo e espaço e das relações sociais que os geraram. Os registros e vestígios das mais diversas naturezas (mobiliário, instrumentos de trabalho, música etc.) • Em seus primeiros anos de vida a criança constrói conhecimentos práticos, com vivências e ações do seu dia a dia na creche ou na pré-escola e também, é claro, no convívio com a família. Suas representações e noções sobre o mundo estão diretamente associadas aos objetos concretos da realidade conhecida, observada, sentida, experimentada e vivenciada. Sabe-se que quanto maior a variedade de experiências pelas quais a criança passar, maior será o processo de reconstrução propiciando, assim, mudanças positivas na estrutura de pensamento e linguagem. • Considerando que, na Educação Infantil, as aprendizagens e o desenvolvimento das crianças têm como eixos estruturantes as interações e a brincadeira, assegurando- lhes os direitos de conviver, brincar, participar, explorar, expressar-se e conhecer- se, a organização curricular da Educação Infantil na BNCC está estruturada em cinco campos de experiências, no âmbito dos quais são definidos os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento. Os campos de experiências constituem um arranjo curricular que acolhe as situações e as experiências concretas da vida cotidiana das crianças e seus saberes, entrelaçando-os aos conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural. • A BNCC do Ensino Fundamental Anos Iniciais, ao valorizar as situações lúdicas de aprendizagem, aponta para a necessária articulação com as experiências vivenciadas na Educação Infantil. Tal articulação precisa prever tanto a progressiva sistematização dessas experiências quanto o desenvolvimento, pelos alunos, de novas formas de relação com o mundo, novas possibilidades de ler e formular hipóteses sobre os fenômenos, de testá-las, de refutá-las, de elaborar conclusões, em uma atitude ativa na construção de conhecimentos. 142 • As experiências das crianças em seu contexto familiar, social e cultural, suas memórias, seu pertencimento a um grupo e sua interação com as mais diversas tecnologias de informação e comunicação são fontes que estimulam sua curiosidade e a formulação de perguntas. O estímulo ao pensamento criativo, lógico e crítico, por meio da construção e do fortalecimento da capacidade de fazer perguntas e de avaliar respostas, de argumentar, de interagir com diversas produções culturais, de fazer uso de tecnologias de informação e comunicação, possibilita aos alunos ampliar sua compreensão de si mesmos, do mundo natural e social, das relações dos seres humanos entre si e com a natureza. • As grandes temáticas do Ensino Fundamental Anos Iniciais, pode-se dizer que, do 1º ao 5º ano, as habilidades trabalham com diferentes graus de complexidade, mas o objetivo primordial é o reconhecimento do “Eu”, do “Outro” e do “Nós”. No 3º e no 4º ano contemplam-se a noção de lugar em que se vive e as dinâmicas em torno da cidade, com ênfase nas diferenciações entre a vida privada e a vida pública, a urbana e a rural. Essa análise se amplia no 5º ano, cuja ênfase está em pensar a diversidade dos povos e culturas e suas formas de organização. A noção de cidadania, com direitos e deveres, e o reconhecimento da diversidade das sociedades pressupõem uma educação que estimule o convívio e o respeito entre os povos. 143 1 Entre os saberes produzidos, destaca-se a capacidade de comunicação e diálogo, instrumento necessário para o respeito à pluralidade cultural, social e política, bem como para o enfrentamento de circunstâncias marcadas pela tensão e pelo conflito. A lógica da palavra, da argumentação, é aquela que permite ao sujeito enfrentar os problemas e propor soluções com vistas à superação das contradições políticas, econômicas e sociais do mundo em que vivemos. Para se pensar o ensino de História, é fundamental considerar a utilização de diferentes fontes e tipos de documento. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Escritos, iconográficos, materiais, imateriais; b) ( ) Escritos, materiais, imateriais; c) ( ) Iconográficos, materiais, imateriais; d) ( ) Escritos, iconográficos, materiais. 2 Em seus primeiros anos de vida, a criança constrói conhecimentos práticos com vivências e ações do seu dia a dia na creche ou na pré-escola e também, é claro, no convívio com a família. Suas representações e noções sobre o mundo estão diretamente associadas aos objetos concretos da realidade conhecida, observada, sentida, experimentada e vivenciada. Referente às experiências vividas das crianças e a relação com a aprendizagem, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Sabe-se que quanto maior a variedade de experiências pelas quais a criança passar, maior será o processo de desconstrução propiciando, assim, mudanças positivas na estrutura de pensamento crítico e linguagem. b) ( ) Sabe-se que quanto maior a variedade de experiências pelas quais a criança passar, maior será o processo de reconstrução propiciando, assim, mudanças conflituosas na estrutura de pensamento e visão. c) ( ) Sabe-se que quanto maior a variedade de experiências pelas quais a criança passar, maior será o processo de reconstrução propiciando, assim, mudanças positivas na estrutura de pensamento e linguagem. d) ( ) Sabe-se que quanto maior a variedade de experiências pelas quais a criança passar, maior será o processo de reconstrução propiciando, assim, permanências positivas na estrutura de pensamento e linguagem. AUTOATIVIDADE 144 3 As experiências das crianças em seu contexto familiar, social e cultural, suas memórias, seu pertencimento a um grupo e sua interação com as mais diversas tecnologias de informação e comunicação são fontes que estimulam sua curiosidade e a formulação de perguntas. O estímulo ao pensamento criativo, lógico e crítico, por meio da construção e do fortalecimento da capacidade de fazer perguntas e de avaliar respostas, de argumentar, de interagir com diversas produções culturais, de fazer uso de tecnologias de informação e comunicação, possibilita aos alunos ampliar sua compreensão de si mesmos, do mundo natural e social, das relações dos seres humanos entre si e com a natureza. Referente aos dois primeiros anos do ensino fundamental, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental, a ação pedagógica deve ter como foco a leitura, a fim de garantir amplas oportunidades para que os alunos se apropriem do sistema de escrita alfabética de modo articulado ao desenvolvimento de outras habilidades de leitura e de escrita e ao seu envolvimento em práticas diversificadas de crescimento. b) ( ) Nosdois primeiros anos do Ensino Fundamental, a ação pedagógica deve ter como foco a brincadeira de roda, a fim de garantir amplas oportunidades para que os alunos se apropriem do sistema de escrita alfabética de modo articulado ao desenvolvimento de outras habilidades de leitura e de escrita e ao seu envolvimento em práticas diversificadas de letramentos. c) ( ) Nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental, a ação pedagógica deve ter como foco a avaliação objetiva, a fim de garantir amplas oportunidades para que os alunos se apropriem do sistema de escrita alfabética de modo articulado ao desenvolvimento de outras habilidades de leitura e de escrita e ao seu envolvimento em práticas diversificadas de letramentos. d) ( ) Nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental, a ação pedagógica deve ter como foco a alfabetização, a fim de garantir amplas oportunidades para que os alunos se apropriem do sistema de escrita alfabética de modo articulado ao desenvolvimento de outras habilidades de leitura e de escrita e ao seu envolvimento em práticas diversificadas de letramentos. 4 Dentro das fontes históricas nos deparamos com a música. Ela é um elemento que torna a vida das pessoas mais alegre e que cada pessoa busca para homenagear, demonstrar seus sentimentos sobre determinada pessoa ou situação. Diante disso, disserte sobre como a música influencia as aulas de história e a humanidade. 5 Nas aulas de História, podem ser utilizadas muitas fontes de pesquisa, as quais são ferramentas do processo de ensino e de aprendizagem. Desta maneira, disserte sobre como podem ser utilizadas as fontes orais, escritas e musicais na sala de aula pelo professor. 145 REFERÊNCIAS BARROS, J. A. Fontes históricas: revisitando alguns aspectos primordiais para a pesquisa histórica. Mouseion, Canoas, n. 12, p. 129-159, maio/ago. 2012. Disponível em: https://revistas.unilasalle.edu.br/index.php/Mouseion/article/ viewFile/332/414. Acesso em: 31 jan. 2022. BARTON, K. C. O conhecimento histórico. APH – Associação de Professores de História, Lisboa, c2019. Disponível em: https://aph.pt/o-conhecimento-historico/. Acesso em: 31 jan. 2022. 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Acesso em: 22 mai 2021. VASCONCELOS, J. A. Fundamentos epistemológicos da história. Curitiba: InterSaberes, 2012. 147 ENSINAR E APRENDER HISTÓRIA NO SÉCULO XXI UNIDADE 3 — OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • caracterizar o ensino e aprendizagem da história em tempos pós-modernos; • compreender a importância do uso da alfabetização nas aulas de história; • refletir sobre as condições humanas e o uso das novas tecnologias nas aulas de história; • identificar os principais temas e debates presentes na história do século XXI. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – CONHECIMENTO HISTÓRICO NO SÉCULO XXI TÓPICO 2 – O ENSINO DE HISTÓRIA E A VIRTUALIDADE EM SALA DE AULA TÓPICO 3 – O ENSINO DE HISTÓRIA NO SÉCULO XXI: MEIO AMBIENTE E CULTURA Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 148 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 3! Acesse o QR Code abaixo: 149 TÓPICO 1 — CONHECIMENTO HISTÓRICO NO SÉCULO XXI UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Caro acadêmico! No Tópico 1, abordaremos a produção de conhecimento histórico no século XXI, você verá que nos tempos atuais o ensino de História é objeto de estudo com vista à validação da disciplina enquanto ciência com aplicação na vida prática. A natureza peculiar do conhecimento histórico exige que o ensino da disciplina tenha por princípios a valorização do conhecimento prévio dos alunos e a uma abordagem que objetive a construção da consciência histórica. O professor deve estar atento à demanda de conhecimento do aluno e aberto à reelaboração/reconstrução de conceitos como passado, presente, perspectiva cultural, versão/interpretação e pluralidade de ideias e visão de mundo. No subtópico Alfabetização e História no século XXI, vamos compreender umas das etapas fundamentais na vida de um estudante, pois, a partir do momento em que um sujeito aprende a decifrar o código alfabético e principalmente a entendê-lo, de maneira que consiga interpretar o que lê, ele começa a se tornar o sujeito de sua própria história. E, finalmente, no subtópico A História e o lúdico na Educação Infantil e Anos Iniciais no século XXI, você vai entender que na atividade lúdica não importa somente o resultado, mas a ação, o momento vivenciado que favorece a interação, momentos de conhecimento e descoberta de si e do outro. 2 PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO HISTÓRICO NO SÉCULO XXI Produção de conhecimento histórico no Século XXI, eis um enunciado que sugere diferentes reflexões e diversos itinerários. O importante é perceber que o foco na produção de conhecimento se recai nos sujeitos.Os sujeitos históricos, que antes eram apenas os “donos do poder”, agora são considerados sujeitos históricos, indivíduos e grupos sociais que promovam alguma transformação real na sociedade em que vivem. 150 DICA Caro acadêmico, um artigo para a aprofundar a questão da produção de conhecimentos pelos professores é “Os professores enquanto sujeitos do conhecimento: saberes docentes e prática educativa”, que retrata o professor como sujeito do conhecimento, discutiremos, ao longo desse artigo, os saberes indispensáveis a profissão docente e, especialmente a importância desses saberes na prática educativa. Disponível em: https:// bit.ly/3Ho2C4q. Caro acadêmico, as propostas curriculares das últimas décadas, grosso modo, oscilaram entre duas concepções de produção do conhecimento histórico refletidas em respectivas propostas curriculares. A da possibilidade e da impossibilidade da produção do conhecimento histórico a níveis do ensino fundamental e médio. Na educação infantil e anos iniciais, devemos partir da vida dos estudantes para construção de conhecimento. A vida em suas nuances submete todos os seres humanos a experiências que os individualizam. Estas experiências estimulam a construção dos contornos da personalidade e do caráter não sendo, no entanto, deterministas. Na escola o professor deve prescindir deste fundamento para enfocar os conceitos históricos Neste processo de construção/desconstrução, para Siman (2004, p. 104), é feito o uso de objetos mediadores do conhecimento: “a ação mediadora do professor, da linguagem, dos signos e de ferramentas culturais”. Esta ação permite desenvolver com o aluno uma dinâmica de comunicação onde, através dos objetos mediadores, se desenvolvem as ideias que comporão os conceitos. A produção do conhecimento histórico é possível através da ideia do passado, no sentido de procurar estabelecer um contexto, no retorno ao presente para se perceber mudanças e permanências. Produzir o conhecimento histórico em sala de aula para a sociedade atual torna- se um desafio para os profissionais que atuam, na educação básica, pois a sociedade que se apresenta no século XXI está voltada para um conhecimento de informações imediatistas e globalizada, sem uma resposta efetiva da compreensão dos conteúdos que transitam em todos os meios de comunicação. Considerando o atual contexto social e cultural no qual as tecnologias digitais estão sendo utilizadas nos mais diversos setores da sociedade, então não poderíamos deixar de observar as mudanças que estes recursos causam no setor educacional, levando em conta que devido às mudanças advindas a partir da cultura digital, professores e alunos vivenciam um uso dos recursos digitais. 151 Os jogos têm como uma de suas principais características, a ludicidade, este na maioria das ocasiões é utilizado como forma de passar algum ensinamento a alguém, característica esta que está ligada aos processos de ensino e aprendizagem geralmente baseados em feedbacks, conhecimentos mínimos para passar de fase e outros fatores que fazem parte do jogo, mas também do cotidiano das salas de aula, os jogos podem sim ser utilizados de forma eficaz no processo de ensino e aprendizagem de História no contexto escolar, visto que estes podem aproximar os discentes de situações que outros recursos não conseguiriam. O jogo não representa algo novo para nossa sociedade, mas sim um objeto cultural que se tornou multifacetado a partir da cultura digital. Para Petry (2016), ao falarmos de jogos e em especial dos jogos digitais, estamos nos referindo a novos objetos de uma cultura e uma sociedade designadas pós-modernas, visto que surge no contexto da computação. Assim, o jogo é um objeto digital da cultural pós-moderna, tem como possibilidade não apenas participar da cultura, mas, sobretudo, ressignificá- la. Dentro da perspectiva de Petry (2016), gostaríamos de enfatizar na prática de experiências de ensino de História através de apenas três que são: entretenimento, histórias/narrativas e como objeto educativo. O jogo como entretenimento é marcado pela interação entre o jogador e o jogo. O jogo digital agregou características de outros recursos tecnológicos, como o cinema, a televisão e a literatura, porém de uma forma mais interativa visto que os recursos citados a pouco não permitem a intervenção dos seus usuários. Esta interação entre jogador e jogo é marcada pelo círculo mágico, no qual o jogador imerge neste mundo que o jogo propõe, e que faz como que o jogador interaja diretamente com o desenvolver-se no jogo e se envolva ao ponto de sentir a necessidade de saber mais sobre o jogo (PETRY, 2016). O jogo como histórias/narrativas, é marcado pela capacidade de contar histórias e é capaz de fazer com que o sujeito participe de maneira interativa na narrativa de forma a poder interferir no decorrer do jogo, em alguns jogos esta intervenção pode ser em maior grau do que em outros, podendo chegar a interferir não só no desenrolar do jogo, mas também em seu final (PETRY, 2016). Embora os jogos em sua concepção primeira, não sejam um objeto educativo de maneira formal, podemos perceber que traz suas contribuições para com os processos de aprendizagem, já que os jogos afloram a curiosidade e uma consequente busca por mais informações sobre os jogos, em especial os que tem características narrativas e de contextos históricos, pois os jogadores sentirão a necessidade de estudar mais sobre o período em que o jogo retrata para que possa entender melhor o que está ocorrendo, assim como possa também montar estratégias de jogo (PETRY, 2016). 152 INTERESSANTE O Caderno de Estudos “Narrativas infantis no jogo de faz de conta” é uma publicação que surgiu a partir do programa Rede em Rede: a formação continuada na educação infantil – com o Curso de Formação Narrativas Infantis: o faz de conta na Educação Infantil – 2009/2010, implementado pela SME/SP (Secretaria Municipal de Educação de São Paulo), a partir de discussões ao longo de vários encontros com as professoras de CEIs e EMEIs da Prefeitura de São Paulo, percebendo o desejo de ampliar as possibilidades de trabalhar com as histórias infantis e importância de atender à solicitação dos professores. Disponível em: https://bit.ly/3gcRmM8. 3 ALFABETIZAÇÃO E HISTÓRIA NO SÉCULO XXI Caro acadêmico, além de aprender a ler e escrever, as crianças podem compreender os diferentes papéis que as pessoas exercem na sociedade. Referente a alfabetização e a é destacada no documento no início do Ensino Fundamental. O campo de experiência nomeado Escuta, fala, pensamento e imaginação constitui um arranjo curricular de experiências e saberes da criança voltados para a comunicação. Desde o nascimento, as crianças participam de situações comunicativas cotidianas com as pessoas com as quais interagem. […] Progressivamente, as crianças vão ampliando e enriquecendo seu vocabulário e demais recursos de expressão e de compreensão, apropriando-se da língua materna – que se torna, pouco a pouco, seu veículo privilegiado de interação (BRASIL, 2018, p. 38). Nesse período de aprendizagem, a BNCC destaca como fundamental o explorar do falar e do ouvir por meio de situações e exercícios interativos e lúdicos. Sobre a cultura da escrita na Educação Infantil, o documento traz alguns pontos: • A criança, naturalmente, manifesta curiosidade linguística acerca de textos escritos. • A partir dos conhecimentos e desejos manifestados pelas crianças, a imersão na cultura da escrita deve ser iniciada. • O contato precoce com a Literatura colabora para o desenvolvimento do gosto pela leitura e estímulo à criatividade. • A familiaridade com textos escritos faz com que as crianças desenvolvam hipóteses sobre o escrever. Por integrar uma das composições da alfabetização, a cultura da escrita e o seu despertar dos conhecimentos sobre o uso social da escrita pode ser o primeiro sinal de alfabetização na BNCC. O desenvolvimento da alfabetizaçãoocorre, sem dúvida, em um ambiente social. Mas as práticas sociais assim como as informações sociais, não são recebidas passivamente pelas crianças 153 A alfabetização no Ensino Fundamental, se insere propriamente dita na Área de Linguagens, sobretudo como etapa primária do Ensino Fundamental – Anos Iniciais, principalmente em seus dois primeiros anos. De acordo com o documento, a ênfase da ação pedagógica no início dos anos iniciais deve estar na apropriação do sistema de escrita alfabético e desenvolvimento de habilidades envolvidas na leitura e escrita. A justificativa para esse foco inicial é a ampliação de possibilidades provocada pelo aprender a ler e escrever, que envolve a construção de conhecimentos por meio da inserção na cultura letrada. Nos primeiros anos do Ensino Fundamental, as experiências iniciadas na Educação Infantil ganham teor mais profundo. A alfabetização e suas práticas aparecem em quatro eixos: • oralidade, que envolve o conhecimento da língua oral e estratégias de fala e escuta; • análise linguística/semiótica, que sistematiza, de fato, a alfabetização e seu período de cinco anos (dois para a inserção e três para o desenvolvimento); • leitura/escuta, que dá devido destaque ao letramento através de uma progressiva adequação às estratégias de leitura em variados tipos de texto; • produção de texto, que também, progressivamente, incorpora estratégias de escrita de diferentes gêneros textuais. Válido destacar que, segundo a BNCC (BRASIL, 2018, p. 44), “cantar cantigas e recitar parlendas e quadrinhas, ouvir e recontar contos, seguir regras de jogos e receitas, jogar games, relatar experiências e experimentos, serão progressivamente intensificadas e complexificadas, na direção de gêneros secundários com textos mais complexos”. A BNCC (BRASIL, 2018) de acordo com Rico (2020) assume a perspectiva enunciativo-discursiva de linguagem, reconhecendo que ela é uma atividade humana e faz parte de um processo de interação entre os sujeitos. A linguagem materializa-se em práticas sociais, com objetivo e intenção. Por essa razão, estabelece a centralidade no texto como unidade de trabalho e indica a necessidade de sempre considerar a função social dos textos utilizados. Durante a alfabetização, isso sinaliza para a importância de que os alunos trabalhem com textos reais. O documento também aponta para uma continuidade do que é feito na Educação Infantil, deixando mais claro que há uma ponte entre os dois segmentos. É preciso compreender que ambos estão interligados, portanto, nos anos iniciais do Fundamental será possível intensificar e estruturar as experiências com a língua oral e escrita iniciadas na Educação Infantil. A BNCC, segundo Rico (2020), reconhece a especificidade da alfabetização e propõe a mescla de duas linhas de ensino: a primeira indica para a centralidade do texto e para o trabalho com as práticas sociais de leitura e escrita, a segunda soma a isso o planejamento de atividades que permitam aos alunos refletirem sobre o sistema de escrita alfabética , estudar, por exemplo, as relações entre sons e letras e investigar com quantas e quais letras se escreve uma palavra, e onde elas devem estar posicionadas 154 ou como se organizam as sílabas. Ao assumir essa postura, o documento considera as contribuições da perspectiva construtivista, principalmente os estudos sobre os processos pelos quais as crianças passam para se apropriar da escrita. Mas, também, aponta ser preciso um trabalho com a consciência fonológica e com conhecimento das letras para ajudar a criança a evoluir em suas hipóteses de escrita. Prevalece o entendimento de que as crianças aprendem de diferentes maneiras e esta pode ser uma opção para a parcela que não tem sido alfabetizada apenas pelas propostas das diretrizes anteriores. Indicar a inclusão de atividades específicas sobre notação alfabética não significa desprezar a imersão no texto e sua função social nem estabelecer uma ordem de prioridade entre os dois trabalhos. Até porque não basta dominar o sistema de escrita para estar alfabetizado. É preciso também ser capaz de ler e escrever textos de diversos gêneros. Um processo que o próprio documento indica ter continuidade a partir do 3º ano, quando a ênfase é na ortografização (RICO, 2022). O documento concentra-se na proposição das competências e habilidades essenciais que todos os alunos devem desenvolver a cada ano e etapa da Educação Básica, ou seja, o foco está em “o que ensinar”. A construção do “como ensinar” virá nos currículos, cuja revisão está a cargo de redes, escolas e docentes. O ano de escolaridade limite para uma pessoa aprender a ler e escrever foi uma das questões mais discutidas durante a elaboração da BNCC. O Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic), que é a diretriz anterior, coloca como prazo-limite o 3º ano. A BNCC antecipou para o 2º ano e aponta que, no 3º ano, o processo continua com mais foco na ortografia (RICO, 2022). A ampliação no uso da tecnologia alterou as práticas de linguagem na sociedade atual. Rico (2022) menciona que, a BNCC reflete isso ao dar ênfase ao ensino das especificidades da leitura e da escrita em ambientes digitais, entre outros. Os gêneros clássicos (conto, crônica, entrevista, notícia, tirinha, receita etc.) estão presentes no documento, mas este abriu espaço também a novos gêneros (como chats, tuítes, posts, e-zines etc.) e a textos multissemióticos e multimidiáticos, que consideram, além do escrito, imagens estáticas (fotos, pinturas, ilustrações, infográficos, desenho) ou em movimento (vídeos, filmes etc.) e som (áudios, música) – componentes que também atribuem significado à mensagem. Para os anos iniciais, cabe ao professor contribuir para a construção desse multiletramento e qualificar as produções e a utilização das ferramentas digitais, considerando também os aspectos éticos, estéticos e políticos. DICA Você já desenvolveu projetos para alfabetizar seus alunos envolvendo a história e a cultura da comunidade local onde a escola está inserida? Leia o artigo “Como incluir cultura e história na alfabetização das crianças”, escrito por Mara Mansani, disponível em: https://bit.ly/3GiV0ib. 155 4 A HISTÓRIA E O LÚDICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL E ANOS INICIAIS NO SÉCULO XXI Brincar faz parte da infância. Além de ser divertido, o lúdico na aprendizagem pode ajudar tanto no campo cognitivo, quanto no psicológico, social e afetivo. Isso proporciona alegria e satisfação. Brincando, a criança socializa melhor, exercita a imaginação e, através disso, pode externalizar suas angústias e dificuldades que não consegue expressar por palavras. NOTA O lúdico tem origem na palavra latina “ludus” que significa jogo. Assim, de acordo com seu significado, refere-se ao ato de brincar, ao movimento espontâneo. Hoje, o conceito de lúdico extrapola o simples brincar, sendo concebido como necessidade básica da personalidade, do corpo e da mente (ALMEIDA, 2006). Ludicidade se refere à qualidade do que é lúdico, ou seja, consequência provocada pelo lúdico, que remete a jogos e brincadeiras. O conceito de atividades lúdicas está relacionado às atividades de jogos e ao ato de brincar, sendo um componente muito importante para a aprendizagem. A ludicidade está em atividades que despertam prazer. Segundo Santos (2002), é uma necessidade do ser humano em qualquer idade. Tem como sinônimo divertimento, diversão e lazer; e como antônimos, tristeza e desânimo. No âmbito da Pedagogia, a ludicidade se dá como a forma de desenvolver a criatividade e os conhecimentos por meio de jogos, música e dança. O lúdico não é apenas uma prática da Pedagogia e nem foi inventado por ela. Ao brincar, as crianças estariam expostas a um ambiente extremamente favorável ao desenvolvimento físico e cognitivo. Conforme a BNCC (BRASIL, 2018), a educação infantil necessita estabelecer estratégias e ações para que as crianças possam observar, investigar e explorar o ambiente,manejar objetos e brinquedos, criar suposições e verificar as informações para confirmar as perguntas e curiosidades. Assim, a instituição está dando oportunidade para que “as crianças ampliem seus conhecimentos do mundo físico e sociocultural e possam utilizá-los em seu cotidiano” (BRASIL, 2018, p. 47). Segundo a BNCC o aperfeiçoamento para as crianças participantes da educação infantil é apresentado em seis direitos, são eles: “conviver, brincar, participar, explorar, expressar, conhecer-se” (BRASIL, 2018, p. 36). 156 O tema tem como eixo central o brincar como abordagem de experiência favorecedora da aprendizagem e do desenvolvimento na educação infantil. A linha da análise está voltada em demonstrar que brincar é um processo natural do ser humano e pode, ao mesmo tempo, enriquecer ou contribuir na formação humana integral da criança, pois através do brincar, as crianças se socializam, interagem e favorece a ampliação cognitiva da criança, afetivo social e físico da criança. As Instituições de Educação Infantil e Anos Iniciais são espaços favoráveis para que a criança experimente novas sensações, faça novas descobertas sobre si e o outro, amadurece e aprende a lidar com seus medos e ansiedades. Dessa forma é imprescindível que as Instituições de Educação Infantil insiram em seu contexto a utilização do brincar na prática pedagógica. Atualmente, a aprendizagem lúdica vem conquistando um espaço no cenário educacional. Utilizar o brincar no aprendizado como abordagem de experiência infantil metodologia de ensino favorece a produção do conhecimento, desenvolvimento e aprendizagem da criança. Dessa forma, é necessário enxergar a Instituição de Educação Infantil e Anos Iniciais como um espaço onde as crianças possam vivenciar a ludicidade como meio de desenvolver o raciocínio, a criatividade, a atenção. O ensinar na prática educativa infantil consiste em criar possibilidades para produção do conhecimento, integração social e aprendizagem. Igualmente, cabe ao professor propiciar um ambiente adequado e com os outros elementos motivadores para que a criança possa realizar suas atividades utilizando no trabalho pedagógico o brincar como base das experiências de aprendizagem favorecedoras do desenvolvimento infantil. Caro acadêmico, veja algumas sugestões de atividades para ensinar de História focando em brincadeiras: • Entrevistas com pais, avós ou responsáveis das crianças sobre quais eram os jogos, brinquedos e brincadeiras de suas infâncias. O bate-papo pode acontecer pelo WhatsApp e uma pessoa de cada família pode compartilhar suas histórias. Tudo com orientações e acompanhamento do professor e com a participação de pais e responsáveis. Essas trocas também podem ser realizadas pelo WhatsApp, escrito no caderno ou no formato de chamada por vídeo - também é possível combinar essas estratégias. • Pesquisa coletiva sobre as preferências de brinquedos da turma. Os dados podem ser registrados em um gráfico para estimular a contagem e comparação de quantidades. • Produzir fichas descritivas dos brinquedos e brincadeiras do passado (pesquisado com as famílias) e da atualidade para uma exposição. É possível organizar esses materiais em uma linha do tempo ou em um álbum. Em cada ficha, inclua uma imagem com legenda sobre o objeto e suas principais informações (material que é feito, ano de fabricação etc.) • Em roda, conversem sobre como era a vida das crianças no passado e no presente. Discutam temas como trabalho infantil, consumo consciente e reaproveitamento de brinquedos, se faz sentindo brinquedos de meninos e brinquedos de meninas. IMPORTANTE 157 • Visitem museus on-line que contam a história dos brinquedos do Brasil como, por exemplo, o Museu do Brinquedo Popular, acessando: http://www2.ifrn.edu.br/museudobrinquedo/. • Comparem como um mesmo brinquedo era feito e usado em diferentes épocas. É possível fazer esse comparativo pegando um objeto que era comum entre pais, avós e crianças como, por exemplo, bonecas, para entender as semelhanças e diferenças dos usos. • Criem momentos especiais e temáticos de brincar em casa (ou na escola) com brinquedos do passado ou só com brinquedos feitos com materiais reaproveitados, por exemplo. • Organizem uma feira de troca de brinquedos usados, se estiverem presencialmente. Não esqueça de tomar todos os cuidados de higienização desses objetos. • Incentivem que cada aluno conte sobre seu brinquedo preferido. Nesse momento as crianças podem narrar a história dele com o brinquedo e o porquê de ser favorito. FONTE: Adaptado de . Acesso em: 1 fev. 2022. 158 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • As propostas curriculares das últimas décadas oscilaram entre duas concepções de produção do conhecimento histórico refletidas em respectivas propostas curriculares. A da possibilidade e da impossibilidade da produção do conhecimento histórico a níveis do ensino fundamental e médio. Na educação infantil e anos iniciais, devemos partir da vida dos estudantes para construção de conhecimento. • Produzir o conhecimento histórico em sala de aula para a sociedade atual torna-se um desafio para os profissionais que atuam, na educação básica, pois a sociedade que se apresenta no século XXI está voltada para um conhecimento de informações imediatistas e globalizada, sem uma resposta efetiva da compreensão dos conteúdos que transitam em todos os meios de comunicação. • Considerando o atual contexto social e cultural no qual as tecnologias digitais estão sendo utilizadas nos mais diversos setores da sociedade, então não poderíamos deixar de observar as mudanças que estes recursos causam no setor educacional, levando em conta que devido às mudanças advindas a partir da cultura digital, professores e alunos vivenciam um uso dos recursos digitais de forma distante da educação, entretanto os docentes precisam perceber novas possibilidades de ensino a partir de práticas não pensadas para a educação, mas que que podem ser assimiladas de forma eficaz no processo educativo. • O jogo como entretenimento é marcado pela interação entre o jogador e o jogo. O jogo digital agregou características de outros recursos tecnológicos, como o cinema, a televisão e a literatura, porém de uma forma mais interativa visto que os recursos citados a pouco não permitem a intervenção dos seus usuários. • Além de aprender a ler e escrever, as crianças podem compreender os diferentes papéis que as pessoas exercem na sociedade. Referente a alfabetização e a é destacada no documento no início do Ensino Fundamental. Ainda que a BNCC atribua a etapa de alfabetização aos anos iniciais do Ensino Fundamental, alguns preceitos e antecedentes do período alfabetizador estão presentes na fase da Educação Infantil. • A alfabetização no Ensino Fundamental, se insere propriamente dita na área de linguagens, sobretudo como etapa primária do Ensino Fundamental – Anos Iniciais, principalmente em seus dois primeiros anos. De acordo com o documento, a ênfase da ação pedagógica no início dos anos iniciais deve estar na apropriação do sistema de escrita alfabético e desenvolvimento de habilidades envolvidas na leitura e escrita. 159 RESUMO DO TÓPICO 1 • Brincar faz parte da infância. Além de ser divertido, o lúdico na aprendizagem pode ajudar tanto no campo cognitivo, quanto no psicológico, social e afetivo. Isso proporciona alegria e satisfação. Brincando, a criança socializa melhor, exercita a imaginação e, através disso, pode externalizar suas angústias e dificuldades que não consegue expressar por palavras. • As Instituições de Educação Infantil e Anos Iniciais são espaços favoráveis para que a criança experimente novas sensações, faça novas descobertas sobre si e o outro, amadurece e aprende a lidar com seus medos e ansiedades. Dessaforma é imprescindível que as Instituições de Educação Infantil insiram em seu contexto a utilização do brincar na prática pedagógica. 160 1 Produzir o conhecimento histórico em sala de aula para a sociedade atual torna-se um desafio para os profissionais que atuam, na educação básica, pois a sociedade que se apresenta no século XXI está voltada para um conhecimento de informações imediatistas e globalizadas, sem uma resposta efetiva da compreensão dos conteúdos que transitam em todos os meios de comunicação. Considerando o atual contexto social e cultural no qual as tecnologias digitais são utilizadas nos mais diversos setores da sociedade, então não poderíamos deixar de observar as mudanças que estes recursos causam no setor educacional, levando em conta que, devido às mudanças advindas a partir da cultura digital, professores e alunos vivenciam um uso dos recursos digitais de forma distante da educação, entretanto os docentes precisam perceber novas possibilidades de ensino. Referente a essas novas práticas, assinale a alternativa CORRETA. a) ( ) Os jogos têm como uma de suas principais características a ludicidade, a qual na maioria das ocasiões é utilizada como forma de passar algum ensinamento a alguém, característica esta que está ligada aos processos de ensino e aprendizagem geralmente baseados em feedbacks, conhecimentos mínimos para passar de fase e outros fatores que fazem parte do jogo, mas também do cotidiano das salas de aula, os jogos podem sim ser utilizados de forma eficaz no processo de ensino e aprendizagem. b) ( ) O jogo representa algo novo para nossa sociedade, e um objeto cultural que se tornou multifacetado a partir da cultura filosófica. c) ( ) Ao falarmos de jogos e, em especial dos jogos digitais, estamos nos referindo a novos objetos de uma cultura e uma sociedade designadas pós-modernas, visto que surge no contexto da computação. Assim, o jogo é um objeto digital da cultural teocêntrica, tem como possibilidade não apenas participar da cultura, mas, sobretudo, ressignificá-la. d) ( ) Dividem-se os jogos em: jogo como entretenimento, jogo como brinquedo, jogo como histórias/narrativas, jogo como situar-se fora do controle, jogo como objeto educativo, jogo como sentimento de comunidade, jogo como (psico)terapia, jogo como agente (ator) para mudança de comportamento e opinião pública, jogo como expansão do universo do consumo e jogo como propaganda e religião. AUTOATIVIDADE 161 2 A BNCC destaca como fundamental o explorar do falar e do ouvir por meio de situações e exercícios interativos e lúdicos. Sobre a cultura da escrita na Educação Infantil, o documento traz alguns pontos. Assinale a alternativa CORRETA. a) ( ) A partir dos conhecimentos da escola e desejos manifestados pelas crianças, a imersão na cultura da escrita deve ser iniciada. b) ( ) O contato precoce com a Literatura não colabora para o desenvolvimento do gosto pela leitura e estímulo à criatividade. c) ( ) A criança, naturalmente, manifesta curiosidade linguística acerca de textos escritos. Sozinha, ela constitui sua própria concepção de língua escrita e já é capaz de reconhecer a multiplicidade dos usos da escrita. d) ( ) A familiaridade com textos escritos faz com que as crianças desenvolvam dúvidas sobre o escrever. Na maioria das vezes, os pequenos não conseguem identificar a escrita como um sistema de representação da língua. 3 Brincar faz parte da infância. Além de ser divertido, o lúdico na aprendizagem pode ajudar tanto no campo cognitivo, quanto no psicológico, social e afetivo. Isso proporciona alegria e satisfação. Brincando, a criança socializa melhor, exercita a imaginação e, através disso, pode externalizar suas angústias e dificuldades que não consegue expressar por palavras. Referente ao lúdico na educação infantil, assinale a alternativa CORRETA. a) ( ) Ao brincar, a criança reproduz o que outras pessoas dizem e interioriza, ajudando-a na construção de seu próprio egoísmo. b) ( ) É brincando ou jogando que a criança não só desenvolve habilidades cognitivas, mas também visuais, auditivas, motoras etc. c) ( ) Ludicidade se refere à qualidade do que é pacato, ou seja, consequência provocada pelo lúdico, que remete a jogos e brincadeiras. d) ( ) A educação infantil necessita estabelecer estratégias, provas objetivas e ações para que as crianças possam observar, investigar e explorar o ambiente, manejar objetos e brinquedos, criar suposições e verificar as informações para confirmar as perguntas e curiosidades. 4 A BNCC reconhece a especificidade da alfabetização e propõe a mescla de duas linhas de ensino: a primeira indica para a centralidade do texto e para o trabalho com as práticas sociais de leitura e escrita, a segunda soma a isso o planejamento de atividades que permitam aos alunos refletirem sobre o sistema de escrita alfabética , estudar, por exemplo, as relações entre sons e letras e investigar com quantas e quais letras se escreve uma palavra, e onde elas devem estar posicionadas ou como se organizam as sílabas. Disserte sobre a BNCC e a Perspectiva Construtivista na Alfabetização. 5 Ludicidade se refere à qualidade do que é lúdico, ou seja, consequência provocada pelo lúdico, que remete a jogos e brincadeiras. O conceito de atividades lúdicas está relacionado às atividades de jogos e ao ato de brincar, sendo um componente muito importante para a aprendizagem. Disserte sobre ludicidade e divertimento. 162 163 O ENSINO DE HISTÓRIA E A VIRTUALIDADE EM SALA DE AULA 1 INTRODUÇÃO UNIDADE 3 TÓPICO 2 - Caro acadêmico, neste tópico, abordaremos as Novas Tecnologias e a Educação. Você compreenderá que o mundo de hoje é marcado pelo grande avanço das Novas Tecnologias, que passaram a ser um instrumento de trabalho e uma fonte metodológica para ensino e aprendizagem. No subtópico Virtualidade, abordaremos que o ensino virtual vem se expandido cada vez mais. É uma forma de ensino em que os alunos acessam todo tipo de conteúdo que são disponibilizados da internet e com as Novas Tecnologias. No subtópico a História e Novas Tecnologias, você entenderá que os recursos tecnológicos e recursos midiáticos no processo ensino-aprendizagem contribuem para aumentar a participação dos alunos nas aulas de história. 2 NOVAS TECNOLOGIAS E A EDUCAÇÃO As novas tecnologias na educação são uma importante ferramenta para dinamizar o processo de ensino-aprendizagem. Com a popularização dos aparatos tecnológicos, é comum que as novas gerações tenham esses equipamentos inseridos em seu dia a dia, e a escola não deve estar alheia a essas influências. Caro acadêmico, confira alguns dos principais benefícios das novas tecnologias na educação. • torna as aulas mais atrativas; • despertam a curiosidade e atenção dos alunos; • melhoram a produtividade; • auxiliam os educadores a dinamizar as aulas; • contribuem para o aproveitamento escolar extraclasse; • aproximar professores e alunos; • visualizar melhor as dificuldades dos alunos; • nivelar a turma; • potencializar o compartilhamento de informação; • expandir os limites do conhecimento; • atender às necessidades constantes dos alunos por mudanças; • promover um ambiente mais inclusivo. 164 É importante analisar o projeto pedagógico da escola e conversar com a coordenação para verificar como a instituição introduz a tecnologia no processo educativo. Para encontrar instituições que compreendem a importância e as vantagens de ter um plano de ensino com abordagens diferenciadas. Ao longo das últimas décadas, as tecnologias digitais da informação e comunicação, também conhecidas por TDICs, têm alterado nossas formas de trabalhar, de se comunicar, de se relacionar e de aprender. Conforme a BNCC (BRASIL, 2018) na educação, as TDICs têm sido incorporadas às práticas docentes como meio para promover aprendizagens mais significativas, com o objetivo de apoiar os professores na implementação de metodologias de ensino ativas, alinhandoo processo de ensino- aprendizagem à realidade dos estudantes e despertando maior interesse e engajamento dos alunos em todas as etapas da Educação Básica. As razões pelas quais as tecnologias e recursos digitais devem, cada vez mais, estar presentes no cotidiano das escolas, no entanto, não se esgotam aí. É necessário promover a alfabetização e o letramento digital, tornando acessíveis as tecnologias e as informações que circulam nos meios digitais e oportunizando a inclusão digital. Nesse sentido, a BNCC (BRASIL, 2018), contempla o desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas ao uso crítico e responsável das tecnologias digitais tanto de forma transversal presentes em todas as áreas do conhecimento e destacadas em diversas competências e habilidades com objetos de aprendizagem variados quanto de forma direcionada tendo como fim o desenvolvimento de competências relacionadas ao próprio uso das tecnologias, recursos e linguagens digitais, ou seja, para o desenvolvimento de competências de compreensão, uso e criação de TDICs em diversas práticas sociais, como destaca a competência geral 5: Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva (BRASIL, 2018, p. 9). Nesse contexto, é preciso lembrar que incorporar as tecnologias digitais na educação não se trata de utilizá-las somente como meio ou suporte para promover aprendizagens ou despertar o interesse dos alunos, mas sim de utilizá-las com os alunos para que construam conhecimentos com e sobre o uso dessas TDICs. Como um incentivo de uso das Novas Tecnologias em sala de aula, listamos três maneiras de fazer o bom uso da tecnologia na educação: Incentive a criação e compartilhamento de conteúdos Os blogs são um meio de comunicação coletivo que promovem a criação, o compartilhamento e a discussão de informação. Os professores podem desenvolver nos seus alunos habilidades de leitura e escrita, além de estimular a interação entre a comunidade escolar, o que propicia: 165 • interação entre os usuários; • comunicação ampla e diversa, contribuindo para novas aprendizagens; • estímulo à expressividade; • mediação das comunicações, incentivando o respeito mútuo e as diferenças de ideias e pensamentos; • promoção de debates e reflexões. Crie projetos para os quais os alunos precisem pesquisar na internet Cabe ao professor criar projetos que os ensinem os alunos a pesquisar, filtrando os conteúdos confiáveis, verificando as fontes das informações e respeitando os direitos autorais. Para isso, use uma metodologia de pesquisa orientada e que envolve uma série de atividades didáticas de aprendizagem, explorando a vasta gama de conteúdos disponíveis na web. NOTA WebQuest é um formato de aula orientada em que todos os recursos utilizados para resolver uma tarefa são provenientes da Web. A proposta desenvolvida por Bernie Dodge, em 1995, nos primórdios do uso escolar da Web, trouxe possibilidades para desenvolver o aprendizado de conteúdos de forma orientada, as WebQuest não são novidades no ambiente pedagógico, mas podem ser interessantes à medida que utilizam, de forma planejada e desafiadora, recursos da Web, inevitáveis em salas de aula do século XXI. Acesse: https://bit.ly/3ghh1U4. Utilize jogos para engajar os alunos Trazer o lúdico para a sala de aula ajuda a motivar o aluno no processo de ensino e aprendizagem. Os jogos digitais e as situações-problema neles incluídos possibilitam uma aprendizagem significativa e o desenvolvimento de diversas competências e habilidades. 3 VIRTUALIDADE É cada vez mais evidente a mudança que os processos virtuais trazem ao nosso cotidiano. Bastam alguns cliques e pronto: check-in feito, hotel reservado, felicitações enviadas, notícias verdadeiras (e falsas) postadas, compras feitas, novos amigos em rede, músicas, jogos, filmes entre outros. Nas palavras de um grande pensador, 166 Pela primeira vez dispomos de uma técnica que pode permitir de um modo verdadeiramente operacional e razoável uma gestão coletiva do coletivo, pois dispomos de um instrumento que permite ao indivíduo comunicar-se com o coletivo, que permite a grupos comunicarem-se entre si, possibilitando a comunicação transversal (LÉVY, 1999, p. 15). Aprender na sociedade contemporânea, representa uma prática complexa. O processo de aprendizagem encontra-se cada vez mais desenvolvido em modalidades virtuais, por meio de tecnologias digitais, redes sociais, simulações e elementos de gamificação. Os mundos virtuais e de jogos são utilizados para simular situações reais dinâmicas e podem representar uma ferramenta de inovação muito útil para o desenvolvimento do ensino, da aprendizagem e da educação, na produção do conhecimento por meio da potenciação e do cultivo das comunidades de prática. Assim, a aprendizagem pelo meio virtual na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação. Um exemplo seria de usar as metodologias ativas que despertam despertam o interesse pelas atividades. Para aplicar as metodologias ativas no ensino virtual, é necessária a utilização de Novas Tecnologias e recursos digitais, como materiais virtuais, videoaulas, realidade aumentada, portais com conteúdos escolares, aplicativos e multimídias em geral. As duas modalidades que utilizam métodos ativos e se aplicam bem ao ensino longe do ambiente escolar são: Sala de aula invertida É um modelo inovador que inverte o modelo tradicional, no qual o aluno tem o contato com o conteúdo em sala de aula e leva para casa o que aprendeu para realizar tarefas complementares. Ela trabalha bastante a autonomia do aluno, pois tem como proposta orientá-lo a buscar de maneira ativa um conhecimento prévio sobre o tema a ser estudado e depois levar à sala de aula o que apendeu, para compartilhar com os colegas e o professor. Ensino híbrido É a combinação entre ensino presencial e a distância, permitindo ao aluno aprender em sala de aula com a exposição dos conteúdos pelo professor e a interação com os colegas, e estudar sozinho em casa com o auxílio de materiais digitais ou físicos. As atividades a serem realizadas especificamente em casa com metodologias ativas podem ser elaboradas com base nesses dois modelos e com as técnicas que contemplem o método ativo, que são: 167 • Ludicidade: abordar o tema de estudo através de jogos ou brincadeiras. • Protagonismo: propor ao aluno buscar por si só o assunto, mas com a orientação do professor. • Debate: realizar discussões acerca da matéria, em casa com os pais ou virtualmente com os colegas. • Estudos de caso: interpretar um caso e aplicá-lo à realidade com base em diferentes ideias, podendo discuti-lo com os familiares. • Pesquisas de campo: buscar informações sobre um tema entrando em contato direto com o objeto de estudo. Por exemplo, realizar uma entrevista com a mãe, que trabalha em um hospital. • Estudos em grupo: construir conhecimento com a colaboração de outros alunos, através de comunicação virtual. • Projetos: elaborar um trabalho para solucionar uma demanda. • Tecnologia: utilizar ferramentas digitais para auxiliar na realização das tarefas. Para aplicar as metodologias ativas no ensino virtual, é necessário elaborar um plano de aula que inclua as técnicas apropriadas nas atividades propostas e uma definição específica para a modalidade a distância. 4 HISTÓRIA E NOVAS TECNOLOGIAS O uso dos computadores e demais tecnologias presentes no âmbito escolar deve acontecer de modo articulado com as concepções de aprendizagem, convertendo-se em ferramentas pedagógicas essenciais ao desenvolvimento do aprendizado do aluno. Reconhecendoque a sociedade tem se tornado cada vez mais tecnológica e por meio desta pesquisa procura-se ampliar as discussões e conceitos sobre a conscientização da utilização das TICs e as habilidades/competências para lidar com elas. As novas tecnologias de informação e comunicação, caracterizadas como midiáticas, são, portanto, mais do que simples suportes. Elas interferem em nosso modo de pensar, sentir, agir, de nos relacionarmos socialmente e adquirirmos conhecimentos. Criam uma nova cultura e um novo modelo de sociedade. A escola torna-se para muitos a possibilidade de conhecer, aprender e utilizar os recursos tecnológicos modernos. Os laboratórios de informática, as televisões, DVDs, rádios, aparelho multimídia e outros são exemplos das atuais tecnologias presentes na escola. Possibilitar o acesso dos alunos aos recursos tecnológicos é incluí-los no mundo digital e garantir que conheçam a magnitude do mundo das informações circundantes no espaço da internet. No que tange ao ensino de História, é importante que o professor dessa disciplina esteja atento às mudanças advindas dessa nova realidade tecnológica que permeia o espaço escolar, contribuindo para que o aluno desenvolva a capacidade de compreender criticamente os fatos históricos. Segundo Ferreira (1999, p. 135), o computador no ensino de História deve ser utilizado para: 168 • desenvolver habilidades como criatividade, coordenação motora, percepção visual e auditiva; • motivar a pesquisa; • pôr os alunos em contato com a realidade através do programa (software) escolhido; • organizar as informações; • classificar dados; • traçar croquis, esboços e desenhos (fazer mapas, plantas da realidade estudada e outros); • organizar a vida escolar; • produzir trabalhos escolares, através de softwares de planilhas, banco de dados e processadores de texto; • elaborar gráficos estatísticos; • fazer apresentações mais dinâmicas. O computador pode ser utilizado de maneira muito criativa pelos alunos e, nessa perspectiva, segundo Figueiredo (1997, p. 52): Ampliam-se os horizontes através de pesquisas em sites via internet, visitas a museus, consulta a arquivos históricos, propiciando momentos jamais alcançados anteriormente e transforma a disciplina de história dinâmica e criativa. Os alunos têm condições de entrar em contato com outras pessoas, trocar experiências, construir conceitos coletivamente, a partir do contato com diversos sujeitos. O trabalho do pesquisador/professor altera-se, pois as tarefas trabalhosas e demoradas antes da utilização dos computadores passam a ser mais fáceis e ágeis. Através da informática existem infinitas atividades a serem realizadas o que certamente, poderá possibilitar transformar a disciplina de história em matéria dinâmica e não repetitiva. DICA Instituições nacionais e internacionais liberaram suas galerias na internet durante a pandemia. Veja sugestões de trabalhar com essa ferramenta a distância. Acesse: https://bit.ly/32QtGdl. 169 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • As novas tecnologias na educação são uma importante ferramenta para dinamizar o processo de ensino-aprendizagem. Se aplicada de modo responsável e criativo, a tecnologia pode apresentar diferentes benefícios para os alunos e até mesmo para a equipe de educadores. • É importante analisar o projeto pedagógico da escola e conversar com a coordenação para verificar como a instituição introduz a tecnologia no processo educativo. Para encontrar instituições que compreendem a importância e as vantagens de ter um plano de ensino com abordagens diferenciadas. • A virtualidade permite uma troca entre seus usuários nunca antes vista. Se, antes da virtualidade, o trabalho, a criação artística e produções de todos os tipos eram vistas como algo individual, único e dotado de originalidade inerente, as redes transformaram esse processo sem pedir licença. A internet possibilita que as criações sejam feitas com a colaboração de várias pessoas diferentes em todo o mundo. • Aprender, na sociedade contemporânea, representa uma prática complexa. O processo de aprendizagem encontra-se cada vez mais desenvolvido em modalidades virtuais, por meio de tecnologias digitais, redes sociais, simulações e elementos de gamificação. Os mundos virtuais e de jogos são utilizados para simular situações reais dinâmicas e podem representar uma ferramenta de inovação muito útil para o desenvolvimento do ensino, da aprendizagem e da educação, na produção do conhecimento por meio da potenciação e do cultivo das comunidades de prática. • Muitas práticas foram implantadas no ensino de História, principalmente a liberdade de expressão dos alunos e a oportunidade de debates reflexivos. Associar tais mudanças às possibilidades das TICs é possibilitar que o aluno possa pesquisar novas fontes, valer-se de sons e imagens e integrar novos saberes aos textos dos livros didáticos que se valem de apenas alguns autores que os escrevem. Confrontar opiniões de diferentes autores sobre um fato histórico é enriquecedor para o processo de construção do conhecimento. • No que tange ao ensino de História, é importante que o professor desta disciplina esteja atento às mudanças advindas da nova realidade tecnológica que permeia o espaço escolar, contribuindo para que o aluno desenvolva a capacidade de compreender criticamente os fatos históricos, bem como os fatos que acontecem no mundo atual, tornando-o um cidadão capaz de, conscientemente, enfrentar as adversidades que o mundo moderno apresenta cotidianamente. Visando a essa preparação dos cidadãos, o ensino de História deve acontecer em sintonia com o tempo atual. 170 1 As novas tecnologias na educação são uma importante ferramenta para dinamizar o processo de ensino-aprendizagem. Se aplicada de modo responsável e criativo, a tecnologia pode apresentar diferentes benefícios para os alunos e até mesmo para a equipe de educadores. Assinale a alternativa CORRETA referente aos principais benefícios das novas tecnologias na educação. a) ( ) Torna as aulas mais repetitivas. b) ( ) Despertam a curiosidade e atenção dos alunos. c) ( ) Aumentar a produtividade e reprovação. d) ( ) Auxiliam os pais a dinamizar as aulas. 2 Aprender, na sociedade contemporânea, representa uma prática complexa. O processo de aprendizagem encontra-se cada vez mais desenvolvido em modalidades virtuais, por meio de tecnologias digitais, redes sociais, simulações e elementos de gamificação. Os mundos virtuais e de jogos são utilizados para simular situações reais dinâmicas e podem representar uma ferramenta de inovação muito útil para o desenvolvimento do ensino, da aprendizagem e da educação, na produção do conhecimento por meio da potenciação e do cultivo das comunidades de prática. Assinale a alternativa CORRETA referente à aprendizagem em contexto virtual. a) ( ) Para estudar longe do ambiente escolar, o aluno precisará de mais motivação e disciplina, as metodologias ativas despertam o interesse pelas atividades, por oferecerem recursos lúdicos e filosóficos. b) ( ) Para aplicar as metodologias ativas no ensino virtual é necessário a utilização de Novas Tecnologias e recursos digitais, como materiais virtuais, videoaulas, realidade aumentada, portais com conteúdos escolares, aplicativos teológicos em geral. c) ( ) A aprendizagem pelo meio virtual, no qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos. d) ( ) Encenação: abordar o tema de estudo através de jogos ou brincadeiras. AUTOATIVIDADE 171 3 A escola torna-se para muitos a possibilidade de conhecer, aprender e utilizar os recursos tecnológicos modernos. Os laboratórios de informática, as televisões, DVDs, rádios, aparelho multimídia e outros são exemplos das atuaistecnologias presentes na escola. Possibilitar o acesso dos alunos aos recursos tecnológicos é incluí-los no mundo digital e garantir que conheçam a magnitude do mundo das informações circundantes no espaço da internet. Por este prisma, pode-se afirmar que é inegável a presença das tecnologias no espaço escolar. Assinale a alternativa CORRETA referente ao ensino de história e as novas tecnologias. a) ( ) No que tange ao ensino de História, é importante que o professor desta disciplina esteja atento às mudanças advindas da nova realidade tecnológica que permeia o espaço escolar, contribuindo para que o aluno desenvolva a capacidade de compreender criticamente os fatos históricos, bem como os fatos que acontecem no mundo atual, tornando-o um cidadão capaz de, conscientemente, enfrentar as adversidades que o mundo moderno apresenta cotidianamente. b) ( ) Visando à preparação dos cidadãos, o ensino de História deve acontecer em sintonia com o tempo passado. c) ( ) O trabalho do pesquisador/professor altera-se, pois as tarefas trabalhosas e demoradas antes da utilização dos computadores passam a ser mais fáceis e ágeis. Através da informática existem infinitas atividades a serem realizadas o que certamente, poderá possibilitar transformar a disciplina de história em matéria prima e repetitiva. d) ( ) A inserção das Novas Tecnologias no ensino de História pode começar com a utilização do computador que vai, certamente, possibilitar aos alunos apropriarem-se de valores teológicos que os levem a compreender o passado e possibilitando uma análise crítica do presente. 4 O computador pode ser utilizado de maneira muito criativa pelos alunos e, nessa perspectiva, ampliam-se os horizontes através de pesquisas em sites via internet, visitas a museus, consulta a arquivos históricos, propiciando momentos jamais alcançados anteriormente o que transforma a disciplina de história em dinâmica e criativa. Disserte sobre o uso do computador na aula de história. 5 Ensino Híbrido é a combinação entre ensino presencial e a distância, permitindo ao aluno aprender em sala de aula com a exposição dos conteúdos pelo professor e a interação com os colegas e estudar sozinho em casa com o auxílio de materiais digitais ou físicos. Disserte sobre as técnicas que contemplem o método ativo. 172 173 TÓPICO 3 - O ENSINO DE HISTÓRIA NO SÉCULO XXI: MEIO AMBIENTE E CULTURA 1 INTRODUÇÃO UNIDADE 3 Caro acadêmico, no Tópico 3, você estudará que a História Ambiental procura repensar as interações entre os sistemas sociais e naturais, considerando as consequências dessas interações ao longo do tempo. No subtópico História Cultural em sala de aula, você aprenderá que a História Cultural é aquele campo do saber historiográfico atravessado pela noção de cultura e diversidade. No subtópico História da Religião em sala de aula, veremos como um conhecimento humano direcionado ao estudo dos conjuntos de práticas e de crenças, de ritos e de mitos das religiões produzidas pela humanidade, abordando o fenômeno religioso a partir de uma postura não denominacional, numa perspectiva histórica, antropológica, no tempo e no espaço. 2 HISTÓRIA AMBIENTAL EM SALA DE AULA A história como ciência que estuda o homem no tempo não poderia ficar desvencilhada da questão ambiental, então a partir dessa questão surge o ramo de pesquisa que se dedica a História e o meio ambiental. Sem dúvida, o que anteriormente era visto como natural (exploração dos recursos naturais e animais) passa, a partir de meados da década de 1970, a ser questionado. Os estudos através da História Ambiental nos apresentam o ambiente como agente ativo na história, visto que as pessoas organizam e reorganizam suas vidas relacionando-se com o meio natural. No século XX a historiografia desenvolveu uma atenção sistemática aos fatores ambientais e suas conexões com a história humana. A ideia de uma História Ambiental surgiu na década de 1970, com as conferências sobre a crise global e o crescimento dos movimentos ambientalistas entre cidadãos de vários países, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa. A História Ambiental procura repensar as interações entre os sistemas sociais e naturais, considerando as consequências dessas interações ao longo do tempo. Deste modo, extrapolando as fronteiras geopolíticas, a história se ocuparia em compreender a própria terra, notando os seus usos e significados para os seres humanos. 174 A valorização e a necessidade de manutenção de todas as formas de vida constituem uma das preocupações da vertente ambiental na História. A história ao se voltar para o tema [ambiental] de forma sistemática e minuciosa cumpre um importante papel. Poderá servir prioritariamente à vida e, mais que a sua mera conservação, poderá constituir-se em prol da afirmação da sua abundância. Na BNCC (BRASIL, 2018) o tema transversal Meio Ambiente deve ser abordado ao longo de todos os anos do Ensino Fundamental, em todas as áreas do conhecimento. No que se refere ao ensino de história, a ênfase é o trabalho do tema atrelado à compreensão histórica da realidade em que os alunos vivem para que seja oportunizada a conscientização e sensibilização da problemática ambiental e a formação de cidadãos de caráter planetário que têm uma consciência crítica e percebem-se como agentes transformadores. Alguns temas são importantes no contexto de preservação e sustentabilidade, os quais se apresentam e devem ser priorizados nos planos de aula de história na educação infantil e anos iniciais. Seriam eles: • A trajetória do desmatamento florestal no Brasil e a localidade que você vive. • Poluição ambiental na história humana local. • Importância da preservação do meio ambiente em seu bairro. • Biodiversidade e ecossistemas: importância e preservação. • Reflorestamento, vegetais e animais em extinção. • Aquecimento global, suas consequências e mudanças climáticas. • História local: sustentabilidade ambiental; uso racional da água; uso racional de recursos minerais Importância da arborização urbana. • História local: meio ambiente e cidadania. DICA Acesse o Plano de aula: Direitos ambientais e a sociedade. Disponível em: https://bit.ly/3L3Q4B8. 175 3 HISTÓRIA CULTURAL EM SALA DE AULA História cultural frequentemente combina as abordagens da antropologia e da história para olhar para as tradições da cultura popular e interpretações culturais da experiência histórica e humana. A história cultural ocupa-se com a pesquisa e representação de determinada cultura em dado período e lugar. São elementos da história cultural: as relações familiares, a língua, as tradições, a religião, a arte e algumas ciências. A importância de se trabalhar a História Cultural em sala de aula, passa pelo entendimento do que a cultura de um povo é formada por vários elementos, como crenças, ideias, mitos, valores, danças, festas populares, alimentação, modo de se vestir, entre outros fatores. É uma característica muito importante de uma comunidade, pois a cultura é transmitida de geração em geração e demonstra aspectos locais de uma população. O Brasil, por conter uma grande dimensão territorial e uma população numerosa e miscigenada, com grande quantidade de descendentes de europeus, africanos, asiáticos e índios, apresenta uma vasta diversidade cultural no seu povo. Esse é um tema de extrema importância e deve ser abordado em sala de aula, pois os alunos devem ter conhecimento da diversidade cultural do país e saberem a origem de festas folclóricas, culinária, crenças e todos os tipos de manifestações culturais, fortalecendo ainda mais o processo de valorização dos costumes locais, contrapondo a tentativa de unificação de uma cultura de massa imposta pelos meios de comunicação. Ao abordar a pluralidade cultural do Brasil, o professor deve promover no aluno o sentimento de valorização cultural do país, além do reconhecimento e respeito das diferentes culturas, mostrando que não existe uma melhor ou maisdesenvolvida que a outra. Ensinando aos alunos a respeitar essas diferenças, mas não somente para o aluno ser tolerante com outra cultura, ele precisa entender que todos têm os mesmos direitos e que são iguais, cada grupo tem sua cultura, e isso não significa que a cultura de um grupo é melhor do que a de outro. Na BNCC temos como competências gerais relacionadas à diversidade cultural: “Desenvolver o senso estético para reconhecer, valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também para participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural” (BRASIL, 2018, p. 65). Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao seu projeto de vida pessoal, profissional e social, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade (BRASIL, 2018, p. 9). 176 A diversidade cultural se faz presente na sociedade, sendo que cada grupo, cada povo, tem suas peculiaridades, e expressam das formas mais variadas os seus valores culturais. Esses grupos, em diferentes épocas e lugares, se comportam de maneiras distintas e compartilham de uma mesma cultura, atribuindo significados diferentes a objetos e atitudes (BRASIL, 2018). No Brasil temos uma riqueza cultural extraordinária, estando longe de ser o lugar da homogeneidade cultural; por exemplo, todos falam a mesma língua, porém, com sotaques diferentes, dependendo da cidade em que se vive. Isso marca o encontro de diferentes grupos, que veem a vida de maneira diferente, a partir de suas particularidades, mas que podem perfeitamente conviver em harmonia. Nesse contexto, nos encontramos frente a uma revolução cultural, os meios de circulação e produção se ampliam cada vez com o avanço significativo da tecnologia e da Internet. Nossa sociedade está historicamente organizada sobre a desigualdade, os bens, o direito, e o poder estão distribuídos de forma desigual, entre os diferentes grupos sociais. Segundo a linha de raciocínio do multiculturalismo, para que a igualdade possa ser um adjetivo da sociedade, se faz necessária a redistribuição e o reconhecimento dos grupos mais afetados, como por exemplo, as mulheres, os negros, os deficientes etc. Diante dessa realidade, a escola pode ajudar auxiliar no ensinamento de que devemos respeitar os diferentes. DICA Acesse o Plano de aula: Diversidade cultural brasileira e patrimônio. Disponível em: https://bit.ly/3rjs4lT. Diante da magnitude da diversidade cultural existente dentro da sala de aula, o professor deve ter claros os objetivos para conseguir que os alunos interajam entre eles, para que ocorra uma troca, tanto dos alunos entre si, quanto do professor com eles. Dessa forma, se faz necessário que o professor leve em consideração os conhecimentos prévios dos alunos, entretanto filtrando quais desses conhecimentos são pertinentes para serem utilizados em sala de aula. 177 INTERESSANTE Caro acadêmico, leia e fique por dentro da lei que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. Lei nº 11.645, de 10 março de 2008 Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º O art. 26-A da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena. § 1º O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil. §2º Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras” (NR). Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. FONTE: . Acesso em: 1 fev. 2022. É no ambiente escolar que as crianças podem se dar conta da existência da diferença e que não precisamos temer ou ser indiferente às mesmas, pois é na escola que podemos construir e contribuir para que o nosso país seja um mais respeitoso e disseminador de sua cultura. Logo, um dos principais propósitos da escola deve ser proporcionar uma educação pautada no reconhecimento das diferenças e na construção da igualdade, com objetivo de formar indivíduos atuantes na sociedade para que esta seja justa e democrática para todos. 178 ATENÇÃO Temas a partir de questões de gênero, religião, raça/etnia, orientação sexual e interculturalidade precisam ser trabalhados em sala de aula de forma ética e comprometida com a igualdade de oportunidades. 4 HISTÓRIA DA RELIGIÃO EM SALA DE AULA Estuda-se história para poder pensar o outro. Para entender a dialética da mudança e da permanência. Ver que a vida não é retilínea e que o futuro pode ser diferente do presente. Mais do que entender o passado, estudar a história é trabalhar a diferença, a tolerância. A complexidade do conhecimento religioso está cada vez mais plural e estudar as religiões é aprender a ser empático com os outros. Mesmo quem seja indiferente à religião estará envolto com colegas de trabalho, família, amigos, clientes e outras pessoas que se comportam, expressam ou se orientam por elementos religiosos. Quando falamos em uma sociedade mais justa e igualitária, quando falamos em democracia, não temos como ignorar o livre exercício de crença de cada cidadão. A intolerância religiosa não é algo que atinge apenas uma religião, isso é fato. o que acontece é que aqui no brasil. A diversidade religiosa representa a grande quantidade e variedade de religiões no mundo e se manifesta nas diferentes crenças, cultos e rituais ao redor do mundo, professados por pessoas que vivem em diversos lugares e culturas. É possível encontrar diversidade religiosa no cotidiano, quando numa mesma região há lugares para cultos e rituais de diferentes religiões, por exemplo. O estudo das Religiões na infância traz benefícios como: valores essenciais para a sociedade, como a bondade, o respeito, a coletividade e tantos outros, ética, cultura e amor ao próximo são alguns dos aprendizados que auxiliarão a criança a compreender seu papel na sociedade como ser humano e cidadão DICA Acesse o plano de aula: Templos religiosos e culturas. Disponível em: https://bit.ly/3s6HskN. 179 A CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS NO DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO INFANTIL Ana Lúcia Sanches Cardoso Moacir Alves de Faria A contação de histórias é um instrumento muito importante no estímulo à leitura, ao desenvolvimento da linguagem, é um passaporte para a escrita, desperta o senso crítico e principalmente faz a criança sonhar. E os contadores de histórias são os mediadores desse processo, tendo uma tarefa muito importante que é de envolver a criança na história, dando vida aos sonhos, o despertar das emoções, transportando para o mundo da fantasia. Ler histórias para crianças,educativas do cotidiano, aos saberes que construiu e os que causarão interferência nos julgamentos emitidos aos estudantes e/ou à comunidade escolar. Nóvoa (2009) define aspectos para o “bom professor” construídos dentro da profissão, na combinação entre os elementos científicos, pedagógicos e técnicos, com o auxílio dos professores mais experientes e reconhecidos. O autor considera aspectos referentes a (NÓVOA, 2009): • conhecimento: conhecer bem o que se ensina; • cultura profissional: compreender os sentidos da instituição escolar; • tacto pedagógico: capacidade de relacionamento e comunicação com o outro; • trabalho em equipe: a profissão na dimensão coletiva e colaborativa, no trabalho em equipe, na intervenção conjunta nos projetos educativos na escola; • compromisso social: nos princípios, valores na inclusão, diversidade cultural que muitas vezes limitam o estudante a condição de nascimento, família ou sociedade. A formação docente é algo que não se encerra ao término do ensino superior, mas que prossegue no exercício da função, em meio às experiências vivenciadas no ambiente escolar. Desta forma, o professor que atuará no ensino de História nos anos iniciais do Ensino Fundamental, desenvolverá uma função baseada nas premissas que sistematizou ao longo de sua formação inicial, prosseguindo nas práticas educativas que desenvolverá no cotidiano. 9 3 MÉTODOS DE ENSINO DE HISTÓRIA O contexto histórico do ensino de História constitui-se no objeto de estudo de pesquisadores brasileiros, desde a década de 1980, quando iniciaram os debates sobre a reforma curricular que substituiu os Estudos Sociais pela História e Geografia. Assim, a História escolar apresenta um “[...] caráter ideológico da disciplina e a forma pela qual o poder institucional manipula ou tem o poder de manipular o ensino, submetendo-o aos interesses de determinados setores da sociedade” (BITTENCOURT, 2018, posição 652). Dessa forma, somando a esse contexto, outros assuntos preocupam-se em analisar as contradições manifestadas entre a História que se apresenta nos currículos oficiais e livros. Por outro lado, existe a História ensinada e vivida por professores e alunos, que buscam problematizar epistemologicamente a inserção da disciplina na cultura escolar. “O contexto da produção da História escolar é significativo para identificar as relações entre os diversos elementos constituintes da disciplina, ou seja, entre objetivos, conteúdos explícitos e métodos” (BITTENCOURT, 2018, posição 661). A análise da disciplina ao longo de sua existência fornece pressupostos para a compreensão da permanência de determinados conteúdos, assinalados como tradicionais que incluem o método da memorização. 3.1 O ENSINO DA HISTÓRIA NA ANTIGA ESCOLA PRIMÁRIA Nas escolas primárias brasileiras, o ensino de História esteve presente, sendo que sua importância variou no período do século XIX até o atual. Isso porque, no início, havia a escassez dos estudos devido à importância na alfabetização das crianças. Entretanto, à medida que se organizaram e ampliaram os níveis de escolarização, a partir da década de 1970, a disciplina de História passou a veicular uma “história nacional”, enquanto instrumento pedagógico para a formação da “identidade nacional” (BITTENCOURT, 2018). A escola elementar, escola primária ou primeiras letras, após o Brasil se tornar um Estado independente e monárquico, passou a priorizar o ensino a “ler, escrever e contar”. Assim, os professores deveriam, segundo as premissas dos planos de estudos em 1827, utilizar para o ensino da leitura a “Constituição do Império e História do Brasil”. “O ensino de história associava-se a lições de leitura, para que se aprendesse a ler utilizando temas que incitassem a imaginação dos meninos e fortificassem o senso moral por meio de deveres para com a Pátria e seus governantes” (BITTENCOURT 2018, posição 679). A proposta do ensino de História, no início da organização dos sistemas escolares, abrangia uma formação moral e cívica, que se acentuou no decorrer dos séculos XIX e XX. Dessa forma, os conteúdos foram elaborados, fundamentados na concepção de 10 nação associada à pátria. Os programas eram diferentes para as províncias do Império, que prosseguiram após o regime republicano. Como, por exemplo, o nível de ensino da escola primária sofreu variações de três a cinco anos, divididos em graus, que alternavam o aprofundamento de determinados conteúdos. Segundo Bittencourt (2018), os estudos de História ocorriam na última etapa do ensino, na escola primária complementar, visto que sua criação contemplou somente alguns centros urbanos mais desenvolvidos. As autoridades educacionais acabam por exigir dos professores apenas uma parte obrigatória composta de leitura e escrita, noções de Gramática, princípios de Aritmética, especialmente o sistema métrico, pesos e medidas e o ensino da doutrina religiosa O ensino da História Sagrada fazia parte da doutrina religiosa e era mais difundido do que o da História profana ou laica, permanecendo nos planos de estudos de muitas escolas públicas, mesmo após o advento da República e a separação entre Igreja Católica e Estado (BITTENCOURT, 2018, posição 687). As premissas da moral e cívica se amalgamam a uma moral religiosa, que predominava nos textos escolares, com a apresentação de histórias sobre a vida dos santos, personagens que idealizavam exemplos de caráter, moral e fé, apontados como heróis pelo martírio. Os estudos relacionados à História da pátria eram optativos, embora, presentes nas instruções que os inspetores passavam aos professores, seguindo os princípios dos ensinamentos da História Sagrada. No final da década de 1880, a abolição do sistema escravagista e o aumento da população devido ao processo de imigração e urbanização, os debates políticos sobre a concepção de cidadania foram ampliados. Assim, surgiram os debates sobre os direitos sociais e civis para um número maior de pessoas. A escola passou a ser contemplada, porque precisava aumentar o número de alfabetizados, como uma condição para a aquisição da cidadania política (BITTENCOURT, 2018). O regime político republicano e o direito ao voto para os alfabetizados influenciaram as políticas educacionais a proporcionarem a escolarização para a sociedade, ampliando seu ingresso. Dessa forma, criaram novos programas curriculares que buscavam edificar uma identidade nacional, pela homogeneização da cultura escolar, contando a história de um passo único na constituição da Nação. O ensino da História, desde o primeiro ano escolar, para os trabalhadores livres que emergiram da substituição dos escravos, deveriam apresentar valores para a preservação da ordem e da obediência à hierarquia. Somente assim, a Nação conseguiria chegar ao progresso com a modernização, seguindo os modelos dos países europeus (BITTENCOURT, 2018). 11 Os livros escolares elaborados no início do século XX destacavam o patriotismo como o seu objetivo organizacional central dos conteúdos escolares de História. O projeto de ensino de homogeneização da cultura histórica gerou a oposição de alguns educadores e historiadores que não aceitaram uma história voltada aos interesses da elite branca, voltada para a Europa em detrimento da mestiçagem que vivia passivamente os acontecimentos. Assim, houve iniciativas de apresentar a história americana e um contexto que identificasse os traços de mestiçagem, na construção histórica da sociedade brasileira (BITTENCOURT, 2018). Segundo Bittencourt (2018), alguns seguidores dos princípios anarquistas criaram as escolas de “educação popular” para as classes trabalhadoras, baseados na pedagogia do espanhol Francisco Ferre y Guardia. O ensino era contrário à exacerbação do patriotismo e o culto à pátria, que incentivavam o militarismo e as guerras. Os anarquistas defendiam uma concepção pacífica, opositora à Primeira Guerra Mundial, que desde 1914, levou à morte milhares desempre, sempre... É poder sorrir, rir, gargalhar com as situações vividas pelos personagens, com a ideia do conto ou com jeito de escrever do autor e, então, poder ser um pouco cúmplice desse momento de humor, de brincadeira, de divertimento... É através da história que se pode descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, outra ética, outra ótica... É aprender História, Geografia, Filosofia, Política, Sociologia, sem precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem cara de aula... Porque se tiver, deixa de ser literatura, deixa de ser prazer e passa a ser Didática, que é outro departamento (não tão preocupado em abrir as portas da compreensão do mundo) (ABRAMOVICH, 1997, p. 17) (adaptado). Antes mesmo do surgimento da escrita, todo o conhecimento era transmitido através da fala. Com isso, podemos afirmar que os contadores nasceram com a humanidade, pois lhes cabia discutir fatos, encadear acontecimentos, perpetuar crenças, manter uma tradição além de repassar o conhecimento. A Literatura infantil, em destaque os contos de fadas, passou a influenciar a formação das pessoas, dividindo as personagens em belas e feias, boas e más, poderosos e sem poder, ajudando na compreensão dos valores e crenças sociais sustentando os princípios morais e éticos da sociedade em que vivemos. As narrativas mostram o mundo, a vida em sociedade através da simbologia. Segundo Bettelheim (2009, p. 67), “o conto de fadas procede de um modo conforme [...] a criança pensa e experimenta o mundo”. Nóbrega (2009, p. 20) demonstra que os contos partem de uma organização simples e dinâmica, “mantém uma estrutura fixa, partem de um problema vinculado à realidade que desequilibra a tranquilidade inicial, buscam soluções no plano da fantasia e necessitam de elementos mágicos para, enfim, trazer de volta a realidade”, possibilitando à criança interação com um mundo bem próximo de LEITURA COMPLEMENTAR 180 seu modo de percepção do mundo. Contar histórias é uma atividade lúdica, pois amplia os horizontes e as possibilidades de uma criança, e a interação que se estabelece cria um vínculo precioso entre narrador e ouvinte. Através das histórias, podemos construir o aprendizado, além de ajudar os pequeninos a resolver conflitos no seu cotidiano. 2 A INFLUÊNCIA DA CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS NO DESENVOLVIMENTO E NA APRENDIZAGEM DA EDUCAÇÃO INFANTIL Atualmente, a preocupação da educação com a formação de um indivíduo crítico, responsável e atuante na sociedade inicia-se no ensino infantil onde os primeiros hábitos começam a surgir e as crianças interagem socialmente para o desenvolvimento de sua aprendizagem. A oralidade está presente em todo momento, melhorando a comunicação e expressão dos pequenos, o que ajuda no convívio social. Nos primeiros anos, as escolas são um lugar no qual as crianças interagem socialmente, recebem influências para sua formação. A partir o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil “a criança como todo ser humano, é um sujeito social e histórico e faz parte de uma organização familiar que está inserida em uma sociedade, com uma determinada cultura, em um determinado momento histórico” (BRASIL, 1998, p. 21-22). Por isso, contar histórias nos anos iniciais da educação infantil proporciona à criança despertar a criatividade e ir além de seu tempo e espaço, podendo se imaginar em outros mundos e situações diversas. Nas palavras de Betty Coelho (1999, p. 26), “a criança que ouve histórias com frequência educa sua atenção, desenvolve a linguagem oral e escrita, amplia seu vocabulário e principalmente aprende a procurar nos livros novas histórias para o seu entretenimento”. A professora Fanny Abramovich (1997, p. 16), também salienta essa importância para a formação do ser humano, onde ouvir histórias ajuda na formação de um bom leitor, na descoberta e compreensão do mundo. Sendo uma atividade lúdica e pedagógica, a contação de história é uma ferramenta de trabalho para o professor em sala de aula que, segundo a autora (1991), podemos descobrir outros lugares, tempos, jeitos de agir e de ser, outra ética, ótica... e, assim, conhecemos diversas disciplinas, sem nem precisar conhecer o nome ou para que servem cada uma delas. Assim, o livro passa a ser um objeto de informação e o professor é o mediador entre ele e seu aluno, estimulando a imaginação e o desenvolvimento da capacidade cognitiva, pois a história permanece nas ideias da criança, que a incorpora como um alimento de sua imaginação criadora (COELHO (1999). O professor deve trabalhar a oralidade, a espontaneidade, a socialização e a coordenação motora da criança, valorizando os benefícios que esse trabalho pode proporcionar sendo um aliado no desenvolvimento da fala, da leitura e da escrita. Desde muito cedo a criança faz a leitura de mundo, não aquela convencional aprendida na escola, mas a que utiliza seus sentidos, seu toque, seu olhar, o ouvir, ou seja, é desde muito cedo que a leitura está presente em sua vida, sendo letrada mesmo antes de se apropriar da leitura da escrita. Freire (2005), diz que, “a leitura de mundo antecede à da palavra, ou seja, o ser humano é capaz de fazer interpretações das situações cotidianas antes mesmo de saber ler”. 181 Dessa forma, os contos de fadas provocam vários sentimentos como medo, alegria, tristeza e angústia, o que nos leva a refletir, num processo desafiador e motivador favorecendo a formação da personalidade da criança. São as histórias que desenvolvem o gosto pela leitura, provocando prazer, amor à beleza, a observação, as experiências, o lado artístico e fazem a ponte entre fantasia e realidade. Nesse momento as crianças são capazes de dar sequência lógica aos fatos, a ordem das coisas e acontecimentos, ampliar seu vocabulário e criar o gosto pela literatura. Segundo Bomtempo (2003, p. 33), “a leitura feita pelo professor em voz alta, em situações que permitem a atenção e a escuta das crianças, fornece-lhes um repertório rico em expressões e vocabulário facilitando a interação da criança com a linguagem escrita”. Cada criança é única, passa por estágios psicológicos que durante seu desenvolvimento precisam ser observados e respeitados. Essas etapas dependem da idade, do nível de conhecimento, domínio do mecanismo de leitura e do nível de amadurecimento psíquico, afetivo e intelectual. Tudo isso deve ser levado em conta no momento da escolha da história a ser contada, mas podemos perceber que o contato com os livros desde cedo, vai aumentando gradualmente o prazer e o gosto pela leitura. A escolha de textos bem selecionados, a teatralidade e a caracterização são condições importantes e favorecem o momento da contação. Os professores devem manter essa magia, pois em um mundo tão globalizado e informatizado, o espaço para os livros vai ficando escasso. Segundo Villardi (1997, p. 110), “A literatura é feita pra encantar, é feita com prazer para proporcionar prazer, o que vem depois é consequência desse prazer”. Ele nos mostra que o homem sensível e crítico pode ser mais feliz. Entender as histórias e sua importância na vida das pessoas é o que a psicologia dos contos de fadas vem nos mostrar. As personagens se tornam mais próximas e os sentimentos são personificados como a inveja através da bruxa e a desobediência que pode nos trazer graves consequências. Devemos estar cientes de que as histórias alimentam a imaginação, permitem a autoidentificação, ajudam a resolver os conflitos internos e a aceitação de diversas situações na vida das pessoas. O poder da escolha certa transforma a história. O contador deve acreditar e se envolver, vibrando com a ela; deve criar interesse e agir com naturalidade para não haver dispersão dos seus ouvintes. São muitas as estratégias e recursos para o momento e preparo da contação de histórias como veremos a seguir. Entretanto se não houver prazer e entusiasmo por parte do professor, o aluno não terá curiosidade nem vontade de continuarpessoas. Esse grupo questionava o sentido da “civilização” que os europeus procuravam impor ao restante do mundo. 3.2 O ENSINO COM BASE NA MEMORIZAÇÃO Na década de 1930, ocorreu a consolidação da memória histórica nacional e patriótica nas escolas primárias. Para Bittencourt (2018, posição 737) “[...] com a criação do Ministério da Educação, o sistema escolar foi organizando-se de maneira mais centralizada e os conteúdos escolares passaram a obedecer a normas mais rígidas e gerais”. Dessa forma, o ensino de História se caracterizou com o culto aos heróis da Pátria e a obrigatoriedade de a História do Brasil ser integrada nos exames de admissão aos cursos ginasiais, para os alunos que prosseguiriam com os estudos secundários. Nesse período, a memorização era o principal meio no processo de aprendizagem, sendo a capacidade exigida dos alunos para terem sucesso escolar. Essa situação originava uma série de atividades para que o exercício da memória fosse desenvolvido, baseado nos métodos mnemônicos. Um dos métodos mnemônicos difundidos no ensino de História foi proposto pelo historiador francês Ernest Lavisse, sendo que sua obra didática serviu de modelo para a elaboração da produção pedagógica nacional. O estudioso, segundo Bittencourt (2018) “[...] pretendia desenvolver a inteligência da criança por intermédio da capacidade de memorização, sendo esta construída ao se estabelecer a relação entre a palavra escrita e as imagens”. Por isso, os livros didáticos da escola primária francesa no final do século XIX continham uma série de imagens acompanhadas de exercícios e atividades, com a finalidade de reforçar a memorização histórica. 12 Entretanto, na prática prevaleceu a preocupação com a “decoreba” de nomes e datas dos grandes heróis e dos principais acontecimentos da história nacional. Os métodos de ensino baseados na memorização correspondiam ao entendimento de que o “saber história” significava em dominar muitas informações, ou seja, no saber memorizado da maior quantidade possível de acontecimentos da história nacional. Houve críticas em relação ao método da memorização, inclusive surgiram literaturas pedagógicas que sugeriram a necessidade de novos métodos de ensino, como Montessori, que propôs os “métodos ativos”, com a participação e o envolvimento dos alunos na aprendizagem. Em 1917, o professor Jonathas Serrano, da escola normal do Rio de Janeiro, propôs uma mudança no método do ensino de História para os alunos com sete anos, além de propor o ensino da história bibliográfica com o uso de outros materiais, como mapas e gravuras. Nas escolas anarquistas, era proposto métodos diferenciados de ensino, como as saídas e excursões com os alunos, como meios de aprendizagem (BITTENCOURT, 2018). 3.3 O ENSINO DOS ESTUDOS SOCIAIS Para Bittencourt (2018, posição 798), “A partir da década de 1930 começaram a surgir as propostas de Estudos Socais em substituição à História, à Geografia e ao Civismo para as escolas primárias”. O princípio do ensino dos Estudos Sociais, inspirado nas escolas norte-americanas, objetivava a integração do indivíduo na sociedade, sendo que os conteúdos auxiliariam na inserção do aluno na sua comunidade. Os programas de Estudos Sociais fundamentaram-se no estudo da psicologia cognitiva, que iniciou na década de 1930 e se sofisticou na década de 1950, com os estudos pedagógicos. Nesse sentido, o ensino dos Estudos Sociais era apresentado para as crianças de forma progressiva, com a introdução de temas da sociedade, segundo a faixa etária. Os estudos iniciavam com base na realidade próxima das crianças, tanto no tempo como no espaço, sendo que o passado mais próximo era o familiar, local e o escolar. A partir dos oito anos, a criança apresentava condições psicológicas e motivações para ampliar a percepção de outros tempos mais distantes, por meio de aventuras e narrações mais realistas (BITTENCOURT, 2018). Os Estudos Sociais foram adotados nas escolas denominadas de “experimentais” ou “vocacionais”, no decorrer da década de 1960. Após a reforma educacional da fase da ditadura militar, pela Lei nº 5.692, de agosto de 1971, foi introduzida em todo o sistema de ensino, que passou a ser chamado de primeiro grau, que incluiu as demais séries do antigo ginásio. Houve certa dificuldade de estabelecerem os conteúdos históricos dos 13 Estudos Sociais, referente ao que a área pretendia desempenhar. De modo geral, para as séries iniciais, se ocupou da formação de valores morais. Os métodos constituíram um fator de importância para o bom resultado dos Estudos Sociais, principalmente porque os conteúdos históricos, geográficos e sociológicos foram retirados, assim como os conceitos provenientes das ciências de referência (BITTENCOURT, 2018). Os métodos ativos, que apontam a criança no centro de interesse no processo de ensino e aprendizagem, fundamentaram-se em Herbart e Dewey. A psicologia cognitiva apresentou a inteligência infantil em sua fase concreta, em que as crianças aprenderiam os assuntos de Estudos Sociais, por meio da observação e descrição de situações de trabalho, organização das ruas e praças, transportes e outros. Dessa forma, passaram a serem incentivadas as visitas aos locais de interesse histórico e de excursões (BITTENCOURT, 2018). A partir do método ativo, surgiu uma proposta de seleção de conteúdos denominada de “círculos egocêntricos”. Os conteúdos eram organizados por estudos espaciais, dos mais próximos aos distantes, visto que houve a redução dos estudos históricos, considerados como apêndices da geografia local e de uma educação cívica, com informações sobre a administração institucionalizada, símbolos pátrios e os deveres dos cidadãos. As datas cívicas e as comemorações dos feitos dos heróis e dos acontecimentos nacionais eram os únicos conteúdos históricos. 14 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • Para os estudiosos franceses e ingleses, as disciplinas escolares advêm das ciências eruditas de referência, que são dependentes da produção das universidades e instituições acadêmicas, que veiculam o conhecimento produzido por cientistas. • A concepção e disciplina escolar como transposição didática permeia uma hierarquia de conhecimentos, em que o saber científico legitima as disciplinas escolares. • Segundo Bittencourt (2018), o estudioso Chervel afirma que a disciplina escolar deve ser estudada historicamente, contextualizando os trabalhos desenvolvidos na escola segundo seus momentos históricos. • As disciplinas escolares se constituíram efetivamente com essa denominação a partir do ano de 1910, como um resultado de disputas entre os conhecimentos que deveriam compor o currículo escolar. • A partir do século XIX, o ensino da História nas escolas e universidades sofreu constantes aproximações e separações entre a história escolar e a dos historiadores. • A atuação do professor requer certos saberes necessários para o exercício da profissão, desenvolvidos na sua formação inicial e continuada. • O contexto histórico do ensino de História constitui no objeto de estudo de pesquisadores brasileiros, desde a década de 1980, quando iniciaram os debates sobre a reforma curricular que substituiu os Estudos Sociais pela História e Geografia. • Nas escolas primárias brasileiras, o ensino de História esteve presente, sendo que sua importância variou no período do século XIX até o atual. Isso porque, no início, havia a escassez dos estudos devido à importância na alfabetização das crianças. • A proposta do ensino de História, no início da organização dos sistemas escolares, abrangia uma formação moral e cívica, que se acentuou no decorrer dos séculos XIX e XX. • Um dos métodos mnemônicos difundidos no ensino de História foi proposto pelo historiador francês Ernest Lavisse, sendo que sua obra didática serviu de modelo para a elaboração da produção pedagógica nacional. • O princípio do ensino dos Estudos Sociais, inspirado nas escolas norte-americanas,objetivava a integração do indivíduo na sociedade, sendo que os conteúdos auxiliariam na inserção do aluno na sua comunidade. RESUMO DO TÓPICO 1 15 1 O pesquisador francês Yves Chevallard designou como “transposição didática”, que consiste na organização escolar da “noosfera”, ou seja, no conjunto de agentes sociais externos à sala de aula, que garantem o acesso aos saberes provenientes das ciências pela academia. Sobre as características da transposição didática, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Atribui um excessivo valor aos saberes escolares das séries iniciais do Ensino Fundamental, devido à formação dos docentes. b) ( ) A concepção de disciplina escolar como transposição didática permeia uma hierarquia de conhecimentos, em que o saber científico legitima as disciplinas escolares. c) ( ) Os adeptos da concepção de transposição didática, acreditam que os conteúdos se amálgama aos métodos de ensino e aprendizagem. d) ( ) Os estudiosos afirmam que ocorre por meio de uma congruência de outros conhecimentos, com diferenças entre o conhecimento científico e o escolar. 2 O professor recorre aos saberes que construiu para buscar soluções e respostas aos questionamentos do cotidiano escolar. As situações que ocorrem em sala de aula suscitam da ação docente posicionamentos que condizem na relação que o profissional estabelece entre as situações educativas do cotidiano e aos saberes que construiu ao longo de seu percurso formativo. Com base nas definições para a formação do “bom professor” na perspectiva de Nóvoa (2009), analise as sentenças a seguir: I- A cultura profissional incide em compreender os sentidos da instituição escolar. II- O tacto pedagógico que consiste na capacidade de relacionamento e comunicação com o outro. III- O compromisso social que aponta sobre conhecer bem o que se ensina. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. AUTOATIVIDADE 16 3 Nas escolas primárias brasileiras, o ensino de História esteve presente, sendo que sua importância variou no período do século XIX até o atual. Isso porque, no início, havia a escassez dos estudos devido à importância na alfabetização das crianças. De acordo com as características do ensino de História na escola primária, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) A proposta do ensino de História, no início da organização dos sistemas escolares, abrangia uma formação moral e cívica, que se acentuou no decorrer dos séculos XIX e XX. ( ) Os conteúdos foram elaborados, fundamentados na concepção de nação associada a pátria. ( ) Os programas eram iguais para as províncias do Império, que prosseguiram após o regime republicano. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – V. b) ( ) F – V – F. c) ( ) V – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 Na década de 1930, ocorreu a consolidação da memória histórica nacional e patriótica nas escolas primárias. Nesse período, a memorização era o principal meio no processo de aprendizagem, sendo a capacidade exigida dos alunos para terem sucesso escolar. Disserte sobre os métodos mnemônicos difundidos no ensino de História, proposto pelo historiador francês Ernest Lavisse. 5 O princípio do ensino dos Estudos Sociais, inspirado nas escolas norte-americanas, objetivava a integração do indivíduo na sociedade, sendo que os conteúdos auxiliariam na inserção do aluno na sua comunidade. Neste contexto, disserte sobre como foi apresentado o ensino dos Estudos Sociais para as crianças. 17 O ENSINO DA HISTÓRIA A PARTIR DAS PROPOSTAS EDUCACIONAIS 1 INTRODUÇÃO UNIDADE 1 TÓPICO 2 - Acadêmico, para o exercício da função docente no processo de ensino e aprendizagem de História, há necessidade de se conhecer alguns documentos que norteiam os pressupostos que embasam os fazeres na escola. Dessa forma, no Tópico 2, abordaremos as propostas curriculares para o ensino de história, como a partir da década de 1990, as alterações foram introduzidas nos espaços escolares. Entendermos os motivos que respondem ao questionamento: por que ensinar História? Com argumentos baseados nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), estruturados em eixos temáticos, que se relacionam com os temas transversais. Outro ponto de destaque será o estudo referente às problemáticas em relação às diversidades sociais e culturais da sociedade, que o ensino de História deverá abranger. Por fim, apresentaremos os pressupostos que organizaram e estruturam a BNCC, incluindo as dez competências que buscam a formação integral do indivíduo por meio de uma educação integral. Destacamos, inclusive, os aspectos apresentados no componente curricular de História para o Ensino Fundamental, com as premissas de trabalho voltadas aos anos iniciais. 2 AS PROPOSTAS CURRICULARES PARA O ENSINO DE HISTÓRIA No decorrer dos anos de 1990, surgiram várias propostas curriculares de História para o Ensino Fundamental e Médio, organizadas pelos Estados e municípios. Os PCN foram elaborados a partir de 1996 pelo Ministério da Educação. Nas primeiras décadas do século XXI, algumas mudanças curriculares foram introduzidas, em âmbito nacional, que proporcionou significativos impactos no ensino da História escolar, com destaque para a BNCC. 18 2.1 PROPOSTAS CURRICULARES DE HISTÓRIA De acordo com Bittencourt (2018), a História, em geral, nas propostas curriculares dos anos que seguiram a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, se encontra presente em todos os níveis de ensino, assim como a Geografia. Ambas constituem uma das bases, consideradas como essenciais do conhecimento das ciências humanas, inserido a partir das séries iniciais ao término do ensino básico, com o Ensino Médio. Assim, as propostas elaboradas após o ano de 1996, com o destaque para a inserção da História e Geografia, a partir dos anos iniciais, substituindo o ensino dos Estudos Sociais. Essa situação impôs uma preocupação em relação à introdução de noções e conceitos históricos, que serão progressivamente desenvolvidos ao longo do Ensino Fundamental e Médio. Os conceitos fundamentais asseguram o ensino da cultura, organização social e trabalho, bem como as noções de tempo e espaço históricos (BITTENCOURT, 2018). A noção de tempo histórico é apresentada por meio da noção do antes e depois, do conceito de geração e do conceito de duração. Dessa forma, as propostas curriculares visam desenvolver nos alunos, de maneira gradual, uma noção de tempo histórico que não seja entendido apenas coo o tempo cronológico (BITTENCOURT, 2018, posição 1439). Assim, há propostas que buscam a alteração e organização dos círculos concêntricos concebidos na Lei nº 5.692/1971, introduzindo a concepção de história local, ou de “história do lugar”, ao estabelecer articulações entre o mais próximo e a história nacional, regional ou mundial. Os estudos de História propõem introduzir o conteúdo a ser estudado a partir de um problema situado no tempo presente, para que o aluno busque nos tempos passados as respostas para as indagações atuais. “A problematização do estudo histórico inicia-se sempre pelo local que se torna objeto de análise constante, e não mais em apenas objeto de estudo em uma das séries, dependendo do tema a ser estudado”, apresenta Bittencourt (2018, posição 1449). O estudo do local pressupõe o estudo da história do cotidiano com o uso de seus métodos, objetivando inserir as ações das pessoas comuns na constituição histórica, e não mais, exclusivamente os feitos dos políticos e das elites (BITTENCOURT, 2018). A maior parte das propostas organizadas no decorrer da década de 1990 são fundamentadas em uma história social ou sociocultural, baseada na relação com os conceitos direcionados à cultura, trabalho e poder. Dessa forma, o conceitode cultura busca substituir o de civilização, que sustentou uma visão eurocêntrica, defendida anteriormente. Os métodos de ensino são considerados como elementos de uma concepção histórica que se associa a de aprendizagem, o que implica na transcendência do uso exclusivo dos livros didáticos, para a inserção de outras linguagens, como os jornais, imagens, música, entre outros (BITTENCOURT, 2018). 19 2.2 OBJETIVOS E TEMAS DA HISTÓRIA ESCOLAR As propostas curriculares preocupam-se em responder ao seguinte questionamento: por que ensinar História? De modo geral, encontra-se nos textos, bem como reproduzida pelos professores, de que “estuda-se História para compreender o presente e criar os projetos futuros”. Entretanto, segundo Bittencourt (2018, posição 1511), “As finalidades do ensino de História não se limitam a essa frase, sendo, evidentemente, mais complexas, e algumas propostas curriculares procuram explicitá-las”. A História, inicialmente, serviu para legitimar um passado que explicasse a formação do Estado-nação e para desenvolver nos um sentimento patriótico ou nacionalista, de identidade nacional. Na atualidade, seu objetivo relaciona-se à construção de identidades, das múltiplas identidades sociais, que incluem de gênero, étnicas e sexuais. Outro ponto de destaque diz respeito à formação intelectual, que ocorre por meio da elaboração de instrumentos significativos que proporcionam o desenvolvimento do pensamento crítico. O pensamento crítico “[...] que se constitui pelo desenvolvimento da capacidade de observar e descrever, estabelecer relações entre presente-passado- presente, fazer comparações e identificar semelhanças e diferenças entre os múltiplos acontecimentos no presente e no passado” (BITTENCOURT, 2018, posição 1538). Nas propostas dos PCN, aparece mais uma finalidade, a formação humanística dos alunos, voltada para o ensino da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Dessa forma, a moderna concepção de formação humanística prevê os pressupostos com outros valores e o compromisso ético, diferente do antigo relacionado à formação das “humanidades”, que objetivava a formação de uma elite responsável pelo destino político e mantenedora das desigualdades sociais e de direitos. Em função dos objetivos da disciplina, as propostas curriculares buscaram reorganizar os conteúdos, visando uma articulação entre objetivos-conteúdos-métodos. A seleção dos conteúdos históricos tornou-se, nas últimas décadas, um dos problemas para os elaboradores das propostas curriculares (BITTENCOURT, 2018, posição 1546). Os PCN apresentam os estudos organizados por eixos temáticos. Para tanto, houve a necessidade de se distinguir o estudo da História temática da História ensinada por eixos temáticos. A História temática, produzida pela pesquisa de historiadores, estabelece o tema a ser investigado, delimita o objeto, tempo, espaço e as fontes documentais a serem analisadas. A análise dos dados segue determinadas categorias e princípios metodológicos. Os eixos temáticos ou temas geradores obedecem a outros critérios, distantes da História temática (BITTENCOURT, 2018). 20 Os eixos temáticos ou temas geradores são indicadores de uma série de temas selecionados de acordo com problemáticas gerais cujos princípios, estabelecidos e limitados pelo público escolar ao qual se destina o conteúdo, são norteados por pressupostos pedagógicos, tais como faixa etária, nível escolar, tempo pedagógico dedicado à disciplina, entre outros aspectos (BITTENCOURT, 2018, posição 1573). O eixo temático não se limita ao conteúdo, mas estabelece relação com outros temas abrangentes tanto no espaço como no tempo. Assim, os temas de ensino de História propostos nos PCN deveriam se articular aos temas transversais, que consistem no meio ambiente, ética, pluralidade cultural, saúde, educação sexual, trabalho e consumo (BITTENCOURT, 2018). 2.3 DIVERSIDADE SOCIAL E CULTURAL NOS CURRÍCULOS Atualmente, nos currículos de História, percebe-se a inclusão de problemáticas em relação às diversidades sociais e culturais da sociedade. Assim, a história de gênero da África e das culturas afro-brasileiras e indígenas foram introduzidas nos estudos, sob pressão de diversos movimentos que ocorreram no Brasil, inclusive em fóruns e agendas internacionais. Esses movimentos que iniciaram na década de 1990 combatiam as formas de racismos, intolerância e xenofobia (BITTENCOURT, 2018). Por meio de legislação obrigatória, como a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, a LDB, os temas raciais da sociedade brasileira devem aparecer nos conteúdos curriculares, visto que a escola consiste no lugar de debates sobre tais situações. Assim, os estudos devem ser articulados aos conteúdos em projetos abrangentes, que incluam os problemas para além dos muros da escola. Esta perspectiva conceitual de História da África permite a integração dos temas sobre as sociedades africanas e afro-brasileiras ao longo das séries e não como um capítulo a mais no contexto da história europeia e suas formas de colonização em escala mundial. Os estudos das sociedades africanas devem estar inseridos em processo de revisão dos conceitos fundamentais que constituem a história dos grupos marginalizados e excluídos historicamente em escala internacional (BITTENCOURT, 2018, posição 1696). Os estudos indígenas são referenciais semelhantes aos das sociedades africanas e dos afrodescendentes que necessitam se fazer presente nos currículos escolares. Principalmente na caracterização dos indígenas, atualmente, que se vestem semelhantes aos não indígenas, o que causa uma certa estranheza para alguns. Segundo Bittencourt (2018, posição 1734) “[...] a incompreensão decorre principalmente pela ignorância da própria história e das lutas das sociedades indígenas contemporâneas do nosso país e demais países americanos para manutenção de suas culturas e modos de viver”. 21 De modo geral, os estudos da história da sociedade brasileira que contemplam a sua diversidade, necessitam abranger a inclusão dos povos indígenas, afrodescendentes e das sociedades europeias, nos seus tempos e espaços, enfrentando os preconceitos e as hierarquias. Para tanto, há necessidade de se romper com a periodização produzida pela lógica europeia, eliminando as divisões da História, passando a compreender o processo histórico como um todo (BITTENCOURT, 2018). DICA Conheça os Parâmetros Curriculares Nacionais de História e Geografia, descubra os objetivos e conteúdos assinalados para cada tempo de estudos dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Acesse: http://portal. mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro051.pdf. 3 FUNDAMENTOS GERAIS DA BNCC No período de 19 a 23 de novembro de 2014 ocorreu a 2ª Conferência Nacional pela Educação (Conae) organizada pelo Fórum Nacional de Educação (FNE). Nesse evento, ocorreu o início do processo de mobilização para a organização da Base Nacional Comum Curricular, com a formulação de um documento que apresentava as propostas e reflexões para a educação brasileira. Em 2015, entre 17 e 19 de junho, aconteceu o I Seminário Interinstitucional para elaboração da BNC, com a participação de assessores e especialistas envolvidos na sua organização. A Portaria nº 592, de 17 de junho de 2015, institui a Comissão de Especialistas para a Elaboração de Proposta da Base Nacional Comum Curricular. A primeira versão da BNCC foi disponibilizada em 16 de setembro de 2015, de 2 a 15 de dezembro todas as escolas se mobilizaram para a discussão do documento preliminar da BNCC. No ano de 2016, em 3 de maio, foi disponibilizada a segunda versão do documento, e, entre 23 de junho a 10 de agosto, ocorreram 27 Seminários Estaduais com a participação de professores, gestores e especialistas no debate para análise da segunda versão. Após esse movimento, em agosto iniciou-se a redação da terceira versão, enquanto processo colaborativo de produção com base na segunda versão. 22 O MEC encaminhou a versão finalda BNCC, em abril de 2017, ao Conselho Nacional de Educação (CNE), para que o parecer e projeto de resolução sobre o documento fossem elaborados. A partir da homologação da BNCC, inicia o processo de formação e capacitação dos professores, bem como o apoio aos sistemas de educação estaduais e municipais para elaboração e adequação dos currículos. Em 6 de março de 2018, profissionais da educação do Brasil foram mobilizados para analisarem e debaterem o contexto teórico da parte homologada do documento referente às etapas da Educação Infantil e Ensino Fundamental. O objetivo principal seria a compreensão de sua implementação e os impactos que iriam gerar na educação básica brasileira. No dia 2 de abril, o Ministério da Educação entregou ao CNE a terceira versão da BNCC do Ensino Médio, para iniciarem as audiências públicas para seu debate. No dia 2 de agosto de 2018, as escolas foram mobilizadas para o estudo da BNCC, etapa do Ensino Médio, na qual os profissionais da educação preencheram um formulário on-line com sugestões de melhorias. A BNCC para a etapa do Ensino Médio foi homologada no dia 14 de dezembro pelo ministro da Educação, concluindo o documento que abrange a Educação Básica no país. 3.1 AS COMPETÊNCIAS PARA A BNCC A BNCC (BRASIL, 2018) aponta conhecimentos, competências e habilidades esperados no desenvolvimento dos alunos ao longo da Educação Básica, com principal foco na formação integral para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. O documento infere na necessidade de os alunos aplicarem nas ações do seu cotidiano, na resolução dos seus problemas, os conhecimentos compreendidos no processo educativo que permeia a escolaridade básica. A BNCC consiste em um documento: [...] de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica, de modo a que tenham assegurados seus direitos de aprendizagem e desenvolvimento, em conformidade com o que preceitua o Plano Nacional de Educação (PNE) (BRASIL, 2018, p. 7). A promulgação da BNCC norteará a organização dos currículos na Educação Básica nas diversas redes de ensino a considerar o público e o privado. Apresenta dez competências gerais que preconizam os direitos a aprendizagem e desenvolvimento, sendo que o documento refere competência com o sentido de “mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho” (BRASIL, 2018, p. 9). 23 De modo geral, competência significa colocar em prática algo que se sabe, uma compreensão de algo. Sobretudo, desenvolver nos alunos as competências gerais necessárias para que consigam aplicar nas situações cotidianas, os saberes que aprendeu na escola. FIGURA 1 – COMPETÊNCIAS GERAIS DA BNCC FONTE: . Acesso em: 9 nov. 2021. Para a BNCC (BRASIL, 2018), as competências gerais estão organizadas em dez proposições que se relacionam e desdobram nas três etapas da Educação Básica, considerando a Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Competências gerais que buscam a formação integral do indivíduo por meio de uma educação integral, com prioridade no desenvolvimento humano de forma globalizada, que entende a complexidade humana para além da dimensão cognitiva, numa perspectiva cognitivo-afetiva. 24 3.2 ESTRUTURA DA BNCC A estrutura geral da BNCC se encontra organizada em códigos alfanuméricos que apontam para cada etapa de escolaridade sobre os direitos de aprendizagem e desenvolvimento. Dessa forma, a Educação Infantil enquanto primeira etapa da Educação Básica, apresenta seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento necessários, para que as crianças consigam aprender e se desenvolver. Os direitos de aprendizagem e desenvolvimento constam em: conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se. Com base nos direitos de aprendizagem e desenvolvimento, a BNCC (2018) estabelece cinco campos de experiências para que as crianças consigam aprender e se desenvolver. Consistem em: • o eu, o outro e o nós; • corpo, gestos e movimentos; • traços, sons, cores e formas; • escuta, fala, pensamento e imaginação; • espaços, tempos, quantidades, relações e transformações. Para cada campo de experiências foram definidos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento organizados em três grupos por faixa etária. Assim, considera como o primeiro grupo os bebês (zero a um ano e seis meses), segundo grupo as crianças bem pequenas (um ano e sete meses a três anos e 11 meses), e o terceiro grupo (quatro anos a cinco anos e 11 meses). O Ensino Fundamental possui uma organização composta de cinco áreas do conhecimento, que propiciam a comunicação entre os conhecimentos e saberes dos componentes curriculares. As áreas do conhecimento apresentam em seu contexto a formação integral dos alunos e destaca as particularidades dos Anos Iniciais e dos Anos Finais de forma distinta. Então, cada área do conhecimento "[...] estabelece competências específicas de área, cujo desenvolvimento deve ser promovido ao longo dos nove anos" (BRASIL, 2018, p. 28). Tais competências amalgamam nas dez competências gerais que se expressam nas cinco áreas do conhecimento; linguagens (língua portuguesa, arte, educação física e língua inglesa), matemática, ciências da natureza (ciências), ciências sociais (história, geografia) e ensino religioso. Essas áreas apresentam competências específicas que devem ser desenvolvidas no decorrer dos nove anos de estudos. 25 Para garantir o desenvolvimento das competências específicas, cada componente curricular apresenta um conjunto de habilidades. Essas habilidades, estão relacionadas a diferentes objetos de conhecimento – aqui entendidos como conteúdos, conceitos e processos – que, por sua vez, são organizados em unidades temáticas (BRASIL, 2018, p. 28). As unidades temáticas consistem em uma organização de conhecimentos em quantidade diferenciada relacionada às habilidades. As habilidades seriam as aprendizagens essenciais que todos os alunos deverão ter o direito assegurado nos diversos níveis escolares. Em suma, as unidades temáticas, os objetos de conhecimento e as habilidades para cada ano são identificadas por um código alfanumérico. Para o Ensino Médio, há quatro áreas do conhecimento ciências da natureza e suas tecnologias (biologia, física e química), ciências humanas e sociais aplicadas (história, geografia, sociologia e filosofia), matemática e suas tecnologias (matemática) e linguagens e suas tecnologias (arte, educação física, língua inglesa e língua portuguesa). A estrutura do Ensino Médio segue a mesma adotada para o Ensino Fundamental, identificada por códigos alfanuméricos que expressam as unidades temáticas, objetos do conhecimento e as habilidades para cada área do conhecimento (BRASIL, 2018). A BNCC define um conjunto de aprendizagens que são essenciais ao desenvolvimento das crianças, jovens e adultos durante as etapas da Educação Básica. Apresenta como principal objetivo o aprender, em destaque no texto com o direcionamento do trabalho pedagógico para o “aprender a aprender”, de modo que o estudante consiga colocar em prática, na resolução dos problemas do seu cotidiano, os conhecimentos aprendidos na escola. 3.3 COMPONENTE CURRICULAR DE HISTÓRIA Para a BNCC (BRASIL, 2018), o “fazer história” inicia com a indagação, inicialmente, da constituição de um sujeito que se amplia para o conhecimento do Outro, e, por fim, se direciona a outros povos com seus usos e costumes específicos. Por fim, parte-se para o mundo sempre em movimento e transformação. Nesse meio, os indivíduos produzem saberes que os tornam mais aptos para enfrentarem as situações