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ESTÉTICA
Mariana Comerlato
Jardim
Revisão técnica:
Sabrina Assmann Lücke
Arquiteta
Mestre em Ambiente e Desenvolvimento
Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin - CRB -10/2147
J37e Jardim, Mariana Comerlato.
Estética / Mariana Comerlato Jardim, Celma Paese ; 
[revisão técnica : Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre : 
SAGAH, 2018.
160 p.: il. ; 22,5 cm
ISBN 978-85-9502-416-8
1. Estética – Arquitetura. I. Paese, Celma. II. Título.
CDU 72.01:111.852
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A estética do Renascimento
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Reconhecer os conceitos de estética no Renascimento.
  Identificar os padrões considerados no período renascentista.
  Verificar exemplos de aplicação desses conceitos e padrões.
Introdução
A filosofia do belo, conhecida como estética, teve o seu início relacionado 
a Platão e foi sofrendo alterações ao longo dos séculos — ou adaptações, 
já que no Renascimento acontece uma retomada dos conceitos clássicos. 
Assim, o uso de colunas, ordens, ritmo e geometria segue presente, porém 
adaptado a novas situações e materialidades.
O maior contraste de ideias ocorre na transição da Idade Média para o 
Renascimento, pois a primeira vinculava a razão à fé, enquanto o segundo 
atrelava a razão à figura humana, no chamado antropocentrismo. É essa 
teoria que vai reger o período.
Neste capítulo, você vai conhecer as definições de estética durante o 
Renascimento, identificar os padrões estéticos do período e verificar como 
as características desses padrões se expressaram nos períodos posteriores.
O Renascimento
Renascimento, Renascença ou Renascentismo são termos usados para defi nir o 
período histórico na Europa entre os séculos XIV e XVI. Nesse período, houve 
diversas transformações culturais, sociais, econômicas, políticas e religiosas, 
abandonando os conceitos anteriores da Idade Média. Esse período é carac-
terizado pela transição entre o feudalismo e o capitalismo, e está relacionado 
principalmente às artes, à fi losofi a e às ciências. Além disso, o Renascimento 
foi fortemente infl uenciado pelo período clássico, abandonando o dogmatismo 
religioso e toda a mística envolvendo a cultura e sociedade. 
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Nesse processo, houve uma crescente valorização da racionalidade, ciência 
e natureza, desconsiderando totalmente a fé. No panorama de transformações 
sensíveis, que não mais correspondiam aos valores espalhados pelo pensamento 
medieval, o Renascimento sugeriu um novo conjunto de temas e interesses 
aos meios científicos e culturais de sua época.
O termo Renascimento foi usado pela primeira vez no século XVI, por 
Giorgio Vasari, historiador empenhado em colocar Florença como referência 
das inovações mais importantes. Os seus escritos foram essenciais para o 
desenvolvimento de uma crítica posterior. Esse período é conceituado como 
o abandono do teocentrismo e a valorização do homem; com isso, surge o 
humanismo. Essa filosofia coloca o homem como centro do mundo, com 
maior importância à dignidade, à capacidade humana e principalmente à 
racionalidade (RAGAZZI, 2015).
Embora o humanismo possa receber diversos significados, normalmente é associado 
à contraposição ao sobrenatural e ao ser superior. Está pautado na razão, nas posturas 
éticas e na preocupação com o humano.
Em relação à sociedade, é importante lembrar que a Idade Média, entre 
os séculos V e XV, era firmada no sistema feudal, com as classes sociais 
bem definidas e sem que houvesse qualquer mobilidade ou transitorie-
dade entre elas. Além disso, agarrava-se ao teocentrismo, na única verdade 
existente: a de Deus. Entretanto, como poucas pessoas tinham acesso ao 
conhecimento (somente os nobres), a produção intelectual da época foi bem 
restrita. Muitos alegaram que esse período foi de estagnação intelectual, 
artística e cultural. Diante dessa pausa de produção intelectual, pensadores 
e filósofos — nomeados como o grupo dos humanistas renascentistas — 
retomaram as pesquisas, na busca de informação para a população, que há 
séculos estava à margem dessa produção. As novas descobertas buscavam 
promover um pensamento mais racional e humano, ou seja, pautado pelo 
antropocentrismo (RAGAZZI, 2015).
No campo das ciências, dois nomes foram bem relevantes para o Renas-
cimento: os astrônomos Nicolau Copérnico (1473–1543) e Galileu Galilei 
A estética do Renascimento2
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(1564–1642). Copérnico é conhecido pela teoria heliocentrista, que coloca o 
sol como centro do universo. Apesar de esse assunto ser ligado à Antiguidade 
Clássica, foi apenas no Renascimento que ele ganhou um embasamento 
matemático consistente. Ainda sem total precisão, mas bem conciso, ele foi 
avançado por Johannes Kepler e, mais tarde, explicado por Isaac Newton, 
em sua teoria da gravidade. Já Galileu, conhecido por ser pai da ciência 
moderna, foi responsável pelos primeiros estudos do movimento uniforme-
mente acelerado, do pêndulo e do princípio da inércia. Como o seu trabalho 
se desenvolveu quase 100 anos após Copérnico, teve a sua pesquisa também 
ligada ao heliocentrismo: aprimorou o telescópio refrator e descobriu man-
chas solares, satélites em Júpiter e os anéis de Saturno (PARREIRA, 2002).
Nesse intervalo de transição entre o medieval e a Idade Moderna, é 
importante salientar as transformações na sociedade, na economia e na 
cultura da Europa. A desintegração da sociedade feudal, o ressurgimento 
dos núcleos comerciais e urbanos, a criação da imprensa e o fortalecimento 
da burguesia — a parte não nobre da sociedade — foram de suma impor-
tância para consolidar um novo período que se aproximava: o humanismo 
renascentista.
O movimento foi mais forte na Itália, na região da Toscana, mas também se 
manifestou na França, na Península Ibérica, na Alemanha e no Reino Unido. 
Essa circulação entre países se deve ao movimento da imprensa, em razão 
dos artistas e das artes produzidas. Porém, o referencial italiano gerou uma 
arte bem diferente, que recebeu o nome de maneirismo (RAGAZZI, 2015).
Maneirismo
O maneirismo foi um estilo ou um movimento artístico desenvolvido na 
Europa no século XVI, aproximadamente entre 1515 e 1600, como uma 
forma de revisão dos valores clássicos pretendidos pelo humanismo no Re-
nascimento. Esse estilo é mais estudado nos exemplares da pintura, escultura 
e arquitetura da Itália (local de origem do movimento), mas teve impacto 
também sobre as outras artes, além de infl uenciar culturalmente quase 
todas as nações europeias, bem como as colônias na América e no Oriente. 
Caracterizou-se pela proposital sofi sticação intelectual, pelo reconhecimento 
da singularidade e das interpretações individuais, pelos traços dinâmicos 
e complexos e pelo tom artifi cial dos temas, para conseguir maior emoção, 
elegância, poder ou tensão.
O termo deriva da palavra italiana maniera (maneira), mostrando que o 
estilo seguiria o gosto pessoal de determinado autor. Quando apareceu, no 
3A estética do Renascimento
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século XVI, foi usado por Vasari com sentido positivo, significando graça, 
leveza e sofisticação. Mais tarde, Raffaello Borghini se apropriou do termo 
para definir se um artista tinha um talento superior e original ou não. Em 
seguida, escritores como Giovanni Bellori e Luigi Lanzi alteraram o sig-
nificado do conceito, e ele passou a expressar artificialidade e virtuosismo 
demasiado, o que é entendido negativamente pelos estudos posteriores, até 
o século XX, quando foi revisto e passou a ser valorizado (SOUZA, 1978). 
A Figura 1 apresenta um exemplo de pintura maneirista, na famosa obra 
de Michelangelo.
Figura 1. Pintura O Juízo Final, de Michelangelo, considerada uma obra 
maneirista. Foi pintada entre 1534 e 1541, na Capela Sistina.
Fonte: legacy1995/Shutterstock.com.
A estética do Renascimento4C07_Estetica_Renascimento.indd 4 02/05/2018 11:23:20
Estética renascentista
A fi losofi a da beleza renascentista retoma os padrões da Antiguidade Clássica, 
quando gregos e romanos desenvolveram ordens e padrões, levando em con-
sideração a simetria e o ritmo. Esse movimento, embora bastante complexo e 
variado, estabeleceu novos princípios por meio das referências, dos métodos 
e sobretudo das formas originais e típicas, mas comuns em comparação com 
o clássico. Essas formas vêm de duas vertentes: a reutilização, já que retoma 
as características clássicas depois de quase mil anos, e a aplicação de novas 
descobertas técnicas. Nesse caso, essas descobertas foram a perspectiva, 
as regras matemáticas e descobertas de desenho que passaram a reproduzir 
sobre uma superfície plana a real aparência dos objetos (SOUZA, 1978).
Além de retomar a cultura da Antiguidade Clássica, houve muitos avanços 
nesse período — além das realizações no campo das artes, da literatura e 
das ciências, que já são um avanço sobre a Antiguidade. As ideias huma-
nistas foram fundamentais para esse avanço e desenvolveram o sentido 
do Renascimento. A estética renascentista propunha uma ressureição do 
passado, considerando a nova civilização. No contexto geral, é a estética de 
valorização do homem (humanismo), em oposição ao sobrenatural e o que 
provém de Deus (base da filosofia medieval).
Esse período tem por características gerais a representação da mulher 
como uma figura graciosa, cujas curvas do corpo determinavam a posi-
ção social. A mulher medieval — esbelta, natural e sem pinturas — foi 
trocada pela figura mais roliça e maquiada. A silhueta e o rosto femininos 
correspondiam às diferentes condições de alimentação, de altura e de 
questões financeiras, originando novos padrões visuais e de preferência, 
bem como novos ideais de beleza e erotismo. A mulher da Idade Média, 
dama aristocrática estreita de ancas e seios pequenos, saiu de cena, tra-
zendo como paradigma de beleza feminina, durante o século XVI, uma 
figura mais arredondada, de ancas largas e seios fartos (Figura 2). Essa 
imagem feminina de beleza se manteria até 1790. O corpo e a beleza física 
ganharam importância histórica a partir do final da Idade Média, com a 
Renascença, já que qualquer cuidado com a aparência era contestado no 
período anterior (RAGAZZI, 2015).
5A estética do Renascimento
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Figura 2. A pintura de Vênus representa a mulher mais arredondada e de quadris largos, 
numa oposição à Idade Média.
Fonte: Everett - Art/Shutterstock.com.
Padrões renascentistas
Corpo feminino
Durante o Renascimento, o corpo feminino tinha duas funções: identifi car 
a classe social em que a mulher se encontrava, já que as mulheres mais bem 
nutridas estariam em um nível superior, e se diferenciar da imagem do corpo 
masculino. Essa diferenciação também deveria acontecer na forma de se vestir 
e se portar. Desse modo, as mulheres passaram a usar roupas mais pudorosas, 
com vestidos longos e volumosos, além da cintura extremamente marcada 
pelo uso de espartilhos. Em costumes menos rígidos, era permitido exibir o 
peito, corado com rouge.
A beleza pecaminosa da Idade Média foi desconsiderada, já que no Renas-
cimento a aparência externa não estava ligada à bondade interior e invisível. 
A beleza da casca, dessa forma, tornou-se algo desejável e necessário, já que 
identificava o nível social. Ser bela era praticamente uma obrigação para quem 
desejava mostrar-se socialmente. Em linhas gerais, o belo estava nos corpos 
carnudos e nos rostos maquiados, que também estavam ligados ao erotismo 
(SILVA; REY, 2011).
A estética do Renascimento6
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A questão de higiene sofreu mudanças radicais ao longo dos séculos. O 
uso de banhos deu lugar à limpeza da roupa branca, utilizada sob os trajes 
mais pomposos. Essa alteração está ligada à peste e à sífilis, que atingiram 
a Itália no século XVI, trazendo a rejeição de água nos banhos. A preocu-
pação com a água fez com que outros produtos fossem desenvolvidos como 
substitutos, como perfumes e pós. Por conta disso, a limpeza passou a ser 
“coisa de rico”, uma vez que nem todos tinham acesso a esses produtos. 
Ainda assim, as partes descobertas do corpo, como rosto e mãos, recebiam 
maior atenção na higiene (PARISOTTO, 2009). A Figura 3 retrata essa 
modificação da beleza feminina por meio da pintura.
Figura 3. Mulher no espelho, de 1515, exposta 
no Museu do Louvre.
Fonte: Fogazzi e Zordan (2014). 
Arquitetura
A arquitetura renascentista caracteriza-se pela ruptura com a história, seja 
pelo meio em que ela é produzida, pela linguagem adotada ou por sua teoria. 
Essa quebra com o passado também determina uma nova postura do arqui-
7A estética do Renascimento
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teto, já que este passa a ser cada vez mais independente e portador de estilo 
pessoal. No entanto, engana-se quem acha que o que já havia sido produzido 
foi desconsiderado: há uma grande inspiração na arquitetura da Antiguidade 
Clássica, utilizando conceitos matemáticos de geometria e proporção.
É também um período de manifestações artísticas significativas, com obras 
grandes e imponentes, mas ainda não são considerados elementos indepen-
dentes: estão sempre ligados ao edifício. Já os ornamentos e as esculturas, 
antes elementos arquitetônicos, passam a ser elementos isolados e com função 
própria (SOUZA, 1978).
A ocupação do espaço na edificação se baseia em relações matemáticas, 
bem como na ordem e na simetria deixadas como legado da arquitetura 
greco-romana, de forma que o espectador possa entender que conceito o 
organiza e como aquela obra foi pensada. “Já não é o edifício que possui o 
homem, mas este que, aprendendo a lei simples do espaço, possui o segredo 
do edifício” (ZEVI, 1978).
Dessa forma, todos os conceitos da Antiguidade pertencentes à arquitetura 
greco-romana eram utilizados na concepção renascentista: o uso das ordens 
arquitetônicas, o ritmo da disposição dos elementos, a busca da Venustas, a 
perfeita beleza dos edifícios, a materialização das ideias filosóficas, os arcos 
de volta-perfeita, a influência das formas da natureza na composição, a forte 
presença de aspectos humanistas como a perspectiva, entre outros. As principais 
tipologias renascentistas são os palácios, as igrejas, as vilas (as famosas casas 
de campo) e as fortalezas, com função militar (BENEVOLO, 1988).
O principal nome dessa arquitetura renascentista foi Brunelleschi, conside-
rado um artista completo, já que, além de arquiteto, também se destacava na 
pintura e na escultura — esse era o profissional desejável no Renascimento, 
o artista que assume diversas funções. Mais que dominar os conhecimentos 
de matemática e geometria, tinha um embasamento filosófico surpreendente, 
sendo grande admirador da poesia de Dante. Além de projetar, também tinha 
conhecimento como construtor, sendo o responsável pela execução da cúpula 
da catedral de Florença, Santa Maria del Fiori, com 45 m de diâmetro (Figura 
4). Vencedor de um concurso para escolher qual cúpula cobriria a área do 
altar da Igreja, ele também foi encarregado de desenvolver a tecnologia 
envolvendo a estrutura para tal construção — andaimes, guindastes e afins 
(SOUZA, 1978).
A estética do Renascimento8
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Figura 4. Duomo de Florença, como é conhecida a Catedral Santa Maria del Fiori. A cúpula, 
projeto de Brunelleschi, é a maior em alvenaria já construída, com 45 m de diâmetro.
Fonte: kavalenkava/Shutterstock.com.
Ficou curioso para saber como essa cúpula foi pensada 
e executada? No vídeo desenvolvido pela National Geo-
grafic, você pode ter uma ideia de todo esse processo. 
Disponível em: 
https://goo.gl/24Xzdw
Esse elemento arquitetônico da catedral de Florença é comumente conhecido 
como o princípio da arquitetura renascentista, talvez por representaruma 
mudança no perfil estilístico, além de demonstrar uma nova forma de fazer 
arquitetura, retomando os conceitos da Antiguidade. Brunelleschni estabeleceu 
um novo método de trabalho, o qual, entre outras coisas, separava o projetista 
do construtor e reunia conhecimento de diversas artes (BENEVOLO, 1988).
9A estética do Renascimento
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https://goo.gl/24Xzdw
É importante ressaltar que o arquiteto italiano estava mais disposto ao 
fazer arquitetônico do que nos estilos clássicos. Isso fica mais claro quando 
observamos as suas obras: embora ele buscasse seguir as ordens clássicas, 
produzia uma arquitetura mais despretensiosa, fora da rigidez da Antiguidade. 
O motivo para isso pode ser o fato de que ele não tinha um conhecimento tão 
profundo do tema; a sabedoria estava mais voltada à prática do que à teoria. 
Com isso, ele iniciou uma tradição que buscava desligar cada vez mais o 
arquiteto do fazer. A intenção era que esses profissionais se tornassem inte-
lectuais afastados da construção, liberando-os da exploração da burguesia, 
no processo de exploração do proletariado que, anos depois, veio à tona na 
Revolução Industrial (FERRO, 1982).
Entretanto, foi ele que iniciou uma tradição de arquitetos não mais ligados 
às corporações de ofícios; os profissionais iriam cada vez mais (mesmo que 
pouco durante o Renascimento) afirmar-se como intelectuais afastados da 
construção propriamente dita. Alguns críticos que analisam esse fenômeno 
sob a óptica marxista identificam aí o momento em que a futura burguesia 
tomou das classes populares o domínio dos meios de produção (que deixava 
de ser o poder de “construir” e passava ao de “desenhar”), possibilitando um 
processo de exploração do proletariado pelo capital, que se tornaria evidente 
após a Revolução Industrial (FERRO, 1982).
Arte
As artes em si sofreram grandes mudanças após o fi m da Idade Média. As 
pinturas medievais, bidimensionais, achatadas e que não representavam a escala 
das fi guras, foram abandonadas. Isso nos mostra que as evoluções no período 
clássico — especialmente a ideia da profundidade — foram perdidas com a 
queda de poder de algumas regiões (BARROS, 2009). Assim, o Renascimento 
retomou a ideia de profundidade, aprimorando a perspectiva.
A pintura renascentista, além dessa noção de profundidade, trabalhava 
com maestria a relação de distâncias e proporção entre os objetos, seguindo 
os princípios de matemática e geometria. O uso das cores também ajuda a 
criar um melhor visual de profundidade: os claros representam as áreas ilu-
minadas e os escuros, as sombras que geram volumes nos corpos. O realismo 
é entendido na representação do homem como Deus, já que o mundo passa 
a ser compreendido cientificamente, e não só apenas admirado. Um ponto 
A estética do Renascimento10
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importante de ser salientado é a “independentização” das artes em geral: 
as pinturas e esculturas não estavam mais subordinadas à arquitetura, eram 
singulares e tinham valor próprio. Além disso, o artista passou a mostrar 
mais a sua opinião nesse período pautado pela liberdade e, por consequência, 
pelo individualismo das ideias (RIBEIRO, 1978).
Entre os nomes mais importantes da pintura renascentista está Sandro 
Botticelli. Para ele, a beleza estava associada ao ideal cristão e, dessa 
forma, as obras poderiam parecer belas, por manifestar a graça divina, 
ou melancólicas, por mostrar uma ausência de Deus. A sua obra de maior 
destaque foi O Nascimento de Vênus. Leonardo da Vinci, por sua vez, 
apresentou com maestria um sábio jogo de luz e sombra, a fim de instigar 
o espectador. Também trabalhou em outras áreas do conhecimento, o que 
lhe trouxe uma grande bagagem de conhecimentos. A icônica Monalisa 
(1503–1506) fez parte de sua produção do período, sendo uma das obras 
de arte mais famosas no mundo. Da mesma forma, Michelangelo tem 
a sua principal obra estampada no teto da Capela Sistina, no Vaticano, 
onde ele pintou, entre 1508 e 1512, diversas cenas do Antigo Testamento. 
Michelangelo também é considerado o maior escultor do período, com 
suas obras Moisés e Davi.
A obra O Nascimento de Vênus, de Botticelli, foi muito importante para o Renascimento. 
Acesse o link a seguir e veja os comentários sobre a obra. Disponível em:
https://goo.gl/bnRCS2
Nas esculturas, a intenção era representar o homem como ele é na realidade. 
Além disso, os artistas não se esqueciam da proporção, da profundidade e 
da perspectiva, uma vez que essas obras poderiam ser observadas de vários 
ângulos. Outro nome que se destacou foi Andrea del Verrochio, autor da obra 
Davi em bronze, com 1,26 m de altura (RIBEIRO, 1978).
11A estética do Renascimento
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https://goo.gl/bnRCS2
As características da estética renascentista 
e suas aplicações
O Renascimento é considerado o primeiro período de expressão moderno, que 
quebra com os pensamentos da Idade Média voltados para a fé. Na verdade, 
trata-se de um período de transição, no qual acontece a retomada dos concei-
tos clássicos, mas interpretados conforme o artista. Essa individualização e 
a possibilidade de interpretação subjetiva da arte são uma grande inovação 
desse período, já que não existe nenhuma força superior que seja a regente da 
estética. No Renascimento, a razão está no homem.
Nesses conceitos e nessa linha de pensamento, temos a influência de 
padrões da Antiguidade Clássica greco-romana, principalmente pelas ordens, 
na arquitetura, e pelas noções de profundidade, na pintura e na escultura. 
Na Idade Média, esses padrões haviam sido quebrados, dando lugar à fé e 
a critérios divinos. Como o órgão financiador da arte era a Igreja, a maior 
parte dos exemplares eram espaços sagrados e com muita riqueza de detalhes.
Após o Renascimento, a fé novamente é pautada no barroco, agora como 
forma de fortalecimento da Igreja Católica em relação à Reforma Protestante 
(1517) proposta por Lutero. Em relação ao Renascimento, trata-se de um 
período de muitos adornos e excessos, seja na arquitetura ou na pintura. No 
entanto, essa questão de apostar no divino como padrão estético desaparece 
na história.
A seguir, surgiu o movimento moderno, e com ele a ideia de quebrar todos 
os paradigmas da beleza. Os modernos viam o ornamento como algo a ser 
eliminado, pois retomava conceitos históricos. A ideia era inserir o processo de 
industrialização na arquitetura, bem como os conceitos de design. No contexto 
urbano, era o arquiteto que carregava o fardo de construir cidades e ambientes 
prazerosos para o homem; a arquitetura deveria ser limpa, econômica e útil. 
Esses conceitos remetem a algo do passado: a tríade vitruviana nada mais é 
do que utilitas (uso), firmitas (estrutura racional) e venustas (beleza). No caso 
dos modernos, o belo era limpo e sem adornos.
Duas frases definem bem esse período: “less is more” (“menos é mais”), 
do arquiteto Mies Van der Rohe, e “a forma segue a função”, do arquiteto 
Louis Sullivan. Essas afirmações descrevem muito bem o ideário mo-
dernista, ainda que eles tenham sido confrontados por muitos conceitos 
julgados “novos”. Na verdade, ocorreu uma reinterpretação dos conceitos 
já antes empregados: as colunas foram simplificadas e se transformaram 
em pilares e pilotis; as cúpulas em pedra ou alvenaria se transformaram em 
coberturas de concreto armado; o jogo de luz e sombra passou a ser dado 
A estética do Renascimento12
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por aberturas conforme a intenção; as antigas e pesadas paredes abriram 
alas para os esbeltos panos de vedação — uma vez que eles não têm mais 
papel estrutural, na maior parte dos casos.
O Convento de La Tourette, obra projeto de Le Corbusier e finalizada em 1960, faz 
uso de alguns conceitos citados anteriormente. Acesse o link a seguir e saiba mais.
https://goo.gl/fnnvLW
Em resumo, é possível identificar doisperíodos na história que apresentam 
características distintas: os que são influenciados pelas características clássicas 
e os que têm a divindade e a religião como centralizadora da razão. No primeiro 
grupo, estão o Renascimento e o movimento moderno (embora este último o 
negue). O modernismo, mesmo fazendo oposição às ordens clássicas, carrega 
consigo as determinantes essenciais de ordem, simetria e regularidade. No 
segundo grupo, estão a Idade Média e o barroco, nos quais a Igreja era a fo-
mentadora da arte e detinha o poder sobre o que era produzido (SOUZA, 1978).
O Renascimento retomou as ordens clássicas, mas dessa vez colocando o 
papel do artista/arquiteto de forma mais singular e autônoma. As artes (pintura 
e escultura), que antes só aconteciam simultaneamente à arquitetura, passaram a 
ter valor independe. Esse legado seguiu vivo na história para os outros períodos.
1. O Renascimento aparece na história 
como um momento após o sistema 
feudal, no qual as classes sociais 
eram bem definidas e não havia 
mobilidade entre elas. Além disso, 
agarrava-se ao teocentrismo, na única 
verdade existente: a de Deus. Sobre o 
Renascimento, é possível afirmar que:
a) seguiu todos os conceitos 
medievais, inclusive a imagem 
da mulher esguia e sem 
maquiagem como bela.
b) surgiu como uma negação 
à razão vinculada à fé cristã, 
já que foi comandado 
por filósofos judeus.
13A estética do Renascimento
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https://goo.gl/fnnvLW
c) é a antítese do período medieval, 
colocando a razão centrada no 
homem: o antropocentrismo.
d) esse período julga os conceitos 
clássicos como feios e antiquados.
e) acredita na imagem divina 
como centro da filosofia, 
assim como condena as 
proporções matemáticas.
2. O artista, durante o Renascimento, 
teve a liberdade de inserir a 
sua vontade na filosofia. Nesse 
período, surgiu um estilo que 
sintetizava essa ideia, chamado:
a) maneirismo, uma forma de 
revisão dos valores clássicos 
pretendidos pelo humanismo.
b) humanista, com a imposição 
do proporcionalismo.
c) maneirismo, conhecido por 
definir o objeto pela opinião 
do artista baseada na fé.
d) românico, em que o 
amor platônico era quem 
definia a beleza.
e) românico, com o 
antropocentrismo, no qual 
o homem vira o centro 
dos pensamentos.
3. A estética renascentista está 
pautada na razão do homem — 
no humanismo. Além disso, quais 
são as outras características da 
filosofia da beleza desse período?
a) As figuras femininas eram mais 
esbeltas e com a pele bronzeada.
b) Na arquitetura, o belo estava na 
verticalidade das edificações.
c) A continuidade dos conceitos 
góticos, como a fé cristã.
d) A beleza masculina estava 
nos corpos avantajados e 
com poucos músculos.
e) Pinturas tridimensionais e com 
a intenção de perspectiva, 
principalmente no uso de cores.
4. Na arquitetura do renascimento, 
Brunelleschi foi um dos 
nomes mais importantes. 
Foi dele o projeto vencedor 
para a cúpula da catedral de 
Florença. Mais que isso, ele:
a) tinha características de projetista, 
sem saber o material a ser 
usado e como empregá-lo.
b) buscou no gótico a inspiração 
de que precisava.
c) foi precursor da ideia de que a 
função de projetista e construtor 
deveriam estar dissociadas.
d) foi responsável pelos primeiros 
conceitos da arquitetura moderna, 
como a laje em concreto.
e) abandonou os conceitos 
clássicos para buscar algo autoral, 
dando origem ao barroco.
5. A pintura renascentista também 
retoma os conceitos clássicos, 
contrariando o que a pintura 
medieval propunha, ou seja: 
a) usava cores pouco 
contrastantes, para se 
diferenciar da arte medieval.
b) representou imagens sacras, na 
busca da razão em função da fé.
c) buscou os desenhos chapados, 
sem profundidade, já que 
a pintura medieval era 
pautada pela perspectiva.
d) buscava retomar as decorações 
excessivas do clássico, 
contrariando a pintura 
monocromática medieval.
e) buscava retomar a 
tridimensionalidade, em 
oposição aos desenhos 
planificados da Idade Média.
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15A estética do Renascimento
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http://www.dialogosmedi/
http://terranicos.com.br/index.php/RevistaDM/article/view/147/169
http://www.scielo.br/scielo.
http://3.ed/
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